
|
|
Crise no sistema nacional de Saúde Pública
|
O que está acontecendo com os Hospitais Públicos do Rio de Janeiro? Não sou filiado ao PFL nem passo sequer próximo da suspeição de ser partidário de César Maia, ao contrário! Contudo, sou obrigado a admitir – ou constatar – que ele está sendo vítima de um rolo compressor governamental voltado principalmente a buscar manter o incompetente Humberto Costa à frente do Ministério da Saúde assim como denegrir a imagem do prefeito do Rio diante da opinião pública com vistas a inviabilizar a sua candidatura à Presidência da República em 2006. Maia incorre no mesmo erro cometido por Roseana Sarney em 2001: anuncia suas pretensões cedo demais e se transforma em presa fácil à sanha assassina de seus opositores... A crise não é só na Saúde Pública, nem somente no Rio de Janeiro. Estende-se à Educação, à Segurança, aos Transportes, à Infra-estrutura, a todos os setores da administração pública no país inteiro. Ponto a ponto: quem é Humberto Costa e o que anda fazendo no Ministério da Saúde? Passo aqui a palavra a Augusto Nunes que, em sua coluna “O Ministro que se perdeu na selva” no Jornal do Brasil de domingo passado (13/03/2005) considera, entre outras coisas:
Augusto Nunes - Jornal do Brasil, 13 de março de 2005
Operação para salvar Humberto Costa
Na marca do pênalti para ser chutado do ministério e substituído pelo “renomado profissional da área da Saúde e anti-tabagista” Ciro Gomes, Humberto Costa, aferrado ao poder, tomou uma decisão violenta. Socorre-nos mais uma vez o Blog de Ricardo Noblat que, dia 11 de março passado publicou:
E a versão da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro?Quando passei pela experiência de trabalhar para o município de São José do Rio Pardo – e o fiz ao melhor de minhas habilidades, ça va sans dire – fiquei sabendo que há anos estava em andamento um processo sistemático de concentração da arrecadação de impostos no governo federal paralelamente à determinação da municipalização de uma série de incumbências. A contrapartida se daria através de convênios e “repasses de verbas”, que raramente se concretizavam em sua plenitude. Este quadro vem sofrendo deteriorações ano a ano. O governo que cobra os impostos mais altos do mundo precisa arrecadar cada vez mais principalmente para pagar dívidas que aumentam dia-a-dia principalmente por causa das altas taxas de juros – medida que amplia o fosso entre as classes sociais via transferência de renda do trabalho para o capital. Os serviços públicos são péssimos no país inteiro e mesmo assim o brasileiro tem de trabalhar hoje 5 meses em cada 12 para pagar tributos – seja indiretamente na aquisição de bens de consumo ou duráveis, seja diretamente através das Receitas Federal, Estaduais e Municipais. Entrei em contato com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e obtive um “release” com algumas informações muito interessantes, dentre as quais destaco:
Ministério da Saúde não cumpre contrato com o MunicípioO Município do Rio de Janeiro vem arcando com a maior parte das despesas das unidades de Saúde municipalizadas, tanto no que se refere ao custeio como na reposição de servidores federais que se afastam por aposentadoria ou demissão, além de alocar pessoal na ampliação dos serviços prestados à população. Ao contrário do que está previsto nos convênios da última etapa da municipalização, que transferiram, em 1999, seis hospitais para administração da Prefeitura do Rio, o Ministério da Saúde repassa somente R$ 5 milhões por ano para gastos com a reposição de pessoal que, em 2004, alcançaram R$ 46,6 milhões. Para manter todas as 28 unidades municipalizadas o Ministério da Saúde repassa mensalmente para a Prefeitura do Rio R$ 14,6 milhões, valor insuficiente em relação às necessidades para seu funcionamento, estimadas em pelo menos R$ 30 milhões. A comparação entre as verbas de custeio, destinadas pelo Ministério da Saúde aos seus hospitais próprios, e aquelas enviadas aos hospitais federais sob gestão do Município comprova a discriminação em relação à Prefeitura. Para nove grandes unidades federais municipalizadas, as verbas de custeio permaneceram congeladas desde 1999 até hoje, enquanto