Baú de maldades
Mais uma saída direto da fábrica de
maldades do Planalto. Um projeto de lei protegendo ainda mais o sistema
financeiro e atacando violentamente a atividade jornalística.
Pelo projeto, se efetivamente
submetido ao Congresso e aprovado, passam a ser crimes uma série de práticas que
auxiliam o jornalista na obtenção e divulgação de informações relevantes ao
esclarecimento da opinião pública.
A idéia não é nova. FHC já o
havia tentado sem sucesso e, no quadro atual, as possibilidades de sucesso de
Lula da Silva tampouco são muitas. A vingar, reforça-se ainda mais a proteção às
instituições mais poderosas (ia dizer do país..) do planeta no Brasil: os
bancos. E diminuem dramaticamente as condições de defesa dos mais pobres contra
o poder econômico.
E ainda tem gente que fica
chateada comigo quando informo a mais pura obviedade: Lula está fazendo um
governo à direita de FHC, à direita de tudo o que já se fez por aqui.
O discurso da semana
Segunda-feira foi um dia para
discursos e marketing – a única especialidade de Lula da Silva, se é suficiente
para conduzir uma Nação o eleitorado será convidado a opinar em outubro próximo.
Sou cético quanto a esta via eleitoral. No Brasil, quem tem a máquina do governo
na mão só não se reelege se for muito incompetente. A Lula sobra incompetência,
mas a alternativa com maiores possibilidades de troca de turno é igualmente
danosa e mantém nossa economia subordinada à concepção do FMI e grandes
conglomerados financeiros sem vínculo com os anseios de nossa gente.
Enfim, em seu discurso, dirigido
mais claramente às pessoas menos informadas, “o Brasil está melhor sob o seu
governo e seguirá melhorando”. No dia seguinte os tucanos entraram com uma
representação contra ele no TSE por antecipar a campanha à sucessão eleitoral.
Em 3 anos governou para os bancos e
abandonou escolas, hospitais e estradas (só para citar as 3 mais gritantes) além
de exalar um odor desagradabilíssimo de corrupção como nunca se viu antes nesse
país. Deseja que acreditemos, que estava “arrumando a casa” para decolar no
momento certo. Coincidentemente o momento certo é o ano eleitoral e as medidas
para a decolagem não são sequer recapeamento asfáltico de estradas, é uma coisa
que o próprio governo chama de “tapa-buracos”. Coisa que se faz num ano e, no
seguinte, precisa fazer novamente. E apenas em uma parcela reduzidíssima das
estradas brasileiras.
Sobre educação, após 3 anos de
abandono e mesmo desprezo, discursa na direção de tomar ciência da importância
do ensino fundamental e informa que encaminhará ao Congresso um projeto de Lei
para melhorar as condições educacionais da criançada.
Cabeça de político é uma encrenca...
A gente já tem leis de sobra, Lula. Por que ao invés de cumprir as que já
existem, prefere criar outras? É só para engambelar a opinião pública mesmo?
Será que o eleitorado é tão intelectualmente limitado como presume o Presidente?
Falou sobre a queda do risco -
Brasil, sobre a antecipação do pagamento de uma dívida de 2007 ao FMI, sobre
aumentos nas exportações e tudo o que agrada à grande elite para a qual governa.
Em síntese, seu discurso busca captar votos em duas classes principalmente: a
elite, os megaespeculadores e banqueiros, seus patrões de fato de um lado e o
lumpemproletariado desinformado e fragilizado diante do caos em que ele mesmo
nos enfiou.
Propaganda eleitoreira evidente, não
imagino que os tucanos consigam acionar Lula judicialmente porque até o
Presidente do Supremo Tribunal Federal é conhecido entre os jornalistas como
“líder do governo no Supremo”, apelido que detesta, segue os mesmos ditames das
elites de sempre e está em perfeita sintonia com o governo Lula.
Entre Davos e Caracas
O Presidente da República não irá ao encontro dos ricos em Davos; tampouco deve
comparecer ao Fórum Social Mundial que, este ano, acontecerá em Caracas. Um
pouco por vaidade – não quer se um mero coadjuvante do Presidente Hugo Chavez –
um pouco por perceber que seria execrado por lá dado o encaminhamento direitista
e corrupto que vem dando à economia brasileira. Ficará por aqui falando
besteiras e inaugurando estradas com uma casquinha de asfalto tapando buracos...
E o Congresso?
Convocação extraordinária, todo o mundo com dinheiro no bolso, alguns prometendo
– e alguns até cumprindo – enviar o excedente às suas bases eleitorais mas de
concreto mesmo, de resultados práticos ainda não se viu nada. Fizeram uma emenda
que diminui o tempo do recesso (pelo menos até que novos eleitos façam emendas
voltando tudo como estava quando os ânimos se arrefecerem), mais falaram do que
ouviram depoimentos em CPI’s e o mais interessante é se está chegando ao
envolvimento do Presidente da República no esquema de arrecadação e usufruto de
recursos para o Partido dos Trabalhadores por meios ilícitos. Se até a “arraia
miúda” está escapando da cassação, um tubarão destes, com as costas quentíssimas
no Supremo, só sai no voto popular mesmo. Ou não.
Lázaro
Curvêlo Chaves – 20/01/2006
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