A dicotomia "Esquerda" versus "Direita" não opera mais em nosso tempo

 

1 - Estou arrumando a minha página. Educado e correto é sempre se assinar o que se escreve. Abaixo da minha assinatura com a data de publicação ao final do texto, publiquei uns links mortos, reminiscência de um tempo morto e preservado na memória. Oportunamente os reviverei...

2 - Aproxima-se mais uma campanha à Presidência da República. Não há candidato "de Esquerda" ou "de Direita" - isso é areia nos olhos do eleitorado - quem governa, acima dos políticos, são os Grandes Bancos, as Grandes Corporações e, acima de tudo, as Apostas no mercado de Capitais.

3 - Escrevi as linhas abaixo tentando mostrar a um ex-aluno que ele estava equivocado ao criticar "a esquerda" me apontando para um gambá numa gaiola: eu me considerava "de esquerda", olhava para o gambá e não me sentia nada parecido com aquilo. Ao invés de ler, ele optou por se manter firme em suas convicções anticomunistas e me chamou de bobo. Triste.

4 - Ainda há reminiscências comercias na minha página, nada muito pesado pois eu respeito o navegante. Tenho de ganhar o meu pão dentro das regras do jogo.

Lázaro Curvêlo Chaves - 28/10/2014

Revisando educadamente a 10/01/2017

 

          A desonestidade intelectual de muitos perverte a Razão, leva um mau nome para a Esquerda, alimenta o anticomunismo e apresenta como alternativa o pensamento único do mercado.

 

          Desde a Revolução Francesa as expressões “esquerda”, “direita” e “centro” entraram na Ciência Política e, até hoje, todas as tentativas de embaralhar a compreensão vêm sendo combatidas. Com dificuldade, embora. Aquelas expressões, se um dia operaram, hoje, não mais.

          O Presidente da Convenção Nacional sentava-se à mesa diretora dos trabalhos e se dirigia aos delegados representantes das diversas classes sociais ali presentes que votassem medidas propostas por algum deles. À direita sentavam-se os representantes dos banqueiros e dos mercadores, tendo ainda mais à direita os representantes do Antigo Regime, que desejavam a volta da Monarquia (seus assentos ficavam à extrema direita). À esquerda ficavam os deputados do povo, dos trabalhadores e dos despossuídos. Ao centro sentavam-se aqueles que representavam a classe média, genericamente falando.

          Regularmente, quando o presidente dos trabalhos perguntava “como votam os senhores delegados à minha esquerda”? Estes sempre votavam medidas voltadas a melhorar a vida do povo trabalhador. Quando perguntava “como votam os senhores delegados à minha direita”? – sempre contra os trabalhadores, por medidas concentracionistas e protetoras das atividades bancárias e mercantis concentradas em proprietários privados. Ao se dirigir ao centro, que escolhia votar último. Na maior parte das vezes, este sempre votava com a maioria, ocasionalmente fazendo as vezes de “fiel da balança” no intricado e delicado jogo político da época.

          Assim classicamente, a Esquerda representa os interesses dos pobres, a Direita representa os interesses dos ricos e o Centro também representa os interesses dos ricos, disfarçando o máximo possível.

          Numa sociedade dividida em classe sociais antagônicas, quem luta pelos trabalhadores luta contra os interesses dos que desejam se manter ou ficar ainda mais ricos enquanto aqueles que lutam pelos ricos, lutam contra os interesses dos trabalhadores, basicamente de manter para si, ampliando sempre a quantidade do fruto de seu trabalho que é a fonte da riqueza das nações. Argumentos de que a riqueza das nações também viria da terra plantada ou de eventuais jazidas minerais caem por terra diante da pergunta: “quem trabalha a terra ou dela extrai minérios?” O trabalho humano é a fonte de toda a riqueza de todas as nações. O fruto desse trabalho é mal distribuído através da bagunça do mercado, concentrando-se precisamente nas mãos daqueles que menos trabalham.

          Quando se detectou, dissecou e descreveu o problema, não se estava “pregando a luta de classes”, como a propaganda omnipresente o apresenta. Quando se detecta e evidencia um problema, luta-se para retificá-lo, isso sim. Seria incorreto acusar Louis Pasteur de “pregar a propagação dos vírus”, o que ele fez foi o oposto disso: descobertos e evidenciados os vírus encontrou uma forma eficaz de combatê-los. A Ciência Política descobriu e evidenciou a Luta de Classes e propôs meios de suprimi-la, eminentemente erradicando as desigualdades sociais - seja "diminuindo gradualmente", no que se demonstrou ter mais sucesso como em toda a Europa Ocidanetal, seja abrupta, revolucionariamente, que já se comprovou uma forma infrutífera de encaminhamento; de todo o modo, não é, em absoluto, Científico “profetizar”. O Cientista elabora hipóteses de trabalho e avança com elas: caso se provem corretas na prática, as aprofunda; se errôneas, as descarta.

