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O Lulo-Petismo não é Republicano nem Democrático, é miseramente a condução do poder por agentes da metrópole por meio de fisiologia, suborno e propaganda

 

Introdução: o Brasil no contexto geopolítico regional

 

      Quando o interesse da Metrópole apontava na direção da guerra fria e da luta contra o comunismo (cujo significado poucos – se algum – dos generais governantes conhecia o significado da palavra) foram implantadas ditaduras militares em todo o subcontinente (Brasil, Paraguai, Chile, Argentina, Uruguai...).

         No momento em que, para melhor combater os regimes de capitalismo estatal autoritário (auto-proclamados “Comunistas”, capitaneados pela então União Soviética) foi necessário desmontar as ditaduras militares a fim de possibilitar ao Império Ianque levantar a bandeira dos “direitos humanos” contra aqueles regimes; as críticas na ONU contra os regimes militares empesteados de torturadores e assassinos amestrados, entronizados e mantidos no poder pelo Império, praticamente tornou esta decisão inevitável e coube a Jimmy Carter liderar a tal “cruzada” em prol dos direitos humanos desmantelando as ditaduras. No Brasil o caminho escolhido foi o da “transição transada”, com anistia ampla aos assassinos e aos assassinados (!) com a permissão da volta dos exilados e a proibição taxativa de “revanchismos”, ou seja, de luta por justiça. No Chile o ditador sanguinário foi feito senador perpétuo seguindo chefe das Forças Armadas. Na Argentina foi onde a transição foi a mais marcante: a decisão desajeitada de retomar para a Argentina as Ilhas Falkland e a inevitável derrota de oficiais e soldados argentinos devida e seguidamente sodomizados pelos soldados britânicos mexeu com os brios e o machismo dos Argentinos e a abertura política por lá fez com que a justiça alcançasse os dirigentes sanguinários até então subservientes à Metrópole, que lhes tirou o apoio.

      (Parêntese: é um padrão recorrente este de os EUA apoiarem assassinos sanguinários durante largos períodos e, subitamente, lhes tirar o apoio e mesmo “denunciar suas crueldades”, como aconteceu com o Talibã – equipado e apoiado pela CIA durante a Guerra Fria e transformado em inimigo com o colapso da União Soviética – e com o regime de Sadam Hussein (equipado, treinado e subvencionado pelos EUA para fazer guerra ao Irã por 10 anos) e, subitamente, transformado em “inimigo público”. O 11 de Setembro ainda será explicado apropriadamente mas, de pronto, sabe-se que Sadam Hussein nada teve com aquilo e que pelo menos o Pentágono, naquele dia, foi abalroado por um míssil terra-terra e o vôo fictício em que passageiros teriam dominado terroristas terminando em queda e desastre não teve avião algum havendo o avião citado nos relatórios pousado no horário e local previstos sem detecção alguma de muçulmanos ou o que o valha. Há muitos, nos EUA que têm certeza de que os ataques de 11 de Setembro de 2001 foram o que chamam de “Inside Job”, uma imitação em larga escala do “Incêndio no Bundestag” para justificar o controle interno da população – mantida e controlada pelo medo constante – assim como os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. A verdade, seguramente virá à tona, talvez ainda na nossa administração.)

      A pregação para-religiosa do “Estado Mínimo”, das privatizações e do retrocesso a um capitalismo selvagem parecido com seus primórdios, o vale-tudo do “homo lupus homini”, forjou um consenso brutal da opinião pública através de teses acadêmicas, artigos de jornal e muita lavagem cerebral pela TV e rádios, ganhando o mundo a partir da eleição para a presidência da Metrópole de um ator de segunda categoria – famoso em comerciais e filmes de quinta categoria, um certo Ronald Reagan – que, mesmo sem entender pitombas dos textos que lhe davam para ler, na prática transferiu todo o poder decisório da Metrópole de Washington para Wall Street levando, claro, suas colônias (Brasil incluso) de pronto com ele e, com o passar dos anos ganhando também toda a Europa e o Japão.

