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Novo apagão a vista, crise
econômica a prazo e Forças Armadas na sucata
Adesão
entusiástica de Lula da Silva ao capital especulativo
Como disse
muito bem D. Luiz Cappio, bispo de Barra, “Lula da Silva cospe no prato que
comeu”. Conduzido ao poder pela fama de uma afinidade com os trabalhadores,
sua primeira nomeação foi a do megaespeculador e gerente do Citibank
(brasileiro por acaso, que raras vezes pisou em solo nacional antes de 2003)
Henrique Meirelles, sinalizando a quem tivesse dúvidas o tipo de governo que
se propunha a exercer: a opção preferencial pelos milionários, pelos
banqueiros e jogadores da bolsa estava consolidada.
Alguém
poderia argumentar que Lula segue em seu discurso “a favor dos pobres e
criticando a especulação”, o que é fato tão concreto quanto o de sua atuação
ir na direção precisamente contrária a deste tipo de discurso que,
naturalmente, se modifica quando a platéia é composta pela elite, para a
qual e em nome da qual governa o Brasil, contra a maioria do povo
brasileiro.
Dos Estados
Unidos chegam notícias de uma recessão a caminho em passos largos. Bancos e
especuladores em crise recebem a ajuda de U$ 150 bilhões do dinheiro do
contribuinte estadunidense num exemplo do que o capitalismo em sua feição
mais hedionda, a da especulação rapinante, adotou em escala planetária.
Quando há lucros, os jogadores e criminosos que extorquem exorbitâncias de
quem produz são parabenizados e ficam com tudo. Quando há prejuízos, estes
são “socializados” ou “repartidos” com a sociedade. Assim impuseram os
estadunidenses aos brasileiros, que sempre fazem o que seu mestre mandar e
assim parece fazerem. Dadas a proporção, o tamanho da economia estadunidense
assim como da crise por lá fica a dúvida: será que Bush cumprirá o que
prometeu – diferentemente dos governantes dos países-satélite dos EUA, como
o Brasil, que jamais cumprem o prometido? Será este valor suficiente para
satisfazer a voracidade do especulador estadunidense?
Destas duas
perguntas simples e irrespondidas depende o comportamento de toda a economia
mundial, hegemonizada pelo Império. Em torno destas duas perguntas girará
muita especulação e jogatina nos países centrais do capitalismo assim como
aqui na periferia, entre os satélites de economia mais frágil e claramente
subordinada. Valores de títulos em bolsas de valores se elevarão e cairão ao
sabor dos interesses dos especuladores e o lucro dos bancos será garantido
pelo governo brasileiro com o fruto de nossos impostos, não importa o que
aconteça. Há um limite para esta irresponsabilidade? Esta é a grande
pergunta que os economistas brasileiros, sempre por vias tortuosas e com
explicações esquisitas e rebuscadas, respondem pela negativa e joga a conta
para os trabalhadores. Tem sido assim ao longo de toda a nossa história e
Lula da Silva é um mísero continuador da política econômica iniciada pelos
militares em 64 a que deram seqüência Sarney, Collor de Mello, Itamar Fraco
e FHC. Irrelevantes seus discursos tonitruantes em que vocifera existir um
“Brasil Antes de Lula” e outro “Brasil Depois de Lula”. Na prática, é
miseravelmente um continuador medíocre das políticas econômicas a nós
impostas pelos estadunidenses desde a deposição de João Goulart.
De que
maneira a crise estadunidense nos afetará?
Dada a
opção preferencial pelos especuladores, feita pelo Lula da Silva e seus
asseclas, a previsão mais imediata é que muito dinheiro mudará de mãos
através das bolsas de jogatina, sem maiores conseqüências imediatas para o
cotidiano da maioria dos brasileiros, fora do cômputo destes cálculos. No
médio a longo prazo, se o prejuízo maior ficar por conta daqueles que mais
contribuíram para as campanhas eleitorais dos políticos (sinônimo de
“corruptos” na Era Lula, ça va sans dire) no poder, a conta será repassada a
todos nós que teremos, cada um, nova diminuição em nosso combalidíssimo
padrão de vida. Em qualquer caso, o governo utilizará a crise estadunidense
para nos arrochar ainda mais e justificar, na propaganda diuturna, sua
monumental incompetência.