Ou Isto ou Aquilo e o Poder da Propaganda

          Evidentemente não se pode gerenciar uma Nação satisfazendo os interesse distintos de classes sociais antagônicas, como o populismo sempre tentou (e não apenas no Brasil de Vargas, Collor e Lula da Silva). 

          A "classe dominante" quer mais, os trabalhadores ainda estão tentando descobrir se há vida após o último buraco do cinto já apertado e os miseráveis estão (embora promovidos a “classe média” numa jogada de marketing tão absurda quanto eficiente) vivendo na mesma miséria, só que agora menos estimulados a buscar trabalho – que, por outro lado, não se encontra – e pendurados ao assistencialismo governamental. Há uma categorização em Ciência Política para governos e governantes que se dizem “de esquerda”, mas governam com e para os ricos e o lumpemproletariado, penalizando os trabalhadores: Fascismo.

          Agora complica ainda mais!

          Com os governantes se dizendo (ou não) “de esquerda” e como tal aclamada ou apupada pela mídia, pelas Escolas e Igrejas, sem que o sejam, o que conseguem de prático é o que sequer os mais reacionários da direita jamais conseguiram nos 25 anos de Ditadura Militar (1964 – 1989): desmoralizar a esquerda.

          Olham para esses cordeiros disfarçados de lobo e dizem: “a esquerda não sabe governar”, “olha as besteiras que a esquerda está fazendo: incompetência e corrupção” e por aí vai.

          Tudo resultado da Globalização em que o Collor tentou nos enfiar, FHC conseguiu e Lula deu continuidade, aprofundando-o. Vejamos algumas (só algumas, preciso de um texto enxuto hoje) das práticas irresponsáveis deste tipo de encaminhamento:

 _ Conquista de notas altas junto às agências de risco (que devem ser compreendidas ao contrário, notas altas das agências de risco de crédito significa notas baixas na dimensão social).

_ Base no capital financeiro, livre como determinou o “Consenso de Washington” quando passou esse "dever de casa" aos povos cujos governos cumpriram à risca.

_ Privatizações e terceirizações.

_ Destruição do Pacto Federativo. No caso Brasileiro, houve uma ampliação e concentração na arrecadação de impostos, fortalecendo um modelo concentrado de gestão que obriga governadores e prefeitos a se perfilar subservientemente ao Governo Federal sob pena de “ficar sem repasses”. Apenas a título de exemplo, conheci o prefeito de uma cidade interiorana que se elegia pela terceira vez. Disse-me ele que, quando foi prefeito da cidade pela segunda vez, a arrecadação estava em torno de R$ 70 milhões (ou o equivalente na moeda da época). Em seu terceiro mandato, mesmo numa cidade que, incrivelmente, teve forte crescimento econômico ao longo de duas décadas, a arrecadação caiu para menos de R$ 5 milhões devido à modificação na legislação tributária; para complementar, eram necessárias peregrinações e mendicância junto ao Governo Federal em busca de se conseguir alguma coisa.

_ Perversão da proposta do “Programa de Renda Mínima de Cidadania”. A idéia inicial seria a de que vivemos numa sociedade tão rica (a 7ª Economia do Mundo, cantada em prosa e verso) que ninguém mais precisa viver no tempo das cavernas, lutando por comida, moradia, vestimenta, etc. A proposta inicial era a de se conceder um “cartão cidadania” a todos os brasileiros – todos, sem exceção alguma – dessa forma, com a sobrevivência material garantida em níveis mínimos, todos se sentiriam estimulados a trabalhar em busca de mais. Uma excelente ideia! O projeto de poder do PT perverteu aquela ideia e a transformou numa concessão magnânima do governante somente aos miseráveis em troca de votos populares; o que criou uma legião de pessoas conformadas com uma situação deplorável, plantando nelas um vínculo de dependência do governo. Isso, desprezando os múltiplos casos de corrupção - tema para policiais -, pois a concessão se dá através de prefeituras nem sempre (ou raramente) famosas pela lisura no encaminhamento da coisa pública.

