Clique aqui para recomendar esta página a Amigos!

Google
Na Internet Nesta Página

Contradições

 

Nem Lula, nem o papa

 

            Acostumado em apontar um e apoiar outro em política, Lula da Silva se esquece de que, na escolha do sucessor de Karol Wojtila, foi garoto propaganda da indicação de outra pessoa – não Ratzinger – para papa. Afora isso, não sendo Cardeal, sua propaganda ficou no vazio. Agora pede a Ratzinger que seja garoto propaganda do bolsa-esmola. Surpresa nenhuma para um líder político que, na véspera, queria colocar um cocar de frutas tropicais e vestir uma picanha como gravata. Em retribuição, recebe deste a sugestão de implantar educação religiosa, exclusivamente católica, em todas as escolas do Brasil. Como resultado, nem o papa vira garoto propaganda de Lula da Silva, nem o Estado Nacional Brasileiro deixa de ser laico.

 

MiniVer

 

            Coincidindo com a saída de Márcio Thomas Bastos e ascensão de Tarso Genro ao Ministério da Justiça, a Polícia Federal não encontrou mais corrupção no Governo Federal, contudo o Judiciário sofreu um baque com mais uma operação espetaculosa. Com o maior gasto publicitário de toda a história do Brasil, a bolsa-esmola, o Ministério da Verdade (1984, George Orwell) e o bando enorme de políticos venais cooptados, o governo Lula da Silva se fortalece cada vez mais.

 

Estudar alternativas

 

            Há que se estudar estratégias alternativas à atuação publicitária no sentido educacional correto (como tento fazer aqui e o fazem o PSTU e o PSOL, por exemplo). A coalizão direitista que está no poder dispõe de recursos muito mais vastos e vence neste campo sem dificuldade, inclusive dizendo-se “de esquerda”...

 

Comprar votos e malversar o erário pode. Chamar de “feia” não pode...

 

            Foi de fato um caso banal, mas o que ocorreu no parlamento brasileiro repercutiu internacionalmente. Um deputado chamou sua colega de “feia”. Esta interrompeu a sessão da Câmara Federal aos prantos e o deputado está agora sendo processado pelo partido dos mensaleiros, dançarinos, pizzas e sanguessugas sob a acusação de “quebra de decoro parlamentar”.

            Consideramos extravagantes as lutas de Tae-Kwon Do no Parlamento Coreano, o que será que os coreanos vão pensar de nós diante disso aí?

 

 

Panem, circens e o efeito sonrizal

 

            Em outras visitas papais ao Brasil houve o mesmo fenômeno de histeria coletiva, muito similar ao que acontece em jogos de futebol, espetáculos de Rock ou de duplas caipiras. Depois de algum tempo a turba se volta na direção do próximo espetáculo. Como comprimidos efervescentes. Será que desta vez ficará algo depois que a espuma assentar?

 

Operação armada

 

            Numa operação armada de porte inédito no Brasil do século XXI, envolvendo mais de 20 mil homens do exército, polícia federal, polícia militar e guardas metropolitanas guarnecidas por 3 helicópteros de guerra e carros de combate o Sr. Joseph Ratzinger (ex-dirigente da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, nome atual da Santa Inquisição) falou em paz, sempre protegido por vidros blindados e seguranças pessoais armados utilizando equipamentos de comunicação sofisticados. O precedente de Karol Wojtila, que sofreu um atentado a bala há 26 anos seguramente pesou. Mas diante da turba a impressão que se tinha era de proteção da integridade física do papa contra os nativos que o idolatram. As numerosas mãos em busca das relíquias do mais recente santo católico fazem perceber o terror do papa: na Idade Média mais de um “homem santo” foi morto pela turba impaciente, ansiosa por obter relíquias mais preciosas como os olhos ou a língua do santo.

            Diante de um mundo com a moralidade despedaçada, em que os ricos se nutrem do trabalho dos pobres, deles se protegendo por trás de casamatas fortificadas, cercas eletrificadas e muralhas elevadas – versões mais recentes dos fossos com crocodilos que protegiam os castelos contra invasores estrangeiros – o líder da igreja católica, fortemente protegido ao lado dos ricos e aclamado pelos pobres, busca uma volta aos valores medievais nos costumes sob o aplauso entusiástico da turba que pouco ou nada compreende além de “é o papa” e “está aqui falando para nós”. Confesso certa simpatia para com a pregação de alguma forma de valores morais, o apodrecimento destes valores é perceptível de Norte a Sul do Hemisfério Ocidental e incomoda muito. Tem origem precisamente no tipo de orientação política e econômica abençoada pelo Vaticano: a transferência da exploração pelo capital industrial empresarial sobre o trabalho para a exploração de todos pelo capital especulativo. A Santa Sé fortalece os laços da exploração dos trabalhadores pelo capital especulativo, prega conformismo e busca aparentar surpresa diante dos resultados deste encaminhamento dilacerante.

