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As verdadeiras causas do caos

 

• As verdadeiras causas da violência não devem ser buscadas simplesmente no poder de organização ou centralização do crime organizado. Existem dois problemas fundamentais, que nunca são encarados pelos governos do PSDB-PFL ou do PT: a miséria e o desemprego causados pela economia capitalista neoliberal, e a corrupção da polícia e da Justiça.

 

O imperialismo e a burguesia nacional, Lula e Alckmin, só respondem à violência com mais repressão. Durante décadas, estes governos lançaram mão de um aumento da polícia e dos presídios para controle da criminalidade, mas também para manter a concentração de renda e a pobreza. Esta política levou à maior crise de violência em nossa história.

 

O fundo dessa violência geral está na profunda desigualdade social existente no Brasil, produto do neoliberalismo. Não existe solução para a violência sem emprego, educação e bons salários para todos. Isso significa que a violência vai seguir crescendo, enquanto o capitalismo neoliberal existir. Enquanto a juventude empobrecida deste país seguir sem esperanças e sem futuro, as máfias do narcotráfico e dos seqüestros vão seguir tendo quem recrutar para suas gangues.

 

Aumentar simplesmente o número de policiais e seu armamento, ou incorporar o Exército nas tarefas de polícia, só vai fazer aumentar também a corrupção. De acordo com o presidente da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, “uma organização criminosa não pode funcionar sem cumplicidade dentro da polícia”.

 

Como explicar que as lideranças do PCC comandem esses atentados desde dentro das prisões, sem falar dos celulares e das armas que lhes são passadas por policiais e funcionários corruptos?

 

O sistema das prisões está falido, superlotado e decadente. As administrações são ineficientes, os carcereiros não são qualificados e não há projeto de reintegração e recuperação dos detentos. As prisões brasileiras são conhecidas mundialmente como centros de tortura e maus tratos. Em todo o país, são conhecidas como universidades do crime. A verdade é que o sistema prisional brasileiro é um ``campo de concentração de pobres”.

 

Os policiais ganham baixos salários, têm uma má formação profissional e vivem regimes de tensão permanente. A polícia de São Paulo mata mais do que as polícias de todos os países da Europa juntos, e sua impunidade é reconhecida, inclusive, pelos dirigentes da instituição.

 

Em São Paulo, os 130 mil policiais (compare com os 250 mil soldados do Exército Brasileiro) não impediram que o estado passasse a ser o de maior criminalidade do país.

 

Quanto mais policiais, mais repressão, mais corrupção e menos segurança. Esta tem sido a experiência concreta do povo brasileiro. Os tribunais corrompidos agem com preconceito de classe e raça. Muitos juizes, promotores e advogados são vinculados à criminalidade, ao tráfico de influência e à venda de sentenças. Assim, incentiva-se a violência institucionalizada, que alimenta a violência generalizada.

 

Enquanto isso, o governo federal é fartamente conhecido como corrupto, e o Congresso Nacional como um covil de bandidos. Todos se aproveitam da impunidade generalizada.

 

Para se combater de verdade a criminalidade, a primeira medida seria colocar na cadeia os políticos corruptos que habitam o Congresso e o governo federal.

 

 

Um programa dos trabalhadores para combater a violência 

EMPREGO E EDUCAÇÃO

É possível fazer um grande mutirão nacional para a construção de seis milhões de casas populares, o que corresponde ao déficit habitacional do país. Isto poderia dar uma resposta a dois gravíssimos problemas sociais: o desemprego e a falta de casas populares. Esse plano custaria R$ 72 bilhões (cada casa, segundo a UFRGS, custaria R$ 12 mil). 

Triplicar o orçamento federal de 2005 para a educação no país (três vezes R$ 21 bilhões = R$ 63 bilhões) possibilitaria implementar um plano educacional para a juventude e incorporá-la também em atividades de lazer. Tudo isso (emprego e educação) custaria R$ 135 bilhões, um quarto do que o governo Lula vai gastar (R$ 520 bilhões) com o pagamento das dívidas interna e externa aos banqueiros.

FIM DA IMPUNIDADE

Crimes de autoridades policiais, políticas e judiciárias devem ter punições exemplares. É fácil falar em pena de morte para os mais pobres, mas o que propor aos juízes, políticos e policiais corruptos ligados aos grandes bandidos? Primeira medida: prisão e confisco dos bens desses senhores.

 

CRIAÇÃO DE UMA NOVA POLÍCIA CIVIL UNIFICADA

É preciso acabar com as atuais polícias civil e militar, para criar outra, unificada e controlada democraticamente pela população. 

É preciso defender a população e não a propriedade das empresas. Para defender os interesses dos pobres e dos bairros da periferia, é preciso que essa nova polícia tenha uma estrutura interna democrática, com a eleição dos superiores, direito à sindicalização e greves em defesa de suas reivindicações. Delegados, promotores e juízes devem ser eleitos pela comunidade. 

Com salários dignos, condições de trabalho no mesmo nível do conjunto do funcionalismo público e capacitação profissional para a investigação. 

Os maus policiais devem ser punidos exemplarmente, em processos transparentes, acompanhados pela comunidade. Deve ser expressamente proibido que policiais criem empresas de segurança, fechando essas empresas com a relocalização de seus trabalhadores. 

GRUPOS COMUNITÁRIOS DE AUTODEFESA

Seriam encarregados de controlar e trabalhar conjuntamente com os policiais nos bairros, subordinados aos Conselhos Populares de Segurança, formados por associações de bairros, sindicatos e organizações populares, como organizações do movimento pela moradia, MTST e MST. São necessários também voluntários civis para combater a violência e a criminalidade, com membros de confiança da comunidade. 

Todos devem receber treinamento militar, combate a incêndio, enfermagem e técnicas de investigação. Teriam como função proteger a integridade física das

pessoas e dos bens dos trabalhadores, além de combater os grandes narcotraficantes, que intimidam a população mais carente nas favelas e nos bairros pobres. 

- Chega de repressão aos movimentos sociais

- Fim imediato das tropas encarregadas de repressão às manifestações sociais,

 

Fonte:

http://www.pstu.org.br/jornal.asp

 

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