          Isso não é esquerda. Pode se dizer de esquerda, podem os rádios, jornais, televisões, escolas e igrejas insistirem que isso é esquerda, mas não é. São práticas conservadoras, direitistas e estão radicalmente equivocadas.

Nessa linha, se poderia pegar um gambá, botar numa gaiola e dizer que é um canário belga, com boa parte da opinião pública inclusive elogiando o cheiro bom do “passarinho” e seu canto mavioso. Ou falando que canário canta mal, que cheira mal, que é "corrúpito"... Bom, se tem cheiro de gambá, aspecto de gambá, comportamento de gambá e faz os ruídos que o gambá faz, no meu dicionário, é gambá! Com todo o bombardeio de todos os meios de Destruição da Razão a seu serviço, eu seguirei dizendo com simplicidade: "isso aí não é um canário belga não, é um gambá!" - ou, em termos mais chãos: esses caras são tão comunistas quanto o papa é muçulmano!

Esquerda que governa para banqueiros e apostadores na bolsa de valores não é esquerda, não. É gambá!

Pior: quem se diz "de Direita" já se acertou com os Bancos e Mercados de Capitais para manter as coisas como estão!

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 05/05/2014

Revisado a 10/01/2017

 

Alguns trabalhos da era passada; textos úteis ao historiador. De pronto os links estão mortos e os textos em processo de revisão. Apresento meramente os títulos a fim de preservá-los na memória

Neste imediatamente abaixo - que vou estudar se devo ou não levar ao ar de novo - eu apresentei umas idéias, o Senador Aécio Neves apresentou a solução mas foi voto vencido

A Derrota da Política e sugestões de retificação - 21/05/2013 (Em Fase de Revisão)

 

Charles Ferguson é o Autor daquela Obra Prima que é o documentário vencedor do Oscar de 2010 "Inside Job" sobre a crise de 2008 e aqui volta ao tema; eles precisam arrumar a casa deles lá em cima também

"O Sequestro da América" - Título Original: “Predator Nation: Corporate Criminals, Political Corruption, and the Hijacking of America” – Charles Ferguson (uma apresentação) - 30 de outubro de 2013

 

Outros

Da Servidão Moderna - Jean-François Brient e Victor León Fuentes (já um clássico)

Discurso Sobre a Servidão Voluntária - Etienne de La Boétie (o clássico)

 

Fui tomando nota à medida em que as coisas estavam acontecendo, pensei que em algum momento seriam úteis, preciso depurar o texto que ainda está poluído com vestígios que a Era do Ódio conseguiu plantar em mim; preservo os títulos pois intuo que serão (só os títulos) úteis ao pesquisador

Apontamentos para a história do Brasil - Primeira parte: da posse de Lula da Silva ao Escândalo do Mensalão

Apontamentos para a história do Brasil - Segunda parte: Mensalão, vampiros, sanguessugas, operações “abafa CPI”, queda de ministros corruptos no segundo mandado Lula etc.

Apontamentos para a história do Brasil - Terceira parte: A Queda de ministros corruptos no Terceiro Mandato Lula da Silva

Seria possível ielaborar diversos outros "Apontamento", contudo, de nada adianta depois que o noticiário POLICIAL tomou conta do noticiário POLÍTICO - há que se reverter este quadro!

 

Analisando trabalhos de Intelectuais com quem concordo pelo menos em linha gerais

Década Perdida – Dez Anos de PT no Poder – Marco Antonio Villa (Uma Resenha) - o texto de meu amigo Villa está impecável, o meu é que ainda está poluído. Rezo para que o Villa consiga manter sua Elevação Moral mesmo diante de todas as provocações que o vejo receber até hoje...

A Herança Maldita de FHC - Sérgio Miranda - Resenha Crítica - 18/08/2012 Aqui faço um breve resumo daquela resenha que fiz assim: Miranda escreveu logo ao final do governo FHC sobre as dificuldades de se encaminhar um projeto comunista, quais eram os desafios que FHC deixava como herança, etc. Ele não contava que o projeto de poder do PT nada tinha de comunista, saiu dele dignamente e está no ostracismo. Peguei as notas dele (que o PC do B removeu de sua página com vergonha), analisei comparativamente e busco demonstrar que Lula da Silva fez o mesmo, piorando muito, o que FHC deixou.

 

 
Copyleft © LCC Publicações Eletrônicas Todo o conteúdo desta página pode ser copiado e divulgado para fins não comerciais. É educado sempre citar a fonte... Contato: https://www.facebook.com/lazaro.chaves.54