
|
|
|
A PLATITUDE DO PT
“É muito triste percebermos a desconstrução de uma imagem de honra e ética de alguém que tinha nossa admiração e respeito, por força de suas próprias e sistemáticas omissões, falsidades e mentiras”.
Lembramo-nos quando o “Príncipe Plebeu” finalmente se tornou Presidente da República. Nossa alegria em ver um homem do povo, comungando no discurso com suas históricas aspirações e prometendo que tudo ia ser diferente, chegar ao poder máximo no Brasil; um dos próceres de um candidato a um grande partido que na sua fundação reuniu operários, setores da Igreja Católica, egressos da luta armada, etc. O máximo! Revoltados com as insinuações e críticas dos seus opositores sobre o seu teórico analfabetismo funcional para o exercício do cargo de presidente, desandamos a escrever artigos defendendo-o para o exercício da mais importante função pública do país. Sabíamos que muitos “PHD´s” já tinham ocupado ou estavam ocupando cargos públicos não mostrando a competência necessária para conduzir soluções para os graves problemas sociais do país, e que deveríamos naturalmente dar uma chance a um “verdadeiro e carismático líder popular” que, com a força do povo para preservá-lo das “heranças malditas”, “colocaria a casa em ordem” e traria de volta a esperança de um futuro melhor para os milhões de menos favorecidos, historicamente explorados e humilhados pela corja dominante. Mesmo escaldados com a “lembrança colorida”, mas depois de acompanharmos parcialmente sua trajetória como dirigente sindical e lermos sua afirmação no meio de uma entrevista à Revista Caros Amigos - “... Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes. Para não passar vergonha. Porque sabe o que acontece? Tem muita gente que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros e de dormir com a consciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume. E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por que não cumpriu ...” – pensamos em alto e bom tom: esse é o homem. Não podíamos ter receio de sermos felizes e, com muita emoção, depositamos nosso voto na urna. Se uma grande atriz brasileira tinha medo que o Brasil se avermelhasse não era o nosso caso. Se realmente isto viesse a acontecer, estaríamos dispostos a correr o risco, pois não era esta a essência da mensagem do nosso candidato à presidência, e estávamos lutando, no mínimo, para uma grande mudança em nosso país. Não éramos socialistas revolucionários das armas, mas se elas se impusessem, certamente, daríamos apoio, considerando que esta seria a vontade do povo, seguindo o exemplo de outras nações que somente conseguiram uma real liberdade, justiça e dignidade para os pobres e menos favorecidos, com lutas em todas as frentes. Com mais de 52 milhões de pessoas apoiando o nosso “Príncipe Plebeu” enfrentaríamos com coragem e determinação a podridão moral e ética que há décadas toma conta de parte significativa do poder público nas suas diversas esferas municipal, estadual e federal mancomunados com seus cúmplices da iniciativa privada. Sim, seríamos felizes, voltamos a dizer. Tínhamos a esperança de que alguém, finalmente, iria ser um indutor válido de alguma decência no processo político do país e que conseguisse desconstruir a prevalência histórica das políticas econômicas, monetárias e fiscais para beneficiar as elites, os donos do poder político e social e a burguesia empresarial, principalmente àquela formada pelos maiores exploradores e beneficiários do sacrifício do povo brasileiro com seus lucros anuais cada vez maiores: os banqueiros, que cada vez mais oferecem menos empregos e menores salários nas suas empresas (em função da revolução tecnológica do mercado financeiro) para os funcionários não pertencentes aos seus quadros executivos – sócios incondicionais da exploração alheia. Estávamos torcendo para que a estratégica “síndrome do assistencialismo” tão criticada pelas esquerdas (em relação às políticas da direita) para a garantia dos votos dos pedintes na fila dos benefícios do governo, não fosse mais um modelo de um instrumento de preservação do poder político nos diversos espaços de sua atuação. Enfim, tínhamos, também, entre outras tantas esperanças, a esperança de presenciar o início de uma verdadeira revolução na educação pública do país, no tratamento dado aos seus professores e nos investimentos em sua infra-estrutura, para que o crescimento pessoal e profissional dos menos favorecidos se desse pelo resultado da qualidade da educação pública recebida, preparando-os de forma, correta, complexa e integral para o ingresso em uma universidade pública por decorrência dos seus próprios méritos ou, diretamente, em uma vida profissional digna e com uma remuneração justa. Mas não demorou muito para começarmos a sentir-nos constrangidos e envergonhados (chegamos a pedir votos para familiares, amigos e vizinhos com os naturais desentendimentos conseqüentes das paixões políticas à flor da pele) por fazermos parte dos milhões de vítimas de um