      Hoje em dia o poder decisório não está mais nos corações e mentes de quem se elege para cargos públicos, mas dos apostadores das bolsas de valores, grandes conglomerados financeiros e bancários de todo o mundo, transformando os políticos em apêndices – por vezes incômodos, mas quase sempre cooptados e coniventes com os interesses do que se passou a conhecer como “Os Mercados”.

       O mundo passa a ser comandado por um tipo de fascismo com menos violência e mais propaganda do que se viu, por exemplo, na Alemanha hitlerista ou na Itália sob Mussolini, paradoxalmente talvez, com vasto suporte de todo o poder ideológico do Estado Nacional de Israel e dos seguidores da Ideologia do Estado de Israel. Há grandes judeus anti-sionistas (o sionismo é um movimento que tem seu início em finais do século XIX e devota-se, desde aquela época a recriar um Israel mitológico que se estenderia desde o Rio Nilo até os rios Tigre e Eufrates o que, com as Guerras do Golfo, tende a uma aproximação espantosa). O sionismo, contudo, que comanda o Estado Nacional de Israel tem corte claramente fascista e é o principal aliado ideológico desta nova tendência à Globalização, excelente para os Globalizadores (as Corporações, os apostadores das bolsas e banqueiros), “Os Mercados”, enfim, é péssimo para os Globalizados (os seres humanos de todo o planeta, em síntese).

      Um bom exemplo desta tendência está na ordem da Metrópole, agora advinda de Wall Street, de se criar nas colônias uma moeda paritária ao dólar estadunidense além de se manterem METAS de inflação, ou seja, a inflação, excelente para “Os Mercados” desde que sob controle dentro de determinados limites passa a ser incentivada e a manutenção de seu controle passa pela devastação de todas as conquistas dos seres humanos sobre as máquinas estatal e comercial ao longo de séculos. A receita, já pregada no Brasil por gente (gente?) da laia de Bob Fields e Octávio Gouvêia de Bulhões passa a ser praticada e todo o pensamento na direção do humano, contrário, portanto, aos interesses “dos mercados” passa a ser suprimido liminarmente do pensamento universitário e das máquinas de propaganda ou o que Louis Althusser chamava de Aparelhos Ideológicos de Estado (escolas, igrejas, jornais, rádio, TV). A Internet parece ser uma trincheira onde a liberdade de expressão e pensamento, VITAIS para o avanço do pensamento científico sério, ainda encontram alguma liberdade.

      Enfim, a Metrópole ordenou, o México foi a primeira vítima, seguida da Argentina com o “plano Cavallo” e do Brasil com o “plano Real”, mas ao fim e ao cabo, todo o subcontinente latino-americano se tornou refém “dos mercados”, ficando a esfera política num distante segundo plano em termos de decisões vitais aos seres humanos.

      Dentre as medidas para manter uma taxa de inflação considerada vantajosa para “os mercados” sem cair a zero nem crescer fora de controle destacam-se: limitações salariais, cortes dos investimentos estatais (fruto dos impostos pagos pelos seres humanos) em aposentadorias, educação e saúde pública, facilitação ao crediário com a decorrente ampliação do endividamento individual e ainda a uma elevação cruel nos índices de inadimplência, já hoje beirando os 50% no Brasil.

      Com a cumplicidade dos legisladores lacaios ou diretamente representantes “dos mercados” criam-se leis que desembocam em coisas irracionais como o “Bacen-Jud”, que, na prática, suprime a figura jurídica do sigilo bancário e permite a qualquer juiz bloquear contas (inclusive ou particularmente de salários, fonte de subsistência) de devedores, freqüentemente levando-os ao desespero ou ao suicídio. A legislação protetora da propriedade é tão vasta quanto irrisória a legislação protetora da vida dos seres humanos e, consequentemente, estes 50% de devedores precisam – já se tornou um fenômeno da Cultura Brasileira, portanto caça ao alcance de minha espingarda a “visita do Oficial de Justiça com ou sem acompanhamento policial, a nomear bens de devedores à penhora”. Os outros 50% conseguem, a duríssimas penas, sobreviver com o seu salário, ver tristemente seus eletrodomésticos se deteriorarem sem que possam repará-los, menos ainda trocar por novos, que transferem seus filhos para escolas públicas com professores pessimamente remunerados em estruturas caindo aos pedaços e contam com os serviços de saúde pública com médicos remunerados à ordem de U$ 0,80 (oitenta centavos de dólar, algo como R$ 1,50) por consulta.

