|

Bíblia
Tradução João Ferreira de Almeida
L.C.C. - Publicações Eletrônicas
http://www.culturabrasil.org/
Versão para eBook
eBooksBrasil.org
ANTIGO TESTAMENTO
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Josué
Juízes
Rute
I Samuel
II Samuel
I Reis
II Reis
I Crônicas
II Crônicas
Esdras
Jó
Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cântico dos Cânticos
Isaías
Jeremias
Lamentações de Jeremias
Ezequiel
Daniel
Oséias
Joel
Amós
Abdias
Jonas
Miquéias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias
NOVO TESTAMENTO
Mateus
Marcos
Lucas
João
Atos
Romanos
Coríntios I
Coríntios II
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
I Tessalonicenses
II Tessalonicenses
I Timóteo
II Timóteo
Tito
Filemom
Hebreus
Tiago
I Pedro
II Pedro
I João
II João
III João
Judas
Apocalipse
[1]
1 No princípio criou Deus os
céus e a terra.
2 A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o
Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
3 Disse Deus: haja luz. E houve luz.
4 Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.
5 E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o dia
primeiro.
6 E disse Deus: haja um firmamento no meio das águas, e haja separação entre
águas e águas.
7 Fez, pois, Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do
firmamento das que estavam por cima do firmamento. E assim foi.
8 Chamou Deus ao firmamento céu. E foi a tarde e a manhã, o dia segundo.
9 E disse Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e
apareça o elemento seco. E assim foi.
10 Chamou Deus ao elemento seco terra, e ao ajuntamento das águas mares. E viu
Deus que isso era bom.
11 E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores
frutíferas que, segundo as suas espécies, dêem fruto que tenha em si a sua
semente, sobre a terra. E assim foi.
12 A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo as suas
espécies, e árvores que davam fruto que tinha em si a sua semente, segundo as
suas espécies. E viu Deus que isso era bom.
13 E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.
14 E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem separação
entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e
anos;
15 e sirvam de luminares no firmamento do céu, para alumiar a terra. E assim
foi.
16 Deus, pois, fez os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o
dia, e o luminar menor para governar a noite; fez também as estrelas.
17 E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra,
18 para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as
trevas. E viu Deus que isso era bom.
19 E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.
20 E disse Deus: Produzam as águas cardumes de seres viventes; e voem as aves
acima da terra no firmamento do céu.
21 Criou, pois, Deus os monstros marinhos, e todos os seres viventes que se
arrastavam, os quais as águas produziram abundantemente segundo as suas
espécies; e toda ave que voa, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era
bom.
22 Então Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as
águas dos mares; e multipliquem-se as aves sobre a terra.
23 E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.
24 E disse Deus: Produza a terra seres viventes segundo as suas espécies:
animais domésticos, répteis, e animais selvagens segundo as suas espécies. E
assim foi.
25 Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais
domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as
suas espécies. E viu Deus que isso era bom.
26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;
domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais
domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a
terra.
27 Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou.
28 Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a
terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e
sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.
29 Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente,
as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em
que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento.
30 E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente
que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento.
E assim foi.
31 E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a
manhã, o dia sexto.
GÊNESIS
[2]
1 Assim foram acabados os
céus e a terra, com todo o seu exército.
2 Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou
nesse dia de toda a obra que fizera.
3 Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a
sua obra que criara e fizera.
4 Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados. No dia em que o
Senhor Deus fez a terra e os céus
5 não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva do campo
tinha ainda brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra,
nem havia homem para lavrar a terra.
6 Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra.
7 E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o
fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.
8 Então plantou o Senhor Deus um jardim, da banda do oriente, no Éden; e pôs
ali o homem que tinha formado.
9 E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à
vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a
árvore do conhecimento do bem e do mal.
10 E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em
quatro braços.
11 O nome do primeiro é Pisom: este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde
há ouro;
12 e o ouro dessa terra é bom: ali há o bdélio, e a pedra de berilo.
13 O nome do segundo rio é Giom: este é o que rodeia toda a terra de Cuche.
14 O nome do terceiro rio é Tigre: este é o que corre pelo oriente da Assíria.
E o quarto rio é o Eufrates.
15 Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar
e guardar.
16 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes
comer livremente;
17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no
dia em que dela comeres, certamente morrerás.
18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma
ajudadora que lhe seja idônea.
19 Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as
aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o
homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome.
20 Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a
todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.
21 Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu;
tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar;
22 e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao
homem.
23 Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha
carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.
24 Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e
serão uma só carne.
25 E ambos estavam nus, o homem e sua mulher; e não se envergonhavam.
GÊNESIS
[3]
1 Ora, a serpente era o mais
astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta
disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?
2 Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer,
3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis
dele, nem nele tocareis, para que não morrais.
4 Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis.
5 Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se
abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.
6 Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável
aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu,
e deu a seu marido, e ele também comeu.
7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que
coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.
8 E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha,
esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores
do jardim.
9 Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás?
10 Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava
nu; e escondi-me.
11 Deus perguntou-lhe mais: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore
de que te ordenei que não comesses?
12 Ao que respondeu o homem: A mulher que me deste por companheira deu-me a
árvore, e eu comi.
13 Perguntou o Senhor Deus à mulher: Que é isto que fizeste? Respondeu a mulher:
A serpente enganou-me, e eu comi.
14 Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás
tu dentre todos os animais domésticos,
e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás
todos os dias da tua vida. 15 Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a
tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe
ferirás o calcanhar.
16 E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor
darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.
17 E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da
árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua
causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida.
18 Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo.
19 Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela
foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.
20 Chamou Adão à sua mulher Eva, porque era a mãe de todos os viventes.
21 E o Senhor Deus fez túnicas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu.
22 Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tem tornado como um de nós,
conhecendo o bem e o mal. Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tome também
da árvore da vida, e coma e viva eternamente.
23 O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden para lavrar a terra, de
que fora tomado.
24 E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os
querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para
guardar o caminho da árvore da vida.
GÊNESIS
[4]
1 Conheceu Adão a Eva, sua
mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim, disse: Alcancei do Senhor um
varão.
2 Tornou a dar à luz a um filho - a seu irmão Abel. Abel foi pastor de ovelhas,
e Caim foi lavrador da terra.
3 Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
4 Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora,
atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta,
5 mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim
fortemente, e descaiu-lhe o semblante.
6 Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? e por que está descaído o
teu semblante?
7 Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não
procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre
ele tu deves dominar.
8 Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou
contra o seu irmão Abel, e o matou.
9 Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele:
Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?
10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim
desde a terra.
11 Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão
receber o sangue de teu irmão.
12 Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo
serás na terra.
13 Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha punição do que a que eu possa
suportar.
14 Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei
escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar
matar-me-á.
15 O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele
cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem
quer que o encontrasse.
16 Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao
oriente do Éden.
17 Conheceu Caim a sua mulher, a qual concebeu, e deu à luz a Enoque. Caim
edificou uma cidade, e lhe deu o nome do filho, Enoque.
18 A Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meüjael, e Meüjael gerou a Metusael,
e Metusael gerou a Lameque.
19 Lameque tomou para si duas mulheres: o nome duma era Ada, e o nome da outra
Zila.
20 E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem
gado.
21 O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e
flauta.
22 A Zila também nasceu um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento
cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naama.
23 Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai,
mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um
mancebo por me pisar.
24 Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e
sete vezes.
25 Tornou Adão a conhecer sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem pôs o
nome de Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel;
porquanto Caim o matou.
26 A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo,
que os homens começaram a invocar o nome do Senhor.
GÊNESIS
[5]
1 Este é o livro das gerações
de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez.
2 Homem e mulher os criou; e os abençoou, e os chamou pelo nome de homem, no
dia em que foram criados.
3 Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a
sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.
4 E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos; e gerou
filhos e filhas.
5 Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e morreu.
6 Sete viveu cento e cinco anos, e gerou a Enos.
7 Viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos; e gerou filhos e
filhas.
8 Todos os dias de Sete foram novecentos e doze anos; e morreu.
9 Enos viveu noventa anos, e gerou a Quenã.
10 viveu Enos, depois que gerou a Quenã, oitocentos e quinze anos; e gerou
filhos e filhas.
11 Todos os dias de Enos foram novecentos e cinco anos; e morreu.
12 Quenã viveu setenta anos, e gerou a Maalalel.
13 Viveu Quenã, depois que gerou a Maalalel, oitocentos e quarenta anos, e
gerou filhos e filhas.
14 Todos os dias de Quenã foram novecentos e dez anos; e morreu.
15 Maalalel viveu sessenta e cinco anos, e gerou a Jarede.
16 Viveu Maalalel, depois que gerou a Jarede, oitocentos e trinta anos; e gerou
filhos e filhas.
17 Todos os dias de Maalalel foram oitocentos e noventa e cinco anos; e morreu.
18 Jarede viveu cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque.
19 Viveu Jarede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos; e gerou filhos e
filhas.
20 Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e morreu.
21 Enoque viveu sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém.
22 Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou
filhos e filhas.
23 Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos;
24 Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.
25 Matusalém viveu cento e oitenta e sete anos, e gerou a Lameque.
26 Viveu Matusalém, depois que gerou a Lameque, setecentos e oitenta e dois
anos; e gerou filhos e filhas.
27 Todos os dias de Matusalém foram novecentos e sessenta e nove anos; e
morreu.
28 Lameque viveu cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho,
29 a quem chamou Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do
trabalho de nossas mãos, os quais provêm da terra que o Senhor amaldiçoou.
30 Viveu Lameque, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco anos; e
gerou filhos e filhas.
31 Todos os dias de Lameque foram setecentos e setenta e sete anos; e morreu.
32 E era Noé da idade de quinhentos anos; e gerou Noé a Sem, Cão e Jafé.
GÊNESIS
[6]
1 Sucedeu que, quando os
homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas,
2 viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram
para si mulheres de todas as que escolheram.
3 Então disse o Senhor: O meu Espírito não permanecerá para sempre no homem,
porquanto ele é carne, mas os seus dias serão cento e vinte anos.
4 Naqueles dias estavam os nefilins na terra, e também depois, quando os filhos
de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses
nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antigüidade.
5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a
imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.
6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe
pesou no coração
7 E disse o Senhor: Destruirei da face da terra o homem que criei, tanto o
homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os
haver feito.
8 Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.
9 Estas são as gerações de Noé. Era homem justo e perfeito em suas gerações, e
andava com Deus.
10 Gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé.
11 A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência.
12 Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia
corrompido o seu caminho sobre a terra.
13 Então disse Deus a Noé: O fim de toda carne é chegado perante mim; porque a
terra está cheia da violência dos homens; eis que os destruirei juntamente com
a terra.
14 Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na arca, e a
revestirás de betume por dentro e por fora.
15 Desta maneira a farás: o comprimento da arca será de trezentos côvados, a
sua largura de cinqüenta e a sua altura de trinta.
16 Farás na arca uma janela e lhe darás um côvado de altura; e a porta da arca
porás no seu lado; fá-la-ás com andares, baixo, segundo e terceiro.
17 Porque eis que eu trago o dilúvio sobre a terra, para destruir, de debaixo
do céu, toda a carne em que há espírito de vida; tudo o que há na terra
expirará.
18 Mas contigo estabelecerei o meu pacto; entrarás na arca, tu e contigo teus
filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos.
19 De tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na
arca, para os conservares vivos contigo; macho e fêmea serão.
20 Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo
réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para
os conservares em vida.
21 Leva contigo de tudo o que se come, e ajunta-o para ti; e te será para
alimento, a ti e a eles.
22 Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.
GÊNESIS
[7]
1 Depois disse o Senhor a
Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque tenho visto que és justo
diante de mim nesta geração.
2 De todos os animais limpos levarás contigo sete e sete, o macho e sua fêmea;
mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua
fêmea; 3 também das aves do céu sete e sete, macho e fêmea, para se conservar
em vida sua espécie sobre a face de toda a terra.
4 Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e
quarenta noites, e exterminarei da face da terra todas as criaturas que fiz.
5 E Noé fez segundo tudo o que o Senhor lhe ordenara.
6 Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando o dilúvio veio sobre a terra.
7 Noé entrou na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos,
por causa das águas do dilúvio.
8 Dos animais limpos e dos que não são limpos, das aves, e de todo réptil sobre
a terra,
9 entraram dois a dois para junto de Noé na arca, macho e fêmea, como Deus
ordenara a Noé.
10 Passados os sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.
11 No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês,
romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram,
12 e caiu chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
13 Nesse mesmo dia entrou Noé na arca, e juntamente com ele seus filhos Sem,
Cão e Jafé, como também sua mulher e as três mulheres de seus filhos,
14 e com eles todo animal segundo a sua espécie, todo o gado segundo a sua
espécie, todo réptil que se arrasta sobre a terra segundo a sua espécie e toda
ave segundo a sua espécie, pássaros de toda qualidade.
15 Entraram para junto de Noé na arca, dois a dois de toda a carne em que havia
espírito de vida.
16 E os que entraram eram macho e fêmea de toda a carne, como Deus lhe tinha
ordenado; e o Senhor o fechou dentro.
17 Veio o dilúvio sobre a terra durante quarenta dias; e as águas cresceram e
levantaram a arca, e ela se elevou por cima da terra.
18 Prevaleceram as águas e cresceram grandemente sobre a terra; e a arca vagava
sobre as águas.
19 As águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes
que havia debaixo do céu foram cobertos.
20 Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e assim foram cobertos.
21 Pereceu toda a carne que se movia sobre a terra, tanto ave como gado,
animais selvagens, todo réptil que se arrasta sobre a terra, e todo homem.
22 Tudo o que tinha fôlego do espírito de vida em suas narinas, tudo o que
havia na terra seca, morreu.
23 Assim foram exterminadas todas as criaturas que havia sobre a face da terra,
tanto o homem como o gado, o réptil, e as aves do céu; todos foram exterminados
da terra; ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca.
24 E prevaleceram as águas sobre a terra cento e cinqüenta dias.
GÊNESIS
[8]
1 Deus lembrou-se de Noé, de
todos os animais e de todo o gado, que estavam com ele na arca; e Deus fez
passar um vento sobre a terra, e as águas começaram a diminuir.
2 Cerraram-se as fontes do abismo e as janelas do céu, e a chuva do céu se
deteve;
3 as águas se foram retirando de sobre a terra; no fim de cento e cinqüenta
dias começaram a minguar.
4 No sétimo mês, no dia dezessete do mês, repousou a arca sobre os montes de
Arará.
5 E as águas foram minguando até o décimo mês; no décimo mês, no primeiro dia
do mês, apareceram os cumes dos montes.
6 Ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela que havia feito na arca;
7 soltou um corvo que, saindo, ia e voltava até que as águas se secaram de
sobre a terra.
8 Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face
da terra;
9 mas a pomba não achou onde pousar a planta do pé, e voltou a ele para a arca;
porque as águas ainda estavam sobre a face de toda a terra; e Noé, estendendo a
mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca.
10 Esperou ainda outros sete dias, e tornou a soltar a pomba fora da arca.
11 Â tardinha a pomba voltou para ele, e eis no seu bico uma folha verde de
oliveira; assim soube Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.
12 Então esperou ainda outros sete dias, e soltou a pomba; e esta não tornou
mais a ele.
13 No ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, secaram-se
as águas de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca: e olhou, e eis
que a face a terra estava enxuta.
14 No segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.
15 Então falou Deus a Noé, dizendo:
16 Sai da arca, tu, e juntamente contigo tua mulher, teus filhos e as mulheres
de teus filhos.
17 Todos os animais que estão contigo, de toda a carne, tanto aves como gado e
todo réptil que se arrasta sobre a terra, traze-os para fora contigo; para que
se reproduzam abundantemente na terra, frutifiquem e se multipliquem sobre a
terra.
18 Então saiu Noé, e com ele seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus
filhos;
19 todo animal, todo réptil e toda ave, tudo o que se move sobre a terra,
segundo as suas famílias, saiu da arca.
20 Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave
limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar.
21 Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a
amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem
é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo
de fazer.
22 Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e
calor, verão e inverno, dia e noite.
GÊNESIS
[9]
1 Abençoou Deus a Noé e a
seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra.
2 Terão medo e pavor de vós todo animal da terra, toda ave do céu, tudo o que
se move sobre a terra e todos os peixes do mar; nas vossas mãos são entregues.
3 Tudo quanto se move e vive vos servirá de mantimento, bem como a erva verde;
tudo vos tenho dado.
4 A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
5 Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; de todo
animal o requererei; como também do homem, sim, da mão do irmão de cada um
requererei a vida do homem.
6 Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado; porque
Deus fez o homem à sua imagem.
7 Mas vós frutificai, e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e
multiplicai-vos nela.
8 Disse também Deus a Noé, e a seus filhos com ele:
9 Eis que eu estabeleço o meu pacto convosco e com a vossa descendência depois
de vós,
10 e com todo ser vivente que convosco está: com as aves, com o gado e com todo
animal da terra; com todos os que saíram da arca, sim, com todo animal da
terra.
11 Sim, estabeleço o meu pacto convosco; não será mais destruída toda a carne
pelas águas do dilúvio; e não haverá mais dilúvio, para destruir a terra.
12 E disse Deus: Este é o sinal do pacto que firmo entre mim e vós e todo ser
vivente que está convosco, por gerações perpétuas:
13 O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver um pacto
entre mim e a terra.
14 E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e aparecer o arco
nas nuvens,
15 então me lembrarei do meu pacto, que está entre mim e vós e todo ser vivente
de toda a carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio para destruir toda
a carne.
16 O arco estará nas nuvens, e olharei para ele a fim de me lembrar do pacto
perpétuo entre Deus e todo ser vivente de toda a carne que está sobre a terra.
17 Disse Deus a Noé ainda: Esse é o sinal do pacto que tenho estabelecido entre
mim e toda a carne que está sobre a terra.
18 Ora, os filhos de Noé, que saíram da arca, foram Sem, Cão e Jafé; e Cão é o
pai de Canaã.
19 Estes três foram os filhos de Noé; e destes foi povoada toda a terra.
20 E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha.
21 Bebeu do vinho, e embriagou-se; e achava-se nu dentro da sua tenda.
22 E Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e o contou a seus dois irmãos
que estavam fora.
23 Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre os seus ombros, e
andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai, tendo os rostos
virados, de maneira que não viram a nudez de seu pai.
24 Despertado que foi Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe
fizera;
25 e disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos será de seus irmãos.
26 Disse mais: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por
servo.
27 Alargue Deus a Jafé, e habite Jafé nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por
servo.
28 Viveu Noé, depois do dilúvio, trezentos e cinqüenta anos.
29 E foram todos os dias de Noé novecentos e cinqüenta anos; e morreu.
GÊNESIS
[10]
1 Estas, pois, são as
gerações dos filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé, aos quais nasceram filhos depois
do dilúvio.
2 Os filhos de Jafé: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras.
3 Os filhos de Gomer: Asquenaz, Rifate e Togarma.
4 Os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim.
5 Por estes foram repartidas as ilhas das nações nas suas terras, cada qual
segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações.
6 Os filhos de Cão: Cuche, Mizraim, Pute e Canaã.
7 Os filhos de Cuche: Seba, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá; e os filhos de
Raamá são Sebá e Dedã.
8 Cuche também gerou a Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra.
9 Ele era poderoso caçador diante do Senhor; pelo que se diz: Como Ninrode,
poderoso caçador diante do Senhor.
10 O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de
Sinar.
11 Desta mesma terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir,
Calá,
12 e Résem entre Nínive e Calá (esta é a grande cidade).
13 Mizraim gerou a Ludim, Anamim, Leabim, Naftuim,
14 Patrusim, Casluim (donde saíram os filisteus) e Caftorim.
15 Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e Hete,
16 e ao jebuseu, o amorreu, o girgaseu,
17 o heveu, o arqueu, o sineu,
18 o arvadeu, o zemareu e o hamateu. Depois se espalharam as famílias dos
cananeus.
19 Foi o termo dos cananeus desde Sidom, em direção a Gerar, até Gaza; e daí em
direção a Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa.
20 São esses os filhos de Cão segundo as suas famílias, segundo as suas
línguas, em suas terras, em suas nações.
21 A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de Jafé,
a ele também nasceram filhos.
22 Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.
23 Os filhos de Arão: Uz, Hul, Geter e Más.
24 Arfaxade gerou a Selá; e Selá gerou a Eber.
25 A Eber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porque nos seus dias
foi dividida a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã.
26 Joctã gerou a Almodá, Selefe, Hazarmavé, Jerá,
27 Hadorão, Usal, Dicla,
28 Obal, Abimael, Sebá,
29 Ofir, Havilá e Jobabe: todos esses foram filhos de Joctã.
30 E foi a sua habitação desde Messa até Sefar, montanha do oriente.
31 Esses são os filhos de Sem segundo as suas famílias, segundo as suas
línguas, em suas terras, segundo as suas nações.
32 Essas são as famílias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, em suas
nações; e delas foram disseminadas as nações na terra depois do dilúvio.
GÊNESIS
[11]
1 Ora, toda a terra tinha uma só
língua e um só idioma.
2 E deslocando-se os homens para o oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e
ali habitaram.
3 Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os
tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa.
4 Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume
toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a
face de toda a terra.
5 Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens
edificavam;
6 e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que
começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem
fazer.
7 Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a
língua do outro.
8 Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de
edificar a cidade.
9 Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a
linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a
terra.
10 Estas são as gerações de Sem. Tinha ele cem anos, quando gerou a Arfaxade,
dois anos depois do dilúvio.
11 E viveu Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos; e gerou filhos e
filhas.
12 Arfaxade viveu trinta e cinco anos, e gerou a Selá.
13 Viveu Arfaxade, depois que gerou a Selá, quatrocentos e três anos; e gerou
filhos e filhas.
14 Selá viveu trinta anos, e gerou a Eber.
15 Viveu Selá, depois que gerou a Eber, quatrocentos e três anos; e gerou
filhos e filhas.
16 Eber viveu trinta e quatro anos, e gerou a Pelegue.
17 Viveu Eber, depois que gerou a Pelegue, quatrocentos e trinta anos; e gerou
filhos e filhas.
18 Pelegue viveu trinta anos, e gerou a Reú.
19 Viveu Pelegue, depois que gerou a Reú, duzentos e nove anos; e gerou filhos
e filhas.
20 Reú viveu trinta e dois anos, e gerou a Serugue.
21 Viveu Reú, depois que gerou a Serugue, duzentos e sete anos; e gerou filhos
e filhas.
22 Serugue viveu trinta anos, e gerou a Naor.
23 Viveu Serugue, depois que gerou a Naor, duzentos anos; e gerou filhos e
filhas.
24 Naor viveu vinte e nove anos, e gerou a Tera.
25 Viveu Naor, depois que gerou a Tera, cento e dezenove anos; e gerou filhos e
filhas.
26 Tera viveu setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor e a Harã.
27 Estas são as gerações de Tera: Tera gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã
gerou a Ló.
28 Harã morreu antes de seu pai Tera, na terra do seu nascimento, em Ur dos
Caldeus.
29 Abrão e Naor tomaram mulheres para si: o nome da mulher de Abrão era Sarai,
e o nome da mulher do Naor era Milca, filha de Harã, que foi pai de Milca e de
Iscá.
30 Sarai era estéril; não tinha filhos.
31 Tomou Tera a Abrão seu filho, e a Ló filho de Harã, filho de seu filho, e a
Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos Caldeus, a
fim de ir para a terra de Canaã; e vieram até Harã, e ali habitaram.
32 Foram os dias de Tera duzentos e cinco anos; e morreu Tera em Harã.
GÊNESIS
[12]
1 Ora, o Senhor disse a Abrão:
Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que
eu te mostrarei.
2 Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome;
e tu, sê uma bênção.
3 Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e
em ti serão benditas todas as famílias da terra.
4 Partiu, pois Abrão, como o Senhor lhe ordenara, e Ló foi com ele. Tinha Abrão
setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
5 Abrão levou consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos
os bens que haviam adquirido, e as almas que lhes acresceram em Harã; e saíram
a fim de irem à terra de Canaã; e à terra de Canaã chegaram.
6 Passou Abrão pela terra até o lugar de Siquém, até o carvalho de Moré. Nesse
tempo estavam os cananeus na terra.
7 Apareceu, porém, o Senhor a Abrão, e disse: ë tua semente darei esta terra.
Abrão, pois, edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.
8 Então passou dali para o monte ao oriente de Betel, e armou a sua tenda,
ficando-lhe Betel ao ocidente, e Ai ao oriente; também ali edificou um altar ao
Senhor, e invocou o nome do Senhor.
9 Depois continuou Abrão o seu caminho, seguindo ainda para o sul.
10 Ora, havia fome naquela terra; Abrão, pois, desceu ao Egito, para peregrinar
ali, porquanto era grande a fome na terra.
11 Quando ele estava prestes a entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher: Ora,
bem sei que és mulher formosa à vista;
12 e acontecerá que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é mulher dele. E
me matarão a mim, mas a ti te guardarão em vida.
13 Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que
viva a minha alma em atenção a ti.
14 E aconteceu que, entrando Abrão no Egito, viram os egípcios que a mulher era
mui formosa.
15 Até os príncipes de Faraó a viram e gabaram-na diante dele; e foi levada a
mulher para a casa de Faraó.
16 E ele tratou bem a Abrão por causa dela; e este veio a ter ovelhas, bois e
jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.
17 Feriu, porém, o Senhor a Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de
Sarai, mulher de Abrão.
18 Então chamou Faraó a Abrão, e disse: Que é isto que me fizeste? por que não
me disseste que ela era tua mulher?
19 Por que disseste: E minha irmã? de maneira que a tomei para ser minha
mulher. Agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te.
20 E Faraó deu ordens aos seus guardas a respeito dele, os quais o despediram a
ele, e a sua mulher, e a tudo o que tinha.
GÊNESIS
[13]
1 Subiu, pois, Abrão do Egito
para o Negebe, levando sua mulher e tudo o que tinha, e Ló o acompanhava.
2 Abrão era muito rico em gado, em prata e em ouro.
3 Nas suas jornadas subiu do Negebe para Betel, até o lugar onde outrora
estivera a sua tenda, entre Betel e Ai,
4 até o lugar do altar, que dantes ali fizera; e ali invocou Abrão o nome do
Senhor.
5 E também Ló, que ia com Abrão, tinha rebanhos, gado e tendas.
6 Ora, a terra não podia sustentá-los, para eles habitarem juntos; porque os
seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar juntos.
7 Pelo que houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores do
gado de Ló. E nesse tempo os cananeus e os perizeus habitavam na terra.
8 Disse, pois, Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os
meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos.
9 Porventura não está toda a terra diante de ti? Rogo-te que te apartes de mim.
Se tu escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres,
irei eu para a esquerda.
10 Então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda
bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), e era como o
jardim do Senhor, como a terra do Egito, até chegar a Zoar.
11 E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente;
assim se apartaram um do outro.
12 Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e foi
armando as suas tendas até chegar a Sodoma.
13 Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.
14 E disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os
olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o norte, para o sul, para o
oriente e para o oriente;
15 porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência,
para sempre.
16 E farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que se puder ser
contado o pó da terra, então também poderá ser contada a tua descendência.
17 Levanta-te, percorre esta terra, no seu comprimento e na sua largura; porque
a darei a ti.
18 Então mudou Abrão as suas tendas, e foi habitar junto dos carvalhos de
Manre, em Hebrom; e ali edificou um altar ao Senhor.
GÊNESIS
[14]
1 Aconteceu nos dias de
Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e
Tidal, rei de Goiim,
2 que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsa, rei de Gomorra, a
Sinabe, rei de Admá, a Semeber, rei de Zeboim, e ao rei de Belá (esta é Zoar).
3 Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o Mar Salgado).
4 Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas ao décimo terceiro ano
rebelaram-se.
5 Por isso, ao décimo quarto ano veio Quedorlaomer, e os reis que estavam com
ele, e feriram aos refains em Asterote-Carnaim, aos zuzins em Hão, aos emins em
Savé-Quiriataim,
6 e aos horeus no seu monte Seir, até El-Parã, que está junto ao deserto.
7 Depois voltaram e vieram a En-Mispate (que é Cades), e feriram toda a terra
dos amalequitas, e também dos amorreus, que habitavam em Hazazom-Tamar.
8 Então saíram os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá
(esta é Zoar), e ordenaram batalha contra eles no vale de Sidim,
9 contra Quedorlaomer, rei de Elão, Tidal, rei de Goiim, Anrafel, rei de Sinar,
e Arioque, rei de Elasar; quatro reis contra cinco.
10 Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume; e fugiram os reis de
Sodoma e de Gomorra, e caíram ali; e os restantes fugiram para o monte.
11 Tomaram, então, todos os bens de Sodoma e de Gomorra com todo o seu
mantimento, e se foram.
12 Tomaram também a Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, e os
bens dele, e partiram.
13 Então veio um que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu. Ora, este habitava
junto dos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner; estes eram
aliados de Abrão.
14 Ouvindo, pois, Abrão que seu irmão estava preso, levou os seus homens
treinados, nascidos em sua casa, em número de trezentos e dezoito, e perseguiu
os reis até Dã.
15 Dividiu-se contra eles de noite, ele e os seus servos, e os feriu,
perseguindo-os até Hobá, que fica à esquerda de Damasco.
16 Assim tornou a trazer todos os bens, e tornou a trazer também a Ló, seu
irmão, e os bens dele, e também as mulheres e o povo.
17 Depois que Abrão voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com
ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma, no vale de Savé (que é o vale do
rei).
18 Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do
Deus Altíssimo;
19 e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o
Criador dos céus e da terra!
20 E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas
mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
21 Então o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas; e os bens
toma-os para ti.
22 Abrão, porém, respondeu ao rei de Sodoma: Levanto minha mão ao Senhor, o
Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra,
23 jurando que não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio, nem
uma correia de sapato, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão;
24 salvo tão somente o que os mancebos comeram, e a parte que toca aos homens
Aner, Escol e Manre, que foram comigo; que estes tomem a sua parte.
GÊNESIS
[15]
1 Depois destas coisas veio a
palavra do Senhor a Abrão numa visão, dizendo: Não temas, Abrão; eu sou o teu
escudo, o teu galardão será grandíssimo.
2 Então disse Abrão: ç Senhor Deus, que me darás, visto que morro sem filhos, e
o herdeiro de minha casa é o damasceno Eliézer?
3 Disse mais Abrão: A mim não me tens dado filhos; eis que um nascido na minha
casa será o meu herdeiro.
4 Ao que lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Este não será o teu herdeiro;
mas aquele que sair das tuas entranhas, esse será o teu herdeiro.
5 Então o levou para fora, e disse: Olha agora para o céu, e conta as estrelas,
se as podes contar; e acrescentou-lhe: Assim será a tua descendência.
6 E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça.
7 Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar
esta terra em herança.
8 Ao que lhe perguntou Abrão: ç Senhor Deus, como saberei que hei de herdá-la?
9 Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um
carneiro de três anos, uma rola e um pombinho.
10 Ele, pois, lhe trouxe todos estes animais, partiu-os pelo meio, e pôs cada
parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu.
11 E as aves de rapina desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava.
12 Ora, ao pôr do sol, caiu um profundo sono sobre Abrão; e eis que lhe
sobrevieram grande pavor e densas trevas.
13 Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será
peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por
quatrocentos anos;
14 sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois sairá
com muitos bens.
15 Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás sepultado.
16 Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniqüidade
dos amorreus não está ainda cheia.
17 Quando o sol já estava posto, e era escuro, eis um fogo fumegante e uma
tocha de fogo, que passaram por entre aquelas metades.
18 Naquele mesmo dia fez o Senhor um pacto com Abrão, dizendo: Â tua
descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio
Eufrates;
19 e o queneu, o quenizeu, o cadmoneu,
20 o heteu, o perizeu, os refains,
21 o amorreu, o cananeu, o girgaseu e o jebuseu.
GÊNESIS
[16]
1 Ora, Sarai, mulher de
Abrão, não lhe dava filhos. Tinha ela uma serva egípcia, que se chamava Agar.
2 Disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de ter filhos; toma,
pois, a minha serva; porventura terei filhos por meio dela. E ouviu Abrão a voz
de Sarai.
3 Assim Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar a egípcia, sua serva, e a deu por
mulher a Abrão seu marido, depois de Abrão ter habitado dez anos na terra de
Canaã.
4 E ele conheceu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua
senhora desprezada aos seus olhos.
5 Então disse Sarai a Abrão: Sobre ti seja a afronta que me é dirigida a mim;
pus a minha serva em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou desprezada
aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti.
6 Ao que disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está nas tuas mãos; faze-lhe
como bem te parecer. E Sarai maltratou-a, e ela fugiu de sua face.
7 Então o anjo do Senhor, achando-a junto a uma fonte no deserto, a fonte que
está no caminho de Sur,
8 perguntou-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vieste, e para onde vais?
Respondeu ela: Da presença de Sarai, minha senhora, vou fugindo.
9 Disse-lhe o anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora, e humilha-te debaixo
das suas mãos.
10 Disse-lhe mais o anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua
descendência, de modo que não será contada, por numerosa que será.
11 Disse-lhe ainda o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, a
quem chamarás Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição.
12 Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra
todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus
irmãos.
13 E ela chamou, o nome do Senhor, que com ela falava, El-Rói; pois disse: Não
tenho eu também olhado neste lugar para aquele que me vê?
14 Pelo que se chamou aquele poço Beer-Laai-Rói; ele está entre Cades e Berede.
15 E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão pôs o nome de Ismael no seu filho que
tivera de Agar.
16 Ora, tinha Abrão oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu Ismael.
GÊNESIS
[17]
1 Quando Abrão tinha noventa
e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso;
anda em minha presença, e sê perfeito;
2 e firmarei o meu pacto contigo, e sobremaneira te multiplicarei.
3 Ao que Abrão se prostrou com o rosto em terra, e Deus falou-lhe, dizendo:
4 Quanto a mim, eis que o meu pacto é contigo, e serás pai de muitas nações;
5 não mais serás chamado Abrão, mas Abraão será o teu nome; pois por pai de
muitas nações te hei posto;
6 far-te-ei frutificar sobremaneira, e de ti farei nações, e reis sairão de ti;
7 estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de ti em
suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua
descendência depois de ti.
8 Dar-te-ei a ti e à tua descendência depois de ti a terra de tuas
peregrinações, toda a terra de Canaã, em perpétua possessão; e serei o seu
Deus.
9 Disse mais Deus a Abraão: Ora, quanto a ti, guardarás o meu pacto, tu e a tua
descendência depois de ti, nas suas gerações.
10 Este é o meu pacto, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência
depois de ti: todo varão dentre vugar para aquele que me
11 Circuncidar-vos-eis na carne do prepúcio; e isto será por sinal de pacto
entre mim e vós.
12 Â idade de oito dias, todo varão dentre vós será circuncidado, por todas as
vossas gerações, tanto o nascido em casa como o comprado por dinheiro a
qualquer estrangeiro, que não for da tua linhagem.
13 Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu
dinheiro; assim estará o meu pacto na vossa carne como pacto perpétuo.
14 Mas o incircunciso, que não se circuncidar na carne do prepúcio, essa alma
será extirpada do seu povo; violou o meu pacto.
15 Disse Deus a Abraão: Quanto a Sarai, tua, mulher, não lhe chamarás mais
Sarai, porem Sara será o seu nome.
16 Abençoá-la-ei, e também dela te darei um filho; sim, abençoá-la-ei, e ela
será mãe de nações; reis de povos sairão dela.
17 Ao que se prostrou Abraão com o rosto em terra, e riu-se, e disse no seu coração:
A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara, que tem noventa
anos?
18 Depois disse Abraão a Deus: Oxalá que viva Ismael diante de ti!
19 E Deus lhe respondeu: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará à luz um filho,
e lhe chamarás Isaque; com ele estabelecerei o meu pacto como pacto perpétuo
para a sua descendência depois dele.
20 E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis que o tenho abençoado, e
fá-lo-ei frutificar, e multiplicá-lo-ei grandissimamente; doze príncipes
gerará, e dele farei uma grande nação.
21 O meu pacto, porém, estabelecerei com Isaque, que Sara te dará à luz neste
tempo determinado, no ano vindouro.
22 Ao acabar de falar com Abraão, subiu Deus diante dele.
23 Logo tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa e a
todos os comprados por seu dinheiro, todo varão entre os da casa de Abraão, e
lhes circuncidou a carne do prepúcio, naquele mesmo dia, como Deus lhe
ordenara.
24 Abraão tinha noventa e nove anos, quando lhe foi circuncidada a carne do
prepúcio;
25 E Ismael, seu filho, tinha treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne
do prepúcio.
26 No mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.
27 E todos os homens da sua casa, assim os nascidos em casa, como os comprados
por dinheiro ao estrangeiro, foram circuncidados com ele.
GÊNESIS
[18]
1 Depois apareceu o Senhor a
Abraão junto aos carvalhos de Manre, estando ele sentado à porta da tenda, no
maior calor do dia.
2 Levantando Abraão os olhos, olhou e eis três homens de pé em frente dele.
Quando os viu, correu da porta da tenda ao seu encontro, e prostrou-se em
terra,
3 e disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que
não passes de teu servo.
4 Eia, traga-se um pouco d'água, e lavai os pés e recostai-vos debaixo da
árvore;
5 e trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, e depois passareis
adiante; porquanto por isso chegastes ate o vosso servo. Responderam-lhe: Faze
assim como disseste.
6 Abraão, pois, apressou-se em ir ter com Sara na tenda, e disse-lhe: Amassa
depressa três medidas de flor de farinha e faze bolos.
7 Em seguida correu ao gado, apanhou um bezerro tenro e bom e deu-o ao criado,
que se apressou em prepará-lo.
8 Então tomou queijo fresco, e leite, e o bezerro que mandara preparar, e pôs tudo
diante deles, ficando em pé ao lado deles debaixo da árvore, enquanto comiam.
9 Perguntaram-lhe eles: Onde está Sara, tua mulher? Ele respondeu: Está ali na
tenda.
10 E um deles lhe disse: certamente tornarei a ti no ano vindouro; e eis que
Sara tua mulher terá um filho. E Sara estava escutando à porta da tenda, que
estava atrás dele.
11 Ora, Abraão e Sara eram já velhos, e avançados em idade; e a Sara havia
cessado o incômodo das mulheres.
12 Sara então riu-se consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver
envelhecido, sendo também o meu senhor ja velho?
13 Perguntou o Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: É verdade que eu,
que sou velha, darei à luz um filho?
14 Há, porventura, alguma coisa difícil ao Senhor? Ao tempo determinado, no ano
vindouro, tornarei a ti, e Sara terá um filho.
15 Então Sara negou, dizendo: Não me ri; porquanto ela teve medo. Ao que ele
respondeu: Não é assim; porque te riste.
16 E levantaram-se aqueles homens dali e olharam para a banda de Sodoma; e
Abraão ia com eles, para os encaminhar.
17 E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço,
18 visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por
meio dele serão benditas todas as nações da terra?
19 Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua
casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem retidão
e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele
tem falado.
20 Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem
multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito,
21 descerei agora, e verei se em tudo têm praticado segundo o seu clamor, que a
mim tem chegado; e se não, sabê-lo-ei.
22 Então os homens, virando os seus rostos dali, foram-se em direção a Sodoma;
mas Abraão ficou ainda em pé diante do Senhor.
23 E chegando-se Abraão, disse: Destruirás também o justo com o ímpio?
24 Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o
lugar por causa dos cinqüenta justos que ali estão?
25 Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio, de modo que
o justo seja como o ímpio; esteja isto longe de ti. Não fará justiça o juiz de
toda a terra?
26 Então disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinqüenta justos dentro da
cidade, pouparei o lugar todo por causa deles.
27 Tornou-lhe Abraão, dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda
que sou pó e cinza.
26 Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás toda a cidade
por causa dos cinco? Respondeu ele: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta
e cinco.
29 Continuou Abraão ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali
quarenta? Mais uma vez assentiu: Por causa dos quarenta não o farei.
30 Disse Abraão: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar. Se porventura se
acharem ali trinta? De novo assentiu: Não o farei, se achar ali trinta.
31 Tornou Abraão: Eis que outra vez me a atrevi a falar ao Senhor. Se
porventura se acharem ali vinte? Respondeu-lhe: Por causa dos vinte não a
destruirei.
32 Disse ainda Abraão: Ora, não se ire o Senhor, pois só mais esta vez falarei.
Se porventura se acharem ali dez? Ainda assentiu o Senhor: Por causa dos dez
não a destruirei.
33 E foi-se o Senhor, logo que acabou de falar com Abraão; e Abraão voltou para
o seu lugar.
GÊNESIS
[19]
1 À tarde chegaram os dois
anjos a Sodoma. Ló estava sentado à porta de Sodoma e, vendo-os, levantou-se
para os receber; prostrou-se com o rosto em terra,
2 e disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos em casa de vosso servo, e
passai nela a noite, e lavai os pés; de madrugada vos levantareis e ireis vosso
caminho. Responderam eles: Não; antes na praça passaremos a noite.
3 Entretanto, Ló insistiu muito com eles, pelo que foram com ele e entraram em
sua casa; e ele lhes deu um banquete, assando-lhes pães ázimos, e eles comeram.
4 Mas antes que se deitassem, cercaram a casa os homens da cidade, isto é, os
homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os
lados;
5 e, chamando a Ló, perguntaram-lhe: Onde estão os homens que entraram esta
noite em tua casa? Traze-os cá fora a nós, para que os conheçamos.
6 Então Ló saiu-lhes à porta, fechando-a atrás de si,
7 e disse: Meus irmãos, rogo-vos que não procedais tão perversamente;
8 eis aqui, tenho duas filhas que ainda não conheceram varão; eu vo-las trarei
para fora, e lhes fareis como bem vos parecer: somente nada façais a estes
homens, porquanto entraram debaixo da sombra do meu telhado.
9 Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Esse indivíduo, como
estrangeiro veio aqui habitar, e quer se arvorar em juiz! Agora te faremos mais
mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, isto é, sobre Ló, e
aproximavam-se para arrombar a porta.
10 Aqueles homens, porém, estendendo as mãos, fizeram Ló entrar para dentro da
casa, e fecharam a porta;
11 e feriram de cegueira os que estavam do lado de fora, tanto pequenos como
grandes, de maneira que cansaram de procurar a porta.
12 Então disseram os homens a Ló: Tens mais alguém aqui? Teu genro, e teus
filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens na cidade, tira-os para fora deste
lugar;
13 porque nós vamos destruir este lugar, porquanto o seu clamor se tem
avolumado diante do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo.
14 Tendo saído Ló, falou com seus genros, que haviam de casar com suas filhas,
e disse-lhes: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a
cidade. Mas ele pareceu aos seus genros como quem estava zombando.
15 E ao amanhecer os anjos apertavam com Ló, dizendo: levanta-te, toma tua
mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças no castigo da
cidade.
16 Ele, porém, se demorava; pelo que os homens pegaram-lhe pela mão a ele, à
sua mulher, e às suas filhas, sendo-lhe misericordioso o Senhor. Assim o
tiraram e o puseram fora da cidade.
17 Quando os tinham tirado para fora, disse um deles: Escapa-te, salva tua
vida; não olhes para trás de ti, nem te detenhas em toda esta planície;
escapa-te lá para o monte, para que não pereças.
18 Respondeu-lhe Ló: Ah, assim não, meu Senhor!
19 Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e tens
engrandecido a tua misericórdia que a mim me fizeste, salvando-me a vida; mas
eu não posso escapar-me para o monte; não seja caso me apanhe antes este mal, e
eu morra.
20 Eis ali perto aquela cidade, para a qual eu posso fugir, e é pequena.
Permite que eu me escape para lá (porventura não é pequena?), e viverá a minha
alma.
21 Disse-lhe: Quanto a isso também te hei atendido, para não subverter a cidade
de que acabas de falar.
22 Apressa-te, escapa-te para lá; porque nada poderei fazer enquanto não
tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade Zoar.
23 Tinha saído o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar.
24 Então o Senhor, da sua parte, fez chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma
e Gomorra.
25 E subverteu aquelas cidades e toda a planície, e todos os moradores das
cidades, e o que nascia da terra.
26 Mas a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida em uma estátua de sal.
27 E Abraão levantou-se de madrugada, e foi ao lugar onde estivera em pé diante
do Senhor;
28 e, contemplando Sodoma e Gomorra e toda a terra da planície, viu que subia
da terra fumaça como a de uma fornalha.
29 Ora, aconteceu que, destruindo Deus as cidades da planície, lembrou-se de
Abraão, e tirou Ló do meio da destruição, ao subverter aquelas cidades em que
Ló habitara.
30 E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele;
porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas
filhas.
31 Então a primogênita disse à menor: Nosso pai é já velho, e não há varão na
terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;
32 vem, demos a nosso pai vinho a beber, e deitemo-nos com ele, para que
conservemos a descendência de nosso pai.
33 Deram, pois, a seu pai vinho a beber naquela noite; e, entrando a
primogênita, deitou-se com seu pai; e não percebeu ele quando ela se deitou,
nem quando se levantou.
34 No dia seguinte disse a primogênita à menor: Eis que eu ontem à noite me
deitei com meu pai; demos-lhe vinho a beber também esta noite; e então,
entrando tu, deita-te com ele, para que conservemos a descendência de nosso
pai.
35 Tornaram, pois, a dar a seu pai vinho a beber também naquela noite; e,
levantando-se a menor, deitou-se com ele; e não percebeu ele quando ela se
deitou, nem quando se levantou.
36 Assim as duas filhas de Ló conceberam de seu pai.
37 A primogênita deu a luz a um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos
moabitas de hoje.
38 A menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos
amonitas de hoje.
GÊNESIS
[20]
1 Partiu Abraão dali para a
terra do Negebe, e habitou entre Cades e Sur; e peregrinou em Gerar.
2 E havendo Abraão dito de Sara, sua mulher: É minha irmã; enviou Abimeleque,
rei de Gerar, e tomou a Sara.
3 Deus, porém, veio a Abimeleque, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Eis que
estás para morrer por causa da mulher que tomaste; porque ela tem marido.
4 Ora, Abimeleque ainda não se havia chegado a ela: perguntou, pois: Senhor
matarás porventura tambem uma nação justa?
5 Não me disse ele mesmo: É minha irmã? e ela mesma me disse: Ele é meu irmão;
na sinceridade do meu coração e na inocência das minhas mãos fiz isto.
6 Ao que Deus lhe respondeu em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu
coração fizeste isto; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por
isso não te permiti tocá-la;
7 agora, pois, restitui a mulher a seu marido, porque ele é profeta, e
intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que
certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.
8 Levantou-se Abimeleque de manhã cedo e, chamando a todos os seus servos,
falou-lhes aos ouvidos todas estas palavras; e os homens temeram muito.
9 Então chamou Abimeleque a Abraão e lhe perguntou: Que é que nos fizeste? e em
que pequei contra ti, para trazeres sobre mim o sobre o meu reino tamanho
pecado? Tu me fizeste o que não se deve fazer.
10 Perguntou mais Abimeleque a Abraão: Com que intenção fizeste isto?
11 Respondeu Abraão: Porque pensei: Certamente não há temor de Deus neste
lugar; matar-me-ão por causa da minha mulher.
12 Além disso ela é realmente minha irmã, filha de meu pai, ainda que não de
minha mãe; e veio a ser minha mulher.
13 Quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu lhe disse a ela: Esta
é a graça que me farás: em todo lugar aonde formos, dize de mim: Ele é meu
irmão.
14 Então tomou Abimeleque ovelhas e bois, e servos e servas, e os deu a Abraão;
e lhe restituiu Sara, sua mulher;
15 e disse-lhe Abimeleque: Eis que a minha terra está diante de ti; habita onde
bem te parecer.
16 E a Sara disse: Eis que tenho dado a teu irmão mil moedas de prata; isso te
seja por véu dos olhos a todos os que estão contigo; e perante todos estás
reabilitada.
17 Orou Abraão a Deus, e Deus sarou Abimeleque, e a sua mulher e as suas
servas; de maneira que tiveram filhos;
18 porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de
Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão.
GÊNESIS
[21]
1 O Senhor visitou a Sara,
como tinha dito, e lhe fez como havia prometido.
2 Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado,
de que Deus lhe falara;
3 e, Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque.
4 E Abraão circuncidou a seu filho Isaque, quando tinha oito dias, conforme
Deus lhe ordenara.
5 Ora, Abraão tinha cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
6 Pelo que disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir, se
rirá comigo.
7 E acrescentou: Quem diria a Abraão que Sara havia de amamentar filhos? no
entanto lhe dei um filho na sua velhice.
8 cresceu o menino, e foi desmamado; e Abraão fez um grande banquete no dia em
que Isaque foi desmamado.
9 Ora, Sara viu brincando o filho de Agar a egípcia, que esta dera à luz a
Abraão.
10 Pelo que disse a Abraão: Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho
desta serva não será herdeiro com meu filho, com Isaque.
11 Pareceu isto bem duro aos olhos de Abraão, por causa de seu filho.
12 Deus, porém, disse a Abraão: Não pareça isso duro aos teus olhos por causa
do moço e por causa da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz;
porque em Isaque será chamada a tua descendência.
13 Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto ele é da tua
linhagem.
14 Então se levantou Abraão de manhã cedo e, tomando pão e um odre de àgua, os
deu a Agar, pondo-os sobre o ombro dela; também lhe deu o menino e despediu-a;
e ela partiu e foi andando errante pelo deserto de Beer-Seba.
15 E consumida a água do odre, Agar deitou o menino debaixo de um dos arbustos,
16 e foi assentar-se em frente dele, a boa distância, como a de um tiro de
arco; porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. Assim sentada em frente
dele, levantou a sua voz e chorou.
17 Mas Deus ouviu a voz do menino; e o anjo de Deus, bradando a Agar desde o
céu, disse-lhe: Que tens, Agar? não temas, porque Deus ouviu a voz do menino
desde o lugar onde está.
18 Ergue-te, levanta o menino e toma-o pela mão, porque dele farei uma grande
nação.
19 E abriu-lhe Deus os olhos, e ela viu um poço; e foi encher de água o odre e
deu de beber ao menino.
20 Deus estava com o menino, que cresceu e, morando no deserto, tornou-se
flecheiro.
21 Ele habitou no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe uma mulher da terra do
Egito.
22 Naquele mesmo tempo Abimeleque, com Ficol, o chefe do seu exército, falou a
Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes;
23 agora pois, jura-me aqui por Deus que não te haverás falsamente comigo, nem
com meu filho, nem com o filho do meu filho; mas segundo a beneficência que te
fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste.
24 Respondeu Abraão: Eu jurarei.
25 Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque, por causa de um poço de água, que os
servos de Abimeleque haviam tomado à força.
26 Respondeu-lhe Abimeleque: Não sei quem fez isso; nem tu mo fizeste saber,
nem tampouco ouvi eu falar nisso, senão hoje.
27 Tomou, pois, Abraão ovelhas e bois, e os deu a Abimeleque; assim fizeram
entre, si um pacto.
28 Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho.
29 E perguntou Abimeleque a Abraão: Que significam estas sete cordeiras que
puseste à parte?
30 Respondeu Abraão: Estas sete cordeiras receberás da minha mão para que me
sirvam de testemunho de que eu cavei este poço.
31 Pelo que chamou aquele lugar Beer-Seba, porque ali os dois juraram.
32 Assim fizeram uma pacto em Beer-Seba. Depois se levantaram Abimeleque e
Ficol, o chefe do seu exército, e tornaram para a terra dos filisteus.
33 Abraão plantou uma tamargueira em Beer-Seba, e invocou ali o nome do Senhor,
o Deus eterno.
34 E peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias.
GÊNESIS
[22]
1 Sucedeu, depois destas
coisas, que Deus provou a Abraão, dizendo-lhe: Abraão! E este respondeu: Eis-me
aqui.
2 Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem
amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes
que te hei de mostrar.
3 Levantou-se, pois, Abraão de manhã cedo, albardou o seu jumento, e tomou
consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e, tendo cortado lenha para o
holocausto, partiu para ir ao lugar que Deus lhe dissera.
4 Ao terceiro dia levantou Abraão os olhos, e viu o lugar de longe.
5 E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo
iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós.
6 Tomou, pois, Abraão a lenha do holocausto e a pôs sobre Isaque, seu filho;
tomou também na mão o fogo e o cutelo, e foram caminhando juntos.
7 Então disse Isaque a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui,
meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro
para o holocausto?
8 Respondeu Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu
filho. E os dois iam caminhando juntos.
9 Havendo eles chegado ao lugar que Deus lhe dissera, edificou Abraão ali o
altar e pôs a lenha em ordem; o amarrou, a Isaque, seu filho, e o deitou sobre
o altar em cima da lenha.
10 E, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar a seu filho.
11 Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde o céu, e disse: Abraão, Abraão! Ele
respondeu: Eis-me aqui.
12 Então disse o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças
nada; porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu filho,
o teu único filho.
13 Nisso levantou Abraão os olhos e olhou, e eis atrás de si um carneiro
embaraçado pelos chifres no mato; e foi Abraão, tomou o carneiro e o ofereceu
em holocausto em lugar de seu filho.
14 Pelo que chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; donde se diz até o dia de
hoje: No monte do Senhor se proverá.
15 Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde o céu,
16 e disse: Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porquanto fizeste isto, e não me
negaste teu filho, o teu único filho,
17 que deveras te abençoarei, e grandemente multiplicarei a tua descendência,
como as estrelas do céu e como a areia que está na praia do mar; e a tua
descendência possuirá a porta dos seus inimigos;
18 e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto
obedeceste à minha voz.
19 Então voltou Abraão aos seus moços e, levantando-se, foram juntos a
Beer-Seba; e Abraão habitou em Beer-Seba.
20 Depois destas coisas anunciaram a Abraão, dizendo: Eis que também Milca tem
dado à luz filhos a Naor, teu irmão:
21 Uz o seu primogênito, e Buz seu irmão, e Quemuel, pai de Arão,
22 e Quesede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel.
23 E Betuel gerou a Rebeca. Esses oito deu à luz Milca a Naor, irmão de Abraão.
24 E a sua concubina, que se chamava Reumá, também deu à luz a Teba, Gaão, Taás
e Maacá.
GÊNESIS
[23]
1 Ora, os anos da vida de
Sara foram cento e vinte e sete.
2 E morreu Sara em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã; e veio
Abraão lamentá-la e chorar por ela:
3 Depois se levantou Abraão de diante do seu morto, e falou aos filhos de Hete,
dizendo:
4 Estrangeiro e peregrino sou eu entre vós; dai-me o direito de um lugar de
sepultura entre vós, para que eu sepulte o meu morto, removendo-o de diante da
minha face.
5 Responderam-lhe os filhos de Hete:
6 Ouve-nos, senhor; príncipe de Deus és tu entre nós; enterra o teu morto na
mais escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te vedará a sua sepultura,
para enterrares o teu morto.
7 Então se levantou Abraão e, inclinando-se diante do povo da terra, diante dos
filhos de Hete,
8 falou-lhes, dizendo: Se é de vossa vontade que eu sepulte o meu morto de
diante de minha face, ouvi-me e intercedei por mim junto a Efrom, filho de
Zoar,
9 para que ele me dê a cova de Macpela, que possui no fim do seu campo; que ma
dê pelo devido preço em posse de sepulcro no meio de vós.
10 Ora, Efrom estava sentado no meio dos filhos de Hete; e respondeu Efrom, o
heteu, a Abraão, aos ouvidos dos filhos de Hete, isto é, de todos os que
entravam pela porta da sua cidade, dizendo:
11 Não, meu senhor; ouve-me. O campo te dou, também te dou a cova que nele
está; na presença dos filhos do meu povo ta dou; sepulta o teu morto.
12 Então Abraão se inclinou diante do povo da terra,
13 e falou a Efrom, aos ouvidos do povo da terra, dizendo: Se te agrada,
peço-te que me ouças. Darei o preço do campo; toma-o de mim, e sepultarei ali o
meu morto.
14 Respondeu Efrom a Abraão:
15 Meu senhor, ouve-me. Um terreno do valor de quatrocentos siclos de prata!
que é isto entre mim e ti? Sepulta, pois, o teu morto.
16 E Abraão ouviu a Efrom, e pesou-lhe a prata de que este tinha falado aos
ouvidos dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre
os mercadores.
17 Assim o campo de Efrom, que estava em Macpela, em frente de Manre, o campo e
a cova que nele estava, e todo o arvoredo que havia nele, por todos os seus
limites ao redor, se confirmaram
18 a Abraão em possessão na presença dos filhos de Hete, isto é, de todos os
que entravam pela porta da sua cidade.
19 Depois sepultou Abraão a Sara sua mulher na cova do campo de Macpela, em
frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã.
20 Assim o campo e a cova que nele estava foram confirmados a Abraão pelos
filhos de Hete em possessão de sepultura.
GÊNESIS
[24]
1 Ora, Abraão era já velho e
de idade avançada; e em tudo o Senhor o havia abençoado.
2 E disse Abraão ao seu servo, o mais antigo da casa, que tinha o governo sobre
tudo o que possuía: Põe a tua mão debaixo da minha coxa,
3 para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não
tomarás para meu filho mulher dentre as filhas dos cananeus, no meio dos quais
eu habito;
4 mas que irás à minha terra e à minha parentela, e dali tomarás mulher para
meu filho Isaque.
5 Perguntou-lhe o servo: Se porventura a mulher não quiser seguir-me a esta
terra, farei, então, tornar teu filho à terra donde saíste?
6 Respondeu-lhe Abraão: Guarda-te de fazeres tornar para lá meu filho.
7 O Senhor, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e da terra da minha
parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: Â tua o semente darei esta
terra; ele enviará o seu anjo diante de si, para que tomes de lá mulher para
meu filho.
8 Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento;
somente não farás meu filho tornar para lá.
9 Então pôs o servo a sua mão debaixo da coxa de Abraão seu senhor, e jurou-lhe
sobre este negócio.
10 Tomou, pois, o servo dez dos camelos do seu senhor, porquanto todos os bens
de seu senhor estavam em sua mão; e, partindo, foi para a Mesopotâmia, à cidade
de Naor.
11 Fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto ao poço de água, pela tarde, à
hora em que as mulheres saíam a tirar água.
12 E disse: ç Senhor, Deus de meu senhor Abraão, dá-me hoje, peço-te, bom
êxito, e usa de benevolência para com o meu senhor Abraão.
13 Eis que eu estou em pé junto à fonte, e as filhas dos homens desta cidade
vêm saindo para tirar água;
14 faze, pois, que a donzela a quem eu disser: Abaixa o teu cântaro, peço-te,
para que eu beba; e ela responder: Bebe, e também darei de beber aos teus
camelos; seja aquela que designaste para o teu servo Isaque. Assim conhecerei
que usaste de benevolência para com o meu senhor.
15 Antes que ele acabasse de falar, eis que Rebeca, filha de Betuel, filho de
Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, saía com o seu cântaro sobre o ombro.
16 A donzela era muito formosa à vista, virgem, a quem varão não havia
conhecido; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu.
17 Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Deixa-me beber, peço-te, um
pouco de água do teu cântaro.
18 Respondeu ela: Bebe, meu senhor. Então com presteza abaixou o seu cântaro
sobre a mão e deu-lhe de beber.
19 E quando acabou de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus
camelos, até que acabem de beber.
20 Também com presteza despejou o seu cântaro no bebedouro e, correndo outra
vez ao poço, tirou água para todos os camelos dele.
21 E o homem a contemplava atentamente, em silêncio, para saber se o Senhor
havia tornado próspera a sua jornada, ou não.
22 Depois que os camelos acabaram de beber, tomou o homem um pendente de ouro,
de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as mãos dela, do peso de dez
siclos de ouro;
23 e perguntou: De quem és filha? dize-mo, peço-te. Há lugar em casa de teu pai
para nós pousarmos?
24 Ela lhe respondeu: Eu sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a
Naor.
25 Disse-lhe mais: Temos palha e forragem bastante, e lugar para pousar.
26 Então inclinou-se o homem e adorou ao Senhor;
27 e disse: Bendito seja o Senhor Deus de meu senhor Abraão, que não retirou do
meu senhor a sua benevolência e a sua verdade; quanto a mim, o Senhor me guiou
no caminho à casa dos irmãos de meu senhor.
28 A donzela correu, e relatou estas coisas aos da casa de sua mãe.
29 Ora, Rebeca tinha um irmão, cujo nome era Labão, o qual saiu correndo ao
encontro daquele homem até a fonte;
30 porquanto tinha visto o pendente, e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã,
e ouvido as palavras de sua irmã Rebeca, que dizia: Assim me falou aquele
homem; e foi ter com o homem, que estava em pé junto aos camelos ao lado da
fonte.
31 E disse: Entra, bendito do Senhor; por que estás aqui fora? pois eu já
preparei a casa, e lugar para os camelos.
32 Então veio o homem à casa, e desarreou os camelos; deram palha e forragem
para os camelos e água para lavar os pés dele e dos homens que estavam com ele.
33 Depois puseram comida diante dele. Ele, porém, disse: Não comerei, até que
tenha exposto a minha incumbência. Respondeu-lhe Labão: Fala.
34 Então disse: Eu sou o servo de Abraão.
35 O Senhor tem abençoado muito ao meu senhor, o qual se tem engrandecido;
deu-lhe rebanhos e gado, prata e ouro, escravos e escravas, camelos e jumentos.
36 E Sara, a mulher do meu senhor, mesmo depois, de velha deu um filho a meu
senhor; e o pai lhe deu todos os seus bens.
37 Ora, o meu senhor me fez jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho
das filhas dos cananeus, em cuja terra habito;
38 irás, porém, à casa de meu pai, e à minha parentela, e tomarás mulher para
meu filho.
39 Então respondi ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher.
40 Ao que ele me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o seu
anjo contigo, e prosperará o teu caminho; e da minha parentela e da casa de meu
pai tomarás mulher para meu filho;
41 então serás livre do meu juramento, quando chegares à minha parentela; e se
não ta derem, livre serás do meu juramento.
42 E hoje cheguei à fonte, e disse: Senhor, Deus de meu senhor Abraão, se é que
agora prosperas o meu caminho, o qual venho seguindo,
43 eis que estou junto à fonte; faze, pois, que a donzela que sair para tirar
água, a quem eu disser: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água do teu
cântaro,
44 e ela me responder: Bebe tu, e também tirarei água para os teus camelos;
seja a mulher que o Senhor designou para o filho de meu senhor.
45 Ora, antes que eu acabasse de falar no meu coração, eis que Rebeca saía com
o seu cântaro sobre o ombro, desceu à fonte e tirou água; e eu lhe disse: Dá-me
de beber, peço-te.
46 E ela, com presteza, abaixou o seu cântaro do ombro, e disse: Bebe, e também
darei de beber aos teus camelos; assim bebi, e ela deu também de beber aos
camelos.
47 Então lhe perguntei: De quem és filha? E ela disse: Filha de Betuel, filho
de Naor, que Milca lhe deu. Então eu lhe pus o pendente no nariz e as pulseiras
sobre as mãos;
48 e, inclinando-me, adorei e bendisse ao Senhor, Deus do meu senhor Abraão,
que me havia conduzido pelo caminho direito para tomar para seu filho a filha
do irmão do meu senhor.
49 Agora, pois, se vós haveis de usar de benevolência e de verdade para com o
meu senhor, declarai-mo; e se não, também mo declarai, para que eu vá ou para a
direita ou para a esquerda.
50 Então responderam Labão e Betuel: Do Senhor procede este negócio; nós não
podemos falar-te mal ou bem.
51 Eis que Rebeca está diante de ti, toma-a e vai-te; seja ela a mulher do
filho de teu senhor, como tem dito o Senhor.
52 Quando o servo de Abraão ouviu as palavras deles, prostrou-se em terra
diante do Senhor:
53 e tirou o servo jóias de prata, e jóias de ouro, e vestidos, e deu-os a
Rebeca; também deu coisas preciosas a seu irmão e a sua mãe.
54 Então comeram e beberam, ele e os homens que com ele estavam, e passaram a
noite. Quando se levantaram de manhã, disse o servo: Deixai-me ir a meu senhor.
55 Disseram o irmão e a mãe da donzela: Fique ela conosco alguns dias, pelo
menos dez dias; e depois irá.
56 Ele, porém, lhes respondeu: Não me detenhas, visto que o Senhor me tem
prosperado o caminho; deixai-me partir, para que eu volte a meu senhor.
57 Disseram-lhe: chamaremos a donzela, e perguntaremos a ela mesma.
58 Chamaram, pois, a Rebeca, e lhe perguntaram: Irás tu com este homem;
Respondeu ela: Irei.
59 Então despediram a Rebeca, sua irmã, e à sua ama e ao servo de Abraão e a
seus homens;
60 e abençoaram a Rebeca, e disseram-lhe: Irmã nossa, sê tu a mãe de milhares
de miríades, e possua a tua descendência a porta de seus aborrecedores!
61 Assim Rebeca se levantou com as suas moças e, montando nos camelos, seguiram
o homem; e o servo, tomando a Rebeca, partiu.
62 Ora, Isaque tinha vindo do caminho de Beer-Laai-Rói; pois habitava na terra
do Negebe.
63 Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e
eis que vinham camelos.
64 Rebeca também levantou os olhos e, vendo a Isaque, saltou do camelo
65 e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso
encontro? respondeu o servo: É meu senhor. Então ela tomou o véu e se cobriu.
66 Depois o servo contou a Isaque tudo o que fizera.
67 Isaque, pois, trouxe Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe; tomou-a e ela lhe
foi por mulher; e ele a amou. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua
mãe.
GÊNESIS
[25]
1 Ora, Abraão tomou outra
mulher, que se chamava Quetura.
2 Ela lhe deu à luz a Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá.
3 Jocsã gerou a Seba e Dedã. Os filhos de Dedã foram Assurim, Letusim e Leumim.
4 Os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Hanoque, Abidá e Eldá; todos estes foram
filhos de Quetura.
5 Abraão, porém, deu tudo quanto possuía a Isaque;
6 no entanto aos filhos das concubinas que Abraão tinha, deu ele dádivas; e,
ainda em vida, os separou de seu filho Isaque, enviando-os ao Oriente, para a
terra oriental.
7 Estes, pois, são os dias dos anos da vida de Abraão, que ele viveu: cento e
setenta e, cinco anos.
8 E Abraão expirou, morrendo em boa velhice, velho e cheio de dias; e foi
congregado ao seu povo.
9 Então Isaque e Ismael, seus filhos, o sepultaram na cova de Macpela, no campo
de Efrom, filho de Zoar, o heteu, que estava em frente de Manre,
10 o campo que Abraão comprara aos filhos de Hete. Ali foi sepultado Abraão, e
Sara, sua mulher.
11 Depois da morte de Abraão, Deus abençoou a Isaque, seu filho; e habitava
Isaque junto a Beer-Laai-Rói.
12 Estas são as gerações de Ismael, filho de Abraão, que Agar, a egípcia, serva
de Sara, lhe deu;
13 e estes são os nomes dos filhos de Ismael pela sua ordem, segundo as suas
gerações: o primogênito de Ismael era Nebaiote, depois Quedar, Abdeel, Mibsão,
14 Misma, Dumá, Massá,
15 Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá.
16 Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes pelas suas vilas e
pelos seus acampamentos: doze príncipes segundo as suas tribos.
17 E estes são os anos da vida de Ismael, cento e trinta e sete anos; e ele
expirou e, morrendo, foi cogregado ao seu povo.
18 Eles então habitaram desde Havilá até Sur, que está em frente do Egito, como
quem vai em direção da Assíria; assim Ismael se estabeleceu diante da face de
todos os seus irmãos.
19 E estas são as gerações de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou a Isaque;
20 e Isaque tinha quarenta anos quando tomou por mulher a Rebeca, filha de
Betuel, arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, arameu.
21 Ora, Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto ela era
estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.
22 E os filhos lutavam no ventre dela; então ela disse: Por que estou eu assim?
E foi consultar ao Senhor.
23 Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se
dividirão das tuas estranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e
o mais velho servirá ao mais moço.
24 Cumpridos que foram os dias para ela dar à luz, eis que havia gêmeos no seu
ventre.
25 Saiu o primeiro, ruivo, todo ele como um vestido de pelo; e chamaram-lhe
Esaú.
26 Depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; pelo que foi
chamado Jacó. E Isaque tinha sessenta anos quando Rebeca os deu à luz.
27 Cresceram os meninos; e Esaú tornou-se perito caçador, homem do campo; mas
Jacó, homem sossegado, que habitava em tendas.
28 Isaque amava a Esaú, porque comia da sua caça; mas Rebeca amava a Jacó.
29 Jacó havia feito um guisado, quando Esaú chegou do campo, muito cansado;
30 e disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque
estou muito cansado. Por isso se chamou Edom.
31 Respondeu Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura.
32 Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo, para que me
servirá o direito de primogenitura?
33 Ao que disse Jacó: Jura-me primeiro. Jurou-lhe, pois; e vendeu o seu direito
de primogenitura a Jacó.
34 Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e,
levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de
primogenitura.
GÊNESIS
[26]
1 Sobreveio à terra uma fome,
além da primeira, que ocorreu nos dias de Abraão. Por isso foi Isaque a
Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar.
2 E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu
te disser;
3 peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti, e aos
que descenderem de ti, darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que
fiz a Abraão teu pai;
4 e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu, e lhe darei todas
estas terras; e por meio dela serão benditas todas as naçoes da terra;
5 porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus
preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.
6 Assim habitou Isaque em Gerar.
7 Então os homens do lugar perguntaram-lhe acerca de sua mulher, e ele
respondeu: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que
porventura, dizia ele, não me matassem os homens daquele lugar por amor de
Rebeca; porque era ela formosa à vista.
8 Ora, depois que ele se demorara ali muito tempo, Abimeleque, rei dos
filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com
Rebeca, sua mulher.
9 Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher;
como pois disseste: E minha irmã? Respondeu-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para
que eu porventura não morra por sua causa.
10 Replicou Abimeleque: Que é isso que nos fizeste? Facilmente se teria deitado
alguém deste povo com tua mulher, e tu terias trazido culpa sobre nós.
11 E Abimeleque ordenou a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste homem
ou em sua mulher, certamente morrerá.
12 Isaque semeou naquela terra, e no mesmo ano colheu o cêntuplo; e o Senhor o
abençoou.
13 E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo até que se tornou mui
poderoso;
14 e tinha possessões de rebanhos e de gado, e muita gente de serviço; de modo
que os filisteus o invejavam.
15 Ora, todos os poços, que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de seu
pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra.
16 E Abimeleque disse a Isaque: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te
tens feito do que nós.
17 Então Isaque partiu dali e, acampando no vale de Gerar, lá habitou.
18 E Isaque tornou a cavar os poços que se haviam cavado nos dias de Abraão seu
pai, pois os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão; e
deu-lhes os nomes que seu pai lhes dera.
19 Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale, e acharam ali um poço de
águas vivas.
20 E os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta
água é nossa. E ele chamou ao poço Eseque, porque contenderam com ele.
21 Então cavaram outro poço, pelo qual também contenderam; por isso chamou-lhe
Sitna.
22 E partiu dali, e cavou ainda outro poço; por este não contenderam; pelo que
chamou-lhe Reobote, dizendo: Pois agora o Senhor nos deu largueza, e havemos de
crescer na terra.
23 Depois subiu dali a Beer-Seba.
24 E apareceu-lhe o Senhor na mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu
pai; não temas, porque eu sou contigo, e te abençoarei e multiplicarei a tua
descendência por amor do meu servo Abraão.
25 Isaque, pois, edificou ali um altar e invocou o nome do Senhor; então armou
ali a sua tenda, e os seus servos cavaram um poço.
26 Então Abimeleque veio a ele de Gerar, com Aüzate, seu amigo, e Ficol, o
chefe do seu exército.
27 E perguntou-lhes Isaque: Por que viestes ter comigo, visto que me odiais, e
me repelistes de vós?
28 Responderam eles: Temos visto claramente que o Senhor é contigo, pelo que
dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos um pacto
contigo,
29 que não nos farás mal, assim como nós não te havemos tocado, e te fizemos
somente o bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Senhor.
30 Então Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam.
31 E levantaram-se de manhã cedo e juraram de parte a parte; depois Isaque os
despediu, e eles se despediram dele em paz.
32 Nesse mesmo dia vieram os servos de Isaque e deram-lhe notícias acerca do
poço que haviam cavado, dizendo-lhe: Temos achado água.
33 E ele chamou o poço Seba; por isso é o nome da cidade Beer-Seba até o dia de
hoje.
34 Ora, quando Esaú tinha quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de
Beeri, o heteu e a Basemate, filha de Elom, o heteu.
35 E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito.
GÊNESIS
[27]
1 Quando Isaque já estava
velho, e se lhe enfraqueciam os olhos, de maneira que não podia ver, chamou a
Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho! Ele lhe respondeu: Eis-me
aqui!
2 Disse-lhe o pai: Eis que agora estou velho, e não sei o dia da minha morte;
3 toma, pois, as tuas armas, a tua aljava e o teu arco; e sai ao campo, e
apanha para mim alguma caça;
4 e faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma; a
fim de que a minha alma te abençoe, antes que morra.
5 Ora, Rebeca estava escutando quando Isaque falou a Esaú, seu filho. Saiu,
pois, Esaú ao campo para apanhar caça e trazê-la.
6 Disse então Rebeca a Jacó, seu filho: Eis que ouvi teu pai falar com Esaú,
teu irmão, dizendo:
7 Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe
diante do Senhor, antes da minha morte.
8 Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te ordeno:
9 Vai ao rebanho, e traze-me de lá das cabras dois bons cabritos; e eu farei um
guisado saboroso para teu pai, como ele gosta;
10 e levá-lo-ás a teu pai, para que o coma, a fim de te abençoar antes da sua
morte.
11 Respondeu, porém, Jacó a Rebeca, sua mãe: Eis que Esaú, meu irmão, é peludo,
e eu sou liso.
12 Porventura meu pai me apalpará e serei a seus olhos como enganador; assim
trarei sobre mim uma maldição, e não uma bênção.
13 Respondeu-lhe sua mãe: Meu filho, sobre mim caia essa maldição; somente
obedece à minha voz, e vai trazer-mos.
14 Então ele foi, tomou-os e os trouxe a sua mãe, que fez um guisado saboroso
como seu pai gostava.
15 Depois Rebeca tomou as melhores vestes de Esaú, seu filho mais velho, que
tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho mais moço;
16 com as peles dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço;
17 e pôs o guisado saboroso e o pão que tinha preparado, na mão de Jacó, seu
filho.
18 E veio Jacó a seu pai, e chamou: Meu pai! E ele disse:
Eis-me aqui; quem és tu, meu filho?
19 Respondeu Jacó a seu pai: Eu sou Esaú, teu primogênito; tenho feito como me
disseste; levanta-te, pois, senta-te e come da minha caça, para que a tua alma
me abençoe.
20 Perguntou Isaque a seu filho: Como é que tão depressa a achaste, filho meu?
Respondeu ele: Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro.
21 Então disse Isaque a Jacó: Chega-te, pois, para que eu te apalpe e veja se
és meu filho Esaú mesmo, ou não.
22 chegou-se Jacó a Isaque, seu pai, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de
Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú.
23 E não o reconheceu, porquanto as suas mãos estavam peludas, como as de Esaú
seu irmão; e abençoou-o.
24 No entanto perguntou: Tu és mesmo meu filho Esaú? E ele declarou: Eu o sou.
25 Disse-lhe então seu pai: Traze-mo, e comerei da caça de meu filho, para que
a minha alma te abençoe: E Jacó lho trouxe, e ele comeu; trouxe-lhe também
vinho, e ele bebeu.
26 Disse-lhe mais Isaque, seu pai: Aproxima-te agora, e beija-me, meu filho.
27 E ele se aproximou e o beijou; e seu pai, sentindo-lhe o cheiro das vestes o
abençoou, e disse: Eis que o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo
que o Senhor abençoou.
28 Que Deus te dê do orvalho do céu, e dos lugares férteis da terra, e
abundância de trigo e de mosto;
29 sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os
filhos da tua mãe se encurvem a ti; sejam malditos os que te amaldiçoarem, e
benditos sejam os que te abençoarem.
30 Tão logo Isaque acabara de abençoar a Jacó, e este saíra da presença de seu
pai, chegou da caça Esaú, seu irmão;
31 e fez também ele um guisado saboroso e, trazendo-o a seu pai, disse-lhe:
Levantate, meu pai, e come da caça de teu filho, para que a tua alma me
abençoe.
32 Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Respondeu ele: Eu sou teu filho,
o teu primogênito, Esaú.
33 Então estremeceu Isaque de um estremecimento muito grande e disse: Quem,
pois, é aquele que apanhou caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que tu
viesses, e abençoei-o, e ele será bendito.
34 Esaú, ao ouvir as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado,
e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai!
35 Respondeu Isaque: Veio teu irmão e com sutileza tomou a tua bênção.
36 Disse Esaú: Não se chama ele com razão Jacó, visto que já por duas vezes me
enganou? tirou-me o direito de primogenitura, e eis que agora me tirou a
bênção. E perguntou: Não reservaste uma bênção para mim?
37 Respondeu Isaque a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos
os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho
fortalecido. Que, pois, poderei eu fazer por ti, meu filho?
38 Disse Esaú a seu pai: Porventura tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me
também a mim, meu pai. E levantou Esaú a voz, e chorou.
39 Respondeu-lhe Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua
habitação, longe do orvalho do alto céu;
40 pela tua espada viverás, e a teu irmão, serviras; mas quando te tornares
impaciente, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço.
41 Esaú, pois, odiava a Jacó por causa da bênção com que seu pai o tinha
abençoado, e disse consigo: Vêm chegando os dias de luto por meu pai; então hei
de matar Jacó, meu irmão.
42 Ora, foram denunciadas a Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais
velho; pelo que ela mandou chamar Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse: Eis
que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, propondo matar-te.
43 Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz; levanta-te, refugia-te na casa de
Labão, meu irmão, em Harã,
44 e demora-te com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão;
45 até que se desvie de ti a ira de teu irmão, e ele se esqueça do que lhe
fizeste; então mandarei trazer-te de lá; por que seria eu desfilhada de vós
ambos num só dia?
46 E disse Rebeca a Isaque: Enfadada estou da minha vida, por causa das filhas
de Hete; se Jacó tomar mulher dentre as filhas de Hete, tais como estas, dentre
as filhas desta terra, para que viverei?
GÊNESIS
[28]
1 Isaque, pois, chamou Jacó,
e o abençoou, e ordenou-lhe, dizendo: Não tomes mulher dentre as filhas de
Canaã.
2 Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá
uma mulher dentre as filhas de Labão, irmão de tua mãe.
3 Deus Todo-Poderoso te abençoe, te faça frutificar e te multiplique, para que
venhas a ser uma multidão de povos; seu
4 e te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que
herdes a terra de tuas peregrinaçoes, que Deus deu a Abraão.
5 Assim despediu Isaque a Jacó, o qual foi a Padã-Arã, a Labão, filho de
Betuel, arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.
6 Ora, viu Esaú que Isaque abençoara a Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para tomar
de lá mulher para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes
mulher dentre as filhas de Canaã,
7 e que Jacó, obedecendo a seu pai e a sua mãe, fora a Padã- Arã;
8 vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque seu
pai,
9 foi-se Esaú a Ismael e, além das mulheres que já tinha, tomou por mulher a
Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote.
10 Partiu, pois, Jacó de Beer-Seba e se foi em direção a Harã;
11 e chegou a um lugar onde passou a noite, porque o sol já se havia posto; e,
tomando uma das pedras do lugar e pondo-a debaixo da cabeça, deitou-se ali para
dormir.
12 Então sonhou: estava posta sobre a terra uma escada, cujo topo chegava ao
céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
13 por cima dela estava o Senhor, que disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão
teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra em que estás deitado, eu a darei a ti e
à tua descendência;
14 e a tua descendência será como o pó da terra; dilatar-te-ás para o ocidente,
para o oriente, para o norte e para o sul; por meio de ti e da tua descendência
serão benditas todas as famílias da terra.
15 Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei
tornar a esta terra; pois não te deixarei até que haja cumprido aquilo de que
te tenho falado.
16 Ao acordar Jacó do seu sono, disse: Realmente o Senhor está neste lugar; e
eu não o sabia.
17 E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a
casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
18 Jacó levantou-se de manhã cedo, tomou a pedra que pusera debaixo da cabeça,
e a pôs como coluna; e derramou-lhe azeite em cima.
19 E chamou aquele lugar Betel; porém o nome da cidade antes era Luz.
20 Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste
caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir,
21 de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se o Senhor for o meu Deus,
22 então esta pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de tudo
quanto me deres, certamente te darei o dízimo.
GÊNESIS
[29]
1 Então pôs-se Jacó a caminho
e chegou à terra dos filhos do Oriente.
2 E olhando, viu ali um poço no campo, e três rebanhos de ovelhas deitadas
junto dele; pois desse poço se dava de beber aos rebanhos; e havia uma grande
pedra sobre a boca do poço.
3 Ajuntavam-se ali todos os rebanhos; os pastores removiam a pedra da boca do
poço, davam de beber às ovelhas e tornavam a pôr a pedra no seu lugar sobre a
boca do poço.
4 Perguntou-lhes Jacó: Meus irmãos, donde sois? Responderam eles: Somos de
Harã.
5 Perguntou-lhes mais: Conheceis a Labão, filho de Naor; Responderam:
Conhecemos.
6 Perguntou-lhes ainda: vai ele bem? Responderam: Vai bem; e eis ali Raquel,
sua filha, que vem chegando com as ovelhas.
7 Disse ele: Eis que ainda vai alto o dia; não é hora de se ajuntar o gado; dai
de beber às ovelhas, e ide apascentá-las.
8 Responderam: Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e seja
removida a pedra da boca do poço; assim é que damos de beber às ovelhas.
9 Enquanto Jacó ainda lhes falava, chegou Raquel com as ovelhas de seu pai;
porquanto era ela quem as apascentava.
10 Quando Jacó viu a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de
Labão, irmão de sua mãe, chegou-se, revolveu a pedra da boca do poço e deu de
beber às ovelhas de Labão, irmão de sua mãe.
11 Então Jacó beijou a Raquel e, levantando a voz, chorou.
12 E Jacó anunciou a Raquel que ele era irmão de seu pai, e que era filho de
Rebeca. Raquel, pois foi correndo para anunciá-lo a, seu pai.
13 Quando Labão ouviu essas novas de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao
encontro, abraçou-o, beijou-o e o levou à sua casa. E Jacó relatou a Labão
todas essas, coisas.
14 Disse-lhe Labão: Verdadeiramente tu és meu osso e minha carne. E Jacó ficou
com ele um mês inteiro.
15 Depois perguntou Labão a Jacó: Por seres meu irmão hás de servir-me de
graça? Declara-me, qual será o teu salário?
16 Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Léia, e o da mais
moça Raquel.
17 Léia tinha os olhos enfermos, enquanto que Raquel era formosa de porte e de
semblante.
18 Jacó, porquanto amava a Raquel, disse: Sete anos te servirei para ter a
Raquel, tua filha mais moça.
19 Respondeu Labão: Melhor é que eu a dê a ti do que a outro; fica comigo.
20 Assim serviu Jacó sete anos por causa de Raquel; e estes lhe pareciam como
poucos dias, pelo muito que a amava.
21 Então Jacó disse a Labão: Dá-me minha mulher, porque o tempo já está
cumprido; para que eu a tome por mulher.
22 Reuniu, pois, Labão todos os homens do lugar, e fez um banquete.
23 Â tarde tomou a Léia, sua filha e a trouxe a Jacó, que esteve com ela.
24 E Labão deu sua serva Zilpa por serva a Léia, sua filha.
25 Quando amanheceu, eis que era Léia; pelo que perguntou Jacó a Labão: Que é
isto que me fizeste? Porventura não te servi em troca de Raquel? Por que, então,
me enganaste?
26 Respondeu Labão: Não se faz assim em nossa terra; não se dá a menor antes da
primogênita.
27 Cumpre a semana desta; então te daremos também a outra, pelo trabalho de
outros sete anos que ainda me servirás.
28 Assim fez Jacó, e cumpriu a semana de Léia; depois Labão lhe deu por mulher
sua filha Raquel.
29 E Labão deu sua serva Bila por serva a Raquel, sua filha.
30 Então Jacó esteve também com Raquel; e amou a Raquel muito mais do que a
Léia; e serviu com Labão ainda outros sete anos.
31 Viu, pois, o Senhor que Léia era desprezada e tornou-lhe fecunda a madre;
Raquel, porém, era estéril.
32 E Léia concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben; pois disse:
Porque o Senhor atendeu à minha aflição; agora me amará meu marido.
33 Concebeu outra vez, e deu à luz um filho; e disse: Porquanto o Senhor ouviu
que eu era desprezada, deu-me também este. E lhe chamou Simeão.
34 Concebeu ainda outra vez e deu à luz um filho e disse: Agora esta vez se
unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe tenho dado. Portanto lhe chamou
Levi.
35 De novo concebeu e deu à luz um filho; e disse: Esta vez louvarei ao Senhor.
Por isso lhe chamou Judá. E cessou de ter filhos.
GÊNESIS
[30]
1 Vendo Raquel que não dava
filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão eu
morro.
2 Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel; e disse: Porventura estou eu no
lugar de Deus que te impediu o fruto do ventre?
3 Respondeu ela: Eis aqui minha serva Bila; recebe-a por mulher, para que ela
dê à luz sobre os meus joelhos, e eu deste modo tenha filhos por ela.
4 Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a conheceu.
5 Bila concebeu e deu à luz um filho a Jacó.
6 Então disse Raquel: Julgou-me Deus; ouviu a minha voz e me deu um filho; pelo
que lhe chamou Dã.
7 E Bila, serva de Raquel, concebeu outra vez e deu à luz um segundo filho a
Jacó.
8 Então disse Raquel: Com grandes lutas tenho lutado com minha irmã, e tenho
vencido; e chamou-lhe Naftali.
9 Também Léia, vendo que cessara de ter filhos, tomou a Zilpa, sua serva, e a
deu a Jacó por mulher.
10 E Zilpa, serva de Léia, deu à luz um filho a Jacó.
11 Então disse Léia: Afortunada! e chamou-lhe Gade.
12 Depois Zilpa, serva de Léia, deu à luz um segundo filho a Jacó.
13 Então disse Léia: Feliz sou eu! porque as filhas me chamarão feliz; e
chamou-lhe Aser.
14 Ora, saiu Rúben nos dias da ceifa do trigo e achou mandrágoras no campo, e
as trouxe a Léia, sua mãe. Então disse Raquel a Léia: Dá-me, peço, das
mandrágoras de teu filho.
15 Ao que lhe respondeu Léia: É já pouco que me hajas tirado meu marido? queres
tirar também as mandrágoras de meu filho? Prosseguiu Raquel: Por isso ele se
deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.
16 Quando, pois, Jacó veio à tarde do campo, saiu-lhe Léia ao encontro e disse:
Hás de estar comigo, porque certamente te aluguei pelas mandrágoras de meu
filho. E com ela deitou-se Jacó aquela noite.
17 E ouviu Deus a Léia, e ela concebeu e deu a Jacó um quinto filho.
18 Então disse Léia: Deus me tem dado o meu galardão, porquanto dei minha serva
a meu marido. E chamou ao filho Issacar.
19 Concebendo Léia outra vez, deu a Jacó um sexto filho;
20 e disse: Deus me deu um excelente dote; agora morará comigo meu marido,
porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom.
21 Depois. disto deu à luz uma filha, e chamou-lhe Diná.
22 Também lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a tornou fecunda.
23 De modo que ela concebeu e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus o
opróbrio.
24 E chamou-lhe José, dizendo: Acrescente-me o Senhor ainda outro filho.
25 Depois que Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Despede-me a fim de
que eu vá para meu lugar e para minha terra.
26 Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e
deixame ir; pois tu sabes o serviço que te prestei.
27 Labão lhe respondeu: Se tenho achado graça aos teus olhos, fica comigo; pois
tenho percebido que o Senhor me abençoou por amor de ti.
28 E disse mais: Determina-me o teu salário, que to darei.
29 Ao que lhe respondeu Jacó: Tu sabes como te hei servido, e como tem passado
o teu gado comigo.
30 Porque o pouco que tinhas antes da minha vinda tem se multiplicado
abundantemente; e o Senhor te tem abençoado por onde quer que eu fui. Agora,
pois, quando hei de trabalhar também por minha casa?
31 Insistiu Labão: Que te darei? Então respondeu Jacó: Não me darás nada;
tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho se me fizeres isto:
32 Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele todos os salpicados e
malhados, e todos os escuros entre as ovelhas, e os malhados e salpicados entre
as cabras; e isto será o meu salário.
33 De modo que responderá por mim a minha justiça no dia de amanhã, quando
vieres ver o meu salário assim exposto diante de ti: tudo o que não for
salpicado e malhado entre as cabras e escuro entre as ovelhas, esse, se for
achado comigo, será tido por furtado.
34 Concordou Labão, dizendo: Seja conforme a tua palavra.
35 E separou naquele mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas as cabras
salpicadas e malhadas, tudo em que havia algum branco, e todos os escuros entre
os cordeiros e os deu nas mãos de seus filhos;
36 e pôs três dias de caminho entre si e Jacó; e Jacó apascentava o restante
dos rebanhos de Labão.
37 Então tomou Jacó varas verdes de estoraque, de amendoeira e de plátano e,
descascando nelas riscas brancas, descobriu o branco que nelas havia;
38 e as varas que descascara pôs em frente dos rebanhos, nos cochos, isto é,
nos bebedouros, onde os rebanhos bebiam; e conceberam quando vinham beber.
39 Os rebanhos concebiam diante das varas, e as ovelhas davam crias listradas,
salpicadas e malhadas.
40 Então separou Jacó os cordeiros, e fez os rebanhos olhar para os listrados e
para todos os escuros no rebanho de Labão; e pôs seu rebanho à parte, e não pôs
com o rebanho de Labão.
41 e todas as vezes que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas nos
bebedouros, diante dos olhos do rebanho, para que concebessem diante das varas;
42 mas quando era fraco o rebanho, ele não as punha. Assim as fracas eram de
Labão, e as fortes de Jacó.
43 E o homem se enriqueceu sobremaneira, e teve grandes rebanhos, servas e
servos, camelos e jumentos.
GÊNESIS
[31]
1 Jacó, entretanto, ouviu as
palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacó tem levado tudo o que era de
nosso pai, e do que era de nosso pai adquiriu ele todas estas, riquezas.
2 Viu também Jacó o rosto de Labão, e eis que não era para com ele como dantes.
3 Disse o Senhor, então, a Jacó: Volta para a terra de teus pais e para a tua
parentela; e eu serei contigo.
4 Pelo que Jacó mandou chamar a Raquel e a Léia ao campo, onde estava o seu
rebanho,
5 e lhes disse: vejo que o rosto de vosso pai para comigo não é como
anteriormente; porém o Deus de meu pai tem estado comigo.
6 Ora, vós mesmas sabeis que com todas as minhas forças tenho servido a vosso
pai.
7 Mas vosso pai me tem enganado, e dez vezes mudou o meu salário; Deus, porém,
não lhe permitiu que me fizesse mal.
8 Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todo o
rebanho dava salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu
salário, então todo o rebanho dava listrados.
9 De modo que Deus tem tirado o gado de vosso pai, e mo tem dado a mim.
10 Pois sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, levantei os olhos e
num sonho vi que os bodes que cobriam o rebanho eram listrados, salpicados e
malhados.
11 Disse-me o anjo de Deus no sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui.
12 Prosseguiu o anjo: Levanta os teus olhos e vê que todos os bodes que cobrem
o rebanho são listrados, salpicados e malhados; porque tenho visto tudo o que
Labão te vem fazendo.
13 Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto;
levanta-te, pois, sai-te desta terra e volta para a terra da tua parentela.
14 Então lhe responderam Raquel e Léia: Temos nós ainda parte ou herança na
casa de nosso pai?
15 Não somos tidas por ele como estrangeiras? pois nos vendeu, e consumiu todo
o nosso preço.
16 Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos;
portanto, faze tudo o que Deus te mandou.
17 Levantou-se, pois, Jacó e fez montar seus filhos e suas mulheres sobre os
camelos;
18 e levou todo o seu gado, e toda a sua fazenda, que havia adquirido, o gado
que possuía, que havia adquirido em Padã-Arã, a fim de ir ter com Isaque, seu
pai, à terra de Canaã.
19 Ora, tendo Labão ido tosquiar as suas ovelhas, Raquel furtou os ídolos que
pertenciam a seu pai.
20 Jacó iludiu a Labão, o arameu, não lhe fazendo saber que fugia;
21 e fugiu com tudo o que era seu; e, levantando-se, passou o Rio, e foi em
direção à montanha de Gileade.
22 Ao terceiro dia foi Labão avisado de que Jacó havia fugido.
23 Então, tomando consigo seus irmãos, seguiu atrás de Jacó jornada de sete
dias; e alcançou-o na montanha de Gileade.
24 Mas Deus apareceu de noite em sonho a Labão, o arameu, e disse-lhe:
Guardate, que não fales a Jacó nem bem nem mal.
25 Alcançou, pois, Labão a Jacó. Ora, Jacó tinha armado a sua tenda na
montanha; armou também Labão com os seus irmãos a sua tenda na montanha de
Gileade.
26 Então disse Labão a Jacó: Que fizeste, que me iludiste e levaste minhas
filhas como cativas da espada?
27 Por que fuizeste ocultamente, e me iludiste e não mo fizeste saber, para que
eu te enviasse com alegria e com cânticos, ao som de tambores e de harpas;
28 Por que não me permitiste beijar meus filhos e minhas filhas? Ora, assim
procedeste nesciamente.
29 Está no poder da minha mão fazer-vos o mal, mas o Deus de vosso pai falou-me
ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales a Jacó nem bem nem mal.
30 Mas ainda que quiseste ir embora, porquanto tinhas saudades da casa de teu
pai, por que furtaste os meus deuses?
31 Respondeu-lhe Jacó: Porque tive medo; pois dizia comigo que tu me
arrebatarias as tuas filhas.
32 Com quem achares os teus deuses, porém, esse não viverá; diante de nossos
irmãos descobre o que é teu do que está comigo, e leva-o contigo. Pois Jacó não
sabia que Raquel os tinha furtado.
33 Entrou, pois, Labão na tenda de Jacó, na tenda de Léia e na tenda das duas
servas, e não os achou; e, saindo da tenda de Léia, entrou na tenda de Raquel.
34 Ora, Raquel havia tomado os ídolos e os havia metido na albarda do camelo, e
se assentara em cima deles. Labão apalpou toda a tenda, mas não os achou.
35 E ela disse a seu pai: Não se acenda a ira nos olhos de meu senhor, por eu
não me poder levantar na tua presença, pois estou com o incômodo das mulheres.
Assim ele procurou, mas não achou os ídolos.
36 Então irou-se Jacó e contendeu com Labão, dizendo: Qual é a minha
transgressão? qual é o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido?
37 Depois de teres apalpado todos os meus móveis, que achaste de todos os
móveis da tua casar. Põe-no aqui diante de meus irmãos e de teus irmãos, para
que eles julguem entre nós ambos.
38 Estes vinte anos estive eu contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca
abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho.
39 Não te trouxe eu o despedaçado; eu sofri o dano; da minha mão requerias
tanto o furtado de dia como o furtado de noite.
40 Assim andava eu; de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o sono me
fugia dos olhos.
41 Estive vinte anos em tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas, e
seis anos por teu rebanho; dez vezes mudaste o meu salário.
42 Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque não fora por mim,
certamente hoje me mandarias embora vazio. Mas Deus tem visto a minha aflição e
o trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite.
43 Respondeu-lhe Labão: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus
filhos, e este rebanho é meu rebanho, e tudo o que vês é meu; e que farei hoje
a estas minhas filhas, ou aos filhos que elas tiveram?
44 Agora pois vem, e façamos um pacto, eu e tu; e sirva ele de testemunha entre
mim e ti.
45 Então tomou Jacó uma pedra, e a erigiu como coluna.
46 E disse a seus irmãos: Ajuntai pedras. Tomaram, pois, pedras e fizeram um
montão, e ali junto ao montão comeram.
47 Labão lhe chamou Jegar-Saaduta, e Jacó chamou-lhe Galeede.
48 Disse, pois, Labão: Este montão é hoje testemunha entre mim e ti. Por isso
foi chamado Galeede;
49 e também Mizpá, porquanto disse: Vigie o Senhor entre mim e ti, quando
estivermos apartados um do outro.
50 Se afligires as minhas filhas, e se tomares outras mulheres além das minhas
filhas, embora ninguém esteja conosco, lembra-te de que Deus é testemunha entre
mim e ti.
51 Disse ainda Labão a Jacó: Eis aqui este montão, e eis aqui a coluna que
levantei entre mim e ti.
52 Seja este montão testemunha, e seja esta coluna testemunha de que, para mal,
nem passarei eu deste montão a ti, nem passarás tu deste montão e desta coluna
a mim.
53 O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós. E
jurou Jacó pelo Temor de seu pai Isaque.
54 Então Jacó ofereceu um sacrifício na montanha, e convidou seus irmãos para
comerem pão; e, tendo comido, passaram a noite na montanha.
55 Levantou-se Labão de manhã cedo, beijou seus filhos e suas filhas e os
abençoou; e, partindo, voltou para o seu lugar.
GÊNESIS
[32]
1 Jacó também seguiu o seu
caminho; e encontraram-no os anjos de Deus.
2 Quando Jacó os viu, disse: Este é o exército de Deus. E chamou àquele lugar
Maanaim.
3 Então enviou Jacó mensageiros diante de si a Esaú, seu irmão, à terra de
Seir, o território de Edom,
4 tendo-lhes ordenado: Deste modo falareis a meu senhor Esaú: Assim diz Jacó,
teu servo: Como peregrino morei com Labão, e com ele fiquei até agora;
5 e tenho bois e jumentos, rebanhos, servos e servas; e mando comunicar isso a
meu senhor, para achar graça aos teus olhos.
6 Depois os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: Fomos ter com teu irmão Esaú;
e, em verdade, vem ele para encontrar-te, e quatrocentos homens com ele.
7 Jacó teve muito medo e ficou aflito; dividiu em dois bandos o povo que estava
com ele, bem como os rebanhos, os bois e os camelos;
8 pois dizia: Se Esaú vier a um bando e o ferir, o outro bando escapará.
9 Disse mais Jacó: o Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor,
que me disseste: Volta para a tua terra, e para a tua parentela, e eu te farei
bem!
10 Não sou digno da menor de todas as tuas beneficências e de toda a fidelidade
que tens usado para com teu servo; porque com o meu cajado passei este Jordão,
e agora volto em dois bandos.
11 Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú, porque eu o temo;
acaso não venha ele matar-me, e a mãe com os filhos.
12 Pois tu mesmo disseste: Certamente te farei bem, e farei a tua descendência
como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar.
13 Passou ali aquela noite; e do que tinha tomou um presente para seu irmão
Esaú:
14 duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,
15 trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte
jumentas e dez jumentinhos.
16 Então os entregou nas mãos dos seus servos, cada manada em separado; e disse
a seus servos: Passai adiante de mim e ponde espaço entre manada e manada.
17 E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar e te
perguntar: De quem és, e para onde vais, e de quem são estes diante de ti?
18 Então responderás: São de teu servo Jacó, presente que envia a meu senhor, a
Esaú, e eis que ele vem também atrás dé nos.
19 Ordenou igualmente ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atrás
das manadas, dizendo: Desta maneira falareis a Esaú quando o achardes.
20 E direis também: Eis que o teu servo Jacó vem atrás de nós. Porque dizia:
Aplacá-lo-ei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua face;
porventura ele me aceitará.
21 Foi, pois, o presente adiante dele; ele, porém, passou aquela noite no
arraial.
22 Naquela mesma noite levantou-se e, tomando suas duas mulheres, suas duas
servas e seus onze filhos, passou o vau de Jaboque.
23 Tomou-os, e fê-los passar o ribeiro, e fez passar tudo o que tinha.
24 Jacó, porém, ficou só; e lutava com ele um homem até o romper do dia.
25 Quando este viu que não prevalecia contra ele, tocou-lhe a juntura da coxa,
e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele.
26 Disse o homem: Deixa-me ir, porque já vem rompendo o dia. Jacó, porém,
respondeu: Não te deixarei ir, se me não abençoares.
27 Perguntou-lhe, pois: Qual é o teu nome? E ele respondeu: Jacó.
28 Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com
Deus e com os homens e tens prevalecido.
29 Perguntou-lhe Jacó: Dize-me, peço-te, o teu nome. Respondeu o homem: Por que
perguntas pelo meu nome? E ali o abençoou.
30 Pelo que Jacó chamou ao lugar Peniel, dizendo: Porque tenho visto Deus face
a face, e a minha vida foi preservada.
31 E nascia o sol, quando ele passou de Peniel; e coxeava de uma perna.
32 Por isso os filhos de Israel não comem até o dia de hoje o nervo do quadril,
que está sobre a juntura da coxa, porquanto o homem tocou a juntura da coxa de
Jacó no nervo do quadril.
GÊNESIS
[33]
1 Levantou Jacó os olhos, e
olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele. Então repartiu os
filhos entre Léia, e Raquel, e as duas servas.
2 Pôs as servas e seus filhos na frente, Léia e seus filhos atrás destes, e
Raquel e José por últimos.
3 Mas ele mesmo passou adiante deles, e inclinou-se em terra sete vezes, até
chegar perto de seu irmão.
4 Então Esaú correu-lhe ao encontro, abraçou-o, lançou-se-lhe ao pescoço, e o
beijou; e eles choraram.
5 E levantando Esaú os olhos, viu as mulheres e os meninos, e perguntou: Quem
são estes contigo? Respondeu-lhe Jacó: Os filhos que Deus bondosamente tem dado
a teu servo.
6 Então chegaram-se as servas, elas e seus filhos, e inclinaram-se.
7 Chegaram-se também Léia e seus filhos, e inclinaram-se; depois chegaram-se
José e Raquel e se inclinaram.
8 Perguntou Esaú: Que queres dizer com todo este bando que tenho encontrado?
Respondeu Jacó: Para achar graça aos olhos de meu senhor.
9 Mas Esaú disse: Tenho bastante, meu irmão; seja teu o que tens.
10 Replicou-lhe Jacó: Não, mas se agora tenho achado graça aos teus olhos,
aceita o presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se
tivesse visto o rosto de Deus, e tu te agradaste de mim.
11 Aceita, peço-te, o meu presente, que eu te trouxe; porque Deus tem sido
bondoso para comigo, e porque tenho de tudo. E insistiu com ele, e ele o
aceitou.
12 Então Esaú disse: Ponhamo-nos a caminho e vamos; eu irei adiante de ti.
13 Respondeu-lhe Jacó: Meu senhor sabe que estes filhos são tenros, e que tenho
comigo ovelhas e vacas de leite; se forem obrigadas a caminhar demais por um só
dia, todo o rebanho morrerá.
14 Passe o meu senhor adiante de seu servo; e eu seguirei, conduzindo-os
calmamente, conforme o passo do gado que está diante de mim, e conforme o passo
dos meninos, até que chegue a meu senhor em Seir.
15 Ao que disse Esaú: Permite ao menos que eu deixe contigo alguns da minha
gente. Replicou Jacó: Para que? Basta que eu ache graça aos olhos de meu
senhor.
16 Assim tornou Esaú aquele dia pelo seu caminho em direção a Seir.
17 Jacó, porém, partiu para Sucote, e edificou para si uma casa, e fez barracas
para o seu gado; por isso o lugar se chama Sucote.
18 Depois chegou Jacó em paz à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã,
quando veio de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade.
19 E comprou a parte do campo, em que estendera a sua tenda, dos filhos de
Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro.
20 Então levantou ali um altar, e chamou-lhe o El-Eloé-Israel.
GÊNESIS
[34]
1 Diná, filha de Léia, que
esta tivera de Jacó, saiu para ver as filhas da terra.
2 Viu-a Siquém, filho de Hamor o heveu, príncipe da terra; e, tomando-a,
deitou-se com ela e humilhou-a.
3 Assim se apegou a sua alma a Diná, filha de Jacó, e, amando a donzela,
falou-lhe afetuosamente.
4 Então disse Siquém a Hamor seu pai: Consegue-me esta donzela por mulher.
5 Ora, Jacó ouviu que Siquém havia contaminado a Diná sua filha. Entretanto,
estando seus filhos no campo com o gado, calou-se Jacó até que viessem.
6 Hamor, pai de Siquém, saiu a fim de falar com Jacó.
7 Os filhos de Jacó, pois, vieram do campo logo que souberam do caso; e
entristeceram-se e iraram-se muito, porque Siquém havia cometido uma insensatez
em Israel, deitando-se com a filha de Jacó, coisa que não se devia fazer.
8 Então falou Hamor com eles, dizendo: A alma de meu filho Siquém afeiçoou-se
fortemente a vossa filha; dai-lha, peço-vos, por mulher.
9 Também aparentai-vos conosco; dai-nos as vossas filhas e recebei as nossas.
10 Assim habitareis conosco; a terra estará diante de vós; habitai e negociai
nela, e nela adquiri propriedades.
11 Depois disse Siquém ao pai e aos irmãos dela: Ache eu graça aos vossos
olhos, e darei o que me disserdes;
12 exigi de mim o que quiserdes em dote e presentes, e darei o que me pedirdes;
somente dai-me a donzela por mulher.
13 Então os filhos de Jacó, respondendo, falaram enganosamente a Siquém e a
Hamor, seu pai, porque Siquém havia contaminado a Diná, sua irmã,
14 e lhes disseram: Não podemos fazer p isto, dar a nossa irmã a um homem incircunciso;
porque isso seria uma vergonha para nós.
15 Sob esta única condição consentiremos; se vos tornardes como nós,
circuncidando-se todo varão entre vós;
16 então vos daremos nossas filhas a vós, e receberemos vossas filhas para nós;
assim habitaremos convosco e nos tornaremos um só povo.
17 Mas se não nos ouvirdes, e não vos circuncidardes, levaremos nossa filha e
nos iremos embora.
18 E suas palavras agradaram a Hamor e a Siquém, seu filho.
19 Não tardou, pois, o mancebo em fazer isso, porque se agradava da filha de
Jacó. Era ele o mais honrado de toda a casa de seu pai.
20 Vieram, pois, Hamor e Siquém, seu filho, à porta da sua cidade, e falaram
aos homens da cidade, dizendo:
21 Estes homens são pacíficos para conosco; portanto habitem na terra e negociem
nela, pois é bastante espaçosa para eles. Recebamos por mulheres as suas
filhas, e lhes demos as nossas.
22 Mas sob uma única condição é que consentirão aqueles homens em habitar
conosco para nos tornarmos um só povo: se todo varão entre nós se circuncidar,
como eles são circuncidados.
23 O seu gado, as suas aquisições, e todos os seus animais, não serão nossos?
consintamos somente com eles, e habitarão conosco.
24 E deram ouvidos a Hamor e a Siquém, seu filho, todos os que saíam da porta
da cidade; e foi circuncidado todo varão, todos os que saíam pela porta da sua
cidade.
25 Ao terceiro dia, quando os homens estavam doridos, dois filhos de Jacó,
Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, entraram na cidade
com toda a segurança e mataram todo varão.
26 Mataram também ao fio da espada a Hamor e a Siquém, seu filho; e, tirando
Diná da casa de Siquém, saíram.
27 Vieram os filhos de Jacó aos mortos e saquearam a cidade; porquanto haviam
contaminado a sua irmã.
28 Tomaram-lhes os rebanhos, os bois, os jumentos, e o que havia tanto na
cidade como no campo;
29 e todos os seus bens, e todos os seus pequeninos, e as suas mulheres,
levaram por presa; e despojando as casas, levaram tudo o que havia nelas.
30 Então disse Jacó a Simeão e a Levi: Tendes-me perturbado, fazendo-me odioso
aos habitantes da terra, aos cananeus e perizeus. Tendo eu pouca gente, eles se
ajuntarão e me ferirão; e serei destruído, eu com minha casa.
31 Ao que responderam: Devia ele tratar a nossa irmã como a uma prostituta?
GÊNESIS
[35]
1 Depois disse Deus a Jacó:
Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te
apareceu quando fugias da face de Esaú, teu irmão.
2 Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Lançai fora
os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos e mudai as vossas
vestes.
3 Levantemo-nos, e subamos a Betel; ali farei um altar ao Deus que me respondeu
no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho por onde andei.
4 Entregaram, pois, a Jacó todos os deuses estranhos, que tinham nas mãos, e as
arrecadas que pendiam das suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho
que está junto a Siquém.
5 Então partiram; e o terror de Deus sobreveio às cidades que lhes estavam ao
redor, de modo que não perseguiram os filhos de Jacó.
6 Assim chegou Jacó à Luz, que está na terra de Canaã (esta é Betel), ele e
todo o povo que estava com ele.
7 Edificou ali um altar, e chamou ao lugar El-Betel; porque ali Deus se lhe
tinha manifestado quando fugia da face de seu irmão.
8 Morreu Débora, a ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do
carvalho, ao qual se chamou Alom-Bacute.
9 Apareceu Deus outra vez a Jacó, quando ele voltou de Padã-Arã, e o abençoou.
10 E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel
será o teu nome. Chamou-lhe Israel.
11 Disse-lhe mais: Eu sou Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma
nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus
lombos;
12 a terra que dei a Abraão e a Isaque, a ti a darei; também à tua descendência
depois de ti a darei.
13 E Deus subiu dele, do lugar onde lhe falara.
14 Então Jacó erigiu uma coluna no lugar onde Deus lhe falara, uma coluna de
pedra; e sobre ela derramou uma libação e deitou-lhe também azeite;
15 e Jacó chamou Betel ao lugar onde Deus lhe falara.
16 Depois partiram de Betel; e, faltando ainda um trecho pequeno para chegar a
Efrata, Raquel começou a sentir dores de parto, e custou-lhe o dar à luz.
17 Quando ela estava nas dores do parto, disse-lhe a parteira: Não temas, pois
ainda terás este filho.
18 Então Raquel, ao sair-lhe a alma (porque morreu), chamou ao filho Benôni;
mas seu pai chamou-lhe Benjamim.
19 Assim morreu Raquel, e foi sepultada no caminho de Efrata (esta é
Bete-Leém).
20 E Jacó erigiu uma coluna sobre a sua sepultura; esta é a coluna da sepultura
de Raquel até o dia de hoje.
21 Então partiu Israel, e armou a sua tenda além de Migdal-Eder.
22 Quando Israel habitava naquela terra, foi Rúben e deitou-se com Bila,
concubina de seu pai; e Israel o soube. Eram doze os filhos de Jacó:
23 Os filhos de Léia: Rúben o primogênito de Jacó, depois Simeão, Levi, Judá,
Issacar e Zebulom;
24 os filhos de Raquel: José e Benjamim;
25 os filhos de Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali;
26 os filhos de Zilpa, serva de Léia: Gade e Aser. Estes são os filhos de Jacó,
que lhe nasceram em Padã-Arã.
27 Jacó veio a seu pai Isaque, a Manre, a Quiriate-Arba (esta é Hebrom), onde
peregrinaram Abraão e Isaque.
28 Foram os dias de Isaque cento e oitenta anos;
29 e, exalando o espírito, morreu e foi congregado ao seu povo, velho e cheio
de dias; e Esaú e Jacó, seus filhos, o sepultaram.
GÊNESIS
[36]
1 Estas são as gerações de
Esaú (este é Edom):
2 Esaú tomou dentre as filhas de Canaã suas mulheres: Ada, filha de Elom o
heteu, e Aolíbama, filha de Ana, filha de Zibeão o heveu,
3 e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote.
4 Ada teve de Esaú a Elifaz, e Basemate teve a Reuel; e Aolíbama teve a Jeús,
Jalão e Corá; estes são os filhos de Esaú, que lhe nasceram na terra de Canaã.
6 Depois Esaú tomou suas mulheres, seus filhos, suas filhas e todas as almas de
sua casa, seu gado, todos os seus animais e todos os seus bens, que havia
adquirido na terra de Canaã, e foi-se para outra terra, apartando-se de seu
irmão Jacó.
7 Porque os seus bens eram abundantes demais para habitarem juntos; e a terra
de suas peregrinações não os podia sustentar por causa do seu gado.
8 Portanto Esaú habitou no monte de Seir; Esaú é Edom.
9 Estas, pois, são as gerações de Esaú, pai dos edomeus, no monte de Seir:
10 Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú;
Reuel, filho de Basemate, mulher de Esaú.
11 E os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Zefô, Gatã e Quenaz.
12 Timna era concubina de Elifaz, filho de Esaú, e teve de Elifaz a Amaleque.
São esses os filhos de Ada, mulher de Esaú.
13 Foram estes os filhos de Reuel: Naate e Zerá, Sama e Mizá. Foram esses os
filhos de Basemate, mulher de Esaú.
14 Estes foram os filhos de Aolíbama, filha de Ana, filha de Zibeão, mulher de
Esaú: ela teve de Esaú Jeús, Jalão e Corá.
15 São estes os chefes dos filhos de Esaú: dos filhos de Elifaz, o primogênito
de Esaú, os chefes Temã, Omar, Zefô, Quenaz,
16 Corá, Gatã e Amaleque. São esses os chefes que nasceram a Elifaz na terra de
Edom; esses são os filhos de Ada.
17 Estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: os chefes Naate, Zerá, Sama e
Mizá; esses são os chefes que nasceram a Reuel na terra de Edom; esses são os
filhos de Basemate, mulher de Esaú.
18 Estes são os filhos de Aolíbama, mulher de Esaú: os chefes Jeús, Jalão e
Corá; esses são os chefes que nasceram a líbama, filha de Ana, mulher de Esaú.
19 Esses são os filhos de Esaú, e esses seus príncipes: ele é Edom.
20 São estes os filhos de Seir, o horeu, moradores da terra: Lotã, Sobal,
Zibeão, Anás,
21 Disom, Eser e Disã; esses são os chefes dos horeus, filhos de Seir, na terra
de Edom.
22 Os filhos de Lotã foram: Hori e Hemã; e a irmã de Lotã era Timna.
23 Estes são os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onão.
24 Estes são os filhos de Zibeão: Aías e Anás; este é o Anás que achou as
fontes termais no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeão, seu pai.
25 São estes os filhos de Ana: Disom e Aolíbama, filha de Ana.
26 São estes os filhos de Disom: Hendã, Esbã, Itrã e Querã.
27 Estes são os filhos de Eser: Bilã, Zaavã e Acã.
28 Estes são os filhos de Disã: Uz e Arã.
29 Estes são os chefes dos horeus: Lotã, Sobal, Zibeão, Anás,
30 Disom, Eser e Disã; esses são os chefes dos horeus que governaram na terra
de Seir.
31 São estes os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei
algum sobre os filhos de Israel.
32 Reinou, pois, em Edom Belá, filho de Beor; e o nome da sua cidade era
Dinabá.
33 Morreu Belá; e Jobabe, filho de Zerá de Bozra, reinou em seu lugar.
34 Morreu Jobabe; e Husão, da terra dos temanitas, reinou em seu lugar.
35 Morreu Husão; e em seu lugar reinou Hadade, filho de Bedade, que feriu a
Midiã no campo de Moabe; e o nome da sua cidade era Avite.
36 Morreu Hadade; e Sâmela de Masreca reinou em seu lugar.
37 Morreu Sâmela; e Saul de Reobote junto ao rio reinou em seu lugar.
38 Morreu Saul; e Baal-Hanã, filho de Acbor, reinou em seu lugar.
39 Morreu Baal-Hanã, filho de Acbor; e Hadar reinou em seu lugar; e o nome da
sua cidade era Paú; e o nome de sua mulher era Meetabel, filha de Matrede,
filha de Me-Zaabe.
40 Estes são os nomes dos chefes dos filhos de Esaú, segundo as suas famílias,
segundo os seus lugares, pelos seus nomes: os chefes Timna, Alva, Jetete,
41 Aolíbama, Elá, Pinom,
42 Quenaz, Temã, Mibzar,
43 Magdiel e Irão; esses são os chefes de Edom, segundo as suas habitações, na
terra ,da sua possessão. Este é Esaú, pai dos edomeus.
GÊNESIS
[37]
1 Jacó habitava na terra das
peregrinações de seu pai, na terra de Canaã.
2 Estas são as gerações de Jacó. José, aos dezessete anos de idade, estava com
seus irmãos apascentando os rebanhos; sendo ainda jovem, andava com os filhos
de Bila, e com os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e José trazia a seu pai
más notícias a respeito deles.
3 Israel amava mais a José do que a todos os seus filhos, porque era filho da
sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores.
4 Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles,
odiavam-no, e não lhe podiam falar pacificamente.
5 José teve um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais.
6 Pois ele lhes disse: Ouvi, peço-vos, este sonho que tive:
7 Estávamos nós atando molhos no campo, e eis que o meu molho, levantando-se,
ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu molho.
8 Responderam-lhe seus irmãos: Tu pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras
terás domínio sobre nós? Por isso ainda mais o odiavam por causa dos seus
sonhos e das suas palavras.
9 Teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, dizendo: Tive ainda outro
sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam perante mim.
10 Quando o contou a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e
disse-lhe: Que sonho é esse que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e
teus irmãos, a inclinar-nos com o rosto em terra diante de ti?
11 Seus irmãos, pois, o invejavam; mas seu pai guardava o caso no seu coração.
12 Ora, foram seus irmãos apascentar o rebanho de seu pai, em Siquém.
13 Disse, pois, Israel a José: Não apascentam teus irmãos o rebanho em Siquém?
Vem, e enviar-te-ei a eles. Respondeu-lhe José: Eis-me aqui.
14 Disse-lhe Israel: Vai, vê se vão bem teus irmãos, e o rebanho; e traze-me
resposta. Assim o enviou do vale de Hebrom; e José foi a Siquém.
15 E um homem encontrou a José, que andava errante pelo campo, e perguntou-lhe:
Que procuras?
16 Respondeu ele: Estou procurando meus irmãos; dize-me, peço-te, onde
apascentam eles o rebanho.
17 Disse o homem: Foram-se daqui; pois ouvi-lhes dizer: Vamos a Dotã. José,
pois, seguiu seus irmãos, e os achou em Dotã.
18 Eles o viram de longe e, antes que chegasse aonde estavam, conspiraram
contra ele, para o matarem,
19 dizendo uns aos outros: Eis que lá vem o sonhador!
20 Vinde pois agora, fmatemo-lo e lancemo-lo numa das covas; e diremos: uma
besta-fera o devorou. Veremos, então, o que será dos seus sonhos.
21 Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles, dizendo: Não lhe tiremos a
vida.
22 Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cova, que está
no deserto, e não lanceis mão nele. Disse isto para livrá-lo das mãos deles, a
fim de restituí-lo a seu pai.
23 Logo que José chegou a seus irmãos, estes o despiram da sua túnica, a túnica
de várias cores, que ele trazia;
24 e tomando-o, lançaram-no na cova; mas a cova estava vazia, não havia água
nela.
25 Depois sentaram-se para comer; e, levantando os olhos, viram uma caravana de
ismaelitas que vinha de Gileade; nos seus camelos traziam tragacanto, bálsamo e
mirra, que iam levar ao Egito.
26 Disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar nosso irmão e encobrir
o seu sangue?
27 Vinde, vendamo-lo a esses ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele; porque
é nosso irmao, nossa carne. E escutaram-no seus irmãos.
28 Ao passarem os negociantes midianitas, tiraram José, alçando-o da cova, e
venderam-no por vinte siclos de prata aos ismaelitas, os quais o levaram para o
Egito.
29 Ora, Rúben voltou à cova, e eis que José não estava na cova; pelo que rasgou
as suas vestes
30 e, tornando a seus irmãos, disse: O menino não aparece; e eu, aonde irei?
31 Tomaram, então, a túnica de José, mataram um cabrito, e tingiram a túnica no
sangue.
32 Enviaram a túnica de várias cores, mandando levá-la a seu pai e dizer-lhe:
Achamos esta túnica; vê se é a túnica de teu filho, ou não.
33 Ele a reconheceu e exclamou: A túnica de meu filho! uma besta-fera o
devorou; certamente José foi despedaçado.
34 Então Jacó rasgou as suas vestes, e pôs saco sobre os seus lombos e lamentou
seu filho por muitos dias.
35 E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o
consolarem; ele, porém, recusou ser consolado, e disse: Na verdade, com choro
hei de descer para meu filho até o Seol. Assim o chorou seu pai.
36 Os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão da
guarda.
GÊNESIS
[38]
1 Nesse tempo Judá desceu de
entre seus irmãos e entrou na casa dum adulamita, que se chamava Hira,
2 e viu Judá ali a filha de um cananeu, que se chamava Suá; tomou-a por mulher,
e esteve com ela.
3 Ela concebeu e teve um filho, e o pai chamou-lhe Er.
4 Tornou ela a conceber e teve um filho, a quem ela chamou Onã.
5 Teve ainda mais um filho, e chamou-lhe Selá. Estava Judá em Quezibe, quando
ela o teve.
6 Depois Judá tomou para Er, o seu primogênito, uma mulher, por nome Tamar.
7 Ora, Er, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, pelo que o
Senhor o matou.
8 Então disse Judá a Onã: Toma a mulher de teu irmão, e cumprindo-lhe o dever
de cunhado, suscita descendência a teu irmão.
9 Onã, porém, sabia que tal descendência não havia de ser para ele; de modo
que, toda vez que se unia à mulher de seu irmão, derramava o sêmen no chão para
não dar descendência a seu irmão.
10 E o que ele fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que o matou também a
ele.
11 Então disse Judá a Tamar sua nora: Conserva-te viúva em casa de teu pai, até
que Selá, meu filho, venha a ser homem; porquanto disse ele: Para que
porventura não morra também este, como seus irmãos. Assim se foi Tamar e morou
em casa de seu pai.
12 Com o correr do tempo, morreu a filha de Suá, mulher de Judá. Depois de
consolado, Judá subiu a Timnate para ir ter com os tosquiadores das suas
ovelhas, ele e Hira seu amigo, o adulamita.
13 E deram aviso a Tamar, dizendo: Eis que o teu sogro sobe a Timnate para
tosquiar as suas ovelhas.
14 Então ela se despiu dos vestidos da sua viuvez e se cobriu com o véu, e
assim envolvida, assentou-se à porta de Enaim que está no caminho de Timnate;
porque via que Selá já era homem, e ela lhe não fora dada por mulher.
15 Ao vê-la, Judá julgou que era uma prostituta, porque ela havia coberto o
rosto.
16 E dirigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, deixa-me estar contigo;
porquanto não sabia que era sua nora. Perguntou-lhe ela: Que me darás, para
estares comigo?
17 Respondeu ele: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. Perguntou ela ainda:
Dar-me-ás um penhor até que o envies?
18 Então ele respondeu: Que penhor é o que te darei? Disse ela: O teu selo com
a corda, e o cajado que está em tua mão. Ele, pois, lhos deu, e esteve com ela,
e ela concebeu dele.
19 E ela se levantou e se foi; tirou de si o véu e vestiu os vestidos da sua
viuvez.
20 Depois Judá enviou o cabrito por mão do seu amigo o adulamita, para receber
o penhor da mão da mulher; porém ele não a encontrou.
21 Pelo que perguntou aos homens daquele lugar: Onde está a prostituta que
estava em Enaim junto ao caminho? E disseram: Aqui não esteve prostituta
alguma.
22 Voltou, pois, a Judá e disse: Não a achei; e também os homens daquele lugar
disseram: Aqui não esteve prostituta alguma.
23 Então disse Judá: Deixa-a ficar com o penhor, para que não caiamos em
desprezo; eis que enviei este cabrito, mas tu não a achaste.
24 Passados quase três meses, disseram a Judá: Tamar, tua nora, se prostituiu e
eis que está grávida da sua prostituição. Então disse Judá: Tirai-a para fora,
e seja ela queimada.
25 Quando ela estava sendo tirada para fora, mandou dizer a seu sogro: Do homem
a quem pertencem estas coisas eu concebi. Disse mais: Reconhece, peço-te, de
quem são estes, o selo com o cordão, e o cajado.
26 Reconheceu-os, pois, Judá, e disse: Ela é mais justa do que eu, porquanto
não a dei a meu filho Selá. E nunca mais a conheceu.
27 Sucedeu que, ao tempo de ela dar à luz, havia gêmeos em seu ventre;
28 e dando ela à luz, um pôs fora a mão, e a parteira tomou um fio encarnado e
o atou em sua mão, dizendo: Este saiu primeiro.
29 Mas recolheu ele a mão, e eis que seu irmão saiu; pelo que ela disse: Como
tens tu rompido! Portanto foi chamado Pérez.
30 Depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio encamado; e foi chamado
Zerá.
GÊNESIS
[39]
1 José foi levado ao Egito; e
Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda, egípcio, comprou-o da mão dos
ismaelitas que o haviam levado para lá.
2 Mas o Senhor era com José, e ele tornou-se próspero; e estava na casa do seu
senhor, o egípcio.
3 E viu o seu senhor que Deus era com ele, e que fazia prosperar em sua mão
tudo quanto ele empreendia.
4 Assim José achou graça aos olhos dele, e o servia; de modo que o fez mordomo
da sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha.
5 Desde que o pôs como mordomo sobre a sua casa e sobre todos os seus bens, o
Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor estava
sobre tudo o que tinha, tanto na casa como no campo.
6 Potifar deixou tudo na mão de José, de maneira que nada sabia do que estava
com ele, a não ser do pão que comia. Ora, José era formoso de porte e de
semblante.
7 E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os olhos em
José, e lhe disse: Deita-te comigo.
8 Mas ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não
sabe o que está comigo na sua casa, e entregou em minha mão tudo o que tem;
9 ele não é maior do que eu nesta casa; e nenhuma coisa me vedou, senão a ti,
porquanto és sua mulher. Como, pois, posso eu cometer este grande mal, e pecar
contra Deus?
10 Entretanto, ela instava com José dia após dia; ele, porém, não lhe dava
ouvidos, para se deitar com ela, ou estar com ela.
11 Mas sucedeu, certo dia, que entrou na casa para fazer o seu serviço; e
nenhum dos homens da casa estava lá dentro.
12 Então ela, pegando-o pela capa, lhe disse: Deita-te comigo! Mas ele,
deixando a capa na mão dela, fugiu, escapando para fora.
13 Quando ela viu que ele deixara a capa na mão dela e fugira para fora,
14 chamou pelos homens de sua casa, e disse-lhes: Vede! meu marido trouxe-nos
um hebreu para nos insultar; veio a mim para se deitar comigo, e eu gritei em
alta voz;
15 e ouvigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, deixa-me deixou, aqui a sua
capa e fugiu, escapando para fora.
16 Ela guardou a capa consigo, até que o senhor dele voltou a casa.
17 Então falou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: O servo hebreu, que
nos trouxeste, veio a mim para me insultar;
18 mas, levantando eu a voz e gritando, ele deixou comigo a capa e fugiu para
fora.
19 Tendo o seu senhor ouvido as palavras de sua mulher, que lhe falava,
dizendo: Desta maneira me fez teu servo, a sua ira se acendeu.
20 Então o senhor de José o tomou, e o lançou no cárcere, no lugar em que os
presos do rei estavam encarcerados; e ele ficou ali no cárcere.
21 O Senhor, porém, era com José, estendendo sobre ele a sua benignidade e
dando-lhe graça aos olhos do carcereiro,
22 o qual entregou na mão de José todos os presos que estavam no cárcere; e era
José quem ordenava tudo o que se fazia ali.
23 E o carcereiro não tinha cuidado de coisa alguma que estava na mão de José,
porquanto o Senhor era com ele, fazendo prosperar tudo quanto ele empreendia.
GÊNESIS
[40]
1 Depois destas coisas o
copeiro do rei do Egito e o seu padeiro ofenderam o seu senhor, o rei do Egito.
2 Pelo que se indignou Faraó contra os seus dois oficiais, contra o copeiro-mor
e contra o padeiro-mor;
3 e mandou detê-los na casa do capitão da guarda, no cárcere onde José estava
preso;
4 e o capitão da guarda pô-los a cargo de José, que os servia. Assim estiveram
por algum tempo em detenção.
5 Ora, tiveram ambos um sonho, cada um seu sonho na mesma noite, cada um
conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egito,
que se achavam presos no cárcere:
6 Quando José veio a eles pela manhã, viu que estavam perturbados:
7 Perguntou, pois, a esses oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere da
casa de seu senhor, dizendo: Por que estão os vossos semblantes tão tristes
hoje?
8 Responderam-lhe: Tivemos um sonho e ninguém há que o interprete. Pelo que
lhes disse José: Porventura não pertencem a Deus as interpretações? Contai-mo,
peço-vos.
9 Então contou o copeiro-mor o seu sonho a José, dizendo-lhe: Eis que em meu
sonho havia uma vide diante de mim,
10 e na vide três sarmentos; e, tendo a vide brotado, saíam as suas flores, e
os seus cachos produziam uvas maduras.
11 O copo de Faraó estava na minha mão; e, tomando as uvas, eu as espremia no
copo de Faraó e entregava o copo na mão de Faraó.
12 Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: Os três sarmentos são três
dias;
13 dentro de três dias Faraó levantará a tua cabeça, e te restaurará ao teu
cargo; e darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando
eras seu copeiro.
14 Mas lembra-te de mim, quando te for bem; usa, peço-te, de compaixão para
comigo e faze menção de mim a Faraó e tira-me desta casa;
15 porque, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus; e aqui também nada
tenho feito para que me pusessem na masmorra.
16 Quando o padeiro-mor viu que a interpretação era boa, disse a José: Eu
também sonhei, e eis que três cestos de pão branco estavam sobre a minha
cabeça.
17 E no cesto mais alto havia para Faraó manjares de todas as qualidades que
fazem os padeiros; e as aves os comiam do cesto que estava sobre a minha
cabeça.
18 Então respondeu José: Esta é a interpretação do sonho: Os três cestos são
três dias;
19 dentro de três dias tirará Faraó a tua cabeça, e te pendurará num madeiro, e
as aves comerão a tua carne de sobre ti.
20 E aconteceu ao terceiro dia, o dia natalício de Faraó, que este deu um
banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mor, e a cabeça
do padeiro-mor no meio dos seus servos;
21 e restaurou o copeiro-mor ao seu cargo de copeiro, e este deu o copo na mão
de Faraó;
22 mas ao padeiro-mor enforcou, como José lhes havia interpretado.
23 O copeiro-mor, porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu dele.
GÊNESIS
[41]
1 Passados dois anos
inteiros, Faraó sonhou que estava em pé junto ao rio Nilo;
2 e eis que subiam do rio sete vacas, formosas à vista e gordas de carne, e
pastavam no carriçal.
3 Após elas subiam do rio outras sete vacas, feias à vista e magras de carne; e
paravam junto às outras vacas à beira do Nilo.
4 E as vacas feias à vista e magras de carne devoravam as sete formosas à vista
e gordas. Então Faraó acordou.
5 Depois dormiu e tornou a sonhar; e eis que brotavam dum mesmo pé sete espigas
cheias e boas.
6 Após elas brotavam sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental;
7 e as espigas miúdas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então Faraó
acordou, e eis que era um sonho.
8 Pela manhã o seu espírito estava perturbado; pelo que mandou chamar todos os
adivinhadores do Egito, e todos os seus sábios; e Faraó contou-lhes os seus sonhos,
mas não havia quem lhos interpretasse.
9 Então falou o copeiro-mor a Faraó, dizendo: Das minhas faltas me lembro hoje:
10 Faraó estava muito indignado contra os seus servos, e entregou-me à prisão
na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro-mor.
11 Então tivemos um sonho na mesma noite, eu e ele; sonhamos, cada um conforme
a interpretação do seu sonho.
12 Ora, estava ali conosco um mancebo hebreu, servo do capitão da guarda, ao
qual contamos os nossos sonhos, e ele no-los interpretou, a cada um conforme o
seu sonho.
13 E conforme a sua interpretação, assim mesmo aconteceu: eu fui restituído ao
meu cargo, e ele foi enforcado.
14 Então mandou Faraó chamar a José, e o fizeram sair apressadamente da
masmorra; ele se barbeou, mudou de traje e apresentou-se a Faraó.
15 E Faraó disse a José: Tive um sonho, e não há quem o interprete; de ti,
porém, ouvi dizer que ouvindo contar um sonho, podes interpretá-lo.
16 Respondeu-lhe José: Isso não está em mim; Deus é que dará uma resposta de
paz a Faraó.
17 Então disse Faraó a José: Em meu sonho estava eu em pé à beira do Nilo;
18 e eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e
pastavam no carriçal.
19 Após elas subiam outras sete vacas, fracas, muito feias à vista e magras de
carne, tão feias quais nunca vi em toda a terra do Egito.
20 E as vacas magras e feias devoravam as primeiras sete vacas gordas;
21 e depois de as terem consumido, não se podia reconhecer que as houvessem
consumido; porque o seu aspecto ainda era tão feio como no princípio. Então
acordei.
22 Depois vi em meu sonho, e eis que de uma só cana subiam sete espigas cheias
e boas.
23 Após elas brotavam sete espigas murchas, miúdas e queimadas do vento
oriental;
24 e as espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. Ora, contei isto aos
magos, mas não houve quem mo interpretasse.
25 Então lhe disse José: O sonho de Faraó é um só; o que Deus há de fazer,
mostrou-o a Faraó.
26 As sete vacas boas são sete anos; as sete espigas boas também são sete anos;
o sonho e um só.
27 De igual modo as sete vacas magras e feias, que subiam depois delas, são
sete anos, bem como o são as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental;
serão eles sete anos de fome.
28 É isto o que eu disse a Faraó; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.
29 Eis que vêm sete anos de grande fartura em toda a terra do Egito;
30 a estes seguirão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na
terra do Egito e a fome consumirá a terra;
31 e não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que
seguirá; porquanto será gravíssima.
32 Ora, se o sonho foi duplicado a Faraó, é porque esta coisa é determinada por
Deus, e ele brevemente a fará.
33 Portanto, proveja-se agora Faraó de um homem entendido e sábio, e o ponha
sobre a terra do Egito.
34 Faça isto Faraó: nomeie administradores sobre a terra, que tomem a quinta
parte dos produtos da terra do Egito nos sete anos de fartura;
35 e ajuntem eles todo o mantimento destes bons anos que vêm, e amontoem trigo
debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades e o guardem;
36 assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome,
que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome.
37 Esse parecer foi bom aos olhos de Faraó, e aos olhos de todos os seus
servos.
38 Perguntou, pois, Faraó a seus servos: Poderíamos achar um homem como este,
em quem haja o espírito de Deus?
39 Depois disse Faraó a José: Porquanto Deus te fez saber tudo isto, ninguém há
tão entendido e sábio como tu.
40 Tu estarás sobre a minha casa, e por tua voz se governará todo o meu povo;
somente no trono eu serei maior que tu.
41 Disse mais Faraó a José: Vê, eu te hei posto sobre toda a terra do Egito.
42 E Faraó tirou da mão o seu anel-sinete e pô-lo na mão de José, vestiu-o de
traje de linho fino, e lhe pôs ao pescoço um colar de ouro.
43 Ademais, fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele:
Ajoelhai-vos. Assim Faraó o constituiu sobre toda a terra do Egito.
44 Ainda disse Faraó a José: Eu sou Faraó; sem ti, pois, ninguém levantará a
mão ou o pé em toda a terra do Egito.
45 Faraó chamou a José Zafnate-Paneã, e deu-lhe por mulher Asenate, filha de
Potífera, sacerdote de Om. Depois saiu José por toda a terra do Egito.
46 Ora, José era da idade de trinta anos, quando se apresentou a Faraó, rei do
Egito. E saiu José da presença de Faraó e passou por toda a terra do Egito.
47 Durante os sete anos de fartura a terra produziu a mancheias;
48 e José ajuntou todo o mantimento dos sete anos, que houve na terra do Egito,
e o guardou nas cidades; o mantimento do campo que estava ao redor de cada
cidade, guardou-o dentro da mesma.
49 Assim José ajuntou muitíssimo trigo, como a areia do mar, até que cessou de
contar; porque não se podia mais contá-lo.
50 Antes que viesse o ano da fome, nasceram a José dois filhos, que lhe deu
Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
51 E chamou José ao primogênito Manassés; porque disse: Deus me fez esquecer de
todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai.
52 Ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da
minha aflição.
53 Acabaram-se, então, os sete anos de fartura que houve na terra do Egito;
54 e começaram a vir os sete anos de fome, como José tinha dito; e havia fome
em todas as terras; porém, em toda a terra do Egito havia pão.
55 Depois toda a terra do Egito teve fome, e o povo clamou a Faraó por pão; e
Faraó disse a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser, fazei.
56 De modo que, havendo fome sobre toda a terra, abriu José todos os depósitos,
e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito.
57 Também de todas as terras vinham ao Egito, para comprarem de José; porquanto
a fome prevaleceu em todas as terras.
GÊNESIS
[42]
1 Ora, Jacó soube que havia
trigo no Egito, e disse a seus filhos: Por que estais olhando uns para os
outros?
2 Disse mais: Tenho ouvido que há trigo no Egito; descei até lá, e de lá
comprai-o para nós, a fim de que vivamos e não morramos.
3 Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo no Egito.
4 Mas a Benjamim, irmão de José, não enviou Jacó com os seus irmãos, pois
disse: Para que, porventura, não lhe suceda algum desastre.
5 Assim entre os que iam lá, foram os filhos de Israel para comprar, porque
havia fome na terra de Canaã.
6 José era o governador da terra; era ele quem vendia a todo o povo da terra; e
vindo os irmãos de José, prostraram-se diante dele com o rosto em terra.
7 José, vendo seus irmãos, reconheceu-os; mas portou-se como estranho para com
eles, falou-lhes asperamente e perguntou-lhes: Donde vindes? Responderam eles:
Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento.
8 José, pois, reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
9 Lembrou-se então José dos sonhos que tivera a respeito deles, e disse-lhes:
Vós sois espias, e viestes para ver a nudez da terra.
10 Responderam-lhe eles: Não, senhor meu; mas teus servos vieram comprar
mantimento.
11 Nós somos todos filhos de um mesmo homem; somos homens de retidão; os teus
servos não são espias.
12 Replicou-lhes: Não; antes viestes para ver a nudez da terra.
13 Mas eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem
da terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, e outro já não existe.
14 Respondeu-lhe José: É assim como vos disse; sois espias.
15 Nisto sereis provados: Pela vida de Faraó, não saireis daqui, a menos que
venha para cá vosso irmão mais novo.
16 Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão, mas vós ficareis presos, a fim
de serem provadas as vossas palavras, se há verdade convosco; e se não, pela
vida de Faraó, vós sois espias.
17 E meteu-os juntos na prisão por três dias.
18 Ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; porque eu temo a
Deus.
19 Se sois homens de retidão, que fique um dos irmãos preso na casa da vossa
prisão; mas ide vós, levai trigo para a fome de vossas casas,
20 e trazei-me o vosso irmão mais novo; assim serão verificadas vossas
palavras, e não morrereis. E eles assim fizeram.
21 Então disseram uns aos outros: Nós, na verdade, somos culpados no tocante a
nosso irmão, porquanto vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava, e não o
quisemos atender; é por isso que vem sobre nós esta angústia.
22 Respondeu-lhes Rúben: Não vos dizia eu: Não pequeis contra o menino; Mas não
quisestes ouvir; por isso agora é requerido de nós o seu sangue.
23 E eles não sabiam que José os entendia, porque havia intérprete entre eles.
24 Nisto José se retirou deles e chorou. Depois tornou a eles, falou-lhes, e
tomou a Simeão dentre eles, e o amarrou perante os seus olhos.
25 Então ordenou José que lhes enchessem de trigo os sacos, que lhes
restituíssem o dinheiro a cada um no seu saco, e lhes dessem provisões para o
caminho. E assim lhes foi feito.
26 Eles, pois, carregaram o trigo sobre os seus jumentos, e partiram dali.
27 Quando um deles abriu o saco, para dar forragem ao seu jumento na estalagem,
viu o seu dinheiro, pois estava na boca do saco.
28 E disse a seus irmãos: Meu dinheiro foi-me devolvido; ei-lo aqui no saco.
Então lhes desfaleceu o coração e, tremendo, viravam-se uns para os outros,
dizendo: Que é isto que Deus nos tem feito?
29 Depois vieram para Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e contaram-lhe tudo o
que lhes acontecera, dizendo:
30 O homem, o senhor da terra, falou-nos asperamente, e tratou-nos como espias
da terra;
31 mas dissemos-lhe: Somos homens de retidão; não somos espias;
32 somos doze irmãos, filhos de nosso pai; um já não existe e o mais novo está
hoje com nosso pai na terra de Canaã.
33 Respondeu-nos o homem, o senhor da terra: Nisto conhecerei que vós sois
homens de retidão: Deixai comigo um de vossos irmãos, levai trigo para a fome
de vossas casas, e parti,
34 e trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espias, mas
homens de retidão; então vos entregarei o vosso irmão e negociareis na terra.
35 E aconteceu que, despejando eles os sacos, eis que o pacote de dinheiro de
cada um estava no seu saco; quando eles e seu pai viram os seus pacotes de
dinheiro, tiveram medo.
36 Então Jacó, seu pai, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; José já não existe, e
não existe Simeão, e haveis de levar Benjamim! Todas estas coisas vieram sobre
mim.
37 Mas Rúben falou a seu pai, dizendo: Mata os meus dois filhos, se eu to não
tornar a trazer; entrega-o em minha mão, e to tornarei a trazer.
38 Ele porém disse: Não descerá meu filho convosco; porquanto o seu irmão é
morto, e só ele ficou. Se lhe suceder algum desastre pelo caminho em que
fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza ao Seol.
GÊNESIS
[43]
1 Ora, a fome era gravíssima
na terra.
2 Tendo eles acabado de comer o mantimento que trouxeram do Egito, disse-lhes
seu pai: voltai, comprai-nos um pouco de alimento.
3 Mas respondeu-lhe Judá: Expressamente nos advertiu o homem, dizendo: Não
vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco.
4 Se queres enviar conosco o nosso irmão, desceremos e te compraremos alimento;
mas se não queres enviá-lo, não desceremos, porquanto o homem nos disse: Não
vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco.
6 Perguntou Israel: Por que me fizeste este mal, fazendo saber ao homem que
tínheis ainda outro irmão?
7 Responderam eles: O homem perguntou particularmente por nós, e pela nossa
parentela, dizendo: vive ainda vosso pai? tendes mais um irmão? e
respondemos-lhe segundo o teor destas palavras. Podíamos acaso saber que ele
diria: Trazei vosso irmão?
8 Então disse Judá a Israel, seu pai: Envia o mancebo comigo, e
levantar-nos-emos e iremos, para que vivamos e não morramos, nem nós, nem tu,
nem nossos filhinhos.
9 Eu serei fiador por ele; da minha mão o requererás. Se eu to não trouxer, e o
não puser diante de ti, serei réu de crime para contigo para sempre.
10 E se não nos tivéssemos demorado, certamente já segunda vez estaríamos de
volta.
11 Então disse-lhes Israel seu pai: Se é sim, fazei isto: tomai os melhores
produtos da terra nas vossas vasilhas, e levai ao homem um presente: um pouco
de bálsamo e um pouco de mel, tragacanto e mirra, nozes de fístico e amêndoas;
12 levai em vossas mãos dinheiro em dobro; e o dinheiro que foi devolvido na
boca dos vossos sacos, tornai a levá-lo em vossas mãos; bem pode ser que fosse
engano.
13 Levai também vosso irmão; levantai-vos e voltai ao homem;
14 e Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia diante do homem, para que ele deixe
vir convosco vosso outro irmão, e Benjamim; e eu, se for desfilhado, desfilhado
ficarei.
15 Tomaram, pois, os homens aquele presente, e dinheiro em dobro nas mãos, e a
Benjamim; e, levantando-se desceram ao Egito e apresentaram-se diante de José.
16 Quando José viu Benjamim com eles, disse ao despenseiro de sua casa: Leva os
homens à casa, mata reses, e apronta tudo; pois eles comerão comigo ao
meio-dia.
17 E o homem fez como José ordenara, e levou-os à casa de José.
18 Então os homens tiveram medo, por terem sido levados à casa de José; e
diziam: por causa do dinheiro que da outra vez foi devolvido nos nossos sacos
que somos trazidos aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome
por servos, tanto a nós como a nossos jumentos.
19 Por isso eles se chegaram ao despenseiro da casa de José, e falaram com ele
à porta da casa,
20 e disseram: Ai! senhor meu, na verdade descemos dantes a comprar mantimento;
21 e quando chegamos à estalagem, abrimos os nossos sacos, e eis que o dinheiro
de cada um estava na boca do seu saco, nosso dinheiro por seu peso; e tornamos
a trazê-lo em nossas mãos;
22 também trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento; não
sabemos quem tenha posto o dinheiro em nossos sacos.
23 Respondeu ele: Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de
vosso pai, deu-vos um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro chegou-me às
mãos. E trouxe-lhes fora Simeão.
24 Depois levou os homens à casa de José, e deu-lhes ãgua, e eles lavaram os
pés; também deu forragem aos seus jumentos.
25 Então eles prepararam o presente para quando José viesse ao meio-dia; porque
tinham ouvido que ali haviam de comer.
26 Quando José chegou em casa, trouxeram-lhe ali o presente que guardavam junto
de si; e inclinaram-se a ele até a terra.
27 Então ele lhes perguntou como estavam; e prosseguiu: vosso pai, o ancião de
quem falastes, está bem? ainda vive?
28 Responderam eles: O teu servo, nosso pai, estã bem; ele ainda vive. E
abaixaram a cabeça, e inclinaram-se.
29 Levantando os olhos, José viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e
perguntou: É este o vosso irmão mais novo de quem me falastes? E disse: Deus
seja benévolo para contigo, meu filho.
30 E José apressou-se, porque se lhe comoveram as entranhas por causa de seu
irmão, e procurou onde chorar; e, entrando na sua câmara, chorou ali.
31 Depois lavou o rosto, e saiu; e se conteve e disse: Servi a comida.
32 Serviram-lhe, pois, a ele à parte, e a eles também à parte, e à parte aos
egípcios que comiam com ele; porque os egípcios não podiam comer com os
hebreus, porquanto é isso abominação aos egípcios.
33 Sentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura, e o
menor segundo a sua menoridade; do que os homens se maravilhavam entre si.
34 Então ele lhes apresentou as porções que estavam diante dele; mas a porção
de Benjamim era cinco vezes maior do que a de qualquer deles. E eles beberam, e
se regalaram com ele.
GÊNESIS
[44]
1 Depois José deu ordem ao
despenseiro de sua casa, dizendo: Enche de mantimento os sacos dos homens,
quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada um na boca do seu saco.
2 E a minha taça de prata porãs na boca do saco do mais novo, com o dinheiro do
seu trigo. Assim fez ele conforme a palavra que José havia dito.
3 Logo que veio a luz da manhã, foram despedidos os homens, eles com os seus
jumentos.
4 Havendo eles saído da cidade, mas não se tendo distanciado muito, disse José
ao seu despenseiro: Levanta-te e segue os homens; e, alcançando-os, dize-lhes:
Por que tornastes o mal pelo bem?
5 Não é esta a taça por que bebe meu senhor, e de que se serve para adivinhar?
Fizestes mal no que fizestes.
6 Então ele, tendo-os alcançado, lhes falou essas mesmas palavras.
7 Responderam-lhe eles: Por que falo meu senhor tais palavras? Longe estejam
teus servos de fazerem semelhante coisa.
8 Eis que o dinheiro, que achamos nas bocas dos nossos sacos, to tornamos a
trazer desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor
prata ou ouro?
9 Aquele dos teus servos com quem a taça for encontrada, morra; e ainda nós
seremos escravos do meu senhor.
10 Ao que disse ele: Seja conforme as vossas palavras; aquele com quem a taça
for encontrada será meu escravo; mas vós sereis inocentes.
11 Então eles se apressaram cada um a pôr em terra o seu saco, e cada um a
abri-lo.
12 E o despenseiro buscou, começando pelo maior, e acabando pelo mais novo; e
achou-se a taça no saco de Benjamim.
13 Então rasgaram os seus vestidos e, tendo cada um carregado o seu jumento,
voltaram à cidade.
14 E veio Judá com seus irmãos à casa de José, pois ele ainda estava ali; e
prostraram-se em terra diante dele.
15 Logo lhes perguntou José: Que ação é esta que praticastes? não sabeis vós
que um homem como eu pode, muito bem, adivinhar?
16 Respondeu Judá: Que diremos a meu senhor? que falaremos? e como nos
justificaremos? Descobriu Deus a iniqüidade de teus servos; eis que somos escravos
de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achada a taça.
17 Disse José: Longe esteja eu de fazer isto; o homem em cuja mão a taça foi
achada, aquele será meu servo; porém, quanto a vós, subi em paz para vosso pai.
18 Então Judà se chegou a ele, e disse: Ai! senhor meu, deixa, peço-te, o teu
servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor; e não se acenda a tua ira
contra o teu servo; porque tu és como Faraó.
19 Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo: Tendes vós pai, ou irmão?
20 E respondemos a meu senhor: Temos pai, já velho, e há um filho da sua
velhice, um menino pequeno; o irmão deste é morto, e ele ficou o único de sua
mãe; e seu pai o ama.
21 Então tu disseste a teus servos: Trazei-mo, para que eu ponha os olhos sobre
ele.
22 E quando respondemos a meu senhor: O menino não pode deixar o seu pai; pois
se ele deixasse o seu pai, este morreria;
23 replicaste a teus servos: A menos que desça convosco vosso irmão mais novo,
nunca mais vereis a minha face.
24 Então subimos a teu servo, meu pai, e lhe contamos as palavras de meu
senhor.
25 Depois disse nosso pai: Tornai, comprai-nos um pouco de mantimento;
26 e lhe respondemos: Não podemos descer; mas, se nosso irmão menor for
conosco, desceremos; pois não podemos ver a face do homem, se nosso irmão menor
não estiver conosco.
27 Então nos disse teu servo, meu pai: Vós sabeis que minha mulher me deu dois
filhos;
28 um saiu de minha casa e eu disse: certamente foi despedaçado, e não o tenho
visto mais;
29 se também me tirardes a este, e lhe acontecer algum desastre, fareis descer
as minhas cãs com tristeza ao Seol.
30 Agora, pois, se eu for ter com o teu servo, meu pai, e o menino não estiver
conosco, como a sua alma está ligada com a alma dele,
31 acontecerá que, vendo ele que o menino ali não está, morrerá; e teus servos
farão descer as cãs de teu servo, nosso pai com tristeza ao Seol.
32 Porque teu servo se deu como fiador pelo menino para com meu pai, dizendo:
Se eu to não trouxer de volta, serei culpado, para com meu pai para sempre.
33 Agora, pois, fique teu servo em lugar do menino como escravo de meu senhor,
e que suba o menino com seus irmãos.
34 Porque, como subirei eu a meu pai, se o menino não for comigo? para que não
veja eu o mal que sobrevirá a meu pai.
GÊNESIS
[45]
1 Então José não se podia
conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou: Fazei a todos sair da
minha presença; e ninguém ficou com ele, quando se deu a conhecer a seus
irmãos.
2 E levantou a voz em choro, de maneira que os egípcios o ouviram, bem como a
casa de Faraó.
3 Disse, então, José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus
irmãos não lhe puderam responder, pois estavam pasmados diante dele.
4 José disse mais a seus irmãos: Chegai-vos a mim, peço-vos. E eles se
chegaram. Então ele prosseguiu: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para
o Egito.
5 Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos aborreçais por me haverdes vendido
para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós.
6 Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que
não haverá lavoura nem sega.
7 Deus enviou-me adiante de vós, para conservar-vos descendência na terra, e
para guardar-vos em vida por um grande livramento.
8 Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto
por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como governador sobre toda
a terra do Egito.
9 Apressai-vos, subi a meu pai, e dizei-lhe: Assim disse teu filho José: Deus
me tem posto por senhor de toda a terra do Egito; desce a mim, e não te
demores;
10 habitarás na terra de Gósem e estarás perto de mim, tu e os teus filhos e os
filhos de teus filhos, e os teus rebanhos, o teu gado e tudo quanto tens;
11 ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome, para que não
sejas reduzido à pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens.
12 Eis que os vossos olhos, e os de meu irmão Benjamim, vêem que é minha boca
que vos fala.
13 Fareis, pois, saber a meu pai toda a minha glória no Egito; e tudo o que
tendes visto; e apressar-vos-eis a fazer descer meu pai para cá.
14 Então se lançou ao pescoço de Benjamim seu irmão, e chorou; e Benjamim
chorou também ao pescoço dele.
15 E José beijou a todos os seus irmãos, chorando sobre eles; depois seus
irmãos falaram com ele.
16 Esta nova se fez ouvir na casa de Faraó: São vindos os irmãos de José; o que
agradou a Faraó e a seus servos.
17 Ordenou Faraó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto: carregai os vossos
animais e parti, tornai à terra de Canaã;
18 tomai o vosso pai e as vossas familias e vinde a mim; e eu vos darei o
melhor da terra do Egito, e comereis da fartura da terra.
19 A ti, pois, é ordenado dizer-lhes: Fazei isto: levai vós da terra do Egito
carros para vossos meninos e para vossas mulheres; trazei vosso pai, e vinde.
20 E não vos pese coisa alguma das vossas alfaias; porque o melhor de toda a
terra do Egito será vosso.
21 Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes deu carros, conforme o mandado
de Faraó, e deu-lhes também provisão para o caminho.
22 A todos eles deu, a cada um, mudas de roupa; mas a Benjamim deu trezentas
peças de prata, e cinco mudas de roupa.
23 E a seu pai enviou o seguinte: dez jumentos carregados do melhor do Egito, e
dez jumentas carregadas de trigo, pão e provisão para seu pai, para o caminho.
24 Assim despediu seus irmãos e, ao partirem eles, disse-lhes: Não contendais
pelo caminho.
25 Então subiram do Egito, vieram à terra de Canaã, a Jacó seu pai,
26 e lhe anunciaram, dizendo: José ainda vive, e é governador de toda a terra
do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava.
27 Quando, porém, eles lhe contaram todas as palavras que José lhes falara, e
vendo Jacó, seu pai, os carros que José enviara para levá-lo, reanimou-se-lhe o
espírito;
28 e disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes
que morra.
GÊNESIS
[46]
1 Partiu, pois, Israel com
tudo quanto tinha e veio a Beer-Seba, onde ofereceu sacrifícios ao Deus de seu
pai Isaque.
2 Falou Deus a Israel em visões de noite, e disse: Jacó, Jacó! Respondeu Jacó:
Eis-me aqui.
3 E Deus disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer para o Egito;
porque eu te farei ali uma grande nação.
4 Eu descerei contigo para o Egito, e certamente te farei tornar a subir; e
José porá a sua mão sobre os teus olhos.
5 Então Jacó se levantou de Beer-Seba; e os filhos de Israel levaram seu pai
Jacó, e seus meninos, e as suas mulheres, nos carros que Faraó enviara para o
levar.
6 Também tomaram o seu gado e os seus bens que tinham adquirido na terra de
Canaã, e vieram para o Egito, Jacó e toda a sua descendência com ele.
7 Os seus filhos e os filhos de seus filhos com ele, as suas filhas e as filhas
de seus filhos, e toda a sua descendência, levou-os consigo para o Egito.
8 São estes os nomes dos filhos de Israel, que vieram para o Egito, Jacó e seus
filhos: Rúben, o primogênito de Jacó.
9 E os filhos de Rúben: Hanoque, Palu, Hezrom e Carmi.
10 E os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar, e Saul, filho de
uma mulher cananéia.
11 E os filhos de Levi: Gérsom, Coate e Merári.
12 E os filhos de Judá: Er, Onã, Selá, Pérez e Zerá. Er e Onã, porém, morreram
na terra de Canaã. E os filhos de Pérez foram Hezrom e Hamul,
13 E os filhos de Issacar: Tola, Puva, Iobe e Sinrom.
14 E os filhos de Zebulom: Serede, Elom e Jaleel.
15 Estes são os filhos de Léia, que ela deu a Jacó em Padã-Arã, além de Diná,
sua filha; todas as almas de seus filhos e de suas filhas eram trinta e três.
16 E os filhos de Gade: Zifiom, Hagui, Suni, Ezbom, Eri, Arodi e Areli.
17 E os filhos de Aser: Imná, Isvá, Isvi e Beria, e Sera, a irmã deles; e os
filhos de Beria: Heber e Malquiel.
18 Estes são os filhos de Zilpa, a qual Labão deu à sua filha Léia; e estes ela
deu a Jacó, ao todo dezesseis almas.
19 Os filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
20 E nasceram a José na terra do Egito Manassés e Efraim, que lhe deu Asenate,
filha de Potífera, sacerdote de Om.
21 E os filhos de Benjamim: Belá, Bequer, Asbel, Gêra, Naamã, Eí, Ros, Mupim,
Hupim e Arde.
22 Estes são os filhos de Raquel, que nasceram a Jacó, ao todo catorze almas.
23 E os filhos de Dã: Husim.
24 E os filhos de Naftali: Jazeel, Guni, Jezer e Silém.
25 Estes são os filhos de Bila, a qual Labão deu à sua filha Raquel; e estes
deu ela a Jacó, ao todo sete almas.
26 Todas as almas que vieram com Jacó para o Egito e que saíram da sua coxa,
fora as mulheres dos filhos de Jacó, eram todas sessenta e seis almas;
27 e os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as
almas da casa de Jacó, que vieram para o Egito eram setenta.
28 Ora, Jacó enviou Judá adiante de si a José, para o encaminhar a Gósen; e
chegaram à terra de Gósen.
29 Então José aprontou o seu carro, e subiu ao encontro de Israel, seu pai, a
Gósen; e tendo-se-lhe apresentado, lançou-se ao seu pescoço, e chorou sobre o
seu pescoço longo tempo.
30 E Israel disse a José: Morra eu agora, já que tenho visto o teu rosto, pois
que ainda vives.
31 Depois disse José a seus irmãos, e à casa de seu pai: Eu subirei e
informarei a Faraó, e lhe direi: Meus irmãos e a casa de meu pai, que estavam
na terra de Canaã, vieram para mim.
32 Os homens são pastores, que se ocupam em apascentar gado; e trouxeram os
seus rebanhos, o seu gado e tudo o que têm.
33 Quando, pois, Faraó vos chamar e vos perguntar: Que ocupação é a vossa?
34 respondereis: Nós, teus servos, temos sido pastores de gado desde a nossa
mocidade até agora, tanto nós como nossos pais. Isso direis para que habiteis
na terra de Gósen; porque todo pastor de ovelhas é abominação para os egípcios.
GÊNESIS
[47]
1 Então veio José, e informou
a Faraó, dizendo: Meu pai e meus irmãos, com seus rebanhos e seu gado, e tudo o
que têm, chegaram da terra de Canaã e estão na terra de Gósen.
2 E tomou dentre seus irmãos cinco homens e os apresentou a Faraó.
3 Então perguntou Faraó a esses irmãos de José: Que ocupação é a vossa;
Responderam-lhe: Nós, teus servos, somos pastores de ovelhas, tanto nós como
nossos pais.
4 Disseram mais a Faraó: Viemos para peregrinar nesta terra; porque não há
pasto para os rebanhos de teus servos, porquanto a fome é grave na terra de
Canaã; agora, pois, rogamos-te permitas que teus servos habitem na terra de
Gósen.
5 Então falou Faraó a José, dizendo: Teu pai e teus irmãos vieram a ti;
6 a terra do Egito está diante de ti; no melhor da terra faze habitar teu pai e
teus irmãos; habitem na terra de Gósen. E se sabes que entre eles hà homens
capazes, põe-nos sobre os pastores do meu gado.
7 Também José introduziu a Jacó, seu pai, e o apresentou a Faraó; e Jacó
abençoou a Faraó.
8 Então perguntou Faraó a Jacó: Quantos são os dias dos anos da tua vida?
9 Respondeu-lhe Jacó: Os dias dos anos das minhas peregrinações são cento e
trinta anos; poucos e maus têm sido os dias dos anos da minha vida, e não
chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais nos dias das suas
peregrinações.
10 E Jacó abençoou a Faraó, e saiu da sua presença.
11 José, pois, estabeleceu a seu pai e seus irmãos, dando-lhes possessão na
terra do Egito, no melhor da terra, na terra de Ramessés, como Faraó ordenara.
12 E José sustentou de pão seu pai, seus irmãos e toda a casa de seu pai,
segundo o número de seus filhos.
13 Ora, não havia pão em toda a terra, porque a fome era mui grave; de modo que
a terra do Egito e a terra de Canaã desfaleciam por causa da fome.
14 Então José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egito, e na
terra de Canaã, pelo trigo que compravam; e José trouxe o dinheiro à casa de
Faraó.
15 Quando se acabou o dinheiro na terra do Egito, e na terra de Canaã, vieram
todos os egípcios a José, dizendo: Dà-nos pão; por que morreremos na tua
presença? porquanto o dinheiro nos falta.
16 Respondeu José: Trazei o vosso gado, e vo-lo darei por vosso gado, se falta
o dinheiro.
17 Então trouxeram o seu gado a José; e José deu-lhes pão em troca dos cavalos,
e das ovelhas, e dos bois, e dos jumentos; e os sustentou de pão aquele ano em
troca de todo o seu gado.
18 Findo aquele ano, vieram a José no ano seguinte e disseram-lhe: Não
ocultaremos ao meu senhor que o nosso dinheiro está todo gasto; as manadas de
gado jà pertencem a meu senhor; e nada resta diante de meu senhor, senão o
nosso corpo e a nossa terra;
19 por que morreremos diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra?
Compra-nos a nós e a nossa terra em troca de pão, e nós e a nossa terra seremos
servos de Faraó; dá-nos também semente, para que vivamos e não morramos, e para
que a terra não fique desolada.
20 Assim José comprou toda a terra do Egito para Faraó; porque os egípcios
venderam cada um o seu campo, porquanto a fome lhes era grave em extremo; e a
terra ficou sendo de Faraó.
21 Quanto ao povo, José fê-lo passar às cidades, desde uma até a outra
extremidade dos confins do Egito.
22 Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes tinham
rações de Faraó, e eles comiam as suas rações que Faraó lhes havia dado; por
isso não venderam a sua terra.
23 Então disse José ao povo: Hoje vos tenho comprado a vós e a vossa terra para
Faraó; eis aí tendes semente para vós, para que semeeis a terra.
24 Há de ser, porém, que no tempo as colheitas dareis a quinta parte a Faraó, e
quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento e
dos que estão nas vossas casas, e para o mantimento de vossos filhinho.
25 Responderam eles: Tu nos tens conservado a vida! achemos graça aos olhos de
meu senhor, e seremos servos de Faraó.
26 José, pois, estabeleceu isto por estatuto quanto ao solo do Egito, até o dia
de hoje, que a Faraó coubesse o quinto a produção; somente a terra dos
sacerdotes não ficou sendo de Faraó.
27 Assim habitou Israel na terra do Egito, na terra de Gósen; e nela adquiriram
propriedades, e frutificaram e multiplicaram-se muito.
28 E Jacó viveu na terra do Egito dezessete anos; de modo que os dias de Jacó,
os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete anos.
29 Quando se aproximava o tempo da morte de Israel, chamou ele a José, seu
filho, e disse-lhe: Se tenho achado graça aos teus olhos, põe a mão debaixo da
minha coxa, e usa para comigo de benevolência e de verdade: rogo-te que não me
enterres no Egito;
30 mas quando eu dormir com os meus pais, levar-me-ás do Egito e enterrar-me-ás
junto à sepultura deles. Respondeu José: Farei conforme a tua palavra.
31 E Jacó disse: Jura-me; e ele lhe jurou. Então Israel inclinou-se sobre a
cabeceira da cama.
GÊNESIS
[48]
1 Depois destas coisas
disseram a José: Eis que teu pai está enfermo. Então José tomou consigo os seus
dois filhos, Manassés e Efraim.
2 Disse alguém a Jacó: Eis que José, teu olho, vem ter contigo. E esforçando-se
Israel, sentou-se sobre a cama.
3 E disse Jacó a José: O Deus Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de
Canaã, e me abençoou,
4 e me disse: Eis que te farei frutificar e te multiplicarei; tornar-te-ei uma
multidão de povos e darei esta terra à tua descendência depois de ti, em
possessão perpétua.
5 Agora, pois, os teus dois filhos, que nasceram na terra do Egito antes que eu
viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e
Simeão;
6 mas a prole que tiveres depois deles será tua; segundo o nome de seus irmãos
serão eles chamados na sua herança.
7 Quando eu vinha de Padã, morreu-me Raquel no caminho, na terra de Canaã,
quando ainda faltava alguma distância para chegar a Efrata; sepultei-a ali no
caminho que vai dar a Efrata, isto é, Belém.
8 Quando Israel viu os filhos de José, perguntou: Quem são estes?
9 Respondeu José a seu pai: Eles são meus filhos, que Deus me tem dado aqui.
Continuou Israel: Traze-mos aqui, e eu os abençoarei.
10 Os olhos de Israel, porém, se tinham escurecido por causa da velhice, de
modo que não podia ver. José, pois, fê-los chegar a ele; e ele os beijou e os
abraçou.
11 E Israel disse a José: Eu não cuidara ver o teu rosto; e eis que Deus me fez
ver também a tua descendência.
12 Então José os tirou dos joelhos de seu pai; e inclinou-se à terra diante da
sua face.
13 E José tomou os dois, a Efraim com a sua mão direita, à esquerda de Israel,
e a Manassés com a sua mão esquerda, à direita de Israel, e assim os fez chegar
a ele.
14 Mas Israel, estendendo a mão direita, colocou-a sobre a cabeça de Efraim,
que era o menor, e a esquerda sobre a cabeça de Manassés, dirigindo as mãos
assim propositadamente, sendo embora este o primogênito.
15 E abençoou a José, dizendo: O Deus em cuja presença andaram os meus pais
Abraão e Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até
este dia,
16 o anjo que me tem livrado de todo o mal, abençoe estes mancebos, e seja
chamado neles o meu nome, e o nome de meus pois Abraão e Isaque; e
multipliquem-se abundantemente no meio da terra.
17 Vendo José que seu pai colocava a mão direita sobre a cabeça de Efraim,
foi-lhe isso desagradável; levantou, pois, a mão de seu pai, para a transpor da
cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés.
18 E José disse a seu pai: Nãa assim, meu pai, porque este é o primogênito; põe
a mão direita sobre a sua cabeça.
19 Mas seu pai, recusando, disse: Eu o sei, meu filho, eu o sei; ele também se
tornará um povo, ele também será grande; contudo o seu irmão menor será maior
do que ele, e a sua descendência se tornará uma multidão de nações.
20 Assim os abençoou naquele dia, dizendo: Por ti Israel abençoará e dirá: Deus
te faça como Efraim e como Manassés. E pôs a Efraim diante de Manassés.
21 Depois disse Israel a José: Eis que eu morro; mas Deus será convosco, e vos
fará tornar para a terra de vossos pais.
22 E eu te dou um pedaço de terra a mais do que a teus irmãos, o qual tomei com
a minha espada e com o meu arco da mão dos amorreus.
GÊNESIS
[49]
1 Depois chamou Jacó a seus
filhos, e disse: Ajuntai-vos para que eu vos anuncie o que vos há de acontecer
nos dias vindouros.
2 Ajuntai-vos, e ouvi, filhos de Jacó; ouvi a Israel vosso pai:
3 Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor,
preeminente em dignidade e preeminente em poder.
4 Descomedido como a àgua, não reterás a preeminência; porquanto subiste ao
leito de teu pai; então o contaminaste. Sim, ele subiu à minha cama.
5 Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência.
6 No seu concílio não entres, ó minha alma! com a sua assembléia não te
ajuntes, ó minha glória! porque no seu furor mataram homens, e na sua teima
jarretaram bois.
7 Maldito o seu furor, porque era forte! maldita a sua ira, porque era cruel!
Dividi-los-ei em Jacó, e os espalharei em Israel.
8 Judá, a ti te louvarão teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus
inimigos: diante de ti se prostrarão os filhos de teu pai.
9 Judá é um leãozinho. Subiste da presa, meu filho. Ele se encurva e se deita
como um leão, e como uma leoa; quem o despertará?
10 O cetro não se arredará de Judà, nem o bastão de autoridade dentre seus pés,
até que venha aquele a quem pertence; e a ele obedecerão os povos.
11 Atando ele o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à videira
seleta, lava as suas roupas em vinho e a sua vestidura em sangue de uvas.
12 Os olhos serão escurecidos pelo vinho, e os dentes brancos de leite.
13 Zebulom habitarà no litoral; será ele ancoradouro de navios; e o seu termo
estender-se-á até Sidom.
14 Issacar é jumento forte, deitado entre dois fardos.
15 Viu ele que o descanso era bom, e que a terra era agradável. Sujeitou os
seus ombros à carga e entregou-se ao serviço forçado de um escravo.
16 Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel.
17 Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os
calcanhares do cavalo, de modo que caia o seu cavaleiro para trás.
18 A tua salvação tenho esperado, ó Senhor!
19 Quanto a Gade, guerrilheiros o acometerão; mas ele, por sua vez, os
acometerá.
20 De Aser, o seu pão será gordo; ele produzirá delícias reais.
21 Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras formosas.
22 José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto a uma fonte; seus raminhos se
estendem sobre o muro.
23 Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e perseguiram,
24 mas o seu arco permaneceu firme, e os seus braços foram fortalecidos pelas
mãos do Poderoso de Jacó, o Pastor, o Rochedo de Israel,
25 pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te
abençoara, com bênçãos dos céus em cima, com bênçãos do abismo que jaz embaixo,
com bênçãos dos seios e da madre.
26 As bênçãos de teu pai excedem as bênçãos dos montes eternos, as coisas
desejadas dos eternos outeiros; sejam elas sobre a cabeça de José, e sobre o
alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos.
27 Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã devorará a presa, e à tarde
repartirã o despojo.
28 Todas estas são as doze tribos de Israel: e isto é o que lhes falou seu pai
quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a sua bênção.
29 Depois lhes deu ordem, dizendo-lhes: Eu estou para ser congregado ao meu
povo; sepultai-me com meus pais, na cova que está no campo de Efrom, o heteu,
30 na cova que está no campo de Macpela, que está em frente de Manre, na terra
de Canaã, cova esta que Abraão comprou de Efrom, o heteu, juntamente com o
respectivo campo, como propriedade de sepultura.
31 Ali sepultaram a Abraão e a Sara, sua mulher; ali sepultaram a Isaque e a
Rebeca, sua mulher; e ali eu sepultei a Léia.
32 O campo e a cova que está nele foram comprados aos filhos de Hete.
33 Acabando Jacó de dar estas instruçães a seus filhos, encolheu os seus pés na
cama, expirou e foi congregado ao seu povo.
GÊNESIS
[50]
1 Então José se lançou sobre
o rosto de seu pai, chorou sobre ele e o beijou.
2 E José ordenou a seus servos, os médicos, que embalsamassem a seu pai; e os
médicos embalsamaram a Israel.
3 Cumpriram-se-lhe quarenta dias, porque assim se cumprem os dias de
embalsamação; e os egípcios o choraram setenta dias.
4 Passados, pois, os dias de seu choro, disse José à casa de Faraó: Se agora
tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que faleis aos ouvidos de Faraó,
dizendo:
5 Meu pai me fez jurar, dizendo: Eis que eu morro; em meu sepulcro, que cavei
para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, deixa-me subir,
peço-te, e sepultar meu pai; então voltarei.
6 Respondeu Faraó: Sobe, e sepulta teu pai, como ele te fez jurar.
7 Subiu, pois, José para sepultar a seu pai; e com ele subiram todos os servos
de Faraó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egito,
8 como também toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pai; somente
deixaram na terra de Gósen os seus pequeninos, os seus rebanhos e o seu gado.
9 E subiram com ele tanto carros como gente a cavalo; de modo que o concurso
foi mui grande.
10 Chegando eles à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram ali um
grande e forte pranto; assim fez José por seu pai um grande pranto por sete
dias.
11 Os moradores da terra, os cananeus, vendo o pranto na eira de Atade,
disseram: Grande pranto é este dos egípcios; pelo que o lugar foi chamado
Abel-Mizraim, o qual está além do Jordão.
12 Assim os filhos de Jacó lhe fizeram como ele lhes ordenara;
13 pois o levaram para a terra de Canaã, e o sepultaram na cova do campo de
Macpela, que Abraão tinha comprado com o campo, como propriedade de sepultura,
a Efrom, o heteu, em frente de Manre.
14 Depois de haver sepultado seu pai, José voltou para o Egito, ele, seus
irmãos, e todos os que com ele haviam subido para sepultar seu pai.
15 Vendo os irmãos de José que seu pai estava morto, disseram: Porventura José
nos odiará e nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos.
16 Então mandaram dizer a José: Teu pai, antes da sua morte, nos ordenou:
17 Assim direis a José: Perdoa a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque
te fizeram mal. Agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos
do Deus de teu pai. E José chorou quando eles lhe falavam.
18 Depois vieram também seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: Eis
que nós somos teus servos.
19 Respondeu-lhes José: Não temais; acaso estou eu em lugar de Deus?
20 Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; Deus, porém, o intentou para
o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com
vida.
21 Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei, a vós e a vossos filhinhos.
Assim ele os consolou, e lhes falou ao coração.
22 José, pois, habitou no Egito, ele e a casa de seu pai; e viveu cento e dez
anos.
23 E viu José os filhos de Efraim, da terceira geração; também os filhos de
Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José.
24 Depois disse José a seus irmãos: Eu morro; mas Deus certamente vos visitará,
e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, a Isaque e a
Jacó.
25 E José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará,
e fareis transportar daqui os meus ossos.
26 Assim morreu José, tendo cdo; ele produzirá delícias reais. embalsamaram e o
puseram num caixão no Egito.
[1]
1 Ora, estes são os nomes dos
filhos de Israel, que entraram no Egito; entraram com Jacó, cada um com a sua
família:
2 Rúben, Simeão, Levi, e Judá;
3 Issacar, Zebulom e Benjamim;
4 Dã e Naftali, Gade e Aser.
5 Todas as almas, pois, que procederam da coxa de Jacó, foram setenta; José,
porém, já estava no Egito.
6 Morreu, pois, José, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração.
7 Depois os filhos de Israel frutificaram e aumentaram muito, multiplicaram-se
e tornaram-se sobremaneira fortes, de modo que a terra se encheu deles.
8 Entrementes se levantou sobre o Egito um novo rei, que não conhecera a José.
9 Disse ele ao seu povo: Eis que o povo de Israel é mais numeroso e mais forte
do que nos.
10 Eia, usemos de astúcia para com ele, para que não se multiplique, e aconteça
que, vindo guerra, ele também se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra
nós e se retire da terra.
11 Portanto puseram sobre eles feitores, para os afligirem com suas cargas.
Assim os israelitas edificaram para Faraó cidades armazéns, Pitom e Ramessés.
12 Mas quanto mais os egípcios afligiam o povo de Israel, tanto mais este se
multiplicava e se espalhava; de maneira que os egípcios se enfadavam por causa
dos filhos de Israel.
13 Por isso os egípcios faziam os filhos de Israel servir com dureza;
14 assim lhes amarguravam a vida com pesados serviços em barro e em tijolos, e
com toda sorte de trabalho no campo, enfim com todo o seu serviço, em que os
faziam servir com dureza.
15 Falou o rei do Egito às parteiras das hebréias, das quais uma se chamava
Sifrá e a outra Puá,
16 dizendo: Quando ajudardes no parto as hebréias, e as virdes sobre os
assentos, se for filho, matá-lo-eis; mas se for filha, viverá.
17 As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes
ordenara, antes conservavam os meninos com vida.
18 Pelo que o rei do Egito mandou chamar as parteiras e as interrogou: Por que
tendes feito isto e guardado os meninos com vida?
19 Responderam as parteiras a Faraó: É que as mulheres hebréias não são como as
egípcias; pois são vigorosas, e já têm dado à luz antes que a parteira chegue a
elas.
20 Portanto Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou, e se fortaleceu
muito.
21 Também aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, ele lhes estabeleceu
as casas.
22 Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que
nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida.
ÊXODO
[2]
1 Foi-se um homem da casa de
Levi e casou com uma filha de Levi.
2 A mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso,
escondeu-o três meses.
3 Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo, tomou para ele uma arca de
juncos, e a revestiu de betume e pez; e, pondo nela o menino, colocou-a entre
os juncos a margem do rio.
4 E sua irmã postou-se de longe, para saber o que lhe aconteceria.
5 A filha de Faraó desceu para banhar-se no rio, e as suas criadas passeavam à
beira do rio. Vendo ela a arca no meio os juncos, mandou a sua criada buscá-la.
6 E abrindo-a, viu a criança, e eis que o menino chorava; então ela teve
compaixão dele, e disse: Este é um dos filhos dos hebreus.
7 Então a irmã do menino perguntou à filha de Faraó: Queres que eu te vá chamar
uma ama dentre as hebréias, para que crie este menino para ti?
8 Respondeu-lhe a filha de Faraó: Vai. Foi, pois, a moça e chamou a mãe do
menino.
9 Disse-lhe a filha de Faraó: Leva este menino, e cria-mo; eu te darei o teu
salário. E a mulher tomou o menino e o criou.
10 Quando, pois, o menino era já grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual
o adotou; e lhe chamou Moisés, dizendo: Porque das águas o tirei.
11 Ora, aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a ter com seus
irmãos e atentou para as suas cargas; e viu um egípcio que feria a um hebreu
dentre, seus irmãos.
12 Olhou para um lado e para outro, e vendo que não havia ninguém ali, matou o
egipcio e escondeu-o na areia.
13 Tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois hebreus contendiam; e
perguntou ao que fazia a injustiça: Por que feres a teu próximo?
14 Respondeu ele: Quem te constituiu a ti príncipe e juiz sobre nós? Pensas tu matar-me,
como mataste o egípcio? Temeu, pois, Moisés e disse: Certamente o negócio já
foi descoberto.
15 E quando Faraó soube disso, procurou matar a Moisés. Este, porém, fugiu da
presença de Faraó, e foi habitar na terra de Midiã; e sentou-se junto a um poço.
16 O sacerdote de Midiã tinha sete filhas, as quais vieram tirar água, e
encheram os tanques para dar de beber ao rebanho de seu pai.
17 Então vieram os pastores, e as expulsaram dali; Moisés, porém, levantou-se e
as defendeu, e deu de beber ao rebanho delas.
18 Quando elas voltaram a Reuel, seu pai, este lhes perguntou: como é que hoje
voltastes tão cedo?
19 Responderam elas: um egípcio nos livrou da mão dos pastores; e ainda tirou
água para nós e deu de beber ao rebanho.
20 E ele perguntou a suas filhas: Onde está ele; por que deixastes lá o homem?
chamai-o para que coma pão.
21 Então Moisés concordou em marar com aquele homem, o qual lhe deu sua filha
Zípora.
22 E ela deu à luz um filho, a quem ele chamou Gérson, porque disse: Peregrino
sou em terra estrangeira.
23 No decorrer de muitos dias, morreu o rei do Egito; e os filhos de Israel
gemiam debaixo da servidão; pelo que clamaram, e subiu a Deus o seu clamor por
causa dessa servidão.
24 Então Deus, ouvindo-lhes os gemidos, lembrou-se do seu pacto com Abraão, com
Isaque e com Jacó.
25 E atentou Deus para os filhos de Israel; e Deus os conheceu.
ÊXODO
[3]
1 Ora, Moisés estava
apascentando o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midiã; e levou o
rebanho para trás do deserto, e chegou a Horebe, o monte de Deus.
2 E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça.
Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia;
3 pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e por que a
sarça não se queima.
4 E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e
disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui.
5 Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá; tira os sapatos dos pés; porque o
lugar em que tu estás é terra santa.
6 Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o
Deus de Jacó. E Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus.
7 Então disse o Senhor: Com efeito tenho visto a aflição do meu povo, que está
no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque
conheço os seus sofrimentos;
8 e desci para o livrar da mão dos egípcios, e para o fazer subir daquela terra
para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel; para o
lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu.
9 E agora, ei s que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim; e também tenho
visto a opressão com que os egípcios os oprimem.
10 Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tireis do Egito o meu
povo, os filhos de Israel.
11 Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, para que vá a Faraó e tire do Egito
os filhos de Israel?
12 Respondeu-lhe Deus: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de
que eu te enviei: Quando houveres tirado do Egito o meu povo, servireis a Deus
neste monte.
13 Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e
lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual
é o seu nome? Que lhes direi?
14 Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos
de Israel: EU SOU me enviou a vós.
15 E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o
Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me
enviou a vós; este é o meu nome eternamente, e este é o meu memorial de geração
em geração.
16 Vai, ajunta os anciãos de Israel e dize-lhes: O Senhor, o Deus de vossos
pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, apareceu-me, dizendo: certamente
vos tenho visitado e visto o que vos tem sido feito no Egito;
17 e tenho dito: Far-vos-ei subir da aflição do Egito para a terra do cananeu,
do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu, para uma terra que
mana leite e mel.
18 E ouvirão a tua voz; e ireis, tu e os anciãos de Israel, ao rei do Egito, e
dir-lhe-eis: O Senhor, o Deus dos hebreus, encontrou-nos. Agora, pois,
deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto para que ofereçamos
sacrifícios ao Senhor nosso Deus.
19 Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, a não ser por uma
forte mão.
20 Portanto estenderei a minha mão, e ferirei o Egito com todas as minhas
maravilhas que farei no meio dele. Depois vos deixará ir.
21 E eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que,
quando sairdes, não saireis vazios.
22 Porque cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda jóias de prata e
jóias de ouro, bem como vestidos, os quais poreis sobre vossos filhos e sobre
vossas filhas; assim despojareis os egípcios.
EXODO
[4]
1 Então respondeu Moisés: Mas
eis que não me crerão, nem ouvirão a minha voz, pois dirão: O Senhor não te
apareceu.
2 Ao que lhe perguntou o Senhor: Que é isso na tua mão. Disse Moisés: uma vara.
3 Ordenou-lhe o Senhor: Lança-a no chão. Ele a lançou no chão, e ela se tornou
em cobra; e Moisés fugiu dela.
4 Então disse o Senhor a Moisés: Estende a mão e pega-lhe pela cauda (estendeu
ele a mão e lhe pegou, e ela se tornou em vara na sua mão);
5 para que eles creiam que te apareceu o Senhor, o Deus de seus pais, o Deus de
Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.
6 Disse-lhe mais o Senhor: Mete agora a mão no seio. E meteu a mão no seio. E
quando a tirou, eis que a mão estava leprosa, branca como a neve.
7 Disse-lhe ainda: Torna a meter a mão no seio. (E tornou a meter a mão no
seio; depois tirou-a do seio, e eis que se tornara como o restante da sua
carne.)
8 E sucederá que, se eles não te crerem, nem atentarem para o primeiro sinal,
crerão ao segundo sinal.
9 E se ainda não crerem a estes dois sinais, nem ouvirem a tua voz, então
tomarás da água do rio, e a derramarás sobre a terra seca; e a água que tomares
do rio tornar-se-á em sangue sobre a terra seca.
10 Então disse Moisés ao Senhor: Ah, Senhor! eu não sou eloqüente, nem o fui
dantes, nem ainda depois que falaste ao teu servo; porque sou pesado de boca e
pesado de língua.
11 Ao que lhe replicou o Senhor: Quem faz a boca do homem? ou quem faz o mudo,
ou o surdo, ou o que vê, ou o cego?. Não sou eu, o Senhor?
12 Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.
13 Ele, porém, respondeu: Ah, Senhor! envia, peço-te, por mão daquele a quem tu
hás de enviar.
14 Então se acendeu contra Moisés a ira do Senhor, e disse ele: Não é Arão, o
levita, teu irmão? eu sei que ele pode falar bem. Eis que ele também te sai ao encontro,
e vendo-te, se alegrará em seu coração.
15 Tu, pois, lhe falarás, e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua
boca e com a dele, e vos ensinarei o que haveis de fazer.
16 E ele falará por ti ao povo; assim ele te será por boca, e tu lhe serás por
Deus.
17 Tomarás, pois, na tua mão esta vara, com que hás de fazer os sinais.
18 Então partiu Moisés, e voltando para Jetro, seu sogro, disse-lhe: Deixa-me,
peço-te, voltar a meus irmãos, que estão no Egito, para ver se ainda vivem.
Disse, pois, Jetro a Moisés: Vai-te em paz.
19 Disse também o Senhor a Moisés em Midiã: Vai, volta para o Egito; porque
morreram todos os que procuravam tirar-te a vida.
20 Tomou, pois, Moisés sua mulher e seus filhos, e os fez montar num jumento e
tornou à terra do Egito; e Moisés levou a vara de Deus na sua mão.
21 Disse ainda o Senhor a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante
de Faraó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão; mas eu endurecerei o
seu coração, e ele não deixará ir o povo.
22 Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu
primogênito;
23 e eu te tenho dito: Deixa ir: meu filho, para que me sirva. mas tu recusaste
deixá-lo ir; eis que eu matarei o teu filho, o teu primogênito.
24 Ora, sucedeu no caminho, numa estalagem, que o Senhor o encontrou, e quis
matá-lo.
25 Então Zípora tomou uma faca de pedra, circuncidou o prepúcio de seu filho e,
lançando-o aos pés de Moisés, disse: Com efeito, és para mim um esposo
sanguinário.
26 O Senhor, pois, o deixou. Ela disse: Esposo sanguinário, por causa da
circuncisão.
27 Disse o Senhor a Arão: Vai ao deserto, ao encontro de Moisés. E ele foi e,
encontrando-o no monte de Deus, o beijou:
28 E relatou Moisés a Arão todas as palavras com que o Senhor o enviara e todos
os sinais que lhe mandara.
29 Então foram Moisés e Arão e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de Israel;
30 e Arão falou todas as palavras que o Senhor havia dito a Moisés e fez os
sinais perante os olhos do povo.
31 E o povo creu; e quando ouviram que o Senhor havia visitado os filhos de
Israel e que tinha visto a sua aflição, inclinaram-se, e adoraram.
ÊXODO
[5]
1 Depois foram Moisés e Arão
e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Deixa ir o meu povo,
para que me celebre uma festa no deserto.
2 Mas Faraó respondeu: Quem é o Senhor, para que eu ouça a sua voz para deixar
ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel.
3 Então eles ainda falaram: O Deus dos hebreus nos encontrou; portanto
deixa-nos, pedimos-te, ir caminho de três dias ao deserto, e oferecer
sacrifícios ao Senhor nosso Deus, para que ele não venha sobre nós com
pestilência ou com espada.
4 Respondeu-lhes de novo o rei do Egito: Moisés e Arão, por que fazeis o povo
cessar das suas obras? Ide às vossas cargas.
5 Disse mais Faraó: Eis que o povo da terra já é muito, e vós os fazeis
abandonar as suas cargas.
6 Naquele mesmo dia Faraó deu ordem aos exatores do povo e aos seus oficiais,
dizendo:
7 Não tornareis a dar, como dantes, palha ao povo, para fazer tijolos; vão eles
mesmos, e colham palha para si.
8 Também lhes imporeis a conta dos tijolos que dantes faziam; nada diminuireis
dela; porque eles estão ociosos; por isso clamam, dizendo: Vamos, sacrifiquemos
ao nosso Deus.
9 Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que se ocupem nele e não dêem
ouvidos a palavras mentirosas.
10 Então saíram os exatores do povo e seus oficiais, e disseram ao povo: Assim
diz Faraó: Eu não vos darei palha;
11 ide vós mesmos, e tomai palha de onde puderdes achá-la; porque nada se
diminuirá de vosso serviço.
12 Então o povo se espalhou por toda parte do Egito a colher restolho em lugar
de palha.
13 E os exatores os apertavam, dizendo: Acabai a vossa obra, a tarefa do dia no
seu dia, como quando havia palha.
14 E foram açoitados os oficiais dos filhos de Israel, postos sobre eles pelos
exatores de Faraó, que reclamavam: Por que não acabastes nem ontem nem hoje a
vossa tarefa, fazendo tijolos como dantes?
15 Pelo que os oficiais dos filhos de Israel foram e clamaram a Faraó, dizendo:
Porque tratas assim a teus servos?
16 Palha não se dá a teus servos, e nos dizem: Fazei tijolos; e eis que teus
servos são açoitados; porém o teu povo é que tem a culpa.
17 Mas ele respondeu: Estais ociosos, estais ociosos; por isso dizeis: vamos,
sacrifiquemos ao Senhor.
18 Portanto, ide, trabalhai; palha, porém, não se vos dará; todavia, dareis a
conta dos tijolos.
19 Então os oficiais dos filhos de Israel viram-se em aperto, porquanto se lhes
dizia: Nada diminuireis dos vossos tijolos, da tarefa do dia no seu dia.
20 Ao saírem da presença de Faraó depararam com Moisés e Arão que vinham ao
encontro deles,
21 e disseram-lhes: Olhe o Senhor para vós, e julgue isso, porquanto fizestes o
nosso caso repelente diante de Faraó e diante de seus servos, metendo-lhes nas
mãos uma espada para nos matar.
22 Então, tornando-se Moisés ao Senhor, disse: Senhor! por que trataste mal a
este povo? por que me enviaste?
23 Pois desde que me apresentei a Faraó para falar em teu nome, ele tem
maltratado a este povo; e de nenhum modo tens livrado o teu povo.
EXODO
[6]
1 Então disse o Senhor a
Moisés: Agora verás o que hei de fazer a Faraó; pois por uma poderosa mão os
deixará ir, sim, por uma poderosa mão os lançará de sua terra.
2 Falou mais Deus a Moisés, e disse-lhe: Eu sou Jeová.
3 Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu
nome Jeová, não lhes fui conhecido.
4 Estabeleci o meu pacto com eles para lhes dar a terra de Canaã, a terra de
suas peregrinações, na qual foram peregrinos.
5 Ademais, tenho ouvido o gemer dos filhos de Israel, aos quais os egípcios vêm
escravizando; e lembrei-me do meu pacto.
6 Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou Jeová; eu vos tirarei de debaixo
das cargas dos egípcios, livrar-vos-ei da sua servidão, e vos resgatarei com
braço estendido e com grandes juízos.
7 Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus; e vós sabereis que eu sou
Jeová vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios.
8 Eu vos introduzirei na terra que jurei dar a Abraão, a Isaque e a Jacó; e
vo-la darei por herança. Eu sou Jeová.
9 Assim falou Moisés aos filhos de Israel, mas eles não lhe deram ouvidos, por
causa da angústia de espírito e da dura servidão.
10 Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo:
11 Vai, fala a Faraó, rei do Egito, que deixe sair os filhos de Israel da sua
terra.
12 Moisés, porém, respondeu perante o Senhor, dizendo: Eis que os filhos de
Israel não me têm ouvido: como, pois, me ouvirá Faraó a mim, que sou
incircunciso de lábios?
13 Todavia o Senhor falou a Moisés e a Arão, e deu-lhes mandamento para os
filhos de Israel, e para Faraó, rei do Egito, a fim de tirarem os filhos de
Israel da terra do Egito..
14 Estes são os cabeças das casas de seus pais: Os filhos de Rúben o
primogênito de Israel: Hanoque e Palu, Hezrom e Carmi; estas são as famílias de
Rúben.
15 E os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho de
uma cananéia; estas são as famílias de Simeão.
16 E estes são os nomes dos filhos de Levi, segundo as suas gerações: Gérson,
Coate e Merári; e os anos da vida de Levi foram cento e trinta e sete anos.
17 Os filhos de Gérson: Líbni e Simei, segundo as suas famílias.
18 Os filhos de Coate: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel; e os anos da vida de Coate
foram cento e trinta e três anos.
19 Os filhos de Merári: Mali e Musi; estas são as famílias de Levi, segundo as
suas gerações.
20 Ora, Anrão tomou por mulher a Joquebede, sua tia; e ela lhe deu Arão e
Moisés; e os anos da vida de Anrão foram cento e trinta e sete anos.
21 Os filhos de Izar: Corá, Nofegue e Zicri.
22 Os filhos de Uziel: Misael, Elzafã e Sitri.
23 Arão tomou por mulher a Eliseba, filha de Aminadabe, irmã de Nasom; e ela
lhe deu Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
24 Os filhos de Corá: Assir, Elcana e Abiasafe; estas são as famílias dos
coraítas.
25 Eleazar, filho de Arão, tomou por mulher uma das filhas de Putiel; e ela lhe
deu Finéias; estes são os chefes das casa, paternas dos levitas, segundo as
suas famílias.
26 Estes são Arão e Moisés, aos quais o Senhor disse: Tirai os filhos de Israel
da terra do Egito, segundo os seus exércitos.
27 Foram eles os que falaram a Faraó, rei do Egito, a fim de tirarem do Egito
os filhos de Israel; este Moisés e este Arão.
28 No dia em que o Senhor falou a Moisés na terra do Egito,
29 disse o Senhor a Moisés: Eu sou Jeová; dize a Faraó, rei do Egito, tudo
quanto eu te digo.
30 Respondeu Moisés perante o Senhor: Eis que eu sou incircunciso de lábios;
como, pois, me ouvirá Faraó;
ÊXODO
[7]
1 Então disse o Senhor a
Moisés: Eis que te tenho posto como Deus a Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu
profeta.
2 Tu falarás tudo o que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, que
deixe ir os filhos de Israel da sua terra.
3 Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito
os meus sinais e as minhas maravilhas.
4 Mas Faraó não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egito, e tirarei os
meus exércitos, o meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egito, com grandes
juízos.
5 E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando estender a minha mão sobre
o Egito, e tirar os filhos de Israel do meio deles.
6 Assim fizeram Moisés e Arão; como o Senhor lhes ordenara, assim fizeram.
7 Tinha Moisés oitenta anos, e Arão oitenta e três, quando falaram a Faraó.
8 Falou, pois, o Senhor a Moisés e Arão:
9 Quando Faraó vos disser: Apresentai da vossa parte algum milagre; diras a
Arão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Faraó, para que se torne em
serpente.
10 Então Moisés e Arão foram ter com Faraó, e fizeram assim como o Senhor
ordenara. Arão lançou a sua vara diante de Faraó e diante dos seus servos, e
ela se tornou em serpente.
11 Faraó também mandou vir os sábios e encantadores; e eles, os magos do Egito,
também fizeram o mesmo com os seus encantamentos.
12 Pois cada um deles lançou a sua vara, e elas se tornaram em serpentes; mas a
vara de Arão tragou as varas deles.
13 Endureceu-se, porém, o coração de Faraó, e ele não os ouviu, como o Senhor
tinha dito.
14 Então disse o Senhor a Moisés: Obstinou-se o coração de Faraó; ele recusa
deixar ir o povo.
15 Vai ter com Faraó pela manhã; eis que ele sairá às águas; pôr-te-ás à beira
do rio para o encontrar, e tomarás na mão a vara que se tomou em serpente.
16 E lhe dirás: O Senhor, o Deus dos hebreus, enviou-me a ti para dizer-te:
Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto; porém eis que até agora não
o tens ouvido.
17 Assim diz o Senhor: Nisto saberás que eu sou o Senhor: Eis que eu, com esta
vara que tenho na mão, ferirei as águas que estão no rio, e elas se tornarão em
sangue.
18 E os peixes que estão no rio morrerão, e o rio cheirará mal; e os egípcios
terão nojo de beber da água do rio.
19 Disse mais o Senhor a Moisés: Dize a Arão: Toma a tua vara, e estende a mão
sobre as águas do Egito, sobre as suas correntes, sobre os seus rios, e sobre
as suas lagoas e sobre todas as suas águas empoçadas, para que se tornem em
sangue; e haverá sangue por toda a terra do Egito, assim nos vasos de madeira
como nos de pedra.
20 Fizeram Moisés e Arão como lhes ordenara o Senhor; Arão, levantando a vara,
feriu as águas que estavam no rio, diante dos olhos de Faraó, e diante dos
olhos de seus servos; e todas as águas do rio se tornaram em sangue.
21 De modo que os peixes que estavam no rio morreram, e o rio cheirou mal, e os
egípcios não podiam beber da água do rio; e houve sangue por toda a terra do
Egito.
22 Mas o mesmo fizeram também os magos do Egito com os seus encantamentos; de
maneira que o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor
tinha dito.
23 Virou-se Faraó e entrou em sua casa, e nem ainda a isto tomou a sério.
24 Todos os egípcios, pois, cavaram junto ao rio, para achar água que beber;
porquanto não podiam beber da água do rio.
25 Assim se passaram sete dias, depois que o Senhor ferira o rio.
ÊXODO
[8]
1 Então disse o Senhor a
Moisés: Vai a Faraó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para
que me sirva.
2 Mas se recusares deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos.
3 O rio produzirá rãs em abundância, que subirão e virão à tua casa, e ao teu
dormitório, e sobre a tua cama, e às casas dos teus servos, e sobre o teu povo,
e aos teus fornos, e às tuas amassadeiras.
4 Sim, as rãs subirão sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre todos os teus
servos.
5 Disse mais o Senhor a Moisés: Dize a Arão: Estende a tua mão com a vara sobre
as correntes, e sobre os rios, e sobre as lagoas, e faze subir rãs sobre a
terra do Egito.
6 Arão, pois, estendeu a mão sobre as águas do Egito, e subiram rãs, que
cobriram a terra do Egito.
7 Então os magos fizeram o mesmo com os seus encantamentos, e fizeram subir rãs
sobre a terra do Egito.
8 Chamou, pois, Faraó a Moisés e a Arão, e disse: Rogai ao Senhor que tire as
rãs de mim e do meu povo; depois deixarei ir o povo, para que ofereça
sacrifícios ao Senhor.
9 Respondeu Moisés a Faraó: Digna-te dizer-me quando é que hei de rogar por ti,
e pelos teus servos, e por teu povo, para tirar as rãs de ti, e das tuas casas,
de sorte que fiquem somente no rio?.
10 Disse Faraó: Amanhã. E Moisés disse: Seja conforme a tua palavra, para que
saibas que ninguém há como o Senhor nosso Deus.
11 As rãs, pois, se apartarão de ti, e das tuas casas, e dos teus servos, e do
teu povo; ficarão somente no rio.
12 Então saíram Moisés e Arão da presença de Faraó; e Moisés clamou ao Senhor
por causa das rãs que tinha trazido sobre Faraó.
13 O Senhor, pois, fez conforme a palavra de Moisés; e as rãs morreram nas
casas, nos pátios, e nos campos.
14 E ajuntaram-nas em montes, e a terra, cheirou mal.
15 Mas vendo Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os ouviu,
como o Senhor tinha dito.
16 Disse mais o Senhor a Moisés: Dize a Arão: Estende a tua vara, e fere o pó
da terra, para que se torne em piolhos por toda a terra do Egito.
17 E assim fizeram. Arão estendeu a sua mão com a vara, e feriu o pó da terra,
e houve piolhos nos homens e nos animais; todo o pó da terra se tornou em
piolhos em toda a terra do Egito.
18 Também os magos fizeram assim com os seus encantamentos para produzirem
piolhos, mas não puderam. E havia piolhos, nos homens e nos animais.
19 Então disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus. No entanto o coração
de Faraó se endureceu, e não os ouvia, como o Senhor tinha dito:.
20 Disse mais o Senhor a Moisés: levanta-te pela manhã cedo e põe-te diante de
Faraó:; eis que ele sairá às águas; e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o
meu povo, para que me sirva.
21 Porque se não deixares ir o meu povo., eis que enviarei enxames de moscas
sobre ti, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, e nas tuas casas; e as
casas dos egípcios se encherão destes enxames, bem como a terra em que eles
estiverem.
22 Mas naquele dia separarei a terra de Gósem em que o meu povo habita, a fim
de que nela não haja enxames de moscas, para que saibas que eu sou o Senhor no
meio desta terra.
23 Assim farei distinção entre o meu povo e o teu povo; amanhã se fará este
milagre.
24 O Senhor, pois, assim fez. Entraram grandes enxames de moscas na casa de
Faraó e nas casas dos seus servos; e em toda parte do Egito a terra foi
assolada pelos enxames de moscas.
25 Então chamou Faraó a Moisés e a Arão, e disse: Ide, e oferecei sacrifícios
ao vosso Deus nesta terra.
26 Respondeu Moisés: Não convém que assim se faça, porque é abominação aos
egípcios o que havemos de oferecer ao Senhor nosso Deus. Sacrificando nós a
abominação dos egípcios perante os seus olhos, não nos apedrejarão eles?
27 Havemos de ir caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos
sacrifícios ao Senhor nosso Deus, como ele nos ordenar.
28 Então disse Faraó: Eu vos deixarei ir, para que ofereçais sacrifícios ao
Senhor vosso Deus no deserto; somente não ireis muito longe; e orai por mim.
29 Respondeu Moisés: Eis que saio da tua presença e orarei ao Senhor, que estes
enxames de moscas se apartem amanhã de Faraó, dos seus servos, e do seu povo;
somente não torne mais Faraó a proceder dolosamente, não deixando ir o povo
para oferecer sacrifícios ao Senhor.
30 Então saiu Moisés da presença de Faraó, e orou ao Senhor.
31 E fez o Senhor conforme a palavra de Moisés, e apartou os enxames de moscas
de Faraó, dos seus servos, e do seu povo; não ficou uma sequer.
32 Mas endureceu Faraó ainda esta vez o seu coração, e não deixou ir o povo.
ÊXODO
[9]
1 Depois o Senhor disse a
Moisés: Vai a Faraó e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Deixa
ir o meu povo, para que me sirva.
2 Porque, se recusares deixá-los ir, e ainda os retiveres,
3 eis que a mão do Senhor será sobre teu gado, que está no campo: sobre os
cavalos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os bois e sobre as ovelhas;
haverá uma pestilência muito grave.
4 Mas o Senhor fará distinção entre o gado de Israel e o gado do Egito; e não
morrerá nada de tudo o que pertence aos filhos de Israel.
5 E o Senhor assinalou certo tempo, dizendo: Amanhã fará o Senhor isto na
terra.
6 Fez, pois, o Senhor isso no dia seguinte; e todo gado dos egípcios morreu;
porém do gado dos filhos de Israel não morreu nenhum.
7 E Faraó mandou ver, e eis que do gado dos israelitas não morrera sequer um.
Mas o coração de Faraó se obstinou, e não deixou ir o povo.
8 Então disse o Senhor a Moisés e a Arão: Tomai mancheias de cinza do forno, e
Moisés a espalhe para o céu diante dos olhos de Faraó;
9 e ela se tornará em pó fino sobre toda a terra do Egito, e haverá tumores que
arrebentarão em úlceras nos homens e no gado, por toda a terra do Egito.
10 E eles tomaram cinza do forno, e apresentaram-se diante de Faraó; e Moisés a
espalhou para o céu, e ela se tomou em tumores que arrebentavam em úlceras nos
homens e no gado.
11 Os magos não podiam manter-se diante de Moisés, por causa dos tumores;
porque havia tumores nos magos, e em todos os egípcios.
12 Mas o Senhor endureceu o coração de Faraó, e este não os ouviu, como o
Senhor tinha dito a Moisés.
13 Então disse o Senhor a Moisés: Levanta-te pela manhã cedo, põe-te diante de
Faraó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo,
para que me sirva;
14 porque desta vez enviarei todas as a minhas pragas sobre o teu coração, e
sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que não há outro como
eu em toda a terra.
15 Agora, por pouco, teria eu estendido a mão e ferido a ti e ao teu povo com
pestilência, e tu terias sido destruído da terra;
16 mas, na verdade, para isso te hei mantido com vida, para te mostrar o meu
poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.
17 Tu ainda te exaltas contra o meu povo, não o deixando ir?
18 Eis que amanhã, por este tempo, s farei chover saraiva tão grave qual nunca
houve no Egito, desde o dia em que foi fundado até agora.
19 Agora, pois, manda recolher o teu gado e tudo o que tens no campo; porque
sobre todo homem e animal que se acharem no campo, e não se recolherem à casa,
cairá a saraiva, e morrerão.
20 Quem dos servos de Faraó temia a o palavra do Senhor, fez Fugir os seus
servos e o seu gado para as casas;
21 mas aquele que não se importava com a palavra do Senhor, deixou os seus
servos e o seu gado no campo.
22 Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, para que caia
saraiva em toda a terra do Egito, sobre os homens e sobre os animais, e sobre
toda a erva do campo na terra do Egito.
23 E Moisés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor enviou trovões e
saraiva, e fogo desceu à terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do
Egito.
24 Havia, pois, saraiva misturada com fogo, saraiva tão grave qual nunca
houvera em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação.
25 E a saraiva feriu, em toda a terra do Egito, tudo quanto havia no campo,
tanto homens como animais; feriu também toda erva do campo, e quebrou todas as
árvores do campo.
26 Somente na terra de Gósem onde se achavam os filhos de Israel, não houve
saraiva.
27 Então Faraó mandou chamar Moisés e e Arão, e disse-lhes: Esta vez pequei; o
Senhor é justo, mas eu e o meu povo somos a ímpios.
28 Orai ao Senhor; pois já bastam estes trovões da parte de Deus e esta
saraiva; eu vos deixarei ir, e não permanecereis mais, aqui.
29 Respondeu-lhe Moisés: Logo que eu tiver saído da cidade estenderei minhas
mãos ao Senhor; os trovões cessarão, e não haverá, mais saraiva, para que
saibas que a terra é do Senhor.
30 Todavia, quanto a ti e aos teus servos, eu sei que ainda não temereis diante
do Senhor Deus.
31 Ora, o linho e a cevada foram danificados, porque a cevada já estava na
espiga, e o linho em flor;
32 mas não foram danificados o trigo e a espelta, porque não estavam crescidos.
33 Saiu, pois, Moisés da cidade, da presença de Faraó, e estendeu as mãos ao
Senhor; e cessaram os trovões e a saraiva, e a chuva não caiu mais sobre a
terra.
34 Vendo Faraó que a chuva, a saraiva e os trovões tinham cessado, continuou a
pecar, e endureceu o seu coração, ele e os seus servos.
35 Assim, o coração de Faraó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel,
como o Senhor tinha dito por Moisés.
ÊXODO
[10]
1 Depois disse o Senhor a
Moisés: vai a Faraó; porque tenho endurecido o seu coração, e o coração de seus
servos, para manifestar estes meus sinais no meio deles,
2 e para que contes aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos, as coisas que
fiz no Egito, e os meus sinais que operei entre eles; para que vós saibais que
eu sou o Senhor.
3 Foram, pois, Moisés e Arão a Faraó, e disseram-lhe: Assim diz o Senhor, o
Deus dos hebreus: Até quando recusarás humilhar-te diante de mim? Deixa ir o
meu povo, para que me sirva;
4 mas se tu recusares deixar ir o meu povo, eis que amanhã trarei gafanhotos
aos teus termos;
5 e eles cobrirão a face da terra, de sorte que não se poderá ver a terra e
comerão o resto do que escapou, o que vos ficou da saraiva; também comerão toda
árvore que vos cresce no campo;
6 e encherão as tuas casas, as casas de todos os teus servos e as casas de
todos os egípcios, como nunca viram teus pais nem os pais de teus pais, desde o
dia em que apareceram na terra até o dia de hoje. E virou-se, e saiu da
presença de Faraó.
7 Então os servos de Faraó lhe disseram: Até quando este homem nos há de ser
por laço? deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor seu Deus; porventura
não sabes ainda que o Egito está destruído?
8 Pelo que Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó, e ele lhes disse:
Ide, servi ao Senhor vosso Deus. Mas quais são os que hão de ir?
9 Respondeu-lhe Moisés: Havemos de ir com os nossos jovens e com os nossos
velhos; com os nossos filhos e com as nossas filhas, com os nossos rebanhos e
com o nosso gado havemos de ir; porque temos de celebrar uma festa ao Senhor.
10 Replicou-lhes Faraó: Seja o Senhor convosco, se eu vos deixar ir a vós e a
vossos pequeninos! Olhai, porque há mal diante de vós.
11 Não será assim; agora, ide vós, os homens, e servi ao Senhor, pois isso é o
que pedistes: E foram expulsos da presença de Faraó.
12 Então disse o Senhor a Moisés: Quanto aos gafanhotos, estende a tua mão
sobre a terra do Egito, para que venham eles sobre a terra do Egito e comam
toda erva da terra, tudo o que deixou a saraiva.
13 Então estendeu Moisés sua vara sobre a terra do Egito, e o Senhor trouxe
sobre a terra um vento oriental todo aquele dia e toda aquela noite; e, quando
amanheceu, o vento oriental trouxe os gafanhotos.
14 Subiram, pois, os gafanhotos sobre toda a terra do Egito e pousaram sobre
todos os seus termos; tão numerosos foram, que antes destes nunca houve tantos,
nem depois deles haverá.
15 Pois cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e
comeram toda a erva da terra e todo o fruto das árvores, que deixara a saraiva;
nada verde ficou, nem de árvore nem de erva do campo, por toda a terra do
Egito.
16 Então Faraó mandou apressadamente chamar Moisés e Arão, e lhes disse: Pequei
contra o Senhor vosso Deus, e contra vós.
17 Agora: pois, perdoai-me peço-vos somente esta vez o meu pecado, e orai ao
Senhor vosso Deus que tire de mim mais esta morte.
18 Saiu, pois, Moisés da presença de Faraó, e orou ao Senhor.
19 Então o Senhor trouxe um vento ocidental fortíssimo, o qual levantou os
gafanhotos e os lançou no Mar Vermelho; não ficou um só gafanhoto em todos os
termos do Egito.
20 O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os
filhos de Israel.
21 Então disse o Senhor a Moisés: Estende a mão para o céu, para que haja
trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar.
22 Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a
terra do Egito por três dias.
23 Não se viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três
dias; mas para todos os filhos de Israel havia luz nas suas habitações.
24 Então mandou Faraó chamar Moisés, e disse: Ide, servi ao Senhor; somente
fiquem os vossos rebanhos e o vosso gado; mas vão juntamente convosco os vossos
pequeninos.
25 Moisés, porém, disse: Tu também nos tens de dar nas mãos sacrifícios e
holocaustos, para que possamos oferecer sacrifícios ao Senhor nosso Deus.
26 E também o nosso gado há de ir conosco; nem uma unha ficará; porque dele
havemos de tomar para servir ao Senhor nosso Deus; porque não sabemos com que
havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá.
27 O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não os quis deixar ir:
28 Disse, pois, Faraó a Moisés: Retira-te de mim, guarda-te que não mais vejas
o meu rosto; porque no dia em que me vires o rosto morrerás.
29 Respondeu Moisés: Disseste bem; eu nunca mais verei o teu rosto.
ÊXODO
[11]
1 Disse o Senhor a Moisés:
Ainda mais uma praga trarei sobre Faraó, e sobre o Egito; depois ele vos
deixará ir daqui; e, deixando vos ir a todos, com efeito vos expulsará daqui.
2 Fala agora aos ouvidos do povo, que cada homem peça ao seu vizinho, e cada
mulher à sua vizinha, jóias de prata e jóias de ouro.
3 E o Senhor deu ao povo graça aos olhos dos egípcios. Além disso o varão
Moisés era mui grande na terra do Egito, aos olhos dos servos de Faraó e aos
olhos do povo.
4 Depois disse Moisés a Faraó: Assim diz o Senhor: ë meia-noite eu sairei pelo
meio do Egito;
5 e todos os primogênitos na terra do Egito morrerão, desde o primogênito de
Faraó, que se assenta sobre o seu trono, até o primogênito da serva que está
detrás da mó, e todos os primogênitos dos animais.
6 Pelo que haverá grande clamor em toda a terra do Egito, como nunca houve nem
haverá jamais.
7 Mas contra os filhos de Israel nem mesmo um cão moverá a sua língua, nem
contra homem nem contra animal; para que saibais que o Senhor faz distinção
entre os egípcios e os filhos de Israel.
8 Então todos estes teus servos descerão a mim, e se inclinarão diante de mim,
dizendo: Sai tu, e todo o povo que te segue as pisadas. Depois disso eu sairei.
E Moisés saiu da presença de Faraó ardendo em ira.
9 Pois o Senhor dissera a Moisés: Faraó não vos ouvirá, para que as minhas
maravilhas se multipliquem na terra do Egito.
10 E Moisés e Arão fizeram todas estas maravilhas diante de Faraó; mas o Senhor
endureceu o coração de Faraó, que não deixou ir da sua terra os filhos de
Israel.
ÊXODO
[12]
1 Ora, o Senhor falou a
Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:
2 Este mês será para vós o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos
meses do ano.
3 Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Ao décimo dia deste mês tomará
cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada
família.
4 Mas se a família for pequena demais para um cordeiro, tomá-lo-á juntamente
com o vizinho mais próximo de sua casa, conforme o número de almas; conforme ao
comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro.
5 O cordeiro, ou cabrito, será sem defeito, macho de um ano, o qual tomareis
das ovelhas ou das cabras,
6 e o guardareis até o décimo quarto dia deste mês; e toda a assembléia da
congregação de Israel o matará à tardinha:
7 Tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambos os umbrais e na verga da porta, nas casas
em que o comerem.
8 E naquela noite comerão a carne assada ao fogo, com pães ázimos; com ervas
amargosas a comerao.
9 Não comereis dele cru, nem cozido em água, mas sim assado ao fogo; a sua
cabeça com as suas pernas e com a sua fressura.
10 Nada dele deixareis até pela manhã; mas o que dele ficar até pela manhã,
queimá-lo-eis no fogo.
11 Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés,
e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do
Senhor.
12 Porque naquela noite passarei pela terra do Egito, e ferirei todos os
primogênitos na terra do Egito, tanto dos homens como dos animais; e sobre
todos os deuses do Egito executarei juízos; eu sou o Senhor.
13 Mas o sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu o
sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga para vos
destruir, quando eu ferir a terra do Egito. :
14 E este dia vos será por memorial, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor;
através das vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.
15 Por sete dias comereis pães ázimos; logo ao primeiro dia tirareis o fermento
das vossas casas, porque qualquer que comer pão levedado, entre o primeiro e o
sétimo dia, esse será cortado de Israel.
16 E ao primeiro dia haverá uma santa convocação; também ao sétimo dia tereis
uma santa convocação; neles não se fará trabalho algum, senão o que diz
respeito ao que cada um houver de comer; somente isso poderá ser feito por vós.
17 Guardareis, pois, a festa dos pães ázimos, porque nesse mesmo dia tirei
vossos exércitos da terra do Egito; pelo que guardareis este dia através das
vossas gerações por estatuto perpétuo.
18 No primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde, comereis pães ázimos até
vinte e um do mês à tarde.
19 Por sete dias não se ache fermento algum nas vossas casas; porque qualquer
que comer pão levedado, esse será cortado da congregação de Israel, tanto o
peregrino como o natural da terra.
20 Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães
ázimos.
21 Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Ide e
tomai-vos cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a páscoa.
22 Então tomareis um molho de hissopo, embebê-lo-eis no sangue que estiver na
bacia e marcareis com ele a verga da porta e os dois umbrais; mas nenhum de vós
sairá da porta da sua casa até pela manhã.
23 Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios; e, ao ver o sangue na verga
da porta e em ambos os umbrais, o Senhor passará aquela porta, e não deixará o
destruidor entrar em vossas casas para vos ferir.
24 Portanto guardareis isto por estatuto para vós e para vossos filhos, para
sempre.
25 Quando, pois, tiverdes entrado na terra que o Senhor vos dará, como tem
prometido, guardareis este culto.
26 E quando vossos filhos vos perguntarem: Que quereis dizer com este culto?
27 Respondereis: Este é o sacrifício da páscoa do Senhor, que passou as casas
dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios, e livrou as nossas
casas. Então o povo inclinou-se e adorou.
28 E foram os filhos de Israel, e fizeram isso; como o Senhor ordenara a Moisés
e a Arão, assim fizeram.
29 E aconteceu que à meia-noite o Senhor feriu todos os primogênitos na terra
do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava em seu trono, até o primogênito
do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais.
30 E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os
egípcios; e fez-se grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não
houvesse um morto.
31 Então Faraó chamou Moisés e Arão de noite, e disse: Levantai-vos, saí do
meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; e ide servir ao Senhor,
como tendes dito.
32 Levai também convosco os vossos rebanhos e o vosso gado, como tendes dito; e
ide, e abençoai-me também a mim.
33 E os egípcios apertavam ao povo, e apressando-se por lançá-los da terra;
porque diziam: Estamos todos mortos.
34 Ao que o povo tomou a massa, antes que ela levedasse, e as amassadeiras
atadas e em seus vestidos, sobre os ombros.
35 Fizeram, pois, os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés, e pediram
aos egípcios jóias de prata, e jóias de ouro, e vestidos.
36 E o Senhor deu ao povo graça aos olhos dos egípcios, de modo que estes lhe
davam o que pedia; e despojaram aos egipcios.
37 Assim viajaram os filhos de Israel de a Ramessés a Sucote, cerca de
seiscentos mil homens de pé, sem contar as crianças.
38 Também subiu com eles uma grande mistura de gente; e, em rebanhos e manadas,
uma grande quantidade de gado.
39 E cozeram bolos ázimos da massa que levaram do Egito, porque ela não se
tinha levedado, porquanto foram lançados do Egito; e não puderam deter-se, nem
haviam preparado comida.
40 Ora, o tempo que os filhos de Israel moraram no Egito foi de quatrocentos e
trinta anos.
41 E aconteceu que, ao fim de quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia,
todos os exércitos do Senhor saíram da terra do Egito.
42 Esta é uma noite que se deve guardar ao Senhor, porque os tirou da terra do
Egito; esta é a noite do Senhor, que deve ser guardada por todos os filhos de
Israel através das suas gerações.
43 Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da páscoa; nenhum,
estrangeiro comerá dela;
44 mas todo escravo comprado por dinheiro, depois que o houveres circuncidado,
comerá dela.
45 O forasteiro e o assalariado não comerão dela.
46 Numa só casa se comerá o cordeiro; não levareis daquela carne fora da casa
nem lhe quebrareis osso algum.
47 Toda a congregação de Israel a observará.
48 Quando, porém, algum estrangeiro peregrinar entre vós e quiser celebrar a
páscoa ao Senhor, circuncidem-se todos os seus varões; então se chegará e a
celebrará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela.
49 Haverá uma mesma lei para o natural e para o estrangeiro que peregrinar
entre vós.
50 Assim, pois, fizeram todos os filhos de Israel; como o Senhor ordenara a
Moisés e a Arão, assim fizeram.
51 E naquele mesmo dia o Senhor tirou os filhos de Israel da terra do Egito,
segundo os seus exércitos.
ÊXODO
[13]
1 Então falou o Senhor a
Moisés, dizendo:
2 Santifica-me todo primogênito, todo o que abrir a madre de sua mãe entre os
filhos de Israel, assim de homens como de animais; porque meu é.
3 E Moisés disse ao povo: Lembrai-vos deste dia, em que saístes do Egito, da
casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos tirou daqui; portanto não se
comerá pão levedado.
4 Hoje, no mês de abibe, vós saís.
5 Quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, dos heteus, dos
amorreus, dos heveus e dos jebuseus, que ele jurou a teus pais que te daria,
terra que mana leite e mel, guardarás este culto nestê mes.
6 Sete dias comerás pães ázimos, e ao sétimo dia haverá uma festa ao Senhor.
7 Sete dias se comerão pães ázimos, e o levedado não se verá contigo, nem ainda
fermento será visto em todos os teus termos.
8 Naquele dia contarás a teu filho, dizendo: Isto é por causa do que o Senhor
me fez, quando eu saí do Egito;
9 e te será por sinal sobre tua mão e por memorial entre teus olhos, para que a
lei do Senhor esteja em tua boca; porquanto com mão forte o Senhor te tirou do
Egito.
10 Portanto guardarás este estatuto a seu tempo, de ano em ano.
11 Também quando o Senhor te houver introduzido na terra dos cananeus, como
jurou a ti e a teus pais, quando ta houver dado,
12 separarás para o Senhor tudo o que abrir a madre, até mesmo todo primogênito
dos teus animais; os machos serão do Senhor.
13 Mas todo primogênito de jumenta resgatarás com um cordeiro; e, se o não
quiseres resgatar, quebrar-lhe-ás a cerviz:; e todo primogênito do homem entre
teus filhos resgatarás.
14 E quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que é isto?
responder-lhe-ás: O Senhor, com mão forte, nos tirou do Egito, da casa da
servidão.
15 Porque sucedeu que, endurecendo-se Faraó, para não nos deixar ir, o Senhor
matou todos os primogênitos na terra do Egito, tanto os primogênitos dos homens
como os primogênitos dos animais; por isso eu sacrifico ao Senhor todos os
primogênitos, sendo machos; mas a todo primogênito de meus filhos eu resgato.
16 E isto será por sinal sobre tua mão, e por frontais entre os teus olhos,
porque o Senhor, com mão forte, nos tirou do Egito.
17 Ora, quando Faraó deixou ir o povo, Deus não o conduziu pelo caminho da
terra dos filisteus, se bem que fosse mais perto; porque Deus disse: Para que
porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte para o Egito;
18 mas Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto perto do Mar Vermelho; e
os filhos de Israel subiram armados da terra do Egito.
19 Moisés levou consigo os ossos de José, porquanto havia este solenemente
ajuramentado os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; e vós
haveis de levar daqui convosco os meus ossos.
20 Assim partiram de Sucote, e acamparam-se em Etã, à entrada do deserto.
21 E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluta e os dois para os guiar pelo
caminho, e de noite numa coluna de fogo para os alumiar, a fim de que
caminhassem de dia e de noite.
22 Não desaparecia de diante do povo a coluna de nuvem de dia, nem a coluna de
fogo de noite.
ÊXODO
[14]
1 Disse o Senhor a Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel que se voltem e se acampem diante de Pi-Hairote,
entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom; em frente dele assentareis o
acampamento junto ao mar.
3 Então Faraó dirá dos filhos de Israel: Eles estão embaraçados na terra, o
deserto os encerrou.
4 Eu endurecerei o coração de Faraó, e ele os perseguirá; glorificar-me-ei em
Faraó, e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o Senhor. E
eles fizeram assim.
5 Quando, pois, foi anunciado ao rei do Egito que o povo havia fugido, mudou-se
o coração de Faraó, e dos seus servos, contra o povo, e disseram: Que é isso
que fizemos, permitindo que Israel saísse e deixasse de nos servir?
6 E Faraó aprontou o seu carro, e tomou consigo o seu povo;
7 tomou também seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito, e
capitães sobre todos eles.
8 Porque o Senhor endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, e este perseguiu
os filhos de Israel; pois os filhos de Israel saíam afoitamente.
9 Os egípcios, com todos os cavalos e carros de Faraó, e os seus cavaleiros e o
seu exército, os perseguiram e os alcançaram acampados junto ao mar, perto de
Pi-Hairote, diante de Baal-Zefom.
10 Quando Faraó se aproximava, os filhos de Israel levantaram os olhos, e eis que
os egípcios marchavam atrás deles; pelo que tiveram muito medo os filhos de
Israel e clamaram ao Senhor:
11 e disseram a Moisés: Foi porque não havia sepulcros no Egito que de lá nos
tiraste para morrermos neste deserto? Por que nos fizeste isto, tirando-nos do
Egito?
12 Não é isto o que te dissemos no Egito: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios?
Pois melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto.
13 Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento
do Senhor, que ele hoje vos fará; porque aos egípcios que hoje vistes, nunca
mais tornareis a ver;
14 o Senhor pelejará por vós; e vós vos calareis.
15 Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? dize aos filhos de
Israel que marchem.
16 E tu, levanta a tua vara, e estende a mão sobre o mar e fende-o, para que os
filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco.
17 Eis que eu endurecerei o coração dos egípcios, e estes entrarão atrás deles;
e glorificar-me-ei em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos
seus cavaleiros.
18 E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando me tiver glorificado em
Faraó, nos seus carros e nos seus cavaleiros.
19 Então o anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e se
pos atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles e se pôs
atrás,
20 colocando-se entre o campo dos egípcios e o campo dos israelitas; assim
havia nuvem e trevas; contudo aquela clareava a noite para Israel; de maneira
que em toda a noite não se aproximou um do outro.
21 Então Moisés estendeu a mão sobre o mar; e o Senhor fez retirar o mar por um
forte vento oriental toda aquela noite, e fez do mar terra seca, e as águas
foram divididas.
22 E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes
qual muro à sua direita e à sua esquerda.
23 E os egípcios os perseguiram, e entraram atrás deles até o meio do mar, com
todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros.
24 Na vigília da manhã, o Senhor, na coluna do fogo e da nuvem, olhou para o
campo dos egípcios, e alvoroçou o campo dos egípcios;
25 embaraçou-lhes as rodas dos carros, e fê-los andar dificultosamente; de modo
que os egípcios disseram: Fujamos de diante de Israel, porque o Senhor peleja
por eles contra os egípcios.
26 Nisso o Senhor disse a Moisés: Estende a mão sobre o mar, para que as águas
se tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros.
27 Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao
amanhecer, e os egípcios fugiram de encontro a ele; assim o Senhor derribou os
egípcios no meio do mar.
28 As águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros, todo o exército de
Faraó, que atrás deles havia entrado no mar; não ficou nem sequer um deles.
29 Mas os filhos de Israel caminharam a pé enxuto pelo meio do mar; as águas
foram-lhes qual muro à sua direita e à sua esquerda.
30 Assim o Senhor, naquele dia, salvou Israel da mão dos egípcios; e Israel viu
os egípcios mortos na praia do mar.
31 E viu Israel a grande obra que o Senhor operara contra os egípcios; pelo que
o povo temeu ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu servo.
ÊXODO
[15]
1 Então cantaram Moisés e os
filhos de Israel este cântico ao Senhor, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque
gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.
2 O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele se tem tornado a minha
salvação; é ele o meu Deus, portanto o louvarei; é o Deus de meu pai, por isso
o exaltarei.
3 O Senhor é homem de guerra; Jeová é o seu nome.
4 Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; os seus escolhidos
capitães foram submersos no Mar Vermelho.
5 Os abismos os cobriram; desceram às profundezas como pedra.
6 A tua destra, ó Senhor, é gloriosa em poder; a tua destra, ó Senhor, destroça
o inimigo.
7 Na grandeza da tua excelência derrubas os que se levantam contra ti; envias o
teu furor, que os devora como restolho.
8 Ao sopro dos teus narizes amontoaram-se as águas, as correntes pararam como
montão; os abismos coalharam-se no coração do mar.
9 O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos; deles se
satisfará o meu desejo; arrancarei a minha espada, a minha mão os destruirá.
10 Sopraste com o teu vento, e o mar os cobriu; afundaram-se como chumbo em
grandes aguas.
11 Quem entre os deuses é como tu, ó Senhor? a quem é como tu poderoso em
santidade, admirável em louvores, operando maravilhas?
12 Estendeste a mão direita, e a terra os tragou.
13 Na tua beneficência guiaste o povo que remiste; na tua força o conduziste à
tua santa habitação.
14 Os povos ouviram e estremeceram; dores apoderaram-se dos a habitantes da
Filístia.
15 Então os príncipes de Edom se pasmaram; dos poderosos de Moabe apoderou-se
um tremor; derreteram-se todos os habitantes de Canaã.
16 Sobre eles caiu medo, e pavor; pela grandeza do teu braço emudeceram como
uma pedra, até que o teu povo passasse, ó Senhor, até que passasse este povo
que adquiriste.
17 Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu,
ó Senhor, aparelhaste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas
mãos estabeleceram.
18 O Senhor reinará eterna e perpetuamente.
19 Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros,
entraram no mar, e o Senhor fez tornar as águas do mar sobre eles, mas os
filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar.
20 Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, tomou na mão um tamboril, e todas as
mulheres saíram atrás dela com tamboris, e com danças.
21 E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou;
lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro.
22 Depois Moisés fez partir a Israel do Mar Vermelho, e saíram para o deserto
de Sur; caminharam três dias no deserto, e não acharam água.
23 E chegaram a Mara, mas não podiam beber das suas águas, porque eram amargas;
por isso chamou-se o lugar Mara.
24 E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?
25 Então clamou Moisés ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe uma árvore, e Moisés
lançou-a nas águas, as quais se tornaram doces. Ali Deus lhes deu um estatuto e
uma ordenança, e ali os provou,
26 dizendo: Se ouvires atentamente a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é
reto diante de seus olhos, e inclinares os ouvidos aos seus mandamentos, e
guardares todos os seus estatutos, sobre ti não enviarei nenhuma das
enfermidades que enviei sobre os egípcios; porque eu sou o Senhor que te sara.
27 Então vieram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e
ali, junto das águas, acamparam.
ÊXODO
[16]
1 Depois partiram de Elim; e
veio toda a congregação dos filhos de Israel ao deserto de Sim, que está entre
Elim e Sinai, aos quinze dias do segundo mês depois que saíram da terra do
Egito.
2 E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra
Arão no deserto.
3 Pois os filhos de Israel lhes disseram: Quem nos dera que tivéssemos morrido
pela mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às
panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! porque nos tendes tirado para
este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.
4 Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão do céu; e sairá o
povo e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda
em minha lei ou não.
5 Mas ao sexto dia prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada
dia.
6 Disseram, pois, Moisés e Arão a todos os filhos de Israel: tarde sabereis que
o Senhor é quem vos tirou da terra do Egito,
7 e amanhã vereis a glória do Senhor, porquanto ele ouviu as vossas murmurações
contra o Senhor; e quem somos nós, para que murmureis contra nós?
8 Disse mais Moisés: Isso será quando o Senhor à tarde vos der carne para
comer, e pela manhã pão a fartar, porquanto o Senhor ouve as vossas
murmurações, com que murmurais contra ele; e quem somos nós? As vossas
murmurações não são contra nós, mas sim contra o Senhor.
9 Depois disse Moisés a Arão: Dize a toda a congregação dos filhos de Israel:
Chegai-vos à presença do Senhor, porque ele ouviu as vossas murmurações.
10 E quando Arão falou a toda a congregação dos filhos de Israel, estes olharam
para o deserto, e eis que a glória do Senhor, apareceu na nuvem.
11 Então o Senhor falou a Moisés, dizendo:
12 Tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel; dize-lhes: ë tardinha
comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão; e sabereis que eu sou o
Senhor vosso Deus.
13 E aconteceu que à tarde subiram codornizes, e cobriram o arraial; e pela
manhã havia uma camada de orvalho ao redor do arraial.
14 Quando desapareceu a camada de orvalho, eis que sobre a superfície do
deserto estava uma coisa miúda, semelhante a escamas, coisa miúda como a geada
sobre a terra.
15 E, vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? porque
não sabiam o que era. Então lhes disse Moisés: Este é o pão que o Senhor vos deu
para comer.
16 Isto é o que o Senhor ordenou: Colhei dele cada um conforme o que pode
comer; um gômer para cada cabeça, segundo o número de pessoas; cada um tomará
para os que se acharem na sua tenda.
17 Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram uns mais e outros menos.
18 Quando, porém, o mediam com o gômer, nada sobejava ao que colhera muito, nem
faltava ao que colhera pouco; colhia cada um tanto quanto podia comer.
19 Também disse-lhes Moisés: Ninguém deixe dele para amanhã.
20 Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés, antes alguns dentre eles deixaram
dele para o dia seguinte; e criou bichos, e cheirava mal; por isso indignou-se
Moisés contra eles.
21 Colhiam-no, pois, pela manhã, cada um conforme o que podia comer; porque,
vindo o calor do sol, se derretia.
22 Mas ao sexto dia colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; pelo que
todos os principais da congregação vieram, e contaram-no a Moisés.
23 E ele lhes disse: Isto é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, sábado
santo ao Senhor; o que quiserdes assar ao forno, assai-o, e o que quiserdes
cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, ponde-o de lado para vós,
guardando-o para amanhã.
24 Guardaram-no, pois, até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não
cheirou mal, nem houve nele bicho algum.
25 Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do Senhor; hoje
não o achareis no campo.
26 Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá.
27 Mas aconteceu ao sétimo dia que saíram alguns do povo para o colher, e não o
acharam.
28 Então disse o Senhor a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus
mandamentos e as minhas leis?
29 Vede, visto que o Senhor vos deu o sábado, por isso ele no sexto dia vos dá
pão para dois dias; fique cada um no seu lugar, não saia ninguém do seu lugar
no sétimo dia.
30 Assim repousou o povo no sétimo dia.
31 A casa de Israel deu-lhe o nome de maná. Era como semente de coentro; era
branco, e tinha o sabor de bolos de mel.
32 E disse Moisés: Isto é o que o Senhor ordenou: Dele enchereis um gômer, o
qual se guardará para as vossas gerações, para que elas vejam o pão que vos dei
a comer no deserto, quando eu vos tirei da terra do Egito.
33 Disse também Moisés a Arão: Toma um vaso, mete nele um gômer cheio de maná e
põe-no diante do Senhor, a fim de que seja guardado para as vossas gerações.
34 Como o Senhor tinha ordenado a Moisés, assim Arão o pôs diante do
testemunho, para ser guardado.
35 Ora, os filhos de Israel comeram o maná quarenta anos, até que chegaram a
uma terra habitada; comeram o maná até que chegaram aos termos da terra de
Canaã.
36 Um gômer é a décima parte de uma efa.
ÊXODO
[17]
1 Partiu toda a congregação
dos filhos de Israel do deserto de Sim, pelas suas jornadas, segundo o
mandamento do Senhor, e acamparam em Refidim; e não havia ali água para o povo
beber.
2 Então o povo contendeu com Moisés, dizendo: Dá-nos água para beber.
Respondeu-lhes Moisés: Por que contendeis comigo? por que tentais ao Senhor?
3 Mas o povo, tendo sede ali, murmurou contra Moisés, dizendo: Por que nos
fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e
ao nosso gado?
4 Pelo que Moisés, clamando ao Senhor, disse: Que hei de fazer a este povo?
daqui a pouco me apedrejará.
5 Então disse o Senhor a Moisés: Passa adiante do povo, e leva contigo alguns
dos anciãos de Israel; toma na mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai-te.
6 Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe; ferirás a
rocha, e dela sairá agua para que o povo possa beber. Assim, pois fez Moisés à
vista dos anciãos de Israel.
7 E deu ao lugar o nome de Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de
Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou
não?
8 Então veio Amaleque, e pelejou contra e Israel em Refidim.
9 Pelo que disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, peleja contra
Amaleque; e amanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, tendo na mão a vara de
Deus.
10 Fez, pois, Josué como Moisés lhe dissera, e pelejou contra Amaleque; e
Moisés, Arão, e Hur subiram ao cume do outeiro.
11 E acontecia que quando Moisés levantava a mão, prevalecia Israel; mas quando
ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque.
12 As mãos de Moisés, porém, ficaram cansadas; por isso tomaram uma pedra, e a
puseram debaixo dele, e ele sentou-se nela; Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos,
um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até o pôr
do sol.
13 Assim Josué prostrou a Amaleque e a seu povo, ao fio da espada.
14 Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memorial num livro, e
relata-o aos ouvidos de Josué; que eu hei de riscar totalmente a memória de
Amaleque de debaixo do céu.
15 Pelo que Moisés edificou um altar, ao qual chamou Jeová-Níssi.
16 E disse: Porquanto jurou o Senhor que ele fará guerra contra Amaleque de
geração em geração.
ÊXODO
[18]
1 Ora Jetro, sacerdote de
Midiã, sogro de Moisés, ouviu todas as coisas que Deus tinha feito a Moisés e a
Israel, seu povo, como o Senhor tinha tirado a Israel do Egito.
2 E Jetro, sogro de Moisés, tomou a Zípora, a mulher de Moisés, depois que este
lha enviara,
3 e aos seus dois filhos, dos quais um se chamava Gérson; porque disse Moisés:
Fui peregrino em terra estrangeira;
4 e o outro se chamava Eliézer; porque disse: O Deus de meu pai foi minha ajuda,
e me livrou da espada de Faraó.
5 Veio, pois, Jetro, o sogro de Moisés, com os filhos e a mulher deste, a
Moisés, no deserto onde se tinha acampado, junto ao monte de Deus;
6 e disse a Moisés: Eu, teu sogro Jetro, venho a ti, com tua mulher e seus dois
filhos com ela.
7 Então saiu Moisés ao encontro de seu sogro, inclinou-se diante dele e o
beijou; perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda.
8 Depois Moisés contou a seu sogro tudo o que o Senhor tinha feito a Faraó e
aos egípcios por amor de Israel, todo o trabalho que lhes sobreviera no
caminho, e como o Senhor os livrara.
9 E alegrou-se Jetro por todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel,
livrando-o da mão dos egipcios,
10 e disse: Bendito seja o Senhor, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão
de Faraó; que livrou o povo de debaixo da mão dos egípcios.
11 Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses; até naquilo em que se
houveram arrogantemente contra o povo.
12 Então Jetro, o sogro de Moisés, tomou holocausto e sacrifícios para Deus; e
veio Arão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moisés
diante de Deus.
13 No dia seguinte assentou-se Moisés para julgar o povo; e o povo estava em pé
junto de Moisés desde a manhã até a tarde.
14 Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, perguntou: Que
é isto que tu fazes ao povo? por que te assentas só, permanecendo todo o povo
junto de ti desde a manhã até a tarde?
15 Respondeu Moisés a seu sogro: É por que o povo vem a mim para consultar a
Deus.
16 Quando eles têm alguma questão, vêm a mim; e eu julgo entre um e outro e
lhes declaro os estatutos de Deus e as suas leis.
17 O sogro de Moisés, porém, lhe replicou: Não é bom o que fazes.
18 certamente desfalecerás, assim tu, como este povo que está contigo; porque
isto te é pesado demais; tu só não o podes fazer.
19 Ouve agora a minha voz; eu te aconselharei, e seja Deus contigo: sê tu pelo
povo diante de Deus, e leva tu as causas a Deus;
20 ensinar-lhes-ás os estatutos e as leis, e lhes mostrarás o caminho em que
devem andar, e a obra que devem fazer.
21 Além disto procurarás dentre todo o povo homens de capacidade, tementes a
Deus, homens verazes, que aborreçam a avareza, e os porás sobre eles por chefes
de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez;
22 e julguem eles o povo em todo o tempo. Que a ti tragam toda causa grave, mas
toda causa pequena eles mesmos a julguem; assim a ti mesmo te aliviarás da
carga, e eles a levarão contigo.
23 Se isto fizeres, e Deus to mandar, poderás então subsistir; assim também
todo este povo irá em paz para o seu lugar.
24 E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro, e fez tudo quanto este lhe dissera;
25 e escolheu Moisés homens capazes dentre todo o Israel, e os pôs por cabeças
sobre o povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de
dez.
26 Estes, pois, julgaram o povo em todo o tempo; as causas graves eles as
trouxeram a Moisés; mas toda causa pequena, julgaram-na eles mesmos.
27 Então despediu Moisés a seu sogro, o qual se foi para a sua terra.
ÊXODO
[19]
1 No terceiro mês depois que
os filhos de Israel haviam saído da terra do Egito, no mesmo dia chegaram ao
deserto de Sinai.
2 Tendo partido de Refidim, entraram no deserto de Sinai, onde se acamparam;
Israel, pois, ali acampou-se em frente do monte.
3 Então subiu Moisés a Deus, e do monte o Senhor o chamou, dizendo: Assim
falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel:
4 Vós tendes visto o que fiz: aos egípcios, como vos levei sobre asas de
águias, e vos trouxe a mim.
5 Agora, pois, se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto,
então sereis a minha possessão peculiar dentre todos os povos, porque minha é
toda a terra;
6 e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras
que falarás aos filhos de Israel.
7 Veio, pois, Moisés e, tendo convocado os anciãos do povo, expôs diante deles
todas estas palavras, que o Senhor lhe tinha ordenado.
8 Ao que todo o povo respondeu a uma voz: Tudo o que o Senhor tem falado,
faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo.
9 Então disse o Senhor a Moisés: Eis que eu virei a ti em uma nuvem espessa,
para que o povo ouça, quando eu falar contigo, e também para que sempre te
creia. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor.
10 Disse mais o Senhor a Moisés: Vai ao povo, e santifica-os hoje e amanhã;
lavem eles os seus vestidos,
11 e estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia descerá o
Senhor diante dos olhos de todo o povo sobre o monte Sinai.
12 Também marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardai-vos, não subais
ao monte, nem toqueis o seu termo; todo aquele que tocar o monte será morto.
13 Mão alguma tocará naquele que o fizer, mas ele será apedrejado ou asseteado;
quer seja animal, quer seja homem, não viverá. Quando soar a buzina longamente,
subirão eles até o pé do monte.
14 Então Moisés desceu do monte ao povo, e santificou o povo; e lavaram os seus
vestidos.
15 E disse ele ao povo: Estai prontos para o terceiro dia; e não vos chegueis a
mulher.
16 Ao terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões, relâmpagos, e uma nuvem
espessa sobre o monte; e ouviu-se um sonido de buzina mui forte, de maneira que
todo o povo que estava no arraial estremeceu.
17 E Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao
pé do monte.
18 Nisso todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em
fogo; e a fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia
fortemente.
19 E, crescendo o sonido da buzina cada vez mais, Moisés falava, e Deus lhe
respondia por uma voz.
20 E, tendo o Senhor descido sobre o monte Sinai, sobre o cume do monte, chamou
a Moisés ao cume do monte; e Moisés subiu.
21 Então disse o Senhor a Moisés: Desce, adverte ao povo, para não suceder que
traspasse os limites até o Senhor, a fim de ver, e muitos deles pereçam.
22 Ora, santifiquem-se também os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, para que
o Senhor não se lance sobre eles.
23 Respondeu Moisés ao Senhor: O povo não poderá subir ao monte Sinai, porque
tu nos tens advertido, dizendo: Marca limites ao redor do monte, e santifica-o.
24 Ao que lhe disse o Senhor: Vai, desce; depois subirás tu, e Arão contigo; os
sacerdotes, porém, e o povo não traspassem os limites para subir ao Senhor,
para que ele não se lance sobre eles.
25 Então Moisés desceu ao povo, e disse-lhes isso.
ÊXODO
[20]
1 Então falou Deus todas
estas palavras, dizendo:
2 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da
servidão.
3 Não terás outros deuses diante de mim.
4 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no
céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu
Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a
terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
6 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus
mandamentos.
7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por
inocente aquele que tomar o seu nome em vão.
8 Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
9 Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho;
10 mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho
algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva,
nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas.
11 Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles
há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o
santificou.
12 Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra
que o Senhor teu Deus te dá.
13 Não matarás.
14 Não adulterarás.
15 Não furtarás.
16 Não dirás falso testemunho contra o teu proximo.
17 Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo,
nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa
alguma do teu próximo.
18 Ora, todo o povo presenciava os trovões, e os relâmpagos, e o sonido da
buzina, e o monte a fumegar; e o povo, vendo isso, estremeceu e pôs-se de
longe.
19 E disseram a Moisés: Fala-nos tu mesmo, e ouviremos; mas não fale Deus
conosco, para que não morramos.
20 Respondeu Moisés ao povo: Não temais, porque Deus veio para vos provar, e
para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis.
21 Assim o povo estava em pé de longe; Moisés, porém, se chegou às trevas
espessas onde Deus estava.
22 Então disse o Senhor a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: Vós tendes
visto que do céu eu vos falei.
23 Não fareis outros deuses comigo; deuses de prata, ou deuses de ouro, não os
fareis para vós.
24 um altar de terra me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, e
as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas e os teus bois. Em todo lugar em que
eu fizer recordar o meu nome, virei a ti e te abençoarei.
25 E se me fizeres um altar de pedras, não o construirás de pedras lavradas;
pois se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás.
26 Também não subirás ao meu altar por degraus, para que não seja ali exposta a
tua nudez.
ÊXODO
[21]
1 Estes são os estatutos que
lhes proporás:
2 Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá forro,
de graça.
3 Se entrar sozinho, sozinho sairá; se tiver mulher, então com ele sairá sua
mulher.
4 Se seu senhor lhe houver dado uma mulher e ela lhe houver dado filhos ou
filhas, a mulher e os filhos dela serão de seu senhor e ele sairá sozinho.
5 Mas se esse servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, a minha mulher e
a meus filhos, não quero sair forro;
6 então seu senhor o levará perante os juízes, e o fará chegar à porta, ou ao
umbral da porta, e o seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o
servirá para sempre.
7 Se um homem vender sua filha para ser serva, ela não saira como saem os
servos.
8 Se ela não agradar ao seu senhor, de modo que não se despose com ela, então
ele permitirá que seja resgatada; vendê-la a um povo estrangeiro, não o poderá
fazer, visto ter usado de dolo para com ela.
9 Mas se a desposar com seu filho, fará com ela conforme o direito de filhas.
10 Se lhe tomar outra, não diminuirá e o mantimento daquela, nem o seu vestido,
nem o seu direito conjugal.
11 E se não lhe cumprir estas três obrigações, ela sairá de graça, sem dar
dinheiro.
12 Quem ferir a um homem, de modo que este morra, certamente será morto.
13 Se, porém, lhe não armar ciladas, mas Deus lho entregar nas mãos, então te
designarei um lugar, para onde ele fugirá.
14 No entanto, se alguém se levantar deliberadamente contra seu próximo para o
matar à traição, tirá-lo-ás do meu altar, para que morra.
15 Quem ferir a seu pai, ou a sua mãe, certamente será morto.
16 Quem furtar algum homem, e o vender, ou mesmo se este for achado na sua mão,
certamente será morto.
17 Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente será morto.
18 Se dois homens brigarem e um ferir ao outro com pedra ou com o punho, e este
não morrer, mas cair na cama,
19 se ele tornar a levantar-se e andar fora sobre o seu bordão, então aquele
que o feriu será absolvido; somente lhe pagará o tempo perdido e fará que ele
seja completamente curado.
20 Se alguém ferir a seu servo ou a sua serva com pau, e este morrer debaixo da
sua mão, certamente será castigado;
21 mas se sobreviver um ou dois dias, não será castigado; porque é dinheiro
seu.
22 Se alguns homens brigarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que
aborte, não resultando, porém, outro dano, este certamente será multado,
conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e pagará segundo o arbítrio dos
juízes;
23 mas se resultar dano, então darás vida por vida,
24 olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé,
25 queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.
26 Se alguém ferir o olho do seu servo ou o olho da sua serva e o cegar,
deixá-lo-á ir forro por causa do olho.
27 Da mesma sorte se tirar o dente do seu servo ou o dente da sua serva,
deixá-lo-á ir forro por causa do dente.
28 Se um boi escornear um homem ou uma mulher e este morrer, certamente será
apedrejado o boi e a sua carne não se comerá; mas o dono do boi será absolvido.
29 Mas se o boi dantes era escorneador, e o seu dono, tendo sido disso
advertido, não o guardou, o boi, matando homem ou mulher, será apedrejado, e
também o seu dono será morto.
30 Se lhe for imposto resgate, então dará como redenção da sua vida tudo quanto
lhe for imposto;
31 quer tenha o boi escorneado a um filho, quer a uma filha, segundo este
julgamento lhe será feito.
32 Se o boi escornear um servo, ou uma serva, dar-se-á trinta siclos de prata
ao seu senhor, e o boi será apedrejado.
33 Se alguém descobrir uma cova, ou se alguém cavar uma cova e não a cobrir, e
nela cair um boi ou um jumento,
34 o dono da cova dará indenização; pagá-la-á em dinheiro ao dono do animal
morto, mas este será seu.
35 Se o boi de alguém ferir de morte o boi do seu próximo, então eles venderão
o boi vivo e repartirão entre si o dinheiro da venda, e o morto também
dividirão entre si.
36 Ou se for notório que aquele boi dantes era escorneador, e seu dono não o
guardou, certamente pagará boi por boi, porém o morto será seu.
