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Apesar do desgoverno do PT me lesar tanto, sou brasileiro e não desisto nunca!

 

Curioso pronunciamento de Lula na sexta-feira, 13 de agosto. Seguindo os ensinamentos de Goebels, ministro da propaganda nazista e mentor intelectual do ex-malufista Duda Mendonça, Lula pratica o distanciamento da verdade através do uso conveniente de meias-verdades. Entre 2002 a 2004 o crescimento demográfico foi maior que a geração nacional de riquezas fazendo com que o PIB apareça sim ligeiramente maior, mas  piorando, em muito, a situação da concentração de rendas, particularmente com esta política de transferência maciça de recursos da produção para a especulação financeira via juros elevados adotada pelo hoje intocável – embora eticamente insustentável – superministro Henrique Meirelles (PSDB – GO).

Basta comparar o número de eleitores em 2002 e hoje para se perceber o quanto mais de brasileiros somos. Houve geração de empregos. Pífia. Sequer fez face ao natural aumento no número de pessoas que procuram trabalho.

Exemplificando e simplificando para compreensão: se em 2002 tínhamos um bolo de 950 gramas para dividir com 950 pessoas, hoje o bolo tem 1050 gramas, mas tem-se de dividi-lo entre mais de 2000 pessoas. Cresceu. Mas cada um ficou com um pedaço menor.  Sem mencionar o problema da distribuição. Classicamente, no Brasil os 10% mais ricos são os primeiros a dividir entre si 60% do bolo ficando os 40% restantes a serem divididos principalmente entre a classe média, aos pobres a caridade pública e privada, as campanhas que não resolvem o problema e jamais prestam contas formais ao Ministério Público, como “Criança Esperança” ou “Teleton”.

Para os trabalhadores, depois do pedido de paciência ao longo de 1 ano e meio, um patético agradecimento pela “compreensão” a que foram forçados. Aos empresários o entusiasmo de quem com eles sempre conta e por eles trabalha. Durante a campanha havia prometido aos trabalhadores modificar radicalmente a política econômica brasileira e, aos empresários, não modificá-la. Cumpriu pelo menos metade do trato. Traiu os trabalhadores e isso possibilita que cumule os empresários – mesmo os que sempre a ele se opuseram, como Henrique Meirelles (PSDB – GO) – com muito mais do que sequer imaginavam.

Nenhuma palavra para ensinar como é que se faz para comprar uma casa de milhões por um centavo de real, talvez porque isso seria considerado mágica e, no discurso, preferiu falar contra a mágica. Só no discurso. Na prática vale qualquer mágica para que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os bancos possam lucrar cada vez mais com o fruto da produção brasileira, este o cerne da política econômica praticada no Brasil, desde Collor, agudizando-se com FHC e chegando a seu paroxismo durante o governo petista.

Nada tampouco sobre a ameaça de censura à imprensa e à produção cultural. No entanto, em pronunciamento oficial em recente viagem à Costa Rica foi claro: "Agora eu fui a uma viagem ao Gabão aprender como um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição". (...) "Pô, o Lulinha só tem um ano e meio de governo, e os caras ficam me cobrando. Lá na África tem presidente que está há 30 anos no cargo. Mas, se alguém reclamar por lá, é pau."

Em guerras e campanhas políticas eleitorais a primeira vítima é a verdade. Provavelmente, deste momento até as eleições assistiremos a sucessivos anúncios de “crescimento sustentado”. Naturalmente também que, a exemplo do que ocorreu em 1988 e em 1992, après lui, le déluge. Somente após a colocação dos votos nas urnas se estabelecerá qualquer possibilidade de conhecimento da verdade. Que não é sorridente.

Sintetizando: Com este modelo econômico ortodoxo que aí está, “sem mágicas”, vamos ficar deitados em berço nem tão esplêndido assim celebrando mediocridades em noites de lobisomem.

 

 

 

O fim da Era Vargas

 

            Poucos governantes no Brasil foram tão polêmicos. Dia 24 de agosto próximo fará 50 anos que, com uma bala no peito, Getúlio atrasou o golpe militar que os estadunidenses urdiam contra o povo brasileiro por 10 anos. Saiu da vida para entrar na história.

            Durante o Estado Novo promoveu censura à oposição e à Imprensa para agregar patrimônio ao Brasileiro. São dele a criação da Petrobrás, da CSN, da Cia Siderúrgica Nacional, da Carteira de Trabalho, do Salário Mínimo – na época superior a US$ 300,00 – do FGTS, da Previdência Pública, da excelência Universitária no ensino público,a estatização de multinacionais, entre outras realizações ainda mais grandiosas.

            FHC prometeu “acabar com a Era Vargas”. Sucateou e loteou a CSN, leiloou estatais energéticas e de telecomunicações a empresas pouco idôneas, sempre levando rios de dinheiro suado do brasileiro para socorrê-las. Lula prometeu restaurar a dignidade do trabalhador. Ameaça a oposição e a imprensa de censura e repressão para promover a maior transferência de recursos da produção para a especulação da história deste país; ao Ensino Público de qualidade contrapõe a jaula de ferro do Crédito Educativo (entra nessa quem quiser, claro, e sai quem puder, ninguém que se saiba); estraçalha com a previdência pública e dificulta a existência mesmo da previdência privada; promove o leilão da Petrobrás. No campo da ética suas “realizações” se avolumam a cada momento. Cito, para não deixar passar: começou dificultando a investigação do assassinato de seu primeiro auxiliar principal, Celso Daniel, mais ou menos como ocorreu na Alemanha em 1938 com Ernst Röhm. Promove a seu auxiliar pessoal o porta-voz do contraventor mais conhecido do país e, quando este é pilhado, “blinda-o” contra qualquer possibilidade de justiça. Promove seu opositor a presidente do Banco Central e, quando este é pilhado em ilícitos penais, “blinda-o” contra a justiça promovendo-o a ministro. Quando adversários se protegem tanto e a justiça se cala, o povo sofre. No campo da ética o PT traz realmente uma inovação assustadora!