     Em síntese, a adesão do Brasil ao fundamentalismo “do mercado” fez com que pelo menos metade da população voluntariamente baixasse seu padrão de vida e a outra metade venha sendo a isso forçada. Naturalmente, os agentes da Metrópole por aqui conseguem rapidamente decuplicar duas vezes suas fortunas em 4 anos, como foi o caso de Antônio Palocci ou manter monopólios privados de reservas minerais (de alguma forma o Eike Batista herdou isso da Ditadura Militar e, seja pelas gordas contribuições a todos os políticos, seja pelo desprezo olímpico que os nossos governantes têm para com o nosso povo, vem mantendo) de comunicações – como as Teles, do fornecimento de energia elétrica e mesmo, em casos paroxísticos, de que a Bolívia recente é um exemplo notável, até da água (de rios, lagos e nuvens!) privatizada, um dos impulsores da eleição de Evo Morales que, até onde nos chegam as notícias acabou com esse exagero de perversão: privatizar a água de um país!

      Uma palavra de consolo, mas não para a nossa administração: as ondas de privatização e estatização parecem se suceder em ciclos que variam de um a três séculos. Foi assim no Brasil com as “Capitanias Hereditárias” que acabaram revertendo ao governo metropolitano português devido à péssima gestão dos administradores privados e também na Índia, quando a corrupção descarada da Companhia das Índias Orientais (proprietária privada de boa parte do Sudeste Asiático) descambou na Primeira Guerra de Independência da Índia (chamada pejorativamente pelo colonizador de “Revolta dos Cipaios”) e fez aquela possessão passar para o Estado Nacional Britânico e, cem anos depois, uma quase independência; pois a Índia também se encontra “globalizada”, ou seja, sob o controle “dos mercados”.

      (Quando falo em “nossa administração” remeto-me à conhecida piada, adequada a um povo que acredita em coisas fantásticas como um defunto apodrecendo – Karol Wojtila – que consegue curar uma freira viva. Conta-se que alguns dirigentes de esquerda se dirigem ao Lula – agora na direita – e pedem a ele que retorne o controle da produção e circulação da moeda ao Povo Brasileiro, tirando das mãos do Banco Central a serviço “dos mercados” e não dos brasileiros. Lula responde: “não na minha administração!” Bispos da CNBB vão até ele e pedem que amplie o valor do bolsa-esmola que está mantendo os “beneficiados” abaixo da linha da miséria, pois o bolsa-esmola concede a cada vítima menos de um dólar por dia e, segundo a ONU, a definição de miséria é precisamente esta: “seres humanos vivendo com menos de um dólar por dia”. Respondendo ao pleito da CNBB, Lula rosna a mesma resposta: “não na minha administração!” A vários outros pleitos similares na direção de levar o povo ao poder e remover o poder das mãos do mercado ou mesmo combater seriamente a corrupção, a fisiologia e o compadrio, Lula vocifera com aquela voz rouca e gritada de ex-dirigente sindical e hoje Führer: “Não na minha administração!” No fim da piada, Lula morre e bate na porta do céu pedindo para entrar e ouve de dentro um poderoso vozeirão a dizer “NÃO NA MINHA ADMINISTRAÇÃO!

 