ÊXODO
[22]
1 Se alguém furtar um boi (ou
uma ovelha), e o matar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e por uma
ovelha quatro ovelhas.
2 Se o ladrão for achado a minar uma casa, e for ferido de modo que morra, o
que o feriu não será réu de sangue;
3 mas se o sol houver saído sobre o ladrão, o que o feriu será réu de sangue. O
ladrão certamente dará indenização; se nada possuir, será então vendido por seu
furto.
4 Se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha,
pagará ele o dobro.
5 Se alguém fizer pastar o seu animal num campo ou numa vinha, e se soltar o
seu animal e este pastar no campo de outrem, do melhor do seu próprio campo e
do melhor da sua própria vinha fará restituição.
6 Se alastrar um fogo e pegar nos espinhos, de modo que sejam destruídas as
medas de trigo, ou a seara, ou o campo, aquele que acendeu o fogo certamente
dará, indenização.
7 Se alguém entregar ao seu próximo dinheiro, ou objetos, para guardar, e isso
for furtado da casa desse homem, o ladrão, se for achado, pagará o dobro.
8 Se o ladrão não for achado, então o dono da casa irá à presença dos juizes
para se verificar se não meteu a mão nos bens do seu próximo.
9 Em todo caso de transgressão, seja a respeito de boi, ou de jumento, ou de
ovelhas, ou de vestidos, ou de qualquer coisa perdida de que alguém disser que
é sua, a causa de ambas as partes será levada perante os juízes; aquele a quem
os juízes condenarem pagará o dobro ao seu próximo.
10 Se alguém entregar a seu próximo para guardar um jumento, ou boi, ou ovelha,
ou outro qualquer animal, e este morrer, ou for aleijado, ou arrebatado,
ninguém o vendo,
11 então haverá o juramento do Senhor entre ambos, para ver se o guardador não
meteu a mão nos bens do seu próximo; e o dono aceitará o juramento, e o outro
não fará restituição.
12 Se, porém, o animal lhe tiver sido furtado, fará restituirão ao seu dono.
13 Se tiver sido dilacerado, trá-lo-á em testemunho disso; não dará indenização
pelo dilacerado.
14 Se alguém pedir emprestado a seu próximo algum animal, e este for danificado
ou morrer, não estando presente o seu dono, certamente dará indenização;
15 se o dono estiver presente, o outro não dará indenização; se tiver sido
alugado, o aluguel responderá por qualquer dano.
16 Se alguém seduzir uma virgem que não for desposada, e se deitar com ela,
certamente pagará por ela o dote e a terá por mulher.
17 Se o pai dela inteiramente recusar dar-lha, pagará ele em dinheiro o que for
o dote das virgens.
18 Não permitirás que viva uma feiticeira.
19 Todo aquele que se deitar com animal, certamente será morto.
20 Quem sacrificar a qualquer deus, a não ser tão-somente ao Senhor, será
morto.
21 Ao estrangeiro não maltratarás, nem o oprimirás; pois vós fostes
estrangeiros na terra do Egito.
22 A nenhuma viúva nem órfão afligireis.
23 Se de algum modo os afligirdes, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei
o seu clamor;
24 e a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão
viúvas, e vossos filhos órfãos.
25 Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te
haverás com ele como credor; não lhe imporás juros.
26 Ainda que chegues a tomar em penhor o vestido do teu próximo, lho
restituirás antes do pôr do sol;
27 porque é a única cobertura que tem; é o vestido da sua pele; em que se
deitaria ele? Quando pois clamar a mim, eu o ouvirei, porque sou
misericordioso.
28 Aos juízes não maldirás, nem amaldiçoarás ao governador do teu povo.
29 Não tardarás em trazer ofertas da tua ceifa e dos teus lagares. O primogênito
de teus filhos me darás.
30 Assim farás com os teus bois e com as tuas ovelhas; sete dias ficará a cria
com a mãe; ao oitavo dia ma darás.
31 Ser-me-eis homens santos; portanto não comereis carne que por feras tenha
sido despedaçada no campo; aos cães a lançareis.
ÊXODO
[23]
1 Não levantarás falso boato,
e não pactuarás com o ímpio, para seres testemunha injusta.
2 Nao seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda darás
testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça;
3 nem mesmo ao pobre favorecerás na sua demanda.
4 Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo, ou o seu jumento, sem falta
lho reconduzirás.
5 Se vires deitado debaixo da sua carga o jumento daquele que te odeia, não
passarás adiante; certamente o ajudarás a levantá-lo.
6 Não perverterás o direito do teu pobre na sua demanda.
7 Guarda-te de acusares falsamente, e não matarás o inocente e justo; porque
não justificarei o ímpio.
8 Também não aceitarás peita, porque a peita cega os que têm vista, e perverte
as palavras dos justos.
9 Outrossim, não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do
estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.
10 Seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos;
11 mas no sétimo ano a deixarás descansar e ficar em pousio, para que os pobres
do teu povo possam comer, e do que estes deixarem comam os animais do campo.
Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.
12 Seis dias farás os teus trabalhos, mas ao sétimo dia descansarás; para que
descanse o teu boi e o teu jumento, e para que tome alento o filho da tua
escrava e o estrangeiro.
13 Em tudo o que vos tenho dito, andai apercebidos. Do nome de outros deuses
nem fareis menção; nunca se ouça da vossa boca o nome deles.
14 Três vezes no ano me celebrarás festa:
15 A festa dos pães ázimos guardarás: sete dias comerás pães ázimos como te
ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito; e
ninguém apareça perante mim de mãos vazias;
16 também guardarás a festa da sega, a das primícias do teu trabalho, que
houveres semeado no campo; igualmente guardarás a festa da colheita à saída do
ano, quando tiveres colhido do campo os frutos do teu trabalho.
17 Três vezes no ano todos os teus homens aparecerão diante do Senhor Deus.
18 Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão levedado, nem ficará da
noite para a manhã a gordura da minha festa.
19 As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Senhor teu
Deus. Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.
20 Eis que eu envio um anjo adiante de ti, para guardar-te pelo caminho, e
conduzir-te ao lugar que te tenho preparado.
21 Anda apercebido diante dele, e ouve a sua voz; não sejas rebelde contra ele,
porque não perdoará a tua rebeldia; pois nele está o meu nome.
22 Mas se, na verdade, ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que eu disser, então
serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários.
23 Porque o meu anjo irá adiante de ti, e te introduzirá na terra dos amorreus,
dos heteus, dos perizeus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus; e eu os
aniquilarei.
24 Não te inclinarás diante dos seus deuses, nem os servirás, nem farás
conforme as suas obras; Antes os derrubarás totalmente, e quebrarás de todo as
suas colunas.
25 Servireis, pois, ao Senhor vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa
água; e eu tirarei do meio de vós as enfermidades.
26 Na tua terra não haverá mulher que aborte, nem estéril; o número dos teus
dias completarei.
27 Enviarei o meu terror adiante de ti, pondo em confusão todo povo em cujas
terras entrares, e farei que todos os teus inimigos te voltem as costas.
28 Também enviarei na tua frente vespas, que expulsarão de diante de ti os
heveus, os cananeus e os heteus.
29 Não os expulsarei num só ano, para que a terra não se torne em deserto, e as
feras do campo não se multipliquem contra ti.
30 Pouco a pouco os lançarei de diante de ti, até que te multipliques e possuas
a terra por herança.
31 E fixarei os teus limites desde o Mar Vermelho até o mar dos filisteus, e
desde o deserto até o o rio; porque hei de entregar nas tuas mãos os moradores
da terra, e tu os expulsarás de diante de ti.
32 Não farás pacto algum com eles, nem com os seus deuses.
33 Não habitarão na tua terra, para que não te façam pecar contra mim; pois se
servires os seus deuses, certamente isso te será um laço.
ÊXODO
[24]
1 Depois disse Deus a Moisés:
Subi ao Senhor, tu e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel, e
adorai de longe.
2 Só Moisés se chegará ao Senhor; os, outros não se chegarão; nem o povo subirá
com ele.
3 Veio, pois, Moisés e relatou ao povo todas as palavras do Senhor e todos os
estatutos; então todo o povo respondeu a uma voz: Tudo o que o Senhor tem
falado faremos.
4 Então Moisés escreveu todas as palavras do Senhor e, tendo-se levantado de
manhã cedo, edificou um altar ao pé do monte, e doze colunas, segundo as doze
tribos de Israel,
5 e enviou certos mancebos dos filhos de Israel, os quais ofereceram
holocaustos, e sacrificaram ao Senhor sacrifícios pacíficos, de bois.
6 E Moisés tomou a metade do sangue, e a pôs em bacias; e a outra metade do
sangue espargiu sobre o altar.
7 Também tomou o livro do pacto e o leu perante o povo; e o povo disse: Tudo o
que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos.
8 Então tomou Moisés aquele sangue, e espargiu-o sobre o povo e disse: Eis aqui
o sangue do pacto que o Senhor tem feito convosco no tocante a todas estas
coisas.
9 Então subiram Moisés e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel,
10 e viram o Deus de Israel, e debaixo de seus pés havia como que uma calçada
de pedra de safira, que parecia com o próprio céu na sua pureza.
11 Deus, porém, não estendeu a sua mão contra os nobres dos filhos de Israel;
eles viram a Deus, e comeram e beberam.
12 Depois disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e
dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para
lhos ensinares.
13 E levantando-se Moisés com Josué, seu servidor, subiu ao monte de Deus,
14 tendo dito aos anciãos: Esperai-nos aqui, até que tornemos a vós; eis que
Arão e Hur ficam convosco; quem tiver alguma questão, se chegará a eles.
15 E tendo Moisés subido ao monte, a nuvem cobriu o monte.
16 Também a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu
por seis dias; e ao sétimo dia, do meio da nuvem, Deus chamou a Moisés.
17 Ora, a aparência da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do
monte, aos olhos dos filhos de Israel.
18 Moisés, porém, entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés
esteve no monte quarenta dias e quarenta noites.
ÊXODO
[25]
1 Então disse o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel que me tragam uma oferta alçada; de todo homem cujo
coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada.
3 E esta é a oferta alçada que tomareis deles: ouro, prata, bronze,
4 estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos de cabras,
5 peles de carneiros tintas de vermelho, peles de golfinhos, madeira de acácia,
6 azeite para a luz, especiarias para o óleo da unção e para o incenso
aromàtico,
7 pedras de ônix, e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral.
8 E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles.
9 Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo
de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis.
10 Também farão uma arca de madeira ,de acácia; o seu comprimento será de dois
côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a
sua altura.
11 E cobri-la-ás de ouro puro, por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre
ela uma moldura de ouro ao redor;
12 e fundirás para ela quatro argolas de ouro, que porás nos quatro cantos
dela; duas argolas de um lado e duas do outro.
13 Também farás varais de madeira de acácia, que cobrirás de ouro.
14 Meterás os varais nas argolas, aos lados da arca, para se levar por eles a
arca.
15 Os varais permanecerão nas argolas da arca; não serão tirados dela.
16 E porás na arca o testemunho, que eu te darei.
17 Igualmente farás um propiciatório, de ouro puro; o seu comprimento será de
dois covados e meio, e a sua largura de um côvado e meio.
18 Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas
extremidades do propiciatório.
19 Farás um querubim numa extremidade e o outro querubim na outra extremidade;
de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades
dele.
20 Os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o
com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro; as faces dos querubins
estarão voltadas para o propiciatório.
21 E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho
que eu te darei.
22 E ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que
estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo a respeito de tudo o que eu
te ordenar no tocante aos filhos de Israel.
23 Também farás uma mesa de madeira de acácia; o seu comprimento será de dois
côvados, a sua largura de um côvado e a sua altura de um côvado e meio;
24 cobri-la-ás de ouro puro, e lhe farás uma moldura de ouro ao redor.
25 Também lhe farás ao redor uma guarnição de quatro dedos de largura, e ao
redor na guarnição farás uma moldura de ouro.
26 Também lhe farás quatro argolas de ouro, e porás as argolas nos quatro
cantos, que estarão sobre os quatro pés.
27 Junto da guarnição estarão as argolas, como lugares para os varais, para se
levar a mesa.
28 Farás, pois, estes varais de madeira de acácia, e os cobrirás de ouro; e
levar-se-á por eles a mesa.
29 Também farás os seus pratos, as suas colheres, os seus cântaros e as suas tigelas
com que serão oferecidas as libações; de ouro puro os farás.
30 E sobre a mesa porás os pães da o proposição perante mim para sempre.
31 Também farás um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará o
candelabro, tanto o seu pedestal como a sua haste; os seus copos, os seus
cálices e as suas corolas formarão com ele uma só peça.
32 E de seus lados sairão seis braços: três de um lado, e três do outro.
33 Em um braço haverá três copos a modo de flores de amêndoa, com cálice e
corola; também no outro braço três copos a modo de flores de amêndoa, com
cálice e corola; assim se farão os seis braços que saem do candelabro.
34 Mas na haste central haverá quatro copos a modo de flores de amêndoa, com os
seus cálices e as suas corolas,
35 e um cálice debaixo de dois braços, formando com a haste uma só peça; outro
cálice debaixo de dois outros braços, de uma só peça com a haste; e ainda outro
cálice debaixo de dois outros braços, de uma só peça com a haste; assim será
para os seis braços que saem do candelabro.
36 Os seus cálices e os seus braços formarão uma só peça com a haste; o todo
será de obra batida de ouro puro.
37 Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para alumiar defronte
dele.
38 Os seus espevitadores e os seus cinzeiros serão de ouro puro.
39 De um talento de ouro puro se fará o candelabro, com todos estes utensílios.
40 Atenta, pois, que os faças conforme o seu modelo, que te foi mostrado no
monte.
ÊXODO
[26]
1 O tabernáculo farás de dez
cortinas de linho fino torcido, e de estofo azul, púrpura, e carmesim; com
querubins as farás, obra de artífice.
2 O comprimento de cada cortina será de vinte e oito côvados, e a largura de
quatro côvados; todas as cortinas serão da mesma medida.
3 Cinco cortinas serão enlaçadas, cada uma à outra; e as outras cinco serão
enlaçadas da mesma maneira.
4 Farás laçadas de estofo azul na orla da última cortina do primeiro grupo;
assim também farás na orla da primeira cortina do segundo grupo;
5 a saber, cinqüenta laçadas na orla de uma cortina, e cinqüenta laçadas na
orla da outra; as laçadas serão contrapostas uma à outra.
6 Farás cinqüenta colchetes de ouro, e prenderás com eles as cortinas, uma à
outra; assim o tabernáculo virá a ser um todo.
7 Farás também cortinas de pêlos de cabras para servirem de tenda sobre o
tabernáculo; onze destas cortinas farás.
8 O comprimento de cada cortina será de trinta côvados, e a largura de cada
cortina de quatro côvados; as onze cortinas serão da mesma medida.
9 E ajuntarás cinco cortinas em um grupo, e as outras seis cortinas em outro
grupo; e dobrarás a sexta cortina na frente da tenda.
10 E farás cinqüenta laçadas na orla da última cortina do primeiro grupo, e
outras cinqüenta laçadas na orla da primeira cortina do segundo grupo.
11 Farás também cinqüenta colchetes de bronze, e meterás os colchetes nas
laçadas, e assim ajuntarás a tenda, para que venha a ser um todo.
12 E o resto que sobejar das cortinas da tenda, a saber, a meia cortina que
sobejar, penderá aos fundos do tabernáculo.
13 E o côvado que sobejar de um lado e de outro no comprimento das cortinas da
tenda, penderá de um e de outro lado do tabernáculo, para cobri-lo.
14 Farás também para a tenda uma coberta de peles de carneiros, tintas de
vermelho, e por cima desta uma coberta de peles de golfinhos.
15 Farás também as tábuas para o tabernáculo de madeira de acácia, as quais
serão colocadas verticalmente.
16 O comprimento de cada tábua será de dez côvados, e a sua largura de um
côvado e meio.
17 Duas couceiras terá cada tábua, unidas uma à outra por travessas; assim
farás com todas as tábuas do tabernáculo.
18 Ao fazeres as tábuas para o tabernáculo, farás vinte delas para o lado
meridional.
19 Farás também quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas; duas bases
debaixo de uma tábua, para as suas duas couceiras, e duas bases debaixo de
outra, para as duas couceiras dela.
20 Também para o outro lado do tabernáculo, o que dá para o norte, farás vinte
tábuas,
21 com as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma tábua e duas
debaixo de outra.
22 E para o lado posterior do tabernáculo, o que dá para o ocidente, farás seis
tábuas.
23 Farás também duas tábuas para os cantos do tabernáculo no lado posterior.
24 Por baixo serão duplas, do mesmo modo se estendendo inteiras até a primeira
argola em cima; assim se fará com as duas tábuas; elas serão para os dois
cantos.
25 Haverá oito tábuas com as suas dezesseis bases de prata: duas bases debaixo
de uma tábua e duas debaixo de outra.
26 Farás também travessões de madeira de acácia; cinco para as tábuas de um lado
do tabernáculo,
27 e cinco para as tábuas do outro lado do tabernáculo, bem como c6 azeite para
a luz, especiarias para o óleo da unção e para o para o ocidente.
28 O travessão central passará ao meio das tábuas, de uma extremidade à outra.
29 E cobrirás de ouro as tábuas, e de ouro farás as suas argolas, como lugares
para os travessões; também os travessões cobrirás de ouro.
30 Então levantarás o tabernáculo conforme o modelo que te foi mostrado no
monte.
31 Farás também um véu de azul, púrpura, carmesim, e linho fino torcido; com
querubins, obra de artífice, se fará;
32 e o suspenderás sobre quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro;
seus colchetes serão de ouro, sobre quatro bases de prata.
33 Pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levarás para dentro do véu a arca
do testemunho; este véu vos fará separação entre o lugar santo e o santo dos
santos.
34 Porás o propiciatório sobre a arca do testemunho no santo dos santos;
35 colocarás a mesa fora do véu, e o candelabro defronte da mesa, para o lado
sul do tabernáculo; e porás a mesa para o lado norte.
36 Farás também para a porta da tenda um reposteiro de azul, púrpura, carmesim:
e linho fino torcido, obra de bordador.
37 E para o reposteiro farás cinco colunas de madeira de acácia, cobrindo-as de
ouro (os seus colchetes também serão de ouro), e para elas fundirás cinco bases
de bronze.
ÊXODO
[27]
1 Farás também o altar de
madeira de acácia; de cinco côvados será o comprimento, de cinco côvados a
largura (será quadrado o altar), e de três côvados a altura.
2 E farás as suas pontas nos seus quatro cantos; as suas pontas formarão uma só
peça com o altar; e o cobrirás de bronze.
3 Far-lhe-ás também os cinzeiros, para recolher a sua cinza, e as pás, e as
bacias, e os garfos e os braseiros; todos os seus utensílios farás de bronze.
4 Far-lhe-ás também um crivo de bronze em forma de rede, e farás para esta rede
quatro argolas de bronze nos seus quatro cantos,
5 e a porás em baixo da borda em volta do altar, de maneira que a rede chegue
até o meio do altar.
6 Farás também varais para o altar, varais de madeira de acácia, e os cobrirás
de bronze.
7 Os varais serão metidos nas argolas, e estarão de um e de outro lado do
altar, quando for levado.
8 èco, de tábuas, o farás; como se te mostrou no monte, assim o farão.
9 Farás também o átrio do tabernáculo. No lado que dá para o sul o átrio terá
cortinas de linho fino torcido, de cem côvados de comprimento.
10 As suas colunas serão vinte, e vinte as suas bases, todas de bronze; os
colchetes das colunas e as suas faixas serão de prata.
11 Assim também ao longo do lado do norte haverá cortinas de cem côvados de
comprimento, e serão vinte as suas colunas e vinte as bases destas, todas de
bronze; os colchetes das colunas e as suas faixas serão de prata.
12 E na largura do átrio do lado do ocidente haverá cortinas de cinqüenta
côvados; serão dez as suas colunas, e dez as bases destas.
13 Semelhantemente a largura do átrio do lado que dá para o nascente será de
cinqüenta côvados.
14 As cortinas para um lado da porta serão de quinze côvados; três serão as
suas colunas, e três as bases destas.
15 E de quinze côvados serão as cortinas para o outro lado; as suas colunas
serão três, e três as bases destas.
16 Também à porta do átrio haverá um reposteiro de vinte côvados, de azul,
púrpura, carmesim, e linho fino torcido, obra de bordador; as suas colunas
serão quatro, e quatro as bases destas.
17 Todas as colunas do átrio ao redor serão cingidas de faixas de prata; os
seus colchetes serão de prata, porém as suas bases de bronze.
18 O comprimento do átrio será de cem côvados, e a largura, por toda a
extensão, de cinqüenta, e a altura de cinco côvados; as cortinas serão de linho
fino torcido; e as bases das colunas de bronze.
19 Todos os utensílios do tabernáculo em todo o seu serviço, e todas as suas
estacas, e todas as estacas do átrio, serão de bronze.
20 Ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras,
batido, para o candeeiro, para manter uma lâmpada acesa continuamente.
21 Na tenda da revelação, fora do véu que está diante do testemunho, Arão e
seus filhos a conservarão em ordem, desde a tarde até pela manhã, perante o
Senhor; este será um estatuto perpétuo para os filhos de Israel pelas suas
gerações.
ÊXODO
[28]
1 Depois farás chegar a ti
teu irmão Arão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me
administrarem o ofício sacerdotal; a saber: Arão, Nadabe e Abiú, Eleazar e
Itamar, os filhos de Arão.
2 Farás vestes sagradas para Arão, teu irmão, para glória e ornamento.
3 Falarás a todos os homens hábeis, a quem eu tenha enchido do espírito de
sabedoria, que façam as vestes de Arão para santificá-lo, a fim de que me
administre o ofício sacerdotal.
4 Estas pois são as vestes que farão: um peitoral, um éfode, um manto, uma
túnica bordada, uma mitra e um cinto; farão, pois, as vestes sagradas para
Arão, teu irmão, e para seus filhos, a fim de me administrarem o ofício
sacerdotal.
5 E receberão o ouro, o azul, a púrpura, o carmesim e o linho fino,
6 e farão o éfode de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido, obra
de desenhista.
7 Terá duas ombreiras, que se unam às suas duas pontas, para que seja unido.
8 E o cinto de obra esmerada do éfode, que estará sobre ele, formando com ele
uma só peça, será de obra semelhante de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho
fino torcido.
9 E tomarás duas pedras de berilo, e gravarás nelas os nomes dos filhos de
Israel.
10 Seis dos seus nomes numa pedra, e os seis nomes restantes na outra pedra,
segundo a ordem do seu nascimento.
11 Conforme a obra de lapidário, como a gravura de um selo, gravarás as duas
pedras, com os nomes dos filhos de Israel; guarnecidas de engastes de ouro as
farás.
12 E porás as duas pedras nas ombreiras do éfode, para servirem de pedras de
memorial para os filhos de Israel; assim sobre um e outro ombro levará Arão
diante do Senhor os seus nomes como memorial.
13 Farás também engastes de ouro,
14 e duas cadeiazinhas de ouro puro; como cordas as farás, de obra trançada; e
aos engastes fixarás as cadeiazinhas de obra trançada.
15 Farás também o peitoral do juízo, obra de artífice; conforme a obra do éfode
o farás; de ouro, de azul, de púrpura, de carmesim, e de linho fino torcido o
farás.
16 Quadrado e duplo, será de um palmo o seu comprimento, e de um palmo a sua
largura.
17 E o encherás de pedras de engaste, em quatro fileiras: a primeira será de
uma cornalina, um topázio e uma esmeralda;
18 a segunda fileira será de uma granada, uma safira e um ônix;
19 a terceira fileira será de um jacinto, uma ágata e uma ametista;
20 e a quarta fileira será de uma crisólita, um berilo e um jaspe; elas serão
guarnecidas de ouro nos seus engastes.
21 Serão, pois, as pedras segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo
os seus nomes; serão como a gravura de um selo, cada uma com o seu nome, para
as doze tribos.
22 Também farás sobre o peitoral cadeiazinhas como cordas, obra de trança, de
ouro puro.
23 Igualmente sobre o peitoral farás duas argolas de ouro, e porás as duas
argolas nas duas extremidades do peitoral.
24 Então meterás as duas cadeiazinhas de ouro, de obra trançada, nas duas
argolas nas extremidades do peitoral;
25 e as outras duas pontas das duas cadeiazinhas de obra trançada meterás nos
dois engastes, e as porás nas ombreiras do éfode, na parte dianteira dele.
26 Farás outras duas argolas de ouro, e as porás nas duas extremidades do
peitoral, na sua borda que estiver junto ao lado interior do éfode.
27 Farás mais duas argolas de ouro, e as porás nas duas ombreiras do éfode,
para baixo, na parte dianteira, junto à costura, e acima do cinto de obra
esmerada do éfode.
28 E ligarão o peitoral, pelas suas argolas, às argolas do éfode por meio de um
cordão azul, de modo que fique sobre o cinto de obra esmerada do éfode e não se
separe o peitoral do éfode.
29 Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o
seu coração, quando entrar no lugar santo, para memorial diante do Senhor
continuamente.
30 Também porás no peitoral do juízo o Urim e o Tumim, para que estejam sobre o
coração de Arão, quando entrar diante do Senhor; assim Arão levará o juízo dos
filhos de Israel sobre o seu coração diante do Senhor continuamente.
31 Também farás o manto do éfode todo de azul.
32 No meio dele haverá uma abertura para a cabeça; esta abertura terá um debrum
de obra tecida ao redor, como a abertura de cota de malha, para que não se
rompa.
33 E nas suas abas, em todo o seu redor, farás romãs de azul, púrpura e
carmesim, e campainhas de ouro, entremeadas com elas ao redor.
34 uma campainha de ouro, e uma romã, outra campainha de ouro, e outra romã,
haverá nas abas do manto ao redor.
35 E estará sobre Arão quando ministrar, para que se ouça o sonido ao entrar
ele no lugar santo diante do Senhor e ao sair, para que ele não morra.
33 Também farás uma lâmina de ouro puro, e nela gravarás como a gravura de um
selo: SANTO AO SENHOR.
37 Pô-la-ás em um cordão azul, de maneira que esteja na mitra; bem na frente da
mitra estará.
38 E estará sobre a testa de Arão, e Arão levará a iniqüidade das coisas
santas, que os filhos de Israel consagrarem em todas as suas santas ofertas; e
estará continuamente na sua testa, para que eles sejam aceitos diante do
Senhor.
39 Também tecerás a túnica enxadrezada de linho fino; bem como de linho fino
farás a mitra; e farás o cinto, obra de bordador.
40 Também para os filhos de Arão farás túnicas; e far-lhes-ás cintos; também
lhes farás tiaras, para glória e ornamento.
41 E vestirás com eles a Arão, teu irmão, e também a seus filhos, e os ungirás
e consagrarás, e os santificarás, para que me administrem o sacerdócio.
42 Faze-lhes também calções de linho, para cobrirem a carne nua; estender-se-ão
desde os lombos até as coxas.
43 E estarão sobre Arão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da
revelação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no lugar santo, para que
não levem iniqüidade e morram; isto será estatuto perpétuo para ele e para a
sua descendência depois dele.
ÊXODO
[29]
1 Isto é o que lhes farás
para os santificar, para que me administrem o sacerdócio: Toma um novilho e
dois carneiros sem defeito,
2 e pão ázimo, e bolos ázimos, amassados com azeite, e coscorões ázimos,
untados com azeite; de flor de farinha de trigo os farás;
3 e os porás num cesto, e os trarás no cesto, com o novilho e os dois
carneiros.
4 Então farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da revelação e os
lavarás, com água.
5 Depois tomarás as vestes, e vestirás a Arão da túnica e do manto do éfode, e
do éfode mesmo, e do peitoral, e lhe cingirás o éfode com o seu cinto de obra
esmerada;
6 e pôr-lhe-ás a mitra na cabeça; e sobre a mitra porás a coroa de santidade;
7 então tomarás o óleo da unção e, derramando-lho sobre a cabeça, o ungirás.
8 Depois farás chegar seus filhos, e lhes farás vestir túnicas,
9 e os cingirás com cintos, a Arão e a seus filhos, e lhes atarás as tiaras. Por
estatuto perpétuo eles terão o sacerdócio; consagrarás, pois, a Arão e a seus
filhos.
10 Farás chegar o novilho diante da tenda da revelação, e Arão e seus filhos
porão as mãos sobre a cabeça do novilho;
11 e imolarás o novilho perante o Senhor, à porta da tenda da revelação.
12 Depois tomarás do sangue do novilho, e com o dedo o porás sobre as pontas do
altar, e todo o sangue restante derramarás à base do altar.
13 Também tomarás toda a gordura que cobre as entranhas, o redenho do fígado,
os dois rins e a gordura que houver neles, e queimá-los-ás sobre o altar;
14 mas a carne do novilho, o seu couro e o seu excremento queimarás fora do
arraial; é sacrifício pelo pecado.
15 Depois tomarás um carneiro, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a
cabeça dele,
16 e imolarás o carneiro e, tomando o seu sangue, o espargirás sobre o altar ao
redor;
17 e partirás o carneiro em suas partes, e lavarás as suas entranhas e as suas
pernas, e as porás sobre as suas partes e sobre a sua cabeça.
18 Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um holocausto para o
Senhor; é cheiro suave, oferta queimada ao Senhor.
19 Depois tomarás o outro carneiro, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a
cabeça dele;
20 e imolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da
orelha direita de Arão e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos, como
também sobre o dedo polegar da sua mão direita e sobre o dedo polegar do seu pé
direito; e espargirás o sangue sobre o altar ao redor.
21 Então tomarás do sangue que estará sobre o altar, e do óleo da unção, e os
espargirás sobre Arão e sobre as suas vestes, e sobre seus filhos, e sobre as
vestes de seus filhos com ele; assim ele será santificado e as suas vestes,
também seus filhos e as vestes de seus filhos com ele.
22 Depois tomarás do carneiro a gordura e a cauda gorda, a gordura que cobre as
entranhas e o redenho do fígado, os dois rins com a gordura que houver neles e
a coxa direita (porque é carneiro de consagração),
23 e uma fogaça de pão, um bolo de pão azeitado e um coscorão do cesto dos pães
ázimos que estará diante do Senhor,
24 e tudo porás nas mãos de Arão, e nas mãos de seus filhos; e por oferta de
movimento o moverás perante o Senhor.
25 Depois o tomarás das suas mãos e o queimarás no altar sobre o holocausto,
por cheiro suave perante o Senhor; é oferta queimada ao Senhor.
26 Também tomarás o peito do carneiro de consagração, que é de Arão, e por
oferta de movimento o moverás perante o Senhor; e isto será a tua porção.
27 E santificarás o peito da oferta de movimento e a coxa da oferta alçada,
depois de movida e alçada, isto é, aquilo do carneiro de consagração que for de
Arão e de seus filhos;
28 e isto será para Arão e para seus fihos a porção de direito, para sempre, da
parte dos filhos de Israel, porque é oferta alçada; e oferta alçada será dos
filhos de Israel, dos sacrifícios das suas ofertas pacíficas, oferta alçada ao
Senhor.
29 As vestes sagradas de Arão ficarão para seus filhos depois dele, para nelas
serem ungidos e sagrados.
30 Sete dias os vestirá aquele que de seus filhos for sacerdote em seu lugar,
quando entrar na tenda da revelação para ministrar no lugar santo.
31 Também tomarás o carneiro de consagração e cozerás a sua carne em lugar
santo.
32 E Arão e seus filhos comerão a carne do carneiro, e o pão que está no cesto,
à porta da tenda da revelação;
33 e comerão as coisas com que for feita expiação, para consagrá-los, e para
santificá-los; mas delas o estranho nào comerá, porque são santas.
34 E se sobejar alguma coisa da carne da consagração, ou do pão, até pela
manhã, o que sobejar queimarás no fogo; não se comerá, porque é santo.
35 Assim, pois, farás a Arão e a seus filhos conforme tudo o que te hei
ordenado; por sete dias os sagrarás.
36 Também cada dia oferecerás para expiação o novilho de sacrifício pelo
pecado; e purificarás o altar, fazendo expiação por ele; e o ungirás para
santificá-lo.
37 Sete dias farás expiação pelo altar, e o santificarás; e o altar será
santíssimo; tudo o que tocar o altar será santo.
38 Isto, pois, é o que oferecerás sobre o altar: dois cordeiros de um ano cada
dia continuamente.
39 Um cordeiro oferecerás pela manhã, e o outro cordeiro oferecerás à tardinha;
40 com um cordeiro a décima parte de uma efa de flor de farinha, misturada com
a quarta parte de um him de azeite batido, e para libação a quarta parte de um
him de vinho.
41 E o outro cordeiro oferecerás à tardinha, e com ele farás oferta de cereais
como com a oferta da manhã, e conforme a sua oferta de libação, por cheiro
suave; oferta queimada é ao Senhor.
42 Este será o holocausto contínuo por vossas gerações, à porta da tenda da
revelação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar contigo ali.
43 E ali virei aos filhos de Israel; e a tenda será santificada pela minha
glória;
44 santificarei a tenda da revelação e o altar; também santificarei a Arão e
seus filhos, para que me administrem o sacerdócio.
45 Habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei o seu Deus;
46 e eles saberão que eu sou o Senhor seu Deus, que os tirei da terra do Egito,
para habitar no meio deles; eu sou o Senhor seu Deus.
ÊXODO
[30]
1 Farás um altar para queimar
o incenso; de madeira de acácia o farás.
2 O seu comprimento será de um côvado, e a sua largura de um côvado; será
quadrado; e de dois côvados será a sua altura; as suas pontas formarão uma só
peça com ele.
3 De ouro puro o cobrirás, tanto a face superior como as suas paredes ao redor,
e as suas pontas; e lhe farás uma moldura de ouro ao redor.
4 Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo da sua moldura; nos dois cantos
de ambos os lados as farás; e elas servirão de lugares para os varais com que o
altar será levado.
5 Farás também os varais de madeira de acácia e os cobrirás de ouro.
6 E porás o altar diante do véu que está junto à arca do testemunho, diante do
propiciatório, que se acha sobre o testemunho, onde eu virei a ti.
7 E Arão queimará sobre ele o incenso das especiarias; cada manhã, quando puser
em ordem as lâmpadas, o queimará.
8 Também quando acender as lâmpadas à tardinha, o queimará; este será incenso perpétuo
perante o Senhor pelas vossas gerações.
9 Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem oferta de
cereais; nem tampouco derramareis sobre ele ofertas de libação.
10 E uma vez no ano Arão fará expiação sobre as pontas do altar; com o sangue
do sacrifício de expiação de pecado, fará expiação sobre ele uma vez no ano
pelas vossas gerações; santíssimo é ao Senhor.
11 Disse mais o Senhor a Moisés:
12 Quando fizeres o alistamento dos filhos de Israel para sua enumeração, cada
um deles dará ao Senhor o resgate da sua alma, quando os alistares; para que
não haja entre eles praga alguma por ocasião do alistamento.
13 Dará cada um, ao ser alistado, meio siclo, segundo o siclo do santuário
(este siclo é de vinte jeiras); meio siclo é a oferta ao Senhor.
14 Todo aquele que for alistado, de vinte anos para cima, dará a oferta do
Senhor.
15 O rico não dará mais, nem o pobre dará menos do que o meio siclo, quando
derem a oferta do Senhor, para fazerdes expiação por vossas almas.
16 E tomarás o dinheiro da expiação dos filhos de Israel, e o designarás para o
serviço da tenda da revelação, para que sirva de memorial a favor dos filhos de
Israel diante do Senhor, para fazerdes expiação por vossas almas.
17 Disse mais o Senhor a Moisés:
18 Farás também uma pia de bronze com a sua base de bronze, para lavatório; e a
porás entre a tenda da revelação e o altar, e nela deitarás água,
19 com a qual Arão e seus filhos lavarão as mãos e os pés;
20 quando entrarem na tenda da revelação lavar-se-ão com água, para que não
morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para fazer oferta
queimada ao Senhor.
21 Lavarão, pois, as mãos e os pés, para que não morram; e isto lhes será por
estatuto perpétuo a ele e à sua descendência pelas suas gerações.
22 Disse mais o Senhor a Moisés:
23 Também toma das principais especiarias, da mais pura mirra quinhentos
siclos, de canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinqüenta siclos, de
cálamo aromático duzentos e cinqüenta siclos,
24 de cássia quinhentos siclos, segundo o siclo do santuário, e de azeite de
oliveiras um him.
25 Disto farás um óleo sagrado para as unções, um perfume composto segundo a
arte do perfumista; este será o óleo sagrado para as unções.
26 Com ele ungirás a tenda da revelação, a arca do testemunho,
27 a mesa com todos os seus utensílios, o candelabro com os seus utensílios, o
altar de incenso,
28 a altar do holocausto com todos os seus utensílios, o altar de incenso,
29 Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que as tocar
será santo.
30 Também ungirás a Arão e seus filhos, e os santificarás para me administrarem
o sacerdócio.
31 E falarás aos filhos de Israel, dizendo: Este me será o óleo sagrado para as
unções por todas as vossas gerações.
32 Não se ungirá com ele carne de homem; nem fareis outro de semelhante
composição; sagrado é, e para vós será sagrado.
33 O homem que compuser um perfume como este, ou que com ele ungir a um
estranho, será extirpado do seu povo.
34 Disse mais o Senhor a Moisés: Toma especiarias aromáticas: estoraque, e
ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas
tomarás peso igual;
35 e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado
com sal, puro e santo;
36 e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da
revelação onde eu virei a ti; coisa santíssimá vos será.
37 Ora, o incenso que fareis conforme essa composição, não o fareis para vós
mesmos; santo vos será para o Senhor.
38 O homem que fizer tal como este para o cheirar, será extirpado do seu povo.
ÊXODO
[31]
1 Depois disse o Senhor a
Moisés:
2 Eis que eu tenho chamado por nome a Bezaleel, filho de îri, filho de Hur, da
tribo de Judá,
3 e o enchi do espírito de Deus, no tocante à sabedoria, ao entendimento, à
ciência e a todo ofício,
4 para inventar obras artísticas, e trabalhar em ouro, em prata e em bronze,
5 e em lavramento de pedras para engastar, e em entalhadura de madeira, enfim
para trabalhar em todo ofício.
6 E eis que eu tenho designado com ele a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo
de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todos os homens hábeis, para
fazerem tudo o que te hei ordenado,
7 a saber: a tenda da revelação, a arca do testemunho, o propiciatório que
estará sobre ela, e todos os móveis da tenda;
8 a mesa com os seus utensílios, o candelabro de ouro puro com todos os seus
utensílios, o altar do incenso,
9 o altar do holocausto com todos os seus utensílios, e a pia com a sua base;
10 as vestes finamente tecidas, as vestes sagradas de Arão, o sacerdote, e as
de seus filhos, para administrarem o sacerdócio;
11 o óleo da unção, e o incenso aromático para o lugar santo; eles farão
conforme tudo o que te hei mandado.
12 Disse mais o Senhor a Moisés:
13 Falarás também aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis os meus
sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós pelas vossas gerações; para
que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica.
14 Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar
certamente será morto; porque qualquer que nele fizer algum trabalho, aquela
alma será exterminada do meio do seu povo.
15 Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia será o sábado de descanso solene,
santo ao Senhor; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente
será morto.
16 Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas
gerações como pacto perpétuo. ,
17 Entre mim e os filhos de Israel será ele um sinal para sempre; porque em
seis dias fez o Senhor o céu e a terra, e ao sétimo dia descansou, e achou
refrigério.
18 E deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas
tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.
ÊXODO
[32]
1 Mas o povo, vendo que
Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e lhe disse: Levanta-te,
faze-nos um deus que vá adiante de nós; porque, quanto a esse Moisés, o homem
que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu.
2 E Arão lhes disse: Tirai os pendentes de ouro que estão nas orelhas de vossas
mulheres, de vossos filhos e de vossas filhas, e trazei-mos.
3 Então todo o povo, tirando os pendentes de ouro que estavam nas suas orelhas,
os trouxe a Arão;
4 ele os recebeu de suas mãos, e com um buril deu forma ao ouro, e dele fez um
bezerro de fundição. Então eles exclamaram: Eis aqui, ó Israel, o teu deus, que
te tirou da terra do Egito.
5 E Arão, vendo isto, edificou um altar diante do bezerro e, fazendo uma
proclamação, disse: Amanhã haverá festa ao Senhor.
6 No dia seguinte levantaram-se cedo, ofereceram holocaustos, e trouxeram
ofertas pacíficas; e o povo sentou-se a comer e a beber; depois levantou-se
para folgar.
7 Então disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste
subir da terra do Egito, se corrompeu;
8 depressa se desviou do caminho que eu lhe ordenei; eles fizeram para si um
bezerro de fundição, e adoraram-no, e lhe ofereceram sacrifícios, e disseram:
Eis aqui, ó Israel, o teu deus, que te tirou da terra do Egito.
9 Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho observado este povo, e eis que é povo de
dura cerviz.
10 Agora, pois, deixa-me, para que a minha ira se acenda contra eles, e eu os
consuma; e eu farei de ti uma grande nação.
11 Moisés, porém, suplicou ao Senhor seu Deus, e disse: ç Senhor, por que se
acende a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande
força e com forte mão?
12 Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los
nos montes, e para destruí-los da face da terra?. Torna-te da tua ardente ira,
e arrepende-te deste mal contra o teu povo.
13 Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, teus servos, aos quais por ti
mesmo juraste, e lhes disseste: Multiplicarei os vossos descendentes como as
estrelas do céu, e lhes darei toda esta terra de que tenho falado, e eles a
possuirão por herança para sempre.
14 Então o Senhor se arrependeu do mal que dissera que havia de fazer ao seu
povo.
15 E virou-se Moisés, e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na
mão, tábuas escritas de ambos os lados; de um e de outro lado estavam escritas.
16 E aquelas tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura
de Deus, esculpida nas tábuas.
17 Ora, ouvindo Josué a voz do povo que jubilava, disse a Moisés: Alarido de
guerra há no arraial.
18 Respondeu-lhe Moisés: Não é alarido dos vitoriosos, nem alarido dos
vencidos, mas é a voz dos que cantam que eu ouço.
19 Chegando ele ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe a ira,
e ele arremessou das mãos as tábuas, e as despedaçou ao pé do monte.
20 Então tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo; e, moendo-o até
que se tornou em pó, o espargiu sobre a água, e deu-o a beber aos filhos de
Israel.
21 E perguntou Moisés a Arão: Que te fez este povo, que sobre ele trouxeste
tamanho pecado?.
22 Ao que respondeu Arão: Não se acenda a ira do meu senhor; tu conheces o
povo, como ele é inclinado ao mal.
23 Pois eles me disseram: Faze-nos um deus que vá adiante de nós; porque,
quanto a esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o
que lhe aconteceu.
24 Então eu lhes disse: Quem tem ouro, arranque-o. Assim mo deram; e eu o
lancei no fogo, e saiu este bezerro.
25 Quando, pois, Moisés viu que o povo estava desenfreado (porque Arão o havia
desenfreado, para escárnio entre os seus inimigos),
26 pôs-se em pé à entrada do arraial, e disse: Quem está ao lado do Senhor,
venha a mim. Ao que se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi.
27 Então ele lhes disse: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um ponha a
sua espada sobre a coxa; e passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e
mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho.
28 E os filhos de Levi fizeram conforme a palavra de Moisés; e caíram do povo
naquele dia cerca de três mil homens.
29 Porquanto Moisés tinha dito: Consagrai-vos hoje ao Senhor; porque cada um
será contra o seu filho, e contra o seu irmão; para que o Senhor vos conceda
hoje uma bênção.
30 No dia seguinte disse Moisés ao povo Vós tendes cometido grande pecado;
agora porém subirei ao Senhor; porventura farei expiação por vosso pecado.
31 Assim tornou Moisés ao Senhor, e disse: Oh! este povo cometeu um grande
pecado, fazendo para si um deus de ouro.
32 Agora, pois, perdoa o seu pecado; ou se não, risca-me do teu livro, que tens
escrito.
33 Então disse o Senhor a Moisés: Aquele que tiver pecado contra mim, a este
riscarei do meu livro.
34 Vai pois agora, conduze este povo para o lugar de que te hei dito; eis que o
meu anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação, sobre eles
visitarei o seu pecado.
35 Feriu, pois, o Senhor ao povo, por ter feito o bezerro que Arão formara.
ÊXODO
[33]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés: Vai, sobe daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito, para
a terra a respeito da qual jurei a Abraão, a Isaque, e a Jacó, dizendo: ë tua
descendência a darei.
2 E enviarei um anjo adiante de ti (e lançarei fora os cananeus, e os amorreus,
e os heteus, e os perizeus, e os heveus, e os jebuseus),
3 para uma terra que mana leite e mel; porque eu não subirei no meio de ti,
porquanto és povo de cerviz dura; para que não te consuma eu no caminho.
4 E quando o povo ouviu esta má notícia, pôs-se a prantear, e nenhum deles
vestiu os seus atavios.
5 Pois o Senhor tinha dito a Moisés: Dize aos filhos de Israel: És um povo de
dura cerviz; se por um só momento eu subir no meio de ti, te consumirei;
portanto agora despe os teus atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer.
6 Então os filhos de Israel se despojaram dos seus atavios, desde o monte
Horebe em diante.
7 Ora, Moisés costumava tomar a tenda e armá-la fora do arraial, bem longe do
arraial; e chamou-lhe a tenda da revelação. E todo aquele que buscava ao Senhor
saía à tenda da revelação, que estava fora do arraial.
8 Quando Moisés saía à tenda, levantava-se todo o povo e ficava em pé cada um à
porta da sua tenda, e olhava a Moisés pelas costas, até entrar ele na tenda.
9 E quando Moisés entrava na tenda, a coluna de nuvem descia e ficava à porta
da tenda; e o Senhor falava com Moisés.
10 Assim via todo o povo a coluna de nuvem que estava à porta da tenda, e todo
o povo, levantando-se, adorava, cada um à porta da sua tenda.
11 E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo.
Depois tornava Moisés ao arraial; mas o seu servidor, o mancebo Josué, filho de
Num, não se apartava da tenda.
12 E Moisés disse ao Senhor: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo; porém
não me fazes saber a quem hás de enviar comigo. Disseste também: Conheço-te por
teu nome, e achaste graça aos meus olhos.
13 Se eu, pois, tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me mostres
os teus caminhos, para que eu te conheça, a fim de que ache graça aos teus
olhos; e considera que esta nação é teu povo.
14 Respondeu-lhe o Senhor: Eu mesmo irei contigo, e eu te darei descanso.
15 Então Moisés lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir
daqui.
16 Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o
teu povo? acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e
o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra;
17 Ao que disse o Senhor a Moisés: Farei também isto que tens dito; porquanto
achaste graça aos meus olhos, e te conheço pelo teu nome.
18 Moisés disse ainda: Rogo-te que me mostres a tua glória.
19 Respondeu-lhe o Senhor: Eu farei passar toda a minha bondade diante de ti, e
te proclamarei o meu nome Jeová; e terei misericórdia de quem eu tiver
misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer.
20 E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum pode ver
a minha face e viver.
21 Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; aqui, sobre a penha, te
poras.
22 E quando a minha glória passar, eu te porei numa fenda da penha, e te
cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado.
23 Depois, quando eu tirar a mão, me verás pelas costas; porém a minha face não
se verá.
ÊXODO
[34]
1 Então disse o Senhor a
Moisés: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nelas as
palavras que estavam nas primeiras tábuas, que tu quebraste.
2 Prepara-te para amanhã, e pela manhã sobe ao monte Sinai, e apresenta-te a
mim ali no cume do monte.
3 Mas ninguém suba contigo, nem apareça homem algum em todo o monte; nem mesmo
se apascentem defronte dele ovelhas ou bois.
4 Então Moisés lavrou duas tábuas de pedra, como as primeiras; e, levantando-se
de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, levando
na mão as duas tábuas de pedra.
5 O Senhor desceu numa nuvem e, pondo-se ali junto a ele, proclamou o nome
Jeová.
6 Tendo o Senhor passado perante Moisés, proclamou: Jeovã, Jeová, Deus
misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e
verdade;
7 que usa de beneficência com milhares; que perdoa a iniqüidade, a transgressão
e o pecado; que de maneira alguma terá por inocente o culpado; que visita a
iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira
e quarta geração.
8 Então Moisés se apressou a inclinar-se à terra, e adorou,
9 dizendo: Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, vá o Senhor no
meio de nós; porque este é povo de dura cerviz:; e perdoa a nossa iniqüidade e
o nosso pecado, e toma-nos por tua herança.
10 Então disse o Senhor: Eis que eu faço um pacto; farei diante de todo o teu
povo maravilhas quais nunca foram feitas em toda a terra, nem dentro de nação
alguma; e todo este povo, no meio do qual estás, verá a obra do Senhor; porque
coisa terrível é o que faço contigo.
11 Guarda o que eu te ordeno hoje: eis que eu lançarei fora de diante de ti os
amorreus, os cananeus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus.
12 Guarda-te de fazeres pacto com os habitantes da terra em que hás de entrar,
para que isso não seja por laço no meio de ti.
13 Mas os seus altares derrubareis, e as suas colunas quebrareis, e os seus
aserins cortareis
14 (porque não adorarãs a nenhum outro deus; pois o Senhor, cujo nome é Zeloso,
é Deus zeloso),
15 para que não faças pacto com os habitantes da terra, a fim de que quando se
prostituirem após os seus deuses, e sacrificarem aos seus deuses, tu não sejas
convidado por eles, e não comas do seu sacrifício;
16 e não tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, para que quando
suas filhas se prostituírem após os seus deuses, não façam que também teus
filhos se prostituam após os seus deuses.
17 Não farás para ti deuses de fundição.
18 A festa dos pães ázimos guardarás; sete dias comerás pães ázimos, como te
ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe; porque foi no mês de abibe que
saíste do Egito.
19 Tudo o que abre a madre é meu; até todo o teu gado, que seja macho, que abre
a madre de vacas ou de ovelhas;
20 o jumento, porém, que abrir a madre, resgatarás com um cordeiro; mas se não
quiseres resgatá-lo, quebrar-lhe-ás a cerviz. Resgatarás todos os primogênitos
de teus filhos. E ninguém aparecerá diante de mim com as mãos vazias.
21 Seis dias trabalharás, mas ao sétimo dia descansarás; na aradura e na sega
descansarás.
22 Também guardarás a festa das semanas, que é a festa das primícias da ceifa
do trigo, e a festa da colheita no fim do ano.
23 Três vezes no ano todos os teus varões aparecerão perante o Senhor Jeová,
Deus do Israel;
24 porque eu lançarei fora as nações de diante de ti, e alargarei as tuas
fronteiras; ninguém cobiçará a tua terra, quando subires para aparecer três
vezes no ano diante do Senhor teu Deus.
25 Não sacrificarás o sangue do meu sacrifício com pão levedado, nem o
sacrifício da festa da páscoa ficará da noite para a manhã.
26 As primeiras das primícias da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus.
Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.
27 Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras; porque conforme o teor
destas palavras tenho feito pacto contigo e com Israel.
28 E Moisés esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu
pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras do pacto, os dez
mandamentos.
29 Quando Moisés desceu do monte Sinai, trazendo nas mãos as duas tsbuas do
testemunho, sim, quando desceu do monte, Moisés não sabia que a pele do seu
rosto resplandecia, por haver Deus falado com ele.
30 Quando, pois, Arão e todos os filhos de Israel olharam para Moisés, eis que
a pele do seu rosto resplandecia, pelo que tiveram medo de aproximar-se dele.
31 Então Moisés os chamou, e Arão e todos os príncipes da congregação tornaram
a ele; e Moisés lhes falou.
32 Depois chegaram também todos os filhos de Israel, e ele lhes ordenou tudo o
que o Senhor lhe falara no monte Sinai.
33 Assim que Moisés acabou de falar com eles, pôs um véu sobre o rosto.
34 Mas, entrando Moisés perante o Senhor, para falar com ele, tirava o véu até
sair; e saindo, dizia aos filhos de Israel o que lhe era ordenado.
35 Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, e que a pele do seu
rosto resplandecia; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu rosto, até entrar
para falar com Deus.
ÊXODO
[35]
1 Então Moisés convocou toda
a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o
Senhor ordenou que cumprísseis.
2 Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, sábado de descanso
solene ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho será morto.
3 Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado.
4 Disse mais Moisés a toda a congregação dos filhos de Israel: Esta é a palavra
que o Senhor ordenou dizendo:
5 Tomai de entre vós uma oferta para o Senhor; cada um cujo coração é
voluntariamente disposto a trará por oferta alçada ao Senhor: ouro, prata e
bronze,
6 como também azul, púrpura, carmesim, linho fino, pelos de cabras,
7 peles de carneiros tintas de vermelho, peles de golfinhos, madeira de acácia,
8 azeite para a luz, especiarias para o óleo da unção e para o incenso
aromático,
9 pedras de berilo e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral.
10 E venham todos os homens hábeis entre vós, e façam tudo o que o Senhor tem
ordenado:
11 o tabernáculo, a sua tenda e a sua coberta, os seus colchetes e as suas
tábuas, os seus travessões, as suas colunas e as suas bases;
12 a arca e os seus varais, o propiciatório, e o véu e reposteiro;
13 a mesa e os seus varais, todos os seus utensílios, e os pães da proposição;
14 o candelabro para a luz, os seus utensílios, as suas lâmpadas, e o azeite
para a luz;
15 o altar do incenso e os seus varais, o óleo da unção e o incenso aromático,
e o reposteiro da porta para a entrada do tabernáculo;
16 o altar do holocausto com o seu crivo de bronze, os seus varais, e todos os
seus utensílios; a pia e a sua base;
17 as cortinas do átrio, as suas colunas e as suas bases, o reposteiro para a
porta do átrio;
18 as estacas do tabernáculo, as estacas do atrio, e as suas cordas;
19 as vestes finamente tecidas, para o uso no ministério no lugar santo, as
vestes sagradas de Arão, o sacerdote, e as vestes de seus filhos, para
administrarem o sacerdócio.
20 Então toda a congregação dos filhos de Israel saiu da presença de Moisés.
21 E veio todo homem cujo coração o moveu, e todo aquele cujo espírito o
estimulava, e trouxeram a oferta alçada do Senhor para a obra da tenda da
revelação, e para todo o serviço dela, e para as vestes sagradas.
22 Vieram, tanto homens como mulheres, todos quantos eram bem dispostos de
coração, trazendo broches, pendentes, anéis e braceletes, sendo todos estes
jóias de ouro; assim veio todo aquele que queria fazer oferta de ouro ao
Senhor.
23 E todo homem que possuía azul, púrpura, carmesim, linho fino, pelos de
cabras, peles de carneiros tintas de vermelho, ou peles de golfinhos, os
trazia.
24 Todo aquele que tinha prata ou metal para oferecer, o trazia por oferta
alçada ao Senhor; e todo aquele que possuía madeira de acácia, a trazia para
qualquer obra do serviço.
25 E todas as mulheres hábeis fiavam com as mãos, e traziam o que tinham fiado,
o azul e a púrpura, o carmesim e o linho fino.
26 E todas as mulheres hàbeis que quisessem fiavam os pelos das cabras.
27 Os príncipes traziam pedras de berilo e pedras de engaste para o éfode e
para o peitoral,
28 e as especiarias e o azeite para a luz, para o óleo da unção e para o
incenso aromático.
29 Trouxe uma oferta todo homem e mulher cujo coração voluntariamente se moveu
a trazer alguma coisa para toda a obra que o senhor ordenara se fizesse por
intermédio de Moisés; assim trouxeram os filhos de Israel uma oferta voluntária
ao Senhor.
30 Depois disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor chamou por nome a
Bezaleel, filho de îri, filho de Hur, da tribo de Judá,
31 e o encheu do espírito de Deus, no tocante à sabedoria, ao entendimento, à
ciência e a todo ofício,
32 para inventar obras artísticas, para trabalhar em ouro, em prata e em
bronze,
33 em lavramento de pedras para engastar, em entalhadura de madeira, enfim,
para trabalhar em toda obra fina.
34 Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, filho
de Aisamaque, da tribo de Dã,
35 a estes encheu de sabedoria do coração para exercerem todo ofício, seja de
gravador, de desenhista, de bordador em azul, púrpura, carmesim e linho fino,
de tecelão, enfim, dos que exercem qualquer ofício e dos que inventam obras
artísticas.
ÊXODO
[36]
1 Assim trabalharão Bezaleel
e Aoliabe, e todo homem hábil, a quem o Senhor deu sabedoria e entendimento,
para saberem exercer todo ofício para o serviço do santuário, conforme tudo o
que o Senhor tem ordenado.
2 Então Moisés chamou a Bezaleel e a Aoliabe, e a todo homem hábil, em cujo
coração Deus tinha posto sabedoria, isto é, a todo aquele cujo coração o moveu
a se chegar à obra para fazê-la;
3 e receberam de Moisés toda a oferta alçada, que os filhos de Israel tinham do
para a obra do serviço do santuário, para fazê-la; e ainda eles lhe traziam
cada manhã ofertas voluntárias.
4 Então todos os sábios que faziam toda a obra do santuário vieram, cada um da
obra que fazia,
5 e disseram a Moisés: O povo traz muito mais do que é necessário para o
serviço da obra que o Senhor ordenou se fizesse.
6 Pelo que Moisés deu ordem, a qual fizeram proclamar por todo o arraial,
dizendo: Nenhum homem, nem mulher, faça mais obra alguma para a oferta alçada
do santuário. Assim o povo foi proibido de trazer mais.
7 Porque o material que tinham era bastante para toda a obra, e ainda sobejava.
8 Assim todos os homens hábeis, dentre os que trabalhavam na obra, fizeram o
tabernáculo de dez cortinas de linho fino torcido, de azul, de púrpura e de
carmesim, com querubins, obra de artífice.
9 O comprimento de cada cortina era de vinte e oito côvados, e a largura de
quatro côvados; todas as cortinas eram da mesma medida.
10 Ligaram cinco cortinas uma com outra; e as outras cinco da mesma maneira.
11 Fizeram laçadas de azul na orla da última cortina do primeiro grupo; assim,
também fizeram na orla da primeira cortina do segundo grupo.
12 Cinqüenta laçadas fizeram na orla de uma cortina, e cinquenta laçadas na
orla da outra, do segundo grupo; as laçadas eram contrapostas uma à outra.
13 Também fizeram cinqüenta colchetes de ouro, e com estes colchetes uniram as
cortinas, uma com outra; e o tabernáculo veio a ser um todo.
14 Fizeram também cortinas de pelos de cabras para servirem de tenda sobre o
tabernáculo; onze cortinas fizeram.
15 O comprimento de cada cortina era de trinta côvados, e a largura de quatro
côvados; as onze cortinas eram da mesma medida.
16 uniram cinco destas cortinas à parte, e as outras seis à parte.
17 Fizeram cinqüenta laçadas na orla da última cortina do primeiro grupo, e
cinqüenta laçadas na orla da primeira cortina do segundo grupo.
18 Fizeram também cinqüenta colchetes de bronze, para ajuntar a tenda, para que
viesse a ser um todo.
19 Fizeram para a tenda uma cobertura de peles de carneiros tintas de vermelho,
e por cima desta uma cobertura de peles de golfinhos.
20 Também fizeram, de madeira de acácia, as tábuas para o tabernáculo, as quais
foram colocadas verticalmente.
21 O comprimento de cada tábua era de dez côvados, e a largura de um côvado e
meio.
22 Cada tábua tinha duas couceiras, unidas uma à outra; assim fizeram com todas
as tábuas do tabernáculo.
23 Assim, pois, fizeram as tábuas para o tabernáculo; vinte tábuas para o lado
que dá para o sul;
24 e fizeram quarenta bases de prata para se pôr debaixo das vinte tábuas: duas
bases debaixo de uma tábua para as suas duas couceiras, e duas debaixo de
outra, para as duas couceiras dela.
25 Também para o segundo lado do tabernáculo, o que dá para o norte, fizeram
vinte tábuas,
26 com as suas quarenta bases de prata, duas bases debaixo de uma tábua, e duas
bases debaixo de outra.
27 Para o lado posterior do tabernáculo, o que dá para o ocidente, fizeram seis
tábuas.
28 E para os dois cantos do tabernáculo no lado posterior, fizeram mais duas
tábuas.
29 Por baixo eram duplas, do mesmo modo se estendendo até a primeira argola, em
cima; assim fizeram com as duas tábuas nos dois cantos.
30 Assim havia oito tábuas com as suas bases de prata, a saber, dezesseis
bases, duas debaixo de cada tábua.
31 Fizeram também travessões de madeira de acácia: cinco travessões para as
tábuas de um lado do tabernáculo,
32 e cinco para as tábuas do outro lado do tabernáculo, e outros cinco para as
tábuas do tabernáculo no lado posterior, o que dá para o ocidente.
33 Fizeram que o travessão do meio passasse ao meio das tábuas duma extremidade
até a outra.
34 E cobriram as tábuas de ouro, e de ouro fizeram as suas argolas como lugares
para os travessoes; também os travessões cobriu de ouro.
35 Fizeram então o véu de azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido; com
querubins, obra de artífice, o fizeram.
36 E fizeram-lhe quatro colunas de madeira de acácia e as cobriram de ouro; e
seus colchetes fizeram de ouro; e fundiram-lhes quatro bases de prata.
37 Fizeram também para a porta da tenda um reposteiro de azul, púrpura,
carmesim e linho fino torcido, obra de bordador,
38 com as suas cinco colunas e os seus colchetes; e de ouro cobriu os seus
capitéis e as suas faixas; e as suas cinco bases eram de bronze.
ÊXODO
[37]
1 Fez também Bezaleel a arca
de madeira de acácia; o seu comprimento era de dois côvados e meio, a sua
largura de um côvado e meio, e a sua altura de um côvado e meio.
2 Cobriu-a de ouro puro por dentro e por fora, fez-lhe uma moldura de ouro ao
redor,
3 e fundiu-lhe quatro argolas de ouro nos seus quatro cantos, duas argolas num
lado e duas no outro.
4 Também fez varais de madeira de acácia, e os cobriu de ouro;
5 e meteu os varais pelas argolas aos lados da arca, para se levar a arca.
6 Fez também um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento era de dois
côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio.
7 Fez também dois querubins de ouro; de ouro batido os fez nas duas
extremidades do propiciatório,
8 um querubim numa extremidade, e o outro querubim na outra; de uma só peça com
o propiciatório fez os querubins nas duas extremidades dele.
9 E os querubins estendiam as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o
com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro; para o propiciatório
estavam voltadas as faces dos querubins.
10 Fez também a mesa de madeira de acácia; o seu comprimento era de dois
côvados, a sua largura de um côvado, e a sua altura de um côvado e meio.
11 cobriu-a de ouro puro, e fez-lhe uma moldura de ouro ao redor.
12 Fez-lhe também ao redor uma guarnição de quatro dedos de largura, e ao redor
na guarnição fez uma moldura de ouro.
13 Fundiu-lhe também nos quatro cantos que estavam sobre os seus quatro pés.
14 Junto da guarnição estavam as argolas para os lugares dos varais, para se
levar a mesa.
15 Fez também estes varais de madeira de acácia, e os cobriu de ouro, para se
levar a mesa.
16 E de ouro puro fez os utensílios que haviam de estar sobre a mesa, os seus
pratos e as suas colheres, as suas tigelas e os seus cântaros, com que se
haviam de oferecer as libações.
17 Fez também o candelabro de ouro puro; de ouro batido fez o candelabro, tanto
o seu pedestal como a sua haste; os seus copos, os seus cálices e as suas
corolas formavam com ele uma só peça.
18 Dos seus lados saíam seis braços: três de um lado do candelabro e três do
outro lado.
19 Em um braço havia três copos a modo de flores de amêndoa, com cálice e
corola; igualmente no outro braço três copos a modo de flores de amêndoa, com
cálice e corola; assim se fez com os seis braços que saíam do candelabro.
20 Mas na haste central havia quatro copos a modo de flores de amêndoa, com os
seus cálices e as suas corolas;
21 também havia um cálice debaixo de dois braços, formando com a haste uma só
peça, e outro cálice debaixo de dois outros braços, de uma só peça com a haste,
e ainda outro cálice debaixo de dois outros braços, de uma só peça com a haste;
e assim se fez para os seis braços que saíam da haste.
22 Os seus cálices e os seus braços formavam uma só peça com a haste; o todo
era uma obra batida de ouro puro.
23 Também de ouro puro lhe fez as lâmpadas, em número de sete, com os seus
espevitadores e os seus cinzeiros.
24 De um talento de ouro puro fez o candelabro e todos os seus utensilios.
25 De madeira de acácia fez o altar do incenso; de um côvado era o seu
comprimento, e de um côvado a sua largura, quadrado, e de dois côvados a sua
altura; as suas pontas formavam uma só peça com ele.
26 Cobriu-o de ouro puro, tanto a face superior como as suas paredes ao redor,
e as suas pontas, e fez-lhe uma moldura de ouro ao redor.
27 Fez-lhe também duas argolas de ouro debaixo da sua moldura, nos dois cantos
de ambos os lados, como lugares dos varais, para com eles se levar o altar.
28 E os varais fez de madeira de acácia, e os cobriu de ouro.
29 Também fez o óleo sagrado da unção, e o incenso aromático, puro, qual obra
do perfumista.
ÊXODO
[38]
1 Fez também o altar do
holocausto de madeira de acácia; de cinco côvados era o seu comprimento e de
cinco côvados a sua largura, quadrado, e de três côvados a sua altura.
2 E fez-lhe pontas nos seus quatro cantos; as suas pontas formavam uma só peça
com ele; e cobriu-o de bronze.
3 Fez também todos os utensílios do altar: os cinzeiros, as pás, as bacias, os
garfos e os braseiros; todos os seus utensílios fez de bronze.
4 Fez também para o altar um crivo de bronze em forma de rede, em baixo da
borda ao redor, chegando ele até o meio do altar.
5 E fundiu quatro argolas para as quatro extremidades do crivo de bronze, como
lugares dos varais.
6 E fez os varais de madeira de acácia, e os cobriu de bronze.
7 E meteu os varais pelas argolas aos lados do altar, para com eles se levar o
altar; fê-lo oco, de tábuas.
8 Fez também a pia de bronze com a sua base de bronze, dos espelhos das
mulheres que se reuniam e ministravam à porta da tenda da revelação.
9 Fez também o átrio. Para o lado meridional as cortinas eram de linho fino
torcido, de cem côvados de comprimento.
10 As suas colunas eram vinte, e vinte as suas bases, todas de bronze; os
colchetes das colunas e as suas faixas eram de prata.
11 Para o lado setentrional as cortinas eram de cem côvados; as suas colunas
eram vinte, e vinte as suas bases, todas de bronze; os colchetes das colunas e
as suas faixas eram de prata.
12 Para o lado ocidental as cortinas eram de cinquenta covados; as suas colunas
eram dez, e as suas bases dez; os colchetes das colunas e as suas faixas eram
de prata.
13 E para o lado oriental eram as cortinas de cinqüenta côvados.
14 As cortinas para um lado da porta eram de quinze côvados; as suas colunas
eram três e as suas bases três.
15 Do mesmo modo para o outro lado; de um e de outro lado da porta do átrio
havia cortinas de quinze côvados; as suas colunas eram três e as suas bases
três.
16 Todas as cortinas do átrio ao redor eram de linho fino torcido.
17 As bases das colunas eram de bronze; os colchetes das colunas e as suas
faixas eram de prata; o revestimento dos seus capitéis era de prata; e todas as
colunas do átrio eram cingidas de faixas de prata.
18 O reposteiro da porta do átrio era de azul, púrpura, carmesim e linho fino
torcido, obra de bordador; o comprimento era de vinte côvados, e a altura, na
largura, de cinco côvados, conforme a altura das cortinas do átrio.
19 As suas colunas eram quatro, e quatro as suas bases, todas de bronze; os
seus colchetes eram de prata, como também o revestimento dos capitéis, e as
suas faixas.
20 E todas as estacas do tabernáculo e do átrio ao redor eram de bronze.
21 Esta é a enumeração das coisas para o tabernáculo, a saber, o tabernáculo do
testemunho, que por ordem de Moisés foram contadas para o ministério dos
levitas, por intermédio de Itamar, filho de Arão, o sacerdote.
22 Fez, pois, Bezaleel, filho de îri, filho de Hur, da tribo de Judá, tudo
quanto o Senhor tinha ordenado a Moisés;
23 e com ele Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, gravador, desenhista,
e bordador em azul, púrpura, carmesim e linho fino.
24 Todo o ouro gasto na obra, em toda a obra do santuário, a saber, o ouro da
oferta, foi vinte e nove talentos e setecentos e trinta siclos, conforme o
siclo do santuário.
25 A prata dos arrolados da congregação montou em cem talentos e mil setecentos
setenta e cinco siclos, conforme o siclo do santuário;
26 um beca para cada cabeça, isto é, meio siclo, conforme o siclo do santuário,
de todo aquele que passava para os arrolados, da idade de vinte anos e acima,
que foram seiscentos e três mil quinhentos e cinqüenta.
27 E houve cem talentos de prata para fundir as bases do santuário e as bases
do véu; para cem bases eram cem talentos, um talento para cada base.
28 Mas dos mil setecentos e setenta e cinco siclos, fez colchetes para as
colunas, e cobriu os seus capitéis e fez-lhes as faixas.
29 E o bronze da oferta foi setenta talentos e dois mil e quatrocentos siclos.
30 Dele fez as bases da porta da tenda da revelação, o altar de bronze, e o
crivo de bronze para ele, todos os utensílios do altar,
31 as bases do átrio ao redor e as bases da porta do átrio, todas as estacas do
tabernáculo e todas as estacas do átrio ao redor.
ÊXODO
[39]
1 Fizeram também de azul,
púrpura e carmesim as vestes, finamente tecidas, para ministrar no lugar santo,
e fizeram as vestes sagradas para Arão, como o Senhor ordenara a Moisés.
2 Assim se fez o éfode de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido;
3 bateram o ouro em lâminas delgadas, as quais cortaram em fios, para
entretecê-lo no azul, na púrpura, no carmesim e no linho fino, em obra de
desenhista;
4 fizeram-lhe ombreiras que se uniam; assim pelos seus dois cantos superiores
foi ele unido.
5 E o cinto da obra esmerada do éfode, que estava sobre ele, formava com ele
uma só peça e era de obra semelhante, de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho
fino torcido, como o Senhor ordenara a Moisés.
6 Também prepararam as pedras de berilo, engastadas em ouro, lavradas como a
gravura de um selo, com os nomes dos filhos de Israel;
7 as quais puseram sobre as ombreiras do éfode para servirem de pedras de
memorial para os filhos de Israel, como o Senhor ordenara a Moisés.
8 Fez-se também o peitoral de obra de desenhista, semelhante à obra do éfode,
de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido.
9 Quadrado e duplo fizeram o peitoral; o seu comprimento era de um palmo, e a
sua largura de um palmo, sendo ele dobrado. f
10 E engastaram nele quatro fileiras de pedras: a primeira delas era de um
sárdio, um topázio e uma esmeralda;
11 a segunda fileira era de uma granada, uma safira e um ônix;
12 a terceira fileira era de um jacinto, uma ágata e uma ametista;
13 e a quarta fileira era de uma crisólita, um berilo e um jaspe; eram elas
engastadas nos seus engastes de ouro.
14 Estas pedras, pois, eram doze, segundo os nomes dos filhos de Israel; eram
semelhantes a gravuras de selo, cada uma com o nome de uma das doze tribos.
15 Também fizeram sobre o peitoral cadeiazinhas, semelhantes a cordas, obra de
trança, de ouro puro.
16 Fizeram também dois engastes de ouro e duas argolas de ouro, e fixaram as
duas argolas nas duas extremidades do peitoral.
17 E meteram as duas cadeiazinhas de trança de ouro nas duas argolas, nas
extremidades do peitoral.
18 E as outras duas pontas das duas cadeiazinhas de trança meteram nos dois
engastes, e as puseram sobre as ombreiras do éfode, na parte dianteira dele.
19 Fizeram outras duas argolas de ouro, que puseram nas duas extremidades do
peitoral, na sua borda que estava junto ao éfode por dentro.
20 Fizeram mais duas argolas de ouro, que puseram nas duas ombreiras do éfode,
debaixo, na parte dianteira dele, junto à sua costura, acima do cinto de obra
esmerada do éfode.
21 E ligaram o peitoral, pelas suas argolas, às argolas do éfode por meio de um
cordão azul, para que estivesse sobre o cinto de obra esmerada do éfode, e o
peitoral não se separasse do éfode, como o Senhor ordenara a Moisés.
22 Fez-se também o manto do éfode de obra tecida, todo de azul,
23 e a abertura do manto no meio dele, como a abertura de cota de malha; esta
abertura tinha um debrum em volta, para que não se rompesse.
24 Nas abas do manto fizeram romãs de azul, púrpura e carmesim, de fio torcido.
25 Fizeram também campainhas de ouro puro, pondo as campainhas nas abas do
manto ao redor, entremeadas com as romãs;
26 uma campainha e uma romã, outra campainha e outra romã, nas abas do manto ao
redor, para uso no ministério, como o Senhor ordenara a Moisés.
27 Fizeram também as túnicas de linho fino, de obra tecida, para Arão e para
seus filhos,
28 e a mitra de linho fino, e o ornato das tiaras de linho fino, e os calções
de linho fino torcido,
29 e o cinto de linho fino torcido, e de azul, púrpura e carmesim, obra de
bordador, como o Senhor ordenara a Moisés.
30 Fizeram também, de ouro puro, a lâmina da coroa sagrada, e nela gravaram uma
inscrição como a gravura de um selo: SANTO AO SENHOR.
31 E a ela ataram um cordão azul, para prendê-la à parte superior da mitra,
como o Senhor ordenara a Moisés.
32 Assim se acabou toda a obra do tabernáculo da tenda da revelação; e os
filhos de Israel fizeram conforme tudo o que o Senhor ordenara a Moisés; assim
o fizeram.
33 Depois trouxeram a Moisés o tabernáculo, a tenda e todos os seus utensílios,
os seus colchetes, as suas tábuas, os seus travessões, as suas colunas e as suas
bases;
34 e a cobertura de peles de carneiros tintas de vermelho, e a cobertura de
peles de golfinhos, e o véu do reposteiro;
35 a arca do testemunho com os seus varais, e o propiciatório;
36 a mesa com todos os seus utensílios, e os pães da proposição;
37 o candelabro puro com suas lâmpadas todas em ordem, com todos os seus
utensílios, e o azeite para a luz;
38 também o altar de ouro, o óleo da unção e o incenso aromático, e o
reposteiro para a porta da tenda;
39 o altar de bronze e o seu crivo de bronze, os seus varais, e todos os seus
utensílios; a pia e a sua base;
40 as cortinas do átrio, as suas colunas e as suas bases, e o reposteiro para a
porta do átrio, as suas cordas e as suas estacas, e todos os utensílios do
serviço do tabernáculo, para a tenda da revelação;
41 as vestes finamente tecidas para uso no ministério no lugar santo, e as
vestes sagradas para Arão, o sacerdote, e as vestes para seus filhos, para
administrarem o sacerdócio.
42 Conforme tudo o que o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de
Israel toda a obra.
43 Viu, pois, Moisés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o Senhor
ordenara, assim a fizeram; então Moisés os abençoou.
ÊXODO
[40]
1 Depois disse o Senhor a
Moisés:
2 No primeiro mês, no primeiro dia do mês, levantarás o tabernáculo da tenda da
revelação,
3 e porás nele a arca do testemunho, e resguardaras a arca com o véu.
4 Depois colocarás nele a mesa, e porás em ordem o que se deve pôr em ordem
nela; também colocarás nele o candelabro, e acenderás as suas lâmpadas.
5 E porás o altar de ouro para o incenso diante da arca do testemunho; então
pendurarás o reposteiro da porta do tabernáculo.
6 E porás o altar do holocausto diante da porta do tabernáculo da tenda da
revelação.
7 E porás a pia entre a tenda da revelação e o altar, e nela deitarás água.
8 Depois levantarás as cortinas do átrio ao redor, e pendurarás o reposteiro da
porta do átrio.
9 Então tomarás o óleo da unção e ungirás o tabernáculo, e tudo o que há nele;
e o santificarás, a ele e a todos os seus móveis; e será santo.
10 Ungirás também o altar do holocausto, e todos os seus utensílios, e
santificarás o altar; e o altar será santíssimo.
11 Então ungirás a pia e a sua base, e a santificarás.
12 E farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da revelação, e os
lavarás com água.
13 E vestirás Arão das vestes sagradas, e o ungirás, e o santificarás, para que
me administre o sacerdócio.
14 Também farás chegar seus filhos, e os vestirás de túnicas,
15 e os ungirás como ungiste a seu pai, para que me administrem o sacerdócio, e
a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo pelas suas gerações.
16 E Moisés fez conforme tudo o que o Senhor lhe ordenou; assim o fez.
17 E no primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, o tabernáculo foi
levantado.
18 Levantou, pois, Moisés o tabernáculo: lançou as suas bases; armou as suas
tábuas e nestas meteu os seus travessões; levantou as suas colunas;
19 estendeu a tenda por cima do tabernáculo, e pôs a cobertura da tenda sobre
ela, em cima, como o Senhor lhe ordenara.
20 Então tomou o testemunho e pô-lo na arca, ajustou à arca os varais, e
pôs-lhe o propiciatório em cima.
21 Depois introduziu a arca no tabernáculo, e pendurou o véu do reposteiro, e
assim resguardou a arca do testemunho, como o Senhor lhe ordenara.
22 Pôs também a mesa na tenda da revelação, ao lado do tabernáculo para o
norte, fora do véu,
23 e sobre ela pôs em ordem o pão perante o Senhor, como o Senhor lhe ordenara.
24 Pôs também na tenda da revelação o candelabro defronte da mesa, ao lado do tabernáculo
para o sul,
25 e acendeu as lâmpadas perante o Senhor, como o Senhor lhe ordenara.
26 Pôs o altar de ouro na tenda da revelação diante do véu,
27 e sobre ele queimou o incenso de especiarias aromáticas, como o Senhor lhe
ordenara.
28 Pendurou o reposteiro à: porta do tabernáculo,
29 e pôs o altar do holocausto à porta do tabernáculo da tenda da revelação, e
sobre ele ofereceu o holocausto e a oferta de cereais, como o Senhor lhe
ordenara.
30 Depois: colocou a pia entre a tenda da revelação e o altar, e nela deitou
água para a as abluções.
31 E junto dela Moisés, e Arão e seus filhos lavaram as mãos e os pés.
32 Quando entravam na tenda da revelação, e quando chegavam ao altar,
lavavam-se, como o Senhor ordenara a Moises.
33 Levantou também as cortinas do átrio ao redor do tabernáculo e do altar e
pendurou o reposteiro da porta do átrio. Assim Moisés acabou a obra.
34 Então a nuvem cobriu a tenda da revelação, e a glória do Senhor encheu o
tabernáculo;
35 de maneira que Moisés não podia entrar na tenda da revelação, porquanto a
nuvem repousava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo.
36 Quando, pois, a nuvem se levantava de sobre o tabernáculo, prosseguiam os
filhos de Israel, em todas as suas jornadas;
37 se a nuvem, porém, não se levantava, não caminhavam até o dia em que ela se
levantasse.
38 Porquanto a nuvem do Senhor estava de dia sobre o tabernáculo, e o fogo
estava de noite sobre ele, perante os olhos de toda a casa de Israel, em todas
as suas jornadas.
[1]
1 Ora, chamou o Senhor a
Moisés e, da tenda da revelação, lhe disse:
2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao
Senhor, oferecereis as vossas ofertas do gado, isto é, do gado vacum e das
ovelhas.
3 Se a sua oferta for holocausto de gado vacum, oferecerá ele um macho sem
defeito; à porta da tenda da revelação o oferecerá, para que ache favor perante
o Senhor.
4 Porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto, e este será aceito a favor dele,
para a sua expiação.
5 Depois imolará o novilho perante o Senhor; e os filhos de Arão, os
sacerdotes, oferecerão o sangue, e espargirão o sangue em redor sobre o altar
que está à porta da tenda da revelação.
6 Então esfolará o holocausto, e o partirá nos seus pedaços.
7 E os filhos de Arão, o sacerdote, porão fogo sobre o altar, pondo em ordem a
lenha sobre o fogo;
8 também os filhos de Arão, os sacerdotes, porão em ordem os pedaços, a cabeça
e a gordura, sobre a lenha que está no fogo em cima do altar;
9 a fressura, porém, e as pernas, ele as lavará com água; e o sacerdote
queimará tudo isso sobre o altar como holocausto, oferta queimada, de cheiro
suave ao Senhor.
10 Se a sua oferta for holocausto de gado miúdo, seja das ovelhas seja das
cabras, oferecerá ele um macho sem defeito,
11 e o imolará ao lado do altar que dá para o norte, perante o Senhor; e os
filhos de Arão, os sacerdotes, espargirão o sangue em redor sobre o altar.
12 Então o partirá nos seus pedaços, juntamente com a cabeça e a gordura; e o
sacerdote os porá em ordem sobre a lenha que está no fogo sobre o altar;
13 a fressura, porém, e as pernas, ele as lavará com água; e o sacerdote
oferecerá tudo isso, e o queimará sobre o altar; holocausto é, oferta queimada,
de cheiro suave ao Senhor.
14 Se a sua oferta ao Senhor for holocausto tirado de aves, então de rolas ou
de pombinhos oferecerá a sua oferta.
15 E o sacerdote a trará ao altar, tirar-lhe-á a cabeça e a queimará sobre o
altar; e o seu sangue será espremido na parede do altar;
16 e o seu papo com as suas penas tirará e o lançará junto ao altar, para o
lado do oriente, no lugar da cinza;
17 e fendê-la-á junto às suas asas, mas não a partirá; e o sacerdote a queimará
em cima do altar sobre a lenha que está no fogo; holocausto é, oferta queimada,
de cheiro suave ao Senhor.
LEVÍTICO
[2]
1 Quando alguém fizer ao
Senhor uma oferta de cereais, a sua oferta será de flor de farinha; deitará
nela azeite, e sobre ela porá incenso;
2 e a trará aos filhos de Arão, os sacerdotes, um dos quais lhe tomará um
punhado da flor de farinha e do azeite com todo o incenso, e o queimará sobre o
altar por oferta memorial, oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor.
3 O que restar da oferta de cereais pertencerá a Arão e a seus filhos; é coisa
santíssima entre as ofertas queimadas ao Senhor.
4 Quando fizerdes oferta de cereais assada ao forno, será de bolos ázimos de
flor de farinha, amassados com azeite, e coscorões ázimos untados com azeite.
5 E se a tua oferta for oferta de cereais assada na assadeira, será de flor de
farinha sem fermento, amassada com azeite.
6 Em pedaços a partirás, e sobre ela deitarás azeite; é oferta de cereais.
7 E se a tua oferta for oferta de cereais cozida na frigideira, far-se-á de
flor de farinha com azeite.
8 Então trarás ao Senhor a oferta de cereais que for feita destas coisas; e será
apresentada ao sacerdote, o qual a levará ao altar.
9 E o sacerdote tomará da oferta de cereais o memorial dela, e o queimará sobre
o altar; é oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor.
10 E o que restar da oferta de cereais pertencerá a Arão e a seus filhos; é
coisa santíssima entre as ofertas queimadas ao Senhor.
11 Nenhuma oferta de cereais, que fizerdes ao Senhor, será preparada com
fermento; porque não queimareis fermento algum nem mel algum como oferta
queimada ao Senhor.
12 Como oferta de primícias oferecê-los-eis ao Senhor; mas sobre o altar não
subirão por cheiro suave.
13 Todas as suas ofertas de cereais temperarás com sal; não deixarás faltar a
elas o sal do pacto do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal.
14 Se fizeres ao Senhor oferta de cereais de primícias, oferecerás, como oferta
de cereais das tuas primícias, espigas tostadas ao fogo, isto é, o grão
trilhado de espigas verdes.
15 Sobre ela deitarás azeite, e lhe porás por cima incenso; é oferta de
cereais.
16 O sacerdote queimará o memorial dela, isto é, parte do grão trilhado e parte
do azeite com todo o incenso; é oferta queimada ao Senhor.
LEVÍTICO
[3]
1 Se a oferta de alguém for
sacrifício pacífico: se a fizer de gado vacum, seja macho ou fêmea,
oferecê-la-á sem defeito diante do Senhor;
2 porá a mão sobre a cabeça da sua oferta e a imolará à porta da tenda da
revelação; e os filhos de Arão, os sacerdotes, espargirão o sangue sobre o
altar em redor.
3 Então, do sacrifício de oferta pacífica, fará uma oferta queimada ao Senhor;
a gordura que cobre a fressura, sim, toda a gordura que está sobre ela,
4 os dois rins e a gordura que está sobre eles, e a que está junto aos lombos,
e o redenho que está sobre o fígado, juntamente com os rins, ele os tirará.
5 E os filhos de Arão queimarão isso sobre o altar, em cima do holocausto que
está sobre a lenha no fogo; é oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor.
6 E se a sua oferta por sacrifício pacífico ao Senhor for de gado miúdo, seja
macho ou fêmea, sem defeito o oferecerá.
7 Se oferecer um cordeiro por sua oferta, oferecê-lo-á perante o Senhor;
8 e porá a mão sobre a cabeça da sua oferta, e a imolará diante da tenda da
revelação; e os filhos de Arão espargirão o sangue sobre o altar em redor.
9 Então, do sacrifício de oferta pacífica, fará uma oferta queimada ao Senhor;
a gordura da oferta, a cauda gorda inteira, tirá-la-á junto ao espinhaço; e a
gordura que cobre a fressura, sim, toda a gordura que está sobre ela,
10 os dois rins e a gordura que está sobre eles, e a que está junto aos lombos,
e o redenho que está sobre o fígado, juntamente com os rins, tirá-los-á.
11 E o sacerdote queimará isso sobre o altar; é o alimento da oferta queimada
ao Senhor.
12 E se a sua oferta for uma cabra, perante o Senhor a oferecerá;
13 e lhe porá a mão sobre a cabeça, e a imolará diante da tenda da revelação; e
os filhos de Arão espargirão o sangue da cabra sobre o altar em redor.
14 Depois oferecerá dela a sua oferta, isto é, uma oferta queimada ao Senhor; a
gordura que cobre a fressura, sim, toda a gordura que está sobre ela,
15 os dois rins e a gordura que está sobre eles, e a que está junto aos lombos,
e o redenho que está sobre o fígado, juntamente com os rins, tirá-los-á.
16 E o sacerdote queimará isso sobre o altar; é o alimento da oferta queimada,
de cheiro suave. Toda a gordura pertencerá ao Senhor.
17 Estatuto perpétuo, pelas vossas gerações, em todas as vossas habitações,
será isto: nenhuma gordura nem sangue algum comereis.
LEVÍTICO
[4]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se alguém pecar por ignorância no tocante
a qualquer das coisas que o Senhor ordenou que não se fizessem, fazendo
qualquer delas;
3 se for o sacerdote ungido que pecar, assim tornando o povo culpado, oferecerá
ao Senhor, pelo pecado que cometeu, um novilho sem defeito como oferta pelo
pecado.
4 Trará o novilho à porta da tenda da revelação, perante o Senhor; porá a mão
sobre a cabeça do novilho e o imolará perante o Senhor.
5 Então o sacerdote ungido tomará do sangue do novilho, e o trará à tenda da
revelação;
6 e, molhando o dedo no sangue, espargirá do sangue sete vezes perante o
Senhor, diante do véu do santuário.
7 Também o sacerdote porá daquele sangue perante o Senhor, sobre as pontas do
altar do incenso aromático, que está na tenda da revelação; e todo o resto do
sangue do novilho derramará à base do altar do holocausto, que está à porta da
tenda da revelação.
8 E tirará toda a gordura do novilho da oferta pelo pecado; a gordura que cobre
a fressura, sim, toda a gordura que está sobre ela,
9 os dois rins e a gordura que está sobre eles, e a que está junto aos lombos,
e o redenho que está sobre o fígado, juntamente com os rins, tirá-los-á,
10 assim como se tira do boi do sacrifício pacífico; e o sacerdote os queimará
sobre o altar do holocausto.
11 Mas o couro do novilho, e toda a sua carne, com a cabeça, as pernas, a
fressura e o excremento,
12 enfim, o novilho todo, levá-lo-á para fora do arraial a um lugar limpo, em
que se lança a cinza, e o queimará sobre a lenha; onde se lança a cinza, aí se
queimará.
13 Se toda a congregação de Israel errar, sendo isso oculto aos olhos da
assembléia, e eles tiverem feito qualquer de todas as coisas que o Senhor
ordenou que não se fizessem, assim tornando-se culpados;
14 quando o pecado que cometeram for conhecido, a assembléia oferecerá um
novilho como oferta pelo pecado, e o trará diante da tenda da revelação.
15 Os anciãos da congregação porão as mãos sobre a cabeça do novilho perante o
Senhor; e imolar-se-á o novilho perante o Senhor.
16 Então o sacerdote ungido trará do sangue do novilho à tenda da revelação;
17 e o sacerdote molhará o dedo no sangue, e o espargirá sete vezes perante o
Senhor, diante do véu.
18 E do sangue porá sobre as pontas do altar, que está perante o Senhor, na
tenda da revelação; e todo o resto do sangue derramará à base do altar do
holocausto, que está diante da tenda da revelação.
19 E tirará dele toda a sua gordura, e queimá-la-á sobre o altar.
20 Assim fará com o novilho; como fez ao novilho da oferta pelo pecado, assim
fará a este; e o sacerdote fará expiação por eles, e eles serão perdoados.
21 Depois levará o novilho para fora do arraial, e o queimará como queimou o
primeiro novilho; é oferta pelo pecado da assembléia.
22 Quando um príncipe pecar, fazendo por ignorância qualquer das coisas que o
Senhor seu Deus ordenou que não se fizessem, e assim se tornar culpado;
23 se o pecado que cometeu lhe for notificado, então trará por sua oferta um
bode, sem defeito;
24 porá a mão sobre a cabeça do bode e o imolará no lugar em que se imola o
holocausto, perante o Senhor; é oferta pelo pecado.
25 Depois o sacerdote, com o dedo, tomará do sangue da oferta pelo pecado e
pô-lo-á sobre as pontas do altar do holocausto; então o resto do sangue
derramará à base do altar do holocausto.
26 Também queimará sobre o altar toda a sua gordura como a gordura do
sacrifício da oferta pacífica; assim o sacerdote fará por ele expiação do seu
pecado, e ele será perdoado.
27 E se alguém dentre a plebe pecar por ignorância, fazendo qualquer das coisas
que o Senhor ordenou que não se fizessem, e assim se tornar culpado;
28 se o pecado que cometeu lhe for notificado, então trará por sua oferta uma
cabra, sem defeito, pelo pecado cometido;
29 porá a mão sobre a cabeça da oferta pelo pecado, e a imolará no lugar do
holocausto.
30 Depois o sacerdote, com o dedo, tomará do sangue da oferta, e o porá sobre
as pontas do altar do holocausto; e todo o resto do sangue derramará à base do
altar.
31 Tirará toda a gordura, como se tira a gordura do sacrifício pacífico, e a
queimará sobre o altar, por cheiro suave ao Senhor; e o sacerdote fará expiação
por ele, e ele será perdoado.
32 Ou, se pela sua oferta trouxer uma cordeira como oferta pelo pecado, sem
defeito a trará;
33 porá a mão sobre a cabeça da oferta pelo pecado, e a imolará por oferta pelo
pecado, no lugar em que se imola o holocausto.
34 Depois o sacerdote, com o dedo, tomará do sangue da oferta pelo pecado, e o
porá sobre as pontas do altar do holocausto; então todo o resto do sangue da
oferta derramará à base do altar.
35 Tirará toda a gordura, como se tira a gordura do cordeiro do sacrifício
pacífico e a queimará sobre o altar, em cima das ofertas queimadas do Senhor;
assim o sacerdote fará por ele expiação do pecado que cometeu, e ele será
perdoado.
LEVÍTICO
[5]
1 Se alguém, tendo-se
ajuramentado como testemunha, pecar por não denunciar o que viu, ou o que
soube, levará a sua iniqüidade.
2 Se alguém tocar alguma coisa imunda, seja cadáver de besta-fera imunda, seja
cadáver de gado imundo, seja cadáver de réptil imundo, embora faça sem se
aperceber, contudo será ele imundo e culpado.
3 Se alguém, sem se aperceber tocar a imundícia de um homem, seja qual for a
imundícia com que este se tornar imundo, quando o souber será culpado.
4 Se alguém, sem se aperceber, jurar temerariamente com os seus lábios fazer
mal ou fazer bem, em tudo o que o homem pronunciar temerariamente com
juramento, quando o souber, culpado será numa destas coisas.
5 Deverá, pois, quando for culpado numa destas coisas, confessar aquilo em que
houver pecado.
6 E como sua oferta pela culpa, ele trará ao Senhor, pelo pecado que cometeu,
uma fêmea de gado miúdo; uma cordeira, ou uma cabrinha, trará como oferta pelo
pecado; e o sacerdote fará por ele expiação do seu pecado.
7 Mas, se as suas posses não bastarem para gado miúdo, então trará ao Senhor,
como sua oferta pela culpa por aquilo em que houver pecado, duas rolas, ou dois
pombinhos; um como oferta pelo pecado, e o outro como holocausto;
8 e os trará ao sacerdote, o qual oferecerá primeiro aquele que é para a oferta
pelo pecado, e com a unha lhe fenderá a cabeça junto ao pescoço, mas não o
partirá;
9 e do sangue da oferta pelo pecado espargirá sobre a parede do altar, porém o
que restar, daquele sangue espremer-se-á à base do altar; é oferta pelo pecado.
10 E do outro fará holocausto conforme a ordenança; assim o sacerdote fará
expiação por ele do pecado que cometeu, e ele será perdoado.
11 Se, porém, as suas posses não bastarem para duas rolas, ou dois pombinhos,
então, como oferta por aquilo em que houver pecado, trará a décima parte duma
efa de flor de farinha como oferta pelo pecado; não lhe deitará azeite nem lhe
porá em cima incenso, porquanto é oferta pelo pecado;
12 e o trará ao sacerdote, o qual lhe tomará um punhado como o memorial da
oferta, e a queimará sobre o altar em cima das ofertas queimadas do Senhor; é
oferta pelo pecado.
13 Assim o sacerdote fará por ele expiação do seu pecado, que houver cometido
em alguma destas coisas, e ele será perdoado; e o restante pertencerá ao
sacerdote, como a oferta de cereais.
14 Disse mais o Senhor a Moisés:
15 Se alguém cometer uma transgressão, e pecar por ignorância nas coisas sagradas
do Senhor, então trará ao Senhor, como a sua oferta pela culpa, um carneiro sem
defeito, do rebanho, conforme a tua avaliação em siclos de prata, segundo o
siclo do santuário, para oferta pela culpa.
16 Assim fará restituição pelo pecado que houver cometido na coisa sagrada, e
ainda lhe acrescentará a quinta parte, e a dará ao sacerdote; e com o carneiro
da oferta pela culpa, o sacerdote fará expiação por ele, e ele será perdoado.
17 Se alguém pecar, fazendo qualquer de todas as coisas que o Senhor ordenou
que não se fizessem, ainda que não o soubesse, contudo será ele culpado, e
levará a sua iniqüidade;
18 e como oferta pela culpa trará ao sacerdote um carneiro sem defeito, do
rebanho, conforme a tua avaliação; e o sacerdote fará por ele expiação do erro
que involuntariamente houver cometido sem o saber; e ele será perdoado.
19 É oferta pela culpa; certamente ele se tornou culpado diante do Senhor.
LEVÍTICO
[6]
1 Disse ainda o Senhor a
Moisés:
2 Se alguém pecar e cometer uma transgressão contra o Senhor, e se houver
dolosamente para com o seu próximo no tocante a um depósito, ou penhor, ou
roubo, ou tiver oprimido a seu próximo;
3 se achar o perdido, e nisso se houver dolosamente e jurar falso; ou se fizer
qualquer de todas as coisas em que o homem costuma pecar;
4 se, pois, houver pecado e for culpado, restituirá o que roubou, ou o que
obteve pela opressão, ou o depósito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido
que achou,
5 ou qualquer coisa sobre que jurou falso; por inteiro o restituirá, e ainda a isso
acrescentará a quinta parte; a quem pertence, lho dará no dia em que trouxer a
sua oferta pela culpa.
6 E como a sua oferta pela culpa, trará ao Senhor um carneiro sem defeito, do
rebanho; conforme a tua avaliação para oferta pela culpa trá-lo-á ao sacerdote;
7 e o sacerdote fará expiação por ele diante do Senhor, e ele será perdoado de
todas as coisas que tiver feito, nas quais se tenha tornado culpado.
8 Disse mais o Senhor a Moisés:
9 Dá ordem a Arão e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei do holocausto: o
holocausto ficará a noite toda, até pela manhã, sobre a lareira do altar, e
nela se conservará aceso o fogo do altar.
10 E o sacerdote vestirá a sua veste de linho, e vestirá as calças de linho
sobre a sua carne; e levantará a cinza, quando o fogo houver consumido o
holocausto sobre o altar, e a porá junto ao altar.
11 Depois despirá as suas vestes, e vestirá outras vestes; e levará a cinza
para fora do arraial a um lugar limpo.
12 O fogo sobre o altar se conservará aceso; não se apagará. O sacerdote
acenderá lenha nele todos os dias pela manhã, e sobre ele porá em ordem o
holocausto, e queimará a gordura das ofertas pacíficas.
13 O fogo se conservará continuamente aceso sobre o altar; não se apagará.
14 Esta é a lei da oferta de cereais: os filhos de Arão a oferecerão perante o
Senhor diante do altar.
15 O sacerdote tomará dela um punhado, isto é, da flor de farinha da oferta de
cereais e do azeite da mesma, e todo o incenso que estiver sobre a oferta de
cereais, e os queimará sobre o altar por cheiro suave ao Senhor, como o
memorial da oferta.
16 E Arão e seus filhos comerão o restante dela; comê-lo-ão sem fermento em
lugar santo; no átrio da tenda da revelação o comerão.
17 Levedado não se cozerá. Como a sua porção das minhas ofertas queimadas lho
tenho dado; coisa santíssima é, como a oferta pelo pecado, e como a oferta pela
culpa.
18 Todo varão entre os filhos de Arão comerá dela, como a sua porção das
ofertas queimadas do Senhor; estatuto perpétuo será para as vossas gerações;
tudo o que as tocar será santo.
19 Disse mais o Senhor a Moisés:
20 Esta é a oferta de Arão e de seus filhos, a qual oferecerão ao Senhor no dia
em que ele for ungido: a décima parte duma efa de flor de farinha, como oferta
de cereais, perpetuamente, a metade dela pela amanhã, e a outra metade à tarde.
21 Numa assadeira se fará com azeite; bem embebida a trarás; em pedaços cozidos
oferecerás a oferta de cereais por cheiro suave ao Senhor.
22 Também o sacerdote que, de entre seus filhos, for ungido em seu lugar, a
oferecerá; por estatuto perpétuo será ela toda queimada ao Senhor.
23 Assim toda oferta de cereais do sacerdote será totalmente queimada; não se
comerá.
24 Disse mais o Senhor a Moisés:
25 Fala a Arão e a seus filhos, dizendo: Esta é a lei da oferta pelo pecado: no
lugar em que se imola o holocausto se imolará a oferta pelo pecado perante o
Senhor; coisa santíssima é.
26 O sacerdote que a oferecer pelo pecado a comerá; comê-la-á em lugar santo,
no átrio da tenda da revelação.
27 Tudo o que tocar a carne da oferta será santo; e quando o sangue dela for
espargido sobre qualquer roupa, lavarás em lugar santo a roupa sobre a qual ele
tiver sido espargido.
28 Mas o vaso de barro em que for cozida será quebrado; e se for cozida num
vaso de bronze, este será esfregado, e lavado, na água.
29 Todo varão entre os sacerdotes comerá dela; coisa santíssima é.
30 Contudo não se comerá nenhuma oferta pelo pecado, da qual uma parte do
sangue é trazida dentro da tenda da revelação, para fazer expiação no lugar
santo; no fogo será queimada.
LEVÍTICO
[7]
1 Esta é a lei da oferta pela
culpa: coisa santíssima é.
2 No lugar em que imolam o holocausto, imolarão a oferta pela culpa, e o sangue
dela se espargirá sobre o altar em redor.
3 Dela se oferecerá toda a gordura: a cauda gorda, e a gordura que cobre a
fressura,
4 os dois rins e a gordura que está sobre eles, e a que está junto aos lombos,
e o redenho sobre o fígado, juntamente com os rins, os tirará;
5 e o sacerdote os queimará sobre o altar em oferta queimada ao Senhor; é uma
oferta pela culpa.
6 Todo varão entre os sacerdotes comerá dela; num lugar santo se comerá; coisa
santíssima é.
7 Como é a oferta pelo pecado, assim será a oferta pela culpa; há uma só lei
para elas, a saber, pertencerá ao sacerdote que com ela houver feito expiação.
8 Também o sacerdote que oferecer o holocausto de alguém terá para si o couro
do animal que tiver oferecido.
9 Igualmente toda oferta de cereais que se assar ao forno, como tudo o que se
preparar na frigideira e na assadeira, pertencerá ao sacerdote que a oferecer.
10 Também toda oferta de cereais, seja ela amassada com azeite, ou seja seca,
pertencerá a todos os filhos de Arão, tanto a um como a outro.
11 Esta é a lei do sacrifício das ofertas pacíficas que se oferecerá ao Senhor:
12 Se alguém o oferecer por oferta de ação de graças, com o sacrifício de ação
de graças oferecerá bolos ázimos amassados com azeite, e coscorões ázimos
untados com azeite, e bolos amassados com azeite, de flor de farinha, bem
embebidos.
13 Com os bolos oferecerá pão levedado como sua oferta, com o sacrifício de
ofertas pacíficas por ação de graças.
14 E dele oferecerá um de cada oferta por oferta alçada ao Senhor, o qual
pertencerá ao sacerdote que espargir o sangue da oferta pacífica.
15 Ora, a carne do sacrifício de ofertas pacíficas por ação de graças se comerá
no dia do seu oferecimento; nada se deixará dela até pela manhã.
16 Se, porém, o sacrifício da sua oferta for voto, ou oferta voluntária, no dia
em que for oferecido se comerá, e no dia seguinte se comerá o que dele ficar;
17 mas o que ainda ficar da carne do sacrifício até o terceiro dia será
queimado no fogo.
18 Se alguma parte da carne do sacrifício da sua oferta pacífica se comer ao
terceiro dia, aquele sacrifício não será aceito, nem será imputado àquele que o
tiver oferecido; coisa abominável será, e quem dela comer levará a sua
iniqüidade.
19 A carne que tocar alguma coisa imunda não se comerá; será queimada no fogo;
mas da outra carne, qualquer que estiver limpo comerá dela;
20 todavia, se alguma pessoa, estando imunda, comer a carne do sacrifício da
oferta pacífica, que pertence ao Senhor, essa pessoa será extirpada do seu
povo.
21 E, se alguma pessoa, tendo tocado alguma coisa imunda, como imundícia de
homem, ou gado imundo, ou qualquer abominação imunda, comer da carne do
sacrifício da oferta pacífica, que pertence ao Senhor, essa pessoa será
extirpada do seu povo.
22 Depois disse o Senhor a Moisés:
23 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Nenhuma gordura de boi, nem de carneiro,
nem de cabra comereis.
24 Todavia pode-se usar a gordura do animal que morre por si mesmo, e a gordura
do que é dilacerado por feras, para qualquer outro fim; mas de maneira alguma
comereis dela.
25 Pois quem quer que comer da gordura do animal, do qual se oferecer oferta
queimada ao Senhor, sim, a pessoa que dela comer será extirpada do seu povo.
26 E nenhum sangue comereis, quer de aves, quer de gado, em qualquer das vossas
habitações.
27 Toda pessoa que comer algum sangue será extirpada do seu povo.
28 Disse mais o Senhor a Moisés:
29 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quem oferecer sacrifício de oferta
pacífica ao Senhor trará ao Senhor a respectiva oblação da sua oferta pacífica.
30 Com as próprias mãos trará as ofertas queimadas do Senhor; o peito com a
gordura trará, para movê-lo por oferta de movimento perante o Senhor.
31 E o sacerdote queimará a gordura sobre o altar, mas o peito pertencerá a
Arão e a seus filhos.
32 E dos sacrifícios das vossas ofertas pacíficas, dareis a coxa direita ao
sacerdote por oferta alçada.
33 Aquele dentre os filhos de Arão que oferecer o sangue da oferta pacífica, e
a gordura, esse terá a coxa direita por sua porção;
34 porque o peito movido e a coxa alçada tenho tomado dos filhos de Israel, dos
sacrifícios das suas ofertas pacíficas, e os tenho dado a Arão, o sacerdote, e
a seus filhos, como sua porção, para sempre, da parte dos filhos de Israel.
35 Esta é a porção sagrada de Arão e a porção sagrada de seus filhos, das
ofertas queimadas do Senhor, desde o dia em que ele os apresentou para
administrar o sacerdócio ao Senhor;
36 a qual o Senhor, no dia em que os ungiu, ordenou que se lhes desse da parte
dos filhos de Israel; é a sua porção para sempre, pelas suas gerações.
37 Esta é a lei do holocausto, da oferta de cereais, da oferta pelo pecado, da
oferta pela culpa, da oferta das consagrações, e do sacrifício das ofertas
pacíficas;
38 a qual o Senhor entregou a Moisés no monte Sinai, no dia em que este estava
ordenando aos filhos de Israel que oferecessem as suas ofertas ao Senhor, no
deserto de Sinai.
LEVÍTICO
[8]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Toma a Arão e a seus filhos com ele, e os vestidos, e o óleo da unção, e o
novilho da oferta pelo pecado, e os dois carneiros, e o cesto de pães ázimos,
3 e reúne a congregação toda à porta da tenda da revelação.
4 Fez, pois, Moisés como o Senhor lhe ordenara; e a congregação se reuniu à
porta da tenda da revelação.
5 E disse Moisés à congregação: Isto é o que o Senhor ordenou que se fizesse.
6 Então Moisés fez chegar Arão e seus filhos, e os lavou com água,
7 e vestiu Arão com a túnica, cingiu-o com o cinto, e vestiu-lhe o manto, e pôs
sobre ele o éfode, e cingiu-o com o cinto de obra esmerada, e com ele lhe
apertou o éfode.
8 Colocou-lhe, então, o peitoral, no qual pôs o Urim e o Tumim;
9 e pôs sobre a sua cabeça a mitra, e sobre esta, na parte dianteira, pôs a
lâmina de ouro, a coroa sagrada; como o Senhor lhe ordenara.
10 Então Moisés, tomando o óleo da unção, ungiu o tabernáculo e tudo o que nele
havia, e os santificou;
11 e dele espargiu sete vezes sobre o altar, e ungiu o altar e todos os seus
utensílios, como também a pia e a sua base, para santificá-los.
12 Em seguida derramou do óleo da unção sobre a cabeça de Arão, e ungiu-o, para
santificá-lo.
13 Depois Moisés fez chegar aos filhos de Arão, e os vestiu de túnicas, e os
cingiu com cintos, e lhes atou tiaras; como o Senhor lhe ordenara.
14 Então fez chegar o novilho da oferta pelo pecado; e Arão e seus filhos
puseram as mãos sobre a cabeça do novilho da oferta pelo pecado;
15 e, depois de imolar o novilho, Moisés tomou o sangue, e pôs dele com o dedo
sobre as pontas do altar em redor, e purificou o altar; depois derramou o resto
do sangue à base do altar, e o santificou, para fazer expiação por ele.
16 Então tomou toda a gordura que estava na fressura, e o redenho do fígado, e
os dois rins com a sua gordura, e os queimou sobre o altar.
17 Mas o novilho com o seu couro, com a sua carne e com o seu excremento,
queimou-o com fogo fora do arraial; como o Senhor lhe ordenara.
18 Depois fez chegar o carneiro do holocausto; e Arão e seus filhos puseram as
mãos sobre a cabeça do carneiro.
19 Havendo imolado o carneiro, Moisés espargiu o sangue sobre o altar em redor.
20 Partiu também o carneiro nos seus pedaços, e queimou dele a cabeça, os
pedaços e a gordura.
21 Mas a fressura e as pernas lavou com água; então Moisés queimou o carneiro
todo sobre o altar; era holocausto de cheiro suave, uma oferta queimada ao
Senhor; como o Senhor lhe ordenara.
22 Depois fez chegar o outro carneiro, o carneiro da consagração; e Arão e seus
filhos puseram as mãos sobre a cabeça do carneiro;
23 e tendo Moisés imolado o carneiro, tomou do sangue deste e o pôs sobre a
ponta da orelha direita de Arão, sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o
polegar do seu pé direito.
24 Moisés fez chegar também os filhos de Arão, e pôs daquele sangue sobre a
ponta da orelha direita deles, e sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o
polegar do seu pé direito; e espargiu o sangue sobre o altar em redor.
25 E tomou a gordura, e a cauda gorda, e toda a gordura que estava na fressura,
e o redenho do fígado, e os dois rins com a sua gordura, e a coxa direita;
26 também do cesto dos pães ázimos, que estava diante do Senhor, tomou um bolo
ázimo, e um bolo de pão azeitado, e um coscorão, e os pôs sobre a gordura e
sobre a coxa direita;
27 e pôs tudo nas mãos de Arão e de seus filhos, e o ofereceu por oferta movida
perante o Senhor.
28 Então Moisés os tomou das mãos deles, e os queimou sobre o altar em cima do
holocausto; os quais eram uma consagração, por cheiro suave, oferta queimada ao
Senhor.
29 Em seguida tomou Moisés o peito, e o ofereceu por oferta movida perante o
Senhor; era a parte do carneiro da consagração que tocava a Moisés, como o
Senhor lhe ordenara.
30 Tomou Moisés também do óleo da unção, e do sangue que estava sobre o altar,
e o espargiu sobre Arão e suas vestes, e sobre seus filhos e as vestes de seus
filhos com ele; e assim santificou tanto a Arão e suas vestes, como a seus
filhos e as vestes de seus filhos com ele.
31 E disse Moisés a Arão e seus filhos: Cozei a carne à porta da tenda da
revelação; e ali a comereis com o pão que está no cesto da consagração, como
ordenei, dizendo: Arão e seus filhos a comerão.
32 Mas o que restar da carne e do pão, queimá-lo-eis ao fogo.
33 Durante sete dias não saireis da porta da tenda da revelação, até que se
cumpram os dias da vossa consagração; porquanto por sete dias ele vos
consagrará.
34 Como se fez neste dia, assim o senhor ordenou que se proceda, para fazer
expiação por vós.
35 Permanecereis, pois, à porta da tenda da revelação dia e noite por sete
dias, e guardareis as ordenanças do Senhor, para que não morrais; porque assim
me foi ordenado.
36 E Arão e seus filhos fizeram todas as coisas que o Senhor ordenara por
intermédio de Moisés.
LEVÍTICO
[9]
1 Ora, ao dia oitavo, Moisés
chamou a Arão e seus filhos, e os anciãos de Israel,
2 e disse a Arão: Toma um bezerro tenro para oferta pelo pecado, e um carneiro
para holocausto, ambos sem defeito, e
oferece-os perante o Senhor.
3 E falarás aos filhos de Israel, dizendo: Tomai um bode para oferta pelo
pecado; e um bezerro e um cordeiro, ambos de um ano, e sem defeito, como
holocausto;
4 também um boi e um carneiro para ofertas pacíficas, para sacrificar perante o
Senhor e oferta de cereais, amassada com azeite; porquanto hoje o Senhor vos
aparecerá.
5 Então trouxeram até a entrada da tenda da revelação o que Moisés ordenara, e
chegou-se toda a congregação, e ficou de pé diante do Senhor.
6 E disse Moisés: Esta é a coisa que o Senhor ordenou que fizésseis; e a glória
do Senhor vos aparecerá.
7 Depois disse Moisés a Arão: Chega-te ao altar, e apresenta a tua oferta pelo
pecado e o teu holocausto, e faze expiação por ti e pelo povo; também apresenta
a oferta do povo, e faze expiação por ele, como ordenou o Senhor.
8 Arão, pois, chegou-se ao altar, e imolou o bezerro que era a sua própria
oferta pelo pecado.
9 Os filhos de Arão trouxeram-lhe o sangue; e ele molhou o dedo no sangue, e o
pôs sobre as pontas do altar, e derramou o sangue à base do altar;
10 mas a gordura, e os rins, e o redenho do fígado, tirados da oferta pelo
pecado, queimou-os sobre o altar, como o Senhor ordenara a Moisés.
11 E queimou ao fogo fora do arraial a carne e o couro.
12 Depois imolou o holocausto, e os filhos de Arão lhe entregaram o sangue, e
ele o espargiu sobre o altar em redor.
13 Também lhe entregaram o holocausto, pedaço por pedaço, e a cabeça; e ele os
queimou sobre o altar.
14 E lavou a fressura e as pernas, e as queimou sobre o holocausto no altar.
15 Então apresentou a oferta do povo e, tomando o bode que era a oferta pelo
pecado do povo, imolou-o e o ofereceu pelo pecado, como fizera com o primeiro.
16 Apresentou também o holocausto, e o ofereceu segundo a ordenança. rifício
até o terceiro
17 E apresentou a oferta de cereais e, tomando dela um punhado, queimou-o sobre
o altar, além do holocausto da manhã.
18 Imolou também o boi e o carneiro em sacrifício de oferta pacífica pelo povo;
e os filhos de Arão entregaram-lhe o sangue, que ele espargiu sobre o altar em
redor,
19 como também a gordura do boi e do carneiro, a cauda gorda, e o que cobre a
fressura, e os rins, e o redenho do fígado;
20 e puseram a gordura sobre os peitos, e ele queimou a gordura sobre o altar;
21 mas os peitos e a coxa direita, ofereceu-os Arão por oferta movida perante o
Senhor, como Moisés tinha ordenado.
22 Depois Arão, levantando as mãos para o povo, o abençoou e desceu, tendo
acabado de oferecer a oferta pelo pecado, o holocausto e as ofertas pacíficas.
23 E Moisés e Arão entraram na tenda da revelação; depois saíram, e abençoaram
o povo; e a glória do Senhor apareceu a todo o povo,
24 pois saiu fogo de diante do Senhor, e consumiu o holocausto e a gordura
sobre o altar; o que vendo todo o povo, jubilaram e prostraram-se sobre os seus
rostos.
LEVÍTICO
[10]
1 Ora, Nadabe, e Abiú, filhos
de Arão, tomaram cada um o seu incensário e, pondo neles fogo e sobre ele
deitando incenso, ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que ele não lhes
ordenara.
2 Então saiu fogo de diante do Senhor, e os devorou; e morreram perante o
Senhor.
3 Disse Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor falou, dizendo: Serei santificado
naqueles que se chegarem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo. Mas
Arão guardou silêncio.
4 E Moisés chamou a Misael e a Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e
disse-lhes: Chegai-vos, levai vossos irmãos de diante do santuário, para fora
do arraial.
5 Chegaram-se, pois, e levaram-nos como estavam, nas próprias túnicas, para
fora do arraial, como Moisés lhes dissera.
6 Então disse Moisés a Arão, e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não descubrais
as vossas cabeças, nem rasgueis as vossas vestes, para que não morrais, nem
venha a ira sobre toda a congregação; mas vossos irmãos, toda a casa de Israel,
lamentem este incêndio que o Senhor acendeu.
7 E não saireis da porta da tenda da revelação, para que não morrais; porque
está sobre vós o óleo da unção do Senhor. E eles fizeram conforme a palavra de
Moisés.
8 Falou também o Senhor a Arão, dizendo:
9 Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando
entrardes na tenda da revelação, para que não morrais; estatuto perpétuo será
isso pelas vossas gerações,
10 não somente para fazer separação entre o santo e o profano, e entre o imundo
e o limpo,
11 mas também para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor
lhes tem dado por intermédio de Moisés.
12 Também disse Moisés a Arão, e a Eleazar e Itamar, seus filhos que lhe
ficaram: Tomai a oferta de cereais que resta das ofertas queimadas do Senhor, e
comei-a sem levedura junto do altar, porquanto é coisa santíssima.
13 Comê-la-eis em lugar santo, porque isto é a tua porção, e a porção de teus
filhos, das ofertas queimadas do Senhor; porque assim me foi ordenado.
14 Também o peito da oferta movida e a coxa da oferta alçada, comê-los-eis em
lugar limpo, tu, e teus filhos e tuas filhas contigo; porquanto são eles dados
como tua porção, e como porção de teus filhos, dos sacrifícios das ofertas
pacíficas dos filhos de Israel.
15 Trarão a coxa da oferta alçada e o peito da oferta movida juntamente com as
ofertas queimadas da gordura, para movê-los como oferta movida perante o
Senhor; isso te pertencerá como porção, a ti e a teus filhos contigo, para
sempre, como o Senhor tem ordenado.
16 E Moisés buscou diligentemente o bode da oferta pelo pecado, e eis que já
tinha sido queimado; pelo que se indignou grandemente contra Eleazar e contra
Itamar, os filhos que de Arão ficaram, e lhes disse:
17 Por que não comestes a oferta pelo pecado em lugar santo, visto que é coisa
santíssima, e o Senhor a deu a vós para levardes a iniqüidade da congregação,
para fazerdes expiação por eles diante do Senhor?
18 Eis que não se trouxe o seu sangue para dentro do santuário; certamente a
devíeis ter comido em lugar santo, como eu havia ordenado.
19 Então disse Arão a Moisés: Eis que hoje ofereceram a sua oferta pelo pecado
e o seu holocausto perante o Senhor, e tais coisas como essas me têm
acontecido; se eu tivesse comido hoje a oferta pelo pecado, porventura teria
sido isso coisa agradavel aos olhos do Senhor?
20 Ouvindo Moisés isto, pareceu-lhe razoável.
LEVÍTICO
[11]
1 Falou o Senhor a Moisés e a
Arão, dizendo-lhes:
2 Dizei aos filhos de Israel: Estes são os animais que podereis comer dentre
todos os animais que há sobre a terra:
3 dentre os animais, todo o que tem a unha fendida, de sorte que se divide em
duas, o que rumina, esse podereis comer.
4 Os seguintes, contudo, não comereis, dentre os que ruminam e dentre os que
têm a unha fendida: o camelo, porque rumina mas não tem a unha fendida, esse
vos será imundo;
5 o querogrilo, porque rumina mas não tem a unha fendida, esse vos será imundo;
6 a lebre, porque rumina mas não tem a unha fendida, essa vos será imunda;
7 e o porco, porque tem a unha fendida, de sorte que se divide em duas, mas não
rumina, esse vos será imundo.
8 Da sua carne não comereis, nem tocareis nos seus cadáveres; esses vos serão
imundos.
9 Estes são os que podereis comer de todos os que há nas águas: todo o que tem
barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esse podereis comer.
10 Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo
réptil das águas, e todos os animais que vivem nas águas, estes vos serão
abomináveis,
11 tê-los-eis em abominação; da sua carne não comereis, e abominareis os seus
cadáveres.
12 Tudo o que não tem barbatanas nem escamas, nas águas, será para vós
abominável.
13 Dentre as aves, a estas abominareis; não se comerão, serão abominãveis: a
águia, o quebrantosso, o xofrango,
14 o açor, o falcão segundo a sua espécie,
15 todo corvo segundo a sua espécie,
16 o avestruz, o mocho, a gaivota, o gavião segundo a sua espécie,
17 o bufo, o corvo marinho, a coruja,
18 o porfirião, o pelicano, o abutre,
19 a cegonha, a garça segundo a sua, espécie, a poupa e o morcego.
20 Todos os insetos alados que andam sobre quatro pés, serão para vós uma
abominação.
21 Contudo, estes há que podereis comer de todos os insetos alados que andam
sobre quatro pés: os que têm pernas sobre os seus pés, para saltar com elas
sobre a terra;
22 isto é, deles podereis comer os seguintes: o gafanhoto segundo a sua
espécie, o solham segundo a sua espécie, o hargol segundo a sua espécie e o
hagabe segundo a sua especie.
23 Mas todos os outros insetos alados que têm quatro pés, serão para vós uma
abominação.
24 Também por eles vos tornareis imundos; qualquer que tocar nos seus
cadáveres, será imundo até a tarde,
25 e quem levar qualquer parte dos seus cadáveres, lavará as suas vestes, e
será imundo até a tarde.
26 Todo animal que tem unhas fendidas, mas cuja fenda não as divide em duas, e
que não rumina, será para vós imundo; qualquer que tocar neles será imundo.
27 Todos os plantígrados dentre os quadrúpedes, esses vos serão imundos;
qualquer que tocar nos seus cadáveres sera imundo até a tarde,
28 e o que levar os seus cadáveres lavará as suas vestes, e será imundo até a
tarde; eles serão para vós imundos.
29 Estes também vos serão por imundos entre os animais que se arrastam sobre a
terra: a doninha, o rato, o crocodilo da terra segundo a sua espécie,
30 o musaranho, o crocodilo da água, a lagartixa, o lagarto e a toupeira.
31 Esses vos serão imundos dentre todos os animais rasteiros; qualquer que os
tocar, depois de mortos, será imundo até a tarde;
32 e tudo aquilo sobre o que cair o cadáver de qualquer deles será imundo; seja
vaso de madeira, ou vestidura, ou pele, ou saco, seja qualquer instrumento com
que se faz alguma obra, será metido na água, e será imundo até a tarde; então
será limpo.
33 E quanto a todo vaso de barro dentro do qual cair algum deles, tudo o que
houver nele será imundo, e o vaso quebrareis.
34 Todo alimento depositado nele, que se pode comer, sobre o qual vier água,
será imundo; e toda bebida que se pode beber, sendo depositada em qualquer
destes vasos será imunda.
35 E tudo aquilo sobre o que cair: alguma parte dos cadáveres deles será
imundo; seja forno, seja fogão, será quebrado; imundos são, portanto para vós
serão imundos.
36 Contudo, uma fonte ou cisterna, em que há depósito de água, será limpa; mas
quem tocar no cadáver será imundo.
37 E, se dos seus cadáveres cair alguma coisa sobre alguma semente que se
houver de semear, esta será limpa;
38 mas se for deitada água sobre a semente, e se dos cadáveres cair alguma
coisa sobre ela, então ela será para vós imunda.
39 E se morrer algum dos animais de que vos é lícito comer, quem tocar no seu
cadáver sera imundo até a tarde;
40 e quem comer do cadáver dele lavará as suas vestes, e será imundo até a
tarde; igualmente quem levar o cadáver dele lavará as suas vestes, e será
imundo até a tarde.
41 Também todo animal rasteiro que se move sobre a terra será abominação; não
se comerá.
42 Tudo o que anda sobre o ventre, tudo o que anda sobre quatro pés, e tudo o
que tem muitos pés, enfim todos os animais rasteiros que se movem sobre a
terra, desses não comereis, porquanto são abomináveis.
43 Não vos tomareis abomináveis por nenhum animal rasteiro, nem neles vos
contaminareis, para não vos tornardes imundos por eles.
44 Porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos,
porque eu sou santo; e não vos contaminareis com nenhum animal rasteiro que se
move sobre a terra;
45 porque eu sou o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o
vosso Deus, sereis pois santos, porque eu sou santo.
46 Esta é a lei sobre os animais e as aves, e sobre toda criatura vivente que
se move nas águas e toda criatura que se arrasta sobre a terra;
47 para fazer separação entre o imundo e o limpo, e entre os animais que se
podem comer e os animais que não se podem comer.
LEVÍTICO
[12]
1 Disse mais o Senhor a Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e tiver um menino,
será imunda sete dias; assim como nos dias da impureza da sua enfermidade, será
imunda.
3 E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio.
4 Depois permanecerá ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; em
nenhuma coisa sagrada tocará, nem entrará no santuário até que se cumpram os
dias da sua purificação.
5 Mas, se tiver uma menina, então sera imunda duas semanas, como na sua
impureza; depois permanecerá sessenta e seis dias no sangue da sua purificação.
6 E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação, seja por filho ou por
filha, trará um cordeiro de um ano para holocausto, e um pombinho ou uma rola
para oferta pelo pecado, à porta da tenda da revelação, o ao sacerdote,
7 o qual o oferecerá perante o Senhor, e fará, expiação por ela; então ela será
limpa do fluxo do seu sangue. Esta é a lei da que der à luz menino ou menina.
8 Mas, se as suas posses não bastarem para um cordeiro, então tomará duas
rolas, ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para a oferta pelo
pecado; assim o sacerdote fará expiação por ela, e ela será limpa.
LEVÍTICO
[13]
1 Falou mais o Senhor a
Moisés e a Arão, dizendo:
2 Quando um homem tiver na pele da sua carne inchação, ou pústula, ou mancha
lustrosa, e esta se tornar na sua pele como praga de lepra, então será levado a
Arão o sacerdote, ou a um de seus filhos, os sacerdotes,
3 e o sacerdote examinará a praga na pele da carne. Se o pêlo na praga se tiver
tornado branco, e a praga parecer mais profunda que a pele, é praga de lepra; o
sacerdote, verificando isto, o declarará imundo.
4 Mas, se a mancha lustrosa na sua pele for branca, e não parecer mais profunda
que a pele, e o pêlo não se tiver tornado branco, o sacerdote encerrará por
sete dias aquele que tem a praga.
5 Ao sétimo dia o sacerdote o examinará; se a praga, na sua opinião, tiver
parado e não se tiver estendido na pele, o sacerdote o encerrará por outros
sete dias.
6 Ao sétimo dia o sacerdote o examinará outra vez; se a praga tiver escurecido,
não se tendo estendido na pele, o sacerdote o declarará limpo; é uma pústula. O
homem lavará as suas vestes, e será limpo.
7 Mas se a pústula se estender muito na pele, depois de se ter mostrado ao
sacerdote para a sua purificação, mostrar-se-á de novo ao sacerdote,
8 o qual o examinará; se a pústula se tiver estendido na pele, o sacerdote o
declarará imundo; é lepra.
9 Quando num homem houver praga de lepra, será ele levado ao sacerdote,
10 o qual o examinará; se houver na pele inchação branca que tenha tornado
branco o pêlo, e houver carne viva na inchação,
11 lepra inveterada é na sua pele. Portanto, o sacerdote o declarará imundo;
não o encerrará, porque imundo é.
12 Se a lepra se espalhar muito na pele, e cobrir toda a pele do que tem a
praga, desde a cabeça até os pés, quanto podem ver os olhos do sacerdote,
13 este o examinará; e, se a lepra tiver coberto a carne toda, declarará limpo
o que tem a praga; ela toda se tornou branca; o homem é limpo.
14 Mas no dia em que nele aparecer carne viva será imundo.
15 Examinará, pois, o sacerdote a carne viva, e declarará o homem imundo; a
carne viva é imunda; é lepra.
16 Ou, se a carne viva mudar, e ficar de novo branca, ele virá ao sacerdote,
17 e este o examinará; se a praga se tiver tornado branca, o sacerdote
declarará limpo o que tem a praga; limpo está.
18 Quando também a carne tiver na sua pele alguma úlcera, se esta sarar,
19 e em seu lugar vier inchação branca ou mancha lustrosa, tirando a vermelho,
mostrar-se-á ao sacerdote,
20 e este a examinará; se ela parecer mais profunda que a pele, e o pêlo se
tiver tornado branco, o sacerdote declarará imundo o homem; é praga de lepra,
que brotou na úlcera.
21 Se, porém, o sacerdote a examinar, e nela não houver pêlo branco e não
estiver mais profunda que a pele, mas tiver escurecido, o sacerdote encerrará
por sete dias o homem.
22 Se ela se estender na pele, o sacerdote o declarará imundo; é praga.
23 Mas se a mancha lustrosa parar no seu lugar, não se estendendo, é a cicatriz
da úlcera; o sacerdote, pois, o declarará limpo.
24 Ou, quando na pele da carne houver queimadura de fogo, e a carne viva da
queimadura se tornar em mancha lustrosa, tirando a vermelho ou branco,
25 o sacerdote a examinará, e se o pêlo na mancha lustrosa se tiver tornado
branco, e ela parecer mais profunda que a pele, é lepra; brotou na queimadura;
portanto o sacerdote o declarará imundo; é praga de lepra.
26 Mas se o sacerdote a examinar, e na mancha lustrosa não houver pêlo branco,
nem estiver mais profunda que a pele, mas tiver escurecido, o sacerdote o
encerrará por sete dias.
27 Ao sétimo dia o sacerdote o examiará. Se ela se houver estendido na pele, o
sacerdote o declarará imundo; é praga de lepra.
28 Mas se a mancha lustrosa tiver parado no seu lugar, não se estendendo na
pele, e tiver escurecido, é a inchação da queimadura; portanto o sacerdote o
declarará limpo; porque é a cicatriz da queimadura.
29 E quando homem (ou mulher) tiver praga na cabeça ou na barba,
30 o sacerdote examinará a praga, e se ela parecer mais profunda que a pele, e
nela houver pêlo fino amarelo, o sacerdote o declarará imundo; é tinha, é lepra
da cabeça ou da barba.
31 Mas se o sacerdote examinar a praga da tinha, e ela não parecer mais
profunda que a pele, e nela não houver pêlo preto, o sacerdote encerrará por
sete dias o que tem a praga da tinha.
32 Ao sétimo dia o sacerdote examinará a praga; se a tinha não se tiver
estendido, e nela não houver pêlo amarelo, nem a tinha parecer mais profunda
que a pele,
33 o homem se rapará, mas não rapará a tinha; e o sacerdote encerrará por mais
sete dias o que tem a tinha.
34 Ao sétimo dia o sacerdote examinará a tinha; se ela não se houver estendido
na pele, e não parecer mais profunda que a pele, o sacerdote declarará limpo o
homem; o qual lavará as suas vestes, e será limpo.
35 Mas se, depois da sua purificação, a tinha estender na pele,
36 o sacerdote o examinará; se a tinha se tiver estendido na pele, o sacerdote
não buscará pêlo amarelo; o homem está imundo.
37 Mas se a tinha, a seu ver, tiver parado, e nela tiver crescido pêlo preto, a
tinha terá sarado; limpo está o homem; portanto o sacerdote o declarará limpo.
38 Quando homem (ou mulher) tiver na pele da sua carne manchas lustrosas, isto
é, manchas lustrosas brancas,
39 o sacerdote as examinará; se essas manchas lustrosas forem brancas tirando a
escuro, é impigem que brotou na pele; o homem é limpo.
40 Quando a cabeça do homem se pelar, ele é calvo; contudo é limpo.
41 E, se a frente da sua cabeça se pelar, ele é meio calvo; contudo é limpo.
42 Mas se na calva, ou na meia calva, houver praga branca tirando a vermelho, é
lepra que lhe está brotando na calva ou na meia calva.
43 Então o sacerdote o examinará, e se a inchação da praga na calva ou na meia
calva for branca tirando a vermelho, como parece a lepra na pele da carne,
44 leproso é aquele homem, é imundo; o sacerdote certamente o declarará imundo;
na sua cabeça está a praga.
45 Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas; ele
ficará com a cabeça descoberta e de cabelo solto, mas cobrirá o bigode, e
clamará: Imundo, imundo.
46 Por todos os dias em que a praga estiver nele, será imundo; imundo é;
habitará só; a sua habitação será fora do arraial.
47 Quando também houver praga de lepra em alguma vestidura, seja em vestidura
de lã ou em vestidura de linho,
48 quer na urdidura, quer na trama, seja de linho ou seja de lã; ou em pele, ou
em qualquer obra de pele;
49 se a praga na vestidura, quer na urdidura, quer na trama, ou na pele, ou em
qualquer coisa de pele, for verde ou vermelha, é praga de lepra, pelo que se
mostrará ao sacerdote;
50 o sacerdote examinará a praga, e encerrará por sete dias aquilo que tem a
praga.
51 Ao sétimo dia examinará a praga; se ela se houver estendido na vestidura,
quer na urdidura, quer na trama, ou na pele, seja qual for a obra em que se
empregue, a praga é lepra roedora; é imunda.
52 Pelo que se queimará aquela vestidura, seja a urdidura ou a trama, seja de
lã ou de linho, ou qualquer obra de pele, em que houver a praga, porque é lepra
roedora; queimar-se-á ao fogo.
53 Mas se o sacerdote a examinar, e ela não se tiver estendido na vestidura,
seja na urdidura, seja na trama, ou em qualquer obra de pele,
54 o sacerdote ordenará que se lave aquilo, em que está a praga, e o encerrará
por mais sete dias.
55 O sacerdote examinará a praga, depois de lavada, e se ela não tiver mudado
de cor, nem se tiver estendido, é imunda; no fogo a queimarás; é praga
penetrante, seja por dentro, seja por fora.
56 Mas se o sacerdote a examinar, e a praga tiver escurecido, depois de lavada,
então a rasgará da vestidura, ou da pele, ou da urdidura, ou da trama;
57 se ela ainda aparecer na vestidura, seja na urdidura, seja na trama, ou em
qualquer coisa de pele, é lepra brotante; no fogo queimarás aquilo em que há a
praga.
58 Mas a vestidura, quer a urdidura, quer a trama, ou qualquer coisa de pele,
que lavares, e de que a praga se retirar, se lavará segunda vez, e será limpa.
59 Esta é a lei da praga da lepra na vestidura de lã, ou de linho, quer na
urdidura, quer na rama, ou em qualquer coisa de pele, para declará-la limpa, ou
para declará-la imunda.
LEVÍTICO
[14]
1 Depois disse o Senhor a
Moisés:
2 Esta será a lei do leproso no dia da sua purificação: será levado ao
sacerdote,
3 e este sairá para fora do arraial, e o examinará; se a praga do leproso tiver
sarado,
4 o sacerdote ordenará que, para aquele que se há de purificar, se tomem duas
aves vivas e limpas, pau de cedro, carmesim e hissopo.
5 Mandará também que se imole uma das aves num vaso de barro sobre águas vivas.
6 Tomará a ave viva, e com ela o pau de cedro, o carmesim e o hissopo, os quais
molhará, juntamente com a ave viva, no sangue da ave que foi imolada sobre as
águas vivas;
7 e o espargirá sete vezes sobre aquele que se há de purificar da lepra; então
o declarará limpo, e soltará a ave viva sobre o campo aberto.
8 Aquele que se há de purificar lavará as suas vestes, rapará todo o seu pêlo e
se lavará em água; assim será limpo. Depois entrará no arraial, mas ficará fora
da sua tenda por sete dias.
9 Ao sétimo dia rapará todo o seu pêlo, tanto a cabeça como a barba e as
sobrancelhas, sim, rapará todo o pêlo; também lavará as suas vestes, e banhará
o seu corpo em água; assim será limpo.
10 Ao oitavo dia tomará dois cordeiros sem defeito, e uma cordeira sem defeito,
de um ano, e três décimos de efa de flor de farinha para oferta de cereais,
amassada com azeite, e um logue de azeite;
11 e o sacerdote que faz a purificação apresentará o homem que se há de
purificar, bem como aquelas coisas, perante o Senhor, à porta da tenda da
revelação.
12 E o sacerdote tomará um dos cordeiros, o oferecerá como oferta pela culpa;
e, tomando também o logue de azeite, os moverá por oferta de movimento perante
o Senhor.
13 E imolará o cordeiro no lugar em que se imola a oferta pelo pecado e o
holocausto, no lugar santo; porque, como a oferta pelo pecado pertence ao
sacerdote, assim também a oferta pela culpa; é coisa santíssima.
14 Então o sacerdote tomará do sangue da oferta pela culpa e o porá sobre a
ponta da orelha direita daquele que se há de purificar, e sobre o dedo polegar
da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito.
15 Tomará também do logue de azeite, e o derramará na palma da sua própria mão
esquerda;
16 então molhará o dedo direito no azeite que está na mão esquerda, e daquele
azeite espargirá com o dedo sete vezes perante o Senhor.
17 Do restante do azeite que está na sua mão, o sacerdote porá sobre a ponta da
orelha direita daquele que se há de purificar, e sobre o dedo polegar da sua
mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito, por cima do sangue da
oferta pela culpa;
18 e o restante do azeite que está na sua mão, pô-lo-á sobre a cabeça daquele
que se há de purificar; assim o sacerdote fará expiação por ele perante o
Senhor.
19 Também o sacerdote oferecerá a oferta pelo pecado, e fará expiação por
aquele que se há de purificar por causa a sua imundícia; e depois imolará o
holocausto,
20 e oferecerá o holocausto e a oferta de cereais sobre o altar; assim o
sacerdote fará expiação por ele, e ele será limpo.
21 Mas se for pobre, e as suas posses não bastarem para tanto, tomará um
cordeiro para oferta pela culpa como oferta de movimento, para fazer expiação
por ele, um décimo de efa de flor de farinha amassada com azeite, para oferta
de cereais, um logue de azeite,
22 e duas rolas ou dois pombinhos, conforme suas posses permitirem; dos quais
um será oferta pelo pecado, e o outro holocausto.
23 Ao oitavo dia os trará, para a sua purificação, ao sacerdote, à porta da
tenda da revelação, perante o Senhor;
24 e o sacerdote tomará o cordeiro da oferta pela culpa, e o logue de azeite, e
os moverá por oferta de movimento perante o Senhor.
25 Então imolará o cordeiro da oferta pela culpa e, tomando do sangue da oferta
pela culpa, pô-lo-á sobre a ponta da orelha direita daquele que se há de
purificar, e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do
seu pé direito.
26 Também o sacerdote derramará do azeite na palma da sua própria mão esquerda;
27 e com o dedo direito espargirá do azeite que está na mão esquerda, sete
vezes perante o Senhor;
28 igualmente, do azeite que está na mão, porá na ponta da orelha direita
daquele que se há de purificar, e no dedo polegar da sua mão direita, e no dedo
polegar do seu pé direito, em cima do lugar do sangue da oferta pela culpa;
29 e o restante do azeite que está na mão porá sobre a cabeça daquele que se há
de purificar, para fazer expiação por ele perante o Senhor.
30 Então oferecerá uma das rolas ou um dos pombinhos, conforme as suas posses lhe
permitirem,
31 sim, conforme as suas posses, um para oferta pelo pecado, e o outro como
holocausto, juntamente com a oferta de cereais; assim fará o sacerdote, perante
o Senhor, expiação por aquele que se há de purificar.
32 Esta é a lei daquele em quem estiver a praga da lepra, e cujas posses não
lhe permitirem apresentar a oferta estipulada para a sua purificação.
33 Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão:
34 Quando tiverdes entrado na terra de Canaã, que vos dou em possessão, e eu
puser a praga da lepra em alguma casa da terra da vossa possessão,
35 aquele a quem pertencer a casa virá e informará ao sacerdote, dizendo:
Parece-me que há como que praga em minha casa.
36 E o sacerdote ordenará que despejem a casa, antes que entre para examinar a
praga, para que não se torne imundo tudo o que está na casa; depois entrará o
sacerdote para examinar a casa;
37 examinará a praga, e se ela estiver nas paredes da casa em covinhas verdes
ou vermelhas, e estas parecerem mais profundas que a superfície,
38 o sacerdote, saindo daquela casa, deixá-la-á fechada por sete dias.
39 Ao sétimo dia voltará o sacerdote e a examinará; se a praga se tiver
estendido nas paredes da casa,
40 o sacerdote ordenará que arranquem as pedras em que estiver a praga, e que
as lancem fora da cidade, num lugar imundo;
41 e fará raspar a casa por dentro ao redor, e o pó que houverem raspado
deitarão fora da cidade, num lugar imundo;
42 depois tomarão outras pedras, e as porão no lugar das primeiras; e outra
argamassa se tomará, e se rebocará a casa.
43 Se, porém, a praga tornar a brotar na casa, depois de arrancadas as pedras,
raspada a casa e de novo rebocada,
44 o sacerdote entrará, e a examinará; se a praga se tiver estendido na casa,
lepra roedora há na casa; é imunda.
45 Portanto se derrubará a casa, as suas pedras, e a sua madeira, como também
toda a argamassa da casa, e se levará tudo para fora da cidade, a um lugar
imundo.
46 Aquele que entrar na casa, enquanto estiver fechada, será imundo até a
tarde.
47 Aquele que se deitar na casa lavará, as suas vestes; e quem comer na casa
lavara as suas vestes.
48 Mas, tornando o sacerdote a entrar, e examinando a casa, se a praga não se
tiver estendido nela, depois de ter sido rebocada, o sacerdote declarará limpa
a casa, porque a praga está curada.
49 E, para purificar a casa, tomará duas aves, pau de cedro, carmesim e
hissopo;
50 imolará uma das aves num vaso de barro sobre águas vivas;
51 tomará o pau de cedro, o hissopo, o carmesim e a ave viva, e os molhará no
sangue da ave imolada e nas águas vivas, e espargirá a casa sete vezes;
52 assim purificará a casa com o sangue da ave, com as águas vivas, com a ave
viva, com o pau de cedro, com o hissopo e com o carmesim;
53 mas soltará a ave viva para fora da cidade para o campo aberto; assim fará
expiação pela casa, e ela será limpa.
54 Esta é a lei de toda sorte de praga de lepra e de tinha;
55 da lepra das vestes e das casas;
56 da inchação, das pústulas e das manchas lustrosas;
57 para ensinar quando alguma coisa será imunda, e quando será limpa. Esta é a
lei da lepra.
LEVÍTICO
[15]
1 Disse ainda o Senhor a
Moisés e a Arão:
2 Falai aos filhos de Israel, e dizei-lhes: Qualquer homem que tiver fluxo da
sua carne, por causa do seu fluxo será imundo.
3 Esta, pois, será a sua imundícia por causa do seu fluxo: se a sua carne vasa
o seu fluxo, ou se a sua carne estanca o seu fluxo, esta é a sua imundícia.
4 Toda cama em que se deitar aquele que tiver fluxo será imunda; e toda coisa
sobre o que se sentar, sera imunda.
5 E, qualquer que tocar na cama dele lavará as suas vestes, e se banhará em
água, e será imundo até a tarde.
6 E aquele que se sentar sobre aquilo em que se sentou o que tem o fluxo,
lavará as suas vestes, e se banhará em água; e será imundo até a tarde,
7 Também aquele que tocar na carne do que tem o fluxo, lavará as suas vestes, e
se banhará em água, e será imundo até a tarde.
8 Quando o que tem o fluxo cuspir sobre um limpo, então lavará este as suas
vestes, e se banhará em água, e será imundo até a tarde.
9 Também toda sela, em que cavalgar o que tem o fluxo, será imunda.
10 E qualquer que tocar em alguma coisa que tiver estado debaixo dele será
imundo até a tarde; e aquele que levar alguma dessas coisas, lavará as suas
vestes, e se banhará em água, e será imundo até a tarde.
11 Também todo aquele em quem tocar o que tiver o fluxo, sem haver antes lavado
as mãos em água, lavará as suas vestes, e se banhará em água, e será imundo até
a tarde.
12 Todo vaso de barro em que tocar o que tiver o fluxo será quebrado; porém
todo vaso de madeira será lavado em água.
13 Quando, pois, o que tiver o fluxo e ficar limpo do seu fluxo, contará para
si sete dias para a sua purificação, lavará as suas vestes, banhará o seu corpo
em águas vivas, e será limpo.
14 Ao oitavo dia tomará para si duas rolas, ou dois pombinhos, e virá perante o
Senhor, à porta da tenda da revelação, e os dará ao sacerdote,
15 o qual os oferecerá, um para oferta pelo pecado, e o outro para holocausto;
e assim o sacerdote fará por ele expiação perante o Senhor, por causa do seu
fluxo.
16 Também se sair de um homem o seu sêmem banhará o seu corpo todo em água, e
será imundo até a tarde.
17 E toda vestidura, e toda pele sobre que houver sêmem serão lavadas em água,
e serão imundas até a tarde.
18 Igualmente quanto à mulher com quem o homem se deitar com sêmem ambos se
banharão em água, e serão imundos até a tarde.
19 Mas a mulher, quando tiver fluxo, e o fluxo na sua carne for sangue, ficará
na sua impureza por sete dias, e qualquer que nela tocar será imundo até a
tarde.
20 E tudo aquilo sobre o que ela se deitar durante a sua impureza, será imundo;
e tudo sobre o que se sentar, será imundo.
21 Também qualquer que tocar na sua cama, lavará as suas vestes, e se banhará
em água, e será imundo até a tarde.
22 E quem tocar em alguma coisa, sobre o que ela se tiver sentado, lavará as
suas vestes, e se banhará em água, e será imundo até a tarde.
23 Se o sangue estiver sobre a cama, ou sobre alguma coisa em que ela se
sentar, quando alguém tocar nele, será imundo até a tarde.
24 E se, com efeito, qualquer homem se deitar com ela, e a sua imundícia ficar
sobre ele, imundo será por sete dias; tambem toda cama, sobre que ele se
deitar, será imunda.
25 Se uma mulher tiver um fluxo de sangue por muitos dias fora do tempo da sua
impureza, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua impureza,
por todos os dias do fluxo da sua imundícia será como nos dias da sua impureza;
imunda será.
26 Toda cama sobre que ela se deitar durante todos os dias do seu fluxo
ser-lhe-á como a cama da sua impureza; e toda coisa sobre que se sentar será
imunda, conforme a imundícia da sua impureza.
27 E qualquer que tocar nessas coisas será imundo; portanto lavará as suas
vestes, e se banhará em água, e será imundo até a tarde.
28 Quando ela ficar limpa do seu fluxo, contará para si sete dias, e depois
será limpa.
29 Ao oitavo dia tomará para si duas rolas, ou dois pombinhos, e os trará ao
sacerdote, à porta da tenda da revelação.
30 Então o sacerdote oferecerá um deles para oferta pelo pecado, e o outro para
holocausto; e o sacerdote fará por ela expiação perante o Senhor, por causa do
fluxo da sua imundícia.
31 Assim separareis os filhos de Israel da sua imundícia, para que não morram
na sua imundícia, contaminando o meu tabernáculo, que está no meio deles.
32 Esta é a lei daquele que tem o fluxo e daquele de quem sai o sêmem de modo
que por eles se torna imundo;
33 como também da mulher enferma com a sua impureza e daquele que tem o fluxo,
tanto do homem como da mulher, e do homem que se deita com mulher imunda.
LEVÍTICO
[16]
1 Falou o Senhor a Moisés,
depois da morte dos dois filhos de Arão, que morreram quando se chegaram diante
do Senhor.
2 Disse, pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre em todo
tempo no lugar santo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está
sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o
propiciatório.
3 Com isto entrará Arão no lugar santo: com um novilho, para oferta pelo
pecado, e um carneiro para holocausto.
4 Vestirá ele a túnica sagrada de linho, e terá as calças de linho sobre a sua
carne, e cingir-se-á com o cinto de linho, e porá na cabeça a mitra de linho;
essas são as vestes sagradas; por isso banhará o seu corpo em água, e as
vestirá.
5 E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para oferta pelo
pecado e um carneiro para holocausto.
6 Depois Arão oferecerá o novilho da oferta pelo pecado, o qual será para ele,
e fará expiação por si e pela sua casa.
7 Também tomará os dois bodes, e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da
revelação.
8 E Arão lançará sortes sobre os dois bodes: uma pelo Senhor, e a outra por
Azazel.
9 Então apresentará o bode sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá
como oferta pelo pecado;
10 mas o bode sobre que cair a sorte para Azazel será posto vivo perante o
Senhor, para fazer expiação com ele a fim de enviá-lo ao deserto para Azazel.
11 Arão, pois, apresentará o novilho da oferta pelo pecado, que é por ele, e
fará expiação por si e pela sua casa; e imolará o novilho que é a sua oferta
pelo pecado.
12 Então tomará um incensário cheio de brasas de fogo de sobre o altar, diante
do Senhor, e dois punhados de incenso aromático bem moído, e os trará para
dentro do véu;
13 e porá o incenso sobre o fogo perante o Senhor, a fim de que a nuvem o incenso
cubra o propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não morra.
14 Tomará do sangue do novilho, e o espargirá com o dedo sobre o propiciatório
ao lado oriental; e perante o propiciatório espargirá do sangue sete vezes com
o dedo.
15 Depois imolará o bode da oferta pelo pecado, que é pelo povo, e trará o
sangue o bode para dentro do véu; e fará com ele como fez com o sangue do
novilho, espargindo-o sobre o propiciatório, e perante o propiciatório;
16 e fará expiação pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel
e das suas transgressões, sim, de todos os seus pecados. Assim também fará pela
tenda da revelação, que permanece com eles no meio das suas imundícias.
17 Nenhum homem estará na tenda da revelação quando Arão entrar para fazer
expiação no lugar santo, até que ele saia, depois de ter feito expiação por si
mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.
18 Então sairá ao altar, que está perante o Senhor, e fará expiação pelo altar;
tomará do sangue do novilho, e do sangue do bode, e o porá sobre as pontas do
altar ao redor.
19 E do sangue espargirá com o dedo sete vezes sobre o altar, purificando-o e
santificando-o das imundícias dos filhos de Israel.
20 Quando Arão houver acabado de fazer expiação pelo lugar santo, pela tenda da
revelação, e pelo altar, apresentará o bode vivo;
21 e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessará sobre ele todas as
iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, sim, todos os
seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto,
pela mão de um homem designado para isso.
22 Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para uma região
solitária; e esse homem soltará o bode no deserto.
23 Depois Arão entrará na tenda da revelação, e despirá as vestes de linho, que
havia vestido quando entrara no lugar santo, e ali as deixará.
24 E banhará o seu corpo em água num lugar santo, e vestirá as suas próprias
vestes; então sairá e oferecerá o seu holocausto, e o holocausto do povo, e fará
expiação por si e pelo povo.
25 Também queimará sobre o altar a gordura da oferta pelo pecado.
26 E aquele que tiver soltado o bode para Azazel lavará as suas vestes, e
banhará o seu corpo em água, e depois entrará no arraial.
27 Mas o novilho da oferta pelo pecado e o bode da oferta pelo pecado, cujo
sangue foi trazido para fazer expiação no lugar santo, serão levados para fora
do arraial; e lhes queimarão no fogo as peles, a carne e o excremento.
28 Aquele que os queimar lavará as suas vestes, banhara o seu corpo em água, e
depois entrará no arraial.
29 Também isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês,
afligireis as vossas almas, e não fareis trabalho algum, nem o natural nem o
estrangeiro que peregrina entre vos;
30 porque nesse dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; de todos os
vossos pecados sereis purificados perante o Senhor.
31 Será sábado de descanso solene para vós, e afligireis as vossas almas; é
estatuto perpétuo.
32 E o sacerdote que for ungido e que for sagrado para administrar o sacerdócio
no lugar de seu pai, fará a expiação, havendo vestido as vestes de linho, isto
é, as vestes sagradas;
33 assim fará expiação pelo santuário; também fará expiação pela tenda da
revelação e pelo altar; igualmente fará expiação e pelos sacerdotes e por todo
o povo da congregação.
34 Isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação uma vez no ano
pelos filhos de Israel por causa de todos os seus pecados. E fez Arão como o
Senhor ordenara a Moisés.
LEVÍTICO
[17]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Fala a Arão e aos seus filhos, e a s todos os filhos de Israel, e dize-lhes:
Isto é o que o Senhor tem ordenado:
3 Qualquer homem da casa de Israel que imolar boi, ou cordeiro, ou cabra, no
arraial, ou fora do arraial,
4 e não o trouxer à porta da tenda da revelação, para o oferecer como oferta ao
Senhor diante do tabernáculo do Senhor, a esse homem será imputado o sangue;
derramou sangue, pelo que será extirpado do seu povo;
5 a fim de que os filhos de Israel tragam os seus sacrifícios, que oferecem no
campo, isto é, a fim de que os tragam ao Senhor, à porta da tenda da revelação,
ao sacerdote, e os ofereçam por sacrifícios de ofertas, pacíficas ao Senhor.
6 E o sacerdote espargirá o sangue sobre o altar do Senhor, à porta da tenda da
revelação, e queimará a gordura por cheiro suave ao Senhor.
7 E nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos sátiros, após os quais eles
se prostituem; isso lhes será por estatuto perpétuo pelas suas gerações.
8 Dir-lhes-ás pois: Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que
entre vós peregrinam, que oferecer holocausto ou sacrifício,
9 e não o trouxer à porta da tenda da revelação, para oferecê-lo ao Senhor,
esse homem será extirpado do seu povo.
10 Também, qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam
entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei o meu rosto, e a
extirparei do seu povo.
11 Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o
altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que faz
expiação, em virtude da vida.
12 Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum de vós comerá sangue; nem o
estrangeiro que peregrina entre vós comerá sangue.
13 Também, qualquer homem dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que
peregrinam entre eles, que apanhar caça de fera ou de ave que se pode comer,
derramará o sangue dela e o cobrirá com pó.
14 Pois, quanto à vida de toda a carne, o seu sangue é uma e a mesma coisa com
a sua vida; por isso eu disse aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de
nenhuma carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o
comer será extirpado.
15 E todo homem, quer natural quer estrangeiro, que comer do que morre por si
ou do que é dilacerado por feras, lavará as suas vestes, e se banhará em água,
e será imundo até a tarde; depois será limpo.
16 Mas, se não as lavar, nem banhar o seu corpo, levará sobre si a sua
iniquidade
LEVÍTICO
[18]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Eu sou o Senhor vosso Deus.
3 Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes; nem fareis
segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo; nem andareis
segundo os seus estatutos.
4 Os meus preceitos observareis, e os meus estatutos guardareis, para andardes
neles. Eu sou o Senhor vosso Deus.
5 Guardareis, pois, os meus estatutos e as minhas ordenanças, pelas quais o
homem, observando-as, viverá. Eu sou o Senhor.
6 Nenhum de vós se chegará àquela que lhe é próxima por sangue, para descobrir
a sua nudez. Eu sou o Senhor.
7 Não descobrirás a nudez de teu pai, nem tampouco a de tua mãe; ela é tua mãe,
não descobrirás a sua nudez.
8 Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai; é nudez de teu pai.
9 A nudez de tua irmã por parte de pai ou por parte de mãe, quer nascida em
casa ou fora de casa, não a descobrirás.
10 Nem tampouco descobrirás a nudez da filha de teu filho, ou da filha de tua
filha; porque é tua nudez.
11 A nudez da filha da mulher de teu pai, gerada de teu pai, a qual é tua irmã,
não a descobrirás.
12 Não descobrirás a nudez da irmã de teu pai; ela é parenta chegada de teu
pai.
13 Não descobrirás a nudez da irmã de tua mãe, pois ela é parenta chegada de
tua mãe.
14 Não descobrirás a nudez do irmão de teu pai; não te chegarás à sua mulher;
ela é tua tia.
15 Não descobrirás a nudez de tua nora; ,ela é mulher de teu filho; não
descobrirás a sua nudez.
16 Não descobrirás a nudez da mulher de teu irmão; é a nudez de teu irmão.
17 Não descobrirás a nudez duma mulher e de sua filha. Não tomarás a filha de
seu filho, nem a filha de sua filha, para descobrir a sua nudez; são parentas
chegadas; é maldade.
18 E não tomarás uma mulher juntamente com sua irmã, durante a vida desta, para
tornar-lha rival, descobrindo a sua nudez ao lado da outra.
19 Também não te chegarás a mulher enquanto for impura em virtude da sua
imundícia, para lhe descobrir a nudez.
20 Nem te deitarás com a mulher de teu próximo, contaminando-te com ela.
21 Não oferecerás a Moloque nenhum dos teus filhos, fazendo-o passar pelo fogo;
nem profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor.
22 Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação.
23 Nem te deitarás com animal algum, contaminando-te com ele; nem a mulher se
porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; é confusão.
24 Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque com todas elas se
contaminaram as nações que eu expulso de diante de vós;
25 e, porquanto a terra está contaminada, eu visito sobre ela a sua iniqüidade,
e a terra vomita os seus habitantes.
26 Vós, pois, guardareis os meus estatutos e os meus preceitos, e nenhuma
dessas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre
vós
27 (porque todas essas abominações cometeram os homens da terra, que nela
estavam antes de vós, e a terra ficou contaminada);
28 para que a terra não seja contaminada por vós e não vos vomite também a vós,
como vomitou a nação que nela estava antes de vós.
29 Pois qualquer que cometer alguma dessas abominações, sim, aqueles que as
cometerem serão extirpados do seu povo.
30 Portanto guardareis o meu mandamento, de modo que não caiais em nenhum
desses abomináveis costumes que antes de vós foram seguidos, e para que não vos
contamineis com eles. Eu sou o Senhor vosso Deus.
LEVÍTICO
[19]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Sereis santos,
porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.
3 Temerá cada um a sua mãe e a seu pai; e guardareis os meus sábados. Eu sou o
Senhor vosso Deus.
4 Não vos volteis para os ídolos, nem façais para vós deuses de fundição. Eu
sou o Senhor vosso Deus.
5 Quando oferecerdes ao Senhor sacrifício de oferta pacífica, oferecê-lo-eis de
modo a serdes aceitos.
6 No mesmo dia, pois, em que o oferecerdes, e no dia seguinte, se comerá; mas o
que sobejar até o terceiro dia será queimado no fogo.
7 E se, na verdade, alguma coisa dele for comida ao terceiro dia, é coisa
abominável; não será aceito.
8 E qualquer que o comer levará sobre si a sua iniqüidade, porquanto profanou a
coisa santa do Senhor; por isso tal alma será extirpada do seu povo.
9 Quando fizeres a colheita da tua terra, não segarás totalmente os cantos do
teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega.
10 Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da
tua vinha; deixá-los-ás para o pobre e para o estrangeiro. Eu sou o senhor
vosso Deus.
11 Não furtareis; não enganareis, nem mentireis uns aos outros;
12 não jurareis falso pelo meu nome, assim profanando o nome do vosso Deus. Eu
sou o Senhor.
13 Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará
contigo até pela manhã.
14 Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás a
teu Deus. Eu sou o Senhor.
15 Não farás injustiça no juízo; não farás acepção da pessoa do pobre, nem
honrarás o poderoso; mas com justiça julgarás o teu próximo.
16 Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; nem conspirarás contra o
sangue do teu próximo. Eu sou o Senhor.
17 Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu
próximo, e não levarás sobre ti pecado por causa dele.
18 Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o
teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.
19 Guardareis os meus estatutos. Não permitirás que se cruze o teu gado com o
de espécie diversa; não semearás o teu campo com semente diversa; nem vestirás
roupa tecida de materiais diversos.
20 E, quando um homem se deitar com uma mulher que for escrava, desposada com
um homem, e que não for resgatada, nem se lhe houver dado liberdade, então
ambos serão açoitados; não morrerão, pois ela não era livre.
21 E como a sua oferta pela culpa, trará o homem ao Senhor, à porta da tenda da
revelação, um carneiro para expiação de culpa;
22 e, com o carneiro da oferta pela culpa, o sacerdote fará expiação por ele
perante o Senhor, pelo pecado que cometeu; e este lhe será perdoado.
23 Quando tiverdes entrado na terra e tiverdes plantado toda qualidade de
árvores para delas comerdes, tereis o seu fruto como incircunciso; por três
anos ele vos será como incircunciso; dele não se comerá.
24 No quarto ano, porém, todo o seu o fruto será santo, para oferta de louvor
ao Senhor.
25 E partindo do quinto ano comereis o seu fruto; para que elas vos aumentem a
sua produção. Eu sou o Senhor vosso Deus.
26 Não comereis coisa alguma com o sangue; não usareís de encantamentos, nem de
agouros.
27 Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem
desfigurareis os cantos da vossa barba.
28 Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo
imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor.
29 Não profanarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se
prostitua e não se encha de maldade.
30 Guardareis os meus sábados, e o meu santuário reverenciareis. Eu sou o
Senhor.
31 Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros;
não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso
Deus.
32 Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião, e temerás o teu
Deus. Eu sou o Senhor.
33 Quando um estrangeiro peregrinar convosco na vossa terra, não o
maltratareis.
34 Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrinar convosco;
amá-lo-eis como a vós mesmos; pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu
sou o Senhor vosso Deus.
35 Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida.
36 Balanças justas, pesos justos, efa justa, e justo him tereis. Eu sou o
Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito.
37 Pelo que guardareis todos os meus estatutos e todos os meus preceitos, e os
cumprireis. Eu sou o Senhor.
LEVÍTICO
[20]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer dos filhos de Israel, ou dos
estrangeiros peregrinos em Israel, que der de seus filhos a Moloque, certamente
será morto; o povo da terra o apedrejará.
3 Eu porei o meu rosto contra esse homem, e o extirparei do meio do seu povo;
porquanto eu de seus filhos a Moloque, assim contaminando o meu santuário e
profanando o meu santo nome.
4 E, se o povo da terra de alguma maneira esconder os olhos para não ver esse
homem, quando der de seus filhos a Moloque, e não matar,
5 eu porei o meu rosto contra esse homem, e contra a sua família, e o
extirparei do meio do seu povo, bem como a todos os que forem após ele,
prostituindo-se após Moloque.
6 Quanto àquele que se voltar para os que consultam os mortos e para os
feiticeiros, prostituindo-se após eles, porei o meu rosto contra aquele homem,
e o extirparei do meio do seu povo.
7 Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.
8 Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor, que vos santifico.
9 Qualquer que amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente será morto;
amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele.
10 O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a
mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a
adúltera.
11 O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu
pai; ambos os adúlteros certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.
12 Se um homem se deitar com a sua nora, ambos certamente serão mortos;
cometeram uma confusão; o seu sangue será sobre eles.
13 Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse com mulher, ambos terão
praticado abominação; certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.
14 Se um homem tomar uma mulher e a mãe dela, é maldade; serão queimados no
fogo, tanto ele quanto elas, para que não haja maldade no meio de vós.
15 Se um homem se ajuntar com um animal, certamente será morto; também matareis
o animal.
16 Se uma mulher se chegar a algum animal, para ajuntar-se com ele, matarás a
mulher e bem assim o animal; certamente serão mortos; o seu sangue será sobre
eles:
17 Se um homem tomar a sua irmã, por parte de pai, ou por parte de mãe, e vir a
nudez dela, e ela a dele, é torpeza; portanto serão extirpados aos olhos dos
filhos do seu povo; terá descoberto a nudez de sua irmã; levará sobre si a sua
iniqüidade.
18 Se um homem se deitar com uma mulher no tempo da enfermidade dela, e lhe
descobrir a nudez, descobrindo-lhe também a fonte, e ela descobrir a fonte do
seu sangue, ambos serão extirpados do meio do seu povo.
19 Não descobrirás a nudez da irmã de tua mãe, ou da irmã de teu pai, porquanto
isso será descobrir a sua parenta chegada; levarão sobre si a sua iniqüidade.
20 Se um homem se deitar com a sua tia, terá descoberto a nudez de seu tio;
levarão sobre si o seu pecado; sem filhos morrerão.
21 Se um homem tomar a mulher de seu irmão, é imundícia; terá descoberto a
nudez de seu irmão; sem filhos ficarão.
22 Guardareis, pois, todos os meus estatutos e todos os meus preceitos, e os
cumprireis; a fim de que a terra, para a qual eu vos levo, para nela morardes,
não vos vomite.
23 E não andareis nos costumes dos povos que eu expulso de diante de vós;
porque eles fizeram todas estas coisas, e eu os abominei.
24 Mas a vós vos tenho dito: Herdareis a sua terra, e eu vo-la darei para a
possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos
separei dos povos.
25 Fareis, pois, diferença entre os animais limpos e os imundos, e entre as
aves imundas e as limpas; e não fareis abomináveis as vossas almas por causa de
animais, ou de aves, ou de qualquer coisa de tudo de que está cheia a terra, as
quais coisas apartei de vós como imundas.
26 E sereis para mim santos; porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos
povos, para serdes meus.
27 O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será
morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles.
LEVÍTICO
[21]
1 Depois disse o senhor a
Moisés: Fala aos sacerdotes, filhos de Arão, e dize-lhes: O sacerdote não se
contaminará por causa dum morto entre o seu povo,
2 salvo por um seu parente mais chegado: por sua mãe ou por seu pai, por seu
filho ou por sua filha, por seu irmão,
3 ou por sua irmã virgem, que lhe é chegada, que ainda não tem marido; por ela
também pode contaminar-se.
4 O sacerdote, sendo homem principal entre o seu povo, não se profanará, assim
contaminando-se.
5 Não farão os sacerdotes calva na cabeça, e não raparão os cantos da barba,
nem farão lacerações na sua carne.
6 santos serão para seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus; porque
oferecem as ofertas queimadas do senhor, que são o pão do seu Deus; portanto
serão santos.
7 Não tomarão mulher prostituta ou desonrada, nem tomarão mulher repudiada de
seu marido; pois o sacerdote é santo para seu Deus.
8 Portanto o santificarás; porquanto oferece o pão do teu Deus, santo te será;
pois eu, o Senhor, que vos santifico, sou santo.
9 E se a filha dum sacerdote se profanar, tornando-se prostituta, profana a seu
pai; no fogo será queimada.
10 Aquele que é sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi
derramado o óleo da unção, e que foi consagrado para vestir as vestes sagradas,
não descobrirá a cabeça nem rasgará a sua vestidura;
11 e não se chegará a cadáver algum; nem sequer por causa de seu pai ou de sua,
mãe se contaminará;
12 não sairá do santuário, nem profanará o santuário do seu Deus; pois a coroa
do óleo da unção do seu Deus está sobre ele. Eu sou o Senhor.
13 E ele tomará por esposa uma mulher na sua virgindade.
14 Viúva, ou repudiada, ou desonrada, ou prostituta, destas não tomará; mas
virgem do seu povo tomará por mulher.
15 E não profanará a sua descendência entre o seu povo; porque eu sou o Senhor
que o santifico.
16 Disse mais o Senhor a Moisés:
17 Fala a Arão, dizendo: Ninguém dentre os teus descendentes, por todas as suas
gerações, que tiver defeito, se chegará para oferecer o pão do seu Deus.
18 Pois nenhum homem que tiver algum defeito se chegará: como homem cego, ou
coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos,
19 ou homem que tiver o pé quebrado, ou a mão quebrada,
20 ou for corcunda, ou anão, ou que tiver belida, ou sarna, ou impigens, ou que
tiver testículo lesado;
21 nenhum homem dentre os descendentes de Arão, o sacerdote, que tiver algum
defeito, se chegará para oferecer as ofertas queimadas do Senhor; ele tem
defeito; não se chegará para oferecer o pão do seu Deus.
22 Comerá do pão do seu Deus, tanto do santíssimo como do santo;
23 contudo, não entrará até o véu, nem se chegará ao altar, porquanto tem
defeito; para que não profane os meus santuários; porque eu sou o Senhor que os
santifico.
24 Moisés, pois, assim falou a Arão e a seus filhos, e a todos os filhos de
Israel.
LEVÍTICO
[22]
1 Depois disse o Senhor a
Moisés:
2 Dize a Arão e a seus filhos que se abstenham das coisas sagradas dos filhos
de Israel, as quais eles a mim me santificam, e que não profanem o meu santo
nome. Eu sou o Senhor.
3 Dize-lhes: Todo homem dentre os vossos descendentes pelas vossas gerações
que, tendo sobre si a sua imundícia, se chegar às coisas sagradas que os filhos
de Israel santificam ao Senhor, aquela alma será extirpada da minha presença.
Eu sou o Senhor.
4 Ninguém dentre os descendentes de Arão que for leproso, ou tiver fluxo,
comerá das coisas sagradas, até que seja limpo. Também o que tocar em alguma
coisa tornada imunda por causa e um morto, ou aquele de quem sair o sêmem
5 ou qualquer que tocar em algum animal que se arrasta, pelo qual se torne
imundo, ou em algum homem, pelo qual se torne imundo, seja qual for a sua
imundícia,
6 o homem que tocar em tais coisas será imundo até a tarde, e não comerá das
coisas sagradas, mas banhará o seu corpo em água
7 e, posto o sol, então será limpo; depois comerá das coisas sagradas, porque
isso é o seu pão.
8 Do animal que morrer por si, ou do que for dilacerado por feras, não comerá o
homem, para que não se contamine com ele. Eu sou o Senhor.
9 Guardarão, pois, o meu mandamento, para que, havendo-o profanado, não levem
pecado sobre si e morram nele. Eu sou o Senhor que os santifico.
10 Também nenhum estranho comerá das coisas sagradas; nem o hóspede do
sacerdote, nem o jornaleiro, comerá delas.
11 Mas aquele que o sacerdote tiver comprado com o seu dinheiro, e o nascido na
sua casa, esses comerão do seu pão.
12 Se a filha de um sacerdote se casar com um estranho, ela não comerá da
oferta alçada das coisas sagradas.
13 Mas quando a filha do sacerdote for viúva ou repudiada, e não tiver filhos,
e houver tornado para a casa de seu pai, como na sua mocidade, do pão de seu
pai comerá; mas nenhum estranho comerá dele.
14 Se alguém por engano comer a coisa sagrada, repô-la-á, acrescida da quinta
parte, e a dará ao sacerdote como a coisa sagrada.
15 Assim não profanarão as coisas sagradas dos filhos de Israel, que eles
oferecem ao Senhor,
16 nem os farão levar sobre si a iniqüidade que envolve culpa, comendo as suas
coisas sagradas; pois eu sou o Senhor que as santifico.
17 Disse mais o Senhor a Moisés:
18 Fala a Arão, e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e dize-lhes:
Todo homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros em Israel, que oferecer a sua
oferta, seja dos seus votos, seja das suas ofertas voluntárias que oferecerem
ao Senhor em holocausto,
19 para que sejais aceitos, oferecereis macho sem defeito, ou dos novilhos, ou
dos cordeiros, ou das cabras.
20 Nenhuma coisa, porém, que tiver defeito oferecereis, porque não será aceita
a vosso favor.
21 E, quando alguém oferecer sacrifício de oferta pacífica ao Senhor para
cumprir um voto, ou para oferta voluntária, seja do gado vacum, seja do gado
miúdo, o animal será perfeito, para que seja aceito; nenhum defeito haverá
nele.
22 O cego, ou quebrado, ou aleijado, ou que tiver úlceras, ou sarna, ou
impigens, estes não oferecereis ao Senhor, nem deles poreis oferta queimada ao
Senhor sobre o altar.
23 Todavia, um novilho, ou um cordeiro, que tenha algum membro comprido ou
curto demais, poderás oferecer por oferta voluntária, mas para cumprir voto não
será aceito.
24 Não oferecereis ao Senhor um animal que tiver testículo machucado, ou moído,
ou arrancado, ou lacerado; não fareis isso na vossa terra.
25 Nem da mão do estrangeiro oferecereis de alguma dessas coisas o pão do vosso
Deus; porque a sua corrupção nelas está; há defeito nelas; não serão aceitas a
vosso favor.
26 Disse mais o Senhor a Moisés:
27 Quando nascer um novilho, ou uma ovelha, ou uma cabra, por sete dias ficará
debaixo de sua mãe; depois, desde o dia oitavo em diante, será aceito por
oferta queimada ao Senhor.
28 Também, seja vaca ou seja ovelha, não a imolareis a ela e à sua cria, ambas
no mesmo dia.
29 E, quando oferecerdes ao Senhor sacrifício de ação de graças, oferecê-lo-eis
de modo a serdes aceitos.
30 No mesmo dia se comerá; nada deixareis ficar dele até pela manhã. Eu sou o
Senhor.
31 Guardareis os meus mandamentos, e os cumprireis. Eu sou o Senhor.
32 Não profanareis o meu santo nome, e serei santificado no meio dos filhos de
Israel. Eu sou o Senhor que vos santifico,
33 que vos tirei da terra do Egito para ser o vosso Deus. Eu sou o Senhor.
LEVÍTICO
[23]
1 Depois disse o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As festas fixas do Senhor, que
proclamareis como santas convocações, são estas:
3 Seis dias se fará trabalho, mas o sétimo dia é o sábado do descanso solene,
uma santa convocação; nenhum trabalho fareis; é sábado do Senhor em todas as
vossas habitações.
4 São estas as festas fixas do Senhor, santas convocações, que proclamareis no
seu tempo determinado:
5 No mês primeiro, aos catorze do mês, à tardinha, é a páscoa do Senhor.
6 E aos quinze dias desse mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis
pães ázimos.
7 No primeiro dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
8 Mas por sete dias oferecereis oferta queimada ao Senhor; ao sétimo dia haverá
santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
9 Disse mais o Senhor a Moisés:
10 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra
que eu vos dou, e segardes a sua sega, então trareis ao sacerdote um molho das
primícias da vossa sega;
11 e ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos. No dia seguinte
ao sábado o sacerdote o moverá.
12 E no dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem defeito, de um
ano, em holocausto ao Senhor.
13 Sua oferta de cereais será dois décimos de efa de flor de farinha, amassada
com azeite, para oferta queimada em cheiro suave ao Senhor; e a sua oferta de
libação será de vinho, um quarto de him.
14 E não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até aquele mesmo
dia, em que trouxerdes a oferta do vosso Deus; é estatuto perpétuo pelas vossas
gerações, em todas as vossas habitações.
15 Contareis para vós, desde o dia depois do sábado, isto é, desde o dia em que
houverdes trazido o molho da oferta de movimento, sete semanas inteiras;
16 até o dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; então
oferecereis nova oferta de cereais ao Senhor.
17 Das vossas habitações trareis, para oferta de movimento, dois pães de dois
décimos de efa; serão de flor de farinha, e levedados se cozerão; são primícias
ao Senhor.
18 Com os pães oferecereis sete cordeiros sem defeito, de um ano, um novilho e
dois carneiros; serão holocausto ao Senhor, com as respectivas ofertas de
cereais e de libação, por oferta queimada de cheiro suave ao Senhor.
19 Também oferecereis um bode para oferta pelo pecado, e dois cordeiros de um
ano para sacrifício de ofertas pacíficas.
20 Então o sacerdote os moverá, juntamente com os pães das primícias, por
oferta de movimento perante o Senhor, com os dois cordeiros; santos serão ao
Senhor para uso do sacerdote.
21 E fareis proclamação nesse mesmo dia, pois tereis santa convocação; nenhum
trabalho servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas habitações pelas
vossas gerações.
22 Quando fizeres a sega da tua terra, não segarás totalmente os cantos do teu
campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o
estrangeiro as deixarás. Eu sou o Senhor vosso Deus.
23 Disse mais o Senhor a Moisés:
24 Fala aos filhos de Israel: No sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá
para vós descanso solene, em memorial, com sonido de trombetas, uma santa
convocação.
25 Nenhum trabalho servil fareis, e oferecereis oferta queimada ao Senhor.
26 Disse mais o Senhor a Moisés:
27 Ora, o décimo dia desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa
convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao
Senhor.
28 Nesse dia não fareis trabalho algum; porque é o dia da expiação, para nele
fazer-se expiação por vós perante o Senhor vosso Deus.
29 Pois toda alma que não se afligir nesse dia, será extirpada do seu povo.
30 Também toda alma que nesse dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio
do seu povo.
31 Não fareis nele trabalho algum; isso será estatuto perpétuo pelas vossas
gerações em todas as vossas habitações.
32 Sábado de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha
do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso sábado.
33 Disse mais o Senhor a Moisés:
34 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês
haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias.
35 No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
36 Por sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao oitavo dia tereis
santa convocação, e oferecereis oferta queimada ao Senhor; será uma assembléia
solene; nenhum trabalho servil fareis.
37 Estas são as festas fixas do Senhor, que proclamareis como santas
convocações, para oferecer-se ao Senhor oferta queimada, holocausto e oferta de
cereais, sacrifícios e ofertas de libação, cada qual em seu dia próprio;
38 além dos sábados do Senhor, e além dos vossos dons, e além de todos os
vossos votos, e além de todas as vossas ofertas voluntárias que derdes ao
Senhor.
39 Desde o dia quinze do sétimo mês, quando tiverdes colhido os frutos da
terra, celebrareis a festa do Senhor por sete dias; no primeiro dia haverá
descanso solene, e no oitavo dia haverá descanso solene.
40 No primeiro dia tomareis para vós o fruto de árvores formosas, folhas de
palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras; e vos
alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.
41 E celebrá-la-eis como festa ao Senhor por sete dias cada ano; estatuto
perpétuo será pelas vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis.
42 Por sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais em Israel habitarão
em tendas de ramos,
43 para que as vossas gerações saibam que eu fiz habitar em tendas de ramos os
filhos de Israel, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso
Deus.
44 Assim declarou Moisés aos filhos de Israel as festas fixas do Senhor.
LEVÍTICO
[24]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Ordena aos filhos de Israel que te tragam, para o candeeiro, azeite de
oliveira, puro, batido, a fim de manter uma lâmpada acesa continuamente.
3 Arão a conservará em ordem perante o Senhor, continuamente, desde a tarde até
a manhã, fora do véu do testemunho, na tenda da revelação; será estatuto
perpétuo pelas vossas gerações.
4 Sobre o candelabro de ouro puro conservará em ordem as lâmpadas perante o
Senhor continuamente.
5 Também tomarás flor de farinha, e dela cozerás doze pães; cada pão será de
dois décimos de efa.
6 E pô-los-ás perante o Senhor, em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a
mesa de ouro puro.
7 Sobre cada fileira porás incenso puro, para que seja sobre os pães como
memorial, isto é, como oferta queimada ao Senhor;
8 em cada dia de sábado, isso se porá em ordem perante o Senhor continuamente;
e, a favor dos filhos de Israel, um pacto perpétuo.
9 Pertencerão os pães a Arão e a seus filhos, que os comerão em lugar santo,
por serem coisa santíssima para eles, das ofertas queimadas ao Senhor por
estatuto perpétuo.
10 Naquele tempo apareceu no meio dos filhos de Israel o filho duma mulher
israelita, o qual era filho dum egípcio; e o filho da israelita e um homem
israelita pelejaram no arraial;
11 e o filho da mulher israelita blasfemou o Nome, e praguejou; pelo que o
trouxeram a Moisés. Ora, o nome de sua mãe era Selomite, filha de Dibri, da
tribo de Dã.
12 Puseram-no, pois, em detenção, até que se lhes fizesse declaração pela boca
do Senhor.
13 Então disse o Senhor a Moisés:
14 Tira para fora do arraial o que tem blasfemado; todos os que o ouviram porão
as mãos sobre a cabeça dele, e toda a congregação o apedrejará.
15 E dirás aos filhos de Israel: Todo homem que amaldiçoar o seu Deus, levará
sobre si o seu pecado.
16 E aquele que blasfemar o nome do Senhor, certamente será morto; toda a
congregação certamente o apedrejará. Tanto o estrangeiro como o natural, que
blasfemar o nome do Senhor, será morto.
17 Quem matar a alguém, certamente será morto;
18 e quem matar um animal, fará restituição por ele, vida por vida.
19 Se alguém desfigurar o seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito:
20 quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver
desfigurado algum homem, assim lhe será feito.
21 Quem, pois, matar um animal, fará restituição por ele; mas quem matar um
homem, será morto.
22 uma mesma lei tereis, tanto para o estrangeiro como para o natural; pois eu
sou o Senhor vosso Deus.
23 Então falou Moisés aos filhos de Israel. Depois eles levaram para fora do
arraial aquele que tinha blasfemado e o apedrejaram. Fizeram, pois, os filhos
de Israel como o Senhor ordenara a Moisés.
LEVÍTICO
[25]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés no monte Sinai:
2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra que
eu vos dou, a terra guardará um sábado ao Senhor.
3 Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás
os seus frutos;
4 mas no sétimo ano haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao
Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha.
5 O que nascer de si mesmo da tua sega não segarás, e as uvas da tua vide não
tratada não vindimarás; ano de descanso solene será para a terra.
6 Mas os frutos do sábado da terra vos serão por alimento, a ti, e ao teu
servo, e à tua serva, e ao teu jornaleiro, e ao estrangeiro que peregrina
contigo,
7 e ao teu gado, e aos animais que estão na tua terra; todo o seu produto será
por mantimento.
8 Também contarás sete sábados de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os
dias dos sete sábados de anos serão quarenta e nove anos.
9 Então, no décimo dia do sétimo mês, farás soar fortemente a trombeta; no dia
da expiação fareis soar a trombeta por toda a vossa terra.
10 E santificareis o ano qüinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a
todos os seus habitantes; ano de jubileu será para vós; pois tornareis, cada um
à sua possessão, e cada um à sua família.
11 Esse ano qüinquagésimo será para vós jubileu; não semeareis, nem segareis o
que nele nascer de si mesmo, nem nele vindimareis as uvas das vides não
tratadas.
12 Porque é jubileu; santo será para vós; diretamente do campo comereis o seu
produto.
13 Nesse ano do jubileu tornareis, cada um à sua possessão.
14 Se venderdes alguma coisa ao vosso próximo ou a comprardes da mão do vosso
próximo, não vos defraudareis uns aos outros.
15 Conforme o número de anos desde o jubileu é que comprarás ao teu próximo, e
conforme o número de anos das colheitas é que ele te venderá.
16 Quanto mais forem os anos, tanto mais aumentarás o preço, e quanto menos
forem os anos, tanto mais abaixarás o preço; porque é o número das colheitas
que ele te vende.
17 Nenhum de vós oprimirá ao seu próximo; mas temerás o teu Deus; porque eu sou
o Senhor vosso Deus.
18 Pelo que observareis os meus estatutos, e guardareis os meus preceitos e os
cumprireis; assim habitareis seguros na terra.
19 Ela dará o seu fruto, e comereis a fartar; e nela habitareis seguros.
20 Se disserdes: Que comeremos no sétimo ano, visto que não haveremos de
semear, nem fazer a nossa colheita?
21 então eu mandarei a minha bênção sobre vós no sexto ano, e a terra produzirá
fruto bastante para os três anos.
22 No oitavo ano semeareis, e comereis da colheita velha; até o ano nono, até
que venha a colheita nova, comereis da velha.
23 Também não se venderá a terra em perpetuidade, porque a terra é minha; pois
vós estais comigo como estrangeiros e peregrinos:
24 Portanto em toda a terra da vossã possessão concedereis que seja remida a
terra.
25 Se teu irmão empobrecer e vender uma parte da sua possessão, virá o seu
parente mais chegado e remirá o que seu irmao vendeu.
26 E se alguém não tiver remidor, mas ele mesmo tiver enriquecido e achado o
que basta para o seu resgate,
27 contará os anos desde a sua venda, e o que ficar do preço da venda
restituirá ao homem a quem a vendeu, e tornará à sua possessao.
28 Mas, se as suas posses não bastarem para reavê-la, aquilo que tiver vendido
ficará na mão do comprador até o ano do jubileu; porém no ano do jubileu sairá da
posse deste, e aquele que vendeu tornará à sua possessão.
29 Se alguém vender uma casa de moradia em cidade murada, poderá remi-la dentro
de um ano inteiro depois da sua venda; durante um ano inteiro terá o direito de
a remir.
30 Mas se, passado um ano inteiro, não tiver sido resgatada, essa casa que está
na cidade murada ficará, em perpetuidade, pertencendo ao que a comprou, e à sua
descendência; não sairá o seu poder no jubileu.
31 Todavia as casas das aldeias que não têm muro ao redor serão consideradas
como o campo da terra; poderão ser remidas, e sairão do poder do comprador no
jubileu.
32 Também, no tocante às cidades dos levitas, às casas das cidades da sua
possessão, terão eles direito perpétuo de remi-las.
33 E se alguém comprar dos levitas uma casa, a casa comprada e a cidade da sua
possessão sairão do poder do comprador no jubileu; porque as casas das cidades
dos levitas são a sua possessão no meio dos filhos de Israel.
34 Mas o campo do arrabalde das suas cidades não se poderá vender, porque lhes
é possessão perpétua.
35 Também, se teu irmão empobrecer ao teu lado, e lhe enfraquecerem as mãos,
sustentá-lo-ás; como estrangeiro e peregrino viverá contigo.
36 Não tomarás dele juros nem ganho, mas temerás o teu Deus, para que teu irmao
viva contigo.
37 Não lhe darás teu dinheiro a juros, nem os teus víveres por lucro.
38 Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a
terra de Canaã, para ser o vosso Deus.
39 Também, se teu irmão empobrecer ao teu lado e vender-se a ti, não o farás
servir como escravo.
40 Como jornaleiro, como peregrino estará ele contigo; até o ano do jubileu te
servirá;
41 então sairá do teu serviço, e com ele seus filhos, e tornará à sua família,
à possessao de seus pais.
42 Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como
escravos.
43 Não dominarás sobre ele com rigor, mas temerás o teu Deus.
44 E quanto aos escravos ou às escravas que chegares a possuir, das nações que
estiverem ao redor de vós, delas é que os comprareis.
45 Também os comprareis dentre os filhos dos estrangeiros que peregrinarem
entre vós, tanto dentre esses como dentre as suas famílias que estiverem
convosco, que tiverem eles gerado na vossa terra; e vos serão por possessão.
46 E deixá-los-eis por herança aos vossos filhos depois de vós, para os
herdarem como possessão; desses tomareis os vossos escravos para sempre; mas
sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, não dominareis com rigor, uns sobre
os outros.
47 Se um estrangeiro ou peregrino que estiver contigo se tornar rico, e teu
irmão, que está com ele, empobrecer e vender-se ao estrangeiro ou peregrino que
está contigo, ou à linhagem da família do estrangeiro,
48 depois que se houver vendido, poderá ser remido; um de seus irmãos o poderá
remir;
49 ou seu tio, ou o filho de seu tio, ou qualquer parente chegado da sua
família poderá remi-lo; ou, se ele se tiver tornado rico, poderá remir-se a si
mesmo.
50 E com aquele que o comprou fará a conta desde o ano em que se vendeu a ele
até o ano do jubileu; e o preço da sua venda será conforme o número dos anos;
conforme os dias de um jornaleiro estará com ele.
51 Se ainda faltarem muitos anos, conforme os mesmos restituirá, do dinheiro
pelo qual foi comprado, o preço da sua redenção;
52 e se faltarem poucos anos até o ano do jubileu, fará a conta com ele;
segundo o número dos anos restituirá o preço da sua redenção.
53 Como servo contratado de ano em ano, estará com o comprador; o qual não
dominará sobre ele com rigor diante dos teus olhos.
54 E, se não for remido por nenhum desses meios, sairá livre no ano do jubileu,
e com ele seus filhos.
55 Porque os filhos de Israel são meus servos; eles são os meus servos que
tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus.
LEVÍTICO
[26]
1 Não fareis para vós ídolos,
nem para vós levantareis imagem esculpida, nem coluna, nem poreis na vossa
terra pedra com figuras, para vos inclinardes a ela; porque eu sou o Senhor
vosso Deus.
2 Guardareis os meus sábados, e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o
Senhor.
3 Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos e os
cumprires,
4 eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo, e a terra dará o seu produto, e as
árvores do campo darão os seus frutos;
5 a debulha vos continuará até a vindima, e a vindima até a semeadura; comereis
o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra.
6 Também darei paz na terra, e vos deitareis, e ninguém vos amedrontará. Farei
desaparecer da terra os animais nocivos, e pela vossa terra não passará espada.
7 Perseguireis os vossos inimigos, e eles cairão à espada diante de vós.
8 Cinco de vós perseguirão a um cento deles, e cem de vós perseguirão a dez
mil; e os vossos inimigos cairão à espada diante de vos.
9 Outrossim, olharei para vós, e vos farei frutificar, e vos multiplicarei, e
confirmarei o meu pacto convosco.
10 E comereis da colheita velha por longo tempo guardada, até afinal a
removerdes para dar lugar à nova.
11 Também porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos
abominará.
12 Andarei no meio de vós, e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo.
13 Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra dos egípcios, para que
não fôsseis seus escravos; e quebrei os canzis do vosso jugo, e vos fiz andar
erguidos.
14 Mas, se não me ouvirdes, e não cumprirdes todos estes mandamentos,
15 e se rejeitardes os meus estatutos, e a vossa alma desprezar os meus
preceitos, de modo que não cumprais todos os meus mandamentos, mas violeis o
meu pacto,
16 então eu, com efeito, vos farei isto: porei sobre vós o terror, a tísica e a
febre ardente, que consumirão os olhos e farão definhar a vida; em vão
semeareis a vossa semente, pois os vossos inimigos a comerão.
17 Porei o meu rosto contra vós, e sereis feridos diante de vossos inimigos; os
que vos odiarem dominarão sobre vós, e fugireis sem que ninguém vos persiga.
18 Se nem ainda com isto me ouvirdes, prosseguirei em castigar-vos sete vezes
mais, por causa dos vossos pecados.
19 Pois quebrarei a soberba do vosso poder, e vos farei o céu como ferro e a
terra como bronze.
20 Em vão se gastará a vossa força, porquanto a vossa terra não dará o seu
produto, nem as árvores da terra darão os seus frutos.
21 Ora, se andardes contrariamente para comigo, e não me quiseres ouvir, trarei
sobre vos pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados.
22 Enviarei para o meio de vós as feras do campo, as quais vos desfilharão, e
destruirão o vosso gado, e vos reduzirão a pequeno número; e os vossos caminhos
se tornarão desertos.
23 Se nem ainda com isto quiserdes voltar a mim, mas continuardes a andar
contrariamente para comigo,
24 eu também andarei contrariamente para convosco; e eu, eu mesmo, vos ferirei
sete vezes mais, por causa dos vossos pecados.
25 Trarei sobre vós a espada, que executará a vingança do pacto, e vos
aglomerareis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, e sereis
entregues na mão do inimigo.
26 Quando eu vos quebrar o sustento do pão, dez mulheres cozerão o vosso pão
num só forno, e de novo vo-lo entregarão por peso; e comereis, mas não vos
fartareis.
27 Se nem ainda com isto me ouvirdes, mas continuardes a andar contrariamente
para comigo,
28 também eu andarei contrariamente para convosco com furor; e vos castigarei
sete vezes mais, por causa dos vossos pecados.
29 E comereis a carne de vossos filhos e a carne de vossas filhas.
30 Destruirei os vossos altos, derrubarei as vossas imagens do sol, e lançarei
os vossos cadáveres sobre os destroços dos vossos ídolos; e a minha alma vos
abominará.
31 Reduzirei as vossas cidades a deserto, e assolarei os vossos santuários, e não
cheirarei o vosso cheiro suave.
32 Assolarei a terra, e sobre ela pasmarão os vossos inimigos que nela habitam.
33 Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos
perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em
deserto.
34 Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação, e
vós estareis na terra dos vossos inimigos; nesse tempo a terra descansará, e
folgará nos seus sábados.
35 Por todos os dias da assolação descansará, pelos dias que não descansou nos
vossos sábados, quando nela habitáveis.
36 E, quanto aos que de vós ficarem, eu lhes meterei pavor no coração nas
terras dos seus inimigos; e o ruído de uma folha agitada os porá em fuga;
fugirão como quem foge da espada, e cairão sem que ninguém os persiga;
37 sim, embora não haja quem os persiga, tropeçarão uns sobre os outros como
diante da espada; e não podereis resistir aos vossos inimigos.
38 Assim perecereis entre as nações, e a terra dos vossos inimigos vos
devorará;
39 e os que de vós ficarem definharão pela sua iniqüidade nas terras dos vossos
inimigos, como também pela iniqüidade de seus pais.
40 Então confessarão a sua iniqüidade, e a iniqüidade de seus pais, com as suas
transgressões, com que transgrediram contra mim; igualmente confessarão que,
por terem andado contrariamente para comigo,
41 eu também andei contrariamente para com eles, e os trouxe para a terra dos
seus inimigos. Se então o seu coração incircunciso se humilhar, e tomarem por
bem o castigo da sua iniqüidade,
42 eu me lembrarei do meu pacto com Jacó, do meu pacto com Isaque, e do meu
pacto com Abraão; e bem assim da terra me lembrarei.
43 A terra também será deixada por eles e folgará nos seus sábados, sendo
assolada por causa deles; e eles tomarão por bem o castigo da sua iniqüidade,
em razão mesmo de que rejeitaram os meus preceitos e a sua alma desprezou os
meus estatutos.
44 Todavia, ainda assim, quando eles estiverem na terra dos seus inimigos, não
os rejeitarei nem os abominarei a ponto de consumi-los totalmente e quebrar o
meu pacto com eles; porque eu sou o Senhor seu Deus.
45 Antes por amor deles me lembrarei do pacto com os seus antepassados, que
tirei da terra do Egito perante os olhos das nações, para ser o seu Deus. Eu
sou o Senhor.
46 São esses os estatutos, os preceitos e as leis que o Senhor firmou entre si
e os filhos de Israel, no monte Sinai, por intermédio de Moisés.
LEVÍTICO
[27]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando alguém fizer ao Senhor um voto
especial que envolve pessoas, o voto será cumprido segundo a tua avaliação das
pessoas.
3 Se for de um homem, desde a idade de vinte até sessenta anos, a tua avaliação
será de cinqüenta siclos de prata, segundo o siclo do santuário.
4 Se for mulher, a tua avaliação será de trinta siclos.
5 Se for de cinco anos até vinte, a tua avaliação do homem será de vinte
siclos, e da mulher dez siclos.
6 Se for de um mês até cinco anos, a tua avaliação do homem será de cinco
siclos de prata, e da mulher três siclos de prata.
7 Se for de sessenta anos para cima, a tua avaliação do homem será de quinze
siclos, e da mulher dez siclos.
8 Mas, se for mais pobre do que a tua avaliação, será apresentado perante o
sacerdote, que o avaliará conforme as posses daquele que tiver feito o voto.
9 Se for animal dos que se oferecem em oferta ao Senhor, tudo quanto der dele
ao Senhor será santo.
10 Não o mudará, nem o trocará, bom por mau, ou mau por bom; mas se de qualquer
maneira trocar animal por animal, tanto um como o outro será santo.
11 Se for algum animal imundo, dos que não se oferecem em oferta ao Senhor,
apresentará o animal diante do sacerdote;
12 e o sacerdote o avaliará, seja bom ou seja mau; segundo tu, sacerdote, o
avaliares, assim será.
13 Mas, se o homem, com efeito, quiser remi-lo, acrescentará a quinta parte
sobre a tua avaliação.
14 Quando alguém santificar a sua casa para ser santa ao Senhor, o sacerdote a
avaliará, seja boa ou seja má; como o sacerdote a avaliar, assim será.
15 Mas, se aquele que a tiver santificado quiser remir a sua casa, então
acrescentará a quinta parte do dinheiro sobre a tua avaliação, e terá a casa.
16 Se alguém santificar ao Senhor uma parte do campo da sua possessão, então a
tua avaliação será segundo a sua sementeira: um terreno que leva um hômer de
semente de cevada será avaliado em cinqüenta siclos de prata.
17 Se ele santificar o seu campo a partir do ano do jubileu, conforme a tua
avaliação ficará.
18 Mas se santificar o seu campo depois do ano do jubileu, o sacerdote lhe
calculará o dinheiro conforme os anos que restam até o ano do jubileu, e assim
será feita a tua avaliação.
19 Se aquele que tiver santificado o campo, com efeito, quiser remi-lo,
acrescentará a quinta parte do dinheiro da tua avaliação, e lhe ficará
assegurado o campo.
20 Se não o quiser remir, ou se houver vendido o campo a outrem, nunca mais
poderá ser remido.
21 Mas o campo, quando sair livre no ano do jubileu, será santo ao Senhor, como
campo consagrado; a possessão dele será do sacerdote.
22 Se alguém santificar ao Senhor um campo que tiver comprado, o qual não for
parte do campo da sua possessão,
23 o sacerdote lhe contará o valor da tua avaliação até o ano do jubileu; e no
mesmo dia dará a tua avaliação, como coisa santa ao Senhor.
24 No ano do jubileu o campo tornará àquele de quem tiver sido comprado, isto
é, àquele a quem pertencer a possessão do campo.
25 Ora, toda tua avaliação se fará conforme o siclo do santuário; o siclo será
de vinte jeiras.
26 Contudo o primogênito dum animal, que por ser primogênito já pertence ao
senhor, ninguém o santificará; seja boi ou gado miúdo, pertence ao Senhor.
27 Mas se o primogênito for dum animal imundo, remir-se-á segundo a tua
avaliação, e a esta se acrescentará a quinta parte; e se não for remido, será
vendido segundo a tua avaliação.
28 Todavia, nenhuma coisa consagrada ao Senhor por alguém, daquilo que possui,
seja homem, ou animal, ou campo da sua possessão, será vendida nem será remida;
toda coisa consagrada será santíssima ao Senhor.
29 Nenhuma pessoa que dentre os homens for devotada será resgatada; certamente
será morta.
30 Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das
árvores, pertencem ao senhor; santos são ao Senhor.
31 Se alguém quiser remir uma parte dos seus dízimos, acrescentar-lhe-á a
quinta parte.
32 Quanto a todo dízimo do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da
vara, esse dízimo será santo ao Senhor.
33 Não se examinará se é bom ou mau, nem se trocará; mas se, com efeito, se
trocar, tanto um como o outro será santo; não serão remidos.
34 são esses os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de
Israel, no monte Sinai.
[1]
1 Falou o Senhor a Moisés no
deserto de Sinai, na tenda da revelação, no primeiro dia do segundo mês, no
segundo ano depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, dizendo:
2 Tomai a soma de toda a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas
famílias, segundo as casas de seus pais, conforme o número dos nomes de todo
homem, cabeça por cabeça;
3 os da idade de vinte anos para cima, isto é, todos os que em Israel podem
sair à guerra, a esses contareis segundo os seus exércitos, tu e Arão.
4 Estará convosco de cada tribo um homem que seja cabeça da casa de seus pais.
5 Estes, pois, são os nomes dos homens que vos assistirão: de Rúben Elizur,
filho de Sedeur;
6 de Simeão, Selumiel, filho de Zurisadai;
7 de Judá, Nasom, filho de Aminadabe;
8 de Issacar, Netanel, filho de Zuar;
9 de Zebulom, Eliabe, filho de Helom;
10 dos filhos de José: de Efraim, Elisama, filho de Amiúde; de Manassés,
Gamaliel, filho de Pedazur;
11 de Benjamim, Abidã, filho de Gideôni;
12 de Dã, Aizer, filho de Amisadai;
13 de Aser, Pagiel, filho de Ocrã;
14 de Gade, Eliasafe, filho de o Deuel;
15 de Naftali, Airá, Filho de Enã.
16 São esses os que foram chamados da congregação, os príncipes das tribos de
seus pais, os cabeças dos milhares de Israel.
17 Então tomaram Moisés e Arão a esses homens que são designados por nome;
18 e, tendo ajuntado toda a congregação no primeiro dia do segundo mês,
declararam a linhagem deles segundo as suas familias, segundo as casas de seus
pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima, cabeça por
cabeça;
19 como o Senhor ordenara a Moisés, assim este os contou no deserto de Sinai.
20 Os filhos de Rúben o primogênito de Israel, as suas gerações, pelas suas
famílias, segundo as casas de seus pais, conforme o número dos nomes, cabeça
por cabeça, todo homem de vinte anos para cima, todos os que podiam sair à
guerra,
21 os que foram contados deles, da tribo de Rúben eram quarenta e seis mil e
quinhentos.
22 Dos filhos de Simeão, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as
casas de seus pais, conforme o número dos nomes, cabeça por cabeça, todo homem
de vinte anos para cima, todos os que podiam sair à guerra,
23 os que foram contados deles, da tribo de Simeão, eram cinqüenta e nove mil e
trezentos.
24 Dos filhos de Gade, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as casas
de seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima, todos os
que podiam sair a guerra,
25 os que foram contados deles, da tribo de Gade, eram quarenta e cinco mil
seiscentos e cinqüenta.
26 Dos filhos de Judá, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as casas
de seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima, todos os
que podiam sair a guerra,
27 os que foram contados deles, da tribo de Judá, eram setenta e quatro mil e
seiscentos.
28 Dos filhos de Issacar, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as
casas de seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima,
todos os que podiam sair a guerra,
29 os que foram contados deles, da tribo de Issacar, eram cinqüenta e quatro
mil e quatrocentos.
30 Dos filhos de Zebulom, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as
casas de seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima,
todos os que podiam sair a guerra,
31 os que foram contados deles, da tribo de Zebulom, eram cinqüenta e sete mil
e quatrocentos.
32 Dos filhos de José: dos filhos de Efraim, as suas gerações, pelas suas
famílias, segundo as casas de seus pais, conforme o número dos nomes dos de
vinte anos para cima, todos os que podiam sair à guerra,
33 os que foram contados deles, da tribo de Efraim, eram quarenta mil e
quinhentos;
34 e dos filhos de Manassés, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as
casas de seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima,
todos os que podiam sair à guerra,
35 os que foram contados deles, da tribo de Manassés, eram trinta e dois mil e
duzentos.
36 Dos filhos de Benjamim, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as
casas de seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima,
todos os que podiam sair à guerra,
37 os que foram contados deles, da tribo de Benjamim, eram trinta e cinco mil e
quatrocentos.
38 Dos filhos de Dã, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as casas de
seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima, todos os
que podiam sair à guerra,
39 os que foram contados deles, da tribo de Dã, eram sessenta e dois mil e
setecentos.
40 Dos filhos de Aser, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as casas
de seus pais, conforme o numero dos nomes dos de vinte anos para cima, todos os
que podiam sair à guerra,
41 os que foram contados deles, da tribo de Aser, eram quarenta e um mil e
quinhentos.
42 Dos filhos de Naftali, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo as
casas de seus pais, conforme o número dos nomes dos de vinte anos para cima,
todos os que podiam sair a guerra,
43 os que foram contados deles, da tribo de Naftali, eram cinqüenta e três mil
e quatrocentos,
44 São esses os que foram contados por Moisés e Arão, e pelos príncipes de
Israel, sendo estes doze homens e representando cada um a casa de seus pais.
45 Assim todos os que foram contados dos filhos de Israel, segundo as casas de
seus pais, de vinte anos para cima, todos os de Israel que podiam sair à
guerra,
46 sim, todos os que foram contados eram : seiscentos e três mil quinhentos e
cinqüenta.
47 Mas os levitas, segundo a tribo de e seus pais, não foram contados entre
eles;
48 porquanto o Senhor dissera a Moisés:
49 Somente não contarás a tribo de Levi, nem tomarás a soma deles entre os
filhos de Israel;
50 mas tu põe os levitas sobre o tabernáculo do testemunho, sobre todos os seus
móveis, e sobre tudo o que lhe pertence. Eles levarão o tabernáculo e todos os
seus móveis, e o administrarão; e acampar-se-ão ao redor do tabernáculo.
51 Quando o tabernáculo houver de partir, os levitas o desarmarão; e quando o
tabernáculo se houver de assentar, os levitas o armarão; e o estranho que se
chegar será morto.
52 Os filhos de Israel acampar-se-ão, cada um no seu arraial, e cada um junto
ao seu estandarte, segundo os seus exércitos.
53 Mas os levitas acampar-se-ão ao redor do tabernáculo do testemunho, para que
não suceda acender-se ira contra a congregação dos filhos de Israel; pelo que
os levitas terão o cuidado da guarda do tabernáculo do testemunho.
54 Assim fizeram os filhos de Israel; conforme tudo o que o Senhor ordenara a
Moisés, assim o fizeram.
NÚMEROS
[2]
1 Disse o Senhor a Moisés e a
Arão:
2 Os filhos de Israel acampar-se-ão, cada um junto ao seu estandarte, com as
insígnias das casas de seus pais; ao redor, de frente para a tenda da
revelação, se acamparão.
3 Ao lado oriental se acamparão os do estandarte do arraial de Judá, segundo os
seus exércitos; e Nasom, filho de Aminadabe, será o príncipe dos filhos de
Judá.
4 E o seu exército, os que foram contados deles, era de setenta e quatro mil e
seiscentos.
5 Junto a eles se acamparão os da tribo de Issacar; e Netanel, filho de Zuar,
será o príncipe dos filhos de Issacar.
6 E o seu exército, os que foram contados deles, era de cinqüenta e quatro mil
e quatrocentos.
7 Depois a tribo de Zebulom; e Eliabe, filho de Helom, será o príncipe dos filhos
de Zebulom.
8 E o seu exército, os que foram contados deles, era de cinqüenta e sete mil e
quatrocentos.
9 Todos os que foram contados do arraial de Judá eram cento e oitenta e seis
mil e quatrocentos, segundo os seus exércitos. Esses marcharão primeiro.
10 O estandarte do arraial de Rúben segundo os seus exércitos, estará para a
banda do sul; e Elizur, filho de Sedeur, será o príncipe dos filhos de Rúben.
11 E o seu exército, os que foram contados deles, era de quarenta e seis mil e
quinhentos.
12 Junto a ele se acamparão os da tribo de Simeão; e Selumiel, filho de
Zurisadai, será o príncipe dos filhos de Simeão.
13 E o seu exército, os que foram contados deles, era de cinqüenta e nove mil e
trezentos.
14 Depois a tribo de Gade; e Eliasafe, filho de Reuel, será o príncipe dos
filhos de Gade.
15 E o seu exército, os que foram contados deles, era de quarenta e cinco mil
seiscentos e cinqüenta.
16 Todos os que foram contados do arraial de Rúben eram cento e cinqüenta e um
mil quatrocentos e cinqüenta, segundo os seus exércitos. Esses marcharão em
segundo lugar.
17 Então partirá a tenda da revelação com o arraial dos levitas no meio dos
arraiais; como se acamparem, assim marcharão, cada um no seu lugar, segundo os
seus estandartes.
18 Para a banda do ocidente estará o estandarte do arraial de Efraim, segundo
os seus exércitos; e Elisama, filho de Amiúde, será o príncipe dos filhos de
Efraim.
19 E o seu exército, os que foram contados deles, era de quarenta mil e
quinhentos.
20 Junto a eles estará a tribo de Manassés; e Gamaliel, filho de Pedazur, será
o príncipe dos filhos de Manassés.
21 E o seu exército, os que foram contados deles, era de trinta e dois mil e
duzentos.
22 Depois a tribo de Benjamim; e Abidã, filho de Gideôni, será o príncipe dos
filhos de Benjamim.
23 E o seu exército, os que foram contados deles, era de trinta e cinco mil e
quatrocentos.
24 Todos os que foram contados o arraial de Efraim eram cento e oito mil e cem,
segundo os seus exércitos. Esses marcharão em terceiro lugar.
25 Para a banda do norte estará o estandarte do arraial de Dã, segundo os seus
exércitos; e Aiezer, filho de Amisadai, será o príncipe dos filhos de Dã.
26 E o seu exército, os que foram contados deles, era de sessenta e dois mil e
setecentos.
27 Junto a eles se acamparão os da tribo de Aser; e Pagiel, filho de Ocrã, será
o príncipe dos filhos de Aser.
28 E o seu exército, os que foram contados deles, era de quarenta e um mil e
quinhentos.
29 Depois a tribo de Naftali; e Airá, filho de Enã, será o príncipe dos filhos
de Naftali.
30 E o seu exército, os que foram contados deles, era de cinqüenta e três mil e
quatrocentos.
31 Todos os que foram contados do arraial de Dã eram cento e cinqüenta e sete
mil e seiscentos. Esses marcharão em último lugar, segundo os seus estandartes.
32 São esses os que foram contados dos filhos de Israel, segundo as casas de
seus pais; todos os que foram contados dos arraiais segundo os seus exércitos,
eram seiscentos e três mil quinhentos e cinquenta.
33 Os levicampo consagrado; a possessão dele será do sacerdote. foram contados
entre os filhos de Israel.
34 Assim fizeram os filhos de Israel, conforme tudo o que o Senhor ordenara a
Moisés; acamparam-se segundo os seus estandartes, e marcharam, cada qual
segundo as suas familias, segundo as casas de seus pais.
NÚMEROS
[3]
1 Estas, pois, eram as
gerações de Arão e de Moisés, no dia em que o Senhor falou com Moisés no monte
Sinai.
2 Os nomes dos filhos de Arão são estes: o primogênito, Nadabe; depois Abiú,
Eleazar e Itamar.
3 São esses os nomes dos filhos de Arão, dos sacerdotes que foram ungidos, a
quem ele consagrou para administrarem o sacerdocio.
4 Mas Nadabe e Abiú morreram perante o Senhor, quando ofereceram fogo estranho
perante o Senhor no deserto de Sinai, e não tiveram filhos; porém Eleazar e
Itamar administraram o sacerdócio diante de Arão, seu pai.
5 Então disse o Senhor a Moisés:
6 Faze chegar a tribo de Levi, e põe-nos diante de Arão, o sacerdote, para que
o sirvam;
7 eles cumprirão o que é devido a ele e a toda a congregação, diante da tenda
da revelação, fazendo o serviço do tabernáculo;
8 cuidarão de todos os móveis da tenda da revelação, e zelarão pelo cumprimento
dos deveres dos filhos de Israel, fazendo o serviço do tabernáculo.
9 Darás, pois, os levitas a Arão e a seus filhos; de todo lhes são dados da
parte dos filhos de Israel.
10 Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que desempenhem o seu sacerdócio; e o
estranho que se chegar será morto.
11 Disse mais o senhor a Moisés:
12 Eu, eu mesmo tenho tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar
de todo primogênito, que abre a madre, entre os filhos de Israel; e os levitas
serão meus,
13 porque todos os primogênitos são meus. No dia em que feri a todos os
primogênitos na terra do Egito, santifiquei para mim todos os primogênitos em
Israel, tanto dos homens como dos animais; meus serão. Eu sou o Senhor.
14 Disse mais o Senhor a Moisés no deserto de Sinai:
15 Conta os filhos de Levi, segundo as casas de seus pais, pelas suas famílias;
contarás todo homem da idade de um mês, para cima.
16 E Moisés os contou conforme o mandado do Senhor, como lhe fora ordenado.
17 Estes, pois, foram os filhos de Levi, pelos seus nomes: Gérson, Coate e
Merári.
18 E estes são os nomes dos filhos de Gérson pelas suas famílias: Líbni e
Simei.
19 E os filhos de Coate, pelas suas famílias: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel.
20 E os filhos de Merári, pelas suas familias: Mali e Musi. São essas as
famílias dos levitas, segundo as casas de seus pais.
21 De Gérson era a familia dos libnitas e a família dos simeítas. São estas as
famílias dos gersonitas.
22 Os que deles foram contados, segundo o número de todos os homens da idade de
um mês para cima, sim, os que deles foram c contados eram sete mil e
quinhentos.
23 As famílias dos gersonitas acampar-se-ão atrás do tabernáculo, ao ocidente.
24 E o prícipe da casa paterna dos gersonitas será Eliasafe, filho de Lael.
25 E os filhos de Gérson terão a seu cargo na tenda da revelação o tabernáculo
e a tenda, a sua coberta e o reposteiro da porta da tenda da revelação,
26 e as cortinas do átrio, e o reposteiro da porta do átrio, que está junto ao
tabernáculo e junto ao altar, em redor, como também as suas cordas para todo o
seu serviço.
27 De Coate era a familia dos anramitas, e a familia dos izaritas, e a familia
dos hebronitas, e a família dos uzielitas; são estas as famílias dos coatitas.
28 Segundo o número de todos os homens da idade de um mês para cima, eram oito
mil e seiscentos os que tinham a seu cargo o santuário.
29 As famílias dos filhos de Coate acampar-se-ão ao lado do tabernáculo para a
banda do sul.
30 E o príncipe da casa paterna das familias dos coatitas será Elizafã, filho
de Uziel.
31 Eles terão a seu cargo a arca e a mesa, o candelabro, os altares e os
utensílios do santuário com que ministram, e o reposteiro com todo o seu
serviço.
32 E o príncipe dos príncipes de Levi será Eleazar, filho de Arão, o sacerdote;
ele terá a superintendência dos que têm a seu cargo o santuário.
33 De Merári era a família dos malitas e a família dos musitas; são estas as
famílias de Merári.
34 Os que deles foram contados, segundo o número de todos os homens de um mês
para cima, eram seis mil e duzentos.
35 E o príncipe da casa paterna das famílias de Merári será Zuriel, filho de
Abiail; eles se acamparão ao lado do tabernáculo, para a banda do norte.
36 Por designação os filhos de Merári terão a seu cargo as armações do
tabernáculo e os seus travessões, as suas colunas e as suas bases, e todos os
seus pertences, com todo o seu serviço,
37 e as colunas do átrio em redor e as suas bases, as suas estacas e as suas
cordas.
38 Diante do tabernáculo, para a banda do oriente, diante da tenda da
revelação, acampar-se-ão Moisés, e Arão com seus filhos, que terão a seu cargo
o santuário, para zelarem pelo cumprimento dos deveres dos filhos de Israel; e
o estranho que se chegar será morto.
39 Todos os que foram contados dos levitas, que Moisés e Arão contaram por
mandado do Senhor, segundo as suas famílias, todos os homens de um mês para
cima, eram vinte e dois mil.
40 Disse mais o Senhor a Moisés: Conta todos os primogênitos dos filhos de
Israel, da idade de um mês para cima, e toma o número dos seus nomes.
41 E para mim tomarás os levitas (eu sou o Senhor) em lugar de todos os
primogênitos dos filhos de Israel, e o gado dos levitas em lugar de todos os
primogênitos entre o gado de Israel.
42 Moisés, pois, contou, como o Senhor lhe ordenara, todos os primogênitos
entre os filhos de Israel.
43 E todos os primogênitos, pelo número dos nomes, da idade de um mês para
cima, segundo os que foram contados deles, eram vinte e dois mil duzentos e
setenta e três.
44 Disse ainda mais o Senhor a Moisés:
45 Toma os levitas em lugar de todos os primogênitos entre os filhos de Israel,
e o gado dos levitas em lugar do gado deles; porquanto os levitas serão meus.
Eu sou o Senhor.
46 Pela redenção dos duzentos e setenta e três primogênitos dos filhos de
Israel, que excedem o número dos levitas,
47 receberás por cabeça cinco siclos; conforme o siclo do santuário os
receberás (o siclo tem vinte jeiras),
48 e darás a Arão e a seus filhos o dinheiro da redenção dos que excedem o
número entre eles.
49 Então Moisés recebeu o dinheiro da redenção dos que excederam o número dos
que foram remidos pelos levitas;
50 dos primogênitos dos filhos de Israel recebeu o dinheiro, mil trezentos e
sessenta e cinco siclos, segundo o siclo do santuário.
51 E Moisés deu o dinheiro da redenção a Arão e a seus filhos, conforme o
Senhor lhe ordenara.
NÚMEROS
[4]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés e a Arão:
2 Tomai a soma dos filhos de Coate, dentre os filhos de Levi, pelas suas
famílias, segundo as casas de seus pais,
3 da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta anos, de todos os que
entrarem no serviço para fazerem o trabalho na tenda da revelação.
4 Este será o serviço dos filhos de Coate; na tenda da revelação, no tocante as
coisas santíssimas:
5 Quando partir o arraial, Arão e seus filhos entrarão e, abaixando o véu do
reposteiro, com ele cobrirão a arca do testemunho;
6 por-lhe-ão por cima uma coberta de peles de golfinhos, e sobre ela estenderão
um pano todo de azul, e lhe meterão os varais.
7 Sobre a mesa dos pães da proposição estenderão um pano de azul, e sobre ela
colocarão os pratos, as colheres, as tigelas e os cântaros para as ofertas de
libação; também o pão contínuo estará sobre ela.
8 Depois estender-lhe-ão por cima um pano de carmesim, o qual cobrirão com uma
coberta de peles de golfinhos, e meterão à mesa os varais.
9 Então tomarão um pano de azul, e cobrirão o candelabro da luminária, as suas
lâmpadas, os seus espevitadores, os seus cinzeiros, e todos os seus vasos do
azeite, com que o preparam;
10 e o envolverão, juntamente com todos os seus utensílios, em uma coberta de
peles de golfinhos, e o colocarão sobre os varais.
11 Sobre o altar de ouro estenderão um pano de azul, e com uma coberta de peles
de golfinhos o cobrirão, e lhe meterão os varais.
12 Também tomarão todos os utensilios do ministério, com que servem no
santuário, envolvê-los-ão num pano de azul e, cobrindo-os com uma coberta de
peles de golfinhos, os colocarão sobre os varais.
13 E, tirando as cinzas do altar, estenderão sobre ele um pano de púrpura;
14 colocarão nele todos os utensilios com que o servem: os seus braseiros,
garfos, as pás e as bacias, todos os utensílios do altar; e sobre ele
estenderão uma coberta de peles de golfinhos, e lhe meterão os varais.
15 Quando Arão e seus filhos, ao partir o arraial, acabarem de cobrir o
santuário e todos os seus móveis, os filhos de Coate virão para levá-lo; mas
nas coisas sagradas não tocarão, para que não morram; esse é o cargo dos filhos
de Coate na tenda da revelação.
16 Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, terá a seu cargo o azeite da luminária,
o incenso aromático, a oferta contínua de cereais e o óleo da unção; isto é,
terá a seu cargo todo o tabernáculo, e tudo o que nele há, o santuário e os
seus móveis.
17 Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão:
18 Não cortareis a tribo das famílias dos coatitas do meio dos levitas;
19 mas isto lhes fareis, para que vivam e não morram, quando se aproximarem das
coisas santíssimas: Arão e seus filhos entrarão e lhes designarão a cada um o
seu serviço e o seu cargo;
20 mas eles não entrarão a ver, nem por um momento, as coisas sagradas, para
que não morram.
21 Disse mais o Senhor a Moisés:
22 Toma também a soma dos filhos de Gérsom segundo as casas de seus pais,
segundo as suas famílias;
23 da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta os contarás, a todos os
que entrarem no serviço para fazerem o trabalho na tenda da revelação.
24 Este será o serviço das familias dos gersonitas, ao servirem e ao levarem as
cargas:
25 levarão as cortinas do tabernáculo, a tenda da revelação, a sua coberta, a
coberta de peles de golfinhos, que está por cima, o reposteiro da porta da
tenda da revelação,
26 as cortinas do átrio, o reposteiro da porta do átrio, que está junto ao
tabernáculo e junto ao altar em redor, as suas cordas, e todos os instrumentos
do seu serviço; enfim tudo quanto se houver de fazer no tocante a essas coisas,
nisso hão de servir.
27 Todo o trabalho dos filhos dos gersonitas, em todo o seu cargo, e em todo o
seu serviço, será segundo o mandado de Arão e de seus filhos; e lhes
designareis os cargos em que deverão servir.
28 Este é o serviço das famílias dos filhos dos gersonitas na tenda da
revelação; e o seu trabalho estará sob a direção de Itamar, filho de Arão, o
sacerdote.
29 Quanto aos filhos de Merári, contá-los-ás segundo as suas famílias, segundo
as casas e seus pais;
30 da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta os contarás, a todos os
que entrarem no serviço para fazerem o trabalho da tenda da revelação,
31 Este será o seu encargo, segundo todo o seu serviço na tenda da revelação:
as armações do tabernáculo e os seus varais, as suas colunas e as suas bases,
32 como também as colunas do átrio em redor e as suas bases, as suas estacas e
as suas cordas, com todos os seus objetos, e com todo o seu serviço; e por nome
lhes designareis os objetos que ficarão a seu cargo.
33 Este é o serviço das famílias dos filhos de Merári, segundo todo o seu
trabalho na tenda da revelação, sob a direção de Itamar, filho de Arão, o
sacerdote.
34 Moisés, pois, e Arão e os príncipes da congregação contaram os filhos dos
coatitas, segundo as suas famílias, segundo as casas e seus pais,
35 da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, todos os que entraram no
serviço para o trabalho na tenda da revelação;
36 os que deles foram contados, pois, segundo as suas famílias, eram dois mil
setecentos e cinqüenta.
37 Esses são os que foram contados das familias dos coatitas, isto é, todos os
que haviam de servir na tenda da revelação, aos quais Moisés e Arão contaram,
conforme o mandado do Senhor por intermédio de Moises.
38 Semelhantemente os que foram contados dos filhos de Gérsom segundo as suas
familias, segundo as casas de seus pais,
39 da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, todos os que entraram no
serviço, para o trabalho na tenda da revelação,
40 os que deles foram contados, segundo as suas familias, segundo as casas de
seus pais, eram dois mil seiscentos e trinta.
41 Esses são os que foram contados das famílias dos filhos de Gérsom todos os
que haviam de servir na tenda da revelação, aos quais Moisés e Arão contaram,
conforme o mandado do Senhor.
42 E os que foram contados das famílias dos filhos de Merári, segundo as suas
famílias, segundo as casas de seus pais,
43 da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, todos os que entraram no
serviço, para o trabalho na tenda da revelação,
44 os que deles foram contados, segundo as suas famílias, eram três mil e
duzentos.
45 Esses são os que foram contados das familias dos filhos de Merári, aos quais
Moisés e Arão contaram, conforme o mandado do Senhor por intermédio de Moisés.
46 Todos os que foram contados dos levitas, aos quais contaram Moisés e Arão e
os príncipes de Israel, segundo as suas famílias, segundo as casas de seus
pais,
47 da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta, todos os que entraram no
serviço para trabalharem e para levarem cargas na tenda da revelação,
48 os que deles foram contados eram oito mil quinhentos e oitenta.
49 Conforme o mandado do Senhor foram contados por Moisés, cada qual segundo o
seu serviço, e segundo o seu cargo; assim foram contados por ele, como o Senhor
lhe ordenara.
NÚMEROS
[5]
1 Disse mais o Senhor a Moisés:
2 Ordena aos filhos de Israel que lancem para fora do arraial a todo leproso, e
a todo o que padece fluxo, e a todo o que está oriundo por ter tocado num
morto;
3 tanto homem como mulher os lançareis para fora, sim, para fora do arraial os
lançareis; para que não contaminem o seu arraial, no meio do qual eu habito.
4 Assim fizeram os filhos de Israel, lançando-os para fora do arraial; como o
Senhor falara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel.
5 Disse mais o Senhor a Moisés: Dize aos filhos de Israel: Quando homem ou
mulher pecar contra o seu próximo, transgredindo os mandamentos do Senhor, e
tornando-se assim culpado,
7 confessará o pecado que tiver cometido, e pela sua culpa fará plena
restituição, e ainda lhe acrescentará a sua quinta parte; e a dará àquele
contra quem se fez culpado.
8 Mas, se esse homem não tiver parente chegado, a quem se possa fazer a
restituição pela culpa, esta será feita ao Senhor, e será do sacerdote, além do
carneiro da expiação com que se fizer expiação por ele.
9 Semelhantemente toda oferta alçada de todas as coisas consagradas dos filhos
de Israel, que estes trouxerem ao sacerdote, será dele.
10 Enfim, as coisas consagradas de cada um serão do sacerdote; tudo o que
alguém lhe der será dele.
11 Disse mais o Senhor a Moisés:
12 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Se a mulher de alguém se desviar
pecando contra ele,
13 e algum homem se deitar com ela, sendo isso oculto aos olhos de seu marido e
conservado encoberto, se ela se tiver contaminado, e contra ela não houver
testemunha, por não ter sido apanhada em flagrante;
14 se o espírito de ciúmes vier sobre ele, e de sua mulher tiver ciúmes, por
ela se haver contaminado, ou se sobre ele vier o espírito de ciúmes, e de sua
mulher tiver ciúmes, mesmo que ela não se tenha contaminado;
15 o homem trará sua mulher perante o sacerdote, e juntamente trará a sua
oferta por ela, a décima parte de uma efa de farinha de cevada, sobre a qual
não deitará azeite nem porá incenso; porquanto é oferta de cereais por ciúmes,
oferta memorativa, que traz a iniqüidade à memória.
16 O sacerdote fará a mulher chegar, e a porá perante o Senhor.
17 E o sacerdote tomará num vaso de barro água sagrada; também tomará do pó que
houver no chão do tabernáculo, e o deitará na água.
18 Então apresentará a mulher perante o Senhor, e descobrirá a cabeça da
mulher, e lhe porá na mão a oferta de cereais memorativa, que é a oferta de
cereais por ciúmes; e o sacerdote terá na mão a água de amargura, que traz
consigo a maldição;
19 e a fará jurar, e dir-lhe-á: Se nenhum homem se deitou contigo, e se não te
desviaste para a imundícia, violando o voto conjugal, sejas tu livre desta água
de amargura, que traz consigo a maldição;
20 mas se te desviaste, violando o voto conjugal, e te contaminaste, e algum
homem que não é teu marido se deitou contigo, -
21 então o sacerdote, fazendo que a mulher tome o juramento de maldição, lhe
dirá: - O Senhor te ponha por maldição e praga no meio do teu povo, fazendo-te
o Senhor consumir-se a tua coxa e inchar o teu ventre;
22 e esta água que traz consigo a maldição entrará nas tuas entranhas, para te
fazer inchar o ventre, e te fazer consumir-se a coxa. Então a mulher dirá:
Amém, amém.
23 Então o sacerdote escreverá estas maldições num livro, e na água de amargura
as apagará;
24 e fará que a mulher beba a água de amargura, que traz consigo a maldição; e
a água que traz consigo a maldição entrará nela para se tornar amarga.
25 E o sacerdote tomará da mão da mulher a oferta de cereais por ciúmes, e
moverá a oferta de cereais perante o Senhor, e a trará ao altar;
26 também tomará um punhado da oferta de cereais como memorial da oferta, e o
queimará sobre o altar, e depois fará que a mulher beba a água.
27 Quando ele tiver feito que ela beba a água, sucederá que, se ela se tiver
contaminado, e tiver pecado contra seu marido, a água, que traz consigo a
maldição, entrará nela, tornando-se amarga; inchar-lhe-á o ventre e a coxa se
lhe consumirá; e a mulher será por maldição no meio do seu povo.
28 E, se a mulher não se tiver contaminado, mas for inocente, então será livre,
e conceberá filhos.
29 Esta é a lei dos ciúmes, no tocante à mulher que, violando o voto conjugal,
se desviar e for contaminada;
30 ou no tocante ao homem sobre quem vier o espírito de ciúmes, e se enciumar
de sua mulher; ele apresentará a mulher perante o Senhor, e o sacerdote
cumprirá para com ela toda esta lei.
31 Esse homem será livre da iniqüidade; a mulher, porém, levará sobre si a sua
iniqüidade.
NÚMEROS
[6]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando alguém, seja homem, seja
mulher, fizer voto especial de nazireu, a fim de se separar para o Senhor,
3 abster-se-á de vinho e de bebida forte; não beberá, vinagre de vinho, nem
vinagre de bebida forte, nem bebida alguma feita de uvas, nem comerá uvas
frescas nem secas.
4 Por todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma que se faz da
uva, desde os caroços até as cascas.
5 Por todos os dias do seu voto de nazireado, navalha não passará sobre a sua
cabeça; até que se cumpram os dias pelos quais ele se tenha separado para o
Senhor, será santo; deixará crescer as guedelhas do cabelo da sua cabeça.
6 Por todos os dias da sua separação para o Senhor, não se aproximará de
cadáver algum.
7 Não se contaminará nem por seu pai, nem por sua mãe, nem por seu irmão, nem
por sua irmã, quando estes morrerem; porquanto o nazireado do seu Deus está
sobre a sua cabeça:
8 Por todos os dias do seu nazireado será santo ao Senhor.
9 Se alguém morrer subitamente junto dele, contaminando-se assim a cabeça do
seu nazireado, rapará a sua cabera no dia da sua purificação, ao sétimo dia a
rapará.
10 Ao oitavo dia trará duas rolas ou dois pombinhos, ao sacerdote, à porta da
tenda da revelação;
11 e o sacerdote oferecerá um como oferta pelo pecado, e o outro como
holocausto, e fará expiação por esse que pecou no tocante ao morto; assim
naquele mesmo dia santificará a sua cabeça.
12 Então separará ao Senhor os dias do seu nazireado, e para oferta pela culpa
trará um cordeiro de um ano; mas os dias antecedentes serão perdidos, porquanto
o seu nazireado foi contaminado.
13 Esta, pois, é a lei do nazireu: no dia em que se cumprirem os dias do seu
nazireado ele será trazido à porta da tenda da revelação,
14 e oferecerá a sua oferta ao Senhor: um cordeiro de um ano, sem defeito, como
holocausto, e uma cordeira de um ano, sem defeito, como oferta pelo pecado, e
um carneiro sem defeito como oferta pacífica;
15 e um cesto de pães ázimos, bolos de flor de farinha amassados com azeite
como também as respectivas ofertas de cereais e de libação.
16 E o sacerdote os apresentará perante o Senhor, e oferecerá a oferta pelo
pecado, e o holocausto;
17 também oferecerá o carneiro em sacrifício de oferta pacífica ao Senhor, com
o cesto de pães ázimos e as respectivas ofertas de cereais e de libação.
18 Então o nazireu, à porta da tenda da revelação, rapará o cabelo do seu
nazireado, tomá-lo-á e o porá sobre o fogo que está debaixo do sacrifício das
ofertas pacíficas.
19 Depois o sacerdote tomará a espádua cozida do carneiro, e um pão ázimo do
cesto, e um coscorão ázimo, e os porá nas mãos do nazireu, depois de haver este
rapado o cabelo do seu nazireado;
20 e o sacerdote os moverá como oferta de movimento perante o Senhor; isto é
santo para o sacerdote, juntamente com o peito da oferta de movimento, e com a
espádua da oferta alçada; e depois o nazireu poderá beber vinho.
21 Esta é a lei do que fizer voto de nazireu, e da sua oferta ao Senhor pelo
seu nazireado, afora qualquer outra coisa que as suas posses lhe permitirem
oferecer; segundo o seu voto, que fizer, assim fará conforme a lei o seu
nazireado.
22 Disse mais o Senhor a Moisés:
23 Fala a Arão, e a seus filhos, dizendo: Assim abençoareis os filhos de
Israel; dir-lhes-eis:
24 O Senhor te abençoe e te guarde;
25 o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;
26 o Senhor levante sobre ti o seu rosto, e te dê a paz.
27 Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei.
NÚMEROS
[7]
1 No dia em que Moisés acabou
de levantar o tabernáculo, tendo-o ungido e santificado juntamente com todos os
seus móveis, bem como o altar e todos os seus utensílios, depois de ungi-los e
santificá-los,
2 os príncipes de Israel, cabeças das casas de seus pais, fizeram as suas
ofertas. Estes eram os príncipes das tribos, os que estavam sobre os que foram
contados.
3 Trouxeram eles a sua oferta perante o Senhor: seis carros cobertos, e doze
bois; por dois príncipes um carro, e por cada um, um boi; e os apresentaram
diante do tabernáculo.
4 Então disse o Senhor a Moisés:
5 Recebe-os deles, para serem utilizados no serviço da tenda da revelação; e os
darás aos levitas, a cada qual segundo o seu serviço:
6 Assim Moisés recebeu os carros e os bois, e os deu aos levitas.
7 Dois carros e quatro bois deu aos filhos de Gérson segundo o seu serviço;
8 e quatro carros e oito bois deu aos filhos de Merári, segundo o seu serviço,
sob as ordens de Itamar, filho de Arão, o sacerdote.
9 Mas aos filhos de Coate não deu nenhum, porquanto lhes pertencia o serviço de
levar o santuário, e o levavam aos ombros.
10 Os príncipes fizeram também oferta para a dedicação do altar, no dia em que
foi ungido; e os príncipes apresentaram as suas ofertas perante o altar.
11 E disse o Senhor a Moisés: Cada príncipe oferecerá a sua oferta, cada qual
no seu dia, para a dedicação do altar.
12 O que ofereceu a sua oferta no primeiro dia foi Nasom, filho de Aminadabe,
da tribo de Judá.
13 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambas cheias de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
14 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
15 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
16 um bode para oferta pelo pecado;
17 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Nasom, filho de
Aminadabe.
18 No segundo dia fez a sua oferta Netanel, filho de Zuar, príncipe de Issacar.
19 E como sua oferta ofereceu uma salva de prata do peso de cento e trinta
siclos, uma bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário;
ambos cheios de flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
20 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
21 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
22 um bode para oferta pelo pecado;
23 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Netanel, filho de Zuar.
24 No terceiro dia fez a sua oferta Eliabe, filho de Helom, príncipe dos filhos
de Zebulom.
25 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
26 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
27 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
28 um bode para oferta pelo pecado;
29 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Eliabe, filho de Helom.
30 No quarto dia fez a sua oferta Elizur, filho de Sedeur, príncipe dos filhos
de Rúben.
31 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
32 uma colher de ouro de dez siclos, cheio de incenso;
33 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
34 um bode para oferta pelo pecado;
35 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Elizur, filho de Sedeur.
36 No quinto dia fez a sua oferta Selumiel, filho de Zurisadai, príncipe dos
filhos de Simeão.
37 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
38 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
39 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
40 um bode para oferta pelo pecado;
41 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Selumiel, filho de
Zurisadai.
42 No sexto dia fez a sua oferta Eliasafe, filho de Deuel, príncipe dos filhos
de Gade.
43 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
44 uma colher de ouro do dez siclos, cheia de incenso;
45 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto; ,
46 um bode para oferta pelo pecado;
47 e para sacrificio de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Eliasafe, filho de
Deuel,
48 No sétimo dia fez a sua oferta Elisama, filho de Amiúde, príncipe dos filhos
de Efraim.
49 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassado com azeite, para oferta de cereais;
50 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
51 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
52 um bode para oferta pelo pecado;
53 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Elisama, filho de
Amiúde.
54 No oitavo dia fez a sua oferta Gamaliel, filho de Pedazur, principe dos
filhos de Manassés.
55 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
56 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
57 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
58 um bode para oferta pelo pecado;
59 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Gamaliel, filho de
Pedazur.
60 No dia nono fez a sua oferta Abidã, filho de Gideôni, príncipe dos filhos de
Benjamim.
61 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
62 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
63 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
64 um bode para oferta pelo pecado;
65 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Abidã, filho de Gideôni.
66 No décimo dia fez a sua oferta Aiezer, filho de Amisadai, príncipe filhos
filhos de Dã.
67 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
68 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
69 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
70 um bode para oferta pelo pecado;
71 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Aiezer, filho de
Amisadai.
72 No dia undécimo fez a sua oferta Pagiel, filho de Ocrã, príncipe dos filhos
de Aser.
73 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
74 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
75 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
76 um bode para oferta pelo pecado;
77 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta do Pagiel, filho do Ocrã.
78 No duodécimo dia fez a sua oferta Airá, filho de Enã, príncipe dos filhos de
Naftali.
79 A sua oferta foi uma salva de prata do peso de cento e trinta siclos, uma
bacia de prata de setenta siclos, segundo o siclo do santuário; ambos cheios de
flor de farinha amassada com azeite, para oferta de cereais;
80 uma colher de ouro de dez siclos, cheia de incenso;
81 um novilho, um carneiro, um cordeiro de um ano, para holocausto;
82 um bode para oferta pelo pecado;
83 e para sacrifício de ofertas pacíficas dois bois, cinco carneiros, cinco
bodes, cinco cordeiros de um ano; esta foi a oferta de Airá, filho de Enã.
84 Esta foi a oferta dedicatória do altar, feita pelos príncipes de Israel, no
dia em que foi ungido: doze salvas de prata, doze bacias de prata, doze
colheres de ouro,
85 pesando cada salva de prata cento e trinta siclos, e cada bacia setenta;
toda a prata dos vasos foi dois mil e quatrocentos siclos, segundo o siclo do
santuário;
86 doze colheres de ouro cheias de incenso, pesando cada colher dez siclos,
segundo o siclo do santuário; todo o ouro das colheres foi cento e vinte
siclos.
87 Todos os animais para holocausto foram doze novilhos, doze carneiros, e doze
cordeiros de um ano, com as respectivas ofertas de cereais; e para oferta pelo
pecado, doze bodes;
88 e todos os animais para sacrifício das ofertas pacíficas foram vinte e
quatro novilhos, sessenta carneiros, sessenta bodes, e sessenta cordeiros de um
ano. Esta foi a oferta dedicatória do altar depois que foi ungido.
89 Quando Moisés entrava na tenda da revelação para falar com o Senhor, ouvia a
voz que lhe falava de cima do propiciatório, que está sobre a arca do
testemunho entre os dois querubins; assim ele lhe falava.
NÚMEROS
[8]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Fala a Arão, e dize-lhe: Quando acenderes as lâmpadas, as sete lâmpadas
alumiarão o espaço em frente do candelabro.
3 Arão, pois, assim fez; acendeu as lâmpadas do candelabro de modo que
alumiassem o espaço em frente do mesmo, como o Senhor ordenara a Moisés.
4 Esta era a obra do candelabro, obra de ouro batido; desde o seu pedestal até
as suas corolas, era ele de ouro batido; conforme o modelo que o Senhor
mostrara a Moisés, assim ele tinha feito o candelabro.
5 Disse mais o Senhor a Moisés:
6 Toma os levitas do meio dos filhos de Israel, e purifica-os;
7 e assim lhes farás, para os purificar: esparge sobre eles a água da
purificação; e eles farão passar a navalha sobre todo o seu corpo, e lavarão os
seus vestidos, e se purificarão.
8 Depois tomarão um novilho, com a sua oferta de cereais de flor de farinha
amassada com azeite; e tomarás tu outro novilho para oferta pelo pecado.
9 Também farás chegar os levitas perante a tenda da revelação, e ajuntarás toda
a congregação dos filhos de Israel.
10 Apresentarás, pois, os levitas perante o Senhor, e os filhos do Israel porão
as suas mãos sobre os levitas.
11 E Arão oferecerá os levitas perante o Senhor como oferta de movimento, da
parte dos filhos de Israel, para que sirvam no ministério do Senhor.
12 Os levitas porão as suas mãos sobre a cabeça dos novilhos; então tu
sacrificarás um como oferta pelo pecado, e o outro como holocausto ao Senhor,
para fazeres expiação pelos levitas.
13 E porás os levitas perante Arão, e perante os seus filhos, e os oferecerás
como oferta de movimento ao Senhor.
14 Assim separarás os levitas do meio dos filhos de Israel; e os levitas serão
meus.
15 Depois disso os levitas entrarão para fazerem o serviço da tenda da
revelação, depois de os teres purificado e oferecido como oferta de movimento.
16 Porquanto eles me são dados inteiramente dentre os filhos de Israel; em
lugar de todo aquele que abre a madre, isto é, do primogênito de todos os
filhos de Israel, para mim os tenho tomado.
17 Porque meu é todo primogênito entre os filhos de Israel, tanto entre os
homens como entre os animais; no dia em que, na terra do Egito, feri a todo
primogênito, os santifiquei para mim.
18 Mas tomei os levitas em lugar de todos os primogênitos entre os filhos de
Israel.
19 Dentre os filhos de Israel tenho dado os levitas a Arão e a seus filhos,
para fazerem o serviço dos filhos de Israel na tenda da revelação, e para
fazerem expiação por eles, a fim de que não haja praga entre eles, quando se
aproximarem do santuário.
20 Assim Moisés e Arão e toda a congregação dos filhos de Israel fizeram aos
levitas; conforme tudo o que o Senhor ordenara a Moisés no tocante aos levitas,
assim os filhos de Israel lhes fizeram.
21 Os levitas, pois, purificaram-se, e lavaram os seus vestidos; e Arão os
ofereceu como oferta de movimento perante o Senhor, e fez expiação por eles,
para purificá-los.
22 Depois disso entraram os levitas, para fazerem o seu serviço na tenda da
revelação, perante Arão e seus filhos; como o Senhor ordenara a Moisés acerca
dos levitas, assim lhes fizeram.
23 Disse mais o Senhor a Moisés:
24 Este será o encargo dos levitas: Da idade de vinte e cinco anos para cima
entrarão para se ocuparem no serviço a tenda da revelação;
25 e aos cinqüenta anos de idade sairão desse serviço e não servirão mais.
26 Continuarão a servir, porém, com seus irmãos na tenda da revelação,
orientando-os no cumprimento dos seus encargos; mas não farão trabalho. Assim
farás para com os levitas no tocante aos seus cargos.
NÚMEROS
[9]
1 Também falou o Senhor a
Moisés no deserto de Sinai, no primeiro mês do segundo ano depois que saíram da
terra do Egito, dizendo:
2 Celebrem os filhos de Israel a páscoa a seu tempo determinado.
3 No dia catorze deste mês, à tardinha, a seu tempo determinado, a celebrareis;
segundo todos os seus estatutos, e segundo todas as suas ordenanças a
celebrareis.
4 Disse, pois, Moisés aos filhos de Israel que celebrassem a páscoa.
5 Então celebraram a páscoa no dia catorze do primeiro mês, à tardinha, no
deserto de Sinai; conforme tudo o que o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram
os filhos de Israel.
6 Ora, havia alguns que se achavam imundos por terem tocado o cadáver de um
homem, de modo que não podiam celebrar a páscoa naquele dia; pelo que no mesmo
dia se chegaram perante Moisés e Arão;
7 e aqueles homens disseram-lhes: Estamos imundos por havermos tocado o cadáver
de um homem; por que seríamos privados de oferecer a oferta do Senhor a seu
tempo determinado no meio dos filhos de Israel?
8 Respondeu-lhes Moisés: Esperai, para que eu ouça o que o Senhor há de ordenar
acerca de vós.
9 Então disse o Senhor a Moisés:
10 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se alguém dentre vós, ou dentre os
vossos descendentes estiver imundo por ter tocado um cadáver, ou achar-se
longe, em viagem, contudo ainda celebrará a páscoa ao Senhor.
11 No segundo mês, no dia: catorze, à tardinha, a celebrarão; comê-la-ão com
pães ázimos e ervas amargas.
12 Dela não deixarão nada até pela manhã, nem quebrarão dela osso algum;
segundo todo o estatuto da páscoa a celebrarão.
13 Mas o homem que, estando limpo e não se achando em viagem, deixar de
celebrar a páscoa, essa alma será extirpada do seu povo; porquanto não ofereceu
a oferta do Senhor a seu tempo determinado, tal homem levará o seu pecado.
14 Também se um estrangeiro peregrinar entre vós e celebrar a páscoa ao Senhor,
segundo o estatuto da páscoa e segundo a sua ordenança a celebrará; haverá um
só estatuto, quer para o estrangeiro, quer para o natural da terra.
15 No dia em que foi levantado o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo,
isto é, a própria tenda do testemunho; e desde a tarde até pela manhã havia
sobre o tabernáculo uma aparência de fogo.
16 Assim acontecia de contínuo: a nuvem o cobria, e de noite havia aparência de
fogo.
17 Mas sempre que a nuvem se alçava de sobre a tenda, os filhos de Israel
partiam; e no lugar em que a nuvem parava, ali os filhos de Israel se
acampavam.
18 ë ordem do Senhor os filhos de Israel partiam, e à ordem do Senhor se
acampavam; por todos os dias em que a nuvem parava sobre o tabernáculo eles
ficavam acampados.
19 E, quando a nuvem se detinha sobre o tabernáculo muitos dias, os filhos de
Israel cumpriam o mandado do Senhor, e não partiam.
20 ës vezes a nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo; então à ordem do
Senhor permaneciam acampados, e à ordem do Senhor partiam.
21 Outras vezes ficava a nuvem desde a tarde até pela manhã; e quando pela
manhã a nuvem se alçava, eles partiam; ou de dia ou de noite, alçando-se a
nuvem, partiam.
22 Quer fosse por dois dias, quer por um mês, quer por mais tempo, que a nuvem
se detinha sobre o tabernáculo, enquanto ficava sobre ele os filhos de Israel
permaneciam acampados, e não partiam; mas, alçando-se ela, eles partiam.
23 À ordem do Senhor se acampavam, e à ordem do Senhor partiam; cumpriam o
mandado do Senhor, que ele lhes dera por intermédio de Moisés.
NÚMEROS
[10]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Faze-te duas trombetas de prata; de obra batida as farás, e elas te servirão
para convocares a congregação, e para ordenares a partida dos arraiais.
3 Quando se tocarem as trombetas, toda a congregação se ajuntará a ti à porta
da tenda da revelação.
4 Mas quando se tocar uma só, a ti se congregarão os príncipes, os cabeças dos
milhares de Israel.
5 Quando se tocar retinindo, partirão os arraiais que estão acampados da banda
do oriente.
6 Mas quando se tocar retinindo, pela segunda, vez, partirão os arraiais que
estão acampados da banda do sul; para as partidas dos arraiais se tocará
retinindo.
7 Mas quando se houver de reunir a congregação, tocar-se-á sem retinir:
8 Os filhos de Arão, sacerdotes, tocarão as trombetas; e isto vos será por
estatuto perpétuo nas vossas gerações.
9 Ora, quando na vossa terra sairdes à guerra contra o inimigo que vos estiver
oprimindo, fareis retinir as trombetas; e perante o Senhor vosso Deus sereis
tidos em memória, e sereis salvos dos vossos inimigos.
10 Semelhantemente, no dia da vossa alegria, nas vossas festas fixas, e nos
princípios dos vossos meses, tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos,
e sobre os sacrifícios de vossas ofertas pacíficas; e eles vos serão por
memorial perante vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus.
11 Ora, aconteceu, no segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês, que a
nuvem se alçou de sobre o tabernáculo da congregação.
12 Partiram, pois, os filhos de Israel do deserto de Sinai para as suas
jornadas; e a nuvem parou ,no deserto de Parã.
13 Assim iniciaram a primeira caminhada, à ordem do Senhor por intermédio de
Moisés:
14 partiu primeiramente o estandarte do arraial dos filhos de Judá segundo os
seus exércitos; sobre o seu exército estava Nasom, filho de Aminadabe;
15 sobre o exército da tribo dos filhos de Issacar, Netanel, filho de Zuar;
16 e sobre o exército da tribo dos filhos de Zebulom, Eliabe, filho de Helom.
17 Então o tabernáculo foi desarmado, e os filhos de Gérson e os filhos de
Merári partiram, levando o tabernáculo.
18 Depois partiu o estandarte do arraial de Rúben segundo os seus exércitos;
sobre o seu exército estava Elizur, filho de Sedeur;
19 sobre o exército da tribo dos filhos de Simeão, Selumiel, filho de
Zurisadai;
20 e sobre o exército da tribo dos filhos de Gade, Eliasafe, filho de Deuel.
21 Então partiram os coatitas, levando o santuário; e os outros erigiam o
tabernáculo, enquanto estes vinham.
22 Depois partiu o estandarte do arraial dos filhos de Efraim segundo os seus
exércitos; sobre o seu exército estava Elisama, filho de Amiúde;
23 sobre o exército da tribo dos filhos de Manassés, Gamaliel, filho de
Pedazur;
24 e sobre o exército da tribo dos filhos de Benjamim, Abidã, filho de Gideôni.
25 Então partiu o estandarte do arraial dos filhos de Dã, que era a retaguarda
de todos os arraiais, segundo os seus exércitos; sobre o seu exército estava
Aiezer, filho de Amisadai;
26 sobre o exército da tribo dos filhos de Aser, Pagiel, filho de Ocrã;
27 e sobre o exército da tribo dos filhos de Naftali, Airá, filho de Enã.
28 Tal era a ordem de partida dos filhos de Israel segundo os seus exércitos,
quando partiam.
29 Disse então Moisés a Hobabe, filho de Reuel, o midianita, sogro de Moisés:
Nós caminhamos para aquele lugar de que o Senhor disse: Vo-lo darei. Vai
conosco, e te faremos bem; porque o Senhor falou bem acerca de Israel.
30 Respondeu ele: Não irei; antes irei à minha terra e à minha parentela.
31 Tornou-lhe Moisés: Ora, não nos deixes, porquanto sabes onde devamos acampar
no deserto; de olhos nos serviras.
32 Se, pois, vieres conosco, o bem que o Senhor nos fizer, também nós faremos a
ti.
33 Assim partiram do monte do Senhor caminho de três dias; e a arca do pacto do
Senhor ia adiante deles, para lhes buscar lugar de descanso.
34 E a nuvem do Senhor ia sobre eles de dia, quando partiam do arraial.
35 Quando, pois, a arca partia, dizia Moisés: Levanta-te, Senhor, e dissipados
sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam.
36 E, quando ela pousava, dizia: Volta, ó Senhor, para os muitos milhares de
Israel.
