O bordão da reeleição de Lula
Definido o motto, o lema, o bordão que norteará a campanha à
reeleição de Lula: “Muito coisa já foi feita, mas ainda há muita coisa a se
fazer”.
Dentre o “muito que já foi feito”, ressalta-se:
_ Provou que FHC não foi o pior governo que o
Brasil já teve. Conseguiu derrotá-lo até neste quesito, proeza que parecia
impossível;
_ Enviou projeto ao Senado Federal legalizando a
jogatina dos Bingos (já que a jogatina da Bolsa de Valores e outras similares
são legais...) e, na semana seguinte comparou os Bingos à prostituição infantil.
_ Informou que “fazer caixa 2 é prática comum no
Brasil”. Depois, sempre coerente – sabe-se lá com o quê! – disse que “fazer
caixa 2 é crime hediondo e como tal deve ser tratado”.
_ Aniquilou sindicatos e lançou grave descrédito
sobre o MST, a CUT e a UNE. A própria noção de “esquerda” jamais será a mesma
após o governo neoliberal e corrupto de Lula da Silva;
_ Diminuiu os maus tratos aos animais. Vacina
dói muito, tadinhos dos bichinhos...
_ Criou e implementou o programa “Desemprego
Zero para a Companheirada”: os petistas rejeitados pelas urnas em seus estados e
cidades de origem foram abrigados no governo federal;
_ Desmistificou a existência de um tipo de
político idealista, sério e compenetrado; comprovou, a exemplo do governo dos 8
anos anteriores, que todos têm preço e a muitos comprou com o pagamento
periódico de recursos em troca de suas consciências;
_ Esculhambou com o que restava de credibilidade
ao PT, ao PP, ao PL e ao PTB;
_ Queimou na fogueira das vaidades pelo menos um
bispo do baixo clero;
_ Estilhaçou com a carreira política de João
Paulo Cunha, José Genoíno, José Dirceu, José Mentor, Professor Luizinho, Olívio
Dutra, Benedita da Silva e comprometeu severamente as de Marta Suplicy, Eduardo
Suplicy (alguém se ilude que ele será o senador escolhido pelo Estado de S.
Paulo no próximo ano?), Aloísio Mercadante, Ideli Salvati, Jorge Bittar,
Humberto Costa, etc, etc, etc.
_ Abalou severamente ou destroçou de vez a
reputação de gente como Duda Mendonça por sua maneira excêntrica de utilizar
dinheiro público;
_ Enlameou o nome dos Correios, do Banco Rural e
do Banco do Brasil;
_ Por comparação, tornou populares como nunca
Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e deixou muita gente com saudades do
general Castelo Branco.
_ Teve poucas vítimas fatais mais conhecidas:
Celso Daniel – mais 7 ou 8 testemunhas dos fatos em torno de seu assassinato –
e Toninho do PT entre os mais notórios;
_ Provou o quanto o brasileiro é paciente:
repete o mesmo discurso, em algumas ocasiões três a quatro vezes num mesmo dia,
sempre girando em torno de “Faremos o que tiver de ser feito” – demonstrando não
ter a menor idéia sequer do que está falando, mas repetindo e tentando
impressionar. Quatro anos é pouco. Ele precisa de mais quatro para reproduzir o
mesmo discurso com escassas variações várias vezes ao dia: “fazer o que tem de
ser feito” – seja lá o que for que isso signifique. A mais recente variação, na
Colômbia foi: “Eu tenho muito orgulho das coisas que estamos fazendo e das
coisas que estamos colhendo.” Fica a dúvida: esta frase foi um exercício de fina
auto-ironia ou mero delírio psicótico?
_ Jamais foi pilhado trabalhando. Ou está
passeando ou repetindo o mesmo discurso. Trabalhar não é com ele.
Quanto ao “muito que falta
fazer”, juro por Deus que fico aterrorizado só em imaginar! De todo o modo, já
está sinalizado e a Banca Internacional sacode a pança satisfeita: tanto faz PT
ou PSDB, a política econômica entreguista, rapinante e destrutiva seguirá a
mesma, privilegiando uma ou duas dezenas de milhares de grandes banqueiros,
jogadores e proprietários de conglomerados empresariais em detrimento de mais de
uma centena de milhão de seres humanos relegados ao desprezo, ao desconforto e à
traição.
Lázaro
Curvêlo Chaves – 16/12/2005
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