1 – Exemplos de diferenças entre regimes republicanos e o regime Lulo-Petista

1.a – Em sistemas políticos republicanos percebe-se claramente a existência da meritocracia, ou seja, para cargos públicos relevantes são nomeadas pessoas dotadas de notório saber e reputação em cada área específica, num Ministério ou Secretariado enxuto e eficiente. Assim, Educadores exercem funções de Ministros, Secretários e Delegados de Ensino em países como a a Noruega, a Islândia, a Suécia, a Suíça, a Dinamarca e mesmo, até certa medida, em países como a França e a Alemanha. No caso Brasileiro, os ministros, secretários e delegados (centenas em todos estes cargos nas instâncias nacional, estaduais e municipais, muitos dos quais recebendo salários bem gordos para ficar em casa ou mesmo ir ao escritório com a condição de que não façam nada) são nomeados politicamente de acordo com interesses imediatos e mesquinhos do governante, assim, a pasta da Ciência e Tecnologia no Governo Federal, por exemplo, encontra-se sob controle de um economista medíocre cuja função precípua é dificultar o avanço da pesquisa científica no Estado de São Paulo, que o elegeu e “contingenciar”, ou seja, cortar recursos da pesquisas científica ( recursos estatais oriundos dos impostos pagos pelos brasileiros) para jogar na ciranda financeira dos apostadores das bolsas de valores e formas diversas de monopólios privados de setores cruciais ao que outrora se chamava “Segurança Nacional” – expressão que perdeu o sentido assim que Collor de Mello assumiu o Poder em 1990 e segue vazia até hoje, linearmente. O mesmo se pode dizer de praticamente todas as outras pastas, com exceção daquelas ligadas à Economia que são ocupadas por gente de alta confiança “dos mercados” e de eficiência comprovada em extorquir impostos para garantir reservas que são dirigidas para as já grandes fortunas internacionais através dos diversos mecanismos “dos mercados”.

1.b – Em sistemas republicanos percebe-se que o aparato policial está a serviço dos cidadãos, que os policiais são remunerados de acordo com o nível de responsabilidade e periculosidade em que vivem e que sempre são aplaudidos e apreciados pela população. No caso brasileiro, o aparato policial está direcionado principalmente à proteção do patrimônio – só esporadicamente em proteção à vida humana e prioritariamente em caso de se tratar de vida de pessoas de uma forma ou de outra ligadas “aos mercados”. A remuneração do policial é tão aviltada e a corporação acaba se tornando tão antipática à população que o PM vai à paisana de casa e só veste a farda no quartel mantendo a sua profissão em segredo; mesmo as esposas dos policiais sequer podem lavar a farda do PM em sua casa para que os vizinhos não saibam se tratar de policial e a famosa “atração feminina pela farda” no Brasil Lulo-Petista praticamente não existe mais...

1.c – O Sistema Judiciário nos países republicanos prioriza o ser humano enquanto no regime Lulo-Petista a legislação promulgada pelos senadores e deputados os força a priorizar a coisa morta, a materialidade mercadológica, não a vida ou o ser humano.

1.d – Em sistemas republicanos pouco se percebe a presença do Estado – que tende a ser eficiente e controla todo o sistema educacional e de saúde pública bem de perto. “Os Mercados”, onde sentem a presença do Estado tendem a lutar contra isso para exercer seus ímpetos predatórios nas áreas potencialmente lucrativas que o Estado controla e a guerra de propaganda de lado a lado é clara para povos bem educados e com saúde bem tratada. No caso brasileiro o governo já entregou praticamente toda a responsabilidade com a educação e saúde de nossa gente à iniciativa privada e a propaganda vai na direção oposta encontrando eco numa população deseducada e imbecilizada. Em várias circunstâncias constatei pessoalmente que o brasileiro tende a acreditar mais na propaganda que em sua vida real – não podemos de todo censurá-los, a propaganda é linda, maravilhosa e mostra um Brasil feliz, sorridente, próspero, próximo do pleno emprego, com os preços em queda e salários em alta. Já a realidade é realmente desagradável: salários em queda livre, preços em elevação constante, desemprego próximo a 40% de nossa força de trabalho, quase metade da população “inadimplente” tendo de encarar oficiais de justiça e bloqueios em suas contas-salário... A propaganda é melhor, sem dúvida! Houvesse no Brasil melhor educação e o povo perceberia a diferença, mas está tão bom assim para “os mercados”, por que mudar? O povo, ora o povo... Que “se lasque”! Fazendo justiça: desde o suicídio de Getúlio Vargas até hoje o Brasil vem ladeira abaixo em todos os parâmetros sociais, educação à frente. Não foi por acaso que Juscelino moveu a capital do Brasil para o Planalto Central. Que governante antipático quer ficar no Rio de Janeiro, no meio do povo? E que governo, depois de Getúlio, não foi antipático e avesso ao povo na prática embora na propaganda haja quase que uma disputa entre os diversos tiranetes que, de vez em quando se apresentam para cargos eleitorais, para ver “quem é mais simpático e está mais próximo dos anseios populares”. Exemplifico em meu último emprego, pouco antes de me aposentar, quando coloquei na Sala dos Professores uma frase atribuída a Zoroastro “E eu, que vou fazer hoje para que o mundo se torne mais feliz e mais belo?”. No dia seguinte a Direção da Escola havia substituído a minha frase – preciso enfatizar que havia grandes espaços vazios para opiniões distintas no quadro de avisos – pela seguinte: “EU QUERO É O MEU!”