NÚMEROS
[11]
1 Depois o povo tornou-se
queixoso, falando o que era mau aos ouvidos do Senhor; e quando o Senhor o
ouviu, acendeu-se a sua ira; o fogo do Senhor irrompeu entre eles, e devorou as
extremidades do arraial.
2 Então o povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao Senhor, e o fogo se apagou.
3 Pelo que se chamou aquele lugar Tabera, porquanto o fogo do Senhor se
acendera entre eles.
4 Ora, o vulgo que estava no meio deles veio a ter grande desejo; pelo que os
filhos de Israel também tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a
comer?
5 Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, dos
melões, dos porros, das cebolas e dos alhos.
6 Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos
nossos olhos.
7 E era o maná como a semente do coentro, e a sua aparência como a aparência de
bdélio.
8 O povo espalhava-se e o colhia, e, triturando-o em moinhos ou pisando-o num
gral, em panelas o cozia, e dele fazia bolos; e o seu sabor era como o sabor de
azeite fresco.
9 E, quando o orvalho descia de noite sobre o arraial, sobre ele descia também
o maná.
10 Então Moisés ouviu chorar o povo, todas as suas famílias, cada qual à porta
da sua tenda; e a ira do Senhor grandemente se acendeu; e aquilo pareceu mal
aos olhos de Moisés.
11 Disse, pois, Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que
não achei graça aos teus olhos, pois que puseste sobre mim o peso de todo este
povo.
12 Concebi eu porventura todo este povo? dei-o eu à luz, para que me dissesses:
Leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança de peito, para a terra que com
juramento prometeste a seus pais?
13 Donde teria eu carne para dar a todo este povo? porquanto choram diante de
mim, dizendo: Dá-nos carne a comer.
14 Eu só não posso: levar a todo este povo, porque me é pesado demais.
15 Se tu me hás de tratar assim, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos
teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria.
16 Disse então o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de
Israel, que sabes serem os anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante
a tenda da revelação, para que estejam ali contigo.
17 Então descerei e ali falarei contigo, e tirarei do espírito que está sobre
ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão eles o peso do povo para que tu não
o leves só.
18 E dirás ao povo: Santificai-vos para amanhã, e comereis carne; porquanto
chorastes aos ouvidos do Senhor, dizendo: Quem nos dará carne a comer? pois bem
nos ia no Egito. Pelo que o Senhor vos dará carne, e comereis.
19 Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco dias, nem dez dias, nem vinte
dias;
20 mas um mês inteiro, até vos sair pelas narinas, até que se vos torne coisa
nojenta; porquanto rejeitastes ao Senhor, que está no meio de vós, e chorastes
diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito?
21 Respondeu Moisés: Seiscentos mil homens de pé é este povo no meio do qual
estou; todavia tu tens dito: Dar-lhes-ei carne, e comerão um mês inteiro.
22 Matar-se-ão para eles rebanhos e gados, que lhes bastem? ou ajuntar-se-ão,
para eles todos os peixes do mar, que lhes bastem?
23 Pelo que replicou o Senhor a Moisés: Porventura tem-se encurtado a mão do
Senhor? agora mesmo verás se a minha palavra se há de cumprir ou não.
24 Saiu, pois, Moisés, e relatou ao povo as palavras do Senhor; e ajuntou
setenta homens dentre os anciãos do povo e os colocou ao redor da tenda.
25 Então o Senhor desceu: na nuvem, e lhe falou; e, tirando do espírito que
estava sobre ele, pô-lo sobre aqueles setenta anciãos; e aconteceu que, quando
o espírito repousou sobre eles profetizaram, mas depois nunca mais o fizeram.
26 Mas no arraial ficaram dois homens; chamava-se um Eldade, e o outro Medade;
e repousou sobre eles: o espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda
que não saíram para irem à tenda; e profetizavam no arraial.
27 Correu, pois, um moço, etenho dado os levitas a Arão e a Eldade e Medade
profetizaram no arraial.
28 Então Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus mancebos
escolhidos, respondeu e disse: Meu Senhor Moisés, proíbe-lho.
29 Moisés, porém, lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do
Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!
30 Depois Moisés se recolheu ao arraial, ele e os anciãos de Israel.
31 Soprou, então, um vento da parte do Senhor e, do lado do mar, trouxe
codornizes que deixou cair junto ao arraial quase caminho de um dia de um e de
outro lado, à roda do arraial, a cerca de dois côvados da terra.
32 Então o povo, levantando-se, colheu as codornizes por todo aquele dia e toda
aquela noite, e por todo o dia seguinte; o que colheu menos, colheu dez
hômeres. E as estenderam para si ao redor do arraial.
33 Quando a carne ainda estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada,
acendeu-se a ira do Senhor contra o povo, e feriu o Senhor ao povo com uma
praga, mui grande.
34 Pelo que se chamou aquele lugar Quibrote-Hataavá, porquanto ali enterraram o
povo que tivera o desejo.
35 De Quibrote-Hataavá partiu o povo para Hazerote; e demorou-se em Hazerote.
NÚMEROS
[12]
1 Ora, falaram Miriã e Arão
contra Moisés ,por causa da mulher cuchita que este tomara; porquanto tinha
tomado uma mulher cuchita.
2 E disseram: Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também
por nós? E o Senhor o ouviu.
3 Ora, Moisés era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre
a terra.
4 E logo o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: Saí vos três à tenda da
revelação. E saíram eles três.
5 Então o Senhor desceu em uma coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda;
depois chamou a Arão e a Miriã, e os dois acudiram.
6 Então disse: Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós houver profeta, eu,
o Senhor, a ele me farei conhecer em visão, em sonhos falarei com ele.
7 Mas não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa;
8 boca a boca falo com ele, claramente e não em enigmas; pois ele contempla a
forma do Senhor. Por que, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra
Moisés?
9 Assim se acendeu a ira do Senhor contra eles; e ele se retirou;
10 também a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã se tornara
leprosa, branca como a neve; e olhou Arão para Miriã e eis que estava leprosa.
11 Pelo que Arão disse a Moisés: Ah, meu senhor! rogo-te não ponhas sobre nós
este pecado, porque procedemos loucamente, e pecamos.
12 Não seja ela como um morto que, ao sair do ventre de sua mãe, tenha a sua
carne já meio consumida.
13 Clamou, pois, Moisés ao Senhor, dizendo: ç Deus, rogo-te que a cures.
14 Respondeu o Senhor a Moisés: Se seu pai lhe tivesse cuspido na cara não
seria envergonhada por sete dias? Esteja fechada por sete dias fora do arraial,
e depois se recolherá outra vez.
15 Assim Miriã esteve fechada fora do arraial por sete dias; e o povo não
partiu, enquanto Miriã não se recolheu de novo.
16 Mas depois o povo partiu de Hazerote, e acampou-se no deserto de Parã.
NÚMEROS
[13]
1 Então disse o Senhor a
Moisés:
2 Envia homens que espiem a terra de Canaã, que eu hei de dar aos filhos de Israel.
De cada tribo de seus pais enviarás um homem, sendo cada qual príncipe entre
eles.
3 Moisés, pois, enviou-os do deserto de Parã, segundo a ordem do Senhor; eram
todos eles homens principais dentre os filhos de Israel.
4 E estes são os seus nomes: da tribo de Rúben, Samua, filho de Zacur;
5 da tribo de Simeão, Safate, filho de Hori;
6 da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné;
7 da tribo de Issacar, Ioal, filho de José;
8 da tribo de Efraim, Oséias, filho de Num;
9 da tribo de Benjamim, Palti, filho de Rafu;
10 da tribo de Zebulom, Gadiel, filho de Sódi;
11 da tribo de José, pela tribo de Manassés, Gadi, filho de Susi;
12 da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
13 da tribo de Aser, Setur, filho de Micael;
14 da tribo de Naftali, Nabi, filho de Vofsi;
15 da tribo de Gade, Geuel, filho de Maqui.
16 Estes são os nomes dos homens que Moisés enviou a espiar a terra. Ora, a
Oséias, filho de Num, Moisés chamou Josué.
17 Enviou-os, pois, Moisés a espiar: a terra de Canaã, e disse-lhes: Subi por
aqui para o Negebe, e penetrai nas montanhas;
18 e vede a terra, que tal é; e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se
pouco ou muito;
19 que tal é a terra em que habita, se boa ou má; que tais são as cidades em
que habita, se arraiais ou fortalezas;
20 e que tal é a terra, se gorda ou magra; se nela há árvores, ou não; e
esforçai-vos, e tomai do fruto da terra. Ora, a estação era a das uvas
temporãs.
21 Assim subiram, e espiaram a terra desde o deserto de Zim, até Reobe, à
entrada de Hamate.
22 E subindo para o Negebe, vieram até Hebrom, onde estavam Aimã, Sesai e
Talmai, filhos de Anaque. (Ora, Hebrom foi edificada sete anos antes de Zoã no
Egito. )
23 Depois vieram até e vale de Escol, e dali cortaram um ramo de vide com um só
cacho, o qual dois homens trouxeram sobre uma verga; trouxeram também romãs e
figos.
24 Chamou-se aquele lugar o vale de Escol, por causa do cacho que dali cortaram
os filhos de Israel.
25 Ao fim de quarenta dias voltaram de espiar a terra.
26 E, chegando, apresentaram-se a Moisés e a Arão, e a toda a congregação dos
filhos de Israel, no deserto de Parã, em Cades; e deram-lhes notícias, a eles e
a toda a congregação, e mostraram-lhes o fruto da terra.
27 E, dando conta a Moisés, disseram: Fomos à terra a que nos enviaste. Ela, em
verdade, mana leite e mel; e este é o seu fruto.
28 Contudo o povo que habita nessa terra é poderoso, e as cidades são
fortificadas e mui grandes. Vimos também ali os filhos de Anaque.
29 Os amalequitas habitam na terra do Negebe; os heteus, os jebuseus e os
amorreus habitam nas montanhas; e os cananeus habitam junto do mar, e ao longo
do rio Jordão.
30 Então Calebe, fazendo calar o povo perante Moisés, disse: Subamos
animosamente, e apoderemo-nos dela; porque bem poderemos prevalecer contra ela.
31 Disseram, porém, os homens que subiram com ele: Não poderemos subir contra
aquele povo, porque é mais forte do que nos.
32 Assim, perante os filhos de Israel infamaram a terra que haviam espiado,
dizendo: A terra, pela qual passamos para espiá-la, é terra que devora os seus
habitantes; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura.
33 Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são
descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim
também éramos aos seus olhos.
NÚMEROS
[14]
1 Então toda a congregação
levantou a voz e gritou; e o povo chorou naquela noite.
2 E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a
congregação lhes disse: Antes tivéssemos morrido na terra do Egito, ou
tivéssemos morrido neste deserto!
3 Por que nos traz o Senhor a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres
e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o
Egito?
4 E diziam uns aos outros: Constituamos um por chefe o voltemos para o Egito.
5 Então Moisés e Arão caíram com os rostos por terra perante toda a assembléia
da congregação dos filhos de Israel.
6 E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos que espiaram a
terra, rasgaram as suas vestes;
7 e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra, pela
qual passamos para a espiar, é terra muitíssimo boa.
8 Se o Senhor se agradar de nós, então nos introduzirá nesta terra e no-la
dará; terra que mana leite e mel.
9 Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo desta
terra, porquanto são eles nosso pão. Retirou-se deles a sua defesa, e o Senhor
está conosco; não os temais.
10 Mas toda a congregação disse que fossem apedrejados. Nisso a glória do
Senhor apareceu na tenda da revelação a todos os filhos de Israel.
11 Disse então o Senhor a Moisés: Até quando me desprezará este povo e até
quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que tenho feito no meio
dele?
12 Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei; e farei de ti uma nação maior e
mais forte do que ele.
13 Respondeu Moisés ao Senhor: Assim os egípcios o ouvirão, eles, do meio dos
quais, com a tua força, fizeste subir este povo,
14 e o dirão aos habitantes desta terra. Eles ouviram que tu, ó Senhor, estás
no meio deste povo; pois tu, ó Senhor, és visto face a face, e a tua nuvem
permanece sobre eles, e tu vais adiante deles numa coluna de nuvem de dia, e
numa coluna de fogo de noite.
15 E se matares este povo como a um só homem, então as nações que têm ouvido da
tua fama, dirão:
16 Porquanto o Senhor não podia introduzir este povo na terra que com juramento
lhe prometera, por isso os matou no deserto.
17 Agora, pois, rogo-te que o poder do meu Senhor se engrandeça, segundo tens
dito:
18 O Senhor é tardio em irar-se, e grande em misericórdia; perdoa a iniqüidade
e a transgressão; ao culpado não tem por inocente, mas visita a iniqüidade dos
pais nos filhos até a terceira e a quarta geração.
19 Perdoa, rogo-te, a iniqüidode deste povo, segundo a tua grande misericórdia,
como o tens perdoado desde o Egito até, aqui.
20 Disse-lhe o Senhor: Conforme a tua palavra lhe perdoei;
21 tão certo, porém, como eu vivo, e como a glória do Senhor encherá toda a
terra,
22 nenhum de todos os homens que viram a minha glória e os sinais que fiz no
Egito e no deserto, e todavia me tentaram estas dez vezes, não obedecendo à
minha voz,
23 nenhum deles verá a terra que com juramento prometi o seus pais; nenhum
daqueles que me desprezaram a verá.
24 Mas o meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito, e porque perseverou
em seguir-me, eu o introduzirei na terra em que entrou, e a sua posteridade a
possuirá.
25 Ora, os amalequitas e os cananeus habitam no vale; tornai-vos amanhã, e
caminhai para o deserto em direção ao Mar Vermelho.
26 Depois disse o Senhor a Moisés e Arão:
27 Até quando sofrerei esta má congregação, que murmura contra mim? tenho
ouvido as murmurações dos filhos de Israel, que eles fazem contra mim.
28 Dize-lhes: Pela minha vida, diz o Senhor, certamente conforme o que vos ouvi
falar, assim vos hei de fazer:
29 neste deserto cairão os vossos cadáveres; nenhum de todos vós que fostes
contados, segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, que contra mim
murmurastes,
30 certamente nenhum de vós entrará na terra a respeito da qual jurei que vos
faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
31 Mas aos vossos pequeninos, dos quais dissestes que seriam por presa, a estes
introduzirei na terra, e eles conhecerão a terra que vós rejeitastes.
32 Quanto a vós, porém, os vossos cadáveres cairão neste deserto;
33 e vossos filhos serão pastores no deserto quarenta anos, e levarão sobre si
as vossas infidelidades, até que os vossos cadáveres se consumam neste deserto.
34 Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, a saber, quarenta dias,
levareis sobre vós as vossas iniqüidades por quarenta anos, um ano por um dia,
e conhecereis a minha oposição.
35 Eu, o Senhor, tenho falado; certamente assim o farei a toda esta má
congregação, aos que se sublevaram contra mim; neste deserto se consumirão, e
aqui morrerão.
36 Ora, quanto aos homens que Moisés mandara a espiar a terra e que, voltando,
fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra,
37 aqueles mesmos homens que infamaram a terra morreram de praga perante o Senhor.
38 Mas Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos homens que
foram espiar a terra, ficaram com vida.
39 Então Moisés falou estas palavras a todos os filhos de Israel, pelo que o
povo se entristeceu muito.
40 Eles, pois, levantando-se de manhã cedo, subiram ao cume do monte, e
disseram: Eis-nos aqui; subiremos ao lugar que o Senhor tem dito; porquanto
havemos pecado.
41 Respondeu Moisés: Ora, por que transgredis o mandado do Senhor, visto que
isso não prosperará?
42 Não subais, pois o Senhor não está no meio de vós; para que não sejais
feridos diante dos vossos inimigos.
43 Porque os amalequitas e os cananeus estão ali diante da vossa face, e
caireis à espada; pois, porquanto vos desviastes do Senhor, o Senhor não estará
convosco.
44 Contudo, temerariamente subiram eles ao cume do monte; mas a arca do pacto
do Senhor, e Moisés, não se apartaram do arrraial.
45 Então desceram os amalequitas e os cananeus, que habitavam na montanha, e os
feriram, derrotando-os até Horma.
NÚMEROS
[15]
1 Depois disse o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel e díze-lhes: Quando entrardes na terra da vossa
habitação, que eu vos hei de dar,
3 e ao Senhor fizerdes, do gado eu do rebanho, oferta queimada, holocausto ou
sacrifício, para cumprir um voto, ou como oferta voluntária, para fazer nas
vossos festas fixas um cheiro suave ao Senhor,
4 Então aquele que fizer a sua oferta, fará ao Senhor uma oferta de cereais de
um décimo de efa de flor de farinha, misturada com a quarta parte de um him de
azeite;
5 e de vinho para a oferta de libação prepararás a quarta parte de um him para
o holocausto, ou para o sacrifício, para cada cordeiro;
6 e para cada carneiro prepararás como oferta de cereais, dois décimos de efa
de flor de farinha, misturada com a terça parte de um him de azeite;
7 e de vinho para a oferta de libação oferecerás a terça parte de um him em
cheiro suave ao Senhor.
8 Também, quando preparares novilho para holocausto ou sacrifício, para cumprir
um voto, ou um sacrifício de ofertas pacíficas ao Senhor,
9 com o novilho oferecerás uma oferta de cereais de três décimos de efa, de
flor de farinha, misturada com a metade de um him de azeite;
10 e de vinho para a oferta de libação oferecerás a metade de um him como
oferta queimada em cheiro suave ao Senhor.
11 Assim se fará com cada novilho, ou carneiro, ou com cada um dos cordeiros ou
dos cabritos.
12 Segundo o número que oferecerdes, assim fareis com cada um deles.
13 Todo natural assim fará estas coisas, ao oferecer oferta queimada em cheiro
suave ao Senhor.
14 Também se peregrinar convosco algum estrangeiro, ou quem quer que estiver
entre vos nas vossas gerações, e ele oferecer uma oferta queimada de cheiro
suave ao Senhor, como vós fizerdes, assim fará ele.
15 Quanto à assembléia, haverá um mesmo estatuto para vós e para o estrangeiro
que peregrinar convosco, estatuto perpétuo nas vossas gerações; como vós, assim
será o peregrino perante o Senhor.
16 Uma mesma lei e uma mesma ordenança haverá para vós e para o estrangeiro que
peregrinar convosco.
17 Disse mais o Senhor a Moisés:
18 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Depois de terdes entrado na terra em
que vos hei de introduzir,
19 será que, ao comerdes do pão da terra, oferecereis ao Senhor uma oferta
alçada.
20 Das primícias da vossa massa oferecereis um bolo em oferta alçada; como a
oferta alçada da eira, assim o oferecereis.
21 Das primícias das vossas massas dareis ao Senhor oferta alçada durante as
vossas gerações.
22 Igualmente, quando vierdes a errar, e não observardes todos esses
mandamentos, que o Senhor tem falado a Moisés,
23 sim, tudo quanto o Senhor vos tem ordenado por intermédio do Moisés, desde o
dia em que o Senhor começou a dar os seus mandamentos, e daí em diante pelas
vossas gerações,
24 será que, quando se fizer alguma coisa sem querer, e isso for encoberto aos
olhos da congregação, toda a congregação oferecerá um novilho para holocausto
em cheiro suave ao Senhor, juntamente com a oferta de cereais do mesmo e a sua
oferta de libação, segundo a ordenança, e um bode como sacrifício pelo pecado.
25 E o sacerdote fará expiação por toda a congregação dos filhos de Israel, e
eles serão perdoados; porquanto foi erro, e trouxeram a sua oferta, oferta
queimada ao Senhor, e o seu sacrifício pelo pecado perante o Senhor, por causa
do seu erro.
26 Será, pois, perdoada toda a congregação dos filhos de Israel, bem como o
estrangeiro que peregrinar entre eles; porquanto sem querer errou o povo todo.
27 E, se uma só pessoa pecar sem querer, oferecerá uma cabra de um ano como
sacrifício pelo pecado.
28 E o sacerdote fará perante o Senhor expiação pela alma que peca, quando
pecar sem querer; e, feita a expiação por ela, será perdoada.
29 Haverá uma mesma lei para aquele que pecar sem querer, tanto para o natural
entre os filhos de Israel, como para o estrangeiro que peregrinar entre eles.
30 Mas a pessoa que fizer alguma coisa temerariamente, quer seja natural, quer
estrangeira, blasfema ao Senhor; tal pessoa será extirpada do meio do seu povo,
31 por haver desprezado a palavra do Senhor, e quebrado o seu mandamento; essa
alma certamente será extirpada, e sobre ela recairá a sua iniqüidade.
32 Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando
lenha no dia de sábado.
33 E os que o acharam apanhando lenha trouxeram-no a Moisés e a Arão, e a toda
a congregação.
34 E o meteram em prisão, porquanto ainda não estava declarado o que se lhe
devia fazer.
35 Então disse o Senhor a Moisés: certamente será morto o homem; toda a
congregação o apedrejará fora do arraial.
36 Levaram-no, pois, para fora do arraial, e o apedrejaram, de modo que ele
morreu; como o Senhor ordenara a Moisés.
37 Disse mais o Senhor a Moisés:
38 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes que façam para si franjas nas bordas
das suas vestes, pelas suas gerações; e que ponham nas franjas das bordas um
cordão azul.
39 Tê-lo-eis nas franjas, para que o vejais, e vos lembreis de todos os
mandamentos do Senhor, e os observeis; e para que não vos deixeis arrastar à
infidelidade pelo vosso coração ou pela vossa vista, como antes o fazíeis;
40 para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os observeis, e sejais
santos para com o vosso Deus.
41 Eu sou o senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito para ser o vosso
Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus.
NÚMEROS
[16]
1 Ora, Corá, filho de Izar,
filho de Coate, filho de Levi, juntamente com Datã e Abirão, filhos de Eliabe,
e Om, filho de Pelete, filhos de Rúben, tomando certos homens,
2 levantaram-se perante Moisés, juntamente com duzentos e cinqüenta homens dos
filhos de Israel, príncipes da congregação, chamados à assembléia, varões de
renome;
3 e ajuntando-se contra Moisés e contra Arão, disseram-lhes: Demais é o que vos
arrogais a vós, visto que toda a congregação e santa, todos eles são santos, e
o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a assembléia do
Senhor?
4 Quando Moisés ouviu isso, caiu com o rosto em terra;
5 depois falou a Corá e a toda a sua companhia, dizendo: Amanhã pela manhã o
Senhor fará saber quem é seu, e quem é o santo, ao qual ele fará chegar a si; e
aquele a quem escolher fará chegar a si.
6 Fazei isto: Corá e toda a sua companhia, tomai para vós incensários;
7 e amanhã, pondo fogo neles, sobre eles deitai incenso perante o Senhor; e
será que o homem a quem o Senhor escolher, esse será o santo; demais é o que
vos arrogais a vós, filhos de Levi.
8 Disse mais Moisés a Corá: Ouvi agora, filhos de Levi!
9 Acaso é pouco para vós que o Deus de Israel vos tenha separado da congregação
de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de fazerdes o serviço do
tabernáculo do Senhor e estardes perante a congregação para ministrar-lhe,
10 e te fez chegar, e contigo todos os teus irmãos, os filhos de Levi?
procurais também o sacerdócio?
11 Pelo que tu e toda a tua companhia estais congregados contra o Senhor; e
Arão, quem é ele, para que murmureis contra ele?
12 Então Moisés mandou chamar a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe; eles porém
responderam: Não subiremos.
13 É pouco, porventura, que nos tenhas feito subir de uma terra que mana leite
e mel, para nos matares no deserto, para que queiras ainda fazer-te príncipe
sobre nós?
14 Ademais, não nos introduziste em uma terra que mana leite e mel, nem nos
deste campos e vinhas em herança; porventura cegarás os olhos a estes homens?
Não subiremos.
15 Então Moisés irou-se grandemente, e disse ao Senhor: Não atentes para a sua
oferta; nem um só jumento tenho tomado deles, nem a nenhum deles tenho feito
mal.
16 Disse mais Moisés a Corá: Comparecei amanhã tu e toda a tua companhia
perante o Senhor; tu e eles, e Arão.
17 Tome cada um o seu incensário, e ponha nele incenso; cada um traga perante o
Senhor o seu incensário, duzentos e cinqüenta incensários; também tu e Arão,
cada qual o seu incensário.
18 Tomou, pois, cada qual o seu incensário, e nele pôs fogo, e nele deitou
incenso; e se puseram à porta da tenda da revelação com Moisés e Arão.
19 E Corá fez ajuntar contra eles toda o congregação à porta da tenda da
revelação; então a glória do Senhor apareceu a toda a congregação.
20 Então disse o senhor a Moisés e a Arão:
21 Apartai-vos do meio desta congregação, para que eu, num momento, os possa
consumir.
22 Mas eles caíram com os rostos em terra, e disseram: ç Deus, Deus dos
espíritos de toda a carne, pecará um só homem, e indignar-te-ás tu contra toda
esta congregação?
23 Respondeu o Senhor a Moisés:
24 Fala a toda esta congregação, dizendo: Subi do derredor da habitação de
Corá, Datã e Abirão.
25 Então Moisés levantou-se, e foi ter com Datã e Abirão; e seguiram-nos os
anciãos de Israel.
26 E falou à congregação, dizendo: Retirai-vos, peço-vos, das tendas desses
homens ímpios, e não toqueis nada do que é seu, para que não pereçais em todos
os seus pecados.
27 Subiram, pois, do derredor da habitação de Corá, Datã e Abirão. E Datã e
Abirão saíram, e se puseram à porta das suas tendas, juntamente com suas
mulheres, e seus filhos e seus pequeninos.
28 Então disse Moisés: Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todas
estas obras; pois não as tenho feito de mim mesmo.
29 Se estes morrerem como morrem todos os homens, e se forem visitados como são
visitados todos os homens, o Senhor não me enviou.
30 Mas, se o Senhor criar alguma coisa nova, e a terra abrir a boca e os tragar
com tudo o que é deles, e vivos descerem ao Seol, então compreendereis que
estes homens têm desprezado o Senhor.
31 E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra que
estava debaixo deles se fendeu;
32 e a terra abriu a boca e os tragou com as suas famílias, como também a todos
os homens que pertenciam a Corá, e a toda a sua fazenda.
33 Assim eles e tudo o que era seu desceram vivos ao Seol; e a terra os cobriu,
e pereceram do meio da congregação,
34 E todo o Israel, que estava ao seu redor, fugiu ao clamor deles, dizendo:
não suceda que a terra nos trague também a nós.
35 Então saiu fogo do Senhor, e consumiu os duzentos e cinqüenta homens que
ofereciam o incenso.
36 Então disse o Senhor a Moisés:
37 Dize a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, que tire os incensários do meio
do incêndio; e espalha tu o fogo longe; porque se tornaram santos
38 os incensários daqueles que pecaram contra as suas almas; deles se façam
chapas, de obra batida, para cobertura do altar; porquanto os trouxeram perante
o Senhor, por isso se tornaram santos; e serão por sinal aos filhos de Israel.
39 Eleazar, pois, o sacerdote, tomou os incensários de bronze, os quais aqueles
que foram queimados tinham oferecido; e os converteram em chapas para cobertura
do altar,
40 para servir de memória aos filhos de Israel, a fim de que nenhum estranho,
ninguém que não seja da descendência de Arão, se chegue para queimar incenso
perante o Senhor, para que não seja como Corá e a sua companhia; conforme o
Senhor dissera a Eleazar por intermédio de Moisés.
41 Mas no dia seguinte toda oa congregação dos filhos de Israel murmurou contra
Moisés e Arão, dizendo: Vós matastes o povo do Senhor.
42 E tendo-se sublevado a congregação contra Moisés e Arão, dirigiu-se para a
tenda da revelação, e eis que a nuvem a cobriu, e a glória do Senhor apareceu.
43 Vieram, pois, Moisés e Arão à frente da tenda da revelação.
44 Então disse o Senhor a Moisés:
45 Levantai-vos do meio desta congregação, para que eu, num momento, a possa
consumir. Então caíram com o rosto em terra.
46 Depois disse Moisés a Arão: Toma o teu incensário, põe nele fogo do altar,
deita incenso sobre ele e leva-o depressa à congregação, e faze expiação por
eles; porque grande indignação saiu do Senhor; já começou a praga.
47 Tomou-o Arão, como Moisés tinha falado, e correu ao meio da congregação; e
eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitando o incenso no
incensário, fez expiação pelo povo.
48 E pôs-se em pé entre os mortos e os vivos, e a praga cessou.
49 Ora, os que morreram da praga foram catorze mil e setecentos, além dos que
morreram no caso de Corá.
50 E voltou Arão a Moisés à porta da tenda da revelação, pois cessara a praga.
NÚMEROS
[17]
1 Então disse o Senhor a
Moisés:
2 Fala aos filhos de Israel, e toma deles uma vara para cada casa paterna de
todos os seus príncipes, segundo as casas de seus pais, doze varas; e escreve o
nome de cada um sobre a sua vara.
3 O nome de Arão escreverás sobre a vara de Levi; porque cada cabeça das casas
de seus pais terá uma vara.
4 E as porás na tenda da revelação, perante o testemunho, onde venho a vós.
5 Então brotará a vara do homem que eu escolher; assim farei cessar as
murmurações dos filhos de Israel contra mim, com que murmuram contra vós.
6 Falou, pois, Moisés aos filhos de Israel, e todos os seus príncipes deram-lhe
varas, cada príncipe uma, segundo as casas de seus pais, doze varas; e entre
elas estava a vara de Arão.
7 E Moisés depositou as varas perante o Senhor na tenda do testemunho.
8 Sucedeu, pois, no dia seguinte, que Moisés entrou na tenda do testemunho, e
eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, brotara, produzira gomos, rebentara
em flores e dera amêndoas maduras.
9 Então Moisés trouxe todas as varas de diante do Senhor a todos os filhos de
Israel; e eles olharam, e tomaram cada um a sua vara.
10 Então o Senhor disse a Moisés: Torna a pôr a vara de Arão perante o
testemunho, para se guardar por sinal contra os filhos rebeldes; para que
possas fazer acabar as suas murmuraçoes contra mim, a fim de que não morram.
11 Assim fez Moisés; como lhe ordenara o Senhor, assim fez.
12 Então disseram os filhos de Israel a Moisés: Eis aqui, nós expiramos,
perecemos, todos nós perecemos.
13 Todo aquele que se aproximar, sim, todo o que se aproximar do tabernáculo do
Senhor, morrerá; porventura pereceremos todos?
NÚMEROS
[18]
1 Depois disse o Senhor a
Arão: Tu e teus filhos, e a casa de teu pai contigo, levareis a iniqüidade do
santuário; e tu e teus filhos contigo levareis a iniqüidade do vosso
sacerdócio.
2 Faze, pois, chegar contigo também teus irmãos, a tribo de Levi, a tribo de
teu pai, para que se ajuntem a ti, e te sirvam; mas tu e teus filhos contigo
estareis perante a tenda do testemunho.
3 Eles cumprirão as tuas ordens, e assumirão o encargo de toda a tenda; mas não
se chegarão aos utensílios do santuário, nem ao altar, para que não morram,
assim eles, como vós.
4 Mas se ajuntarão a ti, e assumirão o encargo da tenda da revelação, para todo
o serviço da tenda; e o estranho não se chegará a vós.
5 Vós, pois, assumireis o encargo do santuário e o encargo do altar, para que
não haja outra vez furor sobre os filhos de Israel.
6 Eis que eu tenho tomado vossos irmãos, os levitas, do meio dos filhos de
Israel; eles vos são uma dádiva, feita ao Senhor, para fazerem o serviço da
tenda da revelação.
7 Mas tu e teus filhos contigo cumprireis o vosso sacerdócio no tocante a tudo
o que é do altar, e a tudo o que está dentro do véu; nisso servireis. Eu vos
dou o sacerdócio como dádiva ministerial, e o estranho que se chegar será
morto.
8 Disse mais o Senhor a Arão: Eis que eu te tenho dado as minhas ofertas
alçadas, com todas as coisas santificadas dos filhos de Israel; a ti as tenho
dado como porção, e a teus filhos como direito perpétuo.
9 Das coisas santíssimas reservadas do fogo serão tuas todas as suas ofertas, a
saber, todas as ofertas de cereais, todas as ofertas pelo pecado e todas as
ofertas pela culpa, que me entregarem; estas coisas serão santíssimas para ti e
para teus filhos.
10 Num lugar santo as comerás; delas todo varão comerá; santas te serão.
11 Também isto será teu: a oferta alçada das suas dádivas, com todas as ofertas
de movimento dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos, e a tuas filhas
contigo, as tenho dado como porção, para sempre. Todo o que na tua casa estiver
limpo, comerá delas.
12 Tudo o que do azeite há de melhor, e tudo o que do mosto e do grão há de
melhor, as primícias destes que eles derem ao Senhor, a ti as tenho dado.
13 Os primeiros frutos de tudo o que houver na sua terra, que trouxerem ao
Senhor, serão teus. Todo o que na tua casa estiver limpo comerá deles.
14 Toda coisa consagrada em Israel será tua.
15 Todo primogênito de toda a carne, que oferecerem ao Senhor, tanto de homens
como de animais, será teu; contudo os primogênitos dos homens certamente
remirás; também os primogênitos dos animais imundos remirás.
16 Os que deles se houverem de remir, desde a idade de um mês os remirás,
segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do
santuário, que é de vinte jeiras.
17 Mas o primogênito da vaca, o primogênito da ovelha, e o primogênito da cabra
não remirás, porque eles são santos. Espargirás o seu sangue sobre o altar, e
queimarás a sua gordura em oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor.
18 E a carne deles será tua, bem como serão teus o peito da oferta de movimento
e a coxa direita.
19 Todas as ofertas alçadas das coisas sagradas, que os filhos de Israel
oferecerem ao Senhor, eu as tenho dado a ti, a teus filhos e a tuas filhas
contigo, como porção, para sempre; é um pacto perpétuo de sal perante o Senhor,
para ti e para a tua descendência contigo.
20 Disse também o Senhor a Arão: Na sua terra herança nenhuma terás, e no meio
deles nenhuma porção terás; eu sou a tua porção e a tua herança entre os filhos
de Israel.
21 Eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por
herança, pelo serviço que prestam, o serviço da tenda da revelação.
22 Ora, nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da revelação, para
que não levem sobre si o pecado e morram.
23 Mas os levitas farão o serviço da tenda da revelação, e eles levarão sobre
si a sua iniqüidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será; e no meio
dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
24 Porque os dízimos que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor em oferta
alçada, eu os tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse que
nenhuma herança teriam entre os filhos de Israel.
25 Disse mais o Senhor a Moisés:
26 Também falarás aos levitas, e lhes dirás: Quando dos filhos de Israel
receberdes os dízimos, que deles vos tenho dado por herança, então desses
dízimos fareis ao Senhor uma oferta alçada, o dízimo dos dízimos.
27 E computar-se-á a vossa oferta alçada, como o grão da eira, e como a
plenitude do lagar.
28 Assim fareis ao Senhor uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que
receberdes dos filhos de Israel; e desses dízimos dareis a oferta alçada do
Senhor a Arão, o sacerdote.
29 De todas as dádivas que vos forem feitas, oferecereis, do melhor delas, toda
a oferta alçada do Senhor, a sua santa parte.
30 Portanto lhes dirás: Quando fizerdes oferta alçada do melhor dos dízimos,
será ela computada aos levitas, como a novidade da eira e como a novidade do
lagar.
31 E o comereis em qualquer lugar, vós e as vossas famílias; porque é a vossa
recompensa pelo vosso serviço na tenda da revelação.
32 Pelo que não levareis sobre vós pecado, se tiverdes alçado o que deles há de
melhor; e não profanareis as coisas sagradas dos filhos de Israel, para que não
morrais.
NÚMEROS
[19]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés e a Arão:
2 Este é o estatuto da lei que o Senhor ordenou, dizendo: Dize aos filhos de
Israel que te tragam uma novilha vermelha sem defeito, que não tenha mancha, e
sobre a qual não se tenha posto jugo:
3 Entregá-la-eis a Eleazar, o sacerdote; ele a tirará para fora do arraial, e a
imolarão diante dele.
4 Eleazar, o sacerdote, tomará do sangue com o dedo, e dele espargirá para a
frente da tenda da revelação sete vezes.
5 Então à vista dele se queimará a novilha, tanto o couro e a carne, como o
sangue e o excremento;
6 e o sacerdote, tomando pau do cedro, hissopo e carmesim, os lançará no meio
do fogo que queima a novilha.
7 Então o sacerdote lavará as suas vestes e banhará o seu corpo em água; depois
entrará no arraial; e o sacerdote será imundo até a tarde.
8 Também o que a tiver queimado lavará as suas vestes e banhará o seu corpo em
água, e sera imundo até a tarde.
9 E um homem limpo recolherá a cinza da novilha, e a depositará fora do
arraial, num lugar limpo, e ficará ela guardada para a congregação dos filhos
de Israel, para a água de purificação; é oferta pelo pecado.
10 E o que recolher a cinza da novilha lavará as suas vestes e será imundo até
a tarde; isto será por estatuto perpétuo aos filhos de Israel e ao estrangeiro
que peregrina entre eles.
11 Aquele que tocar o cadáver de algum homem, será imundo sete dias.
12 Ao terceiro dia o mesmo se purificará com aquela água, e ao sétimo dia se
tornará limpo; mas, se ao terceiro dia não se purificar, não se tornará limpo
ao sétimo dia.
13 Todo aquele que tocar o cadáver de algum homem que tenha morrido, e não se
purificar, contamina o tabernáculo do Senhor; e essa alma será extirpada de
Israel; porque a água da purificação não foi espargida sobre ele, continua
imundo; a sua imundícia está ainda sobre ele.
14 Esta é a lei, quando um homem morrer numa tenda: todo aquele que entrar na
tenda, e todo aquele que nela estiver, será imundo sete dias.
15 Também, todo vaso aberto, sobre que não houver pano atado, será imundo.
16 E todo aquele que no campo tocar alguém que tenha sido morto pela espada, ou
outro cadáver, ou um osso de algum homem, ou uma sepultura, será imundo sete
dias.
17 Para o imundo, pois, tomarão da cinza da queima da oferta pelo pecado, e
sobre ela deitarão água viva num vaso;
18 e um homem limpo tomará hissopo, e o molhará na água, e a espargirá sobre a
tenda, sobre todos os objetos e sobre as pessoas que ali estiverem, como também
sobre aquele que tiver tocado o osso, ou o que foi morto, ou o que faleceu, ou
a sepultura.
19 Também o limpo, ao terceiro dia e ao sétimo dia, a espargirá sobre o imundo,
e ao sétimo dia o purificará; e o que era imundo lavará as suas vestes, e se
banhará em água, e à tarde será limpo.
20 Mas o que estiver imundo e não se purificar, esse será extirpado do meio da
assembléia, porquanto contaminou o santuário do Senhor; a água de purificação
não foi espargida sobre ele; é imundo.
21 Isto lhes será por estatuto perpétuo: o que espargir a água de purificação
lavará as suas vestes; e o que tocar a água de purificação será imundo até a
tarde.
22 E tudo quanto o imundo tocar também será imundo; e a pessoa que tocar
naquilo será imunda até a tarde.
NÚMEROS
[20]
1 Os filhos de Israel, a
congregação toda, chegaram ao deserto de Zim no primeiro mês, e o povo ficou em
Cades. Ali morreu Miriã, e ali foi sepultada.
2 Ora, não havia água para a congregação; pelo que se ajuntaram contra Moisés e
Arão.
3 E o povo contendeu com Moisés, dizendo: Oxalá tivéssemos perecido quando
pereceram nossos irmãos perante o Senhor!
4 Por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos
aqui, nós e os nossos animais?
5 E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar?
lugar onde não há semente, nem figos, nem vides, nem romãs, nem mesmo água para
beber.
6 Então Moisés e Arão se foram da presença da assembléia até a porta da tenda
da revelação, e se lançaram com o rosto em terra; e a glória do Senhor lhes
apareceu.
7 E o Senhor disse a Moisés:
8 Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha
perante os seus olhos, que ela dê as suas águas. Assim lhes tirarás água da
rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais.
9 Moisés, pois, tomou a vara de diante do senhor, como este lhe ordenou.
10 Moisés e Arão reuniram a assembléia diante da rocha, e Moisés disse-lhes:
Ouvi agora, rebeldes! Porventura tiraremos água desta rocha para vós?
11 Então Moisés levantou a mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e
saiu água copiosamente, e a congregação bebeu, e os seus animais.
12 Pelo que o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não me crestes a mim,
para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis
esta congregação na terra que lhes dei.
13 Estas são as águas de Meribá, porque ali os filhos de Israel contenderam com
o Senhor, que neles se santificou.
14 De Cades, Moisés enviou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: Assim diz teu
irmão Israel: Tu sabes todo o trabalho que nos tem sobrevindo;
15 como nossos pais desceram ao Egito, e nós no Egito habitamos muito tempo; e
como os egípcios nos maltrataram, a nós e a nossos pais;
16 e quando clamamos ao Senhor, ele ouviu a nossa voz, e mandou um anjo, e nos
tirou do Egito; e eis que estamos em Cades, cidade na extremidade dos teus
termos.
17 Deixa-nos, pois, passar pela tua terra; não passaremos pelos campos, nem
pelas vinhas, nem beberemos a água dos poços; iremos pela estrada real, não nos
desviando para a direita nem para a esquerda, até que tenhamos passado os teus
termos.
18 Respondeu-lhe Edom: Não passaras por mim, para que eu não saia com a espada
ao teu encontro.
19 Os filhos de Israel lhe replicaram: Subiremos pela estrada real; e se
bebermos das tuas águas, eu e o meu gado, darei o preço delas; sob condição de
eu nada mais fazer, deixa-me somente passar a pé.
20 Edom, porém, respondeu: Não passarás. E saiu-lhe ao encontro com muita gente
e com mão forte.
21 Assim recusou Edom deixar Israel passar pelos seus termos; pelo que Israel
se desviou dele.
22 Então partiram de Cades; e os filhos de Israel, a congregação toda, chegaram
ao monte Hor.
23 E falou o Senhor a Moisés e a Arão no monte Hor, nos termos da terra de
Edom, dizendo:
24 Arão será recolhido a seu povo, porque não entrará na terra que dei aos
filhos de Israel, porquanto fostes rebeldes contra a minha palavra no tocante
às águas de Meribá.
25 Toma a Arão e a Eleazar, seu filho, e faze-os subir ao monte Hor;
26 e despe a Arão as suas vestes, e as veste a Eleazar, seu filho, porque Arão
será recolhido, e morrerá ali.
27 Fez, pois, Moisés como o Senhor lhe ordenara; e subiram ao monte Hor perante
os olhos de toda a congregação.
28 Moisés despiu a Arão as vestes, e as vestiu a Eleazar, seu filho; e morreu
Arão ali sobre o cume do monte; e Moisés e Eleazar desceram do monte.
29 Vendo, pois, toda a congregação que Arão era morto, chorou-o toda a casa de
Israel por trinta dias.
NÚMEROS
[21]
1 Ora, ouvindo o cananeu, rei
de Arade, que habitava no Negebe, que Israel vinha pelo caminho de Atarim,
pelejou contra Israel, e levou dele alguns prisioneiros.
2 Então Israel fez um voto ao Senhor, dizendo: Se na verdade entregares este
povo nas minhas mãos, destruirei totalmente as suas cidades.
3 O Senhor, pois, ouviu a voz de Israel, e entregou-lhe os cananeus; e os
israelitas os destruíram totalmente, a eles e às suas cidades; e chamou-se
aquele lugar Horma.
4 Então partiram do monte Hor, pelo caminho que vai ao Mar Vermelho, para
rodearem a terra de Edom; e a alma do povo impacientou-se por causa do caminho.
5 E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do
Egito, para morrermos no deserto? pois aqui não há pão e não há água: e a nossa
alma tem fastio deste miserável pão.
6 Então o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que o mordiam; e
morreu muita gente em Israel.
7 Pelo que o povo veio a Moisés, e disse: Pecamos, porquanto temos falado
contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor para que tire de nós estas
serpentes. Moisés, pois, orou pelo povo.
8 Então disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre
uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá.
9 Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia
que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando esse olhava para a serpente de
bronze, vivia.
10 Partiram, então, os filhos de Israel, e acamparam-se em Obote.
11 Depois partiram de Obote, e acamparam-se em Ije-Abarim, no deserto que está
defronte de Moabe, para o nascente.
12 Dali partiram, e acamparam-se no vale de Zerede.
13 E, partindo dali, acamparam-se além do Arnom, que está no deserto e sai dos
termos dos amorreus; porque o Arnom é o termo de Moabe, entre Moabe e os
amorreus.
14 Pelo que se diz no livro das guerras do Senhor: Vaebe em Sufa, e os vales do
Arnom,
15 e o declive dos vales, que se inclina para a situação Ar, e se encosta aos
termos de Moabe
16 Dali vieram a Beer; esse é o poço do qual o Senhor disse a Moisés: Ajunta o
povo, e lhe darei água.
17 Então Israel cantou este cântico: Brota, ó poço! E vós, entoai-lhe cânticos!
18 Ao poço que os príncipes cavaram, que os nobres do povo escavaram com o
bastão, e com os seus bordões. Do deserto vieram a Matana;
19 de Matana a Naaliel; de Naaliel a Bamote;
20 e de Bamote ao vale que está no campo de Moabe, ao cume de Pisga, que dá
para o deserto.
21 Então Israel mandou mensageiros a Siom, rei dos amorreus, a dizer-lhe:
22 Deixa-me passar pela tua terra; não nos desviaremos para os campos nem para
as vinhas; as águas dos poços não beberemos; iremos pela estrada real até que
tenhamos passado os teus termos.
23 Siom, porém, não deixou Israel passar pelos seus termos; pelo contrário,
ajuntou todo o seu povo, saiu ao encontro de Israel no deserto e, vindo a Jaza,
pelejou contra ele.
24 Mas Israel o feriu ao fio da espada, e apoderou-se da sua terra, desde o
Arnom até o Jaboque, até os amonitas; porquanto a fronteira dos amonitas era
fortificada.
25 Assim Israel tomou todas as cidades dos amorreus e habitou nelas, em Hesbom
e em todas as suas aldeias.
26 Porque Hesbom era a cidade de Siom, rei dos amorreus, que pelejara contra o
precedente rei de Moabe, e tomara da mão dele toda a sua terra até o Arnom.
27 Pelo que dizem os que falam por provérbios: Vinde a Hesbom! edifique-se e
estabeleça-se a cidade de Siom!
28 Porque fogo saiu de Hesbom, e uma chama da cidade de Siom; e devorou a Ar de
Moabe, aos senhores dos altos do Arnom.
29 Ai de ti, Moabe! perdido estás, povo de Quemós! Entregou seus filhos como
fugitivos, e suas filhas como cativas, a Siom, rei dos amorreus.
30 Nós os asseteamos; Hesbom está destruída até Dibom, e os assolamos até Nofá,
que se estende até Medeba.
31 Assim habitou Israel na terra dos amorreus.
32 Depois Moisés mandou espiar a Jazer, e tomaram as suas aldeias e expulsaram
os amorreus que ali estavam.
33 Então viraram-se, e subiram pelo caminho de Basã. E Ogue, rei de Basã,
saiu-lhes ao encontro, ele e todo o seu povo, para lhes dar batalha em Edrei.
34 Disse, pois, o Senhor a Moisés: Não o temas, porque eu to entreguei na mão,
a ele, a todo o seu povo, e à sua terra; e far-lhe-ás como fizeste a Siom, rei
dos amorreus, que habitava em Hesbom.
35 Assim o feriram, a ele e seus filhos, e a todo o seu povo, até que nenhum
lhe ficou restando; também se apoderaram da terra dele.
NÚMEROS
[22]
1 Depois os filhos de Israel
partiram, e acamparam-se nas planícies de Moabe, além do Jordão, na altura de
Jericó.
2 Ora, Balaque, filho de Zipor, viu tudo o que Israel fizera aos amorreus.
3 E Moabe tinha grande medo do povo, porque era muito; e Moabe andava
angustiado por causa dos filhos de Israel.
4 Por isso disse aos anciãos de Midiã: Agora esta multidão lamberá tudo quanto
houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo. Nesse tempo Balaque,
filho de Zipor, era rei de Moabe.
5 Ele enviou mensageiros a Balaão, filho de Beor, a Petor, que está junto ao
rio, à terra dos filhos do seu povo, a fim de chamá-lo, dizendo: Eis que saiu
do Egito um povo, que cobre a face da terra e estaciona defronte de mim.
6 Vem pois agora, rogo-te, amaldiçoar-me este povo, pois mais poderoso é do que
eu; porventura prevalecerei, de modo que o possa ferir e expulsar da terra;
porque eu sei que será abençoado aquele a quem tu abençoares, e amaldiçoado
aquele a quem tu amaldiçoares.
7 Foram-se, pois, os anciãos de Moabe e os anciãos de Midiã, com o preço dos
encantamentos nas mãos e, chegando a Balaão, referiram-lhe as palavras de
Balaque.
8 Ele lhes respondeu: Passai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o
Senhor me falar. Então os príncipes de Moabe ficaram com Balaão.
9 Então veio Deus a Balaão, e perguntou: Quem são estes homens que estão
contigo?
10 Respondeu Balaão a Deus: Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe, mos enviou,
dizendo:
11 Eis que o povo que saiu do Egito cobre a face da terra; vem agora
amaldiçoar-mo; porventura poderei pelejar contra ele e expulsá-lo.
12 E Deus disse a Balaão: Não irás com eles; não amaldiçoarás a este povo,
porquanto é bendito.
13 Levantando-se Balaão pela manhã, disse aos príncipes de Balaque: Ide para a
vossa terra, porque o Senhor recusa deixar-me ir convosco.
14 Levantaram-se, pois, os príncipes de Moabe, vieram a Balaque e disseram:
Balaão recusou vir conosco.
15 Balaque, porém, tornou a enviar príncipes, em maior número e mais honrados
do que aqueles.
16 Estes vieram a Balaão e lhe disseram: Assim diz Balaque, filho de Zipor:
Rogo-te que não te demores em vir a mim,
17 porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres; vem pois,
rogo-te, amaldiçoar-me este povo.
18 Respondeu Balaão aos servos de Balaque: Ainda que Balaque me quisesse dar a
sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia ir além da ordem do Senhor
meu Deus, para fazer coisa alguma, nem pequena nem grande.
19 Agora, pois, rogo-vos que fiqueis aqui ainda esta noite, para que eu saiba o
que o Senhor me dirá mais.
20 Veio, pois, Deus a Balaão, de noite, e disse-lhe: Já que esses homens te
vieram chamar, levanta-te, vai com eles; todavia, farás somente aquilo que eu
te disser.
21 Então levantou-se Balaão pela manhã, albardou a sua jumenta, e partiu com os
príncipes de Moabe.
22 A ira de Deus se acendeu, porque ele ia, e o anjo do Senhor pôs-se-lhe no
caminho por adversário. Ora, ele ia montado na sua jumenta, tendo consigo os
seus dois servos.
23 A jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, com a sua espada
desembainhada na mão e, desviando-se do caminho, meteu-se pelo campo; pelo que
Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho.
24 Mas o anjo do Senhor pôs-se numa vereda entre as vinhas, havendo uma sebe de
um e de outro lado.
25 Vendo, pois, a jumenta o anjo do Senhor, coseu-se com a sebe, e apertou
contra a sebe o pé de Balaão; pelo que ele tornou a espancá-la.
26 Então o anjo do Senhor passou mais adiante, e pôs-se num lugar estreito,
onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
27 E, vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão; e a ira de
Balaão se acendeu, e ele espancou a jumenta com o bordão.
28 Nisso abriu o Senhor a boca da jumenta, a qual perguntou a Balaão: Que te
fiz eu, para que me espancasses estas três vezes?
29 Respondeu Balaão à jumenta: Porque zombaste de mim; oxalá tivesse eu uma
espada na mão, pois agora te mataria.
30 Tornou a jumenta a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que
cavalgaste toda a tua vida até hoje? Porventura tem sido o meu costume fazer
assim para contigo? E ele respondeu: Não.
31 Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor parado no
caminho, e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e
prostrou-se com o rosto em terra.
32 Disse-lhe o anjo do senhor: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta?
Eis que eu te saí como adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de
mim;
33 a jumenta, porém, me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se
ela não se tivesse desviado de mim, na verdade que eu te haveria matado,
deixando a ela com vida.
34 Respondeu Balaão ao anjo do Senhor: pequei, porque não sabia que estavas
parado no caminho para te opores a mim; e agora, se parece mal aos teus olhos,
voltarei.
35 Tornou o anjo do Senhor a Balaão: Vai com os mem, ou uma somente a palavra
que eu te disser é que falarás. Assim Balaão seguiu com os príncipes de
Balaque:
36 Tendo, pois, Balaque ouvido que Balaão vinha chegando, saiu-lhe ao encontro
até Ir-Moabe, cidade fronteira que está à margem do Arnom.
37 Perguntou Balaque a Balaão: Porventura não te enviei diligentemente
mensageiros a chamar-te? por que não vieste a mim? não posso eu, na verdade,
honrar-te?
38 Respondeu Balaão a Balaque: Eis que sou vindo a ti; porventura poderei eu
agora, de mim mesmo, falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha
boca, essa falarei.
39 E Balaão foi com Balaque, e chegaram a Quiriate-Huzote.
40 Então Balaque ofereceu em sacrifício bois e ovelhas, e deles enviou a Balaão
e aos príncipes que estavam com ele.
41 E sucedeu que, pela manhã, Balaque tomou a Balaão, e o levou aos altos de
Baal, e viu ele dali a parte extrema do povo.
NÚMEROS
[23]
1 Disse Balaão a Balaque:
Edifica-me aqui sete altares e prepara-me aqui sete novilhos e sete carneiros.
2 Fez, pois, Balaque como Balaão dissera; e Balaque e Balaão ofereceram um
novilho e um carneiro sobre cada altar.
3 Então Balaão disse a Balaque: Fica aqui em pé junto ao teu holocausto, e eu
irei; porventura o Senhor me sairá ao encontro, e o que ele me mostrar, eu to
direi. E foi a um lugar alto.
4 E quando Deus se encontrou com Balaão, este lhe disse: Preparei os sete altares,
e ofereci um novilho e um carneiro sobre cada altar.
5 Então o senhor pôs uma palavra na boca de Balaão, e disse: Volta para
Balaque, e assim falarás.
6 Voltou, pois, para ele, e eis que estava em pé junto ao seu holocausto, ele e
todos os príncipes de Moabe.
7 Então proferiu Balaão a sua parábola, dizendo: De Arã me mandou trazer
Balaque, o rei de Moabe, desde as montanhas do Oriente, dizendo: Vem,
amaldiçoa-me a Jacó; vem, denuncia a Israel.
8 Como amaldiçoarei a quem Deus não amaldiçoou? e como denunciarei a quem o
Senhor não denunciou?
9 Pois do cume das penhas o vejo, e dos outeiros o contemplo; eis que é um povo
que habita só, e entre as nações não será contado.
10 Quem poderá contar o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? Que eu
morra a morte dos justos, e seja o meu fim como o deles.
11 Então disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoares os
meus inimigos, e eis que inteiramente os abençoaste.
12 E ele respondeu: Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor me
puser na boca?
13 Então Balaque lhe disse: Rogo-te que venhas comigo a outro lugar, donde o
poderás ver; verás somente a última parte dele, mas a todo ele não verás; e
amaldiçoa-mo dali.
14 Assim o levou ao campo de Zofim, ao cume de Pisga; e edificou sete altares,
e ofereceu um novilho e um carneiro sobre cada altar.
15 Disse Balaão a Balaque: Fica aqui em pé junto ao teu holocausto, enquanto eu
vou ali ao encontro do Senhor.
16 E, encontrando-se o Senhor com Balaão, pôs-lhe na boca uma palavra, e disse:
Volta para Balaque, e assim falarás.
17 Voltou, pois, para ele, e eis que estava em pé junto ao seu holocausto, e os
príncipes de Moabe com ele. Perguntou-lhe, pois, Balaque: Que falou o Senhor?
18 Então proferiu Balaão a sua parábola, dizendo: Levanta-te, Balaque, e ouve;
escuta-me, filho de Zipor;
19 Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa.
Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?
20 Eis que recebi mandado de abençoar; pois ele tem abençoado, e eu não o posso
revogar.
21 Não se observa iniqüidade em Jacó, nem se vê maldade em Israel; o senhor seu
Deus é com ele, no meio dele se ouve a aclamação dum rei;
22 É Deus que os vem tirando do Egito; as suas forças são como as do boi
selvagem.
23 Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel. Agora
se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito!
24 Eis que o povo se levanta como leoa, e se ergue como leão; não se deitará
até que devore a presa, e beba o sangue dos que foram mortos:
25 Então Balaque disse a Balaão: Nem o amaldiçoes, nem tampouco o abençoes:
26 Respondeu, porém, Balaão a Balaque: Não te falei eu, dizendo: Tudo o que o
Senhor falar, isso tenho de fazer?
27 Tornou Balaque a Balaão: Vem agora, e te levarei a outro lugar; porventura
parecerá bem aos olhos de Deus que dali mo amaldiçoes.
28 Então Balaque levou Balaão ao cume de Peor, que dá para o deserto.
29 E Balaão disse a Balaque: Edifica-me aqui sete altares, e prepara-me aqui
sete novilhos e sete carneiros.
30 Balaque, pois, fez como dissera Balaão; e ofereceu um novilho e um carneiro
sobre cada altar.
NÚMEROS
[24]
1 Vendo Balaão que parecia
bem aos olhos do Senhor que abençoasse a Israel, não foi, como era costume, ao
encontro dos encantamentos, mas voltou o rosto para o deserto.
2 E, levantando Balaão os olhos, viu a Israel que se achava acampado segundo as
suas tribos; e veio sobre ele o Espírito de Deus.
3 Então proferiu Balaão a sua parábola, dizendo: Fala Balaão, filho de Beor;
fala o homem que tem os olhos abertos;
4 fala aquele que ouve as palavras de Deus, o que vê a visão do Todo-Poderoso,
que cai, e se lhe abrem os olhos:
5 Quão formosas são as tuas tendas, ó Jacó! as tuas moradas, ó Israel!
6 Como vales, elas se estendem; são como jardins à beira dos rios, como árvores
de aloés que o Senhor plantou, como cedros junto às águas.
7 De seus baldes manarão águas, e a sua semente estará em muitas águas; o seu
rei se exalçará mais do que Agague, e o seu reino será exaltado.
8 É Deus que os vem tirando do Egito; as suas forças são como as do boi
selvagem; ele devorará as nações, seus adversários, lhes quebrará os ossos, e
com as suas setas os atravessará.
9 Agachou-se, deitou-se como leão, e como leoa; quem o despertará? Benditos os
que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem.
10 Pelo que a ira de Balaque se acendeu contra Balaão, e batendo ele as palmas,
disse a Balaão: Para amaldiçoares os meus inimigos é que te chamei; e eis que
já três vezes os abençoaste.
11 Agora, pois, foge para o teu lugar; eu tinha dito que certamente te
honraria, mas eis que o Senhor te privou dessa honra.
12 Então respondeu Balaão a Balaque: Não falei eu também aos teus mensageiros,
que me enviaste, dizendo:
13 Ainda que Balaque me quisesse dar a sua casa cheia de prata e de ouro, eu
não poderia ir além da ordem do Senhor, para fazer, de mim mesmo, o bem ou o
mal; o que o Senhor falar, isso falarei eu?
14 Agora, pois, eis que me vou ao meu povo; vem, avisar-te-ei do que este povo
fará ao teu povo nos últimos dias.
15 Então proferiu Balaão a sua parábola, dizendo: Fala Balaão, filho de Beor;
fala o homem que tem os olhos abertos;
16 fala aquele que ouve as palavras de Deus e conhece os desígnios do
Altíssimo, que vê a visão do Todo-Poderoso, que cai, e se lhe abrem os olhos:
17 Eu o vejo, mas não no presente; eu o contemplo, mas não de perto; de Jacó
procederá uma estrela, de Israel se levantará um cetro que ferirá os termos de
Moabe, e destruirá todos os filhos de orgulho.
18 E Edom lhe será uma possessão, e assim também Seir, os quais eram os seus
inimigos; pois Israel fará proezas.
19 De Jacó um dominará e destruirá os sobreviventes da cidade.
20 Também viu Balaão a Amaleque e proferiu a sua parábola, dizendo: Amaleque
era a primeira das nações, mas o seu fim será a destruição.
21 E, vendo os quenitas, proferiu a sua parábola, dizendo: Firme está a tua
habitação; e posto na penha está o teu ninho;
22 todavia será o quenita assolado, até que Assur te leve por prisioneiro.
23 Proferiu ainda a sua parábola, dizendo: Ai, quem viverá, quando Deus fizer
isto?
24 Naus virão das costas de Quitim, e afligirão a Assur; igualmente afligirão a
Eber, que também será para destruição.
25 Então, tendo-se Balaão levantado, partiu e voltou para o seu lugar; e também
Balaque se foi pelo seu caminho.
NÚMEROS
[25]
1 Ora, Israel demorava-se em
Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas de Moabe,
2 pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu,
e inclinou-se aos seus deuses.
3 Porquanto Israel se juntou a Baal-Peor, a ira do Senhor acendeu-se contra
ele.
4 Disse, pois, o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os
ao senhor diante do sol, para que a grande ira do Senhor se retire de Israel.
5 Então Moisés disse aos juízes de Israel: Mate cada um os seus homens que se
juntaram a Baal-Peor.
6 E eis que veio um homem dos filhos de Israel, e trouxe a seus irmãos uma
midianita à vista de Moisés e à vista de toda a congregação dos filhos de
Israel, enquanto estavam chorando à porta da tenda da revelação.
7 Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, levantou-se do
meio da congregação, e tomou na mão uma lança; o foi após o israelita, e
entrando na sua tenda, os atravessou a ambos, ao israelita e à mulher, pelo
ventre. Então a praga cessou de sobre os filhos de Israel.
9 Ora, os que morreram daquela praga foram vinte e quatro mil.
10 Então disse o Senhor a Moisés:
11 Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, desviou a minha ira de
sobre os filhos de Israel, pois foi zeloso com o meu zelo no meio deles, de
modo que no meu zelo não consumi os filhos de Israel.
12 Portanto dize: Eis que lhe dou o meu pacto de paz,
13 e será para ele e para a sua descendência depois dele, o pacto de um
sacerdócio perpétuo; porquanto foi zeloso pelo seu Deus, e fez expiação pelos
filhos de Israel.
14 O nome do israelita que foi morto com a midianita era Zinri, filho de Salu,
príncipe duma casa paterna entre os simeonitas.
15 E o nome da mulher midianita morta era Cozbi, filha de Zur; o qual era
cabeça do povo duma casa paterna em Midiã.
16 Disse mais o Senhor a Moisés:
17 Afligi vós os midianitas e feri-os;
18 porque eles vos afligiram a vós com as suas ciladas com que vos enganaram no
caso de Peor, e no caso de Cozbi, sua irmã, filha do príncipe de Midiã, a qual
foi morta no dia da praga no caso de Peor.
NÚMEROS
[26]
1 Depois daquela praga disse
o Senhor a Moisés e a Eleazar, filho do sacerdote Arão:
2 Tomai a soma de toda a congregação dos filhos de Israel, da idade de vinte
anos para cima, segundo as casas e seus pais, todos os que em Israel podem sair
à guerra.
3 Falaram-lhes, pois, Moisés e Eleazar o sacerdote, nas planícies de Moabe,
junto ao Jordão, na altura de Jericó, dizendo:
4 Contai o povo da idade de vinte anos para cima; como o Senhor ordenara a
Moisés e aos filhos de Israel que saíram da terra do Egito.
5 Rúben, o primogênito de Israel; os filhos de Rúben: de Hanoque, a família dos
hanoquitas; de Palu, a família dos paluítas;
6 de Hezrom, a família dos hezronitas; de Carmi, a família dos carmitas.
7 Estas são as famílias dos rubenitas; os que foram deles contados eram
quarenta e três mil setecentos e trinta.
8 E o filho de Palu: Eliabe.
9 Os filhos de Eliabe: Nemuel, Dato e Abirão. Estes são aqueles Datã e Abirão
que foram chamados da congregação, os quais contenderam contra Moisés e contra
Arão na companhia de Corá, quando contenderam contra o Senhor,
10 e a terra abriu a boca, e os tragou juntamente com Corá, quando pereceu
aquela companhia; quando o fogo devorou duzentos e cinqüenta homens, os quais
serviram de advertência.
11 Todavia os filhos de Corá não morreram.
12 Os filhos de Simeão, segundo as suas famílias: de Nemuel, a família dos
nemuelitas; de Jamim, a família dos jaminitas; de Jaquim, a família dos
jaquinitas;
13 de Zerá, a família dos zeraítas; de Saul, a família dos saulitas.
14 Estas são as famílias dos simeonitas, vinte e dois mil e duzentos.
15 Os filhos de Gade, segundo as suas famílias: de Zefom, a família dos
zefonitas; de Hagui, a família dos haguitas; de Suni, a família dos sunitas;
16 de Ozni, a família dos oznitas; de Eri, a família dos eritas;
17 de Arode, a família dos aroditas; de Areli, a família dos arelitas.
18 Estas são as famílias dos filhos de Gade, segundo os que foram deles
contados, quarenta mil e quinhentos.
19 Os filhos de Judá: Er e Onã; mas Er e Onã morreram na terra de Canaã.
20 Assim os filhos de Judá, segundo as suas famílias, eram: de Selá, a família
dos selanitas; de Pérez, a família dos perezitas; de Zerá, a família dos
zeraítas.
21 E os filhos de Pérez eram: de Hezrom, a família dos hezronitas; de Hamul, a
família dos hamulitas.
22 Estas são as famílias de Judá, segundo os que foram deles contados, setenta
e seis mil e quinhentos.
23 Os filhos de Issacar, segundo as suas famílias: de Tola, a família dos
tolaítas; de Puva, a família dos puvitas;
24 de Jasube, a família dos jasubitas; de Sinrom, a família dos sinronitas.
25 Estas são as famílias de Issacar, segundo os que foram deles contados,
sessenta e quatro mil e trezentos:
26 Os filhos de Zebulom, segundo as suas famílias: de Serede, a família dos
sereditas; de Elom, a família dos elonitas; de Jaleel, a família dos
jaleelitas.
27 Estas são as famílias dos zebulonitas, segundo os que foram deles contados,
sessenta mil e quinhentos.
28 Os filhos de José, segundo as suas familias: Manassés e Efraim.
29 Os filhos de Manassés: de Maquir, a família dos maquiritas; e Maquir gerou a
Gileade; de Gileade, a família dos gileaditas.
30 Estes são os filhos de Gileade: de Iezer, a família dos iezritas; de
Heleque, a família dos helequitas;
31 de Asriel, a família dos asrielitas; de Siquém, a família dos siquemitas;
32 e de Semida, a família dos semidaítas; e de Hefer, a família dos heferitas.
33 Ora, Zelofeade, filho de Hefer, não tinha filhos, senão filhas; e as filhas
de Zelofeade chamavam-se Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza.
34 Estas são as famílias de Manassés; os que foram deles contados, eram
cinqüenta e dois mil e setecentos.
35 Estes são os filhos de Efraim, segundo as suas famílias: de Sutela, a família
dos sutelaítas; de Bequer, a família dos bequeritas; de Taã, a família dos
taanitas.
36 E estes são os filhos de Sutela: de Erã, a família dos eranitas.
37 Estas são as famílias dos filhos de Efraim, segundo os que foram deles
contados, trinta e dois mil e quinhentos. Estes são os filhos de José, segundo
as suas famílias.
38 Os filhos de Benjamim, segundo as suas famílias: de Belá, a família dos
belaítas; de Asbel, a família dos asbelitas; de Airão, a família dos airamitas;
39 de Sefufã, a família dos sufamitas; de Hufão, a família dos hufamitas.
40 E os filhos de Belá eram Arde e Naamã: de Arde a família dos arditas; de
Naamã, a família dos naamitas.
41 Estes são os filhos de Benjamim, segundo as suas famílias; os que foram
deles contados, eram quarenta e cinco mil e seiscentos.
42 Estes são os filhos de Dã, segundo as suas famílias: de Suão a família dos
suamitas. Estas são as famílias de Dã, segundo as suas famílias.
43 Todas as famílias dos suamitas, segundo os que foram deles contados, eram
sessenta e quatro mil e quatrocentos.
44 Os filhos de Aser, segundo as suas famílias: de Imná, a família dos imnitas;
de Isvi, a família dos isvitas; de Berias, a família dos beritas.
45 Dos filhos de Berias: de Heber, a família dos heberitas; de Malquiel, a família
dos malquielitas.
46 E a filha de Aser chamava-se Sera.
47 Estas são as famílias dos filhos de Aser, segundo os que foram deles
contados, cinqüenta e três mil e quatrocentos.
48 Os filhos de Naftali, segundo as suas famílias: de Jazeel, a família dos
jazeelitas; de Guni, a família dos gunitas;
49 de Jezer, a família dos jezeritas; de Silém, a família dos silemitas.
50 Estas são as famílias de Naftali, segundo as suas famílias; os que foram
deles contados, eram quarenta e cinco mil e quatrocentos.
51 Estes são os que foram contados dos filhos de Israel, seiscentos e um mil
setecentos e trinta.
52 Disse mais o senhor a Moisés:
53 A estes se repartirá a terra em herança segundo o número dos nomes.
54 Â tribo de muitos darás herança maior, e à de poucos darás herança menor; a
cada qual se dará a sua herança segundo os que foram deles contados.
55 Todavia a terra se repartirá por sortes; segundo os nomes das tribos de seus
pais a herdarão.
56 Segundo sair a sorte, se repartirá a herança deles entre as tribos de muitos
e as de poucos.
57 Também estes são os que foram contados dos levitas, segundo as suas
famílias: de Gérson, a família dos gersonitas; de Coate, a família dos
coatitas; de Merári, a família os meraritas.
58 Estas são as famílias de Levi: a família dos libnitas, a família dos
hebronitas, a família dos malitas, a família dos musitas, a família dos
coraítas. Ora, Coate gerou a Anrão.
59 E a mulher de Anrão chamava-se Joquebede, filha de Levi, a qual nasceu a
Levi no Egito; e de Anrão ela teve Arão e Moisés, e Miriã, irmã deles.
60 E a Arão nasceram Nadabe e Abiú, Eleazar e Itamar.
61 Mas Nadabe e Abiú morreram quando ofereceram fogo estranho perante o Senhor.
62 E os que foram deles contados eram vinte e três mil, todos os homens da
idade de um mês para cima; porque não foram contados entre os filhos de Israel,
porquanto não lhes foi dada herança entre os filhos de Israel.
63 Esses são os que foram contados por Moisés e Eleazar, o sacerdote, que
contaram os filhos de Israel nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, na altura
de Jericó.
64 Entre esses, porém, não se achava nenhum daqueles que tinham sido contados
por Moisés e Arão, o sacerdote, quando contaram os filhos de Israel no deserto
de Sinai.
65 Porque o senhor dissera deles: Certamente morrerão no deserto; pelo que
nenhum deles ficou, senão Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
NÚMEROS
[27]
1 Então vieram as filhas de
Zelofeade, filho de Hefer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de
Manassés, das famílias de Manassés, filho de José; e os nomes delas são estes:
Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza;
2 apresentaram-se diante de Moisés, e de Eleazar, o sacerdote, e diante dos
príncipes e de toda a congregação à porta da tenda da revelação, dizendo:
3 Nosso pai morreu no deserto, e não se achou na companhia daqueles que se
ajuntaram contra o Senhor, isto é, na companhia de Corá; porém morreu no seu
próprio pecado, e não teve filhos.
4 Por que se tiraria o nome de nosso pai dentre a sua família, por não ter tido
um filho? Dai-nos possessão entre os irmãos de nosso pai.
5 Moisés, pois, levou a causa delas perante o Senhor.
6 Então disse o Senhor a Moisés:
7 O que as filhas de Zelofeade falam é justo; certamente lhes darás possessão
de herança entre os irmãos de seu pai; a herança de seu pai farás passar a
elas.
8 E dirás aos filhos de Israel: Se morrer um homem, e não tiver filho, fareis
passar a sua herança à sua filha.
9 E, se não tiver filha, dareis a sua herança a seus irmãos.
10 Mas, se não tiver irmãos, dareis a sua herança aos irmãos de seu pai.
11 Se também seu pai não tiver irmãos, então dareis a sua herança a seu parente
mais chegado dentre a sua família, para que a possua; isto será para os filhos
de Israel estatuto de direito, como o Senhor ordenou a Moisés.
12 Depois disse o Senhor a Moisés: sobe a este monte de Abarim, e vê a terra
que tenho dado aos filhos de Israel.
13 E, tendo-a visto, serás tu também recolhido ao teu povo, assim como o foi
teu irmão Arão;
14 porquanto no deserto de Zim, na contenda da congregação, fostes rebeldes à
minha palavra, não me santificando diante dos seus olhos, no tocante às águas
(estas são as águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim).
15 Respondeu Moisés ao Senhor:
16 Que o senhor, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre a
congregação,
17 o qual saia diante deles e entre diante deles, e os faça sair e os faça
entrar; para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não têm
pastor.
18 Então disse o Senhor a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há
o Espírito, e impõe-lhe a mão;
19 e apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação, e
dá-lhe a comissão à vista deles;
20 e sobre ele porás da tua glória, para que lhe obedeça toda a congregação dos
filhos de Israel.
21 Ele, pois, se apresentará perante Eleazar, o sacerdote, o qual por ele
inquirirá segundo o juízo do Urim, perante o Senhor; segundo a ordem de Eleazar
sairão, e segundo a ordem de Eleazar entrarão, ele e todos os filhos de Israel,
isto é, toda a congregação.
22 Então Moisés fez como o Senhor lhe ordenara: tomou a Josué, apresentou-o
perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação,
23 impôs-lhe as mãos, e lhe deu a comissão; como o Senhor falara por intermédio
de Moisés.
NÚMEROS
[28]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Ordena aos filhos de Israel, e dize-lhes: A minha oferta, o alimento para as
minhas ofertas queimadas, de cheiro suave para mim, tereis cuidado para ma
oferecer aos seus tempos determinados.
3 Também lhes dirás: Esta é a oferta queimada que oferecereis ao Senhor: dois
cordeiros de um ano, sem defeito, cada dia, em contínuo holocausto.
4 Um cordeiro oferecerás pela manhã, e o outro à tardinha,
5 juntamente com a décima parte de uma efa de flor de farinha em oferta de
cereais, misturada com a quarta parte de um him de azeite batido.
6 Este é o holocausto contínuo, instituído no monte Sinai, em cheiro suave,
oferta queimada ao Senhor.
7 A oferta de libação do mesmo será a quarta parte de um him para um cordeiro;
no lugar santo oferecerás a libação de bebida forte ao Senhor.
8 E o outro cordeiro, oferecê-lo-ás à tardinha; com as ofertas de cereais e de
libação, como o da manhã, o oferecerás, oferta queimada de cheiro suave ao
Senhor.
9 No dia de sábado oferecerás dois cordeiros de um ano, sem defeito, e dois
décimos de efa de flor de farinha, misturada com azeite, em oferta de cereais,
com a sua oferta de libação;
10 é o holocausto de todos os sábados, além do holocausto contínuo e a sua
oferta de libação.
11 Nos princípios dos vossos meses oferecereis em holocausto ao Senhor: dois
novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano, sem defeito;
12 e três décimos de efa de flor de farinha, misturada com azeite, em oferta de
cereais, para cada novilho; e dois décimos de efa de flor de farinha, misturada
com azeite, em oferta de cereais, para o carneiro;
13 e um décimo de efa de flor de farinha, misturada com azeite, em oferta de
cereais, para cada cordeiro; é holocausto de cheiro suave, oferta queimada ao
Senhor.
14 As ofertas de libação do mesmo serão a metade de um him de vinho para um
novilho, e a terça parte de um him para um carneiro, e a quarta parte de um him
para um cordeiro; este é o holocausto de cada mês, por todos os meses do ano.
15 Também oferecerás ao Senhor um bode como oferta pelo pecado; oferecer-se-á
esse além do holocausto contínuo, com a sua oferta de libação.
16 No primeiro mês, aos catorze dias do mês, é a páscoa do Senhor.
17 E aos quinze dias do mesmo mês haverá festa; por sete dias se comerão pães
ázimos.
18 No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis;
19 mas oferecereis oferta queimada em holocausto ao Senhor: dois novilhos, um
carneiro e sete cordeiros de um ano, todos eles sem defeito;
20 e a sua oferta de cereais, de flor de farinha misturada com azeite;
oferecereis três décimos de efa para cada novilho, dois décimos para o
carneiro,
21 e um décimo para cada um dos sete cordeiros;
22 e em oferta pelo pecado oferecereis um bode, para fazer expiação por vos.
23 Essas coisas oferecereis, além do holocausto da manhã, o qual é o holocausto
contínuo.
24 Assim, cada dia oferecereis, por sete dias, o alimento da oferta queimada em
cheiro suave ao Senhor; oferecer-se-á além do holocausto contínuo com a sua
oferta de libação;
25 e no sétimo dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
26 Semelhantemente tereis santa convocação no dia das primícias, quando
fizerdes ao Senhor oferta nova de cereais na vossa festa de semanas; nenhum
trabalho servil fareis.
27 Então oferecereis um holocausto em cheiro suave ao Senhor: dois novilhos, um
carneiro e sete cordeiros de um ano;
28 e a sua oferta de cereais, de flor de farinha misturada com azeite, três
décimos de efa para cada novilho, dois décimos para o carneiro,
29 e um décimo para cada um dos sete cordeiros;
30 e um bode para fazer expiação por vós.
31 Além do holocausto contínuo e a sua oferta de cereais, os oferecereis, com
as suas ofertas de libação; eles serão sem defeito.
NÚMEROS
[29]
1 No sétimo mês, no primeiro
dia do mês, tereis uma santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; será
para vós dia de sonido de trombetas.
2 Oferecereis um holocausto em cheiro suave ao Senhor: um novilho, um carneiro
e sete cordeiros de um ano, todos sem defeito;
3 e a sua oferta de cereais, de flor de farinha misturada com azeite, três décimos
de efa para o novilho, dois décimos para o carneiro,
4 e um décimo para cada um dos sete cordeiros;
5 e um bode para oferta pelo pecado, para fazer expiação por vós;
6 além do holocausto do mês e a sua oferta de cereais, e do holocausto contínuo
e a sua oferta de cereais, com as suas ofertas de libação, segundo a ordenança,
em cheiro suave, oferta queimada ao Senhor.
7 Também no dia dez deste sétimo mês tereis santa convocação, e afligireis as
vossas almas; nenhum trabalho fareis;
8 mas oferecereis um holocausto, em cheiro suave ao Senhor: um novilho, um
carneiro e sete cordeiros de um ano, todos eles sem defeito;
9 e a sua oferta de cereais, de flor de farinha misturada com azeite, três
décimos de efa para o novilho, dois décimos para o carneiro,
10 e um décimo para cada um dos sete cordeiros;
11 e um bode para oferta pelo pecado, além da oferta pelo pecado, com a qual se
faz expiação, e do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e as suas
ofertas de libação.
12 Semelhantemente, aos quinze dias deste sétimo mês tereis santa convocação;
nenhum trabalho servil fareis; mas por sete dias celebrareis festa ao Senhor.
13 Oferecereis um holocausto em oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor:
treze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos eles sem
defeito;
14 e a sua oferta de cereais, de flor de farinha misturada com azeite, três
décimos de efa para cada um dos treze novilhos, dois décimos para cada um dos
dois carneiros,
15 e um décimo para cada um dos catorze cordeiros;
16 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua
oferta de cereais e a sua oferta de libação.
17 No segundo dia, doze novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano,
sem defeito;
18 e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para os novilhos,
para os carneiros e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a
ordenança;
19 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua
oferta de cereais e as suas ofertas de libação:
20 No terceiro dia, onze novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano,
sem defeito;
21 e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para os novilhos,
para os carneiros e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a
ordenança;
22 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua
oferta de cereais e a sua oferta de libação.
23 No quarto dia, dez novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano,
sem defeito;
24 e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para os novilhos,
para os carneiros e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a
ordenança;
25 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua
oferta de cereais e a sua oferta de libação.
26 No quinto dia, nove novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano,
sem defeito;
27 e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para os novilhos,
para os carneiros e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a
ordenança;
28 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua
oferta de cereais e a sua oferta de libação.
29 No sexto dia, oito novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano,
sem defeito;
30 e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para os novilhos,
para os carneiros e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a
ordenança;
31 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua
oferta de cereais e a sua oferta de libação.
32 No sétimo dia, sete novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano,
sem defeito;
33 e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para os novilhos,
para os carneiros e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a
ordenança;
34 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua oferta
de cereais e a sua oferta de libação.
35 No oitavo dia tereis assembléia solene; nenhum trabalho servil fareis;
36 mas oferecereis um holocausto em oferta queimada de cheiro suave ao Senhor:
um novilho, um carneiro, sete cordeiros de um ano, sem defeito;
37 e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para o novilho, para
o carneiro e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a ordenança;
38 e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua
oferta de cereais e a sua oferta de libação.
39 Oferecereis essas coisas ao Senhor nas vossas festas fixas, além dos vossos
votos, e das vossas ofertas voluntárias, tanto para os vossos holocaustos, como
para as vossas ofertas de cereais, as vossas ofertas de libações e os vossos
sacrifícios de ofertas pacíficas.
40 Falou, pois, Moisés aos filhos de Israel, conforme tudo o que o Senhor lhe
ordenara.
NÚMEROS
[30]
1 Depois disse Moisés aos
cabeças das tribos dos filhos de Israel: Isto é o que o Senhor ordenou:
2 Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou jurar, ligando-se com obrigação, não
violará a sua palavra; segundo tudo o que sair da sua boca fará.
3 Também quando uma mulher, na sua mocidade, estando ainda na casa de seu pai,
fizer voto ao Senhor, e com obrigação se ligar,
4 e seu pai souber do seu voto e da obrigação com que se ligou, e se calar para
com ela, então todos os seus votos serão válidos, e toda a obrigação com que se
ligou será válida.
5 Mas se seu pai lho vedar no dia em que o souber, todos os seus votos e as
suas obrigações, com que se tiver ligado, deixarão de ser válidos; e o Senhor
lhe perdoará, porquanto seu pai lhos vedou.
6 Se ela se casar enquanto ainda estiverem sobre ela os seus votos ou o dito
irrefletido dos seus lábios, com que se tiver obrigado,
7 e seu marido o souber e se calar para com ela no dia em que o souber, os
votos dela serão válidos; e as obrigações com que se ligou serão válidas.
8 Mas se seu marido lho vedar no dia em que o souber, anulará o voto que
estiver sobre ela, como também o dito irrefletido dos seus lábios, com que se
tiver obrigado; e o senhor lhe perdoará.
9 No tocante ao voto de uma viúva ou de uma repudiada, tudo com que se obrigar
ser-lhe-á válido.
10 Se ela, porém, fez voto na casa de seu marido, ou se obrigou com juramento,
11 e seu marido o soube e se calou para com ela, não lho vedando, todos os seus
votos serão válidos; e toda a obrigação com que se ligou será válida.
12 Se, porém, seu marido de todo lhos anulou no dia em que os soube, deixará de
ser válido tudo quanto saiu dos lábios dela, quer no tocante aos seus votos,
quer no tocante àquilo a que se obrigou; seu marido lhos anulou; e o senhor lhe
perdoará.
13 Todo voto, e todo juramento de obrigação, que ela tiver feito para afligir a
alma, seu marido pode confirmá-lo, ou pode anulá-lo.
14 Se, porém, seu marido, de dia em dia, se calar inteiramente para com ela,
confirma todos os votos e todas as obrigações que estiverem sobre ela; ele lhos
confirmou, porquanto se calou para com ela no dia em que os soube.
15 Mas se de todo lhos anular depois de os ter sabido, ele levará sobre si a
iniqüidade dela.
16 Esses são os estatutos que o Senhor ordenou a Moisés, entre o marido e sua
mulher, entre o pai e sua filha, na sua mocidade, em casa de seu pai.
NÚMEROS
[31]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Vinga os filhos de Israel dos midianitas; depois serás recolhido ao teu povo.
3 Falou, pois, Moisés ao povo, dizendo: Armai homens dentre vós para a guerra,
a fim de que saiam contra Midiã, para executarem a vingança do Senhor sobre
Midiã.
4 Enviareis à guerra mil de cada tribo entre todas as tribos de Israel.
5 Assim foram entregues dos milhares de Israel, mil de cada tribo, doze mil
armados para a peleja.
6 E Moisés mandou à guerra esses mil de cada tribo, e com eles Finéias, filho
de Eleazar, o sacerdote, o qual levava na mão os vasos do santuário e as
trombetas para tocarem o alarme.
7 E pelejaram contra Midiã, como o senhor ordenara a Moisés; e mataram a todos
os homens.
8 Com eles mataram também os reis de Midiã, a saber, Evi, Requem, Zur, Hur e
Reba, cinco reis de Midiã; igualmente mataram à espada a Balaão, filho de Beor.
9 Também os filhos de Israel levaram presas as mulheres dos midianitas e os
seus pequeninos; e despojaram-nos de todo o seu gado, e de todos os seus
rebanhos, enfim, de todos os seus bens;
10 queimaram a fogo todas as cidades em que eles habitavam e todos os seus
acampamentos;
11 tomaram todo o despojo e toda a presa, tanto de homens como de animais;
12 e trouxeram os cativos e a presa e o despojo a Moisés, a Eleazar, o
sacerdote, e à congregação dos filhos de Israel, ao arraial, nas planícies de
Moabe, que estão junto do Jordão, na altura de Jericó.
13 Saíram, pois, Moisés e Eleazar, o sacerdote, e todos os príncipes da
congregação, ao encontro deles fora do arraial.
14 E indignou-se Moisés contra os oficiais do exército, chefes dos milhares e
chefes das centenas, que vinham do serviço da guerra,
15 e lhes disse: Deixastes viver todas as mulheres?
16 Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, fizeram que os filhos de
Israel pecassem contra o Senhor no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a
congregação do Senhor.
17 Agora, pois, matai todos os meninos entre as crianças, e todas as mulheres
que conheceram homem, deitando-se com ele.
18 Mas todas as meninas, que não conheceram homem, deitando-se com ele,
deixai-as viver para vós.
19 Acampai-vos por sete dias fora do arraial; todos vós, tanto o que tiver
matado alguma pessoa, como o que tiver tocado algum morto, ao terceiro dia e ao
sétimo dia purificai-vos, a vós e aos vossos cativos.
20 Também purificai-vos no tocante a todo vestido, e todo artigo de peles, e
toda obra de pelos de cabras, e todo utensílio de madeira.
21 Então Eleazar, o sacerdote, disse aos homens de guerra que tinham saído à
peleja: Este é o estatuto da lei que o Senhor ordenou a Moisés:
22 o ouro, a prata, o bronze, o ferro, o estanho, o chumbo,
23 tudo o que pode resistir ao fogo, fálo-eis passar pelo fogo, e ficará limpo;
todavia será purificado com a água de purificação; e tudo o que não pode
resistir ao fogo, fá-lo-eis passar pela água.
24 Trambém lavareis as vossas vestes ao sétimo dia, e ficareis limpos, e depois
entrareis no arraial.
25 Disse mais o Senhor a Moisés:
26 Faze a soma da presa que foi tomada, tanto de homens como de animais, tu e
Eleazar, o sacerdote, e os cabeças das casas paternas da congregação;
27 e divide-a em duas partes iguais, entre os que, hábeis na guerra, saíram à
peleja, e toda a congregação.
28 E tomarás para o Senhor um tributo dos homens de guerra, que saíram à
peleja; um em quinhentos, assim dos homens, como dos bois, dos jumentos e dos
rebanhos;
29 da sua metade o tomareis, e o dareis a Eleazar, o sacerdote, para a oferta
alçada do Senhor.
30 Mas da metade que pertence aos filhos de Israel tomarás um de cada
cinqüenta, tanto dos homens, como dos bois, dos jumentos, dos rebanhos, enfim,
de todos os animais, e os darás aos levitas, que estão encarregados do serviço
do tabernáculo do Senhor.
31 Fizeram, pois, Moisés e Eleazar, o sacerdote, como o Senhor ordenara a
Moisés.
32 Ora, a presa, o restante do despojo que os homens de guerra tomaram, foi de
seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas,
33 setenta e dois mil bois,
34 e sessenta e um mil jumentos;
35 e trinta e duas mil pessoas, ao todo, do sexo feminino, que ainda se
conservavam virgens.
36 Assim a metade, que era a porção dos que saíram à guerra, foi em número de
trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas;
37 e das ovelhas foi o tributo para o Senhor seiscentas e setenta e cinco.
38 E foram os bois trinta e seis mil, dos quais foi o tributo para o Senhor
setenta e dois.
39 E foram os jumentos trinta mil e quinhentos, dos quais foi o tributo para o
Senhor sessenta e um.
40 E houve de pessoas dezesseis mil, das quais foi o tributo para o Senhor
trinta e duas pessoas.
41 Moisés, pois, deu a Eleazar, o sacerdote, o tributo, que era a oferta alçada
do Senhor, como o Senhor ordenara a Moises.
42 E da metade que era dos filhos de Israel, que Moisés separara da que era dos
homens que pelejaram
43 (ora, a metade que coube à congregação foi, das ovelhas, trezentas e trinta
e sete mil e quinhentas;
44 dos bois trinta e seis mil;
45 dos jumentos trinta mil e quinhentos;
46 e das pessoas dezesseis mil),
47 isto é, da metade que era dos filhos de Israel, Moisés tomou um de cada
cinqüenta, tanto dos homens como dos animais, e os deu aos levitas, que estavam
encarregados do serviço do tabernáculo do Senhor; como o Senhor ordenara a
Moisés.
48 Então chegaram-se a Moisés os oficiais que estavam sobre os milhares do
exército, os chefes de mil e os chefes de cem,
49 e disseram-lhe: Teus servos tomaram a soma dos homens de guerra que
estiveram sob o nosso comando; e não falta nenhum de nós.
50 Pelo que trouxemos a oferta do Senhor, cada um o que achou, artigos de ouro,
cadeias, braceletes, anéis, arrecadas e colares, para fazer expiação pelas
nossas almas perante o Senhor.
51 Assim Moisés e Eleazar, o sacerdote, tomaram deles o ouro, todo feito em
jóias.
52 E todo o ouro da oferta alçada que os chefes de mil e os chefes de cem
fizeram ao Senhor, foi dezesseis mil setecentos e cinqüenta siclos
53 (pois os homens de guerra haviam tomado despojo, cada um para si).
54 Assim receberam Moisés e Eleazar, o sacerdote, o ouro dos chefes de mil e
dos chefes de cem, e o puseram na tenda da revelação por memorial para os
filhos de Israel perante o Senhor.
NÚMEROS
[32]
1 Ora, os filhos de Rúben e
os filhos de Gade tinham gado em grande quantidade; e quando viram a terra de
Jazer, e a terra de Gileade, e que a região era própria para o gado,
2 vieram os filhos de Gade e os filhos de Rúben a Moisés e a Eleazar, o
sacerdote, e aos príncipes da congregação e falaram-lhes, dizendo:
3 Atarote, Dibom, Jazer, Ninra, Hesbom, Eleale, Sebã, Nebo e Beom,
4 a terra que o Senhor feriu diante da congregação de Israel, é terra para
gado, e os teus servos têm gado.
5 Disseram mais: Se temos achado graça aos teus olhos, dê-se esta terra em
possessão aos teus servos, e não nos faças passar o Jordão.
6 Moisés, porém, respondeu aos filhos de Gade e aos filhos de Rúben: Irão
vossos irmãos à peleja, e ficareis vós sentados aqui?
7 Por que, pois, desanimais o coração dos filhos de Israel, para eles não
passarem à terra que o Senhor lhes deu?
8 Assim fizeram vossos pais, quando os mandei de Cades-Barnéia a ver a terra.
9 Pois, tendo eles subido até o vale de Escol, e visto a terra, desanimaram o
coração dos filhos de Israel, para que não entrassem na terra que o Senhor lhes
dera.
10 Então a ira do Senhor se acendeu naquele mesmo dia, e ele jurou, dizendo:
11 De certo os homens que subiram do Egito, de vinte anos para cima, não verão
a terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaque, e a Jacó! porquanto não
perseveraram em seguir-me;
12 exceto Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, e Josué, filho de Num, porquanto
perseveraram em seguir ao Senhor.
13 Assim se acendeu a ira do Senhor contra Israel, e ele os fez andar errantes
no deserto quarenta anos, até que se consumiu toda aquela geração que fizera
mal aos olhos do Senhor.
14 E eis que vós, uma geração de homens pecadores, vos levantastes em lugar de
vossos pais, para ainda mais aumentardes o furor da ira do Senhor contra
Israel.
15 se vós vos virardes de segui-lo, também ele tornará a deixá-los no deserto;
assim destruireis a todo este povo:
16 Então chegaram-se a ele, e disseram: Construiremos aqui currais para o nosso
gado, e cidades para os nossos pequeninos;
17 nós, porém, nos armaremos, apressando-nos adiante dos filhos de Israel, até
os levarmos ao seu lugar; e ficarão os nossos pequeninos nas cidades
fortificadas, por causa dos habitantes da terra.
18 Não voltaremos para nossas casas até que os filhos de Israel estejam de
posse, cada um, da sua herança.
19 Porque não herdaremos com eles além do Jordão, nem mais adiante; visto que
já possuímos a nossa herança aquém do Jordão, ao oriente.
20 Então lhes respondeu Moisés: se isto fizerdes, se vos armardes para a guerra
perante o Senhor,
21 e cada um de vós, armado, passar o Jordão perante o Senhor, até que ele haja
lançado fora os seus inimigos de diante dele,
22 e a terra esteja subjugada perante o senhor, então, sim, voltareis e sereis
inculpáveis perante o Senhor e perante Israel; e esta terra vos será por
possessão perante o Senhor.
23 Mas se não fizerdes assim, estareis pecando contra o Senhor; e estai certos
de que o vosso pecado vos há de atingir.
24 Edificai cidades para os vossos pequeninos, e currais para as vossas
ovelhas; e cumpri o que saiu da vossa boca.
25 Então os filhos de Gade e os filhos de Rúben disseram a Moisés: Como ordena
meu senhor, assim farão teus servos.
26 Os nossos pequeninos, as nossas mulheres, os nossos rebanhos e todo o nosso
gado ficarão nas cidades de Gileade;
27 mas os teus servos passarão, cada um que está armado para a guerra, a
pelejar perante o Senhor, como diz o meu senhor.
28 Então Moisés deu ordem acerca deles a Eleazar, o sacerdote, e a Josué, filho
de Num, e aos cabeças das casas paternas nas tribos dos filhos de Israel;
29 e disse-lhes Moisés: Se os filhos de Gade e os filhos de Rúben passarem
convosco o Jordão, armado cada um para a guerra perante o Senhor, e a terra for
subjugada diante de vós, então lhes dareis a terra de Gileade por possessão;
30 se, porém, não passarem armados convosco, terão possessões entre vós na
terra de Canaã.
31 Ao que responderam os filhos de Gade e os filhos de Rúben: Como o senhor
disse a teus servos, assim faremos.
32 Nós passaremos armados perante o senhor para a terra de Canaã, e teremos a
possessão de nossa herança aquém do Jordão.
33 Assim deu Moisés aos filhos de Gade e aos filhos de Rúben, e à meia tribo de
Manassés, filho de José, o reino de Siom, rei dos amorreus, e o reino de Ogue,
rei de Basã, a terra com as suas cidades e os respectivos territórios ao redor.
34 Os filhos de Gade, pois, edificaram a Dibom, Atarote, Aroer,
35 Atarote-Sofã, Jazer, Jogbeá,
36 Bete-Ninra e Bete-Harã, cidades fortificadas; e construíram currais de
ovelhas.
37 E os filhos de Rúben edificaram a Hesbom, Eleale e Quiriataim;
30 e Nebo e Baal-Meom (mudando-lhes os nomes), e Sibma; e deram outros nomes às
cidades que edificaram.
39 E os filhos de Maquir, filho de Manassés, foram a Gileade e a tomaram, e
desapossaram aos amorreus que aí estavam.
40 Deu, pois, Moisés a terra de Gileade a Maquir, filho de Manassés, o qual
habitou nela.
41 E foi Jair, filho de Manassés, e tomou as aldeias dela, e chamou-lhes
Havote-Jair.
42 Também foi Nobá, e tomou a Quenate com as suas aldeias; e chamou-lhe Nobá,
segundo o seu próprio nome.
NÚMEROS
[33]
1 São estas as jornadas dos
filhos de Israel, pelas quais saíram da terra do Egito, segundo os seus
exércitos, sob o comando de Moisés e Arão.
2 Moisés registrou os pontos de partida, segundo as suas jornadas, conforme o
mandado do Senhor; e estas são as suas jornadas segundo os pontos de partida:
3 Partiram de Ramessés no primeiro mês, no dia quinze do mês; no dia seguinte
ao da páscoa saíram os filhos de Israel afoitamente à vista de todos os
egípcios,
4 enquanto estes enterravam a todos os seus primogênitos, a quem o Senhor havia
ferido entre eles, havendo o senhor executado juízos também contra os seus
deuses.
5 Partiram, pois, os filhos de Israel de Ramessés, e acamparam-se em Sucote.
6 Partiram de Sucote, e acamparam-se em Etã, que está na extremidade do
deserto.
7 Partiram de Etã, e voltando a Pi-Hairote, que está defronte de Baal-Zefom,
acamparam-se diante de Migdol.
8 Partiram de Pi-Hairote, e passaram pelo meio do mar ao deserto; e andaram
caminho de três dias no deserto de Etã, e acamparam-se em Mara.
9 Partiram de Mara, e vieram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta
palmeiras, e acamparam-se ali.
10 Partiram de Elim, e acamparam-se junto ao Mar Vermelho.
11 Partiram do Mar Vermelho, e acamparam-se no deserto de Sim.
12 Partiram do deserto de Sim, e acamparam-se em Dofca.
13 Partiram de Dofca, e acamparam-se em Alus.
14 Partiram de Alus, e acamparam-se em Refidim; porém não havia ali água para o
povo beber.
15 Partiram, pois, de Refidim, e acamparam-se no deserto de Sinai.
16 Partiram do deserto de Sinai, e acamparam-se em Quibrote-Hataavá.
17 Partiram de Quibrote-Hataavá, e acamparam-se em Hazerote.
18 Partiram de Hazerote, e acamparam-se em Ritma.
19 Partiram de Ritma, e acamparam-se em Rimom-Pérez.
20 Partiram de Rimom-Pérez, e acamparam-se em Libna.
21 Partiram de Libna, e acamparam-se em Rissa.
22 Partiram de Rissa, e acamparam-se em Queelata.
23 Partiram de Queelata, e acamparam-se no monte Sefer.
24 Partiram do monte Sefer, e acamparam-se em Harada.
25 Partiram de Harada, e acamparam-se em Maquelote.
26 Partiram de Maquelote, e acamparam-se em Taate.
27 Partiram de Taate, e acamparam-se em Tera.
28 Partiram de Tera, e acamparam-se em Mitca.
29 Partiram de Mitca, e acamparam-se em Hasmona.
30 Partiram de Hasmona, e acamparam-se em Moserote.
31 Partiram de Moserote, e acamparam-se em Bene-Jaacã.
32 Partiram de Bene-Jaacã, e acamparam-se em Hor-Hagidgade.
33 Partiram de Hor-Hagidgade, e acamparam-se em Jotbatá.
34 Partiram de Jotbatá, e acamparam-se em Abrona.
35 Partiram de Abrona, e acamparam-se em Eziom-Geber.
36 Partiram de Eziom-Geber, e acamparam-se no deserto de Zim, que é Cades.
37 Partiram de Cades, e acamparam-se no monte Hor, na fronteira da terra de
Edom.
38 Então Arão, o sacerdote, subiu ao monte Hor, conforme o mandado do Senhor, e
ali morreu no quadragésimo ano depois da saída dos filhos de Israel da terra do
Egito, no quinto mês, no primeiro dia do mês.
39 E Arão tinha cento e vinte e três anos de idade, quando morreu no monte Hor.
40 Ora, o cananeu, rei de Arade, que habitava o sul da terra de Canaã, ouviu
que os filhos de Israel chegavam.
41 Partiram do monte Hor, e acamparam-se em Zalmona.
42 Partiram de Zalmona, e acamparam-se em Punom.
43 Partiram de Punom, e acamparam-se em Obote.
44 Partiram de Obote, e acamparam-se em Ije-Abarim, na fronteira de Moabe.
45 Partiram de Ije-Abarim, e acamparam-se em Dibom-Gade.
46 Partiram de Dibom-Fade, e acamparam-se em Almom-Diblataim.
47 Partiram de Almom-Diblataim, e acamparam-se nos montes de Abarim, defronte
de Nebo.
4e seu pai. de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó;
49 isto é, acamparam-se junto ao Jordão, desde Bete-Jesimote até Abel-Sitim,
nas planícies de Moabe.
50 Também disse o Senhor a Moisés, nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, na
altura de Jericó:
51 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes passado o Jordão
para a terra de Canaã,
52 lançareis fora todos os habitantes da terra de diante de vós, e destruireis
todas as suas pedras em que há figuras; também destruireis todas as suas
imagens de fundição, e desfareis todos os seus altos;
53 e tomareis a terra em possessão, e nela habitareis; porquanto a vós vos
tenho dado esta terra para a possuirdes.
54 Herdareis a terra por meio de sortes, segundo as vossas famílias: à família
que for grande, dareis uma herança maior, e à família que for pequena, dareis
uma herança menor; o lugar que por sorte sair para alguém, esse lhe pertencerá;
segundo as tribos de vossos pais recebereis as heranças.
55 Mas se não lançardes fora os habitantes da terra de diante de vós, os que
deixardes ficar vos serão como espinhos nos olhos, e como abrolhos nas
ilhargas, e vos perturbarão na terra em que habitardes;
56 e eu vos farei a vós como pensei em fazer-lhes a eles.
NÚMEROS
[34]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés:
2 Dá ordem aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando entrardes na terra de
Canaã, terra esta que vos há de cair em herança, por toda a sua extensão,
3 a banda do sul será desde o deserto de Zim, ao longo de Edom; e o limite do
sul se estenderá da extremidade do Mar Salgado, para o oriente;
4 e este limite irá rodeando para o sul da subida de Acrabim, e continuará até
Zim; e, saindo ao sul de Cades-Barnéia, seguirá para Hazar-Hadar, e continuará
até Azmom;
5 e daí irá rodeando até o ribeiro do Egito, e terminará na praia do mar.
6 Para o ocidente, o Mar Grande vos será por limite; o próprio mar será o vosso
limite ocidental.
7 Este será o vosso limite setentrional: desde o Mar Grande marcareis para vós
até o Monte Hor;
8 desde o monte Hor marcareis até a entrada de Hamate; daí ele se estenderá até
Zedade;
9 dali continuará até Zifrom, e irá terminar em Hazar-Enã. Este será o vosso
limite setentrional.
10 Marcareis o vosso limite oriental desde Hazar-Enã até Sefã;
11 este limite descerá de Sefã até Ribla, ao oriente de Aim; depois irá
descendo ao longo da borda do mar de Quinerete ao oriente;
12 descerá ainda para o Jordão, e irá terminar no Mar Salgado. Esta será a
vossa terra, segundo os seus limites em redor.
13 Moisés, pois, deu ordem aos filhos de Israel, dizendo: Esta é a terra que
herdareis por sortes, a qual o Senhor mandou que se desse às nove tribos e à
meia tribo;
14 porque a tribo dos filhos de Rúben, segundo as casas de seus pais, e a tribo
dos filhos de Gade, segundo as casas de seus pais, como também a meia tribo de
Manassés, já receberam a sua herança;
15 isto é, duas tribos e meia já receberam a sua herança aquém do Jordão, na
altura de Jericó, do lado oriental.
16 Disse mais o Senhor a Moisés:
17 Estes são os nomes dos homens que vos repartirão a terra por herança:
Eleazar, o sacerdote, e Josué, filho de Num;
18 também tomareis de cada tribo um príncipe, para repartir a terra em herança.
19 E estes são os nomes dos homens: Da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné:
20 da tribo dos filhos de Simeão, Semuel, filho de Amiúde;
21 da tribo de Benjamim, Elidá, filho de Quislom;
22 da tribo dos filhos de Dã o príncipe Buqui, filho de Jógli;
23 dos filhos de José: da tribo dos filhos de Manassés o príncipe Haniel, filho
de Éfode;
24 da tribo dos filhos de Efraim o príncipe Quemuel, filho de Siftã;
25 da tribo dos filhos de Zebulom o príncipe Elizafã, filho de Parnaque;
26 da tribo dos filhos de Issacar o príncipe Paltiel, filho de Azã;
27 da tribo dos filhos de Aser o príncipe Aiúde, filho de Selômi;
28 da tribo dos filhos de Naftali o príncipe Pedael, filho de Amiúde.
29 Estes são aqueles a quem o Senhor ordenou que repartissem a herança pelos
filhos de Israel na terra de Canaã.
NÚMEROS
[35]
1 Disse mais o Senhor a
Moisés nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó:
2 Dá ordem aos filhos de Israel que da herança da sua possessão dêem aos
levitas cidades em que habitem; também dareis aos levitas arrabaldes ao redor
delas.
3 Terão eles estas cidades para habitarem; e os arrabaldes delas serão para os
seus gados, e para a sua fazenda, e para todos os seus animais.
4 Os arrabaldes que dareis aos levitas se estenderão, do muro da cidade para
fora, mil côvados em redor.
5 E fora da cidade medireis para o lado oriental dois mil côvados, para o lado
meridional dois mil côvados, para o lado ocidental dois mil côvados, e para o
lado setentrional dois mil côvados; e a cidade estará no meio. Isso terão por
arrabaldes das cidades.
6 Entre as cidades que dareis aos levitas haverá seis cidades de refúgio, as
quais dareis para que nelas se acolha o homicida; e além destas lhes dareis
quarenta e duas cidades.
7 Todas as cidades que dareis aos levitas serão quarenta e oito, juntamente com
os seus arrabaldes.
8 Ora, no tocante às cidades que dareis da possessão dos filhos de Israel, da
tribo que for grande tomareis muitas, e da que for pequena tomareis poucas;
cada uma segundo a herança que receber dará as suas cidades aos levitas.
9 Disse mais o Senhor a Moisés:
10 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando passardes o Jordão para a
terra de Canaã,
11 escolhereis para vós cidades que vos sirvam de cidades de refúgio, para que
se refugie ali o homicida que tiver matado alguém involuntariamente.
12 E estas cidades vos serão por refúgio do vingador, para que não morra o
homicida antes de ser apresentado perante a congregação para julgamento.
13 Serão seis as cidades que haveis de dar por cidades de refúgio para vós.
14 Dareis três cidades aquém do Jordão, e três na terra de Canaã; cidades de
refúgio serão.
15 Estas seis cidades serão por refúgio aos filhos de Israel, ao estrangeiro, e
ao peregrino no meio deles, para que se refugie ali todo aquele que tiver
matado alguém involuntariamente.
16 Mas se alguém ferir a outrem com instrumento de ferro de modo que venha a
morrer, homicida é; e o homicida será morto.
17 Ou se o ferir com uma pedra na mão, que possa causar a morte, e ele morrer,
homicida é; e o homicida será morto.
18 Ou se o ferir com instrumento de pau na mão, que possa causar a morte, e ele
morrer, homicida é; será morto o homicida.
19 O vingador do sangue matará ao homicida; ao encontrá-lo, o matará.
20 Ou se alguém empurrar a outrem por ódio ou de emboscada lançar contra ele
alguma coisa de modo que venha a morrer,
21 ou por inimizade o ferir com a mão de modo que venha a morrer, será morto
aquele que o feriu; homicida é. O vingador do sangue, ao encontrá-lo, o matará.
22 Mas se o empurrar acidentalmente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum
instrumento, sem ser de emboscada,
23 ou sobre ele atirar alguma pedra, não o vendo, e o ferir de modo que venha a
morrer, sem que fosse seu inimigo nem procurasse o seu mal,
24 então a congregação julgará entre aquele que feriu e o vingador do sangue,
segundo estas leis,
25 e a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, fazendo-o
voltar à sua cidade de refúgio a que se acolhera; ali ficará ele morando até a
morte do sumo sacerdote, que foi ungido com o óleo sagrado.
26 Mas, se de algum modo o homicida sair dos limites da sua cidade de refúgio,
onde se acolhera,
27 e o vingador do sangue o achar fora dos limites da sua cidade de refúgio, e
o matar, não será culpado de sangue;
28 pois o homicida deverá ficar na sua cidade de refúgio até a morte do sumo
sacerdote; mas depois da morte do sumo sacerdote o homicida voltará para a
terra da sua possessão.
29 Estas coisas vos serão por estatuto de direito pelas vossas gerações, em
todos os lugares da vossa habitação.
30 Todo aquele que matar alguém, será morto conforme o depoimento de
testemunhas; mas uma só testemunha não deporá contra alguém, para condená-lo à
morte.
31 Não aceitareis resgate pela vida de um homicida que é réu de morte; porém
ele certamente será morto.
32 Também não aceitareis resgate por aquele que se tiver acolhido à sua cidade
de refúgio, a fim de que ele possa tornar a habitar na terra antes da morte do
sumo sacerdote.
33 Assim não profanareis a terra da vossa habitação, porque o sangue profana a
terra; e nenhuma expiação se poderá fazer pela terra por causa do sangue que
nela for derramado, senão com o sangue daquele que o derramou.
34 Não contaminareis, pois, a terra em que haveis de habitar, no meio da qual
eu também habitarei; pois eu, o Senhor, habito no meio dos filhos de Israel.
NÚMEROS
[36]
1 Chegaram-se então os
cabeças das casas paternas da família dos filhos de Gileade, filho de Maquir,
filho de Manassés, das famílias dos filhos de José, e falaram diante de Moisés,
e diante dos príncipes, cabeças das casas paternas dos filhos de Israel,
2 e disseram: O Senhor mandou a meu senhor que por sortes repartisse a terra em
herança aos filhos de Israel; e meu senhor recebeu ordem do senhor de dar a
herança do nosso irmão Zelofeade às filhas deste.
3 E, se elas se casarem com os filhos das outras tribos de Israel, então a sua
herança será diminuída da herança de nossos pais, e acrescentada à herança da
tribo a que vierem a pertencer; assim será tirada da sorte da nossa herança.
4 Vindo também o ano do jubileu dos filhos de Israel, a herança delas será
acrescentada à herança da tribo a que pertencerem; assim a sua herança será
tirada da herança da tribo de nossos pais.
5 Então Moisés falou aos filhos de Israel, segundo a palavra do senhor,
dizendo: A tribo dos filhos de José fala o que é justo.
6 Isto é o que o senhor ordenou acerca das filhas de Zelofeade, dizendo: Casem
com quem bem parecer aos seus olhos, contanto que se casem na família da tribo
de seu pai.
7 Assim a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo, pois os
filhos de Israel se apegarão cada um a herança da tribo de seus pais.
8 E toda filha que possuir herança em qualquer tribo dos filhos de Israel se
casará com alguém da família da tribo de seu pai, para que os filhos de Israel
possuam cada um a herança de seus pais.
9 Assim nenhuma herança passará de uma tribo a outra, pois as tribos dos filhos
de Israel se apegarão cada uma à sua herança.
10 Como o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram as filhas de Zelofeade;
11 pois Macla, Tirza, Hogla, Milca e Noa, filhas de Zelofeade, se casaram com
os filhos de seus tios paternos.
12 Casaram-se nas famílias dos filhos de Manassés, filho de José; assim a sua
herança permaneceu na tribo da família de seu pai.
13 São esses os mandamentos e os preceitos que o Senhor ordenou aos filhos de
Israel por intermédio de Moisés nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, na
altura de Jericó.
[1]
1 Estas são as palavras que
Moisés falou a todo Israel além do Jordão, no deserto, na Arabá defronte de
Sufe, entre Parã, Tofel, Labã, Hazerote e Di-Zaabe.
2 São onze dias de viagem desde Horebe, pelo caminho da montanha de Seir, até
Cades-Barnéia.
3 No ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou
aos filhos de Israel, conforme tudo o que o senhor lhes mandara por seu
intermédio,
4 depois que derrotou a Siom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e a
Ogue, rei de Basã, que habitava em Astarote, em Edrei.
5 Além do Jordão, na terra de Moabe, Moisés se pôs a explicar esta lei, e
disse:
6 O Senhor nosso Deus nos falou em Horebe, dizendo: Assaz vos haveis demorado
neste monte.
7 Voltai-vos, ponde-vos a caminho, e ide à região montanhosa dos amorreus, e a
todos os lugares vizinhos, na Arabá, na região montanhosa, no vale e no sul; à
beira do mar, à terra dos cananeus, e ao Líbano, até o grande rio, o rio
Eufrates.
8 Eis que tenho posto esta terra diante de vós; entrai e possuí a terra que o Senhor
prometeu com juramento dar a vossos pais, Abraão, Isaque, e Jacó, a eles e à
sua descendência depois deles.
9 Nesse mesmo tempo eu vos disse: Eu sozinho não posso levar-vos,
10 o Senhor vosso Deus já vos tem multiplicado, e eis que hoje sois tão numerosos
como as estrelas do céu.
11 O Senhor Deus de vossos pais vos faça mil vezes mais numerosos do que sois;
e vos abençoe, como vos prometeu.
12 Como posso eu sozinho suportar o vosso peso, as vossas cargas e as vossas
contendas?
13 Tomai-vos homens sábios, entendidos e experimentados, segundo as vossas
tribos, e eu os porei como cabeças sobre vós.
14 Então me respondestes: bom fazermos o que disseste.
15 Tomei, pois, os cabeças de vossas tribos, homens sábios e experimentados, e
os constituí por cabeças sobre vós, chefes de mil, chefes de cem, chefes de
cinqüenta e chefes de dez, por oficiais, segundo as vossas tribos.
16 E no mesmo tempo ordenei a vossos juízes, dizendo: Ouvi as causas entre
vossos irmãos, e julgai com justiça entre o homem e seu irmão, ou o estrangeiro
que está com ele.
17 Não fareis acepção de pessoas em juízo; de um mesmo modo ouvireis o pequeno
e o grande; não temereis a face de ninguém, porque o juízo é de Deus; e a causa
que vos for difícil demais, a trareis a mim, e eu a ouvirei.
18 Assim naquele tempo vos ordenei todas as coisas que devíeis fazer.
19 Então partimos de Horebe, e caminhamos por todo aquele grande e terrível
deserto que vistes, pelo caminho das montanhas dos amorreus, como o Senhor
nosso Deus nos ordenara; e chegamos a Cades-Barnéia.
20 Então eu vos disse: Chegados sois às montanhas dos amorreus, que o Senhor
nosso Deus nos dá.
21 Eis aqui o Senhor teu Deus tem posto esta terra diante de ti; sobe,
apodera-te dela, como te falou o Senhor Deus de teus pais; não temas, e não te
assustes.
22 Então todos vós vos chegastes a mim, e dissestes: Mandemos homens adiante de
nós, para que nos espiem a terra e, de volta, nos ensinem o caminho pelo qual
devemos subir, e as cidades a que devemos ir.
23 Isto me pareceu bem; de modo que dentre vós tomei doze homens, de cada tribo
um homem;
24 foram-se eles e, subindo as montanhas, chegaram até o vale de Escol e
espiaram a terra.
25 Tomaram do fruto da terra nas mãos, e no-lo trouxeram; e nos informaram,
dizendo: Boa é a terra que nos dá o Senhor nosso Deus.
26 Todavia, vós não quisestes subir, mas fostes rebeldes ao mandado do Senhor
nosso Deus;
27 e murmurastes nas vossas tendas, e dissestes: Porquanto o Senhor nos odeia,
tirou-nos da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus, a fim de
nos destruir.
28 Para onde estamos nós subindo? nossos irmãos fizeram com que se derretesse o
nosso coração, dizendo: Maior e mais alto é o povo do que nós; as cidades são
grandes e fortificadas até o céu; e também vimos ali os filhos dos anaquins.
29 Então eu vos disse: Não vos atemorizeis, e não tenhais medo deles.
30 O Senhor vosso Deus, que vai adiante de vós, ele pelejará por vós, conforme
tudo o que tem feito por vós diante dos vossos olhos, no Egito,
31 como também no deserto, onde vistes como o Senhor vosso Deus vos levou, como
um homem leva seu filho, por todo o caminho que andastes, até chegardes a este
lugar.
32 Mas nem ainda assim confiastes no Senhor vosso Deus,
33 que ia adiante de vós no caminho, de noite no fogo e de dia na nuvem, para
vos achar o lugar onde devíeis acampar, e para vos mostrar o caminho por onde
havíeis de andar.
34 Ouvindo, pois, o Senhor a voz das vossas palavras, indignou-se e jurou,
dizendo:
35 Nenhum dos homens desta geração perversa verá a boa terra que prometi com
juramento dar a vossos pais,
36 salvo Calebe, filho de Jefoné; ele a verá, e a terra que pisou darei a ele e
a seus filhos, porquanto perseverou em seguir ao Senhor.
37 Também contra mim o Senhor se indignou por vossa causa, dizendo: Igualmente
tu lá não entrarás.
38 Josué, filho de Num, que te serve, ele ali entrará; anima-o, porque ele fará
que Israel a receba por herança.
39 E vossos pequeninos, dos quais dissestes que seriam por presa, e vossos
filhos que hoje não conhecem nem o bem nem o mal, esses lá entrarão, a eles a
darei e eles a possuirão.
40 Quanto a vós, porém, virai-vos, e parti para o deserto, pelo caminho do Mar
Vermelho.
41 Então respondestes, e me dissestes: Pecamos contra o Senhor; nós subiremos e
pelejaremos, conforme tudo o que nos ordenou o Senhor nosso Deus. Vós, pois,
vos armastes, cada um, dos vossos instrumentos de guerra, e temerariamente
propusestes subir a montanha.
42 E disse-me o Senhor: Dize-lhes: Não subais nem pelejeis, pois não estou no
meio de vós; para que não sejais feridos diante de vossos inimigos.
43 Assim vos falei, mas não ouvistes; antes fostes rebeldes à ordem do Senhor
e, agindo presunçosamente, subistes à montanha.
44 E os amorreus, que habitavam naquela montanha, vos saíram ao encontro e,
perseguindo-vos como fazem as abelhas, vos destroçaram desde Seir até Horma.
45 Voltastes, pois, e chorastes perante o Senhor; mas o Senhor não ouviu a
vossa voz, nem para vós inclinou os ouvidos.
46 Assim foi grande a vossa demora em Cades, pois ali vos demorastes muitos dias.
DEUTERONÔMIO
[2]
1 Depois viramo-nos, e
caminhamos para o deserto, pelo caminho do Mar Vermelho, como o Senhor me tinha
dito, e por muitos dias rodeamos o monte Seir.
2 Então o Senhor me disse:
3 Basta de rodeardes este monte; virai-vos para o norte.
4 Dá ordem ao povo, dizendo: Haveis de passar pelo território de vossos irmãos,
os filhos de Esaú, que habitam em Seir; e eles terão medo de vós. Portanto
guardai-vos bem;
5 não contendais com eles, porque não vos darei da sua terra nem sequer o que
pisar a planta de um pé; porquanto a Esaú dei o monte Seir por herança.
6 Comprareis deles por dinheiro mantimento para comerdes, como também
comprareis deles água para beberdes.
7 Pois o Senhor teu Deus te há abençoado em toda obra das tuas mãos; ele tem
conhecido o teu caminho por este grande deserto; estes quarenta anos o Senhor
teu Deus tem estado contigo; nada te há faltado.
8 Assim, pois, passamos por nossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em
Seir, desde o caminho da Arabá de Elate e de Eziom-Geber: Depois nos viramos e
passamos pelo caminho do deserto de Moabe.
9 Então o Senhor me disse: Não molestes aos de Moabe, e não contendas com eles
em peleja, porque nada te darei da sua terra por herança; porquanto dei Ar por
herança aos filhos de Ló.
10 (Antes haviam habitado nela os emins, povo grande e numeroso, e alto como os
anaquins;
11 eles também são considerados refains como os anaquins; mas os moabitas lhes
chamam emins.
12 Outrora os horeus também habitaram em Seir; porém os filhos de Esaú os
desapossaram, e os destruíram de diante de si, e habitaram no lugar deles,
assim come Israel fez à terra da sua herança, que o Senhor lhe deu.)
13 Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede. Passamos, pois, o ribeiro
de Zerede.
14 E os dias que caminhamos, desde Cades-Barnéia até passarmos o ribeiro de
Zerede, foram trinta e oito anos, até que toda aquela geração dos homens de
guerra se consumiu do meio do arraial, como o Senhor lhes jurara.
15 Também foi contra eles a mão do Senhor, para os destruir do meio do arraial,
até os haver consumido.
16 Ora, sucedeu que, sendo já consumidos pela morte todos os homens de guerra
dentre o povo,
17 o Senhor me disse:
18 Hoje passarás por Ar, o limite de Moabe;
19 e quando chegares defronte dos amonitas, não os molestes, e com eles não
contendas, porque nada te darei da terra dos amonitas por herança; porquanto
aos filhos de Ló a dei por herança.
20 (Também essa é considerada terra de refains; outrora habitavam nela refains,
mas os amonitas lhes chamam zanzumins,
21 povo grande e numeroso, e alto como os anaquins; mas o Senhor os destruiu de
diante dos amonitas; e estes, tendo-os desapossado, habitaram no lugar deles;
22 assim como fez pelos filhos de Esaú, que habitam em Seir, quando de diante
deles destruiu os horeus; e os filhos de Esaú, havendo-os desapossado,
habitaram no lugar deles até hoje.
23 Também os caftorins, que saíram de Caftor, destruíram os aveus, que
habitavam em aldeias até Gaza, e habitaram no lugar deles.)
24 Levantai-vos, parti e passai o ribeiro de Arnom; eis que entreguei nas tuas
mãos a Siom, o amorreu, rei de Hesbom, e à sua terra; começa a te apoderares
dela, contendendo com eles em peleja.
25 Neste dia começarei a meter terror e medo de ti aos povos que estão debaixo
de todo o céu; os quais, ao ouvirem a tua fama, tremerão e se angustiarão por
causa de ti.
26 Então, do deserto de Quedemote, mandei mensageiros a Siom, rei de Hesbom,
com palavras de paz, dizendo:
27 Deixa-me passar pela tua terra; somente pela estrada irei, não me desviando
nem para a direita nem para a esquerda.
28 Por dinheiro me venderás mantimento, para que eu coma; e por dinheiro me
darás a água, para que eu beba. Tão-somente deixa-me passar a pé,
29 assim como me fizeram os filhos de Esaú, que habitam em Seir, e os moabitas
que habitam em Ar; até que eu passe o Jordão para a terra que o Senhor nosso
Deus nos dá.
30 Mas Siom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por sua terra, porquanto
o Senhor teu Deus lhe endurecera o espírito, e lhe fizera obstinado o coração,
para to entregar nas mãos, como hoje se vê.
31 Disse-me, pois, o Senhor: Eis aqui, comecei a entregar-te Siom e a sua
terra; começa, pois, a te apoderares dela, para possuíres a sua terra por
herança.
32 Então Siom nos saiu ao encontro, ele e todo o seu povo, à peleja, em Jaza;
33 e o Senhor nosso Deus no-lo entregou, e o ferimos a ele, e a seus filhos, e
a todo o seu povo.
34 Também naquele tempo lhe tomamos todas as cidades, e fizemos perecer a
todos, homens, mulheres e pequeninos, não deixando sobrevivente algum;
35 somente tomamos por presa o gado para nós, juntamente com o despojo das
cidades que havíamos tomado.
36 Desde Aroer, que está à borda do vale do Arnom, e desde a cidade que está no
vale, até Gileade, nenhuma cidade houve tão alta que de nós escapasse; tudo o
Senhor nosso Deus no-lo entregou.
37 Somente à terra dos amonitas não chegastes, nem a parte alguma da borda do
ribeiro de Jaboque, nem a cidade alguma da região montanhosa, nem a coisa
alguma que o Senhor nosso Deus proibira.
DEUTERONÔMIO
[3]
1 Depois nos viramos e
subimos pelo caminho de Basã; e Ogue, rei de Basã, nos saiu ao encontro, ele e
todo o seu povo, à peleja, em Edrei.
2 Então o Senhor me disse: Não o temas, porque to entreguei nas mãos, a ele e a
todo o seu povo, e a sua terra; e farás a ele como fizeste a Siom, rei dos
amorreus, que habitava em Hesbom.
3 Assim o Senhor nosso Deus nos entregou nas mãos também a Ogue, rei de Basã, e
a todo o seu povo; de maneira que o ferimos, até que não lhe ficou sobrevivente
algum.
4 E naquele tempo tomamos todas as suas cidades; nenhuma cidade houve que não
lhes tomássemos: sessenta cidades, toda a região de Argobe, o reino de Ogue em
Basã,
5 cidades estas todas fortificadas com altos muros, portas e ferrolhos, além de
muitas cidades sem muros.
6 E destruímo-las totalmente, como fizéramos a Siom, rei de Hesbom, fazendo
perecer a todos, homens, mulheres e pequeninos.
7 Mas todo o gado e o despojo das cidades, tomamo-los por presa para nós.
8 Assim naquele tempo tomamos a terra da mão daqueles dois reis dos amorreus,
que estavam além do Jordão, desde o rio Arnom até o monte Hermom
9 (ao Hermom os sidônios chamam Siriom, e os amorreus chamam-lhe Senir) ,
10 todas as cidades do planalto, e todo o Gileade, e todo o Basã, até Salca e
Edrei, cidades do reino de Ogue em Basã.
11 Porque só Ogue, rei de Basã, ficou de resto dos refains; eis que o seu
leito, um leito de ferro, não está porventura em Rabá dos amonitas? o seu
comprimento é de nove côvados, e de quatro côvados a sua largura, segundo o
côvado em uso.
12 Naquele tempo, pois, tomamos essa terra por possessão. Desde Aroer, que está
junto do vale do Arnom, e a metade da região montanhosa de Gileade, com as suas
cidades, dei aos nibenitas e gaditas;
13 e dei à meia tribo de Manassés o resto de Gileade, como também todo o Basã,
o reino de Ogue, isto é, toda a região de Argobe com todo o Basã. (O mesmo se
chamava a terra dos refains.
14 Jair, filho de Manassés, tomou toda a região de Argobe, até a fronteira dos
resuritas e dos maacatitas, e lhes chamou, inclusive o Basã, pelo seu nome,
Havote-Jair, até hoje).
15 E a Maquir dei Gileade.
16 Mas aos rubenitas e gaditas dei desde Gileade até o vale do Arnom, tanto o
meio do vale como a sua borda, e até o ribeiro de Jaboque, o termo dos
amonitas;
17 como também a Arabá, com o Jordão por termo, desde Quinerete até o mar da
Arabá, o Mar Salgado, pelas faldas de Pisga para o oriente.
18 No mesmo tempo também vos ordenei, dizendo: O Senhor vosso Deus vos deu esta
terra, para a possuirdes; vós, todos os homens valentes, passareis armados
adiante de vossos irmãos, os filhos de Israel.
19 Tão-somente vossas mulheres, e vossos pequeninos, e vosso gado (porque eu
sei que tendes muito gado) ficarão nas cidades que já vos dei;
20 até que o Senhor dê descanso a vossos irmãos como a vós, e eles também
possuam a terra que o Senhor vosso Deus lhes dá além do Jordão: Então voltareis
cada qual à sua herança que já vos tenho dado.
21 Também dei ordem a Josué no mesmo tempo, dizendo: Os teus olhos viram tudo o
que o Senhor vosso Deus tem feito a esses dois reis; assim fará o Senhor a
todos os reinos a que tu estás passando.
22 Não tenhais medo deles, porque o Senhor vosso Deus é o que peleja por nós.
23 Também roguei ao Senhor nesse tempo, dizendo:
24 ç Senhor Jeová, tu já começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a
tua forte mão; pois, que Deus há no céu ou na terra, que possa fazer segundo as
tuas obras, e segundo os teus grandes feitos?
25 Rogo-te que me deixes passar, para que veja essa boa terra que está além do
Jordão, essa boa região montanhosa, e o Líbano!
26 Mas o Senhor indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu;
antes me disse: Basta; não me fales mais nisto.
27 sobe ao cume do Pisga, e levanta os olhos para o ocidente, para o norte,
para o sul e para o oriente, e contempla com os teus olhos; porque não passarás
este Jordão.
28 Mas dá ordens a Josué, anima-o, e fortalece-o, porque ele passará adiante
deste povo, e o levará a possuir a terra que tu verás.
29 Assim ficamos no vale defronte de Bete-Peor.
DEUTERONÔMIO
[4]
1 Agora, pois, ó Israel, ouve
os estatutos e os preceitos que eu vos ensino, para os observardes, a fim de
que vivais, e entreis e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos
dá.
2 Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que
guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.
3 Os vossos olhos viram o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo
homem que seguiu a Baal-Peor, o Senhor vosso Deus o consumiu do meio de vós.
4 Mas vós, que vos apegastes ao Senhor vosso Deus, todos estais hoje vivos.
5 Eis que vos ensinei estatutos e preceitos, como o Senhor meu Deus me ordenou,
para que os observeis no meio da terra na qual estais entrando para a
possuirdes.
6 Guardai-os e observai-os, porque isso é a vossa sabedoria e o vosso
entendimento à vista dos povos, que ouvirão todos estes, estatutos, e dirão:
Esta grande nação é deveras povo sábio e entendido.
7 Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o é a nós o
Senhor nosso Deus todas as vezes que o invocamos?
8 E que grande nação há que tenha estatutos e preceitos tão justos como toda
esta lei que hoje ponho perante vós?
9 Tão-somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, para que não te
esqueças das coisas que os teus olhos viram, e que elas não se apaguem do teu
coração todos os dias da tua vida; porém as contarás a teus filhos, e aos
filhos de teus filhos;
10 o dia em que estiveste perante o Senhor teu Deus em Horebe, quando o Senhor
me disse: Ajunta-me este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, e
aprendê-las-ão, para me temerem todos os dias que na terra viverem, e as
ensinarão a seus filhos.
11 Então vós vos chegastes, e vos pusestes ao pé do monte; e o monte ardia em
fogo até o meio do céu, e havia trevas, e nuvens e escuridão.
12 E o Senhor vos falou do meio do fogo; ouvistes o som de palavras, mas não
vistes forma alguma; tão-somente ouvistes uma voz.
13 Então ele vos anunciou o seu pacto, o qual vos ordenou que observásseis,
isto é, os dez mandamentos; e os escreveu em duas tábuas de pedra.
14 Também o Senhor me ordenou ao mesmo tempo que vos ensinasse estatutos e
preceitos, para que os cumprísseis na terra a que estais passando para a
possuirdes.
15 Guardai, pois, com diligência as vossas almas, porque não vistes forma
alguma no dia em que o Senhor vosso Deus, em Horebe, falou convosco do meio do
fogo;
16 para que não vos corrompais, fazendo para vós alguma imagem esculpida, na
forma de qualquer figura, semelhança de homem ou de mulher;
17 ou semelhança de qualquer animal que há na terra, ou de qualquer ave que voa
pelo céu;
18 ou semelhança de qualquer animal que se arrasta sobre a terra, ou de
qualquer peixe que há nas águas debaixo da terra;
19 e para que não suceda que, levantando os olhos para o céu, e vendo o sol, a
lua e as estrelas, todo esse exército do céu, sejais levados a vos inclinardes
perante eles, prestando culto a essas coisas que o Senhor vosso Deus repartiu a
todos os povos debaixo de todo o céu.
20 Mas o Senhor vos tomou, e vos tirou da fornalha de ferro do Egito, a fim de
lhe serdes um povo hereditário, como hoje o sois.
21 O Senhor se indignou contra mim por vossa causa, e jurou que eu não passaria
o Jordão, e que não entraria na boa terra que o Senhor vosso Deus vos dá por
herança;
22 mas eu tenho de morrer nesta terra; não poderei passar o Jordão; porém vós o
passareis, e possuireis essa boa terra.
23 Guardai-vos de que vos esqueçais do pacto do Senhor vosso Deus, que ele fez
convosco, e não façais para vós nenhuma imagem esculpida, semelhança de alguma
coisa que o Senhor vosso Deus vos proibiu.
24 Porque o Senhor vosso Deus é um fogo consumidor, um Deus zeloso.
25 Quando, pois, tiverdes filhos, e filhos de filhos, e envelhecerdes na terra,
e vos corromperdes, fazendo alguma imagem esculpida, semelhança de alguma
coisa, e praticando o que é mau aos olhos do Senhor vosso Deus, para o provocar
a ira, -
26 hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, - bem cedo perecereis
da terra que, passado o Jordão, ides possuir. Não prolongareis os vossos dias
nela, antes sereis de todo destruídos.
27 E o Senhor vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre
as nações para as quais o Senhor vos conduzirá.
28 Lá servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que
não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram.
29 Mas de lá buscarás ao Senhor teu Deus, e o acharás, quando o buscares de
todo o teu coração e de toda a tua alma.
30 Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então nos
últimos dias voltarás para o Senhor teu Deus, e ouvirás a sua voz;
31 porquanto o Senhor teu Deus é Deus misericordioso, e não te desamparará, nem
te destruirá, nem se esquecerá do pacto que jurou a teus pais.
32 Agora, pois, pergunta aos tempos passados que te precederam desde o dia em
que Deus criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até a outra,
se aconteceu jamais coisa tão grande como esta, ou se jamais se ouviu coisa
semelhante?
33 Ou se algum povo ouviu a voz de Deus falar do meio do fogo, como tu a
ouviste, e ainda ficou vivo?
34 Ou se Deus intentou ir tomar para si uma nação do meio de outra nação, por
meio de provas, de sinais, de maravilhas, de peleja, de mão poderosa, de braço
estendido, bem como de grandes espantos, segundo tudo quanto fez a teu favor o
Senhor teu Deus, no Egito, diante dos teus olhos?
35 A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há
senão ele.
36 Do céu te fez ouvir a sua voz, para te instruir, e sobre a terra te mostrou
o seu grande fogo, do meio do qual ouviste as suas palavras.
37 E, porquanto amou a teus pais, não somente escolheu a sua descendência
depois deles, mas também te tirou do Egito com a sua presença e com a sua
grande força;
38 para desapossar de diante de ti nações maiores e mais poderosas do que tu,
para te introduzir na sua terra e ta dar por herança, como neste dia se vê.
39 Pelo que hoje deves saber e considerar no teu coração que só o Senhor é
Deus, em cima no céu e embaixo na terra; não há nenhum outro.
40 E guardarás os seus estatutos e os seus mandamentos, que eu te ordeno hoje,
para que te vá bem a ti, e a teus filhos depois de ti, e para que prolongues os
dias na terra que o Senhor teu Deus te dá, para todo o sempre.
41 Então Moisés separou três cidades além do Jordão, para o nascente,
42 para que se refugiasse ali o homicida que involuntariamente tivesse matado o
seu próximo a quem dantes não tivesse ódio algum; para que, refugiando-se numa
destas cidades, vivesse:
43 a Bezer, no deserto, no planalto, para os rubenitas; a Ramote, em Gileade,
para os paditas; e a Golã, em Basã, para os manassitas.
44 Esta é a lei que Moisés propôs aos filhos de Israel;
45 estes são os testemunhos, os estatutos e os preceitos que Moisés falou aos
filhos de Israel, depois que saíram do Egito,
46 além do Jordão, no vale defronte de Bete-Peor, na terra de Siom, rei dos
amorreus, que habitava em Hesbom, a quem Moisés e os filhos de Israel
derrotaram, depois que saíram do Egito;
47 pois tomaram a terra deles em possessão, como também a terra de Ogue, rei de
Basã, sendo esses os dois reis dos amorreus, que estavam além do Jordão, para o
nascente;
48 desde Aroer, que está à borda do ribeiro de Arnom, até o monte de Siom, que
é Hermom,
49 e toda a Arabá, além do Jordão, para o oriente, até o mar da Arabá, pelas
faldas de Pisga.
DEUTERONÔMIO
[5]
1 Chamou, pois, Moisés a todo
o Israel, e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e preceitos que hoje vos
falo aos ouvidos, para que os aprendais e cuideis em os cumprir.
2 O Senhor nosso Deus fez um pacto conosco em Horebe.
3 Não com nossos pais fez o Senhor esse pacto, mas conosco, sim, com todos nós
que hoje estamos aqui vivos.
4 Face a face falou o Senhor conosco no monte, do meio o fogo
5 (estava eu nesse tempo entre o Senhor e vós, para vos anunciar a palavra do
Senhor; porque tivestes medo por causa do fogo, e não subistes ao monte) ,
dizendo ele:
6 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da
servidão.
7 Não terás outros deuses diante de mim.
8 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no
céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra;
9 não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu
Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a
terceira e quarta geração daqueles que me odeiam,
10 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus
mandamentos.
11 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por
inocente aquele que tomar o seu nome em vão.
12 Guarda o dia do sábado, para o santificar, como te ordenou o senhor teu
Deus;
13 seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho;
14 mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; nesse dia não farás trabalho
algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva,
nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que
está dentro das tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem assim
como tu.
15 Lembra-te de que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te
tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor teu Deus te
ordenou que guardasses o dia do sábado.
16 Honra a teu pai e a tua mãe, como o senhor teu Deus te ordenou, para que se
prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que o Senhor teu Deus te
dá.
17 Não matarás.
18 Não adulterarás.
19 Não furtarás.
20 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
21 Não cobiçarás a mulher do teu próximo; não desejarás a casa do teu próximo;
nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu
jumento, nem coisa alguma do teu próximo.
22 Essas palavras falou o senhor a toda a vossa assembléia no monte, do meio do
fogo, da nuvem e da escuridão, com grande voz; e nada acrescentou. E
escreveu-as em duas tábuas de pedra, que ele me deu.
23 Mas quando ouvistes a voz do meio das trevas, enquanto ardia o monte em
fogo, viestes ter comigo, mesmo todos os cabeças das vossas tribos, e vossos
anciãos,
24 e dissestes: Eis que o Senhor nosso Deus nos fez ver a sua glória e a sua
grandeza, e ouvimos a sua voz do meio do fogo; hoje vimos que Deus fala com o
homem, e este ainda continua vivo.
25 Agora, pois, por que havemos de morrer? Este grande fogo nos consumirá; se
ainda mais ouvirmos a voz do Senhor nosso Deus, morreremos.
26 Porque, quem há de toda a carne, que tenha ouvido a voz do Deus vivente a
falar do meio do fogo, como nós a ouvimos, e ainda continue vivo?
27 Chega-te tu, e ouve tudo o que o Senhor nosso Deus falar; e tu nos dirás
tudo o que ele te disser; assim o ouviremos e o cumpriremos.
28 Ouvindo, pois, o Senhor as vossas palavras, quando me faláveis, disse-me: Eu
ouvi as palavras deste povo, que eles te disseram; falaram bem em tudo quanto
disseram.
29 Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem em
todo o tempo todos os meus mandamentos, para que bem lhes fosse a eles, e a
seus filhos para sempre!
30 Vai, dize-lhes: Voltai às vossas tendas.
31 Tu, porém, deixa-te ficar aqui comigo, e eu te direi todos os mandamentos,
estatutos e preceitos que tu lhes hás de ensinar, para que eles os cumpram na
terra que eu lhes dou para a possuírem.
32 Olhai, pois, que façais como vos ordenou o Senhor vosso Deus; não vos
desviareis nem para a direita nem para a esquerda.
33 Andareis em todo o caminho que vos ordenou a Senhor vosso Deus, para que
vivais e bem vos suceda, e prolongueis os vossos dias na terra que haveis de
possuir.
DEUTERONÔMIO
[6]
1 Estes, pois, são os
mandamentos, os estatutos e os preceitos que o Senhor teu Deus mandou
ensinar-te, a fim de que os cumprisses na terra a que estás passando: para a
possuíres;
2 para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e
mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos
os dias da tua vida, e para que se prolonguem os teus dias.
3 Ouve, pois, ó Israel, e atenta em que os guardes, para que te vá bem, e muito
te multipliques na terra que mana leite e mel, como te prometeu o Senhor Deus
de teus pais.
4 Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
5 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e
de todas as tuas forças.
6 E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;
7 e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando
pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.
8 Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus
olhos;
9 e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.
10 Quando, pois, o Senhor teu Deus te introduzir na terra que com juramento
prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas
cidades, que tu não edificaste,
11 e casas cheias de todo o bem, as quais tu não encheste, e poços cavados, que
tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e quando comeres e te
fartares;
12 guarda-te, que não te esqueças do Senhor, que te tirou da terra do Egito, da
casa da servidão.
13 Temerás ao Senhor teu Deus e o servirás, e pelo seu nome jurarás.
14 Não seguirás outros deuses, os deuses dos povos que houver à roda de ti;
15 porque o Senhor teu Deus é um Deus zeloso no meio de ti; para que a ira do
Senhor teu Deus não se acenda contra ti, e ele te destrua de sobre a face da
terra.
16 Não tentareis o Senhor vosso Deus, como o tentastes em Massá.
17 Diligentemente guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus, como também os
seus testemunhos, e seus estatutos, que te ordenou.
18 Também praticarás o que é reto e bom aos olhos do Senhor, para que te vá
bem, e entres, e possuas a boa terra, a qual o Senhor prometeu com juramento a
teus pais;
19 para que lance fora de diante de ti todos os teus inimigos, como disse o
Senhor.
20 Quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que significam os
testemunhos, estatutos e preceitos que o Senhor nosso Deus vos ordenou?
21 responderás a teu filho: Éramos servos de Faraó no Egito, porém o Senhor,
com mão forte, nos tirou de lá;
22 e, aos nossos olhos, o Senhor fez sinais e maravilhas grandes e penosas
contra o Egito, contra Faraó e contra toda a sua casa;
23 mas nos tirou de lá, para nos introduzir e nos dar a terra que com juramento
prometera a nossos pais.
24 Pelo que o Senhor nos ordenou que observássemos todos estes estatutos, que
temêssemos o Senhor nosso Deus, para o nosso bem em todo o tempo, a fim de que
ele nos preservasse em vida, assim como hoje se vê.
25 E será justiça para nós, se tivermos cuidado de cumprir todos estes
mandamentos perante o Senhor nosso Deus, como ele nos ordenou.
DEUTERONÔMIO
[7]
1 Quando o Senhor teu Deus te
houver introduzido na terra a que vais a fim de possuí-la, e tiver lançado fora
de diante de ti muitas nações, a saber, os heteus, os girgaseus, os amorreus,
os cananeus, os perizeus, os heveus e os jebuseus, sete nações mais numerosas e
mais poderosas do que tu;
2 e quando o Senhor teu Deus tas tiver entregue, e as ferires, totalmente as
destruirás; não farás com elas pacto algum, nem terás piedade delas;
3 não contrairás com elas matrimônios; não darás tuas filhas a seus filhos, e
não tomarás suas filhas para teus filhos;
4 pois fariam teus filhos desviarem-se de mim, para servirem a outros deuses; e
a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.
5 Mas assim lhes fareis: Derrubareis os seus altares, quebrareis as suas
colunas, cortareis os seus aserins, e queimareis a fogo as suas imagens
esculpidas.
6 Porque tu és povo santo ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, a
fim de lhe seres o seu próprio povo, acima de todos os povos que há sobre a
terra.
7 O Senhor não tomou prazer em vós nem vos escolheu porque fôsseis mais
numerosos do que todos os outros povos, pois éreis menos em número do que
qualquer povo;
8 mas, porque o Senhor vos amou, e porque quis guardar o juramento que fizera a
vossos pais, foi que vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da
servidão, da mão de Faraó, rei do Egito.
9 Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é que é Deus, o Deus fiel, que guarda o
pacto e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e guardam os seus
mandamentos;
10 e que retribui diretamente aos que o odeiam, para os destruir; não será
remisso para quem o odeia, diretamente lhe retribuirá.
11 Guardarás, pois, os mandamentos, os estatutos e os preceitos que eu hoje te
ordeno, para os cumprires.
12 Sucederá, pois, que, por ouvirdes estes preceitos, e os guardardes e
cumprirdes, o Senhor teu Deus te guardará o pacto e a misericórdia que com
juramento prometeu a teus pais;
13 ele te amará, te abençoará e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu
ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, o teu mosto e o teu azeite, a
criação das tuas vacas, e as crias dos teus rebanhos, na terra que com
juramento prometeu a teus pais te daria.
14 Bendito serás mais do que todos os povos; não haverá estéril no meio de ti,
seja homem, seja mulher, nem entre os teus animais.
15 E o Senhor desviará de ti toda enfermidade; não porá sobre ti nenhuma das
más doenças dos egípcios, que bem conheces; no entanto as porás sobre todos os
que te odiarem.
16 Consumirás todos os povos que o Senhor teu Deus te entregar; os teus olhos
não terão piedade deles; e não servirás a seus deuses, pois isso te seria por
laço.
17 Se disseres no teu coração: Estas nações são mais numerosas do que eu; como
as poderei desapossar?
18 delas não terás medo; antes lembrarte-ás do que o Senhor teu Deus fez a
Faraó e a todos os egípcios;
19 das grandes provas que os teus olhos viram, e dos sinais, e das maravilhas,
e da mão forte, e do braço estendido, com que o Senhor teu Deus te tirou: Assim
fará o Senhor teu Deus a todos os povos, diante dos quais tu temes.
20 Além disso o Senhor teu Deus mandará entre eles vespões, até que pereçam os
restantes que se tiverem escondido de ti.
21 Não te espantes diante deles, porque o Senhor teu Deus está no meio de ti,
Deus grande e terrível.
22 E o Senhor teu Deus lançará fora de diante de ti, pouco a pouco, estas
nações; não poderás destruí-las todas de pronto, para que as feras do campo não
se multipliquem contra ti.
23 E o Senhor tas entregará a ti, e lhes infligirá uma grande derrota, até que
sejam destruídas.
24 Também os seus reis te entregará nas tuas mãos, e farás desaparecer o nome
deles de debaixo do céu; nenhum te poderá resistir, até que os tenhas
destruído.
25 As imagens esculpidas de seus deuses queimarás a fogo; não cobiçarás a prata
nem o ouro que estão sobre elas, nem deles te apropriarás, para que não te
enlaces neles; pois são abominação ao Senhor teu Deus.
26 Não meterás, pois, uma abominação em tua casa, para que não sejas anátema,
semelhante a ela; de todo a detestarás, e de todo a abominarás, pois é anátema.
DEUTERONÔMIO
[8]
1 Todos os mandamentos que
hoje eu vos ordeno cuidareis de observar, para que vivais, e vos multipliqueis,
e entreis, e possuais a terra que o Senhor, com juramento, prometeu a vossos
pais.
2 E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus tem te conduzido
durante estes quarenta anos no deserto, a fim de te humilhar e te provar, para
saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.
3 Sim, ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que
nem tu nem teus pais conhecíeis; para te dar a entender que o homem não vive só
de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor, disso vive o homem.
4 Não se envelheceram as tuas vestes sobre ti, nem se inchou o teu pé, nestes
quarenta anos.
5 Saberás, pois, no teu coração que, como um homem corrige a seu filho, assim
te corrige o Senhor teu Deus.
6 E guardarás os mandamentos de Senhor teu Deus, para andares nos seus
caminhos, e para o temeres.
7 Porque o Senhor teu Deus te está introduzindo numa boa terra, terra de
ribeiros de águas, de fontes e de nascentes, que brotam nos vales e nos
outeiros;
8 terra de trigo e cevada; de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras,
de azeite e de mel;
9 terra em que comerás o pão sem escassez, e onde não te faltará coisa alguma;
terra cujas pedras são ferro, e de cujos montes poderás cavar o cobre.
10 Comerás, pois, e te fartarás, e louvarás ao Senhor teu Deus pela boa terra
que te deu.
11 Guarda-te, que não te esqueças do Senhor teu Deus, deixando de observar os
seus mandamentos, os seus preceitos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno;
12 para não suceder que, depois de teres comido e estares farto, depois de
teres edificado boas casas e estares morando nelas,
13 depois de se multiplicarem as tuas manadas e es teus rebanhos, a tua prata e
o teu ouro, sim, depois de se multiplicar tudo quanto tens,
14 se exalte e teu coração e te esqueças do Senhor teu Deus, que te tirou da
terra o Egito, da casa da servidão;
15 que te conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes
abrasadoras e de escorpiões, e de terra árida em que não havia água, e onde te
fez sair água da rocha pederneira;
16 que no deserto te alimentou com o maná, que teus pais não conheciam; a fim
de te humilhar e te provar, para nos teus últimos dias te fazer bem;
17 e digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão me
adquiriram estas riquezas.
18 Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, porque ele é o que te dá força para
adquirires riquezas; a fim de confirmar o seu pacto, que jurou a teus pais,
como hoje se vê.
19 Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu
Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante
eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás.
20 Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós
perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus. rovas, de
sinais, de maravilhas, de peleja,
DEUTERONÔMIO
[9]
1 Ouve, ó Israel: hoje tu
vais passar o Jordão para entrares para desapossares nações maiores e mais
fortes do que tu, cidades grandes e muradas até o céu;
2 um povo grande e alto, filhos dos anaquins, que tu conhecestes, e dos quais
tens ouvido dizer: Quem poderá resistir aos filhos de Anaque?
3 Sabe, pois, hoje que o Senhor teu Deus é o que passa adiante de ti como um
fogo consumidor; ele os destruirá, e os subjugará diante de ti; e tu os
lançarás fora, e cedo os desfarás, como o Senhor te prometeu.
4 Depois que o Senhor teu Deus os tiver lançado fora de diante de ti, não digas
no teu coração: por causa da minha justiça é que o Senhor me introduziu nesta
terra para a possuir. Porque pela iniqüidade destas nações é que o Senhor as
lança fora de diante de ti.
5 Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a
possuir a sua terra, mas pela iniqüidade destas nações o Senhor teu Deus as
lança fora de diante de ti, e para confirmar a palavra que o Senhor teu Deus
jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.
6 Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o Senhor teu Deus te dá
esta boa terra para a possuíres, pois tu és povo de dura cerviz.
7 Lembra-te, e não te esqueças, de como provocaste à ira o Senhor teu Deus no
deserto; desde o dia em que saíste da terra do Egito, até que chegaste a este
lugar, foste rebelde contra o Senhor;
8 também em Horebe provocastes à ira o Senhor, e o Senhor se irou contra vós
para vos destruir.
9 Quando subi ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas do pacto que o
Senhor fizera convosco, fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; não
comi pão, nem bebi água.
10 E o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e
nelas estavam escritas todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado
convosco no monte, do meio do fogo, no dia da assembléia.
11 Sucedeu, pois, que ao fim dos quarenta dias e quarenta naites, o Senhor me
deu as duas tábuas de pedra, as tábuas do pacto.
12 E o Senhor me disse: Levanta-te, desce logo daqui, porque o teu povo, que
tiraste do Egito, já se corrompeu; cedo se desviaram do caminho que eu lhes
ordenei; fizeram para si uma imagem de fundição.
13 Disse-me ainda o Senhor: Atentei para este povo, e eis que ele é povo de
dura cerviz;
14 deixa-me que o destrua, e apague o seu nome de debaixo do céu; e farei de ti
nação mais poderosa e mais numerosa do que esta.
15 Então me virei, e desci do monte, o qual ardia em fogo; e as duas tábuas do
pacto estavam nas minhas duas mãos.
16 Olhei, e eis que havíeis pecado contra o Senhor vosso Deus; tínheis feito
para vós um bezerro de fundição; depressa vos tínheis desviado do caminho que o
Senhor vos ordenara.
17 Peguei então das duas tábuas e, arrojando-as das minhas mãos, quebrei-as
diante dos vossos olhos.
18 Prostrei-me perante o Senhor, como antes, quarenta dias e quarenta noites;
não comi pão, nem bebi água, por causa de todo o vosso pecado que havíeis
cometido, fazendo o que era mau aos olhos do Senhor, para o provocar a ira.
19 Porque temi por causa da ira e do furor com que o Senhor estava irado contra
vós para vos destruir; porém ainda essa vez o Senhor me ouviu.
20 O Senhor se irou muito contra Arão para o destruir; mas também orei a favor
de Arão ao mesmo tempo.
21 Então eu tomei o vosso pecado, o bezerro que tínheis feito, e o queimei a
fogo e o pisei, moendo-o bem, até que se desfez em pó; e o seu pó lancei no
ribeiro que descia do monte.
22 Igualmente em Tabera, e em Massá, e em Quibrote-Hataavá provocastes à ira o
Senhor.
23 Quando também o Senhor vos enviou de Cades-Barnéia, dizendo: Subi, e possuí
a terra que vos dei; vós vos rebelastes contra o mandado do Senhor vosso Deus,
e não o crestes, e não obedecestes à sua voz.
24 Tendes sido rebeldes contra o Senhor desde o dia em que vos conheci.
25 Assim me prostrei perante o Senhor; quarenta dias e quarenta noites estive
prostrado, porquanto o Senhor ameaçara destruir-vos.
26 Orei ao Senhor, dizendo: ç Senhor Jeová, não destruas o teu povo, a tua
herança, que resgataste com a tua grandeza, que tiraste do Egito com mão forte.
27 Lembra-te dos teus servos, Abraão, Isaque e Jacó; não atentes para a dureza
deste povo, nem para a sua iniqüidade, nem para o seu pecado;
28 para que o povo da terra de onde nos tiraste não diga: Porquanto o Senhor
não pôde introduzi-los na terra que lhes prometera, passou a odiá-los, e os
tirou para os matar no deserto.
29 Todavia são eles o teu povo, a sua herança, que tiraste com a sua grande
força e com o teu braço estendido.
DEUTERONÔMIO
[10]
1 Naquele mesmo tempo me
disse o Senhor: Alisa duas tábuas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim ao
monte, e faze uma arca de madeira.
2 Nessas tábuas escreverei as palavras que estavam nas primeras tábuas, que
quebras-te, e as porás na arca.
3 Assim, fiz ume arca de madeira de acácia, alisei duas tábuas de pedra, como
as primeiras, e subi ao monte com as duas tábuas nas mãos.
4 Então o Senhor escreveu nas tábuas, conforme a primeira escritura, os dez
mandamentos, que ele vos falara no monte, do meio do fogo, no dia da
assembléia; e o Senhor mas deu a mim.
5 Virei-me, pois, desci do monte e pus as tábuas na arca que fizera; e ali
estão, como o Senhor me ordenou.
6 (Ora, partiram os filhos de Israel de Beerote-Bene-Jaacã para Mosera. Ali
faleceu Arão e foi sepultado; e Eleazar, seu filho, administrou o sacerdócio em
seu lugar.
7 Dali partiram para Gudgoda, e de Gudgoda para Jotbatá, terra de ribeiros de
águas.
8 Por esse tempo o Senhor separou a tribo de Levi, para levar a arca do pacto
do Senhor, para estar diante do Senhor, servindo-o, e para abençoar em seu nome
até o dia de hoje.
9 Pelo que Levi não tem parte nem herança com seus irmãos; o Senhor é a sua
herança, como o Senhor teu Deus lhe disse.)
10 Também, como antes, eu estive no monte quarenta dias e quarenta noites; e o
Senhor me ouviu ainda essa vez; o Senhor não te quis destruir;
11 antes disse-me o Senhor: Levanta-te, põe-te a caminho diante do povo; eles
entrarão e possuirão a terra que com juramento prometi a seus pais lhes daria.
12 Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que
temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e
sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma,
13 que guardes os mandamentos do Senhor, e os seus estatutos, que eu hoje te
ordeno para o teu bem?
14 Eis que do Senhor teu Deus são o céu e o céu dos céus, a terra e tudo o que
nela há.
15 Entretanto o Senhor se afeiçoou a teus pais para os amar; e escolheu a sua
descendência depois deles, isto é, a vós, dentre todos os povos, como hoje se
vê.
16 Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a
vossa cerviz.
17 Pois o Senhor vosso Deus, é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o
Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem recebe
peitas;
18 que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e
roupa.
19 Pelo que amareis o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito.
20 Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu
nome; jurarás.
21 Ele é o teu louvor e o teu Deus, que te fez estas grandes e terríveis coisas
que os teus olhos têm visto.
22 Com setenta almas teus pais desceram ao Egito; e agora o Senhor teu Deus te
fez, em número, como as estrelas do céu.
DEUTERONÔMIO
[11]
1 Amarás, pois, ao Senhor teu
Deus, e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus preceitos e os
seus mandamentos, por todos os dias.
2 Considerai hoje (pois não falo com vossos filhos, que não conheceram, nem
viram) a instrução do Senhor vosso Deus, a sua grandeza, a sua mão forte, e o
seu braço estendido;
3 os seus sinais, as suas obras, que fez no meio do Egito a Faraó, rei do
Egito, e a toda a sua terra;
4 o que fez ao exército dos egípcios, aos seus cavalos e aos seus carros; como
fez passar sobre eles as águas do Mar Vermelho, quando vos perseguiam, e como o
Senhor os destruiu até o dia de hoje;
5 o que vos fez no deserto, até chegardes a este lugar;
6 e o que fez a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe, filho de Rúben; como a terra
abriu a sua boca e os tragou com as suas casas e as suas tendas, e bem assim
todo ser vivente que lhes pertencia, no meia de todo o Israel;
7 porquanto os vossos olhos são os que viram todas as grandes obras que fez o
Senhor.
8 Guardareis, pois, todos os mandamentos que eu vos ordeno hoje, para que
sejais fortes, e entreis, e ocupeis a terra a que estais passando para a
possuirdes;
9 e para que prolongueis os dias nessa terra que o Senhor, com juramento,
prometeu dar a vossos pais e à sua descendência, terra que mana leite e mel.
10 Pois a terra na qual estais entrando para a possuirdes não é como a terra do
Egito, de onde saístes, em que semeáveis a vossa semente, e a regáveis com o
vosso pé, como a uma horta;
11 mas a terra a que estais passando para a possuirdes é terra de montes e de
vales; da chuva do céu bebe as águas;
12 terra de que o Senhor teu Deus toma cuidado; os olhos do Senhor teu Deus
estão sobre ela continuamente, desde o princípio até o fim do ano.
13 E há de ser que, se diligentemente obedeceres a meus mandamentos que eu hoje
te ordeno, de amar ao Senhor teu Deus, e de o servir de todo o teu coração e de
toda a tua alma,
14 darei a chuva da tua terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que
recolhas o teu grão, o teu mosto e o teu azeite;
15 e darei erva no teu campo para o teu gado, e comerás e fartar-te-ás.
16 Guardai-vos para que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e
sirvais a outros deuses, e os adoreis;
17 e a ira do Senhor se acenda contra vós, e feche ele o céu, e não caia chuva,
e a terra não dê o seu fruto, e cedo pereçais da boa terra que o Senhor vos dá.
18 Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma;
atá-las-eis por sinal na vossa mão, e elas vos serão por frontais entre os
vossos olhos;
19 e ensiná-las-eis a vossos filhos, falando delas sentados em vossas casas e
andando pelo caminho, ao deitar-vos e ao levantar-vos;
20 e escrevê-las-eis nos umbrais de vossas casas, e nas vossas portas;
21 para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra
que o Senhor, com juramento, prometeu dar a vossos pais, enquanto o céu cobrir
a terra.
22 Porque, se diligentemente guardardes todos estes mandamentos que eu vos
ordeno, se amardes ao Senhor vosso Deus, e andardes em todos os seus caminhos,
e a ele vos apegardes,
23 também o Senhor lançará fora de diante de vós todas estas nações, e
possuireis nações maiores e mais poderosas do que vós.
24 Todo lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso; o vosso termo se
estenderá do deserto ao Líbano, e do rio, o rio Eufrates, até o mar ocidental.
25 Ninguém vos poderá resistir; o Senhor vosso Deus porá o medo e o terror de
vós sobre toda a terra que pisardes, assim como vos disse.
26 Vede que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição:
27 A bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu hoje
vos ordeno;
28 porém a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus,
mas vos desviardes do caminho que eu hoje vos ordeno, para seguirdes outros
deuses que nunca conhecestes.
29 Ora, quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra a que vais para
possuí-la, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o
monte Ebal.
30 Porventura não estão eles além do Jordão, atrás do caminho do pôr do sol, na
terra dos cananeus, que habitam na Arabá defronte de Gilgal, junto aos
carvalhos de Moré?
31 Porque estais a passar o Jordão para entrardes a possuir a terra que o
Senhor vosso Deus vos dá; e a possuireis, e nela habitareis.
32 Tende, pois, cuidado em observar todos os estatutos e os preceitos que eu
hoje vos proponho.
DEUTERONÔMIO
[12]
1 São estes os estatutos e os
preceitos que tereis cuidado em observar na terra que o Senhor Deus de vossos
pais vos deu para a possuirdes por todos os dias que viverdes sobre a terra.
2 Certamente destruireis todos os lugares em que as nações que haveis de
subjugar serviram aos seus deuses, sobre as altas montanhas, sobre os outeiros,
e debaixo de toda árvore frondosa;
3 e derrubareis os seus altares, quebrareis as suas colunas, queimareis a fogo
os seus aserins, abatereis as imagens esculpidas dos seus deuses e apagareis o
seu nome daquele lugar.
4 Não fareis assim para com o Senhor vosso Deus;
5 mas recorrereis ao lugar que o Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas
tribos para ali pôr o seu nome, para sua habitação, e ali vireis.
6 A esse lugar trareis os vossos holocaustos e sacrifícios, e os vossos dízimos
e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos e ofertas voluntárias, e os
primogênitos das vossas vacas e ovelhas;
7 e ali comereis perante o Senhor vosso Deus, e vos alegrareis, vós e as vossas
casas, em tudo em que puserdes a vossa mão, no que o Senhor vosso Deus vos
tiver abençoado.
8 Não fareis conforme tudo o que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem
lhe parece aos olhos.
9 Porque até agora não entrastes no descanso e na herança que o Senhor vosso
Deus vos dá;
10 mas quando passardes o Jordão, e habitardes na terra que o senhor vosso Deus
vos faz herdar, ele vos dará repouso de todos os vossos inimigos em redor, e
morareis seguros.
11 Então haverá um lugar que o Senhor vosso Deus escolherá para ali fazer
habitar o seu nome; a esse lugar trareis tudo o que eu vos ordeno: os vossos
holocaustos e sacrifícios, os vossos dízimos, a oferta alçada da vossa mão, e
tudo o que de melhor oferecerdes ao Senhor em cumprimento dos votos que
fizerdes.
12 E vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus, vós, vossos filhos e vossas
filhas, vossos servos e vossas servas, bem como o levita que está dentro das
vossas portas, pois convosco não tem parte nem herança.
13 Guarda-te de ofereceres os teus holocaustos em qualquer lugar que vires;
14 mas no lugar que o Senhor escolher numa das tuas tribos, ali oferecerás os
teus holocaustos, e ali farás tudo o que eu te ordeno.
15 Todavia, conforme todo o teu desejo, poderás degolar, e comer carne dentro
das tuas portas, segundo a bênção do Senhor teu Deus que ele te houver dado;
tanto o imundo como o limpo comerão dela, como da gazela e do veado;
16 tão-somente não comerás do sangue; sobre a terra o derramarás como água.
17 Dentro das tuas portas não poderás comer o dízimo do teu grão, do teu mosto
e do teu azeite, nem os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas, nem
qualquer das tuas ofertas votivas, nem as tuas ofertas voluntárias, nem a
oferta alçada da tua mão;
18 mas os comerás perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher, tu, teu
filho, tua filha, o teu servo, a tua serva, e bem assim e levita que está
dentre das tuas portas; e perante o Senhor teu Deus te alegrarás em tudo em que
puseres a mão.
19 Guarda-te, que não desampares o levita por todos os dias que viveres na tua
terra.
20 Quando o Senhor teu Deus dilatar os teus termos, como te prometeu, e tu
disseres: Comerei carne (porquanto tens desejo de comer carne); conforme todo o
teu desejo poderás comê-la.
21 Se estiver longe de ti o lugar que o Senhor teu Deus escolher para ali pôr o
seu nome, então degolarás do teu gado e do teu rebanho, que o Senhor te houver
dado, como te ordenei; e poderás comer dentro das tuas portas, conforme todo o
teu desejo.
22 Como se come a gazela e o veado, assim comerás dessas carnes; o imundo e o
limpo igualmente comerão delas.
23 Tão-somente guarda-te de comeres o sangue; pois o sangue é a vida; pelo que
não comerás a vida com a carne.
24 Não o comerás; sobre a terra o derramarás como água.
25 Não o comerás, para que te vá bem a ti, a teus filhos depois de ti, quando
fizeres o que é reto aos olhos do Senhor.
26 Somente tomarás as coisas santas que tiveres, e as tuas ofertas votivas, e
irás ao lugar que o Senhor escolher;
27 oferecerás os teus holocaustos, a carne e o sangue sobre o altar do Senhor
teu Deus; e o sangue dos teus sacrifícios se derramará sobre o altar do Senhor
teu Deus, porém a carne comerás.
28 Ouve e guarda todas estas palavras que eu te ordeno, para que te vá bem a
ti, e a teus filhos depois de ti, para sempre, se fizeres o que é bom e reto
aos olhos do Senhor teu Deus.
29 Quando o Senhor teu Deus exterminar de diante de ti as nações aonde estás
entrando para as possuir, e as desapossares e habitares na sua terra,
30 guarda-te para que não te enlaces para as seguires, depois que elas forem
destruídas diante de ti; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo:
De que modo serviam estas nações os seus deuses? pois do mesmo modo também
farei eu.
31 Não farás assim para com o Senhor teu Deus; porque tudo o que é abominável
ao Senhor, e que ele detesta, fizeram elas para com os seus deuses; pois até
seus filhos e suas filhas queimam no fogo aos seus deuses.
32 Tudo o que eu te ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás nem diminuirás.
DEUTERONÔMIO
[13]
1 Se se levantar no meio de
vós profeta, ou sonhador de sonhos, e vos anunciar um sinal ou prodígio,
2 e suceder o sinal ou prodígio de que vos houver falado, e ele disser: Vamos
após outros deuses - deuses que nunca conhecestes - e sirvamo-los!
3 não ouvireis as palavras daquele profeta, ou daquele sonhador; porquanto o
Senhor vosso Deus vos está provando, para saber se amais o Senhor vosso Deus de
todo o vosso coração e de toda a vossa alma.
4 Após o Senhor vosso Deus andareis, e a ele temereis; os seus mandamentos
guardareis, e a sua voz ouvireis; a ele servireis, e a ele vos apegareis.
5 E aquele profeta, ou aquele sonhador, morrerá, pois falou rebeldia contra o
Senhor vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da
servidão, para vos desviar do caminho em que o Senhor vosso Deus vos ordenou
que andásseis; assim exterminareis o mal do meio vós.
6 Quando teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher
do teu seio, ou teu amigo que te é como a tua alma, te incitar em segredo,
dizendo: Vamos e sirvamos a outros deuses! - deuses que nunca conheceste, nem
tu nem teus pais,
7 dentre os deuses dos povos que estão em redor de ti, perto ou longe de ti,
desde uma extremidade da terra até a outra -
8 não consentirás com ele, nem o ouvirás, nem o teu olho terá piedade dele, nem
o pouparás, nem o esconderás,
9 mas certamente o matarás; a tua mão será a primeira contra ele para o matar,
e depois a mão de todo o povo;
10 e o apedrejarás, até que morra, pois procurou apartar-te do Senhor teu Deus,
que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão.
11 Todo o Israel o ouvirá, e temerá, e não se tornará a praticar semelhante
iniqüidade no meio de ti.
12 Se, a respeito de alguma das tuas cidades que o Senhor teu Deus te dá para
ali habitares, ouvires dizer:
13 Uns homens, filhos de Belial, saindo do meio de ti, incitaram os moradores
da sua cidade, dizendo: Vamos, e sirvamos a outros deuses! - deuses que nunca
conheceste -
14 então inquirirás e investigarás, perguntando com diligência; e se for
verdade, se for certo que se fez tal abominação no meio de ti,
15 certamente ferirás ao fio da espada os moradores daquela cidade, destruindo
a ela e a tudo o que nela houver, até os animais.
16 E ajuntarás todo o seu despojo no meio da sua praça; e a cidade e todo o seu
despojo queimarás totalmente para o Senhor teu Deus, e será montão perpétuo;
nunca mais será edificada.
17 Não se te pegará às mãos nada do anátema; para que o Senhor se aparte do
ardor da sua ira, e te faça misericórdia, e tenha piedade de ti, e te
multiplique; como jurou a teus pais,
18 se ouvires a voz do Senhor teu Deus, para guardares todos os seus
mandamentos, que eu hoje te ordeno, para fazeres o que é reto aos olhos do
Senhor teu Deus.
DEUTERONÔMIO
[14]
1 Filhos sois do Senhor vosso
Deus; não vos cortareis a vós mesmos, nem abrireis calva entre vossos olhos por
causa de algum morto.
2 Porque és povo santo ao Senhor teu Deus, e o Senhor te escolheu para lhe
seres o seu próprio povo, acima de todos os povos que há sobre a face da terra.
3 Nenhuma coisa abominável comereis.
4 Estes são os animais que comereis: o boi, a ovelha, a cabra,
5 o veado, a gazela, o cabrito montês, a cabra montesa, o antílope, o órix e a
ovelha montesa.
6 Dentre os animais, todo o que tem a unha fendida, dividida em duas, e que
rumina, esse podereis comer.
7 Porém, dos que ruminam, ou que têm a unha fendida, não podereis comer os
seguintes: o camelo, a lebre e o querogrilo, porque ruminam, mas não têm a unha
fendida; imundos vos serão;
8 nem o porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será. Não
comereis da carne destes, e não tocareis nos seus cadáveres.
9 Isto podereis comer de tudo o que há nas águas: tudo o que tem barbatanas e
escamas podereis comer;
10 mas tudo o que não tem barbatanas nem escamas não comereis; imundo vos será.
11 De todas as aves limpas podereis comer.
12 Mas estas são as de que não comereis: a águia, o quebrantosso, o xofrango,
13 o açor, o falcão, o milhafre segundo a sua espécie,
14 todo corvo segundo a sua espécie,
15 o avestruz, o mocho, a gaivota, o gavião segundo a sua espécie,
16 o bufo, a coruja, o porfirião,
17 o pelicano, o abutre, o corvo marinho,
18 a cegonha, a garça segundo a sua espécie, a poupa e o morcego.
19 Também todos os insetos alados vos serão imundos; não se comerão.
20 De todas as aves limpas podereis comer.
21 Não comerás nenhum animal que tenha morrido por si; ao peregrino que está
dentro das tuas portas o darás a comer, ou o venderás ao estrangeiro; porquanto
és povo santo ao Senhor teu Deus. Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.
22 Certamente darás os dízimos de todo o produto da tua semente que cada ano se
recolher do campo.
23 E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o
seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os
primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao
Senhor teu Deus por todos os dias.
24 Mas se o caminho te for tão comprido que não possas levar os dízimos, por
estar longe de ti o lugar que Senhor teu Deus escolher para ali por o seu nome,
quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado;
25 então vende-os, ata o dinheiro na tua mão e vai ao lugar que o Senhor teu
Deus escolher.
26 E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por
vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali
perante o Senhor teu Deus, e te regozijarás, tu e a tua casa.
27 Mas não desampararás o levita que está dentro das tuas portas, pois não tem
parte nem herança contigo.
28 Ao fim de cada terceiro ano levarás todos os dízimos da tua colheita do
mesmo ano, e os depositarás dentro das tuas portas.
29 Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), o peregrino, o
órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão;
para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda obra que as tuas mãos fizerem.
DEUTERONÔMIO
[15]
1 Ao fim de cada sete anos
farás remissão.
2 E este é o modo da remissão: todo credor remitirá o que tiver emprestado ao
seu próximo; não o exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois a remissão do
Senhor é apregoada.
3 Do estrangeiro poderás exigi-lo; mas o que é teu e estiver em poder de teu
irmão, a tua mão o remitirá.
4 Contudo não haverá entre ti pobre algum (pois o Senhor certamente te
abençoará na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança, para a possuíres),
5 contanto que ouças diligentemente a voz do Senhor teu Deus para cuidares em
cumprir todo este mandamento que eu hoje te ordeno.
6 Porque o Senhor teu Deus te abençoará, como te prometeu; assim, emprestarás a
muitas nações, mas não tomarás empréstimos; e dominarás sobre muitas nações,
porém elas não dominarão sobre ti.
7 Quando no meio de ti houver algum pobre, dentre teus irmãos, em qualquer das
tuas cidades na terra que o Senhor teu Deus te dá, não endurecerás o teu
coração, nem fecharás a mão a teu irmão pobre;
8 antes lhe abrirás a tua mão, e certamente lhe emprestarás o que lhe falta,
quanto baste para a sua necessidade.
9 Guarda-te, que não haja pensamento vil no teu coração e venhas a dizer:
Vai-se aproximando o sétimo ano, o ano da remissão; e que o teu olho não seja
maligno para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada; e que ele clame contra ti
ao Senhor, e haja em ti pecado.
10 Livremente lhe darás, e não fique pesaroso o teu coração quando lhe deres;
pois por esta causa te abençoará o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em
tudo no que puseres a mão.
11 Pois nunca deixará de haver pobres na terra; pelo que eu te ordeno, dizendo:
Livremente abrirás a mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu
pobre na tua terra.
12 Se te for vendido um teu irmão hebreu ou irmã hebréia, seis anos te servirá,
mas na sétimo ano o libertarás.
13 E, quando o libertares, não o deixarás ir de mãos vazias;
14 liberalmente o fornecerás do teu rebanho, e da tua eira, e do teu lagar;
conforme o Senhor teu Deus tiver abençoado te darás.
15 Pois lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egito, e de que o Senhor
teu Deus te resgatou; pelo que eu hoje te ordeno isso.
16 Mas se ele te disser: Não sairei de junto de ti; porquanto te ama a ti e a
tua casa, por estar bem contigo;
17 então tomarás uma sovela, e lhe furarás a orelha contra a porta, e ele será
teu servo para sempre; e também assim farás à tua serva.
18 Não seja duro aos teus olhos de teres de libertá-lo, pois seis anos te
prestou serviço equivalente ao dobro do salário dum mercenário; e o Senhor teu
Deus te abençoará em tudo o que fizeres.
19 Todo primogênito que nascer das tuas vacas e das tuas ovelhas santificarás
ao Senhor teu Deus; com o primogênito do teu boi não trabalharás, nem
tosquiarás o primogênito das tuas ovelhas.
20 Perante o Senhor teu Deus os comerás, tu e a tua casa, de ano em ano, no
lugar que o Senhor escolher.
21 Mas se nele houver algum defeito, como se for coxo, ou cego, ou tiver
qualquer outra deformidade, não o sacrificarás ao Senhor teu Deus.
22 Nas tuas portas o comerás; o imundo e o limpo igualmente o comerão, como da
gazela ou do veado.
23 Somente do seu sangue não comerás; sobre a terra o derramarás como água.
DEUTERONÔMIO
[16]
1 Guarda o mês de abibe, e
celebra a páscoa ao Senhor teu Deus; porque no mes de abibe, de noite, o Senhor
teu Deus tirou-te do Egito.
2 Então, das ovelhas e das vacas, sacrificarás a páscoa ao Senhor teu Deus, no
lugar que o Senhor escolher para ali fazer habitar o seu nome.
3 Nela não comerás pão levedado; por sete dias comerás pães ázimos, pão de
aflição (porquanto apressadamente saíste da terra do Egito), para que te
lembres do dia da tua saída da terra do Egito, todos os dias da tua vida.
4 O fermento não aparecerá contigo por sete dias em todos os teus termos;
também da carne que sacrificares à tarde, no primeiro dia, nada ficará até pela
manhã.
5 Não poderás sacrificar a páscoa em qualquer uma das tuas cidades que o Senhor
teu Deus te dá,
6 mas no lugar que o Senhor teu Deus escolher para ali fazer habitar o seu
nome; ali sacrificarás a páscoa à tarde, ao pôr do sol, ao tempo determinado da
tua saída do Egito.
7 Então a cozerás, e comerás no lugar que o Senhor teu Deus escolher; depois,
pela manhã, voltarás e irás às tuas tendas.
8 Seis dias comerás pães ázimos, e no sétimo dia haverá assembléia solene ao
Senhor teu Deus; nele nenhum trabalho farás.
9 Sete semanas contarás; desde o dia em que começares a meter a foice na seara,
começarás a contar as sete semanas.
10 Depois celebrarás a festa das semanas ao Senhor teu Deus segundo a medida da
oferta voluntária da tua mão, que darás conforme o Senhor teu Deus te houver
abençoado.
11 E te regozijarás perante o Senhor teu Deus, tu, teu filho e tua filha, teu
servo e tua serva, o levita que está dentro das tuas portas, o peregrino, o
órfão e a viúva que estão no meio de ti, no lugar que o Senhor teu Deus
escolher para ali fazer habitar o seu nome.
12 Também te lembrarás de que foste servo no Egito, e guardarás estes
estatutos, e os cumpriras.
13 A festa dos tabernáculos celebrarás por sete dias, quando tiveres colhido da
tua eira e do teu lagar.
14 E na tua festa te regozijarás, tu, teu filho e tua filha, teu servo e tua
serva, e o levita, o peregrino, o órfão e a viúva que estão dentro das tuas
portas.
15 sete dias celebrarás a festa ao Senhor teu Deus, no lugar que o senhor
escolher; porque o Senhor teu Deus te há de abençoar em toda a tua colheita, e
em todo trabalho das tuas mãos; pelo que estarás de todo alegre.
16 Três vezes no ano todos os teus homens aparecerão perante o Senhor teu Deus,
no lugar que ele escolher: na festa dos pães ázimos, na festa das semanas, e na
festa dos tabernáculos. Não aparecerão vazios perante o Senhor;
17 cada qual oferecerá conforme puder, conforme a bênção que o Senhor teu Deus
lhe houver dado.
18 Juízes e oficiais porás em todas as tuas cidades que o Senhor teu Deus te
dá, segundo as tuas tribos, para que julguem o povo com justiça.
19 Não torcerás o juízo; não farás acepção de pessoas, nem receberás peitas;
porque a peita cega os olhos dos sábios, e perverte a causa dos justos.
20 A justiça, somente a justiça seguirás, para que vivas, e possuas em herança
a terra que o Senhor teu Deus te dá.
21 Não plantarás nenhuma árvore como asera, ao pé do altar do Senhor teu Deus,
que fizeres,
22 nem levantarás para ti coluna, coisas que o Senhor teu Deus detesta.
DEUTERONÔMIO
[17]
1 Ao Senhor teu Deus não
sacrificarás boi ou ovelha em que haja defeito ou qualquer deformidade; pois
isso é abominação ao senhor teu Deus.
2 Se no meio de ti, em alguma das tuas cidades que te dá o Senhor teu Deus, for
encontrado algum homem ou mulher que tenha feito o que é mau aos olhos do Senhor
teu Deus, transgredindo o seu pacto,
3 que tenha ido e servido a outros deuses, adorando-os, a eles, ou ao sol, ou à
lua, ou a qualquer astro do exército do céu (o que não ordenei),
4 e isso te for denunciado, e o ouvires, então o inquirirás bem; e eis que,
sendo realmente verdade que se fez tal abominação em Israel,
5 então levarás às tuas portas o homem, ou a mulher, que tiver cometido esta
maldade, e apedrejarás o tal homem, ou mulher, até que morra.
6 Pela boca de duas ou de três testemunhas, será morto o que houver de morrer;
pela boca duma só testemunha não morrerá.
7 A mão das testemunhas será a primeira contra ele, para matá-lo, e depois a
mão de todo o povo; assim exterminarás o mal do meio de ti.
8 Se alguma causa te for difícil demais em juizo, entre sangue e sangue, entre
demanda e demanda, entre ferida e ferida, tornando-se motivo de controvérsia
nas tuas portas, então te levantarás e subirás ao lugar que o Senhor teu Deus
escolher;
9 virás aos levitas sacerdotes, e ao juiz que houver nesses dias, e inquirirás;
e eles te anunciarão a sentença da juízo.
10 Depois cumprirás fielmente a sentença que te anunciarem no lugar que o
Senhor escolher; e terás cuidado de fazer conforme tudo o que te ensinarem.
11 Conforme o teor da lei que te ensinarem, e conforme o juízo que
pronunciarem, farás da palavra que te disserem não te desviarás, nem para a
direita nem para a esquerda.
12 O homem que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está
ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, esse homem morrerá; assumirá
de Israel o mal.
13 E todo o povo, ouvindo isso, temerá e nunca mais se ensoberbecerá.
14 Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, e a possuíres e, nela
habitando, disseres: Porei sobre mim um rei, como o fazem todas as nações que
estão em redor de mim;
15 porás certamente sobre ti como rei aquele que o Senhor teu Deus escolher.
Porás um dentre teus irmãos como rei sobre ti; não poderás pôr sobre ti um
estrangeiro, homem que não seja de teus irmãos.
16 Ele, porém, não multiplicará para si cavalos, nem fará voltar o povo ao
Egito, para multiplicar cavalos; pois o Senhor vos tem dito: Nunca mais
voltareis por este caminho.
17 Tampouco multiplicará para si mulheres, para que o seu coração não se
desvie; nem multiplicará muito para si a prata e o ouro.
18 Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, escreverá
para si, num livro, uma cópia desta lei, do exemplar que está diante dos
levitas sacerdotes.
19 E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a
temer ao Senhor seu Deus, e a guardar todas as palavras desta lei, e estes
estatutos, a fim de os cumprir;
20 para que seu coração não se exalte sobre seus irmãos, e não se aparte do
mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; a fim de que prolongue os
seus dias no seu reino, ele e seus filhos, no meio de Israel.
DEUTERONÔMIO
[18]
1 Os levitas sacerdetes, e
toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança com Israel. Comerão das
ofertas queimadas do Senhor e da herança dele.
2 Não terão herança no meio de seus irmãos; o Senhor é a sua herança, como lhes
tem dito.
3 Este, pois, será o direito dos sacerdotes, a receber do povo, dos que
oferecerem sacrifícios de boi ou de ovelha: o ofertante dará ao sacerdote a
espádua, as queixadas e o bucho.
4 Ao sacerdote darás as primícias do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e
as primícias da tosquia das tuas ovelhas.
5 Porque o Senhor teu Deus o escolheu dentre todas as tribos, para assistir e
ministrar em nome do Senhor, ele e seus filhos, para sempre.
6 Se um levita, saindo de alguma das tuas cidades de todo o Israel em que ele
estiver habitando, vier com todo o desejo da sua alma ao lugar que o Senhor
escolher,
7 e ministrar em nome do Senhor seu Deus, como o fazem todos os seus irmãos, os
levitas, que assistem ali perante o Senhor,
8 comerá porção igual à deles, fora a das vendas do seu patrimônio.
9 Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer
conforme as abominações daqueles povos.
10 Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua
filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro,
11 nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem
quem consulte os mortos;
12 pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa
destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti.
13 Perfeito serás para com o Senhor teu Deus.
14 Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os
advinhadores; porém, quanto a ti, o Senhor teu Deus não te permitiu tal coisa.
15 O Senhor teu Deus te suscitará do meio de ti, dentre teus irmãos, um profeta
semelhante a mim; a ele ouvirás;
16 conforme tudo o que pediste ao Senhor teu Deus em Horebe, no dia da
assembléia, dizendo: Não ouvirei mais a voz do Senhor meu Deus, nem mais verei
este grande fogo, para que não morra.
17 Então o Senhor me disse: Falaram bem naquilo que disseram.
18 Do meio de seus irmãos lhes suscitarei um profeta semelhante a ti; e porei
as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.
19 E de qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome,
eu exigirei contas.
20 Mas o profeta que tiver a presunção de falar em meu nome alguma palavra que
eu não tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse
profeta morrerá.
21 E, se disseres no teu coração: Como conheceremos qual seja a palavra que o
Senhor falou?
22 Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem
suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o
profeta; não o temerás.
DEUTERONÔMIO
[19]
1 Quando o Senhor teu Deus
desarraigar as nações cuja terra ele te dá, e tu as desapossares, e morares nas
suas cidades e nas suas casas,
2 designarás para ti no meio da terra que o Senhor teu Deus te dá para a
possuíres, três cidades;
3 preparar-lhe-ás caminhos, e partirás em três os termos da tua terra, que o
Senhor teu Deus te dará em herança; isto será para que todo homicida se acolha
nessas cidades.
4 Este, pois é o caso no tocante ao homicida que se acolher ali para que viva:
aquele que involuntariamente matar o seu próximo, a quem dantes não odiava;
5 como, por exemplo, aquele que entrar com o seu próximo no bosque para cortar
lenha e, pondo força na sua mão com o machado para cortar a árvore, o ferro
saltar do cabo e ferir o seu próximo de sorte que venha a morrer; o tal se
acolherá a uma dessas cidades, e viverá;
6 para que o vingador do sangue não persiga o homicida, enquanto estiver
abrasado o seu coração, e o alcance, por ser comprido o caminho, e lhe tire a
vida, não havendo nele culpa de morte, pois que dantes não odiava o seu
próximo.
7 Pelo que eu te deu esta ordem: Três cidades designarás para ti.
8 E, se o Senhor teu Deus dilatar os teus termos, como jurou a teus pais, e te
der toda a terra que prometeu dar a teus pais
9 (quando guardares, para o cumprires, todo este mandamento que eu hoje te
ordeno, de amar o Senhor teu Deus e de andar sempre nos seus caminhos), então
acrescentarás a estas três, mais três cidades;
10 para que não se derrame sangue inocente no meio da tua terra, que o Senhor
teu Deus te dá por herança, e não haja sangue sobre ti.
11 Mas se alguém, odiando a seu próximo e lhe armando ciladas, se levantar
contra ele e o ferir de modo que venha a morrer, e se acolher a alguma destas
cidades,
12 então os anciãos da sua cidade, mandando tirá-lo dali, o entregarão nas mãos
do vingador do sangue, para que morra.
13 O teu olho não terá piedade dele; antes tirarás de Israel o sangue inocente,
para que te vá bem.
14 Não removerás os marcos do teu próximo, colocados pelos teus antecessores na
tua herança que receberás, na terra que o Senhor teu Deus te dá para a
possuíres.
15 uma só testemunha não se levantará contra alguém por qualquer iniqüidade, ou
por qualquer pecado, seja qual for o pecado cometido; pela boca de duas ou de
três testemunhas se estabelecerá o fato.
16 Se uma testemunha iníqua se levantar contra alguém, para o acusar de
transgressão,
17 então aqueles dois homens que tiverem a demanda se apresentarão perante o
Senhor, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver nesses dias.
18 E os juízes inquirirão cuidadosamente; e eis que, sendo a testemunha falsa,
e falso o testemunho que deu contra seu irmão,
19 far-lhe-ás como ele cuidava fazer a seu irmão; e assim exterminarás o mal do
meio de ti.
20 Os restantes, ouvindo isso, temerão e nunca mais cometerão semelhante mal no
meio de ti.
21 O teu olho não terá piedade dele; vida por vida, olho por olho, dente por
dente, mão por mão, pé por pé.
DEUTERONÔMIO
[20]
1 Quando saíres à peleja,
contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo mais numeroso do que
tu, deles não terás temor, pois contigo está o Senhor teu Deus que te fez subir
da terra do Egito.
2 Quando estiveres para entrar na peleja, o sacerdote se chegará e falará ao
povo,
3 e lhe dirá: Ouvi, é Israel; vós estais hoje para entrar na peleja contra os
vossos inimigos; não se amoleça o vosso coração; não temais nem tremais, nem
vos aterrorizeis diante deles;
4 pois e Senhor vosso Deus é o que vai convosco, a pelejar por vós contra os
vossos inimigos, para vos salvar.
5 Então os oficiais falarão ao povo, dizendo: Qual é o homem que edificou casa
nova e ainda não a dedicou? vá, e torne para casa; não suceda que morra na
peleja e outro a dedique.
6 E qual é o homem que plantou uma vinha e ainda não a desfrutou, vá, e torne
para casa; não suceda que morra na peleja e outro a desfrute.
7 Também qual é e homem que está desposado com uma mulher e ainda não a
recebeu? vá, e torne para casa; não suceda que morra na peleja e outro a
receba.
8 Assim continuarão os oficiais a falar ao povo, dizendo: Qual é o homem
medroso e de coração tímido? vá, e torne para casa, a fim de que o coração de
seus irmãos não se derreta como o seu coração.
9 Então, tendo os oficiais, acabado de falar ao povo, designarão chefes das tropas
para estarem à frente do povo.
10 Quando te aproximares duma cidade para combatê-la, apregoar-lhe-ás paz.
11 Se ela te responder em paz, e te abrir as portas, todo o povo que se achar
nela será sujeito a trabalhos forçados e te servirá.
12 Se ela, pelo contrário, não fizer paz contigo, mas guerra, então a sitiarás,
13 e logo que o Senhor teu Deus a entregar nas tuas mãos, passarás ao fio da
espada todos os homens que nela houver;
14 porém as mulheres, os pequeninos, os animais e tudo o que houver na cidade,
todo o seu despojo, tomarás por presa; e comerás o despojo dos teus inimigos,
que o Senhor teu Deus te deu.
15 Assim farás a todas as cidades que estiverem mais longe de ti, que não são
das cidades destas nações.
16 Mas, das cidades destes povos, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nada
que tem fôlego deixarás com vida;
17 antes destruí-los-ás totalmente: aos heteus, aos amorreus, aos cananeus, aos
perizeus, aos heveus, e aos jebuseus; como Senhor teu Deus te ordenou;
18 para que não vos ensinem a fazer conforme todas as abominações que eles
fazem a seus deuses, e assim pequeis contra o Senhor vosso Deus.
19 Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ela para a
tomar, não destruirás o seu arvoredo, metendo nele o machado, porque dele
poderás comer; pelo que não o cortarás; porventura a árvore do campo é homem,
para que seja sitiada por ti?
20 Somente as árvores que souberes não serem árvores cujo fruto se pode comer,
é que destruirás e cortarás, e contra a cidade que guerrear contra ti
edificarás baluartes, até que seja vencida.
DEUTERONÔMIO
[21]
1 Se na terra que o Senhor
teu Deus te dá para a possuíres, for encontrado algum morto caído no campo, sem
que se saiba quem o matou,
2 sairão os teus anciãos e os teus juízes, e medirão as distâncias dali até as
cidades que estiverem em redor do morto;
3 e será que, na cidade mais próxima do morto, os anciãos da mesma tomarão uma
novilha da manada, que ainda não tenha trabalhado nem tenha puxado na canga,
4 trarão a novilha a um vale de águas correntes, que nunca tenha sido lavrado
nem semeado, e ali, naquele vale, quebrarão o pescoço à novilha.
5 Então se achegarão os sacerdotes, filhos de Levi; pois o Senhor teu Deus os
escolheu para o servirem, e para abençoarem em nome do Senhor; e segundo a sua
sentença se determinará toda demanda e todo ferimento;
6 e todos os anciãos da mesma cidade, a mais próxima do morto, lavarão as mãos
sobre a novilha cujo pescoço foi quebrado no vale,
7 e, protestando, dirão: As nossas mãos não derramaram este sangue, nem os
nossos olhos o viram.
8 Perdoa, ó Senhor, ao teu povo Israel, que tu resgataste, e não ponhas o
sangue inocente no meio de teu povo Israel. E aquele sangue lhe será perdoado.
9 Assim tirarás do meio de ti o sangue inocente, quando fizeres o que é reto
aos olhos do Senhor.
10 Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e o Senhor teu Deus os
entregar nas tuas mãos, e os levares cativos,
11 se vires entre os cativas uma mulher formosa à vista e, afeiçoando-te a ela,
quiseres tomá-la por mulher,
12 então a trarás para a tua casa; e ela, tendo rapado a cabeça, cortado as
unhas,
13 e despido as vestes do seu cativeiro, ficará na tua casa, e chorará a seu
pai e a sua mãe um mes inteiro; depois disso estarás com ela, e serás seu
marido e ela será tua mulher.
14 E, se te enfadares dela, deixá-la-ás ir à sua vontade; mas de modo nenhum a
venderás por dinheiro, nem a tratarás como escrava, porque a humilhaste.
15 Se um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem despreza, e
ambas lhe tiverem dado filhos, e o filho primogênito for da desprezada,
16 quando fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a
primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filha da desprezada, que é o
primogênito;
17 mas ao filho da aborrecida reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada
porção de tudo quanto tiver, porquanto ele é as primícias da sua força; o
direito da primogenitura é dele.
18 Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedeça à voz de seu
pai e à voz de sua mãe, e que, embora o castiguem, não lhes dê ouvidos,
19 seu pai e sua mãe, pegando nele, o levarão aos anciãos da sua cidade, e à
porta do seu lugar;
20 e dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é contumaz e rebelde; não dá
ouvidos à nossa voz; é comilão e beberrão.
21 Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; assim
exterminarás o mal do meio de ti; e todo o Israel, ouvindo isso, temerá.
22 Se um homem tiver cometido um pecado digno de morte, e for morto, e o
tiveres pendurado num madeiro,
23 o seu cadáver não permanecerá toda a noite no madeiro, mas certamente o
enterrarás no mesmo dia; porquanto aquele que é pendurado é maldito de Deus.
Assim não contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança.
DEUTERONÔMIO
[22]
1 Se vires extraviado o boi
ou a ovelha de teu irmão, não te desviarás deles; sem falta os reconduzirás a
teu irmão.
2 E se teu irmão não estiver perto de ti ou não o conheceres, levá-los-ás para
tua casa e ficarão contigo até que teu irmão os venha procurar; então lhes
restiruirás.
3 Assim farás também com o seu jumento, bem como com as suas vestes, e com toda
coisa que teu irmão tiver perdido e tu achares; não te poderás desviar deles.
4 Se vires o jumento ou o boi de teu irmão caídos no caminho, não te desviarás
deles; sem falta o ajudarás a levantá-los.
5 Não haverá traje de homem na mulher, e não vestirá o homem vestido de mulher,
porque qualquer que faz isto é abominação ao Senhor teu Deus.
6 Se encontrares pelo caminho, numa árvore ou no chão, um ninho de ave com
passarinhos ou ovos, e a mãe posta sobre os passarinhos, ou sobre os ovos, não
temarás a mãe com os filhotes;
7 sem falta deixarás ir a mãe, porém os filhotes poderás tomar; para que te vá
bem, e para que prolongues os teus dias.
8 Quando edificares uma casa nova, farás no terraço um parapeito, para que não
tragas sangue sobre a tua casa, se alguém dali cair.
9 Não semearás a tua vinha de duas espécies de semente, para que não fique
sagrado todo o produto, tanto da semente que semeares como do fruto da vinha.
10 Não lavrarás com boi e jumento juntamente.
11 Não te vestirás de estofo misturado, de lã e linho juntamente.
12 Porás franjas nos quatro cantos da tua manta, com que te cobrires.
13 Se um homem tomar uma mulher por esposa, e, tendo coabitado com ela, vier a
desprezá-la,
14 e lhe atribuir coisas escandalosas, e contra ela divulgar má fama, dizendo:
Tomei esta mulher e, quando me cheguei a ela, não achei nela os sinais da
virgindade;
15 então o pai e a mãe da moça tomarão os sinais da virgindade da moça, e os
levarão aos anciãos da cidade, à porta;
16 e o pai da moça dirá aos anciãos: Eu dei minha filha por mulher a este
homem, e agora ele a despreza,
17 e eis que lhe atribuiu coisas escandalosas, dizendo: Não achei na tua filha
os sinais da virgindade; porém eis aqui os sinais da virgindade de minha filha.
E eles estenderão a roupa diante dos anciãos da cidade.
18 Então os anciãos daquela cidade, tomando o homem, o castigarão,
19 e, multando-o em cem siclos de prata, os darão ao pai da moça, porquanto divulgou
má fama sobre uma virgem de Israel. Ela ficará sendo sua mulher, e ele por
todos os seus dias não poderá repudiá-la.
20 Se, porém, esta acusação for confirmada, não se achando na moça os sinais da
virgindade,
21 levarão a moça à porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a
apedrejarão até que morra; porque fez loucura em Israel, prostiruindo-se na
casa de seu pai. Assim exterminarás o mal do meio de ti.
22 Se um homem for encontrado deitado com mulher que tenha marido, morrerão
ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher, e a mulher. Assim
exterminarás o mal de Israel.
23 Se houver moça virgem desposada e um homem a achar na cidade, e se deitar
com ela,
24 trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis até que morram: a
moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do
seu próximo. Assim exterminarás o mal do meio de ti.
25 Mas se for no campo que o homem achar a moça que é desposada, e o homem a
forçar, e se deitar com ela, morrerá somente o homem que se deitou com ela;
26 porém, à moça não farás nada. Não há na moça pecado digno de morte; porque,
como no caso de um homem que se levanta contra o seu próximo e lhe tira a vida,
assim é este caso;
27 pois ele a achou no campo; a moça desposada gritou, mas não houve quem a
livrasse. em juizo, entre sangue
28 Se um homem achar uma moça virgem não desposada e, pegando nela, deitar-se
com ela, e forem apanhados,
29 o homem que se deitou com a moça dará ao pai dela cinqüenta siclos de prata,
e porquanto a humilhou, ela ficará sendo sua mulher; não a poderá repudiar por
todos os seus dias.
30 Nenhum homem tomará a mulher de seu pai, e não levantará a cobertura de seu
pai.
DEUTERONÔMIO
[23]
1 Aquele a quem forem
trilhados os testículos, ou for cortado o membro viril, não entrará na
assembléia do Senhor.
2 Nenhum bastardo entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua décima
geração entrará na assembléia do Senhor.
3 Nenhum amonita nem moabita entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua
décima geração entrará jamais na assembléia do Senhor;
4 porquanto não saíram com pão e água a receber-vos no caminho, quando saíeis
do Egito; e, porquanto alugaram contra ti a Balaão, filho de Beor, de Petor, da
Mesopotâmia, para te amaldiçoar.
5 Contudo o Senhor teu Deus não quis ouvir a Balaão, antes trocou-te a maldição
em bênção; porquanto o Senhor teu Deus te amava.
6 Não lhes procurarás nem paz nem prosperidade por todos os teus dias para
sempre.
7 Não abominarás o edomeu, pois é teu irmão; nem abominarás o egípcio, pois
peregrino foste na sua terra.
8 Os filhos que lhes nascerem na terceira geração entrarão na assembléia do
Senhor.
9 Quando te acampares contra os teus inimigos, então te guardarás de toda coisa
má.
10 Se houver no meio de ti alguém que por algum acidente noturno não estiver
limpo, sairá fora do arraial; não entrará no meio dele.
11 Porém, ao cair da tarde, ele se lavará em água; e depois do sol posto,
entrará no meio do arraial.
12 Também terás um lugar fora do arraial, para onde sairás.
13 Entre os teus utensílios terás uma pá; e quando te assentares lá fora, então
com ela cavarás e, virando-te, cobrirás o teu excremento;
14 porquanto o Senhor teu Deus anda no meio do teu arraial, para te livrar, e
para te entregar a ti os teus inimigos; pelo que o teu arraial será santo, para
que ele não veja coisa impura em ti, e de ti se aparte.
15 Não entregarás a seu senhor o servo que, fugindo dele, se tiver acolhido a
ti;
16 contigo ficará, no meio de ti, no lugar que escolher em alguma das tuas
cidades, onde lhe agradar; não o oprimirás.
17 Não haverá dentre as filhas de Israel quem se prostitua no serviço do
templo, nem dentre os filhos de Israel haverá quem o faça;
18 não trarás o salário da prostituta nem o aluguel do sodomita para a casa do
Senhor teu Deus por qualquer voto, porque uma e outra coisa são igualmente
abomináveis ao Senhor teu Deus.
19 Do teu irmão não exigirás juros; nem de dinheiro, nem de comida, nem de
qualquer outra coisa que se empresta a juros.
20 Do estrangeiro poderás exigir juros; porém do teu irmão não os exigirás,
para que o Senhor teu Deus te abençoe em tudo a que puseres a mão, na terra à
qual vais para a possuíres.
21 Quando fizeres algum voto ao Senhor teu Deus, não tardarás em cumpri-lo;
porque o Senhor teu Deus certamente o requererá de ti, e em ti haverá pecado.
22 Se, porém, te abstiveres de fazer voto, não haverá pecado em ti.
23 O que tiver saído dos teus lábios guardarás e cumprirás, tal como
voluntariamente o votaste ao Senhor teu Deus, prometendo-o pela tua boca.
24 Quando entrares na vinha do teu próximo, poderás comer uvas conforme o teu
desejo, até te fartares, porém não as porás no teu alforje.
25 Quando entrares na seara do teu próximo, poderás colher espigas com a mão,
porém não meterás a foice na seara do teu próximo.
DEUTERONÔMIO
[24]
1 Quando um homem tomar uma
mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos, por haver ele
encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio e lha dará na
mão, e a despedirá de sua casa.
2 Se ela, pois, saindo da casa dele, for e se casar com outro homem,
3 e este também a desprezar e, fazendo-lhe carta de divórcio, lha der na mão, e
a despedir de sua casa; ou se este último homem, que a tomou para si por
mulher, vier a morrer;
4 então seu primeiro marido que a despedira, não poderá tornar a tomá-la por
mulher, depois que foi contaminada; pois isso é abominação perante o Senhor.
Não farás pecar a terra que o Senhor teu Deus te dá por herança.
5 Quando um homem for recém-casado não sairá à guerra, nem se lhe imporá cargo
público; por um ano inteiro ficará livre na sua casa, para se regozijar com a
sua mulher, que tomou.
6 Ninguém tomará em penhor as duas mós, nem mesmo a mó de cima, pois se
penhoraria assim a vida.
7 Se for descoberto alguém que, havendo furtado um dentre os seus irmãos, dos
filhos de Israel, e tenha escravizado, ou vendido, esse ladrão morrerá. Assim
exterminarás o mal do meio de ti.
8 No tocante à praga da lepra, toma cuidado de observar diligentemente tudo o
que te ensinarem os levitas sacerdotes; segundo lhes tenho ordenado, assim
cuidarás de fazer.
9 Lembra-te do que o Senhor teu Deus fez a Miriã no caminho, quando saíste do
Egito.
10 Quando emprestares alguma coisa ao teu próximo, não entrarás em sua casa
para lhe tirar o penhor;
11 ficarás do lado de fora, e o homem, a quem fizeste o empréstimo, te trará
para fora o penhor.
12 E se ele for pobre, não te deitarás com o seu penhor;
13 ao pôr do sol, sem falta lhe restiruirás o penhor, para que durma na sua
roupa, e te abençoe; e isso te será justiça diante do Senhor teu Deus.
14 Não oprimirás o trabalhador pobre e necessitado, seja ele de teus irmãos, ou
seja dos estrangeiros que estão na tua terra e dentro das tuas portas.
15 No mesmo dia lhe pagarás o seu salário, e isso antes que o sol se ponha;
porquanto é pobre e está contando com isso; para que não clame contra ti ao
Senhor, e haja em ti pecado.
16 Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada
qual morrerá pelo seu próprio pecado.
17 Não perverterás o direito do estrangeiro nem do órfão; nem tomarás em penhor
o vestido da viúva.
18 Lembrar-te-ás de que foste escravo no Egito, e de que o Senhor teu Deus te
resgatou dali; por isso eu te dou este mandamento para o cumprires.
19 Quando no teu campo fizeres a tua sega e esqueceres um molho no campo, não
voltarás para tomá-lo; para o estrangeiro para o orfão, e para a viúva será,
para que o Senhor teu Deus te abençoe em todas as obras das tuas mãos.
20 Quando bateres a tua oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos;
para o estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será.
21 Quando vindimares a tua vinha, não voltarás para rebuscá-la; para o
estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será.
22 E lembrar-te-ás de que foste escravo na terra do Egito; por isso eu te dou
este mandamento para o cumprires.
DEUTERONÔMIO
[25]
1 Se houver contenda entre
alguns, e vierem a juízo para serem julgados, justificar-se-á ao inocente, e ao
culpado condenar-se-á.
2 E se o culpado merecer açoites, o juiz fará que ele se deite e seja açoitado
na sua presença, de acordo com a gravidade da sua culpa.
3 Até quarenta açoites lhe poderá dar, não mais; para que, porventura, se lhe
der mais açoites do que estes, teu irmão não fique envilecido aos teus olhos.
4 Não atarás a boca ao boi quando estiver debulhando.
5 Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer sem deixar filho, a mulher do
falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela,
e a tomará por mulher, fazendo a obrigação de cunhado para com ela.
6 E o primogênito que ela lhe der sucederá ao nome do irmão falecido, para que
o nome deste não se apague de Israel.
7 Mas, se o homem não quiser tomar sua cunhada, esta subirá à porta, aos
anciãos, e dirá: Meu cunhado recusa suscitar a seu irmão nome em Israel; não
quer cumprir para comigo o dever de cunhado.
8 Então os anciãos da sua cidade o chamarão, e falarão com ele. Se ele
persistir, e disser: Não quero tomá-la;
9 sua cunhada se chegará a ele, na presença dos anciãos, e lhe descalçará o
sapato do pé, e lhe cuspirá ao rosto, e dirá: Assim se fará ao homem que não
edificar a casa de seu irmão.
10 E sua casa será chamada em Israel a casa do descalçado.
11 Quando pelejarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar
para livrar a seu marido da mão daquele que o fere, e ela, estendendo a mão,
lhe pegar pelas suas vergonhas,
12 decepar-lhe-á a mão; o teu olho não terá piedade dela.
13 Não terás na tua bolsa pesos diferentes, um grande e um pequeno.
14 Não terás na tua casa duas efas, uma grande e uma pequena.
15 Terás peso inteiro e justo; terás efa inteira e justa; para que se
prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.
16 Porque é abominável ao Senhor teu Deus todo aquele que faz tais coisas, todo
aquele que pratica a injustiça.
17 Lembra-te do que te fez Amaleque no caminho, quando saías do Egito;
18 como te saiu ao encontro no caminho e feriu na tua retaguarda todos os
fracos que iam após ti, estando tu cansado e afadigado; e não temeu a Deus.
19 Quando, pois, o Senhor teu Deus te houver dado repouso de todos os teus
inimigos em redor, na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança para a
possuíres, apagarás a memória de Amaleque de debaixo do céu; não te esquecerás.
DEUTERONÔMIO
[26]
1 Também, quando tiveres
entrado na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança, e a possuíres, e nela
habitares,
2 tomarás das primícias de todos os frutos do solo que trouxeres da terra que o
senhor teu Deus te dá, e as porás num cesto, e irás ao lugar que o Senhor teu
Deus escolher para ali fazer habitar o seu nome.
3 E irás ao sacerdote que naqueles dias estiver de serviço, e lhe dirás: Hoje
declaro ao Senhor teu Deus que entrei na terra que o senhor com juramento
prometeu a nossos pais que nos daria.
4 O sacerdote, pois, tomará o cesto da tua mão, e o porá diante do altar do
Senhor teu Deus.
5 E perante o Senhor teu Deus dirás: Arameu prestes a perecer era meu pai; e
desceu ao Egito com pouca gente, para ali morar; e veio a ser ali uma nação
grande, forte e numerosa.
6 Mas os egípcios nos maltrataram e nos afligiram, e nos impuseram uma dura
servidão.
7 Então clamamos ao Senhor Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz, e
atentou para a nossa aflição, o nosso trabalho, e a nossa opressão;
8 e o Senhor nos tirou do Egito com mão forte e braço estendido, com grande
espanto, e com sinais e maravilhas;
9 e nos trouxe a este lugar, e nos deu esta terra, terra que mana leite e mel.
10 E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor,
me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás;
11 e te alegrarás por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti e à tua
casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.
12 Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita do terceiro ano,
que é o ano dos dízimos, dá-los-ás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à
viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem.
13 E dirás perante o Senhor teu Deus: Tirei da minha casa as coisas
consagradas, e as dei ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, conforme
todos os teus mandamentos que me tens ordenado; não transgredi nenhum dos teus
mandamentos, nem deles me esqueci.
14 Delas não comi no meu luto, nem delas tirei coisa alguma estando eu imundo,
nem delas dei para algum morto; ouvi a voz do senhor meu Deus; conforme tudo o
que me ordenaste, tenho feito.
15 Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo de
Israel, e a terra que nos deste, como juraste a nossos pais, terra que mana
leite e mel.
16 Neste dia o Senhor teu Deus te manda observar estes estatutos e preceitos;
portanto os guardarás e os observarás com todo o teu coração e com toda a tua
alma.
17 Hoje declaraste ao Senhor que ele te será por Deus, e que andarás nos seus
caminhos, e guardarás os seus estatutos, os seus mandamentos e os seus
preceitos, e darás ouvidos à sua voz.
18 Outrossim, o Senhor hoje te declarou que lhe serás por seu próprio povo,
como te tem dito, e que deverás guardar todos os seus mandamentos;
19 para assim te exaltar em honra, em fama e em glória sobre todas as nações
que criou; e para que sejas um povo santo ao Senhor teu Deus, como ele disse.
DEUTERONÔMIO
[27]
1 Moisés, com os anciãos de
Israel, deu ordem ao povo, dizendo: Guardai todos estes mandamentos que eu hoje
vos ordeno.
2 E no dia em que passares o Jordão para a terra que o Senhor teu Deus te dá,
levantarás umas pedras grandes e as caiarás.
3 E escreverás nelas todas as palavras desta lei, quando tiveres passado para
entrar na terra que o Senhor teu Deus te dá, terra que mana leite e mel, como o
Senhor, o Deus de teus pais, te prometeu.
4 Quando, pois, houverdes passado o Jordão, levantareis no monte Ebal estas
pedras, como eu hoje vos ordeno, e as caiareis.
5 Também ali edificarás um altar ao Senhor teu Deus, um altar de pedras; não
alçarás ferramenta sobre elas.
6 De pedras brutas edificarás o altar do Senhor teu Deus, e sobre ele
oferecerás holocaustos ao Senhor teu Deus.
7 Também sacrificarás ofertas pacíficas, e ali comerás, e te alegrarás perante
o Senhor teu Deus.
8 Naquelas pedras escreverás todas as palavras desta lei, gravando-as bem
nitidamente.
9 Falou mais Moisés, e os levitas sacerdotes, a todo o Israel, dizendo: Guarda
silêncio, e ouve, ó Israel! hoje vieste a ser o povo do Senhor teu Deus.
10 Portanto obedecerás à voz do Senhor teu Deus, e cumprirás os seus
mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno.
11 Nesse mesmo dia Moisés deu ordem ao povo, dizendo:
12 Quando houverdes passado o Jordão, estes estarão sobre o monte Gerizim, para
abençoarem o povo: Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim;
13 e estes estarão sobre o monte Ebal para pronunciarem a maldição: Rúben,
Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali.
14 E os levitas dirão em alta voz a todos os homens de Israel:
15 Maldito o homem que fizer imagem esculpida, ou fundida, abominação ao
Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o
povo, respondendo, dirá: Amém.
16 Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. E todo o povo dirá:
Amém.
17 Maldito aquele que remover os marcos do seu próximo. E todo o povo dirá:
Amém.
18 Maldito aquele que fizer que o cego erre do caminho. E todo o povo dirá:
Amém.
19 Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva.
E todo o povo dirá: Amém,
20 Maldito aquele que se deitar com a mulher de seu pai, porquanto levantou a
cobertura de seu pai. E todo o povo dirá: Amém.
21 Maldito aquele que se deitar com algum animal. E todo o povo dirá: Amem.
22 Maldito aquele que se deitar com sua irmã, filha de seu pai, ou filha de sua
mãe. E todo o povo dirá: Amém.
23 Maldito aquele que se deitar com sua sogra. E todo o povo dirá: Amém.
24 Maldito aquele que ferir ao seu próximo em oculto. E todo o povo dirá: Amém.
25 Maldito aquele que receber peita para matar uma pessoa inocente. E todo o
povo dirá: Amém.
26 Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, para as cumprir. E
todo o povo dirá: Amém.
DEUTERONÔMIO
[28]
1 Se ouvires atentamente a
voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que
eu hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da
terra;
2 e todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, se ouvires a voz do
Senhor teu Deus:
3 Bendito serás na cidade, e bendito serás no campo.
4 Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto do teu solo, e o fruto dos teus
animais, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas.
5 Bendito o teu cesto, e a tua amassadeira.
6 Bendito serás quando entrares, e bendito serás quando saíres.
7 O Senhor entregará, feridos diante de ti, os teus inimigos que se levantarem
contra ti; por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos rugirão da
tua presença.
8 O Senhor mandará que a bênção esteja contigo nos teus celeiros e em tudo a
que puseres a tua mão; e te abençoará na terra que o Senhor teu Deus te dá.
9 O Senhor te confirmará para si por povo santo, como te jurou, se guardares os
mandamentos do Senhor teu Deus e andares nos seus caminhos.
10 Assim todos os povos da terra verão que és chamado pelo nome do Senhor, e
terão temor de ti.
11 E o Senhor te fará prosperar grandemente no fruto do teu ventre, no fruto
dos teus animais e no fruto do teu solo, na terra que o Senhor, com juramento,
prometeu a teus pais te dar.
12 O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar à tua terra a chuva no
seu tempo, e para abençoar todas as obras das tuas mãos; e emprestarás a muitas
nações, porém tu não tomarás emprestado.
13 E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás por cima, e não
por baixo; se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que eu hoje te
ordeno, para os guardar e cumprir,
14 não te desviando de nenhuma das palavras que eu hoje te ordeno, nem para a
direita nem para a esquerda, e não andando após outros deuses, para os
servires.
15 Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir
todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão
sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão:
16 Maldito serás na cidade, e maldito serás no campo.
17 Maldito o teu cesto, e a tua amassadeira.
18 Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto do teu solo, e as crias das tuas
vacas e das tuas ovelhas.
19 Maldito serás ao entrares, e maldito serás ao saíres.
20 O Senhor mandará sobre ti a maldição, a derrota e o desapontamento, em tudo
a que puseres a mão para fazer, até que sejas destruído, e até que
repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me
deixaste.
21 O Senhor fará pegar em ti a peste, até que te consuma da terra na qual estás
entrando para a possuíres.
22 O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, com a inflamação, com o calor
forte, com a seca, com crestamento e com ferrugem, que te perseguirão até que
pereças
23 O céu que está sobre a tua cabeça será de bronze, e a terra que está debaixo
de ti será de ferro.
24 O Senhor dará por chuva à tua terra pó; do céu descerá sobre ti a poeira,
ate que sejas destruído.
25 O Senhor fará que sejas ferido diante dos teus inimigos; por um caminho
sairás contra eles, e por sete caminhos fugirás deles; e serás espetáculo
horrendo a todos os reinos da terra.
26 Os teus cadáveres servirão de pasto a todas as aves do céu, e aos animais da
terra, e não haverá quem os enxote.
27 O Senhor te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores, com sarna e com
coceira, de que não possas curar-te;
28 o Senhor te ferirá com loucura, com cegueira, e com pasmo de coração.
29 Apalparás ao meio-dia como o cego apalpa nas trevas, e não prosperarás nos
teus caminhos; serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te
salve.
30 Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás
uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não a desfrutarás.
31 O teu boi será morto na tua presença, porém dele não comerás; o teu jumento
será roubado diante de ti, e não te será restituído a ti; as tuas ovelhas serão
dadas aos teus inimigos, e não haverá quem te salve.
32 Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo, os teus olhos o verão, e
desfalecerão de saudades deles todo o dia; porém não haverá poder na tua mão.
33 O fruto da tua terra e todo o teu trabalho comê-los-á um povo que nunca
conheceste; e serás oprimido e esmagado todos os dias.
34 E enlouquecerás pelo que hás de ver com os teus olhos.
35 Com úlceras malignas, de que não possas sarar, o Senhor te ferirá nos
joelhos e nas pernas, sim, desde a planta do pé até o alto da cabeça.
36 O Senhor te levará a ti e a teu rei, que tiveres posto sobre ti, a uma nação
que não conheceste, nem tu nem teus pais; e ali servirás a outros deuses, ao
pau e à pedra.
37 E virás a ser por pasmo, provérbio e ludíbrio entre todos os povos a que o
Senhor te levar.
38 Levarás muita semente para o teu campo, porem colherás pouco; porque o
gafanhoto a consumirá.
39 Plantarás vinhas, e as cultivarás, porém não lhes beberás o vinho, nem colherás
as uvas; porque o bicho as devorará.
40 Terás oliveiras em todos os teus termos, porém não te ungirás com azeite;
porque a azeitona te cairá da oliveira.
41 Filhos e filhas gerarás, porém não te pertencerão; porque irão em cativeiro.
42 Todo o teu arvoredo e o fruto do teu solo consumi-los-á o gafanhoto.
43 O estrangeiro que está no meio de ti se elevará cada vez mais sobre ti, e tu
cada vez mais descerás;
44 ele emprestará a ti, porém tu não emprestarás a ele; ele será a cabeça, e tu
serás a cauda.
45 Todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até
que sejas destruído, por não haveres dado ouvidos à voz do Senhor teu Deus,
para guardares os seus mandamentos, e os seus estatutos, que te ordenou.
46 Estarão sobre ti por sinal e por maravilha, como também sobre a tua
descendencia para sempre.
47 Por não haveres servido ao Senhor teu Deus com gosto e alegria de coração,
por causa da abundância de tudo,
48 servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, em fome e sede,
e em nudez, e em falta de tudo; e ele porá sobre o teu pescoço um jugo de
ferro, até que te haja destruído.
49 O Senhor levantará contra ti de longe, da extremidade da terra, uma nação
que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás;
50 nação de rosto feroz, que não respeitará ao velho, nem se compadecerá do
moço;
51 e comerá o fruto dos teus animais e o fruto do teu solo, até que sejas
destruído; e não te deixará grão, nem mosto, nem azeite, nem as crias das tuas
vacas e das tuas ovelhas, até que te faça perecer;
52 e te sitiará em todas as tuas portas, até que em toda a tua terra venham a
cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas; sim, te sitiará em todas
as tuas portas, em toda a tua terra que o Senhor teu Deus te deu.
53 E, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertarão, comerás o
fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que o Senhor teu
Deus te houver dado.
54 Quanto ao homem mais mimoso e delicado no meio de ti, o seu olho será
mesquinho para com o seu irmão, para com a mulher de seu regaço, e para com os
filhos que ainda lhe ficarem de resto;
55 de sorte que não dará a nenhum deles da carne de seus filhos que ele comer,
porquanto nada lhe terá ficado de resto no cerco e no aperto com que o teu
inimigo te apertará em todas as tuas portas.
56 Igualmente, quanto à mulher mais mimosa e delicada no meio de ti, que de
mimo e delicadeza nunca tentou pôr a planta de seu pé sobre a terra, será
mesquinho o seu olho para com o homem de seu regaço, para com seu filho, e para
com sua filha;
57 também ela será mesquinha para com as suas páreas, que saírem dentre os seus
pés, e para com os seus filhos que tiver; porque os comerá às escondidas pela
falta de tudo, no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertará nas tuas
portas.
58 Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, que estão
escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e temível, o Senhor teu
Deus;
59 então o Senhor fará espantosas as tuas pragas, e as pragas da tua
descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades malignas e
duradouras;
60 e fará tornar sobre ti todos os males do Egito, de que tiveste temor; e eles
se apegarão a ti.
61 Também o Senhor fará vir a ti toda enfermidade, e toda praga que não está
escrita no livro desta lei, até que sejas destruído.
62 Assim ficareis poucos em número, depois de haverdes sido em multidão como as
estrelas do céu; porquanto não deste ouvidos à voz do Senhor teu Deus.
63 E será que, assim como o Senhor se deleitava em vós, para fazer-vos o bem e
multiplicar-vos, assim o Senhor se deleitará em destruir-vos e consumir-vos; e
sereis desarraigados da terra na qual estais entrando para a possuirdes.
64 E o Senhor vos espalhará entre todos os povos desde uma extremidade da terra
até a outra; e ali servireis a outros deuses que não conhecestes, nem vós nem
vossos pais, deuses de pau e de pedra.
65 E nem ainda entre estas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá
repouso; mas o Senhor ali te dará coração tremente, e desfalecimento de olhos,
e desmaio de alma.
66 E a tua vida estará como em suspenso diante de ti; e estremecerás de noite e
de dia, e não terás segurança da tua própria vida.
67 Pela manhã dirás: Ah! quem me dera ver a tarde; E à tarde dirás: Ah! quem me
dera ver a manhã! pelo pasmo que terás em teu coração, e pelo que verás com os
teus olhos.
68 E o Senhor te fará voltar ao Egito em navios, pelo caminho de que te disse:
Nunca mais o verás. Ali vos poreis a venda como escravos e escravas aos vossos
inimigos, mas não haverá quem vos compre.
DEUTERONÔMIO
[29]
1 Estas são as palavras do
pacto que o Senhor ordenou a Moisés que fizesse com os filhos de Israel na
terra de Moabe, além do pacto que fizera com eles em Horebe.
2 Chamou, pois, Moisés a todo o Israel, e disse-lhes: Vistes tudo quanto o
Senhor fez perante vossos olhos, na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus
servos e a toda a sua terra;
3 as grandes provas que os teus olhos viram, os sinais e aquelas grandes
maravilhas.
4 Mas até hoje o Senhor não vos tem dado um coração para entender, nem olhos
para ver, nem ouvidos para ouvir.
5 Quarenta anos vos fiz andar pelo deserto; não se envelheceu sobre vós a vossa
roupa, nem o sapato no vosso pé.
6 Pão não comestes, vinho e bebida forte não bebestes; para que soubésseis que
eu sou o Senhor vosso Deus.
7 Quando, pois, viemos a este lugar, Siom, rei de Hesbom, e Ogue, rei de Basã,
nos saíram ao encontro, à peleja, e nós os ferimos;
8 e lhes tomamos a terra, e a demos por herança aos rubenitas, aos gaditas e à
meia tribo dos manassitas.
9 Guardai, pois, as palavras deste pacto e cumpri-as, para que prospereis em
tudo quanto fizerdes.
10 Vós todos estais hoje perante o Senhor vosso Deus: os vossos cabeças, as
vossas tribos, os vossos anciãos e os vossos oficiais, a saber, todos os homens
de Israel,
11 os vossos pequeninos, as vossas mulheres, e o estrangeiro que está no meio
do vosso arraial, tanto o rachador da vossa lenha como o tirador da vossa água;
12 para entrardes no pacto do Senhor vosso Deus, e no seu juramento que o
Senhor vosso Deus hoje faz convosco;
13 para que hoje vos estabeleça por seu povo, e ele vos seja por Deus, como vos
disse e como prometeu com juramento a vossos pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó.
14 Ora, não é somente convosco que faço este pacto e este juramento,
15 mas é com aquele que hoje está aqui conosco perante o Senhor nosso Deus, e
também com aquele que hoje não está aqui conosco
16 (porque vós sabeis como habitamos na terra do Egito, e como passamos pelo
meio das nações, pelas quais passastes;
17 e vistes as suas abominações, os seus ídolos de pau e de pedra, de prata e
de ouro, que havia entre elas);
18 para que entre vós não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo, cujo
coração hoje se desvie do Senhor nosso Deus, e vá servir aos deuses dessas nações;
para que entre vós não haja raiz que produza veneno e fel,
19 e aconteça que alguém, ouvindo as palavras deste juramento, se abençoe no
seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande na teimosia do meu coração para
acrescentar à sede a bebedeira.
20 O Senhor não lhe quererá perdoar, pelo contrário fumegará contra esse homem
a ira do Senhor, e o seu zelo, e toda maldição escrita neste livro pousará
sobre ele, e o Senhor lhe apagará o nome de debaixo do céu.
21 Assim o Senhor o separará para mal, dentre todas as tribos de Israel,
conforme todas as maldições do pacto escrito no livro desta lei.
22 Pelo que a geração vindoura - os vossos filhos que se levantarem depois de
vós - e o estrangeiro que vier de terras remotas dirão, ao verem as pragas
desta terra, e as suas doenças, com que o Senhor a terá afligido,
23 e que toda a sua terra é enxofre e sal e abrasamento, de sorte que não será
semeada, e nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma, assim como foi a
destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o Senhor destruiu
na sua ira e no seu furor;
24 sim, todas as nações dirão: Por que fez o Senhor assim com esta terra? Que
significa o furor de tamanha ira?
25 Então se dirá: Porquanto deixaram o pacto do Senhor, o Deus de seus pais,
que tinha feito com eles, quando os tirou da terra do Egito;
26 e se foram e serviram a outros deuses, e os adoraram; deuses que eles não
tinham conhecido, e que lhes não foram dados;
27 por isso é que a ira do Senhor se acendeu contra esta terra, para trazer sobre
ela toda maldição que está escrita neste livro;
28 e o Senhor os arrancou da sua terra com ira, com furor e com grande
indignação, e os lançou em outra terra, como neste dia se vê.
29 As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas nos
pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que observemos todas as
palavras desta lei.
DEUTERONÔMIO
[30]
1 Quando te sobrevierem todas
estas coisas, a bênção ou a maldição, que pus diante de ti, e te recordares
delas entre todas as nações para onde o Senhor teu Deus te houver lançado,
2 e te converteres ao Senhor teu Deus, e obedeceres à sua voz conforme tudo o
que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua
alma,
3 o Senhor teu Deus te fará voltar do teu cativeiro, e se compadecerá de ti, e
tornará a ajuntar-te dentre todos os povos entre os quais te houver espalhado o
senhor teu Deus.
4 Ainda que o teu desterro tenha sido para a extremidade do céu, desde ali te
ajuntará o Senhor teu Deus, e dali te tomará;
5 e o Senhor teu Deus te trará à terra que teus pais possuíram, e a possuirás;
e te fará bem, e te multiplicará mais do que a teus pais.
6 Também o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua
descendência, a fim de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de
toda a tua alma, para que vivas.
7 E o Senhor teu Deus porá todas estas maldições sobre os teus inimigos, sobre
aqueles que te tiverem odiado e perseguido.
8 Tu te tornarás, pois, e obedecerás à voz do Senhor, e observarás todos os
seus mandamentos que eu hoje te ordeno.
9 Então o Senhor teu Deus te fará prosperar grandemente em todas as obras das
tuas mãos, no fruto do teu ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto do
teu solo; porquanto o Senhor tornará a alegrar-se em ti para te fazer bem, como
se alegrou em teus pais;
10 quando obedeceres à voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e
os seus estatutos, escritos neste livro da lei; quando te converteres ao Senhor
teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma.
11 Porque este mandamento, que eu hoje te ordeno, não te é difícil demais, nem
tampouco está longe de ti.
12 Não está no céu para dizeres: Quem subirá por nós ao céu, e no-lo trará, e
no-lo fará ouvir, para que o cumpramos?
13 Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, e
no-lo trará, e no-lo fará ouvir, para que o cumpramos?
14 Mas a palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a
cumprires.
15 Vê que hoje te pus diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal.
16 Se guardares o mandamento que eu hoje te ordeno de amar ao Senhor teu Deus,
de andar nos seus caminhos, e de guardar os seus mandamentos, os seus estatutos
e os seus preceitos, então viverás, e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te
abençoará na terra em que estás entrando para a possuíres.
17 Mas se o teu coração se desviar, e não quiseres ouvir, e fores seduzido para
adorares outros deuses, e os servires,
18 declaro-te hoje que certamente perecerás; não prolongarás os dias na terra
para entrar na qual estás passando o Jordão, a fim de a possuíres.
19 O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de
ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que
vivas, tu e a tua descendência,
20 amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois
ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; e para que habites na terra
que o Senhor prometeu com juramento a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó,
que lhes havia de dar.
DEUTERONÔMIO
[31]
1 Prosseguindo Moisés, falou
ainda estas palavras a todo o Israel,
2 dizendo-lhes: Cento e vinte anos tenho eu hoje. Já não posso mais sair e
entrar; e o Senhor me disse: Não passarás este Jordão.
3 O Senhor teu Deus passará adiante de ti; ele destruirá estas nações de diante
de ti, para que as possuas. Josué passará adiante de ti, como o Senhor disse.
4 E o Senhor lhes fará como fez a Siom e a Ogue, reis dos amorreus, e à sua
terra, aos quais destruiu.
5 Quando, pois, o Senhor vo-los entregar, fareis com eles conforme todo o
mandamento que vos tenho ordenado.
6 Sede fortes e corajosos; não temais, nem vos atemorizeis diante deles; porque
o Senhor vosso Deus é quem vai convosco. Não vos deixará, nem vos desamparará.
7 Então chamou Moisés a Josué, e lhe disse à vista de todo o Israel: Sê forte e
corajoso, porque tu entrarás com este povo na terra que o Senhor, com
juramento, prometeu a teus pais lhes daria; e tu os farás herdá-la.
8 O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará,
nem te desamparará. Não temas, nem te espantes.
9 Moisés escreveu esta lei, e a entregou aos sacerdotes, filhos de Levi, que
levavam a arca do pacto do Senhor, e a todos os anciãos de Israel.
10 Também Moisés lhes deu ordem, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo
determinado do ano da remissão, na festa dos tabernáculos,
11 quando todo o Israel vier a comparecer perante ao Senhor teu Deus, no lugar
que ele escolher, lereis esta lei diante de todo o Israel, para todos ouvirem.
12 Congregai o povo, homens, mulheres e pequeninos, e os estrangeiros que estão
dentro das vossas portas, para que ouçam e aprendam, e temam ao Senhor vosso
Deus, e tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei;
13 e que seus filhos que não a souberem ouçam, e aprendam a temer ao Senhor
vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra a qual estais passando o
Jordão para possuir.
14 Também disse o Senhor a Moisés: Eis que vem chegando o dia em que hás de
morrer. Chama a Josué, e apresentai-vos na tenda da revelação, para que eu lhe
dê ordens. Assim foram Moisés e Josué, e se apresentaram na tenda da revelação.
15 Então o Senhor apareceu na tenda, na coluna de nuvem; e a coluna de nuvem
parou sobre a porta da tenda.
16 E disse o Senhor a Moisés: Eis que dormirás com teus pais; e este povo se
levantará, e se prostituirá indo após os deuses estranhos da terra na qual está
entrando, e me deixará, e quebrará o meu pacto, que fiz com ele.
17 Então se acenderá a minha ira naquele dia contra ele, e eu o deixarei, e
dele esconderei o meu rosto, e ele será devorado. Tantos males e angústias o
alcançarão, que dirá naquele dia: Não é, porventura, por não estar o meu Deus
comigo, que me sobrevieram estes males?
18 Esconderei pois, totalmente o meu rosto naquele dia, por causa de todos os
males que ele tiver feito, por se haver tornado para outros deuses.
19 Agora, pois, escrevei para vós este cântico, e ensinai-o aos filhos de
Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me sirva por testemunha
contra o povo de Israel.
20 Porque o introduzirei na terra que, com juramento, prometi a seus pais,
terra que mana leite e mel; comerá, fartar-se-á, e engordará; então,
tornando-se para outros deuses, os servirá, e me desprezará, violando o meu
pacto.
21 E será que, quando lhe sobrevierem muitos males e angústias, então este
cântico responderá contra ele por testemunha, pois não será esquecido da boca
de sua descendência; porquanto conheço a sua imaginação, o que ele maquina
hoje, antes de eu o ter introduzido na terra que lhe prometi com juramento.
22 Assim Moisés escreveu este cântico naquele dia, e o ensinou aos filhos de
Israel.
23 E ordenou o Senhor a Josué, filho de Num, dizendo: sê forte e corajoso,
porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que, com juramento, lhes
prometi; e eu serei contigo.
24 Ora, tendo Moisés acabado de escrever num livro todas as palavras desta lei,
25 deu ordem aos levitas que levavam a arca do pacto do Senhor, dizendo:
26 Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca do pacto do Senhor vosso
Deus, para que ali esteja por testemunha contra vós.
27 Porque conheço a vossa rebeldia e a vossa dura cerviz; eis que, vivendo eu
ainda hoje convosco, rebeldes fostes contra o Senhor; e quanto mais depois da
minha morte!
28 Congregai perante mim todos os anciãos das vossas tribos, e vossos oficiais,
para que eu fale estas palavras aos seus ouvidos, e tome por testemunhas contra
eles o céu e a terra.
29 Porque eu sei que depois da minha morte certamente vos corrompereis, e vos
desviareis do caminho que vos ordenei; então este mal vos sobrevirá nos últimos
dias, quando fizerdes o que é mau aos olhos do Senhor, para o provocar à ira
com a obra das vossas mãos.
30 Então Moisés proferiu todas as palavras deste cântico, ouvindo-o toda a
assembléia de Israel:
DEUTERONÔMIO
[32]
1 Inclinai os ouvidos, ó
céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca.
2 Caia como a chuva a minha doutrina; destile a minha palavra como o orvalho,
como chuvisco sobre a erva e como chuvas sobre a relva.
3 Porque proclamarei o nome do Senhor; engrandecei o nosso Deus.
4 Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são
justos; Deus é fiel e sem iniqüidade; justo e reto é ele.
5 Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, e isso é a sua mancha; geração
perversa e depravada é.
6 É assim que recompensas ao Senhor, povo louco e insensato? não é ele teu pai,
que te adquiriu, que te fez e te estabeleceu?
7 Lembra-te dos dias da antigüidade, atenta para os anos, geração por geração;
pergunta a teu pai, e ele te informará, aos teus anciãos, e eles to dirão.
8 Quando o Altíssimo dava às nações a sua herança, quando separava os filhos
dos homens, estabeleceu os termos dos povos conforme o número dos filhos de
Israel.
9 Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.
10 Achou-o numa terra deserta, e num erma de solidão e horrendos uivos;
cercou-o de proteção; cuidou dele, guardando-o como a menina do seu olho.
11 Como a águia desperta o seu ninho, adeja sobre os seus filhos e, estendendo as
suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas,
12 assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho.
13 Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comer os frutos do campo;
também o fez chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira,
14 coalhada das vacas e leite das ovelhas, com a gordura dos cordeiros, dos
carneiros de Basã, e dos bodes, com o mais fino trigo; e por vinho bebeste o
sangue das uvas.
15 E Jesurum, engordando, recalcitrou (tu engordaste, tu te engrossaste e te
cevaste); então abandonou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua
salvação.
16 Com deuses estranhos o moveram a zelos; com abominações o provocaram à ira:
17 Ofereceram sacrifícios aos demônios, não a Deus, a deuses que não haviam
conhecido, deuses novos que apareceram há pouco, aos quais os vossos pais não
temeram.
18 Olvidaste a Rocha que te gerou, e te esqueceste do Deus que te formou.
19 Vendo isto, o Senhor os desprezou, por causa da provocação que lhe fizeram
seus filhos e suas filhas;
20 e disse: Esconderei deles o meu rosto, verei qual será o seu fim, porque
geração perversa são eles, filhos em quem não hà fidelidade.
21 A zelos me provocaram cem aquilo que não é Deus, com as suas vaidades me
provocaram à ira; portanto eu os provocarei a zelos com aquele que não é povo,
com uma nação insensata os despertarei à ira.
22 Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arde até o mais profundo do Seol,
e devora a terra com o seu fruto, e abrasa os fundamentos dos montes.
23 Males amontoarei sobre eles, esgotarei contra eles as minhas setas.
24 Consumidos serão de fome, devorados de raios e de amarga destruição; e
contra eles enviarei dentes de feras, juntamente com o veneno dos que se
arrastam no pó.
25 Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor, tanto ao mancebo como à
virgem, assim à criança de peito como ao homem encanecido.
26 Eu teria dito: Por todos os cantos os espalharei, farei cessar a sua memória
dentre os homens,
27 se eu não receasse a vexação da parte do inimigo, para que os seus
adversários, iludindo-se, não dissessem: A nossa mão está exaltada; não foi o
Senhor quem fez tudo isso.
28 Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento.
29 Se eles fossem sábios, entenderiam isso, e atentariam para o seu fim!
30 Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer rugir dez mil, se a sua Rocha
não os vendera, e o Senhor não os entregara?
31 Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo até os nossos inimigos
juízes disso.
32 Porque a sua vinha é da vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas
uvas são uvas venenosas, seus cachos são amargos.
33 O seu vinho é veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras.
34 Não está isto encerrado comigo? selado nos meus tesouros?
35 Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo em que resvalar o seu pé; porque
o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder se
apressam a chegar.
36 Porque o Senhor vindicará ao seu povo, e se arrependerá no tocante aos seus
servos, quando vir que o poder deles já se foi, e que não resta nem escravo nem
livre.
37 Então dirá: Onde estão os seus deuses, a rocha em que se refugiavam,
38 os que comiam a gordura dos sacrifícios deles e bebiam o vinho das suas
ofertas de libação? Levantem-se eles, e vos ajudem, a fim de que haja agora
refúgio para vós.
39 Vede agora que eu, eu o sou, e não há outro deus além de mim; eu faço morrer
e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar da minha mão.
40 Pois levanto a minha mão ao céu, e digo: Como eu vivo para sempre,
41 se eu afiar a minha espada reluzente, e a minha mão travar do juízo, então
retribuirei vingança aos meus adversários, e recompensarei aos que me odeiam.
42 De sangue embriagarei as minhas setas, e a minha espada devorará carne; do
sangue dos mortes e dos cativos, das cabeças cabeludas dos inimigos
43 Aclamai, ó nações, com alegria, o povo dele, porque ele vingará o sangue dos
seus servos; aos seus adversários retribuirá vingança, e fará expiação pela sua
terra e pelo seu povo.
44 Veio, pois, Moisés, e proferiu todas as palavras deste cântico na presença
do povo, ele e Oséias, filho de Num.
45 E, acabando Moisés de falar todas essas palavras a todo o Israel,
46 disse-lhes: Aplicai o vosso coração a todas as palavras que eu hoje vos
testifico, as quais haveis de recomendar a vossos filhos, para que tenham
cuidado de cumprir todas as palavras desta lei.
47 Porque esta palavra não vos é vã, mas é a vossa vida, e por esta mesma
palavra prolongareis os dias na terra à qual ides, passando o Jordão, para a
possuir.
48 Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo:
49 Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe,
defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por
possessão;
50 e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo; assim como
Arão, teu irmão, morreu no monte Hor, e se recolheu ao seu povo;
51 porquanto pecastes contra mim no meio dos filhos de Israel, junto às águas
de Meribá de Cades, no deserto de Zim, pois não me santificastes no meio dos
filhos de Israel.
52 Pelo que verás a terra diante de ti, porém lá não entrarás, na terra que eu
dou aos filhos de Israel.
DEUTERONÔMIO
[33]
1 Esta é a bênção com que
Moisés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel antes da sua morte.
2 Disse ele: O Senhor veio do Sinai, e de Seir raiou sobre nós; resplandeceu
desde o monte Parã, e veio das miríades de santos; à sua direita havia para
eles o fogo da lei.
3 Na verdade ama o seu povo; todos os seus santos estão na sua mão; postos
serão no meio, entre os teus pés, e cada um receberá das tuas palavras.
4 Moisés nos prescreveu uma lei, uma herança para a assembléia de Jacó.
5 E tornou-se rei em Jesurum, quando se congregaram os cabeças do povo
juntamente com as tribos de Israel.
6 Viva Rúben, e não morra; e não sejam poucos os seus homens.
7 E isto é o que disse de Judá: Ouve, ó Senhor, a voz de Judá e introduze-o no
meio do seu povo; com as suas mãos pelejou por si; sê tu o seu auxílio contra
os seus inimigos.
8 De Levi disse: Sejam teu Tumim e teu Urim para o teu homem santo, que provaste
em Massá, com quem contendeste junto às águas de Meribá;
9 aquele que disse de seu pai e de sua mãe: Nunca os vi, e não reconheceu a
seus irmãos, e não conheceu a seus filhos; pois esses levitas guardaram a tua
palavra e observaram o teu pacto.
10 Ensinarão os teus preceitos a Jacó, e a tua lei a Israel; chegarão incenso
ao seu nariz, e porão holocausto sobre o teu altar.
11 Abençoa o seu poder, ó Senhor, e aceita a obra das suas mãos; fere os lombos
dos que se levantam contra ele e o odeiam, para que nunca mais se levantem.
12 De Benjamim disse: O amado do Senhor habitará seguro junto a ele; e o Senhor
o cercará o dia todo, e ele habitará entre os seus ombros.
13 De José disse: Abençoada pelo Senhor seja a sua terra, com os mais
excelentes dons do céu, com o orvalho, e com as águas do abismo que jaz abaixo;
14 com os excelentes frutos do sol, e com os excelentes produtos dos meses;
15 com as coisas mais excelentes dos montes antigos, e com as coisas excelentes
dos outeiros eternos;
16 com as coisas excelentes da terra, e com a sua plenitude, e com a
benevolência daquele que habitava na sarça; venha tudo isso sobre a cabeça de
José, sobre o alto da cabeça daquele que é príncipe entre seus irmãos.
17 Eis o seu novilho primogênito; ele tem majestade; e os seus chifres são
chifres de boi selvagem; com eles rechaçará todos os povos, sim, todas as
extremidades da terra. Tais são as miríades de Efraim, e tais são os milhares
de Manassés.
18 De Zebulom disse: Zebulom, alegra-te nas tuas saídas; e tu, Issacar, nas
tuas tendas.
19 Eles chamarão os povos ao monte; ali oferecerão sacrifícios de justiça,
porque chuparão a abundância dos mares e os tesouros escondidos da areia.
20 De Gade disse: Bendito aquele que faz dilatar a Gade; habita como a leoa, e
despedaça o braço, e o alto da cabeça.
21 Ele se proveu da primeira parte, porquanto ali estava reservada a porção do
legislador; pelo que veio com os chefes do povo, executou a justiça do Senhor e
os seus juízos para com Israel.
22 De Dã disse: Dã é cachorro de leão, que salta de Basã.
23 De Naftali disse: ç Naftali, saciado de favores, e farto da bênção do
Senhor, possui o lago e o sul.
24 De Aser disse: Bendito seja Aser dentre os filhos de Israel; seja o
favorecido de seus irmãos; e mergulhe em azeite o seu pé;
25 de ferro e de bronze sejam os teus ferrolhos; e como os teus dias, assim
seja a tua força.
26 Não há outro, ó Jesurum, semelhante a Deus, que cavalga sobre o céu para a
tua ajuda, e na sua majestade sobre as mais altas nuvens.
27 O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os braços eternos; ele
lançou o inimigo de diante de ti e disse: Destrói-o.
28 Israel pois habitará seguro, a fonte de Jacó a sós, na terra de grão e de
mosto; e o seu céu gotejará o orvalho.
29 Feliz és tu, ó Israel! quem é semelhante a ti? um povo salvo pelo Senhor, o
escudo do teu socorro, e a espada da tua majestade; pelo que os teus inimigos
te serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas alturas.
DEUTERONÔMIO
[34]
1 Então subiu Moisés das
planícies de Moabe ao monte Nebo, ao cume de Pisga, que está defronte de
Jericó; e o Senhor mostrou-lhe toda a terra desde Gileade até Dã,
2 todo o Naftali, a terra de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá, até o mar
ocidental,
3 o Negebe, e a planície do vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Zoar.
4 E disse-lhe o Senhor: Esta é a terra que prometi com juramento a Abraão, a
Isaque e a Jacó, dizendo: ë tua descendência a darei. Eu te fiz vê-la com os
teus olhos, porém para lá não passarás.
5 Assim Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de Moabe, conforme o dito
do Senhor,
6 que o sepultou no vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém
soube até hoje o lugar da sua sepultura.
7 Tinha Moisés cento e vinte anos quando morreu; não se lhe escurecera a vista,
nem se lhe fugira o vigor.
8 Os filhos de Israel prantearam a Moisés por trinta dias nas planícies de
Moabe; e os dias do pranto no luto por Moisés se cumpriram.
9 Ora, Josué, filho de Num, foi cheio do espírito de sabedoria, porquanto
Moisés lhe tinha imposto as mãos; assim se filhos de Israel lhe obedeceram , e
fizeram como o Senhor ordenara a Moisés.
10 E nunca mais se levantou em Israel profeta como Moisés, a quem o Senhor
conhecesse face a face,
11 nem semelhante em todos os sinais e maravilhas que o Senhor o enviou para
fazer na terra do Egito, a Faraó: e a todos os seus servos, e a toda a sua
terra;
12 e em tudo o que Moisés operou com mão forte, e com grande espanto, aos olhos
de todo o Israel.
[1]
1 Depois da morte de Moisés,
servo do Senhor, falou o Senhor a Josué, filho de Num, servidor de Moisés,
dizendo:
2 Moisés, meu servo, é morto; levanta-te pois agora, passa este Jordão, tu e
todo este povo, para a terra que eu dou aos filhos de Israel.
3 Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo dei, como eu disse a Moisés.
4 Desde o deserto e este Líbano, até o grande rio, o rio Eufrates, toda a terra
dos heteus, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo.
5 Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida. Como fui com Moisés,
assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei.
6 Esforça-te, e tem bom ânimo, porque tu farás a este povo herdar a terra que
jurei a seus pais lhes daria.
7 Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, cuidando de fazer conforme toda a
lei que meu servo Moisés te ordenou; não te desvies dela, nem para a direita
nem para a esquerda, a fim de que sejas bem sucedido por onde quer que andares.
8 Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite,
para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque
então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.
9 Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te
espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares.
10 Então Josué deu esta ordem aos oficiais do povo:
11 Passai pelo meio do arraial, e ordenai ao povo, dizendo: Provede-vos de
mantimentos, porque dentro de três dias haveis de atravessar este Jordão, a fim
de que entreis para tomar posse da terra que o Senhor vosso Deus vos dá para a
possuirdes.
12 E disse Josué aos rubenitas, aos gaditas, e à meia tribo de Manassés:
13 Lembrai-vos da palavra que vos mandou Moisés, servo do Senhor, dizendo: O
Senhor vosso Deus vos dá descanso, e vos dá esta terra.
14 Vossas mulheres, vossos pequeninos e vosso gado fiquem na terra que Moisés
vos deu desta banda do Jordão; porém vós, todos os homens valorosos, passareis
armados adiante de vossos irmãos e os ajudareis;
15 até que o Senhor tenha dado descanso: a vossos irmãos, assim como vo-lo deu
a vós, e eles também tenham possuído a terra que o Senhor vosso Deus lhes dá;
então tornareis para a terra da vossa herança, e a possuireis, terra que
Moisés, servo do Senhor, vos deu além do Jordão, para o nascente do sol.
16 Então responderam a Josué, dizendo: Tudo quanto nos ordenaste faremos, e
aonde quer que nos enviares iremos.
17 Como em tudo ouvimos a Moisés, assim te ouviremos a ti; tão-somente seja o
Senhor teu Deus contigo, como foi com Moisés.
18 Quem quer que se rebelar contra as tuas ordens, e não ouvir as tuas palavras
em tudo quanto lhe mandares, será morto. Tão-somente esforça-te, e tem bom
ânimo.
JOSUÉ
[2]
1 De Sitim Josué, filho de
Num, enviou secretamente dois homens como espias, dizendo-lhes: Ide reconhecer
a terra, particularmente a Jericó. Foram pois, e entraram na casa duma
prostituta, que se chamava Raabe, e pousaram ali.
2 Então deu-se notícia ao rei de Jericó, dizendo: Eis que esta noite vieram
aqui uns homens dos filhos de Israel, para espiar a terra.
3 Pelo que o rei de Jericó mandou dizer a Raabe: Faze sair os homens que vieram
a ti e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra.
4 Mas aquela mulher, tomando os dois homens, os escondeu, e disse: é verdade
que os homens vieram a mim, porém eu não sabia donde eram;
5 e aconteceu que, havendo-se de fechar a porta, sendo já escuro, aqueles
homens saíram. Não sei para onde foram; ide após eles depressa, porque os
alcançareis.