  

Socrático

 

Pelos caminhos de Atenas Sócrates perguntava fazendo nascer idéias. “Maiêutica”, ele dizia. “Cinismo”, dizem os sofistas. Não havia nada mais arrogantemente possível que atormentar um sapateiro, por exemplo, por uma definição filosófica sofisticada do que sejam sapatos; o conhecimento necessário à sua confecção, claro este, é de outro gênero. Sócrates não queria aprender a fazer sapatos. Queria desconstruir o sapateiro. Sua “maiêutica” deixava o sapateiro exasperado e desamparado: segundo Sócrates, o coitado não conseguia sequer definir com precisão o que estava fazendo. Logo após Atenas se libertar do jugo dos trinta tiranos espartanos apoiados por Sócrates e seus discípulos, o filósofo foi submetido a um julgamento. Merecida, a Cicuta que bebeu! Pudessem os parlamentos democráticos do mundo dispor de generosas doses deste remédio – ou similar de mesmo efeito – a ser ministrado a qualquer pessoa que atentasse contra a democracia!

Socraticamente, o governo Lula promove crescimento negativo e alardeia crescimento positivo; promove criminosos ao status de ministros; promove o mais escorchante e cruel período de transferência de recursos da produção para a especulação;  gera índices recordes de desemprego mas os manipula e alardeia o oposto; promete censurar a imprensa, a TV, a cultura, os cinemas e silenciar a oposição. Como isso tudo deixa todo o povo exasperado e desamparado, o governo inicia uma campanha cínica, alegadamente voltada a levantar a auto-estima: “sou brasileiro e não desisto nunca”. Bela campanha. Pena que tenha tido o principal propósito de levar divisas públicas aos cofres do PT, através de mais uma de suas  organizações cúmplices. A campanha seria ainda melhor, com a vantagem suplementar de ser sincera se informasse tudo: “apesar de o desgoverno Lula me lesar tanto, sou brasileiro e não desisto nunca.”

 

“Ministério da Merda”

 

Ricardo Noblat, em seu Blog, http://noblat.blig.ig.com.br, fala da sugestão que Chico Buarque de Hollanda deu a Lula: a criação de um “ministério-do-vai-dar-merda”, com a finalidade de prevenir o governo. Funcionaria assim: antes de tomar qualquer medida, o presidente da república a submeteria ao Ministro da Merda que, quando oportuno, lhe diria: “olha, presidente, não faz isso não que vai dar merda!” A inexistência deste utilíssimo ministério teria sido motivo das sucessivas gafes e agressões ao vernáculo, ao bom senso, aos interesses da soberania nacional e à democracia, segundo avaliação do jornalista brasiliense, não por acaso também desempregado...

Covardes do mundo inteiro, uni-vos!

 

Noblat é um otimista! O problema é muitíssimo mais grave. Janio de Freitas, na Folha desta quinta-feira, 19 de agosto, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1908200410.htm nos alerta a todos, com a contundência necessária, para a gravidade dos problemas ligados ao avanço autoritário. Quando o governante nos chama de covardes e assume declaradamente o seu intento de permanecer no poder por 37 anos vemos que não é tão simples. Durante a campanha de 2002 Regina Duarte quase foi linchada por haver tido a coragem de expressar o seu medo. Hoje, Senadores da República se alternam na tribuna para, corajosamente, manifestar o seu temor do avanço autoritário do PT contra a democracia brasileira. O PT saiu do campo da esquerda, ingressou no campo da social-democracia e está hoje no campo do fascismo.

 

 

Kennedy Alencar, em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo informa que o governo conseguiu subornar a maioria dos Senadores da República. Os deputados há tempos estão no bolso de Meirelles, Palocci, Dirceu, Gushiken, Manteiga, Aldo Rebelo et caterva.

A questão que se coloca neste instante gravíssimo da vida nacional é se o Congresso Nacional proporá a sua autodissolução ou se ocorrerá um novo “Plano Cohen” ou “Incêndio no Bundestag” caso o Congresso deixe de agir de acordo com a cooptação praticada.

 

 

 

Leis do Capitalismo Brasileiro

 

            Tento estabelecer algumas leis ou normas de existência, até aqui não escritas, que vou percebendo ao longo da vida. O cumprimento destas leis não será garantia de sucesso. Mas o não cumprimento, definitivamente, é garantia de castigo. Hoje vai uma:

 

Nunca demonstre teu infortúnio – Há aqueles que poderiam ajudá-lo e aqueles que não poderiam. Se manifestares teu infortúnio, os que te amam mas nada poderiam fazer, sofrem. Os que não te amam, rejubilam-se. Os que te amam e poderiam ajudá-lo, informam sinceramente compungidos nada poder fazer. Os que não te amam, aproveitam-se da ocasião para tornar teu infortúnio ainda mais amargo.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 21 de agosto de 2004

 

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