1.e – No regime republicano a res publica a coisa pública, a gente, os seres humanos que vivem, trabalham e pagam impostos têm a prioridade total. No Lulo-Petismo a coisa pública é desconsiderada olimpicamente (exceto na propaganda, como já se disse) e a prioridade (quase exclusividade) é o benefício individual de cada representante “dos mercados”, uma vez que o Lulo-Petismo representa não o povo ou a Nação Brasileira; nele, cada um de seus membros é regiamente recompensado por governar a favor “dos mercados”, contra a república.

 

2 – Exemplos de diferenças entre regimes democráticos e o regime Lulo-Petista

      Aqui a situação é tão extremada que tomaria um compêndio; convido a todos os meus leitores, todos dois, a enriquecer estas reflexões deixando seus comentários em meu blog: http://conjuntura.zip.net. Fico em 3 exemplos mais gritantes para começar o debate.

2.a – Semana passada vimos um exemplo magnífico de exercício democrático na vizinha Argentina. Os votos lá aparentemente são levados a sério, vi no Youtube uma cena da presidente da Argentina depositando um voto EM PAPEL numa urna, ou seja, na Argentina, aparentemente, ocorre uma contagem e, se preciso, recontagem dos votos – tal como na Inglaterra, nos EUA, no Canadá e francamente na maior parte dos cerca de 200 países do mundo.  Infelizmente, mesmo na Argentina o direito à participação nas eleições é confundido com dever e, se conta entre os poucos países em que os governantes ainda agridem seu próprio povo com a figura hedionda do Voto Compulsório.

      O caso do Brasil é peculiar, não apenas por estar numa lista curtíssima de menos de 20 países onde o voto ainda é obrigatório (Gabão, Guatemala, Honduras, Paraguai, Turquia, Singapura...), mas por contar com um processo de contagem de votos francamente ridículo: “Urnas Eletrônicas”, capazes de dar o resultado da eleição antes mesmo que todos tenham votado; a Justiça Eleitoral tem um controle tão pífio sobre o processo que foi escandalosamente debatido o tema das pessoas que contam com vários títulos de eleitor para votar várias vezes no mesmo candidato em lugares diferentes. Outra questão levantada foi aquela relativa ao que acontece quando muitas urnas não funcionam, ou param de funcionar, perdendo mais da metade dos dados dos primeiros eleitores daquela sessão e a eleição passa a ser feita manualmente (se o resultado já foi oficializado, para que serviria essa formalidade mesmo?). Vários amigos meus – não foi o meu caso, felizmente! – relataram que votaram nulo, mas ao conferir o resultado da sessão em que votaram não constava um único voto nulo!

       E   a s s i m   p o r   d i a n t e...

      Pessoalmente só concordarei de votar diferente de nulo se duas modificações cruciais forem feitas:

     1) Que o direito de votar, como todos os direitos civis, seja FACULTATIVO. Essa conversa idiota de “exercer um direito cívico” ou moleques que estavam ainda na bolsa escrotal de seus pais a dizerem a mim – e eu me orgulho de haver participado de todas as lutas pelo DIREITO ao voto durante a Ditadura Militar – que “não posso votar nulo pois nós lutamos muito pelo direito de votar”. Sim. Não o moleque, que ainda não existia nos tempos de luta mais feroz, mas nós, brasileiros e patriotas (outra palavra que parece haver perdido o sentido na era Lulo-Petista) lutamos muito por um direito, não para que esse direito se transformasse numa canga e num nariz de palhaço!