6 Ela, porém, os tinha feito subir ao eirado, e os tinha escondido entre as
canas do linho que pusera em ordem sobre o eirado.
7 Assim foram esses homens após eles pelo caminho do Jordão, até os vaus; e,
logo que saíram, fechou-se a porta.
8 E, antes que os espias se deitassem, ela subiu ao eirado a ter com eles,
9 e disse-lhes: Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor de vós
caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra se derretem diante de vós.
10 Porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do Mar Vermelho diante de
vós, quando saístes do Egito, e também o que fizestes aos dois reis dos
amorreus, Siom e Ogue, que estavam além de Jordão, os quais destruístes
totalmente.
11 Quando ouvimos isso, derreteram-se os nossos corações, e em ninguém mais há
ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o Senhor vosso Deus é Deus em
cima no céu e embaixo na terra.
12 Agora pois, peço-vos, jurai-me pelo Senhor que, como usei de bondade para
convosco, vós também usareis de bondade para com a casa e meu pai; e dai-me um
sinal seguro
13 de que conservareis em vida meu pai e minha mãe, como também meus irmãos e
minhas irmãs, com todos os que lhes pertencem, e de que livrareis da morte as
nossas vidas.
14 Então eles lhe responderam: A nossa vida responderá pela vossa, se não
denunciardes este nosso negócio; e, quando o Senhor nos entregar esta terra,
usaremos para contigo de bondade e de fidelidade.
15 Ela então os fez descer por uma corda pela janela, porquanto a sua casa
estava sobre o muro da cidade, de sorte que morava sobre o muro;
16 e disse-lhes: Ide-vos ao monte, para que não vos encontrem os perseguidores,
e escondei-vos lá três dias, até que eles voltem; depois podereis tomar o vosso
caminho.
17 Disseram-lhe os homens: Nós seremos inocentes no tocante a este juramento
que nos fizeste jurar.
18 Eis que, quando nós entrarmos na terra, atarás este cordão de fio de
escarlata à janela pela qual nos fizeste descer; e recolherás em casa contigo
teu pai, tua mãe, teus irmãos e toda a família de teu pai.
19 Qualquer que sair fora das portas da tua casa, o seu sangue cairá sobre a
sua cabeça, e nós seremos inocentes; mas qualquer que estiver contigo em casa,
o seu sangue cairá sobre a nossa cabeça se nele se puser mão.
20 Se, porém, tu denunciares este nosso negócio, seremos desobrigados do
juramento que nos fizeste jurar.
21 Ao que ela disse: Conforme as vossas palavras, assim seja. Então os
despediu, e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela.
22 Foram-se, pois, e chegaram ao monte, onde ficaram três dias, até que
voltaram os perseguidores; pois estes os buscaram por todo o caminho, porém,
não os acharam.
23 Então os dois homens, tornando a descer do monte, passaram o rio, chegaram a
Josué, filho de Num, e lhe contaram tudo quanto lhes acontecera.
24 E disseram a Josué: Certamente o Senhor nos tem entregue nas mãos toda esta
terra, pois todos os moradores se derretem diante de nós.
JOSUÉ
[3]
1 Levantou-se, pois, Josué de
madrugada e, partindo de Sitim ele e todos os filhos de Israel, vieram ao
Jordão; e pousaram ali, antes de atravessá-lo.
2 E sucedeu, ao fim de três dias, que os oficiais passaram pelo meio do
arraial,
3 e ordenaram ao povo, dizendo: Quando virdes a arca da pacto do Senhor vosso
Deus sendo levada pelos levitas sacerdotes, partireis vós também do vosso
lugar, e a seguireis
4 (haja, contudo, entre vós e ela, uma distância de dois mil côvados, e não vos
chegueis a ela), para que saibais o caminho pelo qual haveis de ir, porquanto
por este caminho nunca dantes passastes.
5 Disse Josué também ae povo: Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará
maravilhas no meio de vós.
6 E falou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantai a arca do pacto, e passai
adiante do povo. Levantaram, pois, a arca do pacto, e foram andando adiante do
povo.
7 Então disse o Senhor a Josué: Hoje começarei a engrandecer- te perante os
olhos de todo o Israel, para que saibam que, assim como fui com Moisés, serei
contigo.
8 Tu, pois, ordenarás aos sacerdotes que levam a arca do pacto, dizendo: Quando
chegardes à beira das águas de Jordão, aí parareis.
9 Disse então Josué aos filhos de Israel: Aproximai-vos, e ouvi as palavras do
Senhor vosso Deus.
10 E acrescentou: Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós, e que
certamente expulsará de diante de vós os cananeus, os heteus, os heveus, os
perizeus, os girgaseus, os amorreus e os jebuseus.
11 Eis que a arca do pacto do Senhrr de toda a terra passará adiante de vós
para o meio do Jordão.
12 Tomai, pois, agora doze homens das tribos de Israel, de cada tribo um homem;
13 porque assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que levam a arca do Senhor,
o Senhor de toda a terra, pousarem nas águas do Jordão, estas serão cortadas,
isto é, as águas que vêm de cima, e, amontoadas, pararão.
14 Quando, pois, o povo partiu das suas tendas para atravessar o Jordão,
levando os sacerdotes a arca do pacto adiante do povo,
15 e quando os que levavam a arca chegaram ao Jordão, e os seus pés se
mergulharam na beira das águas (porque o Jordão transbordava todas as suas
ribanceiras durante todos os dias da sega),
16 as águas que vinham de cima, parando, levantaram-se num montão, mui longe, à
altura de Adã, cidade que está junto a Zaretã; e as que desciam ao mar da
Arabá, que é o Mar Salgado, foram de todo cortadas. Então o povo passou bem em
frente de Jericó.
17 Os sacerdotes que levavam a arca do pacto do Senhor pararam firmes em seco
no meio do Jordão, e todo o Israel foi passando a pé enxuto, até que todo o
povo acabou de passar o Jordão.
JOSUÉ
[4]
1 Quando todo o povo acabara
de passar o Jordão, falou o Senhor a Josué, dizendo:
2 Tomai dentre o povo doze homens, de cada tribo um homem;
3 e mandai-lhes, dizendo: Tirai daqui, do meio do Jordão, do lugar em que
estiveram parados os pés dos sacerdotes, doze pedras, levai-as convosco para a
outra banda e depositai-as no lugar em que haveis de passar esta noite.
4 Chamou, pois, Josué os doze homens que escolhera dos filhos de Israel, de
cada tribo um homem;
5 e disse-lhes: Passai adiante da arca do Senhor vosso Deus, ao meio do Jordão,
e cada um levante uma pedra sobre o ombro, segundo o número das tribos dos
filhos de Israel;
6 para que isto seja por sinal entre vós; e quando vossos filhos no futuro
perguntarem: Que significam estas pedras?
7 direis a eles que as águas do Jordão foram cortadas diante da arca do pacto
de Senhor; quando ela passou pelo Jordão, as águas foram cortadas; e estas
pedras serão para sempre por memorial aos filhos de Israel.
8 Fizeram, pois, os filhos de Israel assim como Josué tinha ordenado, e
levantaram doze pedras do meio do Jordão como o Senhor dissera a Josué, segundo
o número das tribos dos filhos de Israel; e levaram-nas consigo ao lugar em que
pousaram, e as depositaram ali.
9 Amontoou Josué também doze pedras no meio do Jordão, no lugar em que pararam
os pés dos sacerdotes que levavam a arca do pacto; e ali estão até o dia de
hoje.
10 Pois os sacerdotes que levavam a arca pararam no meio do Jordão, até que se
cumpriu tudo quanto o Senhor mandara Josué dizer ao povo, conforme tudo o que
Moisés tinha ordenado a Josué. E o povo apressou-se, e passou.
11 Assim que todo o povo acabara de passar, então passaram a arca do Senhor e
os sacerdotes, à vista do povo.
12 E passaram os filhos de Rúben e os filhos de Gade, e a meia tribo de
Manassés, armados, adiante dos filhos de Israel, como Moisés lhes tinha dito;
13 uns quarenta mil homens em pé de guerra passaram diante do Senhor para a
batalha, às planícies de Jericó.
14 Naquele dia e Senhor engrandeceu a Josué aos olhos de todo o Israel; e
temiam-no, como haviam temido a Moisés, por todos os dias da sua vida.
15 Depois falou o Senhor a Josué, dizendo:
16 Dá ordem aos sacerdotes que levam a arca do testemunho, que subam do Jordão.
17 Pelo que Josué deu ordem aos sacerdetes, dizendo: Subi do Jordão.
18 E aconteceu que, quando os sacerdotes que levavam a arca do pacto do Senhor
subiram do meio do Jordão, e as plantas dos seus pés se puseram em terra seca,
as águas do Jordão voltaram ao seu lugar, e trasbordavam todas as suas
ribanceiras, como dantes.
19 O povo, pois, subiu do Jordão no dia dez do primeiro mês, e acampou-se em
Gilgal, ao oriente de Jericó.
20 E as doze pedras, que tinham tirado do Jordão, levantou-as Josué em Gilgal;
21 e falou aos filhos de Israel, dizendo: Quando no futuro vossos filhos
perguntarem a seus pais: Que significam estas pedras?
22 fareis saber a vossos filhos, dizendo: Israel passou a pé enxuto este
Jordão.
23 Porque o Senhor vosso Deus fez secar as águas do Jordão diante de vós, até
que passásseis, assim como fizera ao Mar Vermelho, ao qual fez secar perante
nós, até que passássemos;
24 para que todos os povos da terra conheçam que a mão do Senhor é forte; a fim
de que vós também temais ao Senhor vosso Deus para sempre.
JOSUÉ
[5]
1 Quando, pois, todos os reis
dos amorreus que estavam ao oeste do Jordão, e todos os reis dos cananeus que
estavam ao lado do mar, ouviram que o Senhor tinha secado as águas do Jordão de
diante dos filhos de Israel, até que passassem, derreteu-se-lhes o coração, e
não houve mais ânimo neles, por causa dos filhos de Israel.
2 Naquele tempo disse o Senhor a Josué: Faze facas de pederneira, e circuncida
segunda vez aos filhos de Israel.
3 Então Josué fez facas de pederneira, e circuncidou aos filhos de Israel em
Gibeate-Haaralote.
4 Esta é a razão por que Josué os circuncidou: todo o povo que tinha saído do
Egito, os homens, todos os homens de guerra, já haviam morrido no deserto, pelo
caminho, depois que saíram do Egito.
5 Todos estes que saíram estavam circuncidados, mas nenhum dos que nasceram no
deserto, pelo caminho, depois de terem saído do Egito, havia sido circuncidado.
6 Pois quarenta anos andaram os filhos de Israel pelo deserto, até se acabar
toda a nação, isto é, todos os homens de guerra que saíram do Egito, e isso
porque não obedeceram à voz do Senhor; aos quais o Senhor tinha jurado que não
lhes havia de deixar ver a terra que, com juramento, prometera a seus pais nos
daria, terra que mana leite e mel.
7 Mas em lugar deles levantou seus filhos; a estes Josué circuncidou, porquanto
estavam incircuncisos, porque não os haviam circuncidado pelo caminho.
8 E depois que foram todos circuncidados, permaneceram no seu lugar no arraial,
até que sararam.
9 Disse então o Senhor a Josué: Hoje revolvi de sobre vós o opróbrio do Egito;
pelo que se chama aquele lugar: Gilgal, até o dia de hoje.
10 Estando, pois, os filhos de Israel acampados em Gilgal, celebraram a páscoa
no dia catorze do mês, à tarde, nas planícies de Jericó.
11 E, ao outro dia depois da páscoa, nesse mesmo dia, comeram, do produto da
terra, pães ázimos e espigas tostadas.
12 E no dia depois de terem comido do produto da terra, cessou o maná, e os
filhos de Israel não o tiveram mais; porém nesse ano comeram dos produtos da
terra de Canaã.
13 Ora, estando Josué perto de Jericó, levantou os olhos, e olhou; e eis que
estava em pé diante dele um homem que tinha na mão uma espada nua. Chegou-se
Josué a ele, e perguntou-lhe: És tu por nós, ou pelos nossos adversários?
14 Respondeu ele: Não; mas venho agora como príncipe do exército do Senhor.
Então Josué, prostrando-se com o rosto em terra, o adorou e perguntou-lhe: Que
diz meu Senhor ao seu servo?
15 Então respondeu o príncipe do exército do Senhor a Josué: Tira os sapatos
dos pés, porque o lugar em que estás é santo. E Josué assim fez:
JOSUÉ
[6]
1 Ora, Jericó se conservava
rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía nem entrava.
2 Então disse o Senhor a Josué: Olha, entrego na tua mão Jericó, o seu rei e os
seus homens valorosos.
3 Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, contornando-a uma
vez por dia; assim fareis por seis dias.
4 Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da
arca; e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as
trombetas.
5 E será que, fazendo-se sonido prolongado da trombeta, e ouvindo vós tal
sonido, todo o povo dará um grande brado; então o muro da cidade cairá rente
com o chão, e o povo subirá, cada qual para o lugar que lhe ficar defronte:
6 Chamou, pois, Josué, filho de Num, aos sacerdotes, e disse-lhes: Levai a arca
do pacto, e sete sacerdotes levem sete trombetas de chifres de carneiros,
adiante da arca do Senhor.
7 E disse ao povo: Passai e rodeai a cidade; e marchem os homens armados
adiante da arca do Senhor.
8 Assim, pois, se fez como Josué dissera ao povo: os sete sacerdotes, levando
as sete trombetas adiante do Senhor, passaram, e tocaram-nas; e a arca do pacto
do Senhor os seguia.
9 E os homens armados iam adiante dos sacerdotes que tocavam as trombetas, e a
retaguarda seguia após a arca, os sacerdotes sempre tocando as trombetas.
10 Josué tinha dado ordem ao povo, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a
vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca, até o dia em que eu vos
disser: gritai! Então gritareis.
11 Assim fizeram a arca do Senhor rodear a cidade, contornando-a uma vez; então
entraram no arraial, e ali passaram a noite.
12 Josué levantou-se de madrugada, e os sacerdotes tomaram a arca do Senhor.
13 Os sete sacerdotes que levavam as sete trombetas de chifres de carneiros
adiante da arca da Senhor iam andando, tocando as trombetas; os homens armados
iam adiante deles, e a retaguarda seguia atrás da arca do Senhor, os sacerdotes
sempre tocando as trombetas.
14 E rodearam a cidade uma vez no segundo dia, e voltaram ao arraial. Assim
fizeram por seis dias.
15 No sétimo dia levantaram-se bem de madrugada, e da mesma maneira rodearam a
cidade sete vezes; somente naquele dia rodearam-na sete vezes.
16 E quando os sacerdotes pela sétima vez tocavam as trombetas, disse Josué ao
povo: Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade.
17 A cidade, porém, com tudo quanto nela houver, será danátema ao Senhor;
somente a prostituta Raabe viverá, ela e todos os que com ela estiverem em
casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.
18 Mas quanto a vós, guardai-vos do anátema, para que, depois de o terdes feito
tal, não tomeis dele coisa alguma, e não façais anátema o arraial de Israel, e
o perturbeis.
19 Contudo, toda a prata, e o ouro, e os vasos de bronze e de ferro, são
consagrados ao Senhor; irão para o tesouro do Senhor.
20 Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas; ouvindo o povo o
sonido da trombeta, deu um grande brado, e o muro caiu rente com o chão, e o
povo subiu à cidade, cada qual para o lugar que lhe ficava defronte, e tomaram
a cidade:
21 E destruíram totalmente, ao fio da espada, tudo quanto havia na cidade,
homem e mulher, menino e velho, bois, ovelhas e jumentos.
22 Então disse Josué aos dois homens que tinham espiado a terra: Entrai na casa
da prostituta, e tirai-a dali com tudo quanto tiver, como lhe prometestes com
juramento.
23 Entraram, pois, os mancebos espias, e tiraram Raabe, seu pai, sua mãe, seus
irmãos, e todos quantos lhe pertenciam; e, trazendo todos os seus parentes, os
puseram fora do arraial de Israel.
24 A cidade, porém, e tudo quanto havia nela queimaram a fogo; tão-somente a
prata, e o ouro, e os vasos de bronze e de ferro, colocaram-nos no tesouro da
casa do Senhor.
25 Assim Josué poupou a vida à prostituta Raabe, à família de seu pai, e a
todos quantos lhe pertenciam; e ela ficou habitando no meio de Israel até o dia
de hoje, porquanto escondera os mensageiros que Josué tinha enviado a espiar a
Jericó.
26 Também nesse tempo Josué os esconjurou, dizendo: Maldito diante do Senhor
seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; com a perda do
seu primogênito a fundará, e com a perda do seu filho mais novo lhe colocará as
portas.
27 Assim era o Senhor com Josué; e corria a sua fama por toda a terra.
JOSUÉ
[7]
1 Mas os filhos de Israel
cometeram uma transgressão no tocante ao anátema, pois Acã, filho de Carmi,
filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema; e a ira do
Senhor se acendeu contra os filhos de Israel.
2 Josué enviou de Jericó alguns homens a Ai, que está junto a Bete-Áven ao
Oriente de Betel, e disse-lhes: Subi, e espiai a terra. Subiram, pois, aqueles
homens, e espiaram a Ai.
3 Voltaram a Josué, e disseram-lhe: Não suba todo o povo; subam uns dois ou
três mil homens, e destruam a Ai. Não fatigues ali a todo o povo, porque os
habitantes são poucos.
4 Assim, subiram lá do povo cerca de três mil homens, os quais fugiram diante
dos homens de Ai.
5 E os homens de Ai mataram deles cerca de trinta e seis e, havendo-os
perseguido desde a porta até Sebarim, bateram-nos na descida; e o coração do
povo se derreteu e se tornou como água.
6 Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou com o rosto em terra perante
a arca do Senhor até a tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre
as suas cabeças.
7 E disse Josué: Ah, Senhor Deus! por que fizeste a este povo atravessar o
Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus, para nos fazeres perecer?
Oxalá nos tivéssemos contentado em morarmos além do Jordão.
8 Ah, Senhor! que direi, depois que Israel virou as costas diante dos seus
inimigos?
9 Pois os cananeus e todos os moradores da terra o ouvirão e, cercando-nos,
exterminarão da terra o nosso nome; e então, que farás pelo teu grande nome?
10 Respondeu o Senhor a Josué: Levanta-te! por que estás assim prostrado com o
rosto em terra?
11 Israel pecou; eles transgrediram o meu pacto que lhes tinha ordenado;
tomaram do anátema, furtaram-no e, dissimulando, esconderam-no entre a sua
bagagem.
12 Por isso os filhos de Israel não puderam subsistir perante os seus inimigos,
viraram as costas diante deles, porquanto se fizeram anátema. Não serei mais
convosco, se não destruirdes o anátema do meio de vós.
13 Levanta-te santifica o povo, e dize-lhe: Santificai-vos para amanhã, pois
assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Anátema há no meio de ti, Israel; não
poderás suster-te diante dos teus inimigos, enquanto não tirares do meio de ti
o anátema.
14 Amanhã, pois, vos chegareis, segundo as vossas tribos; a tribo que o Senhor
tomar se chegará por famílias; a família que o Senhor tomar se chegará por
casas; e a casa que o Senhor tomar se chegará homem por homem.
15 E aquele que for tomado com o anátema, será queimado no fogo, ele e tudo
quanto tiver, porquanto transgrediu o pacto do Senhor, e fez uma loucura em
Israel.
16 Então Josué se levantou de madrugada, e fez chegar Israel segundo as suas
tribos, e foi tomada por sorte a tribo de Judá;
17 fez chegar a tribo de Judá, e foi tomada a família dos zeraítas; fez chegar
a familia dos zeraítas, homem por homem, e foi tomado Zabdi;
18 fez chegar a casa de Zabdi, homem por homem, e foi tomado Acã, filho de
Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá.
19 Então disse Josué a Acã: Filho meu, dá, peço-te, glória ao Senhor Deus de
Israel, e faze confissão perante ele. Declara-me agora o que fizeste; não mo
ocultes.
20 Respondeu Acã a Josué: Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de
Israel, e eis o que fiz:
21 quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de
prata, e uma cunha de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os;
eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata debaixo da
capa.
22 Então Josué enviou mensageiros, que foram correndo à tenda; e eis que tudo
estava escondido na sua tenda, estando a prata debaixo da capa.
23 Tomaram, pois, aquelas coisas do meio da tenda, e as trouxeram a Josué e a
todos os filhos de Israel; e as puseram perante o Senhor.
24 Então Josué e todo o Israel com ele tomaram Acã, filho de Zerá, e a prata, a
capa e a cunha de ouro, e seus filhos e suas filhas, e seus bois, jumentos e
ovelhas, e a sua tenda, e tudo quanto tinha, e levaram-nos ao vale de Acor.
25 E disse Josué: Por que nos perturbaste? hoje o Senhor te perturbará a ti: E
todo o Israel o apedrejou; queimaram-nos no fogo, e os apedrejaram:
26 E levantaram sobre ele um grande montão de pedras, que permanece até o dia de
hoje. E o Senhor se apartou do ardor da sua ira. Por isso se chama aquele lugar
até hoje o vale de Acor.
JOSUÉ
[8]
1 Então disse o Senhor a
Josué: Não temas, e não te espantes; toma contigo toda a gente de guerra,
levanta-te, e sobe a Ai. Olha que te entreguei na tua mão o rei de Ai, o seu
povo, a sua cidade e a sua terra.
2 Farás pois a Ai e a seu rei, como fizeste a Jericó e a seu rei; salvo que
para vós tomareis os seus despojos, e o seu gado. Põe emboscadas à cidade, por
detrás dela.
3 Então Josué levantou-se, com toda a gente de guerra, para subir contra Ai; e
escolheu Josué trinta mil homens valorosos, e enviou-os de noite.
4 E deu-lhes ordem, dizendo: Ponde-vos de emboscada contra a cidade, por detrás
dela; não vos distancieis muito da cidade, mas estai todos vós apercebidos.
5 Mas eu e todo o povo que está comigo nos aproximaremos da cidade; e quando
eles nos saírem ao encontro, como dantes, fugiremos diante deles.
6 E eles sairão atrás de nós, até que os tenhamos afastado da cidade, pois
dirão: Fogem diante de nós como dantes. Assim fugiremos diante deles;
7 e vós saireis da emboscada, e tomareis a cidade, porque o Senhor vosso Deus
vo-la entregará nas maos.
8 Logo que tiverdes tomado a cidade, pôr-lhe-eis fogo, fazendo conforme a
palavra do Senhor; olhai que vo-lo tenho mandado.
9 Assim Josué os enviou, e eles se foram à emboscada, colocando-se entre Betel
e Ai, ao ocidente de Ai; porém Josué passou aquela noite no meio do povo.
10 Levantando-se Josué de madrugada, passou o povo em revista; então subiu, com
os anciãos de Israel, adiante do povo contra Ai.
11 Todos os homens armados que estavam com ele subiram e, aproximando-se pela
frente da cidade, acamparam-se ao norte de Ai, havendo um vale entre eles e Ai.
12 Tomou também cerca de cinco mil homens, e pô-los de emboscada entre Betel e
Ai, ao ocidente da cidade.
13 Assim dispuseram o povo, todo o arraial ao norte da cidade, e a sua
emboscada ao ocidente da cidade. Marchou Josué aquela noite até o meio do vale.
14 Quando o rei de Ai viu isto, ele e todo o seu povo se apressaram,
levantando-se de madrugada, e os homens da cidade saíram ao encontro de Israel
ao combate, ao lugar determinado, defronte da planície; mas ele não sabia que
se achava uma emboscada contra ele atrás da cidade.
15 Josué, pois, e todo o Israel fingiram-se feridos diante deles, e furiram
pelo caminho do deserto:
16 Portanto, todo o povo que estava na cidade foi convocado para os perseguir;
e seguindo eles após Josué, afastaram-se da cidade.
17 Nem um só homem ficou em Ai, nem em Betel, que não saísse após Israel; assim
deixaram a cidade aberta, e seguiram a Israel:
18 Então o Senhor disse a Josué: Estende para Ai a lança que tens na mão;
porque eu ta entregarei. E Josué estendeu para a cidade a lança que estava na
sua mão.
19 E, tendo ele estendido a mão, os que estavam de emboscada se levantaram
apressadamente do seu lugar e, correndo, entraram na cidade, e a tomaram; e,
apressando-se, puseram fogo à cidade.
20 Nisso, olhando os homens de Ai para trás, viram a fumaça da cidade, que subia
ao céu, e não puderam fugir nem para uma parte nem para outra, porque o povo
que fugia para o deserto se tornou contra eles.
21 E vendo Josué e todo o Israel que a emboscada tomara a cidade, e que a
fumaça da cidade subia, voltaram e feriram os homens de Ai.
22 Também aqueles que estavam na cidade lhes saíram ao encontro, e assim os de
Ai ficaram no meio dos israelitas, estando estes de uma e de outra parte; e
feriram-nos, de sorte que não deixaram ficar nem escapar nenhum deles.
23 Mas ao rei de Ai tomaram vivo, e o trouxeram a Josué.
24 Quando os israelitas acabaram de matar todos os moradores de Ai no campo, no
deserto para onde os tinham seguido, e havendo todos caído ao fio da espada até
serem consumidos, então todo o Israel voltou para Ai e a feriu a fio de espada.
25 Ora, todos os que caíram naquele dia, assim homens como mulheres, foram doze
mil, isto é, todos os de Ai.
26 Pois Josué não retirou a mão, que estendera com a lança, até destruir
totalmente a todos os moradores de Ai.
27 Tão-somente os israelitas tomaram para si o gado e os despojos da cidade,
conforme a palavra que o Senhor ordenara a Josue:
28 Queimou pois Josué a Ai, e a tornou num perpétuo montão de ruínas, como o é
até o dia de hoje.
29 Ao rei de Ai enforcou num madeiro, deixando-o ali até a tarde. Ao pôr do
sol, por ordem de Josué, tiraram do madeiro o cadáver, lançaram-no à porta da
cidade e levantaram sobre ele um grande montão de pedras, que permanece até o
dia de hoje.
30 Então Josué edificou um altar ao Senhor Deus de Israel, no monte Ebal,
31 como Moisés, servo do Senhor, ordenara aos filhos de Israel, conforme o que
está escrito no livro da lei de Moisés, a saber: um altar de pedras brutas,
sobre as quais não se levantara ferramenta; e ofereceram sobre ele holocaustos
ao Senhor, e sacrificaram ofertas parcíficas.
32 Também ali, na presença dos filhos de Israel, escreveu em pedras uma cópia
da lei de Moisés, a qual este escrevera.
33 E todo o Israel, tanto o estrangeiro como o natural, com os seus anciãos,
oficiais e juízes, estava de um e de outro lado da arca, perante os levitas
sacerdotes que levavam a arca do pacto do Senhor; metade deles em frente do
monte Gerizim, e a outra metade em frente do monte Ebal, como Moisés, servo do
Senhor, dantes ordenara, para que abençoassem o povo de Israel.
34 Depois leu em alta voz todas as palavras da lei, a bênção e a maldição,
conforme tudo o que está escrito no livro da lei.
35 Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moisés ordenara, que Josué não lesse
perante toda a congregação de Israel, e as mulheres, e os pequeninos, e os
estrangeiros que andavam no meio deles.
JOSUÉ
[9]
1 Depois sucedeu que, ouvindo
isto todos os reis que estavam além do Jordão, na região montanhosa, na baixada
e em toda a costa do grande mar, defronte do Líbano, os heteus, os amorreus, os
cananeus, os perizeus, os heveus, e os jebuseus
2 se ajuntaram de comum acordo para pelejar contra Josué e contra Israel.
3 Ora, os moradores de Gibeão, ouvindo o que Josué fizera a Jericó e a Ai.
4 usaram de astúcia: foram e se fingiram embaixadores, tomando sacos velhos
sobre os seus jumentos, e odres de vinho velhos, rotos e recosidos,
5 tendo nos seus pés sapatos velhos e remendados, e trajando roupas velhas; e
todo o pão que traziam para o caminho era seco e bolorento.
6 E vieram a Josué, ao arraial em Gilgal, e disseram a ele e aos homens de
Israel: Somos vindos duma terra longínqua; fazei, pois, agora pacto conosco.
7 Responderam os homens de Israel a estes heveus: Bem pode ser que habiteis no
meio de nós; como pois faremos pacto convosco?
8 Então eles disseram a Josué: Nós somos teus servos. Ao que lhes perguntou Josué:
Quem sois vós? e donde vindes?
9 Responderam-lhe: Teus servos vieram duma terra mui distante, por causa do
nome do Senhor teu Deus, porquanto ouvimos a sua fama, e tudo o que fez no
Egito,
10 e tudo o que fez aos dois reis dos amorreus, que estavam além do Jordão, a
Siom, rei de Hesbom, e a Ogue, rei de Basã, que estava em Astarote.
11 Pelo que nossos anciãos e todos os moradores da nossa terra nos falaram,
dizendo: Tomai nas mãos provisão para o caminho, e ide-lhes ao encontro, e
dizei-lhes: Nós somos vossos servos; fazei, pois, agora pacto conosco.
12 Este nosso pão tomamo-lo quente das nossas casas para nossa provisão, no dia
em que saímos para vir ter convosco, e ei-lo aqui agora seco e bolorento;
13 estes odres, que enchemos de vinho, eram novos, e ei-los aqui já rotos; e
esta nossa roupa e nossos sapatos já envelheceram em razão do mui longo
caminho.
14 Então os homens de Israel tomaram da provisão deles, e não pediram conselho
ao Senhor.
15 Assim Josué fez paz com eles; também fez um pacto com eles, prometendo
poupar-lhes a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento.
16 Três dias depois de terem feito pacto com eles, ouviram que eram vizinhos e
que moravam no meio deles.
17 Tendo partido os filhos de Israel, chegaram ao terceiro dia às cidades
deles, que eram Gibeão, Cefira, Beerote e Quiriate-Jearir.
18 Mas os filhos de Israel não os mataram, porquanto os príncipes da
congregação lhes haviam prestado juramento pelo Senhor, o Deus de Israel; pelo
que toda a congregação murmurava contra os príncipes.
19 Mas os príncipes disseram a toda a congregação: Nós lhes prestamos juramento
pelo Senhor, o Deus de Israel, e agora não lhes podemos tocar.
20 Isso cumpriremos para com eles, poupando-lhes a vida, para que não haja ira
sobre nós, por causa do juramento que lhes fizemos.
21 Disseram, pois, os príncipes: Vivam. Assim se tornaram rachadores de lenha e
tiradores de água para toda a congregação, como os príncipes lhes disseram.
22 Então Josué os chamou, e lhes disse: Por que nos enganastes, dizendo: Mui
longe de vós habitamos, morando vós no meio de nós?
23 Agora, pois, sois malditos, e dentre vós nunca deixará de haver servos,
rachadores de lenha e tiradores de água para a casa do meu Deus.
24 Respondendo a Josué, disseram: Porquanto foi anunciado aos teus servos que o
Senhor teu Deus ordenou a Moisés, seu servo, que vos desse toda esta terra, e
destruísse todos os seus moradores diante de vós, temíamos muito pelas nossas
vidas por causa de vós, e fizemos isso.
25 E eis que agora estamos na tua mão; faze aquilo que te pareça bom e reto que
se nos faça.
26 Assim pois ele lhes fez, e livrou-os das mãos dos filhos de Israel, de sorte
que estes não os mataram.
27 Mas, naquele dia, Josué os fez rachadores de lenha e tiradores de água para
a congregação e para o altar do Senhor, no lugar que ele escolhesse, como ainda
o são.
JOSUÉ
[10]
1 Quando Adoni-Zedeque, rei
de Jerusalém, ouviu que Josué tomara a Ai, e a destruíra totalmente (pois este
fizera a Ai e ao seu rei como tinha feito a Jericó e ao seu rei), e que os
moradores de Gibeão tinham feito paz com os israelitas, e estavam no meio
deles,
2 temeu muito, pois Gibeão era uma cidade grande como uma das cidades reais, e
era ainda maior do que Ai, e todos os seus homens eram valorosos.
3 Pelo que Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, enviou mensageiros a Hoão, rei de
Hebrom, a Pirã, rei de Jarmute, a Jafia, rei de Laquis, e a Debir, rei de
Eglom, para lhes dizer:
4 Subi a mim, e ajudai-me; firamos a Gibeão, porquanto fez paz com Josué e com
os filhos de Israel.
5 Então se ajuntaram, e subiram cinco reis dos amorreus, o rei de Jerusalém, o
rei de Hebrom, o rei de Jarmute, o rei de Laquis, o rei de Eglom, eles e todos
os seus exércitos, e sitiaram a Gibeão e pelejaram contra ela.
6 Enviaram, pois, os homens de Gibeão a Josué, ao arraial em Gilgal, a
dizer-lhe: Não retires de teus servos a tua mão; sobe apressadamente a nós, e
livra-nos, e ajuda-nos, porquanto se ajuntaram contra nós todos os reis dos
amorreus, que habitam na região montanhosa.
7 Josué, pois, subiu de Gilgal com toda a gente de guerra e todos os homens
valorosos.
8 E o Senhor disse a Josué: Não os temas, porque os entreguei na tua mão;
nenhum deles te poderá resistir.
9 E Josué deu de repente sobre eles, tendo marchado a noite toda, subindo de Gilgal;
10 e o Senhor os pôs em desordem diante de Israel, que os desbaratou com grande
matança em Gibeão, e os perseguiu pelo caminho que sobe a Bete-Horom,
ferindo-os até Azeca e Maqueda.
11 Pois, quando eles iam fugindo de diante de Israel, à descida de Bete-Horom,
o Senhor lançou sobre eles, do céu, grandes pedras até Azeca, e eles morreram;
e foram mais os que morreram das pedras da saraiva do que os que os filhos de
Israel mataram à espada.
12 Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor entregou os amorreus na
mão dos filhos de Israel, e disse na presença de Israel: Sol, detém-se sobre
Gibeão, e tu, lua, sobre o vale de Aijalom.
13 E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos.
Não está isto escrito no livro de Jasar? O sol, pois, se deteve no meio do céu,
e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro.
14 E não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, atendendo o
Senhor assim à voz dum homem; pois o Senhor pelejava por Israel.
15 Depois voltou Josué, e todo o Israel com ele, ao arraial em Gilgal.
16 Aqueles cinco reis, porém, fugiram e se esconderam na caverna que há em
Maqueda.
17 E isto foi anunciado a Josué nestas palavras: Acharam-se os cinco reis
escondidos na caverna em Maqueda.
18 Disse, pois, Josué: Arrastai grandes pedras para a boca da caverna, e junto
a ela ponde homens que os guardem.
19 Vós, porém, não vos detenhais; persegui os vossos inimigos, matando os que
vão ficando atrás; não os deixeis entrar nas suas cidades, porque o Senhor vosso
Deus já vo-los entregou nas mãos.
20 Quando Josué e os filhos de Israel acabaram de os ferir com mui grande
matança, até serem eles exterminados, e os que ficaram deles se retiraram às
cidades fortificadas,
21 todo o povo voltou em paz a Josué, ao arraial em Maqueda. Não havia ninguém
que movesse a sua língua contra os filhos de Israel.
22 Depois disse Josué: Abri a boca da caverna, e trazei-me para fora aqueles
cinco reis.
23 Fizeram, pois, assim, e trouxeram-lhe aqueles cinco reis para fora da
caverna: o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom, o rei de Jarmute, o rei de
Laquis, e o rei de Eglom.
24 Quando os trouxeram a Josué, este chamou todos os homens de Israel, e disse
aos comandantes dos homens de guerra que o haviam acompanhado: Chegai-vos,
ponde os pés sobre os pescoços destes reis. E eles se chegaram e puseram os pés
sobre os pescoços deles.
25 Então Josué lhes disse: Não temais, nem vos atemorizeis; esforçai-vos e
tende bom ânimo, porque assim fará o Senhor a todos os vossos inimigos, contra
os quais haveis de pelejar.
26 Depois disto Josué os feriu, e os matou, e os pendurou em cinco madeiros,
onde ficaram pendurados até a tarde.
27 Ao pôr do sol, por ordem de Josué, tiraram-nos dos madeiros, lançaram-nos na
caverna em que se haviam escondido, e puseram à boca da mesma grandes pedras,
que ainda ali estão até o dia de hoje.
28 Naquele mesmo dia Josué tomou a Maqueda, e feriu-a a fio de espada, bem como
a seu rei; totalmente os destruiu com todos os que nela havia, sem deixar ali
nem sequer um. Fez, pois, ao rei de Maqueda como fizera ao rei de Jericó.
29 De Maqueda, Josué, e todo o Israel com ele, passou a Libna, e pelejou contra
ela.
30 E a esta também, e a seu rei, o Senhor entregou na mão de Israel, que a
feriu a fio de espada com todos os que nela havia, sem deixar ali nem sequer
um. Fez, pois, ao seu rei como fizera ao rei de Jericó.
31 De Libna, Josué, e todo o Israel com ele, passou a Laquis, e a sitiou, e
pelejou contra ela.
32 O Senhor entregou também a Laquis na mão de Israel, que a tomou no segundo
dia, e a feriu a fio de espada com todos os que nela havia, conforme tudo o que
fizera a Libna.
33 Então Horão, rei de Gezer, subiu para ajudar a Laquis; porém Josué o feriu,
a ele e ao seu povo, até não lhe deixar nem sequer um.
34 De Laquis, Josué, e todo o Israel com ele, passou a Eglom, e a sitiaram, e
pelejaram contra ela,
35 e no mesmo dia a tomaram, ferindo-a a fio de espada; destruiu totalmente
nesse mesmo dia todos os que nela estavam, conforme tudo o que fizera a Laquis.
36 De Eglom, Josué, e todo o Israel com ele, subiu a Hebrom; pelejaram contra
ela,
37 tomaram-na, e a feriram ao fio da espada, bem como ao seu rei, e a todas as
suas cidades, com todos os que nelas havia. A ninguém deixou com vida, mas,
conforme tudo o que fizera a Eglom, a destruiu totalmente, com todos os que
nela havia.
38 Então Josué, e todo o Israel com ele, voltou a Debir, pelejou contra ela,
39 e a tomou com o seu rei e com todas as suas cidades; feriu-as a fio de
espada, e a todos os que nelas havia destruiu totalmente, não deixando nem
sequer um. Como fizera a Hebrom, e como fizera também a Libna e ao seu rei,
assim fez a Debir e ao seu rei.
40 Assim feriu Josué toda aquela terra, a região montanhosa, o Negebe, a
baixada, e as faldas das montanhas, e a todos os seus reis. Não deixou nem
sequer um; mas a tudo o que tinha fôlego destruiu totalmente, como ordenara o
Senhor, o Deus de Israel:
41 Assim Josué os feriu desde Cades-Barnéia até Gaza, como também toda a terra
de Gósem, até Gibeão.
42 E de uma só vez tomou Josué todos esses reis e a sua terra, porquanto o
Senhor, o Deus de Israel, pelejava por Israel.
43 Então Josué, e todo o Israel com ele, voltou ao arraial em Gilgal.
JOSUÉ
[11]
1 Quando Jabim, rei de Hazor,
ouviu isso, enviou mensageiros a Jobabe, rei de Madom, e ao rei de Sinrom, e ao
rei de Acsafe,
2 e aos reis que estavam ao norte, na região montanhosa, na Arabá ao sul de
Quinerote, na baixada, e nos planaltos de Dor ao ocidente;
3 ao cananeu do oriente e do ocidente, ao amorreu, ao heteu, ao perizeu, ao
jebuseu na região montanhosa, e ao heveu ao pé de Hermom na terra de Mizpá.
4 Saíram pois eles, com todos os seus exércitos, muito povo, em multidão como a
areia que está na praia do mar, e muitíssimos cavalos e carros.
5 Todos esses reis, reunindo-se, vieram e juntos se acamparam às águas de
Merom, para pelejarem contra Israel.
6 Disse o Senhor a Josué: Não os temas, pois amanhã a esta hora eu os
entregarei todos mortos diante de Israel. Os seus cavalos jarretarás, e os seus
carros queimarás a fogo.
7 Josué, pois, com toda a gente de guerra, sobreveio-lhes de repente às águas
de Merom, e deu sobre eles.
8 E o Senhor os entregou na mão dos israelitas, que os feriram e os perseguiram
até a grande Sidom, e até Misrefote-Maim, e até o vale de Mizpe ao oriente; e
feriram-nos até não lhes deixar nem sequer um.
9 Fez-lhes Josué como o Senhor lhe dissera: os seus cavalos jarretou, e os seus
carros queimou a fogo.
10 Naquele tempo Josué voltou e tomou também a Hazor, e feriu à espada ao seu
rei, porquanto Hazor dantes era a cabeça de todos estes reinos.
11 E passaram ao fio da espada a todos os que nela havia, destruindo-os
totalmente; nada restou do que tinha fôlego; e a Hazor ele queimou a fogo.
12 Josué, pois, tomou todas as cidades desses reis, e a eles mesmos, e os passou
ao fio da espada, destruindo-os totalmente, como ordenara Moisés, servo do
Senhor.
13 Contudo, quanto às cidades que se achavam sobre os seus altos, a nenhuma
delas queimou Israel, salvo somente a Hazor; a essa Josué queimou.
14 Mas todos os despojos dessas cidades, e o gado, tomaram-nos os filhos de
Israel como presa para si; porém feriram ao fio da espada todos os homens, até
os destruírem; nada deixaram do que tinha fôlego de vida.
15 Como o Senhor ordenara a Moisés, seu servo, assim Moisés ordenou a Josué, e
assim Josué o fez; não deixou de fazer coisa alguma de tudo o que o Senhor
ordenara a Moisés.
16 Assim Josué tomou toda aquela terra, a região montanhosa, todo o Negebe, e
toda a terra de Gósem e a baixada, e a Arabá, e a região montanhosa de Israel
com a sua baixada,
17 desde o monte Halaque, que sobe a Seir, até Baal-Gade, no vale do Líbano, ao
pé do monte Hermom; também tomou todos os seus reis, e os feriu e os matou.
18 Por muito tempo Josué fez guerra contra todos esses reis.
19 Não houve cidade que fizesse paz com os filhos de Israel, senão os heveus,
moradores de Gibeão; a todas tomaram à força de armas.
20 Porquanto do Senhor veio o endurecimento dos seus corações para saírem à
guerra contra Israel, a fim de que fossem destruídos totalmente, e não achassem
piedade alguma, mas fossem exterminados, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
21 Naquele tempo veio Josué, e exterminou os anaquins da região montanhosa de
Hebrom, de Debir, de Anabe, de toda a região montanhosa de Judá, e de toda a região
montanhosa de Israel; Josué os destruiu totalmente com as suas cidades.
22 Não foi deixado nem sequer um dos anaquins na terra dos filhos de Israel;
somente ficaram alguns em Gaza, em Gate, e em Asdode.
23 Assim Josué tomou toda esta terra conforme tudo o que o Senhor tinha dito a
Moisés; e Josué a deu em herança a Israel, pelas suas divisões, segundo as suas
tribos; e a terra repousou da guerra.
JOSUÉ
[12]
1 Estes, pois, são os reis da
terra, aos quais os filhos de Israel feriram e cujas terras possuíram, do
Jordão para o nascente do sol, desde o vale do Arnom até o monte Hermom, e toda
a Arabá para o oriente:
2 Siom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom e que dominava desde Aroer,
que está a borda do vale do Arnom, e desde o meio do vale, e a metade de
Gileade, até o ribeiro Jaboque, termo dos amonitas;
3 e a Arabá até o mar de Quinerote para o oriente, e até o mar da Arabá, o Mar
Salgado, para o oriente, pelo caminho de Bete-Jesimote, e no sul abaixo das
faldas de Pisga;
4 como também o termo de Ogue, rei de Basã, que era do restante dos refains, o
qual habitava em Astarote, e em Edrei,
5 e dominava no monte Hermom, e em Salca, e em toda a Basã, até o termo dos
gesureus e dos maacateus, e metade de Gileade, termo de siom, rei de Hesbom.
6 Moisés, servo do Senhor, e os filhos de Israel os feriram; e Moisés, servo do
Senhor, deu essa terra em possessão aos rubenitas, e aos gaditas, e à meia
tribo de Manassés:
7 E estes são os reis da terra, aos quais Josué e os filhos de Israel feriram,
do Jordão para o ocidente, desde Baal-Gade, no vale do Líbano, até o monte
Halaque, que sobe a Seir (e Josué deu as suas terras às tribos de Israel em
possessão, segundo as suas divisoes,
8 isto é, o que havia na região montanhosa, na baixada, na Arabá, nas faldas
das montanhas, no deserto e no Negebe: o heteu, o amorreu, e o cananeu, o
perizeu, o heveu, e o jebuseu);
9 o rei de Jericó, o rei de Ai, que está ao lado de Betel,
10 o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom,
11 o rei de Jarmute, o rei de Laquis,
12 o rei de Eglom, o rei de Gezer,
13 o rei de Debir, o rei de Geder,
14 o rei de Horma, o rei de Arade,
15 o rei de Libna, o rei de Adulão,
16 o rei de Maqueda, o rei de Betel,
17 o rei de Tapua, o rei de Hefer,
18 o rei de Afeque, o rei de Lassarom,
19 o rei de Madom, o rei de Hazor,
20 o rei de Sinrom-Merom, o rei de Acsafe,
21 o rei de Taanaque, o rei de Megido,
22 o rei de Quedes, o rei de Jocneão do Carmelo,
23 o rei de Dor no outeiro de Dor, o rei de Goiim em Gilgal,
24 o rei de Tirza: trinta e um reis ao todo.
JOSUÉ
[13]
1 Era Josué já velho e
avançado em anos, quando lhe disse o Senhor: Já estás velho e avançado em anos,
e ainda fica muitíssima terra para se possuir.
2 A terra que ainda fica é esta: todas as regiões dos filisteus, bem como todas
as dos gesureus,
3 desde Sior, que está defronte do Egito, até o termo de Ecrom para o norte,
que se tem como pertencente aos cananeus; os cinco chefes dos filisteus; o
gazeu, o asdodeu, o asqueloneu, o giteu, e o ecroneu; também os aveus;
4 no sul toda a terra, dos cananeus, e Meara, que pertence aos sidônios, até
Afeca, até o termo dos amorreus;
5 como também a terra dos Gebalitas, e todo o Líbano para o nascente do sol,
desde Baal-Gade, ao pé do monte Hermom, até a entrada de Hamate;
6 todos os habitantes da região montanhosa desde o Líbano até Misrefote-Maim, a
saber, todos os sidônios. Eu os lançarei de diante dos filhos de Israel;
tão-somente reparte a terra a Israel por herança, como já te mandei.
7 Reparte, pois, agora esta terra por herança às nove tribos, e à meia tribo de
Manassés.
8 Com a outra meia tribo os rubenitas e os gaditas já haviam recebido a sua
herança do Jordão para o oriente, a qual Moisés, servo do Senhor, lhes tinha
dado:
9 desde Aroer, que está à borda do vale do Arnom, e a cidade que está no meio
do vale, e todo o planalto de Medeba até Dibom;
10 e todas as cidades de Siom, rei dos amorreus, que reinou em Hesbom, até o
termo dos amonitas;
11 e Gileade, e o território dos gesureus e dos maacateus, e todo o monte
Hermom, e toda a Basã até Salca;
12 todo o reino de Ogue em Basã, que reinou em Astarote e em Edrei (ele era dos
refains que ficaram); pois que Moisés os feriu e expulsou.
13 Contudo os filhos de Israel não expulsaram os gesureus nem os maacateus, os
quais ficaram habitando no meio de Israel até o dia de hoje.
14 Tão-somente à tribo de Levi não deu herança; as ofertas queimadas ao Senhor,
Deus de Israel, são a sua herança, como lhe tinha dito.
15 Assim Moisés deu herança à tribo dos filhos de Rúben conforme as suas
famílias.
16 E foi o seu território desde Aroer, que está à borda do vale do Amom, e a
cidade que está no meio do vale, e todo o planalto junto a Medeba;
17 Hesbom, e todas as suas cidades que estão no planalto; Dibom, Bamote-Baal e
Bete-Baal-Meom;
18 Jaza, Qa espada até serem consumidos, então todo o Israel
19 Quiriataim, Sibma e Zerete-Saar, no monte do vale;
20 Bete-Peor, as faldas de Pisga e Bete-Jesimote;
21 todas as cidades do planalto, e todo o reino de Siom, rei dos amorreus, que
reinou em Hesbom, a quem Moisés feriu juntamente com os príncipes de Midiã:
Evi, Requem, Zur, Hur e Reba, príncipes de Siom, que moravam naquela terra.
22 Também ao adivinho Balaão, filho de Beor, os filhos de Israel mataram à
espada, juntamente com os demais que por eles foram mortos.
23 E ficou sendo o Jordão o termo dos filhos de Rúben. Essa região, com as suas
cidades e aldeias, foi a herança dos filhos de Rúben, segundo as suas famílias.
24 Também deu Moisés herança à tribo de Gade, aos filhos de Gade, segundo as
suas famílias.
25 E foi o seu território Jazer, e todas as cidades de Gileade, e metade da
terra dos amonitas, até Aroer, que está defronte de Rabá;
26 e desde Hesbom até Ramá-Mizpe, e Betonim, e desde Maanaim até o termo de
Debir;
27 e no vale, Bete-Arã, Bete-Ninra, Sucote e Zafom, resto do reino de Siom, rei
de Hesbom, tendo o Jordão por termo, até a extremidade do mar de Quinerete, do
Jordão para o oriente.
28 Essa região, com as suas cidades e aldeias, foi a herança dos filhos da
Gade, segundo as suas famílias.
29 Também deu Moisés herança à meia tribo de Manassés; a qual foi repartida à
meia tribo dos filhos de Manassés segundo as suas famílias.
30 Foi o seu território desde Maanaim; toda a Basã, todo o reino de Ogue, rei
de Basã, e todas as aldeias de Jair, que estão em Basã, sessenta ao todo;
31 e metade de Gileade, e Astarote, e Edrei, cidades do reino de Ogue, em Basã,
foram para os filhos de Maquir, filho de Manassés, isto é, para a metade dos
filhos de Maquir, segundo as suas famílias.
32 Isso é o que Moisés repartiu em herança nas planícies de Moabe, do Jordão
para o oriente, na altura de Jericó.
33 Contudo, à tribo de Levi Moisés não deu herança; o Senhor, Deus de Israel, é
a sua herança, como lhe tinha dito.
JOSUÉ
[14]
1 Estas, pois, são as
heranças que os filhos de Israel receberam na terra de Canaã, as quais Eleazar,
o sacerdote, e Josué, filho de Num, e os cabeças das casas paternas das tribos
dos filhos de Israel lhes repartiram.
2 Foi feita por sorte a partilha da herança entre as nove tribos e meia, como o
Senhor ordenara por intermédio de Moisés.
3 Porquanto às duas tribos e meia Moisés já dera herança além do Jordão; mas
aos levitas não deu herança entre eles.
4 Os filhos de José eram duas tribos, Manassés e Efraim; e aos levitas não se
deu porção na terra, senão cidades em que habitassem e os arrabaldes delas para
o seu gado e para os seus bens. :
5 Como o Senhor ordenara a Moises, assim fizeram os filhos de Israel e
repartiram a terra.
6 Então os filhos de Judá chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné
o quenezeu, lhe disse: Tu sabes o que o Senhor falou a Moisés, homem de Deus,
em Cades-Barnéia, a respeito de mim e de ti.
7 Quarenta anos tinha eu quando Moisés, servo do Senhor, me enviou de
Cades-Barnéia para espiar a terra, e eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu
coração.
8 Meus irmãos que subiram comigo fizeram derreter o coraçao o povo; mas eu
perseverei em seguir ao Senhor meu Deus.
9 Naquele dia Moisés jurou, dizendo: Certamente a terra em que pisou o teu pé
te será por herança a ti e a teus filhos para sempre, porque perseveraste em
seguir ao Senhor meu Deus.
10 E agora eis que o Senhor, como falou, me conservou em vida estes quarentá e
cinco anos, desde o tempo em que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando
Israel ainda no deserto; e eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos;
11 ainda hoje me acho tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a
minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para
sair e entrar.
12 Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; porque tu
ouviste, naquele dia, que estavam ali os anaquins, bem como cidades grandes e
fortificadas. Porventura o Senhor será comigo para os expulsar, como ele disse.
13 Então Josué abençoou a Calebe, filho de Jefoné, e lhe deu Hebrom em herança.
14 Portanto Hebrom ficou sendo herança de Calebe, filho de Jefoné o quenezeu,
até o dia de hoje, porquanto perseverara em seguir ao Senhor Deus de Israel.
15 Ora, o nome de Hebrom era outrora Quiriate-Arba, porque Arba era o maior
homem entre os anaquins. E a terra repousou da guerra.
JOSUÉ
[15]
1 A sorte que coube à tribo
dos filhos de Judá, segundo as suas famílias, se estende até o termo de Edom,
até o deserto de Zim para o sul, na extremidade do lado meridional
2 O seu termo meridional, partindo da extremidade do Mar Salgado, da baía que
dá para o sul,
3 estende-se para o sul, até a subida de Acrabim, passa a Zim, sobe pelo sul de
Cades-Barnéia, passa por Hezrom, sobe a Adar, e vira para Carca;
4 daí passa a Azmom, chega até o ribeiro do Egito, e por ele vai até o mar.
Este será o vosso termo meridional.
5 O termo oriental é o Mar Salgado, até a foz do Jordão. O termo setentrional,
partindo da baía do mar na foz do Jordão,
6 sobe até Bete-Hogla, passa ao norte de Bete-Arabá, e sobe até a pedra de Boã,
filho de Rúben;
7 sobe mais este termo a Debir, desde o vale de Acor, indo para o norte em
direção a Gilgal, a qual está defronte da subida de Adumim, que se acha ao lado
meridional do ribeiro; então continua este termo até as águas de En-Semes, e os
seus extremos chegam a En-Rogel;
8 sobe ainda pelo vale de Ben-Hinom, até a saliência meridional do monte
jebuseu (isto é, Jerusalém); sobe ao cume do monte que está fronteiro ao vale
de Hinom para o ocidente, na extremidade do vale dos refains para o norte;
9 do cume do monte se estende até a fonte das águas de Neftoa e, seguindo até
as cidades do monte de Efrom, estende-se ainda até Baalá (esta é
Quiriate-Jearim) ;
10 de Baalá este termo volta para o ocidente, até o monte Seir, passa ao lado
do monte Jearim da banda do norte (este é Quesalom) , desce a Bete-Semes e
passa por Timna;
11 segue mais este termo até o lado de Ecrom para o norte e, indo para Siquerom
e passando o monte de Baalá, chega a Jabneel; e assim este termo finda no mar.
12 O termo ocidental é o mar grande. São esses os termos dos filhos de Judá ao
redor, segundo as suas famílias.
13 Deu-se, porém, a Calebe, filho de Jefoné, uma porção no meio dos filhos de
Judá, conforme a ordem do Senhor a Josué, a saber, Quiriate-Arba, que é Hebrom
(Arba era o pai de Anaque).
14 E Calebe expulsou dali os três filhos de Anaque: Sesai, Aimã e Talmai,
descendentes de Anaque.
15 Dali subiu contra os habitantes de Debir. Ora, o nome de Debir era dantes
Quiriate-Sefer.
16 Disse então Calebe: A quem atacar Quiriate-Sefer e a tomar, darei a minha
filha Acsa por mulher.
17 Tomou-a, pois, Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe; e este lhe deu a
sua filha Acsa por mulher.
18 Estando ela em caminho para a casa de Otniel, persuadiu-o que pedisse um
campo ao pai dela. E quando ela saltou do jumento, Calebe lhe perguntou: Que é
que tens?
19 Respondeu ela: Dá-me um presente; porquanto me deste terra no Negebe, dá-me
também fontes d'água. Então lhe deu as fontes superiores e as fontes
inferiores.
20 Esta é a herança da tribo dos filhos de Judá, segundo as suas famílias.
21 As cidades pertencentes à tribo dos filhos de Judá, no extremo sul, para o
lado de Edom, são: Cabzeel, Eder, Jagur,
22 Quiná, Dimona, Adada,
23 Quedes, Hazor, Itnã,
24 Zife, Telem, Bealote,
25 Hazor-Hadada, Queriote-Hezrom (que é Hazor),
26 Amã, Sema, Molada,
27 Hazar-Gada, Hesmom, Bete-Pelete,
28 Hazar-Sual, Berseba, Biziotiá,
29 Baalá, Iim, Ezem,
30 Eltolade, Quesil, Horma,
31 Ziclague, Madmana, Sansana,
32 Lebaote, Silim, Aim e Rimom; ao todo, vinte e nove cidades, e as suas
aldeias.
33 Na baixada: Estaol, Zorá, Asná,
34 Zanoa, En-Ganim, Tapua, Enã,
35 Jarmute, Adulão, Socó, Azeca,
36 Saraim, Aditaim, Gedera e Gederotaim; catorze cidades e as suas aldeias.
37 Zenã, Hadasa, Migdal-Gade,
38 Dileã, Mizpe, Jocteel,
39 Laquis, Bozcate, Erglom,
40 Cabom, Laamás, Quitlis,
41 Gederote, Bete-Dagom, Naama e Maqueda; dezesseis cidades e as suas aldeias.
42 Libna, Eter, Asã,
43 Iftá, Asná, Nezibe,
44 Queila, Aczibe e Maressa; nove cidades e as suas aldeias.
45 Ecrom, com as suas vilas e aldeias;
46 desde Ecrom até o mar, todas as que estão nas adjacências de Asdode, e as
suas aldeias;
47 Asdode, com as suas vilas e aldeias; Gaza, com as suas vilas e aldeias, até
o rio do Egito, e o mar grande, que serve de termo.
48 E na região montanhosa: Samir, Jatir, Socó,
49 Daná, Quiriate-Saná (que é Debir),
50 Anabe, Estemó, Anim,
51 Gósem Holom e Gilo; onze cidades e as suas aldeias.
52 Arabe, Dumá, Esã,
53 Janim, Bete-Tapua, Afeca,
54 Hunta, Quiriate-Arba (que é Hebrom) e Zior; nove cidades e as suas aldeias.
55 Maom, Carmelo, Zife, Jutá,
56 Jizreel, Jocdeão, Zanoa,
57 Caim, Gibeá e Timna; dez cidades e as suas aldeias.
58 Halul, Bete-Zur, Gedor,
59 Maarate, Bete-Anote e Eltecom; seis cidades e as suas aldeias.
60 Quiriate-Baal (que é Quiriate-Jearim) e Rabá; duas cidades e as suas
aldeias.
61 No deserto: Bete-Arabá, Midim, Secaca,
62 Nibsã, a cidade do Sal e En-Gedi; seis cidades e as suas aldeias.
63 Não puderam, porém, os filhos de Judá expulsar os jebuseus que habitavam em
Jerusalém; assim ficaram habitando os jebuseus com os filhos de Judá em
Jerusalém, até o dia de hoje.
JOSUÉ
[16]
1 Saiu depois a sorte dos
filhos de José, a qual, partindo do Jordão, na altura de Jericó, junto às águas
de Jericó ao oriente, se estende pelo deserto que sobe de Jericó através da
região montanhosa até Betel;
2 de Betel vai para Luz, e passa ao termo dos arquitas, até Atarote;
3 desce para o ocidente até o termo dos jafletitas, até o termo de Bete-Horom
de baixo, e daí até Gezer, indo terminar no mar.
4 Assim receberam a sua herança os filhos de José, Manassés e Efraim.
5 Ora, fica o termo dos filhos de Efraim, segundo as suas famílias, como se
segue: para o oriente o termo da sua herança é Atarote-Adar até Bete-Horom de
cima;
6 sai este termo para o ocidente junto a Micmetá ao norte e vira para o oriente
até Taanate-Siló, margeando-a a leste de Janoa;
7 desce de Janoa a Atarote e a Naarate, toca em Jericó e termina no Jordão:
8 De Tapua estende-se para o ocidente até o ribeiro de Caná, e vai terminar no
mar. Esta é a herança da tribo dos filhos de Efraim, segundo as suas famílias,
9 juntamente com as cidades que se separaram para os filhos de Efraim no meio
da herança dos filhos de Manassés, todas as cidades e suas aldeias.
10 E não expulsaram aos cananeus que habitavam em Gezer; mas os cananeus
ficaram habitando no meio dos efraimitas até o dia de hoje, e tornaram-se
servos, sujeitos ao trabalho forçado.
JOSUÉ
[17]
1 Também coube sorte à tribo
de Manassés, porquanto era o primogênito de José. Quanto a Maquir, o
primogênito de Manassés, pai de Gileade, porquanto era homem de guerra,
obtivera Gileade e Basã.
2 Também os outros filhos de Manassés tiveram a sua parte, segundo as suas
famílias, a saber: os filhos de Abiezer, os filhos de Heleque, os filhos de
Asriel, os filhos de Siquém, os filhos de Hefer, e os filhos de semida. Esses
são os filhos de Manassés, filho de José, segundo as suas famílias.
3 Zelofeade, porém, filho de Hefer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de
Manassés, não teve filhos, mas só filhas; e estes são os nomes de suas filhas:
Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza.
4 Estas, pois, se apresentaram diante de Eleazar, o sacerdote, e diante de
Josué, filho de Num, e diante dos príncipes, dizendo: O Senhor ordenou a Moisés
que se nos desse herança no meio de nossos irmãos. Pelo que se lhes deu herança
no meio dos irmãos de seu pai, conforme a ordem do Senhor.
5 E couberam a Manassés dez quinhões, afora a terra de Gileade e Basã, que está
além do Jordão;
6 porque as filhas de Manassés possuíram herança entre os filhos dele; e a
terra de Gileade coube aos outros filhos de Manassés.
7 Ora, o termo de Manassés vai desde Aser até Micmetá, que está defronte de
Siquém; e estende-se pela direita até os moradores de En-Tapua.
8 A terra de Tapua ficou pertencendo a Manassés; porém Tapua, junto ao termo de
Manassés, pertencia aos filhos de Efraim .
9 Então desce este termo ao ribeiro de Caná; a Efraim couberam as cidades ao
sul do ribeiro no meio das cidades de Manassés; o termo de Manassés está ao
norte do ribeiro, e vai até o mar.
10 Ao sul a terra é de Efraim, e ao norte de Manassés, sendo o mar o seu termo.
Estendem-se ao norte até Aser, e ao oriente até Issacar
11 Porque em Issacar e em Aser couberam a Manassés Bete-Seã e suas vilas,
Ibleão e suas vilas, os habitantes de Dor e suas vilas, os habitantes de En-Dor
e suas vilas, os habitantes de Taanaque e suas vilas, e os habitantes de Megido
e suas vilas, com os seus três outeiros.
12 Contudo os filhos de Manassés não puderam expulsar os habitantes daquelas
cidades, porquanto os cananeus persistiram em habitar naquela terra.
13 Mas quando os filhos de Israel se tornaram fortes, sujeitaram os cananeus a
trabalhos forçados, porém não os expulsaram de todo.
14 Então os filhos de José falaram a Josué, dizendo: Por que me deste por
herança apenas uma sorte e um quinhão, sendo eu um povo numeroso, porquanto o
Senhor até aqui me tem abençoado?
15 Respondeu-lhes Josué: Se és povo numeroso, sobe ao bosque, e corta para ti
lugar ali na terra dos perizeus e dos refains, desde que a região montanhosa de
Efraim te é estreita demais.
16 Tornaram os filhos de José: A região montanhosa não nos bastaria; além disso
todos os cananeus que habitam na terra do vale têm carros de ferro, tanto os de
Bete-Seã e das suas vilas, como os que estão no vale de Jizreel.
17 Então Josué falou a casa de José, isto é, a Efraim e a Manassés, dizendo:
Povo numeroso és tu, e tens grande força; não terás uma sorte apenas;
18 porém a região montanhosa será tua; ainda que é bosque, cortá-lo-ás, e as
suas extremidades serão tuas; porque expulsarás os cananeus, não obstante terem
eles carros de ferro e serem fortes:
JOSUÉ
[18]
1 Ora, toda a congregação dos
filhos de Israel, havendo conquistado a terra, se reuniu em Siló, e ali armou a
tenda da revelação.
2 E dentre os filhos de Israel restavam sete tribos que ainda não tinham
repartido a sua herança.
3 Disse, pois, Josué aos filhos de Israel: Até quando sereis remissos em
entrardes para possuir a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos deu?
4 Designai vós a três homens de cada tribo, e eu os enviarei; e eles sairão a
percorrer a terra, e a demarcarão segundo as suas heranças, e voltarão a ter
comigo.
5 Reparti-la-ão em sete partes; Judá ficará no seu termo da banda do sul; e a
casa de José ficará no seu termo da banda do norte.
6 Sim, vós demarcareis a terra em sete partes, e me trareis a mim a sua
descrição; eu vos lançarei as sortes aqui perante o Senhor nosso Deus.
7 Porquanto os levitas não têm parte no meio de vós, porque o sacerdócio do
Senhor é a sua herança; e Gade, Rúben e a meia tribo de Manassés já receberam a
sua herança além do Jordão para o oriente, a qual lhes deu Moisés, servo do
Senhor.
8 Então aqueles homens se aprontaram para saírem; e Josué deu ordem a esses que
iam demarcar a terra, dizendo: Ide, percorrei a terra, e demarcai-a; então
vinde ter comigo; e aqui em Siló vos lançarei as sortes perante o Senhor.
9 Foram, pois, aqueles homens e, passando pela terra, a demarcaram em sete
partes segundo as suas cidades, descrevendo-a num livro; e voltaram a Josué, ao
arraial em Siló.
10 Então Josué lhes lançou as sortes em Siló, perante o Senhor; e ali repartiu
Josué a terra entre os filhos de Israel, conforme as suas divisões.
11 E surgiu a sorte da tribo dos filhos de Benjamim, segundo as suas famílias,
e coube-lhe o território da sua sorte entre os filhos de Judá e os filhos de
José.
12 O seu termo ao norte, partindo do Jordão, vai até a saliência ao norte de
Jericó e, subindo pela região montanhosa para o ocidente, chega até o deserto
de Bete-Áven;
13 dali passa até Luz, ao lado de Luz (que é Betel) para o sul; e desce a
Atarote-Adar, junto ao monte que está ao sul de Bete-Horom de baixo;
14 e vai este termo virando, pelo lado ocidental, para o sul desde o monte que
está defronte de Bete-Horom; e chega a Quiriate-Baal (que é Quiriate-Jearim),
cidade dos filhos de Judá. Esta é a sua fronteira ocidental.
15 A sua fronteira meridional começa desde a extremidade de Quiriate-Jearim, e
dali se estende até Efrom, até a fonte das águas de Neftoa;
16 desce à extremidade do monte que está fronteiro ao vale de Ben-Hinom, que
está no vale dos refains, para o norte; também desce ao vale de Hinom da banda
dos jebuseus para o sul; e desce ainda até En-Rogel;
17 passando para o norte, chega a En-Semes, e dali sai a Gelilote, que está
defronte da subida de Adumim; desce à pedra de Boã, filho de Rúben;
18 segue para o norte, margeando a Arabá, e desce ainda até a Arabá;
19 segue dali para o norte, ladeando Bete-Hogla; e os seus extremos chegam à
baía setentrional do Mar Salgado, na extremidade meridional do Jordão. Esse é o
termo do sul.
20 E o Jordão é o seu termo oriental. Essa é a herança dos filhos de Benjamim,
pelos seus termos ao redor, segundo as suas famílias.
21 Ora, as cidades da tribo dos filhos de Benjamim, segundo as suas famílias,
são: Jericó, Bete-Hogla, Emeque-Queziz,
22 Bete-Arabá, Zemaraim, Betel,
23 Avim, Pará, Ofra,
24 Quefar-Ha-Amonai. Ofni e Gaba; doze cidades e as suas aldeias.
25 Gibeão, Ramá, Beerote,
26 Mizpe, Cefira, Moza,
27 Requem, Irpeel, Tarala,
28 Zela, Elefe e Jebus (esta é Jerusalém), Gibeá e Quiriate; catorze cidades e
as suas aldeias. Essa é a herança dos filhos de Benjamim, segundo as suas
familias.
JOSUÉ
[19]
1 Saiu a segunda sorte a
Simeão, isto é, à tribo dos filhos de Simeão, segundo as suas famílias; e foi a
sua herança no meio da herança dos filhos de Judá.
2 Tiveram, pois, na sua herança: Berseba, Seba, Molada,
3 Hazar-Sual, Balá, Ezem,
4 Eltolade, Betul, Horma,
5 Ziclague, Bete-Marcabote, Hazar-Susa,
6 Bete-Lebaote e Saruém; treze cidades e as suas aldeias.
7 Aim, Rimom, Eter e Asã; quatro cidades e as suas aldeias;
8 e todas as aldeias que havia em redor dessas cidades, até Baalate-Ber, que é
Ramá do sul. Essa é a herança da tribo dos filhos de Simeão, segundo as suas
famílias.
9 Ora, do quinhão dos filhos de Judá tirou-se a herança dos filhos de Simeão,
porquanto a porção dos filhos de Judá era demasiadamente grande para eles; pelo
que os filhos de Simeão receberam herança no meio da herança deles.
10 Surgiu a terceira sorte aos filhos de Zebulom, segundo as suas familias. Vai
o termo da sua herança até Saride;
11 sobe para o ocidente até Marala, estende-se até Dabesete, e chega até o
ribeiro que está defronte de Jocneão;
12 de Saride vira para o oriente, para o nascente do sol, até o termo de
Quislote-Tabor, estende-se a Daberate, e vai subindo a Jafia;
13 dali passa para o oriente a Gate-Hefer, a Ete-Cazim, chegando a Rimom-Metoar
e virando-se para Neá;
14 vira ao norte para Hanatom, e chega ao vale de Iftael;
15 e Catate, Naalal, Sinrom, Idala e Belém; doze cidades e as suas aldeias.
16 Essa é a herança dos filhos de Zebulom, segundo as suas famílias, essas
cidades e as suas aldeias.
17 A quarta sorte saiu aos filhos de Issacar, segundo as suas famílias.
18 Vai o seu termo até Jizreel, Quesulote, Suném.
19 Hafaraim, Siom, Anaarate,
20 Rabite, Quisiom, Abes,
21 Remete, En-Ganim, En-Hada e Bete-Pazez,
22 estendendo-se este termo até Tabor, Saazima e Bete-Semes; e vai terminar no
Jordão; dezesseis cidades e as suas aldeias.
23 Essa é a herança da tribo dos filhos de Issacar, segundo as suas famílias,
essas cidades e as suas aldeias.
24 Saiu a quinta sorte à tribo dos filhos de Aser, segundo as suas famílias.
25 O seu termo inclui Helcate, Hali, Bétem, Acsafe,
26 Alameleque, Amade e Misal; estende-se para o ocidente até Carmelo e
Sior-Libnate;
27 vira para o nascente do sol a Bete-Dagom; chega a Zebulom e ao vale de
Iftael para o norte, até Bete-Emeque e Neiel; estende-se pela esquerda até
Cabul,
28 Ebrom, Reobe, Hamom e Caná, até a grande Sidom;
29 vira para Ramá, e para a cidade fortificada de Tiro, desviando-se então para
Hosa, donde vai até o mar; Maalabe, Aczibe,
30 Umá, Afeca e Reobe; ao todo, vinte e duas cidades e as suas aldeias.
31 Essa é a herança da tribo dos filhos de Aser, segundo as suas famílias,
essas cidades e as suas aldeias.
32 Saiu a sexta sorte aos filhos de Naftali, segundo as suas famílias.
33 Vai o seu termo desde Helefe e desde o carvalho em Zaananim, e Adâmi-Nequebe
e Jabneel, até Lacum, terminando no Jordão;
34 vira para o ocidente até Aznote-Tabor, e dali passa a Hucoque; chega a
Zebulom, da banda do sul, e a Aser, da banda do ocidente, e a Judá, à margem do
Jordão, para o oriente.
35 E são as cidades fortificadas: Zidim, Zer, Hamate, Racate, Quinerete,
36 Adama, Ramá, Hazor,
37 Quedes, Edrei, En-Hazor,
38 Irom, Migdal-El, Horem, Bete-Anate e Bete-Semes; dezenove cidades e as suas
aldeias.
39 Essa é a herança da tribo dos filhos de Naftali, segundo as suas famílias,
essas cidades e as suas aldeias.
40 A sétima sorte saiu à tribo dos filhos de Dã, segundo as suas famílias.
41 O termo da sua herança inclui: Zorá, Estaol, Ir-Semes,
42 Saalabim, Aijalom, Itla,
43 Elom, Timnate, Ecrom,
44 Elteque, Gibetom, Baalate,
45 Jeúde, Bene-Beraque, Gate-Rimom,
46 Me-Jarcom e Racom, com o território defronte de Jope.
47 Saiu, porém, pequena o território dos filhos de Dã; pelo que os filhos de Dã
subiram, pelejaram contra Lesem e a tomaram; feriram-na ao fio da espada,
tomaram posse dela e habitaram-na; e a Lesem chamaram Dã, conforme o nome de
Dã, seu pai.
48 Essa é a herança da tribo dos filhos de Dã, segundo as suas famílias, essas
cidades e as suas aldeias.
49 Tendo os filhos de Israel acabado de repartir a terra em herança segundo os
seus termos, deram a Josué, filho de Num, herança no meio deles.
50 Segundo a ordem do Senhor lhe deram a cidade que pediu, Timnate-Sera, na
região montanhosa de Efraim; e ele reedificou a cidade, e habitou nela.
51 Essas são as heranças que Eleazar, o sacerdote, e Josué, filho de Num, e os
cabeças das casas paternas nas tribos dos filhos de Israel repartiram em
herança por sorte em Siló, perante o Senhor, à porta da tenda da revelação. E
assim acabaram de repartir a terra.
JOSUÉ
[20]
1 Falou mais o Senhor a
Josué:
2 Dize aos filhos de Israel: Designai para vós as cidades de refúgio, de que
vos falei por intermédio de Moisés,
3 a fim de que fuja para ali o homicida, que tiver matado alguma pessoa
involuntariamente, e não com intento; e elas vos servirão de refúgio contra o
vingador do sangue.
4 Fugindo ele para uma dessas cidades, apresentar-se-á à porta da mesma, e
exporá a sua causa aos anciãos da tal cidade; então eles o acolherão ali e lhe
darão lugar, para que habite com eles.
5 Se, pois, o vingador do sangue o perseguir, não lhe entregarão o homicida,
porquanto feriu a seu próximo sem intenção e sem odiá-lo dantes.
6 E habitará nessa cidade até que compareça em juizo perante a congregação, até
que morra o sumo sacerdote que houver naqueles dias; então o homicida voltará,
e virá à sua cidade e à sua casa, à cidade donde tiver fugido.
7 Então designaram a Quedes na Galiléia, na região montanhosa de Naftali, a
Siquém na região montanhosa de Efraim, e a Quiriate-Arba (esta é Hebrom) na
região montanhosa de Judá.
8 E, além do Jordão na altura de Jericó para o oriente, designaram a Bezer, no
deserto, no planalto da tribo de Rúben a Ramote, em Gileade, da tribo de Gade,
e a Golã, em Basã, da tribo de Manassés.
9 Foram estas as cidades designadas para todos os filhos de Israel, e para o
estrangeiro que peregrinasse entre eles, para que se acolhesse a elas todo
aquele que matasse alguma pessoa involuntariamente, para que não morresse às
mãos do vingador do sangue, até se apresentar perante a congregaçao.
JOSUÉ
[21]
1 Então os cabeças das casas
paternas dos levitas chegaram a Eleazar, o sacerdote, e a Josué, filho de Num,
e aos cabeças das casas paternas nas tribos dos filhos de Israel,
2 em Siló, na terra de Canaã, e lhes falaram, dizendo: O Senhor ordenou, por
intermédio de Moisés, que se nos dessem cidades em que habitássemos, e os seus
arrabaldes para os nossos animais.
3 Pelo que os filhos de Israel deram aos levitas, da sua herança, conforme a
ordem do Senhor, as seguintes cidades e seus arrabaldes.
4 Saiu, pois, a sorte às famílias dos coatitas; e aos filhos de Arão, o
sacerdote, que eram dos levitas, caíram por sorte, da tribo de Judá, da tribo
de Simeão e da tribo de Benjamim, treze cidades;
5 aos outros filhos de Coate caíram por sorte, das famílias da tribo de Efraim,
da tribo de Dã e da meia tribo de Manassés, dez cidades;
6 aos filhos de Gérson caíram por sorte, das famílias da tribo de Issacar, da
tribo de Aser, da tribo de Naftali e da meia tribo de Manassés em Basã, treze
cidades;
7 e aos filhos de Merári, segundo as suas familias, da tribo de Rúben, da tribo
de Gade e da tribo de Zebulom, doze cidades.
8 Assim deram os filhos de Israel aos levitas estas cidades e seus arrabaldes
por sorte, como o Senhor ordenara por intermédio de Moisés.
9 Ora, deram, da tribo dos filhos de Judá e da tribo dos filhos de Simeão,
estas cidades que por nome vão aqui mencionadas,
10 as quais passaram a pertencer aos filhos de Arão, sendo estes das famílias
dos coatitas e estes, por sua vez, dos filhos de Levi; porquanto lhes caiu a
primeira sorte.
11 Assim lhes deram Quiriate-Arba, que é Hebrom, na região montanhosa de Judá,
e seus arrabaldes em redor (Arba era o pai de Anaque).
12 Mas deram o campo da cidade e suas aldeias a Calebe, filho de Jefoné, por
sua possessão.
13 Aos filhos de Arão, o sacerdote, deram Hebrom, cidade de refúgio do
homicida, e seus arrabaldes, Libna e seus arrabaldes,
14 Jatir e seus arrabaldes, Estemoa e seus arrabaldes,
15 Holom e seus arrabaldes, Debir e seus arrabaldes,
16 Aim e seus arrabaldes, Jutá e seus arrabaldes, Bete-Semes e seus arrabaldes;
nove cidades dessas duas tribos.
17 E da tribo de Benjamim, Gibeão e seus arrabaldes, Geba e seus arrabaldes,
18 Anatote e seus arrabaldes, Almom e seus arrabaldes; quatro cidades.
19 Todas as cidades dos sacerdotes, filhos de Arão, foram treze cidades e seus
arrabaldes.
20 As famílias dos filhos de Coate, levitas, isto é, os demais filhos de Coate,
receberam as cidades da sua sorte; da tribo de Efraim
21 deram-lhes Siquém, cidade de refúgio do homicida, e seus arrabaldes, na
região montanhosa de Efraim, Gezer e seus arrabaldes,
22 Quibzaim e seus arrabaldes, Bete-Horom e seus arrabaldes; quatro cidades.
23 E da tribo de Dã, Elteque e seus arrabaldes, Gibetom e seus arrabaldes,
24 Aijalom e seus arrabaldes, Gate-Rimon e seus arrabaldes; quatro cidades.
25 E da meia tribo de Manassés, Taanaque e seus arrabaldes, e Gate-Rimon e seus
arrabaldes; duas cidades.
26 As famílias dos demais filhos de Coate tiveram ao todo dez cidades e seus
arrabaldes.
27 Aos filhos de Gérsom das famílias dos levitas, deram, da meia tribo de
Manassés, Golã, cidade de refúgio do homicida, em Basã, e seus arrabaldes, e
Beesterá e seus arrabaldes; duas cidades.
28 E da tribo de Issacar, Quisiom e seus arrabaldes, Daberate e seus
arrabaldes,
29 Jarmute e seus arrabaldes, En-Ganim e seus arrabaldes; quatro cidades.
30 E da tribo de Aser, Misal e seus arrabaldes, Abdom e seus arrabaldes,
31 Helcate e seus arrabaldes, Reobe e seus arrabaldes; quatro cidades.
32 E da tribo de Naftali, Quedes, cidade de refúgio do homicida, na Galiléia, e
seus arrabaldes, Hamote-Dor e seus arrabaldes, Cartã e seus arrabaldes; três
cidades.
33 Todas as cidades dos gersonitas, segundo as suas famílias, foram treze
cidades e seus arrabaldes.
34 Âs famílias dos filhos de Merári, aos demais levitas, deram da tribo de
Zebulom, Jocneão e seus arrabaldes, Cartá e seus arrabaldes,
35 Dimna e seus arrabaldes, Naalal e seus arrabaldes; quatro cidades.
36 E da tribo de Rúben, Bezer e seus arrabaldes, Jaza e seus arrabaldes,
37 Quedemote e seus arrabaldes, Mefaate e seus arrabaldes; quatro cidades.
38 E da tribo de Gade, Ramote, cidade de refúgio do homicida, em Gileade, e
seus arrabaldes, Maanaim e seus arrabaldes,
39 Hesbom e seus arrabaldes, Jazer e seus arrabaldes; ao todo, quatro cidades.
40 Todas essas cidades couberam por sorte aos filhos de Merári, segundo as suas
famílias, o restante das familias dos levitas; foram, ao todo, doze cidades.
41 Todas as cidades dos levitas, no meio da herança dos filhos de Israel, foram
quarenta e oito cidades e seus arrabaldes.
42 Cada uma dessas cidades tinha os seus arrabaldes em redor; assim foi com
todas elas.
43 Desta maneira deu o Senhor a Israel toda a terra que, com juramento,
prometera dar a seus pais; e eles a possuíram e habitaram nela.
44 E o Senhor lhes deu repouso de todos os lados, conforme tudo quanto jurara a
seus pais; nenhum de todos os seus inimigos pôde ficar de pé diante deles, mas
a todos o Senhor lhes entregou nas mãos.
45 Palavra alguma falhou de todas as boas coisas que o Senhor prometera à casa
de Israel; tudo se cumpriu.
JOSUÉ
[22]
1 Então Josué chamou os
rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés,
2 e disse-lhes: Tudo quanto Moisés, servo do Senhor, vos ordenou, tendes
observado, bem como tendes obedecido à minha voz em tudo quanto vos ordenei.
3 A vossos irmãos nunca desamparastes, até o dia de hoje, mas tendes observado
cuidadosamente o mandamento do Senhor vosso Deus.
4 Agora o Senhor vosso Deus deu descanso a vossos irmãos, como lhes prometera;
voltai, pois, agora, e ide para as vossas tendas, para a terra da vossa
possessão, que Moisés, servo do Senhor, vos deu além do Jordão.
5 Tão-somente tende cuidado de guardar com diligência o mandamento e a lei que
Moisés, servo do Senhor, vos ordenou: que ameis ao Senhor vosso Deus, andeis em
todos os seus caminhos, guardeis os seus mandamentos, e vos apegueis a ele e o
sirvais com todo o vosso coração e com toda a vossa alma.
6 Assim Josué os abençoou, e os despediu; e eles foram para as suas tendas.
7 Ora, Moisés dera herança em Basã à meia tribo de Manassés, porém à outra
metade Josué deu herança entre seus irmãos, a oeste do Jordão. E quando Josué
os enviou para as suas tendas os abençoou
8 e lhes disse: Voltai para as vossas tendas com grandes riquezas: com
muitíssimo gado, com prata e ouro, com cobre e ferro, e com muitíssimos
vestidos; e reparti com vossos irmãos o despojo dos vossos inimigos.
9 Assim voltaram os filhos de Rúben os filhos de Gade e a meia tribo de
Manassés, separando-se dos filhos de Israel em Siló, que está na terra de
Canaã, para irem à terra de Gileade, à terra da sua possessão, de que foram
feitos possuidores, segundo a ordem do Senhor por intermédio de Moisés.
10 Tendo chegado à região junto ao Jordão, ainda na terra de Canaã, os filhos
de Rúben os filhos de Gade e a meia tribo de Manassés edificaram ali, à beira
do Jordão, um altar de grandes proporções.
11 E os filhos de Israel ouviram dizer: Eis que os filhos de Rúben os filhos de
Gade e a meia tribo de Manassés edificaram um altar na fronteira da terra de
Canaã, na região junto ao Jordão, da banda que pertence aos filhos de Israel.
12 Quando os filhos de Israel ouviram isto, congregaram-se todos em Siló, para
subirem a guerrear contra eles.
13 Então os filhos de Israel enviaram aos filhos de Rúben aos filhos de Gade e
à meia tribo de Manassés, à terra de Gileade, Finéias, filho de Eleazar, o
sacerdote,
14 e com ele dez príncipes, um príncipe de cada casa paterna de todas as tribos
de Israel; e eles eram os cabeças das suas casas paternas entre os milhares de
Israel.
15 Foram, pois, ter com os filhos de Rúben e os filhos de Gade e a meia tribo
de Manassés, à terra de Gileade, e lhes disseram:
16 Assim diz toda a congregação do Senhor: Que transgressão é esta que
cometestes contra o Deus de Israel, deixando hoje de seguir ao Senhor,
edificando-vos um altar para vos rebelardes hoje contra o Senhor?
17 Acaso nos é pouca a iniqüidade de Peor, de que ainda até o dia de hoje não
nos temos purificado, apesar de ter vindo uma praga sobre a congregaçao do
Senhor,
18 para que hoje queirais abandonar ao Senhor? Será que, rebelando-vos hoje
contra o Senhor, amanhã ele se irará contra toda a congregação de Israel.
19 Se é, porém, que a terra da vossa possessão é imunda, passai para a terra da
possessão do Senhor, onde habita o tabernáculo do Senhor, e tomai possessão
entre nós; mas não vos rebeleis contra o Senhor, nem tampouco vos rebeleis
contra nós, edificando-vos um altar afora o altar do Senhor nosso Deus.
20 Não cometeu Acã, filho de Zerá, transgressão no tocante ao anátema? e não
veio ira sobre toda a congregação de Israel? de modo que não pereceu ele só na
sua iniqüidade.
21 Então responderam os filhos de Rúben os filhos de Gade e a meia tribo de
Manassés, e disseram aos cabeças dos milhares de Israel:
22 O Poderoso, Deus, o Senhor, o Poderoso, Deus, o Senhor, ele o sabe, e Israel
mesmo o saberá! Se foi em rebeldia, ou por transgressão contra o Senhor não nos
salves hoje;
23 se nós edificamos um altar, para nos tornar de após o Senhor, ou para sobre
ele oferecer holocausto e oferta de cereais, ou sobre ele oferecer sacrifícios
de ofertas pacíficas, o Senhor mesmo de nós o requeira;
24 e se antes o não fizemos com receio e de propósito, dizendo: Amanhã vossos
filhos poderiam dizer a nossos filhos: Que tendes vós com o Senhor Deus de
Israel?
25 Pois o Senhor pôs o Jordão por termo entre nós e vós, ó filhos de Rúben e ó
filhos de Gade; não tendes parte no Senhor. Assim bem poderiam vossos filhos
fazer com que os nossos filhos deixassem de temer ao Senhor.
26 Pelo que dissemos: Edifiquemos agora um altar, não para holocausto, nem para
sacrifício,
27 mas para que, entre nós e vós, e entre as nossas gerações depois de nós, nos
sirva de testemunho para podermos fazer o serviço do Senhor diante dele com os
nossos holocaustos, com os nossos sacrifícios e com as nossas ofertas
pacíficas; para que vossos filhos não digam amanhã a nossos filhos: Não tendes parte
no Senhor.
28 Pelo que dissemos: Quando amanhã disserem assim a nós ou às nossas gerações,
então diremos: Vede o modelo do altar do Senhor que os nossos pais fizeram, não
para holocausto nem para sacrifício, porém para ser testemunho entre nós e vós,
29 Longe esteja de nós que nos rebelemos contra o Senhor, ou que hoje o
abandonemos, edificando altar para holocausto, oferta de cereais ou sacrifício,
afora o altar do Senhor nosso Deus, que está perante o seu tabernáculo.
30 Quando, pois, Finéias, o sacerdote, e os príncipes da congregação, os
cabeças dos milhares de Israel que estavam com ele, ouviram as palavras que
lhes disseram os filhos de Rúben os filhos de Gade e os filhos de Manassés,
ficaram satisfeitos.
31 Então disse Finéias, filho de Eleazar, o sacerdote, aos filhos de Rúben aos
filhos de Gade e aos filhos de Manassés: Hoje sabemos que o Senhor está no meio
de nós, porquanto não cometestes tal transgressão contra o Senhor; agora
livrastes os filhos de Israel da mão do Senhor.
32 E Finéias, filho de Eleazar, o sacerdote, e os príncipes, deixando os filhos
de Rúben e os filhos de Gade, voltaram da terra de Gileade para a terra de
Canaã, aos filhos de Israel, e trouxeram-lhes a resposta.
33 E com isso os filhos de Israel ficaram satisfeitos; e louvaram a Deus, e não
falaram mais de subir a guerrear contra eles, para destruírem a terra em que
habitavam os filhos de Rúben e os filhos de Gade.
34 E os filhos de Rúben e os filhos de Gade chamaram ao altar Testemunha; pois,
disseram eles, é testemunho entre nós que o Senhor é Deus.
JOSUÉ
[23]
1 Passados muitos dias, tendo
o Senhor dado repouso a Israel de todos os seus inimigos em redor, e sendo
Josué já velho, de idade muito avançada,
2 chamou Josué a todo o Israel, aos seus anciãos, aos seus cabeças, aos seus
juízes e aos seus oficiais, e disse-lhes: Eu já sou velho, de idade muito
avançada;
3 e vós tendes visto tudo quanto o Senhor vosso Deus fez a todas estas nações
por causa e vós, porque é o Senhor vosso Deus que tem pelejado por vós.
4 Vede que vos reparti por sorte estas nações que restam, para serem herança
das vossas tribos, juntamente com todas as naçoes que tenho destruído, desde o
Jordão até o grande mar para o pôr do sol.
5 E o Senhor vosso Deus as impelirá, e as expulsará de diante de vós; e vós
possuireis a sua terra, como vos disse o Senhor vosso Deus.
6 Esforçai-vos, pois, para guardar e cumprir tudo quanto está escrito no livro
da lei de Moisés, para que dela não vos desvieis nem para a direita nem para a
esquerda;
7 para que não vos mistureis com estas nações que ainda restam entre vós; e dos
nomes de seus deuses não façais menção, nem por eles façais jurar, nem os
sirvais, nem a eles vos inclineis.
8 Mas ao Senhor vosso Deus vos apegareis, como fizeste até o dia de hoje;
9 pois o Senhor expulsou de diante de vós grandes e fortes nações, e, até o dia
de hoje, ninguém vos tem podido resistir.
10 um só homem dentre vós persegue a mil, pois o Senhor vosso Deus é quem
peleja por vós, como já vos disse.
11 Portanto, cuidai diligentemente de amar ao Senhor vosso Deus.
12 Porque se de algum modo vos desviardes, e vos apegardes ao resto destas
nações que ainda ficam entre vós, e com elas contrairdes matrimônio, e
entrardes a elas, e elas a vós,
13 sabei com certeza que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas
nações de diante de vós; porém elas vos serão por laço e rede, e açoite às
vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos, até que pereçais desta boa terra
que o Senhor vosso Deus vos deu.
14 Eis que vou hoje pelo caminho de toda a terra; e vós sabeis em vossos
corações e em vossas almas que não tem falhado uma só palavra de todas as boas
coisas que a vosso respeito falou o Senhor vosso Deus; nenhuma delas falhou,
mas todas se cumpriram.
15 E assim como vos sobrevieram todas estas boas coisas de que o Senhor vosso
Deus vos falou, assim trará o Senhor sobre vós todas aquelas más coisas, até
vos destruir de sobre esta boa terra que ele vos deu.
16 Quando transgredirdes o pacto do Senhor vosso Deus, que ele vos ordenou, e
fordes servir a outros deuses, inclinando-vos a eles, a ira do Senhor se
acenderá contra vós, e depressa perecereis de sobre a boa terra que ele vos
deu.
JOSUÉ
[24]
1 Depois Josué reuniu todas
as tribos de Israel em Siquém, e chamou os anciãos de Israel, os seus cabeças,
os seus juízes e os seus oficiais; e eles se apresentaram diante de Deus.
2 Disse então Josué a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do
Rio habitaram antigamente vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor; e
serviram a outros deuses.
3 Eu, porém, tomei a vosso pai Abraão dalém do Rio, e o conduzi por toda a
terra de Canaã; também multipliquei a sua descendência, e dei-lhe Isaque.
4 A Isaque; dei Jacó e Esaú; a Esaú dei em possessão o monte Seir; mas Jacó e
seus filhos desceram para o Egito.
5 Então enviei Moisés e Arão, e feri o Egito com aquilo que fiz no meio dele; e
depois vos tirei de lá.
6 Depois que tirei a vossos pais do Egito viestes ao mar; e os egípcios
perseguiram a vossos pais, com carros e com cavaleiros, até o Mar Vermelho.
7 Quando clamaram ao Senhor, ele pôs uma escuridão entre vós e os egípcios, e
trouxe o mar sobre eles e os cobriu; e os vossos olhos viram o que eu fiz no
Egito. Depois habitastes no deserto muitos dias.
8 Então eu vos trouxe à terra dos amorreus, que habitavam além do Jordão, os
quais pelejaram contra vós; porém os entreguei na vossa mão, e possuístes a sua
terra; assim os destruí de diante de vós.
9 Levantou-se também Balaque, filho de Zipor, rei dos moabitas, e pelejou
contra Israel; e mandou chamar a Balaão, filho de Beor, para que vos
amaldiçoasse;
10 porém eu não quis ouvir a Balaão; pelo que ele vos abençoou; e eu vos livrei
da sua mao.
11 E quando vós, passando o Jordão, viestes a Jericó, pelejaram contra vós os
homens de Jericó, e os amorreus, os perizeus, os cananeus, os heteus, os
girgaseus, os heveus e os jebuseus; porém os entreguei na vossa mao.
12 Pois enviei vespões adiante de vós, que os expulsaram de diante de vós, como
aos dois reis dos amorreus, não com a vossa espada, nem com o vosso arco.
13 E eu vos dei uma terra em que não trabalhastes, e cidades que não
edificastes, e habitais nelas; e comeis de vinhas e de olivais que não
plantastes.
14 Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade;
deitai fora os deuses a que serviram vossos pais dalém do Rio, e no Egito, e
servi ao Senhor.
15 Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de
servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou
aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa
serviremos ao Senhor.
16 Então respondeu o povo, e disse: Longe esteja de nós o abandonarmos ao
Senhor para servirmos a outros deuses:
17 porque o Senhor é o nosso Deus; ele é quem nos fez subir, a nós e a nossos
pais, da terra do Egito, da casa da servidão, e quem fez estes grandes sinais
aos nossos olhos, e nos preservou por todo o caminho em que andamos, e entre
todos os povos pelo meio dos quais passamos.
18 E o Senhor expulsou de diante de nós a todos esses povos, mesmo os amorreus,
que moravam na terra. Nós também serviremos ao Senhor, porquanto ele é nosso
Deus.
19 Então Josué disse ao povo: Não podereis servir ao Senhor, porque é Deus
santo, é Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos
pecados.
20 Se abandonardes ao Senhor e servirdes a deuses estranhos, então ele se
tornará, e vos fará o mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito o bem.
21 Disse então o povo a Josué: Não! antes serviremos ao Senhor.
22 Josué, pois, disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos e que
escolhestes ao Senhor para o servir. Responderam eles: Somos testemunhas.
23 Agora, pois, - disse Josué - deitai fora os deuses estranhos que há no meio
de vós, e inclinai o vosso coração ao Senhor Deus de Israel.
24 Disse o povo a Josué: Serviremos ao Senhor nosso Deus, e obedeceremos à sua
voz.
25 Assim fez Josué naquele dia um pacto com o povo, e lhe deu leis e ordenanças
em Siquem.
26 E Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus; e, tomando uma
grande pedra, a pôs ali debaixo do carvalho que estava junto ao santuário do
Senhor,
27 e disse a todo o povo: Eis que esta pedra será por testemunho contra nós,
pois ela ouviu todas as palavras que o Senhor nos falou; pelo que será por
testemunho contra vós, para que não negueis o vosso Deus.
28 Então Josué despediu o povo, cada um para a sua herança.
29 Depois destas coisas Josué, filho de Num, servo do Senhor, morreu, tendo
cento e dez anos de idade;
30 e o sepultaram no território da sua herança, em Timnate-Sera, que está na
região montanhosa de Efraim, para o norte do monte Gaás.
31 Serviu, pois, Israel ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos
anciãos que sobreviveram a Josué e que sabiam toda a obra que o Senhor tinha
feito a favor de Israel.
32 Os ossos de José, que os filhos de Israel trouxeram do Egito, foram
enterrados em Siquém, naquela parte do campo que Jacó comprara aos filhos de
Hamor, pai de Siquém, por cem peças de prata, e que se tornara herança dos
filhos de José.
33 Morreu também Eleazar, filho de Arão, e o sepultaram no outeiro de Finéias,
seu filho, que lhe fora dado na região montanhosa de Efraim.
[1]
1 Depois da morte de Josué os
filhos de Israel consultaram ao Senhor, dizendo: Quem dentre nós subirá
primeiro aos cananeus, para pelejar contra eles?
2 Respondeu o Senhor: Judá subirá; eis que entreguei a terra na sua mão.
3 Então disse Judá a Simeão, seu irmão: sobe comigo à sorte que me coube, e
pelejemos contra os cananeus, e eu também subirei contigo à tua sorte. E Simeão
foi com ele.
4 Subiu, pois, Judá; e o Senhor lhes entregou nas mãos os cananeus e os
perizeus; e bateram deles em Bezeque dez mil homens.
5 Acharam em Bezeque a Adoni-Bezeque, e pelejaram contra ele; e bateram os
cananeus e os perizeus.
6 Mas Adoni-Bezeque fugiu; porém eles o perseguiram e, prendendo-o,
cortaram-lhe os dedos polegares das mãos e dos pés.
7 Então disse Adoni-Bezeque: Setenta reis, com os dedos polegares das mãos e
dos pés cortados, apanhavam as migalhas debaixo da minha mesa; assim como eu
fiz, assim Deus me pagou. E o trouxeram a Jerusalém, e ali morreu.
8 Ora, os filhos de Judá pelejaram contra Jerusalém e, tomando-a, passaram-na
ao fio da espada e puseram fogo à cidade.
9 Depois os filhos de Judá desceram a pelejar contra os cananeus que habitavam
na região montanhosa, e no Negebe, e na baixada.
10 Então partiu Judá contra os cananeus que habitavam em Hebrom, cujo nome era
outrora Quiriate-Arba; e bateu Sesai, Aimã e Talmai.
11 Dali partiu contra os moradores de Debir, que se chamava outrora Quiriate-Sefer.
12 Disse então Calebe: A quem atacar Quiriate-Sefer e a tomar, darei a minha
filha Acsa por mulher.
13 E tomou-a Otniel, filho de Quenaz, o irmão mais moço de Calebe; e este lhe
deu sua filha Acsa por mulher.
14 Estando ela em caminho para a casa de Otniel, persuadiu-o que pedisse um
campo ao pai dela. E quando ela saltou do jumento, Calebe lhe perguntou: Que é
que tens?
15 Ela lhe respondeu: Dá-me um presente; porquanto me deste uma terra no
Negebe, dá-me também fontes d'água. Deu-lhe, pois, Calebe as fontes superiores
e as fontes inferiores.
16 Também os filhos do queneu, sogro de Moisés, subiram da cidade das palmeiras
com os filhos de Judá ao deserto de Judá, que está ao sul de Arade; e foram
habitar com o povo.
17 E Judá foi com Simeão, seu irmão, e derrotaram os cananeus que habitavam em
Zefate, e a destruíram totalmente. E chamou-se o nome desta cidade Horma.
18 Judá tomou também a Gaza, a Asquelom e a Ecrom, com os seus respectivos
territórios.
19 Assim estava o Senhor com Judá, o qual se apoderou da região montanhosa; mas
não pôde desapossar os habitantes do vale, porquanto tinham carros de ferro.
20 E como Moisés dissera, deram Hebrom a Calebe, que dali expulsou os três
filhos de Anaque.
21 Mas os filhos de Benjamim não expulsaram aos jebuseus que habitavam em
Jerusalém; pelo que estes ficaram habitando com os filhos de Benjamim em
Jerusalém até o dia de hoje.
22 Também os da casa de José subiram contra Betel; e o Senhor estava com eles.
23 E a casa de José fez espiar a Betel (e fora outrora o nome desta cidade
Luz);
24 e, vendo os espias a um homem que saía da cidade, disseram-lhe: Mostra-nos a
entrada da cidade, e usaremos de bondade para contigo.
25 Mostrou-lhes, pois, a entrada da cidade, a qual eles feriram ao fio da
espada; porém deixaram livre aquele homem e toda a sua família.
26 Então o homem se foi para a terra dos heteus, edificou uma cidade, e pôs-lhe
o nome de Luz; este é o seu nome até o dia de hoje.
27 Manassés não expulsou os habitantes de Bete-Seã e suas vilas, nem os de
Taanaque e suas virael aos levitas estas cidades e nem os de Ibleão e suas
vilas, nem os de Megido e suas vilas; porém os cananeus persistiram em habitar
naquela terra.
28 Mas quando Israel se tornou forte, sujeitou os cananeus a trabalhos
forçados, porém não os expulsou de todo.
29 Também Efraim não expulsou os cananeus que habitavam em Gezer; mas os
cananeus ficaram habitando no meio dele, em Gezer.
30 Também Zebulom não expulsou os habitantes de Quitrom, nem os de Naalol;
porém os cananeus ficaram habitando no meio dele, e foram sujeitos a trabalhos
forçados.
31 Também Aser não expulsou os habitantes de Aco, nem de Sidom, nem de Alabe,
nem de Aczibe, nem de Helba, nem de Afeca, nem de Reobe;
32 porém os aseritas ficaram habitando no meio dos cananeus, os habitantes da
terra, porquanto não os expulsaram.
33 Também Naftali não expulsou os habitantes de Bete-Semes, nem os de
Bete-Anate; mas, habitou no meio dos cananeus, os habitantes da terra; todavia
os habitantes de Bete-Semes e os de Bete-Anate foram sujeitos a trabalhos
forçados.
34 Os amorreus impeliram os filhos de Dã até a região montanhosa; pois não lhes
permitiram descer ao vale.
35 Os amorreus quiseram também habitar no monte Heres, em Aijalom e em
Saalabim; contudo prevaleceu a mão da casa de José, de modo que eles ficaram
sujeitos a trabalhos forçados.
36 E foi o termo dos amorreus desde a subida de Acrabim, desde Sela, e dali
para cima.
JUÍZES
[2]
1 O anjo do Senhor subiu de
Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe para a terra
que, com juramento, prometi a vossos pais, e vos disse: Nunca violarei e meu
pacto convosco;
2 e, quanto a vós, não fareis pacto com os habitantes desta terra, antes
derrubareis os seus altares. Mas vós não obedecestes à minha voz. Por que
fizestes isso?
3 Pelo que também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão
quais espinhos nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço.
4 Tendo o anjo do Senhor falado estas palavras a todos os filhos de Israel, o
povo levantou a sua voz e chorou.
5 Pelo que chamaram àquele lugar Boquim; e ali sacrificaram ao Senhor.
6 Havendo Josué despedido o povo, foram-se os filhos de Israel, cada um para a
sua herança, a fim de possuírem a terra.
7 O povo serviu ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos
que sobreviveram a Josué e que tinham visto toda aquela grande obra do Senhor,
a qual ele fizera a favor de Israel.
8 Morreu, porém, Josué, filho de Num, servo do Senhor, com a idade de cento e
dez anos;
9 e o sepultaram no território da sua herança, em Timnate-Heres, na região
montanhosa de Efraim, para o norte do monte Gaás.
10 0 foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e após ela
levantou-se outra geração que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que
ele fizera a Israel.
11 Então os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor,
servindo aos baalins;
12 abandonaram o Senhor Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e
foram-se após outros deuses, dentre os deuses dos povos que havia ao redor
deles, e os adoraram; e provocaram o Senhor à ira,
13 abandonando-o, e servindo a baalins e astarotes.
14 Pelo que a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os entregou na mão
dos espoliadores, que os despojaram; e os vendeu na mão dos seus inimigos ao
redor, de modo que não puderam mais resistir diante deles.
15 Por onde quer que saíam, a mão do Senhor era contra eles para o mal, como o
Senhor tinha dito, e como lho tinha jurado; e estavam em grande aflição.
16 Mas o Senhor suscitou juízes, que os livraram da mão dos que os espojavam.
17 Contudo, não deram ouvidos nem aos seus juízes, pois se prostituíram após
outros deuses, e os adoraram; depressa se desviaram do caminho, por onde
andaram seus pais em obediência aos mandamentos do Senhor; não fizeram como eles.
18 Quando o Senhor lhes suscitava juízes, ele era com o juiz, e os livrava da
mão dos seus inimigos todos os dias daquele juiz; porquanto o Senhor se
compadecia deles em razão do seu gemido por causa dos que os oprimiam e
afligiam.
19 Mas depois da morte do juiz, reincidiam e se corrompiam mais do que seus
pais, andando após outros deuses, servindo-os e adorando-os; não abandonavam
nenhuma das suas práticas, nem a sua obstinação.
20 Pelo que se acendeu contra Israel a ira do Senhor, e ele disse: Porquanto
esta nação violou o meu pacto, que estabeleci com seus pais, não dando ouvidos
à minha voz,
21 eu não expulsarei mais de diante deles nenhuma das nações que Josué deixou
quando morreu;
22 a fim de que, por elas, ponha a prova Israel, se há de guardar, ou não, o
caminho do Senhor, como seus pais o guardaram, para nele andar.
23 Assim o Senhor deixou ficar aquelas nações, e não as desterrou logo, nem as
entregou na mão de Josué.
JUÍZES
[3]
1 Estas são as nações que o
Senhor deixou ficar para, por meio delas, provar a Israel, a todos os que não
haviam experimentado nenhuma das guerras de Canaã;
2 tão-somente para que as gerações dos filhos de Israel delas aprendessem a
guerra, pelo menos os que dantes não tinham aprendido.
3 Estas nações eram: cinco chefes dos filisteus, todos os cananeus, os
sidônios, e os heveus que habitavam no monte Líbano, desde o monte Baal-Hermom
até a entrada de Hamate.
4 Estes, pois, deixou ficar, a fim de de por eles provar os filhos de Israel,
para saber se dariam ouvidos aos mandamentos do Senhor, que ele tinha ordenado
a seus pais por intermédio de Moisés.
5 Habitando, pois, os filhos de Israel entre os cananeus, os heteus, os
amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuseus.
6 tomaram por mulheres as filhas deles, e deram as suas filhas aos filhos dos
mesmos, e serviram aos seus deuses.
7 Assim os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor,
esquecendo-se do Senhor seu Deus e servindo aos baalins e às aserotes.
8 Pelo que a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os vendeu na mão de
cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia; e os filhos de Israel serviram a
Cusã-Risataim oito anos.
9 Mas quando os filhos de Israel clamaram ao Senhor, o Senhor suscitou-lhes um
libertador, que os livrou: Otniel, filho de Quenaz, o irmão mais moço de
Calebe.
10 Veio sobre ele o Espírito do Senhor, e ele julgou a Israel; saiu à peleja, e
o Senhor lhe entregou Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra o qual
prevaleceu a sua mao:
11 Então a terra teve sossego por quarenta anos; e Otniel, filho de Quenaz,
morreu.
12 Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor;
então o Senhor fortaleceu a Eglom, rei de Moabe, contra Israel, por terem feito
o que era mau aos seus olhos.
13 Eglom, unindo a si os amonitas e os amalequitas, foi e feriu a Israel,
tomando a cidade das palmeiras.
14 E os filhos de Israel serviram a Eglom, rei de Moabe, dezoito anos.
15 Mas quando os filhos de Israel clamaram ao Senhor, o Senhor suscitou-lhes um
libertador, Eúde, filho de Gêra, benjamita, homem canhoto. E, por seu
intermédio, os filhos de Israel enviaram tributo a Eglom, rei de Moabe.
16 E Eúde fez para si uma espada de dois gumes, de um côvado de comprimento, e
cingiu-a à coxa direita, por baixo das vestes.
17 E levou aquele tributo a Eglom, rei de Moabe. Ora, Eglom era muito gordo:
18 Quando Eúde acabou de entregar o tributo, despediu a gente que o trouxera.
19 Ele mesmo, porém, voltou das imagens de escultura que estavam ao pé de
Gilgal, e disse: Tenho uma palavra para dizer-te em segredo, ó rei. Disse o
rei: Silêncio! E todos os que lhe assistiam saíram da sua presença.
20 Eúde aproximou-se do rei, que estava sentado a sós no seu quarto de verão, e
lhe disse: Tenho uma palavra da parte de Deus para dizer-te. Ao que o rei se
levantou da sua cadeira.
21 Então Eúde, estendendo a mão esquerda, tirou a espada de sobre a coxa
direita, e lha cravou no ventre.
22 O cabo também entrou após a lâmina, e a gordura encerrou a lâmina, pois ele
não tirou a espada do ventre:
23 Então Eúde, saindo ao pórtico, cerrou as portas do quarto e as trancou.
24 Tendo ele saído vieram os servos do rei; e olharam, e eis que as portas do
quarto estavam trancadas. Disseram: Sem dúvida ele está aliviando o ventre na
privada do seu quarto.
25 Assim esperaram até ficarem alarmados, mas ainda não abria as portas do
quarto. Então, tomando a chave, abriram-nas, e eis seu senhor estendido morto
por terra.
26 Eúde escapou enquanto eles se demoravam e, tendo passado pelas imagens de
escultura, chegou a Seirá.
27 E assim que chegou, tocou a trombeta na região montanhosa de Efraim; e os
filhos de Israel, com ele à frente, desceram das montanhas.
28 E disse-lhes: Segui-me, porque o Senhor vos entregou nas mãos os vossos
inimigos, os moabitas. E desceram após ele, tomaram os vaus do Jordão contra os
moabitas, e não deixaram passar a nenhum deles.
29 E naquela ocasião mataram dos moabitas cerca de dez mil homens, todos
robustos e valentes; e não escapou nenhum.
30 Assim foi subjugado Moabe naquele dia debaixo da mão de Israel; e a terra
teve sossego por oitenta anos.
31 Depois dele levantou-se Sangar, filho de Anate, que matou seiscentos homens
dos filisteus com uma aguilhada de bois; ele também libertou a Israel.
JUÍZES
[4]
1 Mas os filhos de Israel
tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, depois da morte de Eúde.
2 E o Senhor os vendeu na mão de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor; o
chefe do seu exército era Sísera, o qual habitava em Harosete dos Gentios.
3 Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, porquanto Jabim tinha
novecentos carros de ferro, e por vinte anos oprimia cruelmente os filhos de
Israel.
4 Ora, Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.
5 Ela se assentava debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região
montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ter com ela para
julgamento.
6 Mandou ela chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes-Naftali, e
disse-lhe: Porventura o Senhor Deus de Israel não te ordena, dizendo: Vai, e
atrai gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali
e dos filhos de Zebulom;
7 e atrairei a ti, para o ribeiro de Quisom, Sísera, chefe do exército de
Jabim; juntamente com os seus carros e com as suas tropas, e to entregarei na
mão?
8 Disse-lhe Baraque: Se fores comigo, irei; porém se não fores, não irei.
9 Respondeu ela: Certamente irei contigo; porém não será tua a honra desta
expedição, pois à mão de uma mulher o Senhor venderá a Sísera. Levantou-se,
pois, Débora, e foi com Baraque a Quedes.
10 Então Baraque convocou a Zebulom e a Naftali em Quedes, e subiram dez mil
homens após ele; também Débora subiu com ele.
11 Ora, Heber, um queneu, se tinha apartado dos queneus, dos filhos de Hobabe,
sogro de Moisés, e tinha estendido as suas tendas até o carvalho de Zaananim,
que está junto a Quedes.
12 Anunciaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido ao monte
Tabor.
13 Sísera, pois, ajuntou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e
todo o povo que estava com ele, desde Harosete dos Gentios até o ribeiro de
Quisom.
14 Então disse Débora a Baraque: Levanta-te, porque este é o dia em que o
Senhor entregou Sísera na tua mão; porventura o Senhor não saiu adiante de ti?
Baraque, pois, desceu do monte Tabor, e dez mil homens após ele.
15 E o Senhor desbaratou a Sísera, com todos os seus carros e todo o seu
exército, ao fio da espada, diante de Baraque; e Sísera, descendo do seu carro,
fugiu a pé.
16 Mas Baraque perseguiu os carros e o exército, até Harosete dos Gentios; e
todo o exército de Sísera caiu ao fio da espada; não restou um só homem.
17 Entretanto Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher de Heber, o
queneu, porquanto havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Heber, o
queneu.
18 Saindo Jael ao encontro de Sísera, disse-lhe: Entra, senhor meu, entra aqui;
não temas. Ele entrou na sua tenda; e ela o cobriu com uma coberta.
19 Então ele lhe disse: Peço-te que me dês a beber um pouco d'água, porque
tenho sede. Então ela abriu um odre de leite, e deu-lhe de beber, e o cobriu.
20 Disse-lhe ele mais: Põe-te à porta da tenda; e se alguém vier e te
perguntar: Está aqui algum homem? responderás: Não.
21 Então Jael, mulher de Heber, tomou uma estaca da tenda e, levando um
martelo, chegou-se de mansinho a ele e lhe cravou a estaca na fonte, de sorte que
penetrou na terra; pois ele estava num profundo sono e mui cansado. E assim
morreu.
22 E eis que, seguindo Baraque a Sísera, Jael lhe saiu ao encontro e disse-lhe:
Vem, e mostrar-te-ei o homem a quem procuras. Entrou ele na tenda; e eis que
Sísera jazia morto, com a estaca na fonte.
23 Assim Deus naquele dia humilhou a Jabim, rei de Canaã, diante dos filhos de
Israel.
24 E a mão dos filhos de Israel prevalecia cada vez mais contra Jabim, rei de
Canaã, até que o destruíram.
JUÍZES
[5]
1 Então cantaram Débora e
Baraque, filho de Abinoão, naquele dia, dizendo:
2 Porquanto os chefes se puseram à frente em Israel, porquanto o povo se
ofereceu voluntariamente, louvai ao Senhor.
3 Ouvi, ó reis; dai ouvidos, ó príncipes! eu cantarei ao Senhor, salmodiarei ao
Senhor Deus de Israel.
4 ç Senhor, quando saíste de Seir, quando caminhaste desde o campo de Edom, a
terra estremeceu, os céus gotejaram, sim, as nuvens gotejaram águas.
5 Os montes se abalaram diante do Senhor, e até Sinai, diante do Senhor Deus de
Israel.
6 Nos dias de Sangar, filho de Anate, nos dias de Jael, cessaram as caravanas;
e os que viajavam iam por atalhos desviados.
7 Cessaram as aldeias em Israel, cessaram; até que eu Débora, me levantei, até
que eu me levantei por mãe em Israel.
8 Escolheram deuses novos; logo a guerra estava às portas; via-se porventura
escudo ou lança entre quarenta mil em Israel?
9 Meu coração inclina-se para os guias de Israel, que voluntariamente se
ofereceram entre o povo. Bendizei ao Senhor.
10 Louvai-o vós, os que cavalgais sobre jumentas brancas, que vos assentais
sobre ricos tapetes; e vós, que andais pelo caminho.
11 Onde se ouve o estrondo dos flecheiros, entre os lugares onde se tiram
águas, ali falarão das justiças do Senhor, das justiças que fez às suas aldeias
em Israel; então o povo do Senhor descia às portas.
12 Desperta, desperta, Débora; desperta, desperta, entoa um cântico;
levanta-te, Baraque, e leva em cativeiro os teus prisioneiros, tu, filho de
Abinoão.
13 Então desceu o restante dos nobres e do povo; desceu o Senhor por mim contra
os poderosos.
14 De Efraim desceram os que tinham a sua raiz em Amaleque, após ti, Benjamim,
entre os teus povos; de Maquir desceram os guias, e de Zebulom os que levam o
báculo do inspetor de tropas.
15 Também os príncipes de Issacar estavam com Débora; e como Issacar, assim
também Baraque; ao vale precipitaram-se em suas pegadas. Junto aos ribeiros de
Rúben grandes foram as resoluções do coração.
16 Por que ficastes entre os currais a escutar os balidos dos rebanhos? Junto
aos ribeiros de Rúben grandes foram as resoluções do coração.
17 Gileade ficou da banda dalém do Jordão; e Dã, por que se deteve com seus
navios? Aser se assentou na costa do mar e ficou junto aos seus portos.
18 Zebulom é um povo que se expôs à morte, como também Naftali, nas alturas do
campo.
19 Vieram reis e pelejaram; pelejaram os reis de Canaã, em Taanaque junto às
águas de Megido; não tomaram despojo de prata.
20 Desde os céus pelejaram as estrelas; desde as suas órbitas pelejaram contra
Sísera.
21 O ribeiro de Quisom os arrastou, aquele antigo ribeiro, o ribeiro de Quisom.
ç minha alma, calcaste aos pés a força.
22 Então os cascos dos cavalos feriram a terra na fuga precipitada dos seus
valentes.
23 Amaldiçoai a Meroz, diz o anjo do Senhor, amaldiçoai acremente aos seus
habitantes; porquanto não vieram em socorro do Senhor, em socorro do Senhor,
entre os valentes.
24 Bendita entre todas as mulheres será Jael, mulher de Heber, o queneu;
bendita será entre as mulheres nômades.
25 Água pediu ele, leite lhe deu ela; em taça de príncipes lhe ofereceu
coalhada.
26 Â estaca estendeu a mão esquerda, e ao martelo dos trabalhadores a direita,
e matou a Sísera, rachando-lhe a cabeça; furou e traspassou-lhe as fontes.
27 Aos pés dela ele se encurvou, caiu, ficou estirado; aos pés dela se
encurvou, caiu; onde se encurvou, ali caiu morto.
28 A mãe de Sísera olhando pela janela, através da grade exclamava: Por que
tarda em vir o seu carro? por que se demora o rumor das suas carruagens?
29 As mais sábias das suas damas responderam, e ela respondia a si mesma:
30 Não estão, porventura, achando e repartindo os despojos? uma ou duas
donzelas a cada homem? para Sísera despojos de estofos tintos, despojos de
estofos tintos bordados, bordados de várias cores, para o meu pescoço?
31 Assim ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos! Sejam, porém, os que te
amam, como o sol quando se levanta na sua força.
32 E a terra teve sossego por quarenta anos.
JUÍZES
[6]
1 Mas os filhos de Israel
fizeram o que era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor os entregou na mão de
Midiã por sete anos.
2 Prevalecia, pois, a mão de Midiã sobre Israel e, por causa de Midiã, fizeram
os filhos de Israel para si as covas que estão nos montes, as cavernas e as
fortalezas.
3 Porque sucedia que, havendo Israel semeado, subiam contra ele os midianitas,
os amalequitas e os filhos do oriente;
4 e, acampando-se contra ele, destruíam o produto da terra até chegarem a Gaza,
e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.
5 Porque subiam com os seus rebanhos e tendas; vinham em multidão, como
gafanhotos; tanto eles como os seus camelos eram inumeráveis; e entravam na
terra, para a destruir.
6 Assim Israel se enfraqueceu muito por causa dos midianitas; então os filhos
de Israel clamaram ao Senhor.
7 E sucedeu que, clamando eles ao Senhor por causa dos midianitas,
8 enviou-lhes o Senhor um profeta, que lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus de
Israel: Do Egito eu vos fiz subir, e vos tirei da casa da servidão;
9 livrei-vos da mão dos egípcios, e da mão de todos quantos vos oprimiam, e os
expulsei de diante de vós, e a vós vos dei a sua terra.
10 Também eu vos disse: Eu sou o Senhor vosso Deus; não temais aos deuses dos
amorreus, em cuja terra habitais. Mas não destes ouvidos à minha voz.
11 Então o anjo do Senhor veio, e sentou-se debaixo do carvalho que estava em
Ofra e que pertencia a Joás, abiezrita, cujo filho Gideão estava malhando o
trigo no lagar para o esconder dos midianitas.
12 Apareceu-lhe então o anjo do Senhor e lhe disse: O Senhor é contigo, ó homem
valoroso.
13 Gideão lhe respondeu: Ai, senhor meu, se o Senhor é conosco, por que tudo
nos sobreveio? e onde estão todas as suas maravilhas que nossos pais nos
contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Agora, porém, o Senhor
nos desamparou, e nos entregou na mão de Midiã.
14 Virou-se o Senhor para ele e lhe disse: Vai nesta tua força, e livra a
Israel da mão de Midiã; porventura não te envio eu?
15 Replicou-lhe Gideão: Ai, senhor meu, com que livrarei a Israel? eis que a
minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai.
16 Tornou-lhe o Senhor: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos
midianitas como a um só homem.
17 Prosseguiu Gideão: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me um
sinal de que és tu que falas comigo.
18 Rogo-te que não te apartes daqui até que eu volte trazendo do meu presente e
o ponha diante de ti. Respondeu ele: Esperarei até que voltes.
19 Entrou, pois, Gideão, preparou um cabrito e fez, com uma e efa de farinha,
bolos ázimos; pôs a carne num cesto e o caldo numa panela e, trazendo para
debaixo do carvalho, lho apresentou.
20 Mas o anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os bolos ázimos, e põe-nos
sobre esta rocha e derrama-lhes por cima o caldo. E ele assim fez.
21 E o anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado que tinha na mão, e tocou a
carne e os bolos ázimos; então subiu fogo da rocha, e consumiu a carne e os
bolos ázimos; e o anjo do Senhor desapareceu-lhe da vista.
22 Vendo Gideão que era o anjo do Senhor, disse: Ai de mim, Senhor Deus! pois
eu vi o anjo do Senhor face a face.
23 Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo, não temas; não morrerás.
24 Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou Jeová-Salom; e
ainda até o dia de hoje está o altar em Ofra dos abiezritas.
25 Naquela mesma noite, disse o Senhor a Gidão: Toma um dos bois de teu pai, a
saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal, que é de teu pai,
e corta a asera que está ao pé dele.
26 Edifica ao Senhor teu Deus um altar no cume deste lugar forte, na forma
devida; toma o segundo boi, e o oferece em holocausto, com a lenha da asera que
cortares
27 Então Gideão tomou dez homens dentre os seus servos, e fez como o Senhor lhe
dissera; porém, temendo ele a casa de seu pai e os homens daquela cidade, não o
fez de dia, mas de noite.
28 Levantando-se, pois, os homens daquela cidade, de madrugada, eis que estava
o altar de Baal derribado, cortada a asera que estivera ao pé dele, e o segundo
boi oferecido no altar que fora edificado.
29 Pelo que disseram uns aos outros: Quem fez isto? E, depois de investigarem e
inquirirem, disseram: Gideão, filho de Joás, é quem fez isto.
30 Então os homens daquela cidade disseram a Joás: Tira para fora teu filho,
para que morra, porque derribou o altar de Baal e cortou a asera que estava ao
pé dele.
31 Joás, porém, disse a todos os que se puseram contra ele: Contendereis vós
por Baal? livrá-lo-eis vós? Qualquer que por ele contender, ainda esta manhã
será morto; se ele é deus, por si mesmo contenda, pois foi derribado o seu
altar.
32 Pelo que naquele dia chamaram a Gidão Jerubaal, dizendo: Baal contenda
contra ele, pois derribou o seu altar.
33 Então todos os midianitas, os amalequitas e os filhos do oriente se
ajuntaram e, passando o Jordão, acamparam no vale de Jizreel.
34 Mas o Espírito do Senhor apoderou-se de Gideão; e tocando ele a trombeta, os
abiezritas se ajuntaram após ele.
35 E enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que também se ajuntou
após ele; e ainda enviou mensageiros a Aser, a Zebulom e a Naftali, que lhe
saíram ao encontro.
36 Disse Gideão a Deus: Se hás de livrar a Israel por minha mão, como disseste,
37 eis que eu porei um velo de lã na eira; se o orvalho estiver somente no
velo, e toda a terra ficar enxuta, então conhecerei que hás de livrar a Israel
por minha mão, como disseste.
38 E assim foi; pois, levantando-se de madrugada no dia seguinte, apertou o
velo, e espremeu dele o orvalho, que encheu uma taça.
39 Disse mais Gideão a Deus: Não se acenda contra mim a tua ira se ainda falar
só esta vez. Permite que só mais esta vez eu faça prova com o velo; rogo-te que
só o velo fique enxuto, e em toda a terra haja orvalho.
40 E Deus assim fez naquela noite; pois só o velo estava enxuto, e sobre toda a
terra havia orvalho.
JUÍZES
[7]
1 Então Jerubaal, que é
Gideão, e todo o povo que estava com ele, levantando-se de madrugada acamparam
junto à fonte de Harode; e o arraial de Midiã estava da banda do norte, perto
do outeiro de Moré, no vale.
2 Disse o Senhor a Gideão: O povo que está contigo é demais para eu entregar os
midianitas em sua mão; não seja caso que Israel se glorie contra mim, dizendo:
Foi a minha própria mão que me livrou.
3 Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido
volte, e retire-se do monte Gileade. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e
dez mil ficaram.
4 Disse mais o Senhor a Gideão: Ainda são muitos. Faze-os descer às águas, e
ali os provarei; e será que, aquele de que eu te disser: Este irá contigo, esse
contigo irá; porém todo aquele de que eu te disser: Este não irá contigo, esse
não irá.
5 E Gideão fez descer o povo às águas. Então o Senhor lhe disse: Qualquer que
lamber as águas com a língua, como faz o cão, a esse porás de um lado; e a todo
aquele que se ajoelhar para beber, porás do outro.
6 E foi o número dos que lamberam a água, levando a mão à boca, trezentos
homens; mas todo o resto do povo se ajoelhou para beber.
7 Disse ainda o Senhor a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam a água
vos livrarei, e entregarei os midianitas na tua mão; mas, quanto ao resto do
povo, volte cada um ao seu lugar.
8 E o povo tomou na sua mão as provisões e as suas trombetas, e Gideão enviou
todos os outros homens de Israel cada um à sua tenda, porém reteve os
trezentos. O arraial de Midiã estava embaixo no vale.
9 Naquela mesma noite disse o Senhor a Gideão: Levanta-te, e desce contra o
arraial, porque eu o entreguei na tua mão.
10 Mas se tens medo de descer, vai com o teu moço, Purá, ao arraial;
11 ouvirás o que dizem, e serão fortalecidas as tuas mãos para desceres contra
o arraial. Então desceu ele com e seu moço, Purá, até o posto avançado das
sentinelas do arraial.
12 Os midianitas, os amalequitas, e todos os filhos do oriente jaziam no vale,
como gafanhotos em multidão; e os seus camelos eram inumeráveis, como a areia
na praia do mar.
13 No momento em que Gideão chegou, um homem estava contando ao seu companheiro
um sonho, e dizia: Eu tive um sonho; eis que um pão de cevada vinha rolando
sobre o arraial dos midianitas e, chegando a uma tenda, bateu nela de sorte a
fazê-la cair, e a virou de cima para baixo, e ela ficou estendida por terra.
14 Ao que respondeu o seu companheiro, dizendo: Isso não é outra coisa senão a
espada de Gideão, filho de Joás, varão israelita. Na sua mão Deus entregou
Midiã e todo este arraial.
15 Quando Gideão ouviu a narração do sonho e a sua interpretação, adorou a
Deus; e voltando ao arraial de Israel, disse: Levantai-vos, porque o Senhor
entregou nas vossas mãos o arraial de Midiã.
16 Então dividiu os trezentos homens em três companhias, pôs nas mãos de cada
um deles trombetas, e cântaros vazios contendo tochas acesas,
17 e disse-lhes: Olhai para mim, e fazei como eu fizer; e eis que chegando eu à
extremidade do arraial, como eu fizer, assim fareis vós.
18 Quando eu tocar a trombeta, eu e todos os que comigo estiverem, tocai também
vós as trombetas ao redor de todo o arraial, e dizei: Pelo Senhor e por Gideão!
19 Gideão, pois, e os cem homens que estavam com ele chegaram à extremidade do
arraial, ao princípio da vigília do meio, havendo sido de pouco colocadas as
guardas; então tocaram as trombetas e despedaçaram os cântaros que tinham nas
mãos.
20 Assim tocaram as três companhias as trombetas, despedaçaram os cântaros,
segurando com as mãos esquerdas as tochas e com as direitas as trombetas para
as tocarem, e clamaram: A espada do Senhor e de Gideão!
21 E conservou-se cada um no seu lugar ao redor do arraial; então todo o
exército deitou a correr e, gritando, fugiu.
22 Pois, ao tocarem os trezentos as trombetas, o Senhor tornou a espada de um
contra o outro, e isto em todo o arraial, e fugiram até Bete-Sita, em direção
de Zererá, até os limites de Abel-Meolá, junto a Tabate.
23 Então os homens de Israel, das tribos de Naftali, de Aser e de todo o
Manassés, foram convocados e perseguiram a Midiã.
24 Também Gideão enviou mensageiros por toda a região montanhosa de Efraim,
dizendo: Descei ao encontro de Midiã, e ocupai-lhe as águas até Bete-Bara, e
também o Jordão. Convocados, pois todos os homens de Efraim, tomaram-lhe as
águas até Bete-Bara, e também o Jordão;
25 e prenderam dois príncipes de Midiã, Orebe e Zeebe; e mataram Orebe na penha
de Orebe, e Zeebe mataram no lagar de Zeebe, e perseguiram a Midiã; e trouxeram
as cabeças de Orebe e de Zeebe a Gideão, além do Jordão.
JUÍZES
[8]
1 Então os homens de Efraim
lhe disseram: Que é isto que nos fizeste, não nos chamando quando foste pelejar
contra Midiã? E repreenderam-no asperamente.
2 Ele, porém, lhes respondeu: Que fiz eu agora em comparação ao que vós
fizestes? Não são porventura os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de
Abiezer?
3 Deus entregou na vossa mão os príncipes de Midiã, Orebe e Zeebe; que, pois,
pude eu fazer em comparação ao que vós fizestes? Então a sua ira se abrandou
para com ele, quando falou esta palavra.
4 E Gideão veio ao Jordão e o atravessou, ele e os trezentos homens que estavam
com ele, fatigados, mas ainda perseguindo.
5 Disse, pois, aos homens de Sucote: Dai, peço-vos, uns pães ao povo que me
segue, porquanto está fatigado, e eu vou perseguindo a Zeba e Zalmuna, reis os
midianitas.
6 Mas os príncipes de Sucote responderam: Já estão em teu poder as mãos de Zebá
e Zalmuna, para que demos pão ao teu exército?
7 Replicou-lhes Gideão: Pois quando o Senhor entregar na minha mão a Zebá e a
Zalmuna, trilharei a vossa carne com os espinhos do deserto e com os abrolhos.
8 Dali subiu a Penuel, e falou da mesma maneira aos homens desse lugar, que lhe
responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido.
9 Por isso falou também aos homens de Penuel, dizendo: Quando eu voltar em paz,
derribarei esta torre.
10 Zebá e Zalmuna estavam em Carcor com o seu exército, cerca de quinze mil
homens, os restantes de todo o exército dos filhos do oriente; pois haviam
caído cento e vinte mil homens que puxavam da espada.
11 subiu Gideão pelo caminho dos que habitavam em tendas, ao oriente de Nobá e
Jogbeá, e feriu aquele exército, porquanto se dava por seguro.
12 E, fugindo Zebá e Zalmuna, Gideão os perseguiu, tomou presos esses dois reis
dos midianitas e desbaratou todo o exército.
13 Voltando, pois, Gideão, filho de Joás, da peleja pela subida de Heres,
14 tomou preso a um moço dos homens de Sucote, e o inquiriu; este lhe deu por
escrito os nomes dos príncipes de Sucote, e dos seus anciãos, setenta e sete
homens.
15 Então veio aos homens de Sucote, e disse: Eis aqui Zebá e Zalmuna, a
respeito dos quais me escarnecestes, dizendo: Porventura já estão em teu poder
as mãos de Zebá e Zalmuna, para que demos pão aos teus homens fatigados?
16 Nisso tomou os anciãos da cidade, e espinhos e abrolhos do deserto, e com
eles ensinou aos homens de Sucote.
17 Também derrubou a torre de Penuel, e matou os homens da cidade.
18 Depois perguntou a Zebá e a Zalmuna: Como eram os homens que matastes em
Tabor? E responderam eles: Qual és tu, tais eram eles; cada um parecia filho de
rei.
19 Então disse ele: Eram meus irmãos, filhos de minha mãe; vive o Senhor, que
se lhes tivésseis poupado a vida, eu não vos mataria.
20 E disse a Jeter, seu primogênito: Levanta-te, mata-os. O mancebo, porém, não
puxou da espada, porque temia, porquanto ainda era muito moço.
21 Então disseram Zebá e Zalmuna: Levanta-te tu mesmo, e acomete-nos; porque,
qual o homem, tal a sua força. Levantando-se, pois, Gideão, matou Zebá e
Zalmuna, e tomou os crescentes que estavam aos pescoços dos seus camelos.
22 Então os homens de Israel disseram a Gideão: Domina sobre nós, assim tu,
como teu filho, e o filho de teu filho; porquanto nos livraste da mão de Midiã.
23 Gideão, porém, lhes respondeu: Nem eu dominarei sobre vós, nem meu filho,
mas o Senhor sobre vós dominará.
24 Disse-lhes mais Gideão: uma petição vos farei: dá-me, cada um de vós, as
arrecadas do despojo. (Porque os inimigos tinham arrecadas de ouro, porquanto
eram ismaelitas) .
25 Ao que disseram eles: De boa vontade as daremos. E estenderam uma capa, na
qual cada um deles deitou as arrecadas do seu despojo.
26 E foi o peso das arrecadas de ouro que ele pediu, mil e setecentos siclos de
ouro, afora os crescentes, as cadeias e as vestes de púrpura que os reis de
Midiã trajavam, afora as correntes que os camelos traziam ao pescoço.
27 Disso fez Gideão um éfode, e o pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel
se prostituiu ali após ele; e foi um laço para Gideão e para sua casa.
28 Assim foram abatidos os midianitas diante dos filhos de Israel, e nunca mais
levantaram a cabeça. E a terra teve sossego, por quarenta anos nos dias de
Gideão.
29 Então foi Jerubaal, filho de Joás, e habitou em sua casa.
30 Gideão teve setenta filhos, que procederam da sua coxa, porque tinha muitas
mulheres.
31 A sua concubina que estava em Siquém deu-lhe também um filho; e pôs-lhe por
nome Abimeleque.
32 Morreu Gideão, filho de Joás, numa boa velhice, e foi sepultado no sepulcro
de seu pai Joás, em Ofra dos abiezritas.
33 Depois da morte de Gideão os filhos de Israel tornaram a se prostituir após
os baalins, e puseram a Baal-Berite por deus.
34 Assim os filhos de Israel não se lembraram do Senhor seu Deus, que os
livrara da mão de todos os seus inimigos ao redor;
35 nem usaram de beneficência para com a casa de Jerubaal, a saber, de Gideão,
segundo todo o bem que ele havia feito a Israel.
JUÍZES
[9]
1 Abimeleque, filho de
Jerubaal, foi a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e falou-lhes, e a toda a
parentela da casa de pai de sua mãe, dizendo:
2 Falai, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém: Que é melhor
para vós? que setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, dominem sobre vós,
ou que um só domine sobre vós? Lembrai-vos também de que sou vosso osso e vossa
carne.
3 Então os irmãos de sua mãe falaram todas essas palavras a respeito dele aos
ouvidos de todos os cidadãos de Siquém; e o coração deles se inclinou a seguir
Abimeleque; pois disseram: E nosso irmão.
4 E deram-lhe setenta siclos de prata, da casa de Baal-Berite, com os quais
alugou Abimeleque alguns homens ociosos e levianas, que o seguiram;
5 e foi à casa de seu pai, a Ofra, e matou a seus irmãos, os filhos de
Jerubaal, setenta homens, sobre uma só pedra. Mas Jotão, filho menor de
Jerubaal, ficou, porquanto se tinha escondido.
6 Então se ajuntaram todos os cidadãos de Siquém e toda a Bete-Milo, e foram, e
constituíram rei a Abimeleque, junto ao carvalho da coluna que havia em Siquém.
7 Jotão, tendo sido avisado disso, foi e, pondo-se no cume do monte Gerizim,
levantou a voz e clamou, dizendo: Ouvi-me a mim, cidadãos de Siquém, para que
Deus: vos ouça a vos.
8 Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei; e disseram à oliveira: Reina
tu sobre nós.
9 Mas a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os
homens em mim prezam, para ir balouçar sobre as árvores?
10 Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós.
11 Mas a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto,
para ir balouçar sobre as árvores?
12 Disseram então as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós.
13 Mas a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e
aos homens, para ir balouçar sobre as árvores?
14 Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.
15 O espinheiro, porém, respondeu às árvores: Se de boa fé me ungis por vosso
rei, vinde refugiar-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do
espinheiro, e devore os cedros do Líbano.
16 Agora, pois, se de boa fé e com retidão procedestes, constituindo rei a
Abimeleque, e se bem fizestes para com Jerubaal e para com a sua casa, e se com
ele usastes conforme o merecimento das suas mãos
17 (porque meu pai pelejou por vós, desprezando a própria vida, e vos livrou da
mão de Midiã;
18 porém vós hoje vos levantastes contra a casa de meu pai, e matastes a seus
filhos, setenta homens, sobre uma só pedra; e a Abimeleque, filho da sua serva,
fizestes reinar sobre os cidadãos de Siquém, porque é vosso irmão);
19 se de boa fé e com retidão procedestes hoje para com Jerubaal e para com a
sua casa, alegrai-vos em Abimeleque, e também ele se alegre em vós;
20 mas se não, saia fogo de Abimeleque, e devore os cidadãos de Siquém, e a
Bete-Milo; e saia fogo dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, e devore
Abimeleque.
21 E partindo Jotão, fugiu e foi para Beer, e ali habitou, por medo de
Abimeleque, seu irmão.
22 Havendo Abimeleque reinado três anos sobre Israel,
23 Deus suscitou um espírito mau entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém; e
estes procederam aleivosamente para com Abimeleque;
24 para que a violência praticada contra os setenta filhos de Jerubaal, como
também o sangue deles, recaíssem sobre Abimeleque, seu irmão, que os matara, e
sobre os cidadãos de Siquém, que fortaleceram as mãos dele para matar a seus
irmãos.
25 E os cidadãos de Siquém puseram de emboscada contra ele, sobre os cumes dos
montes, homens que roubavam a todo aquele que passava por eles no caminho. E
contou-se isto a Abimeleque.
26 Também veio Gaal, filho de Ebede, com seus irmãos, e estabeleceu-se em
Siquém; e confiaram nele os cidadãos de Siquém.
27 Saindo ao campo, vindimaram as suas vinhas, pisaram as uvas e fizeram uma
festa; e, entrando na casa de seu deus, comeram e beberam, e amaldiçoaram a
Abimeleque.
28 E disse Gaal, filho de Ebede: Quem é Abimeleque, e quem é Siquém, para que
sirvamos a Abimeleque? não é, porventura, filho de Jerubaal? e não é Zebul o
seu mordomo? Servi antes aos homens de Hamor, pai de Siquém; pois, por que
razão serviríamos nós a Abimeleque?
29 Ah! se este povo estivesse sob a minha mão, eu transtornaria a Abimeleque.
Eu lhe diria: Multiplica o teu exército, e vem.
30 Quando Zebul, o governador da cidade, ouviu as palavras de Gaal, filho de
Ebede, acendeu-se em ira.
31 E enviou secretamente mensageiros a Abimeleque, para lhe dizerem: Eis que
Gaal, filho de Ebede, e seus irmãos vieram a Siquém, e estão sublevando a
cidade contra ti.
32 Levanta-te, pois, de noite, tu e o povo que tiveres contigo, e põe-te de
emboscada no campo.
33 E pela manhã, ao nascer do sol, levanta-te, e dá de golpe sobre a cidade; e,
saindo contra ti Gaal e o povo que tiver com ele, faze-lhe como te permitirem
as circunstâncias.
34 Levantou-se, pois, de noite Abimeleque, e todo o povo que com ele havia, e
puseram emboscadas a Siquém, em quatro bandos.
35 E Gaal, filho de Ebede, saiu e pôs-se à entrada da porta da cidade; e das
emboscadas se levantou Abimeleque, e todo o povo que estava com ele.
36 Quando Gaal viu aquele povo, disse a Zebul: Eis que desce gente dos cumes
dos montes. Respondeu-lhe Zebul: Tu vês as sombras dos montes como se fossem
homens.
37 Gaal, porém, tornou a falar, e disse: Eis que desce gente do meio da terra;
também vem uma tropa do caminho do carvalho de Meonenim.
38 Então lhe disse Zebul: Onde está agora a tua boca, com a qual dizias: Quem é
Abimeleque, para que o sirvamos? Não é esse, porventura, o povo que
desprezaste. Sai agora e peleja contra ele!
39 Assim saiu Gaal, à frente dos cidadãos de Siquém, e pelejou contra
Abimeleque.
40 Mas Abimeleque o perseguiu, pois Gaal fugiu diante dele, e muitos caíram
feridos até a entrada da porta.
41 Abimeleque ficou em Arumá. E Zebul expulsou Gaal e seus irmãos, para que não
habitassem em Siquém.
42 No dia seguinte sucedeu que o povo saiu ao campo; disto foi avisado
Abimeleque,
43 o qual, tomando o seu povo, dividiu-o em três bandos, que pôs de emboscada
no campo. Quando viu que o povo saía da cidade, levantou-se contra ele e o
feriu.
44 Abimeleque e os que estavam com ele correram e se puseram à porta da cidade;
e os outros dois bandos deram de improviso sobre todos quantos estavam no
campo, e os feriram.
45 Abimeleque pelejou contra a cidade todo aquele dia, tomou-a e matou o povo
que nela se achava; e, assolando-a, a semeou de sal.
46 Tendo ouvido isso todos os cidadãos de Migdol-Siquém, entraram na fortaleza,
na casa de El-Berite.
47 E contou-se a Abimeleque que todos os cidadãos de Migbol-Siquém se haviam
congregado.
48 Então Abimeleque subiu ao monte Zalmom, ele e todo o povo que com ele havia;
e, tomando na mão um machado, cortou um ramo de árvore e, levantando-o, pô-lo
ao seu ombro, e disse ao povo que estava com ele: O que me vistes fazer,
apressai-vos a fazê-lo também.
49 Tendo, pois, cada um cortado o seu ramo, seguiram a Abimeleque; e, pondo os
ramos junto da fortaleza, queimaram-na a fogo com os que nela estavam; de modo
que morreram também todos os de Migdol-Siquém, cerca de mil homens e mulheres.
50 Então Abimeleque foi a Tebez, e a sitiou e tomou.
51 Havia, porém, no meio da cidade uma torre forte, na qual se refugiaram todos
os habitantes da cidade, homens e mulheres; e fechando após si as portas,
subiram ao eirado da torre.
52 E Abimeleque, tendo chegado até a torre, atacou-a, e chegou-se à porta da
torre, para lhe meter fogo.
53 Nisso uma mulher lançou a pedra superior de um moinho sobre a cabeça de
Abimeleque, e quebrou-lhe o crânio.
54 Então ele chamou depressa o moço, seu escudeiro, e disse-lhe: Desembainha a
tua espada e mata-me, para que não se diga de mim: uma mulher o matou. E o moço
o traspassou e ele morreu.
55 Vendo, pois, os homens de Israel que Abimeleque já era morto, foram-se cada
um para o seu lugar.
56 Assim Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai,
matando seus setenta irmãos;
57 como também fez tornar sobre a cabeça dos homens de Siquém todo o mal que
fizeram; e veio sobre eles a maldição de Jotão, filho de Jerubaal.
JUÍZES
[10]
1 Depois de Abimeleque
levantou-se, para livrar a Israel, Tola, filho de Puva, filho de Dodó, homem de
Issacar, que habitava em Samir, na região montanhosa de Efraim.
2 Ele julgou a Israel vinte e três anos; e morreu, e foi sepultado em Samir.
3 Depois dele levantou-se Jair, gileadita, que julgou a Israel vinte e dois
anos.
4 Ele tinha trinta filhos, que cavalgavam sobre trinta jumentos; e tinham estes
trinta cidades, que se chamam Havote-Jair, até a dia de hoje, as quais estão na
terra de Gileade.
5 Morreu Jair, e foi sepultado em Camom.
6 Então tornaram os filhos de Israel a fazer e que era mau aos olhos do Senhor,
e serviram aos baalins, e às astarotes, e aos deuses da Síria, e aos de Sidom,
e de Moabe, e dos amonitas, e dos filisteus; e abandonaram o Senhor, e não o
serviram.
7 Pelo que a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os vendeu na mão dos
filisteus e na mão dos amonitas,
8 os quais naquele mesmo ano começaram a vexá-los e oprimi-los. Por dezoito
anos oprimiram a todos os filhos de Israel que estavam dalém do Jordão, na
terra dos amorreus, que é em Gileade.
9 E os amonitas passaram o Jordão, para pelejar também contra Judá e Benjamim,
e contra a casa de Efraim, de maneira que Israel se viu muito angustiado.
10 Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, dizendo: Pecamos contra ti,
pois abandonamos o nosso Deus, e servimos aos baalins.
11 O Senhor, porém, respondeu aos filhos de Israel: Porventura não vos livrei
eu dos egipcios, dos amorreus, dos amonitas e dos filisteus?
12 Também os sidônios, os amalequitas e os maonitas vos oprimiram; e, quando
clamastes a mim, não vos livrei da sua mão?
13 Contudo vós me deixastes a mim e servistes a outros deuses, pelo que não vos
livrarei mais.
14 Ide e clamai aos deuses que escolhestes; que eles vos livrem no tempo da
vossa angústia.
15 Mas os filhos de Israel disseram ao Senhor: Pecamos; fazes-nos conforme tudo
quanto te parecer bem; tão-somente te rogamos que nos livres hoje.
16 E tiraram os deuses alheios do meio de si, e serviram ao Senhor, que se
moveu de compaixão por causa da desgraça de Israel.
17 Depois os amonitas se reuniram e acamparam em Gileade; também os filhos de
Israel, reunindo-se, acamparam em Mizpá.
18 Então o povo, isto é, os príncipes de Gileade disseram uns aos outros: Quem
será o varão que começará a peleja contra os amonitas? esse será o chefe de
todos os habitantes de Gileade.
JUÍZES
[11]
1 Era então Jefté, o
gileadita, homem valoroso, porém filho duma prostituta; Gileade era o pai dele.
2 Também a mulher de Gileade lhe deu filhos; quando os filhos desta eram já
grandes, expulsaram a Jefté, e lhe disseram: Não herdarás na casa de nosso pai,
porque és filho de outra mulher.
3 Então Jefté fugiu de diante de seus irmãos, e habitou na terra de Tobe; e
homens levianos juntaram-se a Jefté, e saiam com ele.
4 Passado algum tempo, os amonitas fizeram guerra a Israel.
5 E, estando eles a guerrear contra Israel, foram os anciãos de Gileade para
trazer Jefté da terra de Tobe,
6 e lhe disseram: Vem, sê o nosso chefe, para que combatamos contra os
amonitas.
7 Jefté, porém, perguntou aos anciãos de Gileade: Porventura não me odiastes, e
não me expulsastes da casa de meu pai? por que, pois, agora viestes a mim,
quando estais em aperto?
8 Responderam-lhe os anciãos de Gileade: É por isso que tornamos a ti agora,
para que venhas conosco, e combatas contra os amonitas, e nos sejas por chefe
sobre todos os habitantes de Gileade.
9 Então Jefté disse aos anciãos de Gileade: Se me fizerdes voltar para combater
contra os amonitas, e o Senhor mos entregar diante de mim, então serei eu o
vosso chefe.
10 Responderam os anciãos de Gileade a Jefté: O Senhor será testemunha entre
nós de que faremos conforme a tua palavra.
11 Assim Jefté foi com os anciãos de Gileade, e o povo o pôs por cabeça e chefe
sobre si; e Jefté falou todas as suas palavras perante o Senhor em Mizpá.
12 Depois Jefté enviou mensageiros ao rei dos amonitas, para lhe dizerem: Que
há entre mim e ti, que vieste a mim para guerrear contra a minha terra?
13 Respondeu o rei dos amonitas aos mensageiros de Jefté: É porque Israel,
quando subiu do Egito, tomou a minha terra, desde o Arnom até o Jaboque e o
Jordão; restitui-me, pois, agora essas terras em paz.
14 Jefté, porém, tornou a enviar mensageiros ao rei dos amonitas,
15 dizendo-lhe: Assim diz Jefté: Israel não tomou a terra de Moabe, nem a terra
dos amonitas;
16 mas quando Israel subiu do Egito, andou pelo deserto até o Mar Vermelho, e
depois chegou a Cades;
17 dali enviou mensageiros ao rei de Edom, a dizer-lhe: Rogo-te que me deixes
passar pela tua terra. Mas o rei de Edom não lhe deu ouvidos. Então enviou ao
rei de Moabe, o qual também não consentiu; e assim Israel ficou em Cades.
18 Depois andou pelo deserto e rodeou a terra de Edom e a terra de Moabe, e
veio pelo lado oriental da terra de Moabe, e acampou além do Arnom; porém não
entrou no território de Moabe, pois o Arnom era o limite de Moabe.
19 E Israel enviou mensageiros a Siom, rei dos amorreus, rei de Hesbom, e
disse-lhe: Rogo-te que nos deixes passar pela tua terra até o meu lugar.
20 Siom, porém, não se fiou de Israel para o deixar passar pelo seu território;
pelo contrário, ajuntando todo o seu povo, acampou em Jaza e combateu contra
Israel.
21 E o Senhor Deus de Israel entregou Siom com todo o seu povo na mão de
Israel, que os feriu e se apoderou de toda a terra dos amorreus que habitavam
naquela região.
22 Apoderou-se de todo o território dos amorreus, desde o Arnom até o Jaboque,
e desde o deserto até o Jordão.
23 Assim o Senhor Deus de Israel desapossou os amorreus de diante do seu povo
de Israel; e possuirias tu esse território?
24 Não possuirias tu o território daquele que Quemós, teu deus, desapossasse de
diante de ti? assim possuiremos nós o território de todos quantos o Senhor
nosso Deus desapossar de diante de nós.
25 Agora, és tu melhor do que Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe? ousou ele
jamais contender com Israel, ou lhe mover guerra?
26 Enquanto Israel habitou trezentos anos em Hesbom e nas suas vilas, em Aroer
e nas suas vilas em todas as cidades que estão ao longo do Arnom, por que não
as recuperaste naquele tempo?
27 Não fui eu que pequei contra ti; és tu, porém, que usas de injustiça para
comigo, fazendo-me guerra. O Senhor, que é juiz, julgue hoje entre os filhos de
Israel e os amonitas.
28 Contudo o rei dos amonitas não deu ouvidos à mensagem que Jefté lhe enviou.
29 Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté, de modo que ele passou por
Gileade e Manassés, e chegando a Mizpá de Gileade, dali foi ao encontro dos
amonitas.
30 E Jefté fez um voto ao Senhor, dizendo: Se tu me entregares na mão os
amonitas,
31 qualquer que, saindo da porta de minha casa, me vier ao encontro, quando eu,
vitorioso, voltar dos amonitas, esse será do Senhor; eu o oferecerei em
holocausto.
32 Assim Jefté foi ao encontro dos amonitas, a combater contra eles; e o Senhor
lhos entregou na mão.
33 E Jefté os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a Minite,
vinte cidades, e até Abel-Queramim. Assim foram subjugados os amonitas pelos
filhos de Israel.
34 Quando Jefté chegou a Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao
encontro com adufes e com danças; e era ela a filha única; além dela não tinha
outro filho nem filha.
35 Logo que ele a viu, rasgou as suas vestes, e disse: Ai de mim, filha minha!
muito me abateste; és tu a causa da minha desgraça! pois eu fiz, um voto ao
Senhor, e não posso voltar atrás.
36 Ela lhe respondeu: Meu pai, se fizeste um voto ao Senhor, faze de mim
conforme o teu voto, pois o Senhor te vingou dos teus inimigos, os filhos de
Amom.
37 Disse mais a seu pai: Concede-me somente isto: deixa-me por dois meses para
que eu vá, e desça pelos montes, chorando a minha virgindade com as minhas
companheiras.
38 Disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses; então ela se foi com as suas
companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes.
39 E sucedeu que, ao fim dos dois meses, tornou ela para seu pai, o qual
cumpriu nela o voto que tinha feito; e ela não tinha conhecido varão. Daí veio
o costume em Israel,
40 de irem as filhas de Israel de ano em ano lamentar por quatro dias a filha
de Jefté, o gileadita. Isso não é
JUÍZES
[12]
1 Então os homens de Efraim
se congregaram, passaram para Zafom e disseram a Jefté: Por que passaste a combater
contra os amonitas, e não nos chamaste para irmos contigo? Queimaremos a fogo a
tua casa contigo.
2 Disse-lhes Jefté: Eu e o meu povo tivemos grande contenda com os amonitas; e
quando vos chamei, não me livrastes da sua mão.
3 Vendo eu que não me livráveis, arrisquei a minha vida e fui de encontro aos
amonitas, e o Senhor mos entregou nas mãos; por que, pois, subistes vós hoje
para combater contra mim?
4 Depois ajuntou Jefté todos os homens de Gileade, e combateu contra Efraim, e
os homens de Gileade feriram a Efraim; porque este lhes dissera: Fugitivos sois
de Efraim, vós gileaditas que habitais entre Efraim e Manassés.
5 E tomaram os gileaditas aos efraimitas os vaus do Jordão; e quando algum dos
fugitivos de Efraim diza: Deixai-me passar; então os homens de Gileade lhe
perguntavam: És tu efraimita? E dizendo ele: Não;
6 então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete, porque
não o podia pronunciar bem. Então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do
Jordão. Cairam de Efraim naquele tempo quarenta e dois mil.
7 Jefté julgou a Israel seis anos; e morreu Jefté, o gileadita, e foi sepultado
numa das cidades de Gileade.
8 Depois dele julgou a Israel Ibzã de Belém.
9 Tinha este trinta filhos, e trinta filhas que casou fora; e trinta filhas
trouxe de fora para seus filhos. E julgou a Israel sete anos.
10 Morreu Ibzã, e foi sepultado em Belém.
11 Depois dele Elom, o zebulonita, julgou a Israel dez anos.
12 Morreu Elom, o zebulonita, e foi sepultado em Aijalom, na terra de Zebulom.
13 Depois dele julgou a Israel Abdom, filho de Hilel, o piratonita.
14 Tinha este quarenta filhos e trinta netos, que cavalgavam sobre setenta
jumentos. E julgou a Israel oito anos.
15 Morreu Abdom, filho de Hilel, o piratonita, e foi sepultado em Piratom, na
terra de Efraim, na região montanhosa dos amalequitas.
JUÍZES
[13]
1 Os filhos de Israel
tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, e ele os entregou na mão
dos filisteus por quarenta anos.
2 Havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manoá; e sua mulher,
sendo estéril, não lhe dera filhos.
3 Mas o anjo do Senhor apareceu à mulher e lhe disse: Eis que és estéril, e
nunca deste à luz; porém conceberás, e terás um filho.
4 Agora pois, toma cuidado, e não bebas vinho nem bebida forte, e não comas
coisa alguma impura;
5 porque tu conceberás e terás um filho, sobre cuja cabeça não passará navalha,
porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre de sua mãe; e ele
começara a livrar a Israel da mão dos filisteus.
6 Então a mulher entrou, e falou a seu marido, dizendo: Veio a mim um homem de
Deus, cujo semblante era como o de um anjo de Deus, em extremo terrível; e não
lhe perguntei de onde era, nem ele me disse o seu nome;
7 porém disse-me: Eis que tu conceberás e terás um filho. Agora pois, não bebas
vinho nem bebida forte, e não comas coisa impura; porque o menino sera nazireu
de Deus, desde o ventre de sua mãe até o dia da sua morte.
8 Então Manoá suplicou ao Senhor, dizendo: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem
de Deus, que enviaste, venha ter conosco outra vez e nos ensine o que devemos
fazer ao menino que há de nascer.
9 Deus ouviu a voz de Manoá; e o anjo de Deus veio outra vez ter com a mulher,
estando ela sentada no campo, porém não estava com ela seu marido, Manoá.
10 Apressou-se, pois, a mulher e correu para dar a notícia a seu marido, e
disse-lhe: Eis que me apareceu aquele homem que veio ter comigo o outro dia.
11 Então Manoá se levantou, seguiu a sua mulher e, chegando à presença do
homem, perguntou-lhe: És tu o homem que falou a esta mulher? Ele respondeu: Sou
eu.
12 Então disse Manoá: Quando se cumprirem as tuas palavras, como se há de criar
o menino e que fará ele?
13 Respondeu o anjo do Senhor a Manoá: De tudo quanto eu disse à mulher se
guardará ela;
14 de nenhum produto da vinha comerá; não beberá vinho nem bebida forte, nem
comerá coisa impura; tudo quanto lhe ordenei cumprirá.
15 Então Manoá disse ao anjo do Senhor: Deixa que te detenhamos, para que te
preparemos um cabrito.
16 Disse, porém, o anjo do Senhor a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei
de teu pão; e se fizeres holocausto, é ao Senhor que o oferecerás. (Pois Manoá
não sabia que era o anjo do Senhor).
17 Ainda perguntou Manoá ao anjo do Senhor: Qual é o teu nome? - para que,
quando se cumprir a tua palavra, te honremos.
18 Ao que o anjo do Senhor lhe respondeu: Por que perguntas pelo meu nome,
visto que é maravilhoso?
19 Então Manoá tomou um cabrito com a oferta de cereais, e o ofereceu sobre a
pedra ao Senhor; e fez o anjo maravilhas, enquanto Manoá e sua mulher o observavam.
20 Ao subir a chama do altar para o céu, subiu com ela o anjo do Senhor; o que
vendo Manoá e sua mulher, caíram com o rosto em terra.
21 E não mais apareceu o anjo do Senhor a Manoá, nem à sua mulher; então
compreendeu Manoá que era o anjo do Senhor.
22 Disse Manoá a sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a
Deus.
23 Sua mulher, porém, lhe respondeu: Se o Senhor nos quisera matar, não teria
recebido da nossa mão o holocausto e a oferta de cereais, nem nos teria
mostrado todas estas coisas, nem agora nos teria dito semelhantes coisas.
24 Depois teve esta mulher um filho, a quem pôs o nome de Sansão; e o menino
cresceu, e o Senhor o abençoou.
25 E o Espírito do Senhor começou a incitá-lo em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.
JUÍZES
[14]
1 Desceu Sansão a Timnate; e
vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus,
2 subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, dizendo: Vi uma mulher em Timnate,
das filhas dos filisteus; agora pois, tomai-ma por mulher.
3 Responderam-lhe, porém, seu pai e sua mãe: Não há, porventura, mulher entre
as filhas de teus irmãos, nem entre todo o nosso povo, para que tu vás tomar
mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? Disse, porém, Sansão a seu pai:
Toma esta para mim, porque ela muito me agrada.
4 Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor, que buscava
ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam
sobre Israel.
5 Desceu, pois, Sansão com seu pai e com sua mãe a Timnate. E, chegando ele às
vinhas de Timnate, um leão novo, rugindo, saiu-lhe ao encontro.
6 Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que ele, sem ter coisa
alguma na mão, despedaçou o leão como se fosse um cabrito. E não disse nem a
seu pai nem a sua mãe o que tinha feito.
7 Depois desceu e falou àquela mulher; e ela muito lhe agradou.
8 Passado algum tempo, Sansão voltou para recebê-la; e apartando-se de caminho
para ver o cadáver do leão, eis que nele havia um enxame de abelhas, e mel.
9 E tirando-o nas mãos, foi andando e comendo dele; chegando aonde estavam seu
pai e sua mãe, deu-lhes do mel, e eles comeram; porém não lhes disse que havia
tirado o mel do corpo do leão.
10 Desceu, pois, seu pai à casa da mulher; e Sansão fez ali um banquete, porque
assim os mancebos costumavam fazer.
11 E sucedeu que, quando os habitantes do lugar o viram, trouxeram trinta
companheiros para estarem com ele.
12 Disse-lhes, pois, Sansão: Permiti-me propor-vos um enigma; se nos sete dias
das bodas o decifrardes e mo descobrirdes, eu vos darei trinta túnicas de linho
e trinta mantos;
13 mas se não puderdes decifrar, vós me dareis a mim as trinta túnicas de linho
e os trinta mantos. Ao que lhe responderam eles: Propõe o teu enigma, para que
o ouçamos.
14 Então lhes disse: Do que come saiu comida, e do forte saiu doçura. E em três
dias não puderam decifrar o enigma.
15 Ao quarto dia, pois, disseram à mulher de Sansão: Persuade teu marido a que
declare o enigma, para que não queimemos a fogo a ti e à casa de teu pai. Acaso
nos convidastes para nos despojardes?
16 E a mulher de Sansão chorou diante dele, e disse: Tão-somente me aborreces,
e não me amas; pois propuseste aos filhos do meu povo um enigma, e não mo
declaraste a mim. Respondeu-lhe ele: Eis que nem a meu pai nem a minha mãe o
declarei, e to declararei a ti.
17 Assim ela chorava diante dele os sete dias em que celebravam as bodas.
Sucedeu, pois, que ao sétimo dia lho declarou, porquanto o importunava; então
ela declarou o enigma aos filhos do seu povo.
18 Os homens da cidade, pois, ainda no sétimo dia, antes de se pôr o sol,
disseram a Sansão: Que coisa há mais doce do que o mel? e que coisa há mais
forte do que o leão? Respondeu-lhes ele: Se vós não tivésseis lavrado com a
minha novilha, não teríeis descoberto o meu enigma.
19 Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que desceu a Asquelom,
matou trinta dos seus homens e, tomando as suas vestes, deu-as aos que
declararam o enigma; e, ardendo em ira, subiu à casa de seu pai.
20 E a mulher de Sansão foi dada ao seu companheiro, que lhe servira de
paraninfo.:
JUÍZES
[15]
1 Alguns dias depois disso,
durante a ceifa do trigo, Sansão, levando um cabrito, foi visitar a sua mulher,
e disse: Entrarei na câmara de minha mulher. Mas o pai dela não o deixou
entrar,
2 dizendo-lhe: Na verdade, pensava eu que de todo a aborrecias; por isso a dei
ao teu companheiro. Não é, porém, mais formosa do que ela a sua irmã mais nova?
Toma-a, pois, em seu lugar.
3 Então Sansão lhes disse: De agora em diante estarei sem culpa para com os
filisteus, quando lhes fizer algum mal.
4 E Sansão foi, apanhou trezentas raposas, tomou fachos e, juntando as raposas
cauda a cauda, pôs-lhes um facho entre cada par de caudas.
5 E tendo chegado fogo aos fachos, largou as raposas nas searas dos filisteus:,
e assim abrasou tanto as medas como o trigo ainda em pé as vinhas e os olivais.
6 Perguntaram os filisteus: Quem fez isto? Respondeu-se-lhes: Sansão, o genro
do timnita, porque este lhe tomou a sua mulher, e a deu ao seu companheiro.
Subiram, pois, os filisteus, e queimaram a fogo a ela e a seu pai.
7 Disse-lhes Sansão: É assim que fazeis? pois só cessarei quando me houver
vingado de vós.
8 E de todo os desbaratou, infligindo-lhes grande mortandade. Então desceu, e
habitou na fenda do penhasco de Etã.
9 Então os filisteus subiram, acamparam-se em Judá, e estenderam-se por Leí.
10 Perguntaram-lhes os homens de Judá: Por que subistes contra nós. E eles
responderam: Subimos para amarrar a Sansão, para lhe fazer como ele nos fez.
11 Então três mil homens de Judá desceram até a fenda do penhasco de Etã, e
disseram a Sansão: Não sabias tu que os filisteus dominam sobre nós? por que,
pois, nos fizeste isto? E ele lhes disse: Assim como eles me fizeram a mim, eu
lhes fiz a eles.
12 Tornaram-lhe eles: Descemos para amarrar-te, a fim de te entregar nas mãos
dos filisteus. Disse-lhes Sansão: Jurai-me que vós mesmos não me acometereis.
13 Eles lhe responderam: Não, não te mataremos, mas apenas te amarraremos, e te
entregaremos nas mãos deles. E amarrando-o com duas cordas novas, tiraram-no do
penhasco.
14 Quando ele chegou a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando.
Então o Espírito do Senhor se apossou dele, e as cordas que lhe ligavam os
braços se tornaram como fios de linho que estão queimados do fogo, e as suas
amarraduras se desfizeram das suas mãos.
15 E achou uma queixada fresca de jumento e, estendendo a mão, tomou-a e com
ela matou mil homens.
16 Disse Sansão: Com a queixada de um jumento montões e mais montões! Sim, com
a queixada de um jumento matei mil homens.
17 E acabando ele de falar, lançou da sua mão a queixada; e chamou-se aquele
lugar Ramá-Leí.
18 Depois, como tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Pela mão do teu
servo tu deste este grande livramento; e agora morrerei eu de sede, e cairei
nas mãos destes incircuncisos?
19 Então o Senhor abriu a fonte que está em Leí, e dela saiu água; e Sansão,
tendo bebido, recobrou alento, e reviveu; pelo que a fonte ficou sendo chamada
En-Hacore, a qual está em Leí até o dia de hoje.
20 E julgou a Israel, nos dias dos filisteus, vinte anos.
JUÍZES
[16]
1 Sansão foi a Gaza, e viu
ali uma prostituta, e entrou a ela.
2 E foi dito aos gazitas: Sansão entrou aqui. Cercaram-no, pois, e de emboscada
à porta da cidade o esperaram toda a noite; assim ficaram quietos a noite toda,
dizendo: Quando raiar o dia, matá-lo-emos.
3 Mas Sansão deitou-se até a meia-noite; então, levantando-se, pegou nas portas
da entrada da cidade, com ambos os umbrais, arrancou-as juntamente com a tranca
e, pondo-as sobre os ombros, levou-as até o cume do monte que está defronte de
Hebrom.
4 Depois disto se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, cujo nome era
Dalila.
5 Então os chefes dos filisteus subiram a ter com ela, e lhe disseram:
Persuade-o, e vê em que consiste a sua grande força, e como poderemos
prevalecer contra ele e amarrá-lo, para assim o afligirmos; e te daremos, cada
um de nós, mil e cem moedas de prata.
6 Disse, pois, Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua
grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem afligir.
7 Respondeu-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete cordas de nervos, ainda não
secados, então me tornaria fraco, e seria como qualquer outro homem.
8 Então os chefes dos filisteus trouxeram a Dalila sete cordas de nervos, ainda
não secados, com as quais ela o amarrou.
9 Ora, tinha ela em casa uns espias sentados na câmara interior. Então ela
disse: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! E ele quebrou as cordas de nervos,
como se quebra o fio da estopa ao lhe chegar o fogo. Assim não se soube em que
consistia a sua força.
10 Disse, pois, Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim, e me disseste
mentiras; declara-me agora com que poderia ser a amarrado.
11 Respondeu-lhe ele: Se me amarrassem fortemente com cordas novas, que nunca
tivessem sido usadas, então me tornaria fraco, e seria como qualquer outro
homem.
12 Então Dalila tomou cordas novas, e o amarrou com elas, e disse-lhe: Os
filisteus vêm sobre ti, Sansão! E os espias estavam sentados na câmara
interior. Porém ele as quebrou de seus braços como a um fio.
13 Disse Dalila a Sansão: Até agora zombaste de mim, e me disseste mentiras;
declara-me pois, agora, com que poderia ser amarrado. E ele lhe disse: Se
teceres as sete tranças da minha cabeça com os liços da teia.
14 Assim ela as fixou com o torno de tear, e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre
ti, Sansão! Então ele despertou do seu sono, e arrancou o torno do tear,
juntamente com os liços da teia.
15 Disse-lhe ela: como podes dizer: Eu te amo! não estando comigo o teu
coração? Já três vezes zombaste de mim, e ainda não me declaraste em que
consiste a tua força.
16 E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e
molestando-o, a alma dele se angustiou até a morte.
17 E descobriu-lhe todo o seu coração, e disse-lhe: Nunca passou navalha pela
ninha cabeça, porque sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe; se viesse
a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me tornaria fraco, e seria como
qualquer outro homem.
18 Vendo Dalila que ele lhe descobrira todo o seu coração, mandou chamar os
chefes dos filisteus, dizendo: Subi ainda esta vez, porque agora me descobriu
ele todo o seu coração. E os chefes dos filisteus subiram a ter com ela,
trazendo o dinheiro nas maos.
19 Então ela o fez dormir sobre os seus joelhos, e mandou chamar um homem para
lhe rapar as sete tranças de sua cabeça. Depois começou a afligi-lo, e a sua
força se lhe foi.
20 E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Despertando ele do seu sono,
disse: Sairei, como das outras vezes, e me livrarei. Pois ele não sabia que o
Senhor se tinha retirado dele.
21 Então os filisteus pegaram nele, arrancaram-lhe os olhos e, tendo-o levado a
Gaza, amarraram-no com duas cadeias de bronze; e girava moinho no cárcere.
22 Todavia o cabelo da sua cabeça, logo que foi rapado, começou a crescer de
novo:
23 Então os chefes dos filisteus se ajuntaram para oferecer um grande
sacrifício ao seu deus Dagom, e para se regozijar; pois diziam: Nosso deus nos
entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo.
24 semelhantemente o povo, vendo-o, louvava ao seu deus, dizendo: Nosso Deus
nos entregou nas mãos o nosso inimigo, aquele que destruía a nossa terra, e
multiplicava os nossos mortos.
25 E sucedeu que, alegrando-se o seu coração, disseram: Mandai vir Sansão, para
que brinque diante de nós. Mandaram, pois, vir do cárcere Sansão, que brincava
diante deles; e fizeram-no estar em pé entre as colunas.
26 Disse Sansão ao moço que lhe segurava a mão: Deixa-me apalpar as colunas em
que se sustém a casa, para que me encoste a elas.
27 Ora, a casa estava cheia de homens e mulheres; e também ali estavam todos os
chefes dos filisteus, e sobre o telhado havia cerca de três mil homens e
mulheres, que estavam vendo Sansão brincar.
28 Então Sansão clamou ao Senhor, e disse: ç Senhor Deus! lembra-te de mim, e
fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que duma só vez me vingue dos
filisteus pelos meus dois olhos.
29 Abraçou-se, pois, Sansão com as duas colunas do meio, em que se sustinha a
casa, arrimando-se numa com a mão direita, e na outra com a esquerda.
30 E bradando: Morra eu com os filisteus! inclinou-se com toda a sua força, e a
casa caiu sobre os chefes e sobre todo o povo que nela havia. Assim foram mais
os que matou ao morrer, do que os que matara em vida.
31 Então desceram os seus irmãos e toda a casa de seu pai e, tomando-o, o
levaram e o sepultaram, entre Zorá e Estaol, no sepulcro de Manoá, seu pai. Ele
havia julgado a Israel vinte anos.
JUÍZES
[17]
1 Havia um homem da região
montanhosa de Efraim, cujo nome era Mica.
2 Disse este a sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por
cuja causa lançaste maldições, e acerca das quais também me falaste, eis que
esse dinheiro está comigo, eu o tomei. Então disse sua mãe: Bendito do Senhor
seja meu filho!
3 E ele restituiu as mil e cem moedas de prata a sua mãe; porém ela disse: Da
minha mão dedico solenemente este dinheiro ao Senhor a favor de meu filho, para
fazer uma imagem esculpida e uma de fundição; de sorte que agora to tornarei a
dar.
4 Quando ele restituiu o dinheiro a sua mãe, ela tomou duzentas moedas de prata,
e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem esculpida e uma de fundição,
as quais ficaram em casa de Mica.
5 Ora, tinha este homem, Mica, uma casa de deuses; e fez um éfode e terafins, e
consagrou um de seus filhos, que lhe serviu de sacerdote.
6 Naquelas dias não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia bem aos
seus olhos.
7 E havia um mancebo de Belém de Judá, da família de Judá, que era levita, e
peregrinava ali.
8 Este homem partiu da cidade de Belém de Judá para peregrinar onde quer que
achasse conveniente. Seguindo ele o seu caminho, chegou à região montanhosa de
Efraim, à casa de Mica,
9 o qual lhe perguntou: Donde vens? E ele lhe respondeu: Sou levita de Belém de
Judá, e vou peregrinar onde achar conveniente.
10 Então lhe disse Mica: Fica comigo, e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano
te darei dez moedas de prata, o vestuário e o sustento. E o levita entrou.
11 Consentiu, pois, o levita em ficar com aquele homem, e lhe foi como um de
seus filhos.
12 E Mica consagrou o levita, e o mancebo lhe serviu de sacerdote, e ficou em
sua casa.
13 Então disse Mica: Agora sei que o Senhor me fará bem, porquanto tenho um
levita por sacerdote.
JUÍZES
[18]
1 Naqueles dias não havia rei
em Israel; a tribo dos danitas buscava para si herança em que habitar; porque
até então não lhe havia caído a sua herança entre as tribos de Israel.
2 E de Zorá e Estaol os filhos de Dã enviaram cinco homens da sua tribo,
escolhidos dentre todo o povo, homens valorosos, para espiar e reconhecer a
terra; e lhes disseram: Ide, reconhecei a terra. E chegaram eles à região
montanhosa de Efraim, à casa de Mica, e passaram ali a noite.
3 Pois, estando eles perto da casa de Mica, reconheceram a voz do mancebo
levita; e, dirigindo-se para lá, lhe perguntaram: Quem te trouxe para cá? que
estás fazendo aqui? e que é isto que tens aqui?
4 E ele lhes respondeu: Assim e assim me tem feito Mica; ele me assalariou, e
eu lhe sirvo e sacerdote.
5 Então lhe disseram: Consulta a Deus, para que saibamos se será próspero o
caminho que seguimos.
6 Ao que lhes disse o sacerdote: Ide em paz; perante o Senhor está o caminho
que seguis.
7 Então foram-se aqueles cinco homens, e chegando a Laís, viram o povo que
havia nela, como vivia em segurança, conforme o costume dos sidônios, quieto e
desprecavido; não havia naquela terra falta de coisa alguma; era um povo rico
e, estando longe dos sidônios, não tinha relações com ninguém.
8 Então voltaram a seus irmãos, em Zorá e Estaol, os quais lhes perguntaram:
Que dizeis vós?
9 Eles responderam: Levantai-vos, e subamos contra eles; porque examinamos a
terra, e eis que é muito boa. E vós estareis aqui tranqüilos? Não sejais
preguiçosos em entrardes para tomar posse desta terra.
10 Quando lá chegardes, achareis um povo desprecavido, e a terra é muito
espaçosa; pois Deus vos entregou na mão um lugar em que não há falta de coisa
alguma que há na terra.
11 Então seiscentos homens da tribo dos danitas partiram de Zorá e Estaol,
munidos de armas de guerra.
12 E, tendo subido, acamparam-se em Quiriate-Jearim, em Judá; pelo que esse
lugar ficou sendo chamado Maané-Dã, até o dia de hoje; eis que está ao ocidente
de Quiriate-Jearim.
13 Dali passaram à região montanhosa de Efraim, e chegaram à casa de Mica.
14 Então os cinco homens que tinham ido espiar a terra de Laís disseram a seus
irmãos: Sabeis vós que naquelas casas há um éfode, e terafins, e uma imagem
esculpida e uma de fundição? Considerai, pois, agora o que haveis de fazer.
15 Então se dirigiram para lá, e chegaram à casa do mancebo, o levita, à casa
de Mica, e o saudaram.
16 E os seiscentos homens dos danitas, munidos de suas armas de guerra, ficaram
à entrada da porta.
17 Mas subindo os cinco homens que haviam espiado a terra, entraram ali e
tomaram a imagem esculpida, e éfode, os terafins e a imagem de fundição,
ficando o sacerdote em pé à entrada da porta, com os seiscentos homens armados.
18 Quando eles entraram na casa de Mica, e tomaram a imagem esculpida, o éfode,
os terafins e a imagem de fundição, perguntou-lhes o sacerdote: Que estais
fazendo?
19 E eles lhe responderam: Cala-te, põe a mão sobre a boca, e vem conosco, e
sê-nos por pai e sacerdote. Que te é melhor? ser sacerdote da casa dum só
homem, ou duma tribo e duma geração em Israel?
20 Então alegrou-se o coração do sacerdote, o qual tomou o éfode, os terafins e
a imagem esculpida, e entrou no meio do povo.
21 E, virando-se, partiram, tendo posto diante de si os pequeninos, o gado e a
bagagem.
22 Estando eles já longe da casa de Mica, os homens que estavam nas casas
vizinhas à dele se reuniram, e alcançaram os filhos de Dã.
23 E clamaram após os filhos de Dã, os quais, virando-se, perguntaram a Mica:
Que é que tens, visto que vens com tanta gente?
24 Então ele respondeu: Os meus deuses que eu fiz, vós me tomastes, juntamente
com o sarcerdote, e partistes; e agora, que mais me fica? Como, pois, me
dizeis: Que é que tens ?
25 Mas os filhos de Dã lhe disseram: Não faças ouvir a tua voz entre nós, para
que porventura homens violentos não se lancem sobre vós, e tu percas a tua
vida, e a vida dos da tua casa.
26 Assim seguiram o seu caminho os filhos de Dã; e Mica, vendo que eram mais
fortes do que ele, virou-se e voltou para sua casa.
27 Eles, pois, levaram os objetos que Mica havia feito, e o sacerdote que
estava com ele e, chegando a Laís, a um povo quieto e desprecavido, passaram-no
ao fio da espada, e puseram fogo à cidade.
28 E ninguém houve que o livrasse, porquanto estava longe de Sidom, e não tinha
relações com ninguém; a cidade estava no vale que está junto a Bete-Reobe.
Depois, reedificando-a, habitaram nela,
29 e chamaram-lhe Dã, segundo o nome de Dã, seu pai, que nascera a Israel; era,
porém, dantes o nome desta cidade Laís.
30 Depois os filhos de Dã levantaram para si aquela imagem esculpida; e
Jônatas, filho de Gérsom, o filho de Moisés, ele e seus filhos foram sacerdotes
da tribo dos danitas, até o dia do cativeiro da terra.
31 Assim, pois, estabeleceram para si a imagem esculpida que Mica fizera, por
todo o tempo em que a casa de Deus esteve em Siló.
JUÍZES
[19]
1 Aconteceu também naqueles
dias, quando não havia rei em Israel, que certo levita, habitante das partes
remotas da região montanhosa de Efraim, tomou para si uma concubina, de Belém
de Judá.
2 Ora, a sua concubina adulterou contra ele e, deixando-o, foi para casa de seu
pai em Belém de Judá, e ali ficou uns quatro meses.
3 Seu marido, levantando-se, foi atrás dela para lhe falar bondosamente, a fim
de tornar a trazê-la; e levava consigo o seu moço e um par de jumentos. Ela o
levou à casa de seu pai, o qual, vendo-o, saiu alegremente a encontrar-se com
ele.
4 E seu sogro, o pai da moça, o deteve consigo três dias; assim comeram e
beberam, e se alojaram ali.
5 Ao quarto dia madrugaram, e ele se levantou para partir. Então o pai da moça
disse a seu genro: Fortalece-te com um bocado de pão, e depois partireis:
6 Sentando-se, pois, ambos juntos, comeram e beberam; e disse o pai da moça ao
homem: Peço-te que fiques ainda esta noite aqui, e alegre-se o teu coração.
7 O homem, porém, levantou-se para partir; mas, como seu sogro insistisse,
tornou a passar a noite ali.
8 Também ao quinto dia madrugaram para partir; e disse o pai da moça: Ora,
conforta o teu coração, e detém-te até o declinar do dia. E ambos juntos
comeram.
9 Então o homem se levantou para partir, ele, a sua concubina, e o seu moço; e
disse-lhe seu sogro, o pai da moça: Eis que já o dia declina para a tarde;
peço-te que aqui passes a noite. O dia já vai acabando; passa aqui a noite, e
alegre-se o teu coração: Amanhã de madrugada levanta-te para encetares viagem,
e irás para a tua tenda.
10 Entretanto, o homem não quis passar a noite ali, mas, levantando-se, partiu
e chegou à altura de Jebus (que é Jerusalém), e com ele o par de jumentos
albardados, como também a sua concubina.
11 Quando estavam perto de Jebus, já o dia tinha declinado muito; e disse o
moço a seu senhor: Vem, peço-te, retiremo-nos a esta cidade dos jebuseus, e
passemos nela a noite.
12 Respondeu-lhe, porém, o seu senhor: Não nos retiraremos a nenhuma cidade
estrangeira, que não seja dos filhos de Israel, mas passaremos até Gibeá.
13 Disse mais a seu moço: Vem, cheguemos a um destes lugares, Gibeá ou Ramá, e
passemos ali a noite.
14 Passaram, pois, continuando o seu caminho; e o sol se pôs quando estavam
perto de Gibeá, que pertence a Benjamim.
15 Pelo que se dirigiram para lá, a fim de passarem ali a noite; e o levita,
entrando, sentou-se na praça da cidade, porque não houve quem os recolhesse em
casa para ali passarem a noite.
16 Eis que ao anoitecer vinha do seu trabalho no campo um ancião; era ele da
região montanhosa de Efraim, mas habitava em Gibeá; os homens deste lugar,
porém, eram benjamitas.
17 Levantando ele os olhos, viu na praça da cidade o viajante, e perguntou-lhe:
Para onde vais, e donde vens?
18 Respondeu-lhe ele: Estamos de viagem de Belém de Judá para as partes remotas
da região montanhosa de Efraim, donde sou. Fui a Belém de Judá, porém agora vou
à casa do Senhor; e ninguem há que me recolha em casa.
19 Todavia temos palha e forragem para os nossos jumentos; também há pão e
vinho para mim, para a tua serva, e para o moço que vem com os teus servos; de
coisa nenhuma há falta.
20 Disse-lhe o ancião: Paz seja contigo; tudo quanto te faltar fique ao meu
cargo; tão-somente não passes a noite na praça.
21 Assim o fez entrar em sua casa, e deu ração aos jumentos; e, depois de
lavarem os pés, comeram e beberam.
22 Enquanto eles alegravam o seu coração, eis que os homens daquela cidade,
filhos de Belial, cercaram a casa, bateram à porta, e disseram ao ancião, dono
da casa: Traze cá para fora o homem que entrou em tua casa, para que o
conheçamos.
23 O dono da casa saiu a ter com eles, e disse-lhes: Não, irmãos meus, não
façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais essa
loucura.
24 Aqui estão a minha filha virgem e a concubina do homem; fá-las-ei sair;
humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a
este homem não façais tal loucura.
25 Mas esses homens não o quiseram ouvir; então aquele homem pegou da sua
concubina, e lha tirou para fora. Eles a conheceram e abusaram dela a noite
toda até pela manhã; e ao subir da alva deixaram-na:
26 Ao romper do dia veio a mulher e caiu à porta da casa do homem, onde estava
seu senhor, e ficou ali até que se fez claro.
27 Levantando-se pela manhã seu senhor, abriu as portas da casa, e ia sair para
seguir o seu caminho; e eis que a mulher, sua concubina, jazia à porta da casa,
com as mãos sobre o limiar.
28 Ele lhe disse: Levanta-te, e vamo-nos; porém ela não respondeu. Então a pôs
sobre o jumento e, partindo dali, foi para o seu lugar.
29 Quando chegou em casa, tomou um cutelo e, pegando na sua concubina, a
dividiu, membro por membro, em doze pedaços, que ele enviou por todo o
território de Israel.
30 E sucedeu que cada um que via aquilo dizia: Nunca tal coisa se fez, nem se
viu, desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até o dia
de hoje; ponderai isto, consultai, e dai o vosso parecer.
JUÍZES
[20]
1 Então saíram todos os
filhos de Israel, desde Dã até Berseba, e desde a terra de Gileade, e a
congregação, como se fora um só homem, se ajuntou diante do senhor em Mizpá.
2 Os homens principais de todo o povo, de todas as tribos de Israel,
apresentaram-se na assembléia do povo de Deus; eram quatrocentos mil homens de
infantaria que arrancavam da espada.
3 (Ora, ouviram os filhos de Benjamim que os filhos de Israel haviam subido a
Mizpá). E disseram os filhos de Israel: Dizei-nos, de que modo se cometeu essa
maldade?
4 Então respondeu o levita, marido da mulher que fora morta, e disse: Cheguei
com a minha concubina a Gibeá, que pertence a Benjamim, para ali passar a
noite;
5 e os cidadãos de Gibeá se levantaram contra mim, e cercaram e noite a casa em
que eu estava; a mim intentaram matar, e violaram a minha concubina, de maneira
que morreu.
6 Então peguei na minha concubina, dividi-a em pedaços e os enviei por todo o
país da herança de Israel, porquanto cometeram tal abominação e loucura em
Israel:
7 Eis aqui estais todos vós, ó filhos de Israel; dai a vossa palavra e conselho
neste caso.
8 Então todo o povo se levantou como um só homem, dizendo: Nenhum de nós irá à
sua tenda, e nenhum de nós voltará a sua casa.
9 Mas isto é o que faremos a Gibeá: subiremos contra ela por sorte;
10 tomaremos, de todas as tribos de Israel, dez homens de cada cem, cem de cada
mil, e mil de cada dez mil, para trazerem mantimento para o povo, a fim de que,
vindo ele a Gibeá de Benjamim, lhe faça conforme toda a loucura que ela fez em
Israel.
11 Assim se ajuntaram contra essa cidade todos os homens de Israel, unidos como
um só homem.
12 Então as tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para
lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós?
13 Entregai-nos, pois, agora aqueles homens, filhos de Belial, que estão em
Gibeá, para que os matemos, e extirpemos de Israel este mal. Mas os filhos de
Benjamim não quiseram dar ouvidos à voz de seus irmãos, os filhos de Israel;
14 pelo contrário, das suas cidades se ajuntaram em Gibeá, para saírem a
pelejar contra os filhos de Israel:
15 Ora, contaram-se naquele dia dos filhos de Benjamim, vindos das suas
cidades, vinte e seis mil homens que arrancavam da espada, afora os moradores
de Gibeá, de que se sentaram setecentos homens escolhidos.
16 Entre todo esse povo havia setecentos homens escolhidos, canhotos, cada um
dos quais podia, com a funda, atirar uma pedra a um fio de cabelo, sem errar.
17 Contaram-se também dos homens de Israel, afora os de Benjamim, quatrocentos
mil homens que arrancavam da espada, e todos eles homens de guerra.
18 Então, levantando-se os filhos de Israel, subiram a Betel, e consultaram a
Deus, perguntando: Quem dentre nós subirá primeiro a pelejar contra Benjamim ?
Respondeu o Senhor: Judá subirá primeiro.
19 Levantaram-se, pois, os filhos de Israel pela manhã, e acamparam contra
Gibeá.
20 E os homens de Israel saíram a pelejar contra os benjamitas, e ordenaram a
batalha contra eles ao pé de Gibeá.
21 Então os filhos de Benjamim saíram de Gibeá, e derrubaram por terra naquele
dia vinte e dois mil homens de Israel.
22 Mas esforçou-se o povo, isto é, os homens de Israel, e tornaram a ordenar a
batalha no lugar onde no primeiro dia a tinham ordenado.
23 E subiram os filhos de Israel, e choraram perante o Senhor até a tarde, e
perguntaram-lhe: Tornaremos a pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso
irmão? E disse o Senhor: Subi contra eles.
24 Avançaram, pois, os filhos de Israel contra os filhos de Benjamim, no dia
seguinte.
25 Também os de Benjamim, nesse mesmo dia, saíram de Gibeá ao seu encontro e
derrubaram por terra mais dezoito mil homens, sendo todos estes dos que
arrancavam da espada.
26 Então todos os filhos de Israel, o exército todo, subiram e, vindo a Betel,
choraram; estiveram ali sentados perante o Senhor, e jejuaram aquele dia até a
tarde; e ofereceram holocaustos e ofertas pacíficas perante ao Senhor.
27 Consultaram, pois, os filhos de Israel ao Senhor (porquanto a arca do pacto
de Deus estava ali naqueles dias;
28 e Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, lhe assistia), e perguntaram:
Tornaremos ainda a sair à pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão, eu
desistiremos? Respondeu o Senhor: Subi, porque amanhã vo-los entregarei nas
mãos.
29 Então Israel pôs emboscadas ao redor de Gibeá.
30 E ao terceiro dia subiram os filhos de Israel contra os filhos de Benjamim
e, como das outras vezes, ordenaram a batalha junto a Gibeá.
31 Então os filhos de Benjamim saíram ao encontro do povo, e foram atraídos da
cidade. e começaram a ferir o povo como das outras vezes, matando uns trinta
homens de Israel, pelos caminhos, um dos quais sobe para Betel, e o outro para
Gibeá pelo campo.
32 Pelo que disseram os filhos de Benjamim: Vão sendo derrotados diante de nós
como dantes. Mas os filhos de Israel disseram: Fujamos, e atraiamo-los da
cidade para os caminhos.
33 Então todos os homens de Israel se levantaram do seu lugar, e ordenaram a
batalha em Baal-Tamar; e a emboscada de Israel irrompeu do seu lugar, a oeste
de Geba.
34 Vieram contra Gibeá dez mil homens escolhidos de todo o Israel, e a batalha
tornou-se rude; porém os de Gibeá não sabiam que o mal lhes sobrevinha.
35 Então o Senhor derrotou a Benjamim diante dos filhos de Israel, que
destruíram naquele dia vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos estes
dos que arrancavam da espada.
36 Assim os filhos de Benjamim viram que estavam derrotados; pois os homens de
Israel haviam cedido terreno aos benjamitas, porquanto estavam confiados na
emboscada que haviam posto contra Gibea;
37 e a emboscada, apressando-se, acometeu a Gibeá, e prosseguiu contra ela,
ferindo ao fio da espada toda a cidade:
38 Ora, os homens de Israel tinham determinado com a emboscada um sinal, que
era fazer levantar da cidade uma grande nuvem de fumaça.
39 Viraram-se, pois, os homens de Israel na peleja; e já Benjamim cemeçara a
atacar es homens de Israel, havendo morto uns trinta deles; pelo que diziam:
Certamente vão sendo derrotados diante de nós, como na primeira batalha.
40 Mas quando o sinal começou a levantar-se da cidade, numa coluna de fumaça,
os benjamitas olharam para trás de si, e eis que toda a cidade subia em fumaça
ao céu.
41 Nisso os homens de Israel se viraram contra os de Benjamim, os quais
pasmaram, pois viram que o mal lhes sobreviera.
42 Portanto, virando as costas diante dos homens de Israel, fugiram para o
caminho do deserto; porém a peleja os apertou; e os que saíam das cidades os
destruíam no meio deles.
43 Cercaram os benjamitas e os perseguiram, pisando-os desde Noá até a altura
de Gibeá para o nascente do sol.
44 Assim caíram de Benjamim dezoito mil homens, sendo todos estes homens
valorosos.
45 Então os restantes, virando as costas fugiram para deserto, até a penha de
Rimom; mas os filhos de Israel colheram deles pelos caminhos ainda cinco mil
homens; e, seguindo-os de perto até Gidom, mataram deles mais dois mil.
46 E, todos, os de Benjamim que caíram naquele dia oram vinte e cinco mil
homens que arrancavam da espada, todos eles homens valorosos.
47 Mas seiscentos homens viraram as costas e, fugindo para o deserto, para a
penha de Rimom, ficaram ali quatro meses.
48 E os homens de Israel voltaram para os filhos de Benjamim, e os passaram ao
fio da espada, tanto os homens da cidade como os animais, tudo quanto
encontraram; e a todas as cidades que acharam puseram fogo.
JUÍZES
[21]
1 Ora, os homens de Israel
tinham jurado em Mizpá dizendo: Nenhum de nós dará sua filha por mulher aos
benjamitas.
2 Veio, pois, o povo a Betel, e ali ficou sentado até a tarde, diante de Deus;
e todos, levantando a voz, fizeram grande pranto,
3 e disseram: Ah! Senhor Deus de Israel, por que sucedeu isto, que falte uma
tribo em Israel?
4 No dia seguinte o povo levantou-se de manhã cedo, edificou ali um altar e
ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas.
5 E disseram os filhos de Israel: Quem dentre todas as tribos de Israel não
subiu à assembléia diante do Senhor? Porque se tinha feito um juramento solene
acerca daquele que não subisse ao Senhor em Mizpá, dizendo: Certamente será
morto.
6 E os filhos de Israel tiveram pena de Benjamim, seu irmão, e disseram: Hoje é
cortada de Israel uma tribo.
7 Como havemos de conseguir mulheres para os que restam deles, desde que
juramos pelo Senhor que nenhuma de nossas filhas lhes daríamos por mulher?
8 Então disseram: Quem é que dentre as tribos de Israel não subiu ao Senhor em
Mizpá? E eis que ninguém de Jabes-Gileade viera ao arraial, à assembléia.
9 Porquanto, ao contar-se o povo, nenhum dos habitantes de Jabes-Gileade estava
ali.
10 Pelo que a congregação enviou para lá doze mil homens dos mais valorosos e
lhes ordenou, dizendo: Ide, e passai ao fio da espada os habitantes de
Jabes-Gileade, juntamente com as mulheres e os pequeninos.
11 Mas isto é o que haveis de fazer: A todo homem e a toda mulher que tiver
conhecido homem, totalmente destruireis.
12 E acharam entre os moradores de Jabes-Gileade quatrocentas moças virgens,
que não tinham conhecido homem, e as trouxeram ao arraial em Siló, que está na
terra de Canaã.
13 Toda a congregação enviou mensageiros aos filhos de Benjamim, que estavam na
penha de Rimom, e lhes proclamou a paz.
14 Então voltaram os benjamitas, e os de Israel lhes deram as mulheres que
haviam guardado com vida, das mulheres de Jabes-Gileade; porém estas ainda não
lhes bastaram.
15 E o povo teve pena de Benjamim, porquanto o Senhor tinha aberto uma brecha
nas tribos de Israel.
16 Disseram, pois os anciãos da congregação: Como havemos de conseguir mulheres
para os que restam, pois que foram destruídas as mulheres de Benjamim?
17 Disseram mais: Deve haver uma herança para os que restam de Benjamim, para
que uma tribo não seja apagada de Israel.
18 Contudo nós não lhes poderemos dar mulheres dentre nossas filhas. Pois os
filhos de Israel tinham jurado, dizendo: Maldito aquele que der mulher aos
benjamitas.
19 Disseram então: Eis que de ano em ano se realiza a festa do Senhor em Siló
que está ao norte de Betel, a leste do caminho que sobe de Betel a Siquém, e ao
sul de Lebona.
20 Ordenaram, pois, aos filhos de Benjamim, dizendo: Ide, ponde-vos de
emboscada nas vinhas,
21 e vigiai; ao saírem as filhas de Siló a dançar nos coros, saí vós das
vinhas, arrebatai cada um sua mulher, das filhas de Siló, e ide-vos para a
terra de Benjamim.
22 Então quando seus pais e seus irmãos vierem queixar-se a nós, nós lhes
diremos: Dignai-vos de no-las conceder; pois nesta guerra não tomamos mulheres
para cada um deles, nem vós lhas destes; de outro modo seríeis agora culpados.
23 Assim fizeram os filhos de Benjamim; e conforme o seu número tomaram para si
mulheres, arrebatando-as dentre as que dançavam; e, retirando-se, voltaram à
sua herança, reedificaram as cidades e habitaram nelas.
24 Nesse mesmo tempo os filhos de Israel partiram dali, cada um para a sua
tribo e para a sua família; assim voltaram cada um para a sua herança.
25 Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos
seus olhos.
[1]
1 Nos dias em que os juízes
governavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a
peregrinar no país de Moabe, ele, sua mulher, e seus dois filhos.
2 Chamava-se este homem Elimeleque, e sua mulher Noêmi, e seus dois filhos se
chamavam Malom e Quiliom; eram efrateus, de Belém de Judá. Tendo entrado no
país de Moabe, ficaram ali.
3 E morreu Elimeleque, marido de Noêmi; e ficou ela com os seus dois filhos,
4 os quais se casaram com mulheres moabitas; uma destas se chamava Orfa, e a
outra Rute; e moraram ali quase dez anos.
5 E morreram também os dois, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher
desamparada de seus dois filhos e de seu marido.
6 Então se levantou ela com as suas noras, para voltar do país de Moabe,
porquanto nessa terra tinha ouvido que e Senhor havia visitado o seu povo,
dando-lhe pão.
7 Pelo que saiu de lugar onde estava, e com ela as duas noras. Indo elas
caminhando para voltarem para a terra de Judá,
8 disse Noêmi às suas noras: Ide, voltai, cada uma para a casa de sua mãe; e o
Senhor use convosco de benevolência, como vós o fizestes com os falecidos e
comigo.
9 O Senhor vos dê que acheis descanso cada uma em casa de seu marido. Quando as
beijou, porém, levantaram a vóz e choraram.
10 E disseram-lhe: Certamente voltaremos contigo para o teu povo.
11 Noêmi, porém, respondeu: Voltai, minhas filhas; porque ireis comigo? Tenho
eu ainda filhos no meu ventre, para que vos viessem a ser maridos?
12 Voltai, filhas minhas; ide-vos, porque já sou velha demais para me casar.
Ainda quando eu dissesse: Tenho esperança; ainda que esta noite tivesse marido
e ainda viesse a ter filhos.
13 esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? deter-vos-íeis por eles, sem
tomardes marido? Não, filhas minhas, porque mais amargo me é a mim do que a vós
mesmas; porquanto a mão do Senhor se descarregou contra mim.
14 Então levantaram a voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra,
porém Rute se apegou a ela.
15 Pelo que disse Noêmi: Eis que tua concunhada voltou para o seu povo e para
os seus deuses; volta também tu após a tua concunhada.
16 Respondeu, porém, Rute: Não me instes a que te abandone e deixe de
seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares,
ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus.
17 Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o
Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
18 Vendo Noêmi que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar
nisso.
19 Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém. E sucedeu que, ao
entrarem em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres
perguntavam: É esta, porventura, Noêmi?
20 Ela, porém, lhes respondeu: Não me chameis Noêmi; chamai-me Mara, porque o
Todo-Poderoso me encheu de amargura.
21 Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar. Por que, pois, me chamais
Noêmi, visto que o Senhor testemunhou contra mim, e o Todo-Poderoso me afligiu?
22 Assim Noêmi voltou, e com ela Rute, a moabita, sua nora, que veio do país de
Moabe; e chegaram a Belém no principio da sega da cevada.
RUTE
[2]
1 Ora, tinha Noêmi um parente
de seu marido, homem poderoso e rico, da família de Elimeleque; e ele se
chamava Boaz.
2 Rute, a moabita, disse a Noêmi: Deixa-me ir ao campo a apanhar espigas atrás
daquele a cujos olhos eu achar graça. E ela lhe respondeu: Vai, minha filha.
3 Foi, pois, e chegando ao campo respigava após os segadores; e caiu-lhe em
sorte uma parte do campo de Boaz, que era da família de Elimeleque.
4 E eis que Boaz veio de Belém, e disse aos segadores: O Senhor seja convosco.
Responderam-lhe eles: O Senhor te abençoe.
5 Depois perguntou Boaz ao moço que estava posto sobre os segadores: De quem é
esta moça?
6 Respondeu-lhe o moço: Esta é a moça moabita que voltou com Noêmi do país de
Moabe.
7 Disse-me ela: Deixa-me colher e ajuntar espigas por entre os molhos após os
segadores: Assim ela veio, e está aqui desde pela manhã até agora, sem
descansar nem sequer um pouco.
8 Então disse Boaz a Rute: Escuta filha minha; não vás colher em outro campo,
nem tampouco passes daqui, mas ajunta-te às minhas moças.
9 Os teus olhos estarão atentos no campo que segarem, e irás após elas; não dei
eu ordem aos moços, que não te molestem? Quando tiveres sede, vai aos vasos, e
bebe do que os moços tiverem tirado.
10 Então ela, inclinando-se e prostrando-se com o rosto em terra,
perguntou-lhe: Por que achei eu graça aos teus olhos, para que faças caso de
mim, sendo eu estrangeira?
11 Ao que lhe respondeu Boaz: Bem se me contou tudo quanto tens feito para com
tua sogra depois da morte de teu marido; como deixaste a teu pai e a tua mãe, e
a terra onde nasceste, e vieste para um povo que dantes não conhecias.
12 O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da
parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.
13 E disse ela: Ache eu graça aos teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e
falaste bondosamente a tua serva, não sendo eu nem mesmo como uma das tuas
criadas.
14 Também à hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te, come do pão e molha o teu
bocado no vinagre. E, sentando-se ela ao lado dos segadores, ele lhe ofereceu
grão tostado, e ela comeu e ficou satisfeita, e ainda lhe sobejou.
15 Quando ela se levantou para respigar, Boaz deu ordem aos seus moços,
dizendo: Até entre os molhos deixai-a respirar, e não a censureis.
16 Também, tirai dos molhos algumas espigas e deixai-as ficar, para que as
colha, e não a repreendais.
17 Assim ela respigou naquele campo até a tarde; e debulhou o que havia
apanhado e foi quase uma efa de cevada.
18 Então, carregando com a cevada, veio à cidade; e viu sua sogra o que ela
havia apanhado. Também Rute tirou e deu-lhe o que lhe sobejara depois de
fartar-se.
19 Ao que lhe perguntou sua sogra: Onde respigaste hoje, e onde trabalhaste?
Bendito seja aquele que fez caso de ti. E ela relatou à sua sogra com quem
tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz.
20 Disse Noêmi a sua nora: Bendito seja ele do Senhor, que não tem deixado de
misturar a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos.
Disse-lhe mais Noêmi: Esse homem é parente nosso, um dos nossos remidores.
21 Respondeu Rute, a moabita: Ele me disse ainda: Seguirás de perto os meus
moços até que tenham acabado toda a minha sega.
22 Então disse Noêmi a sua nora, Rute: Bom é, filha minha, que saias com as
suas moças, e que não te encontrem noutro campo.
23 Assim se ajuntou com as moças de Boaz, para respigar até e fim da sega da
cevada e do trigo; e morava com a sua sogra.
RUTE
[3]
1 Depois lhe disse Noêmi, sua
sogra: Minha filha, não te hei de buscar descanso, para que fiques bem?
2 Ora pois, não é Boaz, com cujas moças estiveste, de nossa parentela. Eis que
esta noite ele vai joeirar a cevada na eira.
3 Lava-te pois, unge-te, veste os teus melhores vestidos, e desce à eira; porém
não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.
4 E quando ele se deitar, notarás o lugar em que se deita; então entrarás,
descobrir-lhe-ás os pés e te deitarás, e ele te dirá o que deves fazer.
5 Respondeu-lhe Rute: Tudo quanto me disseres, farei.
6 Então desceu à eira, e fez conforme tudo o que sua sogra lhe tinha ordenado.
7 Havendo, pois, Boaz comido e bebido, e estando já o seu coração alegre, veio
deitar-se ao pé de uma meda; e vindo ela de mansinho, descobriu-lhe os pés, e
se deitou.
8 Ora, pela meia-noite, o homem estremeceu, voltou-se, e viu uma mulher deitada
aos seus pes.
9 E perguntou ele: Quem és tu? Ao que ela respondeu: Sou Rute, tua serva;
estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és o remidor.
10 Então disse ele: Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; mostraste agora
mais bondade do que dantes, visto que após nenhum mancebo foste, quer pobre
quer rico.
11 Agora, pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseres te farei, pois
toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa.
12 Ora, é bem verdade que eu sou remidor, porém há ainda outro mais chegado do
que eu.
13 Fica-te aqui esta noite, e será que pela manhã, se ele cumprir para contigo
os deveres de remidor, que o faça; mas se não os quiser cumprir, então eu o
farei tão certamente como vive o Senhor; deita-te até pela manhã.
14 Ficou, pois, deitada a seus pés até pela manhã, e levantou-se antes que
fosse possível a uma pessoa reconhecer outra; porquanto ele disse: Não se saiba
que uma mulher veio à eira.
15 Disse mais: Traze aqui a capa com que te cobres, e segura-a. Segurou-a,
pois, e ele as mediu seis medidas de cevada, e lhas pôs no ombro. Então ela foi
para a cidade.
16 Quando chegou à sua sogra, esta lhe perguntou: Como te houveste, minha
filha? E ela lhe contou tudo quanto aquele homem lhe fizera.
17 Disse mais: Estas seis medidas de cevada ele mas deu, dizendo: Não voltarás
vazia para tua sogra.
18 Então disse Noêmi: Espera, minha filha, até que saibas como irá terminar o
caso; porque aquele homem não descansará enquanto não tiver concluído hoje este
negócio.
RUTE
[4]
1 Boaz subiu à porta, e
sentou-se ali; e eis que o remidor de quem ar de jumentos. Ela o levou à casa
de seu pai, o qual, vendo-o, ele, desviando-se para ali, sentou-se.
2 Então Boaz tomou dez homens dentre os anciãos da cidade, e lhes disse:
Sentai-vos aqui. E eles se sentaram.
3 Disse Boaz ao remidor: Noêmi, que voltou da terra dos moabitas, vendeu a
parte da terra que pertencia a Elimeleque; nosso irmão.
4 Resolvi informar-te disto, e dizer-te: Compra-a na presença dos que estão
sentados aqui, na presença dos anciãos do meu povo; se hás de redimi-la,
redime-a, e se não, declara-mo, para que o saiba, pois outro não há, senão tu,
que a redima, e eu depois de ti. Então disse ele: Eu a redimirei.
5 Disse, porém, Boaz: No dia em que comprares o campo da mão de Noêmi, também
tomarás a Rute, a moabita, que foi mulher do falecido, para suscitar o nome
dele na sua herança.
6 Então disse o remidor: Não poderei redimi-lo para mim, para que não
prejudique a minha própria herança; toma para ti o meu direito de remissão,
porque eu não o posso fazer.
7 Outrora em Israel, para confirmar qualquer negócio relativo à remissão e à
permuta, o homem descalçava o sapato e o dava ao seu próximo; e isto era por
testemunho em Israel.
8 Dizendo, pois, o remidor a Boaz: Compra-a para ti, descalçou o sapato.
9 Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois hoje testemunhas de que
comprei tudo quanto foi de Elimeleque, e de Quiliom, e de Malom, da mão de
Noêmi,
10 e de que também tomei por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom,
para suscitar o nome do falecido na sua herança, para que a nome dele não seja
desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar; disto sois hoje
testemunhas.
11 Ao que todo o povo que estava na porta e os anciãos responderam: Somos
testemunhas. O Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel
e a Léia, que juntas edificaram a casa de Israel. Porta-te valorosamente em
Efrata, e faze-te nome afamado em Belém.
12 Também seja a tua casa como a casa de Pérez, que Tamar deu a Judá, pela
posteridade que o Senhor te der desta moça.
13 Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher; ele a conheceu, e o Senhor
permitiu a Rute conceber, e ela teve um filho.
14 Disseram então as mulheres a Noêmi: Bendito seja o Senhor, que não te deixou
hoje sem remidor; e torne-se o seu nome afamado em Israel.
15 Ele será restaurador da tua vida, e consolador da tua velhice, pois tua
nora, que te ama, o deu à luz; ela te é melhor do que sete filhos.
16 E Noêmi tomou o menino, pô-lo no seu regaço, e foi sua ama.
17 E as vizinhas deram-lhe nome, dizendo: A Noêmi nasceu um filho, E chamaram
ao menino Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi.
18 São estas as gerações de Pérez: Pérez gerou a Hezrom,
19 Hezrom gerou a Rão, Rão gerou a Aminadabe,
20 Aminadabe gereu a Nasom, Nasom gerou a Salmom,
21 Salmom gerou a Boaz, Boaz gerou a Obede,
22 Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi.
[1]
1 Houve um homem de
Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de
Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita.
2 Tinha ele duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra Penina. Penina tinha
filhos, porém Ana não os tinha.
3 De ano em ano este homem subia da sua cidade para adorar e sacrificar ae
Senhor dos exércites em Siló. Assistiam ali os sacerdotes do Senhor, Hofni e
Finéias, os dois filhos de Eli.
4 No dia em que Elcana sacrificava, costumava dar quinhões a Penina, sua
mulher, e a todos os seus filhos e filhas;
5 porém a Ana, embora a amasse, dava um só quinhão, porquanto o Senhor lhe
havia cerrado a madre.
6 Ora, a sua rival muito a provocava para irritá-la, porque o Senhor lhe havia
cerrado a madre.
7 E assim sucedia de ano em ano que, ao subirem à casa do Senhor, Penina
provocava a Ana; pelo que esta chorava e não comia.
8 Então Elcana, seu marido, lhe perguntou: Ana, por que choras? e porque não
comes? e por que está triste o teu coração? Não te sou eu melhor de que dez
filhos?
9 Então Ana se levantou, depois que comeram e beberam em Siló; e Eli,
sacerdote, estava sentado, numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor.
10 Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou muito,
11 e fez um voto, dizendo: ç Senhor dos exércitos! se deveras atentares para a
aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres,
mas lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida,
e pela sua cabeça não passará navalha.
12 Continuando ela a orar perante e Senhor, Eli observou a sua boca;
13 porquanto Ana falava no seu coração; só se moviam os seus lábios, e não se
ouvia a sua voz; pelo que Eli a teve por embriagada,
14 e lhe disse: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti o teu vinho.
15 Mas Ana respondeu: Não, Senhor meu, eu sou uma mulher atribulada de
espírito; não bebi vinho nem bebida forte, porém derramei a minha alma perante
o Senhor.
16 Não tenhas, pois, a tua serva por filha de Belial; porque da multidão dos
meus cuidados e do meu desgosto tenho falado até agora.
17 Então lhe respondeu Eli: Vai-te em paz; e o Deus de Israel te conceda a
petição que lhe fizeste.
18 Ao que disse ela: Ache a tua serva graça aos teus olhos. Assim a mulher se
foi o seu caminho, e comeu, e já não era triste o seu semblante.
19 Depois, levantando-se de madrugada, adoraram perante o Senhor e, voltando,
foram a sua casa em Ramá. Elcana conheceu a Ana, sua mulher, e o Senhor se
lembrou dela.
20 De modo que Ana concebeu e, no tempo devido, teve um filho, ao qual chamou
Samuel; porque, dizia ela, o tenho pedido ao Senhor.
21 Subiu, pois aquele homem, Elcana, com toda a sua casa, para oferecer ao
Senhor o sacrifício anual e cumprir o seu voto.
22 Ana, porém, não subiu, pois disse a seu marido: Quando o menino for
desmamado, então e levarei, para que apareça perante o Senhor, e lá fique para
sempre.
23 E Elcana, seu marido, lhe disse: faze o que bem te parecer; fica até que o
desmames; tão-somente confirme o Senhor a sua palavra. Assim ficou a mulher, e
amamentou seu filho, até que o desmamou.
24 Depois de o ter desmamado, ela o tomou consigo, com um touro de três anos,
uma efa de farinha e um odre de vinho, e o levou à casa do Senhor, em Siló; e
era o menino ainda muito criança.
25 Então degolaram o touro, e trouxeram o menino a Eli;
26 e disse ela: Ah, meu Senhor! tão certamente como vive a tua alma, meu
Senhor, eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, orando ao Senhor.
27 Por este menino orava eu, e o Senhor atendeu a petição que eu lhe fiz.
28 Por isso eu também o entreguei ao Senhor; por todos os dias que viver, ao
Senhor está entregue. E adoraram ali ao Senhor.
SAMUEL
[2]
1 Então Ana orou, dizendo: O
meu coração exulta no Senhor; o meu poder está exaltado no Senhor; a minha boca
dilata-se contra os meus imimigos, porquanto me regozijo na tua salvação.
2 Ninguém há santo como o Senhor; não há outro fora de ti; não há rocha como a
nosso Deus.
3 Não faleis mais palavras tão altivas, nem saia da vossa boca a arrogância;
porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por ele são pesadas as ações.
4 Os arcos dos fortes estão quebrados, e os fracos são cingidos de força.
5 Os que eram fartos se alugam por pão, e deixam de ter fome os que eram
famintos; até a estéril teve sete filhos, e a que tinha muitos filhos
enfraquece.
6 O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer ao Seol e faz subir dali.
7 O Senhor empobrece e enriquece; abate e também exalta.
8 Levanta do pó o pobre, do monturo eleva o necessitado, para os fazer sentar
entre os príncipes, para os fazer herdar um trono de glória; porque do Senhor
são as colunas da terra, sobre elas pôs ele o mundo.
9 Ele guardará os pés dos seus santos, porém os ímpios ficarão mudos nas
trevas, porque o homem não prevalecerá pela força.
10 Os que contendem com o Senhor serão quebrantados; desde os céus trovejará
contra eles. O Senhor julgará as extremidades da terra; dará força ao seu rei,
e exaltará o poder do seu ungido.
11 Então Elcana se retirou a Ramá, à sua casa. O menino, porém, ficou servindo
ao Senhor perante e sacerdote Eli.
12 Ora, os filhos de Eli eram homens ímpios; não conheciam ao Senhor.
13 Porquanto o costume desses sacerdotes para com o povo era que, oferecendo
alguém um sacrifício, e estando-se a cozer a carne, vinha o servo do sacerdote,
tendo na mão um garfo de três dentes,
14 e o metia na panela, ou no tacho, ou no caldeirão, ou na marmita; e tudo
quanto a garfo tirava, o sacerdote tomava para si. Assim faziam a todos os de
Israel que chegavam ali em Siló.
15 Também, antes de queimarem a gordura, vinha o servo do sacerdote e dizia ao
homem que sacrificava: Dá carne de assar para o sacerdote; porque não receberá
de ti carne cozida, mas crua.
16 se lhe respondia o homem: Sem dúvida, logo há de ser queimada a gordura e
depois toma quanto desejar a tua alma; então ele lhe dizia: Não hás de dá-la
agora; se não, à força a tomarei.
17 Era, pois, muito grande o pecado destes mancebos perante o Senhor, porquanto
os homens vieram a desprezar a oferta do Senhor.
18 Samuel, porém, ministrava perante o Senhor, sendo ainda menino, vestido de
um éfode de linho.
19 E sua mãe lhe fazia de ano em ano uma túnica pequena, e lha trazia quando
com seu marido subia para oferecer o sacrifício anual.
20 Então Eli abençoava a Elcana e a sua mulher, e dizia: O Senhor te dê desta
mulher descendência, pelo empréstimo que fez ao Senhor. E voltavam para o seu
lugar.
21 Visitou, pois, o Senhor a Ana, que concebeu, e teve três filhos e duas
filhas. Entrementes, o menino Samuel crescia diante do Senhor.
22 Eli era já muito velho; e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o
Israel, e como se deitavam com as mulheres que ministravam à porta da tenda da
revelação.
23 E disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? pois ouço de todo este povo os
vossos malefícios.
24 Não, filhos meus, não é boa fama esta que ouço. Fazeis transgredir o povo do
Senhor.
25 Se um homem pecar contra outro, Deus o julgará; mas se um homem pecar contra
o Senhor, quem intercederá por ele? Todavia eles não ouviram a voz de seu pai,
porque o Senhor os queria destruir.
26 E o menino Samuel ia crescendo em estatura e em graça diante do Senhor, como
também diante dos homens.
27 Veio um homem de Deus a Eli, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Não me
revelei, na verdade, à casa de teu pai, estando eles ainda no Egito, sujeitos à
casa de Faraó?
28 E eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote,
para subir ao meu altar, para queimar o incenso, e para trazer o éfode perante
mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel.
29 Por que desprezais o meu sacrifício e a minha oferta, que ordenei se
fizessem na minha morada, e por que honras a teus filhos mais de que a mim, de
modo a vos engordardes do principal de todas as ofertas do meu povo Israel?
30 Portanto, diz o Senhor Deus de Israel: Na verdade eu tinha dito que a tua
casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente. Mas agora o
Senhor diz: Longe de mim tal coisa, porque honrarei aos que me honram, mas os
que me desprezam serão desprezados.
31 Eis que vêm dias em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pai,
para que não haja mais ancião algum em tua casa.
32 E tu, na angústia, olharás com inveja toda a prosperidade que hei de trazer
sobre Israel; e não haverá por todos os dias ancião algum em tua casa.
33 O homem da tua linhagem a quem eu não desarraigar do meu altar será para
consumir-te os olhos e para entristecer-te a alma; e todos es descendentes da
tua casa morrerão pela espada dos homens.
34 E te será por sinal o que sobrevirá a teus dois filhos, a Hofni e a Finéias;
ambos morrerão no mesmo dia.
35 E eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que fará segundo o que está no
meu coração e na minha mente. Edificar-lhe-ei uma casa duradoura, e ele andará
sempre diante de meu ungido.
36 Também todo aquele que ficar de resto da tua casa virá a inclinar-se diante
dele por uma moeda de prata e por um pedaço de pão, e dirá: Rogo-te que me
admitas a algum cargo sacerdotal, para que possa comer um bocado de pão.
SAMUEL
[3]
1 Entretanto, o menino Samuel
servia ao Senhor perante Eli. E a palavra de Senhor era muito rara naqueles
dias; as visões não eram freqüentes.
2 Sucedeu naquele tempo que, estando Eli deitado ne seu lugar (ora, os seus
olhos começavam já a escurecer, de modo que não podia ver),
3 e ainda não se havendo apagado a lâmpada de Deus, e estando Samuel também
deitado no templo do Senhor, onde estava a arca de Deus,
4 o Senhor chamou: Samuel! Samuel! Ele respondeu: Eis-me aqui.
5 E correndo a Eli, disse-lhe: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele
disse: Eu não te chamei; torna a deitar-te. E ele foi e se deitou.
6 Tornou o Senhor a chamar: Samuel! E Samuel se levantou, foi a Eli e disse:
Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Eu não te chamei, filho meu;
torna a deitar-te.
7 Ora, Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e a palavra de Senhor ainda não lhe
tinha sido revelada.
8 O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel pela terceira vez. E ele,
levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então
entendeu Eli que o Senhor chamava o menino.
9 Pelo que Eli disse a Samuel: Vai deitar-te, e há de ser que, se te chamar,
dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve. Foi, pois, Samuel e deitou-se no
seu lugar.
10 Depois veio o Senhor, parou e chamou como das outras vezes: Samuel! Samuel!
Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve.
11 Então disse o Senhor a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual
fará tinir ambos os ouvidos a todo o que a ouvir.
12 Naquele mesmo dia cumprirei contra Eli, de princípio a fim, tudo quanto
tenho falado a respeito da sua casa.
13 Porque já lhe fiz: saber que hei de julgar a sua casa para sempre, por causa
da iniqüidade de que ele bem sabia, pois os seus filhos blasfemavam a Deus, e
ele não os repreendeu.
14 Portanto, jurei à casa de Eli que nunca jamais será expiada a sua
iniqüidade, nem com sacrifícios, nem com ofertas.
15 Samuel ficou deitado até pela manhã, e então abriu as portas da casa do
Senhor; Samuel, porém, temia relatar essa visão a Eli.
16 Mas chamou Eli a Samuel, e disse: Samuel, meu filho! Ao que este respondeu:
Eis-me aqui.
17 Eli perguntou-lhe: Que te falou o Senhor? peço-te que não mo encubras; assim
Deus te faça, e outro tanto, se me encobrires alguma coisa de tudo o que te
falou.
18 Samuel, pois, relatou-lhe tudo, e nada lhe encobriu. Então disse Eli: Ele é
o Senhor, faça o que bem parecer aos seus olhos.
19 Samuel crescia, e o Senhor era com ele e não deixou nenhuma de todas as suas
palavras cair em terra.
20 E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado
como profeta do Senhor.
21 E voltou o Senhor a aparecer em Siló; porquanto o Senhor se manifestava a
Samuel em Siló pela sua palavra. E chegava a palavra de Samuel a todo o Israel.
SAMUEL
[4]
1 Ora, saiu Israel à batalha
contra os filisteus, e acampou-se perto de Ebenézer; e os filisteus se
acamparam junto a Afeque.
2 E os filisteus se dispuseram em ordem de batalha contra Israel; e, travada a
peleja, Israel foi ferido diante dos filisteus, que mataram no campo cerca de
quatro mil homens do exército.
3 Quando o povo voltou ao arraial, disseram os anciãos de Israel: Por que nos
feriu o Senhor hoje diante dos filisteus? Tragamos para nós de Siló a arca do
pacto do Senhor, para que ela venha para o meio de nós, e nos livre da mão de
nossos inimigos.
4 Enviou, pois, o povo a Siló, e trouxeram de lá a arca do pacto do Senhor dos
exércitos, que se assenta sobre os querubins; e os dois filhos de Eli, Hofni e
Finéias, estavam ali com a arca do pacto de Deus.
5 Quando a arca do pacto do Senhor chegou ao arraial, prorrompeu todo o Israel
em grandes gritos, de modo que a terra vibrou.
6 E os filisteus, ouvindo o som da gritaria, disseram: Que quer dizer esta
grande vozearia no arraial dos hebreus? Quando souberam que a arca do Senhor
havia chegado ao arraial,
7 os filisteus se atemorizaram; e diziam: Os deuses vieram ao arraial. Diziam
mais: Ai de nós! porque nunca antes sucedeu tal coisa.
8 Ai de nós! quem nos livrará da mão destes deuses possantes? Estes são os deuses
que feriram aos egípcios com toda sorte de pragas no deserto.
9 Esforçai-vos, e portai-vos varonilmente, ó filisteus, para que porventura não
venhais a ser escravos dos hebreus, como eles o foram vossos; portai-vos
varonilmente e pelejai.
10 Então pelejaram os filisteus, e Israel foi derrotado, fugindo cada um para a
sua tenda; e houve mui grande matança, pois caíram de Israel trinta mil homens
de infantaria.
11 Também foi tomada a arca de Deus, e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias,
foram mortos.
12 Então um homem de Benjamim, correndo do campo de batalha chegou no mesmo dia
a Siló, com as vestes rasgadas e terra sobre a cabeça.
13 Ao chegar ele, estava Eli sentado numa cadeira ao pé do caminho vigiando,
porquanto o seu coração estava tremendo pela arca de Deus. E quando aquele
homem chegou e anunciou isto na cidade, a cidade toda prorrompeu em
lamentações.
14 E Eli, ouvindo a voz do lamento, perguntou: Que quer dizer este alvoroço?
Então o homem, apressando-se, chegou e o anunciou a Eli.
15 Ora, Eli tinha noventa e oito anos; e os seus olhos haviam cegado, de modo
que já não podia ver.
16 E disse aquele homem a Eli: Estou vindo do campo de batalha, donde fugi hoje
mesmo. Perguntou Eli: Que foi que sucedeu, meu filho?
17 Então respondeu o que trazia as novas, e disse: Israel fugiu de diante dos
filisteus, e houve grande matança entre o povo; além disto, também teus dois
filhos, Hofni e Finéias, são mortos, e a arca de Deus é tomada.
18 Quando ele fez menção da arca de Deus, Eli caiu da cadeira para trás, junto
à porta, e quebrou-se-lhe o pescoço, e morreu, porquanto era homem velho e
pesado. Ele tinha julgado a Israel quarenta anos.
19 E estando sua nora, a mulher de Finéias, grávida e próxima ao parto, e
ouvindo estas novas, de que a arca de Deus era tomada, e de que seu sogro e seu
marido eram mortos, encurvou-se e deu à luz, porquanto as dores lhe
sobrevieram.
20 E, na hora em que ia morrendo, disseram as mulheres que estavam com ela: Não
temas, pois tiveste um filho. Ela, porém, não respondeu, nem deu atenção a
isto.
21 E chamou ao menino de Icabô, dizendo: De Israel se foi a glória! Porque fora
tomada a arca de Deus, e por causa de seu sogro e de seu marido.
22 E disse: De Israel se foi a glória, pois é tomada a arca de Deus.
SAMUEL
[5]
1 Os filisteus, pois, tomaram
a arca de Deus, e a levaram de Ebenézer a Asdode.
2 Então os filisteus tomaram a arca de Deus e a introduziram na casa de Dagom,
e a puseram junto a Dagom.
3 Levantando-se, porém, de madrugada no dia seginte os de Asdode, eis que Dagom
estava caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e tomaram a Dagom,
e tornaram a pô-lo no seu lugar.
4 E, levantando-se eles de madrugada no dia seguinte, eis que Dagom estava
caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e a cabeça de Dagom e
ambas as suas mãos estavam cortadas sobre o limiar; somente o tronco ficou a
Dagom.
5 Pelo que nem os sacerdotes de Dagom, nem nenhum de todos os que entram na
casa de Dagom, pisam o limiar de Dagom em Asdode, até o dia de hoje.
6 Entretanto a mão do Senhor se agravou sobre os de Asdode, e os assolou, e os
feriu com tumores, a Asdode e aos seus termos.
7 O que tendo visto os homens de Asdode, disseram: Não fique conosco a arca do
Deus de Israel, pois a sua mão é dura sobre nós, e sobre Dagom, nosso deus.
8 Pelo que enviaram mensageiros e congregaram a si todos os chefes dos
filisteus, e disseram: Que faremos nós da arca do Deus de Israel? Responderam:
Seja levada para Gate. Assim levaram para lá a arca do Deus de Israel.
9 E desde que a levaram para lá, a mão do Senhor veio contra aquela cidade,
causando grande pânico; pois feriu aos homens daquela cidade, desde o pequeno
até o grande, e nasceram-lhes tumores.
10 Então enviaram a arca de Deus a Ecrom. Sucedeu porém que, vindo a arca de
Deus a Ecrom, os de Ecrom exclamaram, dizendo: Transportaram para nós a arca de
Deus de Israel, para nos matar a nós e ao nosso povo.
11 Enviaram, pois, mensageiros, e congregaram a todos os chefes dos filisteus,
e disseram: Enviai daqui a arca do Deus de Israel, e volte ela para o seu
lugar, para que não nos mate a nós e ao nosso povo. Porque havia pânico mortal
em toda a cidade, e a mão de Deus muito se agravara sobre ela.
12 Pois os homens que não morriam eram feridos com tumores; de modo que o
clamor da cidade subia até o céu.
SAMUEL
[6]
1 A arca do Senhor ficou na
terra dos filisteus sete meses.
2 Então os filisteus chamaram os sacerdotes e os adivinhadores para dizer-lhes:
Que faremos nós da arca do Senhor? Fazei-nos saber como havemos de enviá-la
para o seu lugar.
3 Responderam eles: Se enviardes a arca do Deus de Israel, não a envieis vazia,
porém sem falta enviareis a ele uma oferta pela culpa; então sereis curados, e
se vos fará saber por que a sua mão não se retira de vós.
4 Então perguntaram: Qual é a oferta pela culpa que lhe havemos de enviar? Eles
responderam: Segundo o número dos chefes dos filisteus, cinco tumores de ouro e
cinco ratos de ouro, porque a praga é uma e a mesma sobre todos os vossos
príncipes.
5 Fazei, pois, imagens, dos vossos tumores, e dos ratos que andam destruindo a
terra, e dai glória ao Deus de Israel; porventura aliviará o peso da sua mão de
sobre vós, e de sobre vosso deus, e de sobre vossa terra:
6 Por que, pois, endureceríeis os vossos corações, como os egípcios e Faraó
endureceram os seus corações? Porventura depois de os haver Deus castigado, não
deixaram ir o povo, e este não se foi?
7 Agora, pois, fazei um carro novo, tomai duas vacas que estejam criando, sobre
as quais não tenha vindo o jugo, atai-as ao carro e levai os seus bezerros de
após elas para casa.
8 Tomai a arca de Senhor, e ponde-a sobre o carro; também metei num cofre, ao
seu lado, as jóias de ouro que haveis de oferecer ao Senhor como ofertas pela
culpa; e assim a enviareis, para que se vá.
9 Reparai então: se ela subir pelo caminho do seu termo a Bete-Semes, foi ele
quem nos fez este grande mal; mas, se não, saberemos que não foi a sua mão que
nos feriu, e que isto nos sucedeu por acaso.
10 Assim, pois, fizeram aqueles homens: tomaram duas vacas que criavam,
ataram-nas ao carro, e encerraram os bezerros em casa;
11 também puseram a arca do Senhor sobre o carro, bem como e cofre com os ratos
de ouro e com as imagens dos seus tumores.
12 Então as vacas foram caminhando diretamente pelo caminho de Bete-Semes,
seguindo a estrada, andando e berrando, sem se desviarem nem para a direita nem
para a esquerda; e os chefes dos filisteus foram seguindo-as até o termo de
Bete-Semes.
13 Ora, andavam os de Bete-Semes fazendo a sega do trigo no vale; e, levantando
os olhos, viram a arca e, vendo-a, se alegraram.
14 Tendo chegado o carro ao campo de Josué, o bete-semita, parou ali, onde
havia uma grande pedra. Fenderam a madeira do carro, e ofereceram as vacas ao
Senhor em holocausto.
15 Nisso os levitas desceram a arca do Senhor, como também o cofre que estava
junto a ela, em que se achavam as jóias de ouro, e puseram-nos sobre aquela
grande pedra; e no mesmo dia os homens de Bete-Semes ofereceram holocaustos e
sacrifícios ao Senhor.
16 E os cinco chefes dos filisteus, tendo visto aquilo, voltaram para Ecrom no
mesmo dia.
17 Estes, pois, são os tumores de ouro que os filisteus enviaram ao Senhor como
oferta pela culpa: por Asdode um, por Gaza outro, por Asquelom outro, por Gate
outro, por Ecrom outro.
18 Como também os ratos de ouro, segundo o número de todas as cidades dos
filisteus, pertencentes aos cinco chefes, desde as cidades fortificadas até as
aldeias campestres. Disso é testemunha a grande pedra sobre a qual puseram a
arca do Senhor, pedra que ainda está até o dia de hoje no campo de Josué, o
bete-semita.
19 Ora, o Senhor feriu os homens de Bete-Semes, porquanto olharam para dentro
da arca do Senhor; feriu do povo cinqüenta mil e setenta homens; então o povo
se entristeceu, porque o Senhor o ferira com tão grande morticínio.
20 Disseram os homens de Bete-Semes: Quem poderia subsistir perante o Senhor,
este Deus santo? e para quem subirá de nós?
21 Enviaram, pois, mensageiros aos habitantes de Quiriate-Jearim, para lhes
dizerem: Os filisteus remeteram a arca do Senhor; descei, e fazei-a subir para
vós.
SAMUEL
[7]
1 Vieram, pois, os homens de
Quiriate-Jearim, tomaram a arca do Senhor e a levaram à casa de Abinadabe, no
outeiro; e consagraram a Eleazar, filho dele, para que guardasse a arca da
Senhor.
2 E desde e dia em que a arca ficou em Queriate-Jearim passou-se muito tempo,
chegando até vinte anos; então toda a casa de Israel suspirou pelo Senhor.
3 Samuel, pois, falou a toda a casa de Israel, dizendo: Se de todo o vosso
coração voltais para o Senhor, lançai do meio de vós os deuses estranhos e as
astarotes, preparai o vosso coração para com o Senhor, e servi a ele só; e ele
vos livrará da mão dos filisteus.
4 Os filhos de Israel, pois, lançaram do meio deles os baalins e as astarotes,
e serviram so ao Senhor.
5 Disse mais Samuel: Congregai a todo o Israel em Mizpá, e orarei por vós ao
Senhor.
6 Congregaram-se, pois, em Mizpá, tiraram água e a derramaram perante o Senhor;
jejuaram aquele dia, e ali disseram: Pecamos contra o Senhor. E Samuel julgava
os filhos de Israel em Mizpá.
7 Quando os filisteus ouviram que os filhos de Israel estavam congregados em
Mizpá, subiram os chefes dos filisteus contra Israel. Ao saberem disto os
filhos de Israel, temeram por causa dos filisteus.
8 Pelo que disseram a Samuel: Não cesses de clamar ao Senhor nosso Deus por
nós, para que nos livre da mão dos filisteus.
9 Então tomou Samuel um cordeiro de mama, e o ofereceu inteiro em holocausto ao
Senhor; e Samuel clamou ao Senhor por Israel, e o Senhor o atendeu.
10 Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus chegaram para pelejar
contra Israel; mas o Senhor trovejou naquele dia com grande estrondo sobre os
filisteus, e os aterrou; de modo que foram derrotados diante dos filhos de
Israel.
11 Os homens de Israel, saindo de Mizpá, perseguiram os filisteus e os feriram
até abaixo de Bete-Car.
12 Então Samuel tomou uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e lhe chamou
Ebenézer; e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor.
13 Assim os filisteus foram subjugados, e não mais vieram aos termos de Israel,
porquanto a mão do Senhor foi contra os filisteus todos os dias de Samuel.
14 E as cidades que os filisteus tinham tomado a Israel lhe foram restituídas,
desde Ecrom até Gate, cujos termos também Israel arrebatou da mão dos
filisteus. E havia paz entre Israel e os amorreus.
15 Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida.
16 De ano em ano rodeava por Betel, Gilgal e Mizpá, julgando a Israel em todos
esses lugares.
17 Depois voltava a Ramá, onde estava a sua casa, e ali julgava a Israel; e
edificou ali um altar ao Senhor.
SAMUEL
[8]
1 Ora, havendo Samuel
envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel.
2 O seu filho primogênito chamava-se Joel, e o segundo Abias; e julgavam em
Berseba.
3 Seus filhos, porém, não andaram nos caminhos dele, mas desviaram-se após o
lucro e, recebendo peitas, perverteram a justiça.
4 Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram ter com Samuel, a
Ramá,
5 e lhe disseram: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam nos teus
caminhos. Constitui-nos, pois, agora um rei para nos julgar, como o têm todas
as nações.
6 Mas pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei para nos
julgar. Então Samuel orou ao Senhor.
7 Disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não
é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que eu não reine sobre eles.
8 Conforme todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até
o dia de hoje, deixando-me a mim e servindo a outros deuses, assim também fazem
a ti.
9 Agora, pois, ouve a sua voz, contudo lhes protestarás solenemente, e lhes
declararás qual será o modo de agir do rei que houver de reinar sobre eles.
10 Referiu, pois, Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe havia
pedido um rei,
11 e disse: Este será o modo de agir do rei que houver de reinar sobre vós:
tomará os vossos filhos, e os porá sobre os seus carros, e para serem seus
cavaleiros, e para correrem adiante dos seus carros;
12 e os porá por chefes de mil e chefes de cinqüenta, para lavrarem os seus
campos, fazerem as suas colheitas e fabricarem as suas armas de guerra e os
petrechos de seus carros.
13 Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
14 Tomará o melhor das vossas terras, das vossas vinhas e dos vossos elivais, e
o dará aos seus servos.
15 Tomará e dízimo das vossas sementes e das vossas vinhas, para dar aos seus
oficiais e aos seus servos.
16 Também os vossos servos e as vossas servas, e os vossos melhores mancebos, e
os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.
17 Tomará o dízimo do vosso rebanho; e vós lhe servireis de escravos.
18 Então naquele dia clamareis por causa de vosso rei, que vós mesmos houverdes
escolhido; mas o Senhor não vos ouvira.
19 O povo, porém, não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá
sobre nós um rei,
20 para que nós também sejamos como todas as outras nações, e para que o nosso
rei nos julgue, e saia adiante de nós, e peleje as nossas batalhas.
21 Ouviu, pois, Samuel todas as palavras do povo, e as repetiu aos ouvidos do
Senhor.
22 Disse o Senhor a Samuel: Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei. Então
Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um para a sua cidade.
SAMUEL
[9]
1 Ora, havia um homem de
Benjamim, cujo nome era Quis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de
Becorate, filho de Afias, filho dum benjamita; era varão forte e valoroso.
2 Tinha este um filho, chamado Saul, jovem e tão belo que entre os filhos de
Israel não havia outro homem mais belo de que ele; desde os ombros para cima
sebressaía em altura a todo o povo.
3 Tinham-se perdido as jumentas de Quis, pai de Saul; pelo que disse Quis a
Saul, seu filho: Toma agora contigo um dos moços, levanta-te e vai procurar as
jumentas.
4 Passaram, pois, pela região montanhosa de Efraim, como também pela terra e
Salisa, mas não as acharam; depois passaram pela terra de Saalim, porém
tampouco estavam ali; passando ainda pela terra de Benjamim, não as acharam.
5 Vindo eles, então, à terra de Zufe, Saul disse para o moço que ia com ele:
Vem! Voltemos, para que não suceda que meu pai deixe de inquietar-se pelas
jumentas e se aflija por causa de nós.
6 Mas ele lhe disse: Eis que há nesta cidade um homem de Deus, e ele é muito
considerado; tudo quanto diz, sucede infalivelmente. Vamos, pois, até lá;
porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir.
7 Então Saul disse ao seu moço: Porém se lá formos, que levaremos ao homem?
Pois o pão de nossos alforjes se acabou, e presente nenhum temos para levar ao
homem de Deus; que temos?
8 O moço tornou a responder a Saul, e disse: Eis que ainda tenho em mão um
quarto dum siclo de prata, o qual darei ao homem de Deus, para que nos mostre o
caminho.
9 (Antigamente em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia assim: Vinde,
vamos ao vidente; porque ao profeta de hoje, outrora se chamava vidente.)
10 Então disse Saul ao moço: Dizes bem; vem, pois, vamos! E foram-se à cidade
onde estava e homem de Deus.
11 Quando eles iam subindo à cidade, encontraram umas moças que saíam para
tirar água; e perguntaram-lhes: Está aqui o vidente?
12 Ao que elas lhes responderam: Sim, eis aí o tens diante de ti; apressa-te,
porque hoje veio à cidade, porquanto o povo tem hoje sacrifício no alto.
13 Entrando vós na cidade, logo o achareis, antes que ele suba ao alto para
comer; pois o povo não comerá até que ele venha, porque ele é o que abençoa a
sacrifício, e depois os convidados comem. Subi agora, porque a esta hora o
achareis.
14 Subiram, pois, à cidade; e, ao entrarem, eis que Samuel os encontrou, quando
saía para subir ao alto.
15 Ora, o Senhor revelara isto aos ouvidos de Samuel, um dia antes de Saul
chegar, dizendo:
16 Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual
ungirás por príncipe sobre o meu povo de Israel; e ele livrará o meu povo da
mão dos filisteus; pois olhei para o meu povo, porque o seu clamor chegou a
mim.
17 E quando Samuel viu a Saul, o Senhor e disse: Eis aqui o homem de quem eu te
falei. Este dominará sobre o meu povo.
18 Então Saul se chegou a Samuel na porta, e disse: Mostra-me, peço-te, onde é
a casa do vidente.
19 Respondeu Samuel a Saul: Eu sou o vidente; sobe diante de mim ao alto,
porque comereis hoje comigo; pela manhã te despedirei, e tudo quanto está no
teu coração to declararei.
20 Também quanto às jumentas que há três dias se te perderam, não te preocupes
com elas, porque já foram achadas. Mas para quem é tudo o que é desejável em
Israel? porventura não é para ti, e para toda a casa de teu pai?
21 Então respondeu Saul: Acaso não sou eu benjamita, da menor das tribos de
Israel? E não é a minha família a menor de todas as famílias da tribo de
Benjamim? Por que, pois, me falas desta maneira?
22 Samuel, porém, tomando a Saul e ao seu moço, levou-os à câmara, e deu-lhes o
primeiro lugar entre os convidados, que eram cerca de trinta homens.
23 Depois disse Samuel ao cozinheiro: Traze a porção que te dei, da qual te
disse: põe-na à parte contigo.
24 Levantou, pois, o cozinheiro a espádua, com o que havia nela, e pô-la diante
de Saul. E disse Samuel: Eis que o que foi reservado está diante de ti. Come;
porque te foi guardado para esta ocasião, para que o comesses com os
convidados. Assim comeu Saul naquele dia com Samuel.
25 Então desceram do alto para a cidade, e falou Samuel com Saul, no eirado.
26 E se levantaram de madrugada, quase ao subir da alva, pois Samuel chamou a
Saul, que estava no eirado, dizendo: Levanta-te para eu te despedir.
Levantou-se, pois, Saul, e sairam ambos, ele e Samuel.
27 Quando desciam para a extremidade da cidade, Samuel disse a Saul: Dize ao
moço que passe adiante de nós (e ele passou); tu, porém, espera aqui, e te
farei ouvir a palavra de Deus.
SAMUEL
[10]
1 Então Samuel tomou um vaso
de azeite, e o derramou sobre a cabeça de Saul, e o beijou, e disse: Porventura
não te ungiu o Senhor para ser príncipe sobre a sua herança?
2 Quando te apartares hoje de mim, encontrarás dois homens junto ao sepulcro de
Raquel, no termo de Benjamim, em Zelza, os quais te dirão: Acharam-se as
jumentas que foste buscar, e eis que já o teu pai deixou de pensar nas
jumentas, e anda aflito por causa de ti, dizendo: Que farei eu por meu filho?
3 Então dali passarás mais adiante, e chegarás ao carvalho de Tabor; ali te
encontrarão três homens, que vão subindo a Deus, a Betel, levando um três
cabritos, outro três formas de pão, e o outro um odre de vinho.
4 Eles te saudarão, e te darão dois pães, que receberás das mãos deles.
5 Depois chegarás ao outeiro de Deus, onde está a guarnição dos filisteus; ao
entrares ali na cidade, encontrarás um grupo de profetas descendo do alto,
precedido de saltérios, tambores, flautas e harpas, e eles profetizando.
6 E o Espírito do Senhor se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e serás
transformado em outro homem.
7 Quando estes sinais te vierem, faze o que achar a tua mão para fazer, pois
Deus é contigo.
8 Tu, porém, descerás adiante de mim a Gilgal, e eis que eu descerei a ter
contigo, para oferecer holocaustos e sacrifícios de ofertas pacíficas.
Esperarás sete dias, até que eu vá ter contigo e te declare o que hás de fazer.
9 Ao virar Saul as costas para se apartar de Samuel, Deus lhe mudou o coração
em outro; e todos esses sinais aconteceram naquele mesmo dia.
10 Quando eles iam chegando ao outeiro, eis que um grupo de profetas lhes saiu
ao encontro; e o Espírito de Deus se apoderou de Saul, e ele profetizou no meio
deles.
11 Todos os que o tinham conhecido antes, ao verem que ele profetizava com os
profetas, diziam uns aos outros: Que é que sucedeu ao filho de Quis? Está
também Saul entre os profetas?
12 Então um homem dali respondeu, e disse: Pois quem é o pai deles? Pelo que se
tornou em provérbio: Está também Saul entre os profetas?
13 Tendo ele acabado de profetizar, foi ao alto.
14 Depois o tio de Saul perguntou-lhe, a ele e ao seu moço: Aonde fostes?:
Respondeu ele: Procurar as jumentas; e, não as tendo encontrado, fomos ter com
Samuel.
15 Disse mais o tio de Saul: Declara-me, peço-te, o que vos disse Samuel.
16 Ao que respondeu Saul a seu tio: Declarou-nos, seguramente, que as jumentas
tinham sido encontradas. Mas quanto ao assunto do reino, de que Samuel falara,
nada lhe declarou.
17 Então Samuel convocou o povo ao Senhor em Mizpá;
18 e disse aos filhos de Israel: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Eu fiz
subir a Israel do Egito, e vos livrei da mão dos egípcios e da mão de todos os
reinos que vos oprimiam.
19 Mas vós hoje rejeitastes a vosso Deus, àquele que vos livrou de todos os
vossos males e angústias, e lhe dissestes: Põe um rei sobre nós. Agora, pois,
ponde-vos perante o Senhor, segundo as vossas tribos e segundo os vossos
milhares.
20 Tendo, pois, Samuel feito chegar todas as tribos de Israel, foi tomada por
sorte a tribo de Benjamim.
21 E, quando fez chegar a tribo de Benjamim segundo as suas famílias, foi
tomada a família de Matri, e dela foi tomado Saul, filho de Quis; e o
procuraram, mas não foi encontrado.
22 Pelo que tornaram a perguntar ao Senhor: Não veio o homem ainda para cá? E
respondeu o Senhor: Eis que se escondeu por entre a bagagem:
23 Correram, pois, e o trouxeram dali; e estando ele no meio do povo,
sobressaía em altura a todo o povo desde os ombros para cima.
24 Então disse Samuel a todo o povo: Vedes já a quem o Senhor escolheu: Não há
entre o povo nenhum semelhante a ele. Então todo o povo o aclamou, dizendo:
Viva o rei;
25 Também declarou Samuel ao povo a lei do reino, e a escreveu num livro, e
pô-lo perante o Senhor. Então Samuel despediu todo o povo, cada um para sua
casa.
26 E foi também Saul para sua casa em Gibeá; e foram com ele homens de valor,
aqueles cujo coração Deus tocara.
27 Mas alguns homens ímpios disseram: Como pode este homem nos livrar? E o
desprezaram, e não lhe trouxeram presentes; porém ele se fez como surdo.
SAMUEL
[11]
1 Então subiu Naás, o
amonita, e sitiou a Jabes-Gileade. E disseram todos os homens de Jabes a Naás:
Faze aliança conosco, e te serviremos.
2 Respondeu-lhes, porém, Naás, o amonita: Com esta condição farei aliança
convosco: que a todos vos arranque o olho direito; assim porei opróbrio sobre
todo o Israel.
3 Ao que os anciãos de Jabes lhe disseram: Concede-nos sete dias, para que
enviemos mensageiros por todo o território de Israel; e, não havendo ninguém
que nos livre, entregar-nos-emos a ti.
4 Então, vindo os mensageiros a Gibeá de Saul, falaram estas palavras aos
ouvidos do povo. Pelo que todo o povo levantou a voz e chorou.
5 E eis que Saul vinha do campo, atrás dos bois; e disse Saul: Que tem o povo,
que chega? E contaram-lhe as palavras dos homens de Jabes.
6 Então o Espírito de Deus se apoderou de Saul, ao ouvir ele estas palavras; e
acendeu-se sobremaneira a sua ira.
7 Tomou ele uma junta de bois, cortou-os em pedaços, e os enviou por todo o
território de Israel por mãos de mensageiros, dizendo: Qualquer que não sair
após Saul e após Samuel, assim se fará aos seus bois. Então caiu o temor do
Senhor sobre o povo, e acudiram como um só homem.
8 Saul passou-lhes revista em Bezeque; e havia dos homens de Israel trezentos
mil, e dos homens de Judá trinta mil.
9 Então disseram aos mensageiros que tinham vindo: Assim direis aos homens de
Jabes-Gileade: Amanhã, em aquentando o sol, vos virá livramento. Vindo, pois,
os mensageiros, anunciaram-no aos homens de Jabes, os quais se alegraram.
10 E os homens de Jabes disseram aos amonitas: Amanhã nos entregaremos a vós;
então nos fareis conforme tudo o que bem vos parecer.
11 Ao outro dia Saul dividiu o povo em três companhias; e pela vigília da manhã
vieram ao meio do arraial, e feriram aos amonitas até que o dia aquentou; e
sucedeu que os restantes se espalharam de modo a não ficarem dois juntos.
12 Então disse o povo a Samuel: Quais são os que diziam: Reinará porventura
Saul sobre nós? Dai cá esses homens, para que os matemos.
13 Saul, porém, disse: Hoje não se há de matar ninguém, porque neste dia o
senhor operou um livramento em Israel:
14 Depois disse Samuel ao povo: Vinde, vamos a Gilgal, e renovemos ali o reino.
15 Foram, pois, para Gilgal, onde constituíram rei a Saul perante o Senhor, e
imolaram sacrifícios de ofertas pacíficas perante o Senhor; e ali Saul se
alegrou muito com todos os homens de Israel.
SAMUEL
[12]
1 Então disse Samuel a todo o
Israel: Eis que vos dei ouvidos em tudo quanto me dissestes, e constituí sobre
vós um rei.
2 Agora, eis que o rei vai adiante de vós; quanto a mim, já sou velho e
encanecido, e meus filhos estão convosco: eu tenho andado adiante de vós desde
a minha mocidade até o dia de hoje.
3 Eis-me aqui! testificai contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido.
De quem tomei o boi? ou de quem tomei o jumento? ou a quem defraudei? ou a quem
tenho oprimido? ou da mão de quem tenho recebido peita para encobrir com ela os
meus olhos? E eu vo-lo restituirei.