verdadeiro e histórico caso de engodo eleitoral praticado por um partido político e por um presidente eleito pelo povo. Ler jornais e revistas tornou-se um exercício de paciência e sofrimento para nossa forçosa atualização cultural, pela descoberta quase que diária do caráter moral, ético e político daqueles que foram colocados no poder com a ajuda dos nossos votos. Em um mero exercício de imaginação, não seria muito estranho que o atual presidente colocasse uma máscara (daquelas que se usam em filmes que imitam com perfeição outra pessoa) do FHC pela maneira ortodoxa de imitar seu sucessor nas suas políticas econômicas, monetárias e fiscais entre outros aspectos de governo; é claro que ambos não são passíveis de qualquer comparação, tão somente, o estilo de governar através de “terceiros”. Apesar das questionadas metodologias de se medir o aumento de empregos, conforme já divulgado pela mídia, não podemos deixar de reconhecer que postos de trabalho estão sendo gerados pelo significativo impulso dado às exportações, contudo, em um número incompatível com as promessas e compromissos assumidos na campanha eleitoral, como resultado de bem sucedida política internacional de abertura de mercados para inserção de nossos produtos. Excetuando-se uma “tímida” geração de emprego, vis a vis o prometido, quais as grandes novidades? Uma imprensa preocupada com a possibilidade de um golpe autoritário dentro do governo que lhe tire a liberdade e uma tentativa grosseira de controle da cultura, blindagens políticas ou administrativas de personalidades públicas acusadas de desvio de conduta incompatível com um cargo público, agressão às leis eleitorais durante as últimas eleições municipais, assistencialismo sem fronteiras e sem controle em troca de votos para várias décadas ... Continuando ..., inchaço incontrolável da máquina do governo com a criação de novas estruturas públicas e o empreguismo de militantes em cargos de confiança, campanhas de auto-estima pedindo ao povo brasileiro que se “vire para resolver seus problemas” simbolizando a aceitação e o conformismo da escravidão ao capitalismo neoliberal, estruturação de um governo com um objetivo prioritário de beneficiar um partido político para se eternizar no poder, desapreço com a luta pelos Direitos Humanos ... Continuando ..., financiamento de espetáculos de duplas sertanejas em campanhas eleitorais, agressão à impressa que não compactua com os atos ritualísticos de governo ou de um chefe de Estado, “compra” de apoio de outros partidos, recebimento de doações milionárias de empreiteiros acusados de corrupção, alianças políticas espúrias com quem sempre combateu ... Continuando ..., campanha de desarmamento engana-bobo e “o bom do Brasil é o brasileiro pobre e menos favorecido” (sem-teto, sem-terra, sem-emprego e sem nada), além de tantas outras “novidades”, fartamente noticiadas diariamente pela mídia. A platitude do PT, que ficou evidente após todos os seus atos até esta data, noticiados amplamente pela mídia, nos leva a temer pelo futuro deste partido que canalizou a esperança de uma vida mais justa e digna para milhões de brasileiros decepcionados com a atuação dos outros partidos. Como escreveu Diogo Mainardi em um artigo publicado na Revista Veja, “... O fato, porém, é que “todos sabem” dos métodos petistas. Ou acreditam saber. O PT foi desmoralizado. A imagem de partido que topa qualquer parada colou no PT...” Ou como disse Luis Eduardo Soares em artigo para a Revista Primeira Leitura: “Evidentemente, é de uma imoralidade aberrante esconjurar a “herança maldita” e, ato contínuo, com a dissimulação de que só os cínicos são capazes, seguir os passos da política econômica do governo anterior. Reeditar uma política que se repudiara nas eleições também constitui oportunismo vulgar”. Mas afinal de contas, excluindo-se o aumento de postos de trabalho por força do aumento das exportações, qual é a grande e real novidade do tempo do atual governo além da descoberta do verdadeiro caráter do PT e da continuidade de maneira mais ortodoxa das políticas do FHC, enfatizando-se uma atenção desmedida com os banqueiros nacionais e internacionais – os grandes beneficiários do sofrimento do povo brasileiro e históricos exploradores do nosso país? São alguns fatos inusitados que nos dão alento; vermos a disposição do Ministério Público e de uma parcela da Polícia Federal de lutarem sem tréguas contra a corrupção e o crime organizado ao gosto ou ao desgosto do PT e da ação por parte da Justiça Eleitoral de “bancar”, com o total apoio da opinião pública, a diminuição da quantidade de vereadores no Brasil em cerca de 3.000 vagas, principalmente. Enfim, bastou conhecer melhor o nosso "Príncipe Plebeu" para compreendermos o que realmente era, e é o PT, ou vice-versa e, repetindo a Senadora Heloísa Helena perguntamos a nós mesmos: como pudemos ser enganados dessa maneira? Geraldo Almendra e Carmen Gomes 12/11/2004
[ Assine o livro de visitas! ] - [ Veja quem já assinou]
Apoio Cultural:
|