Prevenindo o apagão há muito anunciado
Lula da
Silva tomou todas as providências para transferir a responsabilidade pela
inevitável crise no setor energético, há muito anunciada, para outro partido
que não o seu.
Evidente,
um governo sério e competente, se precaveria com obras, investimentos no
setor e, fundamentalmente, convocaria os mais gabaritados técnicos,
profundos conhecedores do tema, para evitar a ocorrência de um fato que já
tem precedentes e está amplamente mapeado pelos especialistas.
Não sendo o
caso deste governo que aí está, as medidas foram outras:
_ Aumento nos
impostos – com o cuidado do bombardeio de uma propaganda maciça
desinformando que se fez o contrário;
_ Manutenção do
superávit primário em níveis estratosféricos a fim de garantir a
lucratividade da jogatina das bolsas e o lucro dos bancos, por quem foi
eleito e para quem governa – sempre com o cuidado de se bombardear com
propagandas na direção oposta ao que se faz, o que já é tão rotineiro que se
tornou até chato ficar repetindo.
_ Transferência
política do Ministério das Minas e Energia – no momento em que a crise
anunciada para o setor se avizinha – para um partido da base de bajulação e
compadrio. A isto, naturalmente, se seguirá a remoção dos técnicos
eventualmente remanescentes para que se nomeiem, a gordos salários, os
asseclas do ministro designado para o cargo.
Edison
Lobão é um político tradicional, de carreira, cuja evolução patrimonial
pessoal poderia ser acompanhada de toda a sua trajetória. A exemplo de
outros “antigos aliados” e “amigos de infância” de Lula da Silva, Lobão
prestou relevantes serviços à ditadura militar e a todos os governos
subseqüentes, credenciando-o para ser o responsável pela crise anunciada
para o setor.
Já anunciou
o aumento no custo da energia elétrica, voltou atrás e logo-logo, desdirá o
que disse o que todos ouviram – este também é um padrão chato, repetitivo
neste governo como, aliás, em todos os governos de que se tem notícia. Como
dizia o grande Izidore F. Stone, “todo o governo mente”.
As “obras
do PAC” – mais propaganda do que realidade, quando concretas estão
superfaturadas e a maioria sequer saiu do projeto – evidentemente não serão
suficientes para evitar a tragédia anunciada. Será mesmo necessário
racionalizar o uso da energia elétrica num dos países com maiores recursos
hídricos, portanto potencial energético do mundo e diante do crescimento
mais medíocre de toda a nossa história, batendo recordes negativos um após o
outro nos últimos anos. Mesmo crescendo na mediocridade dos 3 a 5% (pouco
abaixo ou acima do Haiti, a economia mais pobre do planeta), a energia, mais
cara, nos faltará por mera incompetência administrativa.
Lobão,
velha raposa política, saberá, no momento certo, o que fazer para se manter
à tona diante da tormenta que se avizinha. Com ou sem Lula da Silva.
Reajuste
salarial dos militares e reequipamento das Forças Armadas
Há poucos
dias o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, convocou os bem-remunerados
comandantes das 3 Forças Armadas para uma reunião importante. A expectativa
era de discussão em torno do reaparelhamento de nossa Defesa sucateada e uma
recomposição mínima nos salários dos militares, cujos vencimentos e cortes
sucessivos de investimentos vêm legando a plano de insignificância crônica
há cerca de 20 anos.
Pauta da
Reunião? Mais cortes de verbas para as Forças Armadas.
Resultado
da Reunião? Fotos com sorrisos fartos dos participantes e nenhuma declaração
à imprensa. Uma curiosidade, contudo: o sinistro, digo, ministro Paulo
Bernardo, do Planejamento de Cortes, informa que não haverá reajustes ou
alocação de recursos para as Forças Armadas. O Comandante do Exército diz o
contrário.
Já no
país do Cândido...
Enquanto
isso, na Terra da Fantasia em que Lula da Silva vive,
tudo vai bem no melhor dos mundos, "os preços caem, o
número de empregos aumenta, os salários sobem, os impostos diminuem, não há
crise econômica alguma, o serviço público de saúde causa inveja no Primeiro
Mundo, o ensino público é perfeito, não há febre amarela e o risco de apagão
é uma invenção dos pessimistas."
Que
Brasileiro não gostaria de viver num país assim?
Lázaro Curvêlo
Chaves – 22/01/2008

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