4 Responderam eles: Em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem tomaste
coisa alguma da mão de ninguém.
5 Ele lhes disse: O Senhor é testemunha contra vós, e o seu ungido é hoje
testemunha de que nada tendes achado na minha mão. Ao que respondeu o povo: Ele
é testemunha.
6 Então disse Samuel ao povo: O Senhor é o que escolheu a Moisés e a Arão, e
tirou a vossos pais da terra do Egito.
7 Agora ponde-vos aqui, para que eu pleiteie convosco perante o Senhor, no
tocante a todos os atos de justiça do Senhor, que ele fez a vós e a vossos
pais.
8 Quando Jacó entrou no Egito, e vossos pais clamaram ao Senhor, então o Senhor
enviou Moisés e Arão, que tiraram vossos pais do Egito, e os fizeram habitar
neste lugar.
9 Esqueceram-se, porém, do Senhor seu Deus; e ele os entregou na mão de Sísera,
chefe do exército de Hazor, e na mão dos filisteus, e na mão do rei de Moabe,
os quais pelejaram contra eles.
10 Clamaram, pois, ao Senhor, e disseram: Pecamos, porque deixamos ao Senhor, e
servimos aos baalins e astarotes; agora, porém, livra-nos da mão de nossos
inimigos, e te serviremos:
11 Então o Senhor enviou Jerubaal, e Baraque, e Jefté, e Samuel; e vos livrou
da mão de vossos inimigos em redor, e habitastes em segurança.
12 Quando vistes que Naás, rei dos filhos de Amom, vinha contra vós,
dissestes-me: Não, mas reinará sobre nós um rei; entretanto, o Senhor vosso
Deus era o vosso Rei.
13 Agora, eis o rei que escolhestes e que pedistes; eis que o Senhor tem posto
sobre vós um rei.
14 Se temerdes ao Senhor, e o servirdes, e derdes ouvidos à sua voz, e não
fordes rebeldes às suas ordens, e se tanto vós como o rei que reina sobre vós
seguirdes o Senhor vosso Deus, bem está;
15 mas se não derdes ouvidos à voz do Senhor, e fordes rebeldes às suas ordens,
a mão do Senhor será contra vós, como foi contra vossos pais:
16 Portanto ficai agora aqui, e vede esta grande coisa que o Senhor vai fazer
diante dos vossos olhos.
17 Não é hoje a sega do trigo? clamarei, pois, ao Senhor, para que ele envie
trovões e chuva; e sabereis e vereis que é grande a vossa maldade, que fizestes
perante o Senhor, pedindo para vós um rei.
18 Então invocou Samuel ao Senhor, e o Senhor enviou naquele dia trovões e
chuva; pelo que todo o povo temeu sobremaneira ao Senhor e a Samuel.
19 Disse todo o povo a Samuel: Roga pelos teus servos ao Senhor teu Deus, para
que não morramos; porque a todos os nossos pecados temos acrescentado este mal,
de pedirmos para nós um rei.
20 Então disse Samuel ao povo: Não temais; vós fizestes todo este mal; porém
não vos desvieis de seguir ao Senhor, mas servi-o de todo o vosso coração.
21 Não vos desvieis; porquanto seguiríeis coisas vãs, que nada aproveitam, e
tampouco vos livrarão, porque são vãs.
22 Pois o Senhor, por causa do seu grande nome, não desamparará o seu povo;
porque aprouve ao Senhor fazer de vós o seu povo.
23 E quanto a mim, longe de mim esteja o pecar contra o Senhor, deixando de
orar por vos; eu vos ensinarei o caminho bom e direito.
24 Tão-somente temei ao Senhor, e servi-o fielmente de todo o vosso coração;
pois vede quão grandiosas coisas vos fez.
25 Se, porém, perseverardes em fazer o mal, perecereis, assim vós como o vosso
rei.
SAMUEL
[13]
1 Saul tinha ...anos de idade
quando começou a reinar; e tendo reinado dois anos sobre Israel,
2 escolheu para si três mil homens de Israel; dois mil estavam com Saul em
Micmás e no monte de Betel, e mil estavam com Jônatas em Gibeá de Benjamim.
Quanto ao resto do povo, mandou-o cada um para sua tenda.
3 Ora, Jônatas feriu a guarnição dos filisteus que estava em Geba, o que os
filisteus ouviram; pelo que Saul tocou a trombeta por toda a terra, dizendo:
Ouçam os hebreus.
4 Então todo o Israel ouviu dizer que Saul ferira a guarnição dos filisteus, e
que Israel se fizera abominável aos filisteus. E o povo foi convocado após Saul
em Gilgal.
5 E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel, com trinta mil
carros, seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à beira
do mar subiram e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Aven.
6 Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em aperto (porque o povo se
achava angustiado), esconderam-se nas cavernas, nos espinhais, nos penhascos,
nos esconderijos subterrâneos e nas cisternas.
7 Ora, alguns dos hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade; mas
Saul ficou ainda em Gilgal, e todo o povo o seguia tremendo.
8 Esperou, pois, sete dias, até o tempo que Samuel determinara; não vindo,
porém, Samuel a Gilgal, o povo, deixando a Saul, se dispersava.
9 Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas. E
ofereceu o holocausto.
10 Mal tinha ele acabado de oferecer e holocausto, eis que Samuel chegou; e
Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar.
11 Então perguntou Samuel: Que fizeste? Respondeu Saul: Porquanto via que o
povo, deixando-me, se dispersava, e que tu nao vinhas no tempo determinado, e
que os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás,
12 eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda não
aplaquei o Senhor. Assim me constrangi e ofereci o holocausto.
13 Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente; não guardaste o
mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou. O Senhor teria confirmado o teu
reino sobre Israel para sempre;
14 agora, porém, não subsistirá o teu reino; já tem o Senhor buscado para si um
homem segundo o seu coração, e já o tem destinado para ser príncipe sobre o seu
povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou.
15 Então Samuel se levantou, e subiu de Gilgal a Gibeá de Benjamim. Saul contou
o povo que se achava com ele, cerca de seiscentos homens.
16 E Saul, seu filho Jônatas e o povo que se achava com eles, ficaram em Gibeá
de Benjamim, mas os filisteus se tinham acampado em Micmás.
17 Nisso os saqueadores saíram do arraial dos filisteus em três companhias: uma
das companhias tomou o caminho de Ofra para a terra de Sual,
18 outra tomou o caminho de Bete-Horom, e a outra tomou o caminho do termo que
dá para o vale de Zebuim, na direção do deserto.
19 Ora, em toda a terra de Israel não se achava um só ferreiro; porque os
filisteus tinham dito: Não façam os hebreus para si nem espada nem lança.
20 Pelo que todos os israelitas tinham que descer aos filisteus para afiar cada
um a sua relha, a sua enxada, o seu machado e o seu sacho.
21 Tinham porém limas para os sachos, para as enxadas, para as forquilhas e
para os machados, e para consertar as aguilhadas.
22 Assim, no dia da peleja, não se achou nem espada nem lança na mão de todo o
povo que estava com Saul e com Jônatas; acharam-se, porém, com Saul e com
Jônatas seu filho.
23 E saiu a guarnição dos filisteus para o desfiladeiro de Micmás.
SAMUEL
[14]
1 Sucedeu, pois, um dia, que
Jônatas, filho de Saul, disse ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição dos
filisteus, que está do outro lado. Mas não o fez saber a seu pai.
2 Ora Saul estava na extremidade de Gibeá, debaixo da romeira que havia em
Migrom; e o povo que estava com ele era cerca de seiscentos homens;
3 e Aíja, filho de Aitube, irmão de Icabô, filho de Finéias, filho de Eli,
sacerdote do Senhor em Siló, trazia o éfode. E o povo não sabia que Jônatas
tinha ido.
4 Ora, entre os desfiladeiros pelos quais Jônatas procurava chegar à guarnição
dos filisteus, havia um penhasco de um e de outro lado; o nome de um era Bozez,
e o nome do outro Sené.
5 Um deles estava para o norte defronte de Micmás, e o outro para o sul
defronte de Gibeá.
6 Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição destes
incircuncisos; porventura operará o Senhor por nós, porque para o Senhor nenhum
impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.
7 Ao que o seu escudeiro lhe respondeu: Faze tudo o que te aprouver; segue,
eis-me aqcaustos e sacrifícios ao Senhor.
8 Disse Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens, e nos descobriremos a eles.
9 Se nos disserem: Parai até que cheguemos a vós; então ficaremos no nosso
lugar, e não subiremos a eles.
10 Se, porém, disserem: Subi a nós; então subiremos, pois o Senhor os entregou
em nossas mãos; isso nos será por sinal.
11 Então ambos se descobriram à guarnição dos filisteus, e os filisteus
disseram: Eis que já os hebreus estão saindo das cavernas em que se tinham
escondido.
12 E os homens da guarnição disseram a Jônatas e ao seu escudeiro: Subi a nós,
e vos ensinaremos uma coisa. Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Sobe atrás
de mim, porque o Senhor os entregou na mão de Israel.
13 Então trepou Jônatas de gatinhas, e o seu escudeiro atrás dele; e os
filisteus caíam diante de Jônatas, e o seu escudeiro os matava atrás dele.
14 Esta primeira derrota, em que Jônatas e o seu escudeiro mataram uns vinte
homens, deu-se dentro de meia jeira de terra.
15 Pelo que houve tremor no arraial, no campo e em todo o povo; também a
própria guarnição e os saqueadores tremeram; e até a terra estremeceu; de modo
que houve grande pânico.
16 Olharam, pois, as sentinelas de Saul e Gibeá de Benjamim, e eis que a
multidão se derretia, fugindo para cá e para lá.
17 Disse então Saul ao povo que estava com ele: Ora, contai e vede quem é que
saiu dentre nós: E contaram, e eis que nem Jônatas nem o seu escudeiro estava
ali.
18 Então Saul disse a Aíja: Traze aqui a arca de Deus. Pois naquele dia estava
a arca de Deus com os filhos de Israel.
19 E sucedeu que, estando Saul ainda falando com o sacerdote, o alvoroço que
havia no arraial dos filisteus ia crescendo muito; pelo que disse Saul ao
sacerdote: Retira a tua mão.
20 Então Saul e todo o povo que estava com ele se reuniram e foram à peleja; e
eis que dentre os filisteus a espada de um era contra o outro, e houve mui
grande derrota.
21 Os hebreus que estavam dantes com os filisteus, e tinham subido com eles ao
arraial, também se ajuntaram aos israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
22 E todos os homens de Israel que se haviam escondido na região montanhosa de
Efraim, ouvindo que os filisteus fugiam, também os perseguiram de perto na
peleja.
23 Assim o Senhor livrou a Israel naquele dia, e a batalha passou além de
Bete-Aven.
24 Ora, os homens de Israel estavam já exaustos naquele dia, porquanto Saul
conjurara o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão antes da tarde, antes
que eu me vingue de meus inimigos. Pelo que todo o povo se absteve de comer.
25 Mas todo o povo chegou a um bosque, onde havia mel à flor da terra.
26 Chegando, pois, o povo ao bosque, viu correr o mel; todavia ninguém chegou a
mão à boca, porque o povo temia a conjuração.
27 Jônatas, porém, não tinha ouvido quando seu pai conjurara o povo; pelo que
estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, ao
chegar a mão à boca, aclararam-se-lhe os olhos.
28 Então disse um do povo: Teu pai solenemente conjurou o povo, dizendo:
Maldito o homem que comer pão hoje. E o povo ainda desfalecia.
29 Pelo que disse Jônatas: Meu pai tem turbado a terra; ora vede como se me
aclararam os olhos por ter provado um pouco deste mel.
30 Quanto maior não teria sido a derrota dos filisteus se o povo hoje tivesse
comido livremente do despojo, que achou de seus inimigos?
31 Feriram, contudo, naquele dia aos filisteus, desde Micmás até Aijalom. E o
povo desfaleceu em extremo;
32 então o povo se lançou ao despojo, e tomou ovelhas, bois e bezerros e,
degolando-os no chão, comeu-os com o sangue.
33 E o anunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo está pecando contra o Senhor,
comendo carne com o sangue. Respondeu Saul: Procedestes deslealmente. Trazei-me
aqui já uma grande pedra.
34 Disse mais Saul: Dispersai-vos entre e povo, e dizei-lhes: Trazei-me aqui
cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha e degolai-os aqui, e comei; e não
pequeis contra e Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo trouxe de noite,
cada um o seu boi, e os degolaram ali.
35 Então edificou Saul um altar ao Senhor; este foi o primeiro altar que ele
edificou ao Senhor.
36 Depois disse Saul: Desçamos de noite atrás dos filisteus, e despojemo-los,
até e amanhecer, e não deixemos deles um só homem. E o povo disse: Faze tudo o
que parecer bem aos teus olhos. Disse, porém, o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a
Deus.
37 Então consultou Saul a Deus, dizendo: Descerei atrás dos filisteus?
entregá-los-ás na mão de Israel? Deus, porém, não lhe respondeu naquele dia.
38 Disse, pois, Saul: Chegai-vos para cá, todos os chefes do povo;
informai-vos, e vede em que se cometeu hoje este pecado;
39 porque, como vive o Senhor que salva a Israel, ainda que seja em meu filha
Jônatas, ele será morto. Mas de todo o povo ninguém lhe respondeu.
40 Disse mais a todo o Israel: Vós estareis dum lado, e eu e meu filho Jônatas
estaremos do outro. Então disse o povo a Saul: Faze o que parecer bem aos teus
olhos.
41 Falou, pois, Saul ao Senhor Deus de Israel: Mostra o que é justo. E Jônatas
e Saul foram tomados por sorte, e o povo saiu livre.
42 Então disse Saul: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E foi
tomado Jônatas.
43 Disse então Saul a Jônatas: Declara-me o que fizeste. E Jônatas lho
declarou, dizendo: Provei, na verdade, um pouco de mel com a ponta da vara que
tinha na mão; eis-me pronto a morrer.
44 Ao que disse Saul: Assim me faça Deus, e outro tanto, se tu, certamente, não
morreres, Jônatas.
45 Mas o povo disse a Saul: Morrerá, porventura, Jônatas, que operou esta
grande salvação em Israel? Tal não suceda! como vive o Senhor, não lhe há de
cair no chão um só cabelo da sua cabeça! pois com Deus fez isso hoje. Assim o
povo livrou Jônatas, para que não morresse.
46 Então Saul deixou de perseguir os filisteus, e estes foram para o seu lugar.
47 Tendo Saul tomado o reino sobre Israel, pelejou contra todos os seus
inimigos em redor: contra Moabe, contra os filhos de Amom, contra Edom, contra
os reis de Zobá e contra os filisteus; e, para onde quer que se voltava, saía
vitorioso.
48 Houve-se valorosamente, derrotando os amalequitas, e libertando Israel da
mão dos que o saqueavam.
49 Ora, os filhos de Saul eram Jônatas, Isvi e Malquisua; os nomes de suas duas
filhas eram estes: o da mais velha Merabe, e o da mais nova Mical.
50 O nome da mulher de Saul era Ainoã, filha de Aimaaz; e o nome do chefe do
seu exército, Abner, filho de Ner, tio de Saul.
51 Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
52 E houve forte guerra contra os filisteus, por todos os dias de Saul; e
sempre que Saul via algum homem poderoso e valente, o agregava a si.
SAMUEL
[15]
1 Disse Samuel a Saul:
Enviou-me o Senhor a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; ouve, pois,
agora as palavras do Senhor.
2 Assim diz o Senhor dos exércitos: Castigarei a Amaleque por aquilo que fez a
Israel quando se lhe opôs no caminho, ae subir ele do Egito.
3 Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que
tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de
peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.
4 Então Saul convocou o povo, e os contou em Telaim, duzentos mil homens de
infantaria, e mais dez mil dos de Judá.
5 Chegando, pois, Saul à cidade de Amaleque, pôs uma emboscada no vale.
6 E disse Saul aos queneus: Ide, retirai-vos, saí do meio dos amalequitas, para
que eu não vos destrua juntamente com eles; porque vós usastes de misericórdia
com todos os filhos de Israel, quando subiram do Egito. Retiraram-se, pois, os
queneus do meio dos amalequitas.
7 Depois Saul feriu os amalequitas desde Havilá até chegar a Sur, que está
defronte do Egito.
8 E tomou vivo a Agague, rei dos amalequitas, porém a todo o povo destruiu ao
fio da espada.
9 Mas Saul e o povo pouparam a Agague, como também ao melhor das ovelhas, dos
bois, e dos animais engordados, e aos cordeiros, e a tudo o que era bom, e não
os quiseram destruir totalmente; porém a tudo o que era vil e desprezível
destruíram totalmente.
10 Então veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo:
11 Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir,
e não cumpriu as minhas palavras. Então Samuel se contristou, e clamou ao
Senhor a noite toda.
12 E Samuel madrugou para encontrar-se com Saul pela manhã; e foi dito a
Samuel: Já chegou Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si numa coluna e,
voltando, passou e desceu a Gilgal.
13 Veio, pois, Samuel ter com Saul, e Saul lhe disse: Bendito sejas do Senhor;
já cumpri a palavra do Senhor.
14 Então perguntou Samuel: Que quer dizer, pois, este balido de ovelhas que
chega aos meus ouvidos, e o mugido de bois que ouço?
15 Ao que respondeu Saul: De Amaleque os trouxeram, porque o povo guardou o
melhor das ovelhas e dos bois, para os oferecer ao Senhor teu Deus; o resto,
porém, destruímo-lo totalmente.
16 Então disse Samuel a Saul: Espera, e te declararei o que o Senhor me disse
esta noite. Respondeu-lhe Saul: Fala.
17 Prosseguiu, pois, Samuel: Embora pequeno aos teus próprios olhos, porventura
não foste feito o cabeça das tribos de Israel? O Senhor te ungiu rei sobre
Israel;
18 e bem assim te enviou o Senhor a este caminho, e disse: Vai, e destrói
totalmente a estes pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até que
sejam aniquilados.
19 Por que, pois, não deste ouvidos à voz do Senhor, antes te lançaste ao
despojo, e fizeste o que era mau aos olhos do Senhor?
20 Então respondeu Saul a Samuel: Pelo contrário, dei ouvidos à voz do Senhor,
e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou, e trouxe a Agague, rei de
Amaleque, e aos amalequitas destruí totalmente;
21 mas o povo tomou do despojo ovelhas e bois, o melhor do anátema, para o
sacrificar ao Senhor teu Deus em Gilgal.
22 Samuel, porém, disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos
e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é
melhor do que o sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros
23 Porque a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação é como a
iniqüidade de idolatria. Porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também
te rejeitou, a ti, para que não sejas rei.
24 Então disse Saul a Samuel: Pequei, porquanto transgredi a ordem do Senhor e
as tuas palavras; porque temi ao povo, e dei ouvidos a sua voz.
25 Agora, pois, perdoa o meu pecado, e volta comigo, para que eu adore ao
Senhor.
26 Samuel porém disse a Saul: Não voltarei contigo; porquanto rejeitaste a
palavra do Senhor, e o Senhor te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre
Israel:
27 E, virando-se Samuel para se ir, Saul pegou-lhe pela orla da capa, a qual se
rasgou.
28 Então Samuel lhe disse: O Senhor rasgou de ti hoje o reino de Israel, e o
deu a um teu próximo, que é melhor do que tu.
29 Também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende, por quanto
não é homem para que se arrependa.
30 Ao que disse Saul: Pequei; honra-me, porém, agora diante dos anciãos do meu
povo, e diante de Israel, e volta comigo, para que eu adore ao Senhor teu Deus.
31 Então, voltando Samuel, seguiu a Saul, e Saul adorou ao Senhor.
32 Então disse Samuel: Trazei-me aqui a Agague, rei dos amalequitas. E Agague
veio a ele animosamente; e disse: Certamente já passou a amargura da morte.
33 Disse, porém, Samuel: Assim como a tua espada desfilhou a mulheres, assim
ficará desfilhada tua mãe entre as mulheres. E Samuel despedaçou a Agague
perante o Senhor em Gilgal.
34 Então Samuel se foi a Ramá; e Saul subiu a sua casa, a Gibeá de Saul.
35 Ora, Samuel nunca mais viu a Saul até o dia da sua morte, mas Samuel teve dó
de Saul. E o Senhor se arrependeu de haver posto a Saul rei sobre Israel.
SAMUEL
[16]
1 Então disse o Senhor a
Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine
sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite, e vem; enviar-te-ei a Jessé o
belemita, porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.
2 Disse, porém, Samuel: Como irei eu? pois Saul o ouvirá e me matará. Então
disse o Senhor: Leva contigo uma bezerra, e dize: Vim para oferecer sacrifício
ao Senhor:
3 E convidarás a Jessé para o sacrifício, e eu te farei saber o que hás de
fazer; e ungir-me-ás a quem eu te designar.
4 Fez, pois, Samuel o que dissera o Senhor, e veio a Belém; então os anciãos da
cidade lhe saíram ao encontro, tremendo, e perguntaram: É de paz a tua vinda?
5 Respondeu ele: É de paz; vim oferecer sacrifício ao Senhor. Santificai-vos, e
vinde comigo ao sacrifício. E santificou ele a Jessé e a seus filhos, e os
convidou para o sacrifício.
6 E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe, e disse: Certamente está perante
o Senhor o seu ungido.
7 Mas o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a
grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê
o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor
olha para o coraçao.
8 Depois chamou Jessé a Abinadabe, e o fez passar diante de Samuel, o qual
disse: Nem a este escolheu o Senhor.
9 Então Jessé fez passar a Samá; Samuel, porém, disse: Tampouco a este escolheu
o Senhor.
10 Assim fez passar Jessé a sete de seus filhos diante de Samuel; porém Samuel
disse a Jessé: O Senhor não escolheu a nenhum destes.
11 Disse mais Samuel a Jessé: São estes todos os teus filhos? Respondeu Jessé:
Ainda falta o menor, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a
Jessé: Manda trazê-lo, porquanto não nos sentaremos até que ele venha aqui.
12 Jessé mandou buscá-lo e o fez entrar. Ora, ele era ruivo, de belos olhos e
de gentil aspecto. Então disse o Senhor: Levanta-te, e unge-o, porque é este
mesmo.
13 Então Samuel tomou o vaso de azeite, e o ungiu no meio de seus irmãos; e daquele
dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi. Depois Samuel se
levantou, e foi para Ramá.
14 Ora, o Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e o atormentava um espírito
maligno da parte do Senhor.
15 Então os criados de Saul lhe disseram: Eis que agora um espírito maligno da
parte de Deus te atormenta;
16 dize, pois, Senhor nosso, a teus servos que estão na tua presença, que
busquem um homem que saiba tocar harpa; e quando o espírito maligno da parte do
Senhor vier sobre ti, ele tocara com a sua mão, e te sentirás melhor.
17 Então disse Saul aos seus servos: Buscai-me, pois, um homem que toque bem, e
trazei-mo.
18 Respondeu um dos mancebos: Eis que tenho visto um filho de Jessé, o
belemita, que sabe tocar bem, e é forte e destemido, homem de guerra, sisudo em
palavras, e de gentil aspecto; e o Senhor é com ele.
19 Pelo que Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo: Envia-me Davi, teu filho,
o que está com as ovelhas.
20 Jessé, pois, tomou um jumento carregado de pão, e um odre de vinho, e um
cabrito, e os enviou a Saul pela mão de Davi, seu filho.
21 Assim Davi veio e se apresentou a Saul, que se agradou muito dele e o fez
seu escudeiro.
22 Então Saul mandou dizer a Jessé: Deixa ficar Davi ao meu serviço, pois achou
graça aos meus olhos.
23 E quando o espírito maligno da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a
harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor,
e o espírito maligno se retirava dele.
SAMUEL
[17]
1 Ora, os filisteus ajuntaram
as suas forças para a guerra e congregaram-se em Socó, que pertence a Judá, e
acamparam entre Socó e Azeca, em Efes-Damim.
2 Saul, porém, e os homens de Israel se ajuntaram e acamparam no vale de Elá, e
ordenaram a batalha contra os filisteus.
3 Os filisteus estavam num monte de um lado, e os israelitas estavam num monte
do outro lado; e entre eles o vale.
4 Então saiu do arraial dos filisteus um campeão, cujo nome era Golias, de
Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo.
5 Trazia na cabeça um capacete de bronze, e vestia uma couraça escameada, cujo
peso era de cinco mil siclos de bronze.
6 Também trazia grevas de bronze nas pernas, e um dardo de bronze entre os
ombros.
7 A haste da sua lança era como o órgão de um tear, e a ponta da sua lança
pesava seiscentos siclos de ferro; adiante dele ia o seu escudeiro.
8 Ele, pois, de pé, clamava às fileiras de Israel e dizia-lhes: Por que saístes
a ordenar a batalha? Não sou eu filisteu, e vós servos de Saul? Escolhei dentre
vós um homem que desça a mim.
9 Se ele puder pelejar comigo e matar-me, seremos vossos servos; porem, se eu
prevalecer contra ele e o matar, então sereis nossos servos, e nos servireis.
10 Disse mais o filisteu: Desafio hoje as fileiras de Israel; dai-me um homem,
para que nós dois pelejemos.
11 Ouvindo, então, Saul e todo o Israel estas palavras do filisteu,
desalentaram-se, e temeram muito.
12 Ora, Davi era filho de um homem efrateu, de Belém de Judá, cujo nome era
Jessé, que tinha oito filhos; e nos dias de Saul este homem era já velho e
avançado em idade entre os homens.
13 Os três filhos mais velhos de Jessé tinham seguido a Saul à guerra; eram os
nomes de seus três filhos que foram à guerra: Eliabe, o primogênito, o segundo
Abinadabe, e o terceiro Samá:
14 Davi era o mais moço; os três maiores seguiram a Saul,
15 mas Davi ia e voltava de Saul, para apascentar as ovelhas de seu pai em
Belem.
16 Chegava-se, pois, o filisteu pela manhã e à tarde; e apresentou-se por
quarenta dias.
17 Disse então Jessé a Davi, seu filho: Toma agora para teus irmãos uma refa
deste grão tostado e estes dez pães, e corre a levá-los ao arraial, a teus
irmãos.
18 Leva, também, estes dez queijos ao seu comandante de mil; e verás como
passam teus irmãos, e trarás notícias deles.
19 Ora, estavam Saul, e eles, e todos os homens de Israel no vale de Elá,
pelejando contra os filisteus.
20 Davi então se levantou de madrugada e, deixando as ovelhas com um guarda,
carregou-se e partiu, como Jessé lhe ordenara; e chegou ao arraial quando o
exército estava saindo em ordem de batalha e dava gritos de guerra.
21 Os israelitas e os filisteus se punham em ordem de batalha, fileira contra
fileira.
22 E Davi, deixando na mão do guarda da bagagem a carga que trouxera, correu às
fileiras; e, chegando, perguntou a seus irmãos se estavam bem.
23 Enquanto ainda falava com eles, eis que veio subindo do exército dos
filisteus o campeão, cujo nome era Golias, o filisteu de Gate, e falou conforme
aquelas palavras; e Davi as ouviu.
24 E todos os homens de Israel, vendo aquele homem, fugiam, de diante dele,
tomados de pavor.
25 Diziam os homens de Israel: Vistes aquele homem que subiu? pois subiu para
desafiar a Israel. Ao homem, pos, que o matar, o rei cumulará de grandes
riquezas, e lhe dará a sua filha, e fará livre a casa de seu pai em Israel.
26 Então falou Davi aos homens que se achavam perto dele, dizendo: Que se fará
ao homem que matar a esse filisteu, e tirar a afronta de sobre Israel? pois
quem é esse incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?
27 E o povo lhe repetiu aquela palavra, dizendo: Assim se fará ao homem que o
matar.
28 Eliabe, seu irmão mais velho, ouviu-o quando falava àqueles homens; pelo que
se acendeu a sua ira contra Davi, e disse: Por que desceste aqui, e a quem
deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? Eu conheço a tua presunção, e a
maldade do teu coração; pois desceste para ver a peleja.
29 Respondeu Davi: Que fiz eu agora? porventura não há razão para isso?
30 E virou-se dele para outro, e repetiu as suas perguntas; e o povo lhe
respondeu como da primeira vez.
31 Então, ouvidas as palavras que Davi falara, foram elas referidas a Saul, que
mandou chamá-lo.
32 E Davi disse a Saul: Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu
servo irá, e pelejará contra este filisteu.
33 Saul, porém, disse a Davi: Não poderás ir contra esse filisteu para pelejar
com ele, pois tu ainda és moço, e ele homem de guerra desde a sua mocidade.
34 Então disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai, e
sempre que vinha um leão, ou um urso, e tomava um cordeiro do rebanho,
35 eu saía após ele, e o matava, e lho arrancava da boca; levantando-se ele
contra mim, segurava-o pela queixada, e o feria e matava.
36 O teu servo matava tanto ao leão como ao urso; e este incircunciso filisteu
será como um deles, porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo.
37 Disse mais Davi: O Senhor, que me livrou das garras do leão, e das garras do
urso, me livrará da mão deste filisteu. Então disse Saul a Davi: Vai, e o
Senhor seja contigo.
38 E vestiu a Davi da sua própria armadura, pôs-lhe sobre a cabeça um capacete
de bronze, e o vestiu de uma couraça.
39 Davi cingiu a espada sobre a armadura e procurou em vão andar, pois não
estava acostumado àquilo. Então disse Davi a Saul: Não posso andar com isto,
pois não estou acostumado. E Davi tirou aquilo de sobre si.
40 Então tomou na mão o seu cajado, escolheu do ribeiro cinco seixos lisos e
pô-los no alforje de pastor que trazia, a saber, no surrão, e, tomando na mão a
sua funda, foi-se chegando ao filisteu.
41 O filisteu também vinha se aproximando de Davi, tendo a: sua frente o seu
escudeiro.
42 Quando o filisteu olhou e viu a Davi, desprezou-o, porquanto era mancebo,
ruivo, e de gentil aspecto.
43 Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para tu vires a mim com paus? E o
filisteu, pelos seus deuses, amaldiçoou a Davi.
44 Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e eu darei a tua carne às aves do
céu e às bestas do campo.
45 Davi, porém, lhe respondeu: Tu vens a mim com espada, com lança e com
escudo; mas eu venho a ti em nome do Senhor dos exércitos, o Deus dos exércitos
de Israel, a quem tens afrontado.
46 Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão; ferir-te-ei, e tirar-te-ei a
cabeça; os cadáveres do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e
às feras da terra; para que toda a terra saiba que há Deus em Israel;
47 e para que toda esta assembléia saiba que o Senhor salva, não com espada,
nem com lança; pois do Senhor é a batalha, e ele vos entregará em nossas mãos.
48 Quando o filisteu se levantou e veio chegando para se defrontar com Davi,
este se apressou e correu ao combate, a encontrar-se com o filisteu.
49 E Davi, metendo a mão no alforje, tirou dali uma pedra e com a funda lha
atirou, ferindo o filisteu na testa; a pedra se lhe cravou na testa, e ele caiu
com o rosto em terra.
50 Assim Davi prevaleceu contra o filisteu com uma funda e com uma pedra;
feriu-o e o matou; e não havia espada na mão de Davi.
51 Correu, pois, Davi, pôs-se em pé sobre o filisteu e, tomando a espada dele e
tirando-a da bainha, o matou, decepando-lhe com ela a cabeça. Vendo então os
filisteus que o seu campeão estava morto, fugiram.
52 Então os homens de Israel e de Judá se levantaram gritando, e perseguiram os
filisteus até a entrada de Gai e até as portas de Ecrom; e caíram os feridos
dos filisteus pelo caminho de Saraim até Gate e até Ecrom.
53 Depois voltaram os filhos de Israel de perseguirem os filisteus, e
despojaram os seus arraiais.
54 Davi tomou a cabeça do filisteu e a trouxe a Jerusalém; porém pôs as armas
dele na sua tenda.
55 Quando Saul viu Davi sair e encontrar-se com o filisteu, perguntou a Abner,
o chefe do exército: De quem é filho esse jovem, Abner? Respondeu Abner: Vive a
tua alma, ó rei, que não sei.
56 Disse então o rei: Pergunta, pois, de quem ele é filho.
57 Voltando, pois, Davi de ferir o filisteu, Abner o tomou consigo, e o trouxe
à presença de Saul, trazendo Davi na mão a cabeça do filisteu.
58 E perguntou-lhe Saul: De quem és filho, jovem? Respondeu Davi: Filho de teu
servo Jessé, belemita.
SAMUEL
[18]
1 Ora, acabando Davi de falar
com Saul, a alma de Jônatas ligou-se com a alma de Davi; e Jônatas o amou como
à sua própria alma.
2 E desde aquele dia Saul o reteve, não lhe permitindo voltar para a casa de
seu pai.
3 Então Jônatas fez um pacto com Davi, porque o amava como à sua própria vida.
4 E Jônatas se despojou da capa que vestia, e a deu a Davi, como também a sua
armadura, e até mesmo a sua espada, o seu arco e o seu cinto.
5 E saía Davi aonde quer que Saul o enviasse, e era sempre bem sucedido; e Saul
o pôs sobre a gente de guerra, e isso pareceu bem aos olhos de todo o povo, e
até aos olhos dos servos de Saul.
6 Sucedeu porém que, retornando eles, quando Davi voltava de ferir o filisteu,
as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul,
cantando e dançando alegremente, com tamboris, e com instrumentos de música.
7 E as mulheres, dançando, cantavam umas para as outras, dizendo: Saul feriu os
seus milhares, porém Davi os seus dez milhares.
8 Então Saul se indignou muito, pois aquela palavra pareceu mal aos seus olhos,
e disse: Dez milhares atribuíram a Davi, e a mim somente milhares; que lhe
falta, senão só o reino?
9 Daquele dia em diante, Saul trazia Davi sob suspeita.
10 No dia seguinte o espírito maligno da parte de Deus se apoderou de Saul, que
começou a profetizar no meio da casa; e Davi tocava a harpa, como nos outros
dias. Saul tinha na mão uma lança.
11 E Saul arremessou a lança, dizendo consigo: Encravarei a Davi na parede.
Davi, porém, desviou-se dele por duas vezes.
12 Saul, pois, temia a Davi, porque o Senhor era com Davi e se tinha retirado
dele.
13 Pelo que Saul o afastou de si, e o fez comandante de mil; e ele saía e
entrava diante do povo.
14 E Davi era bem sucedido em todos os seus caminhos; e o Senhor era com ele.
15 Vendo, então, Saul que ele era tão bem sucedido, tinha receio dele.
16 Mas todo o Israel e Judá amavam a Davi, porquanto saía e entrava diante
deles.
17 Pelo que Saul disse a Davi: Eis que Merabe, minha filha mais velha, te darei
por mulher, contanto que me sejas filho valoroso, e guerreies as guerras do
Senhor. Pois Saul dizia consigo: Não seja contra ele a minha mão, mas sim a dos
filisteus.
18 Mas Davi disse a Saul: Quem sou eu, e qual é a minha vida e a família de meu
pai em Israel, para eu vir a ser genro do rei?
19 Sucedeu, porém, que ao tempo em que Merabe, filha de Saul, devia ser dada a
Davi, foi dada por mulher a Adriel, meolatita.
20 Mas Mical, a outra filha de Saul, amava a Davi; sendo isto anunciado a Saul,
pareceu bem aos seus olhos.
21 E Saul disse: Eu lha darei, para que ela lhe sirva de laço, e para que a mão
dos filisteus venha a ser contra ele. Pelo que Saul disse a Davi: com a outra
serás hoje meu genro.
22 Saul, pois, deu ordem aos seus servos: Falai em segredo a Davi, dizendo: Eis
que o rei se agrada de ti, e todos os seus servos te querem bem; agora, pois,
consente em ser genro do rei.
23 Assim os servos de Saul falaram todas estas palavras aos ouvidos de Davi.
Então disse Davi: Parece-vos pouca coisa ser genro do rei, sendo eu homem pobre
e de condição humilde?
24 E os servos de Saul lhe anunciaram isto, dizendo: Assim e assim falou Davi.
25 Então disse Saul: Assim direis a Davi: O rei não deseja dote, senão cem
prepúcios de filisteus, para que seja vingado dos seus inimigos. Porquanto Saul
tentava fazer Davi cair pela mão dos filisteus.
26 Tendo os servos de Saul anunciado estas palavras a Davi, pareceu bem aos
seus olhos tornar-se genro do rei. Ora, ainda os dias não se haviam cumprido,
27 quando Davi se levantou, partiu com os seus homens, e matou dentre os filisteus
duzentos homens; e Davi trouxe os prepúcios deles, e os entregou, bem contados,
ao rei, para que fosse seu genro. Então Saul lhe deu por mulher sua filha
Mical.
28 Mas quando Saul viu e compreendeu que o Senhor era com Davi e que todo o
Israel o amava,
29 temeu muito mais a Davi; e Saul se tornava cada vez mais seu inimigo.
30 Então saíram os chefes dos filisteus à campanha; e sempre que eles saíam,
Davi era mais bem sucedido do que todos os servos de Saul, pelo que o seu nome
era mui estimado.
SAMUEL
[19]
1 Falou, pois, Saul a
Jônatas, seu filho, e a todos os seus servos, para que matassem a Davi. Porém
Jônatas, filho de Saul, estava muito afeiçoado a Davi.
2 Pelo que Jônatas o anunciou a Davi, dizendo: Saul, meu pai, procura matar-te;
portanto, guarda-te amanhã pela manhã, fica num lugar oculto e esconde-te;
3 eu sairei e me porei ao lado de meu pai no campo em que estiveres; falarei
acerca de ti a meu pai, verei o que há, e to anunciarei.
4 Então Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e disse-lhe: Não peque o rei
contra seu servo Davi, porque ele não pecou contra ti, e porque os seus feitos
para contigo têm sido muito bons.
5 Porque expôs a sua vida e matou o filisteu, e o Senhor fez um grande
livramento para todo o Israel. Tu mesmo o viste, e te alegraste; por que, pois,
pecarias contra o sangue inocente, matando sem causa a Davi?
6 E Saul deu ouvidos à voz de Jônatas, e jurou: Como vive o Senhor, Davi não
morrera.
7 Jônatas, pois, chamou a Davi, contou-lhe todas estas palavras, e o levou a
Saul; e Davi o assistia como dantes.
8 Depois tornou a haver guerra; e saindo Davi, pelejou contra os filisteus, e
os feriu com grande matança, e eles fugiram diante dele.
9 Então o espírito maligno da parte do Senhor veio sobre Saul, estando ele
sentado em sua casa, e tendo na mão a sua lança; e Davi estava tocando a harpa.
10 E Saul procurou encravar a Davi na parede, porém ele se desviou de diante de
Saul, que fincou a lança na parede. Então Davi fugiu, e escapou naquela mesma
noite.
11 Mas Saul mandou mensageiros à casa de Davi, para que o vigiassem, e o
matassem pela manhã; porém Mical, mulher de Davi, o avisou, dizendo: Se não
salvares a tua vida esta noite, amanhã te matarão.
12 Então Mical desceu Davi por uma janela, e ele se foi e, fugindo, escapou.
13 Mical tomou uma estátua, deitou-a na cama, pôs-lhe à cabeceira uma pele de
cabra, e a cobriu com uma capa.
14 Quando Saul enviou mensageiros para prenderem a Davi, ela disse: Está
doente.
15 Tornou Saul a enviá-los, para que vissem a Davi, dizendo-lhes: Trazei-mo na
cama, para que eu o mate.
16 Vindo, pois, os mensageiros, eis que estava a estátua na cama, e a pele de
cabra à sua cabeceira.
17 Então perguntou Saul a Mical: Por que assim me enganaste, e deixaste o meu
inimigo ir e escapar? Respondeu Mical a Saul: Porque ele me disse: Deixa-me ir!
Por que hei de matar-te?
18 Assim Davi fugiu e escapou; e indo ter com Samuel, em Ramá, contou-lhe tudo
quanto Saul lhe fizera; foram, pois, ele e Samuel, e ficaram em Naiote.
19 E foi dito a Saul: Eis que Davi está em Naiote, em Ramá.
20 Então enviou Saul mensageiros para prenderem a Davi; quando eles viram a
congregação de profetas profetizando, e Samuel a presidi-los, o Espírito de
Deus veio sobre os mensageiros de Saul, e também eles profetizaram.
21 Avisado disso, Saul enviou outros mensageiros, e também estes profetizaram.
Ainda terceira vez enviou Saul mensageiros, os quais também profetizaram.
22 Então foi ele mesmo a Rama e, chegando ao poço grande que estava em Sécu,
perguntou: Onde estão Samuel e Davi? Responderam-lhe: Eis que estão em Naiote,
em Ramá.
23 Foi, pois, para Naiote, em Ramá; e o Espírito de Deus veio também sobre ele,
e ele ia caminhando e profetizando, até chegar a Naiote, em Ramá.
24 E despindo as suas vestes, ele também profetizou diante de Samuel; e esteve
nu por terra todo aquele dia e toda aquela noite. Pelo que se diz: Está também
Saul entre os profetas?
SAMUEL
[20]
1 Então fugiu Davi de Naiote,
em Ramá, veio ter com Jônatas e lhe disse: Que fiz eu? qual é a minha
iniqüidade? e qual é o meu pecado diante de teu pai, para que procure tirar-me
a vida?
2 E ele lhe disse: Longe disso! não hás de morrer. Meu pai não faz coisa
alguma, nem grande nem pequena, sem que primeiro ma participe; por que, pois,
meu pai me encobriria este negócio? Não é verdade.
3 Respondeu-lhe Davi, com juramento: Teu pai bem sabe que achei graça aos teus
olhos; pelo que disse: Não saiba isto Jônatas, para que não se magoe. Mas, na
verdade, como vive o Senhor, e como vive a tua alma, há apenas um passo entre
mim e a morte.
4 Disse Jônatas a Davi: O que desejas tu que eu te faça?
5 Respondeu Davi a Jônatas: Eis que amanhã é a lua nova, e eu deveria sentar-me
com o rei para comer; porém deixa-me ir, e esconder-me-ei no campo até a tarde
do terceiro dia.
6 Se teu pai notar a minha ausência, dirás: Davi me pediu muito que o deixasse
ir correndo a Belém, sua cidade, porquanto se faz lá o sacrifício anual para
toda a parentela.
7 Se ele disser: Está bem; então teu servo tem paz; porém se ele muito se
indignar, fica sabendo que ele já está resolvido a praticar o mal.
8 Usa, pois, de misericórdia para com o teu servo, porque o fizeste entrar
contigo em aliança do Senhor; se, porém, há culpa em mim, mata-me tu mesmo; por
que me levarias a teu pai?
9 Ao que respondeu Jônatas: Longe de ti tal coisa! Se eu soubesse que meu pai
estava resolvido a trazer o mal sobre ti, não to descobriria eu?
10 Perguntou, pois, Davi a Jônatas: Quem me fará saber, se por acaso teu pai te
responder asperamente?
11 Então disse Jônatas a Davi: Vem, e saiamos ao campo. E saíram ambos ao
campo.
12 E disse Jônatas a Davi: O Senhor, Deus de Israel, seja testemunha! Sondando
eu a meu pai amanhã a estas horas, ou depois de amanhã, se houver coisa
favorável para Davi, eu não enviarei a ti e não to farei saber?
13 O Senhor faça assim a Jônatas, e outro tanto, se, querendo meu pai fazer-te
mal, eu não te fizer saber, e não te deixar partir, para ires em paz; e o
Senhor seja contigo, assim como foi com meu pai.
14 E não somente usarás para comigo, enquanto viver, da benevolência do Senhor,
para que não morra,
15 como também não cortarás nunca da minha casa a tua benevolência, nem ainda
quando o Senhor tiver desarraigado da terra a cada um dos inimigos de Davi.
16 Assim fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: O Senhor se vingue
dos inimigos de Davi.
17 Então Jônatas fez Davi jurar de novo, porquanto o amava; porque o amava com
todo o amor da sua alma.
18 Disse-lhe ainda Jônatas: Amanhã é a lua nova, e notar-se-á a tua ausência,
pois o teu lugar estará vazio.
19 Ao terceiro dia descerás apressadamente, e irás àquele lugar onde te
escondeste no dia do negócio, e te sentarás junto à pedra de Ezel.
20 E eu atirarei três flechas para aquela banda, como se atirasse ao alvo.
21 Então mandarei o moço, dizendo: Anda, busca as flechas. Se eu expressamente
disser ao moço: Olha que as flechas estão para cá de ti, apanha-as; então vem,
porque, como vive o Senhor, há paz para ti, e não há nada a temer.
22 Mas se eu disser ao moço assim: Olha que as flechas estão para lá de ti;
vai-te embora, porque o Senhor te manda ir.
23 E quanto ao negócio de que eu e tu falamos, o Senhor é testemunha entre mim
e ti para sempre.
24 Escondeu-se, pois, Davi no campo; e, sendo a lua nova, sentou-se o rei para
comer.
25 E, sentando-se o rei, como de costume, no seu assento junto à parede,
Jônatas sentou-se defronte dele, e Abner sentou-se ao lado de Saul; e o lugar
de Davi ficou vazio.
26 Entretanto Saul não disse nada naquele dia, pois dizia consigo:
Aconteceu-lhe alguma coisa pela qual não está limpo; certamente não está limpo.
27 Sucedeu também no dia seguinte, o segundo da lua nova, que o lugar de Davi
ficou vazio. Perguntou, pois, Saul a Jônatas, seu filho: Por que o filho de
Jessé não veio comer nem ontem nem hoje?
28 Respondeu Jônatas a Saul: Davi pediu-me encarecidamente licença para ir a
Belém,
29 dizendo: Peço-te que me deixes ir, porquanto a nossa parentela tem um sacrifício
na cidade, e meu irmão ordenou que eu fosse; se, pois, agora tenho achado graça
aos teus olhos, peço-te que me deixes ir, para ver a meus irmãos. Por isso não
veio à mesa do rei.
30 Então se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e ele lhe disse: Filho da
perversa e rebelde! Não sei eu que tens escolhido a filho de Jessé para
vergonha tua, e para vergonha de tua mãe?
31 Pois por todo o tempo em que o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu
estarás seguro, nem o teu reino; pelo que envia agora, e traze-mo, porque ele
há de morrer.
32 Ao que respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de morrer.
que fez ele?
33 Então Saul levantou a lança, para o ferir; assim entendeu Jônatas que seu
pai tinha determinado matar a Davi.
34 Pelo que Jônatas, todo encolerizado, se levantou da mesa, e no segundo dia
do mês não comeu; pois se magoava por causa de Davi, porque seu pai o tinha
ultrajado.
35 Jônatas, pois, saiu ao campo, pela manhã, ao tempo que tinha ajustado com
Davi, levando consigo um rapazinho.
36 Então disse ao moço: Corre a buscar as flechas que eu atirar. Correu, pois,
o moço; e Jônatas atirou uma flecha, que fez passar além dele.
37 Quando o moço chegou ao lugar onde estava a flecha que Jônatas atirara,
gritou-lhe este, dizendo: Não está porventura a flecha para lá de ti?
38 E tornou a gritar ao moço: Apressa-te, anda, não te demores! E o servo de
Jônatas apanhou as flechas, e as trouxe a seu senhor.
39 O moço, porém, nada percebeu; só Jônatas e Davi sabiam do negócio.
40 Então Jônatas deu as suas armas ao moço, e lhe disse: Vai, leva-as à cidade.
41 Logo que o moço se foi, levantou-se Davi da banda do sul, e lançou-se sobre
o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e
choraram ambos, mas Davi chorou muito mais.
42 E disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz, porquanto nós temos jurado ambos em
nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja entre mim e ti, e entre a minha
descendência e a tua descendência perpetuamente.
43 Então Davi se levantou e partiu; e Jônatas entrou na cidade.
SAMUEL
[21]
1 Então veio Davi a Nobe, ao
sacerdote Aimeleque, o qual saiu, tremendo, ao seu encontro, e lhe perguntou:
Por que vens só, e ninguém contigo?
2 Respondeu Davi ao sacerdote Aimeleque: O rei me encomendou um negócio, e me
disse: Ninguém saiba deste negócio pelo qual eu te enviei, e o qual te ordenei.
Quanto aos mancebos, apontei-lhes tal e tal lugar.
3 Agora, pois, que tens à mão? Dá-me cinco pães, ou o que se achar.
4 Ao que, respondendo o sacerdote a Davi, disse: Não tenho pão comum à mão; há,
porém, pão sagrado, se ao menos os mancebos se têm abstido das mulheres.
5 E respondeu Davi ao sacerdote, e lhe disse: Sim, em boa fé, as mulheres se
nos vedaram há três dias; quando eu saí, os vasos dos mancebos também eram
santos, embora fosse para uma viagem comum; quanto mais ainda hoje não serão
santos os seus vasos?
6 Então o sacerdote lhe deu o pão sagrado; porquanto não havia ali outro pão
senão os pães da proposição, que se haviam tirado de diante do Senhor no dia em
que se tiravam para se pôr ali pão quente.
7 Ora, achava-se ali naquele dia um dos servos de Saul, detido perante o
Senhor; e era seu nome Doegue, edomeu, chefe dos pastores de Saul.
8 E disse Davi a Aimeleque: Não tens aqui à mão uma lança ou uma espada? porque
eu não trouxe comigo nem a minha espada nem as minhas armas, pois o negócio do
rei era urgente.
9 Respondeu o sacerdote: A espada de Golias, o filisteu, a quem tu feriste no
vale de Elá, está aqui envolta num pano, detrás do éfode; se a queres tomar,
toma-a, porque não há outra aqui senão ela. E disse Davi: Não há outra igual a
essa; dá-ma.
10 Levantou-se, pois, Davi e fugiu naquele dia de diante de Saul, e foi ter com
Áquis, rei de Gate.
11 Mas os servos de Áquis lhe perguntaram: Este não é Davi, o rei da terra? não
foi deste que cantavam nas danças, dizendo: Saul matou os seus milhares, por
Davi os seus dez milhares?
12 E Davi considerou estas palavras no seu coração, e teve muito medo de Áquis,
rei de Gate.
13 Pelo que se contrafez diante dos olhos deles, e fingiu-se doido nas mãos
deles, garatujando nas portas, e deixando correr a saliva pela barba.
14 Então disse Áquis aos seus servos: Bem vedes que este homem está louco; por
que mo trouxestes a mim?
15 Faltam-me a mim doidos, para que trouxésseis a este para fazer doidices
diante de mim? há de entrar este na minha casa?
SAMUEL
[22]
1 Depois Davi, retirando-se
desse lugar, escapou para a caverna de Adulão. Quando os seus irmãos e toda a
casa de seu pai souberam disso, desceram ali para ter com ele.
2 Ajuntaram-se a ele todos os que se achavam em aperto, todos os endividados, e
todos os amargurados de espírito; e ele se fez chefe deles; havia com ele cerca
de quatrocentos homens.
3 Dali passou Davi para Mizpe de Moabe; e disse ao rei de Moabe: Deixa,
peço-te, que meu pai e minha mãe fiquem convosco, até que eu saiba o que Deus
há de fazer de mim.
4 E os deixou com o rei de Moabe; e ficaram com ele por todo o tempo que Davi
esteve no lugar forte.
5 Disse o profeta Gade a Davi: Não fiques no lugar forte; sai, e entra na terra
de Judá. Então Davi saiu, e foi para o bosque de Herete.
6 Ora, ouviu Saul que já havia notícias de Davi e dos homens que estavam com
ele. Estava Saul em Gibeá, sentado debaixo da tamargueira, sobre o alto, e
tinha na mão a sua lança, e todos os seus servos estavam com ele.
7 Então disse Saul a seus servos que estavam com ele: Ouvi, agora, benjamitas!
Acaso o filho de Jessé vos dará a todos vós terras e vinhas, e far-vos-á a
todos chefes de milhares e chefes de centenas,
8 para que todos vós tenhais conspirado contra mim, e não haja ninguém que me
avise de ter meu filho, feito aliança com o filho de Jessé, e não haja ninguém
dentre vós que se doa de mim, e me participe o ter meu filho sublevado meu
servo contra mim, para me armar ciladas, como se vê neste dia?
9 Então respondeu Doegue, o edomeu, que também estava com os servos de Saul, e
disse: Vi o filho de Jessé chegar a Nobe, a Aimeleque, filho de Aitube;
10 o qual consultou por ele ao Senhor, e lhe deu mantimento, e lhe deu também a
espada de Golias, o filisteu.
11 Então o rei mandou chamar a Aimeleque, o sacerdote, filho de Aitube, e a
toda a casa de seu pai, isto é, aos sacerdotes que estavam em Nobe; e todos eles
vierem ao rei.
12 E disse Saul: Ouve, filho de Aitube! E ele lhe disse: Eis-me aqui, senhor
meu.
13 Então lhe perguntou Saul: Por que conspirastes contra mim, tu e o filho de
Jessé, pois deste lhe pão e espada, e consultaste por ele a Deus, para que ele
se levantasse contra mim a armar-me ciladas, como se vê neste dia?
14 Ao que respondeu Aimeleque ao rei dizendo: Quem há, entre todos os teus
servos, tão fiel como Davi, o genro do rei, chefe da tua guarda, e honrado na
tua casa?
15 Porventura é de hoje que comecei a consultar por ele a Deus? Longe de mim
tal coisa! Não impute o rei coisa nenhuma a mim seu servo, nem a toda a casa de
meu pai, pois o teu servo não soube nada de tudo isso, nem muito nem pouco.
16 O rei, porém, disse: Hás de morrer, Aimeleque, tu e toda a casa de teu pai.
17 E disse o rei aos da sua guarda que estavam com ele: Virai-vos, e matai os
sacerdotes do Senhor, porque também a mão deles está com Davi, e porque sabiam
que ele fugia e não mo fizeram saber. Mas os servos do rei não quiseram
estender as suas mãos para arremeter contra os sacerdotes do Senhor.
18 Então disse o rei a Doegue: Vira-te e arremete contra os sacerdotes.
Virou-se, então, Doegue, o edomeu, e arremeteu contra os sacerdotes, e matou
naquele dia oitenta e cinco homens que vestiam éfode de linho.
19 Também a Nobe, cidade desses sacerdotes, passou a fio de espada; homens e
mulheres, meninos e criancinhas de peito, e até os bois, jumentos e ovelhas
passou a fio de espada.
20 Todavia um dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, que se chamava Abiatar,
escapou e fugiu para Davi.
21 E Abiatar anunciou a Davi que Saul tinha matado os sacerdotes do Senhor.
22 Então Davi disse a Abiatar: Bem sabia eu naquele dia que, estando ali
Doegue, o edomeu, não deixaria de o denunciar a Saul. Eu sou a causa da morte
de todos os da casa de teu pai.
23 Fica comigo, não temas; porque quem procura a minha morte também procura a
tua; comigo estarás em segurança.
SAMUEL
[23]
1 Ora, foi anunciado a Davi:
Eis que os filisteus pelejam contra Queila e saqueiam as eiras.
2 Pelo que consultou Davi ao Senhor, dizendo: Irei eu, e ferirei a esses
filisteus? Respondeu o Senhor a Davi: Vai, fere aos filisteus e salva a Queila.
3 Mas os homens de Davi lhe disseram: Eis que tememos aqui em Judá, quanta mais
se formos a Queila, contra o exército dos filisteus!
4 Davi, pois, tornou a consultar ao Senhor, e o Senhor lhe respondeu:
Levanta-te, desce a Queila, porque eu hei de entregar os filisteus na tua mão.
5 Então Davi partiu com os seus homens para Queila, pelejou contra os
filisteus, levou-lhes o gado, e fez grande matança entre eles; assim Davi
salvou os moradores de Queila.
6 Ora, quando Abiatar, filho de Aimeleque, fugiu para Davi, a Queila, desceu
com um éfode na mão.
7 Então foi anunciado a Saul que Davi tinha ido a Queila; e disse Saul: Deus o
entregou nas minhas mãos; pois está encerrado, porque entrou numa cidade que
tem portas e ferrolhos.
8 E convocou todo o povo à peleja, para descerem a Queila, e cercar a Davi e os
seus homens.
9 Sabendo, pois, Davi que Saul maquinava este mal contra ele, disse a Abiatar,
sacerdote: Traze aqui o éfode.
10 E disse Davi: ç Senhor, Deus de Israel, teu servo acaba de ouvir que Saul
procura vir a Queila, para destruir a cidade por causa de mim.
11 Entregar-me-ão os cidadãos de Queila na mão dele? descerá Saul, como o teu
servo tem ouvido? Ah, Senhor Deus de Israel! faze-o saber ao teu servo.
Respondeu o Senhor: Descerá.
12 Disse mais Davi: Entregar-me-ão os cidadãos de Queila, a mim e aos meus
homens, nas mãos de Saul? E respondeu o Senhor: Entregarão.
13 Levantou-se, então, Davi com os seus homens, cerca de seiscentos, e saíram
de Queila, e foram-se aonde puderam. Saul, quando lhe foi anunciado que Davi
escapara de Queila, deixou de sair contra ele.
14 E Davi ficou no deserto, em lugares fortes, permanecendo na região
montanhosa no deserto de Zife. Saul o buscava todos os dias, porém Deus não o
entregou na sua mao.
15 Vendo, pois, Davi que Saul saíra à busca da sua vida, esteve no deserto de
Zife, em Hores.
16 Então se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi ter com Davi em Hores, e o
confortou em Deus;
17 e disse-lhe: Não temas; porque não te achará a mão de Saul, meu pai; porém
tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo; o que também Saul, meu
pai, bem sabe.
18 E ambos fizeram aliança perante o Senhor; Davi ficou em Hores, e Jônatas,
voltou para sua casa.
19 Então subiram os zifeus a Saul, a Gibea, dizendo: Não se escondeu Davi entre
nós, nos lugares fortes em Hores, no outeiro de Haquila, que está à mão direita
de Jesimom?
20 Agora, pois, ó rei, desce apressadamente, conforme todo o desejo da tua
alma; a nós nos cumpre entregá-lo nas mãos do rei.
21 Então disse Saul: Benditos sejais vós do Senhor, porque vos compadecestes de
mim:
22 Ide, pois, informai-vos ainda melhor; sabei e notai o lugar que ele
freqüenta, e quem o tenha visto ali; porque me foi dito que é muito astuto.
23 Pelo que atentai bem, e informai-vos acerca de todos os esconderijos em que
ele se oculta; e então voltai para mim com notícias exatas, e eu irei convosco.
E há de ser que, se estiver naquela terra, eu o buscarei entre todos os
milhares de Judá.
24 Eles, pois, se levantaram e foram a Zife adiante de Saul; Davi, porém, e os
seus homens estavam no deserto de Maom, na campina ao sul de Jesimom.
25 E Saul e os seus homens foram em busca dele. Sendo isso anunciado a Davi,
desceu ele à penha que está no deserto de Maom. Ouvindo-o Saul, foi ao deserto
de Maom, a perseguir Davi.
26 Saul ia de uma banda do monte, e Davi e os seus homens da outra banda. E
Davi se apressava para escapar, por medo de Saul, porquanto Saul e os seus
homens iam cercando a Davi e aos seus homens, para os prender.
27 Nisso veio um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os
filisteus acabam de invadir a terra.
28 Pelo que Saul voltou de perseguir a Davi, e se foi ao encontro dos
filisteus. Por esta razão aquele lugar se chamou Selá-Hamalecote.
29 Depois disto, Davi subiu e ficou nos lugares fortes de En-Gedi.
SAMUEL
[24]
1 Ora, quando Saul voltou de
perseguir os filisteus, foi-lhe dito: Eis que Davi está no deserto de En-Gedi.
2 Então tomou Saul três mil homens, escolhidos dentre todo o Israel, e foi em
busca de Davi e dos seus homens, até sobre as penhas das cabras montesas.
3 E chegou no caminho a uns currais de ovelhas, onde havia uma caverna; e Saul
entrou nela para aliviar o ventre. Ora Davi e os seus homens estavam sentados
na parte interior da caverna.
4 Então os homens de Davi lhe disseram: Eis aqui o dia do qual o Senhor te
disse: Eis que entrego o teu inimigo nas tuas mãos; far-lhe-ás como parecer bem
aos teus olhos. Então Davi se levantou, e de mansinho cortou a orla do manto de
Saul.
5 Sucedeu, porém, que depois doeu o coração de Davi, por ter cortado a orla do
manto de Saul.
6 E disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu
senhor, ao ungido do Senhor, que eu estenda a minha mão contra ele, pois é o
ungido do Senhor.
7 com essas palavras Davi conteve os seio chegando para se permitiu que se
levantassem contra Saul. E Saul se levantou da caverna, e prosseguiu o seu
caminho.
8 Depois também Davi se levantou e, saindo da caverna, gritou por detrás de
Saul, dizendo: ç rei, meu senhor! Quando Saul olhou para trás, Davi se inclinou
com o rosto em terra e lhe fez reverência.
9 Então disse Davi a Saul: por que dás ouvidos às palavras dos homens que
dizem: Davi procura fazer-te mal?
10 Eis que os teus olhos acabam de ver que o Senhor hoje te pôs em minhas mãos
nesta caverna; e alguns disseram que eu te matasse, porém a minha mão te
poupou; pois eu disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, porque é
o ungido do Senhor.
11 Olha, meu pai, vê aqui a orla do teu manto na minha mão, pois cortando-te eu
a orla do manto, não te matei. Considera e vê que não há na minha mão nem mal
nem transgressão alguma, e que não pequei contra ti, ainda que tu andes à caça
da minha vida para ma tirares.
12 Julgue o Senhor entre mim e ti, e vingue-me o Senhor de ti; a minha mão,
porém, não será contra ti.
13 Como diz o provérbio dos antigos: Dos ímpios procede a impiedade. A minha
mão, porém, não será contra ti.
14 Após quem saiu o rei de Israel? a quem persegues tu? A um cão morto, a uma
pulga!
15 Seja, pois, o Senhor juiz, e julgue entre mim e ti; e veja, e advogue a
minha causa, e me livre da tua mão.
16 Acabando Davi de falar a Saul todas estas palavras, perguntou Saul: E esta a
tua voz, meu filho Davi? Então Saul levantou a voz e chorou.
17 E disse a Davi: Tu és mais justo do que eu, pois me recompensaste com bem, e
eu te recompensei com mal.
18 E tu mostraste hoje que procedeste bem para comigo, por isso que, havendo-me
o Senhor entregado na tua mão, não me mataste.
19 Pois, quem há que, encontrando o seu inimigo, o deixará ir o seu caminho? O
Senhor, pois, te pague com bem, pelo que hoje me fizeste.
20 Agora, pois, sei que certamente hás de reinar, e que o reino de Israel há de
se firmar na tua mão.
21 Portanto jura-me pelo Senhor que não desarraigarás a minha descendência
depois de mim, nem extinguirás o meu nome da casa de meu pai.
22 Então jurou Davi a Saul. E foi Saul para sua casa, mas Davi e os seus homens
subiram ao lugar forte.
SAMUEL
[25]
1 Ora, faleceu Samuel; e todo
o Israel se ajuntou e o pranteou; e o sepultaram na sua casa, em Ramá. E Davi
se levantou e desceu ao deserto de Parã.
2 Havia um homem em Maom que tinha as suas possessões no Carmelo. Este homem
era muito rico, pois tinha três mil ovelhas e mil Cabras e estava tosquiando as
suas ovelhas no Carmelo.
3 Chamava-se o homem Nabal, e sua mulher chamava-se Abigail; era a mulher
sensata e formosa; o homem porém, era duro, e maligno nas suas ações; e era da
casa de Calebe.
4 Ouviu Davi no deserto que Nabal tosquiava as suas ovelhas,
5 e enviou-lhe dez mancebos, dizendo-lhes: Subi ao Carmelo, ide a Nabal e
perguntai-lhe, em meu nome, como está.
6 Assim lhe direis: Paz seja contigo, e com a tua casa, e com tudo o que tens.
7 Agora, pois, tenho ouvido que tens tosquiadores. Ora, os pastores que tens
acabam de estar conosco; agravo nenhum lhes fizemos, nem lhes desapareceu coisa
alguma por todo o tempo que estiveram no Carmelo.
8 Pergunta-o aos teus mancebos, e eles to dirão. Que achem, portanto, os teus
servos graça aos teus olhos, porque viemos em boa ocasião. Dá, pois, a teus
servos e a Davi, teu filho, o que achares à mão.
9 Chegando, pois, os mancebos de Davi, falaram a Nabal todas aquelas palavras
em nome de Davi, e se calaram.
10 Ao que Nabal respondeu aos servos de Davi, e disse: Quem é Davi, e quem o
filho de Jessé? Muitos servos há que hoje fogem ao seu senhor.
11 Tomaria eu, pois, o meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que
degolei para os meus tosquiadores, e os daria a homens que não sei donde vêm?
12 Então os mancebos de Davi se puseram a caminho e, voltando, vieram
anunciar-lhe todas estas palavras.
13 Pelo que disse Davi aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um
cingiu a sua espada, e Davi também cingiu a sua, e subiram após Davi cerca de
quatrocentos homens, e duzentos ficaram com a bagagem.
14 um dentre os mancebos, porém, o anunciou a Abigail, mulher de Nabal,
dizendo: Eis que Davi enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo;
e ele os destratou.
15 Todavia, aqueles homens têm-nos sido muito bons, e nunca fomos agravados
deles, e nada nos desapareceu por todo o tempo em que convivemos com eles quando
estávamos no campo.
16 De muro em redor nos serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que
andamos com eles apascentando as ovelhas.
17 Considera, pois, agora e vê o que hás de fazer, porque o mal já está de todo
determinado contra o nosso amo e contra toda a sua casa; e ele é tal filho de
Belial, que não há quem lhe possa falar.
18 Então Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, dois odres de vinho, cinco
ovelhas assadas, cinco medidas de trigo tostado, cem cachos de passas, e
duzentas pastas de figos secos, e os pôs sobre jumentos.
19 E disse aos seus mancebos: Ide adiante de mim; eis que vos seguirei de
perto. Porém não o declarou a Nabal, seu marido.
20 E quando ela, montada num jumento, ia descendo pelo encoberto do monte, eis
que Davi e os seus homens lhe vinham ao encontro; e ela se encontrou com eles.
21 Ora, Davi tinha dito: Na verdade que em vão tenho guardado tudo quanto este
tem no deserto, de sorte que nada lhe faltou de tudo quanto lhe pertencia; e
ele me pagou mal por bem.
22 Assim faça Deus a Davi, e outro tanto, se eu deixar até o amanhecer, de tudo
o que pertence a Nabal, um só varão.
23 Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, desceu do jumento e prostrou-se
sobre o seu rosto diante de Davi, inclinando-se à terra,
24 e, prostrada a seus pés, lhe disse: Ah, senhor meu, minha seja a iniqüidade!
Deixa a tua serva falar aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva.
25 Rogo-te, meu senhor, que não faças caso deste homem de Belial, a saber,
Nabal; porque tal é ele qual é o seu nome. Nabal é o seu nome, e a loucura está
com ele; mas eu, tua serva, não vi os mancebos de meu senhor, que enviaste.
26 Agora, pois, meu senhor, vive o Senhor, e vive a tua alma, porquanto o
Senhor te impediu de derramares sangue, e de te vingares com a tua própria mão,
sejam agora como Nabal os teus inimigos e os que procuram fazer o mal contra o
meu senhor.
27 Aceita agora este presente que a tua serva trouxe a meu senhor; seja ele
dado aos mancebos que seguem ao meu senhor.
28 Perdoa, pois, a transgressão da tua serva; porque certamente fará o Senhor
casa firme a meu senhor, pois meu senhor guerreia as guerras do Senhor; e não
se achará mal em ti por todos os teus dias.
29 Se alguém se levantar para te perseguir, e para buscar a tua vida, então a
vida de meu senhor será atada no feixe dos que vivem com o Senhor teu Deus;
porém a vida de teus inimigos ele arrojará ao longe, como do côncavo de uma
funda.
30 Quando o Senhor tiver feito para com o meu senhor conforme todo o bem que já
tem dito de ti, e te houver estabelecido por príncipe sobre Israel,
31 então, meu senhor, não terás no coração esta tristeza nem este remorso de
teres derramado sangue sem causa, ou de haver-se vingado o meu senhor a si
mesmo. E quando o Senhor fizer bem a meu senhor, lembra-te então da tua serva.
32 Ao que Davi disse a Abigail: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que hoje
te enviou ao meu encontro!
33 E bendito seja o teu conselho, e bendita sejas tu, que hoje me impediste de
derramar sangue, e de vingar-me pela minha própria mão!
34 Pois, na verdade, vive o Senhor Deus de Israel que me impediu de te fazer
mal, que se tu não te apressaras e não me vieras ao encontro, não teria ficado
a Nabal até a luz da manhã nem mesmo um menino.
35 Então Davi aceitou da mão dela o que lhe tinha trazido, e lhe disse: Sobe em
paz à tua casa; vê que dei ouvidos à tua voz, e aceitei a tua face.
36 Ora, quando Abigail voltou para Nabal, eis que ele fazia em sua casa um
banquete, como banquete de rei; e o coração de Nabal estava alegre, pois ele estava
muito embriagado; pelo que ela não lhe deu a entender nada daquilo, nem pouco
nem muito, até a luz da manhã.
37 Sucedeu, pois, que, pela manhã, estando Nabal já livre do vinho, sua mulher
lhe contou essas coisas; de modo que o seu coração desfaleceu, e ele ficou como
uma pedra.
38 Passados uns dez dias, o Senhor feriu a Nabal, e ele morreu.
39 Quando Davi ouviu que Nabal morrera, disse: Bendito seja o Senhor, que me
vingou da afronta que recebi de Nabal, e deteve do mal a seu servo, fazendo
cair a maldade de Nabal sobre a sua cabeça. Depois mandou Davi falar a Abigail,
para tomá-la por mulher.
40 Vindo, pois, os servos de Davi a Abigail, no Carmelo, lhe falaram, dizendo:
Davi nos mandou a ti, para te tomarmos por sua mulher.
41 Ao que ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis que
a tua serva servirá de criada para lavar os pés dos servos de meu senhor.
42 Então Abigail se apressou e, levantando-se, montou num jumento, e levando as
cinco moças que lhe assistiam, seguiu os mensageiros de Davi, que a recebeu por
mulher.
43 Davi tomou também a Ainoã de Jizreel; e ambas foram suas mulheres.
44 Pois Saul tinha dado sua filha Mical, mulher de Davi, a Palti, filho de
Laís, o qual era de Galim.
SAMUEL
[26]
1 Ora, vieram os zifeus a
Saul, a Gibeá, dizendo: Não está Davi se escondendo no outeiro de Haquila,
defronte de Jesimom?
2 Então Saul se levantou, e desceu ao deserto de Zife, levando consigo três mil
homens escolhidos de Israel, para buscar a Davi no deserto de Zife.
3 E acampou-se Saul no outeiro de Haquila, defronte de Jesimom, junto ao
caminho; porém Davi ficou no deserto, e percebendo que Saul vinha após ele ao
deserto,
4 enviou espias, e certificou-se de que Saul tinha chegado.
5 Então Davi levantou-se e foi ao lugar onde Saul se tinha acampado; viu Davi o
lugar onde se deitavam Saul e Abner, filho de Ner, chefe do seu exército. E
Saul estava deitado dentro do acampamento, e o povo estava acampado ao redor
dele.
6 Então Davi, dirigindo-se a Aimeleque, o heteu, e a Abisai, filho de Zeruia,
irmão de Joabe, perguntou: Quem descerá comigo a Saul, ao arraial? Respondeu
Abisai: Eu descerei contigo.
7 Foram, pois, Davi e Abisai de noite ao povo; e eis que Saul estava deitado,
dormindo dentro do acampamento, e a sua lança estava pregada na terra à sua
cabeceira; e Abner e o povo estavam deitados ao redor dele.
8 Então disse Abisai a Davi: Deus te entregou hoje nas mãos o teu inimigo;
deixa-me, pois, agora encravá-lo na terra, com a lança, de um só golpe; não o
ferirei segunda vez.
9 Mas Davi respondeu a Abisai: Não o mates; pois quem pode estender a mão
contra o ungido do Senhor, e ficar inocente?
10 Disse mais Davi: Como vive o Senhor, ou o Senhor o ferirá, ou chegará o seu
dia e morrerá, ou descerá para a batalha e perecerá;
11 o Senhor, porém, me guarde de que eu estenda a mão contra o ungido do
Senhor. Agora, pois, toma a lança que está à sua cabeceira, e a bilha d'água, e
vamo-nos.
12 Tomou, pois, Davi a lança e a bilha d'água da cabeceira de Saul, e eles se
foram. Ninguém houve que o visse, nem que o soubesse, nem que acordasse; porque
todos estavam dormindo, pois da parte do Senhor havia caído sobre eles um
profundo sono.
13 Então Davi, passando à outra banda, pôs-se no cume do monte, ao longe, de
maneira que havia grande distância entre eles.
14 E Davi bradou ao povo, e a Abner, filho de Ner, dizendo: Não responderás,
Abner? Então Abner respondeu e disse: Quem és tu, que bradas ao rei?
15 Ao que disse Davi a Abner: Não és tu um homem? e quem há em Israel como tu?
Por que, então, não guardaste o rei, teu senhor? porque um do povo veio para
destruir o rei, teu senhor.
16 Não é bom isso que fizeste. Vive o Senhor, que sois dignos de morte, porque
não guardastes a vosso senhor, o ungido do Senhor. Vede, pois, agora onde está
a lança do rei, e a bilha d'água que estava à sua cabeceira.
17 Saul reconheceu a voz de Davi, e disse: Não é esta a tua voz, meu filho
Davi? Respondeu Davi: E minha voz, ó rei, meu senhor.
18 Disse mais: Por que o meu senhor persegue tanto o seu servo? que fiz eu? e
que maldade se acha na minha mão?
19 Ouve pois agora, ó rei, meu senhor, as palavras de teu servo: Se é o Senhor
quem te incita contra mim, receba ele uma oferta; se, porém, são os filhos dos
homens, malditos sejam perante o Senhor, pois eles me expulsaram hoje para que
eu não tenha parte na herança do Senhor, dizendo: Vai, serve a outros deuses.
20 Agora, pois, não caia o meu sangue em terra fora da presença do Senhor; pois
saiu o rei de Israel em busca duma pulga, como quem persegue uma perdiz nos
montes.
21 Então disse Saul: Pequei; volta, meu filho Davi, pois não tornarei a
fazer-te mal, porque a minha vida foi hoje preciosa aos teus olhos. Eis que
procedi como um louco, e errei grandissimamente.
22 Davi então respondeu, e disse: Eis aqui a lança, ó rei! venha cá um os
mancebos, e leve-a.
23 O Senhor, porém, pague a cada um a sua justiça e a sua lealdade; pois o
Senhor te entregou hoje na minha mão, mas eu não quis estender a mão contra o
ungido do Senhor.
24 E assim como foi a tua vida hoje preciosa aos meus olhos, seja a minha vida
preciosa aos olhos do Senhor, e livre-me ele de toda a tribulação.
25 Então Saul disse a Davi: Bendito sejas tu, meu filho Davi, pois grandes
coisas farás e também certamente prevalecerás. Então Davi se foi o seu caminho
e Saul voltou para o seu lugar.
SAMUEL
[27]
1 Disse, porém, Davi no seu
coração: Ora, perecerei ainda algum dia pela mão de Saul; não há coisa melhor
para mim do que escapar para a terra dos filisteus, para que Saul perca a
esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; assim
escaparei da sua mão.
2 Então Davi se levantou e passou, com os seiscentos homens que com ele
estavam, para Áquis, filho de Maoque, rei de Gate.
3 E Davi ficou com Áquis em Gate, ele e os seus homens, cada um com a sua família,
e Davi com as suas duas mulheres, Ainoã, a jizreelita, e Abigail, que fora
mulher de Nabal, o carmelita.
4 Ora, sendo Saul avisado de que Davi tinha fugido para Gate, não cuidou mais
de buscá-lo.
5 Disse Davi a Áquis: Se eu tenho achado graça aos teus olhos, que se me dê
lugar numa das cidades do país, para que eu ali habite; pois, por que haveria o
teu servo de habitar contigo na cidade real?
6 Então lhe deu Áquis naquele dia a cidade de Ziclague; pelo que Ziclague
pertence aos reis de Judá, até o dia de hoje.
7 E o número dos dias que Davi habitou na terra dos filisteus foi de um ano e
quatro meses.
8 Ora, Davi e os seus homens subiam e davam sobre os gesuritas, e os girzitas,
e os amalequitas; pois, desde tempos remotos, eram estes os moradores da terra
que se estende na direção de Sur até a terra do Egito.
9 E Davi feria aquela terra, não deixando com vida nem homem nem mulher; e,
tomando ovelhas, bois, jumentos, camelos e vestuários, voltava, e vinha a
Áquis.
10 E quando Áquis perguntava: Sobre que parte fizestes incursão hoje? Davi
respondia: Sobre o Negebe de Judá; ou: Sobre o Negebe dos jerameelitas; ou:
Sobre o Negebe dos queneus.
11 E Davi não deixava com vida nem homem nem mulher para trazê-los a Gate, pois
dizia: Para que porventura não nos denunciem, dizendo: Assim fez Davi. E este
era o seu costume por todos os dias que habitou na terra dos filisteus.
12 Áquis, pois, confiava em Davi, dizendo: Fez-se ele por certo aborrecível
para com o seu povo em Israel; pelo que me será por servo para sempre.
SAMUEL
[28]
1 Naqueles dias ajuntaram os
filisteus os seus exércitos para a guerra, para pelejarem contra Israel. Disse
Áquis a Davi: Sabe de certo que sairás comigo ao arraial, tu e os teus homens.
2 Respondeu Davi a Áquis: Assim saberás o que o teu servo há de fazer. E disse
Áquis a Davi: Por isso te farei para sempre guarda da minha pessoa.
3 Ora, Samuel já havia morrido, e todo o Israel o tinha chorado, e o tinha
sepultado e em Ramá, que era a sua cidade. E Saul tinha desterrado es
necromantes e os adivinhos.
4 Ajuntando-se, pois, os filisteus, vieram acampar-se em Suném; Saul ajuntou
também todo o Israel, e se acamparam em Gilboa.
5 Vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu e estremeceu muito o seu coração.
6 Pelo que consultou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por
sonhos, nem por Urim, nem por profetas.
7 Então disse Saul aos seus servos: Buscai-me uma necromante, para que eu vá a
ela e a consulte. Disseram-lhe os seus servos: Eis que em En-Dor há uma mulher
que é necromante.
8 Então Saul se disfarçou, vestindo outros trajes; e foi ele com dois homens, e
chegaram de noite à casa da mulher. Disse-lhe Saul: Peço-te que me adivinhes
pela necromancia, e me faças subir aquele que eu te disser.
9 A mulher lhe respondeu: Tu bem sabes o que Saul fez, como exterminou da terra
os necromantes e os adivinhos; por que, então, me armas um laço à minha vida,
para me fazeres morrer?
10 Saul, porém, lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Como vive o Senhor, nenhum
castigo te sobrevirá por isso.
11 A mulher então lhe perguntou: Quem te farei subir? Respondeu ele: Faze-me
subir Samuel.
12 Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou em alta voz, e falou a Saul, dizendo:
Por que me enganaste? pois tu mesmo és Saul.
13 Ao que o rei lhe disse: Não temas; que é que vês? Então a mulher respondeu a
Saul: Vejo um deus que vem subindo de dentro da terra.
14 Perguntou-lhe ele: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um ancião,
e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o
rosto em terra, e lhe fez reverência.
15 Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então disse
Saul: Estou muito angustiado, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus
se tem desviado de mim, e já não me responde, nem por intermédio dos profetas
nem por sonhos; por isso te chamei, para que me faças saber o que hei de fazer.
16 Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim, visto que o Senhor se
tem desviado de ti, e se tem feito teu inimigo?
17 O Senhor te fez como por meu intermédio te disse; pois o Senhor rasgou o
reino da tua mão, e o deu ao teu próximo, a Davi.
18 Porquanto não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste e furor da sua
ira contra Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto.
19 E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus. Amanhã tu
e teus filhos estareis comigo, e o Senhor entregará o arraial de Israel na mão
dos filisteus.
20 Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa
das palavras de Samuel; e não houve força nele, porque nada havia comido todo
aquele dia e toda aquela noite.
21 Então a mulher se aproximou de Saul e, vendo que estava tão perturbado,
disse-lhe: Eis que a tua serva deu ouvidos à tua voz; pus a minha vida na minha
mão, dando ouvidos às palavras que disseste.
22 Agora, pois, ouve também tu as palavras da tua serva, e permite que eu ponha
um bocado de pão diante de ti; come, para que tenhas forças quando te puseres a
caminho.
23 Ele, porém, recusou, dizendo: Não comerei. Mas os seus servos e a mulher o
constrangeram, e ele deu ouvidos à sua voz; e levantando-se do chão, sentou-se
na cama.
24 Ora, a mulher tinha em casa um bezerro cevado; apressou-se, pois, e o
degolou; tambem tomou farinha, e a amassou, e a cozeu em bolos ázimos.
25 Então pôs tudo diante de Saul e de seus servos; e eles comeram. Depois
levantaram-se e partiram naquela mesma noite.
SAMUEL
[29]
1 Os filisteus ajuntaram
todos os seus exércitos em Afeque; e acamparam-se os israelitas junto à fonte
que está em Jizreel.
2 Então os chefes dos filisteus se adiantaram com centenas e com milhares; e
Davi e os seus homens iam com Áquis na retaguarda.
3 Perguntaram os chefes dos filisteus: que fazem aqui estes hebreus? Respondeu
Áquis aos chefes dos filisteus: Não é este Davi, o servo de Saul, rei de
Israel, que tem estado comigo alguns dias ou anos? e nenhuma culpa tenho achado
nele desde o dia em que se revoltou, até o dia de hoje.
4 Mas os chefes dos filisteus muito se indignaram contra ele, e disseram a
Áquis: Faze voltar este homem para que torne ao lugar em que o puseste; não
desça ele conosco à batalha, a fim de que não se torne nosso adversário no
combate; pois, como se tornaria este agradável a seu senhor? porventura não
seria com as cabeças destes homens?
5 Este não é aquele Davi, a respeito de quem cantavam nas danças: Saul feriu os
seus milhares, mas Davi os seus dez milhares?
6 Então Áquis chamou a Davi e disse-lhe: Como vive o Senhor, tu és reto, e a
sua entrada e saída comigo no arraial é boa aos meus olhos, pois nenhum mal
tenho achado em ti, desde o dia em que vieste ter comigo, até o dia de hoje;
porém aos chefes não agradas.
7 Volta, pois, agora, e vai em paz, para não desagradares os chefes dos
filisteus.
8 Ao que Davi disse a Áquis: Por quê? que fiz eu? ou, que achaste no teu servo,
desde o dia em que vim ter contigo, até o dia de hoje, para que eu não vá
pelejar contra es inimigos do rei meu senhor?
9 Respondeu, porém, Áquis e disse a Davi: Bem o sei; e, na verdade, aos meus
olhos és bom como um anjo de Deus; contudo os chefes dos filisteus disseram:
Este não há de subir conosco à batalha.
10 Levanta-te, pois, amanhã de madrugada, tu e os servos de teu senhor que
vieram contigo; e, tendo vos levantado de madrugada, parti logo que haja luz.
11 Madrugaram, pois, Davi e os seus homens, a fim de partirem, pela manhã, e
voltarem à terra dos filisteus; e os filisteus subiram a Jizreel.
SAMUEL
[30]
1 Sucedeu, pois, que,
chegando Davi e os seus homens ao terceiro dia a Ziclague, os amalequitas
tinham feito uma incursão sobre o Negebe, e sobre Ziclague, e tinham ferido a
Ziclague e a tinham queimado a fogo;
2 e tinham levado cativas as mulheres, e todos os que estavam nela, tanto
pequenos como grandes; a ninguém, porém, mataram, tão-somente os levaram
consigo, e foram o seu caminho.
3 Quando Davi e os seus homens chegaram à cidade, eis que estava queimada a
fogo, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas tinham sido levados cativos.
4 Então Davi e o povo que se achava com ele alçaram a sua voz, e choraram, até
que não ouve neles mais forças para chorar.
5 Também as duas mulheres de Davi foram levadas cativas: Ainoã, a jizreelita, e
Abigail, que fora mulher de Nabal, o carmelita.
6 Também Davi se angustiou; pois o povo falava em apedrejá-lo, porquanto a alma
de todo o povo estava amargurada por causa de seus filhos e de suas filhas. Mas
Davi se fortaleceu no Senhor seu Deus.
7 Disse Davi a Abiatar, o sacerdote, filho de Aimeleque: Traze-me aqui o éfode.
E Abiatar trouxe o éfode a Davi.
8 Então consultou Davi ao Senhor, dizendo: Perseguirei eu a esta tropa?
alcançá-la-ei? Respondeu-lhe o Senhor: Persegue-a; porque de certo a alcançarás
e tudo recobrarás.
9 Ao que partiu Davi, ele e os seiscentos homens que com ele se achavam, e
chegaram ao ribeiro de Besor, onde pararam os que tinham ficado para trás.
10 Mas Davi ainda os perseguia, com quatrocentos homens, enquanto que duzentos
ficaram atrás, por não poderem, de cansados que estavam, passar o ribeiro de
Besor.
11 Ora, acharam no campo um egípcio, e o trouxeram a Davi; deram-lhe pão a
comer, e água a beber;
12 deram-lhe também um pedaço de massa de figos secos e dois cachos de passas.
Tendo ele comido, voltou-lhe o ânimo; pois havia três dias e três noites que
não tinha comido pão nem bebido água.
13 Então Davi lhe perguntou: De quem és tu, e donde vens? Respondeu ele: Sou um
moço egípcio, servo dum amalequita; e o meu senhor me abandonou, porque adoeci
há três dias.
14 Nós fizemos uma incursão sobre o Negebe dos queretitas, sobre o de Judá e
sobre o de Calebe, e pusemos fogo a Ziclague.
15 Perguntou-lhe Davi: Poderias descer e guiar-me a essa tropa? Respondeu ele:
Jura-me tu por Deus que não me matarás, nem me entregarás na mão de meu senhor,
e eu descerei e te guiarei a essa tropa.
16 Desceu, pois, e o guiou; e eis que eles estavam espalhados sobre a face de
toda a terra, comendo, bebendo e dançando, por causa de todo aquele grande
despojo que haviam tomado da terra dos filisteus e a terra de Judá.
17 Então Davi os feriu, desde o crepúsculo até a tarde do dia seguinte, e
nenhum deles escapou, senão só quatrocentos mancebos que, montados sobre
camelos, fugiram.
18 Assim recobrou Davi tudo quanto os amalequitas haviam tomado; também
libertou as suas duas mulheres.
19 De modo que não lhes faltou coisa alguma, nem pequena nem grande, nem filhos
nem filhas, nem qualquer coisa de tudo quanto os amalequitas lhes haviam
tomado; tudo Davi tornou a trazer.
20 Davi lhes tomou também todos os seus rebanhos e manadas; e o povo os levava
adiante do outro gado, e dizia: Este é o despojo de Davi.
21 Quando Davi chegou aos duzentos homens que, de cansados que estavam, não
tinham podido segui-los, e que foram obrigados a ficar ao pé do ribeiro de
Besor, estes saíram ao encontro de Davi e do povo que com ele vinha; e Davi,
aproximando-se deles, os saudou em paz.
22 Então todos os malvados e perversos, dentre os homens que tinham ido com
Davi, disseram: Visto que não foram conosco, nada lhes daremos do despojo que
recobramos, senão a cada um sua mulher e seus filhos, para que os levem e se
retirem.
23 Mas Davi disse: Não fareis assim, irmãos meus, com o que nos deu o Senhor,
que nos guardou e entregou nas nossas mãos a tropa que vinha contra nós.
24 E quem vos daria ouvidos nisso? pois qual é a parte dos que desceram à
batalha, tal será também a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão
partes.
25 E assim foi daquele dia em diante, ficando estabelecido por estatuto e
direito em Israel até o dia de hoje.
26 Quando Davi chegou a Ziclague, enviou do despojo presente aos anciãos de
Judá, seus amigos, dizendo: Eis aí para vós um presente do despojo dos inimigos
do Senhor;
27 aos de Betel, aos de Ramote do Sul, e aos de Jatir;
28 aos de Aroer, aos de Sifmote, e aos de Estemoa;
29 aos de Racal, aos das cidades dos jerameelitas, e aos das cidades dos
queneus;
30 aos de Horma, aos de Corasã, e aos de Atace;
31 e aos de Hebrom, e aos de todos os lugares que Davi e os seus homens
costumavam freqüentar.
SAMUEL
[31]
1 Ora, os filisteus pelejaram
contra Israel; e os homens de Israel fugiram de diante dos filisteus, e caíram
mortos no monte Gilboa.
2 E os filisteus apertaram com Saul e seus filhos, e mataram a Jônatas, a
Abinadabe e e a Malquisua, filhos de Saul.
3 A peleja se agravou contra Saul, e os flecheiros o alcançaram, e o feriram
gravemente.
4 Pelo que disse Saul ae seu escudeiro: Arranca a tua espada, e atravessa-me
com ela, para que porventura não venham esses incircuncisos, e me atravessem e
escarneçam de mim. Mas o seu escudeiro não quis, porque temia muito. Então Saul
tomou a espada, e se lançou sobre ela.
5 Vendo, pois, e seu escudeiro que Saul já era morto, também ele se lançou
sobre a sua espada, e morreu com ele.
6 Assim morreram juntamente naquele dia Saul, seus três filhos, e seu
escudeiro, e todos os seus homens.
7 Quando os israelitas que estavam no outro lado do vale e os que estavam além
de Jordão viram que os homens de Israel tinham fugido, e que Saul e seus filhos
estavam mortos, abandonaram as suas cidades e fugiram; e vieram os filisteus e
habitaram nelas.
8 No dia seguinte, quando os filisteus vieram para despojar os mortos, acharam
Saul e seus três filhos estirados no monte Gilboa.
9 Então cortaram a cabeça a Saul e o despejaram das suas armas; e enviaram pela
terra dos filisteus, em redor, a anunciá-lo no templo dos seus ídolos e entre e
povo,
10 Puseram as armas de Saul no templo de Astarote; e penduraram o seu corpo no
muro de Bete-Sã.
11 Quando os moradores de Jabes-Gileade ouviram isso a respeito de Saul, isto
é, o que os filisteus lhe tinham feito,
12 todos os homens valorosos se levantaram e, caminhando a noite toda, tiraram
e corpo de Saul e os corpos de seus filhos do muro de Bete-Sã; e voltando a
Jabes, ali os queimaram.
13 Depois tomaram os seus ossos, e os sepultaram debaixo da tamargueira, em
Jabes, e jejuaram sete dias.
[1]
1 Depois da morte de Saul,
tendo Davi voltado da derrota dos amalequitas e estando há dois dias em
Ziclague,
2 ao terceiro dia veio um homem do arraial de Saul, com as vestes rasgadas e a
cabeça coberta de terra; e, chegando ele a Davi, prostrou-se em terra e lhe fez
reverência.
3 Perguntou-lhe Davi: Donde vens? Ele lhe respondeu: Escapei do arraial de
Israel.
4 Davi ainda lhe indagou: Como foi lá isso? Dize-mo. Ao que ele lhe respondeu:
O povo fugiu da batalha, e muitos do povo caíram, e morreram; também Saul e
Jônatas, seu filho, foram mortos.
5 Perguntou Davi ao mancebo que lhe trazia as novas: Como sabes que Saul e
Jônatas, seu filho, são mortos?
6 Então disse o mancebo que lhe dava a notícia: Achava-me por acaso no monte
Gilbea, e eis que Saul se encostava sobre a sua lança; os carros e os
cavaleiros apertavam com ele.
7 Nisso, olhando ele para trás, viu-me e me chamou; e eu disse: Eis-me aqui.
8 Ao que ele me perguntou: Quem és tu? E eu lhe respondi: Sou amalequita.
9 Então ele me disse: Chega-te a mim, e mata-me, porque uma vertigem se
apoderou de mim, e toda a minha vida está ainda em mim.
10 Cheguei-me, pois, a ele, e o matei, porque bem sabia eu que ele não viveria
depois de ter caído; e tomei a coroa que ele tinha na cabeça, e o bracelete que
trazia no braço, e os trouxe aqui a meu senhor.
11 Então pegou Davi nas suas vestes e as rasgou; e assim fizeram também todos
os homens que estavam com ele;
12 e prantearam, e choraram, e jejuaram até a tarde por Saul, e por Jônatas,
seu filho, e pelo povo do Senhor, e pela casa de Israel, porque tinham caída à
espada.
13 Perguntou então Davi ao mancebo que lhe trouxera a nova: Donde és tu?
Respondeu ele: Sou filho de um peregrino amalequita.
14 Davi ainda lhe perguntou: Como não temeste estender a mão para matares o
ungido do Senhor?
15 Então Davi, chamando um dos mancebos, disse-lhe: chega-te, e lança-te sobre
ele. E o mancebo o feriu, de sorte que morreu.
16 Pois Davi lhe dissera: O teu sangue seja sobre a tua cabeça, porque a tua
própria boca testificou contra ti, dizendo: Eu matei o ungido do Senhor.
17 Lamentou Davi a Saul e a Jônatas, seu filho, com esta lamentação,
18 mandando que fosse ensinada aos filhos de Judá; eis que está escrita no
livro de Jasar:
19 Tua glória, ó Israel, foi morta sobre os teus altos! Como caíram os
valorosos!
20 Não o noticieis em Gate, nem o publiqueis nas ruas de Asquelom; para que não
se alegrem as filhas dos filisteus, para que não exultem as filhas dos
incircuncisos.
21 Vós, montes de Gilboa, nem orvalho, nem chuva caia sobre, vós, ó campos de
morte; pois ali desprezivelmente foi arrojado o escudo dos valorosos, o escudo
de Saul, ungido com óleo.
22 Do sangue dos feridos, da gordura dos valorosos, nunca recuou o arco de
Jônatas, nem voltou vazia a espada de Saul.
23 Saul e Jônatas, tão queridos e amáveis na sua vida, também na sua morte não
se separaram; eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões.
24 Vós, filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia deliciosamente de
escarlata, que vos punha sobre os vestidos adornos de ouro.
25 Como caíram os valorosos no meio da peleja!
26 Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; muito querido me eras!
Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.
27 Como caíram os valorosos, e pereceram as armas de guerra!
II
SAMUEL
[2]
1 Sucedeu depois disto que
Davi consultou ao Senhor, dizendo: Subirei a alguma das cidades de Judá?
Respondeu-lhe o Senhor: Sobe. Ainda perguntou Davi: Para onde subirei?
Respondeu o Senhor: Para Hebrom.
2 Subiu, pois, Davi para lá, e também as suas duas mulheres, Ainoã, a
jizreelita, e Abigail, que fora mulher de Nabal, e carmelita.
3 Davi fez subir também os homens que estavam com ele, cada um com sua família;
e habitaram nas cidades de Hebrom.
4 Então vieram os homens de Judá, e ali ungiram Davi rei sobre a casa de Judá.
Depois informaram a Davi, dizendo: Foram os homens de Jabes-Gileade que
sepultaram a Saul.
5 Pelo que Davi enviou mensageiros aos homens de Jabes-Gileade, a dizer-lhes:
Benditos do Senhor sejais vós, que fizestes tal benevolência, sepultando a
Saul, vosso senhor!
6 Agora, pois, o Senhor use convosco de benevolência e fidelidade; e eu também
vos retribuirei esse bem que fizestes.
7 Esforcem-se, pois, agora as vossas mãos, e sede homens valorosos; porque
Saul, vosso senhor, é morto, e a casa de Judá me ungiu por seu rei.
8 Ora, Abner, filho de Ner, chefe do exército de Saul, tomou a Isbosete, filho
de Saul, e o fez passar a Maanaim,
9 e o constituiu rei sobre Gileade, sobre os asuritas, sobre Jizreel, sobre
Efraim, sobre Benjamim e sobre todo o Israel.
10 Quarenta anos tinha Isbosete, filho de Saul, quando começou a reinar sobre
Israel, e reinou dois anos, A casa de Judá, porém, seguia a Davi.
11 E foi o tempo que Davi reinou em Hebrom, sobre a casa de Judá, sete anos e
seis meses.
12 Depois Abner, filho de Ner, com os servos de Isbosete, filho de Saul, saiu
de Maanaim para Gibeão.
13 Saíram também Joabe, filho de Zeruia, e os servos de Davi, e se encontraram
com eles perto do tanque de Gibeão; e pararam uns de um lado do tanque, e os
outros do outro lado.
14 Então disse Abner a Joabe: Levantem-se os mancebos, e se batam diante de
nós. Respondeu Joabe: Levantem-se.
15 Levantaram-se, pois, e passaram, em número de doze por Benjamim e por
Isbosete, filho de Saul, e doze dos servos de Davi.
16 E cada um lançou mão da cabeça de seu contendor, e meteu-lhe a espada pela
ilharga; assim caíram juntos; pelo que se chamou àquele lugar, que está junto a
Gibeão, Helcate-Hazurim.
17 Seguiu-se naquele dia uma crua peleja; e Abner e os homens de Israel foram
derrotados diante dos servos de Davi.
18 Ora, estavam ali os três filhos de Zeruia: Joabe, Abisai, e Asael; e Asael
era ligeiro de pés, como as gazelas do campo.
19 Perseguiu, pois, Asael a Abner, seguindo-o sem se desviar nem para a direita
nem para a esquerda.
20 Nisso Abner, olhando para trás, perguntou: És tu Asael? Respondeu ele: Sou
eu.
21 Ao que lhe disse Abner: Desvia-te para a direita, ou para a esquerda, e
lança mão de um dos mancebos, e toma os seus despojos. Asael, porém , não quis
desviar-se de seguí-lo.
22 Então Abner tornou a dizer a Asael: Desvia-te de detráz de mim; porque hei
de ferir-te e dar contigo em terra? e como levantaria eu o meu rosto diante de
Joabe, teu irmão?
23 Todavia ele recusou desviar-se; pelo que Abner o feriu com o conto da lança
pelo ventre, de modo que a lança lhe saiu por detrás; e ele caiu ali, e morreu
naquele mesmo lugar. E sucedeu que, todos os que chegavam ao lugar onde Asael
caíra morto, paravam.
24 Mas Joabe e Abisai perseguiram a Abner; e pôs-se o sol ao chegarem eles ao
outeiro de Amá, que está diante de Giá, junto ao caminho do deserto de Gibeão.
25 E os filhos de Benjamim se ajuntaram atrás de Abner e, formando-se num
batalhão, puseram-se no cume dum outeiro.
26 Então Abner gritou a Joabe, e disse: Devorará a espada para sempre? não
sabes que por fim haverá amargura? até quando te demorarás em ordenar ao povo
que deixe de perseguir a seus irmãos?
27 Respondeu Joabe: Vive Deus, que, se não tivesses falado, só amanhã cedo
teria o povo cessado, cada um, de perseguir a seu irmao.
28 Então Joabe tocou a buzina, e todo o povo parou; e não perseguiram mais a
Israel, e tampouco pelejaram mais.
29 E caminharam Abner e os seus homens toda aquela noite pela Arabá; e,
passando o Jordão, caminharam por todo o Bitrom, e vieram a Maanaim.
30 Voltou, pois, Joabe de seguir a Abner; e quando ajuntou todo o povo,
faltavam dos servos de Davi dezenove homens, e Asael.
31 Mas os servos de Davi tinham ferido dentre os de Benjamim, e dentre os
homens de Abner, a trezentos e sessenta homens, de tal maneira que morreram.
32 E levantaram a Asael, e o sepultaram no sepulcro de seu pai, que estava em
Belém. E Joabe e seus homens caminharam toda aquela noite, e amanheceu-lhes o
dia em Hebrom.
II
SAMUEL
[3]
1 Ora, houve uma longa guerra
entre a casa de Saul e a casa de Davi; porém Davi se fortalecia cada vez mais,
enquanto a casa de Saul cada vez mais se enfraquecia.
2 Nasceram filhos a Davi em Hebrom. Seu primogênito foi Amnom, de Ainoã, a
jizreelita;
3 o segundo Quileabe, de Abigail, que fôra mulher de Nabal, o carmelita; o
terceiro Absalão, filho de Maacá, filha de Talmai, rei de Gesur;
4 o quarto Adonias, filho de Hagite, o quinto Sefatias, filho de Abital;
5 e o sexto Itreão, de Eglá, também mulher de Davi; estes nasceram a Davi em
Hebrom.
6 Enquanto havia guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi, Abner ia se
tornando poderoso na casa de Saul:
7 Ora, Saul tivera uma concubina, cujo nome era Rizpa, filha de Aías.
Perguntou, pois, Isbosete a Abner: Por que entraste à concubina de meu pai?
8 Então Abner, irando-se muito pelas palavras de Isbosete, disse: Sou eu cabeça
de cão, que pertença a Judá? Ainda hoje uso de benevolência para com a casa de
Saul, teu pai, e para com seus irmãos e seus amigos, e não te entreguei nas
mãos de Davi; contudo tu hoje queres culpar-me no tocante a essa mulher.
9 Assim faça Deus a Abner, e outro tanto, se, como o Senhor jurou a Davi, assim
eu não lhe fizer,
10 transferindo o reino da casa de Saul, e estabelecendo o trono de Davi sobre
Israel, e sobre Judá, desde Dã até Berseba.
11 E Isbosete não pôde responder a Abner mais uma palavra, porque o temia.
12 Então enviou Abner da sua parte mensageiros a Davi, dizendo: De quem é a
terra? Comigo faze a tua aliança, e eis que a minha mão será contigo, para
fazer tornar a ti todo o Israel.
13 Respondeu Davi: Está bem; farei aliança contigo; mas uma coisa te exijo; não
verás a minha face, se primeiro não me trouxeres Mical, filha de Saul, quando
vieres ver a minha face.
14 Também enviou Davi mensageiros a Isbosete, filho de Saul, dizendo:
Entrega-me minha mulher Mical, que eu desposei por cem prepúcios de filisteus.
15 Enviou, pois, Isbosete, e a tirou a seu marido, a Paltiel, filho de Laís,
16 que a seguia, chorando atrás dela até Baurim. Então lhe disse Abner: Vai-te;
volta! E ele voltou.
17 Falou Abner com os anciãos de Israel, dizendo: De há muito procurais fazer
com que Davi reine sobre vós;
18 fazei-o, pois, agora, porque o Senhor falou de Davi, dizendo: Pela mão do
meu servo Davi livrarei o meu povo da mão dos filisteus e da mão de todos os
seus inimigos.
19 Do mesmo modo falou Abner a Benjamim, e foi também dizer a Davi, em Hebrom,
tudo o que Israel e toda a casa de Benjamim tinham resolvido.
20 Abner foi ter com Davi, em Hebrom, com vinte homens; e Davi fez um banquete
a Abner e aos homens que com ele estavam.
21 Então disse Abner a Davi: Eu me levantarei, e irei ajuntar ao rei meu senhor
todo o Israel, para que faça aliança contigo; e tu reinarás sobre tudo o que
desejar a sua alma: Assim despediu Davi a Abner, e ele se foi em paz.
22 Eis que os servos de Davi e Joabe voltaram de uma sortida, e traziam consigo
grande despojo; mas Abner já não estava com Davi em Hebrom, porque este o tinha
despedido, e ele se fora em paz.
23 Quando, pois, chegaram Joabe e todo o exército que vinha com ele,
disseram-lhe: Abner, filho de Ner, veio ter com o rei; e o rei o despediu, e
ele se foi em paz.
24 Então Joabe foi ao rei, e disse: Que fizeste? Eis que Abner veio ter
contigo; por que, pois, o despediste, de maneira que se fosse assim livremente?
25 Bem conheces a Abner, filho de Ner; ele te veio enganar, e saber a tua saída
e a tua entrada, e conhecer tudo quanto fazes.
26 E Joabe, retirando-se de Davi, enviou mensageiros atrás de Abner, que o
fizeram voltar do poço de Sira, sem que Davi o soubesse.
27 Quando Abner voltou a Hebrom, Joabe o tomou à parte, à entrada da porta,
para lhe falar em segredo; e ali, por causa do sangue de Asael, seu irmão, o
feriu no ventre, de modo que ele morreu.
28 Depois Davi, quando o soube, disse: Inocente para sempre sou eu, e o meu
reino, para com o Senhor, no tocante ao sangue de Abner, filho de Ner.
29 Caia ele sobre a cabeça de Joabe e sobre toda a casa de seu pai, e nunca
falte na casa de Joabe quem tenha fluxo, ou quem seja leproso, ou quem se
atenha a bordão, ou quem caia à espada, ou quem necessite de pão.
30 Joabe, pois, e Abisai, seu irmão, mataram Abner, por ter ele morto a Asael,
irmão deles, na peleja em Gibeão.
31 Disse Davi a Joabe e a todo o povo que com ele estava: Rasgai as vossas
vestes, cingi-vos de sacos e ide pranteando diante de Abner. E o rei Davi ia
seguindo o féretro.
32 Sepultaram Abner em Hebrom; e o rei, levantando a sua voz, chorou junto da
sepultura de Abner; chorou também todo o povo.
33 Pranteou o rei a Abner, dizendo: Devia Abner, porventura, morrer como morre
o vilão?
34 As tuas mãos não estavam atadas, nem os teus pés carregados de grilhões; mas
caíste como quem cai diante dos filhos da iniqüidade. Então todo o povo tornou
a chorar por ele.
35 Depois todo o povo veio fazer com que Davi comesse pão, sendo ainda dia;
porém Davi jurou, dizendo: Assim Deus me faça e outro tanto, se, antes que o
sol se ponha, eu provar pão ou qualquer outra coisa.
36 Todo o povo notou isso, e pareceu-lhe bem; assim como tudo quanto o rei fez
pareceu bem a todo o povo.
37 Assim todo o povo e todo o Israel entenderam naquele mesmo dia que não fora
a vontade do rei que matassem a Abner, filho de Ner.
38 Então disse o rei aos seus servos: Não sabeis que hoje caiu em Israel um príncipe,
um grande homem?
39 E quanto a mim, hoje estou fraco, embora ungido rei; estes homens, filhos de
Zeruia, são duros demais para mim. Retribua o Senhor ao malfeitor conforme a
sua maldade.
II
SAMUEL
[4]
1 Quando Isbosete, filho de
Saul, soube que Abner morrera em Hebrom, esvaíram-se-lhe as forças, e todo o
Israel ficou perturbado.
2 Tinha Isbosete, filho de Saul, dois homens chefes de guerrilheiros; um deles
se chamava Baaná, e o outro Recabe, filhos de Rimom, o beerotita, dos filhos de
Benjamim (porque também Beerote era contado de Benjamim,
3 tendo os beerotitas fugido para Jitaim, onde têm peregrinado até o dia de
hoje).
4 Ora, Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado dos pés. Este era da
idade de cinco anos quando chegaram de Jizreel as novas a respeito de Saul e
Jônatas; pelo que sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a
fugir, ele caiu, e ficou coxo. O seu nome era Mefibosete.
5 Foram os filhos de Rimom, o beerotita, Recabe e Baanã, no maior calor de dia,
e entraram em casa de Isbosete, estando ele deitado a dormir a sesta.
6 Entraram ali até o meio da casa, como que vindo apanhar trigo, e o feriram no
ventre; e Recabe e Baaná, seu irmão, escaparam.
7 Porque entraram na sua casa, estando ele deitado na cama, no seu quarto de
dormir, e o feriram e mataram, e cortando-lhe a cabeça, tomaram-na e andaram a
noite toda pelo caminho da Arabá.
8 Assim trouxeram a cabeça de Isbosete a Davi em Hebrom, e disseram ao rei: Eis
aqui a cabeça de Isbosete, filho de Saul, teu inimigo, que procurava a tua
morte; assim o Senhor vingou hoje ao rei meu Senhor, de Saul e da sua
descendência.
9 Mas Davi, respondendo a Recabe e a Baaná, seu irmão, filhos de Rimom, e
beerotita, disse-lhes: Vive o Senhor, que remiu a minha alma de toda a
angústia!
10 Se àquele que me trouxe novas, dizendo: Eis que Saul é morto, cuidando que
trazia boas novas, eu logo lancei mão dele, e o matei em Ziclague, sendo essa a
recompensa que lhe dei pelas novas,
11 quanto mais quando homens cruéis mataram um homem justo em sua casa, sobre a
sua cama, não requererei eu e seu sangue de vossas mãos, e não vos exterminarei
da terra?
12 E Davi deu ordem aos seus mancebos; e eles os mataram e, cortando-lhes as
mãos e os pés, os penduraram junto ao tanque em Hebrom. Tomaram, porém, a
cabeça de Isbosete, e a sepultaram na sepultura de Abner, em Hebrom.
II
SAMUEL
[5]
1 Então todas as tribos de
Israel vieram a Davi em Hebrom e disseram: Eis-nos aqui, teus ossos e tua
carne!
2 Além disso, outrora, quando Saul ainda reinava sobre nós, eras tu o que saías
e entravas com Israel; e também o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo
de Israel, e tu serás chefe sobre Israel.
3 Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ter com o rei em Hebrom; e o
rei Davi fez aliança com eles em Hebrom, perante o Senhor; e ungiram a Davi rei
sobre Israel.
4 Trinta anos tinha Davi quando começou a reinar, e reinou quarenta anos.
5 Em Hebrom reinou sete anos e seis meses sobre Judá, e em Jerusalém reinou
trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.
6 Depois partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus,
que habitavam naquela terra, os quais disseram a Davi: Não entrarás aqui; os
cegos e es coxos te repelirão; querendo dizer: Davi de maneira alguma entrará
aqui.
7 Todavia Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a cidade de Davi.
8 Ora, Davi disse naquele dia: Todo o que ferir os jebuseus, suba ao canal, e
fira a esses coxos e cegos, a quem a alma de Davi aborrece. Por isso se diz:
Nem cego nem, coxo entrara na casa.
9 Assim habitou Davi na fortaleza, e chamou-a cidade de Davi; e foi levantando
edifícios em redor, desde Milo para dentro.
10 Davi ia-se engrandecendo cada vez mais, porque o Senhor Deus dos exércitos
era com ele.
11 Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e
carpinteiros e pedreiros, que edificaram para Davi uma casa.
12 Entendeu, pois, Davi que o Senhor o confirmara rei sobre Israel, e que
exaltara e reino dele por amar do seu povo Israel.
13 Davi tomou ainda para si concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que
viera de Hebrom; e nasceram a Davi mais filhos e filhas.
14 São estes os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã,
Salomão,
15 Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia,
16 Elisama, e Eliadá e Elifelete.
17 Quando os filisteus ouviram que Davi fora ungido rei sobre Israel, subiram
todos em busca dele. Ouvindo isto, Davi desceu à fortaleza.
18 Os filisteus vieram, e se estenderam pelo vale de Refaim.
19 Pelo que Davi consultou ao Senhor, dizendo: Subirei contra os filisteus?
entregar-mos-ás nas mãos? Respondeu o Senhor a Davi: Sobe, pois eu entregarei
os filisteus nas tuas mãos.
20 Então foi Davi a Baal-Perazim, e ali os derrotou; e disse: O Senhor rompeu
os meus inimigos diante de mim, como as águas rompem barreiras. Por isso chamou
o nome daquele lugar Baal-Perazim.
21 Os filisteus deixaram lá os seus ídolos, e Davi e os seus homens os levaram.
22 Tornaram ainda os filisteus a subir, e se espalharam pelo vale de Refaim.
23 E Davi consultou ao Senhor, que respondeu: Não subirás; mas rodeia-os por
detrás, e virás sobre eles por defronte dos balsameiros.
24 E há de ser que, ouvindo tu o ruído de marcha pelas copas dos balsameiros,
então te apressarás, porque é o Senhor que sai diante de ti, a ferir o arraial
dos filisteus.
25 Fez, pois, Davi como o Senhor lhe havia ordenado; e feriu os filisteus desde
Geba, até chegar a Gezer.
II
SAMUEL
[6]
1 Tornou Davi a ajuntar todos
os escolhidos de Israel, em número de trinta mil.
2 Depois levantou-se Davi, e partiu para Baal-Judá com todo o povo que tinha
consigo, para trazerem dali para cima a arca de Deus, a qual é chamada pelo
Nome, o nome do Senhor dos exércitos, que se assenta sobre os querubins.
3 Puseram a arca de Deus em um carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe,
que estava sobre o outeiro; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro
novo.
4 Foram, pois, levando-o da casa de Abinadabe, que estava sobre o outeiro, com
a arca de Deus; e Aiô ia adiante da arca.
5 E Davi, e toda a casa de Israel, tocavam perante o Senhor, com toda sorte de instrumentos
de pau de faia, como também com harpas, saltérios, tamboris, pandeiros e
címbalos.
6 Quando chegaram à eira de Nacom, Uzá estendeu a mão à arca de Deus, e pegou
nela, porque os bois tropeçaram.
7 Então a ira do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali; e Uzá morreu
ali junto à arca de Deus.
8 E Davi se contristou, porque o Senhor abrira rotura em Uzá; e passou-se a
chamar àquele lugar, Pérez-Uzá, até o dia de hoje.
9 Davi, pois, teve medo do Senhor naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca
do Senhor?
10 E não quis levar a arca do Senhor para a cidade de Davi; mas fê-la entrar na
casa de Obede-Edom, o gitita.
11 E ficou a arca do Senhor três meses na casa de Obede-Edom, o gitita, e o
Senhor o abençoou e a toda a sua casa.
12 Então informaram a Davi, dizendo: O Senhor abençoou a casa de Obede-Edom, e
tudo quanto é dele, por causa da arca de Deus. Foi, pois, Davi, e com alegria
fez subir a arca de Deus, da casa de Obede-Edom para a cidade de Davi.
13 Quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, ele
sacrificou um boi e um animal cevado.
14 E Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava Davi
cingido dum éfode de linho.
15 Assim Davi e toda a casa de Israel subiam, trazendo a arca do Senhor com
júbilo e ao som de trombetas.
16 Quando entrava a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, filha de Saul,
estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi saltando e dançando diante do
senhor, o desprezou no seu coraçao.
17 Introduziram, pois, a arca do Senhor, e a puseram no seu lugar, no meio da
tenda que Davi lhe armara; e Davi ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas
perante o Senhor.
18 Quando Davi acabou de oferecer os holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou
o povo em nome do Senhor dos exércitos.
19 Depois repartiu a todo o povo, a toda a multidão de Israel, tanto a homens
como a mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e um bolo de
passas. Em seguida todo o povo se retirou, cada um para sua casa.
20 Então Davi voltou para abençoar a sua casa; e Mical, filha de Saul, saiu a
encontrar-se com Davi, e disse: Quão honrado foi o rei de Israel,
descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se
descobre um indivíduo qualquer.
21 Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor, que teu escolheu a mim de
preferência a teu pai e a toda a sua casa, estabelecendo-me por chefe sobre o
povo do Senhor, sobre Israel, sim, foi perante Senhor que dancei; e perante ele
ainda hei de dançar
22 Também ainda mais do que isso me envilecerei, e me humilharei aos meus
olhos; mas das servas, de quem falaste, delas serei honrado.
23 E Mical, filha de Saul não teve filhos, até o dia de sua morte.
II
SAMUEL
[7]
1 Ora, estando o rei Davi em
sua casa e tendo-lhe dado o Senhor descanso de todos os seus inimigos em redor,
2 disse ele ao profeta Natã: Eis que eu moro numa casa de cedro, enquanto que a
arca de Deus dentro de uma tenda.
3 Respondeu Natã ao rei: Vai e faze tudo quanto está no teu coração, porque o
Senhor é contigo.
4 Mas naquela mesma noite a palavra do Senhor veio a Natã, dizendo:
5 Vai, e dize a meu servo Davi: Assim diz o Senhor: Edificar-me-ás tu uma casa
para eu nela habitar?
6 Porque em casa nenhuma habitei, desde o dia em que fiz subir do Egito os
filhos de Israel até o dia de hoje, mas tenho andado em tenda e em tabernáculo.
7 E em todo lugar em que tenho andado com todos os filhos de Israel, falei
porventura, alguma palavra a qualquer das suas tribos a que mandei apascentar o
meu povo de Israel, dizendo: por que não me edificais uma casa de cedro?
8 Agora, pois, assim dirás ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos exércitos:
Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses príncipe sobre o
meu povo, sobre Israel;
9 e fui contigo, por onde quer que foste, e destruí a todos os teus inimigos
diante de ti; e te farei um grande nome, como o nome dos grandes que há na
terra.
10 Também designarei lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei ali,
para que ele habite no seu lugar, e não mais seja perturbado, e nunca mais os
filhos da iniqüidade o aflijam, como dantes,
11 e como desde o dia em que ordenei que houvesse juízes sobre o meu povo
Israel. A ti, porém, darei descanso de todos os teus inimigos. Também o Senhor
te declara que ele te fará casa.
12 Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então
farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, que sair das tuas
entranhas, e estabelecerei o seu reino.
13 Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono
do seu reino.
14 Eu lhe serei pai, e ele me será filho. E, se vier a transgredir,
castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens;
15 mas não retirarei dele a minha benignidade como a retirei de Saul, a quem
tirei de diante de ti.
16 A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti;
teu trono será estabelecido para sempre.
17 Conforme todas estas palavras, e conforme toda esta visão, assim falou Natã
a Davi.
18 Então entrou o rei Davi, e sentou-se perante o Senhor, e disse: Quem sou eu,
Senhor Jeová, e que é a minha casa, para me teres trazido até aqui?
19 E isso ainda foi pouco aos teus olhos, Senhor Jeová, senão que também
falaste da casa do teu servo para tempos distantes; e me tens mostrado gerações
futuras, ó Senhor Jeová?
20 Que mais te poderá dizer Davi. pois tu conheces bem o teu servo, ó Senhor
Jeová.
21 Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração, fizeste toda esta
grandeza, revelando-a ao teu servo.
22 Portanto és grandioso, ó Senhor Jeová, porque ninguém há semelhante a ti, e
não há Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos.
23 Que outra nação na terra é semelhante a teu povo Israel, a quem tu, ó Deus,
foste resgatar para te ser povo, para te fazeres um nome, e para fazeres a seu
favor estas grandes e terríveis coisas para a tua terra, diante do teu povo,
que tu resgataste para ti do Egito, desterrando nações e seus deuses?
24 Assim estabeleceste o teu povo Israel por teu povo para sempre, e tu,
Senhor, te fizeste o seu Deus.
25 Agora, pois, o Senhor Jeová, confirma para sempre a palavra que falaste
acerca do teu servo e acerca da sua casa, e faze como tens falado,
26 para que seja engrandecido o teu nome para sempre, e se diga: O Senhor dos
exércitos é Deus sobre Israel; e a casa do teu servo será estabelecida diante
de ti.
27 Pois tu, Senhor dos exércitos, Deus de Israel, fizeste uma revelação ao teu
servo, dizendo: Edificar-te-ei uma casa. Por isso o teu servo se animou a
fazer-te esta oração.
28 Agora, pois, Senhor Jeová, tu és Deus, e as tuas palavras são verdade, e
tens prometido a teu servo este bem.
29 Sê, pois, agora servido de abençoar a casa do teu servo, para que subsista
para sempre diante de ti; pois tu, ó Senhor Jeová, o disseste; e com a tua
bênção a casa do teu servo será, abençoada para sempre.
II
SAMUEL
[8]
1 Sucedeu depois disso que
Davi derrotou os filisteus, e os sujeitou; e Davi tomou a Metegue-Ama das mãos
dos filisteus.
2 Também derrotou os moabitas, e os mediu com cordel, fazendo-os deitar por
terra; e mediu dois cordéis para os matar, e um cordel inteiro para os deixar
com vida. Ficaram assim os moabitas por servos de Davi, pagando-lhe tributos.
3 Davi também derrotou a Hadadézer, filho de Reobe, rei de Zobá, quando este ia
estabelecer o seu domínio sobre o rio Eufrates.
4 E tomou-lhe Davi mil e setecentos cavaleiros e vinte mil homens de
infantaria; e Davi jarretou a todos os cavalos dos carros, reservando apenas
cavalos para cem carros.
5 Os sírios de Damasco vieram socorrer a Hadadézer, rei de Zobá, mas Davi matou
deles vinte e dois mil homens.
6 Então Davi pôs guarnições em Síria de Damasco, e os sírios ficaram por servos
de Davi, pagando-lhe tributos. E o Senhor lhe dava a vitória por onde quer que
ia.
7 E Davi tomou os escudos de ouro que os servos de Hadadézer usavam, e os
trouxe para Jerusalém.
8 De Betá e de Berotai, cidades de Hadadézer, o rei Davi tomou grande
quantidade de bronze.
9 Quando Toí, rei de Hamate, ouviu que Davi ferira todo o exército de
Hadadézer,
10 mandou-lhe seu filho Jorão para saudá-lo, e para felicitá-lo por haver
pelejado contra Hadadézer e o haver derrotado; pois Hadadézer de contínuo fazia
guerra a Toí. E Jorão trouxe consigo vasos de prata de ouro e de bronze,
11 os quais o rei Davi consagrou ao Senhor, como já havia consagrado a prata e
o ouro de todas as nações que sujeitara.
12 da Síria, de Moabe, dos amonitas, dos filisteus, de Amaleque e dos despojos
de Hadadézer, filho de Reobe, rei de Zobá.
13 Assim Davi ganhou nome para si. E quando voltou, matou no Vale do Sal a
dezoito mil edomitas.
14 E pôs guarnições em Edom; pô-las em todo o Edom, e todos os edomitas
tornaram-se servos de Davi. E o Senhor lhe dava a vitória por onde quer que ia.
15 Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel, e administrava a justiça e a
eqüidade a todo o seu povo.
16 Joabe, filho de Zeruia, estava sobre o exército; Jeosafá, filho de Ailude,
era cronista;
17 Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes;
Seraías era escrivão;
18 Benaías, filho de Jeoiada, tinha o cargo dos quereteus e peleteus; e os
filhos de Davi eram ministros de estado.
II
SAMUEL
[9]
1 Disse Davi: Resta ainda
alguém da casa de Saul, para que eu use de benevolência para com ele por amor
de Jônatas?
2 E havia um servo da casa de Saul, cujo nome era Ziba; e o chamaram à presença
de Davi. perguntou-lhe o rei: Tu és Ziba? Respondeu ele: Teu servo!
3 Prosseguiu o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que eu possa usar
com ele da benevolência de Deus? Então disse Ziba ao rei: Ainda há um filho de
Jônatas, aleijado dos pés.
4 Perguntou-lhe o rei: Onde está. Respondeu Ziba ao rei: Está em casa de
Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.
5 Então mandou o rei Davi, e o tomou da casa de Maquir, filho de Amiel, em
Lo-Debar.
6 E Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio a Davi e, prostrando-se
com o rosto em terra, lhe fez reverência. E disse Davi: Mefibosete! Respondeu
ele: Eis aqui teu servo.
7 Então lhe disse Davi: Não temas, porque de certo usarei contigo de
benevolência por amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de
Saul, teu pai; e tu sempre comerás à minha mesa.
8 Então Mefibosete lhe fez reverência, e disse: Que é o teu servo, para teres
olhado para um cão morto tal como eu?
9 Então chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e disse-lhe: Tudo o que pertencia a
Saul, e a toda a sua casa, tenho dado ao filho de teu senhor.
10 Cultivar-lhe-ás, pois, a terra, tu e teus filhos, e teus servos; e
recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão para comer; mas
Mefibosete, filho de teu senhor, comerá sempre à minha mesa. Ora, tinha Ziba
quinze filhos e vinte servos.
11 Respondeu Ziba ao rei: Conforme tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu
servo, assim o fará ele. Disse o rei: Quanto a Mefibosete, ele comerá à minha
mesa como um dos filhos do rei.
12 E tinha Mefibosete um filho pequeno, cujo nome era Mica. E todos quantos
moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete.
13 Morava, pois, Mefibosete em Jerusalém, porquanto sempre comia à mesa do rei.
E era coxo de ambos os pés.
II
SAMUEL
[10]
1 Depois disto morreu o rei
dos amonitas, e seu filho Hanum reinou em seu lugar.
2 Então disse Davi: usarei de benevolência para com Hanum, filho de Naás, como
seu pai usou de benevolência para comigo. Davi, pois, enviou os seus servos
para o consolar acerca de seu pai; e foram os servos de Davi à terra dos
amonitas.
3 Então disseram os príncipes dos amonitas a seu senhor, Hanum: Pensas,
porventura, que foi para honrar teu pai que Davi te enviou consoladores? Não te
enviou antes os seus servos para reconhecerem esta cidade e para a espiarem, a
fim de transtorná-la?
4 Pelo que Hanum tomou os servos de Davi, rapou-lhes metade da barba,
cortou-lhes metade dos vestidos, até as nádegas, e os despediu.
5 Quando isso foi dito a Davi, enviou ele mensageiros a encontrá-los, porque
aqueles homens estavam sobremaneira envergonhados; e mandou dizer-lhes:
Deixai-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba, e então
voltai.
6 Vendo, pois, os amonitas que se haviam feito abomináveis para com Davi,
enviaram e alugaram dos sírios de Bete-Reobe e dos sírios de Bete-Reobe e dos
sírios de Sobá vinte mil homens de infantaria, e do rei de Maacá mil homens, e
dos homens de Tobe doze mil.
7 O que ouvindo Davi, enviou contra eles a Joabe com todo o exército dos
valentes.
8 E saíram os amonitas, e ordenaram a batalha a entrada da porta; mas os sírios
de Zobá e de Reobe, e os homens de Tobe e de Maacá estavam à parte no campo.
9 Vendo, pois, Joabe que a batalha estava preparada contra ele pela frente e
pela retaguarda, escolheu alguns homens dentre a flor do exército de Israel, e
formou-os em linha contra os sírios;
10 e entregou o resto do povo a seu irmão Abisai, para que o formasse em linha
contra os amonitas.
11 E disse-lhe: Se os sírios forem mais fortes do que eu, tu me virás em
socorro; e se os amonitas forem mais fortes do que tu, eu irei em teu socorro.
12 Tem bom ânimo, e sejamos corajosos pelo nosso povo, e pelas cidades de nosso
Deus; e faça o Senhor o que bem lhe parecer.
13 Então Joabe e o povo que estava com ele travaram a peleja contra os sírios;
e estes fugiram diante dele.
14 E, vendo os amonitas que os sírios fugiam, também eles fugiram de diante de
Abisai, e entraram na cidade. Então Joabe voltou dos amonitas e veio para
Jerusalém.
15 Os sírios, vendo que tinham sido derrotados diante de Israel, trataram de
refazer-se.
16 E Hadadézer mandou que viessem os sírios que estavam da outra banda do rio;
e eles vieram a Helã, tendo à sua frente Sobaque, chefe do exército de
Hadadézer.
17 Davi, informado disto, ajuntou todo o Israel e, passando o Jordão, foi a
Helã; e os sírios se puseram em ordem contra Davi, e pelejaram contra ele.
18 Os sírios, porém, fugiram de diante de Israel; e Davi matou deles os homens
de setecentos carros, e quarenta mil homens de cavalaria; e feriu a Sobaque,
general do exército, de sorte que ele morreu ali.
19 Vendo, pois, todos os reis, servos de Hadadézer, que estavam derrotados
diante de Israel, fizeram paz com Israel, e o serviram. E os sírios não ousaram
mais socorrer aos amonitas.
II
SAMUEL
[11]
1 Tendo decorrido um ano, no
tempo em que os reis saem à guerra, Davi enviou Joabe, e com ele os seus servos
e todo o Israel; e eles destruíram os amonitas, e sitiaram a Rabá. Porém Davi
ficou em Jerusalem.
2 Ora, aconteceu que, numa tarde, Davi se levantou do seu leito e se pôs a
passear no terraço da casa real; e do terraço viu uma mulher que se estava
lavando; e era esta mulher mui formosa à vista.
3 Tendo Davi enviado a indagar a respeito daquela mulher, disseram-lhe:
Porventura não é Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu?
4 Então Davi mandou mensageiros para trazê-la; e ela veio a ele, e ele se
deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); depois ela voltou
para sua casa.
5 A mulher concebeu; e mandou dizer a Davi: Estou grávida.
6 Então Davi mandou dizer a Joabe: Envia-me Urias, o heteu. E Joabe o enviou a
Davi.
7 Vindo, pois, Urias a Davi, este lhe perguntou como passava Joabe, e como
estava o povo, e como ia a guerra.
8 Depois disse Davi a Urias: Desce a tua casa, e lava os teus pés. E, saindo
Urias da casa real, logo foi mandado após ele um presente do rei.
9 Mas Urias dormiu à porta da casa real, com todos os servos do seu senhor, e
não desceu a sua casa.
10 E o contaram a Davi, dizendo: Urias não desceu a sua casa. Então perguntou
Davi a Urias: Não vens tu duma jornada? por que não desceste a tua casa?
11 Respondeu Urias a Davi: A arca, e Israel, e Judá estão em tendas; e Joabe,
meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao relento; e entrarei eu
na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Como
vives tu, e como vive a tua alma, não farei tal coisa.
12 Então disse Davi a Urias: Fica ainda hoje aqui, e amanhã te despedirei.
Urias, pois, ficou em Jerusalém aquele dia e o seguinte.
13 E Davi o convidou a comer e a beber na sua presença, e o embebedou; e à
tarde saiu Urias a deitar-se na sua cama com os servos de seu senhor, porém não
desceu a sua casa.
14 Pela manhã Davi escreveu uma carta a Joabe, e mandou-lha por mão de Urias.
15 Escreveu na carta: Ponde Urias na frente onde for mais renhida a peleja, e
retirai-vos dele, para que seja ferido e morra.
16 Enquanto Joabe sitiava a cidade, pôs Urias no lugar onde sabia que havia
homens valentes.
17 Quando os homens da cidade saíram e pelejaram contra Joabe, caíram alguns do
povo, isto é, dos servos de Davi; morreu também Urias, o heteu.
18 Então Joabe mandou dizer a Davi tudo o que sucedera na peleja;
19 e deu ordem ao mensageiro, dizendo: Quando tiveres acabado de contar ao rei
tudo o que sucedeu nesta peleja,
20 caso o rei se encolerize, e te diga: Por que vos chegastes tão perto da
cidade a pelejar. Não sabíeis vós que haviam de atirar do muro?
21 Quem matou a Abimeleque, filho de Jerubesete? Não foi uma mulher que lançou
sobre ele, do alto do muro, a pedra superior dum moinho, de modo que morreu em
Tebez? Por que chegastes tão perto do muro? Então dirás: Também morreu teu
servo Urias, o heteu.
22 Partiu, pois, o mensageiro e, tendo chegado, referiu a Davi tudo o que Joabe
lhe ordenara.
23 Disse o mensageiro a Davi: Os homens ganharam uma vantagem sobre nós, e
sairam contra nos ao campo; porém nos os repelimos até a entrada da porta.
24 Então os flecheiros atiraram contra os teus servos desde o alto do muro, e
morreram alguns servos do rei; e também morreu o teu servo Urias, o heteu.
25 Disse Davi ao mensageiro: Assim dirás a Joabe: Não te preocupes com isso,
pois a espada tanto devora este como aquele; aperta a tua peleja contra a
cidade, e a derrota. Encoraja-o tu assim.
26 Ouvindo, pois, a mulher de Urias que seu marido era morto, o chorou.
27 E, passado o tempo do luto, mandou Davi recolhê-la a sua casa: e ela lhe foi
por mulher, e lhe deu um filho. Mas isto que Davi fez desagradou ao Senhor.
II
SAMUEL
[12]
1 O Senhor, pois, enviou Natã
a Davi. E, entrando ele a ter com Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois
homens, um rico e outro pobre.
2 O rico tinha rebanhos e manadas em grande número;
3 mas o pobre não tinha coisa alguma, senão uma pequena cordeira que comprara e
criara; ela crescera em companhia dele e de seus filhos; do seu bocado comia,
do seu copo bebia, e dormia em seu regaço; e ele a tinha como filha.
4 Chegou um viajante à casa do rico; e este, não querendo tomar das suas
ovelhas e do seu gado para guisar para o viajante que viera a ele, tomou a
cordeira do pobre e a preparou para o seu hóspede.
5 Então a ira de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem; e disse
a Natã: Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso.
6 Pela cordeira restituirá o quádruplo, porque fez tal coisa, e não teve
compaixão.
7 Então disse Natã a Davi: Esse homem és tu! Assim diz o Senhor Deus de Israel:
Eu te ungi rei sobre Israel, livrei-te da mão de Saul,
8 e te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio; também
te dei a casa de Israel e de Judá. E se isso fosse pouco, te acrescentaria
outro tanto.
9 Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos?
A Urias, o heteu, mataste à espada, e a sua mulher tomaste para ser tua mulher;
sim, a ele mataste com a espada dos amonitas.
10 Agora, pois, a espada jamais se apartará da tua casa, porquanto me
desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher.
11 Assim diz o Senhor: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e
tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual
se deitará com tuas mulheres à luz deste sol.
12 Pois tu o fizeste em oculto; mas eu farei este negócio perante todo o Israel
e à luz do sol.
13 Então disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor. Tornou Natã a Davi: Também
o Senhor perdoou o teu pecado; não morreras.
14 Todavia, porquanto com este feito deste lugar a que os inimigos do Senhor
blasfemem, o filho que te nasceu certamente morrerá.
15 Então Natã foi para sua casa. Depois o Senhor feriu a criança que a mulher
de Urias dera a Davi, de sorte que adoeceu gravemente.
16 Davi, pois, buscou a Deus pela criança, e observou rigoroso jejum e,
recolhendo-se, passava a noite toda prostrado sobre a terra.
17 Então os anciãos da sua casa se puseram ao lado dele para o fazerem
levantar-se da terra; porém ele não quis, nem comeu com eles.
18 Ao sétimo dia a criança morreu; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a
criança tinha morrido; pois diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe
falávamos, porém ele não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que
a criança morreu? Poderá cometer um desatino.
19 Davi, porém, percebeu que seus servos cochichavam entre si, e entendeu que a
criança havia morrido; pelo que perguntou a seus servos: Morreu a criança? E
eles responderam: Morreu.
20 Então Davi se levantou da terra, lavou-se, ungiu-se, e mudou de vestes; e,
entrando na casa do Senhor, adorou. Depois veio a sua casa, e pediu o que
comer; e lho deram, e ele comeu.
21 Então os seus servos lhe disseram: Que é isso que fizeste? pela criança viva
jejuaste e choraste; porém depois que a criança morreu te levantaste e comeste.
22 Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia:
Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança?
23 Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la
voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim.
24 Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e entrou, e se deitou com ela.
E teve ela um filho, e Davi lhe deu o nome de Salomão. E o Senhor o amou;
25 e mandou, por intermédio do profeta Natã, dar-lhe o nome de Jedidias, por
amor do Senhor.
26 Ora, pelejou Joabe contra Rabá, dos amonitas, e tomou a cidade real.
27 Então mandou Joabe mensageiros a Davi, e disse: Pelejei contra Rabá, e já
tomei a cidade das águas.
28 Ajunta, pois, agora o resto do povo, acampa contra a cidade e toma-a, para
que eu não a tome e seja o meu nome aclamado sobre ela.
29 Então Davi ajuntou todo o povo, e marchou para Rabá; pelejou contra ela, e a
tomou.
30 Também tirou a coroa da cabeça do seu rei; e o peso dela era de um talento
de ouro e havia nela uma pedra preciosa; e foi posta sobre a cabeça de Davi,
que levou da cidade mui grande despojo.
31 E, trazendo os seus habitantes, os pôs a trabalhar com serras, trilhos de
ferro, machados de ferro, e em fornos de tijolos; e assim fez a todas as
cidades dos amonitas. Depois voltou Davi e todo o povo para Jerusalém.
II
SAMUEL
[13]
1 Ora, Absalão, filho de
Davi, tinha uma irmã formosa, cujo nome era Tamar; e sucedeu depois de algum
tempo que Amnom, filho de Davi enamorou-se dela.
2 E angustiou-se Amnom, até adoecer, por amar, sua irmã; pois era virgem, e
parecia impossível a Amnom fazer coisa alguma com ela.
3 Tinha, porém, Amnom um amigo, cujo nome era Jonadabe, filho de Siméia, irmão
de Davi; e era Jonadabe homem mui sagaz.
4 Este lhe perguntou: Por que tu de dia para dia tanto emagreces, ó filho do
rei? não mo dirás a mim? Então lhe respondeu Amnom: Amo a Tamar, irmã de
Absalão, meu irmao.
5 Tornou-lhe Jonadabe: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e quando teu
pai te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha dar-me de
comer, preparando a comida diante dos meus olhos, para que eu veja e coma da
sua mão.
6 Deitou-se, pois, Amnom, e fingiu-se doente. Vindo o rei visitá-lo, disse-lhe
Amnom: Peço-te que minha irmã Tamar venha e prepare dois bolos diante dos meus
olhos, para que eu coma da sua mão.
7 Mandou, então, Davi a casa, a dizer a Tamar: Vai a casa de Amnom, teu irmão,
e faze-lhe alguma comida.
8 Foi, pois, Tamar a casa de Amnom, seu irmão; e ele estava deitado. Ela tomou
massa e, amassando-a, fez bolos e os cozeu diante dos seus olhos.
9 E tomou a panela, e os tirou diante dele; porém ele recusou comer. E disse
Amnom: Fazei retirar a todos da minha presença. E todos se retiraram dele.
10 Então disse Amnom a Tamar: Traze a comida a câmara, para que eu coma da tua
mão. E Tamar, tomando os bolos que fizera, levou-os à câmara, ao seu irmão
Amnom.
11 Quando lhos chegou, para que ele comesse, Amnom pegou dela, e disse-lhe:
Vem, deita-te comigo, minha irmã.
12 Ela, porém, lhe respondeu: Não, meu irmão, não me forces, porque não se faz
assim em Israel; não faças tal loucura.
13 Quanto a mim, para onde levaria o meu opróbrio? E tu passarias por um dos
insensatos em Israel. Rogo-te, pois, que fales ao rei, porque ele não me negará
a ti.
14 Todavia ele não quis dar ouvidos à sua voz; antes, sendo mais forte do que
ela, forçou-a e se deitou com ela.
15 Depois sentiu Amnom grande aversão por ela, pois maior era a aversão que se
sentiu por ela do que o amor que lhe tivera. E disse-lhe Amnom: Levanta-te, e
vai-te.
16 Então ela lhe respondeu: Não há razão de me despedires; maior seria este mal
do que o outro já me tens feito. Porém ele não lhe quis dar ouvidos,
17 mas, chamando o moço que o servia, disse-lhe: Deita fora a esta mulher, e
fecha a porta após ela.
18 Ora, trazia ela uma túnica talar; porque assim se vestiam as filhas virgens
dos reis. Então o criado dele a deitou fora, e fechou a porta após ela.
19 Pelo que Tamar, lançando cinza sobre a cabeça, e rasgando a túnica talar que
trazia, pôs as mãos sobre a cabeça, e se foi andando e clamando.
20 Mas Absalão, seu irmão, lhe perguntou: Esteve Amnom, teu irmão, contigo? Ora
pois, minha irmã, cala-te; é teu irmão. Não se angustie o seu coração por isto.
Assim ficou Tamar, desolada, em casa de Absalão, seu irmão.
21 Quando o rei Davi ouviu todas estas coisas, muito se lhe acendeu a ira.
22 Absalão, porém, não falou com Amnom, nem mal nem bem, porque odiava a Amnom
por ter ele forçado a Tamar, sua irmã.
23 Decorridos dois anos inteiros, tendo Absalão tosquiadores em Baal-Hazor, que
está junto a Efraim, convidou todos os filhos do rei.
24 Foi, pois, Absalão ter com o rei, e disse: Eis que agora o teu servo faz a
tosquia. Peço que o rei e os seus servos venham com o teu servo.
25 O rei, porém, respondeu a Absalão: Não, meu filho, não vamos todos, para não
te sermos pesados. Absalão instou com ele; todavia ele não quis ir, mas deu-lhe
a sua bençao.
26 Disse-lhe Absalão: Ao menos, deixa ir conosco Amnom, meu irmão. O rei,
porém, lhe perguntou: Para que iria ele contigo?
27 Mas como Absalão instasse com o rei, este deixou ir com ele Amnom, e os
demais filhos do rei.
28 Ora, Absalão deu ordem aos seus servos, dizendo: Tomai sentido; quando o
coração de Amnom estiver alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom; então
matai-o. Não tenhais medo; não sou eu quem vo-lo ordenou? Esforçai-vos, e sede
valentes.
29 E os servos de Absalão fizeram a Amnom como Absalão lhes havia ordenado.
Então todos os filhos do rei se levantaram e, montando cada um no seu mulo,
fugiram.
30 Enquanto eles ainda estavam em caminho, chegou a Davi um rumor, segundo o qual
se dizia: Absalão matou todos os filhos do rei; nenhum deles ficou.
31 Então o rei se levantou e, rasgando as suas vestes, lançou-se por terra; da
mesma maneira todos os seus servos que lhe assistiam rasgaram as suas vestes.
32 Mas Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi, disse-lhe: Não presuma o meu
senhor que mataram todos os mancebos filhos do rei, porque só morreu Amnom;
porque assim o tinha resolvido fazer Absalão, desde o dia em que ele forçou a
Tamar, sua irmã.
33 Não se lhe meta, pois, agora no coração ao rei meu senhor o pensar que
morreram todos os filhos do rei; porque só morreu Amnom.
34 Absalão, porém, fugiu. E o mancebo que estava de guarda, levantando os
olhos, orou, e eis que vinha muito povo pelo caminho por detrás dele, ao lado
do monte.
35 Então disse Jonadabe ao rei: Eis aí vêm os filhos do rei; conforme a palavra
de teu servo, assim sucedeu.
36 Acabando ele de falar, chegaram os filhos do rei e, levantando a sua voz,
choraram; e também o rei e todos os seus servos choraram amargamente.
37 Absalão, porém, fugiu, e foi ter com Talmai, filho de Amiur, rei de Gesur. E
Davi pranteava a seu filho todos os dias.
38 Tendo Absalão fugido para Gesur, esteve ali três anos.
39 Então o rei Davi sentiu saudades de Absalão, pois já se tinha consolado
acerca da morte de Amnom.
II
SAMUEL
[14]
1 Percebendo Joabe, filho de
Zeruia, que o coração do rei estava inclinado para Absalão,
2 mandou a Tecoa trazer de lá uma mulher sagaz, e disse-lhe: Ora, finge que
estás de nojo; põe vestidos de luto, não te unjas com óleo, e faze-te como uma
mulher que há muitos dias chora algum morto;
3 vai ter com o rei, e fala-lhe desta maneira. Então Joabe lhe pôs as palavras
na boca.
4 A mulher tecoíta, pois, indo ter com o rei e prostrando-se com o rosto em
terra, fez-lhe uma reverência e disse: Salva-me, o rei.
5 Ao que lhe perguntou o rei: Que tens? Respondeu ela: Na verdade eu sou viúva;
morreu meu marido.
6 Tinha a tua serva dois filhos, os quais tiveram uma briga no campo e, não
havendo quem os apartasse, um feriu ao outro, e o matou.
7 E eis que toda a parentela se levantou contra a tua serva, dizendo: Dá-nos
aquele que matou a seu irmão, para que o matemos pela vida de seu irmão, a quem
ele matou, de modo que exterminemos também o herdeiro. Assim apagarão a brasa
que me ficou, de sorte a não deixarem a meu marido nem nome, nem remanescente
sobre a terra.
8 Então disse o rei à mulher: Vai para tua casa, e eu darei ordem a teu
respeito.
9 Respondeu a mulher tecoíta ao rei: A iniqüidade, ó rei meu senhor, venha
sobre mim e sobre a casa de meu pai; e fique inculpável o rei e o seu trono.
10 Tornou o rei: Quem falar contra ti, traze-mo a mim, e nunca mais te tocará.
11 Disse ela: Ora, lembre-se o rei do Senhor seu Deus, para que o vingador do
sangue não prossiga na destruição, e não extermine a meu filho. Então disse
ele: Vive o Senhor, que não há de cair no chão nem um cabelo de teu filho.
12 Então disse a mulher: Permite que a tua serva fale uma palavra ao rei meu
senhor. Respondeu ele: Fala.
13 Ao que disse a mulher: Por que, pois, pensas tu tal coisa contra o povo de
Deus? Pois, falando o rei esta palavra, fica como culpado, visto que o rei não
torna a trazer o seu desterrado.
14 Porque certamente morreremos, e serereos como águas derramadas na terra, que
não se podem ajuntar mais; Deus, todavia, não tira a vida, mas cogita meios
para que não fique banido dele o seu desterrado.
15 E se eu agora vim falar esta palavra ao rei meu senhor, e porque o povo me
atemorizou; pelo que dizia a tua serva: Falarei, pois, ao rei; porventura fará
o rei segundo a palavra da sua serva.
16 Porque o rei ouvirá, para livrar a sua serva da mão do homem que intenta
exterminar da herança de Deus tanto a mim como a meu filho.
17 Dizia mais a tua serva: Que a palavra do rei meu senhor me dê um descanso;
porque como o anjo de Deus é o rei, meu senhor, para discernir o bem e o mal; e
o Senhor teu Deus seja contigo.
18 Então respondeu o rei à mulher: Peço-te que não me encubras o que eu te
perguntar. Tornou a mulher: Fale agora o rei meu senhor.
19 Perguntou, pois, o rei: Não é verdade que a mão de Joabe está contigo em
tudo isso? Respondeu a mulher: Vive a tua alma, ó rei meu senhor, que ninguém
se poderá desviar, nem para a direita nem para a esquerda, de tudo quanto diz o
rei meu senhor; porque Joabe, teu servo, é quem me deu ordem, e foi ele que pôs
na boca da tua serva todas estas palavras;
20 para mudar a feição do negócio é que Joabe, teu servo, fez isso. Sábio,
porém, é meu senhor, conforme a sabedoria do anjo de Deus, para entender tudo o
que há na terra.
21 Então o rei disse a Joabe: Eis que faço o que pedes; vai, pois, e faze
voltar o mancebo Absalão.
22 Então Joabe se prostrou com o rosto em terra e, fazendo uma reverência,
abençoou o rei; e disse Joabe: Hoje conhece o teu servo que achei graça aos
teus olhos, ó rei meu senhor, porque o rei fez segundo a palavra do teu servo.
23 Levantou-se, pois, Joabe, foi a Gesue e trouxe Absalão para Jerusalém.
24 E disse o rei: Torne ele para sua casa, mas não venha à minha presença.
Tornou, pois, Absalão para sua casa, e não foi à presença do rei.
25 Não havia em todo o Israel homem tão admirável pela sua beleza como Absalão;
desde a planta do pé até o alto da cabeça não havia nele defeito algum.
26 E, quando ele cortava o cabelo, o que costumava fazer no fim de cada ano,
porquanto lhe pesava muito, o peso do cabelo era de duzentos siclos, segundo o
peso real.
27 Nasceram a Absalão três filhos, e uma filha cujo nome era Tamar; e esta era
mulher formosa à vista.
28 Assim ficou Absalão dois anos inteiros em Jerusalém, sem ver a face do rei.
29 Então Absalão mandou chamar Joabe, para o enviar ao rei; porém Joabe não
quis vir a ele. Mandou chamá-lo segunda vez, mas ele não quis vir.
30 Pelo que disse aos seus servos: Vede ali o campo de Joabe pegado ao meu,
onde ele tem cevada; ide, e ponde-lhe fogo. E os servos de Absalão puseram fogo
ao campo:
31 Então Joabe se levantou, e veio ter com Absalão, em casa, e lhe perguntou:
Por que os teus servos puseram fogo ao meu campo.
32 Respondeu Absalão a Joabe: Eis que enviei a ti, dizendo: Vem cá, para que te
envie ao rei, a dizer-lhe: Para que vim de Gesur? Melhor me fora estar ainda
lá. Agora, pois, veja eu a face do rei; e, se há em mim alguma culpa, que me
mate.
33 Foi, pois, Joabe à presença do rei, e lho disse. Então o rei chamou Absalão,
e ele entrou à presença do rei, e se prostrou com o rosto em terra diante do
rei; e o rei beijou Absalão.
II
SAMUEL
[15]
1 Aconteceu depois disso que
Absalão adquiriu para si um carro e cavalos, e cinqüenta homens que corressem
adiante dele.
2 E levantando-se Absalão cedo, parava ao lado do caminho da porta; e quando
algum homem tinha uma demanda para, vir ao rei a juízo, Absalão o chamava a si
e lhe dizia: De que cidade és tu? E, dizendo ele: De tal tribo de Israel é teu
servo;
3 Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não há da parte do
rei quem te ouça.
4 Dizia mais Absalão: Ah, quem me dera ser constituído juiz na terra! para que
viesse ter comigo todo homem que tivesse demanda ou questão, e eu lhe faria
justiça.
5 Sucedia também que, quando alguém se chegava a ele para lhe fazer reverência,
ele estendia a mão e, pegando nele o beijava.
6 Assim fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juízo; desse modo
Absalão furtava o coração dos homens de Israel.
7 Aconteceu, ao cabo de quatro anos, que Absalão disse ao rei: Deixa-me ir
pagar em Hebrom o voto que fiz ao Senhor.
8 Porque, morando eu em Gesur, na Síria, fez o teu servo um voto, dizendo: Se o
Senhor, na verdade, me fizer tornar a Jerusalém, servirei ao Senhor.
9 Então lhe disse o rei: Vai em paz. Levantou-se, pois, e foi para Hebrom.
10 Absalão, porém, enviou emissários por todas as tribos de Israel, dizendo:
Quando ouvirdes o som da trombeta, direis: Absalão reina em Hebrom.
11 E de Jerusalém foram com Absalão duzentos homens que tinham sido convidados;
mas iam na sua simplicidade, pois nada sabiam daquele desígnio.
12 Também Absalão, enquanto oferecia os seus sacrifícios, mandou vir da cidade
de Siló, Aitofel, o gilonita, conselheiro de Davi. E a conspiração tornava-se
poderosa, crescendo cada vez mais o número do povo que estava com Absalão.
13 Então veio um mensageiro a Davi, dizendo: O coração de todo o Israel vai
após Absalão.
14 Disse, pois, Davi a todos os seus servos que estavam com ele em Jerusalém:
Levantai-vos, e fujamos, porque doutra forma não poderemos escapar diante de
Absalão. Apressai-vos a sair; não seja caso que ele nos apanhe de súbito, e
lance sobre nós a ruína, e fira a cidade ao fio da espada.
15 Então os servos do rei lhe disseram: Eis aqui os teus servos para tudo
quanto determinar o rei, nosso senhor.
16 Assim saiu o rei, com todos os de sua casa, deixando, porém, dez concubinas
para guardarem a casa.
17 Tendo, pois, saído o rei com todo o povo, pararam na última casa:
18 E todos os seus servos iam ao seu lado; mas todos os quereteus, e todos os
peleteus, e todos os giteus, seiscentos homens que o seguiram de Gate,
caminhavam adiante do rei.
19 Disse o rei a Itai, o giteu: Por que irias tu também conosco? Volta e
fica-te com o rei, porque és estrangeiro e exilado; torna a teu lugar.
20 Ontem vieste, e te levaria eu hoje conosco a vaguear? Pois eu vou para onde
puder ir; volta, e lei, e contigo teus irmãos; a misericórdia e a fidelidade
sejam contigo.
21 Respondeu, porém, Itai ao rei, e disse: Vive o Senhor, e vive o rei meu
senhor, que no lugar em que estiver o rei meu senhor, seja para morte, seja
para vida, aí estará também o eu servo.
22 Então disse Davi a Itai: Vai, pois, e passa adiante. Assim passou Itai, o
giteu, e todos os seus homens, e todos os pequeninos que havia com ele.
23 Toda a terra chorava em alta voz, enquanto todo o povo passava; e o rei
atravessou o ribeiro de Cedrom, e todo o povo caminhava na direção do deserto.
24 E chegou Abiatar; e veio também Zadoque, e com ele todos os levitas que
levavam a arca do pacto de Deus; e puseram ali a arca de Deus, até que todo o
povo acabou de sair da cidade.
25 Então disse o rei a Zadoque: Torna a levar a arca de Deus à cidade; pois, se
eu achar graça aos olhos do Senhor, ele me fará voltar para lá, e me deixará
ver a arca e a sua habitação.
26 Se ele, porém, disser: Não tenho prazer em ti; eis-me aqui, faça a mim o que
bem lhe parecer.
27 Disse mais o rei a Zadoque, o sacerdote: Não és tu porventura vidente?
volta, pois, para a cidade em paz, e contigo também teus dois filhos, Aimaaz,
teu filho, e Jônatas, filho de Abiatar.
28 Vede eu me demorarei nos vaus do deserto até que tenha notícias da vossa
parte.
29 Zadoque, pois, e Abiatar tornaram a levar para Jerusalém a arca de Deus, e
ficaram ali.
30 Mas Davi, subindo pela encosta do monte das Oliveiras, ia chorando; tinha a
cabeça coberta, e caminhava com os pés descalços. Também todo o povo que ia com
ele tinha a cabeça coberta, e subia chorando sem cessar.
31 Então disseram a Davi: Aitofel está entre os que conspiraram com Absalão.
Pelo que disse Davi: ç Senhor, torna o conselho de Aitofel em loucura!
32 Ora, aconteceu que, chegando Davi ao cume, onde se costumava adorar a Deus,
Husai, o arquita, veio encontrar-se com ele, com a roupa rasgada e a cabeça
coberta de terra.
33 Disse-lhe Davi: Se fores comigo, ser-me-ás pesado;
34 porém se voltares para a cidade, e disseres a Absalão: Eu serei, ó rei, teu
servo; como fui dantes servo de teu pai, assim agora serei teu servo;
dissipar-me-ás então a conselho de Aitofel.
35 E não estão ali contigo Zadoque e Abiatar, sacerdotes? Portanto, tudo o que
ouvires da casa do rei lhes dirás.
36 Eis que estão também ali com eles seus dois filhos, Aimaaz, filho de
Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar; por eles me avisareis de tudo o que
ouvirdes.
37 Husai, pois, amigo de Davi, voltou para a cidade. E Absalão entrou em
Jerusalém.
II
SAMUEL
[16]
1 Tendo Davi passado um pouco
além do cume, eis que Ziba, o moço de Mefibosete, veio encontrar-se com ele,
com um par de jumentos albardados, e sobre eles duzentos pães, cem cachos de
passas, e cem de frutas de verão e um odre de vinho.
2 Perguntou, pois, o rei a Ziba: Que pretendes com isso? Respondeu Ziba: Os
jumentos são para a casa do rei, para se montarem neles; e o pão e as frutas de
verão para os moços comerem; e o vinho para os cansados no deserto beberem.
3 Perguntou ainda o rei: E onde está o filho de teu senhor? Respondeu Ziba ao
rei: Eis que permanece em Jerusalém, pois disse: Hoje a casa de Israel me
restituirá o reino de meu pai.
4 Então disse o rei a Ziba: Eis que tudo quanto pertencia a Mefibosete é teu.
Ao que Ziba, inclinando-se, disse: Que eu ache graça aos teus olhos, ó rei meu
senhor.
5 Tendo o rei Davi chegado a Baurim, veio saindo dali um homem da linhagem da
casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gêra; e, adiantando-se, proferia
maldições.
6 Também atirava pedras contra Davi e todos os seus servos, ainda que todo o
povo e todos os valorosos iam à direita e à esquerda do rei.
7 E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sai, sai, homem sanguinário, homem de
Belial!
8 O Senhor te deu agora a paga de todo o sangue da casa de Saul, em cujo lugar
tens reinado; já entregou o Senhor o reino na mão de Absalão, teu filho; e
eis-te agora na desgraça, pois és um homem sanguinário.
9 Então Abisai, filho de Zeruia, disse ao rei: Por que esse cão morto
amaldiçoaria ao rei meu senhor? Deixa-me passar e tirar-lhe a cabeça.
10 Disse, porém, o rei: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia? Por ele
amaldiçoar e por lhe ter dito o Senhor: Amaldiçoa a Davi; quem dirá: Por que
assim fizeste?
11 Disse mais Davi a Abisai, e a todos os seus servos: Eis que meu filho, que
saiu das minhas entranhas, procura tirar-me a vida; quanto mais ainda esse
benjamita? Deixai-o; deixai que amaldiçõe, porque o Senhor lho ordenou.
12 Porventura o Senhor olhará para a minha aflição, e me pagará com bem a
maldição deste dia.
13 Prosseguiam, pois, o seu caminho, Davi e os seus homens, enquanto Simei ia
pela encosta do monte, defronte dele, caminhando e amaldiçoando, e atirava
pedras contra ele, e levantava poeira.
14 E o rei e todo o povo que ia com ele chegaram cansados ao Jordão; e ali
descansaram.
15 Absalão e todo o povo, os homens de Israel, vieram a Jerusalém; e Aitofel
estava com ele.
16 E chegando Husai, o arquita, amigo de Davi, a Absalão, disse-lhe: Viva o
rei, viva o rei!
17 Absalão, porém, perguntou a Husai: E esta a tua benevolência para com o teu
amigo? Por que não foste com o teu amigo?
18 Respondeu-lhe Husai: Não; pois aquele a quem o Senhor, e este povo, e todos
os homens de Israel têm escolhido, dele serei e com ele ficarei.
19 E, demais disto, a quem serviria eu? Porventura não seria a seu filho? como
servi a teu pai, assim servirei a ti.
20 Então disse Absalão a Aitofel: Dai o vosso conselho sobre o que devemos
fazer.
21 Respondeu Aitofel a Absalão: Entra às concubinas de teu pai, que ele deixou
para guardarem a casa; e assim todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecível
para com teu pai, e se fortalecerão as mãos de todos os que estão contigo.
22 Estenderam, pois, para Absalão uma tenda no terraço; e entrou Absalão às
concubinas de seu pai, à vista de todo o Israel.
23 E o conselho que Aitofel dava naqueles dias era como se o oráculo de Deus se
consultara; tal era todo o conselho de Aitofel, tanto para com Davi como para
Absalão.
II
SAMUEL
[17]
1 Disse mais Aitofel a
Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei, e perseguirei a
Davi esta noite.
2 Irei sobre ele, enquanto está cansado, e fraco de mãos, e o espantarei: então
fugirá todo o povo que está com ele. Ferirei tão-somente o rei;
3 e farei tornar a ti todo o povo, como uma noiva à casa do seu esposo; pois é
a vida dum só homem que tu buscas; assim todo o povo estará em paz.
4 E este conselho agradou a Absalão, e a todos os anciãos de Israel.
5 Disse, porém, Absalão: Chamai agora a Husai, o arquita, e ouçamos também o
que ele diz.
6 Quando Husai chegou a Absalão, este lhe disse: Desta maneira falou Aitofel;
faremos conforme a sua palavra? Se não, fala tu.
7 Então disse Husai a Absalão: O conselho que Aitofel deu esta vez não é bom.
8 Acrescentou Husai: Tu bem sabes que teu pai e os seus homens são valentes, e
que estão com o espírito amargurado, como a ursa no campo, roubada dos seus
cachorros; além disso teu pai é homem de guerra, e não passará a noite com o
povo.
9 Eis que agora está ele escondido nalguma cova, ou em qualquer outro lugar; e
será que, caindo alguns no primeiro ataque, todo o que o ouvir dirá: Houve
morticínio entre o povo que segue a Absalão.
10 Então até o homem valente, cujo coração é como coração de leão, sem dúvida
desmaiará; porque todo o Israel sabe que teu pai é valoroso, e que são valentes
os que estão com ele.
11 Eu, porém, aconselho que com toda a pressa se ajunte a ti todo o Israel,
desde Dã até Berseba, em multidão como a areia do mar; e que tu em pessoa vás à
peleja.
12 Então iremos a ele, em qualquer lugar em que se achar, e desceremos sobre
ele, como o orvalho cai sobre a terra; e nao ficará dele e de todos os homens
que estão com ele nem sequer um só.
13 se ele, porém, se retirar para alguma cidade, todo o Israel trará cordas
àquela cidade, e arrastá-la-emos até o ribeiro, até que não se ache ali nem uma
só pedrinha
14 Então Absalão e todos os homens e Israel disseram: Melhor é o conselho de
Husai, o arquita, do que o conselho de Aitofel: Porque assim o Senhor o
ordenara, para aniquilar o bom conselho de Aitofel, a fim de trazer o mal sobre
Absalão.
15 Também disse Husai a Zadoque e a Abiatar, sacerdotes: Assim e assim
aconselhou Aitofel a Absalão e aos anciãos de Israel; porém eu aconselhei assim
e assim.
16 Agora, pois, mandai apressadamente avisar a Davi, dizendo: Não passes esta
noite nos vaus do deserto; mas passa sem falta à outra banda, para que não seja
devorado o rei, e todo o povo que com ele está.
17 Ora, Jônatas e Aimaaz estavam esperando junto a En-Rogel; e foi uma criada,
e lhes avisou, para que eles fossem e o dissessem ao rei Davi; pois não deviam
ser vistos entrando na cidade.
18 Viu-os todavia um moço, e avisou a Absalão. Ambos, porém, partiram
apressadamente, e entraram em casa de um homem, em Baurim, o qual tinha no
pátio de sua casa um poço, para o qual eles desceram.
19 E a mulher, tomando a tampa, colocou-a sobre a boca do poço, e espalhou grão
triturado sobre ela; assim nada se soube.
20 Chegando, pois, os servos de Absalão àquela casa, perguntaram à mulher: Onde
estão Aimaaz e Jônatas? Respondeu-lhes a mulher: Já passaram a corrente das
águas. E, havendo-os procurado sem os encontrarem, voltaram para Jerusalém.
21 Depois que eles partiram, Aimaaz e Jônatas, saindo do poço, foram e avisaram
a Davi; e disseram-lhe: Levantai-vos, e passai depressa as águas, porque assim
e assim aconselhou contra vós Aitofel.
22 Então se levantou Davi e todo o povo que com ele estava, e passaram o
Jordão; e ao raiar da manhã não faltava nem um só que não o tivesse passado.
23 Vendo, pois, Aitofel que não se havia seguido o seu conselho, albardou o
jumento e, partindo, foi para casa, para a sua cidade; e, tendo posto em ordem
a sua casa, se enforcou e morreu; e foi sepultado na sepultura de seu pai.
24 Então Davi veio a Maanaim; e Absalão passou o Jordão, ele e todos os homens
de Israel com ele.
25 E Absalão colocou Amasa em lugar de Joabe sobre o exército. Ora, Amasa era
filho de um homem que se chamava Itra, o jizreelita, o qual entrara a Abigail,
filha de Naás e irmã de Zeruia, mãe de Joabe.
26 Israel e Absalão se acamparam na terra de Gileade.
27 Tendo Davi chegado a Maanaim, Sobi, filho de Naás, de Rabá dos filhos de
Amom, e Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita, de
Rogelim,
28 tomaram camas, bacias e vasilhas de barro; trigo, cevada, farinha, grão
tostado, favas, lentilhas e torradas;
29 mel, manteiga, ovelhas e queijos de vaca, e os trouxeram a Davi e ao povo
que com ele estava, para comerem; pois diziam: O povo está faminto, cansado e
sedento, no deserto.
II
SAMUEL
[18]
1 Então Davi contou o povo
que tinha consigo, e pôs sobre ele chefes de mil e chefes de cem.
2 E Davi enviou o exército, um terço sob o mando de Joabe, outro terço sob o
mando de Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe, e outro terço sob o mando de
Itai, o giteu. E disse o rei ao povo: Eu também sairei convosco.
3 Mas o povo respondeu: Não sairás; porque se fugirmos, eles não se importarão
conosco; nem se importarão conosco ainda que morra metade de nós; porque tu
vales por dez mil tais como nós. Melhor será que da cidade nos mandes socorro.
4 Respondeu-lhes o rei: Farei o que vos parecer bem. E o rei se pôs ao lado da
porta, e todo o povo saiu em centenas e em milhares.
5 E o rei deu ordem a Joabe, a Abisai e a Itai, dizendo: Tratai brandamente,
por amor de mim, o mancebo Absalão. E todo o povo ouviu quando o rei deu ordem
a todos os chefes acerca de Absalão.
6 Assim saiu o povo a campo contra Israel; e deu-se a batalha no bosque de
Efraim.
7 Ali o povo de Israel foi derrotado pelos servos de Davi; e naquele dia houve
ali grande morticínio, de vinte mil homens.
8 Pois a batalha se estendeu sobre a face de toda aquela terra, e o bosque
consumiu mais gente naquele dia do que a espada.
9 Por acaso Absalão se encontrou com os servos de Davi; e Absalão ia montado
num mulo e, entrando o mulo debaixo dos espessos ramos de um grande carvalho,
pegou-se a cabeça de Absalão no carvalho, e ele ficou pendurado entre o céu e a
terra; e o mulo que estava debaixo dele passou adiante.
10 um homem, vendo isso, contou-o a Joabe, dizendo: Eis que vi Absalão
pendurado dum carvalho.
11 Então disse Joabe ao homem que lho contara: Pois que o viste, por que não o
derrubaste logo por terra? E eu te haveria dado dez siclos de prata e um cinto.
12 Respondeu, porém, o homem a Joabe: Ainda que eu pudesse pesar nas minhas
mãos mil siclos de prata, não estenderia a mão contra o filho do rei; pois bem
ouvimos que o rei deu ordem a ti, e a Abisai, e a Itai, dizendo: Guardai-vos,
cada um, de tocar no mancebo Absalão.
13 E se eu tivesse procedido falsamente contra a sua vida, coisa nenhuma se
esconderia ao rei, e tu mesmo te oporias a mim:
14 Então disse Joabe: Não posso demorar-me assim contigo aqui. E tomou na mão
três dardos, e traspassou com eles o coração de Absalão, estando ele ainda vivo
no meio do carvalho.
15 E o cercaram dez mancebos, que levavam as armas de Joabe; e feriram a
Absalão, e o mataram.
16 Então tocou Joabe a buzina, e o povo voltou de perseguir a Israel; porque
Joabe deteve o povo.
17 E tomaram a Absalão e, lançando-o numa grande cova no bosque, levantaram
sobre ele mui grande montão de pedras. E todo o Israel fugiu, cada um para a
sua tenda.
18 Ora, Absalão, quando ainda vivia, tinha feito levantar para si a coluna que
está no vale do rei; pois dizia: Nenhum filho tenho para conservar a memoria o
meu nome. E deu o seu próprio nome àquela coluna, a qual até o dia de hoje se
chama o Pilar de Absalão.
19 Então disse Aimaaz, filho de Zadoque: Deixa-me correr, e anunciarei ao rei
que o Senhor o vingou a mão e seus inimigos.
20 Mas Joabe lhe disse: Tu não serás hoje o portador das novas; outro dia as
levarás, mas hoje não darás a nova, porque é morto o filho do rei.
21 Disse, porém, Joabe ao cuchita: Vai tu, e dize ao rei o que viste. O cuchita
se inclinou diante de Joabe, e saiu correndo.
22 Então prosseguiu Aimaaz, filho de Zadoque, e disse a Joabe: Seja o que for,
deixa-me também correr após o cuchita. Respondeu Joabe: Para que agora
correrias tu, meu filho, pois não receberias recompensa pelas novas?
23 seja o que for, disse Aimaaz, correrei. Disse-lhe, pois, Joabe: Corre. Então
Aimaaz correu pelo caminho da planície, e passou adiante do cuchita.
24 Ora, Davi estava sentado entre as duas portas; e a sentinela subiu ao
terraçorém, percebeu que seus servos cochichavam entre si, um homem que corria
só.
25 Gritou, pois, a sentinela, e o disse ao rei. Respondeu o rei: Se vem só, é
portador de novas. Vinha, pois, o mensageiro aproximando-se cada vez mais.
26 Então a sentinela viu outro homem que corria, e gritou ao porteiro, e disse:
Eis que lá vem outro homem correndo só. Então disse o rei: Também esse traz
novas.
27 Disse mais a sentinela: O correr do primeiro parece ser o correr de Aimaaz,
filho de Zadoque. Então disse o rei: Este é homem de bem, e virá com boas
novas.
28 Gritou, pois, Aimaaz, e disse ao rei: Paz! E inclinou-se ao rei com o rosto
em terra, e disse: Bendito seja o Senhor teu Deus, que entregou os homens que
levantaram a mão contra o rei meu senhor.
29 Então perguntou o rei: Vai bem o mancebo Absalão? Respondeu Aimaaz: Quando
Joabe me mandou a mim, o servo do rei, vi um grande alvoroço; porem nao sei o
que era.
30 Disse-lhe o rei: Põe-te aqui ao lado. E ele se pôs ao lado, e esperou de pé.
31 Nisso chegou o cuchita, e disse: Novas para o rei meu senhor. Pois que hoje
o Senhor te vingou da mão de todos os que se levantaram contra ti.
32 Então perguntou o rei ao cuchita: Vai bem o mancebo Absalão? Respondeu o
cuchita: Sejam como aquele mancebo os inimigos do rei meu senhor, e todos os
que se levantam contra ti para te fazerem mal.
33 Pelo que o rei ficou muito comovido e, subindo à sala que estava por cima da
porta, pôs-se a chorar; e andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho,
meu filho Absalão! quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu
filho!
II
SAMUEL
[19]
1 Disseram a Joabe: Eis que o
rei está chorando e se lamentando por Absalão.
2 Então a vitória se tornou naquele dia em tristeza para todo o povo, porque
nesse dia o povo ouviu dizer: O rei está muito triste por causa de seu filho.
3 E nesse dia o povo entrou furtivamente na cidade, como o faz quando,
envergonhado, foge da peleja.
4 Estava, pois, o rei com o rosto coberto, e clamava em alta voz: Meu filho
Absalão, Absalão meu filho, meu filho!
5 Então entrou Joabe na casa onde estava o rei, e disse: Hoje envergonhaste
todos os teus servos, que livraram neste dia a tua vida, a vida de teus filhos
e filhas, e a vida de tuas mulheres e concubinas,
6 amando aos que te odeiam, e odiando aos que te amam. Porque hoje dás a
entender que nada valem para ti nem chefes nem servos; pois agora entendo que
se Absalão vivesse, e todos nós hoje fôssemos mortos, ficarias bem contente.
7 Levanta-te, pois, agora; sai e fala ao coração de teus servos. Porque pelo
Senhor te juro que, se não saíres, nem um só homem ficará contigo esta noite; e
isso te será pior do que todo o mal que tem vindo sobre ti desde a tua mocidade
até agora.
8 Pelo que o rei se levantou, e se sentou à porta; e avisaram a todo o povo,
dizendo: Eis que o rei está sentado à porta. Então todo o povo veio
apresentar-se diante do rei. Ora, Israel havia fugido, cada um para a sua
tenda.
9 Entrementes todo o povo, em todas as tribos de Israel, andava altercando
entre si, dizendo: O rei nos tirou das mãos de nossos inimigos, e nos livrou
das mãos dos filisteus; e agora fugiu da terra por causa de Absalão.
10 Também Absalão, a quem ungimos sobre nós, morreu na peleja. Agora, pois,
porque vos calais, e não fazeis voltar o rei?
11 Então o rei Davi mandou dizer a Zadoque e a Abiatar, sacerdotes: Falai aos
anciãos de Judá, dizendo: Por que seríeis vós os últimos em tornar a trazer o
rei para sua casa? Porque a palavra de todo o Israel tem chegado ao rei, até a
sua casa.
12 Vós sois meus irmãos; meus ossos e minha carne sois vós; por que, pois,
seríeis os últimos em tornar a trazer o rei?
13 Dizei a Amasa: Porventura não és tu meu osso e minha carne? Assim me faça
Deus e outro tanto, se não fores chefe do exercito diante e mim para sempre, em
lugar de Joabe.
14 Assim moveu ele o coração de todos os homens de Judá, como se fosse o de um
só homem; e enviaram ao rei, dizendo: Volta, com todos os teus servos.
15 Então o rei voltou, e chegou até o Jordão; e Judá veio a Gilgal, para
encontrar-se com o rei, a fim de fazê-lo passar o Jordão.
16 Ora, apressou-se Simei, filho de Gêra, benjamita, que era de Baurim, e
desceu com os homens de Judá a encontrar-se com o rei Davi;
17 e com ele mil homens de Benjamim, como também Ziba, servo da casa de Saul, e
seus quinze filhos, e seus vinte servos com ele; desceram apressadamente ao
Jordão adiante do rei,
18 atravessando o vau para trazer a casa do rei e para fazer o que aprouvesse a
ele. Quando o rei ia passar o Jordão, Simei, filho de Gêra, se prostrou diante
dele,
19 e lhe disse: Não me impute meu senhor à minha culpa, e não te lembres do que
tão perversamente fez teu servo, no dia em que o rei meu senhor saiu de
Jerusalém; não conserve o rei isso no coração.
20 Porque eu, teu servo, deveras confesso que pequei; por isso eis que eu sou o
primeiro, de toda a casa de José, a descer ao encontro do rei meu senhor.
21 Respondeu Abisai, filho de Zeruia, dizendo: Não há de ser morto Simei por
haver amaldiçoado ao ungido do Senhor?
22 Mas Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me
sejais adversários? Será morto alguém hoje em Israel? pois não sei eu que hoje
sou rei sobre Israel?
23 Então disse o rei a Simei: Não morrerás. E o rei lho jurou.
24 Também Mefibosete, filho de Saul, desceu a encontrar-se com o rei, e não
cuidara dos pés, nem fizera a barba, nem lavara as suas vestes desde o dia em
que o rei saíra até o dia em que voltou em paz.
25 E sucedeu que, vindo ele a Jerusalém a encontrar-se com o rei, este lhe
perguntou: Por que não foste comigo, Mefibosete?
26 Respondeu ele: O rei meu senhor, o meu servo me enganou. Porque o teu servo
dizia: Albardarei um jumento, para nele montar e ir com o rei; pois o teu servo
é coxo.
27 E ele acusou falsamente o teu servo diante do rei meu senhor; porém o rei
meu senhor é como um anjo de Deus; faze, pois, o que bem te parecer.
28 Pois toda a casa de meu pai não era senão de homens dignos de morte diante
do rei meu senhor; contudo, puseste teu servo entre os que comem à tua mesa. E
que direito mais tenho eu de clamar ainda ao rei.
29 Ao que lhe respondeu o rei: Por que falas ainda de teus negócios? Já decidi:
Tu e Ziba reparti as terras.
30 Então disse Mefibosete ao rei: Deixe que ele tome tudo, uma vez que o rei
meu senhor já voltou em paz à sua casa.
31 Também Barzilai, o gileadita, desceu de Rogelim, e passou com o rei o
Jordão, para acompanhá-lo até a outra banda do rio.
32 E era Barzilai mui velho, da idade de oitenta anos; e ele tinha provido o
rei de víveres enquanto este se demorara em Maanaim, pois era homem muito rico.
33 Disse, pois, o rei a Barzilai: Passa tu comigo e eu te sustentarei em
Jerusalém, em minha companhia.
34 Barzilai, porém, respondeu ao rei: Quantos anos viverei ainda, para que suba
com o rei a Jerusalém.
35 Oitenta anos tenho hoje; poderei eu discernir entre e bom e o mau? poderá o
teu servo perceber sabor no que comer e beber? poderei eu mais ouvir a voz dos
cantores e das cantoras? e por que será o teu servo ainda pesado ao rei meu
senhor?
36 O teu servo passará com o rei até um pouco além do Jordão. Por que me daria
o rei tal recompensa?
37 Deixa voltar o teu servo, para que eu morra na minha cidade, junto à
sepultura de meu pai e de minha mãe. Mas eis aí o teu servo Quimã; passe ele
com o rei meu senhor, e faze-lhe o que for do teu agrado.
38 Ao que disse o rei: Quimã passará comigo, e eu lhe farei o que te parecer
bem, e tudo quanto me pedires te farei.
39 Havendo, pois, todo o povo passado o Jordão, e tendo passado também o rei,
beijou o rei a Barzilai, e o abençoou; e este voltou para o seu lugar.
40 Dali passou o rei a Gilgal, e Quimã com ele; e todo o povo de Judá,
juntamente com a metade do povo de Israel, conduziu o rei.
41 Então todos os homens de Israel vieram ter com o rei, e lhe disseram: Por
que te furtaram nossos irmãos, os homens de Judá, e fizeram passar o Jordão o
rei e a sua casa, e todos os seus homens com ele?
42 Responderam todos os homens de Judá aos homens de Israel: Porquanto o rei é
nosso parente: Por que vos irais por isso. Acaso temos comido à custa do rei,
ou nos deu ele algum presente?
43 Ao que os homens de Israel responderam aos homens de Judá: Dez partes temos
no rei; mais temos nós em Davi do que vós. Por que, pois, fizestes pouca conta
de nós. Não foi a nossa palavra a primeira, para tornar a trazer o nosso rei?
Porém a palavra dos homens de Judá foi mais forte do que a palavra dos homens
de Israel.
II
SAMUEL
[20]
1 Ora, sucedeu achar-se ali
um homem de Belial, cujo nome era Sebá, filho de Bicri, homem de Benjamim, o qual
tocou a buzina, e disse: Não temos parte em Davi, nem herança no filho de
Jessé; cada um à sua tenda, ó Israel!
2 Então todos os homens de Israel se separaram de Davi, e seguiram a Sebá,
filho de Bicri; porém os homens de Judá seguiram ao seu rei desde o Jordão até
Jerusalém.
3 Quando Davi chegou à sua casa em Jerusalém, tomou as dez concubinas que
deixara para guardarem a casa, e as pôs numa casa, sob guarda, e as sustentava;
porém não entrou a elas. Assim estiveram encerradas até o dia da sua morte, vivendo
como viúvas.
4 Disse então o rei a Amasa: Convoca-me dentro de três dias os homens de Judá,
e apresenta-te aqui.
5 Foi, pois, Amasa para convocar a Judá, porém demorou-se além do tempo que o
rei lhe designara.
6 Então disse Davi a Abisai: Mais mal agora nos fará Sebá, filho de Bicri, do
que Absalão; toma, pois, tu os servos de teu senhor, e persegue-o, para que ele
porventura não ache para si cidades fortificadas, e nos escape à nossa vista.
7 Então saíram atrás dele os homens de Joabe, e os quereteus, e os peleteus, e
todos os valentes; saíram de Jerusalém para perseguirem a Sebá, filho de Bicri.
8 Quando chegaram à pedra grande que está junto a Gibeão, Amasa lhes veio ao
encontro. Estava Joabe cingido do seu traje de guerra que vestira, e sobre ele
um cinto com a espada presa aos seus lombos, na sua bainha; e, adiantando-se
ele, a espada caiu da bainha.
9 E disse Joabe a Amasa: Vais bem, meu irmão? E Joabe, com a mão direita, pegou
da barba de Amasa, para o beijar.
10 Amasa, porém, não reparou na espada que está na mão de Joabe; de sorte que
este o feriu com ela no ventre, derramando-lhe por terra as entranhas, sem
feri-lo segunda vez; e ele morreu. Então Joabe e Abisai, seu irmão, perseguiram
a Sebá, filho de Bicri.
11 Mas um homem dentre os servos de Joabe ficou junto a Amasa, e dizia: Quem
favorece a Joabe, e quem é por Davi, siga a Joabe.
12 E Amasa se revolvia no seu sangue no meio do caminho. E aquele homem, vendo
que todo o povo parava, removeu Amasa do caminho para o campo, e lançou sobre
ele um manto, porque viu que todo aquele que chegava ao pé dele parava.
13 Mas removido Amasa do caminho, todos os homens seguiram a Joabe, para
perseguirem a Sebá, filho de Bicri.
14 Então Sebá passou por todas as tribos de Israel até Abel e Bete-Maacá; e
todos os beritas, ajuntando-se, também o seguiram.
15 Vieram, pois, e cercaram a Sebá em Abel de Bete-Maacá; e levantaram contra a
cidade um montão, que se elevou defronte do muro; e todo o povo que estava com
Joabe batia o muro para derrubá-lo.
16 Então uma mulher sábia gritou de dentro da cidade: Ouvi! ouvi! Dizei a
Joabe: Chega-te cá, para que eu te fale.
17 Ele, pois, se chegou perto dela; e a mulher perguntou: Tu és Joabe?
Respondeu ele: Sou. Ela lhe disse: Ouve as palavras de tua serva. Disse ele:
Estou ouvindo.
18 Então falou ela, dizendo: Antigamente costumava-se dizer: Que se peça
conselho em Abel; e era assim que se punha termo às questões.
19 Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em Israel; e tu procuras destruir uma
cidade que é mãe em Israel; por que, pois, devorarias a herança do Senhor?
20 Então respondeu Joabe, e disse: Longe, longe de mim que eu tal faça, que eu
devore ou arruíne!
21 A coisa não é assim; porém um só homem da região montanhosa de Efraim, cujo
nome é Sebá, filho de Bicri, levantou a mão contra o rei, contra Davi;
entregai-me só este, e retirar-me-ei da cidade. E disse a mulher a Joabe: Eis
que te será lançada a sua cabeça pelo muro.
22 A mulher, na sua sabedoria, foi ter com todo o povo; e cortaram a cabeça de
Sebá, filho de Bicri, e a lançaram a Joabe. Este, pois, tocou a buzina, e eles
se retiraram da cidade, cada um para sua tenda. E Joabe voltou a Jerusalém, ao
rei.
23 Ora, Joabe estava sobre todo o exército de Israel; e Benaías, filho de
Jeoiada, sobre os quereteus e os peleteus;
24 e Adorão sobre a gente de trabalhos forçados; Jeosafá, filho de Ailude, era
cronista;
25 Seva era escrivão; Zadoque e Abiatar, sacerdotes;
26 e Ira, o jairita, era o oficial-mor de Davi.
II
SAMUEL
[21]
1 Nos dias de Davi houve uma
fome de três anos consecutivos; pelo que Davi consultou ao Senhor; e o Senhor
lhe disse: E por causa de Saul e da sua casa sanguinária, porque matou os
gibeonitas.
2 Então o rei chamou os gibeonitas e falou com eles (ora, os gibeonitas não
eram dos filhos de Israel, mas do restante dos amorreus; e os filhos de Israel
tinham feito pacto com eles; porém Saul, no seu zelo pelos filhos de Israel e
de Judá, procurou feri-los);
3 perguntou, pois, Davi aos gibeonitas: Que quereis que eu vos faça. e como hei
de fazer expiação, para que abençoeis a herança do Senhor?
4 Então os gibeonitas lhe disseram: Não é por prata nem ouro que temos questão
com Saul e com a sua casa; nem tampouco cabe a nós matar pessoa alguma em
Israel. Disse-lhes Davi: Que quereis que vos faça?
5 Responderam ao rei: Quanto ao homem que nos consumia, e procurava
destruir-nos, de modo que não pudéssemos subsistir em termo algum de Israel,
6 de seus filhos se nos dêem sete homens, para que os enforquemos ao Senhor em
Gibeá de Saul, o eleito do Senhor. E o rei disse: Eu os darei.
7 O rei, porém, poupou a Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa
do juramento do Senhor que entre eles houvera, isto é, entre Davi e Jônatas,
filho de Saul.
8 Mas o rei tomou os dois filhos de Rizpa, filha de Aías, que ela tivera de
Saul, a saber, a Armoni e a Mefibosete, como também os cinco filhos de Merabe,
filha de Saul, que ela tivera de Adriel, filho de Barzilai, meolatita,
9 e os entregou na mão dos gibeonitas, os quais os enforcaram no monte, perante
o Senhor; e os sete caíram todos juntos. Foi nos primeiros dias da sega que
foram mortos, no princípio a sega da cevada.
10 Então Rizpa, filha de Aías, tomando um pano de cilício, estendeu-o para si
sobre uma pedra e, desde o princípio da sega até que a água caiu do céu sobre
os corpos, não deixou que se aproximassem deles as aves do céu de dia, nem os
animais do campo de noite:
11 Quando foi anunciado a Davi o que fizera Rizpa, filha de Aías, concubina de
Saul,
12 ele foi e tomou os ossos de Saul e os de Jônatas seu filho, aos homens de
Jabes-Gileade, que os haviam furtado da praça de Bete-Sã, onde os filisteus os
tinham pendurado quando mataram a Saul em Gilboa;
13 e trouxe dali os ossos de Saul e os de Jônatas seu filho; e ajuntaram a eles
também os ossos dos enforcados.
14 Enterraram os ossos de Saul e de Jônatas seu filho, na terra de Benjamim, em
Zela, na sepultura de Quis, seu pai; e fizeram tudo o que o rei ordenara.
Depois disto Deus se aplacou para com a terra.
15 De novo tiveram os filisteus uma guerra contra Israel. E desceu Davi, e com
ele os seus servos; e tanto pelejara contra os filisteus, que Davi se cansou.
16 E Isbi-Benobe, que era dos filhos do gigante, cuja lança tinha o peso de
trezentos, siclos de bronze, e que cingia uma espada nova, intentou matar Davi.
17 Porém, Abisai, filho de Zeruia, o socorreu; e, ferindo ao filisteu, o matou.
Então os homens de Davi lhe juraram, dizendo: Nunca mais sairás conosco à
batalha, para que não apagues a lâmpada de Israel.
18 Aconteceu depois disto que houve em Gobe ainda outra peleja contra os
filisteus; então Sibecai, o husatita, matou Safe, que era dos filhos do
gigante.
19 Houve mais outra peleja contra os filisteus em Gobe; e El-Hanã, filho de
Jaaré-Oregim, o belemita, matou Golias, o giteu, de cuja lança a haste era como
órgão de tecelão.
20 Houve ainda também outra peleja em Gate, onde estava um homem de alta
estatura, que tinha seis dedos em cada mão, e seis em cada pé, vinte e quatro
por todos; também este era descendente do gigante.
21 Tendo ele desafiado a Israel, Jônatas, filho de Simei, irmão de Davi, o
matou.
22 Estes quatro nasceram ao gigante em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela
mão de seus servos.
II
SAMUEL
[22]
1 Davi dirigiu ao Senhor as
palavras deste cântico, no dia em que o Senhor o livrou das mãos de todos os
seus inimigos e das mãos de Saul, dizendo:
2 O Senhor é o meu rochedo, a minha fortaleza e o meu libertador.
3 É meu Deus, a minha rocha, nele confiarei; é o meu escudo, e a força da minha
salvação, o meu alto retiro, e o meu refúgio. O meu Salvador; da violência tu
me livras.
4 Ao Senhor invocarei, pois é digno de louvor; assim serei salvo dos meus
inimigos.
5 As ondas da morte me cercaram, as torrentes de Belial me atemorizaram.
6 Cordas do Seol me cingiram, laços de morte me envolveram.
7 Na minha angústia invoquei ao Senhor; sim, a meu Deus clamei; do seu templo
ouviu ele a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.
8 Então se abalou e tremeu a terra, os fundamentos dos céus se moveram;
abalaram-se porque ele se irou.
9 Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca um fogo devorador, que pôs
carvões em chamas.
10 Ele abaixou os céus, e desceu; e havia escuridão debaixo dos seus pés.
11 Montou num querubim, e voou; apareceu sobre as asas do vento.
12 E por tendas pôs trevas ao redor de si, ajuntamento de águas, espessas
nuvens do céu.
13 Pelo resplendor da sua presença acenderam-se brasas de fogo.
14 Do céu trovejou o Senhor, o Altíssimo fez soar a sua vóz.
15 Disparou flechas, e os dissipou; raios, e os desbaratou.
16 Então apareceram as profundezas do mar; os fundamentos do mundo se
descobriram, pela repreensão do Senhor, pelo assopro do vento das suas narinas.
17 Estendeu do alto a sua mão e tomou-me; tirou-me das muitas águas.
18 Livrou-me do meu possante inimigo, e daqueles que me odiavam; porque eram
fortes demais para mim.
19 Encontraram-me no dia da minha calamidade, porém o Senhor se fez o meu
esteio.
20 Conduziu-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.
21 Recompensou-me o Senhor conforme a minha justiça; conforme a pureza e minhas
mãos me retribuiu.
22 Porque guardei os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu
Deus.
23 Pois todos os seus preceitos estavam diante de mim, e dos seus estatutos não
me desviei.
24 Fui perfeito para com ele, e guardei-me da minha iniqüidade.
25 Por isso me retribuiu o Senhor conforme a minha justiça, conforme a minha
pureza diante dos meus olhos.
26 Para com o benigno te mostras benigno; para com o perfeito te mostras
perfeito,
27 para com o puro te mostras puro, mas para com o perverso te mostras avesso.
28 Livrarás o povo que se humilha, mas teus olhos são contra os altivos, e tu
os abaterás.
29 Porque tu, Senhor, és a minha candeia; e o Senhor alumiará as minhas trevas.
30 Pois contigo passarei pelo meio dum esquadrão; com o meu Deus transporei um
muro.
31 Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito, e a palavra do Senhor é fiel; é ele
o escudo de todos os que nele se refugiam.
32 Pois quem é Deus, senão o Senhor? e quem é rocha, senão o nosso Deus?
33 Deus é a minha grande fortaleza; e ele torna perfeito o meu caminho.
34 Faz ele os meus pés como os das gazelas, e me põe sobre as minhas alturas.
35 Ele instrui as minhas mãos para a peleja, de modo que os meus braços podem
entesar um arco de bronze.
36 Também me deste o escudo da tua salvação, e tua brandura me engrandece.
37 Alargaste os meus passos debaixo de mim, e não vacilaram os meus artelhos.
38 Persegui os meus inimigos e os destruí, e nunca voltei atrás sem que os
consumisse.
39 Eu os consumi, e os atravessei, de modo que nunca mais se levantaram; sim,
cairam debaixo dos meus pés.
40 Pois tu me cingiste de força para a peleja; prostraste debaixo de mim os que
se levantaram contra mim.
41 Fizeste que me voltassem as costas os meus inimigos, aqueles que me odiavam,
para que eu os destruísse.
42 Olharam ao redor, mas não houve quem os salvasse; clamaram ao Senhor, mas
ele não lhes respondeu.
43 Então os moí como o pó da terra; como a lama das ruas os trilhei e dissipei.
44 Também me livraste das contendas do meu povo; guardaste-me para ser o cabeça
das nações; um povo que eu não conhecia me serviu.
45 Estrangeiros, com adulação, se submeteram a mim; ao ouvirem de mim, me
obedeceram.
46 Os estrangeiros desfaleceram e, tremendo, sairam os seus esconderijos.
47 O Senhor vive; bendita seja a minha rocha, e exaltado seja Deus, a rocha da
minha salvação,
48 o Deus que me deu vingança, e sujeitou povos debaixo de mim,
49 e me tirou dentre os meus inimigos; porque tu me exaltaste sobre os meus
adversarios; tu me livraste do homem violento.
50 Por isso, ó Senhor, louvar-te-ei entre as nações, e entoarei louvores ao teu
nome.
51 Ele dá grande livramento a seu rei, e usa de benignidade para com o seu
ungido, para com Davi e a sua descendência para sempre.
II
SAMUEL
[23]
1 São estas as últimas
palavras de Davi: Diz Davi, filho de Jessé, diz a homem que foi exaltado, o
ungido do Deus de Jacó, o suave salmista de Israel.
2 O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua palavra está na minha língua.
3 Falou o Deus de Israel, a Rocha de Israel me disse: Quando um justo governa
sobre os homens, quando governa no temor de Deus,
4 será como a luz da manhã ao sair do sol, da manhã sem nuvens, quando, depois
da chuva, pelo resplendor do sol, a erva brota da terra.
5 Pois não é assim a minha casa para com Deus? Porque estabeleceu comigo um
pacto eterno, em tudo bem ordenado e seguro; pois não fará ele prosperar toda a
minha salvação e todo o meu desejo?
6 Porém os ímpios todos serão como os espinhos, que se lançam fora, porque não
se pode tocar neles;
7 mas qualquer que os tocar se armará de ferro e da haste de uma lança; e a
fogo serão totalmente queimados no mesmo lugar.
8 São estes os nomes dos valentes de Davi: Josebe-Bassebete, o taquemonita; era
este principal dos três; foi ele que, com a lança, matou oitocentos de uma vez.
9 Depois dele Eleazar, filho de Dodó, filho de Aoí, um dos três valentes que
estavam com Davi, quando desafiaram os filisteus que se haviam reunido para a
peleja, enquanto os homens de Israel se retiravam.
10 Este se levantou, e feriu os filisteus, até lhe cansar a mão e ficar pegada
à espada; e naquele dia o Senhor operou um grande livramento; e o povo voltou
para junto de Eleazar, somente para tomar o despojo.
11 Depois dele era Samá, filho de Agé, o hararita. Os filisteus se haviam
ajuntado em Leí, onde havia um terreno cheio de lentilhas; e o povo fugiu de
diante dos filisteus.
12 Samá, porém, pondo-se no meio daquele terreno, defendeu-o e matou os
filisteus, e o Senhor efetuou um grande livramento.
13 Também três dos trinta cabeças desceram, no tempo da sega, e foram ter com
Davi, à caverna de Adulão; e a tropa dos filisteus acampara no vale de Refaim.
14 Davi estava então no lugar forte, e a guarnição dos filisteus estava em
Belém.
15 E Davi, com saudade, exclamou: Quem me dera beber da água da cisterna que
está junto a porta de Belém!
16 Então aqueles três valentes romperam pelo arraial dos filisteus, tiraram
água da cisterna que está junto a porta de Belém, e a trouxeram a Davi; porém
ele não quis bebê-la, mas derramou-a perante o Senhor;
17 e disse: Longe de mim, ó Senhor, que eu tal faça! Beberia eu o sangue dos
homens que foram com risco das suas vidas? De maneira que não a quis beber.
Isto fizeram aqueles três valentes.
18 Ora, Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era chefe dos trinta; e este
alçou a sua lança contra trezentos, e os matou, e tinha nome entre os três.
19 Porventura não era este o mais nobre dentre os trinta? portanto se tornou o
chefe deles; porém aos primeiros três não chegou.
20 Também Benaías, filho de Jeoiada, filho dum homem de Cabzeel, valoroso e de
grandes feitos, matou os dois filhos de Ariel de Moabe; depois desceu, e matou
um leão dentro duma cova, no tempo da neve.
21 Matou também um egípcio, homem de temível aspecto; tinha este uma lança na
mão, mas Benaías desceu a ele com um cajado, arrancou-lhe da mão a lança, e com
ela o matou.
22 Estas coisas fez Benaías, filho de Jeoiada, pelo que teve nome entre os três
valentes.
23 Dentre os trinta ele era o mais afamado, porém aos três primeiros não chegou.
Mas Davi o pôs sobre os seus guardas.
24 Asael, irmão de Joabe, era um dos trinta; El-Hanã, filho de Dodó, de Belém;
25 Samá, o harodita; Elica, o harodita;
26 Jelez, o paltita; Ira, filho de Iques, o tecoíta;
27 Abiezer, o anatotita; Mebunai, o husatita;
28 Zalmom, o aoíta; Maarai, o netofatita;
29 Helebe, filho de Baaná, o netofatita; Itai, filho de Ribai, de Gibeá dos
filhos de Benjamim;
30 Benaías, o piratonita; Hidai, das torrentes de Gaás;
31 Abi-Albom, o arbatita; Azmavete, o barumita;
32 Eliabá, o saalbonita; Bene-Jásen; e Jônatas;
33 Samá, o hararita; Aião, filho de Sarar, o hararita;
34 Elifelete, filho de Acasbai, filho do maacatita; Eliã, filho de Aitofel, o
gilonita;
35 Hezrai, o carmelita; Paarai, o arbita;
36 Igal, filho de Natã, de Zobá; Bani, o gadita;
37 Zeleque, o amonita; Naarai, o beerotita, o que trazia as armas de Joabe,
filho de Zeruia;
38 Ira, o itrita; Garebe, o itrita;
39 Urias, o heteu; trinta e sete ao todo.
II
SAMUEL
[24]
1 A ira do Senhor tornou a
acender-se contra Israel, e o Senhor incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai,
numera a Israel e a Judá.
2 Disse, pois, o rei a Joabe, chefe do exército, que estava com ele: Percorre
todas as tribos de Israel, desde Dã até Berseba, e numera o povo, para que eu
saiba o seu número.
3 Então disse Joabe ao rei: Ora, multiplique o Senhor teu Deus a este povo cem
vezes tanto quanto agora é, e os olhos do rei meu senhor o vejam. Mas por que
tem prazer nisto o rei meu senhor;
4 Todavia a palavra do rei prevaleceu contra Joabe, e contra os chefes do
exército; Joabe, pois, saiu com os chefes do exército da presença do rei para
numerar o povo de Israel.
5 Tendo eles passado o Jordão, acamparam-se em Aroer, à direita da cidade que
está no meio do vale de Gade e na direção de Jazer;
6 em seguida foram a Gileade, e a terra de Tatim-Hódsi; dali foram a Da-Jaã, e
ao redor até Sidom;
7 depois foram à fortaleza de Tiro, e a todas as cidades dos heveus e dos
cananeus; e saíram para a banda do sul de Judá, em Berseba.
8 Assim, tendo percorrido todo o país, voltaram a Jerusalém, ao cabo de nove
meses e vinte dias.
9 Joabe, pois, deu ao rei o resultado da numeração do povo. E havia em Israel
oitocentos mil homens valorosos, que arrancavam da espada; e os homens de Judá
eram quinhentos mil.
10 Mas o coração de Davi o acusou depois de haver ele numerado o povo; e disse
Davi ao Senhor: Muito pequei no que fiz; porém agora, ó Senhor, rogo-te que
perdoes a iniqüidade do teu servo, porque tenho procedido mui nesciamente.
11 Quando, pois, Davi se levantou pela manhã, veio a palavra do Senhor ao
profeta Gade, vidente de Davi, dizendo:
12 Vai, e dize a Davi: Assim diz o Senhor: Três coisas te ofereço; escolhe qual
delas queres que eu te faça.
13 Veio, pois, Gade a Davi, e fez-lho saber dizendo-lhe: Queres que te venham
sete anos de fome na tua terra; ou que por três meses fujas diante de teus
inimigos, enquanto estes te perseguirem; ou que por três dias haja peste na tua
terra? Delibera agora, e vê que resposta hei de dar àquele que me enviou.
14 Respondeu Davi a Gade: Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do
Senhor, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não
caia eu.
15 Então enviou o Senhor a peste sobre Israel, desde a manhã até o tempo
determinado; e morreram do povo, desde Dã até Berseba, setenta mil homens.
16 Ora, quando o anjo estendeu a mão sobre Jerusalém, para a destruir, o Senhor
se arrependeu daquele mal; e disse ao anjo que fazia a destruição entre o povo:
Basta; retira agora a tua mão. E o anjo do Senhor estava junto à eira de
Araúna, o jebuseu.
17 E, vendo Davi ao anjo que feria o povo, falou ao Senhor, dizendo: Eis que eu
pequei, e procedi iniquamente; porém estas ovelhas, que fizeram? Seja, pois, a
tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai.
18 Naquele mesmo dia veio Gade a Davi, e lhe disse: Sobe, levanta ao Senhor um
altar na eira de Araúna, o jebuseu:
19 Subiu, pois, Davi, conforme a palavra de Gade, como o Senhor havia ordenado.
20 E olhando Araúna, viu que vinham ter com ele o rei e os seus servos; saiu,
pois, e inclinou-se diante do rei com o rosto em terra.
21 Perguntou Araúna: Por que vem o rei meu senhor ao seu servo? Respondeu Davi:
Para comprar de ti a eira, a fim de edificar nela um altar ao Senhor, para que
a praga cesse de sobre o povo.
22 Então disse Araúna a Davi: Tome e ofereça o rei meu senhor o que bem lhe
parecer; eis aí os bois para o holocausto, e os trilhos e os aparelhos dos bois
para lenha.
23 Tudo isto, ó rei, Araúna te oferece. Disse mais Araúna ao rei: O Senhor teu
Deus tome prazer em ti.
24 Mas o rei disse a Araúna: Não! antes to comprarei pelo seu valor, porque não
oferecerei ao Senhor meu Deus holocaustos que não me custem nada. Comprou,
pois, Davi a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata.
25 E edificou ali um altar ao Senhor, e ofereceu holocaustos e ofertas
pacíficas. Assim o Senhor se tornou propício para com a terra, e cessou aquela
praga de sobre Israel.
[1]
1 Ora, o rei Davi era já
velho, de idade mui avançada; e por mais que o cobrissem de roupas não se
aquecia.
2 Disseram-lhe, pois, os seus servos: Busque-se para o rei meu senhor uma jovem
donzela, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele; e durma no seu seio,
para que o rei meu senhor se aqueça.
3 Assim buscaram por todos os termos de Israel uma jovem formosa; e acharam
Abisague, a sunamita, e a trouxeram ao rei.
4 Era a jovem sobremaneira formosa; e cuidava do rei, e o servia; porém o rei
não a conheceu.
5 Então Adonias, filho de Hagite, se exaltou e disse: Eu reinarei. E preparou
para si carros e cavaleiros, e cinqüenta homens que corressem adiante dele.
6 Ora, nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? Além
disso, era ele muito formoso de parecer; e era mais moço do que Absalão.
7 E teve entendimento com Joabe, filho de Zeruia, e com o sacerdote Abiatar, os
quais aderiram a ele e o ajudavam.
8 Mas Zadoque, o sacerdote, e Benaías, filho de Jeoiada, e Natã, o profeta, e
Simei, e Rei, e os valentes que Davi tinha, não eram por Adonias.
9 Adonias matou ovelhas, bois e animais cevados, junto à pedra de Zoelete, que
está perto de En-Rogel; e convidou a todos os seus irmãos, os filhos do rei, e
a todos os homens de Judá, servos do rei;
10 porém a Natã, o profeta, e a Benaías, e aos valentes, e a Salomão, seu
irmão, não os convidou.
11 Então falou Natã a Bate-Seba, mãe de Salomão, dizendo: Não ouviste que
Adonias, filho de Hagite, reina? e que nosso senhor Davi não o sabe?
12 Vem, pois, agora e deixa-me dar-te um conselho, para que salves a tua vida,
e a de teu filho Salomão.
13 Vai à presença do rei Davi, e dize-lhe: Não juraste, ó rei meu senhor, à tua
serva, dizendo: Certamente teu filho Salomão reinará depois de mim, e se
assentará no meu trono? Por que, pois, reina Adonias?
14 Eis que, estando tu ainda a falar com o rei, eu também entrarei depois de
ti, e confirmarei as tuas palavras.
15 Foi, pois, Bate-Seba à presença do rei na sua câmara. Ele era mui velho; e
Abisague, a sunamita, o servia.
16 Bate-Seba inclinou a cabeça, e se prostrou perante o rei. Então o rei lhe
perguntou: Que queres?
17 Respondeu-lhe ela: Senhor meu, tu juraste à tua serva pelo Senhor teu Deus,
dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e se assentará no meu
trono.
18 E agora eis que Adonias reina; e tu, ó rei meu senhor, não o sabes.
19 Ele matou bois, animais cevados e ovelhas em abundância, e convidou a todos
os filhos do rei, e a Abiatar, o sacerdote, e a Joabe, general do exército; mas
a teu servo Salomão não o convidou.
20 Mas, ó rei meu senhor, os olhos de todo o Israel estão sobre ti, para que
lhes declares quem há de assentar-se no teu trono depois de ti.
21 Doutro modo sucederá que, quando o rei meu senhor dormir com seus pais, eu e
Salomão meu filho seremos tidos por ofensores.
22 Enquanto ela ainda falava com o rei, eis que chegou o profeta Natã.
23 E o fizeram saber ao rei, dizendo: Eis aí está o profeta Natã. Entrou Natã à
presença do rei, inclinou-se perante ele com o rosto em terra,
24 e disse: ç rei meu senhor, acaso disseste: Adonias reinará depois de mim, e
se assentará no meu trono?
25 Pois ele hoje desceu, e matou bois, animais cevados e ovelhas em abundância,
e convidou a todos os filhos do rei, e aos chefes do exército, e ao sacerdote
Abiatar; e eis que comem e bebem perante ele, e dizem: Viva o rei Adonias!
26 Porém a mim teu servo, e ao sacerdote Zadoque, e a Benaías, filho de
Jeoiada, e ao teu servo Salomão, não convidou.
27 Foi feito isso da parte do rei meu senhor? e não fizeste saber a teu servo
quem havia de assentar-se no teu trono depois de ti?
28 Respondeu o rei Davi: Chamai-me a Bate-Seba. E ela entrou à presença do rei,
e ficou de pé diante dele.
29 Então o rei jurou, dizendo: Vive o Senhor, o qual remiu a minha alma de toda
a angústia,
30 que, assim como te jurei pelo Senhor Deus de Israel, dizendo: Teu filho
Salomão há de reinar depois de mim, e ele se assentará no meu trono, em meu
lugar; assim mesmo o cumprirei hoje.
31 Então Bate-Seba, inclinando-se com o rosto em terra perante o rei, fez-lhe
reverência e disse: Viva para sempre o rei Davi meu senhor!
32 Depois disse o rei Davi: Chamai-me a Zadoque, o sacerdote, e a Natã, o
profeta, e a Benaías, filho de Jeoiada. E estes entraram à presença do rei.
33 E o rei lhes disse: Tomai convosco os servos de vosso senhor, fazei montar
meu filho Salomão na minha mula, e levai-o a Giom.
34 E Zadoque, o sacerdote, com Natã, o profeta, ali o ungirão rei sobre Israel.
E tocareis a trombeta, e direis: Viva o rei Salomão!
35 Então subireis após ele, e ele virá e se assentará no meu trono; pois
reinará em meu lugar, porquanto o tenho designado para ser príncipe sobre
Israel e sobre Judá.
36 Ao que Benaías, filho de Jeoiada, respondeu ao rei, dizendo: Amém; assim o
diga também o Senhor Deus do rei meu senhor.
37 Como o Senhor foi com o rei meu senhor, assim seja ele com Salomão, e faça
que o seu trono seja maior do que o trono do rei Davi meu senhor.
38 Pelo que desceram Zadoque, o sacerdote, e Natã, o profeta, e Benaías, filho
de Jeoiada, e os quereteus, e os peleteus, e fizeram montar Salomão na mula que
era do rei Davi, e o levaram a Giom.
39 Então Zadoque, o sacerdote, tomou do tabernáculo o vaso do azeite e ungiu a
Salomão. Então tocaram a trombeta, e todo o povo disse: Viva o rei Salomão!
40 E todo o povo subiu após ele, tocando flauta e alegrando-se sobremaneira, de
modo que a terra retiniu com o seu clamor.
41 Adonias e todos os convidados que estavam com ele o ouviram, ao acabarem de
comer. E ouvindo Joabe o soar das trombetas, disse: Que quer dizer este
alvoroço na cidade?
42 Ele ainda estava falando, quando chegou Jônatas, filho de Abiatar, o
sacerdote; e disse Adonias: Entra, porque és homem de bem, e trazes boas novas.
43 Respondeu Jônatas a Adonias: Deveras! O rei Davi, nosso senhor, constituiu
rei a Salomão.
44 E o rei enviou com ele Zadoque, o sacerdote, e Natã, o profeta, e Benaías, filho
de Jeoiada, os quereteus e os peleteus; e eles o fizeram montar na mula do rei.
45 E Zadoque, o sacerdote, e Natã, o profeta, ungiram-no rei em Giom; e dali
subiram cheios de alegria, e a cidade está alvoroçada. Este é o clamor que
ouvistes.
46 E Salomão já está assentado no trono do reino.
47 Além disso os servos do rei vieram abençoar o nosso senhor, o rei Davi,
dizendo: Faça teu Deus o nome de Salomão mais célebre do que o teu nome, e faça
o seu trono maior do que o teu trono. E o rei se inclinou no leito.
48 Também assim falou o rei: Bendito o Senhor Deus de Israel, que hoje tem dado
quem se assente no meu trono, e que os meus olhos o vissem.
49 Então, tomados de pavor, levantaram-se todos os convidados que estavam com
Adonias, e cada qual se foi seu caminho.
50 Adonias, porém, temeu a Salomão e, levantando-se, foi apegar-se às pontas do
altar.
51 E foi dito a Salomão: Eis que Adonias teme ao rei Salomão; pois que se
apegou às pontas do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará o
seu servo à espada.
52 Ao que disse Salomão: Se ele se houver como homem de bem, nem um só de seus
cabelos cairá em terra; se, porém, se houver dolosamente, morrerá.
53 Então o rei Salomão deu ordem, e tiraram Adonias do altar. E vindo ele,
inclinou-se perante o rei Salomão, o qual lhe disse: Vai para tua casa.
I
REIS
[2]
1 Ora, aproximando-se o dia
da morte de Davi, deu ele ordem a Salomão, seu filho, dizendo:
2 Eu vou pelo caminho de toda a terra; sê forte, pois, e porta-te como homem.
3 Guarda as ordenanças do Senhor teu Deus, andando nos seus caminhos, e
observando os seus estatutos, os seus mandamentos, os seus preceitos e os seus
testemunhos, como está escrito na lei de Moisés, para que prosperes em tudo
quanto fizeres e por onde quer que fores,
4 e para que o Senhor confirme a palavra que falou acerca de mim, dizendo: Se
teus filhos guardarem os seus caminhos, andando perante a minha face fielmente,
com todo o seu coração e com toda a sua alma, nunca te faltará sucessor ao
trono de Israel.
5 Tu sabes também o que me fez Joabe, filho de Zeruia, a saber, o que fez aos
dois chefes do exército de Israel, a Abner, filho de Ner, e a Amasa, filho de
Jeter, os quais ele matou, e em tempo de paz derramou o sangue de guerra,
manchando com ele o cinto que tinha nos lombos, e os sapatos que trazia nos
pés.
6 Faze, pois, segundo a tua sabedoria, e não permitas que suas cãs desçam à
sepultura em paz.
7 Mas para com os filhos de Barzilai, o gileadita, usa de benevolência, e
estejam eles entre os que comem à tua mesa; porque assim se houveram comigo,
quando eu fugia por causa de teu irmão Absalão.
8 E eis que também contigo está Simei, filho de Gêra, benjamita, de Baurim, que
me lançou atroz maldição, no dia em que eu ia a Maanaim; porém ele saiu a
encontrar-se comigo junto ao Jordão, e eu lhe jurei pelo Senhor, dizendo: Não
te matarei à espada.
9 Agora, porém, não o tenhas por inocente; pois és homem sábio, e bem saberás o
que lhe hás de fazer; farás com que as suas cãs desçam à sepultura com sangue.
10 Depois Davi dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi.
11 E foi o tempo que Davi reinou sobre Israel quarenta anos: sete anos reinou
em Hebrom, e em Jerusalém reinou trinta e três anos.
12 Salomão, pois, assentou-se no trono de Davi, seu pai; e o seu reino se fortificou
sobremaneira.
13 Então Adonias, filho de Hagite, veio a Bate-Seba, mãe de Salomão; e
perguntou ela: De paz é a tua vinda? Respondeu ele: É de paz.
14 E acrescentou: Uma palavra tenho que dizer-te. Respondeu ela: Fala.
15 Disse, pois, ele: Bem sabes que o reino era meu, e que todo o Israel tinha
posto a vista em mim para que eu viesse a reinar; contudo o reino se transferiu
e veio a ser de meu irmão, porque foi feito seu pelo Senhor.
16 Agora uma só coisa te peço; não ma recuses. Ela lhe disse: Fala.
17 E ele disse: Peço-te que fales ao rei Salomão (porque ele não to recusará) ,
que me dê por mulher a Abisague, a sunamita.
18 Respondeu Bate-Seba: Pois bem; eu falarei por ti ao rei.
19 Foi, pois, Bate-Seba ter com o rei Salomão, para falar-lhe por Adonias. E o
rei se levantou a encontrar-se com ela, e se inclinou diante dela; então,
assentando-se no seu trono, mandou que pusessem um trono para a rainha-mãe; e
ela se assentou à sua direita.
20 Então disse ela: Só uma pequena coisa te peço; não ma recuses. Respondeu-lhe
o rei: Pede, minha mãe, porque não ta recusarei.
21 E ela disse: Dê-se Abisague, a sunamita, por mulher a teu irmão Adonias.
22 Então respondeu o rei Salomão, e disse a sua mãe: E por que pedes Abisague,
a sunamita, para Adonias? Pede também para ele o reino (porque é meu irmão mais
velho); sim, para ele, e também para Abiatar, o sacerdote, e para Joabe, filho
de Zeruia.
23 E jurou o rei Salomão pelo Senhor, dizendo: Assim Deus me faça, e outro
tanto, se não falou Adonias esta palavra contra a sua vida.
24 Agora, pois, vive o Senhor, que me confirmou e me fez assentar no trono de
Davi, meu pai, e que me estabeleceu casa, como tinha dito, que hoje será morto
Adonias.
25 E o rei Salomão deu ordem a Benaías, filho de Jeoiada, o qual feriu a Adonias,
de modo que morreu.
26 Também a Abiatar, o sacerdete, disse o rei: Vai para Anatote, para os teus
campos, porque és homem digno de morte; porém hoje não te matarei, porquanto
levaste a arca do Senhor Deus diante de Davi, meu pai, e porquanto participaste
de todas as aflições de meu pai.
27 Salomão, pois, expulsou Abiatar, para que não fosse sacerdote do Senhor,
assim cumprindo a palavra que o Senhor tinha dito acerca da casa de Eli em
Siló.
28 Ora, veio esta notícia a Joabe (pois Joabe se desviara após Adonias, ainda
que não se tinha desviado após Absalão) ; pelo que Joabe fugiu para o
tabernáculo do Senhor, e apegou-se as pontas do altar.
29 E disseram ao rei Salomão: Joabe fugiu para o tabernáculo do Senhor; e eis
que está junto ao altar. Então Salomão enviou Benaías, filho de Jeoiada,
dizendo: Vai, mata-o.
30 Foi, pois, Benaías ao tabernáculo do Senhor, e disse a Joabe: Assim diz o
rei: Sai daí. Respondeu Joabe: Não! porém aqui morrerei. E Benaías tornou com a
resposta ao rei, dizendo: Assim falou Joabe, e assim me respondeu.
31 Ao que lhe disse o rei: Faze como ele disse; mata-o, e sepulta-o, para que
tires de sobre mim e de sobre a casa de meu pai o sangue que Joabe sem causa
derramou.
32 Assim o Senhor fará recair o sangue dele sobre a sua cabeça, porque deu
sobre dois homens mais justos e melhores do que ele, e os matou à espada, sem
que meu pai Davi o soubesse, a saber: a Abner, filho de Ner, chefe do exército
de Israel, e a Amasa, filho de Jeter, chefe do exército de Judá.
33 Assim recairá o sangue destes sobre a cabeça de Joabe e sobre a cabeça da
sua descendência para sempre; mas a Davi, e à sua descendência, e à sua casa, e
ao seu trono, o Senhor dará paz para sempre.
34 Então Benaías, filho de Jeoiada, subiu e, arremetendo contra Joabe, o matou.
E foi sepultado em sua casa, no deserto.
35 Em lugar dele o rei pôs a Benaías, filho de Jeoiada, sobre o exército; e a
Zadoque, o sacerdote, pôs em lugar de Abiatar.
36 Depois o rei mandou chamar a Simei e lhe disse: Edifica para ti uma casa em
Jerusalém, habita aí, e daí não saias, nem para uma nem para outra parte.
37 E fica sabendo que, no dia em que saíres e passares o ribeiro de Cedrom, de
certo hás de morrer. O teu sangue será sobre a tua cabeça.
38 Respondeu Simei ao rei: Boa é essa palavra; como tem dito o rei meu senhor,
assim fará o teu servo. E Simei habitou em Jerusalém muitos dias.
39 Sucedeu porém que, ao cabo de três anos, dois servos de Simei fugiram para
Aquis, filho de Maacá, rei de Gate. E deram parte a Simei, dizendo: Eis que
teus servos estão em Gate.
40 Então Simei se levantou, albardou o seu jumento e foi a Gate ter com Aquis,
em busca dos seus servos; assim foi Simei, e os trouxe de Gate.
41 Disseram a Salomão que Simei fora de Jerusalém a Gate, e já havia voltado.
42 Então o rei mandou chamar a Simei e lhe disse: Não te conjurei pelo Senhor e
não te protestei, dizendo: No dia em que saíres para qualquer parte, sabe de
certo que hás de morrer? E tu me disseste: Boa é essa palavra que ouvi.
43 Por que, então, não guardaste o juramento do Senhor, e a ordem que te dei?
44 Disse-lhe mais: Bem sabes tu, e o teu coração reconhece toda a maldade que
fizeste a Davi, meu pai; pelo que o Senhor fará recair a tua maldade sobre a
tua cabeça.
45 Mas o rei Salomão será abençoado, e o trono de Davi será confirmado perante
o Senhor para sempre:
46 E o rei deu ordem a Benaías, filho de Jeoiada, o qual saiu, e feriu a Simei,
de modo que morreu. Assim foi confirmado o reino na mão de Salomão.
I
REIS
[3]
1 Ora, Salomão aparentou-se
com Faraó, rei do Egito, pois tomou por mulher a filha dele; e a trouxe à
cidade de Davi, até que acabasse de edificar a sua casa, e a casa do Senhor, e
a muralha de Jerusalém em redor.
2 Entretanto o povo oferecia sacrifícios sobre os altos, porque até aqueles
dias ainda não se havia edificado casa ao nome do Senhor.
3 E Salomão amava ao Senhor, andando nos estatutos de Davi, seu pai; exceto que
nos altos oferecia sacrifícios e queimava incenso.
4 Foi, pois, o rei a Gibeão para oferecer sacrifícios ali, porque aquele era o
principal dentre os altos; mil holocaustos sacrificou Salomão naquele altar.
5 Em Gibeão apareceu o Senhor a Salomão de noite em sonhos, e disse-lhe: Pede o
que queres que eu te dê.
6 Respondeu Salomão: De grande benevolência usaste para com teu servo Dai, meu
pai, porquanto ele andou diante de ti em verdade, em justiça, e em retidão de
coração para contigo; e guardaste-lhe esta grande benevolência, e lhe deste um
filho, que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia.
7 Agora, pois, ó Senhor meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi,
meu pai. E eu sou apenas um menino pequeno; nao sei como sair, nem como entrar.
8 Teu servo está no meio do teu povo que elegeste, povo grande, que nem se pode
contar, nem numerar, pela sua multidão.
9 Dá, pois, a teu servo um coração entendido para julgar o teu povo, para que
prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque, quem poderia julgar a este
teu tão grande povo?
10 E pareceu bem aos olhos do Senhor o ter Salomão pedido tal coisa.
11 Pelo que Deus lhe disse: Porquanto pediste isso, e não pediste para ti
muitos dias, nem riquezas, nem a vida de teus inimigos, mas pediste
entendimento para discernires o que é justo,
12 eis que faço segundo as tuas palavras. Eis que te dou um coração tão sábio e
entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual não se
levantará.
13 Também te dou o que não pediste, assim riquezas como glória; de modo que não
haverá teu igual entre os reis, por todos os teus dias.
14 E ainda, se andares nos meus caminhos, guardando os meus estatutos e os meus
mandamentos, como andou Davi,
15 Então Salomão acordou, e eis que era sonho. E, voltando ele a Jerusalém,
pôs-se diante da arca do pacto do Senhor, sacrificou holocaustos e preparou
sacrifícios pacíficos, e deu um banquete a todos os seus servos.
16 Então vieram duas mulheres prostitutas ter com o rei, e se puseram diante
dele.
17 E disse-lhe uma das mulheres: Ah, meu senhor! eu e esta mulher moramos na
mesma casa; e tive um filho, estando com ela naquela casa.
18 E sucedeu que, no terceiro dia depois de meu parto, também esta mulher teve
um filho. Estávamos juntas; nenhuma pessoa estranha estava conosco na casa;
somente nós duas estávamos ali.
19 Ora, durante a noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre
ele.
20 E ela se levantou no decorrer da noite, tirou do meu lado o meu filho,
enquanto a tua serva dormia, e o deitou no seu seio, e a seu filho morto
deitou-o no meu seio.
21 Quando me levantei pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava
morto; mas, atentando eu para ele à luz do dia, eis que não era o filho que me
nascera.
22 Então disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho o
morto. Replicou a primeira: Não; o morto é teu filho, e meu filho o vivo. Assim
falaram perante o rei.
23 Então disse o rei: Esta diz : Este que vive é meu filho, e teu filho o
morto; e esta outra diz: Não; o morto é teu filho, e meu filho o vivo.
24 Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante dele.
25 E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo, e dai a metade a uma, e
metade a outra.
26 Mas a mulher cujo filho er suas entranhas se lhe enterneceram por seu
filho), e disse: Ah, meu senhor! dai-lhe o menino vivo, e de modo nenhum o
mateis. A outra, porém, disse: Não será meu, nem teu; dividi-o.
27 Respondeu, então, o rei: Dai à primeira o menino vivo, e de modo nenhum o
mateis; ela é sua mãe.
28 E todo o Israel ouviu a sentença que o rei proferira, e temeu ao rei; porque
viu que havia nele a sabedoria de Deus para fazer justiça.
I
REIS
[4]
1 Assim foi Salomão rei sobre
todo o Israel.
2 E estes eram os príncipes que tinha: Azarias, filho de Zadoque, era
sacerdote;
3 Eliorefe e Aías, filhos de Sisa, secretários; Jeosafá, filho de Ailude,
cronista;
4 Benaías, filho de Jeoiada, estava sobre o exército; Zadoque e Abiatar eram
sacerdotes;
5 Azarias, filho de Natã, estava sobre os intendentes; Zabude, filho de Natã,
era o oficial-mor, amigo do rei;
6 Aisar, o mordomo; e Adonirão, filho de Abda, estava sobre a gente de trabalhos
forçados.
7 Salomão tinha doze intendentes sobre todo o Israel, que proviam de
mantimentos ao rei e à sua casa; e cada um tinha que prover mantimentos para um
mês no ano.
8 São estes os seus nomes: Bene-Hur, na região montanhosa de Efraim.
9 Bene-Dequer, em Macaz, Saalabim, Bete-Semes e Elom-Bete-Hanã;
10 Bene-Hesede, em Arubote; também este tinha Socó e toda a terra de Jefer;
11 Bene-Abinadabe, em toda a região alta de Dor; tinha este a Tafate, filha de
Salomão, por mulher;
12 Baaná, filho de Ailude, em Taanaque e Megido, e em toda a Bete-Seã, que está
junto a Zaretã, abaixo de Jizreel, desde Bete-Seã até Abel-Meolá, para além de
Jocmeão;
13 o filho de Geber, em Ramote-Gileade; tinha este as aldeias de Jair, filho de
Manassés, as quais estão em Gileade; também tinha a região de Argobe, o qual
está em Basã, sessenta grandes cidades com muros e ferrolhos de bronze:
14 Ainadabe, filho de Ido, em Maanaim;
15 Aimaaz, em Naftali; também este tomou a Basemate, filha de Salomão, por
mulher;
16 Baaná, filho de Hasai, em Aser e em Alote;
17 Jeosafá, filho de Paruá, em Issacar;
18 Simei, filho de Elá, em Benjamim;
19 Geber, filho de Uri, na terra de Gileade, a terra de Siom, rei dos amorreus,
e de Ogue, rei de Basã; havia um só intendente naquela terra.
20 Eram, pois, os de Judá e Israel numerosos, como a areia que está à beira do
mar; e, comendo e bebendo, se alegravam.
21 E dominava Salomão sobre todos os reinos, desde o rio até a terra dos
filisteus e até o termo do Egito; eles pagavam tributo, e serviram a Salomão todos
os dias da sua vida.
22 O provimento diário de Salomão era de trinta coros de flor de farinha, e
sessenta coros e farinha;
23 dez bois cevados, vinte bois de pasto e cem ovelhas, afora os veados,
gazelas, cabras montesas e aves cevadas.
24 Pois dominava ele sobre toda a região e sobre todos os reis daquém do rio,
desde Tifsa até Gaza; e tinha paz por todos os lados em redor.
25 Judá e Israel habitavam seguros, desde Dã até Berseba, cada um debaixo da
sua videira, e debaixo da sua figueira, por todos os dias de Salomão.
26 Salomão tinha também quarenta mil manjedouras para os cavalos dos seus
carros, e doze mil cavaleiros.
27 Aqueles intendentes, pois, cada um no seu mês, proviam de mantimentos o rei
Salomão e todos quantos se chegavam à sua mesa; coisa nenhuma deixavam faltar.
28 Também traziam, cada um segundo seu cargo, a cevada e a palha para os
cavalos e os ginetes, para o lugar em que estivessem.
29 Ora, Deus deu a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e
conhecimentos multiplos, como a areia que está na praia do mar.
30 A sabedoria de Salomão era maior do que a de todos os do Oriente e do que
toda a sabedoria dos egípcios.
31 Era ele ainda mais sábio do que todos os homens, mais sábio do que Etã, o
ezraíta, e do que Hemã, Calcol e Darda, filhos de Maol; e a sua fama correu por
todas as nações em redor.
32 Proferiu ele três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco.
33 Dissertou a respeito das árvores, desde o cedro que está no Líbano até o
hissopo que brota da parede; também dissertou sobre os animais, as aves, os
répteis e os peixes.
34 De todos os povos vinha gente para ouvir a sabedoria de Salomão, e da parte
de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria.
I
REIS
[5]
1 Hirão, rei de Tiro, enviou
os seus servos a Salomão, quando ouviu que o haviam ungido rei em lugar de seu
pai; porquanto Hirão fora sempre muito amigo de Davi.
2 Salomão, pois, mandou dizer a Hirão.
3 Bem sabes tu que Davi, meu pai, não pôde edificar uma casa ao nome do Senhor
seu Deus, por causa das guerras com que o cercaram, até que o Senhor lhe pôs os
inimigos debaixo dos seus pés.
4 Agora, porém, o Senhor meu Deus me tem dado descanso de todos os lados:
adversário não há, nem calamidade alguma.
5 Pretendo, pois, edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, como falou o
senhor a Davi, meu pai, dizendo: Teu filho, que porei em teu lugar no teu
trono, ele edificará uma casa ao meu nome.
6 Portanto, dá ordem agora que do Líbano me cortem cedros; os meus servos
estarão com os teus servos; eu te pagarei o salário dos teus servos, conforme
tudo o que disseres; porque tu sabes que entre nós ninguém há que saiba cortar
madeira como os sidônios.
7 Quando Hirão ouviu as palavras de Salomão, muito se alegrou, e disse: Bendito
seja hoje o Senhor, que deu a Davi um filho sábio sobre este tão grande povo.
8 E Hirão mandou dizer a Salomão: Ouvi o que me mandaste dizer. Eu farei tudo
quanto desejas acerca das madeiras de cedro e de cipreste.
9 Os meus servos as levarão do Líbano até o mar, e farei conduzi-las em jangadas
pelo mar até o lugar que me designares; ali as desamarrarei, e tu as receberás;
também farás o meu desejo, dando sustento à minha casa.
10 Assim dava Hirão a Salomão madeira de cedro e madeira de cipreste, conforme
todo o seu desejo.
11 E Salomão dava a Hirão vinte mil coros de trigo, para sustento da sua casa,
e vinte , coros de azeite batido; isso fazia anualmente.
12 Deu, pois, o Senhor a Salomão sabedoria, como lhe tinha prometido. E houve
paz entre Hirão e Salomão; e fizeram aliança entre si.
13 Também e rei Salomão fez, dentre todo o Israel, uma leva de gente para
trabalho forçado; e a leva se compunha de trinta mil homens.
14 E os enviava ao Líbano por turnos, cada mês dez mil; um mês estavam no
Líbano, e dois meses cada um em sua casa; e Adonirão estava sobre a leva.
15 Tinha também Salomão setenta mil que levavam as cargas, e oitenta mil que
talhavam pedras nas montanhas,
16 afora os mestres de obra que estavam sobre aquele serviço, três mil e
trezentes, os quais davam as ordens aos trabalhadores.
17 Por ordem do rei eles cortaram grandes pedras, de grande preço, para
fundarem a casa em pedras lavradas.
18 Lavraram-nas, pois, os edificadores de Salomão, e os de Hirão, e os
gebalitas, e prepararam as madeiras e as pedras para edificar a casa.
I
REIS
[6]
1 Sucedeu, pois, que no ano
quatrocentos e oitenta depois de saírem os filhos de Israel da terra do Egito,
no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de zive, que é o
segundo mês, começou-se a edificar a casa do Senhor.
2 Ora, a casa que e rei Salomão edificou ao Senhor era de sessenta côvados de
comprimento, vinte côvados de largura, e trinta côvados de altura.
3 E o pórtico diante do templo da casa era de vinte côvados de comprimento,
segundo a largura da casa, e de dez côvados de largura.
4 E fez para a casa janelas de gelósias fixas.
5 Edificou andares em torno da casa, contra a parede, tanto do templo como do
oráculo, fazendo assim câmaras laterais ao seu redor.
6 A câmara de baixo era de cinco côvados, a do meio de seis côvados, e a
terceira de sete côvados de largura. E do lado de fora, ao redor da casa, fez
pilastras de reforço, para que as vigas não se apoiassem nas paredes da casa.
7 E edificava-se a casa com pedras lavradas na pedreira; de maneira que nem
martelo, nem machado, nem qualquer outro instrumento de ferro se ouviu na casa
enquanto estava sendo edificada.
8 A porta para as câmaras laterais do meio estava à banda direita da casa; e
por escadas espirais subia-se ao andar do meio, e deste ao terceiro.
9 Assim, pois, edificou a casa, e a acabou, cobrindo-a com traves e pranchas de
cedro.
10 Também edificou os andares, contra toda a casa, de cinco côvados de altura,
e os ligou à casa com madeira de cedro.
11 Então veio a palavra do Senhor a Salomão, dizendo:
12 Quanto a esta casa que tu estás edificando, se andares nos meus estatutos, e
executares os meus preceitos, e guardares todos os meus mandamentos, andando
neles, confirmarei para contigo a minha palavra, que falei a Davi, teu pai;
13 e habitarei no meio dos filhos de Israel, e não desampararei o meu povo de
Israel.
14 Salomão, pois, edificou aquela casa, e a acabou.
15 Também cobriu as paredes da casa por dentro com tábuas de cedro; desde o
soalho da casa até e teto, tudo cobriu com madeira por dentro; e cobriu o
soalho da casa com tábuas de cipreste.
16 A vinte côvados do fundo da casa fez de tábuas de cedro uma divisão, de
altura igual à do teto; e por dentro a preparou para o oráculo, isto é, para a
lugar santíssimo.
17 E era a casa, isto é, o templo fronteiro ao oráculo, de quarenta côvados de
comprido.
18 O cedro da casa por dentro era lavrado de botões e flores abertas; tudo era
cedro; pedra nenhuma se via.
19 No meio da casa, na parte mais interior, preparou o oráculo, para pôr ali a
arca do pacto do Senhor.
20 E o oráculo era, por dentro, de vinte côvados de comprimento, vinte de
largura e vinte de altura; e o cobriu de ouro puro. Também cobriu de cedro o
altar.
21 Salomão, pois, cobriu a casa por dentro de ouro puro; e estendeu cadeias de
ouro diante do oráculo, que cobriu também de ouro.
22 Assim cobriu inteiramente de ouro a casa toda; também cobriu de ouro todo oe
altar doe oráculo.
23 No oráculo fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um com dez
côvados de altura.
24 Uma asa de um querubim era de cinco côvados, e a outra de cinco côvados; dez
côvados havia desde a extremidade de uma das suas asas até a extremidade da
outra.
25 Assim era também o outro querubim; ambos os querubins eram da mesma medida e
do mesmo talho.
26 Um querubim tinha dez côvados de altura, e assim também o outro.
27 E pôs os querubins na parte mais interior da casa. As asas dos querubins se
estendiam de maneira que a asa de um tocava numa parede, e a do outro na outra
parede, e as suas asas no meio da casa tocavam uma na outra.
28 Também cobriu de ouro os querubins.
29 Quanto a todas as paredes da casa em redor, entalhou-as de querubins, de
palmas e de palmas abertas, tanto na parte mais interior como na mais exterior.
30 Também cobriu de ouro o soalho da casa, de uma e de outra parte.
31 E para a entrada do oráculo fez portas de madeira de oliveira; a verga com
os umbrais faziam a quinta parte da parede.
32 Assim fez as duas portas de madeira de oliveira; e entalhou-as de querubins,
de palmas e de flores abertas, que cobriu de ouro também estendeu ouro sobre os
querubins e sobre as palmas.
33 Assim também fez para a porta do templo umbrais de madeira de oliveira, que
constituíam a quarta parte da parede;
34 E eram as duas partes de madeira de cipreste; e as duas folhas duma porta
eram dobradiças, como também as duas folhas da outra porta.
35 E as lavrou de querubins, de palmas e de flores abertas; e as cobriu de ouro
acomodado ao lavor.
36 Também edificou o átrio interior de três ordens de pedras lavradas e de uma
ordem de vigas de cedro.
37 No quarto ano se pôs o fundamento da casa do Senhor, no mês de zive.
38 E no undécimo ano, no mês de bul, que é o oitavo mês, se acabou esta casa
com todas as suas dependências, e com tudo o que lhe convinha. Assim levou sete
anos para edificá-la.
I
REIS
[7]
1 Salomão edificou também a
sua casa, levando treze anos para acabá-la.
2 Edificou ainda a casa do bosque de Líbano, de cem côvados de comprimento,
cinqüenta de largura e trinta de altura, sobre quatro ordens de colunas de
cedros, e vigas de cedro sobre as colunas.
3 E por cima estava coberta de cedro sobre as câmaras, que estavam sobre
quarenta e cinco colunas, quinze em cada ordem.
4 E havia três ordens de janelas, e uma janela estava defronte da outra janela,
em três fileiras.
5 Todas as portas e esquadrias eram quadradas; e uma janela estava defronte da
outra, em três fileiras.
6 Depois fez um pórtico de colunas, de cinqüenta côvados de comprimento e
trinta de largura; e defronte dele outro pórtico, com suas respectivas colunas
e degraus.
7 Também fez o pórtico para o trono onde julgava, isto é, o pórtico do juízo, o
qual era coberto de cedro desde o soalho até o teto.
8 E em sua casa, em que morava, havia outro átrio por dentro do pórtico, de
obra semelhante à deste; também para a filha de Faraó, que ele tomara por
mulher, fez uma casa semelhante àquele pórtico.
9 Todas estas casas eram de pedras de grande preço, cortadas sob medida, tendo
as suas faces por dentro e por fora serradas à serra; e isto desde o fundamento
até as beiras do teto, e por fora até o grande átrio.
10 Os fundamentos eram de pedras de grande preço, pedras grandes, de dez e de
oito côvados,
11 e por cima delas havia pedras de grande preço, lavradas sob medida, e
madeira de cedro.
12 O átrio grande tinha em redor três ordens de pedras lavradas, com uma ordem
de vigas de cedro; assim era também o átrio interior da casa do Senhor e o
pórtico da casa.
13 O rei Salomão mandou trazer de Tiro a Hirão.
14 Era ele filho de uma viúva, da tribo de Naftali, e fora seu pai um homem de
Tiro, que trabalhava em bronze; ele era cheio de sabedoria, de entendimento e
de ciência para fazer toda sorte de obras de bronze. Este veio ter com o rei
Salomão, e executou todas as suas obras.
15 Formou as duas colunas de bronze; a altura de cada coluna era de dezoito
côvados; e um fio de doze côvados era a medida da circunferência de cada uma
das colunas;
16 também fez dois capitéis de bronze fundido para pôr sobre o alto das
colunas; de cinco côvados era a altura dum capitel, e de cinco côvados também a
altura do outro.
17 Havia redes de malha, e grinaldas entrelaçadas, para os capitéis que estavam
sobre o alto das colunas: sete para um capitel e sete para o outro.
18 Assim fez as colunas; e havia duas fileiras de romãs em redor sobre uma
rede, para cobrir os capitéis que estavam sobre o alto das colunas; assim fez
com um e outro capitel.
19 Os capitéis que estavam sobre o alto das colunas, no pórtico, figuravam
lírios, e eram de quatro covados.
20 Os capitéis, pois, sobre as duas colunas estavam também justamente em cima
do bojo que estava junto à rede; e havia duzentas romãs, em fileiras em redor,
sobre um e outro capitel.
21 Depois levantou as colunas no pórtico do templo; levantando a coluna
direita, pôs-lhe o nome de Jaquim; e levantando a caluna esquerda, pôs-lhe o
nome de Boaz.
22 Sobre o alto das colunas estava a obra de lírios. E assim se acabou a obra
das colunas.
23 Fez também o mar de fundição; era redondo e media dez côvados duma borda à
outra, cinco côvados de altura e trinta de circunferência.
24 Por baixo da sua borda em redor havia betões que o cingiam, dez em cada
côvado, cercando aquele mar em redor; duas eram as fileiras destes botões,
fundidas juntamente com o mar.
25 E firmava-se sobre doze bois, três dos quais olhavam para o norte, três para
o ocidente, três para o sul e três para o oriente; e o mar descansava sobre
eles, e as partes posteriores deles estavam para a banda de dentro.
26 A sua grossura era de três polegadas, e a borda era como a de um copo, como
flor de lírio; ele levava dois mil batos.
27 Fez também as dez bases de bronze; cada uma tinha quatro côvados de
comprimento, quatro de largura e três de altura.
28 E a estrutura das bases era esta: tinham elas almofadas, as quais estavam
entre as junturas;
29 e sobre as almofadas que estavam entre as junturas havia leões, bois, e
querubins, bem como os havia sobre as junturas em cima; e debaixo dos leões e
dos bois havia grinaldas pendentes.
30 Cada base tinha quatro rodas de bronze, e eixos de bronze; e os seus quatro
cantos tinham suportes; debaixo da pia estavam estes suportes de fundição,
tendo eles grinaldas de cada lado.
31 A sua boca, dentro da coroa, e em cima, era de um côvado; e era redonda
segundo a obra dum pedestal, de côvado e meio; e também sobre a sua boca havia
entalhes, e as suas almofadas eram quadradas, não redondas.
32 As quatro rodas estavam debaixo das almofadas, e os seus eixos estavam na
base; e era a altura de cada roda de côvado e meio.
33 O feitio das rodas era como o de uma roda de carro; seus eixos, suas cambas,
seus raios e seus cubos, todos eram fundidos.
34 Havia quatro suportes aos quatro cantos de cada base, os quais faziam parte
da própria base.
35 No alto de cada base havia um cinto redondo, de meio côvado de altura;
também sobre o topo de cada base havia esteios e almofadas que faziam parte
dela.
36 E nas placas dos seus esteios e nas suas almofadas lavrou querubins, leões e
palmas, segundo o espaço que havia em cada uma, com grinaldas em redor.
37 Deste modo fez as dez bases: todas com a mesma fundição, a mesma medida e o
mesmo entalhe.
38 Também fez dez pias de bronze; em cada uma cabiam quarenta batos, e cada pia
era de quatro côvados; e cada uma delas estava sobre uma das dez bases.
39 E pôs cinco bases à direita da casa, e cinco à esquerda; porém o mar pôs ao
lado direito da casa para a banda do oriente, na direção do sul.
40 Hirão fez também as caldeiras, as pás e as bacias; assim acabou de fazer
toda a obra que executou para o rei Salomão, para a casa do Senhor,
41 a saber: as duas colunas, os globos dos capitéis que estavam sobre o alto
das colunas, e as duas redes para cobrir os dois globos dos capitéis que
estavam sobre o alto das colunas,
42 e as quatrocentas romãs para as duas redes, a saber, duas carreiras de romãs
para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam em cima
das colunas;
43 as dez bases, e as dez pias sobre as bases;
44 o mar, e os doze bois debaixo do mesmo;
45 as caldeiras, as pás e as bacias; todos estes objetos que Hirão fez para o
rei Salomão, para a casa do Senhor, eram de bronze polido.
46 O rei os fez fundir na planície do Jordão, num terreno argiloso que havia
entre Sucote e Zaretã.
47 E Salomão deixou de pesar esses objetos devido ao seu excessivo número; não
se averiguou o peso do bronze.
48 Também fez Salomão todos os utensílios para a casa do Senhor: o altar de
ouro, e a mesa de ouro, sobre a qual estavam os pães da proposição;
49 os castiçais, cinco à direita e cinco esquerda, diante do oráculo, de ouro
puro; as flores, as lâmpadas e as tenazes, também de ouro;
50 e as taças, as espevitadeiras, as bacias, as colheres e os braseiros, de
ouro puro; e os gonzos para as portas da casa interior, para o lugar
santíssimo, e os das portas da casa, isto é, do templo, também de ouro.
51 Assim se acabou toda a obra que o rei Salomão fez para a casa do Senhor.
Então trouxe Salomão as coisas que seu pai Davi tinha consagrado, a saber, a
prata, o ouro e os vasos; e os depositou nos tesouros da casa do senhor.
I
REIS
[8]
1 Então congregou Salomão
diante de si em Jerusalém os anciãos de Israel, e todos os cabeças das tribos,
os chefes das casas paternas, dentre os filhos de Israel, para fazerem subir da
cidade de Davi, que é Sião, a arca do pacto do Senhor:
2 De maneira que todos os homens de Israel se congregaram ao rei Salomão, na
ocasião da festa, no mês de etanim, que é o sétimo mes.
3 E tendo chegado todos os anciãos de Israel, os sacerdotes alçaram a arca;
4 e trouxeram para cima a arca do Senhor, e a tenda da revelação, juntamente
com todos os utensílios sagrados que havia na tenda; foram os sacerdotes e os
levitas que os trouxeram para cima.
5 E o rei Salomão, e toda a congregação de Israel, que se ajuntara diante dele,
estavam diante da arca, imolando ovelhas e bois, os quais não se podiam contar
nem numerar, pela sua multidão.
6 E os sacerdotes introduziram a arca do pacto do Senhor no seu lugar, no
oráculo da casa, no lugar santíssimo, debaixo das asas dos querubins.
7 Pois os querubins estendiam ambas as asas sobre o lugar da arca, e cobriam
por cima a arca e os seus varais.
8 Os varais sobressaíam tanto que as suas pontas se viam desde o santuário
diante do oráculo, porém de fora não se viam; e ali estão até o dia de hoje.
9 Nada havia na arca, senão as duas tábuas de pedra, que Moisés ali pusera,
junto a Horebe, quando o Senhor, fez u pacto com os filhos de Israel, ao sairem
eles da terra do Egito.
10 E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a casa do
Senhor;
11 de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé para ministrarem, por causa
da nuvem; porque a glória do Senhor enchera a casa do Senhor.
12 Então falou Salomão: O Senhor disse que habitaria na escuridão.
13 Certamente te edifiquei uma casa para morada, assento para a tua eterna
habitação.
14 Então o rei virou o rosto, e abençoou toda a congregação de Israel; e toda a
congregação ficou em pe.
15 E disse Salomão: Bendito seja e Senhor, Deus de Israel, que falou pela sua
boca a Davi, meu pai, e pela sua mão cumpriu a palavra que disse:
16 Desde o dia em que eu tirei do Egito o meu povo Israel, não escolhi cidade
alguma de todas as tribos de Israel para se edificar ali uma casa em que
estivesse o meu nome; porém escolhi a Davi, para que presidisse sobre o meu
povo Israel.
17 Ora, Davi, meu pai, propusera em seu coração edificar uma casa ao nome de
Senhor, Deus de Israel.
18 Mas o Senhor disse a Davi, meu pai: Quanto ao teres proposto no teu coração
o edificar casa ao meu nome, bem fizeste em o propor no teu coração.
19 Todavia, tu não edificarás a casa; porém teu filho, que sair de teus lombos,
esse edificará a casa ao meu nome.
20 E o Senhor cumpriu a palavra que falou; porque me levantei em lugar de Davi,
meu pai, e me assentei no trono de Israel, como falou o Senhor, e edifiquei uma
casa, ao nome do Senhor, Deus de Israel.
21 E ali constituí lugar para a arca em que está o pacto do Senhor, que ele fez
com nossos pais quando os tirou da terra de Egito.
22 Depois Salomão se pôs diante do altar do Senhor, em frente de toda a
congregação de Israel e, estendendo as mãos para os céus,
23 disse: ç Senhor, Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima no céu nem em
baixo na terra, que guardas o pacto e a benevolência para com os teus servos
que andam diante de ti com inteireza de coração;
24 que cumpriste com teu servo Davi, meu pai, o que lhe prometeste; porque com
a tua boca o disseste, e com a tua mão o cumpriste, como neste dia se vê.
25 Agora, pois, ó Senhor, Deus de Israel, faz a teu servo Davi, meu pai, o que
lhe prometeste ao dizeres: Não te faltará diante de mim sucessor, que se assente
no trono de Israel; contanto que teus filhos guardem o seu caminho, para
andarem diante e mim como tu andaste.
26 Agora também, ó Deus de Israel, cumpra-se a tua palavra, que disseste a teu
servo Davi, meu pai.
27 Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que o céu, e até o céu dos
céus, não te podem conter; quanto menos esta casa que edifiquei!
28 Contudo atende à oração de teu servo, e à sua súplica, ó Senhor meu Deus,
para ouvires o clamor e a oração que o teu servo hoje faz diante de ti;
29 para que os teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, sobre
este lugar, do qual disseste: O meu nome estará ali; para ouvires a oração que
o teu servo fizer, voltado para este lugar.
30 Ouve, pois, a súplica do teu servo, e do teu povo Israel, quando orarem
voltados para este lugar. Sim, ouve tu do lugar da tua habitação no céu; ouve,
e perdoa.
31 Se alguém pecar contra o seu próximo e lhe for exigido que jure, e ele vier
jurar diante do teu altar nesta casa,
32 ouve então do céu, age, e julga os teus servos; condena ao culpado, fazendo
recair sobre a sua cabeça e seu proceder, e justifica ao reto, retribuindo-lhe
segundo a sua retidão.
33 Quando o teu povo Israel for derrotado diante do inimigo, por ter pecado
contra ti; se eles voltarem a ti, e confessarem o teu nome, e orarem e fizerem
súplicas a ti nesta casa,
34 ouve então do céu, e perdoa a pecado do teu povo Israel, e torna a levá-lo à
terra que deste a seus pais.
35 Quando o céu se fechar e não houver chuva, por terem pecado contra ti, e orarem,
voltados para este lugar, e confessarem o teu nome, e se converterem dos seus
pecados, quando tu os afligires,
36 ouve então do céu, e perdoa o pecado dos teus servos e do teu povo Israel,
ensinando-lhes o bom caminho em que devem andar; e envia chuva sobre a tua
terra que deste ao teu povo em herança.
37 Se houver na terra fome ou peste, se houver crestamento ou ferrugem,
gafanhotos ou lagarta; se o seu inimigo os cercar na terra das suas cidades;
seja qual for a praga ou doença que houver;
38 toda oração, toda súplica que qualquer homem ou todo o teu povo Israel
fizer, conhecendo cada um a chaga do seu coração, e estendendo as suas mãos
para esta casa,
39 ouve então do céu, lugar da tua habitação, perdoa, e age, retribuindo a cada
um conforme todos os seus caminhos, segundo vires o seu coração (pois tu, só tu
conheces o coração de todos os filhos dos homens);
40 para que te temam todos os dias que viverem na terra que deste a nossos
pais.
41 Também quando o estrangeiro, que não é do teu povo Israel, vier de terras
remotas por amor do teu nome
42 (porque ouvirão do teu grande nome, e da tua forte mão, e do teu braço
estendido), quando vier orar voltado para esta casa,
43 ouve do céu, lugar da tua habitação, e faze conforme tudo o que o
estrangeiro a ti clamar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu
nome, e te temam como o teu povo Israel, e saibam que pelo teu nome é chamada
esta casa que edifiquei.