            A condenação e perseguição à Teologia da Libertação com a sua “Opção Preferencial pelos Pobres” foi devastadora no subcontinente. Em seu lugar fortaleceu-se o pentecostalismo católico que adota outros nomes e tem ritualística avalizada pelo Vaticano, empolgando, de um lado os poucos muito favorecidos pela fortuna (ou seja, aqueles que vivem do trabalho alheio, como socialites, banqueiros e jogadores) e, por outro, os muitos incrivelmente empobrecidos pela política econômica sancionada no mundo pelo Vaticano. Todos em busca de algo a que se apegar, alguma fé, alguma forma de norteamento para a vida.

            A volta ao passado medieval não parece factível no campo moral embora se tenha estabelecido amplamente no campo econômico. As conquistas e descobertas dos socialistas foram varridas com a onda que devastou a União Soviética e os países do Leste Europeu como a Polônia. Atualmente varrem-se as descobertas dos liberais, Adam Smith, por exemplo, “papa” do neoliberalismo, vem sendo “revisado”, “estudado a partir de outro prisma”, enfim, tem seu pensamento quase totalmente invalidado em detrimento do capital especulativo, o mais capaz de remunerar economistas e pensadores que lhe valide a permanência no cenário histórico.

            De um lado temos os avanços tecnológicos conquistados, como a Internet, a TV digital, telefone celular e toda a parafernália que torna mais simples a comunicação entre os seres humanos.

            De outro, um processo brutal de deterioração em todas as formas de relação intersubjetiva, no campo do trabalho, no terreno afetivo, familiar, etc.

            Doenças adormecidas se transformam em praga – as sexualmente transmissíveis inclusas – e o Vaticano condena a proteção ou, como única proteção válida, aponta a abstinência. O aplauso da turba em torno deste tipo de encaminhamento não surpreende diante de líderes que pregam uma coisa e fazem outra, com a maioria da população se formando precisamente num caldo de cultura em que enganar, trapacear, mentir e engodar são consideradas práticas válidas desde que não capturadas. É muito comum, por exemplo, no mundo atual, que pessoas promíscuas condenem a promiscuidade publicamente; que os maiores ladrões condenem o roubo; que os políticos corruptos condenem a corrupção na política; que traficantes condenem o consumo de drogas...

            Este tipo de cultura, inédito nesta proporção em todo o cenário histórico, não parece suscetível de qualquer forma de modificação diante de pregações voltadas a um arrocho nos costumes. Voltar ao passado medieval pode exercer certo apelo saudosista sobre nós. Não parece operacional diante da magnitude das questões que se colocam.

 

À nova geração

 

            Precisamos de idéias novas, de gente nova disposta a lutar contra este caldo de cultura deformante apresentando alternativas viáveis. É surpreendente que o processo de apodrecimento de todos os valores morais chegue a este ponto. Pior ainda: quando julgamos que não há mais degraus a descer surgem brutalidades ainda piores. Pais não conseguem mais dialogar com filhos que passam a ser levados a postos de saúde para exame de “dopping”; não raro chamam a polícia – já suficientemente assoberbada com a criminalidade crescente e investimentos decrescentes em segurança pública – para prender seus próprios rebentos numa confissão de falência da família.

            A capacidade de regeneração da Vida frequentemente surpreende até mesmo aos profissionais de saúde e somente neste fio reside nossa Esperança, seqüestrada e brutalizada por políticos venais e religiosos aproveitadores. Que o Futuro nos regenere!

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 14/05/2007

 

 

 

Ajude a manter esta página ativa! - Clique aqui e veja como fazer

Arquivo de Artigos Semanais, Sociologia, Filosofia, Psicologia, Ensaios Críticos

Temas para o Vestibular Comentário Semanal Livros na íntegra para download gratuito
   
Obras Brasileiras e Portuguesas Filosofia, Sociologia e Psicologia Trabalhos que a fé inspira
     
História do Brasil     Obras de Valor Universal Trabalhos Maçônicos
   
Arquivo de Artigos Semanais Assédio Moral no Trabalho Trabalhos Rosacruzes 
     

© Copyleft LCC Publicações Eletrônicas - Todo o conteúdo desta página pode ser distribuído exclusivamente para fins não comerciais desde que  mantida a citação do Autor e  da fonte. Contato

O maior acervo de livros na Internet brasileira!