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Grande Capital salva Palocci mais uma vez

 

            Um espectro ronda o Brasil, o espectro da corrupção, do capetalismo. Uma Santa Aliança envolvendo as maiores instituições bancárias do Brasil, os principais partidos da direita – PT/PSDB/PFL/PC do B/PL e outros menos expressivos – lutam para manter Palocci no cargo de Ministro da Fazenda. O médico com cara de bom moço cercado de gente esquisita – Buratti, Poletti e quejandos – fica isento de esclarecer o esquema de corrupção na Prefeitura de Ribeirão Preto e mesmo o Supremo Tribunal Federal, sob controle do Executivo, exime-o de qualquer imputação.

            A Santa Aliança conclama: “mantenhamos as elevadas taxas de lucratividade dos bancos, não deixem que o Palocci saia, senão corre-se o risco de um governo menos austero e isso seria inadmissível”.

            Palocci, envaidecido, compromete-se a defender o grande capital especulativo enquanto o Presidente da República assim o determinar. Lula, quase imediatamente disse que “nada mudará na política econômica brasileira”. Segundo a sua visão tacanha, “está acertando”. Bom, acertando está: para banqueiros, corruptos, jogadores da bolsa e outros criminosos de grosso calibre.

            Os bancos nos roubam cotidianamente, mas isso é “legal” do ponto de vista jurídico: para usar a conta-corrente há uma taxa; se ficar sem usar a conta-corrente há uma taxa; para obter talões de cheque há uma taxa; para saber o saldo há uma taxa; para saber quanto deve ao banco, há uma taxa. Tanta taxa somada a juros extorsivos deixam os bancos, apadrinhados por Palocci, na situação mais confortável de toda a história do mundo. Chamo a atenção para este fato: em nenhum outro lugar do mundo, em nenhum outro tempo histórico os grandes agiotas institucionalizados lucraram tanto quanto no governo Lula!

            De Henrique Meirelles, respondendo a processo no Supremo Tribunal Federal contra a ordem tributária, contra o erário e contra a justiça eleitoral, ninguém fala nada diante de tantos outros escândalos. Feliz da vida e lucrando fábulas com suas informações privilegiadas passadas subrepticiamente a seus comparsas de grosso calibre, tudo indica que, criminoso provado e comprovado sairá incólume e ainda mais rico do que já o era...

 

E Dirceu?

 

Esta semana a Comissão de Ética da Câmara votou e aprovou por quase unanimidade – a única exceção nem merece ser mencionada, trata-se de ser humano de baixíssimo nível moral e intelectual, como a maioria dos petistas, destinado a ser esquecido pela História – o STF, exercendo uma ingerência injustificável e anti-republicana sobre o Parlamento Brasileiro acatou o pedido dos advogados de José Dirceu no sentido de que o relatório seja refeito. A ausência de um Ministro do Supremo adiou a decisão final. Por enquanto estamos em 5 a 5. O voto decisivo caberá ao Ministro Sepúlveda Pertence. Deus o ilumine. O Parlamento, sob o governo Lula se transformou em mero organismo homologador das ordens do Planalto. O STF vai pelo mesmo caminho e a República, no Brasil, ainda está por ser fundada...

Discordo daqueles que dizem ser José Dirceu o chefe da quadrilha que comandava o esquema do “Mensalão”. Foi executor e por isso deve responder! Mas o chefe da quadrilha responde pelo nome de José Inácio Lula da Silva.

 

 

Futebol

           

            Não é o meu forte, não vejo a menor graça em 22 barbados correndo atrás de uma bola. Mas um tema causou celeuma e chegou até a Presidência da República que teve uma interpretação toda particular em torno do ocorrido. Vejamos:

No último dia 20 o árbitro de futebol Márcio Resende Freitas expulsou o artilheiro Tinga, do Internacional, violentamente agredido pelo goleiro do Corinthians deixando de marcar um pênalti e expulsar o goleiro corinthiano, desrespeitando completamente não apenas o regulamento da CBF como o bom-senso e a visão de milhares de brasileiros. Lula da Silva, questionado a respeito, informou que, em sua opinião, não houve erro de arbitragem. Tratou-se meramente de um “pênalti não contabilizado” e, de mais a mais, “erros de arbitragem são uma prática comum no Brasil”.

 

* * *

 

Tropologizando: “O Palácio”

 

Extremamente feliz com uma “promoção” recentemente recebida após longa espera e muito estudo, passo a transcrever um belo conto do Ir.’. Rudyard Kipling:

 

    “Quando era Rei e Maçom - Mestre que já tinha feito suas provas - escolhi terreno conveniente para erguer um Palácio digno de um Rei.

    Tendo disposto as minhas estacas sobre o chão desentulhado, apressei-me em cavar até o nível desejado. Apareceram então, debaixo do entulho, as ruínas de um Palácio construído há muito tempo por um Rei.

    Faltava arte à construção e sutilezas ao plano. Desajeitadamente, cavalgando ao acaso, alinhavam-se grosseiros blocos, testemunhas de uma arquitetura inábil; porém sobre cada pedra estava gravado: “Depois de mim um Construtor virá. Dizei-lhe que também eu soube”.

    Do fundo de minhas trincheiras, rapidamente, elevaram-se as minhas fundações judiciosas. Apropriando-me dos materiais do meu antecessor, submeti-os a um sábio talhe, serrando os mármores, polindo-os, rejeitando ou retendo, segundo o meu gosto, os dons do humilde e morto.

    Abstive-me, porém, de desprezar mesmo aquilo que não foi utilizado. O coração daquele construtor falava ao meu, linguagem de suas fundações arrasadas.

    Como se estivesse erguido para discorrer, a forma de seu sonho para mim tornou-se clara a obra que tinha projetado, evocando-o diante de mim.

    Quando era Rei Maçom - em pleno meio-dia de minha soberba, uma Mensagem chegou-me da escuridão - murmúrio afastado, dizendo: “O fim é proibido”. Compreendi. “Teu objetivo está atingido. O teu propósito era marcar, como o do outro, o lugar em que um Rei há de querer construir”.

    Chamando os homens do meu canteiro de obras, das minhas pedreiras e dos meus transportes, abandonei todo empreendimento que entreguei à fé dos anos pérfidos.    

    Porém, talhado na madeira e gravado na pedra, transmiti:

“Depois de mim, um Construtor virá. Dizei-lhe que também eu soube.”

 

* * *

 

Feliz Tudo, mAninha!

 

            Minha mAninha (Ana Maria Curvello Chaves) fez aniversário dia 23 de novembro. Fizemos uma festinha familiar para ela, a quem devo a minha vida. A melhor Enfermeira que conheço! Que os Anjos de Deus tragam a ela a realização de todos os seus mais elevados desejos!

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 24/11/2005

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