44 Quando o teu povo sair à guerra contra os seus inimigos, seja qual for o
caminho por que os enviares, e orarem ao Senhor, voltados para a cidade que
escolheste, e para a casa que edifiquei ao teu nome,
45 ouve então do céu a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
46 Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te
indignares contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em
cativeiro para a terra inimiga, longínqua ou próxima;
47 se na terra aonde forem levados em cativeiro caírem em si, e se converterem,
e na terra do seu cativeiro te suplicarem, dizendo: Pecamos e procedemos
perversamente, cometemos iniqüidade;
48 se voltarem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra de
seus inimigos que os tenham levado em cativeiro, e orarem a ti, voltados para a
sua terra, que deste a seus pais, para a cidade que escolheste, e para a casa
que edifiquei ao teu nome,
49 ouve então do céu, lugar da tua habitação, a sua oração e a sua súplica, e
defende a sua causa;
50 perdoa ao teu povo que houver pecado contra ti, perdoa todas as
transgressões que houverem cometido contra ti, e dá-lhes alcançar misericórdia
da parte dos que os levarem cativos, para que se compadeçam deles;
51 porque são o teu povo e a tua herança, que tiraste da terra do Egito, do
meio da fornalha de ferro.
52 Estejam abertos os teus olhos à súplica do teu servo e à súplica do teu povo
Israel, a fim de os ouvires sempre que clamarem a ti.
53 Pois tu, ó Senhor Jeová, os separaste dentre todos os povos da terra, para
serem a tua herança como falaste por intermédio de Moisés, teu servo, quando
tiraste do Egito nossos pais.
54 Sucedeu pois que, acabando Salomão de fazer ao Senhor esta oração e esta
súplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para o céu, se levantou de
diante do altar do Senhor,
55 pôs-se em pé, e abençoou em alta voz a toda a congregação de Israel,
dizendo:
56 Bendito seja o Senhor, que deu repouso ao seu povo Israel, segundo tudo o
que disse; não falhou nem sequer uma de todas as boas palavras que falou por
intermédio de Moisés, seu servo.
57 O Senhor nosso Deus seja conosco, como foi com nossos pais; não nos deixe,
nem nos abandone;
58 mas incline a si os nossos corações, a fim de andarmos em todos os seus
caminhos, e guardarmos os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus
preceitos, que ordenou a nossos pais.
59 E que estas minhas palavras, com que supliquei perante o Senhor, estejam
perto, diante do Senhor nosso Deus, de dia e de noite, para que defenda ele a
causa do seu servo e a causa do seu povo Israel, como cada dia o exigir,
60 para que todos os povos da terra, saibam que o Senhor é Deus, e que não há
outro.
61 E seja o vosso coração perfeito para com o Senhor nosso Deus, para andardes
nos seus estatutos, e guardardes os seus mandamentos, como hoje o fazeis.
62 Então o rei e todo o Israel com ele ofereceram sacrifícios perante o Senhor.
63 Ora, Salomão deu, para o sacrifício pacífico que ofereceu ao Senhor, vinte e
dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os filhos de
Israel consagraram a casa do Senhor.
64 No mesmo dia o rei santificou o meio do átrio que estava diante da casa do
Senhor; porquanto ali ofereceu o holocausto, a oferta de cereais e a gordura
das ofertas pacíficas, porque o altar de bronze que está diante do Senhor era
muito pequeno para nele caberem o holocausto, a oferta de cereais, e a gordura
das ofertas pacíficas.
65 No mesmo tempo celebrou Salomão a festa, e todo o Israel com ele, uma grande
congregação, vinda desde a entrada de Hamate e desde o rio do Egito, perante a
face do Senhor nosso Deus, por sete dias, e mais sete dias (catorze dias ao
todo).
66 E no oitavo dia despediu o povo, e todos bendisseram ao rei; então se foram
às suas tendas, alegres e de coração contente, por causa de todo o bem que o
Senhor fizera a Davi seu servo, e a Israel seu povo.
I
REIS
[9]
1 Sucedera pois que, tendo
Salomão acabado de edificar a casa do Senhor, e a casa do rei, e tudo quanto
lhe aprouve fazer,
2 apareceu-lhe o Senhor segunda vez, como lhe tinha aparecido em Gibeão.
3 E o Senhor lhe disse: Ouvi a tua oração e a tua súplica, que fizeste perante
mim; santifiquei esta casa que edificaste, a fim de pôr ali o meu nome para
sempre; e os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias.
4 Ora, se tu andares perante mim como andou Davi, teu pai, com inteireza de
coração e com eqüidade, fazendo conforme tudo o que te ordenei, e guardando os
meus estatutos e as minhas ordenanças,
5 então confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre, como prometi
a teu pai Davi, dizendo: Não te faltará varão sobre o trono de Israel.
6 Se, porém, vós e vossos filhos de qualquer maneira vos desviardes e nao me
seguirdes, nem guadardardes os meus mandamentos e os meus estatutos, que vos
tenho proposto, mas fordes, e servirdes a outros deuses, curvando-vos perante
eles,
7 então exterminarei a Israel da terra que lhe dei; e a esta casa, que
santifiquei a meu nome, lançarei longe da minha presença, e Israel será por
provérbio e motejo entre todos os povos.
8 E desta casa, que é tão exaltada, todo aquele que por ela passar pasmará e
assobiará, e dirá: Por que fez o Senhor assim a esta terra e a esta casa?
9 E lhe responderão: E porque deixaram ao Senhor seu Deus, que tirou da terra
do Egito a seus pais, e se apegaram a deuses alheios, e perante eles se
encurvaram, e os serviram; por isso o Senhor trouxe sobre eles todo este mal.
10 Ao fim dos vinte anos em que Salomão edificara as duas casas, a casa do
Senhor e a casa do rei,
11 como Hirão, rei de Tiro, trouxera a Salomão madeira de cedro e de cipreste,
e ouro segundo todo o seu desejo, deu o rei Salomão a Hirão vinte cidades na
terra da Galiléia.
12 Hirão, pois, saiu de Tiro para ver as cidades que Salomão lhe dera; porém
não lhe agradaram.
13 Pelo que disse: Que cidades são estas que me deste, irmão meu? De sorte que
são chamadas até hoje terra de Cabul.
14 Hirão enviara ao rei cento e vinte talentos de ouro.
15 A razão da leva de gente para trabalho forçado que o rei Salomão fez é esta:
edificar a casa do Senhor e a sua própria casa, e Milo, e o muro de Jerusalém,
como também Hazor, e Megido, e Gezer.
16 Pois Faraó, rei do Egito, tendo subido, tomara a Gezer e a queimara a fogo,
e matando os cananeus que moravam na cidade, dera-a em dote a sua filha, mulher
de Salomão.
17 Salomão edificou Gezer, Bete-Horom a baixa,
18 Baalate, Tamar no deserto daquela terra,
19 como também todas as cidades-armazéns que Salomão tinha, as cidades dos
carros as cidades dos cavaleiros, e tudo o que Salomão quis edificar em
Jerusalém, no Líbano, e em toda a terra de seu domínio.
20 Quanto a todo o povo que restou dos amorreus, dos heteus, dos perizeus, dos
heveus e dos jebuseus, que não eram dos filhos de Israel,
21 a seus filhos, que restaram depois deles na terra, os quais os filhos de
Israel não puderam destruir totalmente, Salomão lhes impôs tributo de trabalho
forçado, até hoje.
22 Mas dos filhos de Israel não fez Salomão escravo algum; porém eram homens de
guerra, e seus servos, e seus príncipes, e seus capitães, e chefes dos seus
carros e dos seus cavaleiros.
23 Estes eram os chefes dos oficiais que estavam sobre a obra de Salomão,
quinhentos e cinqüenta, que davam ordens ao povo que trabalhava na obra.
24 Subiu, porém, a filha de Faraó da cidade de Davi à sua casa, que Salomão lhe
edificara; então ele edificou Milo.
25 E Salomão oferecia três vezes por ano holocaustos e ofertas pacíficas sobre
a altar que edificara ao Senhor, queimando com eles incenso sobre o altar que
estava perante o Senhor, depois que acabou de edificar a casa.
26 Também o rei Salomão fez uma frota em Eziom-Geber, que está junto a Elote,
na praia do Mar Vermelho, na terra de Edom.
27 Hirão mandou com aquela frota, em companhia dos servos de Salomão, os seus
próprios servos, marinheiros que conheciam o mar;
28 os quais foram a Ofir, e tomaram de lá quatrocentos e vinte talentos de
ouro, que trouxeram ao rei Salomão.
I
REIS
[10]
1 Tendo a rainha de Sabá
ouvido da fama de Salomão, no que concerne ao nome do Senhor, veio prová-lo por
enigmas.
2 E chegou a Jerusalém com uma grande comitiva, com camelos carregados de
especiarias, e muitíssimo ouro, e pedras preciosas; e, tendo-se apresentado a
Salomão, conversou com ele acerca de tudo o que tinha ne coração.
3 E Salomão lhe deu resposta a todas as suas perguntas; não houve nada que o
rei não lhe soubesse explicar.
4 Vendo, pois, a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, a casa que
edificara,
5 as iguarias da sua mesa, o assentar dos seus oficiais, as funções e os trajes
dos seus servos, e os seus copeiros, e os holocaustos que ele oferecia na casa
do Senhor, ficou estupefata,
6 e disse ao rei: Era verdade o que ouvi na minha terra, acerca des teus feitos
e da tua sabedoria.
7 Contudo eu não o acreditava, até que vim e os meus olhos o viram. Eis que não
me disseram metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a fama que ouvi.
8 Bem-aventurados os teus homens! Bem-aventuradas estes teus servos, que estão
sempre diante de ti, que ouvem a tua sabedoria!
9 Bendito seja o Senhor teu Deus, que se agradou de ti e te colocou no trono de
Israel! Porquanto o Senhor amou Israel para sempre, por isso te estabeleceu rei,
para executares juízo e justiça.
10 E deu ela ao rei cento e vinte talentos de ouro, especiarias em grande
quantidade e pedras preciosas; nunca mais apareceu tamanha abundância de
especiarias como a que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.
11 Também a frota de Hirão, que de Ofir trazia ouro, trouxe dali madeira de
almugue em quantidade, e pedras preciosas.
12 Desta madeira de almugue fez e rei balaústres para a casa do Senhor, e para
a casa de rei, como também harpas e alaúdes para os cantores; não se trouxe nem
se viu mais tal madeira de almugue, até o dia de hoje.
13 E o rei salomão deu à rainha de Sabà tudo o que ela desejou, tudo quanto
pediu, além de que lhe dera espontaneamente, da sua munificência real. Então
voltou e foi para a sua terra, ela e os seus servos.
14 Ora, o peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano era de seiscentos e
sessenta e seis talentos de ouro,
15 além do que vinha dos vendedores ambulantes, e do tráfico dos negociantes, e
de todos as reis da Arábia, e dos governadores do país.
16 Também o rei Salomão fez duzentos paveses de ouro batido; de seiscentos
siclos de ouro mandou fazer cada pavês;
17 do mesmo modo fez também trezentos escudos de ouro batido; de três minas de
auro mandou fazer cada escudo. Então e rei os pôs na casa do bosque de Líbano.
18 Fez mais o rei um grande trono de marfim, e o revestiu de ouro puríssimo.
19 Tinha o trono seis degraus, e o alto do trono era redondo pelo espaldar; de
ambos os lados tinha braços junto ao assento, e dois leões em pé junto aos
braços.
20 E sobre os seis degraus havia doze leões de ambos os lados; outro tal não se
fizera em reino algum.
21 Também todos os vasos de beber de rei Salomão eram de ouro, e todos os vasos
da casa do bosque do Líbano eram de ouro puro; não havia nenhum de prata,
porque nos dias de Salomão a prata não tinha estimação alguma.
22 Porque o rei tinha no mar uma frota de Társis, com a de Hirão; de três em
três anos a frota de Társis voltava, trazendo ouro e prata, marfim, bugios e
pavões.
23 Assim o rei Salomão excedeu a todos os reis da terra, tanto em riquezas como
em sabedoria.
24 E toda a terra buscava a presença de Salomão para ouvir a sabedoria que Deus
lhe tinha posto no coração.
25 Cada um trazia seu presente, vasos de prata, vasos de ouro, vestidos,
armaduras, especiarias, cavalos e mulas; isso faziam cada ano.
26 Também ajuntou Salomão carros e cavaleiros, de sorte que tinha mil e
quatrocentos carros e doze mil cavaleiros, e os distribuiu pelas cidades dos
carros, e junto ao rei em Jerusalém.
27 E o rei tornou a prata tão comum em Jerusalém como as pedras, e os cedros
tantos em abundância como os sicômoros que há pelas campinas.
28 Os cavalos que Salomão tinha eram trazidos do Egito e de Coa; os mercadores
do rei os recebiam de Coa por preço determinado.
29 E subia e saía um carro do Egito por seiscentos siclos de prata, e um cavalo
por cento e cinqüenta; e assim, por intermédio desses mercadores, eram
exportados para todos os reis dos heteus e para os reis da Síria.
I
REIS
[11]
1 Ora, o rei Salomão amou
muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas,
edomitas, sidônias e heteias,
2 das nações de que o Senhor dissera aos filhos de Israel: Não ireis para elas,
nem elas virão para vós; doutra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes
os seus deuses. A estas se apegou Salomão, levado pelo amor.
3 Tinha ele setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas
mulheres lhe perverteram o coração.
4 Pois sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram
o coração para seguir outros deuses; e e seu coração já não era perfeito para
com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai;
5 Salomão seguiu a Astarete, deusa dos sidônios, e a Milcom, abominação dos
amonitas.
6 Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do Senhor, e não perseverou em
seguir, como fizera Davi, seu pai.
7 Nesse tempo edificou Salomão um alto a Quemós, abominação dos moabitas, sobre
e monte que está diante de Jerusalém, e a Moleque, abominação dos amonitas.
8 E assim fez para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam
incenso e ofereciam sacrifícios a seus deuses.
9 Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, porquanto e seu coração se
desviara do Senhor Deus de Israel, o qual duas vezes lhe aparecera,
10 e lhe ordenara expressamente que não seguisse a outros deuses. Ele, porém,
não guardou o que o Senhor lhe ordenara.
11 Disse, pois, o Senhor a Salomão: Porquanto houve isto em ti, que não
guardaste a meu pacto e os meus estatutos que te ordenei, certamente rasgarei
de ti este reino, e o darei a teu servo.
12 Contudo não o farei nos teus dias, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu
filho o rasgarei.
13 Todavia não rasgarei o reino todo; mas uma tribo darei a teu filho, por amor
de meu servo Davi, e por amor de Jerusalém, que escolhi.
14 O Senhor levantou contra Salomão um adversário, Hadade, o edomeu; o qual era
da estirpe real de Edom.
15 Porque sucedeu que, quando Davi esteve em guerra contra Edom, tendo Jeabe, o
chefe do exército, subido a enterrar os mortos, e ferido a todo varão em Edom
16 (porque Joabe ficou ali seis meses com todo o Israel, até que destruiu a
todo varão em Edom),
17 Hadade, que era ainda menino, fugiu para o Egito com alguns edemeus, servos
de seu pai.
18 Levantando-se, pois, de Midiã, foram a Parã; e tomando consigo homens de
Parã, foram ao Egito ter com Faraó, rei do Egito, o qual deu casa a Hadade,
proveu-lhe a subsistência, e lhe deu terras.
19 E Hadade caiu tanto em graça a Faraó, que este lhe deu por mulher a irmã de
sua mulher, a irmã da rainha Tafnes.
20 Ora, desta irmã de Tafnes nasceu a Hadade seu filho Genubate, a qual Tafnes
criou na casa de Faraó, onde Genubate esteve entre os filhos de rei.
21 Ouvindo, pois, Hadade no Egito que Davi adormecera com seus pais, e que
Jeabe, chefe do exército, era morto, disse o Faraó: Deixa-me ir, para que eu
volte à minha terra.
22 Perguntou-lhe Faraó: Que te falta em minha companhia, que procuras partir
para a tua terra? Respondeu ele: Nada; todavia, peço que me deixes ir.
23 Deus levantou contra Salomão ainda outro adversário, Rezom, filho de Eliadá,
que tinha fugido de seu senhor Hadadézer, rei de Zobá.
24 Pois ele ajuntara a si homens, e se fizera capitão de uma tropa, quando Davi
matou os de Zebá; e, indo-se para Damasco, habitaram ali; e fizeram-no rei em
Damasco.
25 E foi adversário de Israel por todos os dias de Salomão, e isto além do mal
que Hadade fazia; detestava a Israel, e reinava sobre a Síria.
26 Também Jeroboão, filho de Nebate, efrateu de Zeredá, servo de Salomão, cuja
mãe era viúva, por nome Zeruá, levantou a mão contra o rei.
27 E esta foi a causa por que levantou a mão contra o rei: Salomão tinha
edificado a Milo, e cerrado a brecha da cidade de Davi, seu pai.
28 Ora, Jeroboão era homem forte e valente; e vendo Salomão que este mancebo era
laborioso, colocou-o sobre toda a carga imposta à casa de José.
29 E sucedeu naquele tempo que, saindo Jeroboão de Jerusalém, o profeta Aías, o
silonita, o encontrou no caminho; este se tinha vestido duma capa nova; e os
dois estavam sós no campo.
30 Então Aías pegou na capa nova que tinha sobre si, e a rasgou em doze
pedaços.
31 E disse a Jeroboão: Toma estes dez pedaços para ti, porque assim diz e
Senhor Deus de Israel: Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei
dez tribos.
32 Ele, porém, terá uma tribo, por amor de Davi, meu servo, e por amor de
Jerusalém, a cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel.
33 Porque me deixaram, e se encurvaram a Astarote, deusa dos sidônios, a
Quemés, deus dos moabitas, e a Milcom, deus dos amonitas; e não andaram pelos
meus caminhos, para fazerem o que parece reto aos meus olhos, e para guardarem
os meus estatutos e os meus preceitos, como o fez Davi, seu pai.
34 Todavia não tomarei da sua mão o reino todo; mas deixá-lo-ei governar por
todos os dias da sua vida, por amor de Davi, meu servo, a quem escolhi, o qual
guardou os meus mandamentos e os meus estatutos.
35 Mas da mão de seu filho tomarei e reino e to darei a ti, isto é, as dez
tribos.
36 Todavia a seu filho darei uma tribo, para que Davi, meu servo, sempre tenha
uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade que escolhi para ali pôr o meu
nome.
37 Então te tomarei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma, e serás
rei sobre Israel.
38 E há de ser que, se ouvires tudo o que eu te ordenar, e andares polos meus
caminhos, e fizeres o que é reto aos meus olhos, guardando os meus estatutos e
os meus mandamentos, como o fez Davi, meu servo, eu serei contigo, e te
edificarei uma casa firme, como o fiz para Davi, e te darei Israel.
39 E por isso afligirei a descendência de Davi, todavia não para sempre.
40 Pelo que Salomão procurou matar Jeroboão; porém este se levantou, e fugiu
para o Egito, a ter com Sisaque, rei de Egito, onde esteve até a morte de
Salomão.
41 Quanto ao restante dos atos de Salomão, e a tudo o que ele fez, e à sua
sabedoria, porventura não está escrito no livro dos atos de Salomão?
42 O tempo que Salomão reinou em Jerusalém sobre todo o Israel foi quarenta
anos.
43 E Salomão dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi, seu pai;
e Roboão, seu filho, reinou em seu lugar.
I
REIS
[12]
1 Foi então Roboão para
Siquém, porque todo o Israel se congregara ali para fazê-lo rei.
2 E Jeroboão, filho de Nebate, que estava ainda no Egito, para onde fugira da
presença do rei Salomão, ouvindo isto, voltou do Egito.
3 E mandaram chamá-lo; Jeroboão e toda a congregação de Israel vieram, e
falaram a Roboão, dizendo:
4 Teu pai agravou o nosso jugo; agora, pois, alivia a dura servidão e o pesado
juro que teu pai nos impôs, e nós te serviremos.
5 Ele lhes respondeu: Ide-vos até o terceiro dia, e então voltai a mim. E o
povo se foi.
6 Teve o rei Roboão conselho com os anciãos que tinham assistido diante de
Salomão, seu pai, quando este ainda vivia, e perguntou-lhes: como aconselhais
vós que eu responda a este povo?
7 Eles lhe disseram: Se hoje te tornares servo deste povo, e o servires, e,
respondendo-lhe, lhe falares boas palavras, eles serão para sempre teus servos.
8 Ele, porém, deixou o conselho que os anciãos lhe deram, e teve conselho com
os mancebos que haviam crescido com ele, e que assistiam diante dele,
9 perguntando-lhes: Que aconselhais vós que respondamos a este povo, que me
disse: Alivia o jugo que teu pai nos impôs?
10 E os mancebos que haviam crescido com ele responderam-lhe: A este povo que
te falou, dizendo: Teu pai fez pesado o nosso jugo, mas tu o alivia de sobre
nós; assim lhe falarás: Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu
pai.
11 Assim que, se meu pai vos carregou dum jugo pesado, eu ainda aumentarei o
vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites; eu, porém, vos castigarei com
escorpiões.
12 Veio, pois, Jeroboão com todo o povo a Roboão ao terceiro dia, como o rei
havia ordenado, dizendo: Voltai a mim ao terceiro dia.
13 E o rei respondeu ao povo asperamente e, deixando o conselho que os anciãos
lhe haviam dado,
14 falou-lhe conforme o conselho dos mancebos, dizendo: Meu pai agravou o vosso
jugo, porém eu ainda o aumentarei; meu pai vos castigou com açoites, porém eu
vos castigarei com escorpiões.
15 O rei, pois, não deu ouvidos ao povo; porque esta mudança vinha do Senhor,
para confirmar a palavra que o Senhor dissera por intermédio de Aías, o
silonita, a Jeroboão, filho de Nebate.
16 Vendo, pois, todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, respondeu-lhe, dizendo:
Que parte temos nós em Davi? Não temos herança no filho de Jessé. Âs tuas
tendas, ó Israel! Agora olha por tua casa, ó Davi! Então Israel se foi para as
suas tendas.
17 (Mas quanto aos filhos de Israel que habitavam nas cidades de Judá, sobre
eles reinou Roboão.)
18 Então o rei Roboão enviou-lhes Adorão, que estava sobre a leva de
tributários servis; e todo o Israel o apedrejou, e ele morreu. Pelo que o rei
Roboão se apressou a subir ao seu carro e fugiu para Jerusalém.
19 Assim Israel se rebelou contra a casa de Davi até o dia de hoje.
20 Sucedeu então que, ouvindo todo o Israel que Jeroboão tinha voltado,
mandaram chamá-lo para a congregação, e o fizeram rei sobre todo o Israel; e
não houve ninguém que seguisse a casa de Davi, senão somente a tribo de Judá.
21 Tendo Roboão chegado a Jerusalém, convocou toda a casa de Judá e a tribo de
Benjamim, cento e oitenta mil homens escolhidos, destros para a guerra, para
pelejarem contra a casa de Israel a fim de restituírem o reino a Roboãa, filho
de Salomão.
22 Veio, porém, a palavra de Deus a Semaías, homem de Deus, dizendo:
23 Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a toda a casa de Judá e de
Benjamim, e ao resto do povo, dizendo:
24 Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra vossos irmãos, os
filhos de Israel; volte cada um para a sua casa, porque de mim proveio isto. E
ouviram a palavra do Senhor, e voltaram segundo o seu mandado.
25 Jeroboão edificou Siquém, na região montanhosa de Efraim, e habitou ali;
depois, saindo dali, edificou Penuel.
26 Disse Jeroboão no seu coração: Agora tornará o reino para a casa de Davi.
27 Se este povo subir para fazer sacrifícios na casa do Senhor, em Jerusalém, o
seu coração se tornará para o seu senhor, Roboão, rei de Judá; e, matando-me,
voltarão para Roboão, rei de Judá.
28 Pelo que o rei, tendo tomado conselho, fez doisvado e meio. ouro; e disse ao
povo: Basta de subires a Jerusalém; eis aqui teus deuses, ó Israel, que te
fizeram subir da terra do Egito.
29 E pôs um em Betel, e o outro em Dã.
30 Ora, isto se tornou em pecado; pois que o povo ia até Dã para adorar o
ídolo.
31 Também fez casas nos altos, e constituiu sacerdotes dentre o povo, que não
eram dos filhos de Levi.
32 E Jeroboão ordenou uma festa no oitavo mês, no dia décimo quinto do mês,
como a festa que se celebrava em Judá, e sacrificou no altar. Semelhantemente
fez em Betel, sacrificando aos bezerros que tinha feito; também em Betel
estabeleceu os sacerdotes dos altos que fizera.
33 Sacrificou, pois, no altar, que fizera em Betel, no dia décimo quinto do
oitavo mês, mês que ele tinha escolhido a seu bel prazer; assim ordenou uma
festa para os filhos de Israel, e sacrificou no altar, queimando incenso.
I
REIS
[13]
1 Eis que, por ordem do
Senhor, veio de Judá a Betel um homem de Deus; e Jeroboão estava junto ao
altar, para queimar incenso.
2 E o homem clamou contra o altar, por ordem do Senhor, dizendo: Altar, altar!
assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será
Josias; e qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti
queimam incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti.
3 E deu naquele mesmo dia um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o Senhor
falou; Eis que o altar se fenderá, e a cinza que está sobre ele se derramará.
4 Sucedeu pois que, ouvindo o rei Jeroboão a palavra que o homem de Deus
clamara contra o altar de Betel, estendeu a mão de sobre o altar, dizendo:
Pegai-o! E logo, a mão que estendera contra ele secou-se, de modo que não podia
tornar a trazê-la a si.
5 E o altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar, conforme o sinal que o
homem de Deus, por ordem do Senhor, havia dado.
6 Então respondeu o rei, e disse ao homem de Deus: Suplica ao Senhor teu Deus, e
roga por mim, para que se me restitua a minha mão. Pelo que o homem de Deus
suplicou ao Senhor, e a mão do rei se lhe restituiu, e ficou como dantes.
7 Disse então o rei ao homem de Deus: Vem comigo a minha casa, e conforta-te, e
dar-te-ei uma recompensa.
8 Mas o homem de Deus respondeu ao rei: Ainda que me desses metade da tua casa,
não iria contigo, nem comeria pão, nem beberia água neste lugar.
9 Porque assim me ordenou o Senhor pela sua palavra, dizendo: Não comas pão,
nem bebas água, nem voltes pelo caminho por onde vieste.
10 Ele, pois, se foi por outro caminho, e não voltou pelo caminho por onde
viera a Betel.
11 Ora, morava em Betel um velho profeta. Seus filhos vieram contar-lhe tudo o
que o homem de Deus fizera aquele dia em Betel; e as palavras que ele dissera
ao rei, contaram-nas também a seu pai.
12 Perguntou-lhes seu pai: Por que caminho se foi? pois seus filhos tinham
visto o caminho por onde fora o homem de Deus que viera de Judá.
13 Então disse a seus filhos: Albardai-me o jumento. E albardaram-lhe o
jumento, no qual ele montou.
14 E tendo ido após o homem de Deus, achou-o sentado debaixo de um carvalho, e
perguntou-lhe: És tu o homem de Deus que vieste de Judá? Respondeu ele: Sou.
15 Então lhe disse: Vem comigo a casa, e come pão.
16 Mas ele tornou: Não posso voltar contigo, nem entrar em tua casa; nem
tampouco comerei pão, nem beberei água contigo neste lugar;
17 porque me foi mandado pela palavra de Senhor: Ali não comas pão, nem bebas
água, nem voltes pelo caminho por onde vieste.
18 Respondeu-lhe o outro: Eu também sou profeta como tu, e um anjo me falou por
ordem do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e
beba água. Mas mentia-lhe.
19 Assim o homem voltou com ele, comeu pão em sua casa, e bebeu água.
20 Estando eles à mesa, a palavra do Senhor veio ao profeta que o tinha feito
voltar;
21 e ele clamou ao homem de Deus que viera de Judá, dizendo: Assim diz o
Senhor: Porquanto foste rebelde à ordem do Senhor, e não guardaste o mandamento
que o Senhor teu Deus te mandara,
22 mas voltaste, e comeste pão e bebeste água no lugar de que te dissera: Não
comas pão, nem bebas água; o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais.
23 E, havendo eles comido e bebido, albardou o jumento para o profeta que
fizera voltar.
24 Este, pois, se foi, e um leão o encontrou no caminho, e o matou; o seu
cadáver ficou estendido no caminho, e o jumento estava parado junto a ele, e
também o leão estava junto ao cadáver.
25 E, passando por ali alguns homens, viram o cadáver estendido no caminho, e o
leão ao lado dele. Foram, pois, e o disseram na cidade onde o velho profeta
habitava.
26 Quando o profeta que o fizera voltar do caminho ouviu isto, disse: É o homem
de Deus, que foi rebelde à palavra do Senhor; por isso o Senhor o entregou ao
leão, que o despedaçou e matou, segundo a palavra que o Senhor lhe dissera.
27 E disse a seus filhos: Albardai-me e jumento. Eles lho albardaram.
28 Então foi e achou o cadáver estendido no caminho, e o jumento e o leão, que
estavam parados junto ao cadáver; o leão não o havia devorado, nem havia
despedaçado o jumento.
29 Então e profeta levantou o cadáver do homem de Deus e, pondo-o em cima do
jumento, levou-o consigo; assim veio o velho profeta à cidade para o chorar e o
sepultar.
30 E colocou o cadáver no seu próprio sepulcro; e prantearam-no, dizendo: Ah,
irmão meu!
31 Depois de o haver sepultado, disse a seus filhos. Quando eu morrer,
sepultai-me no sepulcro em que o homem de Deus está sepultado; ponde os meus
ossos junto aos ossos dele.
32 Porque certamente se cumprirá o que, pela palavra de Senhor, clamou, contra
o altar que está em Betel, como tambem contra todas as casas dos altos que
estão nas cidades de Samária.
33 Nem depois destas coisas deixou Jeroboão e seu mau caminho, porém tornou a
fazer dentre todo o povo sacerdotes dos lugares altos; e a qualquer que o
queria consagrava sacerdote dos lugares altos.
34 E isso foi causa de pecado à casa de Jeroboão, para destruí-la e extingui-la
da face da terra.
I
REIS
[14]
1 Naquele tempo adoeceu
Abias, filho de Jeroboão.
2 E disse Jeroboão a sua mulher: Levanta-te, e disfarça-te, para que não
conheçam que és mulher de Jeroboão, e vai a Siló. Eis que lá está o profeta
Aías, o qual falou acerca de mim que eu seria rei sobre este povo.
3 Leva contigo dez pães, alguns bolos e uma botija de mel, e vai ter com ele;
ele te declarará o que há de suceder a este menino.
4 Assim, pois, fez a mulher de Jeroboão; e, levantando-se, foi a Siló, e entrou
na casa de Aías. Este já não podia ver, pois seus olhos haviam cegado por causa
da velhice.
5 O Senhor, porém, dissera a Aías: Eis que a mulher de Jeroboão vem
consultar-te sobre seu filho, que está doente. Assim e assim lhe falarás;
porque há de ser que, entrando ela, fingirá ser outra.
6 Sucedeu que, ouvindo Aías o ruído de seus pés, ao entrar ela pela porta,
disse: Entra, mulher de Jeroboão; por que te disfarças assim? Pois eu sou
enviado a ti com duras novas.
7 Vai, dize a Jeroboão: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Porquanto te exaltei
do meio do povo, e te constituí príncipe sobre o meu povo de Israel,
8 e rasguei o reino da casa de Davi, e o dei a ti; todavia não tens sido como o
meu servo Davi, que guardou os meus mandamentos e que me seguiu de todo o
coração para fazer somente o que era reto aos meus olhos;
9 mas tens praticado o mal, pior do que todos os que foram antes de ti, e foste
fizeste para ti outros deuses e imagens de fundição, para provocar-me à ira, e
me lançaste para trás das tuas costas;
10 portanto, eis que trarei o mal sobre a casa de Jeroboão, e exterminarei de
Jeroboão todo homem, escravo ou livre, em Israel, e lançarei fora os
remanescentes da casa de Jeroboão, como se lança fora o esterco, até que de
todo se acabe.
11 Quem morrer a Jeroboão na cidade, comê-lo-ão os cães; e o que lhe morrer no
campo, comê-lo-ão as aves do céu; porque o Senhor o disse.
12 Levanta-te, pois, e vai-te para tua casa; ao entrarem os teus pés na cidade,
o menino morrerá.
13 E todo o Israel o pranteará, e o sepultará; porque de Jeroboão só este
entrará em sepultura, porquanto, dos da casa de Jeroboão, só nele se achou
alguma coisa boa para com o Senhor Deus de Israel.
14 O Senhor, porém, levantará para si um rei sobre Israel, que destruirá a casa
de Jeroboão nesse dia. - E agora, que será?
15 Ferirá o Senhor a Israel, como se agita a cana nas águas; e arrancará a
Israel desta boa terra que tinha dado a seus pais, e o espalhará para além do
rio, porquanto fizeram os seus aserins, provocando o Senhor à ira.
16 E entregará Israel por causa dos pecados de Jeroboão, o qual pecou e fez
pecar a Israel.
17 Então a mulher de Jeroboão se levantou e partiu, e veio para Tirza; chegando
ela ao limiar da casa, o menino morreu.
18 E todo o Israel o sepultou e o pranteou, conforme a palavra do Senhor, que
ele falara por intermédio de seu servo Aías, o profeta.
19 Quanto ao restante dos atos de Jeroboão, como guerreou, e como reinou, eis
que está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel.
20 E o tempo que Jeroboão reinou foi vinte e dois anos. E dormiu com seus pais;
e Nadabe, seu filho, reinou em seu lugar.
21 Reinou em Judá Roboão, filho de Salomão. Tinha quarenta e um anos quando
começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que o Senhor
escolhera dentre todas as tribos de Israel para pôr ali o seu nome. E era o nome
de sua mãe Naama, a amonita.
22 E fez Judá o que era mau aos olhos do Senhor; e, com os seus pecados que
cometeram, provocaram-no a zelos, mais do que o fizeram os seus pais.
23 Porque também eles edificaram altos, e colunas, e aserins sobre todo alto outeiro
e debaixo de toda árvore frondosa;
24 e havia também sodomitas na terra: fizeram conforme todas as abominações dos
povos que o Senhor tinha expulsado de diante dos filhos de Israel.
25 Ora, sucedeu que, no quinto ano do rei Roboão, Sisaque, rei do Egito, subiu
contra Jerusalém,
26 e tomou os tesouros da casa de Senhor e os tesouros da casa do rei; levou
tudo. Também tomou todos os escudos de ouro que Salomão tinha feito.
27 Em lugar deles, fez o rei Roboão escudos de bronze, e os entregou nas mãos
dos capitães da guarda, que guardavam a porta da casa do rei.
28 E todas as vezes que o rei entrava na casa do Senhor os da guarda levavam os
escudos, e depois tornavam a pô-los na câmara da guarda.
29 Quanto ao restante dos atos de Reboão, e a tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
30 Houve guerra continuamente entre Roboão e Jeroboão.
31 E Roboão dormiu com seus pais, e foi sepultado com eles na cidade de Davi.
Era o nome de sua mãe Naama, a amonita. E Abião, seu filho, reinou em seu
lugar.
I
REIS
[15]
1 No décimo oitavo ano do rei
Jeroboão, filho de Nebate, começou Abião a reinar sobre Judá.
2 Reinou três anos em Jerusalém. Era o nome de sua mãe Maacá, filha de Absalão.
3 Ele andou em todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele; o seu
coração não foi perfeito para com o Senhor seu Deus como o coração de Davi, seu
pai.
4 Mas por amor de Davi o Senhor lhe deu uma lâmpada em Jerusalém, levantando a
seu filho depois dele, e confirmando a Jerusalem;
5 porque Davi fez o que era reto aos olhos do Senhor, e não se desviou de tudo
o que lhe ordenou em todos os dias da sua vida, a não ser no caso de Urias, o
heteu.
6 Ora, houve guerra entre Roboão e Jeroboão todos os dias da vida de Roboão.
7 Quanto ao restante dos atos de Abião, e a tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá? Também houve guerra
entre Abião e Jeroboão.
8 Abião dormiu com seus pais, e o sepultaram na cidade de Davi. E Asa, seu
filho, reinou em seu lugar.
9 No vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, começou Asa a reinar em Judá,
10 e reinou quarenta e um anos em Jerusalém. Era o nome de sua mãe Maacá, filha
de Absalão.
11 Asa fez o que era reto aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.
12 Porque tirou da terra os sodomitas, e removeu todos os ídolos que seus pais
tinham feito.
13 E até a Maacá, sua mãe, removeu para que não fosse rainha, porquanto tinha
feito um abominável ídolo para servir de Asera; e Asa desfez esse ídolo, e o
queimou junto ao ribeiro de Cedrom.
14 Os altos, porém, não foram tirados; todavia o coração de Asa foi reto para
com o Senhor todos os seus dias.
15 E trouxe para a casa do Senhor as coisas que seu pai havia consagrado, e as
coisas que ele mesmo consagrara: prata, ouro e vasos.
16 Ora, houve guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel, todos os seus dias.
17 Pois Baasa, rei de Israel, subiu contra Judá, e edificou Ramá, para que a
ninguém fosse permitido sair, nem entrar a ter com Asa, rei de Judá.
18 Então Asa tomou toda a prata e ouro que ficaram nos tesouros da casa do
Senhor, e os tesouros da casa do rei, e os entregou nas mãos de seus servos. E
o rei Asa os enviou a Bene-Hadade, filho de Tabrimom, filho de Heziom, rei da
Síria, que habitava em Damasco, dizendo:
19 Haja aliança entre mim e ti, como houve entre meu pai e teu pai. Eis que
aqui te mando um presente de prata e de ouro; vai, e anula a tua aliança com
Baasa, rei de Israel, para que ele se retire de mim.
20 Bene-Hadade, pois, deu ouvidos ao rei Asa, e enviou os capitães dos seus
exércitos contra as cidades de Israel; e feriu a Ijom, a Dã, a Abel-Bete-Maacá,
e a todo o distrito de Quinerote, com toda a terra de Naftali.
21 E sucedeu que, ouvindo-o Baasa, deixou de edificar Ramá, e ficou em Tirza.
22 Então o rei Asa fez apregoar por toda a Judá que todos, sem exceção,
trouxessem as pedras de Ramá, e a madeira com que Baasa a edificava; e com elas
o rei Asa edificou Geba de Benjamim e Mizpá.
23 Quanto ao restante de todos os atos de Asa, e todo o seu poder, e tudo
quanto fez, e as cidades que edificou, porventura não estão escritos no livro
das crônicas dos reis de Judá? Porém, na velhice, ficou, enfermo dos pés.
24 E Asa dormiu com seus pais, e foi sepultado com eles na cidade de Davi seu pai;
e Jeosafá, seu filho reinou em seu lugar.
25 Nadabe, filho de Jeroboão, começou a reinar sobre Israel no segundo ano de
Asa, rei de Judá, e reinou sobre Israel dois anos.
26 E fez o que era mau aos olhos de Senhor, andando nos caminhos de seu pai, e
no seu pecado com que tinha feito Israel pecar.
27 Conspirou contra ele Baasa, filho de Aías, da casa de Issacar, e o feriu em
Gibetom, que pertencia aos filisteus; pois Nadabe e todo o Israel sitiavam a
Gibetom.
28 Matou-o, pois, Baasa no terceiro ano de Asa, rei de Judá, e reinou em seu
lugar.
29 E logo que começou a reinar, feriu toda a casa de Jeroboão; a ninguém de
Jeroboão que tivesse fôlego deixou de destruir totalmente, conforme a palavra
do Senhor que ele falara por intermédio de seu servo Aías, o silonita,
30 por causa dos pecados que Jeroboão cometera, e com que fizera Israel pecar,
e por causa da provocação com que provocara à ira o Senhor Deus de Israel.
31 Quanto ao restante dos atos de Nadabe, e a tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
32 Houve guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel, todos os seus dias.
33 No terceiro ano de Asa, rei de Judá, Baasa, filho de Aías, começou a reinar
sobre todo o Israel em Tirza, e reinou vinte e quatro anos.
34 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, andando no caminho de Jeroboão e no
seu pecado com que tinha feito Israel pecar.
I
REIS
[16]
1 Então veio a palavra do
Senhor a Jeú, filho de Hanâni, contra Baasa, dizendo:
2 Porquanto te exaltei do pó, e te constituí chefe sobre o meu povo Israel, e
tu tens andado no caminho de Jeroboão, e tens feito o meu povo Israel pecar,
provocando-me à ira com os seus pecados,
3 eis que exterminarei os descendentes de Baasa, e os descendentes da casa
dele; sim, tornarei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate.
4 Quem morrer a Baasa na cidade, comê-lo-ão os cães; e o que lhe morrer no
campo, comê-lo-ão as aves do céu.
5 Quanto ao restante dos atos de Baasa, e ao que fez, e ao seu poder,
porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
6 E Baasa dormiu com seus pais, e foi sepultado em Tirza. Então Elá, seu filho,
reinou em seu lugar.
7 Assim veio também a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Jeú, filho
de Hanâni, contra Baasa e contra a casa dele, não somente por causa de todo o
mal que fizera aos olhos do Senhor, de modo a provocá-lo à ira com a obra de
suas mãos, tornando-se como a casa de Jeroboão, mas também porque exterminara a
casa de Jeroboão.
8 No ano vinte e seis de Asa, rei de Judá, Elá, filho de Baasa, começou a
reinar em Tirza sobre Israel, e reinou dois anos.
9 E Zinri, seu servo, chefe de metade dos carros, conspirou contra ele. Ora,
Elá achava-se em Tirza bebendo e embriagando-se em casa de Arza, que era o seu
mordomo em Tirza.
10 Entrou, pois, Zinri e o feriu, e o matou, no ano vigésimo sétimo de Asa, rei
de Judá, e reinou em seu lugar.
11 Quando ele começou a reinar, logo que se assentou no seu trono, feriu toda a
casa de Baasa; não lhe deixou homem algum, nem de seus parentes, nem de seus
amigos.
12 Assim destruiu Zinri toda a casa de Baasa, conforme a palavra do Senhor, que
ele falara contra Baasa por intermédio do profeta Jeú,
13 por causa de todos os pecados de Baasa, e dos pecados de Elá, seu filho, com
que pecaram, e com que fizeram Israel pecar, provocando à ira, com as suas
vaidades, o Senhor Deus de Israel.
14 Quanto ao restante dos atos de Elá, e a tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
15 No ano vigésimo sétimo de Asa, rei de Judá, reinou Zinri sete dias em Tirza.
Estava o povo acampado contra Gibetom, que pertencia aos filisteus.
16 E o povo que estava acampado ouviu dizer: Zinri conspirou, e matou o rei;
pelo que no mesmo dia, no arraial, todo o Israel constituiu rei sobre Israel a
Onri, chefe do exercito.
17 Então Onri subiu de Gibetom com todo o Israel, e cercaram Tirza.
18 Vendo Zinri que a cidade era tomada, entrou no castelo da casa do rei, e
queimou-a sobre si; e morreu,
19 por causa dos pecados que cometera, fazendo o que era mau aos olhos do
Senhor, andando no caminho de Jeroboão, e no pecado que este cometera, fazendo
Israel pecar.
20 Quanto ao restante dos atos de Zinri, e à conspiração que fez, porventura
não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
21 Então o povo de Israel se dividiu em dois partidos: metade do povo seguia a
Tíbni, filho de Ginate, para fazê-lo rei, e a outra metade seguia a Onri.
22 Mas o povo que seguia a Onri prevaleceu contra o que seguia a Tíbni, filho
de Ginate; de sorte que Tíbni morreu, e Onri reinou.
23 No trigésimo primeiro ano de Asa, rei de Judá, Onri começou a reinar sobre
Israel, e reinou doze anos. Reinou seis anos em Tirza.
24 E de Semer comprou o outeiro de Samária por dois talentos de prata, e
edificou nele; e chamou a cidade que edificou Samária, do nome de Semer, dono
do outeiro.
25 E fez Onri o que era mau aos olhos do Senhor; pior mesmo do que todos os que
o antecederam.
26 Pois ele andou em todos os caminhos de Jeroboão, filho de Nebate, como
também nos pecados com que este fizera Israel pecar, provocando à ira, com as
suas vaidades, o Senhor Deus de Israel.
27 Quanto ao restante dos atos que Onri fez, e ao poder que manifestou,
porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
28 Onri dormiu com seus pais, e foi sepultado em Samária. E Acabe, seu filho,
reinou em seu ugar.
29 No trigésimo oitavo ano de Asa, rei de Judá, começou Acabe, filho de Onri, a
reinar sobre Israel; e reinou sobre Israel em Samária vinte e dois anos.
30 E fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do Senhor, mais do que
todos os que o antecederam.
31 E, como se fosse pouco andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, ainda
tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e foi e serviu a
Baal, e o adorou;
32 e levantou um altar a Baal na casa de Baal que ele edificara em Samária;
33 também fez uma asera. De maneira que Acabe fez muito mais para provocar à
ira o Senhor Deus de Israel do que todos os reis de Israel que o antecederam.
34 Em seus dias Hiel, o betelita, edificou Jericó. Quando lançou os seus
alicerces, morreu-lhe Abirão, seu primogênito; e quando colocou as suas portas,
morreu-lhe Segube, seu filho mais moço; conforme a palavra do Senhor, que ele
falara por intermédio de Josué, filho de Num.
I
REIS
[17]
1 Então Elias, o tisbita, que
habitava em Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor, Deus de Israel, em cuja
presença estou, que nestes anos não haverá orvalho nem chuva, senão segundo a
minha palavra.
2 Depois veio a Elias a palavra do Senhor, dizendo:
3 Retira-te daqui, vai para a banda de oriente, e esconde-te junto ao ribeiro
de Querite, que está ao oriente do Jordão.
4 Beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.
5 Partiu, pois, e fez conforme a palavra do Senhor; foi habitar junto ao
ribeiro de Querite, que está ao oriente do Jordão.
6 E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã, como também pão e carne à
tarde; e ele bebia do ribeiro.
7 Mas, decorridos alguns dias, o ribeiro secou, porque não tinha havido chuva
na terra.
8 Veio-lhe então a palavra do Senhor, dizendo:
9 Levanta-te, vai para Sarepta, que pertence a Sidom, e habita ali; eis que eu
ordenei a uma mulher viúva ali que te sustente.
10 Levantou-se, pois, e foi para Sarepta. Chegando ele à porta da cidade, eis
que estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; ele a chamou e lhe disse:
Traze-me, peço-te, num vaso um pouco d'água, para eu beber.
11 Quando ela ia buscá-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me também um bocado
de pão contigo.
12 Ela, porém, respondeu: Vive o Senhor teu Deus, que não tenho nem um bolo,
senão somente um punhado de farinha na vasilha, e um pouco de azeite na botija;
e eis que estou apanhando uns dois gravetos, para ir prepará-lo para mim e para
meu filho, a fim de que o comamos, e morramos.
13 Ao que lhe disse Elias: Não temas; vai, faze como disseste; porém, faze
disso primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-mo aqui; depois o farás para
ti e para teu filho.
14 Pois assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da vasilha não se acabará,
e o azeite da botija não faltará, até o dia em que o Senhor dê chuva sobre a
terra.
15 Ela foi e fez conforme a palavra de Elias; e assim comeram, ele, e ela e a
sua casa, durante muitos dias.
16 Da vasilha a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou,
conforme a palavra do Senhor, que ele falara por intermédio de Elias.
17 Depois destas coisas aconteceu adoecer o filho desta mulher, dona da casa; e
a sua doença se agravou tanto, que nele não ficou mais fôlego.
18 Então disse ela a Elias: Que tenho eu contigo, ó homem de Deus? Vieste tu a
mim para trazeres à memória a minha iniqüidade, e matares meu filho?
19 Respondeu-lhe ele: Dá-me o teu filho. E ele o tomou do seu regaço, e o levou
para cima, ao quarto onde ele mesmo habitava, e o deitou em sua cama.
20 E, clamando ao Senhor, disse: ç Senhor meu Deus, até sobre esta viúva, que
me hospeda, trouxeste o mal, matando-lhe o filho?
21 Então se estendeu sobre o menino três vezes, e clamou ao Senhor, dizendo: ç
Senhor meu Deus, faze que a vida deste menino torne a entrar nele.
22 O Senhor ouviu a voz de Elias, e a vida do menino tornou a entrar nele, e
ele reviveu.
23 E Elias tomou o menino, trouxe-o do quarto à casa, e o entregou a sua mãe; e
disse Elias: Vês aí, teu filho vive:
24 Então a mulher disse a Elias: Agora sei que tu és homem de Deus, e que a
palavra do Senhor na tua boca é verdade.
I
REIS
[18]
1 Depois de muitos dias veio
a Elias a palavra do Senhor, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a
Acabe; e eu mandarei chuva sobre a terra.
2 Então Elias foi apresentar-se a Acabe. E a fome era extrema em Samária.
3 Acabe chamou a Obadias, o mordomo (ora, Obadias temia muito ao Senhor;
4 pois sucedeu que, destruindo Jezabel os profetas do Senhor, Obadias tomou cem
profetas e os escondeu, cinqüenta numa cova e cinqüenta noutra, e os sustentou
com pão e água);
5 e disse Acabe a Obadias: Vai pela terra a todas as fontes de água, e a todos
os rios. Pode ser ser que achemos erva para salvar a vida dos cavalos e mulas,
de maneira que não percamos todos os os animais.
6 E repartiram entre si a terra, para a percorrerem; e foram a sós, Acabe por
um caminho, e Obadias por outro.
7 Quando, pois, Obadias já estava em caminho, eis que Elias se encontrou com
ele; e Obadias, reconhecendo-o, prostrou-se com o rosto em terra e disse: És
tu, meu senhor Elias?
8 Respondeu-lhe ele: Sou eu. Vai, dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui.
9 Ele, porém, disse: Em que pequei, para que entregues teu servo na mão de
Acabe, para ele me matar?
10 Vive o Senhor teu Deus, que não há nação nem reino aonde o meu senhor não
tenha mandado em busca de ti; e dizendo eles: Aqui não está; então fazia-os
jurar que não te haviam achado.
11 Agora tu dizes: Vai, dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui.
12 E será que, apartando-me eu de ti, o Espírito do Senhor te levará não sei
para onde; e, vindo eu dar as novas a Acabe, e não te achando ele, matar-me-á.
Todavia eu, teu servo, temo ao Senhor desde a minha mocidade.
13 Porventura não disseram a meu senhor o que fiz, quando Jezabel matava os
profetas do Senhor, como escondi cem dos profetas do Senhor, cinqüenta numa
cova e cinqüenta noutra, e os sustentei com pão e água:
14 E agora tu dizes: Vai, dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui! Ele me
matará.
15 E disse Elias: Vive o Senhor dos exércitos, em cuja presença estou, que
dereras hoje hei de apresentar-me a ele.
16 Então foi Obadias encontrar-se com Acabe, e lho anunciou; e Acabe foi
encontrar-se com Elias.
17 E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe: És tu, perturbador de Israel?
18 Respondeu Elias: Não sou eu que tenho perturbado a Israel, mas és tu e a
casa de teu pai, por terdes deixado os mandamentos do Senhor, e por teres tu
seguido os baalins.
19 Agora pois manda reunir-se a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também
os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas de
Asera, que comem da mesa de Jezabel.
20 Então Acabe convocou todos os filhos de Israel, e reuniu os profetas no
monte Carmelo.
21 E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois
pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o. O povo, porém,
não lhe respondeu nada.
22 Então disse Elias ao povo: Só eu fiquei dos profetas do Senhor; mas os
profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta homens.
23 Dêem-se-nos, pois, dois novilhos; e eles escolham para si um dos novilhos, e
o dividam em pedaços, e o ponham sobre a lenha, porém não lhe metam fogo; e eu
prepararei o outro novilho, e o porei sobre a lenha, e não lhe meterei fogo.
24 Então invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor; e há de
ser que o deus que responder por meio de fogo, esse será Deus. E todo o povo
respondeu, dizendo: É boa esta palavra.
25 Disse, pois, Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós: um dos novilhos,
e preparai-o primeiro, porque sois muitos, e invocai o nome do Senhor, vosso
deus, mas não metais fogo ao sacrifício.
26 E, tomando o novilho que se lhes dera, prepararam-no, e invocaram o nome de
Baal, desde a manhã até o meio-dia, dizendo: Ah Baal, responde-nos! Porém não
houve voz; ninguém respondeu. E saltavam em volta do altar que tinham feito.
27 Sucedeu que, ao meio-dia, Elias zombava deles, dizendo: Clamai em altas
vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma
coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e
necessite de que o acordem.
28 E eles clamavam em altas vozes e, conforme o seu costume, se retalhavam com
facas e com lancetas, até correr o sangue sobre eles.
29 Também sucedeu que, passado o meio dia, profetizaram eles até a hora de se
oferecer o sacrifício da tarde. Porém não houve voz; ninguém respondeu, nem
atendeu.
30 Então Elias disse a todo o povo: chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a
ele. E Elias reparou o altar do Senhor, que havia sido derrubado.
31 Tomou doze pedras, conforme o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual
viera a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome;
32 e com as pedras edificou o altar em nome do Senhor; depois fez em redor do altar
um rego, em que podiam caber duas medidas de semente.
33 Então armou a lenha, e dividiu o novilho em pedaços, e o pôs sobre a lenha,
e disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e
sobre a lenha.
34 Disse ainda: fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. De novo disse:
Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez.
35 De maneira que a água corria ao redor do altar; e ele encheu de água também
o rego.
36 Sucedeu pois que, sendo já hora de se oferecer o sacrifício da tarde, o
profeta Elias se chegou, e disse: ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque, e de
Israel, seja manifestado hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo,
e que conforme a tua palavra tenho feito todas estas coisas.
37 Responde-me, ó Senhor, responde-me para que este povo conheça que tu, ó
Senhor, és Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.
38 Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e o
pó, e ainda lambeu a água que estava no rego.
39 Quando o povo viu isto, prostraram-se todos com o rosto em terra e disseram:
O senhor é Deus! O Senhor é Deus!
40 Disse-lhes Elias: Agarrai os profetas de Baal! que nenhum deles escape:
Agarraram-nos; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom, onde os matou.
41 Então disse Elias a Acabe: Sobe, come e bebe, porque há ruído de abundante
chuva.
42 Acabe, pois, subiu para comer e beber; mas Elias subiu ao cume do Carmelo e,
inclinando-se por terra, meteu o rosto entre os joelhos.
43 E disse ao seu moço: Sobe agora, e olha para a banda do mar. E ele subiu,
olhou, e disse: Não há nada. Então disse Elias: Volta lá sete vezes.
44 Sucedeu que, à sétima vez, disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem, do
tamanho da mão dum homem: Então disse Elias: Sobe, e dize a Acabe: Aparelha o
teu carro, e desce, para que a chuva não te impeça.
45 E sucedeu que em pouco tempo o céu se enegreceu de nuvens e vento, e caiu
uma grande chuva. Acabe, subindo ao carro, foi para Jizreel:
46 E a mão do Senhor estava sobre Elias, o qual cingiu os lombos, e veio
correndo perante Acabe, até a entrada de Jizreel.
I
REIS
[19]
1 Ora, Acabe fez saber a
Jezabel tudo quanto Elias havia feito, e como matara à espada todos os
profetas.
2 Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os
deuses, e outro tanto, se até amanhã a estas horas eu não fizer a tua vida como
a de um deles.
3 Quando ele viu isto, levantou-se e, para escapar com vida, se foi. E chegando
a Berseba, que pertence a Judá, deixou ali o seu moço.
4 Ele, porém, entrou pelo deserto caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de
um zimbro; e pediu para si a morte, dizendo: Já basta, ó Senhor; toma agora a
minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.
5 E deitando-se debaixo do zimbro, dormiu; e eis que um anjo o tocou, e lhe
disse: Levanta-te e come.
6 Ele olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas, e
uma botija de água. Tendo comido e bebido, tornou a deitar-se.
7 O anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-o, e lhe disse: Levanta-te e come,
porque demasiado longa te será a viagem.
8 Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força desse alimento caminhou
quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.
9 Ali entrou numa caverna, onde passou a noite. E eis que lhe veio a palavra do
Senhor, dizendo: Que fazes aqui, Elias?
10 Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos;
porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e
mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha
vida para ma tirarem.
11 Ao que Deus lhe disse: Vem cá fora, e põe-te no monte perante o Senhor: E
eis que o Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e
despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e
depois do vento um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto;
12 e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda
depois do fogo uma voz mansa e delicada.
13 E ao ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa e, saindo, pôs-se à entrada da
caverna. E eis que lhe veio uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?
14 Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos;
porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e
mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha
vida para ma tirarem.
15 Então o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de
Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria.
16 E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a
Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar.
17 E há de ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que
escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu.
18 Todavia deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a
Baal, e toda boca que não o beijou.
19 Partiu, pois, Elias dali e achou Eliseu, filho de Safate, que andava
lavrando com doze juntas de bois adiante dele, estando ele com a duodécima;
chegando-se Elias a Eliseu, lançou a sua capa sobre ele.
20 Então, deixando este os bois, correu após Elias, e disse: Deixa-me beijar a
meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. Respondeu-lhe Elias: Vai, volta;
pois, que te fiz eu?
21 Voltou, pois, de o seguir, tomou a junta de bois, e os matou, e com os
aparelhos dos bois cozeu a carne, e a deu ao povo, e comeram. Então se levantou
e seguiu a Elias, e o servia.
I
REIS
[20]
1 Ora, Bene-Hadade, rei da
Síria, ajuntou todo o seu exército; e havia com ele trinta e dois reis, e cavalos
e carros. Então subiu, cercou a Samária, e pelejou contra ela.
2 E enviou à cidade mensageiros a Acabe, rei de Israel, a dizer-lhe: Assim diz:
Bene-Hadade:
3 A tua prata e o teu ouro são meus; e também, das tuas mulheres e dos teus
filhos, os melhores são meus.
4 Ao que respondeu o rei de Israel, dizendo: Conforme a tua palavra, ó rei meu
senhor, sou teu, com tudo quanto tenho.
5 Tornaram a vir os mensageiros, e disseram: Assim fala Bene-Hadade, dizendo:
Enviei-te, na verdade, mensageiros que dissessem: Tu me hás de entregar a tua
prata e o teu ouro, as tuas mulheres e os teus filhos;
6 todavia amanhã a estas horas te enviarei os meus servos, os quais
esquadrinharão a tua casa, e as casas dos teus servos; e há de ser que tudo o
que de precioso tiveres, eles tomarão consigo e o levarão.
7 Então o rei de Israel chamou todos os anciãos da terra, e disse: Notai agora,
e vede como esse homem procura o mal; pois mandou pedir-me as minhas mulheres,
os meus filhos, a minha prata e o meu ouro, e não os neguei.
8 Responderam-lhe todos os anciãos e todo o povo: Não lhe dês ouvidos, nem
consintas.
9 Pelo que disse aos mensageiros de Bene-Hadade: Dizei ao rei, meu senhor: Tudo
o que a princípio mandaste pedir a teu servo, farei; porém isto não posso
fazer. Voltaram os mensageiros, e lhe levaram a resposta.
10 Tornou Bene-Hadade a enviar-lhe mensageiros, e disse: Assim me façam os
deuses, e outro tanto, se o pó de Samária bastar para encher as mãos de todo o
povo que me segue.
11 O rei de Israel, porém, respondeu: Dizei-lhe: Não se gabe quem se cinge das
armas como aquele que as depõe.
12 E sucedeu que, ouvindo ele esta palavra, estando a beber com os reis nas
tendas, disse aos seus servos: Ponde-vos em ordem. E eles se puseram em ordem
contra a cidade.
13 E eis que um profeta, chegando-se a Acabe, rei de Israel, lhe disse: Assim
diz o Senhor: Viste toda esta grande multidão eis que hoje ta entregarei nas
mãos, e saberás que eu sou o Senhor.
14 Perguntou Acabe: Por quem? Respondeu ele: Assim diz o Senhor: Pelos moços
dos chefes das províncias. Ainda perguntou Acabe: Quem começará a peleja?
Respondeu ele: Tu.
15 Então contou os moços dos chefes das províncias, e eram duzentos e trinta e
dois; e depois deles contou todo o povo, a saber, todos os filhos de Israel, e
eram sete mil.
16 Saíram, pois, ao meio-dia. Bene-Hadade, porém, estava bebendo e se
embriagando nas tendas, com os reis, os trinta e dois reis que o ajudavam.
17 E os moços dos chefes das províncias saíram primeiro; e Bene-Hadade enviou
espias, que lhe deram aviso, dizendo: Saíram de Samária uns homens.
18 Ao que ele disse: Quer venham eles tratar de paz, quer venham à peleja,
to-mai-os vivos.
19 Saíram, pois, da cidade os moços dos chefes das provincias, e o exército que
os seguia.
20 E eles mataram cada um o seu adversário. Então os sírios fugiram, e Israel
os perseguiu; mas Bene-Hadade, rei da Síria, escapou a cavalo, com alguns
cavaleiros.
21 E saindo o rei de Israel, destruiu os cavalos e os carros, e infligiu aos
sírios grande derrota.
22 Então o profeta chegou-se ao rei de Israel e lhe disse: Vai, fortalece-te;
atenta bem para o que hás de fazer; porque decorrido um ano, o rei da Síria
subirá contra ti.
23 Os servos do rei da Síria lhe disseram: Seus deuses são deuses dos montes,
por isso eles foram mais fortes do que nós; mas pelejemos com eles na planície,
e por certo prevaleceremos contra eles.
24 Faze, pois, isto: tira os reis, cada um do seu lugar, e substitui-os por
capitães;
25 arregimenta outro exército, igual ao exército que perdeste, cavalo por
cavalo, e carro por carro; pelejemos com eles na planicie, e por certo
prevaleceremos contra eles. Ele deu ouvidos ao que disseram, e assim fez.
26 Passado um ano, Bene-Hadade arregimentou os sírios, e subiu a Afeque, para
pelejar contra Israel.
27 Também os filhos de Israel foram arregimentados e, providos de víveres,
marcharam contra eles. E os filhos de Israel acamparam-se defronte deles, como
dois pequenos rebanhos de cabras; mas os sírios enchiam a terra.
28 Nisso chegou o homem de Deus, e disse ao rei de Israel: Assim diz o Senhor:
Porquanto os sírios disseram: O Senhor é Deus dos montes, e não Deus dos vales,
entregarei nas tuas mãos toda esta grande multidão, e saberás que eu sou o
Senhor.
29 Assim, pois, estiveram acampados sete dias, uns defronte dos outros. Ao
sétimo dia a peleja começou, e num só dia os filhos de Israel mataram dos
sírios cem mil homens da infantaria.
30 E os restantes fugiram para Afeque, e entraram na cidade; e caiu o muro
sobre vinte e sete mil homens que restavam. Bene-Hadade, porém, fugiu, e veio à
cidade, onde se meteu numa câmara interior.
31 Disseram-lhe os seus servos: Eis que temos ouvido dizer que os reis da casa
de Israel são reis clementes; ponhamos, pois, sacos aos lombos, e cordas aos
pescoços, e saiamos ao rei de Israel; pode ser que ele te poupe a vida.
32 Então cingiram sacos aos lombos e cordas aos pescoços e, indo ter com o rei
de Israel, disseram-lhe: Diz o teu servo Bene-Hadade: Deixa-me viver, rogo-te.
Ao que disse Acabe: Pois ainda vive? É meu irmão.
33 Aqueles homens, tomando isto por bom presságio, apressaram- se em apanhar a
sua palavra, e disseram: Bene-Hadade é teu irmão! Respondeu-lhes ele: Ide,
trazei-me. Veio, pois, Bene-Hadade à presença de Acabe; e este o fez subir ao
carro.
34 Então lhe disse Bene-Hadade: Eu te restituirei as cidades que meu pai tomou
a teu pai; e farás para ti praças em Damasco, como meu pai as fez em Samária. E
eu, respondeu Acabe, com esta aliança te deixarei ir. E fez com ele aliança e o
deixou ir.
35 Ora, certo homem dentre os filhos dos profetas disse ao seu companheiro,
pela palavra do Senhor: Fere-me, peço-te. Mas o homem recusou feri-lo.
36 Pelo que ele lhe disse: Porquanto não obedeceste à voz do Senhor, eis que,
em te apartando de mim, um leão te matará. E logo que se apartou dele um leão o
encontrou e o matou.
37 Depois o profeta encontrou outro homem, e disse-lhe: Fere-me, peço-te. E
aquele homem deu nele e o feriu.
38 Então foi o profeta, pôs-se a esperar e rei no caminho, e disfarçou-se,
cobrindo os olhos com o seu turbante.
39 E passando o rei, clamou ele ao rei, dizendo: Teu servo estava no meio da
peleja; e eis que um homem, voltando-se, me trouxe um outro, e disse: Guarda-me
este homem; se ele de qualquer maneira vier a faltar, a tua vida responderá
pela vida dele, ou então pagarás um talento de prata.
40 E estando o teu servo ocupado de uma e de outra parte, eis que o homem
desapareceu. Ao que lhe respondeu o rei de Israel: Esta é a tua sentença; tu
mesmo a pronunciaste.
41 Então ele se apressou, e tirou o turbante de sobre os seus olhos; e o rei de
Israel o reconheceu, que era um dos profetas.
42 E disse ele ao rei: Assim diz o Senhor: Porquanto deixaste escapar da mão o
homem que eu havia posto para destruição, a tua vida responderá pela sua vida,
e o teu povo pelo seu povo.
43 E o rei de Israel seguiu para sua casa, desgostoso e indignado, e veio a
Samária.
I
REIS
[21]
1 Sucedeu depois destas
coisas que, tendo Nabote, o jizreelita, uma vinha em Jizrreel, junto ao palácio
de Acabe, rei de Samária,
2 falou este a Nabote, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta,
porque está vizinha, ao pé da minha casa; e te darei por ela outra vinha
melhor; ou, se desejares, dar-te-ei o seu valor em dinheiro.
3 Respondeu, porém, Nabote a Acabe: Guarde-me o Senhor de que eu te dê a
herança de meus pais.
4 Então Acabe veio para sua casa, desgostoso e indignado, por causa da palavra
que Nabote, o jizreelita, lhe falara; pois este lhe dissera: Não te darei a
herança de meus pais. Tendo-se deitado na sua cama, virou a rosto, e não quis
comer.
5 Mas, vindo a ele Jezabel, sua mulher, lhe disse: Por que está o teu espírito
tão desgostoso que não queres comer?
6 Ele lhe respondeu: Porque falei a Nabote, o jizreelita, e lhe disse: Dá-me a
tua vinha por dinheiro; ou, se te apraz, te darei outra vinha em seu lugar.
Ele, porém, disse: Não te darei a minha vinha.
7 Ao que Jezabel, sua mulher, lhe disse: Governas tu agora no reino de Israel?
Levanta-te, come, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o
jizreelita.
8 Então escreveu cartas em nome de Acabe e, selando-as com o sinete dele,
mandou-as aos anciãos e aos nobres que habitavam com Nabote na sua cidade.
9 Assim escreveu nas cartas: Apregoai um jejum, e ponde Nabote diante do povo.
10 E ponde defronte dele dois homens, filhos de Belial, que testemunhem contra
ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei. Depois conduzi-o para
fora, e apedrejai-o até que morra.
11 Pelo que os homens da cidade dele, isto é, os anciãos e os nobres que
habitavam na sua cidade, fizeram como Jezabel lhes ordenara, conforme estava
escrito nas cartas que ela lhes mandara.
12 Apregoaram um jejum, e puseram Nabote diante do povo.
13 Também vieram dois homens, filhos de Belial, e sentaram-se defronte dele; e
estes filhos de Belial testemunharam contra Nabote perante o povo, dizendo:
Nabote blasfemou contra Deus e contra o rei. Então o conduziram para fora da
cidade e o apedrejaram, de sorte que morreu.
14 Depois mandaram dizer a Jezabel : Nabote foi apedrejado e morreu.
15 Ora, ouvindo Jezabel que Nabote fora apedrejado e morrera, disse a Acabe:
Levanta-te e toma posse da vinha de Nabote, e jizreelita, a qual ele recusou
dar-te por dinheiro; porque Nabote já não vive, mas é morto.
16 Quando Acabe ouviu que Nabote já era morto, levantou-se para descer à vinha
de Nabote, o jizreelita, a fim de tomar posse dela.
17 Então veio a palavra do Senhor a Elias, o tisbita, dizendo:
18 Levanta-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que está em
Samária. Eis que está na vinha de Nabote, aonde desceu a fim de tomar posse
dela.
19 E falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o Senhor: Porventura não mataste e
tomaste a herança? Falar-lhe-ás mais, dizendo: Assim diz o Senhor: No lugar em
que os cães lamberam o sangue de Nabote, lamberão também o teu próprio sangue.
20 Ao que disse Acabe a Elias: Já me achaste, ó inimigo meu? Respondeu ele:
Achei-te; porque te vendeste para fazeres o que é mau aos olhos do Senhor.
21 Eis que trarei o mal sobre ti; lançarei fora a tua posteridade, e arrancarei
de Acabe todo homem, escravo ou livre, em Israel;
22 e farei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate, e como a casa
de Baasa, filho de Aías, por causa da provocação com que me provocaste à ira,
fazendo Israel pecar.
23 Também acerca de Jezabel falou o Senhor, dizendo: Os cães comerão Jezabel
junto ao antemuro de Jizreel.
24 Quem morrer a Acabe na cidade, os cães o comerão; e o que lhe morrer no
campo, as aves do céu o comerão.
25 (Não houve, porém, ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que era
mau aos olhos do Senhor, sendo instigado por Jezabel, sua mulher.
26 E fez grandes abominações, seguindo os ídolos, conforme tudo o que fizeram
os amorreus, os quais o Senhor lançou fora da sua possessão, de diante dos
filhos de Israel.)
27 Sucedeu, pois, que Acabe, ouvindo estas palavras, rasgou as suas vestes,
cobriu de saco a sua carne, e jejuou; e jazia em saco, e andava humildemente.
28 Então veio a palavra do Senhor a Elias, o tisbita, dizendo:
29 Não viste que Acabe se humilha perante mim? Por isso, porquanto se humilha
perante mim, não trarei o mal enquanto ele viver, mas nos dias de seu filho
trarei o mal sobre a sua casa.
I
REIS
[22]
1 Passaram-se três anos sem
haver guerra entre a Síria e Israel.
2 No terceiro ano, porém, desceu Jeosafá, rei de Judá, a ter com o rei de
Israel.
3 E o rei de Israel disse aos seus servos: Não sabeis vós que Ramote-Gileade é
nossa, e nós estamos quietos, sem a tomar da mão do rei da Síria?
4 Então perguntou a Jeosafá: Irás tu comigo à peleja, a Ramote-Gileade?
Respondeu Jeosafá ao rei de Israel: Como tu és sou eu, o meu povo como o teu
povo, e os meus cavalos como os teus cavalos.
5 Disse mais Jeosafá ao rei de Israel: Rogo-te, porém, que primeiro consultes a
palavra do Senhor.
6 Então o rei de Israel ajuntou os profetas, cerca de quatrocentos homens, e
perguntou-lhes: Irei à peleja contra Ramote- Gileade, ou deixarei de ir?
Responderam eles: Sobe, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei.
7 Disse, porém, Jeosafá: Não há aqui ainda algum profeta do Senhor, ao qual
possamos consultar?
8 Então disse o rei de Israel a Jeosafá: Ainda há um homem por quem podemos
consultar ao Senhor - Micaías, filho de Inlá; porém eu o odeio, porque nunca
profetiza o bem a meu respeito, mas somente o mal. Ao que disse Jeosafá: Não
fale o rei assim.
9 Então o rei de Israel chamou um eunuco, e disse: Traze-me depressa Micaías,
filho de Inlá.
10 Ora, o rei de Israel e Jeosafá, rei de Judá, vestidos de seus trajes reais,
estavam assentados cada um no seu trono, na praça à entrada da porta de
Samária; e todos os profetas profetizavam diante deles.
11 E Zedequias, filho de Quenaaná, fez para si uns chifres de ferro, e disse:
Assim diz o Senhor: Com estes ferirás os sírios, até que sejam consumidos.
12 Do mesmo modo também profetizavam todos os profetas, dizendo: Sobe a
Ramote-Gileade, e serás bem sucedido; porque o Senhor a entregará nas mãos do
rei.
13 O mensageiro que fora chamar Micaías falou-lhe, dizendo: Eis que as palavras
dos profetas, a uma voz, são favoráveis ao rei; seja, pois, a tua palavra como
a de um deles, e fala o que é bom.
14 Micaías, porém, disse: Vive o Senhor, que o que o Senhor me disser, isso
falarei.
15 Quando ele chegou à presença do rei, este lhe disse: Micaías, iremos a
Ramote-Gileade à peleja, ou deixaremos de ir? Respondeu-lhe ele: Sobe, e serás
bem sucedido, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei.
16 E o rei lhe disse: Quantas vezes hei de conjurar-te que não me fales senão a
verdade em nome do Senhor?
17 Então disse ele: Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que
não têm pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne cada um em paz
para sua casa.
18 Disse o rei de Israel a Jeosafá: Não te disse eu que ele não profetizaria o
bem a meu respeito, mas somente o mal?
19 Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado
no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, à sua direita e à
sua esquerda.
20 E o Senhor perguntou: Quem induzirá Acabe a subir, para que caia em
Ramote-Gileade? E um respondia de um modo, e outro de outro.
21 Então saiu um espírito, apresentou-se diante do Senhor, e disse: Eu o
induzirei. E o Senhor lhe perguntou: De que modo?
22 Respondeu ele: Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os
seus profetas. Ao que disse o Senhor: Tu o induzirás, e prevalecerás; sai, e
faze assim.
23 Agora, pois, eis que o Senhor pôs um espírito mentiroso na boca dentes da
casa dele; sim, tornarei a tua casa como a casa de respeito de ti.
24 Então Zedequias, filho de Quenaaná, chegando-se, feriu a Micaías na face e disse:
Por onde passou de mim o Espírito do Senhor para falar a ti?
25 Respondeu Micaías: Eis que tu o verás naquele dia, quando entrares numa
câmara interior, para te esconderes.
26 Então disse o rei de Israel: Tomai Micaías, e tornai a levá-lo a Amom, o governador
da cidade, e a Joás, filho do rei,
27 dizendo-lhes: Assim diz o rei: Metei este homem no cárcere, e sustentai-o a
pão e água, até que eu volte em paz.
28 Replicou Micaías: Se tu voltares em paz, o senhor não tem falado por mim.
Disse mais: Ouvi, povos todos!
29 Assim o rei de Israel e Jeosafá, rei de Judá, subiram a Ramote-Gileade.
30 E disse o rei de Israel a Jeosafá: Eu me disfarçarei, e entrarei na peleja;
tu, porém, veste os teus trajes reais. Disfarçou-se, pois, o rei de Israel, e
entrou na peleja.
31 Ora, o rei da Síria tinha ordenado aos capitães dos carros, que eram trinta
e dois, dizendo: Não pelejeis nem contra pequeno nem contra grande, senão só
contra o rei de Israel.
32 E sucedeu que, vendo os capitães dos carros a Jeosafá, disseram: Certamente
este é o rei de Israel. Viraram-se, pois, para pelejar com ele, e Jeosafá
gritou.
33 Vendo os capitães dos carros que não era o rei de Israel, deixaram de
segui-lo.
34 Então um homem entesou o seu arco, e atirando a esmo, feriu o rei de Israel
por entre a couraça e a armadura abdominal. Pelo que ele disse ao seu
carreteiro: Dá volta, e tira-me do exército, porque estou gravemente ferido.
35 E a peleja tornou-se renhida naquele dia; contudo o rei foi sustentado no
carro contra os sírios; porém à tarde ele morreu; e o sangue da ferida corria
para o fundo do carro.
36 Ao pôr do sol passou pelo exército a palavra: Cada um para a sua cidade, e
cada um para a sua terra!
37 Morreu, pois, o rei, e o levaram para Samária, e ali o sepultaram.
38 E lavaram o seu carro junto ao tanque de Samária, e os cães lamberam-lhe o
sangue, conforme a palavra que o Senhor tinha dito; ora, as prostitutas se
banhavam ali.
39 Quanto ao restante dos atos de Acabe, e a tudo quanto fez, e à casa de
marfim que construiu, e a todas as cidades que edificou, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
40 Assim dormiu Acabe com seus pais. E Acazias, seu filho, reinou em seu lugar.
41 Ora, Jeosafá, filho de Asa, começou a reinar sobre Judá no quarto ano de Acabe,
rei de Israel.
42 Era Jeosafá da idade de trinta e cinco anos quando começou a reinar, e
reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. Era o nome de sua mãe Azuba, filha de
Sili.
43 E andou em todos os caminhos de seu pai Asa; não se desviou deles, mas fez o
que era reto aos olhos do Senhor. Todavia os altos não foram tirados e o povo
ainda sacrificava e queimava incenso nos altos.
44 E Jeosafá teve paz com o rei de Israel.
45 Quanto ao restante dos atos de Jeosafá, e ao poder que mostrou, e como
guerreou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
46 Também expulsou da terra o restante dos sodomitas, que ficaram nos dias de
seu pai Asa
47 Nesse tempo não havia rei em Edom; um vice-rei governava.
48 E Jeosafá construiu navios de Társis para irem a Ofir em busca de ouro;
porém não foram, porque os navios se quebraram em Eziom-Geber.
49 Então Acazias, filho de Acabe, disse a Jeosafá: Vão os meus servos com os
teus servos nos navios. Jeosafá, porém, não quis.
50 Depois Jeosafá dormiu com seus pais, e foi sepultado junto a eles na cidade
de Davi, seu pai. E em seu lugar reinou seu filho Jeorão.
51 Ora, Acazias, filho de Acabe, começou a reinar em Samaria no ano dezessete
de Jeosafá, rei de Judá, e reinou dois anos sobre Israel.
52 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; porque andou no caminho de seu pai,
como também no caminho de sua mãe, e no caminho de Jeroboão, filho de Nebate,
que fez Israel pecar.
53 Serviu a Baal, e o adorou, provocando à ira o Senhor Deus de Israel,
conforme tudo quanto seu pai fizera.
[1]
1 Depois da morte de Acabe,
Moabe se rebelou contra Israel.
2 Ora, Acazias caiu pela grade do seu quarto alto em Samária, e adoeceu; e
enviou mensageiros, dizendo-lhes: Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de
Ecrom, se sararei desta doença.
3 O anjo do Senhor, porém, disse a Elias, o tisbita: Levanta- te, sobe para te
encontrares com os mensageiros do rei de Samária, e dize-lhes: Porventura não
há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?
4 Agora, pois, assim diz o Senhor: Da cama a que subiste não descerás, mas
certamnente morrerás. E Elias se foi.
5 Os mensageiros voltaram para Acazias, que lhes perguntou: Que há, que
voltastes?
6 Responderam-lhe eles: Um homem subiu ao nosso encontro, e nos disse: Ide,
voltai para o rei que vos mandou, e dizei-lhe: Assim diz o Senhor: Porventura
não há Deus em Israel, para que mandes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?
Portanto, da cama a que subiste não descerás, mas certamente morrerás.
7 Pelo que ele lhes indagou: Qual era a aparência do homem que subiu ao vosso
encontro e vos falou estas palavras?
8 Responderam-lhe eles: Era um homem vestido de pelos, e com os lombos cingidos
dum cinto de couro. Então disse ele: É Elias, o tisbita.
9 Então o rei lhe enviou um chefe de cinqüenta, com os seus cinqüenta. Este
subiu a ter com Elias que estava sentado no cume do monte, e disse-lhe: ç homem
de Deus, o rei diz: Desce.
10 Mas Elias respondeu ao chefe de cinqüenta, dizendo-lhe: Se eu, pois, sou
homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e aos teus cinqüenta. Então
desceu fogo do céu, e consumiu a ele e aos seus cinqüenta.
11 Tornou o rei a enviar-lhe outro chefe de cinqüenta com os seus cinqüenta.
Este lhe falou, dizendo: ç homem de Deus, assim diz o rei: Desce depressa.
12 Também a este respondeu Elias: Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu, e
te consuma a ti e aos teus cinqüenta. Então o fogo de Deus desceu do céu, e
consumiu a ele e aos seus cinqüenta.
13 Ainda tornou o rei a enviar terceira vez um chefe de cinqüenta com os seus
cinqüenta. E o terceiro chefe de cinqüenta, subindo, veio e pôs-se de joelhos
diante de Elias e suplicou-lhe, dizendo: ç homem de Deus, peço-te que seja
preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinqüenta teus servos.
14 Eis que desceu fogo do céu, e consumiu aqueles dois primeiros chefes de
cinqüenta, com os seus cinqüenta; agora, porém, seja preciosa aos teus olhos a
minha vida.
15 Então o anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este; não tenhas medo dele.
Levantou-se, pois, e desceu com ele ao rei.
16 E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Por que enviaste mensageiros a consultar a
Baal-Zebube, deus de Ecrom? Porventura é porque não há Deus em Israel, para
consultares a sua palavra? Portanto, desta cama a que subiste não descerás, mas
certamente morrerás.
17 Assim, pois, morreu conforme a palavra do Senhor que Elias falara. E Jorão
começou a reinar em seu lugar no ano segundo de Jeorão, filho de Jeosafá, rei
de Judá; porquanto Acazias não tinha filho.
18 Ora, o restante dos feitos de Acazias, porventura não está escrito no livro
das crônicas dos reis de Israel?
II
REIS
[2]
1 Quando o Senhor estava para
tomar Elias ao céu num redemoinho, Elias partiu de Gilgal com Eliseu.
2 Disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o Senhor me envia a Betel. Eliseu,
porém disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim
desceram a Betel.
3 Então os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de
Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por sobre a
tua cabeça? E ele disse: Sim, eu o sei; calai-vos.
4 E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o Senhor me envia a Jericó.
Ele, porém, disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E
assim vieram a Jericó.
5 Então os filhos dos profetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseu, e
lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por sobre a tua
cabeça? E ele disse: Sim, eu o sei; calai-vos.
6 E Elias lhe disse: Fica-te aqui, porque o senhor me envia ao Jordão. Mas ele
disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos
foram juntos.
7 E foram cinqüenta homens dentre os filhos dos profetas, e pararam defronte
deles, de longe; e eles dois pararam junto ao Jordão.
8 Então Elias tomou a sua capa e, dobrando-a, feriu as águas, as quais se
dividiram de uma à outra banda; e passaram ambos a pé enxuto.
9 Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te
faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja sobre mim
dobrada porção de teu espírito.
10 Respondeu Elias: Coisa difícil pediste. Todavia, se me vires quando for
tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará.
11 E, indo eles caminhando e conversando, eis que um carro de fogo, com cavalos
de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.
12 O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai! o carro de Israel, e seus
cavaleiros! E não o viu mais. Pegou então nas suas vestes e as rasgou em duas
partes;
13 tomou a capa de Elias, que dele caíra, voltou e parou à beira do Jordão.
14 Então, pegando da capa de Elias, que dele caíra, feriu as águas e disse:
Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Quando feriu as águas, estas se dividiram
de uma à outra banda, e Eliseu passou.
15 Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte dele em Jericó,
disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vindo ao seu encontro,
inclinaram-se em terra diante dele.
16 E disseram-lhe: Eis que entre os teus servos há cinqüenta homens valentes.
Deixa-os ir, pedimos-te, em busca do teu senhor; pode ser que o Espírito do
Senhor o tenha arrebatado e lançado nalgum monte, ou nalgum vale. Ele, porém,
disse: Não os envieis.
17 Mas insistiram com ele, até que se envergonhou; e disse-lhes: Enviai. E
enviaram cinqüenta homens, que o buscaram três dias, porém não o acharam.
18 Então voltaram para Eliseu, que ficara em Jericó; e ele lhes disse: Não vos
disse eu que não fôsseis?
19 Os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que a situação desta cidade é
agradável, como vê o meu senhor; porém as águas são péssimas, e a terra é
estéril.
20 E ele disse: Trazei-me um jarro novo, e ponde nele sal. E lho trouxeram.
21 Então saiu ele ao manancial das águas e, deitando sal nele, disse: Assim diz
o Senhor: Sarei estas águas; não mais sairá delas morte nem esterilidade.
22 E aquelas águas ficaram sãs, até o dia de hoje, conforme a palavra que
Eliseu disse.
23 Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da
cidade, e zombavam dele, dizendo: Sobe, calvo; sobe, calvo!
24 E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou em nome do Senhor.
Então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles
meninos.
25 E dali foi para o monte Carmelo, de onde voltou para Samária.
II
REIS
[3]
1 Ora, Jorão, filho de Acabe,
começou a reinar sobre Israel, em Samária, no décimo oitavo ano de Jeosafá, rei
de Judá, e reinou doze anos.
2 Fez o que era mau aos olhos do Senhor, porém não como seu pai, nem como sua
mãe; pois tirou a coluna de Baal que seu pai fizera.
3 Contudo aderiu aos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que este fizera
Israel pecar, e deles não se apartou.
4 Ora, Messa, rei dos moabitas, era criador de ovelhas, e pagava de tributo ao
rei de Israel cem mil cordeiros, e cem mil carneiros com a sua lã.
5 Sucedeu, porém, que, morrendo Acabe, o rei dos moabitas se rebelou contra o
rei de Israel.
6 Por isso, nesse mesmo tempo Jorão saiu de Samária e fez revista de todo o
Israel.
7 E, pondo-se em marcha, mandou dizer a Jeosafá, rei de Judá: O rei dos
moabitas rebelou-se contra mim; irás tu comigo a guerra contra os moabitas?
Respondeu ele: Irei; como tu és sou eu, o meu povo como o teu povo, e os meus
cavalos como os teus cavalos.
8 E perguntou: Por que caminho subiremos? Respondeu-lhe Jorão: Pelo caminho do
deserto de Edom.
9 Partiram, pois, o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom; e andaram
rodeando durante sete dias; e não havia água para o exército nem para o gado
que os seguia.
10 Disse então o rei de Israel: Ah! o Senhor chamou estes três reis para
entregá-los nas mãos dos moabitas.
11 Perguntou, porém, Jeosafá: Não há aqui algum profeta do Senhor por quem
consultemos ao Senhor? Então respondeu um dos servos do rei de Israel, e disse:
Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias.
12 Disse Jeosafá: A palavra do Senhor está com ele. Então o rei de Israel, e
Jeosafá, e o rei de Edom desceram a ter com ele.
13 Eliseu disse ao rei de Israel: Que tenho eu contigo? Vai ter com os profetas
de teu pai, e com os profetas de tua mãe. O rei de Israel, porém, lhe disse:
Não; porque o Senhor chamou estes três reis para entregá-los nas mãos dos
moabitas.
14 Respondeu Eliseu: Vive o Senhor dos exércitos, em cuja presença estou, que
se eu não respeitasse a presença de Jeosafá, rei de Judá, não te contemplaria,
nem te veria.
15 Agora, contudo, trazei-me um harpista. E sucedeu que, enquanto o harpista
tocava, veio a mão do Senhor sobre Eliseu.
16 E ele disse: Assim diz o Senhor: Fazei neste vale muitos poços.
17 Porque assim diz o Senhor: Não vereis vento, nem vereis chuva; contudo este
vale se encherá de água, e bebereis vós, os vossos servos e os vossos animais.
18 E ainda isso é pouco aos olhos do Senhor; também entregará ele os moabitas
nas vossas mãos,
19 e ferireis todas as cidades fortes e todas as cidades escolhidas, cortareis
todas as boas árvores, tapareis todas as fontes d'água, e cobrireis de pedras
todos os bons campos.
20 E sucedeu que, pela manhã, à hora de se oferecer o sacrifício, eis que
vinham as águas pelo caminho de Edom, e a terra se encheu d'água:
21 Ouvindo, pois, todos os moabitas que os reis tinham subido para pelejarem
contra eles, convocaram-se todos os que estavam em idade de pegar armas, e daí
para cima, e puseram-se às fronteiras.
22 Levantaram-se os moabitas de madrugada e, resplandecendo o sol sobre as
águas, viram diante de si as águas vermelhas como sangue;
23 e disseram: Isto é sangue; certamente os reis pelejaram entre si e se
mataram um ao outro! Agora, pois, à presa, moabitas!
24 Quando, porém, chegaram ao arraial de Israel, os israelitas se levantaram, e
bateram os moabitas, os quais fugiram diante deles; e ainda entraram na terra,
ferindo ali também os moabitas.
25 E arrasaram as cidades; e cada um deles lançou pedras em todos os bons
campos, entulhando-os; taparam todas as fontes d'água, e cortaram todas as boas
árvores; somente a Quir-Haresete deixaram ficar as pedras; contudo os fundeiros
a cercaram e a feriram.
26 Vendo o rei dos moabitas que a peleja prevalecia contra ele, tomou consigo
setecentos homens que arrancavam da espada, para romperem contra o rei de Edom;
porém não puderam.
27 Então tomou a seu filho primogênito, que havia de reinar em seu lugar, e o
ofereceu em holocausto sobre o muro, pelo que houve grande indignação em
Israel; por isso retiraram-se dele, e voltaram para a sua terra.
II
REIS
[4]
1 Ora uma dentre as mulheres
dos filhos dos profetas clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo,
morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. Agora acaba de chegar o
credor para levar-me os meus dois filhos para serem escravos.
2 Perguntou-lhe Eliseu: Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E ela
disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
3 Disse-lhe ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos,
vasilhas vazias, não poucas.
4 Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos; deita azeite em
todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.
5 Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus
filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.
6 Cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Chega-me ainda uma vasilha.
Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. Então o azeite parou.
7 Veio ela, pois, e o fez saber ao homem de Deus. Disse-lhe ele: Vai, vende o
azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.
8 Sucedeu também certo dia que Eliseu foi a Suném, onde havia uma mulher rica
que o reteve para comer; e todas as vezes que ele passava por ali, lá se
dirigia para comer.
9 E ela disse a seu marido: Tenho observado que este que passa sempre por nós é
um santo homem de Deus.
10 Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto sobre o muro; e ponhamos-lhe ali uma
cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, quando ele vier a
nós se recolherá ali.
11 Sucedeu que um dia ele chegou ali, recolheu-se àquele quarto e se deitou.
l2 Então disse ao seu moço Geazi: Chama esta sunamita. Ele a chamou, e ela se
apresentou perante ele.
13 Pois Eliseu havia dito a Geazi: Dize-lhe: Eis que tu nos tens tratado com
todo o desvelo; que se há de fazer por ti? Haverá alguma coisa de que se fale
por ti ao rei, ou ao chefe do exército? Ao que ela respondera: Eu habito no
meio do meu povo.
14 Então dissera ele: Que se há de fazer, pois por ela? E Geazi dissera: Ora,
ela não tem filho, e seu marido é velho.
15 Pelo que disse ele: Chama-a. E ele a chamou, e ela se pôs à porta.
16 E Eliseu disse: Por este tempo, no ano próximo, abraçarás um filho.
Respondeu ela: Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva.
17 Mas a mulher concebeu, e deu à luz um filho, no tempo determinado, no ano
seguinte como Eliseu lhe dissera.
18 Tendo o menino crescido, saiu um dia a ter com seu pai, que estava com os
segadores.
19 Disse a seu pai: Minha cabeça! minha cabeça! Então ele disse a um moço:
Leva-o a sua mae.
20 Este o tomou, e o levou a sua mãe; e o menino esteve sobre os joelhos dela
até o meio-dia, e então morreu.
21 Ela subiu, deitou-o sobre a cama do homem de Deus e, fechando sobre ele a
porta, saiu.
22 Então chamou a seu marido, e disse: Manda-me, peço-te, um dos moços e uma
das jumentas, para que eu corra ao homem de Deus e volte.
23 Disse ele: Por que queres ir ter com ele hoje? Não é lua nova nem sábado. E
ela disse: Tudo vai bem.
24 Então ela fez albardar a jumenta, e disse ao seu moço: Guia e anda, e não me
detenhas no caminhar, senão quando eu to disser.
25 Partiu pois, e foi ter com o homem de Deus, ao monte Carmelo; e sucedeu que,
vendo-a de longe o homem de Deus, disse a Geazi, seu moço: Eis aí a sunamita;
26 corre-lhe ao encontro e pergunta-lhe: Vais bem? Vai bem teu marido? Vai bem
teu filho? Ela respondeu: Vai bem.
27 Chegando ela ao monte, à presença do homem de Deus, apegou- se-lhe aos pés.
Chegou-se Geazi para a retirar, porém, o homem de Deus lhe disse: Deixa-a,
porque a sua alma está em amargura, e o Senhor mo encobriu, e não mo
manifestou.
28 Então disse ela: Pedi eu a meu senhor algum filho? Não disse eu: Não me
enganes?
29 Ao que ele disse a Geazi: Cinge os teus lombos, toma o meu bordão na mão, e
vai. Se encontrares alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe
respondas; e põe o meu bordão sobre o rosto do menino.
30 A mãe do menino, porém, disse: Vive o senhor, e vive a tua alma, que não te
hei de deixar. Então ele se levantou, e a seguiu.
31 Geazi foi adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não
havia nele voz nem sentidos. Pelo que voltou a encontrar-se com Eliseu, e o
informou, dizendo: O menino não despertou.
32 Quando Eliseu chegou à casa, eis que o menino jazia morto sobre a sua cama.
33 Então ele entrou, fechou a porta sobre eles ambos, e orou ao Senhor.
34 Em seguida subiu na cama e deitou-se sobre o menino, pondo a boca sobre a
boca do menino, os olhos sobre os seus olhos, e as mãos sobre as suas mãos, e
ficou encurvado sobre ele até que a carne do menino aqueceu.
35 Depois desceu, andou pela casa duma parte para outra, tornou a subir, e se
encurvou sobre ele; então o menino espirrou sete vezes, e abriu os olhos.
36 Eliseu chamou a Geazi, e disse: Chama essa sunamita. E ele a chamou. Quando
ela se lhe apresentou, disse ele :Toma o teu filho.
37 Então ela entrou, e prostrou-se a seus pés, inclinando-se à terra; e tomando
seu filho, saiu.
38 Eliseu voltou a Gilgal. E havia fome na terra; e os filhos dos profetas
estavam sentados na sua presença. E disse ao seu moço: Põe a panela grande ao
lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas.
39 Então um deles saiu ao campo a fim de apanhar ervas, e achando uma parra
brava, colheu dela a sua capa cheia de colocíntidas e, voltando, cortou-as na
panela do caldo, não sabendo o que era.
40 Assim tiraram de comer para os homens. E havendo eles provado o caldo,
clamaram, dizendo: ç homem de Deus, há morte na panela! E não puderam comer.
41 Ele, porém, disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Tirai para
os homens, a fim de que comam. E já não havia mal nenhum na panela.
42 Um homem veio de Baal-Salisa, trazendo ao homem de Deus pães das primícias,
vinte pães de cevada, e espigas verdes no seu alforje. Eliseu disse: Dá ao
povo, para que coma.
43 Disse, porém, seu servo: Como hei de pôr isto diante de cem homens? Ao que
tornou Eliseu: Dá-o ao povo, para que coma; porque assim diz o Senhor: Comerão
e sobejará.
44 Então lhos pôs diante; e comeram, e ainda sobrou, conforme a palavra do
Senhor.
II
REIS
[5]
1 Ora, Naamã, chefe do
exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito
respeito, porque por ele o Senhor dera livramento aos sírios; era homem
valente, porém leproso.
2 Os sírios, numa das suas investidas, haviam levado presa, da terra de Israel,
uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã.
3 Disse ela a sua senhora: Oxalá que o meu senhor estivesse diante do profeta
que está em Samária! Pois este o curaria da sua lepra.
4 Então Naamã foi notificar a seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina
que é da terra de Israel.
5 Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel.
Foi, pois, e levou consigo dez talentos de prata, e seis mil siclos de ouro e
dez mudas de roupa.
6 Também levou ao rei de Israel a carta, que dizia: Logo, em chegando a ti esta
carta, saberás que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua
lepra.
7 Tendo o rei de Israel lido a carta, rasgou as suas vestes, e disse: Sou eu
Deus, que possa matar e vivificar, para que este envie a mim um homem a fim de
que eu o cure da sua lepra? Notai, peço-vos, e vede como ele anda buscando
ocasião contra mim.
8 Quando Eliseu, o homem de Deus, ouviu que o rei de Israel rasgara as suas
vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir ter
comigo, e saberá que há profeta em Israel.
9 Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da
casa de Eliseu.
10 Então este lhe mandou um mensageiro, a dizer-lhe: Vai, lava-te sete vezes no
Jordão, e a tua carne tornará a ti, e ficarás purificado.
11 Naamã, porém, indignado, retirou-se, dizendo: Eis que pensava eu: Certamente
ele sairá a ter comigo, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus,
passará a sua mão sobre o lugar, e curará o leproso.
12 Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas
as águas de Israel? não poderia eu lavar-me neles, e ficar purificado? Assim se
voltou e se retirou com indignação.
13 Os seus servos, porém, chegaram-se a ele e lhe falaram, dizendo: Meu pai, se
o profeta te houvesse indicado alguma coisa difícil, porventura não a terias
cumprido? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado.
14 Desceu ele, pois, e mergulhou-se no Jordão sete vezes, conforme a palavra do
homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne dum menino, e ficou
purificado.
15 Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva; chegando, pôs-se
diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão
em Israel; agora, pois, peço-te que do teu servo recebas um presente.
16 Ele, porém, respondeu: Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não o receberei.
Naamã instou com ele para que o tomasse; mas ele recusou.
17 Ao que disse Naamã: Seja assim; contudo dê-se a este teu servo terra que
baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo
holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao Senhor.
18 Nisto perdoe o Senhor ao teu servo: Quando meu amo entrar na casa de Rimom
para ali adorar, e ele se apoiar na minha mão, e eu também me tenha de encurvar
na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o Senhor
ao teu servo.
19 Eliseu lhe disse: Vai em paz.
20 Quando Naamã já ia a uma pequena distância, Geazi, moço de Eliseu, o homem
de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da
mão dele coisa alguma do que trazia; vive o Senhor, que hei de correr atrás
dele, e receber dele alguma coisa.
21 Foi pois, Geazi em alcance de Naamã. Este, vendo que alguém corria atrás
dele, saltou do carro a encontrá-lo, e perguntou: Vai tudo bem?
22 Respondeu ele: Tudo vai bem. Meu senhor me enviou a dizer-te: Eis que agora
mesmo vieram a mim dois mancebos dos filhos dos profetas da região montanhosa
de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de roupa.
23 Disse Naamã: Sê servido de tomar dois talentos. E instou com ele, e amarrou
dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de roupa, e pô-los sobre
dois dos seus moços, os quais os levaram adiante de Geazi.
24 Tendo ele chegado ao outeiro, tomou-os das mãos deles e os depositou na
casa; e despediu aqueles homens, e eles se foram.
25 Mas ele entrou e pôs-se diante de seu amo. Então lhe perguntou Eliseu: Donde
vens, Geazi? Respondeu ele: Teu servo não foi a parte alguma.
26 Eliseu porém, lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando
aquele homem voltou do seu carro ao teu encontro? Era isto ocasião para
receberes prata e roupa, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas?
27 Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre.
Então Geazi saiu da presença dele leproso, branco como a neve.
II
REIS
[6]
1 Os filhos dos profetas
disseram a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face é
estreito demais para nós.
2 Vamos, pois até o Jordão, tomemos de lá cada um de nós, uma viga, e ali
edifiquemos para nós um lugar em que habitemos. Respondeu ele: Ide.
3 Disse-lhe um deles: Digna-te de ir com os teus servos. E ele respondeu: Eu
irei.
4 Assim foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortavam madeira.
5 Mas sucedeu que, ao derrubar um deles uma viga, o ferro do machado caiu na
água; e ele clamou, dizendo: Ai, meu senhor! ele era emprestado.
6 Perguntou o homem de Deus: Onde caiu? E ele lhe mostrou o lugar. Então Eliseu
cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro.
7 E disse: Tira-o. E ele estendeu a mão e o tomou.
8 Ora, o rei da Síria fazia guerra a Israel; e teve conselho com os seus
servos, dizendo: Em tal e tal lugar estará o meu acampamento.
9 E o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: Guarda-te de passares por
tal lugar porque os sírios estão descendo ali.
10 Pelo que o rei de Israel enviou àquele lugar, de que o homem de Deus lhe
falara, e de que o tinha avisado, e assim se salvou. Isso aconteceu não uma só
vez, nem duas.
11 Turbou-se por causa disto o coração do rei da Síria que chamou os seus
servos, e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel?
12 Respondeu um dos seus servos: Não é assim, ó rei meu senhor, mas o profeta
Eliseu que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na
tua câmara de dormir.
13 E ele disse: Ide e vede onde ele está, para que eu envie e mande trazê-lo. E
foi-lhe dito; Eis que está em Dotã.
14 Então enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais
vieram de noite e cercaram a cidade.
15 Tendo o moço do homem de Deus se levantado muito cedo, saiu, e eis que um
exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros. Então o moço disse ao
homem de Deus: Ai, meu senhor! que faremos?
16 Respondeu ele: Não temas; porque os que estão conosco são mais do que os que
estão com eles.
17 E Eliseu orou, e disse: ç senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que
veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu; e eis que o monte estava
cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu.
18 Quando os sírios desceram a ele, Eliseu orou ao Senhor, e disse: Fere de
cegueira esta gente, peço-te. E o Senhor os feriu de cegueira, conforme o
pedido de Eliseu.
19 Então Eliseu lhes disse: Não é este o caminho, nem é esta a cidade;
segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais. E os guiou a Samária.
20 E sucedeu que, chegando eles a Samária, disse Eliseu: ç Senhor, abre a estes
os olhos para que vejam. O Senhor lhes abriu os olhos, e viram; e eis que
estavam no meio de Samária.
21 Quando o rei de Israel os viu, disse a Eliseu: Feri-los-ei, feri-los-ei, meu
pai?
22 Respondeu ele: Não os ferirás; feririas tu os que tomasses prisioneiros com
a tua espada e com o teu arco? Põe-lhes diante pão e água, para que comam e
bebam, e se vão para seu senhor.
23 Preparou-lhes, pois, um grande banquete; e eles comeram e beberam; então ele
os despediu, e foram para seu senhor. E as tropas dos sírios desistiram de
invadir a terra de Israel.
24 Sucedeu, depois disto, que Bene-Hadade, rei da Síria, ajuntando todo o seu
exército, subiu e cercou Samária.
25 E houve grande fome em Samária, porque mantiveram o cerco até que se vendeu
uma cabeça de jumento por oitenta siclos de prata, e a quarta parte dum cabo de
esterco de pombas por cinco siclos de prata.
26 E sucedeu que, passando o rei de Israel pelo muro, uma mulher lhe gritou,
dizendo: Acode-me, ó rei meu Senhor.
27 Mas ele lhe disse: Se o Senhor não te acode, donde te acudirei eu? da eira
ou do lagar?
28 Contudo o rei lhe perguntou: Que tens? E disse ela: Esta mulher me disse: Dá
cá o teu filho, para que hoje o comamos, e amanhã comeremos o meu filho.
29 cozemos, pois, o meu filho e o comemos; e ao outro dia lhe disse eu: Dá cá o
teu filho para que o comamos; e ela escondeu o seu filho.
30 Ouvindo o rei as palavras desta mulher, rasgou as suas vestes (ora, ele ia
passando pelo muro); e o povo olhou e viu que o rei trazia saco por dentro,
sobre a sua carne.
31 Então disse ele: Assim me faça Deus, e outro tanto, se a cabeça de Eliseu,
filho de Safate, lhe ficar hoje sobre os ombros.
32 Estava então Eliseu sentado em sua casa, e também os anciãos estavam
sentados com ele, quando o rei enviou um homem adiante de si; mas, antes que o
mensageiro chegasse a Eliseu, disse este aos anciãos: Vedes como esse filho de
homicida mandou tirar-me a cabeça? Olhai quando vier o mensageiro, fechai a
porta, e empurrai-o para fora com a porta. Porventura não vem após ele o ruído
dos pés do seu senhor?
33 Quando Eliseu ainda estava falando com eles, eis que o mensageiro desceu a
ele; e disse: Eis que este mal vem do Senhor; por que, pois, esperaria eu mais
pelo Senhor?
II
REIS
[7]
1 Então disse Eliseu: Ouvi a
palavra do Senhor; assim diz o Senhor: Amanhã, por estas horas, haverá uma
medida de farinha por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, à porta
de Samária.
2 porém o capitão em cujo braço o rei se apoiava respondeu ao homem de Deus e
disse: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia isso suceder? Disse
Eliseu: Eis que o verás com os teus olhos, porém não comeras.
3 Ora, quatro homens leprosos estavam à entrada da porta; e disseram uns aos
outros: Para que ficamos nós sentados aqui até morrermos?
4 Se dissermos: Entremos na cidade; há fome na cidade, e morreremos aí; e se
ficarmos sentados aqui, também morreremos. Vamo-nos, pois, agora e passemos
para o arraial dos sírios; se eles nos deixarem viver, viveremos; e se nos
matarem, tão somente morreremos.
5 Levantaram-se, pois, ao crepúsculo, para irem ao arraial dos sírios; e,
chegando eles à entrada do arraial, eis que não havia ali ninguém.
6 Porque o Senhor fizera ouvir no arraial dos sírios um ruído de carros e de
cavalos, como de um grande exército; de maneira que disseram uns aos outros:
Eis que o rei de Israel alugou contra nós os reis dos heteus e os reis dos
egípcios, para virem sobre nós.
7 Pelo que se levantaram e fugiram, ao crepúsculo; deixaram as suas tendas, os
seus cavalos e os seus jumentos, isto é, o arraial tal como estava, e fugiram
para salvarem as suas vidas.
8 Chegando, pois, estes leprosos à entrada do arraial, entraram numa tenda,
comeram e beberam; e tomando dali prata, ouro e vestidos, foram e os
esconderam; depois voltaram, entraram em outra tenda, e dali também tomaram
alguma coisa e a esconderam.
9 Então disseram uns aos outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas,
e nós nos calamos. Se esperarmos até a luz da manhã, algum castigo nos
sobrevirá; vamos, pois, agora e o anunciemos à casa do rei.
10 Vieram, pois, bradaram aos porteiros da cidade, e lhes anunciaram, dizendo:
Fomos ao arraial dos sírios e eis que lá não havia ninguém, nem voz de homem,
porém só os cavalos e os jumentos atados, e as tendas como estavam.
11 Assim chamaram os porteiros, e estes o anunciaram dentro da casa do rei.
12 E o rei se levantou de noite, e disse a seus servos: Eu vos direi o que é
que os sírios nos fizeram. Bem sabem eles que estamos esfaimados; pelo que
saíram do arraial para se esconderem no campo, dizendo: Quando saírem da
cidade, então os tomaremos vivos, e entraremos na cidade.
13 Então um dos seus servos respondeu, dizendo: Tomem-se, pois, cinco dos
cavalos do resto que ficou aqui dentro (eis que eles estão como toda a multidão
dos israelitas que ficaram aqui de resto, e que se vêm extenuando), e
enviemo-los, e vejamos.
14 Tomaram pois dois carros com cavalos; e o rei os enviou com mensageiros após
o exército dos sírios, dizendo-lhe: Ide, e vede.
15 E foram após ele até o Jordão; e eis que todo o caminho estava cheio de
roupas e de objetos que os sírios, na sua precipitação, tinham lançado fora; e
voltaram os mensageiros, e o anunciaram ao rei.
16 Então saiu o povo, e saqueou o arraial dos sírios. Assim houve uma medida de
farinha por um siclo e duas medidas de cevada por um siclo, conforme a palavra
do Senhor.
17 O rei pusera à porta o capitão em cujo braço ele se apoiava; e o povo o
atropelou na porta, de sorte que morreu, como falara o homem de Deus quando o
rei descera a ter com ele.
18 Porque, quando o homem de Deus falara ao rei, dizendo: Amanhã, por estas
horas, haverá duas medidas de cevada por um siclo, e uma medida de farinha por
um siclo, à porta de Samária,
19 aquele capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse
janelas no céu poderia isso suceder? e ele dissera: Eis que o verás com os teus
olhos, porém não comerás.
20 E assim foi; pois o povo o atropelou à porta, e ele morreu.
II
REIS
[8]
1 Ora Eliseu havia falado
àquela mulher cujo filho ele ressuscitara, dizendo: Levanta-te e vai, tu e a
tua família, e peregrina onde puderes peregrinar; porque o Senhor chamou a
fome, e ela virá sobre a terra por sete anos.
2 A mulher, pois, levantou-se e fez conforme a palavra do homem de Deus; foi
com a sua família, e peregrinou na terra dos filisteus sete anos.
3 Mas ao cabo dos sete anos, a mulher voltou da terra dos filisteus, e saiu a
clamar ao rei pela sua casa e pelas suas terras.
4 Ora, o rei falava a Geazi, o moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me,
peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito.
5 E sucedeu que, contando ele ao rei como Eliseu ressuscitara aquele que estava
morto, eis que a mulher cujo filho ressuscitara veio clamar ao rei pela sua
casa e pelas suas terras. Então disse Geazi: ç rei meu senhor, esta é a mulher,
e este o seu filho a quem Eliseu ressuscitou.
6 O rei interrogou a mulher, e ela lhe contou o caso. Então o rei lhe designou
um oficial, ao qual disse: Faze restituir-lhe tudo quanto era seu, e todas as
rendas das terras desde o dia em que deixou o país até agora.
7 Depois veio Eliseu a Damasco. E estando Bene-Hadade, rei da Síria, doente,
lho anunciaram, dizendo: O homem de Deus chegou aqui.
8 Então o rei disse a Hazael: Toma um presente na tua mão, vai encontrar-te com
o homem de Deus e por meio dele consulta ao Senhor, dizendo: Sararei eu desta
doença?
9 Foi, pois, Hazael encontrar-se com ele, e levou consigo um presente, a saber,
quarenta camelos carregados de tudo o que havia de bom em Damasco. Ao chegar,
apresentou-se a ele e disse: Teu filho Bene-Hadade, rei da Síria, enviou-me a
ti para perguntar: sararei eu desta doença?
10 Respondeu-lhe Eliseu: Vai e dize-lhe: Hás de sarar. Contudo o Senhor me
mostrou que ele morrerá.
11 E olhou para Hazael, fitando nele os olhos até que este ficou confundido; e
o homem de Deus chorou.
12 Então disse Hazael: Por que meu senhor está chorando? E ele disse: Porque
sei o mal que hás de fazer aos filhos de Israel: Porás fogo às suas fortalezas,
matarás à espada os seus mancebos, despedaçarás os seus pequeninos e fenderás
as suas mulheres grávidas.
13 Ao que disse Hazael: Que é o teu servo, que não é mais do que um cão, para
fazer tão grande coisa? Respondeu Eliseu: O Senhor mostrou-me que tu hás de ser
rei da Síria.
14 Então apartou-se de Eliseu, e voltou ao seu senhor, o qual lhe perguntou:
Que te disse Eliseu? Respondeu ele: Disse-me que certamente sararás.
15 Ao outro dia Hazael tomou um cobertor, molhou-o na água e o estendeu sobre o
rosto do rei, de modo que este morreu. E Hazael reinou em seu lugar.
16 Ora, no ano quinto de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, Jeorão, filho de
Jeosafá, rei de Judá, começou a reinar.
17 Tinha trinta e dois anos quando começou a reinar, e reinou oito anos em
Jerusalém.
18 E andou no caminho dos reis de Israel, como também fizeram os da casa de
Acabe, porque tinha por mulher a filha de Acabe; e fez o que era mau aos olhos
do Senhor.
19 Todavia o Senhor não quis destruir a Judá, por causa de Davi, seu servo,
porquanto lhe havia prometido que lhe daria uma lâmpada, a ele e a seus filhos,
para sempre.
20 Nos seus dias os edomitas se rebelaram contra o domínio de Judá, e
constituiram um rei para si.
21 Pelo que Jeorão passou a Zair, com todos os seus carros; e ele se levantou
de noite, com os chefes dos carros, e feriu os edomitas que o haviam cercado;
mas o povo fugiu para as suas tendas.
22 Assim os edomitas ficaram rebelados contra o domínio de Judá até o dia de
hoje. Também Libna se rebelou nesse mesmo tempo.
23 O restante dos atos de Jeorão, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas de Judá?
24 Jeorão dormiu com seus pais, e foi sepultado junto a eles na cidade de Davi.
E Acazias, seu filho, reinou em seu lugar.
25 No ano doze de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, começou a reinar
Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá.
26 Acazias tinha vinte e dois anos quando começou a reinar, e reinou um ano em
Jerusalém. O nome de sua mãe era Atalia; era neta de Onri, rei de Israel.
27 Ele andou no caminho da casa de Acabe, e fez o que era mau aos olhos do
Senhor, como a casa de Acabe, porque era genro de Acabe.
28 Ora, ele foi com Jorão, filho de Acabe, a Ramote-Gileade, a pelejar contra
Hazael, rei da Síria; e os sírios feriram a Jorão.
29 Então voltou o rei Jorão para se curar em Jizreel das feridas que os sírios
lhe fizeram em Ramá, quando pelejou contra Hazael, rei da Síria; e desceu
Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá, para ver Jorão, filho de Acabe, em
Jizreel, porquanto estava doente.
II
REIS
[9]
1 Depois o profeta Eliseu
chamou um dos filhos dos profetas, e lhe disse: Cinge os teus lombos, toma na
mão este vaso de azeite e vai a Ramote-Gileade;
2 quando lá chegares, procura a Jeú, filho de Jeosafá, filho de Ninsi; entra,
faze que ele se levante do meio de seus irmãos, e leva-o para uma câmara
interior.
3 Toma, então, o vaso de azeite, derrama-o sobre a sua cabeça, e dize: Assim
diz o Senhor: Ungi-te rei sobre Israel. Então abre a porta, foge e não te
detenhas.
4 Foi, pois, o jovem profeta, a Ramote-Gileade.
5 E quando chegou, eis que os chefes do exército estavam sentados ali; e ele
disse: Chefe, tenho uma palavra para te dizer. E Jeú perguntou: A qual de todos
nós? Respondeu ele: A ti, chefe!
6 Então Jeú se levantou, e entrou na casa; e o mancebo derramou-lhe o azeite
sobre a cabeça, e lhe disse: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Ungi-te rei
sobre o povo do Senhor, sobre Israel.
7 Ferirás a casa de Acabe, teu senhor, para que eu vingue da mão de Jezabel o
sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do Senhor.
8 Pois toda a casa de Acabe perecerá; e destruirei de Acabe todo filho varão,
tanto o escravo como o livre em Israel.
9 Porque hei de fazer a casa de Acabe como a casa de Jeroboão, filho de Nebate,
e como a casa de Baasa, filho de Aías.
10 Os cães comerão a Jezabel no campo de Jizreel; não haverá quem a enterre.
Então o mancebo abriu a porta e fugiu.
11 Saiu então Jeú aos servos de seu senhor; e um lhe perguntou: Vai tudo bem?
Por que veio a ti esse louco? E ele lhes respondeu: Bem conheceis o homem e o
seu falar.
12 Mas eles replicaram. É mentira; dize-no-lo, pedimos-te. Ao que disse Jeú:
Assim e assim ele me falou, dizendo: Assim diz o Senhor: Ungi-te rei sobre
Israel.
13 Então se apressaram, e cada um tomou a sua capa e a pôs debaixo dele, no
mais alto degrau; e tocaram a buzina, e disseram: Jeú reina!
14 Assim Jeú, filho de Jeosafá, filho de Ninsi, conspirou contra Jorão. (Ora,
tinha Jorão cercado a Ramote-Gileade, ele e todo o Israel, por causa de Hazael,
rei da Síria;
15 porém o rei Jorão tinha voltado para se curar em Jizreel das feridas que os
sírios lhe fizeram, quando pelejou contra Hazael, rei da Síria.) E disse Jeú:
Se isto é o vosso parecer, ninguém escape nem saia da cidade para ir dar a nova
em Jizreel.
16 Então Jeú subiu a um carro, e foi a Jizreel; porque Jorão estava acamado
ali; e também Acazias, rei de Judá, descera para ver Jorão.
17 O atalaia que estava na torre de Jizreel viu a tropa de Jeú, que vinha e
disse: Vejo uma tropa. Disse Jorão: Toma um cavaleiro, e envia-o ao seu
encontro a perguntar: Há paz?
18 E o cavaleiro lhe foi ao encontro, e disse: Assim diz o rei: Há paz?
Respondeu Jeú: Que tens tu que fazer com a paz? Passa para trás de mim. E o
atalaia deu aviso, dizendo: Chegou a eles o mensageiro, porém não volta.
19 Então Jorão enviou outro cavaleiro; e, chegando este a eles, disse Assim diz
o rei: Há paz? Respondeu Jeú: Que tens tu que fazer com a paz? Passa para trás
de mim.
20 E o atalaia deu aviso, dizendo: Também este chegou a eles, porém não volta;
e o andar se parece com o andar de Jeú, filho de Ninsi porque anda
furiosamente.
21 Disse Jorão: Aparelha-me o carro! E lho aparelharam. Saiu Jorão, rei de
Israel, com Acazias, rei de Judá, cada um em seu carro para irem ao encontro de
Jeú, e o encontraram no campo de Nabote, o jizreelita.
22 E sucedeu que, vendo Jorão a Jeú, perguntou: Há paz, Jeú? Respondeu ele: Que
paz, enquanto as prostituições da tua mãe Jezabel e as suas feitiçarias são
tantas?
23 Então Jorão deu volta, e fugiu, dizendo a Acazias: Há traição, Acazias!
24 Mas Jeú, entesando o seu arco com toda a força, feriu Jorão entre as
espáduas, e a flecha lhe saiu pelo coração; e ele caiu no seu carro.
25 Disse então Jeú a Bidcar, seu ajudante: Levanta-o, e lança-o no campo da
herança de Nabote, o jizreelita; pois lembra-te de indo eu e tu juntos a cavalo
após seu pai Acabe, o Senhor pôs sobre ele esta sentença, dizendo:
26 Certamente vi ontem o sangue de Nabote e o sangue de seus filhos, diz o
Senhor; e neste mesmo campo te retribuirei, diz o Senhor. Agora, pois,
levanta-o, e lança-o neste campo, conforme a palavra do Senhor.
27 Quando Acazias, rei de Judá, viu isto, fugiu pelo caminho da casa do jardim.
E Jeú o perseguiu, dizendo: A este também! Matai-o! Então o feriram no carro, à
subida de Gur, que está junto a Ibleão; mas ele fugiu para Megido, e ali
morreu.
28 E seus servos o levaram num carro a Jerusalém, e o sepultaram na sua
sepultura junto a seus pais, na cidade de Davi.
29 Ora, Acazias começara a reinar sobre Judá no ano undécimo de Jorão, filho de
Acabe.
30 Depois Jeú veio a Jizreel; o que ouvindo Jezabel, pintou-se em volta dos
olhos, e enfeitou a sua cabeça, e olhou pela janela.
31 Quando Jeú entrava pela porta, disse ela: Teve paz Zinri, que matou a seu
senhor ?
32 Ao que ele levantou o rosto para a janela e disse: Quem é comigo? quem? E
dois ou três eunucos olharam para ele.
33 Então disse ele: Lançai-a daí abaixo. E lançaram-na abaixo; e foram
salpicados com o sangue dela a parede e os cavalos; e ele a atropelou.
34 E tendo ele entrado, comeu e bebeu; depois disse: Olhai por aquela maldita,
e sepultai-a, porque é filha de rei.
35 Foram, pois, para a sepultar; porém não acharam dela senão a caveira, os pés
e as palmas das mãos.
36 Então voltaram, e lho disseram. Pelo que ele disse: Esta é a palavra do
Senhor, que ele falou por intermédio de Elias, o tisbita, seu servo, dizendo:
No campo de Jizreel os cães comerão a carne de Jezabel,
37 e o seu cadáver será como esterco sobre o campo, na herdade de Jizreel; de
modo que não se poderá dizer: Esta é Jezabel.
II
REIS
[10]
1 Ora, Acabe tinha setenta
filhos em Samária. E Jeú escreveu cartas, e as enviou a Samária, aos chefes de
Jizreel, aos anciãos, e aos aios dos filhos de Acabe, dizendo:
2 Logo que vos chegar esta carta, visto que estão convosco os filhos de vosso
senhor, como também carros, e cavalos, e uma cidade fortificada, e armas,
3 escolhei o melhor e mais reto dos filhos de vosso senhor, ponde-o sobre o
trono de seu pai, e pelejai pela casa de vosso senhor.
4 Eles, porém, temeram muitíssimo, e disseram: Eis que dois reis não lhe
puderam resistir; como, pois, poderemos nós resistir-lhe?
5 Então o que tinha cargo da casa, o que tinha cargo da cidade, os anciãos e os
aios mandaram dizer a Jeú: Nós somos teus servos, e tudo quanto nos ordenares
faremos; a homem algum constituiremos rei. Faze o que parecer bem aos teus
olhos.
6 Depois lhes escreveu outra carta, dizendo: Se sois comigo, e se quereis ouvir
a minha voz, tomai as cabeças dos homens, filhos de vosso senhor, e amanhã a
estas horas vinde ter comigo a Jizreel: Ora, os filhos do rei, que eram
setenta, estavam com os grandes da cidade, que os criavam.:
7 Sucedeu pois, que, chegada a eles a carta, tomaram os setenta filhos do rei e
os mataram; puseram as cabeças deles nuns cestos, e lhas mandaram a Jizreel.
8 Veio um mensageiro e lhe anunciou, dizendo: Trouxeram as cabeças dos filhos
do rei. E ele disse: Ponde-as em dois montões à entrada da porta, até pela
manhã.
9 Ao sair ele pela manhã, parou, e disse a todo o povo: Vós sois justos; eis
que eu conspirei contra o meu senhor, e o matei; mas quem feriu a todos estes?
10 Sabei, pois, agora que, da palavra do senhor, que o Senhor falou contra a
casa de Acabe, nada cairá em terra; porque o Senhor tem feito o que falou por
intermédio de seu servo Elias.
11 E Jeú feriu todos os restantes da casa de Acabe em Jizreel, como também a
todos os seus grandes, os seus amigos íntimos, e os seus sacerdotes, até não
lhe deixar ficar nenhum de resto.
12 Então Jeú se levantou e partiu para ir a Samária. E, estando no caminho, em
Bete-Equede dos pastores,
13 encontrou-se com os irmãos de Acazias, rei de Judá, e perguntou: Quem sois
vós? Responderam eles: Somos os irmãos de Acazias; e descemos a saudar os
filhos do rei e os filhos da rainha.
14 Então disse ele: Apanhai-os vivos. E eles os apanharam vivos, quarenta e
dois homens, e os mataram junto ao poço de Bete-Equede, e a nenhum deles deixou
de resto.
15 E, partindo dali, encontrou-se com Jonadabe, filho de Recabe, que lhe vinha
ao encontro, ao qual saudou e lhe perguntou: O teu coração é sincero para
comigo como o meu o é para contigo? Respondeu Jonadabe: É. Então, se é, disse
Jeú, dá-me a tua mão. E ele lhe deu a mão; e Jeú fê-lo subir consigo ao carro,
16 e disse: Vem comigo, e vê o meu zelo para com o Senhor. E fê-lo sentar
consigo no carro.
17 Quando Jeú chegou a Samária, feriu a todos os que restavam de Acabe em
Samária, até os destruir, conforme a palavra que o Senhor dissera a Elias.
18 Depois ajuntou Jeú todo o povo, e disse-lhe: Acabe serviu pouco a Baal; Jeú,
porém, muito o servirá.
19 Pelo que chamai agora à minha presença todos os profetas de Baal, todos os
seus servos e todos os seus sacerdotes; não falte nenhum, porque tenho um
grande sacrifício a fazer a Baal; aquele que faltar não viverá. Jeú, porém,
fazia isto com astúcia, para destruir os adoradores de Baal.
20 Disse mais Jeú: Consagrai a Baal uma assembléia solene. E eles a apregoaram.
21 Também Jeú enviou mensageiros por todo o Israel; e vieram todos os
adoradores de Baal, de modo que não ficou deles homem algum que não viesse. E
entraram na casa de Baal, e encheu-se a casa de Baal, de um lado a outro.
22 Então disse ao que tinha a seu cargo as vestimentas: Tira vestimentas para
todos os adoradores de Baal. E eles lhes tirou para fora as vestimentas.
23 E entrou Jeú com Jonadabe, filho de Recabe, na casa de Baal, e disse aos
adoradores de Baal: Examinai, e vede bem, que porventura não haja entre vós
algum servo do Senhor, mas somente os adoradores de Baal. dom; porém não puderam.
24 Assim entraram para oferecer sacrifícios e holocaustos. Ora, Jeú tinha posto
de prontidão do lado de fora oitenta homens, e lhes tinha dito: Aquele que
deixar escapar algum dos homens que eu vos entregar nas mãos, pagará com a
própria vida a vida dele.
25 Sucedeu, pois, que, acabando de fazer o holocausto, disse Jeú aos da sua
guarda, e aos oficiais: Entrai e matai-os! não escape nenhum! Então os feriram
ao fio da espada; e os da guarda e os oficiais os lançaram fora e, entrando no
santuário da casa de Baal,
26 tiraram as colunas que nela estavam, e as queimaram.
27 Também quebraram a coluna de Baal, e derrubaram a casa de Baal, fazendo dela
uma latrina, como é até o dia de hoje.
28 Assim Jeú exterminou de Israel a Baal.
29 Todavia Jeú não se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que
fez Israel pecar, a saber, dos bezerros de ouro, que estavam em Betel e em Dã.
30 Ora, disse o Senhor a Jeú: Porquanto executaste bem o que é reto aos meus
olhos, e fizeste à casa de Acabe conforme tudo quanto eu tinha no meu coração,
teus filhos até a quarta geração se assentarão no trono de Israel.
31 Mas Jeú não teve o cuidado de andar de todo o seu coração na lei do Senhor
Deus de Israel, nem se apartou dos pecados de Jeroboão, com os quais este fez
Israel pecar.
32 Naqueles dias começou o Senhor a diminuir os termos de Israel. Hazael feriu
a Israel em todas as suas fronteiras,
33 desde o Jordão para o nascente do sol, a toda a terra de Gileade, aos
gaditas, aos rubenitas e aos manassitas, desde Aroer, que está junto ao ribeiro
de Arnom, por toda a Gileade e Basã.
34 Ora, o restante dos atos de Jeú, e tudo quanto fez, e todo o seu poder,
porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
35 Jeú dormiu com seus pais, e o sepultaram em Samária. Em seu lugar reinou seu
filho Jeoacaz.
36 Os dias que Jeú reinou sobre Israel em Samária foram vinte e oito anos.
II
REIS
[11]
1 Vendo pois Atalia, mãe de
Acazias, que seu filho era morto, levantou-se, e destruiu toda a descendência
real.
2 Mas Jeoseba, filha do rei Jorão, irmã de Acazias, tomou a Joás, filho de
Acazias, furtando-o dentre os filhos do rei, aos quais matavam na recâmara, e o
escondeu de Ataliá, a ele e à sua ama, de sorte que não o mataram.
3 E esteve com ela escondido na casa do Senhor seis anos; e Atalia reinava
sobre o país.
4 No sétimo ano, porém, Jeoiada mandou chamar os centuriões dos caritas e os
oficiais da guarda, e fê-los entrar consigo na casa do Senhor; e fez com eles
um pacto e, ajuramentando-os na casa do Senhor, mostrou-lhes o filho do rei.
5 Então lhes ordenou, dizendo: Eis aqui o que haveis de fazer: uma terça parte
de vós, os que entrais no sábado, fará a guarda da casa do rei;
6 outra terça parte estará à porta Sur; e a outra terça parte à porta detrás
dos da guarda. Assim fareis a guarda desta casa, afastando a todos.
7 As duas companhias, a saber, todos os que saem no sábado, farão a guarda da
casa do Senhor junto ao rei;
8 e rodeareis o rei, cada um com as suas armas na mão, e aquele que entrar
dentro das fileiras, seja morto; e estai vós com o rei quando sair e quando
entrar.
9 Fizeram, pois, os centuriões conforme tudo quanto ordenara o sacerdote
Jeoiada; e tomando cada um os seus homens, tanto os que entravam no sábado como
os que saíam no sábado, vieram ter com o sacerdote Jeoiada.
10 O sacerdote entregou aos centuriões as lanças e os escudos que haviam sido
do rei Davi, e que estavam na casa do Senhor.
11 E os da guarda, cada um com as armas na mão, se puseram em volta do rei,
desde o lado direito da casa até o lado esquerdo, ao longo do altar e da casa.
12 Então Jeoiada lhes apresentou o filho do rei, pôs-lhe a coroa, e lhe deu o
testemunho; e o fizeram rei e o ungiram e, batendo palmas, clamaram: Viva o
rei!
13 Quando Atalia ouviu o vozerio da guarda e do povo, foi ter com o povo na
casa do Senhor;
14 e olhou, e eis que o rei estava junto à coluna, conforme o costume, e os
capitães e os trombeteiros junto ao rei; e todo o povo da terra se alegrava e
tocava trombetas. Então Atalia rasgou os seus vestidos, e clamou: Traição!
Traição!
15 Então Jeoiada, o sacerdote, deu ordem aos centuriões que comandavam as
tropas, dizendo-lhes: Tirai-a para fora por entre as fileiras, e a quem a
seguir matai-o à espada. Pois o sacerdote dissera: Não seja ela morta na casa
do Senhor.
16 E lançaram-lhe as mãos e ela foi pelo caminho da entrada dos cavalos à casa
do rei, e ali a mataram.
17 Ora, Jeoiada firmou um pacto entre o Senhor e o rei e o povo, pelo qual este
seria o povo do Senhor; como também firmou pacto entre o rei e o povo.
18 Então todo o povo da terra entrou na casa de Baal, e a derrubaram; como
também os seus altares, e as suas imagens, totalmente quebraram; e a Matã,
sacerdote de Baal, mataram diante dos altares. Também o sacerdote pôs vigias
sobre a casa do Senhor.
19 E tomou os centuriões, os caritas, a guarda, e todo o povo da terra; e
conduziram da casa do Senhor o rei, e foram pelo caminho da porta da guarda, à
casa do rei; e ele se assentou no trono dos reis.
20 E todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz, depois que
mataram Atalia à espada junto à casa do rei.
21 Joás tinha sete anos quando começou a reinar.
II
REIS
[12]
1 Foi no ano sétimo de Jeú
que Joás começou a reinar, e reinou quarenta anos em Jerusalém. O nome de sua
mãe era Zíbia, de Berseba.
2 E Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor todos os dias em que o
sacerdote Jeoiada o instruiu.
3 Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles.
4 Disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas consagradas que se
trouxer à casa do Senhor, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o
dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro
que cada um trouxer voluntariamente para a casa do Senhor,
5 recebam-no os sacerdotes, cada um dos seus conhecidos, e reparem os estragos
da casa, todo estrago que se achar nela.
6 Sucedeu porém que, no vigésimo terceiro ano do rei Joás, os sacerdotes ainda
não tinham reparado os estragos da casa.
7 Então o rei Joás chamou o sacerdote Jeoiada e os demais sacerdotes, e lhes
disse: Por que não reparais os estragos da casa? Agora, pois, não tomeis mais
dinheiro de vossos conhecidos, mas entregai-o para o reparo dos estragos da
casa.
8 E consentiram os sacerdotes em não tomarem mais dinheiro do povo, e em não
mais serem os encarregados de reparar os estragos da casa.
9 Mas o sacerdote Jeoiada tomou uma arca , fez um buraco na tampa, e a pôs ao
pé do altar, à mão direita de quem entrava na casa do Senhor. E os sacerdotes
que guardavam a entrada metiam ali todo o dinheiro que se trazia à casa do
Senhor.
10 Sucedeu pois que, vendo eles que já havia muito dinheiro na arca, o escrivão
do rei e o sumo sacerdote vinham, e ensacavam e contavam o dinheiro que se
achava na casa do Senhor.
11 E entregavam o dinheiro, depois de pesado, nas mãos dos que faziam a obra e
que tinham a seu cargo a casa do Senhor; e eles o distribuíam aos carpinteiros,
e aos edificadores que reparavam a casa do Senhor;
12 como também aos pedreiros e aos cabouqueiros; e para se comprar madeira e
pedras de cantaria a fim de repararem os estragos da casa do Senhor, e para
tudo quanto exigia despesa para se reparar a casa.
13 Todavia, do dinheiro que se trazia à casa do Senhor, não se faziam nem taças
de prata, nem espevitadeiras, nem bacias, nem trombetas, nem vaso algum de ouro
ou de prata para a casa do Senhor;
14 porque o davam aos que faziam a obra, os quais reparavam com ele a casa do
Senhor.
15 E não se tomavam contas aos homens em cujas mãos entregavam aquele dinheiro
para o dar aos que faziam a obra, porque eles se haviam com fidelidade.
16 Mas o dinheiro das ofertas pela culpa, e o dinheiro das ofertas pelo pecado,
não se trazia à casa do Senhor; era para os sacerdotes.
17 Então subiu Hazael, rei da Síria, e pelejou contra Gate, e a tomou. Depois
Hazael virou o rosto para marchar contra Jerusalém.
18 Pelo que Joás, rei de Judá, tomou todas as coisas consagradas que Jeosafá,
Jeorão e Acazias, seus pais, reis de Judá, tinham consagrado, e tudo o que ele
mesmo tinha oferecido, como também todo o ouro que se achou nos tesouros da
casa do Senhor e na casa do rei, e o mandou a Hazael, rei da Síria, o qual se
desviou de Jerusalém.
19 Ora, o restante dos atos de Joás, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
20 Levantaram-se os servos de Joás e, conspirando contra ele, o feriram na casa
de Milo, junto ao caminho que desce para Sila.
21 Foram Jozacar, filho de Simeate, e Jeozabade, filho de Somer, seus servos
que o feriram, e ele morreu. Sepultaram-no com seus pais na cidade de Davi. E
Amazias, seu filho, reinou em seu lugar.
II
REIS
[13]
1 No vigésimo terceiro ano de
Joás, filho de Acazias, rei de Judá, começou a reinar Jeoacaz, filho de Jeú,
sobre Israel, em Samária, e reinou dezessete anos.
2 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, porque seguiu os pecados de
Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar; não se apartou
deles.
3 Pelo que a ira do Senhor se acendeu contra Israel; e o entregou
continuadamente na mão de Hazael, rei da Síria, e na mão de Bene-Hadade, filho
de Hazael.
4 Jeoacaz, porém, suplicou diante da face do Senhor; e o senhor o ouviu, porque
viu a opressão com que o rei da Síria oprimia a Israel,
5 (pelo que o Senhor deu um libertador a Israel, de modo que saiu de sob a mão
dos sírios; e os filhos de Israel habitaram nas suas tendas, como dantes.
6 Contudo não se apartaram dos pecados da casa de Jeroboão, com os quais ele
fizera Israel pecar, porém andaram neles; e também a Asera ficou em pé em
Samária.)
7 porque, de todo o povo, não deixara a Jeoacaz mais que cinqüenta cavaleiros,
dez carros e dez mil homens de infantaria; porquanto o rei da Síria os tinha
destruído e os tinha feito como o pó da eira.
8 Ora, o restante dos atos de Jeoacaz, e tudo quanto fez, e o seu poder,
porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
9 E Jeoacaz dormiu com seus pais; e o sepultaram em Samária. E Jeoás, seu
filho, reinou em seu lugar.
10 No ano trinta e sete de Joás, rei de Judá, começou a reinar Jeoás, filho de
Jeoacaz, sobre Israel, em Samária, e reinou dezesseis anos.
11 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; não se apartou de nenhum dos
pecados de Jeroboão filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar,
porém andou neles.
12 Ora, o restante dos atos de Jeoás, e tudo quanto fez, e o seu poder, com que
pelejou contra Amazias, rei de Judá, porventura não estão escritos no livro das
crônicas dos reis de Israel?
13 Jeoás dormiu com seus pais, e Jeroboão se assentou no seu trono. Jeoás foi
sepultado em Samária, junto aos reis de Israel.
14 Estando Eliseu doente da enfermidade de que morreu, Jeoás, rei de Israel,
desceu a ele e, chorando sobre ele exclamou: Meu pai, meu pai! carro de Israel,
e seus cavaleiros!
15 E Eliseu lhe disse: Toma um arco e flechas. E ele tomou um arco e flechas.
16 Então Eliseu disse ao rei de Israel: Põe a mão sobre o arco. E ele o fez.
Eliseu pôs as suas mãos sobre as do rei,
17 e disse: Abre a janela para o oriente. E ele a abriu. Então disse Eliseu:
Atira. E ele atirou. Prosseguiu Eliseu: A flecha do livramento do Senhor é a
flecha do livramento contra os sírios; porque ferirás os sírios em Afeque até
os consumir.
18 Disse mais: Toma as flechas. E ele as tomou. Então disse ao rei de Israel:
Fere a terra. E ele a feriu três vezes, e cessou.
19 Ao que o homem de Deus se indignou muito contra ele, e disse: Cinco ou seis
vezes a deverias ter ferido; então feririas os sírios até os consumir; porém
agora só três vezes ferirás os sirios.
20 Depois morreu Eliseu, e o sepultaram. Ora, as tropas dos moabitas invadiam a
terra à entrada do ano.
21 E sucedeu que, estando alguns a enterrarem um homem, viram uma dessas
tropas, e lançaram o homem na sepultura de Eliseu. Logo que ele tocou os ossos
de Eliseu, reviveu e se levantou sobre os seus pés.
22 Hazael, rei da Síria, oprimiu a Israel todos os dias de Jeoacaz.
23 O Senhor, porém, teve misericórdia deles, e se compadeceu deles, e se tornou
para eles, por amor do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó; e não os quis
destruir nem lançá-los da sua presença
24 Ao morrer Hazael, rei da Síria, Bene-Hadade, seu filho, reinou em seu lugar.
25 E Jeoás, filho de Jeoacaz, retomou das mãos de Bene-Hadade, filho de Hazael,
as cidades que este havia tomado das mãos de Jeoacaz, seu pai, na guerra; três
vezes Jeoás o feriu, e recuperou as cidades de Israel.
II
REIS
[14]
1 No segundo ano de Jeoás,
filho de Jeoacaz, rei de Israel, começou a reinar Amazias, filho de Joás, rei
de Judá.
2 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jeoadim, de Jerusalém.
3 E fez o que era reto aos olhos do Senhor, ainda que não como seu pai Davi;
fez, porém, conforme tudo o que fizera Joás, seu pai.
4 Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles.
5 Sucedeu que, logo que o reino foi confirmado na sua mão matou aqueles seus
servos que haviam matado o rei, seu pai;
6 porém os filhos dos assassinos não matou, segundo o que está escrito no livro
da lei de Moisés, conforme o Senhor deu ordem, dizendo: Não serão mortos os
pais por causa dos filhos, nem os filhos por causa dos pais; mas cada um será
morto pelo seu próprio pecado.
7 Também matou dez mil edomitas no Vale do Sal, e tomou em batalha a sela; e
chamou o seu nome Jocteel, nome que conserva até hoje.
8 Então Amazias enviou mensageiros a Jeoás, filho de Jeoacaz, filho de Jeú, rei
de Israel, dizendo: Vem, vejamo-nos face a face.
9 Mandou, porém, Jeoás, rei de Israel, dizer a Amazias, rei de Judá: O cardo
que estava no Líbano mandou dizer ao cedro que estava no Líbano: Dá tua filha
por mulher a meu filho. Mas uma fera que estava no Líbano passou e pisou o
cardo.
10 Na verdade feriste Edom, e o teu coração se ensoberbeceu; gloria-te disso, e
fica em tua casa; pois, por que te entremeterias no mal, para caíres tu, e Judá
contigo?
11 Amazias, porém, não o quis ouvir. De modo que Jeoás, rei de Israel, subiu; e
ele e Amazias, rei de Judá, viram-se face a face, em Bete-Semes, que está em
Judá.
12 Então Judá foi derrotado diante de Israel, e fugiu cada um para a sua tenda.
13 E Jeoás, rei de Israel, aprisionou Amazias, rei de Judá, filho de Joás,
filho de Acazias, em Bete-Semes e, vindo a Jerusalém, rompeu o seu muro desde a
porta de Efraim até a porta da esquina, quatrocentos covados.
14 E tomou todo o ouro e a prata e todos os vasos que se achavam na casa do
Senhor e nos tesouros da casa do rei, como também reféns, e voltou para
Samária.
l5 Ora, o restante dos atos de Jeoás, o que fez, e o seu poder, e como pelejou
contra Amazias, rei de Judá, porventura não estão escritos no livro das
crônicas dos reis de Israel?
16 E dormiu Jeoás com seus pais, e foi sepultado em Samária, junto aos reis de
Israel. Jeroboão, seu filho, reinou em seu lugar.
17 Amazias, filho de Joás, rei de Judá, viveu quinze anos depois da morte de
Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel.
18 Ora, o restante dos atos de Amazias, porventura não está escrito no livro
das crônicas dos reis de Judá?
19 Conspiraram contra ele em Jerusalém, e ele fugiu para Laquis; porém enviaram
após ele até Laquis, e ali o mataram.
20 Então o trouxeram sobre cavalos; e ele foi sepultado em Jerusalém, junto a
seus pais, na cidade de Davi.
21 E todo o povo de Judá tomou a Azarias, que tinha dezesseis anos, e fê-lo rei
em lugar de Amazias, seu pai.
22 Ele edificou a Elate, e a restituiu a Judá, depois que o rei dormiu com seus
pais.
23 No décimo quinto ano de Amazias, filho de Joás, rei de Judá, começou a
reinar em Samária, Jeroboão, filho de Jeoás, rei de Israel, e reinou quarenta e
um anos.
24 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; não se apartou de nenhum dos
pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar.
25 Foi ele que restabeleceu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate até
o mar da Arabá, conforme a palavra que o Senhor, Deus de Israel, falara por
intermédio de seu servo Jonas filho do profeta Amitai, de Gate-Hefer.
26 Porque viu o Senhor que a aflição de Israel era muito amarga, e que não
restava nem escravo, nem livre, nem quem socorresse a Israel.
27 E ainda não falara o Senhor em apagar o nome de Israel de debaixo do céu;
porém o livrou por meio de Jeroboão, filho de Jeoás.
28 Ora, o restante dos atos de Jeroboão, e tudo quanto fez o seu poder, como
pelejou e como reconquistou para Israel Damasco e Hamate, que tinham sido de
Judá, porventura não estão escritos no livro das crônicas de Israel?
29 E Jeroboão dormiu com seus pais, os reis de Israel. E Zacarias, seu filho,
reinou em seu lugar.
II
REIS
[15]
1 No ano vinte e sete de
Jeroboão, rei de Israel, começou a reinar Azarias, filho de Amazias, rei de
Judá.
2 Tinha dezesseis anos quando começou a reinar, e reinou cinqüenta e dois anos,
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jecolia, de Jerusalém.
3 E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Amazias,
seu pai.
4 Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles.
5 E o Senhor feriu o rei, de modo que ficou leproso até o dia da sua morte; e
habitou numa casa separada; e Jotão, filho do rei, tinha o cargo da casa,
julgando o povo da terra.
6 Ora, o restante dos atos de Azarias, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
7 E Azarias dormiu com seus pais, e com eles o sepultaram na cidade de Davi: E
Jotão, seu filho, reinou em seu lugar.
8 No ano trinta e oito de Azarias, rei de Judá, reinou Zacarias, filho de
Jeroboão, sobre Israel, em Samária, seis meses.
9 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, como tinham feito seus pais; nunca
se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera
Israel pecar.
10 Salum, filho de Jabes, conspirou contra ele; feriu-o diante do povo, matou-o
e reinou em seu lugar.
11 Ora o restante dos atos de Zacarias está escrito no livro das crônicas dos
reis de Israel.
12 Esta foi a palavra do Senhor, que ele falara a Jeú, dizendo: Teus filhos,
até a quarta geração, se assentarão sobre o trono de Israel. E assim foi.
13 Salum, filho de Jabes, começou a reinar no ano trinta e nove de Uzias, rei
de Judá, e reinou um mês em Samária.
14 E Menaém, filho de Gadi, subindo de Tirza, veio a Samária; feriu a Salum,
filho de Jabes, em Samária, matou-o e reinou em seu lugar.
15 Ora, o restante dos atos de Salum, e a conspiração que fez, estão escritos
no livro das crônicas dos reis de Israel.
16 Então Menaém feriu a Tifsa, e a todos os que nela havia, como tambem a seus
termos desde Tirza; porque não lha tinham aberto, por isso a feriu; e fendeu a
todas as mulheres grávidas que nela estavam.
17 No ano trinta e nove de Azarias, rei de Judá, Menaém, filho de Gadi, começou
a reinar sobre Israel, e reinou dez anos em Samária.
18 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; em todos os seus dias nunca se
apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera
Israel pecar.
19 Então veio Pul, rei da Assíria, contra a terra; e Menaém deu a Pul mil
talentos de prata, para que este o ajudasse a firmar o reino na sua mão.
20 Menaém exigiu este dinheiro de todos os poderosos e ricos em Israel, para o
dar ao rei da Assíria, de cada homem cinqüenta siclos de prata; assim voltou o
rei da Assíria, e não se demorou ali na terra.
21 Ora, o restante dos atos de Menaém, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
22 Menaém dormiu com seus pais. E Pecaías, seu filho, reinou em seu lugar.
23 No ano cinqüenta de Azarias, rei de Judá, Pecaías, filho de Menaém, começou
a reinar sobre Israel em Samária, e reinou dois anos.
24 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; nunca se apartou dos pecados de
Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar.
25 E Peca, chefe das suas tropas, filho de Remalias, conspirou contra ele, e o
feriu em Samária, no castelo da casa do rei, juntamente com Argobe e com Arié;
e com Peca estavam cinqüenta homens dos filhos dos gileaditas; e o matou, e
reinou em seu lugar.
26 Ora, o restante dos atos de Pecaías, e tudo quanto fez, estão escritos no
livro das crônicas dos reis de Israel.
27 No ano cinqüenta e dois de Azarias, rei de Judá, Peca, filho de Remalias,
começou a reinar sobre Israel, em Samária, e reinou vinte anos.
28 E fez o que era mau aos olhos do Senhor; nunca se apartou dos pecados de
Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar.
29 Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser rei da Assíria e tomou
Ijom, Abel-Bete-Maacá, Janoa, Quedes, Hazor, Gileade e Galiléia, toda a terra
de Naftali; e levou cativos os habitantes para a Assiria.
30 E Oséias, filho de Elá, conspirou contra Peca, filho de Remalias, o feriu e
matou, e reinou em seu lugar, no vigésimo ano de Jotão, filho de Uzias.
31 Ora, o restante dos atos de Peca, e tudo quanto fez, estão escritos no livro
das crônicas dos reis de Israel.
32 No segundo ano de Peca, filho de Remalias, rei de Israel, começou a reinar
Jotão, filho de Uzias, rei de Judá.
33 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em
Jerusalém. O nome de sua mãe era Jenisa, filha de Zadoque.
34 E fez o que era reto aos olhos do Senhor; fez conforme tudo quanto fizera
seu pai Uzias.
35 Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles. Pois ele que edificou a porta alta da casa do Senhor.
36 Ora, o restante dos atos de Jotão, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
37 Naqueles dias começou o Senhor a enviar contra Judá Rezim, rei da Síria, e
Peca, filho de Remalias.
38 E Jotão dormiu com seus pais, e com eles foi, sepultado na cidade de Davi,
seu pai. E Acaz, seu filho, reinou em seu lugar.
II
REIS
[16]
1 No ano dezessete de Peca,
filho de Remalia começou a reinar Acaz, filho de Jotão, rei de Judá.
2 Tinha Acaz vinte anos quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em
Jerusalém; e não fez o que era reto aos olhos do Senhor seu Deus, como tinha
feito Davi, seu pai,
3 mas andou no caminho dos reis de Israel, e até fez passar pelo fogo o seu
filho, segundo as abominações dos gentios que o Senhor lançara fora de diante
dos filhos de Israel.
4 Também oferecia sacrifícios e queimava incenso nos altos e nos outeiros, como
também debaixo de toda árvore frondosa.
5 Então subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de Israel,
contra Jerusalém, para lhe fazer guerra; e cercaram a Acaz, porém não puderam
vencê-lo.
6 Nesse mesmo tempo Rezim, rei da Síria, restituiu Elate a Síria, lançando fora
dela os judeus; e os sírios vieram a Elate, e ficaram habitando ali até o dia
de hoje.
7 Então Acaz enviou mensageiros a Tiglate-Pileser, rei da Assíria, dizendo: Eu
sou teu servo e teu filho; sobe, e livra-me das mãos do rei da Síria, e das
mãos do rei de Israel, os quais se levantaram contra mim.
8 E tomou Acaz a prata e o ouro que se achou na casa do Senhor e nos tesouros
da casa do rei, e mandou um presente ao rei da Assíria.
9 E o rei da Assíria lhe deu ouvidos e, subindo contra Damasco, tomou-a, levou
cativo o povo para Quir, e matou Rezim.
10 Então o rei Acaz foi a Damasco para se encontrar com Tiglate-Pileser, rei da
Assíria; e, vendo o altar que estava em Damasco, enviou ao sacerdote Urias a
figura do altar, e o modelo exato de toda a sua obra.
11 E Urias, o sacerdote, edificou o altar; conforme tudo o que o rei Acaz lhe
tinha enviado de Damasco, assim o fez o sacerdote Urias, antes que o rei Acaz
viesse de Damasco.
12 Tendo o rei vindo de Damasco, viu o altar; e, acercando-se do altar,
ofereceu sacrifício sobre ele;
13 queimou o seu holocausto e a sua oferta de cereais, derramou a sua libação,
e espargiu o sangue dos seus sacrifícios pacíficos sobre o altar.
14 E o altar de bronze, que estava perante o Senhor, ele o tirou da parte
fronteira da casa, de entre o seu altar e a casa do Senhor, e o colocou ao lado
setentrional do seu altar.
15 E o rei Acaz ordenou a Urias, o sacerdote, dizendo: No grande altar queima o
holocausto da manhã, como também a oferta de cereais da noite, o holocausto do
rei e a sua oferta de cereais, o holocausto de todo o povo da terra, a sua
oferta de cereais e as suas libações; e todo o sangue dos holocaustos, e todo o
sangue dos sacrifícios espargirás nele; porém o altar de bronze ficará ao meu
dispor para nele inquirir.
16 Assim fez Urias, o sacerdote, conforme tudo quanto o rei Acaz lhe ordenara.
17 Também o rei Acaz cortou as almofadas das bases, e de cima delas removeu a
pia; tirou o mar de sobre os bois de bronze, que estavam debaixo dele, e o
colocou sobre um pavimento de pedra.
18 Também o passadiço coberto para uso no sábado, que tinham construído na
casa, e a entrada real externa, retirou da casa do Senhor, por causa do rei da
Assíria.
19 Ora, o restante dos atos de Acaz, e o que fez porventura não estão escritos
no livro das crônicas dos reis de Judá?
20 E dormiu Acaz com seus pais, e com eles foi sepultado na cidade de Davi. E
Ezequias, seu filho, reinou em seu lugar.
II
REIS
[17]
1 No ano duodécimo de Acaz,
rei de Judá, começou a reinar Oséias, filho de Elá, e reinou sobre Israel, em
Samária nove anos.
2 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, contudo não como os reis de Israel
que foram antes dele.
3 Contra ele subiu Salmanasar, rei da Assiria; e Oséias ficou sendo servo dele
e lhe pagava tributos.
4 O rei da Assíria , porém, achou em Oséias conspiração; porque ele enviara
mensageiros a Sô, rei do Egito, e não pagava, como dantes, os tributos anuais
ao rei da Assíria; então este o encerrou e o pôs em grilhões numa prisão.
5 E o rei da Assíria subiu por toda a terra, e chegando a Samária sitiou-a por
três anos.
6 No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou Samária, e levou Israel cativo
para a Assíria; e fê-los habitar em Hala, e junto a Habor, o rio de Gozã, e nas
cidades dos medos.
7 Assim sucedeu, porque os filhos de Israel tinham pecado contra o Senhor seu
Deus que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mãe de Faraó, rei do
Egito, e porque haviam temido a outros deuses,
8 e andado segundo os costumes das nações que o Senhor lançara fora de diante
dos filhos de Israel, e segundo os que os reis de Israel introduziram.
9 Também os filhos de Israel fizeram secretamente contra o Senhor seu Deus
coisas que não eram retas. Edificaram para si altos em todas as suas cidades,
desde a torre das atalaias até a cidade fortificada;
10 Levantaram para si colunas e aserins em todos os altos outeiros, e debaixo
de todas as árvores frondosas;
11 queimaram incenso em todos os altos, como as nações que o Senhor expulsara
de diante deles; cometeram ações iníquas, provocando à ira o Senhor,
12 e serviram os ídolos, dos quais o Senhor lhes dissera: Não fareis isso.
13 Todavia o Senhor advertiu a Israel e a Judá pelo ministério de todos os
profetas e de todos os videntes, dizendo: Voltai de vossos maus caminhos, e
guardai os meus mandamentos e os meus estatutos, conforme toda a lei que
ordenei a vossos pais e que vos enviei pelo ministério de meus servos, os
profetas.
l4 Eles porém, não deram ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, como fizeram
seus pais, que não creram no Senhor seu Deus;
15 rejeitaram os seus estatutos, e o seu pacto, que fizera com os pais deles,
como também as advertências que lhes fizera; seguiram a vaidade e tornaram-se
vãos, como também seguiram as nações que estavam ao redor deles, a respeito das
quais o Senhor lhes tinha ordenado que não as imitassem.
16 E, deixando todos os mandamentos do Senhor seu Deus, fizeram para si dois
bezerros de fundição, e ainda uma Asera; adoraram todo o exército do céu, e
serviram a Baal.
17 Fizeram passar pelo fogo seus filhos, suas filhas, e deram- se a
adivinhações e encantamentos; e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos
do Senhor, provocando-o à ira.
18 Pelo que o Senhor muito se indignou contra Israel, e os tirou de diante da
sua face; não ficou senão somente a tribo de Judá.
19 Nem mesmo Judá havia guardado os mandamentos do Senhor seu Deus; antes andou
nos costumes que Israel introduzira.
20 Pelo que o Senhor rejeitou toda a linhagem de Israel, e os oprimiu,
entregando-os nas mãos dos despojadores, até que os expulsou da sua presença.
21 Pois rasgara Israel da casa de Davi; e eles fizeram rei a Jeroboão, filho de
Nebate, o qual apartou Israel de seguir o Senhor, e os fez cometer um grande
pecado.
22 Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha
cometido; nunca se apartaram deles;
23 até que o Senhor tirou Israel da sua presença, como falara por intermédio de
todos os seus servos os profetas. Assim foi Israel transportado da sua terra
para a Assíria, onde está até o dia de hoje.
24 Depois o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de
Hamate e de Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samária em lugar dos
filhos de Israel; e eles tomaram Samária em herança, e habitaram nas suas
cidades.
25 E sucedeu que, no princípio da sua habitação ali, não temeram ao Senhor; e o
Senhor mandou entre eles leões, que mataram alguns deles.
26 Pelo que foi dito ao rei da Assíria: A gente que transportaste, e fizeste
habitar nas cidades de Samária, não conhece a lei do deus da terra; por isso
ele tem enviado entre ela leões que a matam, porquanto não conhece a lei do
deus da terra.
27 Então o rei da Assíria mandou dizer: Levai ali um dos sacerdotes que
transportastes de lá para que vá e habite ali, e lhes ensine a lei do deus da
terra.
28 Veio, pois, um dos sacerdotes que eles tinham transportado de Samária, e
habitou em Betel, e lhes ensinou como deviam temer ao Senhor.
29 Todavia as nações faziam cada uma o seu próprio deus, e os punham nas casas
dos altos que os samaritanos tinham feito, cada nação nas cidades que habitava.
30 Os de Babilônia fizeram e Sucote-Benote; os de Cuta fizeram Nergal; os de
Hamate fizeram Asima;
31 os aveus fizeram Nibaz e Tartaque: e os sefarvitas queimavam seus filhos no
fogo e a adrameleque e a Anameleque, deuses de Sefarvaim.
32 Temiam também ao Senhor, e dentre o povo fizeram para si sacerdotes dos
lugares altos, os quais exerciam o ministério nas casas dos lugares altos.
33 Assim temiam ao Senhor, mas também serviam a seus próprios deuses, segundo o
costume das nações do meio das quais tinham sido transportados.
34 Até o dia de hoje fazem segundo os antigos costumes: não temem ao Senhor;
nem fazem segundo os seus estatutos, nem segundo as suas ordenanças; nem
tampouco segundo a lei, nem segundo o mandamento que o Senhor ordenou aos
filhos de Jacó, a quem deu o nome de Israel,
35 com os quais o Senhor tinha feito um pacto, e lhes ordenara, dizendo: Não
temereis outros deuses, nem vos inclinareis diante deles, nem os servireis, nem
lhes oferecereis sacrificios;
36 mas sim ao Senhor, que vos fez subir da terra do Egito com grande poder e
com braço estendido, a ele temereis, a ele vos inclinareis, e a ele oferecereis
sacrifícios.
37 Quanto aos estatutos, às ordenanças, à lei, e ao mandamento, que para vós
escreveu, a esses tereis cuidado de observar todos os dias; e não temereis
outros deuses;
38 e do pacto que fiz convosco não vos esquecereis. Não temereis outros deuses,
39 mas ao Senhor vosso Deus temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os
vossos inimigos.
40 Contudo eles não ouviram; antes fizeram segundo o seu antigo costume.
41 Assim estas nações temiam ao Senhor, mas serviam também as suas imagens
esculpidas; também seus filhos, e os filhos de seus filhos fazem até o dia de
hoje como fizeram seus pais.
II
REIS
[18]
1 Ora, sucedeu que, no
terceiro ano de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, começou a reinar Ezequias,
filho de Acaz, rei de Judá.
2 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abi, filha de Zacarias.
3 Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi,
seu pai.
4 Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a
serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de
Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã.
5 Confiou no Senhor Deus de Israel, de modo que depois dele não houve seu
semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele.
6 Porque se apegou ao Senhor; não se apartou de o seguir, e guardou os
mandamentos que o Senhor ordenara a Moisés.
7 Assim o Senhor era com ele; para onde quer que saísse prosperava. Rebelou-se
contra o rei da Assíria, e recusou servi-lo.
8 Feriu os filisteus até Gaza e os seus termos, desde a torre dos atalaias até
a cidade fortificada.
9 No quarto ano do rei Ezequias que era o sétimo ano de Oséias, filho de Elá,
rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, subiu contra Samária, e a cercou
10 e, ao fim de três anos, tomou-a. No ano sexto de Ezequias, que era o ano
nono de Oséias, rei de Israel, Samária foi tomada.
11 Depois o rei da Assíria levou Israel cativo para a Assíria, e os colocou em
Hala, e junto ao Habor, rio de Gozã, e nas cidades dos medos;
12 porquanto não obedeceram à voz do senhor seu Deus, mas violaram o seu pacto,
nada ouvindo nem fazendo de tudo quanto Moisés, servo do Senhor, tinha
ordenado.
13 No ano décimo quarto do rei Ezequias, subiu Senaqueribe, rei da Assíria,
contra todas as cidades fortificadas de Judá, e as tomou.
14 Pelo que Ezequias, rei de Judá, enviou ao rei da Assíria, a Laquis, dizendo:
Pequei; retira-te de mim; tudo o que me impuseres suportarei. Então o rei da
Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta
talentos de ouro.
15 Assim deu Ezequias toda a prata que se achou na casa do Senhor e nos
tesouros da casa do rei.
16 Foi nesse tempo que Ezequias, rei de Judá, cortou das portas do templo do
Senhor, e dos umbrais, o ouro de que ele mesmo os cobrira, e o deu ao rei da
Assíria.
17 Contudo este enviou de Laquis Tartã, Rabe-Sáris e Rabsaqué, com um grande
exército, ao rei Ezequias, a Jerusalém; e subiram, e vieram a Jerusalém. E,
tendo chegado, pararam ao pé do aqueduto da piscina superior, que está junto ao
caminho do campo do lavandeiro.
18 Havendo eles chamado o rei, saíram-lhes ao encontro Eliaquim, filho de
Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o cronista.
19 E Rabsaqué lhes disse: Dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da
Assíria: Que confiança é essa em que te estribas?
20 Dizes (são, porém, palavras vãs): Há conselho e poder para a guerra. Em
quem, pois, agora confias, que contra mim te revoltas?
21 Estás confiando nesse bordão de cana quebrada, que é o Egito; o qual, se
alguém nele se apoiar, entrar-lhe-á pela mão e a traspassará; assim é Faraó,
rei do Egito para com todos os que nele confiam.
22 Se, porém, me disserdes: No Senhor nosso Deus confiamos; porventura não é
esse aquele cujos altos e altares Ezequias tirou dizendo a Judá e a Jerusalém:
Perante, este altar adorareis em Jerusalém?
23 Ora pois faze uma aposta com o meu senhor, o rei da Assíria: dar-te-ei dois
mil cavalos, se tu puderes dar cavaleiros para eles.
24 Como, então, poderias repelir um só príncipe dos menores servos de meu
senhor, quando estás confiando no Egito para obteres carros e cavaleiros?
25 Porventura teria eu subido sem o Senhor contra este lugar para o destruir?
Foi o Senhor que me disse: sobe contra esta terra e a destrói.
26 Então disseram Eliaquim, filho de Hilquias, e Sebna, e Joá, a Rabsaqué:
Rogamos-te que fales aos teus servos em aramaico, porque bem o entendemos; e
não nos fales na língua judaica, aos ouvidos do povo que está em cima do muro.
27 Rabsaqué, porém, lhes disse: Porventura mandou-me meu senhor para falar
estas palavras a teu senhor e a ti, e não aos homens que estão sentados em cima
do muro que juntamente convosco hão de comer o seu excremento e beber a sua
urina ?
28 Então pondo-se em pé, Rabsaqué clamou em alta voz, na língua judaica,
dizendo: Ouvi a palavra do grande rei, do rei da Assíria.
29 Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar da
minha mão;
30 nem tampouco vos faça Ezequias confiar no Senhor, dizendo: Certamente nos
livrará o Senhor, e esta cidade não será entregue na mão do rei da Assíria.
31 Não deis ouvidos a Ezequias; pois assim diz o rei da Assíria: Fazei paz
comigo, e saí a mim; e coma cada um da sua vide e da sua figueira, e beba cada
um a água da sua cisterna;
32 até que eu venha, e vos leve para uma terra semelhante à vossa, terra de
trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas, terra de azeite de oliveiras e de
mel; para que vivais e não morrais. Não deis ouvidos a Ezequias, quando vos
envenena, dizendo: O Senhor nos livrará.
33 Porventura os deuses das nações puderam livrar, cada um a sua terra, das
mãos do rei da Assíria?
36 Que é feito dos deuses de Hamate e de Arpade? Que é feito dos deuses de
Sefarvaim, de Hena e de Iva? porventura livraram Samária da minha mão?
35 Dentre todos os deuses das terras, quais são os que livraram a sua terra da
minha mão, para que o Senhor livre Jerusalém da minha mão?
36 O povo, porém, ficou calado, e não lhe respondeu uma só palavra, porque o
rei ordenara, dizendo: Não lhe respondais.
37 Então Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá,
filho de Asafe, o cronista, vieram a Ezequias com as vestes rasgadas, e lhe
fizeram saber as palavras de Rabsaqué.
II
REIS
[19]
1 Quando o rei Ezequias ouviu
isto rasgou as suas vestes, cobriu-se de saco, e entrou na casa do Senhor.
2 Então enviou Eliaquim, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e os anciãos dos
sacerdotes, cobertos de sacos, ao profeta Isaías, filho de Amoz.
3 Eles lhe disseram: Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angústia, de
vituperação e de blasfêmia; porque os filhos chegaram ao parto, e não há força
para os dar à luz.
4 Bem pode ser que o Senhor teu Deus tenha ouvido todas as palavras de
Rabsaque, a quem o seu senhor, o rei da Assiria, enviou para afrontar o Deus
vivo, e repreenda as palavras que o senhor teu Deus ouviu. Faze, pois, oração
pelo resto que ainda fica.
5 Foram, pois, os servos do rei Ezequias ter com Isaias.
6 E Isaías lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o Senhor: Não
temas as palavras que ouviste, com as quais os servos do rei da Assíria me
blasfemaram.
7 Eis que meterei nele um espírito, e ele ouvirá uma nova, e voltará para a sua
terra; e à espada o farei cair na sua terra.
8 Voltou, pois, Rabsaqué e achou o rei da Assíria pelejando contra Libna,
porque soubera que o rei havia partido de Laquis.
9 E o rei, ouvindo dizer acerca de Tiraca, rei da Etiópia: Eis que saiu para te
fazer guerra, tornou a enviar mensageiros a Ezequias, dizendo:
10 Assim falareis a Ezequias, rei de Judá: Não te engane o teu Deus, em quem
confias, dizendo: Jerusalém não será entregue na mão do rei da Assíria.
11 Eis que já tens ouvido o que os reis da Assíria fizeram a todas as terras,
destruindo-as totalmente; e tu serias poupado?
12 Porventura os deuses das nações a quem meus pais destruíram, puderam
livrá-las, a saber, Gozã, Harã, Rezefe, e os filhos de Eden que estavam em
Telassar?
13 Que é feito do rei de Hamate, do rei de Arpade, do rei da cidade de
Sefarvaim, de Hena e de Iva?
14 Ezequias, pois, tendo recebido a carta das mãos dos mensageiros, e tendo-a
lido, subiu à casa do Senhor, e a estendeu perante o Senhor.
15 E Ezequias orou perante o Senhor, dizendo: ó Senhor Deus de Israel, que
estás assentado sobre os querubins, tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da
terra; tu fizeste o céu e a terra.
16 Inclina, ó Senhor, o teu ouvido, e ouve; abre, ç Senhor, os teus olhos, e
vê; e ouve as palavras de Senaqueribe, com as quais enviou seu mensageiro para
afrontar o Deus vivo.
17 Verdade é, ó Senhor, que os reis da Assíria têm assolado as nações e as suas
terras,
18 e lançado os seus deuses no fogo porquanto não eram deuses mas obra de mãos
de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram.
19 Agora, pois, Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão, para que todos os reinos
da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus.
20 Então Isaías, filho de Amoz, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o Senhor
Deus de Israel: Ouvi o que me pediste no tocante a Senaqueribe, rei da Assíria.
21 Esta é a palavra que o Senhor falou a respeito dele: A virgem, a filha de
Sião, te despreza e te escarnece; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por
detrás de ti.
22 A quem afrontaste e blasfemaste? E contra quem alçaste a voz, e ergueste os
olhos ao alto? Contra o Santo de Israel!
23 Por meio de teus mensageiros afrontaste o Senhor, e disseste: Com a multidão
de meus carros subi ao alto dos montes, aos lados do Líbano; cortei os seus
altos cedros, e as suas mais formosas faias, e entrei na sua mais distante
pousada, no bosque do seu campo fértil.
24 Eu cavei, e bebi águas estrangeiras; e com as plantas de meus pés sequei
todos os rios do Egito.
25 Porventura não ouviste que já há muito tempo determinei isto, e já desde os
dias antigos o planejei? Agora, porém, o executei, para que fosses tu que
reduzisses as cidades fortificadas a montões desertos.
26 Por isso os moradores delas tiveram pouca força, ficaram pasmados e
confundidos; tornaram-se como a erva do campo, como a relva verde, e como o
feno dos telhados, que se queimam antes de amadurecer.
27 Eu, porém, conheço o teu assentar, o teu sair e o teu entrar, bem como o teu
furor contra mim.
28 Por causa do teu furor contra mim, e porque a tua arrogância subiu aos meus
ouvidos, porei o meu anzol no teu nariz e o meu freio na tua boca, e te farei
voltar pelo caminho por onde vieste.
29 E isto te será por sinal: Este ano comereis o que nascer por si mesmo, e no
ano seguinte que daí proceder; e no terceiro ano semeai e comei, e plantai
vinhas, e comei os seus frutos.
30 Pois o que escapou da casa de Judá, e ficou de resto, tornará a lançar
raízes para baixo, e dará fruto para cima.
31 Porque de Jerusalém sairá o restante, e do monte Sião os que escaparem; o
zelo do Senhor fará isto.
32 Portanto, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Não entrará nesta cidade,
nem lançará nela flecha alguma; tampouco virá perante ela com escudo, nem
contra ela levantará tranqueira.
33 Pelo caminho por onde veio, por esse mesmo voltará, e nesta cidade não
entrará, diz o Senhor.
34 Porque eu defenderei esta cidade para livrá-la, por amor de mim e por amor
do meu servo Davi.
35 Sucedeu, pois, que naquela mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no
arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles: e, levantando-se os
assírios pela manhã cedo, eis que aqueles eram todos cadáveres.
36 Então Senaqueribe, rei da Assíria, se retirou e, voltando, habitou em
Nínive.
37 E quando ele estava adorando na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e
Sarezer, seus filhos, o mataram à espada e fugiram para a terra de Arará. E
Esar-Hadom, seu filho, reinou em seu lugar.
II
REIS
[20]
1 Por aquele tempo Ezequias
ficou doente, à morte. O profeta Isaías, filho de Amoz, veio ter com ele, e lhe
disse: Assim diz, o Senhor: Põe em ordem a tua casa porque morrerás, e não
viverás.
2 Então o rei virou o rosto para a parede, e orou ao Senhor, dizendo:
3 Lembra-te agora, ó Senhor, te peço, de como tenho andado diante de ti com
fidelidade e integridade de coração, e tenho feito o que era reto aos teus
olhos. E Ezequias chorou muitíssimo.
4 E sucedeu que, não havendo Isaías ainda saído do meio do pátio, veio a ele a
palavra do Senhor, dizendo:
5 Volta, e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor Deus de
teu pai Davi: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas. Eis que eu te sararei;
ao terceiro dia subirás à casa do Senhor.
6 Acrescentarei aos teus dias quinze anos; e das mãos do rei da Assíria te
livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim, e por
amor do meu servo Davi.
7 Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos e ponde-a sobre a úlcera; e ele
sarará.
8 Perguntou, pois, Ezequias a Isaías: Qual é o sinal de que o Senhor me sarará,
e de que ao terceiro dia subirei à casa do Senhor?
9 Respondeu Isaías: Isto te será sinal, da parte do Senhor, de que o Senhor
cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus, ou voltará dez
graus atrás?
10 Então disse Ezequias: É fácil que a sombra decline dez graus; não seja
assim, antes volte a sombra dez graus atrás.
11 Então o profeta Isaías clamou ao Senhor, que fez voltar a sombra dez graus
atrás, pelos graus que já tinha declinado no relógio de sol de Acaz.
12 Naquele tempo Berodaque-Baladã, filho de Baladã, rei de Babilônia, enviou
cartas e um presente a Ezequias, porque ouvira que Ezequias tinha estado
doente.
13 E Ezequias deu audiência aos mensageiros, e lhes mostrou toda a casa de seu
tesouro, a prata e o ouro, as especiarias e os melhores ungüentos, a sua casa
de armas e tudo quanto havia nos seus tesouros; coisa nenhuma houve que lhes
não mostrasse, nem em sua casa, nem em todo o seu domínio.
14 Então o profeta Isaías veio ao rei Ezequias, e lhe perguntou: Que disseram
aqueles homens, e donde vieram a ti? Respondeu Ezequias: Vieram de um país mui
remoto, de Babilônia.
15 E disse ele: Que viram em tua casa? E disse Ezequias: Viram tudo quanto há
em minha casa; não há coisa nenhuma nos meus tesouros que eu não lhes
mostrasse.
16 Então disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor:
17 Eis que vêm dias em que será levado para a Babilônia tudo quanto houver em minha
casa, bem como o que os teus pais entesouraram até o dia de hoje; não ficará
coisa alguma, diz o Senhor.
18 E até mesmo alguns de teus filhos, que procederem de ti, e que tu gerares,
levarão; e eles serão eunucos no paço do rei de Babilônia.
19 Então disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse
mais: Pois não é assim, se em meus dias vai haver paz e segurança?
20 Ora, o restante dos atos de Ezequias, e todo o seu poder, e como fez a
piscina e o aqueduto, e como fez vir a água para a cidade, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
21 E Ezequias dormiu com seus pais. E Manassés, seu filho, reinou em seu lugar.
II
REIS
[21]
1 Manassés tinha doze anos
quando começou a reinar, e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém. O nome
de sua mãe era Hefzibá.
2 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme as abominações das nações
que o Senhor desterrara de diante dos filhos de Israel.
3 Porque tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, tinha destruído, e
levantou altares a Baal, e fez uma Asera como a que fizera Acabe, rei de
Israel, e adorou a todo o exército do céu, e os serviu.
4 E edificou altares na casa do Senhor, da qual o Senhor tinha dito: Em
Jerusalém porei o meu nome.
5 Também edificou altares a todo o exército do céu em ambos os átrios da casa
do Senhor.
6 E até fez passar seu filho pelo fogo, e usou de augúrios e de encantamentos,
e instituiu adivinhos e feiticeiros; fez muito mal aos olhos do Senhor,
provocando-o à ira.
7 Também pôs a imagem esculpida de Asera, que tinha feito, na casa de que o
Senhor dissera a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que
escolhi dentre todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre;
8 e não mais farei andar errante o pé de Israel desta terra que tenho dado a
seus pais, contanto que somente tenham cuidado de fazer conforme tudo o que
lhes tenho ordenado, e conforme toda a lei que Moisés, meu servo, lhes ordenou.
9 Eles, porém, não ouviram; porque Manassés de tal modo os fez errar, que
fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos
de Israel.
10 Então o Senhor falou por intermédio de seus servos os profetas, dizendo:
11 Porquanto Manassés, rei de Judá, cometeu estas abominações, fazendo pior do
que tudo quanto fizeram os amorreus, que foram antes dele, e com os seus ídolos
fez Judá também pecar;
12 por isso assim diz o Senhor Deus de Israel: Eis que trago tais males sobre
Jerusalém e Judá, que a qualquer que deles ouvir lhe ficarão retinindo ambos os
ouvidos.
13 Estenderei sobre Jerusalém o cordel de Samária e o prumo da casa de Acabe; e
limparei Jerusalém como quem limpa a escudela, limpando-a e virando-a sobre a
sua face.
14 Desampararei os restantes da minha herança, e os entregarei na mão de seus inimigos.
tornar-se-ão presa e despojo para todos os seus inimigos;
15 porquanto fizeram o que era mau aos meus olhos, e me provocaram à ira, desde
o dia em que seus pais saíram do Egito até hoje.
16 Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até que encheu
Jerusalém de um a outro extremo, afora o seu pecado com que fez Judá pecar
fazendo o que era mau aos olhos do Senhor.
17 Quanto ao restante dos atos de Manassés, e a tudo quanto fez, e ao pecado
que cometeu, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de
Judá?
18 E Manassés dormiu com seus pais, e foi sepultado no jardim da sua casa, no
jardim de Uzá. E Amom, seu filho, reinou em seu lugar.
19 Amom tinha vinte e dois anos quando começou a reinar, e reinou dois anos em
Jerusalém. O nome de sua mãe era Mesulemete, filha de Haniz, de Jotba.
20 Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, como fizera Manassés, seu pai;
21 e andou em todo o caminho em que seu pai andara, e serviu os ídolos que ele
tinha servido, e os adorou.
22 Assim deixou o Senhor, Deus de seus pais, e não andou no caminho do Senhor.
23 E os servos de Amom conspiraram contra ele, e o mataram em sua casa.
24 O povo da terra, porém, matou a todos os que conspiraram contra o rei Amom,
e constituiu Josias, seu filho, rei em seu lugar.
25 Quanto ao restante dos atos de Amom, porventura não está escrito no livro
das crônicas dos reis de Judá?
26 E o puseram na sua sepultura, no jardim de Uzá. E Josias, seu filho, reinou
em seu lugar.
II
REIS
[22]
1 Josias tinha oito anos quando
começou a reinar, e reinou trinta e um anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era
Jedida, filha de Adaías, de Bozcate.
2 Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor; e andou em todo o camimho de
Davi, seu pai, não se apartando dele nem para a direita nem para a esquerda.
3 No ano décimo oitavo do rei Josias, o rei mandou o escrivão Safã, filho de
Azalias, filho de Mesulão, à casa do Senhor, dizendo-lhe:
4 Sobe a Hilquias, o sumo sacerdote, para que faça a soma do dinheiro que se
tem trazido para a casa do Senhor, o qual os guardas da entrada têm recebido do
povo;
5 e que só entreguem na mão dos mestres de obra que estão encarregados da casa
do Senhor; e que estes o dêem aos que fazem a obra, aos que estão na casa do
Senhor para repararem os estragos da casa,
6 aos carpinteiros, aos edificadores, e aos pedreiros. e que comprem madeira e
pedras lavradas, a fim de repararem a casa.
7 Contudo não se tomava conta a eles do dinheiro que se lhes entregava nas
mãos, porquanto se haviam com fidelidade.
8 Então disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da lei
na casa do Senhor. E Hilquias entregou o livro a Safã, e ele o leu.
9 Depois o escrivão Safã veio ter com o rei e, dando ao rei o relatório, disse:
Teus servos despejaram o dinheiro que se achou na casa, e o entregaram na mão
dos mestres de obra que estão encarregados da casa do Senhor.
10 Safã, o escrivão, falou ainda ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias me
entregou um livro. E Safã o leu diante do rei.
11 E sucedeu que, tendo o rei ouvido as palavras do livro da lei, rasgou as
suas vestes.
12 Então o rei deu ordem a Hilquias, o sacerdote, a Aicão, filho de Safã, a
Acbor, filho de Micaías, a Safã, o escrivão, e Asaías, servo do rei, dizendo:
13 Ide, consultai ao Senhor por mim, e pelo povo, e por todo o Judá, acerca das
palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que se
acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste
livro, para fazerem conforme tudo quanto acerca de nós está escrito.
14 Então o sacerdote Hilquias, e Aicão, e Acbor, e Safã, e Asaías foram ter com
a profetisa Hulda, mulher de Salum, filho de Ticvá, filho de Harás, o guarda
das vestiduras (ela habitava então em Jerusalém, na segunda parte), e lhe
falaram.
15 E ela lhes respondeu: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Dizei ao homem
que vos enviou a mim:
16 Assim diz o Senhor: Eis que trarei males sobre este lugar e sobre os seus
habitantes, conforme todas as palavras do livro que o rei de Judá leu.
17 Porquanto me deixaram, e queimaram incenso a outros deuses, para me
provocarem à ira por todas as obras das suas mãos, o meu furor se acendeu
contra este lugar, e não se apagará.
18 Todavia ao rei de Judá, que vos enviou para consultar ao Senhor, assim lhe
direis: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Quanto às palavras que ouviste,
19 porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor,
quando ouviste o que falei contra este lugar, e contra os seus habitantes, isto
é, que se haviam de tornar em assolação e em maldição, e rasgaste as tuas
vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor.
20 Pelo que eu te recolherei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à tua
sepultura, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este
lugar. Então voltaram, levando a resposta ao rei.
II
REIS
[23]
1 Então o rei deu ordem, e
todos os anciãos de Judá e de Jerusalém se ajuntaram a ele.
2 Subiu o rei à casa do Senhor, e com ele todos os homens de Judá, todos os
habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas, e todo o povo, desde o
menor até o maior; e leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do pacto,
que fora encontrado na casa do Senhor.
3 Então o rei, pondo-se em pé junto à coluna, fez um pacto perante o Senhor, de
andar com o Senhor, e guardar os seus mandamentos, os seus testemunhos e os
seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, confirmando as palavras
deste pacto, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo esteve por este
pacto.
4 Também o rei mandou ao sumo sacerdote Hilquias, e aos sacerdotes da segunda
ordem, e aos guardas da entrada, que tirassem do templo do Senhor todos os
vasos que tinham sido feitos para Baal, e para a Asera, e para todo o exército
do céu; e os queimou fora de Jerusalém, nos campos de Cedrom, e levou as cinzas
deles para Betel.
5 Destituiu os sacerdotes idólatras que os reis de Judá haviam constituído para
queimarem incenso sobre os altos nas cidades de Judá, e ao redor de Jerusalém,
como também os que queimavam incenso a Baal, ao sol, à lua, aos planetas, e a
todo o exército do céu.
6 Tirou da casa do Senhor a Asera e, levando-a para fora de Jerusalém até o
ribeiro de Cedrom, ali a queimou e a reduziu a pó, e lançou o pó sobre as
sepulturas dos filhos do povo.
7 Derrubou as casas dos sodomitas que estavam na casa do Senhor, em que as
mulheres teciam cortinas para a Asera.
8 Tirou das cidades de Judá todos os sacerdotes, e profanou os altos em que os
sacerdotes queimavam incenso desde Geba até Berseba; e derrubou os altos que
estavam às portas junto à entrada da porta de Josué, o chefe da cidade, à
esquerda daquele que entrava pela porta da cidade.
9 Todavia os sacerdotes dos altos não sacrificavam sobre o altar do Senhor em
Jerusalém, porém comiam pães ázimos no meio de seus irmãos.
10 Profanou a Tofete, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém
fosse passar seu filho ou sua filha pelo fogo a Moloque.
11 Tirou os cavalos que os reis de Judá tinham consagrado ao sol, à entrada da
casa do Senhor, perto da câmara do camareiro Natã-Meleque, a qual estava no
recinto; e os carros do sol queimou a fogo.
12 Também o rei derrubou os altares que estavam sobre o terraço do cenáculo de
Acaz, os quais os reis de Judá tinham feito, como também os altares que
Manassés fizera nos dois átrios da casa do Senhor; e, tendo-os esmigalhado, os
tirou dali e lançou o pó deles no ribeiro de Cedrom.
13 O rei profanou também os altos que estavam ao oriente de Jerusalém, à
direita do Monte de Corrupção, os quais Salomão, rei de Israel, edificara a
Astarote, abominação dos sidônios, a Quemós, abominação dos moabitas, e a
Milcom, abominação dos filhos de Amom.
14 Semelhantemente quebrou as colunas, e cortou os aserins, e encheu os seus
lugares de ossos de homens.
15 Igualmente o altar que estava em Betel, e o alto feito por Jeroboão, filho
de Nebate, que fizera Israel pecar, esse altar e o alto ele os derrubou;
queimando o alto, reduziu-o a pó, e queimou a Asera.
16 E, virando-se Josias, viu as sepulturas que estavam ali no monte, e mandou
tirar os ossos das sepulturas e os queimou sobre aquele altar, e assim o
profanou, conforme a palavra do Senhor proclamada pelo homem de Deus que
predissera estas coisas.
17 Então perguntou: Que monumento é este que vejo? Responderam- lhe os homens
da cidade: É a sepultura do homem de Deus que veio de Judá e predisse estas
coisas que acabas de fazer contra este altar de Betel.
18 Ao que disse Josias: Deixai-o estar; ninguém mexa nos seus ossos. Deixaram
estar, pois, os seus ossos juntamente com os do profeta que viera de Samária.
19 Josias tirou também todas as casas dos altos que havia nas cidades de
Samária, e que os reis de Israel tinham feito para provocarem o Senhor à ira, e
lhes fez conforme tudo o que havia feito em Betel.
20 E a todos os sacerdotes dos altos que encontrou ali, ele os matou sobre os
respectivos altares, onde também queimou ossos de homens; depois voltou a
Jerusalém.
21 Então o rei deu ordem a todo o povo dizendo: Celebrai a páscoa ao Senhor
vosso Deus, como está escrito neste livro do pacto.
22 Pois não se celebrara tal páscoa desde os dias dos juízes que julgaram a
Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco nos dias dos reis
de Judá.
23 Foi no décimo oitavo ano do rei Josias que esta páscoa foi celebrada ao
Senhor em Jerusalém.
24 Além disso, os adivinhos, os feiticeiros, os terafins, os ídolos e todas
abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, Josias os extirpou,
para confirmar as palavras da lei, que estavam escritas no livro que o
sacerdote Hilquias achara na casa do Senhor.
25 Ora, antes dele não houve rei que lhe fosse semelhante, que se convertesse
ao Senhor de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas
forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro
semelhante.
26 Todavia o Senhor não se demoveu do ardor da sua grande ira, com que ardia
contra Judá por causa de todas as provocações com que Manassés o provocara.
27 E disse o Senhor: Também a Judá hei de remover de diante da minha face, como
removi a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que elegi, como também a
casa da qual eu disse: Estará ali o meu nome.
28 Ora, o restante dos atos de Josias, e tudo quanto fez, por ventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
29 Nos seus dias subiu Faraó-Neco, rei do Egito, contra o rei da Assíria, ao
rio Eufrates. E o rei Josias lhe foi ao encontro; e Faraó-Neco o matou em
Megido, logo que o viu.
30 De Megido os seus servos o levaram morto num carro, e o trouxeram a
Jerusalém, onde o sepultaram no seu sepulcro. E o povo da terra tomou a
Jeoacaz, filho de Josias, ungiram-no, e o fizeram rei em lugar de seu pai.
31 Jeoacaz tinha vinte e três anos quando começou a reinar, e reinou três meses
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.
32 Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que seus pais
haviam feito.
33 Ora, Faraó-Neco mandou prendê-lo em Ribla, na terra de Hamate, para que não
reinasse em Jerusalém; e à terra impôs o tributo de cem talentos de prata e um
talento de ouro.
34 Também Faraó-Neco constituiu rei a Eliaquim, filho de Josias, em lugar de
Josias, seu pai, e lhe mudou o nome em Jeoiaquim; porém levou consigo a
Jeoacaz, que conduzido ao Egito, ali morreu.
35 E Jeoiaquim deu a Faraó a prata e o ouro; porém impôs à terra uma taxa, para
fornecer esse dinheiro conforme o mandado de Faraó. Exigiu do povo da terra, de
cada um segundo a sua avaliação, prata e ouro, para o dar a Faraó-Neco.
36 Jeoiaquim tinha vinte e cinco ano quando começou a reinar, e reinou onze
anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Zebida, filha de Pedaías, de Ruma.
37 Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que seus pais
haviam feito.
II
REIS
[24]
1 Nos seus dias subiu
Nabucodonozor, rei de Babilônia, e Jeoiaquim ficou sendo seu servo por três
anos; mas depois se rebelou contra ele.
2 Então o Senhor enviou contra Jeoiaquim tropas dos caldeus, tropas dos sírios,
tropas dos moabitas e tropas dos filhos de Amom; e as enviou contra Judá, para
o destruírem, conforme a palavra que o Senhor falara por intermédio de seus
servos os profetas.
3 Foi, na verdade, por ordem do Senhor que isto veio sobre Judá para removê-lo
de diante da sua face, por causa de todos os pecados cometidos por Manassés,
4 bem como por causa do sangue inocente que ele derramou; pois encheu Jerusalém
de sangue inocente; e por isso o Senhor não quis perdoar.
5 Ora, o restante dos atos de Jeoiaquim, e tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
6 Jeoiaquim dormiu com seus pais. E Joaquim, seu filho, reinou em seu lugar.
7 O rei do Egito nunca mais saiu da sua terra, porque o rei de Babilônia tinha
tomado tudo quanto era do rei do Egito desde o rio do Egito até o rio Eufrates.
8 Tinha Joaquim dezoito anos quando começou a reinar e reinou três meses em
Jerusalém. O nome de sua mãe era Neústa, filha de Elnatã, de Jerusalém.
9 Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que seu pai tinha
feito.
10 Naquele tempo os servos de Nabucodonozor, rei de Babilônia, subiram contra
Jerusalém, e a cidade foi sitiada.
11 E Nabucodonozor, rei de Babilônia, chegou diante da cidade quando já os seus
servos a estavam sitiando.
12 Então saiu Joaquim, rei de Judá, ao rei da Babilônia, ele, e sua mãe, e seus
servos, e seus príncipes, e seus oficiais; e, no ano oitavo do seu reinado, o
rei de Babilônia o levou preso.
13 E tirou dali todos os tesouros da casa do Senhor, e os tesouros da casa do
rei; e despedaçou todos os vasos de ouro que Salomão, rei de Israel, fizera no
templo do Senhor, como o Senhor havia dito.
14 E transportou toda a Jerusalém, como também todos os príncipes e todos os
homens valentes, deu mil cativos, e todos os artífices e ferreiros; ninguém
ficou senão o povo pobre da terra.
15 Assim transportou Joaquim para Babilônia; como também a mãe do rei, as
mulheres do rei, os seus oficiais, e os poderosos da terra, ele os levou
cativos de Jerusalém para Babilônia.
16 Todos os homens valentes, em número de sete mil, e artífices e ferreiros em
número de mil, todos eles robustos e destros na guerra, a estes o rei de
Babilônia levou cativos para Babilônia.
17 E o rei de Babilônia constituiu rei em lugar de Joaquim a Matanias, seu tio
paterno, e lhe mudou o nome em Zedequias.
18 Zedequias tinha vinte e um anos quando começou a reinar, e reinou onze anos
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.
19 Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera
Jeoiaquim.
20 Por causa da ira do Senhor, assim sucedeu em Jerusalém, e em Judá, até que
ele as lançou da sua presença. E Zedequias se rebelou contra o rei de
Babilônia.
II
REIS
[25]
1 E sucedeu que, ao nono ano
do seu reinado, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonozor, rei de Babilônia,
veio contra Jerusalém com todo o seu exército, e se acampou contra ela;
levantaram contra ela tranqueiras em redor.
2 E a cidade ficou sitiada até o décimo primeiro ano do rei Zedequias
3 Aos nove do quarto mês, a cidade se via tão apertada pela fome que não havia
mais pão para o povo da terra.
4 Então a cidade foi arrombada, e todos os homens de guerra fugiram de noite
pelo caminho da porta entre os dois muros, a qual estava junto ao jardim do rei
(porque os caldeus estavam contra a cidade em redor), e o rei se foi pelo
caminho da Arabá.
5 Mas o exército dos caldeus perseguiu o rei, e o alcançou nas campinas de
Jericó; e todo o seu exército se dispersou.
6 Então prenderam o rei, e o fizeram subir a Ribla ao rei de Babilônia, o qual
pronunciou sentença contra ele.
7 Degolaram os filhos de Zedequias à vista dele, vasaram-lhe os olhos,
ataram-no com cadeias de bronze e o levaram para Babilônia.
8 Ora, no quinto mês, no sétimo dia do mês, no ano décimo nono de
Nabucodonozor, rei de Babilônia, veio a Jerusalém Nebuzaradão, capitão da
guarda, servo do rei de Babilônia;
9 e queimou a casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de
Jerusalém; todas as casas de importância, ele as queimou.
10 E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda, derrubou
os muros em redor de Jerusalém.
11 Então o resto do povo que havia ficado na cidade, e os que já se haviam
rendido ao rei de babilônia, e o resto da multidão, Nebuzaradão, capitão da
guarda, levou cativos.
12 Mas dos mais pobres da terra deixou o capitão da guarda ficar alguns para
vinheiros e para lavradores.
13 Ademais os caldeus despedaçaram as colunas de bronze que estavam na casa do
Senhor, como também as bases e o mar de bronze que estavam na casa do senhor e
levaram esse bronze para Babilônia. ,
14 Também tomaram as caldeiras, as pás, as espevitadeiras, as colheres, e todos
os utensilios de bronze, com que se ministrava,
15 como também os braseiros e as bacias; tudo o que era de ouro, o capitão da
guarda levou em ouro, e tudo o que era de prata, em prata.
16 As duas colunas, o mar, e as bases, que Salomão fizera para a casa do
Senhor, o bronze de todos esses utensilios era de peso imensurável.
17 A altura duma coluna era de dezoito côvados, e sobre ela havia um capitel de
bronze, cuja altura era de três côvados; em redor do capitel havia uma rede e
romãs, tudo de bronze; e semelhante a esta era a outra coluna com a rede.
18 O capitão da guarda tomou também Seraías, primeiro sacerdote, Sofonias,
segundo sacerdote, e os três guardas da entrada.
19 Da cidade tomou um oficial, que tinha cargo da gente de guerra, e cinco
homens dos que viam a face do rei e que se achavam na cidade, como também o
escrivão-mor do exército, que registrava o povo da terra, e sessenta homens do
povo da terra, que se achavam na cidade.
20 Tomando-os Nebuzaradão, capitão da guarda, levou-os ao rei de Babilônia, a
Ribla.
21 Então o rei de Babilônia os feriu e matou em Ribla, na terra de Hamate.
Assim Judá foi levado cativo para fora da sua terra.
22 Quanto ao povo que tinha ficado, na terra de Judá, Nabucodonozor, rei de Babilônia,
que o deixara ficar, pôs por governador sobre ele Gedalias, filho de Aicão,
filho de Safã.
23 Ouvindo, pois, os chefes das forças, eles e os seus homens, que o rei de
Babilônia pusera Gedalias por governador, vieram ter com Gedalias, a Mizpá, a
saber: Ismael, filho de Netanias, Joanã, filho de Careá, Seraías, filho de
Tanumete netofatita, e Jaazanias, filho do maacatita, eles e os seus homens.
24 E Gedalias lhe jurou, a eles e aos seus homens, e lhes disse: Não temais ser
servos dos caldeus; ficai na terra, e servi ao rei de Babilônia, e bem vos irá.
25 Mas no sétimo mês Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, da
descendência real, veio com dez homens, e feriram e mataram Gedalias, como
também os judeus e os caldeus que estavam com ele em Mizpá.
26 Então todo o povo, tanto pequenos como grandes, e os chefes das forças,
levantando-se, foram para o Egito, porque temiam os caldeus.
27 Depois disso sucedeu que, no ano trinta e sete do cativeiro de Joaquim, rei
de Judá, no dia vinte e sete do décimo segundo mês, Evil-Merodaque, rei de
Babilônia, no ano em que começou a reinar, levantou a cabeça de Joaquim, rei de
Judá, tirando-o da casa da prisão;
28 e lhe falou benignamente, e pôs o seu trono acima do trono dos reis que
estavam com ele em Babilônia.
29 Também lhe fez mudar as vestes de prisão; e ele comeu da mesa real todos os
dias da sua vida.
30 E, quanto à sua subsistência, esta lhe foi dada de contínuo pelo rei, a
porção de cada dia no seu dia, todos os dias da sua vida.
[1]
1 Adão, Sete, Enos,
2 Quenã, Maalalel, Jarede,
3 Enoque, Matusalém, Lameque,
4 Noé, Sem, Cão e Jafé.
5 Os filhos de Jafé: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras.
6 Os filhos de Gomer: Asquenaz, Rifate e Togarma.
7 Os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim.
8 Os filhos de Cão: Cuche, Mizraim, Pute e Canaã.
9 Os filhos de Cuche: Seba, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá; e os filhos de
Raamá: Sebá e Dedã.
10 Cuche foi pai de Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra:
11 De Mizraim descenderam os ludeus, os anameus, os leabeus, os naftueus,
12 os patrusins, os casluins (dos quais procederam os filisteus) e os
caftoreus.
13 Canaã foi pai de Sidom, seu primogênito, e de Hete,
14 e dos jebuseus, dos amorreus, dos girgaseus,
15 dos heveus, dos arqueus, dos sineus,
16 dos arvadeus, dos zemareus e dos hamateus.
17 Os filhos de Sem: Elão, Assur, Arfaxade, Lude, Arã, Uz, Hul, Geter e
Meseque.
18 Arfaxade foi pai de Selá; e Selá foi pai de Eber.
19 A Eber nasceram dois filhos: o nome dum foi Pelegue, pois nos seus dias se
repartiu a terra; e o nome do seu irmão foi Joctã.
20 Joctã foi pai de Almodá, Selefe, Hazarmavé, Jerá,
21 Hadorão, Uzal, Diclá,
22 Ebal, Abimael, Sebá,
23 Ofir, Havilá e Jobabe; todos esses foram filhos de Joctã.
24 Sem, Arfaxade, Selá;
25 Eber, Pelegue, Reú;
26 Serugue, Naor, Tera;
27 Abrão, que é Abraão.
28 Os filhos de Abraão: Isaque e Ismael.
29 Estas são as suas gerações: o primogênito de Ismael, Nebaiote; depois
Quedar, Adbeel, Mibsão,
30 Misma, Dumá, Massá, Hadade, Tema,
31 Jetur, Nafis e Quedemá; esses foram os filhos de Ismael.
32 Quanto aos filhos de Quetura, concubina de Abraão, esta deu à luz Zinrã,
Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá. Os filhos de Jocsã foram Sebá e Dedã.
33 Os filhos de Midiã: Efá, Efer, Hanoque, Abidá e Eldá; todos esses foram
filhos de Quetura.
34 Abraão foi pai de Isaque. Os filhos de Isaque: Esaú e Israel.
35 Os filhos de Esaú: Elifaz, Reuel, Jeús, Jalão e Corá.
36 Os filhos de Elifaz: Temã, Omar, Zefi, Gatã, Quenaz, Timna e Amaleque.
37 Os filhos de Reuel: Naate, Zerá, Samá e Mizá.
38 Os filhos de Seir: Lotã, Sobal, Zibeão, Anás, Disom, Eser e Disã.
39 Os filhos de Lotã: Hori, e Homã; e a irmã de Lotã foi Timna.
40 Os filhos de Sobal: Aliã, Manaate, Ebal, Sefi e Onã. Os filhos de Zibeão:
Aías e Anás.
41 Anás foi pai de Disom. Os filhos de Disom: Hanrão, Esbã, Itrã e Querã.
42 Os filhos de Eser: Bilã, Zaavã e Jaacã. Os filhos de Disã: Uz e Arã.
43 Estes foram os reis que reinaram na terra de Edom, antes que houvesse rei
sobre os filhos de Israel: Belá, filho de Beor; e era o nome da sua cidade
Dinabá.
44 Morreu Belá, e reinou em seu lugar Jobabe, filho de Zerá, de Bozra.
45 Morreu Jobabe, e reinou em seu lugar Husão, da terra dos temanitas.
46 Morreu Husão, e reinou em seu lugar Hadade, filho de Bedade, que derrotou os
midianitas no campo de Moabe; e era o nome da sua cidade Avite.
47 Morreu Hadade, e reinou em seu lugar Sâmela, de Masreca.
48 Morreu Sâmela, e reinou em seu lugar Saul, de Reobote junto ao rio.
49 Morreu Saul, e reinou em seu lugar Baal-Ranã, filho de Acbor.
50 Morreu Baal-Hanã, e Hadade reinou em seu lugar; e era o nome da sua cidade
Paí. O nome de sua mulher era Meetabel, filha de Matrede, filha de Me-Zaabe.
51 E morreu Hadade. Os príncipes de Edom foram: o príncipe Timna, o príncipe
Aliá, o príncipe Jetete,
52 o príncipe Aolíbama, o príncipe Elá, o príncipe Pinom,
53 o príncipe Quenaz, o príncipe Temã, o príncipe Mibzar,
54 o príncipe Magdiel, o príncipe lrã. Estes foram os príncipes de Edom.
I
CRÔNICAS
[2]
1 Foram estes os filhos de
Israel: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom,
2 Dã, José, Benjamim, Naftali, Gade e Aser.
3 Os filhos de Judá: Er, Onã e Selá; estes três lhe nasceram da filha de Suá, a
cananéia. E Er, o primogênito de Judá, foi mau aos olhos do Senhor, que o
matou:
4 Tamar, nora de Judá, lhe deu à luz Pérez e Zerá. Ao todo os filhos de Judá
foram cinco.
5 Os filhos de Perez: Hezrom e Hamul:
6 Os filhos de Zerá: Zinri, Etã, Hemã, Calcol e Dara; cinco ao todo.
7 Os filhos de Carmi: Acar, o perturbador de Israel, que pecou no anátema.
8 De Etã foi filho Azarias.
9 Os filhos que nasceram a Hezrom: Jerameel, Rão e Quelubai.
10 Rão foi pai de Aminadabe, e Aminadabe de Nasom, príncipe dos filhos de Judá;
11 Nason foi pai de Salmom, e Salmom de Boaz;
12 Boaz foi pai de Obede, e Obede de Jessé;
13 a Jessé nasceram Eliabe, seu primogênito, Abinadabe o segundo, Siméia o
terceiro,
14 Netanel o quarto, Radai o quinto,
15 Ozen o sexto e Davi o sétimo;
16 e foram suas irmãs Zeruia e Abigail. Os filhos de Zeruia foram: Abisai,
Joabe e Asael, três.
17 Abigail deu à luz Amasa; o pai de Amasa foi Jeter, o ismaelita.
18 A Calebe, filho de Hezrom, nasceram filhos de Azuba, sua mulher, e de
Jeriote; e os filhos dela foram estes: Jeser, Sobabe e Ardom.
19 Morreu Azuba; e Calebe tomou para si Efrata, da qual lhe nasceu Hur.
20 Hur foi pai de îri, e îri de Bezaleel.
21 Então Hezrom, tendo já sessenta anos, tomou por mulher a filha de Maquir,
pai de Gileade; e conheceu-a, e ela lhe deu à luz Segube.
22 Segube foi pai de Jair, o qual veio a ter vinte e três cidades na terra de
Gileade.
23 Mas Gesur e Arã tomaram deles Havote-Jair, e Quenate e suas aldeias,
sessenta cidades. Todos estes foram filhos de Maquir, pai de Gileade.
24 Depois da morte de Hezrom, em Calebe de Efrata, Abia, mulher de Hezrom, lhe
deu Asur, pai de Tecoa.
25 Os filhos de Jerameel, primogênito de Jezrom, foram: Rão, o primogênito,
Buna, Orem, Ozem e Aías.
26 Jerameel teve outra mulher, cujo nome era Atara, a qual foi mãe de Onã.
27 Os filhos de Rão, primogênito de Jerameel, foram: Maaz, Jamim e Equer.
28 Os filhos de Onã, foram: Samai e Jada; e os filhos de Samai: Nadabe e
Abisur.
29 O nome da mulher de Abisur era Abiail, que lhe deu à luz Abã e Molide.
30 Os filhos de Nadabe: Selede e Apaim; e Selede morreu sem filhos.
31 O filho de Apaim: Isi; o filho de Isi: Sesã; o filho de Sesã: Alai.
32 Os filhos de Jada, irmão de Samai: Jeter e Jônatas; e Jeter morreu sem
filhos.
33 Os filhos de Jônatas: Pelete e Zaza. Esses foram os filhos de Jerameel.
34 Sesã não teve filhos, mas filhas. E tinha Sesã um servo egípcio, cujo nome
era Jará:
35 Deu, pois, Sesã sua filha por mulher a Jará, seu servo; e ela lhe deu à luz
Atai.
36 Atai foi pai de Natã, Natã de Zabade,
37 Zabade de Eflal, Eflal de Obede,
38 Obede de Jeú, Jeú de Azarias,
39 Azarias de Helez, Helez de Eleasá,
40 Eleasá de Sismai, Sismai de Salum,
41 Salum de Jecamias, e Jecamias de Elisama.
42 Os filhos de Calebe, irmão de Jerameel: Messa, seu primogênito, que foi o
pai de Zife, e os filhos de Maressa, pai de Hebrom.
43 Os filhos de Hebrom: Corá, Tapua, Requem e Sema.
44 Sema foi pai de Raão, pai de Jorqueão; e Requem foi pai de Samai.
45 O filho de Samai foi Maom; e Maom foi pai de Bete-Zur.
46 Efá, a concubina de Calebe, teve Harã, Moza e Gazez; e Harã foi pai de
Gazez.
47 Os filhos de Jadai: Regem, Jotão, Gesã, Pelete, Efá e Saafe.
48 Maacá, concubina de Calebe, deu à luz Seber e Tiraná.
49 Deu à luz também Saafe, pai de Madmana, e Seva, pai de Macbena e de Gibeá; e
a filha de Calebe foi Acsa.
50 Estes foram os filhos de Calebe, filho de Hur, o primogênito de Efrata:
Sobal, pai de Quiriate-Jearim,
51 Salma, pai de Belém, e Harefe, pai de Bete-Gader.
52 Os filhos de Sobal, pai de Quiriate-Jearim, foram: Haroé e metade dos
menuotes.
53 As famílias de Quiriate-Jearim: os itreus, os puteus, os sumateus e os
misraeus; destes saíram os zorateus e os estaloeus.
54 Os filhos de Salma: Belém, os netofatitas, Atarote-Bete-Joabe, metade dos
manaatitas e os zoritas.
55 As famílias dos escribas que habitavam em Jabes: os tiratitas, os simeatitas
e os sucatitas; estes são os queneus que descenderam de Hamate, pai da casa de
Recabe.
I
CRÔNICAS
[3]
1 Estes foram os filhos de
Davi que lhe nasceram em Hebrom: o primogênito Amnom, de Ainoã, a jizreelita; o
segundo Daniel, de Abigail, a carmelita;
2 O terceiro Absalão, filho de Maacá, filha de Talmai, rei de Gesur; o quarto
Adonias, filho de Hagite;
3 O quinto Sefatias, de Abital; o sexto Itreão, de Eglá, sua mulher.
4 Seis lhe nasceram em Hebrom, onde reinou sete anos e seis meses; e reinou
trinta e três anos em Jerusalém.
5 Estes lhe nasceram em Jerusalém: Siméia, Sobabe, Natã e Salomão; estes quatro
lhe nasceram de Bate-Sua, filha de Amiel.
6 Nasceram-lhe mais: Ibar, Elisama, Elifelete,
7 Nogá, Nefegue, Jafia,
8 Elisama, Eliadá e Elifelete, nove.
9 Todos estes foram filhos de Davi, afora os filhos das concubinas; e Tamar foi
irmã deles.
10 Filho de Salomão foi Roboão, de quem foi filho Abias, de quem foi filho Asa,
de quem foi filho Jeosafá,
11 de quem foi filho Jorão, de quem foi filho Acazias, de quem foi filho Joás,
12 de quem foi filho Amazias, de quem foi filho Jotão,
13 de quem foi filho Acaz, de quem foi filho Ezequias, de quem foi filho
Manassés,
14 de quem foi filho Amom, e de quem foi filho Josias.
15 Os filhos de Josias: o primogênito Joanã, o segundo Jeoiaquim, o terceiro
Zedequias, o quarto Salum.
16 Os filhos de Jeoiaquim: Jeconias, seu filho, e Zedequias, seu filho.
17 Os filhos de Jeconias, o deportado: Sealtiel, seu filho,
18 Malquirão, Pedaías, Senazar, Jecamias, Hosama e Nedabias.
19 Os filhos de Pedaías: Zorobabel e Simei; e os filhos de Zorobabel: Mesulão e
Hananias, e Selomite, irmã destes;
20 e Hasubá, Oel, Berequias, Hasadias e Jusabe-Hesede, cinco.
21 Hananias foi pai de Pelatias; Pelatias de Jesaías; Jesaías de Refaías;
Refaías de Arnã; Arnã de Obadias; e Obadias de Secanias.
22 Os filhos de Secanias: Semaías e os filhos deste: Hatus, Igal, Bariá,
Nearias e Safate, seis.
23 Os filhos de Nearias: Elioenai, Ezequias e Azricão, três.
24 E os filhos de Elioenai: Hodavias, Eliasibe, Pelaías, Acube, Joanã, Delaías
e Anani, sete.
I
CRÔNICAS
[4]
1 Os filhos de Judá: Pérez,
Hezrom, Carmi, Hur e Sobal.
2 Reaías, filho de Sobal, foi pai de Jaate, e Jaate de Aümai e Laade; estas são
as famílias dos zoratitas.
3 Estes foram os filhos de Etã: Jizreel, Ismá, e Idbás; e o nome da irmã deles
era Hazelelponi;
4 e mais Penuel, pai de Gedor, e Ézer, pai de Husá; estes foram os filhos de
Hur, o primogênito de Efrata, pai de Belém.
5 Asur, pai de Tecoa, tinha duas mulheres: Helá e Naará.
6 Naará deu-lhe à luz Aüzão, Hefer, Temêni e Haastári; estes foram os filhos de
Naará.
7 E os filhos de Helá: Zerete, Izar e Etnã.
8 Coz foi pai de Anube e Zobeba, e das famílias de Acarel, filho de Harum.
9 Jabes foi mais ilustre do que seus irmãos (sua mãe lhe pusera o nome de
Jabes, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz)..
10 Jabes invocou o Deus de Israel, dizendo: Oxalá que me abençoes, e estendas
os meus termos; que a tua mão seja comigo e faças que do mal eu não seja
afligido! E Deus lhe concedeu o que lhe pedira.
11 Quelube, irmão de Suá, foi pai de Meir; e este foi pai de Estom.
12 Estom foi pai de Bete-Rafa, Paséia e Teína, que foi pai de Ir-Naás; estes
foram os homens, de Reca.
13 Os filhos de Quenaz: Otniel e Seraías; e Otniel foi pai de Hatate
14 e Meonotai, que foi pai de Ofra; Seraías foi pai de Joabe, fundador de
Ge-Harasim, cujos habitantes foram artífices.
15 Os filhos de Calebe, filho de Jefoné: æru, Elá e Naã; e Elá foi pai de
Quenaz:
16 Os filhos de Jealelel: Zife, Zifá, Tíria e Asareel.
17 Os filhos de Ezra: Jeter, Merede, Efer e Jalom; e ela deu à luz Miriã,
Samai, e Isbá, pai de Estemoa,
18 cuja mulher judia deu à luz Jerede, pai de Gedor, Heber, pai de Socó, e
Jecutiel, pai de Zanoa; e estes foram os filhos de Bitia, filha de Faraó, que
Merede tomou.
19 Os filhos da mulher de Hodias, irmã de Naã, foram os pais de Queila, o
garmita, e Estemoa, o maacatita.
20 Os filhos de Simão: Amnom, Rina, Bene-Hanã e Tilom; e os filhos de Isi:
Zoete e Bene-Zoete.
21 Os filhos de Selá, filho de Judá: Er, pai de Leca, Lada, pai de Maressa, e
as famílias da casa dos que fabricavam linho, em Bete-Asbéia;
22 como também Joquim, e os homens de Cozeba, e Joás e Sarafe, os quais
dominavam sobre Moabe, e Jasúbi-Leém. (Estes registros são antigos.)
23 Estes foram os oleiros, os habitantes de Netaim e de Gedera; e moravam ali
com o rei para o seu serviço.
24 Os filhos de Simeão: Nemuel, Jamim, Jaribe, Zerá e Saul,
25 de quem foi filho Salum, de quem foi filho Mibsão, de quem foi filho Misma.
26 Os filhos de Misma: Jamuel, seu filho, de quem foi filho Zacur, de quem foi
filho Simei.
27 Simei teve dezesseis filhos e seis filhas; porém seus irmãos não tiveram
muitos filhos, nem se multiplicou toda a sua família tanto como as dos filhos
de Judá.
28 Eles habitaram em Berseba, Molada, Hazar-Sual,
29 Bila, Ezem, Tolade,
30 Betuel, Horma, Ziclague,
31 Bete-Marcabote, Hazar-Susim, Bete-Biri e Saraim; essas foram as suas cidades
até o reinado de Davi.
32 As suas aldeias foram: Etã, Aim, Rimom, Toquem e Asã, cinco cidades,
33 com todas as suas aldeias, que estavam em redor destas cidades, até Baal.
Estas foram as suas habitações e as suas genealogias.
34 Ora, Mesobabe, Jamleque, Josa, filho dc Amazias,
35 Joel, Jeú, filho de Josibias, filho de Seraías, filho de Asiel,
36 Elioenai, Jaacobá, Jesoaías, Asaías, Adiel, Jesimiel, Benaías,
37 e Ziza, filho de Sifi, filho de Alom, filho de Jedaías, filho de Sínri,
filho de Semaías
38 estes, registrados por nome, foram príncipes nas suas famílias; e as
famílias de seus pais se multiplicaram grandemente.
39 Chegaram até a entrada de Gedor, ao lado oriental do vale, em busca de pasto
para os seus rebanhos;
40 e acharam pasto abundante e bom, e a terra era espaçosa, quieta e pacífica;
pois os que antes habitavam ali eram descendentes de Cão.
41 Estes que estão inscritos por nome, vieram nos dias de Ezequias, rei de
Judá, e destruíram as tendas e os meunins que se acharam ali, e os exterminaram
totalmente até o dia de hoje, e habitaram em lugar deles; porque ali havia
pasto para os seus rebanhos.
42 Também deles, isto é, dos filhos de Simeão, quinhentos homens foram ao monte
Seir, tendo por capitães Pelatias, Nearias, Refaías e Uziel, filhos de Isi,
43 e, matando o restante dos amalequitas, que havia escapado, ficaram habitando
ali até o dia de hoje.
I
CRÔNICAS
[5]
1 Quanto aos filhos de Rúben,
o primogênito de Israel (pois ele era o primogênito; mas, porquanto profanara a
cama de seu pai, deu-se a sua primogenitura aos filhos de José, filho de
Israel, de sorte que a sua genealogia não é contada segundo o direito da
primogenitura;
2 pois Judá prevaleceu sobre seus irmãos, e dele proveio o príncipe; porém a
primogenitura foi de José);
3 os filhos de Rúben o primogênito de Israel: Hanoque, Palu, Hezrom e Carmi.
4 Os filhos de Joel: Semaías, de quem foi filho Gogue, de quem foi filho Simei,
5 de quem foi filho Mica, de quem foi filho Reaías, de quem foi filho Baal,
6 de quem foi filho Beera, a quem Tilgate-Pilneser levou cativo; ele foi
príncipe dos rubenitas.
7 E seus irmãos, pelas suas famílias, quando se fez a genealogia das suas
gerações, foram: o chefe Jeiel, Zacarias,
8 Belá, filho de Azaz, filho de Sema, filho de Joel, que habitou em Aroer até
Nebo e Baal-Meom;
9 ao oriente habitou até a entrada do deserto, desde o rio Eufrates; porque seu
gado se tinha multiplicado na terra de Gileade.
10 E nos dias de Saul fizeram guerra aos hagarenos, que caíram pela sua mão; e
eles habitaram nas suas tendas em toda a região oriental de Gileade.
11 E os filhos de Gade habitaram defronte deles na terra de Basã, até Salca:
12 o chefe Joel, Safã o segundo, Janai e Safate em Basã,
13 e seus irmãos, segundo as suas casas paternas: Micael, Mesulão, Sebá, Jorai,
Jacã, Ziá e Eber, sete.
14 Estes foram os filhos de Abiail, filho de Huri, filho de Jaroá, filho de
Gileade, filho de Micael, filho de Jesisai, filho de Jado, filho de Buz;
15 Aí, filho de Abdiel, filho de Guni, chefe das casas paternas.
16 E habitaram em Gileade, em Basã, e nas suas aldeias, como também em todos os
arrabaldes de Sarom até os seus termos.
17 Todos estes foram registrados, segundo as suas genealogias, nos dias de
Jotão, rei de Judá, e nos dias de Jeroboão, rei de Israel.
18 Os rubenitas, os gaditas, e a meia tribo de Manassés tinham homens valentes,
que traziam escudo e espada e entesavam o arco, e que eram destros na guerra,
quarenta e quatro mil setecentos e sessenta, que saíam à peleja.
19 Fizeram guerra aos hagarenos, bem como a Jetur, a Nafis e a Nodabe,
20 e foram ajudados contra eles, de sorte que os hagarenos e todos quantos estavam
com eles foram entregues em sua mão; porque clamaram a Deus na peleja, e ele
lhes deu ouvidos, porquanto confiaram nele.
21 E levaram o gado deles: cinqüenta mil camelos, duzentos e cinqüenta mil
ovelhas e dois mil jumentos; e também cem mil homens,
22 pois muitos caíram mortos, porque de Deus era a peleja; e ficaram habitando
no lugar deles até o cativeiro.
23 Os filhos da meia tribo de Manassés habitaram naquela terra; e
multiplicaram-se desde Basã até Baal-Hermom, Senir, e o monte Hermom.
24 E estes foram os cabeças de suas casas paternas, a saber: Efer, Isi, Eliel,
Azriel, Jeremias, Hodavias e Jadiel, homens valentes, homens de nome, e chefes
das suas casas paternas.
25 Cometeram, porém, transgressões contra o Deus de seus pais, e se
prostituíram, seguindo os deuses dos povos da terra, os quais Deus destruíra de
diante deles.
26 Pelo que o Deus de Israel excitou o espírito de Pul, rei da Assíria, e o
espírito de Tilgate-Pilneser, rei da Assíria, que os levaram cativos, a saber:
os rubenitas, os gaditas, e a meia tribo de Manassés; e os transportaram para
Hala, Habor, Hara, e para o rio de Gozã, onde estão até o dia de hoje.
I
CRÔNICAS
[6]
1 Os filhos de Levi: Gérson,
Coate e Merári.
2 Os filhos de Coate: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel.
3 Os filhos de Anrão: Arão, Moisés e Miriã; e os filhos de Arão: Nadabe, Abiú,
Eleazar e Itamar.
4 Eleazar foi pai de Finéias, Finéias de Abisua,
5 Abisua de Buqui, Buqui de Uzi,
6 Uzi de Zeraías, Zeraías de Meraiote,
7 Meraiote de Amarias, Amarias de Aitube,
8 Aitube de Zadoque, Zadoque de Aimaaz,
9 Aimaaz de Azarias, Azarias de Joanã,
10 Joanã de Azarias, que exerceu o sacerdócio na casa que Salomão edificou em
Jerusalém;
11 Azarias foi pai de Amarias, Amarias de Aitube,
12 Aitube de Zadoque, Zadoque de Salum,
13 Salum de Hilquias, Hilquias de Azarias,
14 Azarias de Seraías, Seraías de Jeozadaque;
15 e Jeozadaque foi levado cativo quando o Senhor levou em cativeiro Judá e
Jerusalém por intermédio de Nabucodonozor.
16 Os filhos de Levi: Gérson, Coate e Merári.
17 Estes são os nomes dos filhos de Gérson: Líbni e Simei.
18 Os filhos de Coate: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel.
19 Os filhos de Merári: Mali e Musi. Estas são as famílias dos levitas, segundo
as casas de seus pais.
20 De Gérson: Líbni, de quem foi filho Jaate, de quem foi filho Zima,
21 de quem foi filho Joá, de quem foi filho Ido, de quem foi filho Zerá, de
quem foi filho Jeaterai:
22 Os filhos de Coate: Aminadabe, de quem foi filho Corá, de quem foi filho
Assir,
23 de quem foi filho Elcana, de quem foi filho Ebiasafe, de quem foi filho
Assir,
24 de quem foi filho Taate, de quem foi filho Uriel, de quem foi filho Uzias,
de quem foi filho Saul.
25 Os filhos de Elcana: Amasai e Aimote,
26 de quem foi filho Elcana, de quem foi filho Zofai, de quem foi filho Naate,
27 de quem foi filho Eliabe, de quem foi filho Jeroão, de quem foi filho
Elcana.
28 E os filhos de Samuel: Joel, seu primogênito, e Abias, o segundo.
29 Os filhos de Merári: Mali, de quem foi filho Líbni, de quem foi filho Simei,
de quem foi filho Uzá,
30 de quem foi filho Siméia, de quem foi filho Hagias, de quem foi filho
Asaías.
31 Estes são os que Davi constituiu sobre o serviço de canto da casa do Senhor,
depois: que a arca teve repouso.
32 Ministravam com cântico diante do tabernáculo da tenda da revelação, até que
Salomão edificou a casa do Senhor em Jerusalém; e exerciam o seu ministério
segundo a sua ordem.
33 São estes: pois, os que ali estavam com seus filhos: dos filhos dos
coatitas, Hemã, o cantor, filho de Joel, filho de Samuel,
34 filho de Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliel, filho de Toá,
35 filho de Zufe, filho de Elcana:, filho de Maate, filho de Amasai,
36 filho de Elcana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Sofonias,
37 filho de Taate, filho de Assir, filho de Ebiasafe, filho de Corá,
38 filho de Izar, filho de Coate, filho de Levi, filho de Israel.
39 E seu irmão Asafe estava à sua direita; e era Asafe filho de Berequias,
filho de Siméia,
40 filho de Micael, filho de Baaséias, filho de Malquias,
41 filho de Etni, filho de Zerá, filho de Adaías,
42 filho de Etã, filho de Zima, filho de Simei,
43 filho de Jaate, filho de Gérson, filho de Levi.
44 E à esquerda estavam seus irmãos, os filhos de Merári: Etã, filho de Quísi,
filho de Abdi, filho de Maluque,
45 filho de Hasabias, filho de Amazias, filho de Hilquias,
46 filho de Anzi, filho de Bani, filho de Semer,
47 filho de Mali, filho de Musi, filho de Merári, filho de Levi.
48 Mas Arão e seus irmãos, os levitas, foram designados para todo o serviço do
tabernáculo da casa de Deus.
49 Mas Arão e seus filhos ofereciam os sacrifícios sobre o altar do holocausto
e o incenso sobre o altar do incenso, para todo o serviço do lugar santíssimo,
e para fazer expiação a favor de Israel, conforme tudo quanto Moisés, servo de
Deus, havia ordenado:
50 Estes foram os filhos de Arão: Eleazar, de quem foi filho Finéias, de quem
foi filho Abisua,
51 de quem foi filho Buqui, de quem foi filho Uzi, de quem foi filho Zeraías,
52 de quem foi filho Meraiote, de quem foi filho Amarias, de quem foi filho
Aitube,
53 de quem foi filho Zadoque, de quem foi filho Aimaaz.
54 Ora, estas foram as suas habitações, segundo os seus acampamentos nos seus
termos, a saber: aos filhos de Arão, das famílias dos coatitas (porque lhes
caiu a primeira sorte),
55 deram-lhes Hebrom, na terra de Judá, e os campos que a rodeiam;
56 porém os campos da cidade e as suas aldeias, deram-nos a Calebe, filho de
Jefone.
57 E aos filhos de Arão deram as cidades de refúgio: Hebrom, Libna e seus
campos, Jatir, Estemoa e seus campos,
58 Hilem e seus campos, Debir e seus campos,
59 Asã e seus campos, Bete-Senues e seus campos;
60 e da tribo de Benjamim: Geba e seus campos, Alemete e seus campos, Anatote e
seus campos; todas as suas cidades, pelas suas famílias, foram treze.
61 Mas aos filhos de Coate, aos restantes da família da tribo, por sorte caíram
dez cidades da meia tribo, da metade de Manassés;
62 aos filhos de Gérsom segundo as suas famílias, cairam treze cidades das
tribos de Issacar, Aser, Naftali e Manassés, em Basã;
63 e aos filhos de Merári, segundo as suas famílias, por sorte caíram doze
cidades das tribos de Rúben Gade e Zebulom.
64 Assim os filhos de Israel deram aos levitas estas cidades e seus campos.
65 Deram-lhes por sorte, da tribo dos filhos de Judá, da tribo dos filhos de
Simeão, e da tribo dos filhos de Benjamim, estas cidades que são mencionadas
nominalmente.
66 Algumas das famílias dos filhos de Coate receberam da tribo de Efraim
cidades de seus termos.
67 Deram-lhes as cidades de refúgio: Siquém e seus campos, na região montanhosa
de Efraim, como também Gezer e seus campos.
68 Jocmeão e seus campos, Bete-Horom e seus campos,
69 Aijalom e seus campos, e Gate-Rimom e seus campos;
70 e da meia tribo de Manassés, Aner e seus campos, e Bileã e seus campos,
deram-nos aos restantes da família dos filhos de Coate.
71 Aos filhos de Gérson deram, da família da meia tribo de Manassés, Golã, em
Basã, e seus campos, e Astarote e seus campos;
72 e da tribo de Issacar: Quedes e seus campos, Daberate e seus campos,
73 Ramote e seus campos, e Aném e seus campos;
74 e da tribo de Aser: Masal e seus campos, Abdom e seus campos,
75 Hucoque e seus campos, e Reobe e seus campos;
76 e da tribo de Naftali: Quedes, em Galiléia, e seus campos, Hamom e seus
campos, e Quiriataim e seus campos.
77 Aos restantes dos filhos de Merári deram, da tribo de Zebulom, Rimono e seus
campos, Tabor e seus campos;
78 e dalém do Jordão, na altura de Jericó, ao oriente do Jordão, deram, da
tribo de Rúben Bezer, no deserto, e seus campos, Jaza e seus campos,
79 Quedemote e seus campos, e Mefaate e seus campos;
80 e da tribo de Gade, Ramote, em Gileade, e seus campos, Maanaim e seus
campos.
81 Hesbom e seus campos, e Jazer e seus campos.
I
CRÔNICAS
[7]
1 Os filhos de Issacar foram:
Tola, Pua, Jasube e Sinrom, quatro.
2 Os filhos de Tola: Uzi, Refaias, Jeriel, Jamai, lbsão e Semuel, chefes das
suas casas paternas, da linhagem de Tola, homens valentes nas suas gerações; o
seu número nos dias de Davi foi de vinte e dois mil e seiscentos.
3 Os filhos de Uzi: Izraías e mais os filhos de Izraías: Micael, Obadias, Joel
e Issijá, cinco, todos eles chefes.
4 E houve com eles, nas suas gerações, segundo as suas casas paternas, em
tropas de gente de guerra, trinta e seis mil; pois tiveram muitas mulheres e
filhos.
5 E seus irmãos, em todas as famílias de Issacar, varões valentes, todos
contados pelas suas genealogias, foram oitenta e sete mil.
6 Os filhos de Benjamim: Beiá, Bequer e Jediael, três.
7 Os filhos de Belá: Ezbom, Uzi, Uziel; Jerimote e Iri, cinco chefes de casas
paternas, homens valentes, os quais foram contados pelas suas genealogias vinte
e dois:
8 Os filhos de Bequer: Zemira, Joás, Eliézer, Elioenai, Onri, Jerimote, Abias,
Anatote e Alemete; todos estes foram filhos de Bequer.
9 E foram contados pelas suas genealogias, segundo as suas gerações, chefes das
suas casas paternas, homens valentes, vinte mil e duzentos.
10 Os filhos de Jediael: Bilã, e mais os filhos de Bilã: Jeús, Benjamim, Eúde,
Quenaaná, Zetã, Társis e Aisaar.
11 Todos estes filhos de Jediael, segundo os chefes das casas paternas, homens
valentes, foram dezessete mil e duzentos, que podiam sair no exército à peleja.
12 E também Supim, e Hupim, os filhos de Ir, com Husim, o filho de Aer.
13 Os filhos de Naftali: Jaziel, Guni, Jezer e salum, filho de Bila.
14 Os filhos de Manassés: Asriel, que teve da sua mulher; a sua concubina, a
sira, teve a Maquir, pai de Gileade;
15 e Maquir tomou mulheres para Hupim e Supim; a irmã dele se chamava Maacar.
Foi o nome do segundo Zelofeade; e Zelofeade teve filhas.
16 Maacá, mulher de Maquir, teve um filho, e chamou o seu nome Peres, e o nome
de seu irmão foi Seres; e foram seus filhos: Ulão e Raquém.
17 De Ulão foi filho Beda. Esses foram os filhos de Gileade, filho de Maquir,
filho de Manassés.
18 Sua irmã Hamolequete teve Isode, Abiezer e Maclá.
19 E foram os filhos de Semida: Aiã, Siquém, Líqui e Anião. que
20 Os filhos de Efraim: Sutela, de quem foi filho Berede, de quem foi filho
Taate, de quem foi filho Eleadá, de quem foi filho Taate,
2l de quem foi filho Zabade, de quem foi filho Sutela; e Ezer e Eleade, aos
quais os homens de Tate, naturais da terra, mataram, por terem descido para
tomar o seu gado.
22 E Efraim, seu pai, os pranteou por muitos dias, pelo que seus irmãos vieram
para o consolar.
23 Depois juntou-se com sua mulher, e concebendo ela, teve um filho, ao qual
ele deu o nome de Berias, porque as coisas iam mal na sua casa.
24 Sua filha foi Seerá, que edificou a Bete-Horom, a baixa e a alta, como
também a Uzem-Seerá.
25 Foi seu filho Refa, como também Resefe, de quem foi filho Tela, de quem foi
filho Taã,
26 de quem foi filho Ladã, de quem foi filho Amiúde, de quem foi filho Elisama,
27 de quem foi filho Num, de quem foi filho Josué:
28 Ora, as suas possessões e as suas habitações foram Betel e suas aldeias, e
ao oriente Naarã, e ao ocidente Gezer e suas aldeias, e Siquém e suas aldeias,
até Gaza e suas aldeias;
29 e da banda dos filhos de Manassés, Bete-Seã e suas aldeias, Taanaque e suas
aldeias, Megido e suas aldeias, e Dor e suas aldeias. Nesses lugares habitaram
os filhos de José, filho de Israel.
30 Os filhos de Aser: Imná, Isvá, Isvi, Berias e Sera, irmã deles:
31 Os filhos de Berias: Heber e Malquiel; este foi o pai de Birzavite.
32 Heber foi pai de Jaflete, Somer, Hotão e Suá, irmã deles.
33 Os filhos de Jaflete: Pasaque, Bimal e Asvate; esses foram os filhos de
Jaflete.
34 Os filhos de Semer: Aí, Roga, Jeubá e Arã:
35 Os filhos de seu irmão Helem: Zofa, Imna, Seles e Amal.
36 Os filhos de Zofa: Suá, Harnefer, Sual, Beri, Inra,
37 Bezer, Hode, Samá, Silsa, Itrã e Beera.
38 Os filhos de Jeter: Jefoné, Pispa e Ara.
39 Os filhos de Ula: Ará, Haniel e Rízia.
40 Todos esses foram filhos de Aser, chefes das casas paternas, homens
escolhidos e valentes, chefes dos príncipes; e o número deles, contados segundo
as suas genealogias para o serviço de guerra, foi vinte e seis mil homens.
I
CRÔNICAS
[8]
1 Benjamim foi pai de Belá,
seu primogênito, de Asbel o segundo, e de Aará o terceiro,
2 de Noá o quarto, e de Rafa o quinto.
3 Belá teve estes filhos: Adar, Gêra, Abiúde,
4 Abisua, Naamã, Aoá,
5 Gêra, Sefufã e Hurão.
6 Estes foram os filhos de Eúde, que foram os chefes das casas paternas dos
habitantes de Geba, e que foram levados cativos para Manaate;
7 Naamã, Aías e Gêra; este os transportou; foi ele pai de Uzá e Aiúde.
8 Saaraim teve filhos na terra de Moabe, depois que despedira Husim e Baara,
suas mulheres.
9 E de Hodes, sua mulher, teve Jobabe, Zíbia, Messa, Malcã,
10 Jeuz, Saquias e Mirma; esses foram seus filhos:, chefes de casas paternas:
11 De Husim teve Abitube e Elpaal.
12 Os filhos de Elpaal: Eber, Misã, Semede (este edificou Ono e Lode e suas
aldeias),
l3 Berias e Sema (estes foram chefes de casas paternas dos habitantes de
Aijalom, os quais afugentaram os habitantes de Gatel ,
14 Aiô, Sasaque e Jerimote.
15 Zebadias, Arade, Eder,
16 Micael, Ispá e Joá foram filhos de Berias;
17 Zebadias, Mesulão, Hizqui, Heber,
18 Ismerai, Izlias e Jobabe foram filhos de Elpaal;
19 Jaquim, Zicri, Zabdi,
20 Elienai, Ziletai, Eliel,
21 Adaías, Beraías e Sinrate foram filhos de Simei;
22 Ispã, Eber, Eliel,
23 Abdom, Zicri, Hanã,
24 Hananias, Elão, Antotias,
25 Ifdéias e Penuel foram filhos de Sasaque;
26 Sanserai, Searias, Atalias,
27 Jaaresias, Elias e Zicri foram filhos de Jeroão.
28 Estes foram chefes de casas paternas, segundo as suas gerações, homens
principais; e habitaram em Jerusalém.
29 E em Gibeão habitaram o pai de Gibeão, cuja mulher se chamava Maacá,
30 e seu filho primogênito Abdom, depois Zur, Quiz, Baal, Nadabe,
31 Gedor, Aiô, Zequer e Miclote.
32 Miclote foi pai de Siméia; também estes habitaram em Jerusalém defronte de
seus irmãos.
33 Ner foi pai de Quis, e Quis de Saul; Saul foi pai de Jônatas, Malquisua,
Abinadabe e Es-Baal.
34 Filho de Jônatas foi Meribe-Baal; e Meribe-Baal foi pai de Mica.
35 Os filhos de Mica foram: Pitom, Meleque, Tareá e Acaz.
36 Acaz foi pai de Jeoada; Jeoada foi pai de Alemete, Azmavete e Zinri; Zinri
foi pai de Moza;
37 Moza foi pai de Bineá, de quem foi filho Rafa, de quem foi filho Eleasá, de
quem foi filho Azel.
38 Azel teve seis filhos, cujos nomes foram: Azricão, Bocru, Ismael, Searias,
Obadias e Hanã; todos estes foram filhos de Azel.
39 Os filhos de Eseque, seu irmão: Ulão, seu primogênito, Jeús o segundo, e
Elifelete o terceiro.
40 Os filhos de Ulão foram homens heróis, valentes, e flecheiros destros; e
tiveram muitos filhos, e filhos de filhos, cento e cinqüenta. Todos estes foram
dos filhos de Benjamim.
I
CRÔNICAS
[9]
1 Todo o Israel, pois, foi
arrolado por genealogias, que estão inscritas no livro dos reis de Israel; e
Judá foi transportado para Babilônia, por causa da sua infidelidade.
2 Ora, os primeiros a se restabelecerem nas suas possessões e nas suas cidades
foram de Israel, os sacerdotes, os levitas, e os netinins.
3 E alguns dos filhos de Judá, de Benjamim, e de Efraim e Manassés, habitaram
em Jerusalém:
4 Utai, filho de Amiúde, filho de Onri, filho de Inri, filho de Bari, dos
filhos de Pérez, filho de Judá;
5 dos silonitas: Asaías o primogênito, e seus filhos;
6 dos filhos de Zerá: Jeuel e seus irmãos, seiscentos e noventa;
7 dos filhos de Benjamim: Salu, filho de Mesulão, filho de Hodavias, filho de
Hassenua;
8 Ibnéias, filho de Jeroão; Elá, filho de Uzi, filho de Mícri; Mesulão, filho
de Sefatias, filho de Reuel, filho de Ibnijas;
9 e seus irmãos, segundo as suas gerações, novecentos e cinqüenta e seis. Todos
estes homens foram chefes de casas paternas, segundo as casas de seus pais.
10 E dos sacerdotes: Jedaías, Jeoiaribe e Jaquim;
11 Azarias, filho de Hilquias, filho de Mesulão, filho de Zadoque, filho de
Meraiote. filho de Aitube, regente da casa de Deus;
12 Adaías, filho de Jeroão, filho de Pasur, filho de Malquias; Maasai, filho de
Adiel, filho de Jazera, filho de Mesulão, filho de Mesilemite, filho de Imer;
13 como também seus irmãos, chefes de suas casas paternas, mil setecentos e sessenta,
homens capacitados para o serviço a casa de Deus.
14 E dos levitas: Semaías, filho de Hassube, filho de Azricão, filho de
Hasabias, dos filhos de Merári:
15 Baquebacar, Heres, Galal, e Matanias, filho de Mica, filho de Zicri, filho
de Asafe;
16 Obadias, filho de Semaías, filho de Galal, filho de Jedútun; e Berequias,
filho de Asa, filho de Elcana, morador das aldeias dos netofatitas.
17 Foram porteiros: Salum, Acube, Talmom, Aimã, e seus irmãos, sendo Salum o
chefe;
18 e até aquele tempo estavam de guarda à porta do rei, que ficava ao oriente.
Estes foram os porteiros para os arraiais dos filhos de Levi.
19 Salum, filho de Coré, filho de Ebiasafe, filho de Corá, e seus irmãos da
casa de seu pai, os coraítas estavam encarregados do serviço como guardas das
entradas do tabernáculo, como seus pais também tinham sido encarregados do
arraial do Senhor, sendo guardas da entrada.
20 Finéias, filho de Eleazar, dantes era guia entre eles; e o Senhor era com
ele.
21 Zacarias, filho de Meselemias, guardava a porta da tenda da revelação.
22 Todos estes, escolhidos para serem guardas das entradas, foram duzentos e
doze; e foram contados por suas genealogias, nas suas aldeias. Davi e Samuel, o
vidente, os constituíram nos seus respectivos cargos.
23 Tinham, pois, eles e seus filhos o cargo das portas da casa do Senhor, a
saber, da casa da tenda, como guardas.
24 Os porteiros estavam aos quatro lados, ao oriente, ao ocidente, ao norte e
ao sul:
25 Seus irmãos, que moravam nas suas aldeias, deviam de tempo em tempo vir por
sete dias para servirem com eles.
26 pois os quatro porteiros principais, que eram levitas, estavam encarregados
das câmaras e dos tesouros da casa de Deus.
27 E se alojavam à roda da casa de Deus. Porque a sua guarda lhes estava
entregue, e tinham o encargo de abri-la cada manhã.
28 Alguns deles estavam encarregados dos utensílios do serviço, pois estes por
conta eram trazidos e por conta eram tirados.
29 Outros estavam encarregados dos móveis e de todos os utensílios do
santuário, como também da flor de farinha, do vinho, do azeite, do incenso e
das especiarias.
30 Os que confeccionavam as especiarias eram dos filhos dos sacerdotes.
31 Matitias, um dos levitas, o primogênito de Salum, o coraíta, estava
encarregado de tudo o que se cozia em sertãs.
32 E seus irmãos, dentre os filhos dos coatitas, alguns tinham o cargo dos pães
da proposição, para os prepararem de sábado em sábado.
33 Estes são os cantores, chefes de casas paternas dos levitas, que moravam nas
câmaras e estavam isentos de outros serviços, porque de dia e de noite se
ocupavam naquele serviço.
34 Estes foram chefes de casas paternas dos levitas, em suas gerações; e estes
habitaram em Jerusalém.
35 Em Gibeão habitou Jeiel, pai de Hibeão (e era o nome de sua mulher Maacá);
36 seu filho primogênito foi Abdom; depois Zur, Quis, Baal, Ner, Nadabe,
37 Gedor, Aiô, Zacarias e Miclote.
38 Miclote foi pai de Simeão; também estes habitaram em Jerusalém defronte d‰
seus irmaos.
39 Ner foi pai de Quis; Quis de Saul; e Saul de Jônatas, Malquisua, Abinadabe e
Es-Baal.
40 Filho de Jônatas foi Meribe-Baal; Meribe-Baal foi pai de Mica.
41 Os filhos de Mica: Pitom, Meleque, Tareá, e Acaz.
42 Acaz foi pai de Jará; Jará foi pai de Alemete, Azmavete e Zinri; Zinri foi
pai de Moza;
43 Moza foi pai de Bineá, de quem foi filho Refaías, de quem foi filho Eleasá,
de quem foi filho Azel.
44 Azel teve seis filhos, cujos nomes são: Azricão, Bocru, Ismael, Searias,
Obadias e Hanã; estes foram os filhos de Azel.
I
CRÔNICAS
[10]
1 Ora, os filisteus pelejaram
contra Israel; e os homens de Israel, fugindo de diante dos filisteus, caíram
mortos no monte Gilboa.
2 Os filisteus perseguiram a Saul e seus filhos, e mataram Jônatas, Abinadabe e
Malquisua, filhos de Saul.
3 A peleja se agravou contra Saul, e os flecheiros o alcançaram, e ele foi
ferido pelos flecheiros.
4 Então disse Saul: Arranca a tua espada, e atravessa-me com ela, para que que
não venham estes incircuncisos e escarneçam de mim. Mas o seu escudeiro não
quis, porque temia muito; então tomou Saul a sua espada, e se lançou sobre ela.
5 Vendo, pois, o seu escudeiro que Saul estava morto, lançou-se também sobre
sua espada, e morreu.
6 Assim morreram Saul e seus três filhos; morreu toda a sua casa juntamente.
7 Quando todos os homens de Israel que estavam no vale viram que Israel havia
fugido, e que Saul eram mortos, abandonaram as suas cidades e fugiram, e vindo
os filisteus, habitaram nelas.
8 No dia seguinte, quando os filisteus vieram para despojar os mortos acharam
Saul e seus filhos estirados no monte Gilboa.
9 Então o despojaram, tomaram a sua cabeça e as suas armas, e enviaram
mensageiros pela terra dos filisteus em redor, para levarem a boa nova a seus
ídolos e ao povo.
10 Puseram as armas dele na casa de seus deuses, e pregaram-lhe a cabeça na
casa de Dagom.
11 Quando, pois, toda a Jabes-Gileade ouviu tudo quanto os filisteus haviam
feito a Saul,
12 todos os homens valentes se levantaram e, tomando o corpo de Saul e os
corpos de seus filhos, trouxeram-nos: a Jabes; e sepultaram os seus ossos
debaixo o terebinto em Jabes, e jejuaram sete dias.
13 Assim morreu Saul por causa da sua infidelidade para com o Senhor, porque
não havia guardado a palavra do Senhor; e também porque buscou a adivinhadora
para a consultar,
14 e não buscou ao Senhor; pelo que ele o matou, e transferiu o reino a Davi,
filho de Jessé.
I
CRÔNICAS
[11]
1 Então todo o Israel se
ajuntou a Davi em Hebron, dizendo: Eis que somos teus ossos e tua carne.
2 Já dantes, quando Saul ainda era rei, eras tu o que fazias Israel sair, e
entrar; também o Senhor teu Deus te disse: Tu apascentaras o meu povo Israel;
tu seras príncipe sobre o meu povo Israel.
3 Assim vieram todos os anciãos de Israel ao rei, a Hebrom; e Davi fez com eles
um pacto em Hebrom, perante o Senhor; e ungiram a Davi rei sobre Israel,
conforme a palavra do Senhor por intermédio de Samuel.
4 Então Davi, com todo o Israel, partiu para Jerusalém , que é Jebus; e estavam
ali os jebuseus, habitantes da terra.
5 E disseram os habitantes de Jebus a Davi: Tu não entrarás aqui. Não obstante
isso, Davi tomou a fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi.
6 Davi disse: Qualquer que primeiro ferir os jebuseus será chefe e capitão. E
Joabe, filho de Zeruia, subiu primeiro, pelo que foi feito chefe.
7 Então Davi habitou na fortaleza, e por isso foi chamada cidade de Davi.
8 E edificou a cidade ao redor, desde Milo em diante; e Joabe reparou o resto
da cidade.
9 Davi tornava-se cada vez mais forte; porque o Senhor dos exércitos era com
ele.
10 São estes os chefes dos valentes de Davi, que o apoiaram fortemente no seu
reino, com todo o Israel, para o fazerem rei, conforme a palavra do Senhor, no
tocante a Israel.
11 Esta é a relação dos valentes de Davi: Jasobeão, filho dum hacmonita, o
chefe dos trinta, o qual, brandindo a sua lança contra trezentos, duma só vez os
matou.
12 Depois dele, Eleazar, filho de Dodó, o aoíta; ele estava entre os três
valentes.
13 Este esteve com Davi em Pas-Damim, quando os filisteus ali se ajuntaram à
peleja, onde havia um pedaço de campo cheio de cevada; e o povo fugia de diante
dos filisteus.
14 Mas eles se puseram no meio daquele campo, e o defenderam, e mataram os
filisteus; e o Senhor os salvou com uma grande vitória.
15 Três dos trinta chefes desceram à penha; a ter com Davi, na caverna de
Adulão; e o exército dos filisteus estara acampado no vale de Refaim.
16 Davi estava então no lugar forte, e a guarnição dos filisteus estava em
Belém.
17 E Davi, ofegante, exclamou: Quem me dera beber da água do poço de Belém, que
está junto à porta!
18 Então aqueles três romperam pelo arraial dos filisteus, tiraram água do poço
de Belém, que estava junto à porta, e a trouxeram a Davi; porém Davi não a quis
beber, mas a derramou perante o Senhor,
19 dizendo: Não permita meu Deus que eu faça isso! Beberia eu o sangue da vida
destes homens? Pois com perigo das suas vidas a trouxeram. Assim, não a quis
beber. Isso fizeram aqueles três valentes.
20 Abisai, irmão de Joabe, era o chefe dos três; o qual, brandindo a sua lança
contra trezentos, os matou, e teve nome entre os três.
21 Ele foi mais ilustre do que os outros dois, pelo que foi feito chefe deles;
todavia não igualou aos primeiros três.
22 Havia também Benaías, filho de Jeoiada, filho de um homem valente de
Cabzeel, autor de grandes feitos; este matou dois filhos de Ariel de Moabe;
depois desceu e matou um leão dentro duma cova, no tempo da neve.
23 Matou também um egípcio, homem de grande altura, de cinco côvados. O egípcio
tinha na mão uma lança como o órgão de tecelão; mas Benaías desceu contra ele
com um cajado, arrancou-lhe da mão a lança e com ela o matou.
24 Estas coisas fez Benaías, filho de Jeoiada, pelo que teve nome entre os três
valentes.
25 e o mais ilustre, contudo não igualou aos primeiros três; e Davi o pôs sobre
os da sua guarda.
26 Os valentes dos exércitos: Asael, irmão de Joabe; El-Hanã, filho de Dodó, de
Belém;
27 Samote, o harorita; Helez, o pelonita;
28 Ira, filho de Iques, o tecoíta; Abiezer, o anatotita;
29 Sibecai, o husatita; Ilai, o aoíta;
30 Maarai, o netofatita; Helede, filho de Baaná, o netofatita;
31 Itai, filho de Ribai, de Gibeá, dos filhos de Benjamim; Benaías, o
piratonita;
32 Hurai, dos ribeiros de Gaás; Abiel, o arbatita;
33 Azmavete, o baarumita; Eliabá, o saalbonita;
34 dos filhos de Hasem, o gizonita: Jônatas, filho de Sage, o hararita;
35 Aião, filho de Sacar, o hararita; Elifal, filho de Ur.
36 Hefer, o mequeratita; Aías, o pelonita;
37 Hezro, o carmelita; , Naarai, filho de Ebzai;
38 Joel, irmão de Natã; Mibar, filho de Harri;
39 Zeleque, o amonita; Naarai, o berotita, escudeiro de Joabe, filho de Zeniia;
40 Ira, o itrita; Garebe, o itrita;
41 Urias, o heteu; Zabade, filho de Alai;
42 Adina, filho de Siza, o rubenita, chefe dos rubenitas, e com ele trinta;
43 Hanã, filho de Maacá; Jeosafá, o mitnita;
44 Uzias, o asteratita; Sama e Jeiel, filhos de Hotão, o aroerita;
45 Jediael, filho de Sínri, e Joá, seu irmão, o tizita;
46 Eliel, o maavita; Jeribai e Josavias, filhos de Elnaão; Itma, o moabita;
47 Eliel, Obede e Jaasiel, o mezobaíta
I
CRÔNICAS
[12]
1 Ora, estes são os que
vieram a Davi a Ziclague, estando ele ainda tolhido nos seus movimentos por
causa de Saul, filho de Quis; e eram dos valentes que o ajudaram na guerra.
2 Eram archeiros, e usavam tanto da mão direita como da esquerda em atirar
pedras com fundas e em disparar flechas com o arco; eram dos irmãos de Saul,
benjamitas.
3 Aizer, o chefe, e Joás, filhos de Semaá, o gibeatita; Jeziel e Pelete, filhos
de Azmavete; Beraca e Jeú, o anatotita;
4 Ismaías, o gibeonita, valente entre os trinta, e chefe deles; Jeremias,
Jaaziel, Joanã e Jozabade, o gederatita;
5 Eluzai, Jerimote, Bealias, Semarias e Sefatias, o harufita;
6 Elcana, Issias, Azarel, Joezer e Jasobeão, os coraítas;
7 e Joela e Zebadias, filhos de Jeroão de Ged or.
8 Dos gaditas se passaram para Davi, ao lugar forte no deserto, homens valentes
adestrados para a guerra, que sabiam manejar escudo e lança; seus rostos eram
como rostos de leões, e eles eram tão ligeiros como corças sobre os montes.
9 Ezer era o chefe, Obadias o segundo, Eliabe o terceiro,
10 Mismana o quarto, Jeremias o quinto,
11 Atai o sexto, Eliel o sétimo,
12 Joanã o oitavo, Elzabade o nono,
13 Jeremias o décimo, Macbanai o undécimo.
14 Estes, dos filhos de Gade, foram os chefes do exército; o menor valia por
cem, e o maior por mil.