      2) Que os votos sejam contados e levados a sério. Que se acabe com essa montagem teatral, fragilíssima do ponto de vista tecnológico e fraquíssima do ponto de vista da representatividade efetiva, que nos ridiculariza diante do mundo chamada “Urna Eletrônica”. (Eleições municipais em cidades pequenas são um caso totalmente à parte, evidentemente. Seja qual for o método, a fraude eleitoral, como amplamente praticada nas eleições majoritárias, é consideravelmente menor em comunidades menores). Justiça seja feita: isso não começou na era Lulo-Petista; é mais uma das heranças malditas (como as privatizações e a entrega do poder político “aos mercados”) que o Lulo-Petismo simplesmente beatificou...

2.b – Nos países democráticos o sigilo bancário, telefônico e postal – entre outros – são assegurados a todos os cidadãos. Inclusive por força de leis internacionais a começar pela Declaração Universal dos Direitos Humano. O Brasil é signatário e não recebe sequer uma reprimenda por violar tão acintosamente os direitos de seus cidadãos...

      No Brasil Lulo-Petista foram promulgadas leis que, na prática, suspendem o sigilo bancário de todos os cidadãos para fins de cobrança de dívidas e medievalismos similares num retrocesso surpreendente, mas real e crudelíssimo. O sigilo telefônico foi suprimido por uma medida da Anatel que obriga as operadoras de telefonia a manter registros de todas as ligações feitas no Brasil. O sigilo postal é tão inexistente que várias empresas enviam sua correspondência – como a maior parte de toda a correspondência, perfeitamente lícita e francamente desinteressante ao governo – aberta ou com facilidades para abertura e fechamento com o aviso “esse pacote pode ser aberto para conferência de conteúdo” ou o que o valha. Quem de nós ainda não foi vítima de correspondência lacerada e re-envelopada? Que procuram? Dinheiro? Será que os carteiros estão tão mal remunerados assim? Mas quem não está mal-remunerado neste país Lulo-Petizado? Só os poderosos, a elite Lulo-Petista no poder (professores primários que mantém fazendas com aeroportos em Goiás, ex-deputados que multiplicam sua já vasta fortuna por 20 em menos de 4 anos...) e, naturalmente os operadores “dos mercados” pois é para eles que o Lulo-Petismo governa.

2.c – Nos países democráticos, quando ocorrem casos de suspeita de corrupção com desvio grosso de dinheiro público a primeira medida cautelar é bloquear os bens do suspeito. Investigam-se os corruptos e os corruptores e todos são exemplarmente punidos se a investigação concluir que houve, de fato, o que se denunciou.

     No Brasil Lulo-Petista descredencia-se a Polícia se ela “ousa” ser efetivamente republicana e não governamental-partidária, desacredita-se a imprensa se esta exerceu bem o seu papel e o corrupto é “blindado” pelo governo e, em geral, sai ileso com toda a grana roubada do povo. O corruptor nem sequer é mencionado!

     Flagrado, o Lulo-Petismo se defende com hipocrisia: “Todo o governo rouba. A diferença é que nós investigamos mais...” Tá bom, faz de conta que eu acredito.

      As Comissões Parlamentares de Inquérito são um instrumento eficaz nas democracias mais antigas do mundo. No Brasil, elas são obstaculizadas ao máximo pelo Lulo-Petismo e, se mesmo assim se implantam, o Lulo-Petismo que não queria a CPI, com a conivência da oposição menos convincente e mais dócil do planeta Terra, assume a presidência e a relatoria da Comissão para evitar que ela efetivamente exerça a sua função a contento. Nunca vou entender por que diabos os parlamentares concordam – todos, de todos os partidos, sem exceção – que mesmo os partidos que votaram CONTRA a CPI estão credenciados a presidi-la e relatá-la! Mais uma jabuticaba política, claro.

 

Concluindo...

Será que vivemos tempo demais sem democracia e até a memória do que seja democracia – ou mesmo república – se apagou do imaginário popular, das Universidades e dos centros decisórios de poder?

 

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