os recursos para os hospitais próprios do Governo Federal eram reajustados em pelo menos o dobro. Somente o Hospital da Lagoa – municipalizado – recebe hoje, mensalmente, recursos para custeio de R$ 2 milhões – o mesmo que recebia em 1999. Enquanto isso, o Hospital dos Servidores, próprio federal e comparável, por exemplo, ao Hospital da Lagoa em tamanho e complexidade, recebe mensalmente R$ 6,1 milhões. O Hospital do Andaraí, unidade federal sob gestão municipal, recebe mensalmente R$ 1,7 milhão em verbas de custeio, congeladas desde 1999, enquanto o hospital federal da Posse, em Nova Iguaçu, recebe R$ 3,8 milhões mensais. Para todos os 28 hospitais e postos de Saúde federais sob gestão do Município, a Prefeitura recebe do Ministério da Saúde, em verbas de custeio, cerca de R$ 14 milhões mensais. Se estes recursos fossem distribuídos igualmente entre todos os hospitais e postos de Saúde municipalizados, resultariam em R$ 500 mil para cada um. A comparação com as cinco maiores unidades próprias do governo federal no Rio é gritante. Estas recebem mensalmente R$ 82,2 milhões, o que representa uma quota de nada menos do que R$ 6,8 milhões mensais para cada hospital. Para prestar bons serviços à população da Cidade, desde 2003 a Prefeitura do Rio vem exigindo do Governo Federal uma solução para os problemas das 28 unidades de Saúde municipalizadas desde 1995. O Município apontou problemas, solicitou negociação e apresentou opções para resolver a questão. Como nada adiantou, foi feita uma notificação extrajudicial, em junho de 2004, ao Ministério da Saúde informando que sem os recursos necessários, as unidades seriam devolvidas. Agora, a proposta municipal se tornou realidade, já que o ministério interrompeu as negociações, não concordando, inclusive, em ressarcir as despesas do Município do Rio com manutenção, pessoal, remédios e outros insumos. O Governo Federal negou-se, também, a fazer a correção dos valores repassados mensalmente, e que estão congelados há 10 anos. A realidade é que, por meio de decreto federal, os hospitais federais Cardoso Fontes, Lagoa, Andaraí e Ipanema voltaram à responsabilidade do seu verdadeiro dono, o Ministério da Saúde. Isto foi uma exigência da Prefeitura. O ato federal incluiu ainda a requisição dos hospitais municipais Souza Aguiar e Miguel Couto, que a Prefeitura classifica como “arbitrária e questionável”. Sobre material enviado pelo Ministério da Saúde e encontrado ainda embalado e sem uso, medicamentos com prazo de validade vencido e mal armazenados ou a suspeita de desvio de recursos da saúde para aplicações financeiras a Prefeitura do Rio prefere não se pronunciar por enquanto.
Para onde afinal vão os impostos que pagamos?Henrique Meirelles – a maior autoridade política da república embora não tenha sido eleito por ninguém para esta função e sob quem pairam suspeitas pesadíssimas de malversação de recursos públicos, fraude eleitoral e remessa ilegal de divisas ao exterior – determina o encaminhamento da economia nacional. Assim, a prioridade número 1 do governo Lula é pagar os juros da dívida que Meirelles e seu grupo terrorista COPOM se incumbem de fazer aumentar cada vez mais. Em segundo lugar as despesas com propaganda do que o governo deveria fazer, diz que está fazendo, mas só na propaganda mesmo. A seguir, vêm as despesas com a cooptação de parlamentares. Em quarto lugar as despesas de gabinete – segundo dados do Diário Oficial da União, Lula gastou, somente em 2004, R$ 372 milhões. Comparativamente, FHC gastou, em 1995, R$ 38 milhões. Lula é caro demais, gasta dez vezes mais que FHC somente com o Palácio do Planalto (os itens são tão numerosos e tão incrivelmente estranhos que os arrolei em ponto separado de minha página, clique aqui para conferir. Em quinto, vêm as despesas com pessoal. Abaixo transcrevo um trecho de excelente reportagem do não menos Augusto Nunes, também publicada no Jornal do Brasil de 13/03/2005. O que sobra, é transferido a conta-gotas aos ministérios para a Saúde, Educação, Saneamento Básico, Infra-estrutura, etc.
PT vira agência de empregosAugusto Nunes - Jornal do Brasil, 13 de março de 2005
Sociologia, Filosofia, Psicologia, Ensaios Críticos
|