15 Estes são os que passaram o Jordão no mês primeiro, quando ele transbordava
por todas as suas ribanceiras, e puseram em fuga todos os dois vales ao oriente
e ao ocidente.
16 Igualmente alguns dos filhos de Benjamim e de Judá vieram a Davi, ao lugar
forte.
17 Davi saiu-lhes ao encontro e lhes disse: Se viestes a mim pacificamente para
me ajudar, o meu coração se unirá convosco; porém se é para me entregar aos
meus inimigos, sem que haja mal nas minhas mãos, o Deus de nossos pais o veja e
o repreenda.
18 Então veio o espírito sobre Amasai, chefe dos trinta, que disse: Nós somos
teus, ó Davi, e contigo estamos, ó filho de Jessé! Paz, paz contigo, e paz com
quem te ajuda! pois que teu Deus te ajuda. E Davi os recebeu, e os fez chefes
de tropas.
19 Também de Manassés alguns se passaram para Davi; foi quando ele veio com os
filisteus para a batalha contra Saul; todavia não os ajudou, pois os chefes dos
filisteus tendo feito conselho, o despediram, dizendo: Com perigo de nossas
cabeças ele se passará para Saul, seu senhor:
20 Voltando ele, pois, a Ziclague, passaram-se para ele, de Manassés: Adná,
Jozabade, Jediael, Micael, Jozabade, Eliú e Ziletai, chefes de milhares dos de
Manassés.
21 E estes ajudaram a Davi contra a tropa de saqueadores, pois todos eles eram
heróis valentes, e foram chefes no exército.
22 De dia em dia concorriam a Davi para o ajudar, até que se fez um grande
exército, como o exército de Deus.
23 Ora, estes são os números dos chefes armados para a peleja, que vieram a
Davi em Hebrom, para transferir a ele o reino de Saul, conforme a palavra do Senhor:
24 dos filhos de Judá, que traziam escudo e lança, seis mil e oitocentos,
armados para a peleja;
25 dos filhos de Simeão, homens valentes para pelejar, sete mil e cem;
26 dos filhos de Levi quatro mil e seiscentos;
27 Jeoiada, que era o chefe da casa de Arão, e com ele três mil e setecentos;
28 e Zadoque, ainda jovem, homem valente, com vinte e dois príncipes da casa de
seu pai;
29 dos filhos de Benjamim, irmãos de Saul, três mil, porque até então a maior
parte deles se tinha conservado fiel à casa de Saul;
30 dos filhos de Efraim vinte mil e oitocentos homens valentes, homens de nome
nas casas de seus pais;
31 da meia tribo de Manassés dezoito mil, que foram designados por nome para
virem fazer Davi rei;
32 dos filhos de Issacar, duzentos de seus chefes, entendidos na ciência dos
tempos para saberem o que Israel devia fazer, e todos os seus irmãos sob suas
ordens;
33 de Zebulom, dos que podiam sair no exército, cinqüenta mil, ordenados para a
peleja com todas as armas de guerra, como também destros para ordenarem a
batalha, e não eram de coração dobre;
34 de Naftali, mil chefes, e com eles trinta e sete mil com escudo e lança;
35 dos danitas vinte e oito mil e seiscentos, destros para ordenarem a batalha;
36 de Aser, dos que podiam sair no exército e ordenar a batalha, quarenta mil;
37 da outra banda do Jordão, dos rubenitas e gaditas, e da meia tribo de
Manassés, com toda sorte de instrumentos de guerra para pelejar, cento e vinte
mil.
38 Todos estes, homens de guerra, que sabiam ordenar a batalha, vieram a Hebrom
com inteireza de coração, para constituir Davi rei sobre todo o Israel; e
também todo o resto de Israel estava de um só coração para constituir Davi rei.
39 E estiveram ali com Davi três dias, comendo e bebendo, pois seus irmãos lhes
tinham preparado as provisões.
40 Também da vizinhança, e mesmo desde Issacar, Zebulom e Naftali, trouxeram
sobre jumentos, e camelos, e mulos e bois, pão, provisões de farinha, pastas de
figos e cachos de passas, vinho e azeite, bois e gado miúdo em abundância; porque
havia alegria em Israel.
I
CRÔNICAS
[13]
1 Ora, Davi consultou os
chefes dos milhares, e das centenas, a saber, todos os oficiais.
2 E disse Davi a toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e se isto vem
do Senhor nosso Deus, enviemos mensageiros por toda parte aos nossos outros
irmãos que estão em todas as terras de Israel, e com eles aos sacerdotes e
levitas nas suas cidades, e nos seus campos, para que se reunam conosco,
3 e tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus; porque não a buscamos nos
dias de Saul.
4 E toda a congregação concordou em que assim se fizesse; porque isso pareceu
reto aos olhos de todo o povo.
5 Convocou, pois, Davi todo o Israel desde Sior, o ribeiro do Egito, até a
entrada de Hamate, para trazer de Quiriate-Jearim a arca de Deus.
6 E Davi, com todo o Israel, subiu a Baalá, isto é, a Quiriate-Jearim, que está
em Judá, para fazer subir dali a arca de Deus, a qual se chama pelo nome do
Senhor, que habita entre os querubins.
7 Levaram a arca de Deus sobre um carro novo, tirando-a da casa de Abinadabe; e
Uzá e Aiô guiavam o carro.
8 Davi e todo o Israel alegravam-se perante Deus com todas as suas forças,
cantando e tocando harpas, alaúdes, tamboris, címbalos e trombetas.
9 Quando chegaram a eira de Quidom, Uzá estendeu a mão para segurar a arca,
porque os bois tropeçavam.
10 Então se acendeu a ira do Senhor contra Uzá, e o Senhor o feriu por ter
estendido a mão à arca; e ele morreu ali perante Deus.
11 E Davi se encheu de desgosto porque o Senhor havia irrompido contra Uzá;
pelo que chamou aquele lugar Pérez-Uzá, como se chama até o dia de hoje.
12 Temeu Davi a Deus naquele dia, e disse: Como trarei a mim a arca de Deus?
13 Pelo que não trouxe a arca a si para a cidade de Davi, porém a fez retirar
para a casa de Obede-Edom, o giteu.
14 Assim ficou a arca de Deus com a família de Obede-Edom, três meses em sua
casa; e o Senhor abençoou a casa de Obede-Edom, e tudo o que lhe pertencia.
I
CRÔNICAS
[14]
1 Hirão, rei de Tiro, mandou
mensageiros a Davi, e madeira de cedro, pedreiros e carpinteiros para lhe
edificarem uma casa.
2 Então percebeu Davi que o Senhor o tinha confirmado rei sobre Israel; porque
o seu reino tinha sido muito exaltado por amor do seu povo Israel.
3 Davi tomou em Jerusalém ainda outras mulheres, e teve ainda filhos e filhas.
4 Estes, pois, são os nomes dos filhos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua,
Sobabe, Natã, Salomão,
5 Ibar, Elisua, Elpelete,
6 Nogá, Nefegue, Jafia,
7 Elisama, Beeliada e Elifelete.
8 Quando os filisteus ouviram que Davi havia sido ungido rei sobre todo o
Israel, subiram todos em busca dele; o que ouvindo Davi, logo saiu contra eles.
9 Ora, os filisteus tinham vindo e feito uma arremetida pelo vale de Refaim.
10 Então Davi consultou a Deus, dizendo: Subirei contra os filisteus, e nas
minhas mãos os entregarás?: E o Senhor lhe disse: Sobe, porque os entregarei
nas tuas mãos.
11 E subiram os filisteus a Baal-Perazim, onde Davi os derrotou; e disse Davi:
por minha mão Deus fez uma brecha nos meus inimigos, como uma brecha feita
pelas águas. Pelo que chamaram aquele lugar Baal-Perazim:
12 E deixaram ali os seus deuses, que, por ordem de Davi, foram queimados a
fogo.
13 Mas os filisteus tornaram a fazer uma arremetida pelo vale.
14 Tornou Davi a consultar a Deus, que lhe respondeu: Não subirás atrás deles;
mas rodeia-os por detrás e vem sobre eles por defronte dos balsameiros;
15 e será que, ouvindo tu um ruído de marcha pelas copas dos balsameiros,
sairás à peleja; porque Deus terá saído diante de ti para ferir o exército dos
filisteus.
16 E fez Davi como Deus lhe ordenara; e desbarataram o exército dos filisteus
desde Gibeão até Gezer:
17 Assim a fama de Davi se espalhou por todas aquelas terras, e o Senhor pôs o
temor dele sobre todas aquelas gentes.
I
CRÔNICAS
[15]
1 Davi fez para si casas na
cidade de Davi; também preparou um lugar para a arca de Deus, e armou-lhe uma
tenda:
2 Então disse Davi: Ninguém deve levar a arca de Deus, senão os levitas; porque
o Senhor os elegeu para levarem a arca de Deus, e para o servirem para sempre.
3 Convocou, pois, Davi todo o Israel a Jerusalém, para fazer subir a arca do
Senhor ao seu lugar, que lhe tinha preparado.
4 E reuniu os filhos de Arão e os levitas.
5 dos filhos de Coate, Uriel, o chefe, e de seus irmãos cento e vinte;
6 dos filhos de Merári, Asaías, o chefe, e de seus irmãos duzentos e vinte;
7 dos filhos de Gérson Joel, o chefe, e de seus irmãos cento e trinta;
8 dos filhos de Elizafã, Semaías, o chefe, e de seus irmãos duzentos;
9 dos filhos de Hebrom, Eliel, o chefe, e de seus irmãos oitenta;
10 dos filhos de Uziel, Aminadabe, o chefe, e de seus irmãos cento e doze.
11 Então chamou Davi os sacerdotes Zadoque e Abiatar, e os levitas Uriel,
Asaías, Joel, Semaías, Eliel e Aminadabe,
12 e disse-lhes: Vós sois os chefes das casas paternas entre os levitas;
santificai-vos, vós e vossos irmãos, para que façais subir a arca do Senhor
Deus de Israel ao lugar que lhe preparei.
13 Porquanto da primeira vez vós não a levastes, o Senhor fez uma brecha em
nós, porque não o buscamos segundo a ordenança:
14 Santificaram-se, pois, os sacerdotes e os levitas para fazerem subir a arca
do Senhor Deus de Israel.
15 E os levitas trouxeram a arca de Deus sobre os seus ombros, pelos varais que
nela havia, como Moisés tinha ordenado, conforme a palavra do Senhor.
16 E Davi ordenou aos chefes dos levitas que designassem alguns de seus irmãos
como cantores, para tocarem com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e
címbalos, e levantarem a voz com alegria.
17 Designaram, pois, os levitas a Hemã, filho de Joel; e dos seus irmãos, a
Asafe, filho de Berequias; e dos filhos de Merári, seus irmãos, a Etã, filho de
Cusaías;
18 e com eles a seus irmãos da segunda ordem: Zacarias, Bene, Jaaziel,
Semiramote, Jeiel, Uni, Eliabe, Benaías, Maaséias, Matitias, Elifeleu e
Micnéias, e Obede-Edom e Jeiel, os porteiros.
19 Assim os cantores Hemã, Asafe e Etã se faziam ouvir com címbalos de bronze;
20 e Zacarias, Aziel, Semiramote, Jeiel, Uni, Eliabe, Maaséias e Benaías, com
alaúdes adaptados ao soprano;
21 e Matitias, Elifeleu, Micnéias, Obede-Edom, Jeiel e Azazias, com harpas
adaptadas ao baixo, para dirigirem;
22 e Quenanias, chefe dos levitas, estava encarregado dos cânticos e os
dirigia, porque era entendido;
23 e Berequias e Elcana eram porteiros da arca;
24 e Sebanias, Jeosafá, Netanel, Amasai, Zacarias, Benaías e Eliézer, os
sacerdotes, tocavam as trombetas perante a arca de Deus; e Obede-Edom e Jeías
eram porteiros da arca.
25 Sucedeu pois que Davi, os anciãos de Israel, os capitães dos milhares foram,
com alegria, para fazer subir a arca do pacto do Senhor, da casa de Obede-Edem.
26 E sucedeu que, havendo Deus ajudado os levitas que levavam a arca do pacto
dó Senhor, sacrificaram sete novilhos e sete carneiros.
27 Davi ia vestido de um manto de linho fino, como também todos os levitas que
levavam a arca, e os cantores, e juntamente com eles Quenanias, diretor do
canto; Davi levava também sobre si um éfode de linho.
28 Assim todo o Israel fez subir a arca do pacto do Senhor com vozes de júbilo,
ao som de buzinas, trombetas e címbalos, juntamente com alaúdes e harpas.
29 E sucedeu que, chegando a arca do pacto do Senhor à cidade de Davi, Mical, a
filha de Saul, olhou duma janela e, vendo Davi dançar e saltar, desprezou-o no
seu coração.
I
CRÔNICAS
[16]
1 Trouxeram, pois, a arca de
Deus e a colocaram no meio da tenda que Davi lhe tinha armado; e ofereceram
holocaustos e sacrifícios pacíficos perante Deus.
2 Tendo Davi acabado de oferecer os holocaustos e sacrifícios pacíficos,
abençoou o povo em nome do Senhor.
3 Então repartiu a todos em Israel, tanto a homens como a mulheres, a cada um,
um pão, um pedaço de carne e um bolo de passas.
4 Também designou alguns dos levitas por ministros perante a arca do Senhor,
para celebrarem, e para agradecerem e louvarem ao Senhor Deus de Israel, a
saber:
5 Asafe, o chefe, e Zacarias, o segundo depois dele; Jeiel, Semiramote, Jeiel,
Matitias, Eliabe, Benaías, Obede-Edom e Jeiel, com alaúdes e com harpas; e
Asafe se fazia ouvir com címbalos;
6 e Benaías e Jaaziel, os sacerdotes, tocavam trombetas continuamente perante a
arca do pacto de Deus.
7 Foi nesse mesmo dia que Davi, pela primeira vez, ordenou que pelo ministério
de Asafe e de seus irmãos se dessem ações de graças ao Senhor, nestes termos:
8 Louvai ao Senhor, invocai o seu nome; fazei conhecidos entre os povos os seus
feitos.
9 Cantai-lhe, salmodiai-lhe, falai de todas as suas obras maravilhosas.
10 Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam ao Senhor.
11 Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente.
12 Lembrai-vos das obras maravilhosas que ele tem feito, dos seus prodígios, e
dos juízos da sua boca,
13 vós, descendência de Israel, seus servos, vós, filhos de Jacó, seus eleitos.
14 Ele é o Senhor nosso Deus; em toda a terra estão os seus juízos.
15 Lembrai-vos perpetuamente do seu pacto, da palavra que prescreveu para mil
geraçoes;
16 do pacto que fez com Abraão, do seu juramento a Isaque,
17 o qual também a Jacó confirmou por estatuto, e a Israel por pacto eterno,
18 dizendo: A ti te darei a terra de Canaã, quinhão da vossa herança.
19 Quando eram poucos em número, sim, mui poucos, e estrangeiros na terra,
20 andando de nação em nação, e dum reino para outro povo,
21 a ninguém permitiu que os oprimisse, e por amor deles repreendeu reis,
22 dizendo: Não toqueis os meus ungidos, e não façais mal aos meus profetas.
23 Cantai ao Senhor em toda a terra; proclamai de dia em dia a sua salvação.
24 Publicai entre as nações a sua gloria, entre todos os povos as suas
maravilhas.
25 Porque grande é o Senhor, e mui digno de louvor; também é mais temível do
que todos os deuses.
26 Pois todos os deuses dos povos são ídolos, porém o Senhor fez os céus.
27 Diante dele há honra e majestade; há força e alegria no seu lugar.
28 Tributai ao Senhor, ó famílias dos povos, tributai ao Senhor glória e força.
29 Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; trazei presentes, e vinde
perante ele; adorai ao Senhor vestidos de trajes santos.
30 Trema diante dele toda a terra; o mundo se acha firmado, de modo que se não
pode abalar.
31 Alegre-se o céu, e regozije-se a terra; e diga-se entre as nações: O Senhor
reina.
32 Brama o mar e a sua plenitude; exulte o campo e tudo o que nele há;
33 então jubilarão as árvores dos bosques perante o Senhor, porquanto vem
julgar a terra.
34 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para
sempre.
35 E dizei: Salva-nos, ó Deus da nossa salvação, e ajunta-nos, e livra-nos das
nações, para que demos graças ao teu santo nome, e exultemos no teu louvor.
36 Bendito seja o Senhor Deus de Israel, de eternidade a eternidade. Então todo
o povo disse: Amém! e louvou ao Senhor.
37 Davi, pois, deixou ali, diante da arca do pacto do Senhor, Asafe e seus
irmãos, para ministrarem continuamente perante a arca, segundo a exigência de
cada dia.
38 Também deixou Obeede-Edom , com seus irmãos, sessenta e oito; Obede-Edomsa
filho de Jedútum e Hosa, para serem porteiros;
39 e deixou Zadoque, o sacerdote, e seus irmãos, os sacerdotes, diante do
tabernáculo do Senhor, no alto que havia em Gibeao,
40 para oferecerem holocaustos ao Senhor continuamente, pela manhã e à tarde,
sobre o altar dos holocaustos; e isto segundo tudo o que está escrito na lei
que o Senhor tinha ordenado a Israel;
41 e com eles Hemã, e Jedútum e os demais escolhidos, que tinham sido
nominalmente designados, para darem graças ao Senhor, porque a sua benignidade
dura para sempre.
42 Estavam Hemã e Jedútun encarregados das trombetas e dos címbalos para os que
os haviam de tocar, e dos outros instrumentos para os cânticos de Deus; e os
filhos de Jedútun estavam à porta.
43 Então todo o povo se retirou, cada um para a sua casa; e Davi voltou para
abençoar a sua casa.
I
CRÔNICAS
[17]
1 Tendo Davi começado a morar
em sua casa, disse ao profeta Natã: Eis que eu moro numa casa de cedro, mas a
arca do pacto do Senhor está debaixo de cortinas.
2 Então Natã disse a Davi: Tudo quanto tens no teu coração faze, porque Deus é
contigo.
3 Mas sucedeu, na mesma noite, que a palavra de Deus veio à Natã, dizendo:
4 Vai e dize a Davi, meu servo: Assim diz o Senhor: Tu não me edificarás casa
para eu habitar;
5 porque em nenhuma casa morei, desde o dia em que fiz subir Israel até o dia e
hoje, mas fui de tenda em tenda, e de tabernáculo em tabernáculo.
6 Por todas as partes por onde tenho andado com todo o Israel, porventura falei
eu jamais uma palavra a algum dos juízes de Israel, a quem ordenei que
apascentasse o meu povo, dizendo: Por que não me tendes edificado uma casa de
cedro?
7 Agora, pois, assim dirás a meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos exércitos:
Eu te tirei do curral, de detrás das ovelhas, para que fosses chefe do meu povo
Israel;
8 e estive contigo por onde quer que andavas, e de diante de ti exterminei
todos os teus inimigos; também te farei um nome como o nome dos grandes que
estão na terra.
9 Designarei um lugar para o meu povo Israel, e o plantarei, para que ele
habite no seu lugar, e nunca mais seja perturbado; e nunca mais debilitarão os
filhos da perversidade, como dantes,
10 e como desde os dias em que ordenei juízes sobre o meu povo Israel; e
subjugarei todos os teus inimigos. Também te declaro que o Senhor te edificará
uma casa.
11 Quando forem cumpridos os teus dias, para ires a teus pais, levantarei a tua
descendência depois de ti, um dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino.
12 Esse me edificará casa, e eu firmarei o seu trono para sempre.
13 Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e a minha misericórdia não
retirarei dele, como a retirei daquele que foi antes de ti;
14 mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e para sempre o
seu trono será firme.
15 Conforme todas estas palavras, e conforme toda esta visão, assim falou Natã
a Davi.
16 Então entrou o rei Davi, sentou-se perante o Senhor, e disse: Quem sou eu, ó
Senhor Deus, e que é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?,
17 E isto foi pouco aos teus olhos, O Deus; também falaste da casa do teu servo
para tempos distantes, e me consideras como a um homem ilustre, ó Senhor Deus.
18 Que mais te dirá Davi, acerca da honra feita ao teu servo? pois tu bem
conheces o teu servo.
19 O Senhor! por amor do teu servo, e segundo o teu coração, fizeste todas
estas grandezas, tornando conhecidas todas estas grandes coisas.
20 O Senhor, ninguém há semelhante a ti, e não há Deus fora de ti, segundo tudo
quanto ouvimos com os nossos ouvi os.
21 Também quem há como o teu povo Israel, única gente na terra a quem Deus foi
remir para ser seu povo, fazendo-te nome por meio de feitos grandes e
terríveis, expulsando as nações de diante do teu povo, que remiste do Egito?
22 Pois fizeste o teu povo Israel povo teu para sempre; e tu, Senhor, te
fizeste seu Deus.
23 Agora, ó Senhor, seja confirmada para sempre a palavra que falaste acerca da
teu servo, e acerca da sua casa, e faze como falaste.
24 E seja o teu nome estabelecido e glorificado para sempre, e diga-se: O
Senhor dos exércitos é o Deus de Israel, sim, é Deus para Israel; permaneça
firme diante de ti a casa de Davi, teu servo.
25 Porque tu, Deus meu, revelaste ao teu servo que lhe edificarias casa; pelo
que o teu servo achou confiança para orar em tua presença.
26 Agora, pois, ó Senhor, tu és Deus, e falaste este bem acerca do teu servo.
27 E agora foste servido abençoar a casa do teu servo, para que permaneça para
sempre diante de ti; porque tu, Senhor, a abençoaste, ficará abençoada para
sempre.
I
CRÔNICAS
[18]
1 Depois disto Davi derrotou
os filisteus, e os subjugou e tomou das mãos deles Gate e as suas aldeias.
2 Também derrotou os moabitas, e estes lhe ficaram sujeitos, pagando-lhe
tributos.
3 Davi derrotou também Hadadézer, rei de Zobá, junto a Hamate, quando foi
estabelecer o seu domínio junto ao rio Eufrates.
4 E Davi lhe tomou mil carros, sete mil cavaleiros e vinte mil homens de
infantaria; e jarretou todos os cavalos dos carros; porém reservou deles para
cem carros.
5 E quando os sírios de Damasco vieram para ajudar a Hadadézer, rei de Zobá,
Davi matou deles vinte e dois mil homens.
6 Então Davi pôs guarnições entre os sírios de Damasco, e os sirios lhe ficaram
sujeitos, pagando-lhe tributos; e o Senhor dava vitória a Davi, por onde quer
que ia.
7 Davi tomou os escudos de ouro que tinham sido dos servos de Hadadézer, e os
trouxe a Jerusalém.
8 Também de Tibate, e de Cum, cidades de Hadadézer, Davi tomou muitíssimo
bronze, de que Salomão fez o mar de bronze, as colunas, e os utensílios de
bronze.
9 Ora, quando Toú, rei de Hamate, ouviu que Davi destruíra todo o exército de
Hadadézer, rei de Zobá,
10 mandou seu filho Hadorão ao rei Davi, para o saudar, e para o felicitar por
haver pelejado contra Hadadézer e por tê-lo destruído (porque Hadadézer fazia
guerra a Toú). Enviou-lhe também toda sorte de utensílios de ouro, de prata e
de bronze. l
11 A estes também o rei Davi consagrou ao Senhor, juntamente com a prata e o
ouro que trouxera de todas as nações dos edomeus, dos moabitas, dos amonitas,
dos filisteus e dos amalequitas.
12 Além disso Abisai, filho de Zeruia, matou dezoito mil edomeus no Vale do
Sal.
13 E pôs guarnições em Edom, e todos os edomeus ficaram sujeitos a Davi; e o
Senhor dava vitória a Davi, por onde quer que ia.
14 Dari, pois, reinou sobre todo o Israel; e julgava, e fazia justiça a todo o
seu povo.
15 Joabe, filho de Zeruia, tinha o cargo do exército; Jeosafá, filho de Ailude,
era cronista;
16 Zadoque, filho de Aiuube, e Abimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes;
Sarsa era escrivão;
17 Benaías, filho de Jeoiada, tinha o cargo dos quereteus e peleteus; e os
filhos de Davi eram os primeiros junto ao rei.
I
CRÔNICAS
[19]
1 Aconteceu, depois disto,
que Naás, rei dos amonitas, morreu; e seu filho reinou em seu lugar.
2 Então disse Davi: usarei de benevolência para com Hanum, filho de Naás,
porque seu pai usou de benevolência para comigo. Pelo que Davi enviou
mensageiros para o consolarem acerca de seu pai. Mas quando os servos de Davi
chegaram à terra dos amonitas, a Hanum, para o consolarem,
3 disseram os príncipes dos amonitas a Hanum: Pensas que Davi quer honrar a teu
pai, porque te mandou consoladores? Não vieram ter contigo os seus servos a
esquadrinhar, a transtornar e a espiar a terra?
4 Pelo que Hanum tomou os servos de Davi, raspou-lhes a barba, e lhes cortou as
vestes pelo meio até o alto das coxas, e os despediu.
5 Então foram alguns e avisaram a Davi acerca desses homens; pelo que ele
mandou mensageiros ao seu encontro, pois estavam sobremaneira envergonhados.
Disse o rei: Ficai em Jericó até que vos torne a crescer a barba, e então
voltai.
6 Vendo os amonitas que se tinham feito odiosos para com Davi, Hanum e os
amonitas enviaram mil talentos de prata, para alugarem para si carros e
cavaleiros de Mesopotâmia, de Arã-Maacá e de Zobá.
7 E alugaram para si trinta e dois mil carros e o rei de Maacá com a sua gente,
os quais vieram e se acamparam diante de Medeba; também os amonitas se
ajuntaram das suas cidades e vieram para a guerra.
8 Davi, quando soube disto, enviou Joabe e todo o exército de homens valentes.
9 Os amonitas saíram e ordenaram a batalha à porta da cidade; porém os reis que
tinham vindo se puseram à parte no campo.
10 Ora, quando Joabe viu que a batalha estava ordenada contra ele pela frente e
pela retaguarda, escolheu os melhores dentre os homens de Israel, e os pôs em
ordem contra os sirios;
11 e o resto do povo entregou na mão de Abisai, seu irmão; e eles se puseram em
ordem de batalha contra os amonitas.
12 E disse Joabe: Se os sírios forem mais fortes do que eu, tu virás
socorrer-me; e, se os amonitas forem mais fortes do que tu, então eu te
socorrerei a ti.
13 Esforça-te, e pelejemos varonilmente pelo nosso povo e pelas cidades do
nosso Deus; e faça o Senhor o que bem lhe parecer.
14 Então se chegou Joabe, e o povo que estava com ele, diante dos sírios, para
a batalha; e estes fugiram de diante dele.
15 Vendo, pois, os amonitas que os sírios tinham fugido, fugiram eles também de
diante de Abisai, irmão de Joabe, e entraram na cidade. Então Joabe voltou para
Jerusalém.
16 Ora, vendo-se os sírios derrotados diante de Israel, enviaram mensageiros, e
fizeram sair os sírios que habitavam além do rio; e tinham por comandante
Sofaque, chefe do exército de Hadadézer.
17 Avisado disto, Davi ajuntou todo o Israel, passou o Jordão e, indo ao
encontro deles, ordenou contra eles a batalha. Tendo Davi ordenado a batalha
contra os sírios, pelejaram estes contra ele.
18 Mas os sírios fugiram de diante de Israel; e Davi matou deles os homens de
sete mil carros, e quarenta mil homens da infantaria; matou também Sofaque,
chefe do exército.
19 Vendo, pois, os servos de Hadadézer que tinham sido derrotados diante de
Israel, fizeram paz cem Davi, e e serviram; e os sírios nunca mais quiseram
socorrer os amonitas.
I
CRÔNICAS
[20]
1 Aconteceu pois que, na
primavera, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, Joabe levou a
flor do exército, e devastou a terra dos amonitas, e foi, e pôs cerco a Rabá;
porém Davi ficou em Jerusalém. E Joabe bateu Rabá, e a destruiu.
2 Tirando Davi a coroa da cabeça do rei deles, achou nela o peso dum talento de
ouro, e havia nela pedras preciosas; e foi posta sobre a cabeça de Davi. E ele
levou da cidade mui grande despojo.
3 Também fez sair o povo que estava nela e o fez trabalhar com serras, com
trilhos de ferro e com machado, e assim fez Davi a todas as cidades dos
amonitas. Então voltou Davi, com todo o povo, para Jerusalém.
4 Depois disso levantou-se guerra em Gezer com os filisteus; então Sibecai, o
husatita, matou Sipai, dos filhos do gigante; e eles ficaram subjugados.
5 Tornou a haver guerra com os filisteus; e El-Hanã, filho de Jair, matou Lami,
irmão de Golias, o giteu, cuja lança tinha a haste como órgão de tecelão,
6 Houve ainda outra guerra em Gate, onde havia um homem de grande estatura, que
tinha vinte e quatro dedos, seis em cada mão e seis em cada pé, e que também
era filho do gigante.
7 Tendo ele insultado a Israel, Jônatas, filho de Siméia, irmão de Davi, o
matou.
8 Esses nasceram ao gigante em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão dos
seus servos.
I
CRÔNICAS
[21]
1 Então Satanás se levantou
contra Israel, e incitou Davi a numerar Israel.
2 E disse Davi a Joabe e aos príncipes de povo: Ide, cantai a Israel desde
Berseba até Dã; e trazei-me a conta, para que eu saiba o número deles.
3 Então disse Joabe: O Senhor acrescente ao seu povo cem vezes tanto como ele
é! Porventura, é rei meu senhor, não são teus os servos de meu senhor? Por que
requer isto e meu senhor. Por que traria ele culpa sobre Israel?
4 Todavia a palavra de rei prevaleceu contra Joabe. Pelo que saiu Joabe, e
passou por todo o Israel; depois voltou para Jerusulém.
5 E Joabe deu a Davi o resultado da numeração do povo. E era todo o Israel um
milhão e cem mil homens que arrancavam da espada; e de Judá quatrocentos e
setenta mil homens que arrancavam da espada.
6 Mas entre eles Joabe não contou os de Levi e Benjamim, porque a palavra do
rei lhe foi abominável.
7 E este negócio desagradou a Deus, pelo que feriu Israel.
8 Então disse Davi a Deus: Gravemente pequei em fazer tal coisa; agora porém,
peço-te, tira a iniqüidade de teu servo, porque procedi mui loucamente.
9 Falou o Senhor a Gade, o vidente de Davi, dizendo:
10 Vai, e dize a Davi: Assim diz o Senhor: Três coisas te proponho; escolhe uma
delas, para que eu ta faça.
11 E Gade veio a Davi, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Escolhe o que quiseres:
12 ou três anos de fome; ou seres por três meses consumido diante de teus
adversários, enquanto a espada de teus inimigos te alcance; ou que por três
dias a espada do Senhor, isto é, a peste na terra, e o anjo do Senhor façam
destruição por todos os termos de Israel. Vê, pois, agora que resposta hei de
levar a quem me enviou.
13 Então disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; caia eu, pois, nas mãos
do Senhor, porque mui grandes são as suas misericórdias; mas que eu não caia
nas mãos dos homens.
14 Mandou, pois, o Senhor a peste a Israel; e caíram de Israel setenta mil
homens.
15 E Deus mandou um anjo a Jerusalém para a destruir; e, estando ele prestes a
destrui-la, o Senhor olhou e se arrependeu daquele mal, e disse ao anjo
destruidor: Basta; agora retira a tua mão. E o anjo do Senhor estava junto à
eira de Ornã, o jebuseu.
16 E Davi, levantando os olhos, viu o anjo do Senhor, que estava entre a terra
e o céu, tendo na mão uma espada desembainhada estendida sobre Jerusalém. Então
Davi e os anciãos, cobertos de sacos, se prostraram sobre os seus rostos.
17 E dissemorreram Saul e seus três filhos; morreu toda a sua o povo? E eu
mesmo sou o que pequei, e procedi muito mal; mas estas ovelhas, que fizeram?
Seja tua mão, Senhor Deus meu, contra mim e contra a casa de meu pai, porem não
contra o teu povo para castigá-lo com peste.
18 Então o anjo do Senhor ordenou a Gade que dissesse a Davi para subir e
levantar um altar ao Senhor na eira de Ornã, o jebuseu.
19 Subiu, pois, Davi, conforme a palavra que Gade falara em nome do Senhor.
20 E, virando-se Ornã, viu o anjo; e seus quatro filhos, que estavam com ele,
se esconderam. Ora, Ornã estava debulhando trigo.
21 Quando Davi se vinha chegando a Ornã, este olhou e o viu e, saindo da terra,
prostrou-se diante dele com o rosto em terra.
22 Então disse Davi a Ornã: Dá-me o lugar da eira pelo seu valor, para eu
edificar nele um altar ao Senhor, para que cesse esta praga de sobre o povo.
23 Respondeu Ornã a Davi: Toma-o para ti, e faça o rei meu senhor o que lhe
parecer bem. Eis que dou os bois para holocaustos, os trilhos para lenha, e o
trigo para oferta de cereais; tudo dou.
24 Mas o rei Davi disse a Ornã: Não, antes quero comprá-lo pelo seu valor; pois
não tomarei para o Senhor o que é teu, nem oferecerei holocausto que não me
custe nada.
25 E Davi deu a Ornã por aquele lugar o peso de seiscentos siclos de ouro.
26 Então Davi edificou ali um altar ao Senhor, e ofereceu holocaustos e ofertas
pacíficas; e invocou o Senhor, o qual lhe respondeu do céu, com fogo sobre o
altar de holocausto.
27 E o Senhor deu ordem ao anjo, que tomou a meter a sua espada na bainha.
28 Nesse mesmo tempo, vendo Davi que o Senhor lhe respondera na eira de Ornã, o
jebuseu, ofereceu ali os seus sacrifícios.
29 Pois o tabernáculo do Senhor que Moisés fizera no deserto, e o altar do
holocausto, estavam naquele tempo no alto de Gibeão;
30 mas Davi não podia ir perante ele para consultar a Deus, porque estava
atemorizado por causa da espada do anjo do Senhor.
I
CRÔNICAS
[22]
1 Então disse Davi: Esta é a
casa de Senhor Deus, e este é o altar de holocausto para Israel.
2 Então Davi deu ordem que se ajuntassem os estrangeiros que estavam na terra
de Israel, e encarregou pedreiros de lavrarem pedras de cantaria para edificar
a casa de Deus,
3 Também aparelhou ferro em abundância, para os pregos das portas das entradas
e para as junturas; como também bronze em abundância, sem pesá-lo;
4 e madeira de cedro sem conta, porque os sidonios e tírios traziam a Davi
cedro em abundancia
5 Porque dizia Davi: Salomão, meu filho, ainda é moço e tenro, e a casa que se
há de edificar para o Senhor deve ser magnífica em excelência, de renome e
glória em todas as terras; eu, pois, agora lhe farei os preparativos. Assim fez
Davi grandes preparativos antes da sua morte.
6 Então chamou a Salomão, seu filho, e lhe ordenou que edificasse uma casa ao
Senhor Deus de Israel.
7 Disse Davi a Salomão: Filho meu, quanto a mim, tive em meu coração a
proposito de edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus.
8 A palavra do Senhor, porém, veio a mim, dizendo: Tu tens derramado muito
sangue, e tens feito grandes guerras; não edificarás casa ao meu nome, porquanto
muito sangue tens derrumado na terra, perante mim.
9 Eis que te nascerá um filho, que será homem de repouso; porque lhe darei
repouso de todos os seus inimigos ao redor; portanto Salomão será o seu nome, e
eu darei paz e descanso a Israel nos seus dias.
10 Ele edificará uma casa ao meu nome. Ele me será por filho, e eu lhe serei
por pai, e confirmarei o trono de seu reino sobre Israel para sempre.
11 Agora, meu filho, o Senhor seja contigo; prospera, e edifica a casa de
Senhor teu Deus, como ele falou a respeito de ti.
12 Tão somente te dê o Senhor prudência e entendimento para governares sobre
Israel, e para guardares a lei do Senhor teu Deus.
13 Então prosperarás, se tiveres cuidado de guardar os estatutos e os juízos
que o Senhor ordenou a Moisés acerca de Israel. Esforça-te, e tem bem ânimo;
não temas, nem te espantes.
14 Com trabalhos penosas preparei para a casa do Senhor cem mil talentos de
ouro, e um milhão de talentos de prata, e bronze e ferro que por sua
abundância, não se pesou; também madeira e pedras preparei; e tu os aumentarás
ainda.
15 Além disso tens trabalhadores em grande número, canteiros, pedreiros e
carpinteiros, e toda sorte de peritos em toda espécie de obra.
16 Do ouro, da prata, da bronze e do ferro não há conta. Levanta-te, pois; mãos
à obra! E o Senhor seja contigo!
17 Também Davi deu ordem a todos os chefes de Israel que ajudassem a Salomão,
seu filho, dizendo:
18 Porventura não está convosco o Senhor vosso Deus, e não vos deu repouso por
todos os lados? Pois entregou na minha mão os habitantes da terra; e a terra
foi subjugada diante do Senhor e diante do seu povo.
19 Disponde, pois, agora o vosso coração e a vossa alma para buscardes ao
Senhor vosso Deus; e levantai-vos, e edificai o santuário do Senhor Deus, para
que a arca do pacto do Senhor e os vasos sagrados de Deus sejam trazidos, para
a casa que se há de edificar ao nome do Senhor.
I
CRÔNICAS
[23]
1 Ora, sendo Davi já velho e
cheio de dias, fez Salomão, seu filho, rei sobre Israel.
2 E reuniu todos os chefes de Israel, como também os sacerdotes e levitas.
3 Foram contados os levitas de trinta anos para cima; e foi o número deles,
segundo o seu registo, trinta e oito mil homens.
4 Deste número vinte e quatro mil promoverão a obra da casa do Senhor; seis mil
servirão como oficiais e juízes;
5 quatro mil como porteiros; e quatro mil para louvarem ao Senhor com os
instrumentos, que eu fiz para o louvar, disse Davi.
6 Davi os repartiu por turmas segundo os filhos de Levi: Gérsom, Coate e
Merári.
7 Dos gersonitas: Ladã e Simei.
8 Os filhos de Ladã: Jeiel o chefe, Zetão e Joel, três.
9 Os filhos de Simei: Selomite, Haziel e Arã, três; estes foram os chefes das
casas paternas de Ladã.
10 Os filhos de Simei: Jaate, Zina, Jeús e Berias; estes foram os filhos de
Simei, quatro.
11 Jaate era o chefe, e Ziza o segundo. Mas Jeús e Berias não tiveram muitos
filhos; pelo que estes, contados juntos, se tornaram uma só casa paterna.
12 Os filhos de Coate: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel, quatro.
13 Os filhos de Anrão: Arão e Moisés. Arão foi separado para consagrar as
coisas santíssimas, ele e seus filhos, eternamente para queimarem incenso
diante do Senhor, e o servirem, e pronunciarem bençãos em nome de Deus para
sempre.
14 Mas quanto a Moisés, homem de Deus, seus filhos foram contados entre os da tribo
de Davi.
15 Os filhos de Moisés: Gerson e Eliézer.
16 De Gérson: Sebuel o chefe.
17 De Eliézer: Reabias o chefe; e Eliézer não teve outros filhos; porém os
filhos de Reabias foram muito numerosos.
18 De Izar: Selomite o chefe.
19 Os filhos: de Hebrom: Jerias o chefe, Amarias o segundo, Jaaziel o terceiro,
e Jecameão o quarto.
20 Os filhos de Uziel: Mica o chefe. Issias o segundo.
21 Os filhos de Merári: Mali e Musi. Os filhos de Mali: Eleazar e Quis.
22 Eleazar morreu, não tendo filhos, mas tão somente filhas; e os filhos de
Quis, seus irmãos, tomaram-nas por mulheres.
23 Os filhos de Musi: Mali, Eder e Jerimote, três.
24 Esses são os filhos de Levi segundo as suas casas paternas, isto é, segundo
os chefes das casas paternas, conforme o número dos que foram registrados pelos
seus: nomes, individualmente, da idade de vinte anos para cima, os quais
trabalhavam no serviço da casa do Senhor.
25 Pois Davi disse: O Senhor Deus de Israel deu repouso ao seu povo; e ele
habita em Jerusalém para sempre.
26 Também os levitas não terão mais de levar o tabernáculo e todos os objetos
pertencentes ao serviço do mesmo.
27 Eis porque, segundo as ultimas palavras de Davi, foram contados os levitas
da idade de vinte anos para cima.
28 Porque o seu cargo seria o de assistirem aos filhos de Arão no serviço da
casa do Senhor, nos átrios, e nas câmaras, e na purificação de todas as coisas
sagradas, e em qualquer trabalho para o serviço da casa de Deus,
29 cuidando dos pães da proposição, e da flor de farinha para a oferta de cereais,
quer seja de bolos ázimos, quer seja do que se assa na panela, quer seja do que
é misturado com azeite, e de toda sorte de medidas e pesos;
30 e de estarem cada manhã em pé para render graças e louvor ao Senhor, e
semelhantemente à tarde.
31 e oferecerem continuamente perante o Senhor todos os holocaustos, nos
sábados, nas luas novas e nas festas fixas, segundo o número ordenado.
32 Também teriam a seu cargo a tenda da revelação, o lugar santo, e os filhos
de Arão, seus irmãos, no serviço da casa do Senhor.
I
CRÔNICAS
[24]
1 As turmas dos filhos de
Arão foram estas: os filhos de Arão: Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
2 Mas Nadabe e Abiú morreram antes de seu pai, e não tiveram filhos; por isso
Eleazar e Itamar exerciam o sacerdócio.
3 E Davi, juntamente com Zadoque, dos filhos de Eleazar, e com Aimeleque, dos
filhos de Itamar, os distribuiu segundo os deveres do seu serviço.
4 E acharam-se mais chefes dentre os filhos de Eleazar do que dentre os filhos
de Itamar; e assim foram distribuídos: dos filhos de Eleazar, chefes das casas
paternas, dezesseis; e dos filhos de Itamar, segundo as suas casas paternas,
oito.
5 Assim foram distribuídos por sortes, tanto uns como os outros; porque havia
príncipes do santuário e príncipes de Deus, tanto dentre os filhos de Eleazar,
como dentre os filhos de Itamar.
6 E os registrou Semaías, filho de Netanel, o escrivão dentre os levitas,
diante do rei, dos príncipes, de Zadoque, o sacerdote, de Aimeleque, filho de
Abiatar, e dos chefes das casas paternas entre os sacerdotes e entre os
levitas, tomando-se uma casa paterna para Eleazar, e outra para Itamar.
7 Assim a primeira sorte saiu a Jeoiaribe, a segunda a Jedaías,
8 a terceira a Harim, a quarta a Seorim,
9 a quinta a Malquias, a sexta a Miamim,
10 a sétima a Hacoz, a oitava a Abias,
11 a nona a Jesuá, a décima a Secanias,
12 a undécima a Eliasibe, a duodécima a Jaquim,
13 a décima terceira a Hupá, a décima quarta a Jesebeabe,
14 a décima quinta a Bilga, a décima sexta a Imer,
15 a décima sétima a Hezir, a décima oitava a Hapizes,
16 a décima nona a Petaías, a vigésima a Jeezquel,
17 a vigésima primeira a Jaquim, a vigésima segunda a Gamul,
18 a vigésima terceira a Delaías, a vigésima quarta a Maazias.
19 Esta foi a distribuição deles no seu serviço, para entrarem na casa do
Senhor, segundo lhes fora ordenado por Arão, seu pai, como o Senhor Deus de
Israel lhe tinha mandado.
20 Do restante dos filhos de Levi: dos filhos de Anrão, Subael; dos filhos de
Subael, Jedeías.
21 Quanto a Reabias: dos filhos de Reabias, Issijá o chefe;
22 dos izaritas, Selomote; dos filhos de Selomote, Jaate;
23 dos filhos de Hebrom: Jerias o chefe, Amarias o segundo, Jaaziel o terceiro,
Jecameão o quarto;
24 dos filhos de Uziel, Mica; dos filhos de Mica, Samir;
25 o irmão de Mica, Issijá; dos filhos de Issijá, Zacarias.
26 Os filhos de Merári, Mali e Musi; dos filhos de Jaazias, Beno;
27 os filhos de Merári: de Jaazias: Beno, Soão, Zacur e Ibri;
28 de Mali, Eleazar; e este não teve filhos.
29 Quanto a Quis: dos filhos de Quis, Jerameel;
30 e os filhos de Musi: Mali, Eder e Jerimote. Esses foram os filhos dos
levitas, segundo as suas casas paternas.
31 Estes também, como seus irmãos, os filhos de Arão, lançaram sortes diante do
rei Davi, de Zadoque, de Aimeleque, e dos chefes das casas paternas entre os
sacerdotes e entre os levitas; assim fizeram, tanto para o chefe de casa
paterna, como para o seu irmão menor.
I
CRÔNICAS
[25]
1 Também Davi juntamente com
os capitães do exército, separou para o serviço alguns dos filhos de Asafe, e
de Hemã, e de Jedútum para profetizarem com harpas, com alaúdes, e com
címbalos. Este foi o número dos homens que fizeram a obra: segundo o seu
serviço:
2 dos filhos de Asafe: Zacur, José, Netanias e Asarela, filhos de Asafe, a
cargo de Asafe, que profetizava sob as ordens do rei.
3 De Jedútum os filhos de Jedútun: Gedalias, e Zeri, Jesaías, Hasabias e
Matitias, seis, a cargo de seu pai, Jedútum que profetizava com a harpa,
louvando ao Senhor e dando-lhe graças.
4 De Hemã, os filhos de Hemã: Buquias, Matanias, Uziel, Sebuel, Jerimote,
Hananias, Hanâni, Eliatá, Gidálti, e Românti-Ezer, Josbecasa, Malóti, Hotir e
Maaziote.
5 Todos estes foram filhos de Hemã, o vidente do rei, segundo a promessa de
Deus de exaltá-lo. Deus dera a Hemã catorze filhos e três filhas.
6 Todos estes estavam sob a direção de seu pai para a música na casa do Senhor,
com címbalos, alaúdes e harpas para o serviço da casa de Deus. E Asafe, Jedútun
e Hemã estavam sob as ordens do rei.
7 Era o número deles, juntamente com seus irmãos instruídos em cantar ao Senhor,
todos eles mestres, duzentos e oitenta e oito.
8 E determinaram os seus cargos por sortes, todos igualmente, tanto o pequeno
como o grande, assim o mestre como o discípulo.
9 A primeira sorte, que era de Asafe, saiu a José; a segunda a Gedalias, que com
seus irmãos e filhos eram doze;
10 a terceira a Zacur, seus filhos e irmãos, doze;
11 a quarta a Izri, seus filhos e irmãos, doze;
12 a quinta a Netanias, seus filhos e irmaos, doze;
13 a sexta a Buquias, seus filhos e irmãos, doze;
14 a sétima a Jesarela, seus filhos e irmãos, doze;
15 a oitava a Jesaías, seus filhos e irmãos, doze;
16 a nona a Matanias, seus filhos e irmãos, doze;
17 a décima a Simei, seus filhos e irmãos, doze;
18 a undécima a Azarel, seus filhos e irmãos, doze;
19 a duodécima a Hasabias, seus filhos e irmãos, doze;
20 a décima terceira a Subael, seus filhos: e irmãos, doze;
21 a décima quarta a Matitias, seus filhos e irmãos, doze;
22 a décima quinta a Jerimote, seus filhos e irmãos, doze;
23 a décima sexta a Hananias, seus filhos e irmãos, doze;
24 a décima sétima a Josbecasa, seus filhos e irmãos, doze;
25 a décima oitava a Hanâni, seus filhos e irmãos, doze;
26 a décima nona a Malóti, seus filhos e irmãos, doze;
27 a vigésima a Eliatá, seus filhos e irmãos, doze;
28 a vigésima primeira a Hotir, seus filhos e irmãos, doze;
29 a vigésima segunda a Gidálti, seus filhos e irmãos, doze;
30 a vigésima terceira a Maaziote, seus filhos e irmãos, doze;
31 a vigésima quarta a Românti-Ezer, seus filhos e irmãos, doze.
I
CRÔNICAS
[26]
1 Quanto às turmas dos
porteiros: Meselemias, filho de Coré, dos filhos de Asafe.
2 E foram os filhos de Meselemias: Zacarias o primogênito, Jediael o segundo,
Zebadias o terceiro, Jatniel o quarto,
3 Elão o quinto, Jeoanã o sexto, Elioenai, o sétimo.
4 Os filhos de Obede-Edom foram: Semaías o primogênito, Jeozabade o segundo,
Joá o terceiro, Sacar o quarto, Netanel o quinto,
5 Amiel o sexto, Issacar o sétimo, Peuletai o oitavo; porque Deus o tinha
abençoado.
6 Também a seu filho Semaías nasceram filhos, que dominaram sobre a casa de seu
pai porque foram varões valentes.
7 Os filhos de Semaías: Otni, Rafael, Obede e Elzabade, com seus irmãos, homens
valentes, Eliú e Semaquias.
8 Todos estes foram dos filhos de Obede-Edom; eles e seus filhos e irmãos,
homens capazes e de força para o serviço, eram sessenta e dois, de Obede-Edom.
9 Os filhos e os irmãos de Meselemias, homens valentes, foram dezoito.
10 De Hosa, dos filhos de Merári, foram filhos: Sínri o chefe (ainda que não
era o primogênito, contudo seu pai o constituiu chefe),
11 Hilquias o segundo, Tebalias o terceiro, e Zacarias o quarto; todos os
filhos e irmãos de Hosa foram treze.
12 Destes se fizeram as turmas dos porteiros, isto é, dos homens principais,
tendo cargos como seus irmaos, para ministrarem na casa do Senhor.
13 E lançaram sortes, assim os pequenos como os grandes, segundo as suas casas
paternas, para cada porta.
14 E caiu a sorte do oriente a Selemias. Depois se lançou a sorte por seu filho
Zacarias, conselheiro entendido, e saiu-lhe a do norte.
15 A Obede-Edom a do sul; e a seus filhos a casa dos depósitos.
16 A Supim e Hosa a do ocidente; perto da porta Salequete, junto ao caminho da
subida, uma guarda defronte de outra guarda.
17 Ao oriente estavam seis levitas, ao norte quatro por dia, ao sul quatro por
dia, porém para a casa dos depósitos de dois em dois.
18 Para Parbar, ao ocidente, quatro junto ao caminho, e dois junto a Parbar.
19 Essas foram as turmas dos porteiros dentre os filhos dos coraítas, e dentre
os filhos de Merári.
20 E dos levitas, Aías tinha cargo dos tesouros da casa de Deus e dos tesouros
das ofertas dedicadas.
21 Quanto aos filhos de Ladã, os filhos dos gersonitas que pertencem a Ladã,
chefes das casas paternas de Ladã; Jeiéli.
22 Os filhos de Jeiéli: Zetão e Joel, seu irmão; estes tinham cargo dos
tesouros da casa do Senhor.
23 Dos anramitas, dos izaritas:, dos hebronitas, dos uzielitas.
24 Sebuel, filho de Gérsom o filho de Moisés, que era chefe dos tesouros.
25 Seus irmãos: de Eliézer foi filho Reabias, de quem foi filho Jesaías, de
quem foi filho Jorão, de quem foi filho Zicri, de quem foi filho Selomote.
26 Este Selomote e seus irmãos tinham a seu cargo todos os tesouros das ofertas
dedicadas, que o rei Davi e os chefes das casas paternas, chefes de milhares, e
de centenas, e chefes do exército tinham dedicado.
27 Dos despojos das guerras dedicaram ofertas para consertarem a casa do
Senhor.
28 Também tudo quanto fora dedicado por Samuel, o vidente, Saul, filho de Quis,
Abner, filho de Ner, e Joabe, filho de Zeruia, isto é, tudo quanto qualquer
havia dedicado estava sob a guarda de Selomote e seus irmãos.
29 Dos izaritas, Quenanias e seus filhos foram postos sobre Israel para os
negócios de fora, como oficiais e juízes.
30 Dos hebronitas foram Hasabias e seus irmãos, homens valentes, mil e
setecentos, que tinham a seu cargo Israel, ao ocidente do Jordão, em todos os
negócios do Senhor e no serviço do rei.
31 Jerias era o chefe dos hebronitas, segundo as suas gerações conforme as
casas paternas. No ano quarenta do reino de Davi foram procurados, e acharam-se
entre eles varões valentes em Jazer de Gileade.
32 A ele e a seus irmãos, dois mil e setecentos homens valentes, chefes das
casas paternas, o rei Davi constituiu sobre os rubenitas e os gaditas, e a meia
tribo dos manassitas, para todos os serviços de Deus, e para todos os negócios
do rei.
I
CRÔNICAS
[27]
1 Ora, os filhos de Israel
segundo o seu número, os chefes das casas paternas, e os chefes dos milhares e
das centenas, com os seus oficiais, que serviam ao rei em todos os negócios das
turmas que entravam e saíam de mês em mês, em todos os meses do ano, eram em
cada turma vinte e quatro mil.
2 sobre a primeira turma, no primeiro mês, estava Jasobeão, filho de Zabdiel; e
em sua turma havia vinte e quatro mil.
3 Era ele descendente de Pérez, e chefe de todos os comandantes do exército
para o primeiro mês.
4 Sobre a turma do segundo mês estava Dodai, o aoíta, com a sua turma, cujo
chefe era Miclote; e em sua turma havia vinte e quatro mil.
5 O terceiro comandante do exército, para o terceiro mês, era o chefe Benaías,
filho do sacerdote Jeoiada; e em sua turma havia vinte e quatro mil.
6 Este é aquele Benaías que era o varão valente entre os trinta e comandava os
trinta; e da sua turma era seu filho Amizabade.
7 O quarto, do quarto mês, era Asael, irmão de Joabe, e depois dele Zebadia;
seu filho; e em sua turma havia vinte e quatro mil.
8 O quinto, do quinto mês:, Samute, o israíta; e em sua turma havia vinte e
quatro mil.
9 O sexto, do sexto mês: Ira, filho de Iques, o tecoíta; e em sua turma havia
vinte e quatro mil.
10 O sétimo, do sétimo mês:, Helez, o pelonita, descendente de Efraim; e em sua
turma havia vinte e quatro mil.
11 O oitavo, do oitavo mês, Sibecai, o husatita, dos zeraítas; e em sua turma
havia vinte e quatro mil.
12 O nono, do nono mês, Abiezer, o anatotita, dos benjamitas; e em sua turma
havia vinte e quatro mil.
13 O décimo, do décimo mês, Maarai, o netofatita, dos zeraítas; e em sua turma
havia vinte e quatro mil.
14 O undécimo, do undécimo mês, Benaías, o piratonita, dos filhos de Efraim; e
em sua turma havia vinte e quatro mil.
15 O duodécimo, do duodécimo mês, Heldai, o netofatita, de Otniel; e em sua
turma havia vinte e quatro mil.
16 Sobre as tribos de Israel estavam estes: sobre os rubenitas era chefe
Eliézer, filho de Zicri; sobre os simeonitas, Sefatias, filho de Maacá;
17 sobre os levitas, Hasabias, filho de Quemuel; sobre os aronitas, Zadoque;
18 sobre Judá, , Eliu:, um dos irmãos de Davi; sobre Issacar, Onri, filho de
Micael;
19 sobre Zebulom, Ismaías, filho de Obadias; sobre Naftali, Jerimote, filho de
Azrriel;
20 sobre os filhos de Efraim, Oséias, filho de Azazias; sobre a meia tribo de
Manassés, Joel, filho de Pedaías;
21 sobre a meia tribo de Manassés em Gileade, Ido, filho de Zacarias; sobre
Benjamim, Jaasiel, filho de Abner;
22 sobre Dã, Azarel, filho de Jeroão. Esses eram os chefes das tribos de
Israel.
23 Não tomou, porém, Davi o número dos de vinte anos para baixo, porquanto o
Senhor tinha dito que havia de multiplicar Israel como as estrelas do céu.
24 Joabe, filho de Zeruia, tinha começado a numerá-los, porém não acabou,
porquanto viera por isso ira sobre Israel; pelo que o número não foi posto no
livro das crônicas do rei Davi.
25 Sobre os tesouros do rei estava Azmavete, filho de Adiel; sobre os tesouros
dos campos, das cidades, das aldeias e das torres, Jônatas, filho de Uzias;
26 sobre os que faziam a obra do campo, na lavoura da terra, Ezri, filho de
Quelube;
27 sobre as vinhas, Simei, o ramatita; sobre o produto das vides nas adegas do
vinho, Zabdi, o sifmita;
28 sobre os olivais e sicômoros que havia nas campinas, Baal-Hanã, o gederita;
sobre os armazéns do azeite, Joás;
29 sobre o gado que pastava em Sarom, Sitrai, o saronita; sobre o gado dos
vales, Safate, filho de Adlai;
30 sobre os camelos, Obil, o ismaelita; sobre as jumentas, Jedeías, o
meronotita;
31 e sobre o gado miúdo, Jaziz, o hagrita. Todos esses eram os intendentes dos
bens do rei Davi.
32 Jônatas, tio de Davi, era conselheiro, homem entendido, e escriba; ele e
Jeiel, filho de Hacmôni, assistiam os filhos do rei;
33 Aitofel era conselheiro do rei; Husai, o arquita, era amigo o rei;
34 depois de Aitotel, Jeoiada, filho de Benaías, e Abiatar foram conselheiros;
e Joabe era chefe do exército do rei.
I
CRÔNICAS
[28]
1 Ora, Davi convocou a
Jerusalém todos os chefes de Israel, os chefes das tribos, os chefes das turmas
que serviam o rei, os chefes de mil, e os chefes de cem, e os intendentes de
todos os bens e possessões do rei e de seus filhos, como também os oficiais e
os homens mais valorosos e valentes.
2 Então o rei Davi se pôs em pé, e disse: Ouvi-me, irmãos meus e povo meu. Em
meu coração havia eu proposto edificar uma casa de repouso para a arca do pacto
de Senhor, e para o escabelo dos pés do nossó Deus, e tinha feito os
preparativos para a edificar.
3 Mas Deus me disse: Tu não edificarás casa ao meu nome, porque és homem de
guerra, e tens derramado muito sangue.
4 Todavia o Senhor Deus de Israel escolheu-me de toda a casa de meu pai, para
ser rei sobre Israel para sempre; porque a Judá escolheu por príncipe, e na
casa de Judá a casa de meu pai, e entre os filhos de meu pai se agradou de mim
para me fazer rei sobre todo o Israel.
5 E, de todos os meus filhos (porque muitos filhos me deu o Senhor), escolheu
ele o meu filho Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor sobre
Israel,
6 e me disse: Teu filho Salomão edificará a minha casa e os meus átrios, porque
o escolhi para me ser por filho, e eu lhe serei por pai.
7 Estabelecerei o seu reino para sempre, se ele perseverar em cumprir os meus
mandamentos e os meus juízos, como o faz no dia de hoje.
8 Agora, pois, à vista de todo o Israel, a congregação do Senhor, e em presença
de nosso Deus, que nos ouve, observai e buscai todos os mandamentos do Senhor
vosso Deus, para que possuais esta boa terra, e a deixeis por herança a vossos
filhos depois de, vos, para sempre.
9 E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-o com coração
perfeito e espírito voluntário; porque o Senhor esquadrinha todos os corações,
e penetra todos os desígnios e pensamentos. Se o buscares, será achado de ti;
porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre.
10 Agora toma cuidado, porque o Senhor te escolheu para edificares uma casa
para o santuário; esforça-te, e faze a obra.
11 Então Davi deu a Salomão, seu filho, o modelo do alpendre com as suas casas,
as suas tesourarias, os seus cenáculos e as suas recâmaras interiores, como
também da casa do propiciatório;
12 e também o modelo de tudo o que tinha em mente para os átrios da casa do
Senhor, para todas as câmaras em redor, para os tesouros da casa de Deus e para
os tesouros das coisas sagradas;
13 também para as turmas dos sacerdotes e dos levitas, para toda a obra do
serviço da casa do Senhor e para todos os vasos do serviço da casa do Senhor,
14 especificando o peso do ouro para os vasos de ouro, para todos os vasos de
cada espécie de serviço, o peso da prata para todos os vasos de prata, para
todos os vasos de cada espécie de serviço;
15 o peso para os castiçais de ouro e suas lâmpadas, o peso do ouro para cada
castiçal e as suas lâmpadas, e o peso da prata para os castiçais de prata, para
cada castiçal e as suas lâmpadas, segundo o uso de cada castiçal;
16 o peso do ouro para as mesas dos pães da proposição, para cada mesa; como
também da prata para as mesas de prata;
17 e o ouro puro para os garfos, as bacias e os jarros; para as taças de ouro,
o peso para cada taça; como também para as taças de prata, o peso para cada
taça,
18 e para o altar do incenso, o peso de ouro refinado; como também o ouro para
o modelo do carro dos querubins que, de asas estendidas, cobririam a arca do
pacto do Senhor.
19 Tudo isso se me fez entender, disse Davi, por escrito da mão do Senhor, a
saber, todas as obras deste modelo.
20 Disse, pois, Davi a seu filho Salomão: Esforça-te e tem bom ânimo, e faze a
obra; não temas, nem te desalentes, pois o Senhor Deus, meu Deus, é contigo;
não te deixará, nem te desamparará, até que seja acabada toda a obra para o
serviço da casa do Senhor.
21 Eis aí as turmas dos sacerdotes e dos levitas para todo o serviço da casa de
Deus; e estará contigo para toda a obra todo homem bem disposto e perito em
qualquer espécie de serviço; também os chefes e todo o povo estarão
inteiramente às tuas ordens.
I
CRÔNICAS
[29]
1 Disse mais o rei Davi a
toda a congregação: Salomão, meu filho, o único a quem Deus escolheu, é ainda
moço e tenro, e a obra é grande, porque o palácio não é para homem, mas para o
Senhor Deus.
2 Eu, pois, com todas as minhas forças tenho preparado para a casa de meu Deus
o ouro para as obras de ouro, a prata para as de prata, o bronze para as de
bronze, o ferro para as de ferro e a madeira para as de madeira; pedras de
oberilo, pedras de engaste, pedras de ornato, pedras de várias cores, toda
sorte de pedras preciosas, e mármore em abundância.
3 Além disso, porque pus o meu afeto na casa de meu Deus, o ouro e prata
particular que tenho, eu o dou para a casa do meu Deus, afora tudo quanto tenho
preparado para a casa do santuário:
4 três mil talentos de ouro, do ouro de Ofir, e sete mil talentos de prata
refinada, para cobrir as paredes das casas;
5 ouro para as obras e ouro, e prata para as de prata, para toda a obra a ser
feita por mão de artífices. Quem, pois, está disposto a fazer oferta
voluntária, consagrando-se hoje ao Senhor?
6 Então os chefes das casas paternas, os chefes das tribos de Israel, e os
chefes de mil e de cem, juntamente com os intendentes da obra do rei, fizeram
ofertas voluntárias;
7 e deram para o serviço da casa de Deus cinco mil talentos e dez mil , dracmas
de ouro, e dez mil talentos de prata, dezoito mil talentos de bronze, e cem mil
talentos de ferro.
8 E os que tinham pedras preciosas deram-nas para o tesouro da casa do Senhor,
que estava ao cargo de Jeiel, o gersonita.
9 E o povo se alegrou das ofertas voluntárias que estes fizeram, pois de um
coração perfeito as haviam oferecido ao Senhor; e também o rei Davi teve grande
alegria.
10 Pelo que Davi bendisse ao Senhor na presença de toda a congregação, dizendo:
Bendito és tu, ó Senhor, Deus de nosso pai Israel, de eternidade em eternidade.
11 Tua é, ó Senhor, a grandeza, e o poder, e a glória, e a vitória, e a
majestade, porque teu é tudo quanto há no céu e na terra; teu é, ó Senhor, o
reino, e tu te exaltaste como chefe sobre todos.
12 Tanto riquezas como honra vêm de ti, tu dominas sobre tudo, e na tua mão há
força e poder; na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo.
13 Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos, e louvamos o teu glorioso nome.
14 Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão
voluntariamente? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos.
15 Porque somos estrangeiros diante de ti e peregrinos, como o foram todos os
nossos pais; como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não há
permanência:
16 Ó Senhor, Deus nosso, toda esta abundância, que preparamos para te edificar
uma casa ao teu santo nome, vem da tua mão, e é toda tua.
17 E bem sei, Deus meu, que tu sondas o coração, e que te agradas da retidão.
Na sinceridade de meu coração voluntariamente ofereci todas estas coisas; e
agora vi com alegria que o teu povo, que se acha aqui, ofereceu
voluntariamente.
18 O Senhor, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel, conserva para sempre
no coração do teu povo estas disposições e estes pensamentos, e encaminha o seu
coração para ti.
19 E a Salomão, meu filho, dá um coração perfeito, para guardar os teus
mandamentos, os teus testemunhes e os teus estatuto, e para fazer todas estas
coisas, e para edificar o palácio para o qual tenha providenciado.
20 Então disse Davi a toda a congregação: Bendizei ao Senhor vosso Deus! E toda
a congregação bendisse ao Senhor Deus de seus pais, e inclinaram-se e
prostraram-se perante a Senhor e perante o rei.
21 E no dia seguinte imolaram sacrifícios ao Senhor e lhe ofereceram em
holocausto mil novilhos, mil carneiros, mil cordeiros, com as suas libações, e
sacrifícios em abundância a favor de todo o Israel.
22 E comeram e beberam naquele dia perante o Senhor, com grande gozo. E pela
segunda vez proclamaram rei a Salomão, filho de Davi, e o ungiram ao Senhor
para ser príncipe, e a Zadoque para ser sacerdote.
23 Assim Salomão se assentou no trono do Senhor, como rei em lugar de seu pai
Davi, e prosperou; e todo o Israel lhe prestou obediência.
24 E todos os chefes, e os homens poderosos, e também todos os filhos do rei
Davi se submeteram ao rei Salomão.
25 E o Senhor engrandeceu muito a Salomão à vista de todo o Israel, e deu-lhe
tal majestade real qual antes dele não teve nenhum rei em Israel.
26 Assim Davi, filho de Jessé, reinou sobre todo o Israel.
27 O tempo que reinou sobre Israel foi quarenta anos; em Hebrom reinou sete
anos, e em Jerusalém trinta e três.
28 E morreu numa boa velhice, cheio de dias, riquezas e honra; e Salomão, seu
filho, reinou em seu lugar.
29 Ora, os atos do rei Davi, desde os primeiros até os últimos, estão escritos
nas crônicas de Samuel, o vidente, e nas crônicas do profeta Natã, e nas
crônicas de Gade, o vidente,
30 com todo o seu reinado e o seu poder e os acontecimentos que sobrevieram a
ele, a Israel, e a todos os reinos daquelas terras.
[1]
1 Ora, Salomão, filho de
Davi, fortaleceu-se no seu reino, e o Senhor seu Deus era com ele, e muito o
engrandeceu.
2 E falou Salomão a todo o Israel, aos chefes de mil e de cem, e aos juízes, e
a todos os principes em todo o Israel, chefes das casas paternas.
3 E foi Salomão, e toda a congregação com ele, ao alto que estava em Gibeão
porque ali estava a tenda da revelação de Deus, que Moisés, servo do Senhor,
tinha feito no deserto.
4 Mas Davi tinha feito subir a arca de Deus de Quiriate-Jearim ao lugar que lhe
preparara; pois lhe havia armado uma tenda em Jerusalém.
5 Também o altar de bronze feito por Bezaleel, filho de Uri, filho de Hur,
estava ali diante do tabernáculo do Senhor; e Salomão e a congregação o
buscavam.
6 E Salomão ofereceu ali sacrifícios perante o Senhor, sobre o altar de bronze
que estava junto à tenda da revelação; ofereceu sobre ele mil holocaustos.
7 Naquela mesma noite Deus apareceu a Salomão, e lhe disse: Pede o que queres
que eu te dê.
8 E Salomão disse a Deus: Tu usaste de grande benevolência para com meu pai
Davi, e a mim me fizeste rei em seu lugar.
9 Agora, pois, ó Senhor Deus, confirme-se a tua promessa, dada a meu pai Davi;
porque tu me fizeste rei sobre um povo numeroso como o pó da terra.
10 Dá-me, pois, agora sabedoria e conhecimento, para que eu possa sair e entrar
perante este povo; pois quem poderá julgar este teu povo, que é tão grande?
11 Então Deus disse a Salomão: Porquanto houve isto no teu coração, e não
pediste riquezas, bens ou honra, nem a morte dos que te odeiam, nem tampouco
pediste muitos dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento para
poderes julgar o meu povo, sobre o qual te fiz reinar,
12 sabedoria e conhecimento te são dados; também te darei riquezas, bens e
honra, quais não teve nenhum rei antes de ti, nem haverá depois de ti rei que
tenha coisas semelhantes.
13 Assim Salomão veio a Jerusalém, do alto que estava em Gibeão, de diante da
tenda da revelação; e reinou sobre Israel.
14 Salomão ajuntou carros e cavaleiros; teve mil e quatrocentos carros e doze
mil cavaleiros, que colocou nas cidades dos carros e junto de si em Jerusalém.
15 E o rei tornou o ouro e a prata tão comuns em Jerusalém como as pedras, e os
cedros tantos em abundância como os sicômoros que há na baixada.
16 Os cavalos que Salomão tinha eram trazidos do Egito e de Coa; e os
mercadores do rei os recebiam de Coa por preço determinado.
17 E faziam subir e sair do Egito cada carro por seiscentos siclos de prata, e
cada cavalo por cento e cinqüenta; e assim por meio deles eram exportados para
todos os reis dos heteus, e para os reis da Síria.
II
CRÔNICAS
[2]
1 Ora, resolveu Salomão
edificar uma casa ao nome do Senhor, como também uma casa real para si.
2 Designou, pois, Salomão setenta mil homens para servirem de carregadores, e
oitenta mil para cortarem pedras na montanha, e três mil e seiscentos
inspetores sobre eles.
3 E Salomão mandou dizer a Hurão, rei de Tiro: Como fizeste com Davi, meu pai,
mandando-lhe cedros para edificar uma casa em que morasse, assim também fazem
comigo.
4 Eis que vou edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus e lha consagrar para
queimar perante ele incenso aromático, para apresentar continuamente, o pão da
preposição, e para oferecer os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados,
nas luas novas e nas festas fixas do Senhor nosso Deus; o que é obrigação
perpétua de Israel.
5 A casa que vou edificar há de ser grande, porque o nosso Deus é maior do que
todos os deuses.
6 Mas quem é capaz de lhe edificar uma casa, visto que o céu e até o céu dos
céus o não podem conter? E quem sou eu, para lhe edificar uma casa, a não ser
para queimar incenso perante ele?
7 Agora, pois, envia-me um homem hábil para trabalhar em ouro, em prata, em
bronze, em ferro, em púrpura, em carmesim, e em azul, e que saiba lavrar ao
buril, para estar com os peritos que estão comigo em Judá e em Jerusalém, os
quais Davi, meu pai, escolheu.
8 Manda-me também madeiras de cedro, de cipreste, e de algumins do Líbano;
porque bem sei eu que os teus servos sabem cortar madeira no Líbano; e eis que
os meus servos estarão com os teus servos,
9 a fim de me prepararem madeiras em abundância, porque a casa que vou edificar
há de ser grande e maravilhosa.
10 E aos teus servos, os trabalhadores que cortarem a madeira, darei vinte mil
coros de trigo malhado, vinte mil coros de cevada, vinte mil e batos de vinho e
vinte mil batos de azeite.
11 Hurão, rei de Tiro, mandou por escrito resposta a Salomão, dizendo:
Porquanto o Senhor ama o seu povo, te constituiu rei sobre ele.
12 Disse mais Hurão: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que fez o céu e a
terra, que deu ao rei Davi um filho sábio, de grande prudência e entendimento
para edificar uma casa ao Senhor, e uma casa real para si.
13 Agora, pois, envio um homem perito, de entendimento, a saber, Hurão- Abi,
14 filho duma mulher das filhas de Dã, e cujo pai foi um homem de Tiro; este
sabe trabalhar em ouro, em prata, em bronze, em ferro, em pedras e em madeira,
em púrpura, em azul, em linho fino, e em carmesim, e é hábil para toda obra de
buril, e para toda espécie de engenhosas invenções; para que lhe seja designado
um lugar juntamente com os teus peritos, e com os peritos de teu pai Davi, meu
senhor.
15 Agora mande meu senhor para os seus servos o trigo, a cevada, o azeite, e o
vinho, de que falou;
16 e nós cortaremos tanta madeira do Líbano quanta precisares, e a levaremos em
jangadas pelo mar até Jope, e tu mandarás transportá-la para Jerusalém.
17 Salomão contou todos os estrangeiros que havia na terra de Israel, segundo o
recenseamento que seu pai Davi fizera; e acharam-se cento e cinqüenta e três
mil e seiscentos.
18 E deles separou setenta mil para servirem de carregadores, e oitenta mil
para cortarem madeira na montanha, como também três mil e seiscentos inspetores
para fazerem trabalhar o povo.
II
CRÔNICAS
[3]
1 Então Salomão começou a
edificar a casa do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá, onde o Senhor aparecera
a Davi, seu pai, no lugar que Davi tinha preparado na eira de Ornã, o jebuseu.
2 Começou a edificar no segundo dia do segundo mês, no quarto ano do seu
reinado.
3 Estes foram os fundamentos que Salomão pôs para edificar a casa de Deus. O
comprimento em côvados, segundo a primitiva medida, era de sessenta côvados, e
a largura de vinte côvados:
4 O pórtico que estava na frente tinha vinte côvados de comprimento,
correspondendo à largura da casa, e a altura era de cento e vinte; e por dentro
o revestiu de ouro puro.
5 A câmara maior forrou com madeira de cipreste e a cobriu de ouro fino, no
qual gravou palmas e cadeias.
6 Para ornamento guarneceu a câmara de pedras preciosas; e o ouro era ouro de
Parvaim.
7 Também revestiu de ouro as traves e os umbrais, bem como as paredes e portas
da câmara, e lavrou querubins nas paredes.
8 Fez também a câmara santíssima, cujo comprimento era de vinte côvados,
correspondendo à largura da casa, e a sua largura era de vinte côvados; e a
revestiu de ouro fino, do peso de seiscentos talentos.
9 O peso dos pregos era de cinqüenta siclos de ouro. Também revestiu de ouro os
cenáculos.
10 Também fez na câmara santíssima dois querubins de madeira, e os cobriu de
ouro.
11 As asas dos querubins tinham vinte côvados de comprimento: uma asa de um
deles, tendo cinco côvados, tocava na parede da casa, e a outra asa, tendo
também cinco côvados, tocava na asa do outro querubim;
12 também a asa deste querubim, tendo cinco côvados, tocava na parede da casa,
e a outra asa, tendo igualmente cinco côvados, estava unida à asa do primeiro
querubim.
13 Assim as asas destes querubins se estendiam por vinte côvados; eles estavam
postos em pé, com os rostos virados para â camara.
14 Também fez o véu de azul, púrpura, carmesim e linho fino; e fez bordar nele
querubins.
15 Diante da casa fez duas colunas de trinta e cinco côvados de altura; e o
capitel que estava sobre cada uma era de cinco côvados.
16 Também fez cadeias no oráculo, e as pôs sobre o alto das colunas; fez também
cem romãs, as quais pôs nas cadeias.
17 E levantou as colunas diante do templo, uma à direita, e outra à esquerda; e
chamou o nome da que estava à direita Jaquim, e o nome da que estava à esquerda
Boaz.
II
CRÔNICAS
[4]
1 Além disso fez um altar de
bronze de vinte côvados de comprimento, vinte de largura e dez de altura.
2 Fez também o mar de fundição; era redondo e media dez côvados duma borda à
outra, cinco de altura e trinta de circunferencia.
3 Por baixo da borda figuras de bois que cingiam o mar ao redor, dez em cada
côvado, contornando-o todo; os bois estavam em duas fileiras e foram fundidos
juntamente com o mar.
4 O mar estava assentado sobre doze bois, três dos quais olhavam para o norte,
três para o ocidente, três para o sul, e três para o oriente; e o mar estava
posto sobre os bois, cujas ancas estavam todas para a banda de dentro.
5 Tinha quatro dedos de grossura; e a sua borda foi feita como a borda dum
copo, como a flor dum lírio; e cabiam nele mais de três mil batos.
6 Fez também dez pias; e pôs cinco à direita e cinco à esquerda, para lavarem
nelas; isto é, lavaram nelas o que pertencia ao holocausto. Porém o mar era
para os sacerdotes se lavarem nele.
7 E fez dez castiçais de ouro, segundo o que fora ordenado a respeito deles, e
pô-los no templo, cinco à direita e cinco à esquerda.
8 Também fez dez mesas, e pô-las no templo, cinco à direita e cinco à esquerda;
e fez ainda cem bacias de ouro.
9 Fez mais o átrio dos sacerdotes, e o átrio grande, e as suas portas, as quais
revestiu de bronze.
10 E pôs o mar ao lado direito da casa, a sudeste.
11 Hurão fez ainda as caldeiras, as pás e as bacias. Assim completou Hurão a
obra que fazia para o rei Salomão na casa de Deus:
12 as duas colunas, os globos, e os dois capitéis no alto das colunas; as duas
redes para cobrir os dois globos dos capitéis que estavam no alto das colunas;
13 e as quatrocentas romãs para as duas redes, duas fileiras de romãs para cada
rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam em cima das
colunas.
14 Também fez as bases, e as pias sobre as bases;
15 o mar, e os doze bois debaixo dele.
16 Semelhantemente as caldeiras, as pás, os garfos e todos os vasos, os fez
Hurão-Abi de bronze luzente para o rei Salomão, para a casa do Senhor.
17 Na campina do Jordão os fundiu o rei, na terra argilosa entre Sucote e
Zeredá.
18 Salomão fez todos estes vasos em grande abundância, de sorte que o peso do
bronze não se podia averiguar.
19 Assim fez Salomão todos os vasos que eram para a casa de Deus, o altar de
ouro, as mesas para os pães da proposição,
20 os castiçais com as suas lâmpadas, de ouro puro, para arderem perante o
oráculo, segundo a ordenança;
21 as flores, as lâmpadas e as tenazes, de ouro puríssimo,
22 como também as espevitadeiras, as bacias, as colheres e os braseiros, de
ouro puro. Quanto à entrada da casa, tanto as portas internas, do lugar
santíssimo, como as portas da casa, isto é, do santuário, eram de ouro.
II
CRÔNICAS
[5]
1 Assim se completou toda a
obra que Salomão fez para a casa do Senhor. Então trouxe Salomão as coisas que
seu pai Davi tinha consagrado, a saber, a prata, e ouro e todos os vasos, e os
pôs nos tesouros da casa de Deus.
2 Então Salomão congregou em Jerusalém os anciãos de Israel, e todos as cabeças
das tribos, os chefes das casas paternas dos filhos de Israel, para fazerem
subir da cidade de Davi, que é Sião, a arca do pacto do Senhor.
3 E todos os homens de Israel se congregaram ao rei na festa, no sétimo mês.
4 E, tendo chegado todos os anciãos de Israel; os levitas levantaram a arca;
5 e fizeram subir a arca, a tenda da revelação e todos os utensílios sagrados
que estavam na tenda; os sacerdotes levitas os levaram.
6 Então o rei Salomão e toda a congregação de Israel, que se havia reunido a
ele diante da arca, sacrificavam carneiros e bois, que não se podiam contar nem
numerar por causa da sua multidão.
7 Assim trouxeram os sacerdotes a arca do pacto do Senhor para o seu lugar, no
oráculo da casa, no lugar santíssimo, debaixo das asas dos querubins.
8 Porque os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca, cobrindo a arca
e os seus varais:
9 Os varais eram tão compridos que as suas pontas se viam perante o oráculo,
mas não se viam de fora; e ali tem estado a arca até o dia de hoje.
10 Na arca não havia coisa alguma senão as duas tábuas que Moisés ali tinha
posto em Horebe, quando o Senhor fez um pacto com os filhos de Israel, ao saíram
eles do Egito.
11 Quando os sacerdotes saíram do lugar santo (pois todos os sacerdotes que se
achavam presentes se tinham santificado, sem observarem a ordem das suas
turmas;
12 também os levitas que eram cantores, todos eles, a saber, Asafe, Remã, Jedútum
e seus filhos, e seus irmãos, vestidos de linho fino, com címbalos, com alaúdes
e com harpas, estavam em pé ao lado oriental do altar, e juntamente com eles
cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas) ,
13 quando os trombeteiros e os cantores estavam acordes em fazerem ouvir uma só
voz, louvando ao Senhor e dando-lhe graças, e quando levantavam a voz com
trombetas, e címbalos, e outros instrumentos de música, e louvavam ao Senhor,
dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre; então se
encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor,
14 de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé, para ministrar, por causa
da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus.
II
CRÔNICAS
[6]
1 Então disse Salomão: O
Senhor disse que habitaria nas trevas.
2 E eu te construí uma casa para morada, um lugar para a tua eterna habitação.
3 Então o rei virou o rosto e abençoou toda a congregação de Israel; e toda a
congregação estava em pé.
4 E ele disse: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que pelas suas mãos
cumpriu o que falou pela sua boca a Davi, meu pai, dizendo:
5 Desde o dia em que tirei o meu povo da terra do Egito não escolhi cidade
alguma de todas as tribos de Israel, para edificar nela uma casa em que
estivese o meu nome, nem escolhi homem algum para ser chefe do meu povo Israel;
6 mas escolhi Jerusalém para que ali estivesse o meu nome; e escolhi Davi para
que estivesse sobre o meu povo Israel.
7 Davi, meu pai, teve no seu coração o propósito de edificar uma casa ao nome
do Senhor, Deus de Israel.
8 Mas o Senhor disse a Davi, meu pai: Porquanto tiveste no teu coração o
propósito de edificar uma casa ao meu nome, fizeste bem em ter isto no teu
coração.
9 Contudo tu não edificarás a casa, mas teu filho, que há de proceder de teus
lombos, esse edificará a casa ao meu nome.
10 Assim cumpriu o Senhor a palavra que falou; pois eu me levantei em lugar de
Davi, meu pai, e me assentei sobre o trono de Israel, como prometeu o Senhor, e
edifiquei a casa ao nome do Senhor, Deus de Israel.
11 E pus nela a arca, em que está o pacto que o Senhor fez com os filhos de
Israel.
12 Depois Salomão se colocou diante do altar do Senhor, na presença de toda a
congregação de Israel, e estendeu as mãos
13 (pois Salomão tinha feito uma plataforma de bronze, de cinco côvados de
comprimento, cinco de largura e três de altura, a qual tinha posto no meio do
átrio; a ela assomou e, pondo-se de joelhos perante toda a congregação de
Israel, estendeu as mãos para o céu),
14 e disse: ç Senhor, Deus de Israel, não há, nem no céu nem na terra, Deus
semelhante a ti, que guardas o pacto e a beneficência para com os teus servos
que andam perante ti de todo o seu coração;
15 que cumpriste ao teu servo Davi, meu pai, o que lhe falaste; sim, pela tua
boca o disseste, e pela tua mão o cumpriste, como se vê neste dia.
16 Agora, pois, Senhor, Deus de Israel, cumpre ao teu servo Davi, meu pai, o
que lhe promete-te, dizendo: Nunca te faltará varão diante de mim, que se
assente sobre o trono de Israel; tão somente que teus filhos guardem o seu
caminho para andarem na minha lei, como tu andaste diante de mim.
17 Agora pois, Senhor, Deus de Israel, confirme-se a tua palavra, que falaste
ao teu servo Davi.
18 Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que o céu e o céu
dos céus não te podem conter; quanto menos esta casa que tenho edificado!
19 Contudo, atende à oração e à súplica do teu servo, ó Senhor meu Deus, para
ouvires o clamor e a oração que o teu servo faz diante de ti;
20 que dia e noite estejam os teus olhos abertos para esta casa, sim, para o
lugar de que disseste que ali porias o teu nome; para ouvires a oração que o
teu servo fizer neste lugar.
21 Ouve as súplicas do teu servo, e do teu povo Israel, que fizerem neste
lugar; sim, ouve do lugar da tua habitação, do céu; e, ouvindo, perdoa.
22 Se alguém pecar contra o seu próximo, e lhe for exigido que jure, e ele vier
jurar perante o teu altar, nesta casa,
23 ouve então do céu, age, e julga os teus servos: paga ao culpado, fazendo
recair sobre a sua cabeça o seu proceder, e justifica ao reto, retribuindo-lhe
segundo a sua retidão.
24 Se o teu povo Israel for derrotado diante do inimigo, por ter pecado contra
ti; e eles se converterem, e confessarem o teu nome, e orarem e fizerem
súplicas diante de ti nesta casa,
25 ouve então do céu, e perdoa os pecados do teu povo Israel, e torna a
levá-los para a terra que lhes deste a eles e a seus pais.
26 Se o céu se fechar e não houver chuva, por terem pecado contra ti; se
orarem, voltados para este lugar, e confessarem o teu nome, e se converterem
dos seus pecados, quando tu os afligires,
27 ouve então do céu, e perdoa o pecado dos teus servos, e do teu povo Israel,
ensinando-lhes o b décima quarta a Jesebeabe, envia chuva sobre a tua terra,
que deste ao teu povo em herança.
28 Se houver na terra fome ou peste, se houver crestamento ou ferrugem,
gafanhotos ou lagarta; se os seus inimigos os cercarem nas suas cidades; seja
qual for a praga ou doença que houver;
29 toda oração e toda súplica que qualquer homem ou todo o teu povo Israel
fizer, conhecendo cada um a sua praga e a sua dor, e estendendo as suas mãos
para esta casa,
30 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e perdoa, e dá a cada um conforme
todos os seus caminhos, segundo vires o seu coração (pois tu, só tu conheces o
coração dos filhos dos homens)
31 para que te temam e andem nos teus caminhos todos os dias que viverem na
terra que deste a nossos pais.
32 Assim também ao estrangeiro, que não é do teu povo Israel, quando vier de um
país remoto por amor do teu grande nome, da tua mão poderosa e do teu braço
estendido, vindo ele e orando nesta casa,
33 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e faze conforme tudo o que o
estrangeiro te suplicar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu
nome, e te temam como o teu povo Israel, e saibam que pelo teu nome é chamada
esta casa que edifiquei.
34 Se o teu povo sair à guerra contra os seus inimigos, seja qual for o caminho
por que os enviares, e orarem a ti, voltados para esta cidade que escolheste e
para a casa que edifiquei ao teu nome,
35 ouve então do céu a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
36 Se pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares
contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em cativeiro para
alguma terra, longínqua ou próxima;
37 se na terra para onde forem levados em cativeiro caírem em si, e se
converterem, e na terra do seu cativeiro te suplicarem, dizendo: Pecamos,
cometemos iniqüidade, procedemos perversamente;
38 se eles se arrependerem de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra
do seu cativeiro, a que os tenham levado cativos, e orarem voltados para a sua
terra, que deste a seus pais, e para a cidade que escolheste, e para a casa que
edifiquei ao teu nome,
39 ouve então do céu, lugar da tua habitação, a sua oração e as suas súplicas,
defende a sua causa e perdoa ao teu povo que houver pecado contra ti.
40 Agora, ó meu Deus, estejam os teus olhos abertos, e os teus ouvidos atentos
à oração que se fizer neste lugar.
41 Levanta-te pois agora, Senhor Deus, e vem para o lugar do teu repouso, tu e
a arca da tua fortaleza; sejam os teus sacerdotes, ó Senhor Deus, vestidos de
salvação, e os teus santos se regozijem no bem.
42 Senhor Deus, não faças virar o rosto do teu ungido; lembra-te das tuas
misericórdias para com teu servo Davi!
II
CRÔNICAS
[7]
1 Tendo Salomão acabado de
orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória
do Senhor encheu a casa.
2 E os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor, porque a glória do
Senhor tinha enchido a sua casa.
3 E todos os filhos de Israel, vendo descer o fogo, e a glória do Senhor sobre
a casa, prostraram-se com o rosto em terra sobre o pavimento, adoraram ao
Senhor e lhe deram graças, dizendo: Porque ele é bom; porque a sua benignidade
dura para sempre.
4 Então o rei e todo o povo ofereceram sacrifícios perante o Senhor.
5 E o rei Salomão ofereceu em sacrifício vinte e dois mil bois e cento e vinte
mil ovelhas. Assim o rei e todo o povo consagraram a casa de Deus.
6 Os sacerdotes estavam em pé nos seus postos, como também os levitas com os
instrumentos musicais do Senhor, que o rei Davi tinha feito para dar graças ao
Senhor (porque a sua benignidade dura para sempre), quando Davi o louvava pelo
ministério deles; e os sacerdotes tocavam trombetas diante deles; e todo o
Israel estava em pé.
7 Salomão consagrou também o meio do átrio que estava diante da casa do Senhor;
porquanto ali ele ofereceu os holocaustos e a gordura das ofertas pacíficas;
pois no altar de bronze que Salomão tinha feito não cabiam o holocausto, e a
oferta de cereais e a gordura.
8 Assim naquele tempo celebrou salomão a festa por sete dias, e todo o Israel
com ele, uma grande congregação, vinda desde a entrada de Hamate e desde o rio
do Egito.
9 E no oitavo dia celebraram uma assembléia solene, pois haviam celebrado por
sete dias a dedicação do altar, e por sete dias a festa.
10 E, no vigésimo terceiro dia do sétimo, mês, ele despediu o povo para as suas
tendas, alegre e de bom ânimo pelo bem que o Senhor tinha feito a Davi e a
Salomão, e a seu povo Israel.
11 Assim Salomão acabou a casa do Senhor e a casa do rei; tudo quanto Salomão
intentara fazer na casa do Senhor e na sua própria casa, ele o realizou com
êxito.
12 E o Senhor apareceu de noite a Salomão e lhe disse: Eu ouvi a tua oração e
escolhi para mim este lugar para casa de sacrifício.
13 Se eu cerrar o céu de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos
que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo;
14 e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a
minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e
perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.
15 Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que
se fizer neste lugar.
16 Pois agora escolhi e consagrei esta casa, para que nela esteja o meu nome
para sempre; e nela estarão fixos os meus olhos e o meu coração perpetuamente.
17 E, quanto a ti, se andares diante de mim como andou Davi, teu pai, fazendo
conforme tudo o que te ordenei, guardando os meus estatutos e as minhas
ordenanças,
18 então confirmarei o trono do teu reino, conforme o pacto que fiz com Davi,
teu pai, dizendo: Não te faltará varão que governe em Israel.
19 Mas se vos desviardes, e deixardes os meus estatutos e os meus mandamentos,
que vos tenho proposto, e fordes, e servirdes a outros deuses, e os adorardes,
20 então vos arrancarei da minha terra que vos dei; e esta casa que consagrei
ao meu nome, lançá-la-ei da minha presença, e farei com que ela seja por
provérbio e motejo entre todos os povos.
21 E desta casa, que é tão exaltada, se espantará qualquer que por ela passar,
e dirá: Por que fez o Senhor assim a esta terra e a esta casa.
22 E lhe responderão: Porquanto deixaram ao Senhor Deus de seus pais, que os
tirou da terra do Egito, e se apegaram a outros deuses, e os adoraram e os
serviram; por isso trouxe sobre eles todo este mal
II
CRÔNICAS
[8]
1 Ao fim de vinte anos, nos
quais Salomão tinha edificado a casa do Senhor e a sua propria casa
2 Salomão edificou as casas que Salomão tinha dado, e fez habitar nelas os
filhos de Israel.
3 Depois foi Salomão a Hamate-Zobá, e apoderou-se dela.
4 E edificou Tadmor no deserto, e todas as cidades-armazéns, que edificou em
Hamate.
5 Edificou também Bete-Horom, tanto a alta como a baixa, cidades fortes, com
muros, portas e ferrolhos;
6 como também Baalate, e todas as cidades-armazéns que Salomão tinha, e todas
as cidades para os seus carros e as cidades para os seus cavaleiros, e tudo
quanto Salomão desejava edificar em Jerusalém, no Líbano e em toda a terra do
seu domínio.
7 Quanto a todo o povo que tinha ficado dos heteus, dos amorreus, dos perizeus,
dos heveus e dos jebuseus, os quais não eram de Israel;
8 a seus filhos, que ficaram depois deles na terra, os quais os filhos de
Israel não destruíram, Salomão lhes impôs tributo de trabalho forçado, até o
dia de hoje.
9 Mas dos filhos de Israel Salomão não fez escravo algum para a sua obra; porém
eram homens de guerra, chefes dos seus capitães, e chefes dos seus carros e dos
seus cavaleiros.
10 Estes eram os chefes dos oficiais que o rei Salomão tinha, duzentos e
cinqüenta; que presidiam sobre o seu povo.
11 E Salomão levou a filha do Faraó da cidade de Davi para a casa que lhe edificara;
pois disse: Minha mulher não morará na casa de Davi, rei de Israel, porquanto
os lugares nos quais entrou a arca do Senhor são santos.
12 Então Salomão ofereceu holocaustos ao Senhor, sobre o altar do Senhor, que
edificara diante do pórtico;
13 e isto segundo o dever de cada dia, fazendo ofertas segundo o mandamento de
Moisés, nos sábados e nas luas novas, e nas três festas anuais, a saber: na
festa dos pães ázimos, na festa das semanas, e na festa dos tabernáculos.
14 Também, conforme a ordem de Davi, seu pai, designou as turmas dos sacerdotes
para os seus cargos, como também os levitas para os seus cargos, para louvarem
a Deus e ministrarem diante dos sacerdotes, como exigia o dever de cada dia, e
ainda os porteiros, pelas suas turmas, a cada porta; pois assim tinha mandado
Davi, o homem de Deus.
15 E os sacerdotes e os levitas não se desviaram do que lhes mandou o rei, em
negócio nenhum, especialmente no tocante aos tesouros.
16 Assim se executou toda a obra de Salomão, desde o dia em que se lançaram os
fundamentos da casa do Senhor, até se acabar. Deste modo se completou a casa do
Senhor.
17 Então Salomão foi a Eziom-Geber, e a Elote, à praia do mar, na terra de
Edom.
18 E Hurão, por meio de seus servos, enviou-lhe navios, e servos práticos do
mar; e eles foram com os servos de Salomão a Ofir, e de lá tomaram quatrocentos
e cinqüenta talentos de ouro, e os trouxeram ao rei Salomão.
II
CRÔNICAS
[9]
1 Tendo a rainha de Sabá
ouvido da fama de Salomão, veio a Jerusalém para prová-lo por enigmas; trazia
consigo uma grande comitiva, e camelos carregados de especiarias, e ouro em
abundância, e pedras preciosas; e vindo ter com Salomão, falou com ele de tudo
o que tinha no seu coração.
2 E Salomão lhe respondeu a todas as perguntas; não houve nada que Salomão não
lhe soubesse explicar.
3 Vendo, pois, a rainha de Sabá a sabedoria de Salomão, e a casa que ele
edificara,
4 e as iguarias da sua mesa, e o assentar dos seus oficiais, e as funções e os
trajes dos seus servos, e os seus copeiros e os trajes deles, e os holocaustos
que ele oferecia na casa do Senhor, ficou estupefata.
5 Então disse ao rei: Era verdade o que ouvi na minha terra acerca dos teus
feitos e da tua sabedoria.
6 Todavia eu não o acreditava, até que vim e os meus olhos o viram; e eis que
não me contaram metade da grandeza da tua sabedoria; sobrepujaste a fama que
ouvi.
7 Bem-aventurados os teus homens! Bem-aventurados estes teus servos, que estão
sempre diante de ti, e ouvem a tua sabedoria!
8 Bendito seja o Senhor teu Deus, que se agradou de ti, colocando-te sobre o
seu trono, para ser rei pelo Senhor teu Deus! Porque teu Deus amou a Israel,
para o estabelecer perpetuamente, por isso te constituiu rei sobre eles, para
executares juízo e justiça.
9 Então ela deu ao rei cento e vinte talentos de ouro, e especiarias em grande
abundância, e pedras preciosas; e nunca houve tais especiarias quais a rainha
de Sabá deu ao rei Salomão.
10 Também os servos de Hurão, e os servos de Salomão, que de Ofir trouxeram
ouro, trouxeram madeira de algumins, e pedras preciosas.
11 E o rei fez, da madeira de algumins, degraus para a casa do Senhor e para a
casa do rei, como também harpas e alaúdes para os cantores, quais nunca dantes
se viram na terra de Judá.
12 E o rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo quanto ela desejou, tudo quanto
lhe pediu, excedendo mesmo o que ela trouxera ao rei. Assim voltou e foi para a
sua terra, ela e os seus servos.
13 Ora, o peso do ouro que se trazia cada ano a Salomão era de seiscentos e
sessenta e seis talentos,
14 afora o que os mercadores e negociantes traziam; também todos os reis da
Arábia, e os governadores do país traziam a Salomão ouro e prata.
15 E o rei Salomão fez duzentos paveses de ouro batido, empregando em cada
pavês seiscentos siclos de ouro batido;
16 como também trezentos escudos de ouro batido, empregando em cada escudo
trezentos siclos de ouro. E o rei os depositou na casa do bosque do Líbano.
17 Fez mais o rei um grande trono de marfim, e o revestiu de ouro puro.
18 O trono tinha seis degraus e um estrado de ouro, que eram ligados ao trono,
e de ambos os lados tinha braços junto ao lugar do assento, e dois leões de pé
junto aos braços.
19 E havia doze leões em pé de um e outro lado sobre os seis degraus; outro tal
não se fizera em reino algum.
20 Também todos os vasos de beber do rei Salomão eram de ouro, e todos os
utensílios da casa do bosque do Líbano, de ouro puro; a prata reputava-se sem
valor nos dias de Salomão.
21 Pois o rei tinha navios que iam a Társis com os servos de Hurão; de três em
três anos os navios voltavam de Társis, trazendo ouro, prata, marfim, bugios e
pavões.
22 Assim excedeu o rei Salomão todos os reis da terra, em riqueza e em
sabedoria.
23 E todos os reis da terra buscavam a presença de Salomão para ouvirem a
sabedoria que Deus lhe tinha posto no coração.
24 Cada um trazia o seu presente, vasos de prata, vasos de ouro, vestidos,
armaduras, especiarias, cavalos e mulos, uma quota de ano em ano.
25 Teve também Salomão quatro mil manjedouras para os cavalos de seus carros,
doze mil cavaleiros; e os colocou nas cidades dos carros, e junto ao rei em
Jerusalém.
26 Ele dominava sobre todos os reis, desde o Rio Eufrates até a terra dos
filisteus, e até o termo do Egito.
27 Também o rei tornou a prata tão comum em Jerusalém como as pedras, e os
cedros tantos em abundância como os sicômoros que há na baixada.
28 E cavalos eram trazidos a Salomão do Egito e de todas as terras.
29 Ora, o restante dos atos de Salomão, desde os primeiros até os últimos,
porventura não estão escritos na história de Natã, o profeta, e na profecia de
Aías, o silonita, e nas visões de Ido, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de
Nebate?
30 Salomão reinou em Jerusalém quarenta anos sobre todo o Israel.
31 E dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi, seu pai. E
Roboão, seu filho, reinou em seu lugar.
II
CRÔNICAS
[10]
1 Roboão foi a Siquém, pois
todo o Israel se congregara ali para fazê-lo rei.
2 E Jeroboão, filho de Nebate, que estava então no Egito para onde fugira da
presença do rei Salomão, ouvindo isto, voltou do Egito.
3 E mandaram chamá-lo; Jeroboão e todo o Israel vieram e falaram a Roboão,
dizendo:
4 Teu pai fez duro o nosso jugo; agora, pois, alivia a dura servidão e o pesado
jugo que teu pai nos impôs, e nós te serviremos.
5 Ele lhes respondeu: Daqui a três dias tornai a mim. Então o povo se foi.
6 E teve o rei Roboão conselho com os anciãos, que tinham assistido diante de
Salomão, seu pai, quando este ainda vivia, e perguntou-lhes: Como aconselhais
vós que eu responda a este povo?
7 Eles lhe disseram: Se te fizeres benigno para com este povo, e lhes
agradares, e lhes falares boas palavras, então eles serão teus servos para
sempre.
8 Mas ele deixou o conselho que os anciãos lhe deram, e teve conselho com os
jovens que haviam crescido com ele, e que assistiam diante dele.
9 Perguntou-lhes: Que aconselhais vós que respondamos a este povo que me falou,
dizendo: Alivia o jugo que teu pai nos impôs?
10 E os jovens que haviam crescido com ele responderam-lhe Assim dirás a este
povo, que te falou, dizendo: Teu pai fez pesado nosso jugo, mas tu o alivia de
sobre nós; assim lhe falarás: o meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos
de meu pai.
11 Assim que, se meu pai vos carregou dum jugo pesado, eu ainda aumentarei o
vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites; eu, porém, vos castigarei com
escorpiões.
12 Veio, pois, Jeroboão com todo o povo a Roboão, ao terceiro dia, como o rei
havia ordenado, dizendo: Voltai a mim ao terceiro dia.
13 E o rei Roboão lhes respondeu asperamente e, deixando o conselho dos
anciãos,
14 falou-lhes conforme o conselho dos jovens, dizendo: Meu pai fez pesado o
vosso jugo, mas eu lhe acrescentarei mais; meu pai vos castigou com açoites,
mas eu vos castigarei com escorpiões.
15 O rei, pois, não deu ouvidos ao povo; porque esta mudança vinha de Deus, para
que o Senhor confirmasse a sua palavra, a qual falara por intermédio de Aías, o
silonita, a Jeroboão, filho de Nebate.
16 Vendo, pois, todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, respondeu-lhe
dizendo: Que parte temos nós em Davi? Não temos herança no filho de Jessé: Cada
um as suas tendas, ó Israel! Agora olha por tua casa, ó Davi! Então todo o
Israel se foi para as suas tendas:
17 (Mas quanto aos filhos de Israel que habitavam nas cidades de Judá, sobre
eles reinou Roboão.)
18 Então o rei Roboão enviou-lhes Hadorão, que estava sobre a leva de
tributários servis; mas os filhos de Israel o apedrejaram, de modo que morreu.
E o rei Roboão se apressou a subir para o seu carro, e fugiu para Jerusalém.
19 Assim se rebelou Israel contra a casa de Davi, até o dia de hoje.
II
CRÔNICAS
[11]
1 Tendo Roboão chegado a
Jerusalém, convocou da casa de Judá e Benjamim cento e oitenta mil escolhidos,
destros na guerra, para pelejarem contra Israel a fim de restituírem o reino a
Roboão.
2 Veio, porém, a palavra do Senhor a Semaías, homem de Deus, dizendo:
3 Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a todo o Israel em Judá e
Benjamim, dizendo:
4 Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra os vossos irmãos;
volte cada um à sua casa, porque de mim proveio isto. Ouviram, pois, a palavra
do Senhor, e desistiram de ir contra Jeroboão.
5 E Roboão habitou em Jerusalém, e edificou em Judá cidades para fortalezas.
6 Edificou, pois, Belém, Etã, Tecoa,
7 Bete-Zur, Socó, Adulão,
8 Gate, Maressa, Zife,
9 Adoraim, Laquis, Azeca,
10 Zorá, Aijalom e Hebrom, que estão em Judá e em Benjamim, cidades fortes.
11 Fortificou estas cidades e pôs nelas capitães, e armazéns de víveres, de
azeite e de vinho.
12 E pôs em cada cidade paveses e lanças, e fortificou-as grandemente, de sorte
que reteve Judá e Benjamim.
13 Também os sacerdotes e os levitas que havia em todo o Israel recorreram a
ele de todos os seus termos.
14 Pois os levitas deixaram os seus arrabaldes e a sua possessão, e vieram para
Judá e para Jerusalém, porque Jeroboão e seus filhos os lançaram fora, para que
não exercessem o ofício sacerdotal ao Senhor;
15 e Jeroboão constituiu para si sacerdotes, para os altos, e para os demônios,
e para os bezerros que fizera.
16 Além desses, de todas as tribos de Israel, os que determinaram no seu
coração buscar ao Senhor Deus de Israel, também vieram a Jerusalém, para
oferecerem sacrifícios ao Senhor Deus de seus pais.
17 Assim fortaleceram o reino de Judá e corroboraram a Roboão, filho de
Salomão, por três anos; porque durante três anos andaram no caminho de Davi e
Salomão.
18 Roboão tomou para si, por mulher, a Maalate, filha de Jerimote, filho de
Davi; e a Abiail, filha de Eliabe, filho de Jessé,
19 a qual lhe deu os filhos Jeús, Semarias e Zaao.
20 Depois dela tomou a Maacá, filha de Absalão; esta lhe deu Abias, Atai, Ziza
e Selomite.
21 Amava Roboão a Maacá, filha de Absalão, mais do que a todas as suas outras
mulheres e concubinas; pois tinha tomado dezoito mulheres e sessenta
concubinas, e gerou vinte e oito filhos e sessenta filhas.
22 E Roboão designou Abias, filho de Maacá, chefe e príncipe entre os seus
irmãos, porque queria fazê-lo rei.
23 Também usou de prudência, distribuindo todos os seus filhos por entre todas
as terras de Judá e Benjamim, por todas as cidades fortes; e deu-lhes víveres
em abundância, e procurou para eles muitas mulheres.
II
CRÔNICAS
[12]
1 E sucedeu que, quando ficou
estabelecido o reino de Roboão, e havendo o rei se tornado forte, ele deixou a
lei do Senhor, e com ele todo o Israel.
2 Pelo que, no quinto ano da rei Roboão, Sisaque, rei do Egito, subiu contra
Jerusalém (porque eles tinham transgredido contra o Senhor)
3 com mil e duzentes carros e sessenta mil cavaleiros; era inumerável a gente
que vinha com ele do Egito: líbios, suquitas e etíopes;
4 E tomou as cidades fortificadas de Judá, e chegou até Jerusalém.
5 Então Semaías, o profeta, fei ter com Roboão e com os príncipes de Judá que
se tinham ajuntado em Jerusalém por causa de Sisaque, e disse-lhes: Assim diz o
Senhor: Vós me deixastes a mim, pelo que eu também vos deixei na mão de
Sisaque.
6 Então se humilharam os príncipes de Israel e o rei, e disseram: O Senhor é
justo.
7 Quando, pois, o Senhor viu que se humilhavam, veio a palavra do Senhor a
Semaías, dizendo: Humilharam-se, não os destruirei; mas dar-lhes-ei algum
socorro, e o meu furor não será derramado sobre Jerusalém por mão de Sisaque.
8 Todavia eles lhe serão servos, para que conheçam a diferença entre a minha
servidão e a servidão dos reinos da terra.
9 Subiu, pois, Sisaque, rei do Egito, contra Jerusalém, e levou os tesouros da
casa do Senhor, e os tesouros da casa do rei; levou tudo. Levou até os escudos
de ouro que Salomão fizera.
10 E o rei Roboão fez em lugar deles escudos de bronze, e os entregou na mão
dos capitães da guarda, que guardavam a porta da casa do rei.
11 E todas as vezes que o rei entrava na casa do Senhor, vinham os da guarda e
os levavam; depois tornavam a pô-los na câmara da guarda.
12 E humilhando-se ele, a ira do Senhor se desviou dele, de modo que não o
destruiu de todo; porque ainda havia coisas boas em Judá.
13 Fortaleceu-se, pois, o rei Roboão em Jerusalém, e reinou. Roboão tinha
quarenta e um anos quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em
Jerusalém, a cidade que o Senhor escolhera dentre todas as tribos de Israel,
para pôr ali o seu nome. E era o nome de sua mãe Naama, a amonita.
14 Ele fez o que era mau, porquanto não dispôs o seu coração para buscar ao
Senhor.
15 Ora, os atos de Roboão, desde os primeiros até os últimos, porventura não
estão escritos nas histórias de Semaías, o profeta, e de Ido, o vidente, na
relação das genealogias? Houve guerra entre Roboão e Jeroboão por todos os seus
dias.
16 E Roboão dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi. E Abias,
seu filho, reinou em seu lugar.
II
CRÔNICAS
[13]
1 No ano décimo oitavo do rei
Jeroboão começou Abias a reinar sobre Judá.
2 Três anos reinou em Jerusalém; o nome de sua mãe era Micaías, filha de Uriel
de Gibeá. E houve guerra entre Abias e Jeroboão.
3 Abias dispôs-se para a peleja com um exército de varões valentes,
quatrocentos mil homens escolhidos; e Jeroboão dispôs contra ele a batalha com
oitocentos mil homens escolhidos, todos homens valentes.
4 Então Abias pôs-se em pé em cima do monte Zemaraim, que está na região
montanhosa de Efraim, e disse: Ouvi-me, Jeroboão e todo o Israel:
5 Porventura não vos convém saber que o Senhor Deus de Israel deu para sempre a
Davi a soberania sobre Israel, a ele e a seus filhos, por um pacto de sal?
6 Contudo levantou-se Jeroboão, filho de Nebate, servo de Salomão, filho de
Davi, e se rebelou contra seu senhor;
7 e ajuntaram-se a ele homens vadios filhos de Belial, e fortaleceram-se contra
Roboão, filho de Salomão, sendo Roboão ainda moço e indeciso de coração, e nao
podendo resistir-lhes.
8 E agora julgais poder resistir ao reino do Senhor, que está na mão dos filhos
de Davi, visto que sois uma grande multidão, e tendes convosco os bezerros de
ouro que Jeroboão vos fez para deuses.
9 Não lançastes fora os sacerdotes do Senhor, filhos de Arão, e os levitas, e
não fizestes para vós sacerdotes, como o fazem os povos das outras terras?
Qualquer que vem a consagrar-se, trazendo um novilho e sete carneiros, logo se
faz sacerdote daqueles que não são deuses.
10 Mas, quanto a nós, o Senhor é nosso Deus, e nunca o deixamos. Temos
sacerdotes que ministram ao Senhor, os quais são filhos de Arão, e os levitas
para o seu serviço.
11 Queimam perante o Senhor cada manhã e cada tarde holocausto e incenso
aromático; também dispõem os pães da proposição sobre a mesa de ouro puro, e o
castiçal de ouro e as suas lâmpadas para se acenderem cada tarde; porque nós
temos guardado os preceitos do Senhor nosso Deus; mas vós o deixastes.
12 Eis que Deus está conosco, à nossa frente, como também os seus sacerdotes
com as trombetas, para tocarem alarme contra vós. O filhos de Israel, não
pelejeis contra o Senhor Deus de vossos pais; porque não sereis bem sucedidos.
13 Jeroboão, porém, armou uma emboscada, para dar sobre Judá pela retaguarda;
de maneira que as suas tropas estavam em frente de Judá e a emboscada por
detrás.
14 Então os de Judá olharam para trás, e eis que tinham de pelejar por diante e
pela retaguarda; então clamaram ao Senhor, e os sacerdotes tocaram as
trombetas.
15 E os homens de Judá deram o brado de guerra; e sucedeu que, bradando eles,
Deus feriu Jeroboão e todo o Israel diante de Abias e de Judá.
16 E os filhos de Israel fugiram de diante de Judá, e Deus lhos entregou nas
suas maos.
17 De maneira que Abias e o seu povo fizeram grande matança entre eles; pois
que caíram mortos de Israel quinhentos mil homens escolhidos.
18 Assim foram humilhados os filhos de Israel naquele tempo, e os filhos de
Judá prevaleceram, porque confiaram no Senhor Deus de seus pais.
19 E Abias foi perseguindo Jeroboão, e tomou-lhe cidades: Betel e seus
arrabaldes, Jesana e seus arrabaldes, e Efrom e seus arrabaldes.
20 Jeroboão não recobrou mais a sua força nos dias de Abias; e o Senhor o
feriu, e ele morreu.
21 Abias, porém, se fortaleceu, e tomou para si catorze mulheres, e teve vinte
e dois filhos e dezesseis filhas.
22 O restante dos atos de Abias, os seus caminhos e as suas palavras, estão
escritos no comentário do profeta Ido.
II
CRÔNICAS
[14]
1 Abias dormiu com seus pais,
e o sepultaram na cidade de Davi. E Asa, seu filho, reinou em seu lugar; nos
seus dias a terra esteve em paz por dez anos.
2 E Asa fez o que era bom e reto aos olhos do Senhor seu Deus;
3 removeu os altares estranhos, e os altos, quebrou as colunas, cortou os
aserins,
4 e mandou a Judá que buscasse ao Senhor, Deus de seus pais, e que observasse a
lei e o mandamento.
5 Também removeu de todas as cidades de Judá os altos e os altares de incenso;
e sob ele o reino esteve em paz.
6 Edificou cidades fortificadas em Judá; porque a terra estava em paz, e não
havia guerra contra ele naqueles anos, porquanto o Senhor lhe dera repouso.
7 Disse, pois, a Judá: Edifiquemos estas cidades, e cerquemo-las de muros e
torres, portas e ferrolhos; a terra ainda é nossa porque buscamos ao Senhor
nosso Deus; nós o buscamos, e ele nos deu repouso de todos os lados.
Edificaram, pois, e prosperaram.
8 Ora, tinha Asa um exército de trezentos mil homens de Judá, que traziam pavês
e lança; e duzentos e oitenta mil de Benjamim, que traziam escudo e atiravam
com arco; todos estes eram homens valentes.
9 E Zerá, o etíope, saiu contra eles, com um exército de um milhão de homens, e
trezentos carros, e chegou até Maressa.
10 Então Asa saiu contra ele, e ordenaram a batalha no vale de Zefatá, junto a
Maressa.
11 E Asa clamou ao Senhor seu Deus, dizendo: ç Senhor, nada para ti é ajudar,
quer o poderoso quer o de nenhuma força. Acuda-nos, pois, o Senhor nosso Deus,
porque em ti confiamos, e no teu nome viemos contra esta multidão. ç Senhor, tu
és nosso Deus, não prevaleça contra ti o homem.
12 E o Senhor desbaratou os etíopes diante de Asa e diante de Judá; e os
etíopes fugiram.
13 Asa e o povo que estava com ele os perseguiram até Gerar; e caíram tantos
dos etíopes que já não havia neles resistência alguma; porque foram quebrantados
diante do Senhor, e diante do seu exército. Os homens de Judá levaram dali mui
grande despojo.
14 Feriram todas as cidades nos arredores de Gerar, porque veio sobre elas o
terror da parte do Senhor; e saquearam todas as cidades, pois havia nelas muito
despojo.
15 Também feriram as malhadas do gado, e levaram ovelhas em abundância, e
camelos, e voltaram para Jerusalém.
II
CRÔNICAS
[15]
1 Então veio o Espírito de
Deus sobre Azarias, filho de Odede,
2 que saiu ao encontro de Asa e lhe disse: Ouvi-me, Asa, e todo o Judá e
Benjamim: O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele; se o buscardes,
o achareis; mas se o deixardes, ele vos deixará.
3 Ora, por muito tempo Israel esteve sem o verdadeiro Deus, sem sacerdote que o
ensinasse e sem lei.
4 Quando, porém, na sua angústia voltaram para o Senhor, Deus de Israel, e o
buscaram, o acharam.
5 E naqueles tempos não havia paz nem para o que saia, nem para o que entrava,
mas grandes perturbações estavam sobre todos os habitantes daquelas terras.
6 Pois nação contra nação e cidade contra cidade se despedaçavam, porque Deus
as conturbara com toda sorte de aflições.
7 Vós, porém, esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa
obra terá uma recompensa.
8 Asa, tendo ouvido estas palavras, e a profecia do profeta filho de Odede,
cobrou ânimo e lançou fora as abominações de toda a terra de Judá e de
Benjamim, como também das cidades que tomara na região montanhosa de Efraim, e
renovou o altar do Senhor, que estava diante do pórtico do Senhor.
9 E congregou todo o Judá e Benjamim, e os de Efraim, Manassés e Simeão que com
eles peregrinavam; pois que muitos e Israel tinham vindo a ele quando viram que
o Senhor seu Deus era com ele.
10 Ajuntaram-se em Jerusalém no terceiro mês, no décimo quinto ano do reinado
de Asa.
11 E no mesmo dia ofereceram em sacrifício ao Senhor, do despojo que trouxeram,
setecentos bois e sete mil ovelhas.
12 E entraram no pacto de buscarem ao Senhor, Deus de seus pais, de todo o seu
coração e de toda a sua alma;
13 e de que todo aquele que não buscasse ao Senhor, Deus de Israel, fosse
morto, tanto pequeno como grande, tanto homem como mulher.
14 E prestaram juramento ao Senhor em alta voz, com júbilo, ao som de trombetas
e buzinas.
15 E todo o Judá se alegrou deste juramento; porque de todo o seu coração
juraram, e de toda a sua vontade buscaram ao Senhor, e o acharam; e o Senhor
lhes deu descanso ao redor.
16 O rei Asa depôs Maacá, sua mãe, para que não fosse mais rainha, porquanto
ela fizera um abominável ídolo para servir de Asera, ao qual Asa derrubou e,
despedaçando-o, o queimou junto ao ribeiro de Cedrom.
17 Os altos, porém, não se tiraram de Israel; contudo o coração de Asa foi
perfeito todos os seus dias.
18 E trouxe para a casa de Deus as coisas que seu pai tinha consagrado, e as
que ele mesmo tinha consagrado: prata, ouro e utensílios.
19 E não mais houve guerra até o ano trigésimo quinto do reinado de Asa.
II
CRÔNICAS
[16]
1 No trigésimo sexto ano do
reinado de Asa, Baasa, rei de Israel, subiu contra Judá e edificou a Ramá, para
não deixar ninguém sair nem entrar para Asa, rei de Judá.
2 Então Asa tirou a prata e o ouro dos tesouros da casa do Senhor, e da casa do
rei, e enviou mensageiros a Bene-Hadade, rei da Síria, que habitava em Damasco,
dizendo:
3 Haja aliança entre mim e ti, como havia entre meu pai e o teu. Eis que te
envio prata e ouro; vai, pois, e rompe a sua aliança com Baasa, rei de Israel,
para que se retire de mim.
4 E Bene-Hadade deu ouvidos ao rei Asa, e enviou os comandantes dos seus
exércitos contra as cidades de Israel, os quais feriram Ijom, Dã, Abel-Maim e
todas as cidades-armazéns de Naftali.
5 E tendo Baasa notícia disto, cessou de edificar a Ramá, e não continuou a sua
obra.
6 Então o rei Asa tomou todo o Judá, e eles levaram as pedras de Ramá, e a sua
madeira, com que Baasa edificara; e com elas edificou Geba e Mizpá.
7 Naquele mesmo tempo veio Hanâni, o vidente, ter com Asa, rei de Judá, e lhe
disse: Porque confiaste no rei da Síria, e não confiaste no Senhor teu Deus,
por isso o exército do rei da Síria escapou da tua mão.
8 Porventura não foram os etíopes e os líbios um grande exército, com
muitíssimos carros e cavaleiros? Confiando tu, porém, no Senhor, ele os
entregou nas mãos.
9 Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se
forte a favor daqueles cujo coração é perfeito para com ele; nisto procedeste
loucamente, pois desde agora haverá guerras contra ti.
10 Então Asa, indignado contra o vidente, lançou-o na casa do tronco, porque
estava enfurecido contra ele por causa disto; também nesse mesmo tempo Asa
oprimiu alguns do povo.
11 Eis que os atos de Asa, desde os primeiros até os últimos, estão escritos no
livro dos reis de Judá e de Israel.
12 No ano trinta e nove do seu reinado Asa caiu doente dos pés; e era mui grave
a sua enfermidade; e nem mesmo na enfermidade buscou ao Senhor, mas aos
médicos.
13 E Asa dormiu com seus pais, morrendo no ano quarenta e um do seu reinado.
14 E o sepultaram no sepulcro que tinha cavado para si na cidade de Davi,
havendo-o deitado na cama, que se enchera de perfumes e de diversas especiarias
preparadas segundo a arte dos perfumistas; e destas coisas fizeram-lhe uma
grande queima.
II
CRÔNICAS
[17]
1 Jeosafá, seu filho, reinou
em seu lugar, e fortaleceu-se contra Israel.
2 Pôs forças armadas em todas as cidades fortes de Judá e dispôs guarnições na
terra de Judá, como também nas cidades de Efraim que Asa, seu pai, tinha
tomado.
3 E o Senhor era com Jeosafá, porque andou conforme os primeiros caminhos de
Davi, seu pai, e não buscou aos baalins;
4 antes buscou ao Deus de seu pai, e andou nos seus mandamentos, e não segundo
as obras de Israel.
5 Por isso o Senhor confirmou o reino na sua mão; e todo o Judá trouxe
presentes a Jeosafá; e ele teve riquezas e glória em abundância.
6 E encorajou-se o seu coração nos caminhos do Senhor; e ele tirou de Judá os
altos e os aserins.
7 No terceiro ano do seu reinado enviou ele os seus príncipes, Bene-Hail,
Obadias, Zacarias, Netanel e Micaías, para ensinarem nas cidades de Judá;
8 e com eles os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semiramote,
Jônatas, Adonias, Tobias e Tobadonias e, com estes levitas, os sacerdotes
Elisama e Jeorão.
9 E ensinaram em Judá, levando consigo o livro da lei do Senhor; foram por
todas as cidades de Judá, ensinando entre o povo.
10 Então caiu o temor do Senhor sobre todos os reinos das terras que estavam ao
redor de Judá, de modo que não fizeram guerra contra Jeosafá.
11 Alguns dentre os filisteus traziam presentes a Jeosafá, e prata como
tributo; e os árabes lhe trouxeram rebanhos: sete mil e setecentos carneiros, e
sete mil e setecentos bodes.
12 Assim Jeosafá ia-se tornando cada vez mais poderoso; e edificou fortalezas e
cidades-armazéns em Judá;
13 e teve grande quantidade de munições nas cidades de Judá, e soldados, homens
valorosos, em Jerusalém.
14 Este é o número deles segundo as suas casas paternas: de Judá os comandantes
de mil: o comandante Adná, com trezentos mil homens valorosos;
15 após ele o comandante Jeoanã com duzentos e oitenta mil;
16 após ele Amasias, filho de Zicri, que voluntariamente se entregou ao Senhor,
e com ele duzentos mil valorosos;
17 e de Benjamim: Eliadá, homem destemido, com duzentos mil armados de arco e
de escudo;
18 e após ele Jeozabade, com cento e oitenta mil armados para a guerra.
19 Estes estavam no serviço do rei, afora os que o rei tinha posto nas cidades
fortes por todo o Judá.
II
CRÔNICAS
[18]
1 Tinha, pois, Jeosafá
riquezas e glória em abundância, e aparentou-se com Acabe.
2 Ao cabo de alguns anos foi ter com Acabe em Samária. E Acabe matou ovelhas e
bois em abundância, para ele e para o povo que o acompanhava; e o persuadiu a
subir com ele a Ramote-Gileade.
3 Perguntou Acabe, rei de Israel, a Jeosafá, rei de Judá: Irás tu comigo a
Ramote-Gileade? E respondeu-lhe Jeosafá: Como tu és sou eu, e o meu povo como o
teu povo; seremos contigo na guerra.
4 Disse mais Jeosafá ao rei de Israel: Consulta hoje a palavra do Senhor.
5 Então o rei de Israel ajuntou os profetas, quatrocentos homens, e lhes
perguntou: Iremos à peleja contra Ramote-Gileade, ou deixarei de ir?
Responderam eles: Sobe, porque Deus a entregará nas mãos do rei.
6 Disse, porém, Jeosafá: Não há aqui ainda algum profeta do Senhor a quem
possamos consultar?
7 Ao que o rei de Israel respondeu a Jeosafá: Ainda há um homem por quem
podemos consultar ao Senhor; eu, porém, o odeio, porque nunca profetiza o bem a
meu respeito, mas sempre o mal; é Micaías, filho de Inlá. Mas Jeosafá disse:
Não fale o rei assim.
8 Então o rei de Israel chamou um eunuco, e disse: Traze aqui depressa Micaías,
filho de Inlá.
9 Ora, o rei de Israel e Jeosafá, rei de Judá, vestidos de seus trajes reais,
estavam assentados cada um no seu trono, na praça à entrada da porta de
Samária; e todos os profetas profetizavam diante deles.
10 E Zedequias, filho de Quenaaná, fez para si uns chifres de ferro, e disse:
Assim diz o Senhor: Com estes ferirás os sírios, até que sejam consumidos.
11 E todos os profetas profetizavam o mesmo, dizendo: Sobe a Ramote-Gileade, e
serás bem sucedido, pois o Senhor a entregará nas mãos do rei.
12 O mensageiro que fora chamar Micaías lhe falou, dizendo: Eis que as palavras
dos profetas, a uma voz, são favoráveis ao rei: seja, pois, também a tua
palavra como a de um deles, e fala o que é bom.
13 Micaías, porém, disse: Vive o Senhor, que o que meu Deus me disser, isso
falarei.
14 Quando ele chegou à presença do rei, este lhe disse: Micaías, iremos a
Ramote-Gileade à peleja, ou deixarei de ir? Respondeu ele: Subi, e sereis bem
sucedidos; e eles serão entregues nas vossas mãos.
15 Mas o rei lhe disse: Quantas vezes hei de conjurar-te que não me fales senão
a verdade em nome do Senhor?
16 Respondeu ele: Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não
têm pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne em paz cada um para sua
casa.
17 Então o rei de Israel disse a Jeosafá: Não te disse eu que ele não
profetizaria a respeito de mim o bem, porém o mal?
18 Prosseguiu Micaías: Ouvi, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado
no seu trono, e todo o exército celestial em pé à sua direita e à sua esquerda.
19 E o Senhor perguntou: Quem induzirá Acabe, rei de Israel, a subir, para que
caia em Ramote-Gileade? E um respondia de um modo, e outro de outro.
20 Então saiu um espírito, apresentou-se diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei.
Perguntou-lhe o Senhor: De que modo?
21 E ele disse: Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os
seus profetas. Ao que disse o Senhor. Tu o induzirás, e prevalecerás; sai, e
faze assim.
22 Agora, pois, eis que o Senhor pôs um espírito mentiroso na boca destes teus
profetas; o Senhor é quem falou o mal a respeito de ti.
23 Então Zedequias, filho de Quenaaná, chegando-se, feriu a Micaías na face e
disse: Por que caminho passou de mim o Espírito do Senhor para falar a ti?
24 Respondeu Micaías: Eis que tu o verás naquele dia, quando entrares numa
câmara interior para te esconderes.
25 Então disse o rei de Israel: Tomai Micaías, e tornai a levá-lo a Amom, o
govenador da cidade, e a Joás, filho do rei,
26 dizendo-lhes: Assim diz o rei: Metei este homem no cárcere, e sustentai-o a
pão e água até que eu volte em paz.
27 Mas disse Micaías: se tu voltares em paz, o Senhor não tem falado por mim.
Disse mais: Ouvi, povos todos!
28 Subiram, pois, o rei de Israel e Jeosafá, rei de Judá, a Ramote-Gileade.
29 E disse o rei de Israel a Jeosafá: Eu me disfarçarei, e entrarei na peleja;
tu, porém, veste os teus trajes reais. Disfarçou- se, pois, o rei de Israel, e
eles entraram na peleja.
30 Ora, o rei da Síria dera ordens aos capitães dos seus carros, dizendo: Não
pelejareis nem contra pequeno nem contra grande, senão só contra o rei de
Israel.
31 Pelo que os capitães dos carros, quando viram a Jeosafá, disseram: Este é o
rei de Israel. Viraram-se, pois, para pelejar contra ele; mas Jeosafá clamou, e
o Senhor o socorreu, e os desviou dele.
32 Pois vendo os capitães dos carros que não era o rei de Israel, deixaram de
segui-lo.
33 Então um homem entesou e seu arco e, atirando a esmo, feriu o rei de Israel
por entre a couraça e a armadura abdominal. Pelo que ele disse ao carreteiro:
Dá volta, e tira-me do exército, porque estou gravemente ferido.
34 E a peleja tornou-se renhida naquele dia; contudo o rei de Israel foi
sustentado no carro contra os sírios até a tarde; porém ao pôr do sol morreu.
II
CRÔNICAS
[19]
1 Jeosafá, rei de Judá,
voltou em paz à sua casa em Jerusalém.
2 Mas Jeú, filho de Hanâni, a vidente, saiu ao encontro do rei Jeosafá e lhe
disse: Devias tu ajudar o ímpio, e amar aqueles que odeiam ao Senhor? Por isso
virá sobre ti grande ira da parte do Senhor.
3 Contudo, alguma virtude se acha em ti, porque tiraste para fora da terra as
aserotes, e dispuseste o teu coração para buscar a Deus.
4 Habitou, pois, Jeosafá em Jerusalém; e tornou a passar pelo povo desde
Berseba até a região montanhosa de Efraim, fazendo com que voltasse ao Senhor
Deus de seus pais.
5 Estabeleceu juízes na terra, em todas as cidades fortes de Judá, de cidade em
cidade;
6 e disse aos juízes: Vede o que fazeis; porque não julgais da parte do homem,
mas da parte do Senhor, e ele está convosco no julgamento.
7 Agora, pois, seja o temor do Senhor convosco; tomai cuidado no que fazeis;
porque não há no Senhor nosso Deus iniqüidade, nem acepção de pessoas, nem
aceitação de presentes.
8 Também em Jerusalém estabeleceu Jeosafá alguns dos levitas e dos sacerdotes e
dos chefes das casas paternas de Israel sobre e juízo da parte do Senhor, e
sobre as causas civis. E voltaram para Jerusalém.
9 E deu-lhes ordem, dizendo: Assim procedei no temor do Senhor, com fidelidade
e com coração perfeito.
10 Todas as vezes que se vos submeter qualquer controvérsia da parte de vossos
irmãos que habitam nas suas cidades, entre sangue e sangue, entre lei e
mandamento, entre estatutos e juízos, admoestai- os a que se não façam culpados
para com o Senhor, e deste modo venha grande ira sobre vós e sobre vossos
irmãos. Procedei assim, e não vos fareis culpados.
11 E eis que Amarias, o sumo sacerdete, presidirá sobre vós em todos os
negócios do Senhor; e Zebadias, filho de Ismael, príncipe da casa de Judá, em
todos os negócios do rei; também os levitas serão oficiais perante vós.
Procedei corajosamente e seja o Senhor com os retos.
II
CRÔNICAS
[20]
1 Depois disto sucedeu que os
moabitas, e os amonitas, e com eles alguns dos meunitas vieram contra Jeosafá
para lhe fazerem guerra.
2 Vieram alguns homens dar notícia a Jeosafá, dizendo: Vem contra ti uma grande
multidão de Edom, dalém do mar; e eis que já estão em Hazazom-Tamar, que é
En-Gedi.
3 Então Jeosafá teve medo, e pôs-se a buscar ao Senhor, e apregoou jejum em
todo o Judá.
4 E Judá se ajuntou para pedir socorro ao Senhor; de todas as cidades de Judá
vieram para buscarem ao Senhor.
5 Jeosafá pôs-se em pé na congregação de Judá e de Jerusalém, na casa do
Senhor, diante do átrio novo,
6 e disse: ç Senhor, Deus de nossos pais, não és tu Deus no céu? e não és tu
que governas sobre todos os reinos das nações? e na tua mão há poder e força,
de modo que não há quem te possa resistir.
7 ç nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu
povo Israel, e não a deste para sempre à descendência de Abraão, teu amigo?
8 E habitaram nela, e nela edificaram um santuário ao teu nome, dizendo:
9 Se algum mal nos sobrevier, espada, juízo, peste, ou fome, nós nos
apresentaremos diante desta casa e diante de ti, pois teu nome está nesta casa,
e clamaremos a ti em nossa aflição, e tu nos ouvirás e livrarás.
10 Agora, pois, eis que os homens de Amom, de Moabe, e do monte Seir, pelos
quais não permitiste que passassem os filhos de Israel, quando vinham da terra
do Egito, mas deles se desviaram e não os destruíram -
11 eis como nos recompensam, vindo para lançar-nos fora da tua herança, que nos
fizeste herdar.
12 ç nosso Deus, não os julgarás? Porque nós não temos força para resistirmos a
esta grande multidão que vem contra nós, nem sabemos o que havemos de fazer;
porém os nossos olhos estão postos em ti.
13 E todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também os seus pequeninos,
as suas mulheres, e os seus filhos.
14 Então veio o Espírito do Senhor no meio da congregação, sobre Jaaziel, filho
de Zacarias, filho de Benaías, filho de Jeiel, filho de Matanias o levita, dos
filhos de Asafe,
15 e disse: Dai ouvidos todo o Judá, e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei
Jeosafá. Assim vos diz o Senhor: Não temais, nem vos assusteis por causa desta
grande multidão, porque a peleja não é vossa, mas de Deus.
16 Amanhã descereis contra eles; eis que sobem pela ladeira de Ziz, e os
achareis na extremidade do vale, defronte do deserto de Jeruel.
17 Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados e vede o
livramento que o Senhor vos concederá, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos
assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor está convosco.
18 Então Jeosafá se prostrou com o rosto em terra; e todo o Judá e os moradores
de Jerusalém se lançaram perante o Senhor, para o adorarem.
19 E levantaram-se os levitas dos filhos dos coatitas e dos filhos dos
coraítas, para louvarem ao Senhor Deus de Israel, em alta voz.
20 Pela manhã cedo se levantaram saíram ao deserto de Tecoa; ao saírem, Jeosafá
pôs-se em pé e disse: Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém. Crede no
Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e sereis bem
sucedidos.
21 Tendo ele tomado conselho com o povo, designou os que haviam de cantar ao
Senhor e louvá-lo vestidos de trajes santos, ao saírem diante do exército, e
dizer: Dai graças ao Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre.
22 Ora, quando começaram a cantar e a dar louvores, o Senhor pôs emboscadas
contra os homens de Amom, de Moabe e do monte Seir, que tinham vindo contra
Judá; e foram desbaratados.
23 Pois os homens de Amom e de Moabe se levantaram contra os moradores do monte
Seir, para os destruir e exterminar; e, acabando eles com os moradores do monte
Seir, ajudaram a destruir-se uns aos outros.
24 Nisso chegou Judá à atalaia do deserto; e olharam para a multidão, e eis que
eram cadáveres que jaziam por terra, não havendo ninguém escapado.
25 Quando Jeosafá e o seu povo vieram para saquear os seus despojos, acharam
entre eles gado em grande número, objetos de valor e roupas, assim como jóias
preciosas, e tomaram para si tanto que não podiam levar mais; por três dias
saquearam o despojo, porque era muito.
26 Ao quarto dia eles se ajuntaram no vale de Beraca; pois ali louvaram ao
Senhor. Por isso aquele lugar é chamado o vale de Beraca, até o dia de hoje.
27 Então, voltando dali todos os homens de Judá e de Jerusalém com Jeosafá à
frente deles, retornaram a Jerusalém com alegria; porque o Senhor os fizera regozijar-se,
sobre os seus inimigos.
28 Vieram, pois, a Jerusalém com alaúdes, com harpas e com trombetas, para a
casa do Senhor.
29 Então veio o temor de Deus sobre todos os reinos daqueles países, quando
eles ouviram que o Senhor havia pelejado contra os inimigos de Israel.
30 Assim o reino de Jeosafá ficou em paz; pois que o seu Deus lhe deu repouso
ao redor.
31 E Jeosafá reinou sobre Judá; era da idade de trinta e cinco anos quando
começou a reinar, e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. E o nome de sua mãe
era Azuba, filha de Sili.
32 Ele andou no caminho de Asa, seu pai, e não se desviou dele, fazendo o que
era reto aos olhos do Senhor.
33 Contudo os altos não foram tirados; nem tinha o povo ainda disposto o seu
coração para o Deus de seus pais.
34 Ora, o restante dos atos de Jeosafá, desde os primeiros até os últimos, eis
que está escrito nas crônicas de Jeú, filho de Hanâni, que estão inseridas no
livro dos reis de Israel.
35 Depois disto Jeosafá, rei de Judá, se aliou com Acazias, rei de Israel, que
procedeu impiamente;
36 aliou-se com ele para construírem navios que fossem a Társis; e construíram
os navios em Eziom-Geber.
37 Então Eliézer, filho de Dodavaú, de Maressa, profetizou contra Jeosafá,
dizendo: Porquanto te aliaste com Acazias, o Senhor destruiu as tuas obras. E
os navios se despedaçaram e não puderam ir a Társis.
II
CRÔNICAS
[21]
1 Depois Jeosafá dormiu com
seus pais, e com eles foi sepultado na cidade de Davi. E Jeorão, seu filho,
reinou em seu lugar.
2 E tinha irmãos, filhos de Jeosafá: Azarias, Jeiel, Zacarias, Asarias, Micael
e Sefatias; todos estes foram filhos de Jeosafá, rei de Judá.
3 Seu pai lhes dera grandes dádivas, em prata, em ouro e em objetos preciosos,
juntamente com cidades fortes em Judá; mas o reino deu a Jeorão, porque ele era
o primogênito.
4 Ora, tendo Jeorão subido ao reino de seu pai, e havendo-se fortificado, matou
todos os seus irmãos à espada, como também alguns dos príncipes de Israel.
5 Jeorão tinha trinta e dois anos quando começou a reinar, e reinou oito anos
em Jerusalém.
6 E andou no caminho dos reis de Israel, como faz Acabe, porque tinha a filha
de Acabe por mulher; e fazia o que parecia mal aos olhos do senhor.
7 Contudo o Senhor não quis destruir a casa de Davi, em atenção ao pacto que
tinha feito com ele, e porque tinha dito que lhe daria por todos os dias uma
lâmpada, a ele e a seus filhos.
8 Nos dias de Jeorão os edomeus se revoltaram contra o domínio de Judá, e
constituíram para si um rei.
9 Pelo que Jeorão passou adiante com os seus chefes e com todos os seus carros;
e, levantando-se de noite, desbaratou os edomeus, que tinham cercado a ele e
aos capitães dos carros.
10 Todavia os edomeus ficaram revoltados contra o domínio de Judá até o dia de
hoje. Nesse mesmo tempo Libna também se revoltou contra o seu domínio, porque
ele deixara ao Senhor, Deus de seus pais.
11 Ele fez também altos nos montes de Judá, induziu os habitantes de Jerusalém
à idolatria e impeliu Judá a prevaricar.
12 Então lhe veio uma carta da parte de Elias, o profeta, que dizia: Assim diz
o Senhor, Deus de Davi teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Jeosafá,
teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá;
13 mas andaste no caminho dos reis de Israel e induziste Judá e os habitantes
de Jerusalém a idolatria semelhante à idolatria da casa de Acabe, e também
mataste teus irmãos, da casa de teu pai, os quais eram melhores do que tu;
14 eis que o Senhor ferirá com uma grande praga o teu povo, os teus filhos, as
tuas mulheres e toda a tua fazenda;
15 e tu terás uma grave enfermidade; a saber, um mal nas tuas entranhas, ate
que elas saiam, de dia em dia, por causa do mal.
16 E o Senhor despertou contra Jeorão o espírito dos filisteus e dos árabes que
estão da banda dos etíopes.
17 Estes subiram a Judá e, dando sobre ela, levaram toda a fazenda que se achou
na casa do rei, como também seus filhos e suas mulheres; de modo que não lhe
ficou filho algum, senão Jeoacaz, o mais moço de seus filhos.
18 E depois de tudo isso o Senhor o feriu nas suas entranhas com uma
enfermidade incurável.
19 No decorrer do tempo, ao fim de dois anos, saíram-lhe as entranhas por causa
da doença, e morreu desta horrível enfermidade. E o seu povo não lhe queimou
aromas como queimara a seus pais.
20 Tinha trinta e dois anos quando começou a reinar, e reinou oito anos em
Jerusalém. Morreu sem deixar de si saudades; e o sepultaram na cidade de Davi,
porém não nos sepulcros dos reis.
II
CRÔNICAS
[22]
1 Então os habitantes de
Jerusalém fizeram reinar em seu lugar Acazias, seu filho mais moço, porque a
tropa que viera com os árabes ao arraial tinha matado todos os mais velhos.
Assim reinou Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá.
2 Tinha quarenta e dois anos quando começou a reinar, e reinou um ano em
Jerusalém. E o nome de sua mãe era Atalia, filha de Onri.
3 Ele também andou nos caminhos da casa de Acabe, porque sua mãe era sua
conselheira para proceder impiamente.
4 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, como fez a casa de Acabe; porque
eles eram seus conselheiros depois da morte de seu pai, para sua perdição.
5 Andando nos conselhos deles foi com Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, a
guerrear contra Hazael, rei da Síria, junto a Ramote-Gileade; e os sírios
feriram Jorão,
6 o qual voltou para curar-se em Jizreel das feridas que lhe fizeram em Ramá,
quando ele pelejava contra Hazael, rei da Síria. E Acazias, filho de Jeorão,
rei de judá, desceu para visitar Jorão, filho de Acabe, em Jizreel, por estar
ele doente.
7 Foi por vontade de Deus que Acazias, para sua ruína visitou Jorão; pois,
quando chegou, saiu com Jorão contra Jeú, filho de Ninsi, a quem o Senhor tinha
ungido para exterminar a casa de Acabe.
8 E quando Jeú executava juízo contra a casa de Acabe, achou os príncipes de
Judá e os filhos dos irmãos de Acazias, que o serviam, e os matou.
9 Depois buscou a Acazias, o qual foi preso quando se escondia em Samária,
trouxeram-no a Jeú e o mataram. Então o sepultaram, pois disseram: É filho de
Jeosafá, que buscou ao Senhor de toda o seu coração. E já não tinha a casa de
Acazias ninguém que fosse capaz de reinar.
10 Vendo Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se e
destruiu toda a estirpe real da casa de Judá.
11 Mas Jeosabeate, filha do rei, tomou Joás, filho de Acazias, e o furtou
dentre os filhos do rei, que estavam para ser mortos, e o pôs com a sua ama na
câmara dos leitos. Assim Jeosabeate, filha do rei Jeorão, mulher do sacerdote
Jeoiada e irmã de Acazias, o escondeu de Atalia, de modo que ela não o matou.
12 E esteve com eles seis anos, escondido na casa de Deus; e Atalia reinou
sobre a terra.
II
CRÔNICAS
[23]
1 Ora, no sétimo ano Jeoiada,
cobrando ânimo, tomou consigo em aliança os capitães de cem, Azarias, filho de
Jeroão, Ismael, filho de Jeoanã, Azarias, filho de Obede, Maaséias, filho de
Adaías, e Elisafaté, filho de Zicri.
2 Estes percorreram a Judá, ajuntando os levitas de todas as cidades de Judá e
os chefes das casas paternas de Israel; e vieram para Jerusalém.
3 E toda aquela congregação fez aliança com o rei na casa de Deus. E Jeoiada
lhes disse: Eis que reinará o filho do rei, como o Senhor falou a respeito dos
filhos de Davi.
4 Isto é o que haveis de fazer: uma terça parte de vós, isto é, dos sacerdotes
e dos levitas que entram no sábado, servirá de porteiros às entradas;
5 outra terça parte estará junto à casa do rei; e a outra terça parte à porta
do Fundamento; e todo o povo estará nos átrios da casa do Senhor.
6 Não entre, porém, ninguém na casa da Senhor, senão os sacerdotes e os levitas
que ministram; estes entrarão, porque são santos; mas todo o povo guardará a
ordenança do Senhor.
7 E os levitas cercarão o rei de todos os lados, cada um com as suas armas na
mão; e qualquer que entrar na casa seja morto; mas acompanhai vós o rei, quando
entrar e quando sair.
8 Fizeram, pois, os levitas e todo o Judá conforme tudo o que ordenara e sacerdote
Jeoiada; e tomou cada um os seus homens, tanto os que haviam de entrar no
sábado como os que haviam de sair, pois o sacerdote Jeoiada não despediu as
turmas.
9 Também o sacerdote Jeoiada deu aos capitães de cem as lanças, os paveses e os
escudos que tinham pertencido ao rei Davi, os quais estavam na casa de Deus.
10 E dispôs todo o povo, cada um com as suas armas na mão, desde o lado direito
até o lado esquerdo da casa, por entre o altar e a casa, ao redor do rei.
11 Então tiraram para fora o filho do rei e, pondo-lhe a coroa e o testemunho,
o fizeram rei; e Jeoiada e seus filhos o ungiram, e disseram: Viva o rei!
12 Ouvindo, pois, Atalia a voz de povo que corria e louvava ao rei, veio ao
povo na casa do Senhor;
13 e quando olhou, eis que o rei estava junto à sua coluna, à entrada, e os
capitães e os trombeteiros perto do rei; e todo o povo da terra se alegrava, e
tocava trombetas; e também os cantores tocavam instrumentos musicais, e
dirigiam os cânticos de louvor. Então Atalia, rasgando os seus vestidos,
clamou: Traição! Traição!
14 Nisso o sacerdote Jeoiada trouxe para fora os centuriões que estavam sobre o
exército e disse-lhes: Trazei-a por entre as fileiras, e o que a seguir seja
morto à espada. Pois o sacerdote dissera: Não a mateis na casa do Senhor.
15 Então deitaram as mãos nela; e ela foi até a entrada da porta dos cavalos,
que dá para a casa do rei, e ali a mataram.
16 E Jeoiada firmou um pacto entre si e o povo todo e o rei, pelo qual seriam o
povo do Senhor.
17 Depois todo o povo entrou na casa de Baal, e a derrubaram; quebraram os seus
altares e as suas imagens, e a Matã, sacerdote de Baal, mataram diante dos
altares.
18 E Jeoiada dispôs guardas na casa do Senhor, sob a direção dos sacerdotes
levíticos a quem Davi designara na casa do Senhor para oferecerem com alegria e
com cânticos os holocaustos do Senhor, como está escrito na lei de Moisés, e
segundo a ordem de Davi.
19 Colocou porteiros às portas da casa do Senhor, para que não entrasse nela
ninguém imundo no tocante a coisa alguma.
20 E tomou os centuriões, os nobres, os governadores do povo e todo o povo da
terra; e conduziram da casa do Senhor o rei e, passando pela porta superior
para a casa do rei, fizeram-no sentar no trono real.
21 Assim todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz, depois que
mataram Atalia à espada.
II
CRÔNICAS
[24]
1 Tinha Joás sete anos quando
começou a reinar, e reinou quarenta anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era
Zíbia, de Berseba.
2 E Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor por todos os dias do sacerdote
Jeoiada.
3 E tomou Jeoiada para ele duas mulheres, das quais teve filhos e filhas.
4 Depois disso Joás resolveu renovar a casa do Senhor.
5 Reuniu, pois, os sacerdotes e os levitas e lhes disse: Saí pelas cidades de
Judá, e levantai dinheiro de todo a Israel, anualmente, para reparar a casa do
vosso Deus; e vede que apresseis este negócio: contudo os levitas não o
apressaram.
6 Pelo que o rei chamou Jeoiada, o chefe, e lhe perguntou: Por que não tens
obrigado os levitas a trazerem de Judá e de Jerusalém o imposto ordenado por
Moisés, servo do Senhor, à congregação de Israel, para a tenda do testemunho?
7 Pois os filhos de Atalia, aquela mulher ímpia, tinham arruinado a casa de Deus;
e até empregaram todas as coisas sagradas da casa do Senhor no serviço dos
baalins.
8 O rei, pois, deu ordem; e fizeram uma arca, e a puseram do lado de fora, à
porta da casa do Senhor.
9 E publicou-se em Judá e em Jerusalém que trouxessem ao Senhor o imposto que
Moisés, o servo de Deus, havia ordenado a Israel no deserto.
10 Então todos os príncipes e todo o povo se alegraram, e trouxeram o imposto e
o lançaram na arca, até que ficou cheia.
11 E quando era trazida a arca pelas mãos dos levitas ao recinto do rei, na
ocasião em que viam que havia muito dinheiro, vinham o escrivão do rei e o
deputado do sumo sacerdote, esvaziavam a arca e, tomando-a, tornavam a levá-la
ao seu lugar. Assim faziam dia após dia, e ajuntaram dinheiro em abundância.
12 E o rei e Jeoiada davam-no aos encarregados da obra da casa do Senhor; e
assalariaram pedreiros e carpinteiros para renovarem a casa do Senhor, como
tambem os que trabalhavam em ferro e em bronze para repararem a casa do Senhor.
13 Assim os encarregados da obra faziam com que o serviço da reparação
progredisse nas suas mãos; e restituíram a casa de Deus a seu estado anterior,
e a consolidaram.
14 Depois de acabarem a obra trouxeram ao rei e a Jeoiada o resto do dinheiro,
e dele se fizeram utensílios para a casa do Senhor, para serem usados no
ministério e nos holocaustos, e colheres, e vasos de ouro e de prata. E se
ofereciam holocaustos continuamente na casa do Senhor, por todos os dias de
Jeoiada.
15 Jeoiada, porém, envelheceu e, cheio de dias, morreu; tinha cento e trinta
anos quando morreu.
16 E o sepultaram na cidade de Davi com os reis, porque tinha feito o bem em
Israel, e para com Deus e sua casa.
17 E depois da morte de Jeoiada vieram os príncipes de Judá e prostraram-se
diante do rei; então o rei lhes deu ouvidos.
18 E eles, abandonando a casa do Senhor, Deus de seus pais, serviram aos
aserins e aos ídolos; de sorte que veio grande ira sobre Judá e Jerusalém por
causa desta sua culpa.
19 Contudo Deus enviou profetas entre eles para os fazer tornar ao Senhor, os
quais protestaram contra eles; mas eles não lhes deram ouvidos.
20 E o Espírito de Deus apoderou-se de Zacarias, filho do sacerdote Jeoiada, o
qual se pôs em pé acima do povo, e lhes disse: Assim diz Deus: Por que
transgredis os mandamentos do Senhor, de modo que não possais prosperar?
Porquanto abandonastes o Senhor, também ele vos abandonou.
21 Mas conspiraram contra ele e por ordem do rei, o apedrejaram no átrio da
casa do Senhor.
22 Assim o rei Joás não se lembrou da bondade que lhe fizera Jeoiada pai de
Zacarias, antes matou-lhe o filho, o qual morrendo disse: Veja-o o Senhor, e o
retribua.
23 Decorrido um ano, o exército da Síria subiu contra Joás; e vieram a Judá e a
Jerusalém, e destruíram dentre o povo todos os seus príncipes, e enviaram todo
o seu despojo ao rei de Damasco.
24 O exército dos sírios viera com poucos homens, contudo o Senhor entregou nas
suas mãos um exército mui grande, porquanto abandonaram o Senhor, Deus de seus
pais. Assim executaram juízo contra Joás.
25 Quando os sírios se retiraram dele, deixaram-no gravemente ferido; então
seus servos conspiraram contra ele por causa do sangue dos filhos do sacerdote
Jeoiada, e o mataram na sua cama, e assim morreu; e o sepultaram na cidade de
Davi, porém não nos sepulcros dos reis.
26 Estes foram os que conspiraram contra ele Zabade, filho de Simeate a
amonita, e Jeozabade, filho de Sinrite a moabita.
27 Ora, quanto a seus filhos, e ao grande número de oráculos pronunciados
contra ele, e à restauração da casa de Deus, eis que estão escritos no
comentário do livro dos reis. E Amazias, seu filho, reinou em seu lugar.
II
CRÔNICAS
[25]
1 Amazias tinha vinte e cinco
anos quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. E o nome
de sua mãe era Jeoadã, de Jerusalém.
2 Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, mas não o fez com coração
perfeito.
3 Quando o reino já lhe tinha sido confirmado, ele matou os seus servos que
tinham assassinado o rei seu pai.
4 Contudo não matou os filhos deles mas fez segundo está escrito na lei: no
livro de Moisés, como o Senhor ordenou, dizendo: Não morrerão os pais pelos
filhos nem os filhos pelos pais; mas cada um morrerá pelo seu pecado.
5 Depois Amazias congregou Judá e o colocou, segundo as suas casas paternas sob
comandantes de milhares e de centenas, por todo o Judá e Benjamim; e os contou
de vinte anos para cima, e achou deles trezentos mil escolhidos que podiam ir à
guerra e sabiam manejar lança e escudo.
6 Também de Israel tomou a soldo cem mil varões valentes, por cem talentos de
prata.
7 Veio ter com ele, porém, um homem de Deus, dizendo: ç rei, não deixes ir
contigo o exército de Israel, porque o Senhor não é com Israel, a saber, com
todos os filhos de Efraim.
8 Mas se julgas que assim serás forte para a peleja, Deus te fará cair diante
do inimigo; pois Deus tem poder para ajudar e para fazer cair.
9 Então perguntou Amazias ao homem de Deus: Mas que se fará dos cem talentos de
prata que dei às tropas de Israel? Respondeu o homem de Deus: Mais tem o Senhor
que te dar do que isso.
10 Então Amazias separou as tropas que lhe tinham vindo de Efraim, para que
voltassem para a sua terra; pelo que muito se acendeu a ira deles contra Judá,
e voltaram para a sua terra ardendo em ira.
11 Amazias, cobrando ânimo, conduziu o seu povo, e foi ao Vale do Sal, onde
matou dez mil dos filhos de Seir.
12 Os filhos de Judá prenderam vivos outros dez mil, e trazendo-os ao cume da
rocha, lançaram-nos dali abaixo, de modo que todos foram despedaçados.
13 Mas os homens das tropas que Amazias despedira, não deixando que fossem com
ele à batalha, deram sobre as cidades de Judá, desde Samária até Bete-Horom, e
dos seus habitantes mataram três mil, e saquearam grande despojo.
14 Quando Amazias veio da matança dos edomeus, trouxe consigo os deuses dos
filhos de Seir e os elevou para serem os seus deuses, prostrando-se diante
deles e queimando-lhes incenso.
15 Pelo que o Senhor se irou contra Amazias e lhe enviou um profeta, que lhe
disse: Por que buscaste os deuses deste povo, os quais não livraram o seu
próprio povo da tua mão?
16 Enquanto ele ainda falava com o rei, este lhe respondeu: Fizemos-te
conselheiro do rei? Cala-te! Por que haverias de ser morto? Então o profeta
calou, havendo dito: Sei que Deus resolveu destruir-te, porquanto fizeste isto,
e não deste ouvidos a meu conselho.
17 Tendo Amazias, rei de Judá, tomado conselho, mandou dizer a Jeoás, filho de
Jeoacaz, filho de Jeú, rei de Israel: Vem, vejamo-nos face a face.
18 Mas Jeoás, rei de Israel, mandou responder a Amazias, rei de Judá: O cardo
que estava no Líbano mandou dizer ao cedro que estava no Líbano: Dá tua filha
por mulher a meu filho. Mas uma fera que estava no Líbano passou e pisou o
cardo.
19 Tu dizes a ti mesmo: Eis que feri Edom. Assim o teu coração se eleva para te
gloriares. Agora, pois, fica em tua casa; por que te meterias no mal, para
caíres tu e Judá contigo?
20 Amazias, porém, não lhe deu ouvidos; pois isto vinha de Deus, para
entregá-los na mão dos seus inimigos, porque buscaram os deuses de Edom.
21 Subiu, pois, Jeoás, rei de Israel; e ele e Amazias, rei de Judá, se viram
face a face em Bete-Semes, que pertence a Judá.
22 E Judá foi desbaratado diante de Israel, e fugiu cada um para a sua tenda.
23 E Jeoás, rei de Israel, prendeu Amazias, rei de Judá, filho de Joás, o filho
de Jeoacaz, em Bete-Semes, e o levou a Jerusalém; e derrubou o muro de
Jerusalém, desde a porta de Efraim até a porta da esquina, quatrocentos
côvados.
24 Também tomou todo o ouro, e toda a prata, e todos os utensílios que se
acharam na casa de Deus com Obede-Edom, e os tesouros da casa do rei, e os
reféns, e voltou pura Samária.
25 E Amazias, filho de Joás, rei de Judá, viveu quinze anos depois da morte de
Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel.
26 Quanto ao restante dos atos de Amazias, desde os primeiros até os últimos,
não estão porventura escritos no livro dos reis de Judá e de Israel?
27 Desde o tempo em que Amazias se desviou do Senhor, conspiraram contra ele em
Jerusalém, e ele fugiu para Laquis; mas perseguiram-no até Laquis, e ali o
mataram.
28 E o trouxeram sobre cavalos e o sepultaram junto a seus pais na cidade de
Davi.
II
CRÔNICAS
[26]
1 Então todo o povo de Judá
tomou a Uzias, que tinha dezesseis anos, e o fizeram rei em lugar de seu pai
Amazias.
2 Ele edificou Elote, e a restituiu a Judá, depois que o rei dormiu com seus
pais.
3 Tinha Uzias dezesseis anos quando começou a reinar, e reinou cinqüenta e dois
anos em Jerusalém. E o nome de sua mãe era Jecolia, de Jerusalém.
4 Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera
Amazias seu pai.
5 E buscou a Deus enquanto viveu Zacarias, que o instruiu no temor de Deus; e
enquanto buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar.
6 Saiu e guerreou contra os filisteus, e derrubou o muro de Gate, o muro de
Jabné e o muro de Asdode; e edificou cidades no país de Asdode e entre os
filisteus;
7 porque Deus, o ajudou contra os filisteus e contra os árabes que habitavam em
Gur-Baal, e contra os meunitas.
8 Os amonitas pagaram tributo a Uzias; e a sua fama se espalhou até a entrada
do Egito, pois se tornou muito poderoso.
9 Também Uzias edificou torres em Jerusalém, à porta da esquina, à porta do
vale e ao ângulo do muro, e as fortificou.
10 Edificou torres no deserto, e cavou muitos poços, porque tinha muito gado
tanto nos vales como nas campinas; e tinha lavradores e vinhateiros nos montes
e nos campos férteis, pois era amigo da agricultura.
11 Tinha também Uzias um exército de homens destros nas armas, que saíam à
guerra em tropas, segundo o número da sua resenha feita pelo escrivão Jeiel e o
oficial Maaséias, sob as ordens de Hananias, um dos príncipes do rei.
12 O número total dos chefes das casas paternas, homens valorosos, era de dois
mil e seiscentos.
13 E sob as suas ordens havia um exército disciplinado de trezentos e sete mil
e quinhentos homens, que guerreavam valorosamente, para ajudarem o rei contra
os inimigos.
14 Uzias proveu o exército inteiro de escudos, lanças, capacetes, couraças e
arcos, e até fundas para atirar pedras.
15 E em Jerusalém fabricou máquinas, inventadas por peritos, para que fossem
colocadas nas torres e nos cantos das muralhas, a fim de se atirarem com elas
flechas e grandes pedras. E voou a sua fama até muito longe; porque foi
maravilhosamente ajudado, até que se tornou poderoso.
16 Mas, quando ele se havia tornado poderoso, o seu coração se exaltou de modo
que se corrompeu, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus; pois
entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso.
17 Mas o sacerdote Azarias entrou após ele, com oitenta sacerdotes do Senhor,
homens valorosos,
18 e se opuseram ao rei Uzias, dizendo-lhe: A ti, Uzias, não compete queimar
incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que foram
consagrados para queimarem incenso. Sai do santuário, pois cometeste uma
transgressão; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus.
19 Então Uzias se indignou; e tinha na mão um incensário para queimar incenso.
Indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, nasceu-lhe a lepra na testa,
perante os sacerdotes, na casa de Senhor, junto ao altar do incenso.
20 Então o sumo sacerdote Azarias olhou para ele, como também todos os
sacerdotes, e eis que já estava leproso na sua testa. E apressuradamente o
lançaram fora, e ele mesmo se apressou a sair, porque o Senhor o ferira.
21 Assim ficou leproso o rei Uzias até o dia da sua morte; e, por ser leproso,
morou numa casa separada, pois foi excluído da casa do Senhor. E Jotão, seu
filho, tinha o cargo da casa do rei, julgando o povo da terra.
22 Quanto ao restante dos atos de Uzias, desde os primeiros até os últimos, o
profeta Isaías, filho de Amoz, o escreveu.
23 Assim dormiu Uzias com seus pais, e com eles o sepultaram, isto é, no campo
de sepultura que era dos reis; pois disseram: ele é leproso. E Jotão, seu
filho, reinou em seu lugar.
II
CRÔNICAS
[27]
1 Tinha Jotão vinte e cinco
anos quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em Jerusalém. E o nome de
sua mãe era Jerusa, filha de Zadoque,
2 Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Uzias,
seu pai; todavia não invadiu o templo do Senhor. Mas o povo ainda se corrompia.
3 Ele construiu a porta superior da casa do Senhor, e edificou extensivamente
sobre o muro de Ofel.
4 Também edificou cidades na região montanhosa de Judá, e castelos e torres nos
bosques.
5 Guerreou contra o rei dos amonitas e prevaleceu sobre eles; de modo que os
amonitas naquele ano lhe deram cem talentos de prata, dez mil coros de trigo e
dez mil de cevada. Isso lhe trouxeram os amonitas também no segundo e no
terceiro ano.
6 Assim Jotão se tornou poderoso, porque dirigiu os seus caminhos na presença
do Senhor seu Deus.
7 Ora, o restante dos atos de Jotão, e todas as suas guerras e os seus
caminhos, eis que estão escritos no livro dos reis de Israel e de Judá.
8 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em
Jerusalém.
9 E Jotão dormiu com seus pais, e o sepultaram na cidade de Davi. E Acaz, seu
filho, reinou em seu lugar.
II
CRÔNICAS
[28]
1 Tinha Acaz vinte anos
quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em Jerusalém. E não fez o que
era reto aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai;
2 mas andou nos caminhos dos reis de Israel, e até fez imagens de fundição para
os baalins.
3 Também queimava incenso no vale do filho de Hinom, e queimou seus filhos no
fogo, conforme as abominações das nações que o senhor expulsara de diante dos
filhos de Israel.
4 E sacrificava e queimava incenso nos altos e nos outeiros, como também
debaixo de toda árvore frondosa.
5 Pelo que o Senhor seu Deus o entregou na mão do rei dos sírios, os quais o
derrotaram e tomaram-lhe em cativeiro grande multidão de presos, que levaram
para Damasco. Foi também entregue na mão do rei de Israel, o qual lhe infligiu
grande derrota,
6 pois Peca, filho de Remalias, matou em Judá, num só dia cento e vinte mil
todos homens valentes; porquanto haviam abandonado o Senhor, Deus de seus pais.
7 E Zicri, varão poderoso de Efraim matou Maaséias, filho do rei, e Azricão, e
mordomo, e Elcana, o segundo depois do rei.
8 E os filhos de Israel levaram cativos de seus irmãos duzentos mil, mulheres
filhos e filhas; também saquearam deles grande despojo, que levaram para
Samária.
9 Mas estava ali um profeta do Senhor, cujo nome era Odede, o qual saiu ao
encontro do exército que vinha para Samária, e lhe disse: Eis que, irando-se o
Senhor Deus de vossos pais contra Judá, os entregou na vossa mão, e vós os
matastes com uma raiva que chegou até o céu.
10 E agora vós quereis sujeitar a vós os filhos de Judá e de Jerusalém, como
escravos e escravas; porventura não sois vós mesmos culpados para com o Senhor
vosso Deus?
11 Agora, pois, ouvi-me, e tornai a enviar os cativos que trouxestes dentre
vossos irmãos, pois o ardor da ira do Senhor está sobre vós.
12 Então alguns dos chefes dos efraimitas, a saber, Azarias, filho de Joanã,
Berequias, filho de Mesilemote, Jeizquias, filho de Salum, e Amasa, filho de
Hadlai, se levantaram contra os que voltavam da guerra,
13 e lhes disseram: Não fareis entrar aqui estes cativos; porque, além da nossa
culpa contra o Senhor, o que vós quereis fazer acrescentaria mais a nossos
pecados e a nossas culpas; pois já temos grande culpa, e o ardor da ira do
Senhor está sobre Israel.
14 Então os homens armados deixaram os cativos e o despojo diante dos príncipes
e de toda a congregação.
15 E os homens já mencionados por nome se levantaram e tomaram os cativos, e
vestiram do despojo a todos os que dentre eles estavam nus; vestiram-nos, e os
calçaram, e lhes deram de comer e de beber, e os ungiram; e, levando sobre
jumentos todos os que estavam fracos, conduziram-nos a Jericó, a cidade das
palmeiras, a seus irmãos. Depois voltaram para Samária.
16 Naquele tempo o rei Acaz mandou pedir socorro ao rei da Assíria.
17 Pois de novo os edomeus, tendo invadido Judá, a derrotaram e levaram
prisioneiros.
18 Também os filisteus tinham invadido as cidades da baixada e do sul de Judá,
e tinham tomado Bete-Semes, Aijalom, Gederote, Socó e suas aldeias, Timna e
suas aldeias, e Ginzo e suas aldeias, estabelecendo-se ali.
19 Pois o Senhor humilhou Judá por causa do rei Acaz, porque este se houve
desenfreadamente em Judá, havendo desprezado ao Senhor.
20 E veio a ele Tilgate-Pilneser, rei da Assíria, e o pôs em aperto, em vez de
fortalecê-lo.
21 Pois Acaz saqueou a casa do Senhor, e a casa do rei, e dos príncipes, e deu
os despojos por tributo ao rei da Assíria; porém isso não o ajudou.
22 No tempo da sua angústia houve-se com ainda maior desprezo pelo Senhor, este
mesmo rei Acaz.
23 Pois sacrificou aos deuses de Damasco, que o tinham derrotado, e disse:
Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, portanto eu lhes sacrificarei,
para que me ajudem a mim. Eles, porém, foram a ruína dele e de todo o Israel.
24 Ajuntou Acaz os utensílios da casa de Deus, fê-los em pedaços, e fechou as
portas da casa do Senhor; e fez para si altares em todos os cantos de
Jerusalém.
25 Também em cada cidade de Judá fez altos para queimar incenso a outros
deuses, assim provocando à ira o Senhor, Deus de seus pais.
26 Ora, o restante dos seus atos e de todos os seus caminhos, desde os
primeiros até os últimos, eis que está escrito no livro dos reis de Judá e de
Israel.
27 E Acaz dormiu com seus pais, e o sepultaram na cidade, em Jerusalém; pois
não o puseram nos sepulcros dos reis de Israel. E Ezequias, seu filho, reinou
em seu lugar.
II
CRÔNICAS
[29]
1 Ezequias começou a reinar
quando tinha vinte e cinco anos; e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. E o
nome de sua mãe era Abia, filha de Zacarias.
2 Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera Davi,
seu pai.
3 Pois ele, no primeiro ano do seu reinado, no primeiro mês, abriu as portas da
casa do Senhor, e as reparou.
4 Fez vir os sacerdotes e os levitas e, ajuntando-os na praça oriental,
5 disse-lhes: Ouvi-me, ó levitas; santificai-vos agora, e santificai a casa do
Senhor, Deus de vossos pais, e tirai do santo lugar a imundícia.
6 Porque nossos pais se houveram traiçoeiramente, e fizeram o que era mau aos
olhos do Senhor nosso Deus; deixaram-no e, desviando os seus rostos da
habitação do Senhor, voltaram-lhe as costas.
7 Também fecharam as portas do alpendre, apagaram as lâmpadas, e não queimaram
incenso nem ofereceram holocaustos no santo lugar ao Deus de Israel.
8 Pelo que veio a ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e ele os entregou para
serem motivo de espanto, de admiração e de escárnio, como vós o estais vendo
com os vossos olhos.
9 Porque eis que nossos pais caíram à espada, e nossos filhos, nossas filhas e
nossas mulheres estão por isso em cativeiro.
10 Agora tenho no coração o propósito de fazer um pacto com o Senhor, Deus de
Israel, para que se desvie de nós o ardor da sua ira.
11 Filhos meus, não sejais negligentes, pois o Senhor vos escolheu para
estardes diante dele a fim de o servir, e para serdes seus ministros e
queimardes incenso.
12 Então se levantaram os levitas: Maate, filho de Amasai, e Joel, filho de
Azarias, dos filhos dos coatitas; e dos filhos de Merári: Quis, filho de Abdi,
e Azurias, filho de Jealelel; e dos gersonitas: Joá, filho de Zima, e Edem
filho de Joá;
13 e dos filhos de Elizafã: Sínri e Jeuel; dos filhos de Asafe; Zacarias e
Matanias;
14 e dos filhos de Hemã: Jeuel e Simei; e dos filhos de Jedutun: Semaías e
Uziel.
15 Ajuntaram seus irmãos, santificaram-se e entraram conforme a ordem do rei,
segundo as palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor.
16 Também os sacerdotes entraram na parte interior da casa do Senhor para a
limparem, e tirarem para fora, ao átrio da casa do Senhor, toda a imundícia que
acharem no templo do Senhor; e os levitas a tomaram e a levaram para fora, ao
ribeiro de Cedrom.
17 Começaram a santificá-la no primeiro dia do primeiro mês, e ao oitavo dia do
mês chegaram ao alpendre do Senhor, e santificaram a casa do Senhor em oito
dias; no décimo sexto dia do primeiro mês acabaram.
18 Então foram ter com o rei Ezequias no palácio, e disseram: Acabamos de
limpar toda a casa do Senhor, como também o altar do holocausto com todos os
seus utensílios, e a mesa dos pães da proposição com todos os seus utensílios.
19 Todos os utensílios que o rei Acaz, no seu reinado, lançou fora, na sua
infidelidade, já os preparamos e santificamos; e eis que estão diante do altar
do Senhor.
20 Então o rei Ezequias se levantou de madrugada, e ajuntou os príncipes da
cidade e subiu à casa do Senhor.
21 E trouxeram sete novilhos, sete carneiros, sete cordeiros e sete bodes, como
oferta pelo pecado a favor do reino, e do santuário e de Judá; e o rei deu
ordem aos sacerdotes, filhos de Arão, que os oferecessem sobre o altar do
Senhor.
22 Os sacerdotes pois imolaram os novilhos, e tomando o sangue o espargiram
sobre o altar; também imolaram os carneiros, e espargiram o sangue sobre o
altar; semelhantemente imolaram os cordeiros, e espargiram o sangue sobre o
altar.
23 Então trouxeram os bodes, como oferta pelo pecado, perante o rei e a
congregação, que lhes impuseram as mãos;
24 e os sacerdotes os imolaram, e com o seu sangue fizeram uma oferta pelo
pecado, sobre o altar, para fazer expiação por todo o Israel. Porque o rei
tinha ordenado que se fizesse aquele holocausto e aquela oferta pelo pecado por
todo o Israel.
25 Também dispôs os levitas na casa do Senhor com címbalos, alaúdes e harpas
conforme a ordem de Davi, e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã;
porque esta ordem viera do Senhor, por meio de seus profetas.
26 E os levitas estavam em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com
as trombetas.
27 E Ezequias ordenou que se oferecesse o holocausto sobre o altar; e quando
começou o holocausto, começou também o canto do Senhor, ao som das trombetas e
dos instrumentos de Davi, rei de Israel.
28 Então toda a congregação adorava, e os cantores cantavam, e os trombeteiros
tocavam; tudo isso continuou até se acabar o holocausto.
29 Tendo eles acabado de fazer a oferta, o rei e todos os que estavam com ele
se prostraram e adoraram.
30 E o rei Ezequias e os príncipes ordenaram aos levitas que louvassem ao
Senhor com as palavras de Davi, e de Asafe, o vidente. E eles cantaram louvores
com alegria, e se inclinaram e adoraram.
31 Então Ezequias disse: Agora que vos consagrastes ao Senhor chegai-vos e
trazei sacrifícios e ofertas em ação de graças a casa do Senhor. E a
congregação trouxe sacrifícios e ofertas em ação de graças, e todos os que
estavam dispostos de coração trouxeram holocaustos.
32 E o número dos holocaustos que a congregação trouxe foi de setenta novilhos,
cem carneiros e duzentos cordeiros, tudo isso em holocausto ao Senhor.
33 Houve também, de coisas consagradas, seiscentos bois e três mil ovelhas.
34 Eram, porém, mui poucos os sacerdotes, de modo que não podiam esfolar todos
os holocaustos; pelo que seus irmãos, os levitas, os ajudaram, até se acabar a
obra, e até que os outros sacerdotes se santificassem, pois os levitas foram
mais retos de coração, para se santificarem, do que os sacerdotes.
35 E houve também holocaustos em abundância, juntamente com a gordura das
ofertas pacíficas, e com as ofertas de libação para cada holocausto. Assim se
restabeleceu o ministério da casa do Senhor.
36 E Ezequias regozijou-se, e com ele todo o povo, por causa daquilo que Deus
tinha preparado a favor do povo; pois isto se fizera de improviso.
II
CRÔNICAS
[30]
1 Depois disso Ezequias
enviou mensageiros por todo o Israel e Judá, e escreveu cartas a Efraim e a
Manassés, para que viessem à casa do Senhor em Jerusalém, a fim de celebrarem a
páscoa ao Senhor Deus de Israel.
2 Pois o rei tivera conselho com os príncipes e com toda a congregação em
Jerusalém, para celebrarem a páscoa no segundo mês.
3 Pois não a puderam celebrar no tempo próprio porque não se tinham santificado
sacerdotes em número suficiente, e porque o povo não se tinha ajuntado em
Jerusalém.
4 Isto pareceu bem aos olhos do rei e de toda a congregação.
5 E decretaram que se fizesse proclamação por todo o Israel, desde Berseba até
Dã para que viessem celebrar a páscoa ao Senhor, Deus de Israel, em Jerusalém;
porque muitos não a tinham celebrado como está escrito.
6 Foram pois, os correios com as cartas, do rei e dos, seus príncipes, por todo
o Israel e Judá, segundo a ordem do rei, dizendo: Filhos de Israel, voltai para
o Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que ele se volte para o
restante de vós que escapastes da mão dos reis da Assíria.
7 Não sejais como vossos pais e vossos irmãos, que foram infiéis para com o
Senhor, Deus de seus pais, de modo que os entregou à desolação como vedes.
8 Não endureçais agora a vossa cerviz, como fizeram vossos pais; mas
submetei-vos ao Senhor, e entrai no seu santuário que ele santificou para
sempre, e servi ao Senhor vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de
vós.
9 Pois, se voltardes para o Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão
misericórdia diante dos que os levaram cativos, e tornarão para esta terra;
porque o Senhor vosso Deus é clemente e compassivo, e não desviará de vós o seu
rosto, se voltardes para ele.
10 Os correios, pois, foram passando de cidade em cidade, pela terra de Efraím
e Manassés, até Zebulom; porém riam-se e zombavam deles.
11 Todavia alguns de Aser, e de Manassés, e de Zebulom, se humilharam e vieram
a Jerusalém.
12 E a mão de Deus esteve com Judá, dando-lhes um só coração para cumprirem a
ordem do rei e dos príncipes conforme a palavra do Senhor.
13 E ajuntou-se em Jerusalém muito povo para celebrar a festa dos pães ázimos
no segundo mês, uma congregação mui grande.
14 E, levantando-se, tiraram os altares que havia em Jerusalém; também tiraram
todos os altares de incenso, e os lançaram no ribeiro de Cedrom.
15 Então imolaram a páscoa no décimo quarto dia do segundo mês; e os sacerdotes
e levitas, envergonhados, santificaram-se e trouxeram holocaustos à casa do
Senhor.
16 Tomaram os seus lugares, segundo a sua ordem, conforme a lei de Moisés,
homem de Deus; e os sacerdotes espargiram o sangue, que recebiam da mão dos
levitas.
17 Pois havia muitos na congregação que não se tinham santificado; pelo que os
levitas tiveram que imolar os cordeiros da páscoa por todo aquele que não
estava limpo, para o santificarem ao Senhor.
18 Porque uma multidão do povo, muitos de Efraím e Manassés, Issacar e Zebulom,
não se tinham purificado, contudo comeram a páscoa, ainda que não segundo o que
está escrito; pois Ezequias tinha orado por eles, dizendo: O Senhor, que é bom,
perdoe todo aquele
19 que dispõe o seu coração para buscar a Deus, o Senhor, o Deus de seus pais,
ainda que não esteja purificado segundo a purificação do santuário.
20 E o Senhor ouviu Ezequias, e sarou o povo.
21 E os filhos de Israel que se acharam em Jerusalém celebraram a festa dos
pães ázimos por sete dias com grande alegria; e os levitas e os sacerdotes
louvaram ao Senhor de dia em dia com instrumentos fortemente retinintes,
cantando ao Senhor.
22 E Ezequias falou benignamente a todos os levitas que tinham bom entendimento
no serviço do Senhor. Assim comeram as ofertas da festa por sete dias,
sacrificando ofertas pacíficas, e dando graças ao Senhor, Deus de seus pais.
23 E, tendo toda a congregação resolvido celebrar outros sete dias, celebraram
por mais sete dias com alegria.
24 Pois Ezequias, rei de Judá, apresentou à congregação para os sacrifícios mil
novilhos e sete mil ovelhas; e os príncipes apresentaram à congregação mil
novilhos e dez mil ovelhas; e os sacerdotes se santificaram em grande número.
25 E regozijaram-se toda a congregação de Judá, juntamente com os sacerdotes e
levitas, e toda a congregação dos que vieram de Israel, como também os
estrangeiros que vieram da terra de Israel e os que habitavam em Judá.
26 Assim houve grande alegria em Jerusalém, pois desde os dias de Salomão,
filho de Davi, rei de Israel, não tinha havido coisa semelhante em Jerusalém.
27 Então os levitas sacerdotes se levantaram e abençoaram o povo; e a sua voz
foi ouvida, porque a sua oração chegou até a santa habitação de Deus, até o
céu.
II
CRÔNICAS
[31]
1 Acabado tudo isso, todos os
israelitas que ali estavam saíram às cidades de Judá e despedaçaram as colunas,
cortaram os aserins, e derrubaram os altos e altares por toda a Judá e
Benjamim, como também em Efraim e Manassés, até os destruírem de todo. Depois
voltaram todos os filhos de Israel para as suas cidades, cada um para sua
possessão.
2 E Ezequias estabeleceu as turmas dos sacerdotes e levitas, turma por turma,
cada um segundo o seu serviço, tanto os sacerdotes como os levitas, para os
holocaustos e as ofertas pacíficas, para ministrarem, renderem ações de graças
e cantarem louvores nas portas do arraial do Senhor.
3 A contribuição da fazenda do rei foi designada para os holocaustos: os
holocaustos da manhã e da tarde, e os holocaustos dos sábados, das luas novas e
das festas fixas, como está escrito na lei do Senhor.
4 Além disso ordenou ao povo que morava em Jerusalém que desse a porção
pertencente aos sacerdotes e aos levitas, para que eles se dedicassem à lei do
Senhor.
5 Logo que esta ordem se divulgou, os filhos de Israel trouxeram em abundância
as primícias de trigo, mosto, azeite, mel e todo produto do campo; também
trouxeram em abundância o dízimo de tudo.
6 Os filhos de Israel e de Judá que habitavam nas cidades de Judá também
trouxeram o dízimo de bois e de ovelhas, e o dízimo das coisas dedicadas que
foram consagradas ao Senhor seu Deus, e depositaram-nos em montões.
7 No terceiro mês começaram a formar os montões, e no sétimo mês acabaram.
8 Vindo, pois, Ezequias e os príncipes, e vendo aqueles montões, bendisseram ao
Senhor e ao seu povo Israel.
9 Então perguntou Ezequias aos sacerdotes e aos levitas acerca daqueles montões.
10 Respondeu-lhe Azarias, o sumo sacerdote, que era da casa de Zadoque,
dizendo: Desde que o povo começou a trazer as ofertas para a casa do Senhor,
tem havido o que comer e de que se fartar, e ainda nos tem sobejado bastante,
porque o Senhor abençoou ao seu povo; e os sobejos constituem esta abastança.
11 Então ordenou Ezequias que se preparassem câmaras na casa do Senhor; e as
prepararam.
12 Ali recolheram fielmente as ofertas, os dízimos e as coisas dedicadas; e
tinha o cargo disto o levita Conanias, e depois dele Simei, seu irmão.
13 E Jeiel, Azazias, Naate, Asael, Jerimote, Jozabade, Eliel, Ismaquias, Maate
e Benaías eram superintendentes sob a direção de Conanias e de Simei, seu
irmão, por decreto do rei Ezequias e de Azarias, o chefe da casa de Deus.
14 E o levita Coré, filho de Imná, e guarda da porta oriental, estava
encarregado das ofertas voluntárias que se faziam a Deus, para distribuir as
ofertas do Senhor e as coisas santíssimas.
15 E debaixo das suas ordens estavam Edem, Miniamim, Jesuá, Semaías, Amarias e
Secanias, nas cidades dos sacerdotes, para fazerem com fidelidade a
distribuição a seus irmãos, segundo as suas turmas, tanto aos pequenos como aos
grandes,
16 exceto os que estavam contados pelas genealogias, varões da idade de três
anos para cima, todos os que entravam na casa do Senhor, para o seu serviço
diário nos seus cargos segundo as suas turmas.
17 Quanto ao registro dos sacerdotes, era feito segundo as suas casas paternas;
e o dos levitas da idade de vinte anos para cima era feito segundo os seus
cargos nas suas turmas.
18 Os sacerdotes eram arrolados com todos os seus pequeninos, suas mulheres,
seus filhos e suas filhas, por toda a congregação; porque estes se dedicavam
fielmente às coisas consagradas.
19 Também para os filhos de Arão os sacerdotes que estavam nos campos dos
arrabaldes das suas cidades, em cada cidade, havia homens designados por nome
para distribuírem porções a todo homem entre os sacerdotes e a todos os
arrolados entre os levitas.
20 Assim fez Ezequias em todo o Judá; e fez o que era bom, e reto, e fiel
perante o Senhor seu Deus.
21 E toda a obra que empreendeu no serviço da casa de Deus, e de acordo com a
lei e os mandamentos, para buscar a seu Deus, ele a fez de todo o seu coração e
foi bem sucedido.
II
CRÔNICAS
[32]
1 Depois destas coisas e
destes atos de fidelidade, veio Senaqueribe, rei da Assíria e, entrando em
Judá, acampou-se contra as cidades fortes, a fim de apoderar-se delas.
2 Quando Ezequias viu que Senaqueribe tinha vindo com o propósito de guerrear
contra Jerusalém,
3 teve conselho com os seus príncipes e os seus poderosos, para que se tapassem
as fontes das águas que havia fora da cidade; e eles o ajudaram.
4 Assim muito povo se ajuntou e tapou todas as fontes, como também o ribeiro
que corria pelo meio da terra, dizendo: Por que viriam os reis da Assíria, e
achariam tantas águas?
5 Ezequias, cobrando ânimo, edificou todo o muro que estava demolido,
levantando torres sobre ele, fez outro muro por fora, fortificou a Milo na
cidade de Davi, e fez armas e escudos em abundância.
6 Então pôs oficiais de guerra sobre o povo e, congregando-os na praça junto à
porta da cidade, falou-lhes ao coração, dizendo:
7 Sede corajosos, e tende bom ânimo; não temais, nem vos espanteis, por causa
do rei da Assíria, nem por causa de toda a multidão que está com ele, pois há
conosco um maior do que o que está com ele.
8 Com ele está um braço de carne, mas conosco o Senhor nosso Deus, para nos
ajudar e para guerrear por nós. E o povo descansou nas palavras de Ezequias,
rei de Judá.
9 Depois disso Senaqueribe, rei da Assíria, enquanto estava diante de Laquis,
com todas as suas forças, enviou os seus servos a Jerusalém a Ezequias, rei de
Judá, e a todo o Judá que estava em Jerusalém, dizendo:
10 Assim diz Senaqueribe, rei da Assíria: Em que confiais vós, para vos
deixardes sitiar em Jerusalém?
11 Porventura não vos engana Ezequias, para vos fazer morrer à fome e à sede,
quando diz: O Senhor nosso Deus nos livrará das mãos do rei da Assíria?
12 Esse mesmo Ezequias não lhe tirou os altos e os altares, e não ordenou a
Judá e a Jerusalém, dizendo: Diante de um só altar adorareis, e sobre ele
queimareis incenso?
13 Não sabeis vós o que eu e meus pais temos feito a todos os povos de outras
terras? Puderam de qualquer maneira os deuses das nações daquelas terras livrar
a sua terra da minha mão?
14 Qual é, de todos os deuses daquelas nações que meus pais destruíram, o que
pôde livrar o seu povo da minha mão, para que o vosso Deus vos possa livrar da
minha mão?
15 Agora, pois, não vos engane Ezequias, nem vos incite assim, nem lhe deis
crédito. Porque nenhum deus de nação alguma, nem de reino algum, pôde livrar o
seu povo da minha mão, nem da mão de meus pais; quanto menos o vosso Deus vos
poderá livrar da minha mão?
16 E os servos de Senaqueribe falaram ainda mais contra o Senhor Deus, e contra
o seu servo Ezequias.
17 Ele também escreveu cartas para blasfemar do Senhor Deus de Israel, dizendo
contra ele: Assim como os deuses das nações das terras não livraram o seu povo
da minha mão, assim também o Deus de Ezequias não livrará o seu povo da minha
mão.
18 E clamaram em alta voz, na língua dos judeus, ao povo de Jerusalém que
estava em cima do muro, para os atemorizarem e os perturbarem, a fim de tomarem
a cidade.
19 E falaram do Deus de Jerusalém como dos deuses dos povos da terra, que são
obras das mãos dos homens.
20 Mas o rei Ezequias e o profeta Isaías, filho de Amoz, oraram por causa
disso, e clamaram ao céu.
21 Então o Senhor enviou um anjo que destruiu no arraial do rei da Assíria
todos os guerreiros valentes, e os principes, e os chefes. Ele, pois,
envergonhado voltou para a sua terra; e, quando entrou na casa de seu deus,
alguns dos seus próprios filhos o mataram ali à espada.
22 Assim o Senhor salvou Ezequias, e os moradores de Jerusalém, da mão de
Senaqueribe, rei da Assíria, e da mão de todos; e lhes deu descanso de todos os
lados.
23 E muitos trouxeram presentes a Jerusalém ao Senhor, e coisas preciosas a
Ezequias, rei de Judá, de modo que desde então ele foi exaltado perante os
olhos de todas as nações.
24 Naqueles dias Ezequias, adoecendo, estava à morte: e orou ao Senhor o qual
lhe respondeu, e lhe deu um sinal.
25 Mas Ezequias não correspondeu ao benefício que lhe fora feito, pois o seu
coração se exaltou; pelo que veio grande ira sobre ele, e sobre Judá e
Jerusalém.
26 Todavia Ezequias humilhou-se pela soberba do seu coração, ele e os
habitantes de Jerusalém; de modo que a grande ira do Senhor não veio sobre eles
nos dias de Ezequias.
27 E teve Ezequias riquezas e honra em grande abundância; proveu-se de
tesourarias para prata, ouro, pedras preciosas, especiarias, escudos, e toda
espécie de objetos desejáveis;
28 também de celeiros para o aumento de trigo, de vinho, e de azeite; e de
estrebarias para toda a casta de animais, e de currais para os rebanhos.
29 Além disso edificou para si cidades, e teve rebanhos e manadas em
abundância; pois Deus lhe tinha dado muitíssima fazenda.
30 Também foi Ezequias quem tapou o manancial superior das águas de Giom,
fazendo-as correr em linha reta pelo lado ocidental da cidade de Davi.
Ezequias, pois, prosperou em todas as suas obras.
31 Contudo, no negócio dos embaixadores dos príncipes de Babilônia, que lhe
foram enviados a perguntarem acerca do prodígio que fora feito na sua terra,
Deus o desamparou para experimentá-lo, e para saber tudo o que havia no seu
coração.
32 Ora, o restante dos atos de Ezequias, e as suas boas obras, eis que estão
escritos na visão do profeta Isaías, filho de Amoz, no livro dos reis de Judá e
de Israel.
33 E Ezequias dormiu com seus pais, e o sepultaram no mais alto dos sepulcros
dos filhos de Davi; e todo o Judá e os habitantes de Jerusalém lhe renderam
honras na sua morte. E Manassés, seu filho, reinou em seu lugar.
II
CRÔNICAS
[33]
1 Tinha Manassés doze anos
quando começou a reinar, e reinou cinqüenta e cinco anos em Jerusalém.
2 E fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme as abominações dos povos
que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel.
3 Pois tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, tinha derribado; e
levantou altares aos baalins, e fez aserotes, e adorou a todo o exército do
céu, e o serviu.
4 Também edificou altares na casa do Senhor, da qual o Senhor tinha dito: Em
Jerusalém estará o meu nome eternamente.
5 Edificou altares a todo o exército do céu, nos dois átrios da casa do Senhor.
6 Além disso queimou seus filhos como sacrifício no vale do filho de Hinom; e
usou de augúrios e de encantamentos, e dava-se a artes mágicas, e instituiu
adivinhos e feiticeiros; sim, fez muito mal aos olhos do Senhor, para o
provocar à ira.
7 Também a imagem esculpida do ídolo que tinha feito, ele a colocou na casa de
Deus, da qual Deus tinha dito a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa, e em
Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei eu o meu nome para
sempre;
8 e nunca mais removerei o pé de Israel da terra que destinei a vossos pais;
contanto que tenham cuidado de fazer tudo o que eu lhes ordenei, toda a lei, os
estatutos e as ordenanças dados por intermédio de Moisés.
9 Manassés tanto fez errar a Judá e aos moradores de Jerusalém, que eles
fizeram o mal ainda mais do que as nações que o Senhor tinha destruído de
diante dos filhos de Israel.
10 Falou o Senhor a Manassés e ao seu povo, porém não deram ouvidos.
11 Pelo que o Senhor trouxe sobre eles os comandantes do exército do rei da
Assíria, os quais prenderam Manassés com ganchos e, amarrando-o com cadeias de
bronze, o levaram para Babilônia.
12 E estando ele angustiado, suplicou ao Senhor seu Deus, e humilhou-se muito
perante o Deus de seus pais;
13 sim, orou a ele; e Deus se aplacou para com ele, e ouviu-lhe a súplica, e
tornou a trazê-lo a Jerusalém, ao seu reino. Então conheceu Manassés que o
Senhor era Deus.
14 Ora, depois disso edificou um muro do lado de fora da cidade de Davi, ao
ocidente de Giom, no vale, até a entrada da porta dos peixes; e fê-lo passar ao
redor de Ofel, e o levantou muito alto; também pôs oficiais do exército em
todas as cidades fortificadas de Judá.
15 Tirou da casa do Senhor os deuses estranhos e o ídolo, como também todos os
altares que tinha edificado no monte da casa do Senhor, e em Jerusalém, e os
lançou fora da cidade.
16 Também reparou o altar do Senhor, e ofereceu sobre ele sacrifícios de
ofertas pacíficas e de ações de graças; e ordenou a Judá que servisse ao Senhor
Deus de Israel.
17 Contudo o povo ainda sacrificava nos altos, mas somente ao Senhor seu Deus.
18 O restante dos atos de Manassés, e a sua oração ao seu Deus, e as palavras
dos videntes que lhe falaram em nome do Senhor, Deus de Israelram os seus
altares e as suas imagens, e a Matã, sacerdote de
19 Também a sua oração, e como Deus se aplacou para com ele, e todo o seu
pecado, e a sua transgressão, e os lugares onde edificou altos e pôs os aserins
e as imagens esculpidas antes de se ter humilhado, eis que estão escritos nas
crônicas dos videntes.
20 E dormiu Manassés com seus pais, e o sepultaram em sua casa; e Amom, seu
filho, reinou em seu lugar.
21 Tinha Amom vinte e dois anos quando começou a reinar, e reinou dois anos em
Jerusalém.
22 Fez o que era mau aos olhos do Senhor, como havia feito Manassés, seu pai
Amom sacrificou a todas as imagens esculpidas que Manassés, seu pai, tinha
feito, e as serviu.
23 Mas não se humilhou perante o Senhor, como Manassés, seu pai, se humilhara;
pelo contrário multiplicou Amom os seus delitos.
24 E conspiraram contra ele os seus servos, e o mataram em sua casa.
25 Mas o povo da terra matou todos os que conspiraram contra o rei Amom, e fez
reinar em lugar dele seu filho Josias.
II
CRÔNICAS
[34]
1 Tinha Josias oito anos
quando começou a reinar, e reinou trinta e um anos em Jerusalém.
2 Fez o que era reto aos olhos do Senhor, e andou nos caminhos de Davi, seu
pai, sem se desviar deles nem para a direita nem para a esquerda.
3 Pois no oitavo ano do seu reinado, sendo ainda moço, começou a buscar o Deus
de Davi, seu pai; e no duodécimo ano começou a purificar Judá e Jerusalém, dos
altos, dos aserins e das imagens esculpidas e de fundição.
4 Foram derribados na presença dele os altares dos baalins; e ele derribou os altares
de incenso que estavam acima deles; os aserins e as imagens esculpidas e de
fundição ele os quebrou e reduziu a pó, que espargiu sobre as sepulturas dos
que lhes tinham sacrificado.
5 E os ossos dos sacerdotes queimou sobre os seus altares; e purificou Judá e
Jerusalém.
6 E nas cidades de Manassés, de Efraim, de Simeão e ainda até Naftali, em seus
lugares assolados ao redor,
7 derribou os altares, reduziu a pó os aserins e as imagens esculpidas, e
cortou todos os altares de incenso por toda a terra de Israel. Então, voltou
para Jerusalém.
8 No décimo oitavo ano do seu reinado, havendo já purificado a terra e a casa,
ele enviou Safã, filho de Azalias, Maaséias, o governador da cidade, e Joá,
filho de Joacaz, o cronista, para repararem a casa do Senhor seu Deus.
9 E foram ter com Hilquias, o sumo sacerdote, e entregaram o dinheiro que se
tinha trazido à casa de Deus, e que os levitas, guardas da entrada, tinham
recebido da mão de Manassés, de Efraim e de todo o resto de Israel, como
também, de todo o Judá e Benjamim, e dos habitantes de Jerusalém.
10 E eles o entregaram nas mãos dos oficiais que eram superintendentes da casa
do Senhor; estes o deram aos que faziam a obra e que trabalhavam na casa do
Senhor, para consertarem e repararem a casa.
11 Deram-no aos carpinteiros e aos edificadores, a fim de comprarem pedras
lavradas, e madeiras para as junturas e para servirem de vigas para as casas
que os reis de Judá tinham destruído.
12 E os homens trabalhavam fielmente na obra; e os superintendentes sobre eles
eram Jaate e Obadias, levitas, dos filhos de Merári, como também Zacarias e
Mesulão, dos filhos dos coatitas, para adiantarem a obra; e todos os levitas
que eram entendidos em instrumentos de música.
13 Estavam sobre os carregadores e dirigiam todos os que trabalhavam em
qualquer sorte de serviço; também dentre os levitas eram os escrivães, os
oficiais e os porteiros.
14 Ora, quando estavam tirando o dinheiro que se tinha trazido à casa do
Senhor, Hilquias, o sacerdote, achou o livro da lei do Senhor dada por
intermédio de Moisés.
15 Disse Hilquias a Safã, o escrivão: Achei o livro da lei na casa do Senhor. E
entregou o livro a Safã.
16 Safã levou o livro ao rei, e deu conta também ao rei, dizendo: Teus servos
estão fazendo tudo quanto se lhes encomendou.
17 Tomaram o dinheiro que se achou na casa do Senhor, e o entregaram nas mãos
dos superintendentes e nas mãos dos que fazem a obra.
18 Safã, o escrivão, falou ainda ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias
entregou-me um livro. E Safã leu nele perante o rei.
19 Quando o rei ouviu as palavras da lei, rasgou as suas vestes.
20 E o rei ordenou a Hilquias, a Aicão, filho de Safã, a Abdom, filho de Mica,
a Safã, o escrivão, e a Asaías, servo do rei, dizendo:
21 Ide, consultai ao Senhor por mim e pelos que restam em Israel e em Judá,
sobre as palavras deste livro que se achou; pois grande é o furor do Senhor que
se tem derramado sobre nos por não terem os nossos pais guardado a palavra do
Senhor, para fazerem conforme tudo quanto está escrito neste livro.
22 Então Hilquias e os enviados do rei foram ter com a profetisa Hulda, mulher
de Salum, filho de Tocate, filho de Hasra, o guarda das vestiduras (ela
habitava então em Jerusalém na segunda parte); e lhe falaram a esse respeito.
23 E ela lhes respondeu: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Dizei ao homem que
vos enviou a mim:
24 Assim diz o Senhor: Eis que trarei o mal sobre este lugar, e sobre os seus
habitantes, a saber, todas as maldições que estão escritas no livro que se leu
perante o rei de Judá.
25 Porque me deixaram, e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem
à ira com todas as obras das suas mãos; portanto o meu furor se derramará sobre
este lugar, e não se apagará.
26 Todavia ao rei de Judá, que vos enviou para consultar ao Senhor, assim lhe
direis: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Quanto às palavras que ouviste,
27 porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo
as suas palavras contra este lugar e contra os seus habitantes, e te humilhaste
perante mim, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te
ouvi, diz o Senhor.
28 Eis que te ajuntarei a teus pais, e tu serás recolhido ao teu sepulcro em
paz, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar e
sobre os seus habitantes. E voltaram com esta resposta ao rei.
29 Então o rei mandou reunir todos os anciãos de Judá e de Jerusalém;
30 e o rei subiu à casa do Senhor, com todos os homens de Judá, e os habitantes
de Jerusalém, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o menor até o
maior; e ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do pacto, que
fora encontrado na casa do Senhor.
31 E o rei pôs-se em pé em seu lugar, e fez um pacto perante o Senhor, de andar
após o Senhor, e de guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os
seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, a fim de cumprir as
palavras do pacto, que estavam escritas naquele livro.
32 Também fez com que todos quantos se achavam em Jerusalém e em Benjamim o
firmassem; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme o pacto de Deus, do
Deus de seus pais.
33 E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos
de Israel; e ainda fez que todos quantos se achavam em Israel servissem ao
Senhor seu Deus. E, enquanto ele viveu, não deixaram de seguir ao Senhor, Deus
de seus pais.
II
CRÔNICAS
[35]
1 Então Josias celebrou a
páscoa ao Senhor em Jerusalém; imolou-se o cordeiro da páscoa no décimo quarto
dia do primeiro mês.
2 E estabeleceu os sacerdotes nos seus cargos, e os animou a servirem na casa
do Senhor.
3 E disse aos levitas que ensinavam a todo o Israel e que estavam consagrados
ao Senhor: Ponde a arca sagrada na casa que Salomão, filho de Davi, rei de
Israel, edificou; não tereis mais esta carga sobre os vossos ombros. Agora
servi ao Senhor vosso Deus e ao seu povo Israel;
4 preparai-vos segundo as vossas casas paternas, e segundo as vossas turmas,
conforme o preceito de Davi, rei de Israel, e o de Salomão, seu filho.
5 E estai no lugar santo segundo as divisões das casas paternas de vossos
irmãos, os filhos do povo, e haja para cada divisão uma parte de uma família
levítica.
6 Também imolai a páscoa, e santificai-vos, e preparai-a para vossos irmãos,
fazendo conforme a palavra do Senhor dada por intermédio de Moisés.
7 Ora, Josias deu aos filhos do povo, a todos que ali estavam, cordeiros e
cabritos do rebanho em número de trinta mil, todos para os sacrifícios da
páscoa, e três mil novilhos; isto era da fazenda do rei.
8 Também os seus príncipes fizeram ofertas voluntárias ao povo, aos sacerdotes
e aos levitas; Hilquias, Zacarias e Jeiel, chefes da casa de Deus, deram aos
sacerdotes, para os sacrifícios da páscoa, dois mil e seiscentos cordeiros e
cabritos e trezentos novilhos.
9 Também Conanias, e Semaías e Netanel, seus irmãos, como também Hasabias,
Jeiel e Jozabade, chefes dos levitas, apresentaram aos levitas, para os
sacrifícios da páscoa, cinco mil cordeiros e cabritos e quinhentos novilhos.
10 Assim se preparou o serviço, e puseram-se os sacerdotes nos seus postos, e
os levitas pelas suas turmas, conforme a ordem do rei.
11 Então imolaram a páscoa; e os sacerdotes espargiam o sangue que recebiam das
mãos dos levitas, e estes esfolavam as reses.
12 E puseram à parte os holocaustos para os distribuírem aos filhos do povo, segundo
as divisões das casas paternas, a fim de que os oferecessem ao Senhor, como
está escrito no livro de Moisés; e assim fizeram com os novilhos.
13 Assaram a páscoa ao fogo, segundo a ordenança; e as ofertas sagradas cozeram
em panelas em caldeirões e em tachos, e prontamente as repartiram entre todo o
povo.
14 Depois prepararam o que era preciso para si e para os sacerdotes; porque os
sacerdotes, filhos de Arão, se ocuparam até a noite em oferecer os holocaustos
e a gordura; pelo que os levitas prepararam para si e para os sacerdotes,
filhos de Arão.
15 Os cantores, filhos de Asafe, estavam no seu posto, segundo o mandado de
Davi, de Asafe, de Hemã e de Jedútum vidente do rei; como também os porteiros
estavam a cada porta; não precisaram se desviar do seu serviço, porquanto seus
irmãos, os levitas preparavam o necessário para eles.
16 Assim se estabeleceu todo o serviço do Senhor naquele dia, para celebrar a
páscoa, e para oferecer holocaustos sobre o altar do Senhor, segundo a ordem do
rei Josias.
17 E os filhos de Israel que ali estavam celebraram a páscoa naquela ocasião e,
durante sete dias, a festa dos pães ázimos.
18 Nunca se celebrara em Israel uma páscoa semelhante a essa, desde os dias do
profeta Samuel; e nenhum dos reis de Israel celebrara tal páscoa como a que
Josias celebrou com os sacerdotes e levitas, e todo o Judá e Israel que ali
estavam, e os habitantes de Jerusalém.
19 Foi no décimo oitavo ano do reinado de Josias que se celebrou esta páscoa.
20 Depois de tudo isso, havendo Josias já preparado o templo, subiu Neco, rei
do Egito, para guerrear contra Carquêmis, junto ao Eufrates; e Josias lhe saiu
ao encontro.
21 Neco, porém, mandou-lhe mensageiros, dizendo: Que tenho eu que fazer
contigo, rei de Judá? Não é contra ti que venho hoje, mas contra a casa à qual
faço guerra; e Deus mandou que me apressasse. Deixa de te opores a Deus, que
está comigo, para que ele não te destrua.
22 Todavia Josias não quis virar dele o seu rosto, mas disfarçou-se para
pelejar contra ele e, não querendo ouvir as palavras de Neco, que saíram da
boca de Deus, veio pelejar no vale de Megido.
23 E os flecheiros atiraram ao rei Josias. Então o rei disse a seus servos:
Tirai-me daqui, porque estou gravemente ferido.
24 Seus servos o removeram do carro e pondo-o no seu segundo carro, o trouxeram
a Jerusalém. Ele morreu, e foi sepultado nos sepulcros de seus pais. E todo o
Judá e Jerusalém prantearam a Josias.
25 Também Jeremias fez uma lamentação sobre Josias; e todos os cantores e
cantoras têm falado de Josias nas suas lamentações até o dia de hoje; e as
estabeleceram por costume em Israel; e eis que estão escritas nas Lamentações.
26 Ora, o restante dos atos de Josias, e as suas boas obras em conformidade com
o que está escrito na lei do Senhor,
27 e os seus atos, desde os primeiros até os últimos, eis que estão escritos no
livro dos reis de Israel e de Judá.
II
CRÔNICAS
[36]
1 O povo da terra tomou
Jeoacaz, filho de Josias, e o constituiu rei em lugar de seu pai, em Jerusalém.
2 Tinha Jeoacaz vinte e três anos quando começou a reinar, e reinou três meses
em Jerusalém.
3 Porquanto o rei do Egito o depôs em Jerusalém, e condenou a terra a pagar um
tributo de cem talentos de prata e um talento de ouro.
4 Então o rei do Egito constituiu Eliaquim, irmão de Jeoacaz, rei sobre Judá e
Jerusalém, e mudou-lhe o nome em Jeoiaquim; mas a seu irmão, Jeoacaz, Neco o
tomou e o levou para o Egito.
5 Tinha Jeoiaquim vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou onze
anos em Jerusalém; e fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus.
6 Contra ele subiu Nabucodonozor, rei de Babilônia, e o amarrou com cadeias a
fim de o levar para Babilônia.
7 Também alguns dos vasos da casa do Senhor levou Nabucodonozor para Babilônia,
e pô-los no seu templo em Babilônia.
8 Ora, o restante dos atos de Jeoiaquim, e as abominações que praticou, e o que
se achou contra ele, eis que estão escritos no livro dos reis de Israel e de
Judá. E Joaquim, seu filho, reinou em seu lugar.
9 Tinha Joaquim oito anos quando começou a reinar, e reinou três meses e dez dias
em Jerusalém; e fez o que era mau aos olhos do Senhor.
10 Na primavera seguinte o rei Nabucodonozor mandou que o levassem para
Babilônia, juntamente com os vasos preciosos da casa do Senhor; e constituiu a
Zedequias, irmão de Joaquim, rei sobre Judá e Jerusalém.
11 Tinha Zedequias vinte e um anos quando começou a reinar, e reinou onze anos
em Jerusalém.
12 E fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus: e não se humilhou perante
o profeta Jeremias, que lhe falava da parte do Senhor.
13 Também rebelou-se contra o rei Nabucodonozor, que o tinha ajuramentado por
Deus. Mas endureceu a sua cerviz e se obstinou no seu coração, para não voltar
ao Senhor, Deus de Israel.
14 Além disso todos os chefes dos sacerdotes e o povo aumentavam cada vez mais
a sua infidelidade, seguindo todas as abominações dos gentios; e profanaram a
casa do Senhor, que ele tinha santificado para si em Jerusalém.
15 E o Senhor, Deus de seus pais, falou-lhes persistentemente por intermédio de
seus mensageiros, porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação.
16 Eles, porém, zombavam dos mensageiros de Deus, desprezando as suas palavras
e mofando dos seus profetas, até que o furor do Senhor subiu tanto contra o seu
povo, que mais nenhum remédio houve.
17 Por isso fez vir sobre eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus mancebos
à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos mancebos, nem
das donzelas, nem dos velhos nem dos decrépitos; entregou-lhos todos nas mãos.
18 E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do
Senhor, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para Babilônia.
19 Também queimaram a casa de Deus, derribaram os muros de Jerusalém, queimaram
a fogo todos os seus palácios, e destruíram todos os seus vasos preciosos.
20 E aos que escaparam da espada, a esses levou para Babilônia; e se tornaram
servos dele e de seus filhos, até o tempo do reino da Pérsia,
21 para se cumprir a palavra do Senhor proferida pela boca de Jeremias, até
haver a terra gozado dos seus sábados; pois por todos os dias da desolação
repousou, até que os setenta anos se cumpriram.
22 Ora, no primeiro ano de Ciro, rei da pérsia, para que se cumprisse a palavra
do Senhor proferida pela boca de Jeremias, despertou o Senhor o espírito de
Ciro, rei da Pérsia, de modo que ele fez proclamar por todo o seu reino, de
viva voz e também por escrito, este decreto:
23 Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus do céu me deu todos os reinos
da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá.
Quem há entre vós de todo o seu povo suba, e o Senhor seu Deus seja com ele.
[1]
1 No primeiro ano de Ciro,
rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor proferida pela boca de
Jeremias, despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, de modo que ele
fez proclamar por todo o seu reino, de viva voz e também por escrito, este
decreto:
2 Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus do céu me deu todos os reinos da
terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá.
3 Quem há entre vós de todo o seu povo (seja seu Deus com ele) suba para
Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o
Deus que habita em Jerusalém.
4 E todo remanescente, seja qual for o lugar em que é peregrino, seja ajudado
pelos homens desse lugar com prata, com ouro, com bens e com animais, afora a
oferta voluntária para a casa de Deus, que está em Jerusalém.
5 Então se levantaram os chefes das casas paternas de Judá e Benjamim e os
sacerdotes, e os levitas, todos aqueles cujo espírito Deus despertara, para
subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalém.
6 E todos os seus vizinhos os ajudaram com utensílios de prata, com ouro, com
bens, com animais e com coisas preciosas, afora tudo o que se ofereceu
voluntariamente.
7 Também o rei Ciro tirou os utensílios que pertenciam à casa do Senhor e que
Nabucodonozor tinha trazido de Jerusalém e posto na casa de seus deuses.
8 Ciro, rei da Pérsia, tirou-os pela mão de Mitredate, o tesoureiro, que os
entregou contados a Sesbazar, príncipe de Judá.
9 Este é o número deles: Trinta bacias de ouro, mil bacias de prata, vinte e
nove incensários,
10 trinta taças de ouro, quatrocentas e dez taças de prata e mil outros
utensílios.
11 Todos os utensílios de ouro e de prata foram cinco mil e quatrocentos; todos
estes levou Sesbazar, quando os do cativeiro foram conduzidos de Babilônia para
Jerusalém.
ESDRAS
[2]
1 Estes são os filhos da
província que subiram do cativeiro, dentre os exilados, a quem Nabucodonozor,
rei de Babilônia, tinha levado para Babilônia, e que voltaram para Jerusalém e
para Judá, cada um para a sua cidade;
2 os quais vieram com Zorobabel Jesuá Neemias, Seraías, Reelaías, Mardoqueu,
Bilsã, Mizpar, Bigvai, Reum e Baaná. O número dos homens do povo de Israel.
3 Os filhos de Parós, dois mil cento e setenta e dois.
4 Os filhos de Sefatias, trezentos e setenta e dois.
5 Os filhos de Ará, setecentos e setenta e cinco.
6 Os filhos de Paate-Moabe, dos filhos de Jesuá e de Joabe, dois mil oitocentos
e doze.
7 Os filhos de Elão, mil duzentos e cinqüenta e quatro.
8 Os filhos de Zatu, novecentos e quarenta e cinco.
9 Os filhos de Zacai, setecentos e sessenta.
10 Os filhos de Bani, seiscentos e quarenta e dois.
11 Os filhos de Bebai, seiscentos e vinte e três.
12 Os filhos de Azgade, mil duzentos e vinte e dois.
13 Os filhos de Adonicão, seiscentos e sessenta e seis.
14 Os filhos de Bigvai, dois mil e cinqüenta e seis.
15 Os filhos de Adim, quatrocentos e cinqüenta e quatro.
16 Os filhos de Ater, de Ezequias, noventa e oito.
17 Os filhos de Bezai, trezentos e vinte e três.
18 Os filhos de Jora, cento e doze.
19 Os filhos de Hasum, duzentos e vinte e três.
20 Os filhos de Gibar, noventa e cinco.
21 Os filhos de Belém, cento e vinte e três.
22 Os homens de Netofá, cinqüenta e seis.
23 Os homens de Anatote, cento e vinte e oito.
24 Os filhos de Azmavete, quarenta e dois.
25 Os filhos de Quiriate-Arim, de Cefira e de Beerote, setecentos e quarenta e
três
26 Os filhos de Ramá e de Gaba, seiscentos e vinte e um.
27 Os homens de Micmás, cento e vinte e dois.
28 Os homens de Betel e de Ai, duzentos e vinte e três.
29 Os filhos de Nebo, cinqüenta e dois.
30 Os filhos de Magbis, cento e cinqüenta e seis.
31 Os filhos do outro Elão, mil duzentos e cinquenta e quatro.
32 Os filhos de Harim, trezentos e vinte.
33 Os filhos de Lode, de Hadide e de Ono, setecentos e vinte e cinco.
34 Os filhos de Jericó, trezentos e quarenta e cinco.
35 Os filhos de Senaá, três mil seiscentos e trinta.
36 Os sacerdotes: os filhos de Jedaías, da casa de Jesuá, novecentos e setenta
e três.
37 Os filhos de Imer, mil e cinqüenta e dois.
38 Os filhos de Pasur, mil duzentos e quarenta e sete.
39 Os filhos de Harim, mil e dezessete.
40 Os levitas os filhos de Jesuá, e de Cadmiel, dos filhos de , Hodavias,
setenta e quatro.
41 Os cantores: os filhos de Asafe, cento e vinte e oito.
42 Os filhos dos porteiros: os filhos de Salum, os filhos de Ater, os filhos de
Talmom, os filhos de Acube, os filhos de Hatita, os filhos de Sobai, ao todo,
cento e trinta e nove.
43 Os netinins: os filhos de Ziá, os filhos de Hasufa, os filhos de Tabaote,
44 os filhos de Querós, os filhos de Siá, os filhos de Padom,
45 os filhos de Lebana, os filhos de Hagaba, os filhos de Acube,
46 os filhos de Hagabe, os filhos de Sanlai, os filhos de Hanã,
47 os filhos de Gidel, os filhos de Gaar, os filhos de Reaías,
48 os filhos de Rezin, os filhos de Necoda, os filhos de Gazão,
49 os filhos de Uzá, os filhos de Paséia, os filhos de Besai,
50 os filhos de Asná, os filhos de Meunim, os filhos dos nefusins,
51 os filhos de Baquebuque, os filhos de Hacufa, os filhos de Hurur,
52 os filhos de Bazlute, os filhos de Meída, os filhos de Harsa,
53 os filhos de Barcos, os filhos de Sísera, os filhos de Tamá,
54 os filhos de Nezias, os filhos de Hatifa.
55 Os filhos dos servos de Salomão: os filhos de Sotai, os filhos de Soferete,
os filhos de Peruda,
56 os filhos de Jaalá, os filhos de Darcom, os filhos de Gidel,
57 os filhos de Sefatias, os filhos de Hatil, os filhos de Poquerete-Hazebaim
os filhos de Ami.
58 Todos os netinins e os filhos dos servos de Salomão foram trezentos e
noventa e dois.
59 Estes foram os que subiram de Tel-Mela, de Tel-Harsa, de Querube, de Adã e
de Imer; porém não puderam provar que as suas casas paternas e sua linhagem
eram de Israel:
60 os filhos de Delaías, os filhos de Tobias, os filhos de Necoda, seiscentos e
cinqüenta e dois.
61 E dos filhos dos sacerdotes: os filhos de Habaías, os filhos de Hacoz, os
filhos de Barzilai, que tomou mulher das filhas de Barzilai, o gileadita, e que
foi chamado do seu nome.
62 Estes procuraram o seu registro entre os que estavam arrolados nas
genealogias, mas não foi encontrado; pelo que, por imundos, foram excluídos do
sacerdócio;
63 e o governador lhes intimou que não comessem das coisas santíssimas, até que
se levantasse um sacerdote com Urim e Tumim.
64 Toda esta congregação junta somava quarenta e dois mil trezentos e sessenta,
65 afora os seus servos, e as suas servas, que foram sete mil trezentos e
trinta e sete; também havia duzentos cantores e cantoras.
66 Os seus cavalos eram setecentos e trinta e seis; os seus mulos, duzentos e
quarenta e cinco;
67 os seus camelos, quatrocentos e trinta e cinco; os jumentos, seis mil
setecentos e vinte.
68 Alguns dos chefes das casas paternas, vindo à casa do Senhor em Jerusalém,
deram ofertas voluntárias para a casa de Deus, para a edificarem no seu lugar;
69 conforme as suas posses, deram para a tesouraria da obra, em ouro sessenta e
um mil dáricos, e em prata cinco mil minas, e cem vestes sacerdotais.
70 Ora, os sacerdotes e os levitas, e alguns do povo, tanto os cantores como os
porteiros e os netinins, habitaram nas suas cidades, e todo o Israel nas suas
cidades.
ESDRAS
[3]
1 Quando chegou o sétimo mês,
estando já os filhos de Israel nas suas cidades, ajuntou-se o povo, como um só
homem, em Jerusalém.
2 Então se levantou Jesuá, filho de Jozadaque, com seus irmãos, os sacerdotes,
e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus irmãos; e edificaram o altar do Deus de
Israel, para oferecerem sobre ele holocaustos, como está escrito na lei de
Moisés, homem de Deus.
3 Colocaram o altar sobre a sua base (pois o terror estava sobre eles por causa
dos povos das terras e ofereceram sobre ele holocaustos ao Senhor, holocaustos
pela manhã e à tarde.
4 E celebraram a festa dos tabernáculos como está escrito, e ofereceram holocaustos
diários segundo o número ordenado para cada dia,
5 e em seguida o holocausto contínuo, e os das luas novas e de todas as festas
fixas do Senhor, como também os de qualquer que fazia oferta voluntária ao
Senhor.
6 Desde o primeiro dia do sétimo mês começaram a oferecer holocaustos ao
Senhor; porém ainda não haviam sido lançados os alicerces do templo do Senhor.
7 Deram dinheiro aos pedreiros e aos carpinteiros; como também comida e bebida,
e azeite aos sidônios, e aos tírios, para trazerem do Líbano madeira de cedro
ao mar, para Jope, segundo a concessão que lhes tinha feito Ciro, rei da
Pérsia.
8 Ora, no segundo ano da sua vinda à casa de Deus em Jerusalém, no segundo mês,
Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesuá, filho de Jozadaque, e os outros seus irmãos,
os sacerdotes e os levitas, e todos os que vieram do cativeiro para Jerusalém,
deram início à obra e constituíram os levitas da idade de vinte anos para cima,
para superintenderem a obra da casa do Senhor.
9 Então se levantaram Jesuá com seus filhos e seus irmãos, Cadmiel e seus
filhos, os filhos de Judá, como um só homem, para superintenderem os que faziam
a obra na casa de Deus; como também os filhos de Henadade, com seus filhos e
seus irmãos, os levitas.
10 Quando os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, os
sacerdotes trajando suas vestes, apresentaram-se com trombetas, e os levitas,
filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem ao Senhor, segundo a ordem de
Davi, rei de Israel.
11 E cantavam a revezes, louvando ao Senhor e dando-lhe graças com estas
palavras: Porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre sobre
Israel. E todo o povo levantou grande brado, quando louvaram ao Senhor, por se
terem lançado os alicerces da casa do Senhor.
12 Muitos, porém, dos sacerdotes e dos levitas, e dos chefes das casas
paternas, os idosos que tinham visto a primeira casa, choraram em altas vozes
quando, a sua vista, foi lançado o fundamento desta casa; também muitos
gritaram de júbilo;
13 de maneira que não podia o povo distinguir as vozes do júbilo das vozes do
choro do povo; porque o povo bradava em tão altas vozes que o som se ouvia de
mui longe.
ESDRAS
[4]
1 Ora, ouvindo os adversários
de Judá e de Benjamim que os que tornaram do cativeiro edificavam o templo ao
Senhor, Deus de Israel,
2 chegaram-se a Zorobabel e aos chefes das casas paternas, e disseram-lhes:
Deixai-nos edificar convosco; pois, como vós, buscamos o vosso Deus; como
também nós lhe temos sacrificado desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria,
que nos fez subir para aqui.
3 Responderam-lhes, porém, Zorobabel e Jesuá e os outros chefes das casas
paternas de Israel: Não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus: mas
nós sozinhos a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel, como nos ordenou o rei
Ciro, rei da Pérsia.
4 Então o povo da terra debilitava as mãos do povo de Judá, e os inquietava,
impedindo-os de edificar;
5 e assalariaram contra eles conselheiros para frustrarem o seu plano, por
todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até o reinado de Dario, rei da Pérsia.
6 No reinado de Assuero, no princípio do seu reino, escreveram uma acusação
contra os habitantes de Judá e de Jerusalém.
7 Também nos dias de Artaxerxes escreveram Bislão, Mitredate, Tabeel, e os
companheiros destes, a Artaxerxes, rei da Pérsia; e a carta foi escrita em
caracteres aramaicos, e traduzida na língua aramaica.
8 Reum, o comandante, e Sinsai, o escrivão, escreveram uma carta contra
Jerusalém, ao rei Artaxerxes, do teor seguinte,
9 isto é, escreveram Reum, o comandante, Sinsai, o escrivão, e os seus
companheiros, os juízes, os governadores, os oficiais, os persas, os homens de
Ereque, os babilônios, os susanquitas, isto é, os elamitas,
10 e as demais nações que o grande e afamado Osnapar transportou, e que fez
habitar na cidade de Samária e no restante da província dalém do Rio.
11 Eis, pois, a cópia da carta que mandaram ao rei Artaxerxes: Teus servos, os
homens de além do Rio, assim escrevem:
12 Saiba o rei que os judeus que subiram de ti a nós foram a Jerusalém e estão
reedificando aquela rebelde e malvada cidade, e vão restaurando os seus muros e
reparando os seus fundamentos.
13 Agora saiba o rei que, se aquela cidade for reedificada e os muros forem
restaurados, eles não pagarão nem tributo, nem imposto, nem pedágio; e assim se
danificará a fazenda dos reis.
14 Agora, visto que comemos do sal do palácio, e não nos convém ver a desonra
do rei, por isso mandamos dar aviso ao rei,
15 para que se busque no livro das crônicas de teus pais; e acharás no livro
das crônicas e saberás que aquela é uma cidade rebelde, e danosa a reis e
províncias, e que nela houve rebelião em tempos antigos; por isso é que ela foi
destruída.
16 Nós, pois, estamos avisando ao rei que, se aquela cidade for reedificada e
os seus muros forem restaurados, não terás porção alguma a oeste do Rio.
17 Então o rei enviou esta resposta a Reum, o comandante, e a Sinsai, o
escrivão, e aos demais seus companheiros, que habitavam em Samária e no
restante do país a oeste do Rio: "Paz.
18 A carta que nos enviastes foi claramente lida na minha presença.
19 E, ordenando-o eu, buscaram e acharam que desde tempos antigos aquela cidade
se tem levantado contra os reis, e que nela se tem feito rebelião e sedição.
20 E tem havido reis poderosos sobre Jerusalém, os quais dominavam igualmente
toda a província dalém do Rio; e a eles se pagavam tributos, impostos e
pedágio.
21 Agora, pois, dai ordem para que aqueles homens parem, a fim de que não seja
edificada aquela cidade até que eu dê ordem.
22 E guardai-vos de serdes remissos nisto; não suceda que o dano cresça em
prejuízo dos reis.
23 Então, logo que a cópia da carta do rei Artaxerxes foi lida perante Reum e
Sinsai, o escrivão, e seus companheiros, foram eles apressadamente a Jerusalém,
aos judeus, e os impediram à força e com violência.
24 Então cessou a obra da casa de Deus, que estava em Jerusalém, ficando
interrompida até o segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia.
ESDRAS
[5]
1 Ora, os profetas Ageu e
Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus que estavam em Judá e em
Jerusalém; em nome do Deus de Israel lhes profetizaram.
2 Então se levantaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesuá, filho de
Jozadaque, e começaram a edificar a casa de Deus, que está em Jerusalém; e com
eles estavam os profetas de Deus, que os ajudavam.
3 Naquele tempo vieram ter com eles Tatenai, o governador da província a oeste
do Rio, e Setar-Bozenai, e os seus companheiros, e assim lhes perguntaram: Quem
vos deu ordem para edificar esta casa, e completar este muro?
4 Ainda lhes perguntaram: Quais são os nomes dos homens que constroem este
edifício?
5 Os olhos do seu Deus, porém, estavam sobre os anciãos dos judeus, de modo que
eles não os impediram, até que o negócio se comunicasse a Dario, e então
chegasse resposta por carta sobre isso.
6 A cópia da carta que Tatenai, o governador da província a oeste do Rio, e
Setar-Bozenai, e os seus companheiros, os governadores, que estavam deste lado
do Rio, enviaram ao rei Dario;
7 enviaram-lhe um relatório, no qual estava escrito: Ao rei Dario toda a paz.
8 Saiba o rei que nós fomos à província de Judá, à casa do grande Deus, a qual
se edifica com grandes pedras, e já a madeira está sendo posta nas paredes, e
esta obra vai-se fazendo com diligência, e se adianta em suas mãos.
9 Então perguntamos àqueles anciãos, falando-lhes assim: Quem vos deu ordem
para edificar esta casa, e completar este muro?
10 Além disso lhes perguntamos pelos seus nomes, para tos declararmos, isto é,
para te escrevermos os nomes dos homens que entre eles são os chefes.
11 E esta é a resposta que nos deram: Nós somos servos do Deus do céu e da
terra, e reedificamos a casa que há muitos anos foi edificada, a qual um grande
rei de Israel edificou e acabou.
12 Mas depois que nossos pais provocaram à ira o Deus do céu, ele os entregou
na mão de Nabucodonozor, o caldeu, rei de Babilônia, o qual destruiu esta casa,
e transportou o povo para Babilônia.
13 Porém, no primeiro ano de Ciro, rei de Babilônia, o rei Ciro baixou decreto
para que esta casa de Deus fosse reedificada.
14 E até os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonozor
tinha tomado do templo que estava em Jerusalém e levado para o templo de
Babilônia, o rei Siro os tirou do templo de Babilônia, e eles foram entregues a
um homem cujo nome era Sesbazar, a quem ele tinha constituído governador;
15 e disse-lhe: Toma estes utensílios, vai, e leva-os para o templo que está em
Jerusalém, e reedifique-se a casa de Deus no seu lugar.
16 Então veio o dito Sesbazar, e lançou os fundamentos da casa de Deus, que
está em Jerusalém; de então para cá ela vem sendo edificada, não estando ainda
concluída.
17 Agora, pois, se parece bem ao rei, busque-se nos arquivos reais, ali em
Babilônia, para ver se é verdade haver um decreto do rei Ciro para se
reedificar esta casa de Deus em Jerusalém, e sobre isto nos faça o rei saber a
sua vontade.
ESDRAS
[6]
1 Então o rei Dario o
decretou, e foi feita uma busca nos arquivos onde se guardavam os tesouros em
Babilônia.
2 E em Ecbatana, a capital, que está na província da Média, se achou um rolo, e
nele estava escrito um memorial, que dizia assim:
3 No primeiro ano do rei Ciro, o rei Ciro baixou um decreto com respeito à casa
de Deus em Jerusalém: Seja edificada a casa, o lugar em que se oferecem
sacrifícios, e sejam os seus fundamentos bem firmes; a sua altura será de
sessenta côvados, e a sua largura de sessenta côvados,
4 com três carreiras de grandes pedras, e uma carreira de madeira nova; e a
despesa se fará do tesouro do rei.
5 Além disso sejam restituídos os utensílios de ouro e de prata da casa de
Deus, que Nabucodonozor tirou do templo em Jerusalém e levou para Babilônia, e
que se tornem a levar para o templo em Jerusalém, cada um para o seu lugar, e
tu os porás na casa de Deus."
6 Agora, pois, Tatenai, governador de além do Rio, Setar- Bozenai, e os vossos
companheiros, os governadores, que estais além do Rio, retirai-vos desse lugar;
7 deixai de impedir a obra desta casa de Deus; edifiquem o governador dos
judeus e os seus anciãos esta casa de Deus no seu lugar.
8 Além disso, por mim se decreta o que haveis de fazer para com esses anciãos
dos judeus, para a edificação desta casa de Deus, a saber, que da fazenda do
rei, dos tributos da província dalém do Rio, se pague prontamente a estes
homens toda a despesa.
9 Igualmente o que for necessário, como novilhos, carneiros e cordeiros, para
holocaustos ao Deus do céu; também trigo, sal, vinho e azeite, segundo a
palavra dos sacerdotes que estão em Jerusalém, dê-se-lhes isso de dia em dia
sem falta;
10 para que ofereçam sacrifícios de cheiro suave ao Deus do céu, e orem pela
vida do rei e de seus filhos.
11 Também por mim se decreta que a todo homem que alterar este decreto, se
arranque uma viga da sua casa e que ele seja pregado nela; e da sua casa se
faça por isso um monturo.
12 O Deus, pois, que fez habitar ali o seu nome derribe todos os reis e povos
que estenderem a mão para alterar o decreto e para destruir esta casa de Deus,
que está em Jerusalém. Eu, Dario, baixei o decreto. Que com diligência se
execute.
13 Então Tatenai, o governador a oeste do Rio, Setar-Bozenai, e os seus
companheiros executaram com toda a diligência o que mandara o rei Dario.
14 Assim os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando pela profecia de
Ageu o profeta e de Zacarias, filho de Ido. Edificaram e acabaram a casa de
acordo com o mandado do Deus de Israel, e de acordo com o decreto de Ciro, e de
Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia.
15 E acabou-se esta casa no terceiro dia do mês de Adar, no sexto ano do
reinado do rei Dario.
16 E os filhos de Israel, os sacerdotes e os levitas, e o resto dos filhos do
cativeiro fizeram a dedicação desta casa de Deus com alegria.
17 Ofereceram para a dedicação desta casa de Deus cem novilhos, duzentos
carneiros e quatrocentos cordeiros; e como oferta pelo pecado por todo o
Israel, doze bodes, segundo o número das tribos de Israel.
18 E puseram os sacerdotes nas suas divisões e os levitas nas suas turmas, para
o serviço de Deus em Jerusalém, conforme o que está escrito no livro de Moisés.
19 E os que vieram do cativeiro celebraram a páscoa no dia catorze do primeiro
mês.
20 Pois os sacerdotes e levitas se tinham purificado como se fossem um só
homem; todos estavam limpos. E imolaram o cordeiro da páscoa para todos os
filhos do cativeiro, e para seus irmãos, os sacerdotes, e para si mesmos.
21 Assim comeram a páscoa os filhos de Israel que tinham voltado do cativeiro,
com todos os que, unindo-se a eles, se apartaram da imundícia das nações da
terra para buscarem o Senhor, Deus de Israel;
22 e celebraram a festa dos pães ázimos por sete dias com alegria; porque o
Senhor os tinha alegrado, tendo mudado o coração do rei da Assíria a favor
deles, para lhes fortalecer as mãos na obra da casa de Deus, o Deus de Israel.
ESDRAS
[7]
1 Ora, depois destas coisas,
no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras, filho de Seraías, filho de
Azarias, filho de Hilquias,
2 filho de Salum, filho de Zadoque, filho de Aitube,
3 filho de Amarias, filho de Azarias, filho de Meraiote,
4 filho de Zeraías, filho de Uzi, filho de Buqui,
5 filho de Abisua, filho de Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sumo
sacerdote -
6 este Esdras subiu de Babilônia. E ele era escriba hábil na lei de Moisés, que
o Senhor Deus de Israel tinha dado; e segundo a mão de Senhor seu Deus, que
estava sobre ele, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira.
7 Também subiram a Jerusalém alguns dos filhos de Israel, dos sacerdotes, dos
levitas, dos cantores, dos porteiros e dos netinins, no sétimo ano do rei
Artaxerxes.
8 No quinto mês Esdras chegou a Jerusalém, no sétimo ano deste rei.
9 Pois no primeiro dia do primeiro mês ele partiu de Babilônia e no primeiro
dia do quinto mês chegou a Jerusalém, graças à mão benéfica do seu Deus sobre
ele.
10 Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar e cumprir a lei do
Senhor, e para ensinar em Israel os seus estatutos e as suas ordenanças.
11 Esta é, pois, a cópia da carta que o rei Artaxerxes deu a Esdras, o
sacerdote, o escriba instruído nas palavras dos mandamentos do Senhor e dos
seus estatutos para Israel:
12 Artaxerxes, rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus do
céu: Saudações.
13 Por mim se decreta que no meu reino todo aquele do povo de Israel, e dos
seus sacerdotes e levitas, que quiser ir a Jerusalém, vá contigo.
14 Porquanto és enviado da parte do rei e dos seus sete conselheiros para
indagares a respeito de Judá e de Jerusalém, conforme a lei do teu Deus, a qual
está na tua mão;
15 e para levares a prata e o ouro que o rei e os seus conselheiros
voluntariamente deram ao Deus de Israel cuja habitação está em Jerusalém,
16 com toda a prata e o ouro que achares em toda a província de Babilônia, e
com as ofertas voluntárias do povo e dos sacerdotes, que voluntariamente as
oferecerem para a casa do seu Deus, que está em Jerusalem;
17 portanto com toda a diligência comprarás com este dinheiro novilhos,
carneiros, e cordeiros, com as suas ofertas de cereais e as suas ofertas de
libações, e os oferecerás sobre o altar da casa do vosso Deus, que está em
Jerusalém.
18 Também o que a ti e a teus irmãos parecer bem fazerdes do resto da prata e
do ouro, o fareis conforme a vontade do vosso Deus.
19 Os vasos que te foram dados para o serviço da casa do teu Deus, entrega-os
todos perante ele, o Deus de Jerusalém.
20 E tudo o mais que for necessário para a casa do teu Deus, e que te convenha
dar, o darás da casa dos tesouros do rei.
21 E eu, o rei Artaxerxes, decreto a todos os tesoureiros que estão na
província dalém do Rio, que tudo quanto vos exigir o sacerdote Esdras, escriba
da lei do Deus do céu, prontamente se lhe conceda,
22 até cem talentos de prata cem coros de trigo, cem batos de vinho, cem batos
de azeite, e sal à vontade.
23 Tudo quanto for ordenado pelo Deus do céu, isso precisamente se faça para a
casa do Deus do céu; pois, por que haveria ira sobre o reino do rei e de seus
filhos?
24 Também vos notificamos acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores,
porteiros, netinins, e outros servos desta casa de Deus, que não será lícito
exigir-lhes nem tributo, nem imposto, nem pedágio.
25 E tu, Esdras, conforme a sabedoria do teu Deus, que possuis, constitui
magistrados e juízes, que julguem todo o povo que está na província dalém do
Rio, isto é, todos os que conhecem as leis do teu Deus; e ensina-as ao que não
as conhece.
26 E todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, com zelo se
lhe execute a justiça: quer seja morte, quer desterro, quer confiscação de
bens, quer prisão.
27 Bendito seja o Senhor Deus de nossos pais, que pôs no coração do rei este
desejo de ornar a casa do Senhor, que está em Jerusalém;
28 e que estendeu sobre mim a sua benevolência perante o rei e os seus
conselheiros e perante todos os príncipes poderosos do rei. Assim encorajado
pela mão do Senhor, meu Deus, que estava sobre mim, ajuntei dentre Israel
alguns dos homens principais para subirem comigo.
ESDRAS
[8]
1 Estes, pois, são os chefes
de suas casas paternas, e esta é a genealogia dos que subiram comigo de
Babilônia no reinado do rei Artaxerxes:
2 Dos filhos de Finéias, Gérson; dos filhos de Itamar, Daniel; dos filhos de
Davi, Hatus;
3 dos filhos de Secanias, dos filhos de Parós, Zacarias; e com ele, segundo as
genealogias dos varões, se contaram cento e cinqüenta;
4 dos filhos de Paate-Moabe, Elioenai, filho de Zeraías, e com ele duzentos
homens;
5 dos filhos de Zatu, Secanias, o filho de Jaaziel, e com ele trezentos homens;
6 dos filhos de Adim, Ebede, filho de Jônatas, e com ele cinqüenta homens;
7 dos filhos de Elão, Jesaías, filho de Atalias, e com ele setenta homens;
8 dos filhos de Sefatias, Zebadias, filho de Micael, e com ele oitenta homens;
e
9 dos filhos de Joabe, Obadias, filho de Jeiel, e com ele duzentos e dezoito
homens;
10 dos filhos de Bani, Selomite, o filho de Josifias, e com ele cento e
sessenta homens;
11 dos filhos de Bebai, Zacarias, o filho de Bebai, e com ele vinte e oito
homens;
12 dos filhos de Azgade, Joanã, o filho de Hacatã, e com ele cento e dez
homens;
13 dos filhos de Adonicão, que eram os últimos, eis os seus nomes: Elifelete,
Jeuel e Semaías, e com eles sessenta homens;
14 e dos filhos de Bigvai, Utai e Zabude, e com eles setenta homens.
15 Ajuntei-os à margem do rio que corre para Ava; e ficamos ali acampados três
dias. Então passei em revista o povo e os sacerdotes, e não achei ali nenhum
dos filhos de Levi.
16 Mandei, pois, chamar Eliézer, Ariel, Semaías, Elnatã, Jaribe, Elnatã, Natã,
Zacarias e Mesulão, os chefes, como também, Joiaribe e Elnatã, que eram
mestres.
17 E os enviei a Ido, chefe em Casífia, e lhes pus na boca palavras para
dizerem a Ido e aos seus irmãos, os netinins, em Casífia, que nos trouxessem
ministros para a casa do nosso Deus.
18 E, pela boa mão de nosso Deus sobre nós, trouxeram-nos um homem entendido,
dos filhos de Mali, filho de Levi, filho de Israel; e Serebias, com os seus
filhos e irmãos, dezoito;
19 e Hasabias, e com ele Jesaías, dos filhos de Merári, com seus irmãos e os
filhos deles, vinte;
20 e dos netinins, que Davi e os príncipes tinham dado para o serviço dos
levitas, duzentos e vinte, todos eles mencionados por nome.
21 Então proclamei um jejum ali junto ao rio Ava, para nos humilharmos diante
do nosso Deus, a fim de lhe pedirmos caminho seguro para nós, para nossos
pequeninos, e para toda a nossa fazenda.
22 Pois tive vergonha de pedir ao rei uma escolta de soldados, e cavaleiros
para nos defenderem do inimigo pelo caminho, porquanto havíamos dito ao rei: A
mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas o seu
poder e a sua ira estão contra todos os que o deixam.
23 Nós, pois, jejuamos, e pedimos isto ao nosso Deus; e ele atendeu às nossas
orações.
24 Então separei doze dos principais dentre os sacerdotes: Serebias e Hasabias,
e com eles dez dos seus irmãos;
25 e pesei-lhes a prata, o ouro e os vasos, a oferta para a casa do nosso Deus,
que o rei, os seus conselheiros, os seus príncipes e todo o Israel que estava
ali haviam oferecido;
26 entreguei-lhes nas mãos seiscentos e cinqüenta talentos de prata, e em vasos
de prata cem talentos; e cem talentos de ouro;
27 e vinte taças de ouro no valor de mil dáricos, e dois vasos de bronze claro
e brilhante, tão precioso como o ouro.
28 E disse-lhes: Vós sois santos ao Senhor, e santos são estes vasos; como
também esta prata e este ouro são ofertas voluntárias, oferecidas ao Senhor,
Deus de vossos pais.
29 Vigiai, pois, e guardai-os até que os peseis na presença dos principais dos
sacerdotes e dos levitas, e dos príncipes das casas paternas de Israel, em
Jerusalém, nas câmaras da casa do Senhor.
30 Então os sacerdotes e os levitas receberam o peso da prata, e do ouro, e dos
vasos, a fim de os trazerem para Jerusalém, para a casa do nosso Deus.
31 Então partimos do rio Ava, no dia doze do primeiro mês, a fim de irmos para
Jerusalém; e a mão do nosso Deus estava sobre nós, e ele nos livrou da mão dos
inimigos, e dos que nos armavam ciladas pelo caminho.
32 Chegamos, pois, a Jerusalém, e repousamos ali três dias.
33 No quarto dia se pesou a prata, e o ouro, e os vasos, na casa do nosso Deus,
para as mãos de Meremote filho do sacerdote Urias; e com ele estava Eleazar,
filho de Finéias, e com eles os levitas Jozabade, filho de Jesuá, e Noadias,
filho de Binuí.
34 Tudo foi entregue por número e peso; e o peso de tudo foi registrado na
ocasião.
35 Os exilados que tinham voltado do cativeiro ofereceram holocaustos ao Deus
de Israel: doze novilhos por todo o Israel, noventa e seis carneiros, setenta e
sete cordeiros, e doze bodes em oferta pelo pecado; tudo em holocausto ao
Senhor.
36 Então entregaram os editos do rei aos sátrapas do rei, e aos governadores a
oeste do Rio; e estes ajudaram o povo e a casa de Deus.
ESDRAS
[9]
1 Ora, logo que essas coisas
foram terminadas, vieram ter comigo os príncipes, dizendo: O povo de Israel, e
os sacerdotes, e os levitas, não se têm separado dos povos destas terras, das
abominações dos cananeus, dos heteus, dos perizeus, dos jebuseus, dos amonitas,
dos moabitas, dos epípcios e dos amorreus;
2 pois tomaram das suas filhas para si e para seus filhos; de maneira que a
raça santa se tem misturado com os povos de outras terras; e até os oficiais e
magistrados foram os primeiros nesta transgressão.
3 Ouvindo eu isto, rasguei a minha túnica e o meu manto, e arranquei os cabelos
da minha cabeça e da minha barba, e me sentei atônito.
4 Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel
por causa da transgressão dos do cativeiro; porém eu permaneci sentado atônito
até a oblação da tarde.
5 A hora da oblação da tarde levantei-me da minha humilhação, e com a túnica e
o manto rasgados, pus-me de joelhos, estendi as mãos ao Senhor meu Deus,
6 e disse: ç meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar o meu rosto
a ti, meu Deus; porque as nossas iniqüidades se multiplicaram sobre a nossa
cabeça, e a nossa culpa tem crescido até o céu.
7 Desde os dias de nossos pais até o dia de hoje temos estado em grande culpa,
e por causa das nossas iniqüidades fomos entregues, nós, os nossos reis e os
nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, à rapina
e à confusão do rosto, como hoje se vê.
8 Agora, por um pequeno momento se manifestou a graça da parte do Senhor, nosso
Deus, para nos deixar um restante que escape, e para nos dar estabilidade no
seu santo lugar, a fim de que o nosso Deus nos alumie os olhos, e nos dê um
pouco de refrigério em nossa escravidão;
9 pois somos escravos; contudo o nosso Deus não nos abandonou em nossa escravidão,
mas estendeu sobre nós a sua benevolência perante os reis da Pérsia, para nos
dar a vida, a fim de levantarmos a casa do nosso Deus e repararmos as suas
assolações, e para nos dar um abrigo em Judá e em Jerusalém.
10 Agora, ó nosso Deus, que diremos depois disto? Pois temos deixado os teus
mandamentos,
11 os quais ordenaste por intermédio de teus servos, os profetas, dizendo: A
terra em que estais entrando para a possuir, é uma terra imunda pelas
imundícias dos povos das terras, pelas abominações com que, na sua corrupção, a
encheram duma extremidade à outra.
12 Por isso não deis vossas filhas a seus filhos, e não tomeis suas filhas para
vossos filhos, nem procureis jamais a sua paz ou a sua prosperidade; para que
sejais fortes e comais o bem da terra, e a deixeis por herança a vossos filhos
para sempre.
13 E depois de tudo o que nos tem sucedido por causa das nossas más obras, e da
nossa grande culpa, ainda assim tu, ó nosso Deus, nos tens castigado menos do
que merecem as nossas iniqüidades, e ainda nos deixaste este remanescente;
14 tornaremos, pois, agora a violar os teus mandamentos, e a aparentar-nos com
os povos que cometem estas abominações? Não estarias tu indignado contra nós
até de todo nos consumires, de modo que não ficasse restante, nem quem
escapasse?
15 Senhor Deus de Israel, justo és, pois ficamos qual um restante que escapou,
como hoje se vê. Eis que estamos diante de ti em nossa culpa; e, por causa
disto, ninguém há que possa subsistir na tua presença.
ESDRAS
[10]
1 Ora, enquanto Esdras orava
e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se
a ele, de Israel, uma grande congregação de homens, mulheres, e crianças; pois
o povo chorava amargamente.
2 Então Seeanias, filho de Jeiel, um dos filhos de Elão, dirigiu-se a Esdras,
dizendo: Nós temos sido infiéis para com o nosso Deus, e casamos com mulheres
estrangeiras dentre os povos da terra; contudo, no tocante a isto, ainda há
esperança para Israel.
3 Agora, pois, façamos um pacto com o nosso Deus, de que despediremos todas as
mulheres e os que delas são nascidos, conforme o conselho do meu Senhor, e dos
que tremem ao mandamento do nosso Deus; e faça-se conforme a lei.
4 Levanta-te; pois a ti pertence este negócio, e nós somos contigo; tem bom
ânimo, e faze-o.
5 Então Esdras se levantou, e ajuramentou os principais dos sacerdotes, os
levitas, e todo o Israel, de que fariam conforme esta palavra; e eles juraram.
6 Em seguida Esdras se levantou de diante da casa de Deus, e entrou na câmara
de Joanã, filho de Eliasibe; e, chegando lá, não comeu pão, nem bebeu água,
porque pranteava por causa da infidelidade dos do cativeiro.
7 E fizeram passar pregão por Judá e Jerusalém, a todos os que vieram do
cativeiro, para que se ajuntassem em Jerusalem;
8 e que todo aquele que dentro de três dias não viesse, segundo o conselho dos
oficiais e dos anciãos, toda a sua fazenda se pusesse em interdito, e fosse ele
excluído da congregação dos que voltaram do cativeiro.
9 Pelo que todos os homens de Judá e de Benjamim dentro de três dias se
ajuntaram em Jerusalém. Era o nono mês, aos vinte dias do mês; e todo o povo se
assentou na praça diante da casa de Deus, tremendo por causa deste negócio e
por causa das grandes chuvas.
10 Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes
transgredido, e casastes com mulheres estrangeiras, aumentando a culpa de
Israel.
11 Agora, pois, fazei confissão ao Senhor, Deus de vossos pais, e fazei o que é
do seu agrado; separai-vos dos povos das terras, e das mulheres estrangeiras.
12 E toda a congregação respondeu em alta voz: Conforme as tuas palavras
havemos de fazer.
13 Porém o povo é muito; também é tempo de grandes chuvas, e não se pode estar
aqui fora. Isso não é obra de um dia nem de dois, pois somos muitos os que
transgredimos neste negócio.
14 Ponham-se os nossos oficiais por toda a congregação, e todos os que em
nossas cidades casaram com mulheres estrangeiras venham em tempos apontados, e
com eles os anciãos e juízes de cada cidade, até que se desvie de nós o ardor
da ira do nosso Deus no tocante a este negócio.
15 (Somente Jônatas, filho de Asael, e Jazéias, filho de Ticvá, se opuseram a
isso; e Mesulão, e Sabetai, o levita, os apoiaram.)
16 Assim o fizeram os que tornaram do cativeiro: foram indicados o sacerdote
Esdras e certos homens, cabeças de casas paternas, segundo as suas casas
paternas, cada um designado por nome; e assentaram-se no primeiro dia do décimo
mês, para averiguar este negócio.
17 E no primeiro dia do primeiro mês acabaram de tratar de todos os homens que
tinham casado com mulheres estrangeiras.
18 Entre os filhos dos sacerdotes acharam-se estes que tinham casado com
mulheres estrangeiras: dos filhos de Jesuá, filho de Jozadaque, e seus irmãos,
Maaséias, Eliézer, Jaribe e Gedalias.
19 E deram a sua mão, comprometendo-se a despedirem suas mulheres; e,
achando-se culpados, ofereceram um carneiro do rebanho pela sua culpa.
20 Dos filhos de Imer: Hanâni e Zebadias.
21 Dos filhos de Harim: Maaséias, Elias, Semaías, Jeiel e Uzias.
22 E dos filhos de Pasur: Elioenai, Maaséias, Ismael, Netanel, Jozabade e
Elasa.
23 Dos levitas: Jozabade, Simei, Quelaías (este é Quelita) , Petaías, Judá e
Eliézer.
24 Dos cantores: Eliasibe. Dos porteiros: Salum, Telem e îri.
25 E de Israel, dos filhos de Parós: Ramias, Izias, Malquias, Miamim, Eleazar,
Hasabias e Benaías.
26 Dos filhos de Elão: Matanias, Zacarias, Jeiel, Abdi, Jerimote e Elias.
27 Dos filhos de Zatu: Elioenai, Eliasibe, Matanias, Jerimote, Zabade e Aziza.
28 Dos filhos de Bebai: Jeoanã, Hananias, Zabai e Atlai.
29 Dos filhos de Bani: Mesulão, Maluque, Adaías, Jasube, Seal e Jerimote.
30 Dos filhos de Paate-Moabe: Adná, Quelal, Benaías, Maaséias, Matanias,
Bezaleel, Binuí e Manassés.
31 Dos filhos de Harim: Eliézer, Issijá, Malquias, Semaías, Simeão,
32 Benjamim, Maluque e Semarias.
33 Dos filhos de Hasum: Matenai, Matatá, Zabade, Elifelete, Jeremai, Manassés e
Simei.
34 Dos filhos de Bani: Maadai, Anrão e Uel,
35 Benaías, Bedéias, Queluí,
36 Vanias, Meremote, Eliasibe,
37 Matanias, Matenai e Jaasu.
38 Dos filhos de Binuí: Simei,
39 Selemias, Natã, Adaías,
40 Macnadbai, Sasai, Sarai,
41 Azarel, Selemias, Semarias,
42 Salum, Amarias e José.
43 Dos filhos de Nebo: Jeiel, Matitias, Zabade, Zebina, Jadai, Joel e Benaías.
44 Todos estes tinham tomado mulheres estrangeiras; e se despediram das
mulheres e dos filhos.
[1]
1 Havia um homem na terra de
Uz, cujo nome era Jó. Era homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava
do mal.
2 Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
3 Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e
quinhentas jumentas, tendo também muitíssima gente ao seu serviço; de modo que
este homem era o maior de todos os do Oriente.
4 Iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez;
e mandavam convidar as suas três irmãs para comerem e beberem com eles.
5 E sucedia que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó
e os santificava; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o
número de todos eles; pois dizia Jó: Talvez meus filhos tenham pecado, e
blasfemado de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.
6 Ora, chegado o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o
Senhor, veio também Satanás entre eles.
7 O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor,
dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
8 Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há
na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do
mal?
9 Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura Jó teme a Deus
debalde?
10 Não o tens protegido de todo lado a ele, a sua casa e a tudo quanto tem?
Tens abençoado a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicam na terra.
11 Mas estende agora a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e ele blasfemará
de ti na tua face!
12 Ao que disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está no teu
poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do
Senhor.
13 Certo dia, quando seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho em casa do
irmão mais velho,
14 veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam
junto a eles;
15 e deram sobre eles os sabeus, e os tomaram; mataram os moços ao fio da
espada, e só eu escapei para trazer-te a nova.
16 Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu e
queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e so eu escapei para trazer-te a
nova.
17 Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Os caldeus, dividindo-se em
três bandos, deram sobre os camelos e os tomaram; e mataram os moços ao fio da
espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.
18 Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Teus filhos e tuas filhas
estavam comendo e bebendo vinho em casa do irmão mais velho;
19 e eis que sobrevindo um grande vento de além do deserto, deu nos quatro
cantos da casa, e ela caiu sobre os mancebos, de sorte que morreram; e só eu
escapei para trazer-te a nova.
20 Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se
em terra, adorou;
21 e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu,
e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.
22 Em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.
JÓ
[2]
1 Chegou outra vez o dia em
que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor; e veio também
Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor.
2 Então o Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao Senhor,
dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
3 Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há
na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do
mal? Ele ainda retém a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o
consumir sem causa.
4 Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem
dará pela sua vida.
5 Estende agora a mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele blasfemará de ti
na tua face!
6 Disse, pois, o Senhor a Satanás: Eis que ele está no teu poder; somente
poupa-lhe a vida.
7 Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor, e feriu Jó de úlceras malignas,
desde a planta do pé até o alto da cabeça.
8 E Jó, tomando um caco para com ele se raspar, sentou-se no meio da cinza.
9 Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua integridade? Blasfema de Deus,
e morre.
10 Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de
Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus
lábios.
11 Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo esse mal que lhe havia sucedido,
vieram, cada um do seu lugar: Elifaz o temanita, Bildade o suíta e Zofar o
naamatita; pois tinham combinado para virem condoer- se dele e consolá-lo.
12 E, levantando de longe os olhos e não o reconhecendo, choraram em alta voz;
e, rasgando cada um o seu manto, lançaram pó para o ar sobre as suas cabeças.
13 E ficaram sentados com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum deles
lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.
JÓ
[3]
1 Depois disso abriu Jó a sua
boca, e amaldiçoou o seu dia.
2 E Jó falou, dizendo:
3 Pereça o dia em que nasci, e a noite que se disse: Foi concebido um homem!
4 Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele,
nem resplandeça sobre ele a luz.
5 Reclamem-no para si as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens;
espante-o tudo o que escurece o dia.
6 Quanto àquela noite, dela se apodere a escuridão; e não se regozije ela entre
os dias do ano; e não entre no número dos meses.
7 Ah! que estéril seja aquela noite, e nela não entre voz de regozijo.
8 Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam os dias, que são peritos em suscitar o
leviatã.
9 As estrelas da alva se lhe escureçam; espere ela em vão a luz, e não veja as
pálpebras da manhã;
10 porquanto não fechou as portas do ventre de minha mãe, nem escondeu dos meus
olhos a aflição.
11 Por que não morri ao nascer? por que não expirei ao vir à luz?
12 Por que me receberam os joelhos? e por que os seios, para que eu mamasse?
13 Pois agora eu estaria deitado e quieto; teria dormido e estaria em repouso,
14 com os reis e conselheiros da terra, que reedificavam ruínas para si,
15 ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam as suas casas de prata;
16 ou, como aborto oculto, eu não teria existido, como as crianças que nunca
viram a luz.
17 Ali os ímpios cessam de perturbar; e ali repousam os cansados.
18 Ali os presos descansam juntos, e não ouvem a voz do exator.
19 O pequeno e o grande ali estão e o servo está livre de seu senhor.
20 Por que se concede luz ao aflito, e vida aos amargurados de alma;
21 que anelam pela morte sem que ela venha, e cavam em procura dela mais do que
de tesouros escondidos;
22 que muito se regozijam e exultam, quando acham a sepultura?
23 Sim, por que se concede luz ao homem cujo caminho está escondido, e a quem
Deus cercou de todos os lados?
24 Pois em lugar de meu pão vem o meu suspiro, e os meus gemidos se derramam
como água.
25 Porque aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece.
26 Não tenho repouso, nem sossego, nem descanso; mas vem a perturbação.
JÓ
[4]
1 Então respondeu Elifaz, o
temanita, e disse:
2 Se alguém intentar falar-te, enfadarte-ás? Mas quem poderá conter as
palavras?
3 Eis que tens ensinado a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas.
4 As tuas palavras têm sustentado aos que cambaleavam, e os joelhos
desfalecentes tens fortalecido.
5 Mas agora que se trata de ti, te enfadas; e, tocando-te a ti, te desanimas.
6 Porventura não está a tua confiança no teu temor de Deus, e a tua esperança
na integridade dos teus caminhos?
7 Lembra-te agora disto: qual o inocente que jamais pereceu? E onde foram os
retos destruídos?
8 Conforme tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam o mesmo.
9 Pelo sopro de Deus perecem, e pela rajada da sua ira são consumidos.
10 Cessa o rugido do leão, e a voz do leão feroz; os dentes dos leõezinhos se
quebram.
11 Perece o leão velho por falta de presa, e os filhotes da leoa andam
dispersos.
12 Ora, uma palavra se me disse em segredo, e os meus ouvidos perceberam um
sussurro dela.
13 Entre pensamentos nascidos de visões noturnas, quando cai sobre os homens o
sono profundo,
14 sobrevieram-me o espanto e o tremor, que fizeram estremecer todos os meus
ossos.
15 Então um espírito passou por diante de mim; arrepiaram-se os cabelos do meu
corpo.
16 Parou ele, mas não pude discernir a sua aparencia; um vulto estava diante
dos meus olhos; houve silêncio, então ouvi uma voz que dizia:
17 Pode o homem mortal ser justo diante de Deus? Pode o varão ser puro diante
do seu Criador?
18 Eis que Deus não confia nos seus servos, e até a seus anjos atribui loucura;
19 quanto mais aos que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e
que são esmagados pela traça!
20 Entre a manhã e a tarde são destruidos; perecem para sempre sem que disso se
faça caso.
21 Se dentro deles é arrancada a corda da sua tenda, porventura não morrem, e
isso sem atingir a sabedoria?
JÓ
[5]
1 Chama agora; há alguém que
te responda; E a qual dentre os entes santos te dirigirás?
2 Pois a dor destrói o louco, e a inveja mata o tolo.
3 Bem vi eu o louco lançar raízes; mas logo amaldiçoei a sua habitação:
4 Seus filhos estão longe da segurança, e são pisados nas portas, e não há quem
os livre.
5 A sua messe é devorada pelo faminto, que até dentre os espinhos a tira; e o
laço abre as fauces para a fazenda deles.
6 Porque a aflição não procede do pó, nem a tribulação brota da terra;
7 mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas voam para cima.
8 Mas quanto a mim eu buscaria a Deus, e a Deus entregaria a minha causa;
9 o qual faz coisas grandes e inescrutáveis, maravilhas sem número.
10 Ele derrama a chuva sobre a terra, e envia águas sobre os campos.
11 Ele põe num lugar alto os abatidos; e os que choram são exaltados à
segurança.
12 Ele frustra as maquinações dos astutos, de modo que as suas mãos não possam
levar coisa alguma a efeito.
13 Ele apanha os sábios na sua própria astúcia, e o conselho dos perversos se
precipita.
14 Eles de dia encontram as trevas, e ao meio-dia andam às apalpadelas, como de
noite.
15 Mas Deus livra o necessitado da espada da boca deles, e da mão do poderoso.
16 Assim há esperança para o pobre; e a iniqüidade tapa a boca.
17 Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; não desprezes, pois, a
correção do Todo-Poderoso.
18 Pois ele faz a ferida, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
19 Em seis angústias te livrará, e em sete o mal não te tocará.
20 Na fome te livrará da morte, e na guerra do poder da espada.
21 Do açoite da língua estarás abrigado, e não temerás a assolação, quando
chegar.
22 Da assolação e da fome te rirás, e dos animais da terra não terás medo.
23 Pois até com as pedras do campo terás a tua aliança, e as feras do campo
estarão em paz contigo.
24 Saberás que a tua tenda está em paz; visitarás o teu rebanho, e nada te
faltará.
25 Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade
como a erva da terra.
26 Em boa velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu
tempo.
27 Eis que isso já o havemos inquirido, e assim o é; ouve-o, e conhece-o para
teu bem.
JÓ
[6]
1 Então Jó, respondendo,
disse:
2 Oxalá de fato se pesasse a minhá magoa, e juntamente na balança se pusesse a
minha calamidade!
3 Pois, na verdade, seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso é que
as minhas palavras têm sido temerárias.
4 Porque as flechas do Todo-Poderoso se cravaram em mim, e o meu espírito suga
o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim.
5 Zurrará o asno montês quando tiver erva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?:
6 Pode se comer sem sal o que é insípido? Ou há gosto na clara do ovo?
7 Nessas coisas a minha alma recusa tocar, pois são para mim qual comida
repugnante.
8 Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que Deus me desse o que anelo!
9 que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua mão, e me
exterminasse!
10 Isto ainda seria a minha consolação, e exultaria na dor que não me poupa;
porque não tenho negado as palavras do Santo.
11 Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que me
porte com paciência?
12 É a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
13 Na verdade não há em mim socorro nenhum. Não me desamparou todo o auxílio
eficaz?
14 Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaixão; mesmo ao que abandona o
temor do Todo-Poderoso.
15 Meus irmãos houveram-se aleivosamente, como um ribeiro, como a torrente dos
ribeiros que passam,
16 os quais se turvam com o gelo, e neles se esconde a neve;
17 no tempo do calor vão minguando; e quando o calor vem, desaparecem do seu
lugar.
18 As caravanas se desviam do seu curso; sobem ao deserto, e perecem.
19 As caravanas de Tema olham; os viandantes de Sabá por eles esperam.
20 Ficam envergonhados por terem confiado; e, chegando ali, se confundem.
21 Agora, pois, tais vos tornastes para mim; vedes a minha calamidade e temeis.
22 Acaso disse eu: Dai-me um presente? Ou: Fazei-me uma oferta de vossos bens?
23 Ou: Livrai-me das mãos do adversário? Ou: Resgatai-me das mãos dos
opressores ?
24 Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.
25 Quão poderosas são as palavras da boa razão! Mas que é o que a vossa
argüição reprova?
26 Acaso pretendeis reprovar palavras, embora sejam as razões do desesperado
como vento?
27 Até quereis lançar sortes sobre o órfão, e fazer mercadoria do vosso amigo.
28 Agora, pois, por favor, olhai para, mim; porque de certo à vossa face não
mentirei.
29 Mudai de parecer, peço-vos, não haja injustiça; sim, mudai de parecer, que a
minha causa é justa.
30 Há iniqüidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar discernir coisas
perversas?
JÓ
[7]
1 Porventura não tem o homem
duro serviço sobre a terra? E não são os seus dias como os do jornaleiro?
2 Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela
sua paga,
3 assim se me deram meses de escassez, e noites de aflição se me ordenaram.
4 Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e
farto-me de me revolver na cama até a alva.
5 A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele
endurece, e torna a rebentar-se.
6 Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim
sem esperança.
7 Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o
bem.
8 Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre
mim, mas não serei mais.
9 Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará
a subir.
10 Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais.
11 Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito,
queixar-me-ei na amargura da minha alma.
12 Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda?
13 Quando digo: Confortar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha queixa,
14 então me espantas com sonhos, e com visões me atemorizas;
15 de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus
ossos.
16 A minha vida abomino; não quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os
meus dias são vaidade.
17 Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas sobre ele o teu
pensamento,
18 e cada manhã o visites, e cada momento o proves?
19 Até quando não apartarás de mim a tua vista, nem me largarás, até que eu
possa engolir a minha saliva?
20 Se peco, que te faço a ti, ó vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos
teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado?
21 Por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade?
Pois agora me deitarei no pó; tu me buscarás, porém eu não serei mais.
JÓ
[8]
1 Então respondeu Bildade, o
suíta, dizendo:
2 Até quando falarás tais coisas, e até quando serão as palavras da tua boca
qual vento impetuoso?
3 Perverteria Deus o direito? Ou perverteria o Todo-Poderoso a justiça?
4 Se teus filhos pecaram contra ele, ele os entregou ao poder da sua
transgressão.
5 Mas, se tu com empenho buscares a Deus, e ,ao Todo-Poderoso fizeres a tua
súplica,
6 se fores puro e reto, certamente mesmo agora ele despertará por ti, e tornará
segura a habitação da tua justiça.
7 Embora tenha sido pequeno o teu princípio, contudo o teu último estado
aumentará grandemente.
8 Indaga, pois, eu te peço, da geração passada, e considera o que seus pais
descobriram.
9 Porque nós somos de ontem, e nada sabemos, porquanto nossos dias sobre a
terra, são uma sombra.
10 Não te ensinarão eles, e não te falarão, e do seu entendimento não
proferirão palavras?
11 Pode o papiro desenvolver-se fora de um pântano. Ou pode o junco crescer sem
água?
12 Quando está em flor e ainda não cortado, seca-se antes de qualquer outra
erva.
13 Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; a esperança do
ímpio perecerá,
14 a sua segurança se desfará, e a sua confiança será como a teia de aranha.
15 Encostar-se-á à sua casa, porém ela não subsistirá; apegar-se-lhe-á, porém
ela não permanecerá.
16 Ele está verde diante do sol, e os seus renovos estendem-se sobre o seu
jardim;
17 as suas raízes se entrelaçam junto ao monte de pedras; até penetra o pedregal.
18 Mas quando for arrancado do seu lugar, então este o negará, dizendo: Nunca
te vi.
19 Eis que tal é a alegria do seu caminho; e da terra outros brotarão.
20 Eis que Deus não rejeitará ao reto, nem tomará pela mão os malfeitores;
21 ainda de riso te encherá a boca, e os teus lábios de louvor.
22 Teus aborrecedores se vestirão de confusão; e a tenda dos ímpios não
subsistirá.
JÓ
[9]
1 Então Jó respondeu,
dizendo:
2 Na verdade sei que assim é; mas como pode o homem ser justo para com Deus?
3 Se alguém quisesse contender com ele, não lhe poderia responder uma vez em
mil.
4 Ele é sábio de coração e poderoso em forças; quem se endureceu contra ele, e
ficou seguro?
5 Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e os transtorna no seu furor;
6 o que sacode a terra do seu lugar, de modo que as suas colunas estremecem;
7 o que dá ordens ao sol, e ele não nasce; o que sela as estrelas;
8 o que sozinho estende os céus, e anda sobre as ondas do mar;
9 o que fez a ursa, o Oriom, e as Plêiades, e as recâmaras do sul;
10 o que faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem
contar.
11 Eis que ele passa junto a mim, e, nao o vejo; sim, vai passando adiante, mas
não o percebo.
12 Eis que arrebata a presa; quem o pode impedir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?
13 Deus não retirará a sua ira; debaixo dele se curvaram os aliados de Raabe;
14 quanto menos lhe poderei eu responder ou escolher as minhas palavras para
discutir com ele?
15 Embora, eu seja justo, não lhe posso responder; tenho de pedir misericórdia
ao meu juiz.
16 Ainda que eu chamasse, e ele me respondesse, não poderia crer que ele
estivesse escutando a minha voz.
17 Pois ele me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem
causa.
18 Não me permite respirar, antes me farta de amarguras.
19 Se fosse uma prova de força, eis-me aqui, diria ele; e se fosse questão de
juízo, quem o citaria para comparecer?
20 Ainda que eu fosse justo, a minha própria boca me condenaria; ainda que eu
fosse perfeito, então ela me declararia perverso:
21 Eu sou inocente; não estimo a mim mesmo; desprezo a minha vida.
22 Tudo é o mesmo, portanto digo: Ele destrói o reto e o ímpio.
23 Quando o açoite mata de repente, ele zomba da calamidade dos inocentes.
24 A terra está entregue nas mãos do ímpio. Ele cobre o rosto dos juízes; se
não é ele, quem é, logo?
25 Ora, os meus dias são mais velozes do que um correio; fogem, e não vêem o
bem.
26 Eles passam como balsas de junco, como águia que se lança sobre a presa.
27 Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu aspecto, e
tomarei alento;
28 então tenho pavor de todas as minhas dores; porque bem sei que não me terás
por inocente.
29 Eu serei condenado; por que, pois, trabalharei em vão?
30 Se eu me lavar com água de neve, e limpar as minhas mãos com sabão,
31 mesmo assim me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me
abominarão.
32 Porque ele não é homem, como eu, para eu lhe responder, para nos
encontrarmos em juízo.
33 Não há entre nós árbitro para pôr a mão sobre nós ambos.
34 Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror;
35 então falarei, e não o temerei; pois eu não sou assim em mim mesmo.
JÓ
[10]
1 Tendo tédio à minha vida;
darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma:
2 Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo.
3 Tens prazer em oprimir, em desprezar a obra das tuas mãos e favorecer o
desígnio dos ímpios?
4 Tens tu olhos de carne? Ou vês tu como vê o homem?
5 São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de
um homem,
6 para te informares da minha iniqüidade, e averiguares o meu pecado,
7 ainda que tu sabes que eu não sou ímpio, e que não há ninguém que possa
livrar-me da tua mão?
8 As tuas mãos me fizeram e me deram forma; e te voltas agora para me consumir?
9 Lembra-te, pois, de que do barro me formaste; e queres fazer-me tornar ao pó?
10 Não me vazaste como leite, e não me coalhaste como queijo?
11 De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste.
12 Vida e misericórdia me tens concedido, e a tua providência me tem conservado
o espírito.
13 Contudo ocultaste estas coisas no teu coração; bem sei que isso foi o teu
desígnio.
14 Se eu pecar, tu me observas, e da minha iniqüidade não me absolverás.
15 Se for ímpio, ai de mim! Se for justo, não poderei levantar a minha cabeça,
estando farto de ignomínia, e de contemplar a minha miséria.
16 Se a minha cabeça se exaltar, tu me caças como a um leão feroz; e de novo
fazes maravilhas contra mim.
17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua
ira; reveses e combate estão comigo.
18 Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! se então tivera expirado, e olhos
nenhuns me vissem!
19 Então fora como se nunca houvera sido; e da madre teria sido levado para a
sepultura.
20 Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco
eu tome alento;
21 antes que me vá para o lugar de que não voltarei, para a terra da escuridão
e das densas trevas,
22 terra escuríssima, como a própria escuridão, terra da sombra trevosa e do
caos, e onde a própria luz é como a escuridão.
JÓ
[11]
1 Então respondeu Zofar, o
naamatita, dizendo:
2 Não se dará resposta à multidão de palavras? ou será justificado o homem
falador?
3 Acaso as tuas jactâncias farão calar os homens? e zombarás tu sem que ninguém
te envergonhe?
4 Pois dizes: A minha doutrina é pura, e limpo sou aos teus olhos.
5 Mas, na verdade, oxalá que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra ti,
6 e te fizesse saber os segredos da sabedoria, pois é multiforme o seu
entendimento; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua
iniqüidade.
7 Poderás descobrir as coisas profundas de Deus, ou descobrir perfeitamente o
Todo-Poderoso?
8 Como as alturas do céu é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda
é ela do que o Seol; que poderás tu saber?
9 Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar.
10 Se ele passar e prender alguém, e chamar a juízo, quem o poderá impedir?
11 Pois ele conhece os homens vãos; e quando vê a iniqüidade, não atentará para
ela?
12 Mas o homem vão adquirirá entendimento, quando a cria do asno montês nascer
homem.
13 Se tu preparares o teu coração, e estenderes as mãos para ele;
14 se há iniqüidade na tua mão, lança-a para longe de ti, e não deixes a perversidade
habitar nas tuas tendas;
15 então levantarás o teu rosto sem mácula, e estarás firme, e não temerás.
16 Pois tu te esquecerás da tua miséria; apenas te lembrarás dela como das
águas que já passaram.
17 E a tua vida será mais clara do que o meio-dia; a escuridão dela será como a
alva.
18 E terás confiança, porque haverá esperança; olharás ao redor de ti e
repousarás seguro.
19 Deitar-te-ás, e ninguém te amedrontará; muitos procurarão obter o teu favor.
20 Mas os olhos dos ímpios desfalecerão, e para eles não haverá refúgio; a sua
esperança será o expirar.
JÓ
[12]
1 Então Jó respondeu,
dizendo:
2 Sem dúvida vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria.
3 Mas eu tenho entendimento como, vos; eu não vos sou inferior. Quem não sabe
tais coisas como essas?
4 Sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invocava a Deus, e ele me
respondia: o justo e reto servindo de irrisão!
5 No pensamento de quem está seguro há desprezo para a desgraça; ela está
preparada para aquele cujos pés resvalam.
6 As tendas dos assoladores têm descanso, e os que provocam a Deus estão
seguros; os que trazem o seu deus na mão!
7 Mas, pergunta agora às alimárias, e elas te ensinarão; e às aves do céu, e
elas te farão saber;
8 ou fala com a terra, e ela te ensinará; até os peixes o mar to declararão.
9 Qual dentre todas estas coisas não sabe que a mão do Senhor fez isto?
10 Na sua mão está a vida de todo ser vivente, e o espírito de todo o gênero
humano.
11 Porventura o ouvido não prova as palavras, como o paladar prova o alimento?
12 Com os anciãos está a sabedoria, e na longura de dias o entendimento.
13 Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento.
14 Eis que ele derriba, e não se pode reedificar; ele encerra na prisão, e não
se pode abrir.
15 Ele retém as águas, e elas secam; solta-as, e elas inundam a terra.
16 Com ele está a força e a sabedoria; são dele o enganado e o enganador.
17 Aos conselheiros leva despojados, e aos juízes faz desvairar.
18 Solta o cinto dos reis, e lhes ata uma corda aos lombos.
19 Aos sacerdotes leva despojados, e aos poderosos transtorna.
20 Aos que são dignos da confiança emudece, e tira aos anciãos o discernimento.
21 Derrama desprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes.
22 Das trevas descobre coisas profundas, e traz para a luz a sombra da morte.
23 Multiplica as nações e as faz perecer; alarga as fronteiras das nações, e as
leva cativas.
24 Tira o entendimento aos chefes do povo da terra, e os faz vaguear pelos
desertos, sem caminho.
25 Eles andam nas trevas às apalpadelas, sem luz, e ele os faz cambalear como
um ébrio.
JÓ
[13]
1 Eis que os meus olhos viram
tudo isto, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.
2 O que vós sabeis também eu o sei; não vos sou inferior.
3 Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me perante Deus.
4 Vós, porém, sois forjadores de mentiras, e vós todos, médicos que não valem
nada.
5 Oxalá vos calásseis de todo, pois assim passaríeis por sábios.
6 Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos meus lábios.
7 Falareis falsamente por Deus, e por ele proferireis mentiras?
8 Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis a favor de Deus?
9 Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como quem zomba
de um homem?
10 Certamente vos repreenderá, se em oculto vos deixardes levar de respeitos
humanos.
11 Não vos amedrontará a sua majestade? E não cairá sobre vós o seu terror?
12 As vossas máximas são provérbios de cinza; as vossas defesas são torres de
barro.
13 Calai-vos perante mim, para que eu fale, e venha sobre mim o que vier.
14 Tomarei a minha carne entre os meus dentes, e porei a minha vida na minha
mão.
15 Eis que ele me matará; não tenho esperança; contudo defenderei os meus
caminhos diante dele.
16 Também isso será a minha salvação, pois o ímpio não virá perante ele.
17 Ouvi atentamente as minhas palavras, e chegue aos vossos ouvidos a minha
declaração.
18 Eis que já pus em ordem a minha causa, e sei que serei achado justo:
19 Quem é o que contenderá comigo? Pois então me calaria e renderia o espírito.
20 Concede-me somente duas coisas; então não me esconderei do teu rosto:
21 desvia a tua mão rara longe de mim, e não me amedronte o teu terror.
22 Então chama tu, e eu responderei; ou eu falarei, e me responde tu.
23 Quantas iniqüidades e pecados tenho eu? Faze-me saber a minha transgressão e
o meu pecado.
24 Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?
25 Acossarás uma folha arrebatada pelo vento? E perseguirás o restolho seco?
26 Pois escreves contra mim coisas amargas, e me fazes herdar os erros da minha
mocidade;
27 também pões no tronco os meus pés, e observas todos os meus caminhos, e
marcas um termo ao redor dos meus pés,
28 apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome, e como um vestido, ao
qual rói a traça.
JÓ
[14]
1 O homem, nascido da mulher,
é de poucos dias e cheio de inquietação.
2 Nasce como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece.
3 Sobre esse tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar em juízo contigo?
4 Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.
5 Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus
meses; tu lhe puseste limites, e ele não poderá passar além deles.
6 Desvia dele o teu rosto, para que ele descanse e, como o jornaleiro, tenha
contentamento no seu dia.
7 Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda torne a brotar,
e que não cessem os seus renovos.
8 Ainda que envelheça a sua raiz na terra, e morra o seu tronco no pó,
9 contudo ao cheiro das águas brotará, e lançará ramos como uma planta nova.
10 O homem, porém, morre e se desfaz; sim, rende o homem o espírito, e então
onde está?
11 Como as águas se retiram de um lago, e um rio se esgota e seca,
12 assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus não
acordará nem será despertado de seu sono.
13 Oxalá me escondesses no Seol, e me ocultasses até que a tua ira tenha
passado; que me determinasses um tempo, e te lembrasses de mim!
14 Morrendo o homem, acaso tornará a viver? Todos os dias da minha lida
esperaria eu, até que viesse a minha mudança.
15 Chamar-me-ias, e eu te responderia; almejarias a obra de tuas mãos.
16 Então contarias os meus passos; não estarias a vigiar sobre o meu pecado;
17 a minha transgressão estaria selada num saco, e ocultarias a minha
iniqüidade.
18 Mas, na verdade, a montanha cai e se desfaz, e a rocha se remove do seu
lugar.
19 As águas gastam as pedras; as enchentes arrebatam o solo; assim tu fazes
perecer a esperança do homem.
20 Prevaleces para sempre contra ele, e ele passa; mudas o seu rosto e o
despedes.
21 Os seus filhos recebem honras, sem que ele o saiba; são humilhados sem que
ele o perceba.
22 Sente as dores do seu próprio corpo somente, e só por si mesmo lamenta.
JÓ
[15]
1 Então respondeu Elifaz, o
temanita:
2 Porventura responderá o sábio com ciência de vento? E encherá do vento
oriental o seu ventre,
3 argüindo com palavras que de nada servem, ou com razões com que ele nada
aproveita?
4 Na verdade tu destróis a reverência, e impedes a meditação diante de Deus.
5 Pois a tua iniqüidade ensina a tua boca, e escolhes a língua dos astutos.
6 A tua própria boca te condena, e não eu; e os teus lábios testificam contra
ti.
7 És tu o primeiro homem que nasceu? Ou foste dado à luz antes dos outeiros?
8 Ou ouviste o secreto conselho de Deus? E a ti só reservas a sabedoria?
9 Que sabes tu, que nós não saibamos; que entendes, que não haja em nós?
10 Conosco estão os encanecidos e idosos, mais idosos do que teu pai.
11 Porventura fazes pouco caso das consolações de Deus, ou da palavra que te
trata benignamente?
12 Por que te arrebata o teu coração, e por que flamejam os teus olhos,
13 de modo que voltas contra Deus o teú espírito, e deixas sair tais palavras
da tua boca?
14 Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique
justo?
15 Eis que Deus não confia nos seus santos, e nem o céu é puro aos seus olhos;
16 quanto menos o homem abominável e corrupto, que bebe a iniqüidade como a
água?
17 Escuta-me e to mostrarei; contar-te-ei o que tenho visto
18 (o que os sábios têm anunciado e seus pais não o ocultaram;
19 aos quais somente era dada a terra, não havendo estranho algum passado por
entre eles);
20 Todos os dias passa o ímpio em angústia, sim, todos os anos que estão
reservados para o opressor.
21 O sonido de terrores está nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrevém o
assolador.
22 Ele não crê que tornará das trevas, mas que o espera a espada.
23 Anda vagueando em busca de pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que o dia das
trevas lhe está perto, à mão.
24 Amedrontam-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como um rei
preparado para a peleja.
25 Porque estendeu a sua mão contra Deus, e contra o Todo-Poderoso se porta com
soberba;
26 arremete contra ele com dura cerviz, e com as saliências do seu escudo;
27 porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou carne gorda nas
ilhargas;
28 e habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguem deveria morar, que
estavam a ponto de tornar-se em montões de ruínas;
29 não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela
terra as suas possessões.
30 Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus ramos, e ao sopro da
boca de Deus desaparecerá.
31 Não confie na vaidade, enganando-se a si mesmo; pois a vaidade será a sua
recompensa.
32 Antes do seu dia se cumprirá, e o seu ramo não reverdecerá.
33 Sacudirá as suas uvas verdes, como a vide, e deixará cair a sua flor como a
oliveira.
34 Pois a assembléia dos ímpios é estéril, e o fogo consumirá as tendas do
suborno.
35 Concebem a malícia, e dão à luz a iniqüidade, e o seu coração prepara
enganos.
JÓ
[16]
1 Então Jó respondeu,
dizendo:
2 Tenho ouvido muitas coisas como essas; todos vós sois consoladores molestos.
3 Não terão fim essas palavras de vento? Ou que é o que te provoca, para assim
responderes?
4 Eu também poderia falar como vós falais, se vós estivésseis em meu lugar; eu
poderia amontoar palavras contra vós, e contra vós menear a minha cabeça;
5 poderia fortalecer-vos com a minha boca, e a consolação dos meus lábios
poderia mitigar a vossa dor.
6 Ainda que eu fale, a minha dor naõ se mitiga; e embora me cale, qual é o meu
alívio?
7 Mas agora, ó Deus, me deixaste exausto; assolaste toda a minha companhia.
8 Tu me emagreceste, e isso constitui uma testemunha contra mim; contra mim se
levanta a minha magreza, e o meu rosto testifica contra mim.
9 Na sua ira ele me despedaçou, e me perseguiu; rangeu os dentes contra mim; o
meu adversário aguça os seus olhos contra mim.
10 Os homens abrem contra mim a boca; com desprezo me ferem nas faces, e contra
mim se ajuntam à uma.
11 Deus me entrega ao ímpio, nas mãos dos iníquos me faz cair.
12 Descansado estava eu, e ele me quebrantou; e pegou-me pelo pescoço, e me
despedaçou; colocou-me por seu alvo;
13 cercam-me os seus flecheiros. Atravessa-me os rins, e não me poupa; derrama
o meu fel pela terra.
14 Quebranta-me com golpe sobre golpe; arremete contra mim como um guerreiro.
15 Sobre a minha pele cosi saco, e deitei a minha glória no pó.
16 O meu rosto todo está inflamado de chorar, e há sombras escuras sobre as
minhas pálpebras,
17 embora não haja violência nas minhas maos, e seja pura a minha oração.
18 ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar em que seja abafado o meu
clamor!
19 Eis que agora mesmo a minha testemunha está no céu, e o meu fiador nas
alturas.
20 Os meus amigos zombam de mim; mas os meus olhos se desfazem em lágrimas
diante de Deus,
21 para que ele defenda o direito que o homem tem diante de Deus e o que o
filho do homem tem perante, o seu proximo.
22 Pois quando houver decorrido poucos anos, eu seguirei o caminho por onde não
tornarei.
JÓ
[17]
1 O meu espírito está
quebrantado, os meus dias se extinguem, a sepultura me está preparada!
2 Deveras estou cercado de zombadores, e os meus olhos contemplam a sua provocação!
3 Dá-me, peço-te, um penhor, e sê o meu fiador para contigo; quem mais há que
me dê a mão?
4 Porque aos seus corações encobriste o entendimento, pelo que não os
exaltarás.
5 Quem entrega os seus amigos como presa, os olhos de seus filhos desfalecerão.
6 Mas a mim me pôs por motejo dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se
cospe.
7 De mágoa se escureceram os meus olhos, e todos os meus membros são como a
sombra.
8 Os retos pasmam disso, e o inocente se levanta contra o ímpio.
9 Contudo o justo prossegue no seu caminho e o que tem mãos puras vai crescendo
em força.
10 Mas tornai vós todos, e vinde, e sábio nenhum acharei entre vós.
11 Os meus dias passaram, malograram-se os meus propósitos, as aspirações do
meu coração.
12 Trocam a noite em dia; dizem que a luz está perto das trevas. el,
13 Se eu olhar o Seol como a minha casa, se nas trevas estender a minha cama,
14 se eu clamar à cova: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha
irmã;
15 onde está então a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá
ver?
16 Acaso descerá comigo até os ferrolhos do Seol? Descansaremos juntos no pó?
JÓ
[18]
1 Então respondeu Bildade, o
suíta:
2 Até quando estareis à procura de palavras? considerai bem, e então falaremos.
3 Por que somos tratados como gado, e como estultos aos vossos olhos?
4 Oh tu, que te despedaças na tua ira, acaso por amor de ti será abandonada a
terra, ou será a rocha removida do seu lugar?
5 Na verdade, a luz do ímpio se apagará, e não resplandecerá a chama do seu fogo.
6 A luz se escurecerá na sua tenda, e a lâmpada que está sobre ele se apagará.
7 Os seus passos firmes se estreitarão, e o seu próprio conselho o derribará.
8 Pois por seus próprios pés é ele lançado na rede, e pisa nos laços armados.
9 A armadilha o apanha pelo calcanhar, e o laço o prende;
10 a corda do mesmo está-lhe escondida na terra, e uma armadilha na vereda.
11 Terrores o amedrontam de todos os lados, e de perto lhe perseguem os pés.
12 O seu vigor é diminuído pela fome, e a destruição está pronta ao seu lado.
13 São devorados os membros do seu corpo; sim, o primogênito da morte devora os
seus membros.
14 Arrancado da sua tenda, em que confiava, é levado ao rei dos terrores.
15 Na sua tenda habita o que não lhe pertence; espalha-se enxofre sobre a sua
habitação.
16 Por baixo se secam as suas raízes, e por cima são cortados os seus ramos.
17 A sua memória perece da terra, e pelas praças não tem nome.
18 É lançado da luz para as trevas, e afugentado do mundo.
19 Não tem filho nem neto entre o seu povo, e descendente nenhum lhe ficará nas
moradas.
20 Do seu dia pasmam os do ocidente, assim como os do oriente ficam
sobressaltados de horror.
21 Tais são, na verdade, as moradas do, impio, e tal é o lugar daquele que não
conhece a Deus.
JÓ
[19]
1 Então Jó respondeu:
2 Até quando afligireis a minha alma, e me atormentareis com palavras?
3 Já dez vezes me haveis humilhado; não vos envergonhais de me maltratardes?
4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo fica o meu erro.
5 Se deveras vos quereis engrandecer contra mim, e me incriminar pelo meu
opróbrio,
6 sabei então que Deus é o que transtornou a minha causa, e com a sua rede me
cercou.
7 Eis que clamo: Violência! mas não sou ouvido; grito: Socorro! mas não há
justiça.
8 com muros fechou ele o meu caminho, de modo que não posso passar; e pôs
trevas nas minhas veredas.
9 Da minha honra me despojou, e tirou-me da cabeça a coroa.
10 Quebrou-me de todos os lados, e eu me vou; arrancou a minha esperança, como
a, uma árvore.
11 Acende contra mim a sua ira, e me considera como um de seus adversários.
12 Juntas as suas tropas avançam, levantam contra mim o seu caminho, e se
acampam ao redor da minha tenda.
13 Ele pôs longe de mim os meus irmãos, e os que me conhecem tornaram-se
estranhos para mim.
14 Os meus parentes se afastam, e os meus conhecidos se esquecem de, mim.
15 Os meus domésticos e as minhas servas me têm por estranho; vim a ser um
estrangeiro aos seus olhos.
16 Chamo ao meu criado, e ele não me responde; tenho que suplicar-lhe com a
minha boca.
17 O meu hÁlito é intolerável à minha mulher; sou repugnante aos filhos de
minhã mae.
18 Até os pequeninos me desprezam; quando me levanto, falam contra mim.
19 Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram
contra mim.
20 Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e só escapei com a
pele dos meus dentes.
21 Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos de mim; pois a mão de
Deus me tocou.
22 Por que me perseguis assim como Deus, e da minha carne não vos fartais?
23 Oxalá que as minhas palavras fossem escritas! Oxalá que fossem gravadas num
livro!
24 Que, com pena de ferro, e com chumbo, fossem para sempre esculpidas na
rocha!
25 Pois eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a
terra.
26 E depois de consumida esta minha pele, então fora da minha carne verei a
Deus;
27 vê-lo-ei ao meu lado, e os meus olhos o contemplarão, e não mais como
adversário. O meu coração desfalece dentro de mim!
28 Se disserdes: Como o havemos de perseguir! e que a causa deste mal se acha
em mim,
29 temei vós a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes
que há um juízo.
JÓ
[20]
1 Então respondeu Zofar, o
naamatita:
2 Ora, os meus pensamentos me fazem responder, e por isso eu me apresso.
3 Estou ouvindo a tua repreensão, que me envergonha, mas o espírito do meu
entendimento responde por mim.
4 Não sabes tu que desde a antigüidade, desde que o homem foi posto sobre a
terra,
5 o triunfo dos iníquos é breve, e a alegria dos ímpios é apenas dum momento?
6 Ainda que a sua exaltação suba até o ceu, e a sua cabeça chegue até as
nuvens,
7 contudo, como o seu próprio esterco, perecerá para sempre; e os que o viam
perguntarão: Onde está?
8 Dissipar-se-á como um sonho, e não será achado; será afugentado qual uma
visão da noite.
9 Os olhos que o viam não o verão mais, nem o seu lugar o contemplará mais.
10 Os seus filhos procurarão o favor dos pobres, e as suas mãos restituirão os
seus lucros ilícitos.
11 Os seus ossos estão cheios do vigor da sua juventude, mas este se deitará
com ele no pó.
12 Ainda que o mal lhe seja doce na boca, ainda que ele o esconda debaixo da
sua língua,
13 ainda que não o queira largar, antes o retenha na sua boca,
14 contudo a sua comida se transforma nas suas entranhas; dentro dele se torna
em fel de áspides.
15 Engoliu riquezas, mas vomitá-las-á; do ventre dele Deus as lançará.
16 Veneno de áspides sorverá, língua de víbora o matará.
17 Não verá as correntes, os rios e os ribeiros de mel e de manteiga.
18 O que adquiriu pelo trabalho, isso restituirá, e não o engolirá; não se
regozijará conforme a fazenda que ajuntou.
19 Pois que oprimiu e desamparou os pobres, e roubou a casa que não edificou.
20 Porquanto não houve limite à sua cobiça, nada salvará daquilo em que se
deleita.
21 Nada escapou à sua voracidade; pelo que a sua prosperidade não perdurará.
22 Na plenitude da sua abastança, estará angustiado; toda a força da miséria
virá sobre ele.
23 Mesmo estando ele a encher o seu estômago, Deus mandará sobre ele o ardor da
sua ira, que fará chover sobre ele quando for comer.
24 Ainda que fuja das armas de ferro, o arco de bronze o atravessará.
25 Ele arranca do seu corpo a flecha, que sai resplandecente do seu fel;
terrores vêm sobre ele.
26 Todas as trevas são reservadas paro os seus tesouros; um fogo não assoprado
o consumirá, e devorará o que ficar na sua tenda.
27 Os céus revelarão a sua iniqüidade, e contra ele a terra se levantará.
28 As rendas de sua casa ir-se-ão; no dia da ira de Deus todas se derramarão.
29 Esta, da parte de Deus, é a porção do ímpio; esta é a herança que Deus lhe
reserva.
JÓ
[21]
1 Então Jó respondeu:
2 Ouvi atentamente as minhas palavras; seja isto a vossa consolação.
3 Sofrei-me, e eu falarei; e, havendo eu falado, zombai.
4 É porventura do homem que eu me queixo? Mas, ainda que assim fosse, não teria
motivo de me impacientar?
5 Olhai para mim, e pasmai, e ponde a mão sobre a boca.
6 Quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne estremece de horror.
7 Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se robustecem em poder?
8 Os seus filhos se estabelecem à vista deles, e os seus descendentes perante
os seus olhos.
9 As suas casas estão em paz, sem temor, e a vara de Deus não está sobre eles.
10 O seu touro gera, e não falha; pare a sua vaca, e não aborta.
11 Eles fazem sair os seus pequeninos, como a um rebanho, e suas crianças andam
saltando.
12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e regozijam-se ao som da
flauta.
13 Na prosperidade passam os seus dias, e num momento descem ao Seol.
14 Eles dizem a Deus: retira-te de nós, pois não desejamos ter conhecimento dos
teus caminhos.
15 Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará, se
lhe fizermos orações?
16 Vede, porém, que eles não têm na mão a prosperidade; esteja longe de mim o
conselho dos ímpios!
17 Quantas vezes sucede que se apague a lâmpada dos ímpios? que lhes sobrevenha
a sua destruição? que Deus na sua ira lhes reparta dores?
18 que eles sejam como a palha diante do vento, e como a pragana, que o
redemoinho arrebata?
19 Deus, dizeis vós, reserva a iniqüidade do pai para seus filhos, mas é a ele
mesmo que Deus deveria punir, para que o conheça.
20 Vejam os seus próprios olhos a sua ruina, e beba ele do furor do
Todo-Poderoso.
21 Pois, que lhe importa a sua casa depois de morto, quando lhe for cortado o
número dos seus meses?
22 Acaso se ensinará ciência a Deus, a ele que julga os excelsos?
23 Um morre em plena prosperidade, inteiramente sossegado e tranqüilo;
24 com os seus baldes cheios de leite, e a medula dos seus ossos umedecida.
25 Outro, ao contrário, morre em amargura de alma, não havendo provado do bem.
26 Juntamente jazem no pó, e os vermes os cobrem.
27 Eis que conheço os vossos pensamentos, e os maus intentos com que me fazeis
injustiça.
28 Pois dizeis: Onde está a casa do príncipe, e onde a tenda em que morava o
ímpio?
29 Porventura não perguntastes aos viandantes? e não aceitais o seu testemunho,
30 de que o mau é preservado no dia da destruição, e poupado no dia do furor?
31 Quem acusará diante dele o seu caminho? e quem lhe dará o pago do que fez?
32 Ele é levado para a sepultura, e vigiam-lhe o túmulo.
33 Os torrões do vale lhe são doces, e o seguirão todos os homens, como ele o
fez aos inumeráveis que o precederam.
34 Como, pois, me ofereceis consolações vãs, quando nas vossas respostas só
resta falsidade?
JÓ
[22]
1 Então respondeu Elifaz, o
temanita:
2 Pode o homem ser de algum proveito a Deus? Antes a si mesmo é que o prudenté
será proveitoso.
3 Tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro em que tu faças
perfeitos os teus caminhos?
4 É por causa da tua reverência que te repreende, ou que entra contigo em
juízo?
5 Não é grande a tua malícia, e sem termo as tuas iniqüidades?
6 Pois sem causa tomaste penhôres a teus irmaos e aos nus despojaste dos vestidos.
7 Não deste ao cansado água a beber, e ao faminto retiveste o pão.
8 Mas ao poderoso pertencia a terra, e o homem acatado habitava nela.
9 Despediste vazias as viúvas, e os braços dos órfãos foram quebrados.
10 Por isso é que estás cercado de laços, e te perturba um pavor repentino,
11 ou trevas de modo que nada podes ver, e a inundação de águas te cobre.
12 Não está Deus na altura do céu? Olha para as mais altas estrelas, quão
elevadas estão!
13 E dizes: Que sabe Deus? Pode ele julgar através da escuridão?
14 Grossas nuvens o encobrem, de modo que não pode ver; e ele passeia em volta
da abóbada do céu.
15 Queres seguir a vereda antiga, que pisaram os homens iníquos?
16 Os quais foram arrebatados antes do seu tempo; e o seu fundamento se
derramou qual um rio.
17 Diziam a Deus: retira-te de nós; e ainda: Que é que o Todo-Poderoso nos pode
fazer?
18 Contudo ele encheu de bens as suas casas. Mas longe de mim estejam os
conselhos dos ímpios!
19 Os justos o vêem, e se alegram: e os inocentes escarnecem deles,
20 dizendo: Na verdade são exterminados os nossos adversários, e o fogo
consumiu o que deixaram.
21 Apega-te, pois, a Deus, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem.
22 Aceita, peço-te, a lei da sua boca, e põe as suas palavras no teu coração.
23 Se te voltares para o Todo-Poderoso, serás edificado; se lançares a
iniqüidade longe da tua tenda,
24 e deitares o teu tesouro no pó, e o ouro de Ofir entre as pedras dos
ribeiros,
25 então o Todo-Poderoso será o teu tesouro, e a tua prata preciosa.
26 Pois então te deleitarás no Todo-Poderoso, e levantarás o teu rosto para
Deus.
27 Tu orarás a ele, e ele te ouvirá; e pagarás os teus votos.
28 Também determinarás algum negócio, e ser-te-á firme, e a luz brilhará em
teus caminhos.
29 Quando te abaterem, dirás: haja exaltação! E Deus salvará ao humilde.
30 E livrará até o que não é inocente, que será libertado pela pureza de tuas
mãos.
JÓ
[23]
1 Então Jó respondeu:
2 Ainda hoje a minha queixa está em amargura; o peso da mão dele é maior do que
o meu gemido.
3 Ah, se eu soubesse onde encontrá-lo, e pudesse chegar ao seu tribunal!
4 Exporia ante ele a minha causa, e encheria a minha boca de argumentos.
5 Saberia as palavras com que ele me respondesse, e entenderia o que me
dissesse.
6 Acaso contenderia ele comigo segundo a grandeza do seu poder? Não; antes ele
me daria ouvidos.
7 Ali o reto pleitearia com ele, e eu seria absolvido para sempre por meu Juiz.
8 Eis que vou adiante, mas não está ali; volto para trás, e não o percebo;
9 procuro-o à esquerda, onde ele opera, mas não o vejo; viro-me para a direita,
e não o diviso.
10 Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro.
11 Os meus pés se mantiveram nas suas pisadas; guardei o seu caminho, e não me
desviei dele.
12 Nunca me apartei do preceito dos seus lábios, e escondi no meu peito as
palavras da sua boca.
13 Mas ele está resolvido; quem então pode desviá-lo? E o que ele quiser, isso
fará.
14 Pois cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas
ainda tem consigo.
15 Por isso me perturbo diante dele; e quando considero, tenho medo dele.
16 Deus macerou o meu coração; o Todo-Poderoso me perturbou.
17 Pois não estou desfalecido por causa das trevas, nem porque a escuridão
cobre o meu rosto.
JÓ
[24]
1 Por que o Todo-Poderoso não
designa tempos? e por que os que o conhecem não vêem os seus dias?
2 Há os que removem os limites; roubam os rebanhos, e os apascentam.
3 Levam o jumento do órfão, tomam em penhor o boi da viúva.
4 Desviam do caminho os necessitados; e os oprimidos da terra juntos se
escondem.
5 Eis que, como jumentos monteses no deserto, saem eles ao seu trabalho,
procurando no ermo a presa que lhes sirva de sustento para seus filhos.
6 No campo segam o seu pasto, e vindimam a vinha do ímpio.
7 Passam a noite nus, sem roupa, não tendo coberta contra o frio.
8 Pelas chuvas das montanhas são molhados e, por falta de abrigo, abraçam-se
com as rochas.
9 Há os que arrancam do peito o órfão, e tomam o penhor do pobre;
10 fazem que estes andem nus, sem roupa, e, embora famintos, carreguem os
molhos.
11 Espremem o azeite dentro dos muros daqueles homens; pisam os seus lagares, e
ainda têm sede.
12 Dentro das cidades gemem os moribundos, e a alma dos feridos clama; e
contudo Deus não considera o seu clamor.
13 Há os que se revoltam contra a luz; não conhecem os caminhos dela, e não
permanecem nas suas veredas.
14 O homicida se levanta de madrugada, mata o pobre e o necessitado, e de noite
torna-se ladrão.
15 Também os olhos do adúltero aguardam o crepúsculo, dizendo: Ninguém me verá;
e disfarça o rosto.
16 Nas trevas minam as casas; de dia se conservam encerrados; não conhecem a
luz.
17 Pois para eles a profunda escuridão é a sua manhã; porque são amigos das
trevas espessas.
18 São levados ligeiramente sobre a face das águas; maldita é a sua porção
sobre a terra; não tornam pelo caminho das vinhas.
19 A sequidão e o calor desfazem as, águas da neve; assim faz o Seol aos que
pecaram.
20 A madre se esquecerá dele; os vermes o comerão gostosamente; não será mais
lembrado; e a iniqüidade se quebrará como árvore.
21 Ele despoja a estéril que não dá à luz, e não faz bem à viúva.
22 Todavia Deus prolonga a vida dos valentes com a sua força; levantam-se
quando haviam desesperado da vida.
23 Se ele lhes dá descanso, estribam-se, nisso; e os seus olhos estão sobre os
caminhos deles.
24 Eles se exaltam, mas logo desaparecem; são abatidos, colhidos como os
demais, e cortados como as espigas do trigo.
25 Se não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas palavras?
JÓ
[25]
1 Então respondeu Bildade, o
suíta:
2 Com Deus estão domínio e temor; ele faz reinar a paz nas suas alturas.
3 Acaso têm número os seus exércitos? E sobre quem não se levanta a sua luz?
4 Como, pois, pode o homem ser justo diante de Deus, e como pode ser puro
aquele que nasce da mulher?
5 Eis que até a lua não tem brilho, e as estrelas não são puras aos olhos dele;
6 quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um
vermezinho!
JÓ
[26]
1 Então Jó respondeu:
2 Como tens ajudado ao que não tem força e sustentado o braço que não tem
vigor!
3 como tens aconselhado ao que não tem sabedoria, e plenamente tens revelado o
verdadeiro conhecimento!
4 Para quem proferiste palavras? E de quem é o espírito que saiu de ti?
5 Os mortos tremem debaixo das águas, com os que ali habitam.
6 O Seol está nu perante Deus, e não há coberta para o Abadom.
7 Ele estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada.
8 Prende as águas em suas densas nuvens, e a nuvem não se rasga debaixo delas.
9 Encobre a face do seu trono, e sobre ele estende a sua nuvem.
10 Marcou um limite circular sobre a superfície das águas, onde a luz e as
trevas se confinam.
11 As colunas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça.
12 Com o seu poder fez sossegar o mar, e com o seu entendimento abateu a Raabe.
13 Pelo seu sopro ornou o céu; a sua mão traspassou a serpente veloz.
14 Eis que essas coisas são apenas as orlas dos seus caminhos; e quão pequeno é
o sussurro que dele, ouvimos! Mas o trovão do seu poder, quem o poderá
entender?
JÓ
[27]
1 E prosseguindo Jó em seu
discurso, disse:
2 Vive Deus, que me tirou o direito, e o Todo-Poderoso, que me amargurou a
alma;
3 enquanto em mim houver alento, e o sopro de Deus no meu nariz,
4 não falarão os meus lábios iniqüidade, nem a minha língua pronunciará engano.
5 Longe de mim que eu vos dê razão; até que eu morra, nunca apartarei de mim a
minha integridade.
6 ë minha justiça me apegarei e não a largarei; o meu coração não reprova dia
algum da minha vida.
7 Seja como o ímpio o meu inimigo, e como o perverso aquele que se levantar
contra mim.
8 Pois qual é a esperança do ímpio, quando Deus o cortar, quando Deus lhe
arrebatar a alma?
9 Acaso Deus lhe ouvirá o clamor, sobrevindo-lhe a tribulação?
10 Deleitar-se-á no Todo-Poderoso, ou invocará a Deus em todo o tempo?
11 Ensinar-vos-ei acerca do poder de Deus, e não vos encobrirei o que está com
o Todo-Poderoso.
12 Eis que todos vós já vistes isso; por que, pois, vos entregais completamente
à vaidade?
13 Esta é da parte de Deus a porção do ímpio, e a herança que os opressores
recebem do Todo-Poderoso:
14 Se os seus filhos se multiplicarem, será para a espada; e a sua prole não se
fartará de pão.
15 Os que ficarem dele, pela peste serão sepultados, e as suas viúvas não
chorarão.
16 Embora amontoe prata como pó, e acumule vestes como barro,
17 ele as pode acumular, mas o justo as vestirá, e o inocente repartirá a
prata.
18 A casa que ele edifica é como a teia da aranha, e como a cabana que o guarda
faz.
19 Rico se deita, mas não o fará mais; abre os seus olhos, e já se foi a sua
riqueza.
20 Pavores o alcançam como um dilúvio; de noite o arrebata a tempestade.
21 O vento oriental leva-o, e ele se vai; sim, varre-o com ímpeto do seu lugar:
22 Pois atira contra ele, e não o poupa, e ele foge precipitadamente do seu
poder.
23 Bate palmas contra ele, e assobia contra ele do seu lugar.
JÓ
[28]
1 Na verdade, há minas donde
se extrai a prata, e também lugar onde se refina o ouro:
2 O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o cobre.
3 Os homens põem termo às trevas, e até os últimos confins exploram as pedras
na escuridão e nas trevas mais densas.
4 Abrem um poço de mina longe do lugar onde habitam; são esquecidos pelos
viajantes, ficando pendentes longe dos homens, e oscilam de um lado para o
outro.
5 Quanto à terra, dela procede o pão, mas por baixo é revolvida como por fogo.
6 As suas pedras são o lugar de safiras, e têm pó de ouro.
7 A ave de rapina não conhece essa vereda, e não a viram os olhos do falcão.
8 Nunca a pisaram feras altivas, nem o feroz leão passou por ela.
9 O homem estende a mão contra a pederneira, e revolve os montes desde as suas
raízes.
10 Corta canais nas pedras, e os seus olhos descobrem todas as coisas
preciosas.
11 Ele tapa os veios d'água para que não gotejem; e tira para a luz o que
estava escondido.
12 Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento?
13 O homem não lhe conhece o caminho; nem se acha ela na terra dos viventes.
14 O abismo diz: Não está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo.
15 Não pode ser comprada com ouro fino, nem a peso de prata se trocará.
16 Nem se pode avaliar em ouro fino de Ofir, nem em pedras preciosas de berilo,
ou safira.
17 Com ela não se pode comparar o ouro ou o vidro; nem se trocara por jóias de
ouro fino.
18 Não se fará menção de coral nem de cristal; porque a aquisição da sabedoria
é melhor que a das pérolas.
19 Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro.
20 Donde, pois, vem a sabedoria? Onde está o lugar do entendimento?
21 Está encoberta aos olhos de todo vivente, e oculta às aves do céu.
22 O Abadom e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos um rumor dela.
23 Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar.
24 Porque ele perscruta até as extremidades da terra, sim, ele vê tudo o que há
debaixo do céu.
25 Quando regulou o peso do vento, e fixou a medida das águas;
26 quando prescreveu leis para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões;
27 então viu a sabedoria e a manifestou; estabeleceu-a, e também a esquadrinhou.
28 E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do
mal é o entendimento.
JÓ
[29]
1 E prosseguindo Jó no seu
discurso, disse:
2 Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses do passado, como nos dias em que
Deus me guardava;
3 quando a sua lâmpada luzia sobre o minha cabeça, e eu com a sua luz caminhava
através das trevas;
4 como era nos dias do meu vigor, quando o íntimo favor de Deus estava sobre a
minha tenda;
5 quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos em redor de mim;
6 quando os meus passos eram banhados em leite, e a rocha me deitava ribeiros
de azeite!
7 Quando eu saía para a porta da cidade, e na praça preparava a minha cadeira,
8 os moços me viam e se escondiam, e os idosos se levantavam e se punham em pé;
9 os príncipes continham as suas palavras, e punham a mão sobre a sua boca;
10 a voz dos nobres emudecia, e a língua se lhes pegava ao paladar.
11 Pois, ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bem-aventurado; e vendo-me algum
olho, dava testemunho de mim;
12 porque eu livrava o miserável que clamava, e o órfão que não tinha quem o
socorresse.
13 A bênção do que estava a perecer vinha sobre mim, e eu fazia rejubilar-se o
coração da viúva.
14 vestia-me da retidão, e ela se vestia de mim; como manto e diadema era a
minha justiça.
15 Fazia-me olhos para o cego, e pés para o coxo;
16 dos necessitados era pai, e a causa do que me era desconhecido examinava com
diligência.
17 E quebrava os caninos do perverso, e arrancava-lhe a presa dentre os dentes.
18 Então dizia eu: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a
areia;
19 as minhas raízes se estendem até as águas, e o orvalho fica a noite toda
sobre os meus ramos;
20 a minha honra se renova em mim, e o meu arco se revigora na minhã mão.
21 A mim me ouviam e esperavam, e em silêncio atendiam ao meu conselho.
22 Depois de eu falar, nada replicavam, e minha palavra destilava sobre eles;
23 esperavam-me como à chuva; e abriam a sua boca como à chuva tardia.
24 Eu lhes sorria quando não tinham confiança; e não desprezavam a luz do meu
rosto;
25 eu lhes escolhia o caminho, assentava-me como chefe, e habitava como rei
entre as suas tropas, como aquele que consola os aflitos.
JÓ
[30]
1 Mas agora zombam de mim os
de menos idade do que eu, cujos pais teria eu desdenhado de pôr com os cães do
meu rebanho.
2 Pois de que me serviria a força das suas mãos, homens nos quais já pereceu o
vigor?
3 De míngua e fome emagrecem; andam roendo pelo deserto, lugar de ruínas e
desolação.
4 Apanham malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento são as raízes dos
zimbros.
5 São expulsos do meio dos homens, que gritam atrás deles, como atrás de um
ladrão.
6 Têm que habitar nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e dos
penhascos.
7 Bramam entre os arbustos, ajuntam-se debaixo das urtigas.
8 São filhos de insensatos, filhos de gente sem nome; da terra foram enxotados.
9 Mas agora vim a ser a sua canção, e lhes sirvo de provérbio.
10 Eles me abominam, afastam-se de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir.
11 Porquanto Deus desatou a minha corda e me humilhou, eles sacudiram de si o
freio perante o meu rosto.
12 ë direita levanta-se gente vil; empurram os meus pés, e contra mim erigem os
seus caminhos de destruição.
13 Estragam a minha vereda, promovem a minha calamidade; não há quem os
detenha.
14 Vêm como por uma grande brecha, por entre as ruínas se precipitam.
15 Sobrevieram-me pavores; é perseguida a minha honra como pelo vento; e como
nuvem passou a minha felicidade.
16 E agora dentro de mim se derrama a minha alma; os dias da aflição se
apoderaram de mim.
17 De noite me são traspassados os ossos, e o mal que me corrói não descansa.
18 Pela violência do mal está desfigurada a minha veste; como a gola da minha
túnica, me aperta.
19 Ele me lançou na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
20 Clamo a ti, e não me respondes; ponho-me em pé, e não atentas para mim.
21 Tornas-te cruel para comigo; com a força da tua mão me persegues.
22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e dissolves-me na
tempestade.
23 Pois eu sei que me levarás à morte, e à casa do ajuntamento destinada a
todos os viventes.
24 Contudo não estende a mão quem está a cair? ou não clama por socorro na sua
calamidade?
25 Não chorava eu sobre aquele que estava aflito? ou não se angustiava a minha
alma pelo necessitado?
26 Todavia aguardando eu o bem, eis que me veio o mal, e esperando eu a luz,
veio a escuridão.
27 As minhas entranhas fervem e não descansam; os dias da aflição me
surpreenderam.
28 Denegrido ando, mas não do sol; levanto-me na congregação, e clamo por
socorro.
29 Tornei-me irmão dos chacais, e companheiro dos avestruzes.
30 A minha pele enegrece e se me cai, e os meus ossos estão queimados do calor.
31 Pelo que se tornou em pranto a minha harpa, e a minha flauta em voz dos que
choram.
JÓ
[31]
1 Fiz pacto com os meus
olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?
2 Pois que porção teria eu de Deus lá de cima, e que herança do Todo-Poderoso
lá do alto?
3 Não é a destruição para o perverso, e o desastre para os obradores da iniqüidade?
4 Não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?
5 Se eu tenho andado com falsidade, e se o meu pé se tem apressado após o
engano
6 (pese-me Deus em balanças fiéis, e conheça a minha integridade);
7 se os meus passos se têm desviado do caminho, e se o meu coraçao tem seguido
os meus olhos, e se qualquer mancha se tem pegado às minhas mãos;
8 então semeie eu e outro coma, e seja arrancado o produto do meu campo.
9 Se o meu coração se deixou seduzir por causa duma mulher, ou se eu tenho
armado traição à porta do meu próximo,
10 então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela.
11 Pois isso seria um crime infame; sim, isso seria uma iniqüidade para ser
punida pelos juízes;
12 porque seria fogo que consome até Abadom, e desarraigaria toda a minha
renda.
13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles
pleitearam comigo,
14 então que faria eu quando Deus se levantasse? E quando ele me viesse
inquirir, que lhe responderia?
15 Aquele que me formou no ventre não o fez também a meu servo? E não foi um
que nos plasmou na madre?
16 Se tenho negado aos pobres o que desejavam, ou feito desfalecer os olhos da
viúva,
17 ou se tenho comido sozinho o meu bocado, e não tem comido dele o órfão
também
18 (pois desde a minha mocidade o órfão cresceu comigo como com seu pai, e a
viúva, tenho-a guiado desde o ventre de minha mãe);
19 se tenho visto alguém perecer por falta de roupa, ou o necessitado não ter
com que se cobrir;
20 se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com os velos
dos meus cordeiros;
21 se levantei a minha mão contra o órfao, porque na porta via a minha ajuda;
22 então caia do ombro a minha espádua, e separe-se o meu braço da sua juntura.
23 Pois a calamidade vinda de Deus seria para mim um horror, e eu não poderia
suportar a sua majestade.
24 Se do ouro fiz a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha
confiança;
25 se me regozijei por ser grande a minha riqueza, e por ter a minha mão
alcança o muito;
26 se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, quando ela
caminhava em esplendor,
27 e o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha
mão;
28 isso também seria uma iniqüidade para ser punida pelos juízes; pois assim
teria negado a Deus que está lá em cima.
29 Se me regozijei com a ruína do que me tem ódio, e se exultei quando o mal
lhe sobreveio
30 (mas eu não deixei pecar a minha boca, pedindo com imprecação a sua morte);
31 se as pessoas da minha tenda não disseram: Quem há que não se tenha saciado
com carne provida por ele?
32 O estrangeiro não passava a noite na rua; mas eu abria as minhas portas ao
viandante;
33 se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando a minha iniqüidade
no meu seio,
34 porque tinha medo da grande multidão, e o desprezo das famílias me
aterrorizava, de modo que me calei, e não saí da porta...
35 Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis a minha defesa, que me responda o
Todo-Poderoso! Oxalá tivesse eu a acusação escrita pelo meu adversário!
36 Por certo eu a levaria sobre o ombro, sobre mim a ataria como coroa.
37 Eu lhe daria conta dos meus passos; como príncipe me chegaria a ele
38 Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem;
39 se comi os seus frutos sem dinheiro, ou se fiz que morressem os seus donos;
40 por trigo me produza cardos, e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de
Jó.
JÓ
[32]
1 E aqueles três homens
cessaram de responder a Jó; porque era justo aos seus próprios olhos.
2 Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de
Rão; acendeu-se a sua ira contra Jó, porque este se justificava a si mesmo, e
não a Deus.
3 Também contra os seus três amigos se acendeu a sua ira, porque não tinham
achado o que responder, e contudo tinham condenado a Jó.
4 Ora, Eliú havia esperado para falar a Jó, porque eles eram mais idosos do que
ele.
5 Quando, pois, Eliú viu que não havia resposta na boca daqueles três homens,
acendeu-se-lhe a ira.
6 Então respondeu Eliú, filho de Baraquel, o buzita, dizendo: Eu sou de pouca
idade, e vós sois, idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião.
7 Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria.
8 Há, porém, um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz entendido.
9 Não são os velhos que são os sábios, nem os anciãos que entendem o que é
reto.
10 Pelo que digo: Ouvi-me, e também eu declararei a minha opinião.
11 Eis que aguardei as vossas palavras, escutei as vossas considerações,
enquanto buscáveis o que dizer.
12 Eu, pois, vos prestava toda a minha atenção, e eis que não houve entre vós
quem convencesse a Jó, nem quem respondesse às suas palavras;
13 pelo que não digais: Achamos a sabedoria; Deus é que pode derrubá-lo, e não
o homem.
14 Ora ele não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as
vossas palavras.
15 Estão pasmados, não respondem mais; faltam-lhes as palavras.
16 Hei de eu esperar, porque eles não falam, porque já pararam, e não respondem
mais?
17 Eu também darei a minha resposta; eu também declararei a minha opinião.
18 Pois estou cheio de palavras; o espírito dentro de mim me constrange.
19 Eis que o meu peito é como o mosto, sem respiradouro, como odres novos que
estão para arrebentar.
20 Falarei, para que ache alívio; abrirei os meus lábios e responderei:
21 Que não faça eu acepção de pessoas, nem use de lisonjas para com o homem.
22 Porque não sei usar de lisonjas; do contrário, em breve me levaria o meu
Criador.
JÓ
[33]
1 Ouve, pois, as minhas
palavras, ó Jó, e dá ouvidos a todas as minhas declaraçoes.
2 Eis que já abri a minha boca; já falou a minha língua debaixo do meu paladar.
3 As minhas palavras declaram a integridade do meu coração, e os meus lábios
falam com sinceridade o que sabem.
4 O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.
5 Se podes, responde-me; põe as tuas palavras em ordem diante de mim;
apresenta-te.
6 Eis que diante de Deus sou o que tu és; eu também fui formado do barro.
7 Eis que não te perturbará nenhum medo de mim, nem será pesada sobre ti a
minha mão.
8 Na verdade tu falaste aos meus ouvidos, e eu ouvi a voz das tuas palavras.
Dizias:
9 Limpo estou, sem transgressão; puro sou, e não há em mim iniqüidade.
10 Eis que Deus procura motivos de inimizade contra mim, e me considera como o
seu inimigo.
11 Põe no tronco os meus pés, e observa todas as minhas veredas.
12 Eis que nisso não tens razão; eu te responderei; porque Deus e maior do que
o homem.
13 Por que razão contendes com ele por não dar conta dos seus atos?
14 Pois Deus fala de um modo, e ainda de outro se o homem não lhe atende.
15 Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens,
quando adormecem na cama;
16 então abre os ouvidos dos homens, e os atemoriza com avisos,
17 para apartar o homem do seu desígnio, e esconder do homem a soberba;
18 para reter a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada.
19 Também é castigado na sua cama com dores, e com incessante contenda nos seus
ossos;
20 de modo que a sua vida abomina o pão, e a sua alma a comida apetecível.
21 Consome-se a sua carne, de maneira que desaparece, e os seus ossos, que não
se viam, agora aparecem.
22 A sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida aos que trazem a morte.
23 Se com ele, pois, houver um anjo, um intérprete, um entre mil, para declarar
ao homem o que lhe é justo,
24 então terá compaixão dele, e lhe dirá: Livra-o, para que não desça à cova;
já achei resgate.
25 Sua carne se reverdecerá mais do que na sua infância; e ele tornará aos dias
da sua juventude.
26 Deveras orará a Deus, que lhe será propício, e o fará ver a sua face com
júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça.
27 Cantará diante dos homens, e dirá: Pequei, e perverti o direito, o que de
nada me aproveitou.
28 Mas Deus livrou a minha alma de ir para a cova, e a minha vida verá a luz.
29 Eis que tudo isto Deus faz duas e três vezes para com o homem,
30 para reconduzir a sua alma da cova, a fim de que seja iluminado com a luz
dos viventes.
31 Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei.
32 Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo
justificar-te.
33 Se não, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.
JÓ
[34]
1 Prosseguiu Eliú, dizendo:
2 Ouvi, vós, sábios, as minhas palavras; e vós, entendidos, inclinai os ouvidos
para mim.
3 Pois o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida.
4 O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom.
5 Pois Jó disse: Sou justo, e Deus tirou-me o direito.
6 Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável,
embora eu esteja sem transgressão.
7 Que homem há como Jó, que bebe o escárnio como água,
8 que anda na companhia dos malfeitores, e caminha com homens ímpios?
9 Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
10 Pelo que ouvi-me, vós homens de entendimento: longe de Deus o praticar a
maldade, e do Todo-Poderoso o cometer a iniqüidade!
11 Pois, segundo a obra do homem, ele lhe retribui, e faz a cada um segundo o
seu caminho.
12 Na verdade, Deus não procederá impiamente, nem o Todo-Poderoso perverterá o
juízo.
13 Quem lhe entregou o governo da terra? E quem lhe deu autoridade sobre o
mundo todo?
14 Se ele retirasse para si o seu espírito, e recolhesse para si o seu fôlego,
15 toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.
16 Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto, inclina os ouvidos às palavras
que profiro.
17 Acaso quem odeia o direito governará? Quererás tu condenar aquele que é
justo e poderoso?
18 aquele que diz a um rei: ó vil? e aos príncipes: ó ímpios?
19 que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que
o pobre; porque todos são obra de suas mãos?
20 Eles num momento morrem; e à meia-noite os povos são perturbados, e passam,
e os poderosos são levados não por mão humana.
21 Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os
seus passos.
22 Não há escuridão nem densas trevas, onde se escondam os obradores da
iniqüidade.
23 Porque Deus não precisa observar por muito tempo o homem para que este
compareça perante ele em juízo.
24 Ele quebranta os fortes, sem inquiriçao, e põe outros em lugar deles.
25 Pois conhecendo ele as suas obras, de noite os transtorna, e ficam
esmagados.
26 Ele os fere como ímpios, à vista dos circunstantes;
27 porquanto se desviaram dele, e não quiseram compreender nenhum de seus
caminhos,
28 de sorte que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos
aflitos.
29 Se ele dá tranqüilidade, quem então o condenará? Se ele encobrir o rosto,
quem então o poderá contemplar, quer seja uma nação, quer seja um homem só?
30 para que o ímpio não reine, e não haja quem iluda o povo.
31 Pois, quem jamais disse a Deus: Sofri, ainda que não pequei;
32 o que não vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de
fazer?
33 Será a sua recompensa como queres, para que a recuses? Pois tu tens que
fazer a escolha, e não eu; portanto fala o que sabes.
34 Os homens de entendimento dir-me-ão, e o varão sábio, que me ouvir:
35 Jó fala sem conhecimento, e às suas palavras falta sabedoria.
36 Oxalá que Jó fosse provado até o fim; porque responde como os iníquos.
37 Porque ao seu pecado acrescenta a rebelião; entre nós bate as palmas, e
multiplica contra Deus as suas palavras.
JÓ
[35]
1 Disse mais Eliú:
2 Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?
3 Porque dizes: Que me aproveita? Que proveito tenho mais do que se eu tivera
pecado?
4 Eu te darei respostas, a ti e aos teus amigos contigo.
5 Atenta para os céus, e vê; e contempla o firmamento que é mais alto do que
tu.
6 Se pecares, que efetuarás contra ele? Se as tuas transgressões se
multiplicarem, que lhe farás com isso?
7 Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mão?
8 A tua impiedade poderia fazer mal a outro tal como tu; e a tua justiça
poderia aproveitar a um filho do homem.
9 Por causa da multidão das opressões os homens clamam; clamam por socorro por
causa do braço dos poderosos.
10 Mas ninguém diz: Onde está Deus meu Criador, que inspira canções durante a
noite;
11 que nos ensina mais do que aos animais da terra, e nos faz mais sábios do
que as aves do céu?
12 Ali clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância os maus.
13 Certo é que Deus não ouve o grito da vaidade, nem para ela atentará o
Todo-Poderoso.
14 Quanto menos quando tu dizes que não o vês. A causa está perante ele; por
isso espera nele.
15 Mas agora, porque a sua ira ainda não se exerce, nem grandemente considera
ele a arrogância,
16 por isso abre Jó em vão a sua boca, e sem conhecimento multiplica palavras.
JÓ
[36]
1 Prosseguiu ainda Eliú e
disse:
2 Espera-me um pouco, e mostrar-te-ei que ainda há razões a favor de Deus.
3 De longe trarei o meu conhecimento, e ao meu criador atribuirei a justiça.
4 Pois, na verdade, as minhas palavras não serão falsas; contigo está um que
tem perfeito conhecimento.
5 Eis que Deus é mui poderoso, contudo a ninguém despre grande é no poder de
entendimento.
6 Ele não preserva a vida do ímpio, mas faz justiça aos aflitos.
7 Do justo não aparta os seus olhos; antes com os reis no trono os faz sentar
para sempre, e assim são exaltados.
8 E se estão presos em grilhões, e amarrados com cordas de aflição,
9 então lhes faz saber a obra deles, e as suas transgressões, porquanto se têm
portado com soberba.
10 E abre-lhes o ouvido para a instrução, e ordena que se convertam da iniqüidade.
11 Se o ouvirem, e o servirem, acabarão seus dias em prosperidade, e os seus
anos em delícias.
12 Mas se não o ouvirem, à espada serão passados, e expirarão sem conhecimento.
13 Assim os ímpios de coração amontoam, a sua ira; e quando Deus os põe em
grilhões, não clamam por socorro.
14 Eles morrem na mocidade, e a sua vida perece entre as prostitutas.
15 Ao aflito livra por meio da sua aflição, e por meio da opressão lhe abre os
ouvidos.
16 Assim também quer induzir-te da angústia para um lugar espaçoso, em que não
há aperto; e as iguarias da tua mesa serão cheias de gordura.
17 Mas tu estás cheio do juízo do ímpio; o juízo e a justiça tomam conta de ti.
18 Cuida, pois, para que a ira não te induza a escarnecer, nem te desvie a
grandeza do resgate.
19 Prevalecerá o teu clamor, ou todas as forças da tua fortaleza, para que não
estejas em aperto?
20 Não suspires pela noite, em que os povos sejam tomados do seu lugar.
21 Guarda-te, e não declines para a iniqüidade; porquanto isso escolheste antes
que a aflição.
22 Eis que Deus é excelso em seu poder; quem é ensinador como ele?
23 Quem lhe prescreveu o seu caminho? Ou quem poderá dizer: Tu praticaste a
injustiça?
24 Lembra-te de engrandecer a sua obra, de que têm cantado os homens.
25 Todos os homens a vêem; de longe a contempla o homem.
26 Eis que Deus é grande, e nós não o conhecemos, e o número dos seus anos não
se pode esquadrinhar.
27 Pois atrai a si as gotas de água, e do seu vapor as destila em chuva,
28 que as nuvens derramam e gotejam abundantemente sobre o homem.
29 Poderá alguém entender as dilatações das nuvens, e os trovões do seu
pavilhão?
30 Eis que ao redor de si estende a sua luz, e cobre o fundo do mar.
31 Pois por estas coisas julga os povos e lhes dá mantimento em abundância.
32 Cobre as mãos com o relâmpago, e dá-lhe ordem para que fira o alvo.
33 O fragor da tempestade dá notícia dele; até o gado pressente a sua
aproximação.
JÓ
[37]
1 Sobre isso também treme o
meu coração, e salta do seu lugar.
2 Dai atentamente ouvidos ao estrondo da voz de Deus e ao sonido que sai da sua
boca.
3 Ele o envia por debaixo de todo o céu, e o seu relâmpago até os confins da
terra.
4 Depois do relâmpago ruge uma grande voz; ele troveja com a sua voz majestosa;
e não retarda os raios, quando é ouvida a sua voz.
5 Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não
compreendemos.
6 Pois à neve diz: Cai sobre a terra; como também às chuvas e aos aguaceiros:
Sede copiosos.
7 Ele sela as mãos de todo homem, para que todos saibam que ele os fez.
8 E as feras entram nos esconderijos e ficam nos seus covis.
9 Da recâmara do sul sai o tufão, e do norte o frio.
10 Ao sopro de Deus forma-se o gelo, e as largas águas são congeladas.
11 Também de umidade carrega as grossas nuvens; as nuvens espalham relâmpagos.
12 Fazem evoluções sob a sua direção, para efetuar tudo quanto lhes ordena
sobre a superfície do mundo habitável:
13 seja para disciplina, ou para a sua terra, ou para beneficência, que as faça
vir.
14 A isto, Jó, inclina os teus ouvidos; pára e considera as obras maravilhosas
de Deus.
15 Sabes tu como Deus lhes dá as suas ordens, e faz resplandecer o relâmpago da
sua nuvem?
16 Compreendes o equilíbrio das nuvens, e as maravilhas daquele que é perfeito
nos conhecimentos;
17 tu cujas vestes são quentes, quando há calma sobre a terra por causa do
vento sul?
18 Acaso podes, como ele, estender o firmamento, que é sólido como um espelho
fundido?
19 Ensina-nos o que lhe diremos; pois nós nada poderemos pôr em boa ordem, por
causa das trevas.
20 Contar-lhe-ia alguém que eu quero falar. Ou desejaria um homem ser devorado?
21 E agora o homem não pode olhar para o sol, que resplandece no céu quando o
vento, tendo passado, o deixa limpo.
22 Do norte vem o áureo esplendor; em Deus há tremenda majestade.
23 Quanto ao Todo-Poderoso, não o podemos compreender; grande é em poder e
justiça e pleno de retidão; a ninguém, pois, oprimirá.
24 Por isso o temem os homens; ele não respeita os que se julgam sábios.
JÓ
[38]
1 Depois disso o Senhor
respondeu a Jó dum redemoinho, dizendo:
2 Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
3 Agora cinge os teus lombos, como homem; porque te perguntarei, e tu me
responderás.
4 Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Faze-mo saber, se
tens entendimento.
5 Quem lhe fixou as medidas, se é que o sabes? ou quem a mediu com o cordel?
6 Sobre que foram firmadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra de
esquina,
7 quando juntas cantavam as estrelas da manhã, e todos os filhos de Deus
bradavam de júbilo?
8 Ou quem encerrou com portas o mar, quando este rompeu e saiu da madre;
9 quando eu lhe pus nuvens por vestidura, e escuridão por faixas,
10 e lhe tracei limites, pondo-lhe portas e ferrolhos,
11 e lhe disse: Até aqui virás, porém não mais adiante; e aqui se quebrarão as
tuas ondas orgulhosas?
12 Desde que começaram os teus dias, deste tu ordem à madrugada, ou mostraste à
alva o seu lugar,
13 para que agarrasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos
dela?
14 A terra se transforma como o barro sob o selo; e todas as coisas se
assinalam como as cores dum vestido.
15 E dos ímpios é retirada a sua luz, e o braço altivo se quebranta.
16 Acaso tu entraste até os mananciais do mar, ou passeaste pelos recessos do
abismo?
17 Ou foram-te descobertas as portas da morte, ou viste as portas da sombra da
morte?
18 Compreendeste a largura da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isso.
19 Onde está o caminho para a morada da luz? E, quanto às trevas, onde está o
seu lugar,
20 para que às tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas para a sua
casa?
21 De certo tu o sabes, porque já então eras nascido, e porque é grande o
número dos teus dias!
22 Acaso entraste nos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva,
23 que eu tenho reservado para o tempo da angústia, para o dia da peleja e da
guerra?
24 Onde está o caminho para o lugar em que se reparte a luz, e se espalha o
vento oriental sobre a terra?
25 Quem abriu canais para o aguaceiro, e um caminho para o relâmpago do trovão;
26 para fazer cair chuva numa terra, onde não há ninguém, e no deserto, em que
não há gente;
27 para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer a tenra relva?
28 A chuva porventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho?
29 Do ventre de quem saiu o gelo? E quem gerou a geada do céu?
30 Como pedra as águas se endurecem, e a superfície do abismo se congela.
31 Podes atar as cadeias das Plêiades, ou soltar os atilhos do Oriom?
32 Ou fazer sair as constelações a seu tempo, e guiar a ursa com seus filhos?
33 Sabes tu as ordenanças dos céus, ou podes estabelecer o seu domínio sobre a
terra?
34 Ou podes levantar a tua voz até as nuvens, para que a abundância das águas
te cubra?
35 Ou ordenarás aos raios de modo que saiam? Eles te dirão: Eis-nos aqui?
36 Quem pôs sabedoria nas densas nuvens, ou quem deu entendimento ao meteoro?
37 Quem numerará as nuvens pela sabedoria? Ou os odres do céu, quem os
esvaziará,
38 quando se funde o pó em massa, e se pegam os torrões uns aos outros?
39 Podes caçar presa para a leoa, ou satisfazer a fome dos filhos dos leões,
40 quando se agacham nos covis, e estão à espreita nas covas?
41 Quem prepara ao corvo o seu alimento, quando os seus pintainhos clamam a
Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?
JÓ
[39]
1 Sabes tu o tempo do parto
das cabras montesas, ou podes observar quando é que parem as corças?
2 Podes contar os meses que cumprem, ou sabes o tempo do seu parto?
3 Encurvam-se, dão à luz as suas crias, lançam de si a sua prole.
4 Seus filhos enrijam, crescem no campo livre; saem, e não tornam para elas:
5 Quem despediu livre o jumento montês, e quem soltou as prisões ao asno veloz,
6 ao qual dei o ermo por casa, e a terra salgada por morada?
7 Ele despreza o tumulto da cidade; não obedece os gritos do condutor.
8 O circuito das montanhas é o seu pasto, e anda buscando tudo o que está
verde.
9 Quererá o boi selvagem servir-te? ou ficará junto à tua manjedoura?
10 Podes amarrar o boi selvagem ao arado com uma corda, ou esterroará ele após
ti os vales?
11 Ou confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cargo o teu
trabalho?
12 Fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolha à tua eira?
13 Movem-se alegremente as asas da avestruz; mas é benigno o adorno da sua
plumagem?
14 Pois ela deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó,
15 e se esquece de que algum pé os pode pisar, ou de que a fera os pode calcar.
16 Endurece-se para com seus filhos, como se não fossem seus; embora se perca o
seu trabalho, ela está sem temor;
17 porque Deus a privou de sabedoria, e não lhe repartiu entendimento.
18 Quando ela se levanta para correr, zomba do cavalo, e do cavaleiro.
19 Acaso deste força ao cavalo, ou revestiste de força o seu pescoço?
20 Fizeste-o pular como o gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.
21 Escarva no vale, e folga na sua força, e sai ao encontro dos armados.
22 Ri-se do temor, e não se espanta; e não torna atrás por causa da espada.
23 Sobre ele rangem a aljava, a lança cintilante e o dardo.
24 Tremendo e enfurecido devora a terra, e não se contém ao som da trombeta.
25 Toda vez que soa a trombeta, diz: Eia! E de longe cheira a guerra, e o
trovão dos capitães e os gritos.
26 É pelo teu entendimento que se eleva o gavião, e estende as suas asas para o
sul?
27 Ou se remonta a águia ao teu mandado, e põe no alto o seu ninho?
28 Mora nas penhas e ali tem a sua pousada, no cume das penhas, no lugar
seguro.
29 Dali descobre a presa; seus olhos a avistam de longe.
30 Seus filhos chupam o sangue; e onde há mortos, ela aí está.
JÓ
[40]
1 Disse mais o Senhor a Jó:
2 Contenderá contra o Todo-Poderoso o censurador? Quem assim argúi a Deus,
responda a estas coisas.
3 Então Jó respondeu ao Senhor, e disse:
4 Eis que sou vil; que te responderia eu? Antes ponho a minha mão sobre a boca.
5 Uma vez tenho falado, e não replicarei; ou ainda duas vezes, porém não
prosseguirei.
6 Então, do meio do redemoinho, o Senhor respondeu a Jó:
7 Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei a ti, e tu me
responderás.
8 Farás tu vão também o meu juízo, ou me condenarás para te justificares a ti?
9 Ou tens braço como Deus; ou podes trovejar com uma voz como a dele?
10 Orna-te, pois, de excelência e dignidade, e veste-te de glória e de
esplendor.
11 Derrama as inundações da tua ira, e atenta para todo soberbo, e abate-o.
12 Olha para todo soberbo, e humilha-o, e calca aos pés os ímpios onde estão.
13 Esconde-os juntamente no pó; ata-lhes os rostos no lugar escondido.
14 Então também eu de ti confessarei que a tua mão direita te poderá salvar.
15 Contempla agora o hipopótamo, que eu criei como a ti, que come a erva como o
boi.
16 Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu
ventre.
17 Ele enrija a sua cauda como o cedro; os nervos das suas coxas são
entretecidos.
18 Os seus ossos são como tubos de bronze, as suas costelas como barras de
ferro.
19 Ele é obra prima dos caminhos de Deus; aquele que o fez o proveu da sua
espada.
20 Em verdade os montes lhe produzem pasto, onde todos os animais do campo
folgam.
21 Deita-se debaixo dos lotos, no esconderijo dos canaviais e no pântano.
22 Os lotos cobrem-no com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.
23 Eis que se um rio trasborda, ele não treme; sente-se seguro ainda que o
Jordão se levante até a sua boca.
24 Poderá alguém apanhá-lo quando ele estiver de vigia, ou com laços lhe furar
o nariz?
JÓ
[41]
1 Poderás tirar com anzol o
leviatã, ou apertar-lhe a língua com uma corda?
2 Poderás meter-lhe uma corda de junco no nariz, ou com um gancho furar a sua
queixada?
3 Porventura te fará muitas súplicas, ou brandamente te falará?
4 Fará ele aliança contigo, ou o tomarás tu por servo para sempre?
5 Brincarás com ele, como se fora um pássaro, ou o prenderás para tuas meninas?
6 Farão os sócios de pesca tráfico dele, ou o dividirão entre os negociantes?
7 Poderás encher-lhe a pele de arpões, ou a cabeça de fisgas?
8 Põe a tua mão sobre ele; lembra-te da peleja; nunca mais o farás!
9 Eis que é vã a esperança de apanhá-lo; pois não será um homem derrubado só ao
vê-lo?
10 Ninguém há tão ousado, que se atreva a despertá-lo; quem, pois, é aquele que
pode erguer-se diante de mim?
11 Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois tudo
quanto existe debaixo de todo céu é meu.
12 Não me calarei a respeito dos seus membros, nem da sua grande força, nem da
graça da sua estrutura.
13 Quem lhe pode tirar o vestido exterior? Quem lhe penetrará a couraça dupla?
14 Quem jamais abriu as portas do seu rosto? Pois em roda dos seus dentes está
o terror.
15 As suas fortes escamas são o seu orgulho, cada uma fechada como por um selo
apertado.
16 Uma à outra se chega tão perto, que nem o ar passa por entre elas.
17 Umas às outras se ligam; tanto aderem entre si, que não se podem separar.
18 Os seus espirros fazem resplandecer a luz, e os seus olhos são como as
pestanas da alva.
19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.
20 Dos seus narizes procede fumaça, como de uma panela que ferve, e de juncos
que ardem.
21 O seu hálito faz incender os carvões, e da sua boca sai uma chama.
22 No seu pescoço reside a força; e diante dele anda saltando o terror.
23 Os tecidos da sua carne estão pegados entre si; ela é firme sobre ele, não
se pode mover.
24 O seu coração é firme como uma pedra; sim, firme como a pedra inferior dumá
mó.
25 Quando ele se levanta, os valentes são atemorizados, e por causa da
consternação ficam fora de si.
26 Se alguém o atacar com a espada, essa não poderá penetrar; nem tampouco a
lança, nem o dardo, nem o arpão.
27 Ele considera o ferro como palha, e o bronze como pau podre.
28 A seta não o poderá fazer fugir; para ele as pedras das fundas se tornam em
restolho.
29 Os bastões são reputados como juncos, e ele se ri do brandir da lança.
30 Debaixo do seu ventre há pontas agudas; ele se estende como um trilho sobre
o lodo.
31 As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como uma vasilha de
ungüento.
32 Após si deixa uma vereda luminosa; parece o abismo tornado em brancura de
cãs.
33 Na terra não há coisa que se lhe possa comparar; pois foi feito para estar
sem pavor.
34 Ele vê tudo o que é alto; é rei sobre todos os filhos da soberba.
JÓ
[42]
1 Então respondeu Jó ao
Senhor:
2 Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser
impedido.
3 Quem é este que sem conhecimento obscurece o conselho? por isso falei do que
não entendia; coisas que para mim eram demasiado maravilhosas, e que eu não
conhecia.
4 Ouve, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me responderas.
5 Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos.
6 Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza.
7 Sucedeu pois que, acabando o Senhor de dizer a Jó aquelas palavras, o Senhor
disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus
dois amigos, porque não tendes falado de mim o que era reto, como o meu servo
Jó.
8 Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e
oferecei um holocausto por vós; e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras
a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa estultícia; porque
vós não tendes falado de mim o que era reto, como o meu servo Jó.
9 Então foram Elifaz o temanita, e Bildade o suíta, e Zofar o naamatita, e
fizeram como o Senhor lhes ordenara; e o Senhor aceitou a Jó.
10 O Senhor, pois, virou o cativeiro de Jó, quando este orava pelos seus
amigos; e o Senhor deu a Jó o dobro do que antes possuía.
11 Então vieram ter com ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e
todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa;
condoeram-se dele, e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado;
e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro e um pendente de ouro.
12 E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois
Jó chegou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil
jumentas.
13 Também teve sete filhos e três filhas.
14 E chamou o nome da primeira Jemima, e o nome da segunda Quezia, e o nome da
terceira Quéren-Hapuque.
15 E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó;
e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.
16 Depois disto viveu Jó cento e quarenta anos, e viu seus filhos, e os filhos
de seus filhos: até a quarta geração.
17 Então morreu Jó, velho e cheio de dias.
[1]
1 Bem-aventurado o homem que
não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores,
nem se assenta na roda dos escarnecedores;
2 antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite.
3 Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu
fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.
4 Não são assim os ímpios, mas são semelhantes à moinha que o vento espalha.
5 Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação
dos justos;
6 porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios conduz
à ruína.
SALMOS
[2]
1 Por que se amotinam as
nações, e os povos tramam em vão?
2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor
e contra o seu ungido, dizendo:
3 Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.
4 Aquele que está sentado nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.
5 Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os confundirá, dizendo:
6 Eu tenho estabelecido o meu Rei sobre Sião, meu santo monte.
7 Falarei do decreto do Senhor; ele me disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei.
8 Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por
possessão.
9 Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de
oleiro.
10 Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra.
11 Servi ao Senhor com temor, e regozijai-vos com tremor.
12 Beijai o Filho, para que não se ire, e pereçais no caminho; porque em breve
se inflamará a sua ira. Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam.
SALMOS
[3]
1 Senhor, como se têm
multiplicado os meus adversários! Muitos se levantam contra mim.
2 Muitos são os que dizem de mim: Não há socorro para ele em Deus.
3 Mas tu, Senhor, és um escudo ao redor de mim, a minha glória, e aquele que
exulta a minha cabeça.
4 Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde.
5 Eu me deito e durmo; acordo, pois o Senhor me sustenta.
6 Não tenho medo dos dez milhares de pessoas que se puseram contra mim ao meu
redor.
7 Levanta-te, Senhor! salva-me, Deus meu! pois tu feres no queixo todos os meus
inimigos; quebras os dentes aos ímpios.
8 A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção.
SALMOS
[4]
1 Responde-me quando eu
clamar, ó Deus da minha justiça! Na angústia me deste largueza; tem
misericórdia de mim e ouve a minha oração.
2 Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até
quando amareis a vaidade e buscareis a mentira?
3 Sabei que o Senhor separou para si aquele que é piedoso; o Senhor me ouve
quando eu clamo a ele.
4 Irai-vos e não pequeis; consultai com o vosso coração em vosso leito, e
calai-vos.
5 Oferecei sacrifícios de justiça, e confiai no Senhor.
6 Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Levanta, Senhor, sobre nós a luz do
teu rosto.
7 Puseste no meu coração mais alegria do que a deles no tempo em que se lhes
multiplicam o trigo e o vinho.
8 Em paz me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em
segurança.
SALMOS
[5]
1 Dá ouvidos às minhas
palavras, ó Senhor; atende aos meus gemidos.
2 Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois é a ti que oro.
3 Pela manhã ouves a minha voz, ó Senhor; pela manhã te apresento a minha
oração, e vigio.
4 Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará
o mal.
5 Os arrogantes não subsistirão diante dos teus olhos; detestas a todos os que
praticam a maldade.
6 Destróis aqueles que proferem a mentira; ao sanguinário e ao fraudulento o
Senhor abomina.
7 Mas eu, pela grandeza da tua benignidade, entrarei em tua casa; e em teu
temor me inclinarei para o teu santo templo.
8 Guia-me, Senhor, na tua justiça, por causa dos meus inimigos; aplana diante
de mim o teu caminho.
9 Porque não há fidelidade na boca deles; as suas entranhas são verdadeiras
maldades, a sua garganta é um sepulcro aberto; lisonjeiam com a sua língua.
10 Declara-os culpados, ó Deus; que caiam por seus próprios conselhos; lança-os
fora por causa da multidão de suas transgressões, pois se revoltaram contra ti.
11 Mas alegrem-se todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu
os defendes; sim, gloriem-se em ti os que amam o teu nome.
12 Pois tu, Senhor, abençoas o justo; tu o circundas do teu favor como de um
escudo.
SALMOS
[6]
1 Senhor, não me repreendas
na tua ira, nem me castigues no teu furor.
2 Tem compaixão de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os
meus ossos estão perturbados.
3 Também a minha alma está muito perturbada; mas tu, Senhor, até quando?...
4 Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua misericórdia.
5 Pois na morte não há lembrança de ti; no Seol quem te louvará?
6 Estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar em lágrimas a minha cama,
inundo com elas o meu leito.
7 Os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e enfraquecem por causa de todos
os meus inimigos.
8 Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade; porque o Senhor já
ouviu a voz do meu pranto.
9 O Senhor já ouviu a minha súplica, o Senhor aceita a minha oração.
10 Serão envergonhados e grandemente perturbados todos os meus inimigos;
tornarão atrás e subitamente serão envergonhados.
SALMOS
[7]
1 Senhor, Deus meu, confio,
salva-me de todo o que me persegue, e livra-me;
2 para que ele não me arrebate, qual leão, despedaçando-me, sem que haja quem
acuda.
3 Senhor, Deus meu, se eu fiz isto, se há perversidade nas minhas mãos,
4 se paguei com o mal àquele que tinha paz comigo, ou se despojei o meu inimigo
sem causa.
5 persiga-me o inimigo e alcance-me; calque aos pés a minha vida no chão, e
deite no pó a minha glória.
6 Ergue-te, Senhor, na tua ira; levanta-te contra o furor dos meus inimigos;
desperta-te, meu Deus, pois tens ordenado o juízo.
7 Reúna-se ao redor de ti a assembléia dos povos, e por cima dela remonta-te ao
alto.
8 O Senhor julga os povos; julga-me, Senhor, de acordo com a minha justiça e
conforme a integridade que há em mim.
9 Cesse a maldade dos ímpios, mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus,
provas o coração e os rins.
10 O meu escudo está em Deus, que salva os retos de coração.
11 Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias.
12 Se o homem não se arrepender, Deus afiará a sua espada; armado e teso está o
seu arco;
13 já preparou armas mortíferas, fazendo suas setas inflamadas.
14 Eis que o mau está com dores de perversidade; concedeu a malvadez, e dará à
luz a falsidade.
15 Abre uma cova, aprofundando-a, e cai na cova que fez.
16 A sua malvadez recairá sobre a sua cabeça, e a sua violência descerá sobre o
seu crânio.
17 Eu louvarei ao Senhor segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do
Senhor, o Altíssimo.
SALMOS
[8]
1 Ó Senhor, Senhor nosso,
quão admirável é o teu nome em toda a terra, tu que puseste a tua glória dos
céus!
2 Da boca das crianças e dos que mamam tu suscitaste força, por causa dos teus
adversários para fazeres calar o inimigo e vingador.
3 Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que
estabeleceste,
4 que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o
visites?
5 Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste.
6 Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus
pés:
7 todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo,
8 as aves do céu, e os peixes do mar, tudo o que passa pelas veredas dos mares.
9 Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra!
SALMOS
[9]
1 Eu te louvarei, Senhor, de
todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas.
2 Em ti me alegrarei e exultarei; cantarei louvores ao teu nome, ó Altíssimo;
3 porquanto os meus inimigos retrocedem, caem e perecem diante de ti.
4 Sustentaste o meu direito e a minha causa; tu te assentaste no tribunal,
julgando justamente.
5 Repreendeste as nações, destruíste os ímpios; apagaste o seu nome para sempre
e eternamente.
6 Os inimigos consumidos estão; perpétuas são as suas ruínas.
7 Mas o Senhor está entronizado para sempre; preparou o seu trono para exercer
o juízo.
8 Ele mesmo julga o mundo com justiça; julga os povos com eqüidade.
9 O Senhor é também um alto refúgio para o oprimido, um alto refúgio em tempos
de angústia.
10 Em ti confiam os que conhecem o teu nome; porque tu, Senhor, não abandonas
aqueles que te buscam.
11 Cantai louvores ao Senhor, que habita em Sião; anunciai entre os povos os
seus feitos.
12 Pois ele, o vingador do sangue, se lembra deles; não se esquece do clamor
dos aflitos.
13 Tem misericórdia de mim, Senhor; olha a aflição que sofro daqueles que me
odeiam, tu que me levantas das portas da morte.
14 para que eu conte todos os teus louvores nas portas da filha de Sião e me
alegre na tua salvação.
15 Afundaram-se as nações na cova que abriram; na rede que ocultaram ficou
preso o seu pé.
16 O Senhor deu-se a conhecer, executou o juízo; enlaçado ficou o ímpio nos
seus próprios feitos.
17 Os ímpios irão para o Seol, sim, todas as nações que se esquecem de Deus.
18 Pois o necessitado não será esquecido para sempre, nem a esperança dos
pobres será frustrada perpetuamente.
19 Levanta-te, Senhor! Não prevaleça o homem; sejam julgadas as nações na tua
presença!
20 Senhor, incute-lhes temor! Que as nações saibam que não passam de meros
homens!
SALMOS
[10]
1 Por que te conservas ao
longe, Senhor? Por que te escondes em tempos de angústia?
2 Os ímpios, na sua arrogância, perseguem furiosamente o pobre; sejam eles
apanhados nas ciladas que maquinaram.
3 Pois o ímpio gloria-se do desejo do seu coração, e o que é dado à rapina
despreza e maldiz o Senhor.
4 Por causa do seu orgulho, o ímpio não o busca; todos os seus pensamentos são:
Não há Deus.
5 Os seus caminhos são sempre prósperos; os teus juízos estão acima dele, fora
da sua vista; quanto a todos os seus adversários, ele os trata com desprezo.
6 Diz em seu coração: Não serei abalado; nunca me verei na adversidade.
7 A sua boca está cheia de imprecações, de enganos e de opressão; debaixo da
sua língua há malícia e iniqüidade.
8 Põe-se de emboscada nas aldeias; nos lugares ocultos mata o inocente; os seus
olhos estão de espreita ao desamparado.
9 Qual leão no seu covil, está ele de emboscada num lugar oculto; está de
emboscada para apanhar o pobre; apanha-o, colhendo-o na sua rede.
10 Abaixa-se, curva-se; assim os desamparados lhe caem nas fortes garras.
11 Diz ele em seu coração: Deus se esqueceu; cobriu o seu rosto; nunca verá
isto.
12 Levanta-te, Senhor; ó Deus, levanta a tua mão; não te esqueças dos
necessitados.
13 Por que blasfema de Deus o ímpio, dizendo no seu coração: Tu não inquirirás?
14 Tu o viste, porque atentas para o trabalho e enfado, para o tomares na tua
mão; a ti o desamparado se entrega; tu és o amparo do órfão.
15 Quebra tu o braço do ímpio e malvado; esquadrinha a sua maldade, até que a
descubras de todo.
16 O Senhor é Rei sempre e eternamente; da sua terra perecerão as nações.
17 Tu, Senhor, ouvirás os desejos dos mansos; confortarás o seu coração;
inclinarás o teu ouvido,
18 para fazeres justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o homem, que é da
terra, não mais inspire terror.
SALMOS
[11]
1 No Senhor confio. Como,
pois, me dizeis: Foge para o monte, como um pássaro?
2 Pois eis que os ímpios armam o arco, põem a sua flecha na corda, para
atirarem, às ocultas, aos retos de coração.
3 Quando os fundamentos são destruídos, que pode fazer o justo?
4 O Senhor está no seu santo templo, o trono do Senhor está nos céus; os seus
olhos contemplam, as suas pálpebras provam os filhos dos homens.
5 O Senhor prova o justo e o ímpio; a sua alma odeia ao que ama a violência.
6 Sobre os ímpios fará chover brasas de fogo e enxofre; um vento abrasador será
a porção do seu copo.
7 Porque o Senhor é justo; ele ama a justiça; os retos, pois, verão o seu
rosto.
SALMOS
[12]
1 Salva-nos, Senhor, pois não
existe mais o piedoso; os fiéis desapareceram dentre os filhos dos homens.
2 Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e
coração dobre.
3 Corte o Senhor todos os lábios lisonjeiros e a língua que fala soberbamente,
4 os que dizem: Com a nossa língua prevaleceremos; os nossos lábios a nós nos
pertecem; quem sobre nós é senhor?
5 Por causa da opressão dos pobres, e do gemido dos necessitados,
levantar-me-ei agora, diz o Senhor; porei em segurança quem por ela suspira.
6 As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada numa fornalha
de barro, purificada sete vezes.
7 Guarda-nos, ó Senhor; desta geração defende-nos para sempre.
8 Os ímpios andam por toda parte, quando a vileza se exalta entre os filhos dos
homens.
SALMOS
[13]
1 Até quando, ó Senhor, te
esquecerás de mim? para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?
2 Até quando encherei de cuidados a minha alma, tendo tristeza no meu coração
cada dia? Até quando o meu inimigo se exaltará sobre mim?
3 Considera e responde-me, ó Senhor, Deus meu; alumia os meus olhos para que eu
não durma o sono da morte;
4 para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários
não se alegrem, em sendo eu abalado.
5 Mas eu confio na tua benignidade; o meu coração se regozija na tua salvação.
6 Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem.
SALMOS
[14]
1 Diz o néscio no seu
coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas
obras; não há quem faça o bem.
2 O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que
tivesse entendimento, que buscasse a Deus.
3 Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem,
não há sequer um.
4 Acaso não tem conhecimento nem sequer um dos que praticam a iniqüidade, que
comem o meu povo como se comessem pão, e que não invocam o Senhor?
5 Achar-se-ão ali em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos.
6 Vós quereis frustar o conselho dos pobres, mas o Senhor é o seu refúgio.
7 Oxalá que de Sião viesse a salvação de Israel! Quando o Senhor fizer voltar
os cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel.
SALMOS
[15]
1 Quem, Senhor, habitará na
tua tenda? quem morará no teu santo monte?
2 Aquele que anda irrepreensivelmente e pratica a justiça, e do coração fala a
verdade;
3 que não difama com a sua língua, nem faz o mal ao seu próximo, nem contra ele
aceita nenhuma afronta;
4 aquele a cujos olhos o réprobo é desprezado, mas que honra os que temem ao
Senhor; aquele que, embora jure com dano seu, não muda;
5 que não empresta o seu dinheiro a juros, nem recebe peitas contra o inocente.
Aquele que assim procede nunca será abalado.
SALMOS
[16]
1 Guarda-me, ó Deus, porque
em ti me refugio.
2 Digo ao Senhor: Tu és o meu Senhor; além de ti não tenho outro bem.
3 Quanto aos santos que estão na terra, eles são os ilustres nos quais está
todo o meu prazer.
4 Aqueles que escolhem a outros deuses terão as suas dores multiplicadas; eu
não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus
lábios.
5 Tu, Senhor, és a porção da minha herança e do meu cálice; tu és o
sustentáculo do meu quinhão.
6 As sortes me caíram em lugares deliciosos; sim, coube-me uma formosa herança.
7 Bendigo ao Senhor que me aconselha; até os meus rins me ensinam de noite.
8 Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; porquanto ele está à minha
mão direita, não serei abalado.
9 Porquanto está alegre o meu coração e se regozija a minha alma; também a
minha carne habitará em segurança.
10 Pois não deixarás a minha alma no Seol, nem permitirás que o teu Santo veja
corrupção.
11 Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de
alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente.
SALMOS
[17]
1 Ouve, Senhor, a justa
causa; atende ao meu clamor; dá ouvidos à minha oração, que não procede de
lábios enganosos.
2 Venha de ti a minha sentença; atendam os teus olhos à eqüidade.
3 Provas-me o coração, visitas-me de noite; examinas-me e não achas iniqüidade;
a minha boca não transgride.
4 Quanto às obras dos homens, pela palavra dos teus lábios eu me tenho guardado
dos caminhos do homem violento.
5 Os meus passos apegaram-se às tuas veredas, não resvalaram os meus pés.
6 A ti, ó Deus, eu clamo, pois tu me ouvirás; inclina para mim os teus ouvidos,
e ouve as minhas palavras.
7 Faze maravilhosas as tuas beneficências, ó Salvador dos que à tua destra se
refugiam daqueles que se levantam contra eles.
8 Guarda-me como à menina do olho; esconde-me, à sombra das tuas asas,
9 dos ímpios que me despojam, dos meus inimigos mortais que me cercam.
10 Eles fecham o seu coração; com a boca falam soberbamente.
11 Andam agora rodeando os meus passos; fixam em mim os seus olhos para me
derrubarem por terra.
12 Parecem-se com o leão que deseja arrebatar a sua presa, e com o leãozinho
que espreita em esconderijos.
13 Levanta-te, Senhor, detém-nos, derruba-os; livra-me dos ímpios, pela tua
espada,
14 dos homens, pela tua mão, Senhor, dos homens do mundo, cujo quinhão está
nesta vida. Enche-lhes o ventre da tua ira entesourada. Fartem-se dela os seus
filhos, e dêem ainda os sobejos por herança aos seus pequeninos.
15 Quanto a mim, em retidão contemplarei a tua face; eu me satisfarei com a tua
semelhança quando acordar.
SALMOS
[18]
1 Eu te amo, ó Senhor, força
minha.
2 O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o
meu rochedo, em quem me refúgio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o
meu alto refúgio.
3 Invoco o Senhor, que é digno de louvor, e sou salvo dos meus inimigos.
4 Cordas de morte me cercaram, e torrentes de perdição me amedrontaram.
5 Cordas de Seol me cingiram, laços de morte me surpreenderam.
6 Na minha angústia invoquei o Senhor, sim, clamei ao meu Deus; do seu templo
ouviu ele a minha voz; o clamor que eu lhe fiz chegou aos seus ouvidos.
7 Então a terra se abalou e tremeu, e os fundamentos dos montes também se
moveram e se abalaram, porquanto ele se indignou.
8 Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo devorador; dele saíram
brasas ardentes.
9 Ele abaixou os céus e desceu; trevas espessas havia debaixo de seus pés.
10 Montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento.
11 Fez das trevas o seu retiro secreto; o pavilhão que o cercava era a
escuridão das águas e as espessas nuvens do céu.
12 Do resplendor da sua presença saíram, pelas suas espessas nuvens, saraiva e
brasas de fogo.
13 O Senhor trovejou a sua voz; e havia saraiva e brasas de fogo.
14 Despediu as suas setas, e os espalhou; multiplicou raios, e os perturbou.
15 Então foram vistos os leitos das águas, e foram descobertos os fundamentos
do mundo, à tua repreensão, Senhor, ao sopro do vento das tuas narinas.
16 Do alto estendeu o braço e me tomou; tirou-me das muitas águas.
17 Livrou-me do meu inimigo forte e daqueles que me odiavam; pois eram mais
poderosos do que eu.
18 Surpreenderam-me eles no dia da minha calamidade, mas o Senhor foi o meu
amparo.
19 Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.
20 Recompensou-me o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a
pureza das minhas mãos.
21 Pois tenho guardado os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do
meu Deus.
22 Porque todas as suas ordenanças estão diante de mim, e nunca afastei de mim
os seus estatutos.
23 Também fui irrepreensível diante dele, e me guardei da iniqüidade.
24 Pelo que o Senhor me recompensou conforme a minha justiça, conforme a pureza
de minhas mãos perante os seus olhos.
25 Para com o benigno te mostras benigno, e para com o homem perfeito te
mostras perfeito.
26 Para com o puro te mostras puro, e para com o perverso te mostras contrário.
27 Porque tu livras o povo aflito, mas os olhos altivos tu os abates.
28 Sim, tu acendes a minha candeia; o Senhor meu Deus alumia as minhas trevas.
29 Com o teu auxílio dou numa tropa; com o meu Deus salto uma muralha.
30 Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito; a promessa do Senhor é provada; ele
é um escudo para todos os que nele confiam.
31 Pois, quem é Deus senão o Senhor? e quem é rochedo senão o nosso Deus?
32 Ele é o Deus que me cinge de força e torna perfeito o meu caminho;
33 faz os meus pés como os das corças, e me coloca em segurança nos meus
lugares altos.
34 Adestra as minhas mãos para a peleja, de sorte que os meus braços vergam um
arco de bronze.
35 Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me sustém, e a
tua clemência me engrandece.
36 Alargas o caminho diante de mim, e os meus pés não resvalam.
37 Persigo os meus inimigos, e os alcanço; não volto senão depois de os ter
consumido.
38 Atravesso-os, de modo que nunca mais se podem levantar; caem debaixo dos
meus pés.
39 Pois me cinges de força para a peleja; prostras debaixo de mim aqueles que
contra mim se levantam.
40 Fazes também que os meus inimigos me dêem as costas; aos que me odeiam eu os
destruo.
41 Clamam, porém não há libertador; clamam ao Senhor, mas ele não lhes
responde.
42 Então os esmiúço como o pó diante do vento; lanço-os fora como a lama das
ruas.
43 Livras-me das contendas do povo, e me fazes cabeça das nações; um povo que
eu não conhecia se me sujeita.
44 Ao ouvirem de mim, logo me obedecem; com lisonja os estrangeiros se me
submetem.
45 Os estrangeiros desfalecem e, tremendo, saem dos seus esconderijos.
46 Vive o Senhor; bendita seja a minha rocha, e exaltado seja o Deus da minha
salvação,
47 o Deus que me dá vingança, e sujeita os povos debaixo de mim,
48 que me livra de meus inimigos; sim, tu me exaltas sobre os que se levantam
contra mim; tu me livras do homem violento.
49 Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações, e entoarei louvores ao teu
nome.
50 Ele dá grande livramento ao seu rei, e usa de benignidade para com o seu
ungido, para com Davi e sua posteridade, para sempre.
SALMOS
[19]
1 Os céus proclamam a glória
de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra
noite.
3 Não há fala, nem palavras; não se lhes ouve a voz.
4 Por toda a terra estende-se a sua linha, e as suas palavras até os consfins
do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,
5 que é qual noivo que sai do seu tálamo, e se alegra, como um herói, a correr
a sua carreira.
6 A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até a outra
extremidade deles; e nada se esconde ao seu calor.
7 A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é
fiel, e dá sabedoria aos simples.
8 Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor
é puro, e alumia os olhos.
9 O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são
verdadeiros e inteiramente justos.
10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces
do que o mel e o que goteja dos favos.
11 Também por eles o teu servo é advertido; e em os guardar há grande
recompensa.
12 Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são
ocultos.
13 Também de pecados de presunção guarda o teu servo, para que não se
assenhoreiem de mim; então serei perfeito, e ficarei limpo de grande
transgressão.
14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração
perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!
SALMOS
[20]
1 O Senhor te ouça no dia da
angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja.
2 Envie-te socorro do seu santuário, e te sustenha de Sião.
3 Lembre-se de todas as tuas ofertas, e aceite os teus holocaustos.
4 Conceda-te conforme o desejo do teu coração, e cumpra todo o teu desígnio.
5 Nós nos alegraremos pela tua salvação, e em nome do nosso Deus arvoraremos
pendões; satisfaça o Senhor todas as tuas petições.
6 Agora sei que o Senhor salva o seu ungido; ele lhe responderá lá do seu santo
céu, com a força salvadora da sua destra.
7 Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do
Senhor nosso Deus.
8 Uns encurvam-se e caem, mas nós nos erguemos e ficamos de pé.
9 Salva-nos, Senhor; ouça-nos o Rei quando clamarmos.
SALMOS
[21]
1 Na tua força, ó Senhor, o
rei se alegra; e na tua salvação quão grandemente se regozija!
2 Concedeste-lhe o desejo do seu coração, e não lhe negaste a petição dos seus
lábios.
3 Pois o proveste de bênçãos excelentes; puseste-lhe na cabeça uma coroa de
ouro fino.
4 Vida te pediu, e lha deste, longura de dias para sempre e eternamente.
5 Grande é a sua glória pelo teu socorro; de honra e de majestade o revestes.
6 Sim, tu o fazes para sempre abençoado; tu o enches de gozo na tua presença.
7 Pois o rei confia no Senhor; e pela bondade do Altíssimo permanecerá
inabalável.
8 A tua mão alcançará todos os teus inimigos, a tua destra alcançará todos os
que te odeiam.
9 Tu os farás qual fornalha ardente quando vieres; o Senhor os consumirá na sua
indignação, e o fogo os devorará.
10 A sua prole destruirás da terra, e a sua descendência dentre os filhos dos
homens.
11 Pois intentaram o mal contra ti; maquinaram um ardil, mas não prevalecerão.
12 Porque tu os porás em fuga; contra os seus rostos assestarás o teu arco.
13 Exalta-te, Senhor, na tua força; então cantaremos e louvaremos o teu poder.
SALMOS
[22]
1 Deus meu, Deus meu, por que
me desamparaste? por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu
bramido?
2 Deus meu, eu clamo de dia, porém tu não me ouves; também de noite, mas não
acho sossego.
3 Contudo tu és santo, entronizado sobre os louvores de Israel.
4 Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e tu os livraste.
5 A ti clamaram, e foram salvos; em ti confiaram, e não foram confundidos.
6 Mas eu sou verme, e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo.
7 Todos os que me vêem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a cabeça,
dizendo:
8 Confiou no Senhor; que ele o livre; que ele o salve, pois que nele tem
prazer.
9 Mas tu és o que me tiraste da madre; o que me preservaste, estando eu ainda
aos seios de minha mãe.
10 Nos teus braços fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre
de minha mãe.
11 Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem acuda.
12 Muitos touros me cercam; fortes touros de Basã me rodeiam.
13 Abrem contra mim sua boca, como um leão que despedaça e que ruge.
14 Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu
coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.
15 A minha força secou-se como um caco e a língua se me pega ao paladar; tu me
puseste no pó da morte.
16 Pois cães me rodeiam; um ajuntamento de malfeitores me cerca;
transpassaram-me as mãos e os pés.
17 Posso contar todos os meus ossos. Eles me olham e ficam a mirar-me.
18 Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançam sortes.
19 Mas tu, Senhor, não te alongues de mim; força minha, apressa-te em
socorrer-me.
20 Livra-me da espada, e a minha vida do poder do cão.
21 Salva-me da boca do leão, sim, livra-me dos chifres do boi selvagem.
22 Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da
congregação.
23 Vós, que temeis ao Senhor, louvai-o; todos vós, filhos de Jacó,
glorificai-o; temei-o todos vós, descendência de Israel.
24 Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem dele escondeu o
seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu.
25 De ti vem o meu louvor na grande congregação; pagarei os meus votos perante
os que o temem.
26 Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam. Que o
vosso coração viva eternamente!
27 Todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor, e diante
dele adorarão todas as famílias das nações.
28 Porque o domínio é do Senhor, e ele reina sobre as nações.
29 Todos os grandes da terra comerão e adorarão, e todos os que descem ao pó se
prostrarão perante ele, os que não podem reter a sua vida.
30 A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor à geração vindoura.
31 Chegarão e anunciarão a justiça dele; a um povo que há de nascer contarão o
que ele fez.
SALMOS
[23]
1 O Senhor é o meu pastor;
nada me faltará.
2 Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas.
3 Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.
4 Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque
tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a
minha cabeça, o meu cálice transborda.
6 Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha
vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
SALMOS
[24]
1 Do Senhor é a terra e a sua
plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam.
2 Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios.
3 Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?
4 Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à
vaidade, nem jura enganosamente.
5 Este receberá do Senhor uma bênção, e a justiça do Deus da sua salvação.
6 Tal é a geração daqueles que o buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus
de Jacó.
7 Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e
entrará o Rei da Glória.
8 Quem é o Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na
batalha.
9 Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e
entrará o Rei da Glória.
10 Quem é esse Rei da Glória? O Senhor dos exércitos; ele é o Rei da Glória.
SALMOS
[25]
1 A ti, Senhor, elevo a minha
alma.
2 Deus meu, em ti confio; não seja eu envergonhado; não triunfem sobre mim os
meus inimigos.
3 Não seja envergonhado nenhum dos que em ti esperam; envergonhados sejam os
que sem causa procedem traiçoeiramente.
4 Faze-me saber os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas.
5 Guia-me na tua verdade, e ensina-me; pois tu és o Deus da minha salvação; por
ti espero o dia todo.
6 Lembra-te, Senhor, da tua compaixão e da tua benignidade, porque elas são
eternas.
7 Não te lembres dos pecado da minha mocidade, nem das minhas transgressões;
mas, segundo a tua misericórdia, lembra-te de mim, pela tua bondade, ó Senhor.
8 Bom e reto é o Senhor; pelo que ensina o caminho aos pecadores.
9 Guia os mansos no que é reto, e lhes ensina o seu caminho.
10 Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para aqueles que
guardam o seu pacto e os seus testemunhos.
11 Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniqüidade, pois é grande.
12 Qual é o homem que teme ao Senhor? Este lhe ensinará o caminho que deve
escolher.
13 Ele permanecerá em prosperidade, e a sua descendência herdará a terra.
14 O conselho do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes faz saber o seu
pacto.
15 Os meus olhos estão postos continuamente no Senhor, pois ele tirará do laço
os meus pés.
16 Olha para mim, e tem misericórdia de mim, porque estou desamparado e aflito.
17 Alivia as tribulações do meu coração; tira-me das minhas angústias.
18 Olha para a minha aflição e para a minha dor, e perdoa todos os meus
pecados.
19 Olha para os meus inimigos, porque são muitos e me odeiam com ódio cruel.
20 Guarda a minha alma, e livra-me; não seja eu envergonhado, porque em ti me
refúgio.
21 A integridade e a retidão me protejam, porque em ti espero.
22 Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angústias.
SALMOS
[26]
1 Julga-me, ó Senhor, pois
tenho andado na minha integridade; no Senhor tenho confiado sem vacilar.
2 Examina-me, Senhor, e prova-me; esquadrinha o meu coração e a minha mente.
3 Pois a tua benignidade está diante dos meus olhos, e tenho andado na tua
verdade.
4 Não me tenho assentado com homens falsos, nem associo com dissimuladores.
5 Odeio o ajuntamento de malfeitores; não me sentarei com os ímpios.
6 Lavo as minhas mãos na inocência; e assim, ó Senhor, me acerco do teu altar,
7 para fazer ouvir a voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas.
8 Ó Senhor, eu amo o recinto da tua casa e o lugar onde permanece a tua glória.
9 Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida a dos homens
sanguinolentos,
10 em cujas mãos há malefício, e cuja destra está cheia de subornos.
11 Quanto a mim, porém, ando na minha integridade; resgata-me e tem compaixão
de mim.
12 O meu pé está firme em terreno plano; nas congregações bendirei ao Senhor.
SALMOS
[27]
1 O Senhor é a minha luz e a
minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me
recearei?
2 Quando os malvados investiram contra mim, para comerem as minhas carnes,
eles, meus adversários e meus inimigos, tropeçaram e caíram.
3 Ainda que um exército se acampe contra mim, o meu coração não temerá; ainda
que a guerra se levante contra mim, conservarei a minha confiança.
4 Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor
todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir
no seu templo.
5 Pois no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no recôndito do seu
tabernáculo me esconderá; sobre uma rocha me elevará.
6 E agora será exaltada a minha cabeça acima dos meus inimigos que estão ao
redor de mim; e no seu tabernáculo oferecerei sacrifícios de júbilo; cantarei,
sim, cantarei louvores ao Senhor.
7 Ouve, ó Senhor, a minha voz quando clamo; compadece-te de mim e responde-me.
8 Quando disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração te disse a ti: O teu
rosto, Senhor, buscarei.
9 Não escondas de mim o teu rosto, não rejeites com ira o teu servo, tu que
tens sido a minha ajuda. Não me enjeites nem me desampares, ó Deus da minha
salvação.
10 Se meu pai e minha mãe me abandonarem, então o Senhor me acolherá.
11 Ensina-me, ó Senhor, o teu caminho, e guia-me por uma vereda plana, por
causa dos que me espreitam.
12 Não me entregues à vontade dos meus adversários; pois contra mim se
levantaram falsas testemunhas e os que repiram violência.
13 Creio que hei de ver a bondade do Senhor na terra dos viventes.
14 Espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois,
pelo Senhor.
SALMOS
[28]
1 A ti clamo, ó Senhor; rocha
minha, não emudeças para comigo; não suceda que, calando-te a meu respeito, eu
me torne semelhante aos que descem à cova.
2 Ouve a voz das minhas súplicas, quando a ti clamo, quando levanto as minhas
mãos para o teu santo templo.
3 Não me arrastes juntamente com os ímpios e com os que praticam a iniqüidade,
que falam de paz ao seu próximo, mas têm o mal no seu coração.
4 Retribui-lhes segundo as suas obras e segundo a malícia dos seus feitos;
dá-lhes conforme o que fizeram as suas mãos; retribui-lhes o que eles merecem.
5 Porquanto eles não atentam para as obras do Senhor, nem para o que as suas
mãos têm feito, ele os derrubará e não os reedificará
6 Bendito seja o Senhor, porque ouviu a voz das minhas súplicas.
7 O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui
socorrido; pelo que o meu coração salta de prazer, e com o meu cântico o
louvarei.
8 O Senhor é a força do seu povo; ele é a fortaleza salvadora para o seu
ungido.
9 Salva o teu povo, e abençoa a tua herança; apascenta-os e exalta-os para
sempre.
SALMOS
[29]
1 Tributai ao Senhor, ó
filhos dos poderosos, tributai ao Senhor glória e força.
2 Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; adorai o Senhor vestidos de
trajes santos.
3 A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor
está sobre as muitas águas.
4 A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade.
5 A voz do Senhor quebra os cedros; sim, o Senhor quebra os cedros do Líbano.
6 Ele faz o Líbano saltar como um bezerro; e Siriom, como um filhote de boi
selvagem.
7 A voz do Senhor lança labaredas de fogo.
8 A voz do Senhor faz tremer o deserto; o Senhor faz tremer o deserto de Cades.
9 A voz do Senhor faz as corças dar à luz, e desnuda as florestas; e no seu
templo todos dizem: Glória!
10 O Senhor está entronizado sobre o dilúvio; o Senhor se assenta como rei,
perpetuamente.
11 O Senhor dará força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com paz.
SALMOS
[30]
1 Exaltar-te-ei, ó Senhor,
porque tu me levantaste, e não permitiste que meus inimigos se alegrassem sobre
mim.
2 Ó Senhor, Deus meu, a ti clamei, e tu me curaste.
3 Senhor, fizeste subir a minha alma do Seol, conservaste-me a vida, dentre os
que descem à cova.
4 Cantai louvores ao Senhor, vós que sois seus santos, e louvai o seu santo
nome.
5 Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode
durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo.
6 Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: Jamais serei abalado.
7 Tu, Senhor, pelo teu favor fizeste que a minha montanha permanecesse forte;
ocultaste o teu rosto, e fiquei conturbado.
8 A ti, Senhor, clamei, e ao Senhor supliquei:
9 Que proveito haverá no meu sangue, se eu descer à cova? Porventura te louvará
o pó? Anunciará ele a tua verdade?
10 Ouve, Senhor, e tem compaixão de mim! Ó Senhor, sê o meu ajudador!
11 Tornaste o meu pranto em regozijo, tiraste o meu cilício, e me cingiste de
alegria;
12 para que a minha alma te cante louvores, e não se cale. Senhor, Deus meu, eu
te louvarei para sempre.
SALMOS
[31]
1 Em ti, Senhor, me refugio;
nunca seja eu envergonhado; livra-me pela tua justiça!
2 Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa! Sê para mim uma rocha de
refúgio, uma casa de defesa que me salve!
3 Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; pelo que, por amor do teu
nome, guia-me e encaminha-me.
4 Tira-me do laço que me armaram, pois tu és o meu refúgio.
5 Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, ó Senhor, Deus da
verdade.
6 Odeias aqueles que atentam para ídolos vãos; eu, porém, confio no Senhor.
7 Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois tens visto a minha
aflição. Tens conhecido as minhas angústias,
8 e não me entregaste nas mãos do inimigo; puseste os meus pés num lugar
espaçoso.
9 Tem compaixão de mim, ó Senhor, porque estou angustiado; consumidos estão de
tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu corpo.
10 Pois a minha vida está gasta de tristeza, e os meus anos de suspiros; a
minha força desfalece por causa da minha iniqüidade, e os meus ossos se
consomem.
11 Por causa de todos os meus adversários tornei-me em opróbrio, sim, sobremodo
o sou para os meus vizinhos, e horror para os meus conhecidos; os que me vêem
na rua fogem de mim.
12 Sou esquecido como um morto de quem não há memória; sou como um vaso
quebrado.
13 Pois tenho ouvido a difamação de muitos, terror por todos os lados; enquanto
juntamente conspiravam contra mim, maquinaram tirar-me a vida.
14 Mas eu confio em ti, ó Senhor; e digo: Tu és o meu Deus.
15 Os meus dias estão nas tuas mãos; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos
que me perseguem.
16 Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua bondade.
17 Não seja eu envergonhado, ó Senhor, porque te invoco; envergonhados sejam os
ímpios, emudeçam no Seol.
18 Emudeçam os lábios mentirosos, que falam insolentemente contra o justo, com
arrogância e com desprezo.
19 Oh! quão grande é a tua bondade, que guardaste para os que te temem, a qual
na presença dos filhos dos homens preparaste para aqueles que em ti se
refugiam!
20 No abrigo da tua presença tu os escondes das intrigas dos homens; em um
pavilhão os ocultas da contenda das línguas.
21 Bendito seja o Senhor, pois fez maravilhosa a sua bondade para comigo numa
cidade sitiada.
22 Eu dizia no meu espanto: Estou cortado de diante dos teus olhos; não
obstante, tu ouviste as minhas súplicas quando eu a ti clamei.
23 Amai ao Senhor, vós todos os que sois seus santos; o Senhor guarda os fiéis,
e retribui abundantemente ao que usa de soberba.
24 Esforçai-vos, e fortaleça-se o vosso coração, vós todos os que esperais no
Senhor.
SALMOS
[32]
1 Bem-aventurado aquele cuja
transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.
2 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniqüidade, e em cujo
espírito não há dolo.
3 Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo meu bramido
durante o dia todo.
4 Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em
sequidão de estio.
5 Confessei-te o meu pecado, e a minha iniqüidade não encobri. Disse eu:
Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu
pecado.
6 Pelo que todo aquele é piedoso ore a ti, a tempo de te poder achar; no
trasbordar de muitas águas, estas e ele não chegarão.
7 Tu és o meu esconderijo; preservas-me da angústia; de alegres cânticos de
livramento me cercas.
8 Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; aconselhar-te-ei,
tendo-te sob a minha vista.
9 Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja
boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão.
10 O ímpio tem muitas dores, mas aquele que confia no Senhor, a misericórdia o
cerca.
11 Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, vós justos; e cantai de júbilo,
todos vós que sois retos de coração.
SALMOS
[33]
1 Regozijai-vos no Senhor,
vós justos, pois aos retos fica bem o louvor.
2 Louvai ao Senhor com harpa, cantai-lhe louvores com saltério de dez cordas.
3 Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.
4 Porque a palavra do Senhor é reta; e todas as suas obras são feitas com
fidelidade.
5 Ele ama a retidão e a justiça; a terra está cheia da benignidade do Senhor.
6 Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo
sopro da sua boca.
7 Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe em tesouros os abismos.
8 Tema ao Senhor a terra toda; temam-no todos os moradores do mundo.
9 Pois ele falou, e tudo se fez; ele mandou, e logo tudo apareceu.
10 O Senhor desfaz o conselho das nações, anula os intentos dos povos.
11 O conselho do Senhor permanece para sempre, e os intentos do seu coração por
todas as gerações.
12 Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, o povo que ele escolheu para
sua herança.
13 O Senhor olha lá do céu; vê todos os filhos dos homens;
14 da sua morada observa todos os moradores da terra,
15 aquele que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.
16 Um rei não se salva pela multidão do seu exército; nem o homem valente se
livra pela muita força.
17 O cavalo é vã esperança para a vitória; não pode livrar ninguém pela sua
grande força.
18 Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam
na sua benignidade,
19 para os livrar da morte, e para os conservar vivos na fome.
20 A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo.
21 Pois nele se alegra o nosso coração, porquanto temos confiado no seu santo
nome.
22 Seja a tua benignidade, Senhor, sobre nós, assim como em ti esperamos.
SALMOS
[34]
1 Bendirei ao Senhor em todo
o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca.
2 No Senhor se gloria a minha alma; ouçam-no os mansos e se alegrem.
3 Engrandeci ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o seu nome.
4 Busquei ao Senhor, e ele me respondeu, e de todos os meus temores me livrou.
5 Olhai para ele, e sede iluminados; e os vossos rostos jamais serão confundidos.
6 Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o livrou de todas as suas angústias.
7 O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra.
8 Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se
refugia.
9 Temei ao Senhor, vós, seus santos, porque nada falta aos que o temem.
10 Os leõezinhos necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor,
bem algum lhes faltará.
11 Vinde, filhos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor.
12 Quem é o homem que deseja a vida, e quer longos dias para ver o bem?
13 Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem dolosamente.
14 Aparta-te do mal, e faze o bem: busca a paz, e segue-a.
15 Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu
clamor.
16 A face do Senhor está contra os que fazem o mal, para desarraigar da terra a
memória deles.
17 Os justos clama, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angústias.
18 Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos
de espírito.
19 Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas o Senhor o livra.
20 Ele lhe preserva todos os ossos; nem sequer um deles se quebra.
21 A malícia matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados.
22 O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que nele se refugiam
será condenado.
SALMOS
[35]
1 Contende, Senhor, com
aqueles que contendem comigo; combate contra os que me combatem.
2 Pega do escudo e do pavês, e levanta-te em meu socorro.
3 Tira da lança e do dardo contra os que me perseguem. Dize à minha alma: Eu
sou a tua salvação.
4 Sejam envergonhados e confundidos os que buscam a minha vida; voltem atrás e
se confudam os que contra mim intentam o mal.
5 Sejam como a moinha diante do vento, e o anjo do Senhor os faça fugir.
6 Seja o seu caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do Senhor os persiga.
7 Pois sem causa me armaram ocultamente um laço; sem razão cavaram uma cova
para a minha vida.
8 Sobrevenha-lhes inesperadamente a destruição, e prenda-os o laço que
ocultaram; caiam eles nessa mesma destruição.
9 Então minha alma se regozijará no Senhor; exultará na sua salvação.
10 Todos os meus ossos dirão: Ó Senhor, quem é como tu, que livras o fraco
daquele que é mais forte do que ele? sim, o pobre e o necessitado, daquele que
o rouba.
11 Levantam-se testemunhas maliciosas; interrogam-me sobre coisas que eu
ignoro.
12 Tornam-me o mal pelo bem, causando-me luto na alma.
13 Mas, quanto a mim, estando eles enfermos, vestia-me de cilício, humilhava-me
com o jejum, e orava de cabeça sobre o peito.
14 Portava-me como o faria por meu amigo ou meu irmão; eu andava encurvado e
lamentando-me, como quem chora por sua mãe.
15 Mas, quando eu tropeçava, eles se alegravam e se congregavam; congregavam-se
contra mim, homens miseráveis que eu não conhecia; difamavam-me sem cessar.
16 Como hipócritas zombadores nas festas, rangiam os dentes contra mim.
17 Ó Senhor, até quando contemplarás isto? Livra-me das suas violências; salva
a minha vida dos leões!
18 Então te darei graças na grande assembléia; entre muitíssimo povo te
louvarei.
19 Não se alegrem sobre mim os que são meus inimigos sem razão, nem pisquem os
olhos aqueles que me odeiam sem causa.
20 Pois não falaram de paz, antes inventam contra os quietos da terra palavras
enganosas.
21 Escancararam contra mim a sua boca, e dizem: Ah! Ah! os nossos olhos o
viram.
22 Tu, Senhor, o viste, não te cales; Senhor, não te alongues de mim.
23 Acorda e desperta para o meu julgamento, para a minha causa, Deus meu, e
Senhor meu.
24 Justifica-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu, e não se regozijem eles
sobre mim.
25 Não digam em seu coração: Eia! cumpriu-se o nosso desejo! Não digam: Nós o
havemos devorado.
26 Envergonhem-se e confundam-se à uma os que se alegram com o meu mal;
vistam-se de vergonha e de confusão os que se engrandecem contra mim.
27 Bradem de júbilo e se alegrem os que desejam a minha justificação, e digam a
minha justificação, e digam continuamente: Seja engrandecido o Senhor, que se
deleita na prosperidade do seu servo.
28 Então a minha língua falará da tua justiça e do teu louvor o dia todo.
SALMOS
[36]
1 A transgressão fala ao
ímpio no íntimo do seu coração; não há temor de Deus perante os seus olhos.
2 Porque em seus próprios olhos se lisonjeia, cuidando que a sua iniqüidade não
será descoberta e detestada.
3 As palavras da sua boca são malícia e engano; deixou de ser prudente e de
fazer o bem.
4 Maquina o mal na sua cama; põe-se em caminho que não é bom; não odeia o mal.
5 A tua benignidade, Senhor, chega até os céus, e a tua fidelidade até as
nuvens.
6 A tua justiça é como os montes de Deus, os teus juízos são como o abismo
profundo. Tu, Senhor, preservas os homens e os animais.
7 Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade! Os filhos dos homens se refugiam
à sombra das tuas asas.
8 Eles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás beber da corrente das
tuas delícias;
9 pois em ti está o manancial da vida; na tua luz vemos a luz.
10 Continua a tua benignidade aos que te conhecem, e a tua justiça aos retos de
coração.
11 Não venha sobre mim o pé da soberba, e não me mova a mão dos ímpios.
12 Ali caídos estão os que praticavam a iniqüidade; estão derrubados, e não se
podem levantar.
SALMOS
[37]
1 Não te enfades por causa
dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade.
2 Pois em breve murcharão como a relva, e secarão como a erva verde.
3 Confia no Senhor e faze o bem; assim habitarás na terra, e te alimentarás em
segurança.
4 Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração.
5 Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.
6 E ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu direito como o
meio-dia.
7 Descansa no Senhor, e espera nele; não te enfades por causa daquele que
prospera em seu caminho, por causa do homem que executa maus desígnios.
8 Deixa a ira, e abandona o furor; não te enfades, pois isso só leva à prática
do mal.
9 Porque os malfeitores serão exterminados, mas aqueles que esperam no Senhor
herdarão a terra.
10 Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; atentarás para o seu lugar, e
ele ali não estará.
11 Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.
12 O ímpio maquina contra o justo, e contra ele range os dentes,
13 mas o Senhor se ri do ímpio, pois vê que vem chegando o seu dia.
14 Os ímpios têm puxado da espada e têm entesado o arco, para derrubarem o
poder e necessitado, e para matarem os que são retos no seu caminho.
15 Mas a sua espada lhes entrará no coração, e os seus arcos quebrados.
16 Mais vale o pouco que o justo tem, do que as riquezas de muitos ímpios.
17 Pois os braços dos ímpios serão quebrados, mas o Senhor sustém os justos.
18 O Senhor conhece os dias dos íntegros, e a herança deles permanecerá para
sempre.
19 Não serão envergonhados no dia do mal, e nos dias da fome se fartarão.
20 Mas os ímpios perecerão, e os inimigos do Senhor serão como a beleza das
pastagens; desaparecerão, em fumaça se desfarão.
21 O ímpio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece e dá.
22 Pois aqueles que são abençoados pelo Senhor herdarão a terra, mas aqueles
que são por ele amaldiçoados serão exterminados.
23 Confirmados pelo Senhor são os passos do homem em cujo caminho ele se
deleita;
24 ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor lhe segura a mão.
25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua
descendência a mendigar o pão.
26 Ele é sempre generoso, e empresta, e a sua descendência é abençoada.
27 Aparta-te do mal e faze o bem; e terás morada permanente.
28 Pois o Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos. Eles serão
preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada.
29 Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre.
30 A boca do justo profere sabedoria; a sua língua fala o que é reto.
31 A lei do seu Deus está em seu coração; não resvalarão os seus passos.
32 O ímpio espreita o justo, e procura matá-lo.
33 O Senhor não o deixará nas mãos dele, nem o condenará quando for julgado.
34 Espera no Senhor, e segue o seu caminho, e ele te exaltará para herdares a
terra; tu o verás quando os ímpios forem exterminados.
35 Vi um ímpio cheio de prepotência, e a espalhar-se como a árvore verde na
terra natal.
36 Mas eu passei, e ele já não era; procurei-o, mas não pôde ser encontrado.
37 Nota o homem íntegro, e considera o reto, porque há para o homem de paz um
porvir feliz.
38 Quanto aos transgressores, serão à uma destruídos, e a posteridade dos
ímpios será exterminada.
39 Mas a salvação dos justos vem do Senhor; ele é a sua fortaleza no tempo da
angústia.
40 E o Senhor os ajuda e os livra; ele os livra dos ímpios e os salva,
porquanto nele se refugiam.
SALMOS
[38]
1 Ó Senhor, não me repreendas
na tua ira, nem me castigues no teu furor.
2 Porque as tuas flechas se cravaram em mim, e sobre mim a tua mão pesou.
3 Não há coisa sã na minha carne, por causa da tua cólera; nem há saúde nos
meus ossos, por causa do meu pecado.
4 Pois já as minhas iniqüidades submergem a minha cabeça; como carga pesada
excedem as minhas forças.
5 As minhas chagas se tornam fétidas e purulentas, por causa da minha loucura.
6 Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando o dia todo.
7 Pois os meus lombos estão cheios de ardor, e não há coisa sã na minha carne.
8 Estou gasto e muito esmagado; dou rugidos por causa do desassossego do meu
coração.
9 Senhor, diante de ti está todo o meu desejo, e o meu suspirar não te é
oculto.
10 O meu coração está agitado; a minha força me falta; quanto à luz dos meus
olhos, até essa me deixou.
11 Os meus amigos e os meus companheiros afastaram-se da minha chaga; e os meus
parentes se põem à distância.
12 Também os que buscam a minha vida me armam laços, e os que procuram o meu
mal dizem coisas perniciosas,
13 Mas eu, como um surdo, não ouço; e sou qual um mudo que não abre a boca.
14 Assim eu sou como homem que não ouve, e em cuja boca há com que replicar.
15 Mas por ti, Senhor, espero; tu, Senhor meu Deus, responderás.
16 Rogo, pois: Ouve-me, para que eles não se regozijem sobre mim e não se
engrandeçam contra mim quando resvala o meu pé.
17 Pois estou prestes a tropeçar; a minha dor está sempre comigo.
18 Confesso a minha iniqüidade; entristeço-me por causa do meu pecado.
19 Mas os meus inimigos são cheios de vida e são fortes, e muitos são os que
sem causa me odeiam.
20 Os que tornam o mal pelo bem são meus adversários, porque eu sigo o que é
bom.
21 Não me desampares, ó Senhor; Deus meu, não te alongues de mim.
22 Apressa-te em meu auxílio, Senhor, minha salvação.
SALMOS
[39]
1 Disse eu: Guardarei os meus
caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a minha boca com uma
mordaça, enquanto o ímpio estiver diante de mim.
2 Com silêncio fiquei qual um mundo; calava-me mesmo acerca do bem; mas a minha
dor se agravou.
3 Escandesceu-se dentro de mim o meu coração; enquanto eu meditava acendeu-se o
fogo; então com a minha língua, dizendo;
4 Faze-me conhecer, ó Senhor, o meu fim, e qual a medida dos meus dias, para
que eu saiba quão frágil sou.
5 Eis que mediste os meus dias a palmos; o tempo da minha vida é como que nada
diante de ti. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é totalmente
vaidade.
6 Na verdade, todo homem anda qual uma sombra; na verdade, em vão se inquieta,
amontoa riquezas, e não sabe quem as levará.
7 Agora, pois, Senhor, que espero eu? a minha esperança está em ti.
8 Livra-me de todas as minhas transgressões; não me faças o opróbrio do
insensato.
9 Emudecido estou, não abro a minha boca; pois tu és que agiste,
10 Tira de sobre mim o teu flagelo; estou desfalecido pelo golpe da tua mão.
11 Quando com repreensões castigas o homem por causa da iniquidade, destróis,
como traça, o que ele tem de precioso; na verdade todo homem é vaidade.
12 Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não
te cales perante as minhas lágrimas, porque sou para contigo como um estranho,
um peregrino como todos os meus pais.
13 Desvia de mim o teu olhar, para que eu tome alento, antes que me vá e não
exista mais.
SALMOS
[40]
1 Esperei com paciência pelo
Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor.
2 Também me tirou duma cova de destruição, dum charco de lodo; pôs os meus pés
sobre uma rocha, firmou os meus passos.
3 Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus; muitos verão isso e
temerão, e confiarão no Senhor.
4 Bem-aventurado o homem que faz do Senhor a sua confiança, e que não atenta
para os soberbos nem para os apóstatas mentirosos.
5 Muitas são, Senhor, Deus meu, as maravilhas que tens operado e os teus
pensamentos para conosco; ninguém há que se possa comparar a ti; eu quisera
anunciá-los, e manifestá-los, mas são mais do que se podem contar.
6 Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocauto e oferta de
expiação pelo pecado não reclamaste.
7 Então disse eu: Eis aqui venho; no rolo do livro está escrito a meu respeito:
8 Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do
meu coração.
9 Tenho proclamado boas-novas de justiça na grande congregação; eis que não
retive os meus lábios;
10 Não ocultei dentro do meu coração a tua justiça; apregoei a tua fidelidade e
a tua salvação; não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua
verdade.
11 Não detenhas para comigo, Senhor a tua compaixão; a tua benignidade e a tua
fidelidade sempre me guardem.
12 Pois males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me têm
alcançado, de modo que não posso ver; são mais numerosas do que os cabelos da
minha cabeça, pelo que desfalece o meu coração.
13 Digna-te, Senhor, livra-me; Senhor, apressa-te em meu auxílio.
14 Sejam à uma envergonhados e confundidos os que buscam a minha vida para
destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me desejam o mal.
15 Desolados sejam em razão da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!
16 Regozijem-se e alegrem-se em ti todos os que te buscam. Digam continuamente
os que amam a tua salvação: Engrandecido seja o Senhor.
17 Eu, na verdade, sou pobre e necessitado, mas o Senhor cuida de mim. Tu és o
meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu.
SALMOS
[41]
1 Bem-aventurado é aquele que
considera o pobre; o Senhor o livrará no dia do mal.
2 O Senhor o guardará, e o conservará em vida; será abençoado na terra; tu,
Senhor não o entregarás à vontade dos seus inimigos.
3 O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu lhe amaciarás a cama na sua
doença.
4 Disse eu da minha parte: Senhor, compadece-te de mim, sara a minha alma, pois
pequei contra ti.
5 Os meus inimigos falam mal de mim, dizendo: Quando morrerá ele, e perecerá o
seu nome?
6 E, se algum deles vem ver-me, diz falsidades; no seu coração amontoa a
maldade; e quando ele sai, é disso que fala.
7 Todos os que me odeiam cochicham entre si contra mim; contra mim maquinam o
mal, dizendo:
8 Alguma coisa ruim se lhe apega; e agora que está deitado, não se levantará
mais.
9 Até o meu próprio amigo íntimo em quem eu tanto confiava, e que comia do meu
pão, levantou contra mim o seu calcanhar.
10 Mas tu, Senhor, compadece-te de mim e levanta-me, para que eu lhes retribua.
11 Por isso conheço eu que te deleitas em mim, por não triunfar de mim o meu
inimigo
12 Quanto a mim, tu me sustentas na minha integridade, e me colocas diante da
tua face para sempre.
13 Bendito seja o Senhor Deus de Israel de eternidade a eternidade. Amém e
amém.
SALMOS
[42]
1 Como o cervo anseia pelas
correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus!
2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face
de Deus?
3 As minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, porquanto se me
diz constantemente: Onde está o teu Deus?
4 Dentro de mim derramo a minha alma ao lembrar-me de como eu ia com a
multidão, guiando-a em procissão à casa de Deus, com brados de júbilo e louvor,
uma multidão que festejava.
5 Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?
Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação que há na sua presença.
6 Ó Deus meu, dentro de mim a minha alma está abatida; porquanto me lembrarei
de ti desde a terra do Jordão, e desde o Hermom, desde o monte Mizar.
7 Um abismo chama outro abismo ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas tuas ondas
e vagas têm passado sobre mim.
8 Contudo, de dia o Senhor ordena a sua bondade, e de noite a sua canção está
comigo, uma oração ao Deus da minha vida.
9 A Deus, a minha rocha, digo: Por que te esqueceste de mim? por que ando em
pranto por causa da opressão do inimigo?
10 Como com ferida mortal nos meus ossos me afrontam os meus adversários,
dizendo-me continuamente: Onde está o teu Deus?
11 Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?
Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele que é o meu socorro, e o meu Deus.
SALMOS
[43]
1 Faze-me justiça, ó Deus, e
pleiteia a minha causa contra uma nação ímpia; livra-me do homem fraudulento e
iníquo.
2 Pois tu és o Deus da minha fortaleza; por que me rejeitaste? por que ando em
pranto por causa da opressão do inimigo?
3 Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem; levem-me elas ao teu
santo monte, e à tua habitação.
4 Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria; e ao som
da harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.
5 Por que estás abatida, ó minha alma? e por que te perturbas dentro de mim?
Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele que é o meu socorro, e o meu Deus.
SALMOS
[44]
1 Ó Deus, nós ouvimos com os
nossos ouvidos, nossos pais nos têm contado os feitos que realizaste em seus
dias, nos tempos da antigüidade.
2 Tu expeliste as nações com a tua mão, mas a eles plantaste; afligiste os
povos, mas a eles estendes-te largamente.
3 Pois não foi pela sua espada que conquistaram a terra, nem foi o seu braço
que os salvou, mas a tua destra e o teu braço, e a luz do teu rosto, porquanto
te agradaste deles.
4 Tu és o meu Rei, ó Deus; ordena livramento para Jacó.
5 Por ti derrubamos os nossos adversários; pelo teu nome pisamos os que se
levantam contra nós.
6 Pois não confio no meu arco, nem a minha espada me pode salvar.
7 Mas tu nos salvaste dos nossos adversários, e confundiste os que nos odeiam.
8 Em Deus é que nos temos gloriado o dia todo, e sempre louvaremos o teu nome.
9 Mas agora nos rejeitaste e nos humilhaste, e não sais com os nossos
exércitos.
10 Fizeste-nos voltar as costas ao inimigo e aqueles que nos odeiam nos
despojam à vontade.
11 Entregaste-nos como ovelhas para alimento, e nos espalhaste entre as nações.
12 Vendeste por nada o teu povo, e não lucraste com o seu preço.
13 Puseste-nos por opróbrio aos nossos vizinhos, por escárnio e zombaria
àqueles que estão à roda de nós.
14 Puseste-nos por provérbio entre as nações, por ludíbrio entre os povos.
15 A minha ignomínia está sempre diante de mim, e a vergonha do meu rosto me
cobre,
16 à voz daquele que afronta e blasfema, à vista do inimigo e do vingador.
17 Tudo isto nos sobreveio; todavia não nos esquecemos de ti, nem nos houvemos
falsamente contra o teu pacto.
18 O nosso coração não voltou atrás, nem os nossos passos se desviaram das tuas
veredas,
19 para nos teres esmagado onde habitam os chacais, e nos teres coberto de
trevas profundas.
20 Se nos tivéssemos esquecido do nome do nosso Deus, e estendido as nossas
mãos para um deus estranho,
21 porventura Deus não haveria de esquadrinhar isso? pois ele conhece os
segredos do coração.
22 Mas por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; somos considerados
como ovelhas para o matadouro.
23 Desperta! por que dormes, Senhor? Acorda! não nos rejeites para sempre.
24 Por que escondes o teu rosto, e te esqueces da nossa tribulação e da nossa
angústia?
25 Pois a nossa alma está abatida até o pó; o nosso corpo pegado ao chão.
26 Levanta-te em nosso auxílio, e resgata-nos por tua benignidade.
SALMOS
[45]
1 O meu coração trasborda de
boas palavras; dirijo os meus versos ao rei; a minha língua é qual pena de um
hábil escriba.
2 Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; a graça se derramou nos teus
lábios; por isso Deus te abençoou para sempre.
3 Cinge a tua espada à coxa, ó valente, na tua glória e majestade.
4 E em tua majestade cavalga vitoriosamente pela causa da verdade, da mansidão
e da justiça, e a tua destra te ensina coisas terríveis.
5 As tuas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei; os povos caem
debaixo de ti.
6 O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de eqüidade é
o cetro do teu reino.
7 Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu
com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.
8 Todas as tuas vestes cheiram a mirra a aloés e a cássia; dos palácios de
marfim os instrumentos de cordas e te alegram.
9 Filhas de reis estão entre as tuas ilustres donzelas; à tua mão direita está
a rainha, ornada de ouro de Ofir.
10 Ouve, filha, e olha, e inclina teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da
casa de teu pai.
11 Então o rei se afeiçoará à tua formosura. Ele é teu senhor, presta-lhe,
pois, homenagem.
12 A filha de Tiro estará ali com presentes; os ricos do povo suplicarão o teu
favor.
13 A filha do rei está esplendente lá dentro do palácio; as suas vestes são
entretecidas de ouro.
14 Em vestidos de cores brilhantes será conduzida ao rei; as virgens, suas
companheiras que a seguem, serão trazidas à tua presença.
15 Com alegria e regozijo serão trazidas; elas entrarão no palácio do rei.
16 Em lugar de teus pais estarão teus filhos; tu os farás príncipes sobre toda
a terra.
17 Farei lembrado o teu nome de geração em geração; pelo que os povos te
louvarão eternamente.
SALMOS
[46]
1 Deus é o nosso refúgio e
fortaleza, socorro bem presente na angústia.
2 Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se
projetem para o meio dos mares;
3 ainda que as águas rujam e espumem, ainda que os montes se abalem pela sua
braveza.
4 Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o lugar santo das moradas
do Altíssimo.
5 Deus está no meio dela; não será abalada; Deus a ajudará desde o raiar da
alva.
6 Bramam nações, reinos se abalam; ele levanta a sua voz, e a terra se derrete.
7 O Senhor dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.
8 Vinde contemplai as obras do Senhor, as desolações que tem feito na terra.
9 Ele faz cessar as guerras até os confins da terra; quebra o arco e corta a
lança; queima os carros no fogo.
10 Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou
exaltado na terra.
11 O Senhor dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.
SALMOS
[47]
1 Batei palmas, todos os
povos; aclamai a Deus com voz de júbilo.
2 Porque o Senhor Altíssimo é tremendo; é grande Rei sobre toda a terra.
3 Ele nos sujeitou povos e nações sob os nossos pés.
4 Escolheu para nós a nossa herança, a glória de Jacó, a quem amou.
5 Deus subiu entre aplausos, o Senhor subiu ao som de trombeta.
6 Cantai louvores a Deus, cantai louvores; cantai louvores ao nosso Rei, cantai
louvores.
7 Pois Deus é o Rei de toda a terra; cantai louvores com salmo.
8 Deus reina sobre as nações; Deus está sentado sobre o seu santo trono.
9 Os príncipes dos povos se reúnem como povo do Deus de Abraão, porque a Deus
pertencem os escudos da terra; ele é sumamente exaltado.
SALMOS
[48]
1 Grande é o Senhor e mui
digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus, no seu monte santo.
2 De bela e alta situação, alegria de toda terra é o monte Sião aos lados do
norte, a cidade do grande Rei.
3 Nos palácios dela Deus se fez conhecer como alto refúgio.
4 Pois eis que os reis conspiraram; juntos vieram chegando.
5 Viram-na, e então ficaram maravilhados; ficaram assombrados e se apressaram
em fugir.
6 Aí se apoderou deles o tremor, sentiram dores como as de uma parturiente.
7 Com um vento oriental quebraste as naus de Társis.
8 Como temos ouvido, assim vimos na cidade do Senhor dos exércitos, na cidade
do nosso Deus; Deus a estabelece para sempre.
9 Temos meditado, ó Deus, na tua benignidade no meio do teu templo.
10 Como é o teu nome, ó Deus, assim é o teu louvor até os confins da terra; de
retidão está cheia a tua destra.
11 Alegre-se o monte Sião, regozijem-se as filhas de Judá, por causa dos teus
juízos.
12 Dai voltas a Sião, ide ao redor dela; contai as suas torres.
13 Notai bem os seus antemuros, percorrei os seus palácios, para que tudo
narreis à geração seguinte.
14 Porque este Deus é o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até
a morte.
SALMOS
[49]
1 Ouvi isto, vós todos os
povos; inclinai os ouvidos, todos os habitantes do mundo,
2 quer humildes quer grandes, tanto ricos como pobres.
3 A minha boca falará a sabedoria, e a meditação do meu coração será de
entendimento.
4 Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; decifrarei o meu enigma ao som da
harpa.
5 Por que temeria eu nos dias da adversidade, ao cercar-me a iniqüidade dos
meus perseguidores,
6 dos que confiam nos seus bens e se gloriam na multidão das suas riquezas?
7 Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, nem por ele dar um resgate
a Deus,
8 (pois a redenção da sua vida é caríssima, de sorte que os seus recursos não
dariam;)
9 para que continuasse a viver para sempre, e não visse a cova.
10 Sim, ele verá que até os sábios morrem, que perecem igualmente o néscio e o
estúpido, e deixam a outros os seus bens.
11 O pensamento íntimo deles é que as suas casas são perpétuas e as suas
habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes.
12 Mas o homem, embora esteja em honra, não permanece; antes é como os animais
que perecem.
13 Este é o destino dos que confiam em si mesmos; o fim dos que se satisfazem
com as suas próprias palavras.
14 Como ovelhas são arrebanhados ao Seol; a morte os pastoreia; ao romper do
dia os retos terão domínio sobre eles; e a sua formosura se consumirá no Seol,
que lhes será por habitação.
15 Mas Deus remirá a minha alma do poder do Seol, pois me receberá.
16 Não temas quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa aumenta.
17 Pois, quando morrer, nada levará consigo; a sua glória não descerá após ele.
18 Ainda que ele, enquanto vivo, se considera feliz e os homens o louvam quando
faz o bem a si mesmo,
19 ele irá ter com a geração de seus pais; eles nunca mais verão a luz
20 Mas o homem, embora esteja em honra, não permanece; antes é como os animais
que perecem.
SALMOS
[50]
1 O Poderoso, o Senhor Deus,
fala e convoca a terra desde o nascer do sol até o seu ocaso.
2 Desde Sião, a perfeição da formosura. Deus resplandece.
3 O nosso Deus vem, e não guarda silêncio; diante dele há um fogo devorador, e
grande tormenta ao seu redor.
4 Ele intima os altos céus e a terra, para o julgamento do seu povo:
5 Congregai os meus santos, aqueles que fizeram comigo um pacto por meio de
sacrifícios.
6 Os céus proclamam a justiça dele, pois Deus mesmo é Juiz.
7 Ouve, povo meu, e eu falarei; ouve, ó Israel, e eu te protestarei: Eu sou
Deus, o teu Deus.
8 Não te repreendo pelos teus sacrifícios, pois os teus holocaustos estão de
contínuo perante mim.
9 Da tua casa não aceitarei novilho, nem bodes dos teus currais.
10 Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de outeiros.
11 Conheço todas as aves dos montes, e tudo o que se move no campo é meu.
12 Se eu tivesse fome, não to diria pois meu é o mundo e a sua plenitude.
13 Comerei eu carne de touros? ou beberei sangue de bodes?
14 Oferece a Deus por sacrifício ações de graças, e paga ao Altíssimo os teus
votos;
15 e invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.
16 Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitares os meus estatutos, e em
tomares o meu pacto na tua boca,
17 visto que aborreces a correção, e lanças as minhas palavras para trás de ti?
18 Quando vês um ladrão, tu te comprazes nele; e tens parte com os adúlteros.
19 Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua trama enganos.
20 Tu te sentas a falar contra teu irmão; difamas o filho de tua mãe.
21 Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que na verdade eu era como
tu; mas eu te argüirei, e tudo te porei à vista.
22 Considerai pois isto, vós que vos esqueceis de Deus, para que eu não vos
despedace, sem que haja quem vos livre.
23 Aquele que oferece por sacrifício ações de graças me glorifica; e àquele que
bem ordena o seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus.
SALMOS
[51]
1 Compadece-te de mim, ó
Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas tansgressões, segundo a
multidão das tuas misericórdias.
2 Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.
3 Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de
mim.
4 Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus
olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares.
5 Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe.
6 Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a
sabedoria no secreto da minha alma.
7 Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que
a neve.
8 Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que se regozijem os ossos que esmagaste.
9 Esconde o teu rosto dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades.
10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável.
11 Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu santo
Espírito.
12 Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito
voluntário.
13 Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e pecadores se
converterão a ti.
14 Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha
língua cantará alegremente a tua justiça.
15 Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca proclamará o teu louvor.
16 Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse holocaustos, tu
não te deleitarias.
17 O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração
quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.
18 Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém.
19 Então te agradarás de sacrifícios de justiça dos holocaustos e das ofertas
queimadas; então serão oferecidos novilhos sobre o teu altar.
SALMOS
[52]
1 Por que te glorias na
malícia, ó homem poderoso? pois a bondade de Deus subsiste em todo o tempo.
2 A tua língua maquina planos de destruição, como uma navalha afiada, ó tu que
usas de dolo.
3 Tu amas antes o mal do que o bem, e o mentir do que o falar a verdade.
4 Amas todas as palavras devoradoras, ó língua fraudulenta.
5 Também Deus te esmagará para sempre; arrebatar-te-á e arrancar-te-á da tua
habitação, e desarraigar-te-á da terra dos viventes.
6 Os justos o verão e temerão; e se rirão dele, dizendo:
7 Eis aqui o homem que não tomou a Deus por sua fortaleza; antes confiava na
abundância das suas riquezas, e se fortalecia na sua perversidade.
8 Mas eu sou qual oliveira verde na casa de Deus; confio na bondade de Deus
para sempre e eternamente.
9 Para sempre te louvarei, porque tu isso fizeste, e proclamarei o teu nome,
porque é bom diante de teus santos.
SALMOS
[53]
1 Diz o néscio no seu
coração: Não há Deus. Corromperam-se e cometeram abominável iniqüidade; não há
quem faça o bem.
2 Deus olha lá dos céus para os filhos dos homens, para ver se há algum que
tenha entendimento, que busque a Deus.
3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem,
não há sequer um.
4 Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu
povo como se comessem pão, e não invocam a Deus?
5 Eis que eles se acham em grande pavor onde não há motivo de pavor, porque
Deus espalhará os ossos daqueles que se acampam contra ti; tu os confundirás,
porque Deus os rejeitou.
6 Oxalá que de Sião viesse a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os
cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel.
SALMOS
[54]
1 Salva-me, ó Deus, pelo teu
nome, e faze-me justiça pelo teu poder.
2 Ó Deus, ouve a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca.
3 Porque homens insolentes se levantam contra mim, e violentos procuram a minha
vida; eles não põem a Deus diante de si.
4 Eis que Deus é o meu ajudador; o Senhor é quem sustenta a minha vida.
5 Faze recair o mal sobre os meus inimigos; destrói-os por tua verdade.
6 De livre vontade te oferecerei sacrifícios; louvarei o teu nome, ó Senhor,
porque é bom.
7 Porque tu me livraste de toda a angústia; e os meus olhos viram a ruína dos
meus inimigos.
SALMOS
[55]
1 Dá ouvidos, ó Deus, à minha
oração, e não te escondas da minha súplica.
2 Atende-me, e ouve-me; agitado estou, e ando perplexo,
3 por causa do clamor do inimigo e da opressão do ímpio; pois lançam sobre mim
iniqüidade, e com furor me perseguem.
4 O meu coração confrange-se dentro de mim, e terrores de morte sobre mim
caíram.
5 Temor e tremor me sobrevêm, e o horror me envolveu.
6 Pelo que eu disse: Ah! quem me dera asas como de pomba! então voaria, e
encontraria descanso.
7 Eis que eu fugiria para longe, e pernoitaria no deserto.
8 Apressar-me-ia a abrigar-me da fúria do vento e da tempestade.
9 Destrói, Senhor, confunde as suas línguas, pois vejo violência e contenda na
cidade.
10 Dia e noite andam ao redor dela, sobre os seus muros; também iniqüidade e
malícia estão no meio dela.
11 Há destruição lá dentro; opressão e fraude não se apartam das suas ruas.
12 Pois não é um inimigo que me afronta, então eu poderia suportá-lo; nem é um
adversário que se exalta contra mim, porque dele poderia esconder-me;
13 mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu amigo íntimo.
14 Conservávamos juntos tranqüilamente, e em companhia andávamos na casa de
Deus.
15 A morte os assalte, e vivos desçam ao Seol; porque há maldade na sua morada,
no seu próprio íntimo.
16 Mas eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará.
17 De tarde, de manhã e ao meio-dia me queixarei e me lamentarei; e ele ouvirá
a minha voz.
18 Livrará em paz a minha vida, de modo que ninguém se aproxime de mim; pois há
muitos que contendem contra mim.
19 Deus ouvirá; e lhes responderá aquele que está entronizado desde a
antigüidade; porque não há neles nenhuma mudança, e tampouco temem a Deus.
20 Aquele meu companheiro estendeu a sua mão contra os que tinham paz com ele;
violou o seu pacto.
21 A sua fala era macia como manteiga, mas no seu coração havia guerra; as suas
palavras eram mais brandas do que o azeite, todavia eram espadas
desembainhadas.
22 Lança o teu fardo sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o
justo seja abalado.
23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de
traição não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.
SALMOS
[56]
1 Compadece-te de mim, ó
Deus, pois homens me calcam aos pés e, pelejando, me aflingem o dia todo.
2 Os meus inimigos me calcam aos pés o dia todo, pois são muitos os que
insolentemente pelejam contra mim.
3 No dia em que eu temer, hei de confiar em ti.
4 Em Deus, cuja palavra eu lovo, em Deus ponho a minha confiança e não terei
medo;
5 Todos os dias torcem as minhas palavras; todos os seus pensamentos são contra
mim para o mal.
6 Ajuntam-se, escondem-se, espiam os meus passos, como que aguardando a minha
morte.
7 Escaparão eles por meio da sua iniqüidade? Ó Deus, derruba os povos na tua
ira!
8 Tu contaste as minhas aflições; põe as minhas lágrimas no teu odre; não estão
elas no teu livro?
9 No dia em que eu te invocar retrocederão os meus inimigos; isto eu sei, que
Deus está comigo.
10 Em Deus, cuja palavra eu louvo, no Senhor, cuja palavra eu louvo,
11 em Deus ponho a minha confiança, e não terei medo; que me pode fazer o
homem?
12 Sobre mim estão os votos que te fiz, ó Deus; eu te oferecerei ações de
graças;
13 pois tu livraste a minha alma da morte. Não livraste também os meus pés de
tropeçarem, para que eu ande diante de Deus na luz da vida?
SALMOS
[57]
1 Compadece-te de mim, ó
Deus, compadece-te de mim, pois em ti se refugia a minha alma; à sombra das
tuas asas me refugiarei, até que passem as calamidades.
2 Clamarei ao Deus altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa.
3 Ele do céu enviará seu auxílio , e me salvará, quando me ultrajar aquele que
quer calçar-me aos pés. Deus enviará a sua misericórdia e a sua verdade.
4 Estou deitado no meio de leões; tenho que deitar-me no meio daqueles que
respiram chamas, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e cuja
língua é espada afiada.
5 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; seja a tua glória sobre toda a terra.
6 Armaram um laço para os meus passos, a minha alma ficou abatida; cavaram uma
cova diante de mim, mas foram eles que nela caíram.
7 Resoluto está o meu coração, ó Deus, resoluto está o meu coração; cantarei,
sim, cantarei louvores.
8 Desperta, minha alma; despertai, alaúde e harpa; eu mesmo despertarei a
aurora.
9 Louvar-te-ei, Senhor, entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações.
10 Pois a tua benignidade é grande até os céus, e a tua verdade até as nuvens.
11 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e seja a tua glória sobre a terra.
SALMOS
[58]
1 Falais deveras o que é
reto, vós os poderosos? Julgais retamente, ó filhos dos homens?
2 Não, antes no coração forjais iniqüidade; sobre a terra fazeis pesar a
violência das vossas mãos.
3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram,
proferindo mentiras.
4 Têm veneno semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que
tapa os seus ouvidos,
5 de sorte que não ouve a voz dos encantadores, nem mesmo do encantador perito
em encantamento.
6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes na sua boca; arranca, Senhor, os caninos aos
filhos dos leões.
7 Sumam-se como águas que se escoam; sejam pisados e murcham como a relva
macia.
8 Sejam como a lesma que se derrete e se vai; como o aborto de mulher, que
nunca viu o sol.
9 Que ele arrebate os espinheiros antes que cheguem a aquecer as vossas
panelas, assim os verdes, como os que estão ardendo.
10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do
ímpio.
11 Então dirão os homens: Deveras há uma recompensa para o justo; deveras há um
Deus que julga na terra.
SALMOS
[59]
1 Livra-me, Deus meu, dos
meus inimigos; protege-me daqueles que se levantam contra mim.
2 Livra-me do que praticam a iniqüidade, e salva-me dos homens sanguinários.
3 Pois eis que armam ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não
por transgressão minha nem por pecado meu, ó Senhor.
4 Eles correm, e se preparam, sem culpa minha; desperta para me ajudares, e
olha.
5 Tu, ó Senhor, Deus dos exércitos, Deus de Israel, desperta para punir todas
as nações; não tenhas misericórdia de nenhum dos pérfidos que praticam a
iniqüidade.
6 Eles voltam à tarde, uivam como cães, e andam rodeando a cidade.
7 Eis que eles soltam gritos; espadas estão nos seus lábios; porque (pensam
eles), quem ouve?
8 Mas tu, Senhor, te rirás deles; zombarás de todas as nações.
9 Em ti, força minha, esperarei; pois Deus é o meu alto refúgio.
10 O meu Deus com a sua benignidade virá ao meu encontro; Deus me fará ver o
meu desejo sobre os meus inimigos.
11 Não os mates, para que meu povo não se esqueça; espalha-os pelo teu poder, e
abate-os ó Senhor, escudo nosso.
12 Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios fiquem presos na
sua soberba. Pelas maldições e pelas mentiras que proferem,
13 consome-os na tua indignação; consome-os, de modo que não existem mais; para
que saibam que Deus reina sobre Jacó, até os confins da terra.
14 Eles tornam a vir à tarde, uivam como cães, e andam rodeando a cidade;
15 vagueiam buscando o que comer, e resmungam se não se fartarem.
16 Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua
benignidade, porquanto tens sido para mim uma fortaleza, e refúgio no dia da
minha angústia.
17 A ti, ó força minha, cantarei louvores; porque Deus é a minha fortaleza, é o
Deus que me mostra benignidade.
SALMOS
[60]
1 Ó Deus, tu nos rejeitaste,
tu nos esmagaste, tu tens estado indignado; oh, restabelece-nos.
2 Abalaste a terra, e a fendeste; sara as suas fendas, pois ela treme.
3 Ao teu povo fizeste ver duras coisas; fizeste-nos beber o vinho de
aturdimento.
4 Deste um estandarte aos que te temem, para o qual possam fugir de diante do
arco.
5 Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua destra, e
responde-nos.
6 Deus falou na sua santidade: Eu exultarei; repartirei Siquém e medirei o vale
de Sucote.
7 Meu é Gileade, e meu é Manassés; Efraim é o meu capacete; Judá é o meu cetro.
8 Moabe é a minha bacia de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato; sobre a
Filístia darei o brado de vitória.
9 Quem me conduzirá à cidade forte? Quem me guiará até Edom?
10 Não nos rejeitaste, ó Deus? e tu, ó Deus, não deixaste de sair com os nossos
exércitos?
11 Dá-nos auxílio contra o adversário, pois vão é o socorro da parte do homem.
12 Em Deus faremos proezas; porque é ele quem calcará aos pés os nossos
inimigos.
SALMOS
[61]
1 Ouve, ó Deus, o meu clamor;
atende à minha oração.
2 Desde a extremidade da terra clamo a ti, estando abatido o meu coração;
leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.
3 Pois tu és o meu refúgio, uma torre forte contra o inimigo.
4 Deixa-me habitar no teu tabernáculo para sempre; dá que me abrigue no
esconderijo das tuas asas.
5 Pois tu, ó Deus, ouviste os meus votos; deste-me a herança dos que temem o
teu nome.
6 Prolongarás os dias do rei; e os seus anos serão como muitas gerações.
7 Ele permanecerá no trono diante de Deus para sempre; faze que a benignidade e
a fidelidade o preservem.
8 Assim cantarei louvores ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos
de dia em dia.
SALMOS
[62]
1 Somente em Deus espera silenciosa
a minha alma; dele vem a minha salvação.
2 Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é ele a minha fortaleza; não serei
grandemente abalado.
3 Até quando acometereis um homem, todos vós, para o derrubardes, como a um
muro pendido, uma cerca prestes a cair?
4 Eles somente consultam como derrubá-lo da sua alta posição; deleitam-se em
mentiras; com a boca bendizem, mas no íntimo maldizem.
5 Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha
esperança.
6 Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha fortaleza; não serei
abalado.
7 Em Deus está a minha salvação e a minha glória; Deus é o meu forte rochedo e
o meu refúgio.
8 Confiai nele, ó povo, em todo o tempo; derramai perante ele o vosso coração;
Deus é o nosso refúgio.
9 Certamente que os filhos de Adão são vaidade, e os filhos dos homens são
desilusão; postos na balança, subiriam; todos juntos são mais leves do que um
sopro.
10 Não confieis na opressão, nem vos vanglorieis na rapina; se as vossas
riquezas aumentarem, não ponhais nelas o coração.
11 Uma vez falou Deus, duas vezes tenho ouvido isto: que o poder pertence a
Deus.
12 A ti também, Senhor, pertence a benignidade; pois retribuis a cada um
segundo a sua obra.
SALMOS
[63]
1 Ó Deus, tu és o meu Deus;
ansiosamente te busco. A minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja
muito em uma terra seca e cansada, onde não há água.
2 Assim no santuário te contemplo, para ver o teu poder e a tua glória.
3 Porquanto a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão.
4 Assim eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas mãos.
5 A minha alma se farta, como de tutano e de gordura; e a minha boca te louva
com alegres lábios.
6 quando me lembro de ti no meu leito, e medito em ti nas vigílias da noite,
7 pois tu tens sido o meu auxílio; de júbilo canto à sombra das tuas asas.
8 A minha alma se apega a ti; a tua destra me sustenta.
9 Mas aqueles que procuram a minha vida para a destruírem, irão para as
profundezas da terra.
10 Serão entregues ao poder da espada, servidão de pasto aos chacais.
11 Mas o rei se regozijará em Deus; todo o que por ele jura se gloriará, porque
será tapada a boca aos que falam a mentira.
SALMOS
[64]
1 Ouve, ó Deus, a minha voz
na minha queixa; preserva a minha voz na minha queixa; preserva a minha vida do
horror do inimigo.
2 Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do ajuntamento dos que praticam a
iniqüidade,
3 os quais afiaram a sua língua como espada, e armaram por suas flechas
palavras amargas.
4 Para em lugares ocultos atirarem sobre o íntegro; disparam sobre ele
repentinamente, e não temem.
5 Firmam-se em mau intento; falam de armar laços secretamente, e dizem: Quem
nos verá?
6 Planejam iniqüidades; ocultam planos bem traçados; pois o íntimo e o coração
do homem são inescrutáveis.
7 Mas Deus disparará sobre eles uma seta, e de repente ficarão feridos.
8 Assim serão levados a tropeçar, por causa das suas próprias línguas; todos
aqueles que os virem fugirão.
9 E todos os homens temerão, e anunciarão a obra de Deus, e considerarão a obra
de Deus, e considerarão prudentemente os seus feitos.
10 O justo se alegrará no Senhor e confiará nele, e todos os de coração reto
cantarão louvores.
SALMOS
[65]
1 A ti, ó Deus, é devido o
louvor em Sião; e a ti se pagará o voto.
2 Ó tu que ouves a oração! a ti virá toda a carne.
3 Prevalecem as iniqüidades contra mim; mas as nossas transgressões, tu as
perdoarás.
4 Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para habitar
em teus átrios! Nós seremos satisfeitos com a bondade da tua casa, do teu santo
templo.
5 Com prodígios nos respondes em justiça, ó Deus da nossa salvação, a esperança
de todas as extremidades da terra, e do mais remoto mar;
6 tu que pela tua força consolidas os montes, cingido de poder;
7 que aplacas o ruído dos mares, o ruído das suas ondas, e o tumulto dos povos.
8 Os que habitam os confins da terra são tomados de medo à vista dos teus
sinais; tu fazes exultar de júbilo as saídas da manhã e da tarde.
9 Tu visitas a terra, e a regas; grandemente e enriqueces; o rio de Deus está
cheio d'água; tu lhe dás o trigo quando assim a tens preparado;
10 enches d'água os seus sulcos, aplanando-lhes as leivas, amolecendo-a com a
chuva, e abençoando as suas novidades.
11 Coroas o ano com a tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura;
12 destilam sobre as pastagens do deserto, e os outeiros se cingem de alegria.
13 As pastagens revestem-se de rebanhos, e os vales se cobrem de trigo; por
isso eles se regozijam, por isso eles cantam.
SALMOS
[66]
1 Louvai a Deus com brados de
júbilo, todas as terras.
2 Cantai a glória do seu nome, dai glória em seu louvor.
3 Dizei a Deus: Quão tremendas são as tuas obras! pela grandeza do teu poder te
lisonjeiam os teus inimigos.
4 Toda a terra te adorará e te cantará louvores; eles cantarão o teu nome.
5 Vinde, e vede as obras de Deus; ele é tremendo nos seus feitos para com os
filhos dos homens.
6 Converteu o mar em terra seca; passaram o rio a pé; ali nos alegramos nele.
7 Ele governa eternamente pelo seu poder; os seus olhos estão sobre as nações;
não se exaltem os rebeldes.
8 Bendizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor;
9 ao que nos conserva em vida, e não consente que resvalem os nossos pés.
10 Pois tu, ó Deus, nos tens provado; tens nos refinado como se refina a prata.
11 Fizeste-nos entrar no laço; pesada carga puseste sobre os nossos lombos.
12 Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo
fogo e pela água, mas nos trouxeste a um lugar de abundância.
13 Entregarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos,
14 votos que os meus lábios pronunciaram e a minha boca prometeu, quando eu
estava na angústia.
15 Oferecer-te-ei holocausto de animais nédios, com incenso de carneiros;
prepararei novilhos com cabritos.
16 Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito
por mim.
17 A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua.
18 Se eu tivesse guardado iniqüidade no meu coração, o Senhor não me teria
ouvido;
19 mas, na verdade, Deus me ouviu; tem atendido à voz da minha oração.
20 Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem retirou de mim a sua
benignidade.
SALMOS
[67]
1 Deus se compadeça de nós e
nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós,
2 para que se conheça na terra o seu caminho e entre todas as nações a sua
salvação.
3 Louvem-te, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgas os povos com eqüidade, e
guias as nações sobre a terra.
5 Louvem-te, ó Deus, os povos; louvem os povos todos.
6 A terra tem produzido o seu fruto; e Deus, o nosso Deus, tem nos abençoado.
7 Deus nos tem abençoado; temam-no todas as extremidades da terra!
SALMOS
[68]
1 Levanta-se Deus! Sejam
dispersos os seus inimigos; fujam de diante dele os que o odeiam!
2 Como é impelida a fumaça, assim tu os impeles; como a cera se derrete diante
do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus.
3 Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e se encham de
júbilo.
4 Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que cavalga sobre
as nuvens, pois o seu nome é Já; exultai diante dele.
5 Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus na sua santa morada.
6 Deus faz que o solitário viva em família; liberta os presos e os faz prosperar;
mas os rebeldes habitam em terra árida.
7 Ó Deus! quando saías à frente do teu povo, quando caminhavas pelo deserto,
8 a terra se abalava e os céus gotejavam perante a face de Deus; o próprio
Sinai tremeu na presença de Deus, do Deus de Israel.
9 Tu, ó Deus, mandaste copiosa chuva; restauraste a tua herança, quando estava
cansada.
10 Nela habitava o teu rebanho; da tua bondade, ó Deus, proveste o pobre.
11 O Senhor proclama a palavra; grande é a companhia dos que anunciam as
boas-novas.
12 Reis de exércitos fogem, sim, fogem; as mulheres em casa repartem os
despojos.
13 Deitados entre redis, sois como as asas da pomba cobertas de prata, com as
suas penas de ouro amarelo.
14 Quando o Todo-Poderoso ali dispersou os reis, caiu neve em Zalmom.
15 Monte grandíssimo é o monte de Basã; monte de cimos numerosos é o monte de
Basã!
16 Por que estás, ó monte de cimos numerosos, olhando com inveja o monte que
Deus desejou para sua habitação? Na verdade o Senhor habitará nele eternamente.
17 Os carros de Deus são miríades, milhares de milhares. O Senhor está no meio
deles, como em Sinai no santuário.
18 Tu subiste ao alto, levando os teus cativos; recebeste dons dentre os
homens, e até dentre os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre eles.
19 Bendito seja o Senhor, que diariamente leva a nossa carga, o Deus que é a
nossa salvação.
20 Deus é para nós um Deus de libertação; a Jeová, o Senhor, pertence o
livramento da morte.
21 Mas Deus esmagará a cabeça de seus inimigos, o crânio cabeludo daquele que
prossegue em suas culpas.
22 Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basã; fá-los-ei voltar das profundezas
do mar;
23 para que mergulhes o teu pé em sangue, e para que a língua dos teus cães
tenha dos inimigos o seu quinhão.
24 Viu-se, ó Deus, a tua entrada, a entrada do meu Deus, meu Rei, no santuário.
25 Iam na frente os cantores, atrás os tocadores de instrumentos, no meio as
donzelas que tocavam adufes.
26 Bendizei a Deus nas congregações, ao Senhor, vós que sois da fonte de
Israel.
27 Ali está Benjamim, o menor deles, na frente; os chefes de Judá com o seu
ajuntamento; os chefes de Judá com o seu ajuntamento; os chefes de Zebulom e os
chefes de Naftali.
28 Ordena, ó Deus, a tua força; confirma, ó Deus, o que já fizeste por nós.
29 Por amor do teu templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes.
30 Repreende as feras dos caniçais, a multidão dos touros, com os bezerros dos
povos. Calca aos pés as suas peças de prata; dissípa os povos que se deleitam
na guerra.
31 Venham embaixadores do Egito; estenda a Etiópia ansiosamente as mãos para
Deus.
32 Reinos da terra, cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor,
33 àquele que vai montado sobre os céus dos céus, que são desde a antigüidade;
eis que faz ouvir a sua voz, voz veemente.
34 Atribuí a Deus força; sobre Israel está a sua excelência, e a sua força nos
firmamento.
35 Ó Deus, tu és tremendo desde o teu santuário; o Deus de Israel, ele dá força
e poder ao seu povo. Bendito seja Deus!
SALMOS
[69]
1 Salva-me, ó Deus, pois as
águas me sobem até o pescoço.
2 Atolei-me em profundo lamaçal, onde não se pode firmar o pé; entrei na
profundeza das águas, onde a corrente me submerge.
3 Estou cansado de clamar; secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de
esperar por meu Deus.
4 Aqueles que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça;
poderosos são aqueles que procuram destruir-me, que me atacam com mentiras; por
isso tenho de restituir o que não extorqui.
5 Tu, ó Deus, bem conheces a minha estultícia, e as minhas culpas não são
ocultas.
6 Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor
Deus dos exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te
buscam, ó Deus de Israel.
7 Porque por amor de ti tenho suportado afrontas; a confusão me cobriu o rosto.
8 Tornei-me como um estranho para os meus irmãos, e um desconhecido para os
filhos de minha mãe.
9 Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram
sobre mim.
10 Quando chorei e castiguei com jejum a minha alma, isto se me tornou em
afrontas.
11 Quando me vesti de cilício, fiz-me para eles um provérbio.
12 Aqueles que se sentem à porta falam de mim; e sou objeto das cantigas dos
bêbedos.
13 Eu, porém, faço a minha oração a ti, ó Senhor, em tempo aceitável; ouve-me,
ó Deus, segundo a grandeza da tua benignidade, segundo a fidelidade da tua
salvação.
14 Tira-me do lamaçal, e não me deixes afundar; seja eu salvo dos meus
inimigos, e das profundezas das águas.
15 Não me submerja a corrente das águas e não me trague o abismo, nem cerre a
cova a sua boca sobre mim.
16 Ouve-me, Senhor, pois grande é a tua benignidade; volta-te para mim segundo
a tua muitíssima compaixão.
17 Não escondas o teu rosto do teu servo; ouve-me depressa, pois estou
angustiado.
18 Aproxima-te da minha alma, e redime-a; resgata-me por causa dos meus
inimigos.
19 Tu conheces o meu opróbrio, a minha vergonha, e a minha ignomínia; diante de
ti estão todos os meus adversários.
20 Afrontas quebrantaram-me o coração, e estou debilitado. Esperei por alguém
que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os
achei.
21 Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre.
22 Torne-se a sua mesa diante deles em laço, e sejam-lhes as suas ofertas
pacíficas uma armadilha.
23 Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, e faze com que os seus
lombos tremam constantemente.
24 Derrama sobre eles a tua indignação, e apanhe-os o ardor da tua ira.
25 Fique desolada a sua habitação, e não haja quem habite nas suas tendas.
26 Pois perseguem a quem afligiste, e aumentam a dor daqueles a quem feriste.
27 Acrescenta iniqüidade à iniqüidade deles, e não encontrem eles absolvição na
tua justiça.
28 Sejam riscados do livro da vida, e não sejam inscritos com os justos.
29 Eu, porém, estou aflito e triste; a tua salvação, ó Deus, me ponha num alto
retiro.
30 Louvarei o nome de Deus com um cântico, e engrandecê-lo-ei com ação de
graças.
31 Isto será mais agradável ao Senhor do que um boi, ou um novilho que tem
pontas e unhas.
32 Vejam isto os mansos, e se alegrem; vós que buscais a Deus reviva o vosso
coração.
33 Porque o Senhor ouve os necessitados, e não despreza os seus, embora sejam
prisioneiros.
34 Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo quanto neles se move.
35 Porque Deus salvará a Sião, e edificará as cidades de Judá, e ali habitarão
os seus servos e a possuirão.
36 E herdá-la-á a descendência de seus servos, e os que amam o seu nome
habitarão nela.
SALMOS
[70]
1 Apressa-te, ó Deus, em me
livrar; Senhor, apressa-te em socorrer-me.
2 Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram tirar-me a vida; tornem
atrás e confundam-se os que me desejam o mal.
3 Sejam cobertos de vergonha os que dizem: Ah! Ah!
4 Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aqueles que amam a tua
salvação digam continuamente: engrandecido seja Deus.
5 Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te em me valer, ó Deus. Tu és
o meu amparo e o meu libertador; Senhor, não te detenhas.
SALMOS
[71]
1 Em ti, Senhor, me refugio;
nunca seja eu confundido.
2 Na tua justiça socorre-me e livra-me; inclina os teus ouvidos para mim, e
salva-me.
3 Sê tu para mim uma rocha de refúgio a que sempre me acolha; deste ordem para
que eu seja salvo, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.
4 Livra-me, Deus meu, da mão do ímpio, do poder do homem injusto e cruel,
5 Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a
minha mocidade.
6 Em ti me tenho apoiado desde que nasci; tu és aquele que me tiraste das
entranhas de minha mãe. O meu louvor será teu constantemente.
7 Sou para muitos um assombro, mas tu és o meu refúgio forte.
8 A minha boca se enche do teu louvor e da tua glória continuamente.
9 Não me enjeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se forem
acabando as minhas forças.
10 Porque os meus inimigos falam de mim, e os que espreitam a minha vida
consultam juntos,
11 dizendo: Deus o desamparou; persegui-o e prendei-o, pois não há quem o
livre.
12 Ó Deus, não te alongues de mim; meu Deus, apressa-te em socorrer-me.
13 Sejam envergonhados e consumidos os meus adversários; cubram-se de opróbrio
e de confusão aqueles que procuram o meu mal.
14 Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais.
15 A minha boca falará da tua justiça e da tua salvação todo o dia, posto que
não conheça a sua grandeza.
16 Virei na força do Senhor Deus; farei menção da tua justiça, da tua tão
somente.
17 Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho anunciado as
tuas maravilhas.
18 Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus,
até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os
vindouros.
19 A tua justiça, ó Deus, atinge os altos céus; tu tens feito grandes coisas; ó
Deus, quem é semelhante a ti?
20 Tu, que me fizeste ver muitas e penosas tribulações, de novo me restituirás
a vida, e de novo me tirarás dos abismos da terra.
21 Aumentarás a minha grandeza, e de novo me consolarás.
22 Também eu te louvarei ao som do saltério, pela tua fidelidade, ó meu Deus;
cantar-te-ei ao som da harpa, ó Santo de Israel.
23 Os meus lábios exultarão quando eu cantar os teus louvores, assim como a
minha alma, que tu remiste.
24 Também a minha língua falará da tua justiça o dia todo; pois estão
envergonhados e confundidos aqueles que procuram o meu mal.
SALMOS
[72]
1 Ó Deus, dá ao rei os teus
juízes, e a tua justiça ao filho do rei.
2 Julgue ele o teu povo com justiça, e os teus pobres com eqüidade.
3 Que os montes tragam paz ao povo, como também os outeiros, com justiça.
4 Julgue ele os aflitos do povo, salve os filhos do necessitado, e esmague o
opressor.
5 Viva ele enquanto existir o sol, e enquanto durar a lua, por todas as
gerações.
6 Desça como a chuva sobre o prado, como os chuveiros que regam a terra.
7 Nos seus dias floreça a justiça, e haja abundância de paz enquanto durar a
lua.
8 Domine de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades da terra.
9 Inclinem-se diante dele os seus adversários, e os seus inimigos lambam o pó.
10 Paguem-lhe tributo os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Seba
ofereçam-lhe dons.
11 Todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam.
12 Porque ele livra ao necessitado quando clama, como também ao aflito e ao que
não tem quem o ajude.
13 Compadece-se do pobre e do necessitado, e a vida dos necessitados ele salva.
14 Ele os liberta da opressão e da violência, e precioso aos seus olhos é o
sangue deles.
15 Viva, pois, ele; e se lhe dê do ouro de Sabá; e continuamente se faça por
ele oração, e o bendigam em todo o tempo.
16 Haja abundância de trigo na terra sobre os cumes dos montes; ondule o seu
fruto como o Líbano, e das cidades floresçam homens como a erva da terra.
17 Permaneça o seu nome eternamente; continue a sua fama enquanto o sol durar,
e os homens sejam abençoados nele; todas as nações o chamem bem-aventurado.
18 Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas.
19 Bendito seja para sempre o seu nome glorioso, e encha-se da sua glória toda
a terra. Amém e amém.
20 Findam aqui as orações de Davi, filho de Jessé.
SALMOS
[73]
1 Verdadeiramente bom é Deus
para com Israel, para com os limpos de coração.
2 Quanto a mim, os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus
passos escorregassem.
3 Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios.
4 Porque eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo.
5 Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os
demais homens.
6 Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre
como um vestido.
7 Os olhos deles estão inchados de gordura; trasbordam as fantasias do seu
coração.
8 Motejam e falam maliciosamente; falam arrogantemente da opressão.
9 Põem a sua boca contra os céus, e a sua língua percorre a terra.
10 Pelo que o povo volta para eles e não acha neles falta alguma.
11 E dizem: Como o sabe Deus? e: Há conhecimento no Altíssimo?
12 Eis que estes são ímpios; sempre em segurança, aumentam as suas riquezas.
13 Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração e lavado as minhas mãos
na inocência,
14 pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã.
15 Se eu tivesse dito: Também falarei assim; eis que me teria havido
traiçoeiramente para com a geração de teus filhos.
16 Quando me esforçava para compreender isto, achei que era tarefa difícil para
mim,
17 até que entrei no santuário de Deus; então percebi o fim deles.
18 Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína.
19 Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores.
20 Como faz com um sonho o que acorda, assim, ó Senhor, quando acordares,
desprezarás as suas fantasias.
21 Quando o meu espírito se amargurava, e sentia picadas no meu coração,
22 estava embrutecido, e nada sabia; era como animal diante de ti.
23 Todavia estou sempre contigo; tu me seguras a mão direita.
24 Tu me guias com o teu conselho, e depois me receberás em glória.
25 A quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de
ti.
26 A minha carne e o meu coração desfalecem; do meu coração, porém, Deus é a
fortaleza, e o meu quinhão para sempre.
27 Pois os que estão longe de ti perecerão; tu exterminas todos aqueles que se
desviam de ti.
28 Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; ponho a minha confiança no Senhor
Deus, para anunciar todas as suas obras.
SALMOS
[74]
1 Ó Deus, por que nos
rejeitaste para sempre? Por que se acende a tua ira contra o rebanho do teu
pasto?
2 Lembra-te da tua congregação, que compraste desde a antigüidade, que remiste
para ser a tribo da tua herança, e do monte Sião, em que tens habitado.
3 Dirige os teus passos para as perpétuas ruínas, para todo o mal que o inimigo
tem feito no santuário.
4 Os teus inimigos bramam no meio da tua assembléia; põem nela as suas
insígnias por sinais.
5 A entrada superior cortaram com machados a grade de madeira.
6 Eis que toda obra entalhada, eles a despedaçaram a machados e martelos.
7 Lançaram fogo ao teu santuário; profanaram, derrubando-a até o chão, a morada
do teu nome.
8 Disseram no seu coração: Despojemo-la duma vez. Queimaram todas as sinagogas
de Deus na terra.
9 Não vemos mais as nossas insígnias, não há mais profeta; nem há entre nós
alguém que saiba até quando isto durará.
10 Até quando, ó Deus, o adversário afrontará? O inimigo ultrajará o teu nome
para sempre?
11 Por que reténs a tua mão, sim, a tua destra? Tira-a do teu seio, e
consome-os.
12 Todavia, Deus é o meu Rei desde a antigüidade, operando a salvação no meio
da terra.
13 Tu dividiste o mar pela tua força; esmigalhaste a cabeça dos monstros
marinhos sobre as águas.
14 Tu esmagaste as cabeças do leviatã, e o deste por mantimento aos habitantes
do deserto.
15 Tu abriste fontes e ribeiros; tu secaste os rios perenes.
16 Teu é o dia e tua é a noite: tu preparaste a luz e o sol.
17 Tu estabeleceste todos os limites da terra; verão e inverno, tu os fizeste.
18 Lembra-te disto: que o inimigo te afrontou, ó Senhor, e que um povo
insensato ultrajou o teu nome.
19 Não entregues às feras a alma da tua rola; não te esqueça para sempre da
vida dos teus aflitos.
20 Atenta para o teu pacto, pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios
das moradas de violência.
21 Não volte envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o
necessitado.
22 Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te da afronta que o
insensato te faz continuamente.
23 Não te esqueças da gritaria dos teus adversários; o tumulto daqueles que se
levantam contra ti sobe continuamente.
SALMOS
[75]
1 Damos-te graças, ó Deus,
damos-te graças, pois o teu nome está perto; os que invocam o teu nome anunciam
as tuas maravilhas.
2 Quando chegar o tempo determinado, julgarei retamente.
3 Dissolve-se a terra e todos os seus moradores, mas eu lhe fortaleci as
colunas.
4 Digo eu aos arrogantes: Não sejais arrogantes; e aos ímpios: Não levanteis a
fronte;
5 não levanteis ao alto a vossa fronte, nem faleis com arrogância.
6 Porque nem do oriente, nem do ocidente, nem do deserto vem a exaltação.
7 Mas Deus é o que julga; a um abate, e a outro exalta.
8 Porque na mão do Senhor há um cálice, cujo vinho espuma, cheio de mistura, do
qual ele dá a beber; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as
suas fezes.
9 Mas, quanto a mim, exultarei para sempre, cantarei louvores ao Deus de Jacó.
10 E quebrantarei todas as forças dos ímpios, mas as forças dos justos serão
exaltadas.
SALMOS
[76]
1 Conhecido é Deus em Judá,
grande é o seu nome em Israel.
2 Em Salém está a sua tenda, e a sua morada em Sião.
3 Ali quebrou ele as flechas do arco, o escudo, a espada, e a guerra.
4 Glorioso és tu, mais majestoso do que os montes eternos.
5 Os ousados de coração foram despojados; dormiram o seu último sono; nenhum
dos homens de força pôde usar as mãos.
6 Â tua repreensão, ó Deus de Jacó, cavaleiros e cavalos ficaram estirados sem
sentidos.
7 Tu, sim, tu és tremendo; e quem subsistirá à tua vista, quando te irares?
8 Desde o céu fizeste ouvir o teu juízo; a terra tremeu e se aquietou,
9 quando Deus se levantou para julgar, para salvar a todos os mansos da terra.
10 Na verdade a cólera do homem redundará em teu louvor, e do restante da
cólera tu te cingirás.
11 Fazei votos, e pagai-os ao Senhor, vosso Deus; tragam presentes, os que
estão em redor dele, àquele que deve ser temido.
12 Ele ceifará o espírito dos príncipes; é tremendo para com os reis da terra.
SALMOS
[77]
1 Levanto a Deus a minha voz;
a Deus levanto a minha voz, para que ele me ouça.
2 No dia da minha angústia busco ao Senhor; de noite a minha mão fica estendida
e não se cansa; a minha alma recusa ser consolada.
3 Lembro-me de Deus, e me lamento; queixo-me, e o meu espírito desfalece.
4 Conservas vigilantes os meus olhos; estou tão perturbado que não posso falar.
5 Considero os dias da antigüidade, os anos dos tempos passados.
6 De noite lembro-me do meu cântico; consulto com o meu coração, e examino o
meu espírito.
7 Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favorável?
8 Cessou para sempre a sua benignidade? Acabou-se a sua promessa para todas as
gerações
9 Esqueceu-se Deus de ser compassivo? Ou na sua ira encerrou ele as suas ternas
misericórdias?
10 E eu digo: Isto é minha enfermidade; acaso se mudou a destra do Altíssimo?
11 Recordarei os feitos do Senhor; sim, me lembrarei das tuas maravilhas da
antigüidade.
12 Meditarei também em todas as tuas obras, e ponderarei os teus feitos
poderosos
13 O teu caminho, ó Deus, é em santidade; que deus é grande como o nosso Deus?
14 Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu tens feito notória a tua força entre
os povos.
15 Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José.
16 As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também
se abalaram.
17 As nuvens desfizeram-se em água; os céus retumbaram; as tuas flechas também
correram de uma para outra parte.
18 A voz do teu trovão estava no redemoinho; os relâmpagos alumiaram o mundo; a
terra se abalou e tremeu.
19 Pelo mar foi teu caminho, e tuas veredas pelas grandes águas; e as tuas
pegadas não foram conhecidas.
20 Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão.
SALMOS
[78]
1 Escutai o meu ensino, povo
meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
2 Abrirei a minha boca numa parábola; proporei enigmas da antigüidade,
3 coisas que temos ouvido e sabido, e que nossos pais nos têm contado.
4 Não os encobriremos aos seus filhos, cantaremos às gerações vindouras os
louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que tem feito.
5 Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel,
as quais coisas ordenou aos nossos pais que as ensinassem a seus filhos;
6 para que as soubesse a geração vindoura, os filhos que houvesse de nascer, os
quais se levantassem e as contassem a seus filhos,
7 a fim de que pusessem em Deus a sua esperança, e não se esquecessem das obras
de Deus, mas guardassem os seus mandamentos;
8 e que não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração de
coração instável, cujo espírito não foi fiel para com Deus.
9 Os filhos de Efraim, armados de arcos, retrocederam no dia da peleja.
10 Não guardaram o pacto de Deus, e recusaram andar na sua lei;
11 esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.
12 Maravilhas fez ele à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoá.
13 Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como
um montão.
14 Também os guiou de dia por uma nuvem, e a noite toda por um clarão de fogo.
15 Fendeu rochas no deserto, e deu-lhes de beber abundantemente como de grandes
abismos.
16 Da penha fez sair fontes, e fez correr águas como rios.
17 Todavia ainda prosseguiram em pecar contra ele, rebelando-se contra o
Altíssimo no deserto.
18 E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo comida segundo o seu apetite.
19 Também falaram contra Deus, dizendo: Poderá Deus porventura preparar uma
mesa no deserto? Acaso fornecerá carne para o seu povo?
20 Pelo que o Senhor, quando os ouviu, se indignou; e acendeu um fogo contra
Jacó, e a sua ira subiu contra Israel;
21 Pelo que o Senhor, quando os ouviu, se indignou; e acendeu um fogo contra
Jacó, e a sua ira subiu contra Israel;
22 porque não creram em Deus nem confiaram na sua salvação.
23 Contudo ele ordenou às nuvens lá em cima, e abriu as portas dos céus;
24 fez chover sobre eles maná para comerem, e deu-lhes do trigo dos céus.
25 Cada um comeu o pão dos poderosos; ele lhes mandou comida em abundância.
26 Fez soprar nos céus o vento do oriente, e pelo seu poder trouxe o vento sul.
27 Sobre eles fez também chover carne como poeira, e aves de asas como a areia
do mar;
28 e as fez cair no meio do arraial deles, ao redor de suas habitações.
29 Então comeram e se fartaram bem, pois ele lhes trouxe o que cobiçavam.
30 Não refrearam a sua cobiça. Ainda lhes estava a comida na boca,
31 quando a ira de Deus se levantou contra eles, e matou os mais fortes deles,
e prostrou os escolhidos de Israel.
32 Com tudo isso ainda pecaram, e não creram nas suas maravilhas.
33 Pelo que consumiu os seus dias como um sopo, e os seus anos em repentino
terror.
34 Quando ele os fazia morrer, então o procuravam; arrependiam-se, e de
madrugada buscavam a Deus.
35 Lembravam-se de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo o seu Redentor.
36 Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam.
37 Pois o coração deles não era constante para com ele, nem foram eles fiéis ao
seu pacto.
38 Mas ele, sendo compassivo, perdoou a sua iniqüidade, e não os destruiu;
antes muitas vezes desviou deles a sua cólera, e não acendeu todo o seu furor.
39 Porque se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta.
40 Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto, e o ofenderam no ermo!
41 Voltaram atrás, e tentaram a Deus; e provocaram o Santo de Israel.
42 Não se lembraram do seu poder, nem do dia em que os remiu do adversário,
43 nem de como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de
Zoã,
44 convertendo em sangue os seus rios, para que não pudessem beber das suas
correntes.
45 Também lhes mandou enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os
destruíram.
46 Entregou às lagartas as novidades deles, e o fruto do seu trabalho aos
gafanhotos.
47 Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros com chuva de pedra.
48 Também entregou à saraiva o gado deles, e aos coriscos os seus rebanhos.
49 E atirou sobre eles o ardor da sua ira, o furor, a indignação, e a angústia,
qual companhia de anjos destruidores.
50 Deu livre curso à sua ira; não os poupou da morte, mas entregou a vida deles
à pestilência.
51 Feriu todo primogênito no Egito, primícias da força deles nas tendas de Cão.
52 Mas fez sair o seu povo como ovelhas, e os guiou pelo deserto como a um
rebanho.
53 Guiou-os com segurança, de sorte que eles não temeram; mas aos seus
inimigos, o mar os submergiu.
54 Sim, conduziu-os até a sua fronteira santa, até o monte que a sua destra
adquirira.
55 Expulsou as nações de diante deles; e dividindo suas terras por herança, fez
habitar em suas tendas as tribos de Israel.
56 Contudo tentaram e provocaram o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus
testemunhos.
57 Mas tornaram atrás, e portaram-se aleivosamente como seus pais; desviaram-se
como um arco traiçoeiro.
58 Pois o provocaram à ira com os seus altos, e o incitaram a zelos com as suas
imagens esculpidas.
59 Ao ouvir isso, Deus se indignou, e sobremodo abominou a Israel.
60 Pelo que desamparou o tabernáculo em Siló, a tenda da sua morada entre os
homens,
61 dando a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo.
62 Entregou o seu povo à espada, e encolerizou-se contra a sua herança.
63 Aos seus mancebos o fogo devorou, e suas donzelas não tiveram cântico
nupcial.
64 Os seus sacerdotes caíram à espada, e suas viúvas não fizeram pranto.
65 Então o Senhor despertou como dum sono, como um valente que o vinho
excitasse.
66 E fez recuar a golpes os seus adversários; infligiu-lhes eterna ignomínia.
67 Além disso, rejeitou a tenda de José, e não escolheu a tribo de Efraim;
68 antes escolheu a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava.
69 Edificou o seu santuário como os lugares elevados, como a terra que fundou
para sempre.
70 Também escolheu a Davi, seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas;
71 de após as ovelhas e suas crias o trouxe, para apascentar a Jacó, seu povo,
e a Israel, sua herança.
72 E ele os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou com a
perícia de suas mãos.
SALMOS
[79]
1 Ó Deus, as nações invadiram
a tua herança; contaminaram o teu santo templo; reduziram Jerusalém a ruínas.
2 Deram os cadáveres dos teus servos como pastos às aves dos céus, e a carne
dos teus santos aos animais da terra.
3 Derramaram o sangue deles como água ao redor de Jerusalém, e não houve quem
os sepultasse.
4 Somos feitos o opróbrio dos nossos vizinhos, o escárnio e a zombaria dos que
estão em redor de nós.
5 Até quando, Senhor? Indignar-te-ás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?
6 Derrama o teu furor sobre as nações que não te conhecem, e sobre os reinos
que não invocam o teu nome;
7 porque eles devoraram a Jacó, e assolaram a sua morada.
8 Não te lembres contra nós das iniqüidades de nossos pais; venha depressa ao
nosso encontro a tua compaixão, pois estamos muito abatidos.
9 Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; livra-nos, e perdoa
os nossos pecados, por amor do teu nome.
10 Por que diriam as nações: Onde está o seu Deus? Torne-se manifesta entre as
nações, à nossa vista, a vingança do sangue derramado dos teus servos.
11 Chegue à tua presença o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço,
preserva aqueles que estão condenados à morte.
12 E aos nossos vizinhos, deita-lhes no regaço, setuplicadamente, a injúria com
que te injuriaram, Senhor.
13 Assim nós, teu povo ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de
geração em geração publicaremos os teus louvores.
SALMOS
[80]
1 Ó pastor de Israel, dá
ouvidos; tu, que guias a José como a um rebanho, que estás entronizado sobre os
querubins, resplandece.
2 Perante Efraim, Benjamim e Manassés, desperta o teu poder, e vem salvar-nos.
3 Reabilita-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos
salvos.
4 Ó Senhor Deus dos exércitos, até quando te indignarás contra a oração do teu
povo?
5 Tu os alimentaste com pão de lágrimas, e lhes deste a beber lágrimas em
abundância.
6 Tu nos fazes objeto de escárnio entre os nossos vizinhos; e os nossos
inimigos zombam de nós entre si.
7 Reabilita-nos, ó Deus dos exércitos; faze resplandecer o teu rosto, para que
sejamos salvos.
8 Trouxeste do Egito uma videira; lançaste fora as nações, e a plantaste.
9 Preparaste-lhe lugar; e ela deitou profundas raízes, e encheu a terra.
10 Os montes cobriram-se com a sua sombra, e os cedros de Deus com os seus
ramos.
11 Ela estendeu a sua ramagem até o mar, e os seus rebentos até o Rio.
12 Por que lhe derrubaste as cercas, de modo que a vindimam todos os que passam
pelo caminho?
13 O javali da selva a devasta, e as feras do campo alimentam-se dela.
14 Ó Deus dos exércitos, volta-te, nós te rogamos; atende do céu, e vê, e
visita esta videira,
15 a videira que a tua destra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti.
16 Está queimada pelo fogo, está cortada; eles perecem pela repreensão do teu
rosto.
17 Seja a tua mão sobre o varão da tua destra, sobre o filho do homem que
fortificaste para ti.
18 E não nos afastaremos de ti; vivifica-nos, e nós invocaremos o teu nome.
19 Reabilita-nos, Senhor Deus dos exércitos; faze resplandecer o teu rosto,
para que sejamos salvos.
SALMOS
[81]
1 Cantai alegremente a Deus,
nossa fortaleza; erguei alegres vozes ao Deus de Jacó.
2 Entoai um salmo, e fazei soar o adufe, a suave harpa e o saltério.
3 Tocai a trombeta pela lua nova, pela lua cheia, no dia da nossa festa.
4 Pois isso é um estatuto para Israel, e uma ordenança do Deus de Jacó.
5 Ordenou-o por decreto em José, quando saiu contra a terra do Egito. Ouvi uma
voz que não conhecia, dizendo:
6 Livrei da carga o seu ombro; as suas mãos ficaram livres dos cestos.
7 Na angústia clamaste e te livrei; respondi-te no lugar oculto dos trovões;
provei-te junto às águas de Meribá.
8 Ouve-me, povo meu, e eu te admoestarei; ó Israel, se me escutasses!
9 não haverá em ti deus estranho, nem te prostrarás ante um deus estrangeiro.
10 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua
boca, e eu a encherei.
11 Mas o meu povo não ouviu a minha voz, e Israel não me quis.
12 Pelo que eu os entreguei à obstinação dos seus corações, para que andassem
segundo os seus próprios conselhos.
13 Oxalá me escutasse o meu povo! oxalá Israel andasse nos meus caminhos!
14 Em breve eu abateria os seus inimigos, e voltaria a minha mão contra os seus
adversários.
15 Os que odeiam ao Senhor o adulariam, e a sorte deles seria eterna.
16 E eu te sustentaria com o trigo mais fino; e com o mel saído da rocha eu te
saciaria.
SALMOS
[82]
1 Deus está na assembléia
divina; julga no meio dos deuses:
2 Até quando julgareis injustamente, e tereis respeito às pessoas dos ímpios?
3 Fazei justiça ao pobre e ao órfão; procedei retamente com o aflito e o
desamparado.
4 Livrai o pobre e o necessitado, livrai-os das mãos dos ímpios.
5 Eles nada sabem, nem entendem; andam vagueando às escuras; abalam-se todos os
fundamentos da terra.
6 Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós.
7 Todavia, como homens, haveis de morrer e, como qualquer dos príncipes, haveis
de cair.
8 Levanta-te, ó Deus, julga a terra; pois a ti pertencem todas as nações.
SALMOS
[83]
1 Ó Deus, não guardes
silêncio; não te cales nem fiques impassível, ó Deus.
2 Pois eis que teus inimigos se alvoroçam, e os que te odeiam levantam a
cabeça.
3 Astutamente formam conselho contra o teu povo, e conspiram contra os teus
protegidos.
4 Dizem eles: Vinde, e apaguemo-los para que não sejam nação, nem seja lembrado
mais o nome de Israel.
5 Pois à uma se conluiam; aliam-se contra ti
6 as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos,
7 Gebal, Amom e Amaleque, e a Filístia com os habitantes de tiro.
8 Também a Assíria se ligou a eles; eles são o braço forte dos filhos de Ló.
9 Faze-lhes como fizeste a Midiã, como a Sísera, como a Jabim junto ao rio
Quisom,
10 os quais foram destruídos em En-Dor; tornaram-se esterco para a terra.
11 Faze aos seus nobres como a Orebe e a Zeebe; e a todos os seus príncipes
como a Zebá e a Zalmuna,
12 que disseram: Tomemos para nós as pastagens de Deus.
13 Deus meu, faze-os como um turbilhão de pó, como a palha diante do vento.
14 Como o fogo queima um bosque, e como a chama incedeia as montanhas,
15 assim persegue-os com a tua tempestade, e assombra-os com o teu furacão.
16 Cobre-lhes o rosto de confusão, de modo que busquem o teu nome, Senhor.
17 Sejam envergonhados e conturbados perpetuamente; sejam confundidos, e
pereçam,
18 para que saibam que só tu, cujo nome é o Senhor, és o Altíssimo sobre toda a
terra.
SALMOS
[84]
1 Quão amável são os teus tabernáculos,
ó Senhor dos exércitos!
2 A minha alma suspira! sim, desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e
a minha carne clamam pelo Deus vivo.
3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde crie os seus
filhotes, junto aos teus altares, ó Senhor dos exércitos, Rei meu e Deus meu.
4 Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente.
5 Bem-aventurados os homens cuja força está em ti, em cujo coração os caminhos
altos.
6 Passando pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes; e a primeira chuva
o cobre de bênçãos.
7 Vão sempre aumentando de força; cada um deles aparece perante Deus em Sião.
8 Senhor Deus dos exércitos, escuta a minha oração; inclina os ouvidos, ó Deus
de Jacó!
9 Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
10 Porque vale mais um dia nos teus átrios do que em outra parte mil.
Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas da
perversidade.
11 Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não
negará bem algum aos que andam na retidão.
12 Ó Senhor dos exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua
confiança.
SALMOS
[85]
1 Mostraste favor, Senhor, à
tua terra; fizeste regressar os cativos de Jacó.
2 Perdoaste a iniqüidade do teu povo; cobriste todos os seus pecados.
3 Retraíste toda a tua cólera; refreaste o ardor da tua ira.
4 Restabelece-nos, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua indignação
contra nós.
5 Estarás para sempre irado contra nós? estenderás a tua ira a todas as
gerações?
6 Não tornarás a vivificar-nos, para que o teu povo se regozije em ti?
7 Mostra-nos, Senhor, a tua benignidade, e concede-nos a tua salvação.
8 Escutarei o que Deus, o Senhor, disser; porque falará de paz ao seu povo, e
aos seus santos, contanto que não voltem à insensatez.
9 Certamente que a sua salvação está perto aqueles que o temem, para que a
glória habite em nossa terra.
10 A benignidade e a fidelidade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.
11 A fidelidade brota da terra, e a justiça olha desde o céu.
12 O Senhor dará o que é bom, e a nossa terra produzirá o seu fruto.
13 A justiça irá adiante dele, marcando o caminho com as suas pegadas.
SALMOS
[86]
1 Inclina, Senhor, os teus
ouvidos, e ouve-me, porque sou pobre e necessitado.
2 Preserva a minha vida, pois sou piedoso; o Deus meu, salva o teu servo, que
em ti confia.
3 Compadece-te de mim, ó Senhor, pois a ti clamo o dia todo.
4 Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, elevo a minha alma.
5 Porque tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade
para com todos os que te invocam.
6 Dá ouvidos, Senhor, à minha oração, e atende à voz das minhas súplicas.
7 No dia da minha angústia clamo a ti, porque tu me respondes.
8 Entre os deuses nenhum há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas.
9 Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão diante de ti, Senhor, e
glorificarão o teu nome.
10 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe o meu
coração para temer o teu nome.
11 Louvar-te-ei, Senhor Deus meu, de todo o meu coração, e glorificarei o teu
nome para sempre.
12 Pois grande é a tua benignidade para comigo, e livraste a minha alma das
profundezas do Seol.
13 Pois grande é a tua benignidade para comigo, e livraste a minha alma das profundezas
do Seol.
14 Ó Deus, os soberbos têm-se levantado contra mim, e um bando de homens
violentos procura tirar-me a vida; eles não te puseram diante dos seus olhos.
15 Mas tu, Senhor, és um Deus compassivo e benigno, longânimo, e abundante em
graça e em fidelidade.
16 Volta-te para mim, e compadece-te de mim; dá a tua força ao teu servo, e a
salva o filho da tua serva.
17 Mostra-me um sinal do teu favor, para que o vejam aqueles que me odeiam, e
sejam envergonhados, por me haveres tu, Senhor, ajuntado e confortado.
SALMOS
[87]
1 O fundamento dela está nos
montes santos.
2 O Senhor ama as portas de Sião mais do que todas as habitações de Jacó.
3 Coisas gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus.
4 Farei menção de Raabe e de Babilônia dentre os que me conhecem; eis que da
Filístia, e de Tiro, e da Etiópia, se dirá: Este nasceu ali.
5 Sim, de Sião se dirá: Este e aquele nasceram ali; e o próprio Altíssimo a
estabelecerá.
6 O Senhor, ao registrar os povos, dirá: Este nasceu ali.
7 Tanto os cantores como os que tocam instrumentos dirão: Todas as minhas
fontes estão em ti.
SALMOS
[88]
1 Ó Senhor, Deus da minha
salvação, dia e noite clamo diante de ti.
2 Chegue à tua presença a minha oração, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
3 porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima do
Seol.
4 Já estou contado com os que descem à cova; estou como homem sem forças,
5 atirado entre os finados; como os mortos que jazem na sepultura, dos quais já
não te lembras, e que são desamparados da tua mão.
6 Puseste-me na cova mais profunda, em lugares escuros, nas profundezas.
7 Sobre mim pesa a tua cólera; tu me esmagaste com todas as tuas ondas.
8 Apartaste de mim os meus conhecidos, fizeste-me abominável para eles; estou
encerrado e não posso sair.
9 Os meus olhos desfalecem por causa da aflição. Clamo a ti todo dia, Senhor,
estendendo-te as minhas mãos.
10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos? ou levantam-se os mortos para te louvar?
11 Será anunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade no Abadom?
12 Serão conhecidas nas trevas as tuas maravilhas, e a tua justiça na terra do
esquecimento?
13 Eu, porém, Senhor, clamo a ti; de madrugada a minha oração chega à tua
presença.
14 Senhor, por que me rejeitas? por que escondes de mim a tua face?
15 Estou aflito, e prestes a morrer desde a minha mocidade; sofro os teus
terrores, estou desamparado.
16 Sobre mim tem passado a tua ardente indignação; os teus terrores deram cabo
de mim.
17 Como águas me rodeiam todo o dia; cercam-me todos juntos.
18 Aparte de mim amigos e companheiros; os meus conhecidos se acham nas trevas.
SALMOS
[89]
1 Cantarei para sempre as
benignidades do Senhor; com a minha boca proclamarei a todas as gerações a tua
fidelidade.
2 Digo, pois: A tua benignidade será renovada para sempre; tu confirmarás a tua
fidelidade até nos céus, dizendo:
3 Fiz um pacto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi:
4 Estabelecerei para sempre a tua descendência, e firmarei o teu trono por
todas as gerações.
5 Os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, e a tua fidelidade na
assembléia dos santos.
6 Pois quem no firmamento se pode igualar ao Senhor? Quem entre os filhos de
Deus é semelhante ao Senhor,
7 um Deus sobremodo tremendo na assembléia dos santos, e temível mais do que
todos os que estão ao seu redor?
8 Ó Senhor, Deus dos exércitos, quem é poderoso como tu, Senhor, com a tua
fidelidade ao redor de ti?
9 Tu dominas o ímpio do mar; quando as suas ondas se levantam tu as fazes
aquietar.
10 Tu abateste a Raabe como se fora ferida de morte; com o teu braço poderoso
espalhaste os teus inimigos.
11 São teus os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os
fundaste.
12 O norte e o sul, tu os criaste; o Tabor e o Hermom regozijam-se em teu nome.
13 Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e elevado a tua destra.
14 Justiça e juízo são a base do teu trono; benignidade e verdade vão adiante
de ti.
15 Bem-aventurado o povo que conhece o som festivo, que anda, ó Senhor, na luz
da tua face,
16 que se regozija em teu nome todo o dia, e na tua justiça é exaltado.
17 Pois tu és a glória da sua força; e pelo teu favor será exaltado o nosso
poder.
18 Porque o Senhor é o nosso escudo, e o Santo de Israel é o nosso Rei.
19 Naquele tempo falaste em visão ao teu santo, e disseste: Coloquei a coroa
num homem poderoso; exaltei um escolhido dentre o povo.
20 Achei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi.
21 A minha mão será sempre com ele, e o meu braço o fortalecerá.
22 O inimigo não o surpreenderá, nem o filho da perversidade o afligirá.
23 Eu esmagarei diante dele os seus adversários, e aos que o odeiam abaterei.
24 A minha fidelidade, porém, e a minha benignidade estarão com ele, e em meu
nome será exaltado o seu poder.
25 Porei a sua mão sobre o mar, e a sua destra sobre os rios.
26 Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha
salvação.
27 Também lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei o mais excelso dos reis da
terra.
28 Conservar-lhe-ei para sempre a minha benignidade, e o meu pacto com ele
ficará firme.
29 Farei que subsista para sempre a sua descendência, e o seu trono como os
dias dos céus.
30 Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nas minhas ordenanças,
31 se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,
32 então visitarei com vara a sua transgressão, e com açoites a sua iniqüidade.
33 Mas não lhe retirarei totalmente a minha benignidade, nem faltarei com a
minha fidelidade.
34 Não violarei o meu pacto, nem alterarei o que saiu dos meus lábios.
35 Uma vez para sempre jurei por minha santidade; não mentirei a Davi.
36 A sua descendência subsistirá para sempre, e o seu trono será como o sol
diante de mim;
37 será estabelecido para sempre como a lua, e ficará firme enquanto o céu
durar.
38 Mas tu o repudiaste e rejeitaste, tu estás indignado contra o teu ungido.
39 Desprezaste o pacto feito com teu servo; profanaste a sua coroa, arrojando-a
por terra.
40 Derribaste todos os seus muros; arruinaste as suas fortificações.
41 Todos os que passam pelo caminho o despojam; tornou-se objeto de opróbrio
para os seus vizinhos.
42 Exaltaste a destra dos seus adversários; fizeste com que todos os seus
inimigos se regozijassem.
43 Embotaste o fio da sua espada, e não o sustentaste na peleja;
44 fizeste cessar o seu esplendor, e arrojaste por terra o seu trono;
45 abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha.
46 Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre? Até quando arderá a tua ira
como fogo?
47 Lembra-te de quão breves são os meus dias; de quão efêmeros criaste todos os
filhos dos homens!
48 Que homem há que viva e não veja a morte? ou que se livre do poder do Seol?
49 Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades, que juraste a Davi na tua
fidelidade?
50 Lembre-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos; e de como trago no meu peito
os insultos de todos os povos poderosos,
51 com que os teus inimigos, ó Senhor, têm difamado, com que têm difamado os
passos do teu ungido.
52 Bendito seja o Senhor para sempre. Amém e amém.
SALMOS
[90]
1 Senhor, tu tens sido o
nosso refúgio de geração em geração.
2 Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a terra e o mundo,
sim, de eternidade a eternidade tu és Deus.
3 Tu reduzes o homem ao pó, e dizes: Voltai, filhos dos homens!
4 Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como uma
vigília da noite.
5 Tu os levas como por uma torrente; são como um sono; de manhã são como a erva
que cresce;
6 de manhã cresce e floresce; à tarde corta-se e seca.
7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos conturbados.
8 Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, à luz do teu rosto os nossos
pecados ocultos.
9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos
anos como um suspiro.
10 A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez,
chegam a oitenta anos, a medida deles é canseira e enfado; pois passa
rapidamente, e nós voamos.
11 Quem conhece o poder da tua ira? e a tua cólera, segundo o temor que te é
devido?
12 Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações
sábios.
13 Volta-te para nós, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.
14 Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos
alegremos todos os nossos dias.
15 Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.
16 Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos.
17 Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós a obra
das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.
SALMOS
[91]
1 Aquele que habita no
esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará.
2 Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem
confio.
3 Porque ele te livra do laço do passarinho, e da peste perniciosa.
4 Ele te cobre com as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio; a
sua verdade é escudo e broquel.
5 Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voe de dia,
6 nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia.
7 Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás
atingido.
8 Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
9 Porquanto fizeste do Senhor o teu refúgio, e do Altíssimo a tua habitação,
10 nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos
os teus caminhos.
12 Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.
13 Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
14 Pois que tanto me amou, eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque ele
conhece o meu nome.
15 Quando ele me invocar, eu lhe responderei; estarei com ele na angústia,
livrá-lo-ei, e o honrarei.
16 Com longura de dias fartá-lo-ei, e lhe mostrarei a minha salvação.
SALMOS
[92]
1 Bom é render graças ao
Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo,
2 anunciar de manhã a tua benignidade, e à noite a tua fidelidade,
3 sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério, ao som solene da
harpa.
4 Pois me alegraste, Senhor, pelos teus feitos; exultarei nas obras das tuas
mãos.
5 Quão grandes são, ó Senhor, as tuas obras! quão profundos são os teus
pensamentos!
6 O homem néscio não sabe, nem o insensato entende isto:
7 quando os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a
iniqüidade, é para serem destruídos para sempre.
8 Mas tu, Senhor, estás nas alturas para sempre.
9 Pois eis que os teus inimigos, Senhor, eis que os teus inimigos perecerão;
serão dispersos todos os que praticam a iniqüidade.
10 Mas tens exaltado o meu poder, como o do boi selvagem; fui ungido com óleo
fresco.
11 Os meus olhos já viram o que é feito dos que me espreitam, e os meus ouvidos
já ouviram o que sucedeu aos malfeitores que se levantam contra mim.
12 Os justos florescerão como a palmeira, crescerão como o cedro no Líbano.
13 Estão plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes,
15 para proclamarem que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há
injustiça.
SALMOS
[93]
1 O Senhor reina; está
vestido de majestade. O Senhor se revestiu, cingiu-se de fortaleza; o mundo
também está estabelecido, de modo que não pode ser abalado.
2 O teu trono está firme desde a antigüidade; desde a eternidade tu existes.
3 Os rios levantaram, ó Senhor, os rios levantaram o seu ruído, os rios
levantam o seu fragor.
4 Mais que o ruído das grandes águas, mais que as vagas estrondosas do mar,
poderoso é o Senhor nas alturas.
5 Mui fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, Senhor,
para sempre.
SALMOS
[94]
1 Ó Senhor, Deus da vingança,
ó Deus da vingança, resplandece!
2 Exalta-te, ó juiz da terra! dá aos soberbos o que merecem.
3 Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios exultarão?
4 Até quando falarão, dizendo coisas arrogantes, e se gloriarão todos os que
praticam a iniqüidade?
5 Esmagam o teu povo, ó Senhor, e afligem a tua herança.
6 Matam a viúva e o estrangeiro, e tiram a vida ao órfão.
7 E dizem: O Senhor não vê; o Deus de Jacó não o percebe.
8 Atendei, ó néscios, dentre o povo; e vós, insensatos, quando haveis de ser
sábios?
9 Aquele que fez ouvido, não ouvirá? ou aquele que formou o olho, não verá?
10 Porventura aquele que disciplina as nações, não corrigirá? Aquele que
instrui o homem no conhecimento,
11 o Senhor, conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.
12 Bem-aventurado é o homem a quem tu repreendes, ó Senhor, e a quem ensinas a
tua lei,
13 para lhe dares descanso dos dias da adversidade, até que se abra uma cova
para o ímpio.
14 Pois o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança.
15 Mas o juízo voltará a ser feito com justiça, e hão de segui-lo todos os
retos de coração.
16 Quem se levantará por mim contra os malfeitores? quem se porá ao meu lado
contra os que praticam a iniqüidade?
17 Se o Senhor não tivesse sido o meu auxílio, já a minha alma estaria
habitando no lugar do silêncio.
18 Quando eu disse: O meu pé resvala; a tua benignidade, Senhor, me susteve.
19 Quando os cuidados do meu coração se multiplicam, as tuas consolações
recreiam a minha alma.
20 Pode acaso associar-se contigo o trono de iniqüidade, que forja o mal tendo
a lei por pretexto?
21 Acorrem em tropel contra a vida do justo, e condenam o sangue inocente.
22 Mas o Senhor tem sido o meu alto retiro, e o meu Deus a rocha do meu alto
retiro, e o meu Deus a rocha do meu refúgio.
23 Ele fará recair sobre eles a sua própria iniqüidade, e os destruirá na sua
própria malícia; o Senhor nosso Deus os destruirá.
SALMOS
[95]
1 Vinde, cantemos alegremente
ao Senhor, cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação.
2 Apresentemo-nos diante dele com ações de graças, e celebremo-lo com salmos de
louvor.
3 Porque o Senhor é Deus grande, e Rei grande acima de todos os deuses.
4 Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são
suas.
5 Seu é o mar, pois ele o fez, e as suas mãos formaram a serra terra seca.
6 Oh, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos
criou.
7 Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas que ele conduz.
Oxalá que hoje ouvísseis a sua voz:
8 Não endureçais o vosso coração como em Meribá, como no dia de Massá no
deserto,
9 quando vossos pais me tentaram, me provaram e viram a minha obra.
10 Durante quarenta anos estive irritado com aquela geração, e disse: É um povo
que erra de coração, e não conhece os meus caminhos;
11 por isso jurei na minha ira: Eles não entrarão no meu descanso.
SALMOS
[96]
1 Cantai ao Senhor um cântico
novo, cantai ao Senhor, todos os moradores da terra.
2 Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai de dia em dia a sua salvação.
3 Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas.
4 Porque grande é o Senhor, e digno de ser louvado; ele é mais temível do que
todos os deuses.
5 Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o Senhor fez os céus.
6 Glória e majestade estão diante dele, força e formosura no seu santuário.
7 Tributai ao Senhor, ó famílias dos povos, tributai ao Senhor glória e força.
8 Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; trazei oferendas, e entrai
nos seus átrios.
9 Adorai ao Senhor vestidos de trajes santos; tremei diante dele, todos os
habitantes da terra.
10 Dizei entre as nações: O Senhor reina; ele firmou o mundo, de modo que não
pode ser abalado. Ele julgará os povos com retidão.
11 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude.
12 Exulte o campo, e tudo o que nele há; então cantarão de júbilo todas as
árvores do bosque
13 diante do Senhor, porque ele vem, porque vem julgar a terra: julgará o mundo
com justiça e os povos com a sua fidelidade.
SALMOS
[97]
1 O Senhor reina, regozije-se
a terra; alegrem-se as numerosas ilhas.
2 Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e eqüidade são a base do seu
trono.
3 Adiante dele vai um fogo que abrasa os seus inimigos em redor.
4 Os seus relâmpagos alumiam o mundo; a terra os vê e treme.
5 Os montes, como cerca, se derretem na presença do Senhor, na presença do
Senhor de toda a terra.
6 Os céus anunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória.
7 Confundidos são todos os que servem imagens esculpidas, que se gloriam de
ídolos; prostrai-vos diante dele, todos os deuses.
8 Sião ouve e se alegra, e regozijam-se as filhas de Judá por causa dos teus
juízos, Senhor.
9 Pois tu, Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra; tu és sobremodo exaltado
acima de todos os deuses.
10 O Senhor ama aos que odeiam o mal; ele preserva as almas dos seus santos,
ele os livra das mãos dos ímpios.
11 A luz é semeada para o justo, e a alegria para os retos de coração.
12 Alegrai-vos, ó justos, no Senhor, e rendei graças ao seu santo nome.
SALMOS
[98]
1 Cantai ao Senhor um cântico
novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe
alcançaram a vitória.
2 O Senhor fez notória a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os
olhos das nações.
3 Lembrou-se da sua misericórdia e da sua fidelidade para com a casa de Israel;
todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.
4 Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os habitantes da terra; dai brados de
alegria, regozijai-vos, e cantai louvores.
5 Louvai ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz de canto.
6 Com trombetas, e ao som de buzinas, exultai diante do Rei, o Senhor.
7 Brame o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam;
8 batam palmas os rios; à uma regozijem-se os montes
9 diante do Senhor, porque vem julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e
os povos com eqüidade.
SALMOS
[99]
1 O Senhor reina, tremam os
povos; ele está entronizado sobre os querubins, estremeça a terra.
2 O Senhor é grande em Sião, e exaltado acima de todos os povos.
3 Louvem o teu nome, grande e tremendo; pois é santo.
4 És Rei poderoso que amas a justiça; estabeleces a eqüidade, executas juízo e
justiça em Jacó.
5 Exaltai o Senhor nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de seus pés;
porque ele é santo.
6 Moisés e Arão entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocavam o seu
nome, clamavam ao Senhor, e ele os ouvia.
7 Na coluna de nuvem lhes falava; eles guardavam os seus testemunhos, e os
estatutos que lhes dera.
8 Tu os ouviste, Senhor nosso Deus; tu foste para eles um Deus perdoador,
embora vingador dos seus atos.
9 Exaltai o Senhor nosso Deus e adorai-o no seu santo monte, porque o Senhor
nosso Deus é santo.
SALMOS
[100]
1 Celebrai com júbilo ao
Senhor, todos os habitantes da terra.
2 Servi ao Senhor com alegria, e apresentai-vos a ele com cântico.
3 Sabei que o Senhor é Deus! Foi ele quem nos fez, e somos dele; somos o seu
povo e ovelhas do seu pasto.
4 Entrai pelas suas portas com ação de graças, e em seus átrios com louvor;
dai-lhe graças e bendizei o seu nome.
5 Porque o Senhor é bom; a sua benignidade dura para sempre, e a sua fidelidade
de geração em geração.
SALMOS
[101]
1 Cantarei a benignidade e o
juízo; a ti, Senhor, cantarei.
2 Portar-me-ei sabiamente no caminho reto. Oh, quando virás ter comigo? Andarei
em minha casa com integridade de coração.
3 Não porei coisa torpe diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles que
se desviam; isso não se apagará a mim.
4 Longe de mim estará o coração perverso; não conhecerei o mal.
5 Aquele que difama o seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que
tem olhar altivo e coração soberbo, não o tolerarei.
6 Os meus olhos estão sobre os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que
anda no caminho perfeito, esse me servirá.
7 O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não
estará firme perante os meus olhos.
8 De manhã em manhã destruirei todos os ímpios da terra, para desarraigar da
cidade do Senhor todos os que praticam a iniqüidade.
SALMOS
[102]
1 Ó Senhor, ouve a minha
oração, e chegue a ti o meu clamor.
2 Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia; inclina para mim os
teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.
3 Pois os meus dias se desvanecem como fumaça, e os meus ossos ardem como um
tição.
4 O meu coração está ferido e seco como a erva, pelo que até me esqueço de
comer o meu pão.
5 Por causa do meu doloroso gemer, os meus ossos se apegam à minha carne.
6 Sou semelhante ao pelicano no deserto; cheguei a ser como a coruja das
ruínas.
7 Vigio, e tornei-me como um passarinho solitário no telhado.
8 Os meus inimigos me afrontam todo o dia; os que contra mim se enfurecem, me
amaldiçoam.
9 Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lágrimas a minha bebida,
10 por causa da tua indignação e da tua ira; pois tu me levantaste e me
arrojaste de ti.
11 Os meus dias são como a sombra que declina, e eu, como a erva, me vou
secando.
12 Mas tu, Senhor, estás entronizado para sempre, e o teu nome será lembrado
por todas as gerações.
13 Tu te lenvantarás e terás piedade de Sião; pois é o tempo de te compadeceres
dela, sim, o tempo determinado já chegou.
14 Porque os teus servos têm prazer nas pedras dela, e se compadecem do seu pó.
15 As nações, pois, temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a tua
glória,
16 quando o Senhor edificar a Sião, e na sua glória se manifestar,
17 atendendo à oração do desamparado, e não desprezando a sua súplica.
18 Escreva-se isto para a geração futura, para que um povo que está por vir
louve ao Senhor.
19 Pois olhou do alto do seu santuário; dos céus olhou o Senhor para a terra,
20 para ouvir o gemido dos presos, para libertar os sentenciados à morte;
21 a fim de que seja anunciado em Sião o nome do Senhor, e o seu louvor em
Jerusalém,
22 quando se congregarem os povos, e os reinos, para servirem ao Senhor.
23 Ele abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.
24 Eu clamo: Deus meu, não me leves no meio dos meus dias, tu, cujos anos
alcançam todas as gerações.
25 Desde a antigüidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos.
26 Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como um vestido,
envelhecerão; como roupa os mundarás, e ficarão mudados.
27 Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.
28 Os filhos dos teus servos habitarão seguros, e a sua descendência ficará
firmada diante de ti.
SALMOS
[103]
1 Bendize, ó minha alma, ao
Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.
2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus
benefícios.
3 É ele quem perdoa todas as tuas iniqüidades, quem sara todas as tuas
enfermidades,
4 quem redime a tua vida da cova, quem te coroa de benignidade e de
misericórdia,
5 quem te supre de todo o bem, de sorte que a tua mocidade se renova como a da
águia.
6 O Senhor executa atos de justiça, e juízo a favor de todos os oprimidos.
7 Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de
Israel.
8 Compassivo e misericordioso é o Senhor; tardio em irar-se e grande em
benignidade.
9 Não repreenderá perpetuamente, nem para sempre conservará a sua ira.
10 Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas
iniqüidades.
11 Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua
benignidade para com os que o temem.
12 Quanto o oriente está longe do ocidente, tanto tem ele afastado de nós as
nossas transgressões.
13 Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece
daqueles que o temem.
14 Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó.
15 Quanto ao homem, os seus dias são como a erva; como a flor do campo, assim
ele floresce.
16 Pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não a conhece
mais.
17 Mas é de eternidade a eternidade a benignidade do Senhor sobre aqueles que o
temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos,
18 sobre aqueles que guardam o seu pacto, e sobre os que se lembram dos seus
preceitos para os cumprirem.
19 O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.
20 Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas
ordens, obedecendo à voz da sua palavra!
21 Bendizei ao Senhor, vós todos os seus exércitos, vós ministros seus, que
executais a sua vontade!
22 Bendizei ao Senhor, vós todas as suas obras, em todos os lugares do seu
domínio! Bendizei, ó minha alma ao Senhor!
SALMOS
[104]
1 Bendize, ó minha alma, ao
Senhor! Senhor, Deus meu, tu és magnificentíssimo! Estás vestido de honra e de
majestade,
2 tu que te cobres de luz como de um manto, que estendes os céus como uma
cortina.
3 És tu que pões nas águas os vigamentos da tua morada, que fazes das nuvens o
teu carro, que andas sobre as asas do vento;
4 que fazes dos ventos teus mensageiros, dum fogo abrasador os teus ministros.
5 Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não fosse abalada em tempo
algum.
6 Tu a cobriste do abismo, como dum vestido; as águas estavam sobre as
montanhas.
7 Â tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão puseram-se em fuga.
8 Elevaram-se as montanhas, desceram os vales, até o lugar que lhes
determinaste.
9 Limite lhes traçaste, que não haviam de ultrapassar, para que não tornassem a
cobrir a terra.
10 És tu que nos vales fazes rebentar nascentes, que correm entre as colinas.
11 Dão de beber a todos os animais do campo; ali os asnos monteses matam a sua
sede.
12 Junto delas habitam as aves dos céus; dentre a ramagem fazem ouvir o seu
canto.
13 Da tua alta morada regas os montes; a terra se farta do fruto das tuas
obras.
14 Fazes crescer erva para os animais, e a verdura para uso do homem, de sorte
que da terra tire o alimento,
15 o vinho que alegra o seu coração, o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o
pão que lhe fortalece o coração.
16 Saciam-se as árvores do Senhor, os cedros do Líbano que ele plantou,
17 nos quais as aves se aninham, e a cegonha, cuja casa está nos ciprestes.
18 Os altos montes são um refúgio para as cabras montesas, e as rochas para os
querogrilos.
19 Designou a lua para marcar as estações; o sol sabe a hora do seu ocaso.
20 Fazes as trevas, e vem a noite, na qual saem todos os animais da selva.
21 Os leões novos os animais bramam pela presa, e de Deus buscam o seu
sustento.
22 Quando nasce o sol, logo se recolhem e se deitam nos seus covis.
23 Então sai o homem para a sua lida e para o seu trabalho, até a tarde.
24 Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com
sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas.
25 Eis também o vasto e espaçoso mar, no qual se movem seres inumeráveis,
animais pequenos e grandes.
26 Ali andam os navios, e o leviatã que formaste para nele folgar.
27 Todos esperam de ti que lhes dês o sustento a seu tempo.
28 Tu lho dás, e eles o recolhem; abres a tua mão, e eles se fartam de bens.
29 Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração,
morrem, e voltam para o seu pó.
30 Envias o teu fôlego, e são criados; e assim renovas a face da terra.
31 Permaneça para sempre a glória do Senhor; regozije-se o Senhor nas suas
obras;
32 ele olha para a terra, e ela treme; ele toca nas montanhas, e elas fumegam.
33 Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus enquanto
eu existir.
34 Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me regozijarei no Senhor.
35 Sejam extirpados da terra os pecadores, e não subsistam mais os ímpios.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor. Louvai ao Senhor.
SALMOS
[105]
1 Dai graças ao Senhor;
invocai o seu nome; fazei conhecidos os seus feitos entre os povos.
2 Cantai-lhe, cantai-lhe louvores; falai de todas as suas maravilhas.
3 Gloriai-vos no seu santo nome; regozije-se o coração daqueles que buscam ao
Senhor.
4 Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente.
5 Lembrai-vos das maravilhas que ele tem feito, dos seus prodígios e dos juízos
da sua boca,
6 vós, descendência de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos.
7 Ele é o Senhor nosso Deus; os seus juízos estão em toda a terra.
8 Lembra-se perpetuamente do seu pacto, da palavra que ordenou para mil
gerações;
9 do pacto que fez com Abraão, e do seu juramento a Isaque;
10 o qual ele confirmou a Jacó por estatuto, e a Israel por pacto eterno,
11 dizendo: A ti darei a terra de Canaã, como porção da vossa herança.
12 Quando eles eram ainda poucos em número, de pouca importância, e forasteiros
nela,
13 andando de nação em nação, dum reino para outro povo,
14 não permitiu que ninguém os oprimisse, e por amor deles repreendeu reis,
dizendo:
15 Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas.
16 Chamou a fome sobre a terra; retirou-lhes todo o sustento do pão.
17 Enviou adiante deles um varão; José foi vendido como escravo;
18 feriram-lhe os pés com grilhões; puseram-no a ferro,
19 até o tempo em que a sua palavra se cumpriu; a palavra do Senhor o provou.
20 O rei mandou, e fez soltá-lo; o governador dos povos o libertou.
21 Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda,
22 para, a seu gosto, dar ordens aos príncipes, e ensinar aos anciãos a
sabedoria.
23 Então Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cão.
24 E o Senhor multiplicou sobremodo o seu povo, e o fez mais poderoso do que os
seus inimigos.
25 Mudou o coração destes para que odiassem o seu povo, e tratassem astutamente
aos seus servos.
26 Enviou Moisés, seu servo, e Arão, a quem escolhera,
27 os quais executaram entre eles os seus sinais e prodígios na terra de Cão.
28 Mandou à escuridão que a escurecesse; e foram rebeldes à sua palavra.
29 Converteu-lhes as águas em sangue, e fez morrer os seus peixes.
30 A terra deles produziu rãs em abundância, até nas câmaras dos seus reis.
31 Ele falou, e vieram enxames de moscas em todo o seu têrmo.
32 Deu-lhes saraiva por chuva, e fogo abrasador na sua terra.
33 Feriu-lhes também as vinhas e os figueirais, e quebrou as árvores da sua
terra.
34 Ele falou, e vieram gafanhotos, e pulgões em quantidade inumerável,
35 que comeram toda a erva da sua terra, e devoraram o fruto dos seus campos.
36 Feriu também todos os primogênitos da terra deles, as primícias de toda a
sua força.
37 E fez sair os israelitas com prata e ouro, e entre as suas tribos não havia
quem tropeçasse.
38 O Egito alegrou-se quando eles saíram, porque o temor deles o dominara.
39 Estendeu uma nuvem para os cobrir, e um fogo para os alumiar de noite.
40 Eles pediram, e ele fez vir codornizes, e os saciou com pão do céu.
41 Fendeu a rocha, e dela brotaram águas, que correram pelos lugares áridos
como um rio.
42 Porque se lembrou da sua santa palavra, e de Abraão, seu servo.
43 Fez sair com alegria o seu povo, e com cânticos de júbilo os seus
escolhidos.
44 Deu-lhes as terras das nações, e eles herdaram o fruto do trabalho dos
povos,
45 para que guardassem os seus preceitos, e observassem as suas leis. Louvai ao
Senhor
SALMOS
[106]
1 Louvai ao Senhor. Louvai ao
Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.
2 Quem pode referir os poderosos feitos do Senhor, ou anunciar todo o seu louvor?
3 Bem-aventurados os que observam o direito, que praticam a justiça em todos os
tempos.
4 Lembra-te de mim, Senhor, quando mostrares favor ao teu povo; visita-me com a
tua salvação,
5 para que eu veja a prosperidade dos teus escolhidos, para que me alegre com a
alegria da tua nação, e me glorie juntamente com a tua herança.
6 Nós pecamos, como nossos pais; cometemos a iniqüidade, andamos perversamente.
7 Nossos pais não atentaram para as tuas maravilhas no Egito, não se lembraram
da multidão das tuas benignidades; antes foram rebeldes contra o Altíssimo
junto ao Mar Vermelho.
8 Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu
poder.
9 Pois repreendeu o Mar Vermelho e este se secou; e os fez caminhar pelos
abismos como pelo deserto.
10 Salvou-os da mão do adversário, livrou-os do poder do inimigo.
11 As águas, porém, cobriram os seus adversários; nem um só deles ficou.
12 Então creram nas palavras dele e cantaram-lhe louvor.
13 Cedo, porém, se esqueceram das suas obras; não esperaram pelo seu conselho;
14 mas deixaram-se levar pela cobiça no deserto, e tentaram a Deus no ermo.
15 E ele lhes deu o que pediram, mas fê-los definhar de doença.
16 Tiveram inveja de Moisés no acampamento, e de Arão, o santo do Senhor.
17 Abriu-se a terra, e engoliu a Datã, e cobriu a companhia de Abirão;
18 ateou-se um fogo no meio da congregação; e chama abrasou os ímpios.
19 Fizeram um bezerro em Horebe, e adoraram uma imagem de fundição.
20 Assim trocaram a sua glória pela figura de um boi que come erva.
21 Esqueceram-se de Deus seu Salvador, que fizera grandes coisas no Egito,
22 maravilhas na terra de Cão, coisas tremendas junto ao Mar Vermelho.
23 Pelo que os teria destruído, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se
tivesse interposto diante dele, para desviar a sua indignação, a fim de que não
os destruísse.
24 Também desprezaram a terra aprazível; não confiaram na sua promessa;
25 antes murmuraram em suas tendas e não deram ouvidos à voz do Senhor.
26 Pelo que levantou a sua mão contra eles, afirmando que os faria cair no
deserto;
27 que dispersaria também a sua descendência entre as nações, e os espalharia
pelas terras.
28 Também se apegaram a Baal-Peor, e comeram sacrifícios oferecidos aos mortos.
29 Assim o provocaram à ira com as suas ações; e uma praga rebentou entre eles.
30 Então se levantou Finéias, que executou o juízo; e cessou aquela praga.
31 E isto lhe foi imputado como justiça, de geração em geração, para sempre.
32 Indignaram-no também junto às águas de Meribá, de sorte que sucedeu mal a
Moisés por causa deles;
33 porque amarguraram o seu espírito; e ele falou imprudentemente com seus
lábios.
34 Não destruíram os povos, como o Senhor lhes ordenara;
35 antes se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras.
36 Serviram aos seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço;
37 sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios;
38 e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que
eles sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada com sangue.
39 Assim se contaminaram com as suas obras, e se prostituíram pelos seus
feitos.
40 Pelo que se acendeu a ira do Senhor contra o seu povo, de modo que abominou
a sua herança;
41 entregou-os nas mãos das nações, e aqueles que os odiavam dominavam sobre
eles.
42 Os seus inimigos os oprimiram, e debaixo das mãos destes foram eles
humilhados.
43 Muitas vezes os livrou; mas eles foram rebeldes nos seus desígnios, e foram
abatidos pela sua iniqüidade.
44 Contudo, atentou para a sua aflição, quando ouviu o seu clamor;
45 e a favor deles lembrou-se do seu pacto, e aplacou-se, segundo a abundância
da sua benignidade.
46 Por isso fez com que obtivessem compaixão da parte daqueles que os levaram
cativos.
47 Salva-nos, Senhor, nosso Deus, e congrega-nos dentre as nações, para que
louvemos o teu santo nome, e nos gloriemos no teu louvor.
48 Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade em eternidade! E diga
todo o povo: Amém. Louvai ao Senhor.
SALMOS
[107]
1 Dai graças ao Senhor,
porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre;
2 digam-no os remidos do Senhor, os quais ele remiu da mão do inimigo,
3 e os que congregou dentre as terras, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do
Sul.
4 Andaram desgarrados pelo deserto, por caminho ermo; não acharam cidade em que
habitassem.
5 Andavam famintos e sedentos; desfalecia-lhes a alma.
6 E clamaram ao Senhor na sua tribulação, e ele os livrou das suas angústias;
7 conduziu-os por um caminho direito, para irem a uma cidade em que habitassem.
8 Dêem graças ao Senhor pela sua benignidade, e pelas suas maravilhas para com
os filhos dos homens!
9 Pois ele satisfaz a alma sedenta, e enche de bens a alma faminta.
10 Quanto aos que se assentavam nas trevas e sombra da morte, presos em aflição
e em ferros,
11 por se haverem rebelado contra as palavras de Deus, e desprezado o conselho
do Altíssimo,
12 eis que lhes abateu o coração com trabalho; tropeçaram, e não houve quem os
ajudasse.
13 Então clamaram ao Senhor na sua tribulação, e ele os livrou das suas
angústias.
14 Tirou-os das trevas e da sombra da morte, e quebrou-lhes as prisões.
15 Dêem graças ao Senhor pela sua benignidade, e pelas suas maravilhas para com
os filhos dos homens!
16 Pois quebrou as portas de bronze e despedaçou as trancas de ferro.
17 Os insensatos, por causa do seu caminho de transgressão, e por causa das
suas iniqüidades, são afligidos.
18 A sua alma aborreceu toda sorte de comida, e eles chegaram até as portas da
morte.
19 Então clamaram ao Senhor na sua tribulação, e ele os livrou das suas
angústias.
20 Enviou a sua palavra, e os sarou, e os livrou da destruição.
21 Dêem graças ao Senhor pela sua benignidade, e pelas suas maravilhas para com
os filhos dos homens!
22 Ofereçam sacrifícios de louvor, e relatem as suas obras com regozijo!
23 Os que descem ao mar em navios, os que fazem comércio nas grandes águas,
24 esses vêem as obras do Senhor, e as suas maravilhas no abismo.
25 Pois ele manda, e faz levantar o ve
|