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Repercussões da Cúpula dos Países Árabes e Sul Americanos

Foi a culminância de uma série de negociações comerciais que já vinham em andamento há tempos, com repercussões políticas bastante polêmicas.

A se notar, antes de mais nada, a ausência de países de importância crucial como a Arábia Saudita, o Egito e o Irã entre outros. A presença de tantas ditaduras alinhadas aos EUA na reunião causou grande desconforto, a ponto de o documento final do encontro somente mencionar a palavra “democracia” quando se refere ao Iraque – país ocupado por uma potência estrangeira à revelia das decisões soberanas da Organização das Nações Unidas e em meio a uma guerra que está longe de seu final.

Jefferson Chomma, do Opinião Socialista, ressalta que a presença e o tratamento dado ao presidente iraquiano, não só pelos países árabes presentes na Cúpula, mas também pelo governo brasileiro, é um gesto de reconhecimento e legitimidade concedido ao governo fantoche iraquiano imposto pelos estadunidenses. Nenhuma só palavra foi levantada pelos representantes governistas na reunião contra a ocupação militar norte-americana. Todos simplesmente fingiram que ela não existe e que tampouco existe uma forte resistência com apoio popular em curso que enfrenta neste momento uma sangrenta ofensiva dos exércitos colonialistas. Afinal, segundo a lógica predominante no evento, o que interessa são as “possibilidades de negócio” entre os países, como não esconde o ministro Furlan.

 

Palestina, Israel, EUA...

 

Ambíguo, reticente e nada convincente, Lula não se posicionou com clareza em relação à questão da Palestina e, bem a seu estilo conciliador, neoliberal e reformista, pediu “paciência” ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para a criação de um Estado Palestino Soberano, Livre e Independente que a ONU determinou em 1948 e o Estado Terrorista de Israel se recusa sistematicamente a cumprir.

EUA e Israel agem à revelia da ONU, ou seja, da Comunidade Internacional das Nações do mundo, ocupando territórios, destruindo patrimônio, assassinando pessoas, confiscando bens e praticando a tortura. Esse tipo de terrorismo de Estado não foi sequer mencionado.

A “Declaração de Brasília” condena o terrorismo, mas deixam de incluir na classificação de “terrorismo” os atos perpetrados por Israel e EUA nas Nações ocupadas militarmente por aqueles países.

Apesar dessa falha gravíssima, a Confederação Israelita do Brasil e mais 13 entidades judaicas criticaram o que entenderam como "tom pró-terrorista" do documento final da Cúpula América do Sul-Países Árabes e ameaça: “Brasil importou guerra!” Vêem nas vagas declarações de Lula a favor de uma nação palestina soberana – adiada sine die – uma forma de apoio ao terrorismo... O comunicado faz ainda uma diferenciação entre “terrorismo bom” e “terrorismo ruim” que ninguém entendeu. Gente inocente massacrada por pessoas armadas configura ato de terrorismo, seja este praticado por um desesperado que amarra bombas ao corpo e se explode dentro de um Shopping Center em Tel Aviv, sejam aviões seqüestrados e transformados em bólidos de guerra para destruir edifícios em Nova York, sejam creches e hospitais bombardeadas por aviões de bandeira estadunidense ou israelense ou aldeias pobres bombardeadas por forças armadas de nações constituídas, etc. Tudo isso é terrorismo e tudo isso é muito, muito ruim e ponto final. Não existe “terrorismo bom”...

 

E a América Latina?

 

Houve uma intenção no sentido de reforçar o MERCOSUL e amenizar hostilidades entre o Brasil e a Argentina. Os Argentinos nos vêem em relação ao MERCOSUL, guardadas as proporções, como nós vemos os estadunidenses em relação à ALCA: sem salvaguardas ao Brasil, um ingresso na ALCA seria um desastre para a economia brasileira. A Argentina se bate por salvaguardas mínimas à sua economia a fim de participar ativamente do MERCOSUL. Esta situação ainda está longe de ser resolvida.

No campo político internacional, a Argentina exige o reconhecimento internacional de seu direito sobre as Ilhas Malvinas ou Falkland. Neste caso, e dada a proporção – mínima – do problema, o Brasil se arrisca a arranhar suas relações com a Inglaterra sem apresentar qualquer tipo de solução para a questão que, igualmente, permanece pendente.

Hugo Chavez foi, de longe, a personagem mais forte, protagonista do discurso mais soberano dentre todos os presentes à Cúpula. Deixa claro que está sob permanente ameaça terrorista por parte dos estadunidenses que o querem fora do poder embora conte com quase 80% de aprovação do povo venezuelano.

Reafirmou a nítida pretensão estadunidense a se transformarem nos “donos do mundo” apresentando a ocupação militar do Iraque como um exemplo. Embora exageradamente tímida – pois que composta quase que na totalidade por países alinhados aos EUA – Hugo Chavez considerou a Cúpula “uma forma de resposta a esta pretensão estadunidense”.

Em declaração contundente afirmou: “Os EUA falam de democracia e são seus maiores violadores. Falam de armas de destruição em massa e são os primeiros a produzi-las e usá-las. Criticam a Venezuela por comprar fuzis russos enquanto gastam mais de US$ 500 bilhões em armamentos.” Sem reparos!

 

 

Militares com salários aviltados garantiram a segurança do Evento

 

Com o salário defasado e em processo de brutal corrosão há mais de uma década, os militares receberam um pequenino abono de 10% no ano passado com a promessa de mais 23% para março deste ano. Lula prometeu e não cumpriu. A cada dia multiplicam-se notícias de insubordinação, de militares endividados que cometem suicídio e as esposas fazem protestos, uma vez que é constitucionalmente proibida a manifestação política dos membros das Forças Armadas.

Há tempos as esposas dos militares montaram um acampamento em frente ao Itamaraty para protestar contra o descaso do governo para com a situação de seus maridos.

Na madrugada do dia 11, em meio à Cúpula Árabe – Sul Americana, militares mal remunerados cumpriram ordens da Presidência da República e, num ato de violência contra as esposas, desmontaram e removeram o acampamento, silenciando, longe dos olhares da imprensa, o direito democrático de protesto desta categoria profissional.

 

Governo descumpre mais uma vez acordo com o Congresso Nacional

 

Chega a ser impressionante a capacidade do governo petista de criar crises. E todas elas saem da mesma fonte: a equipe econômica que vai mais longe do que o FMI ousaria no arrocho aos brasileiros.

Desta vez, aprovado na Câmara e no Senado Federal, por acordo com o Governo Federal, o presidente Lula simplesmente vetou o aumento salarial de 15% para os funcionários do Legislativo e do Judiciário. Alega que não há recursos, que o impacto nas finanças brasileiras seria insuportável e o blá-blá-blá de sempre.

Vamos nos lembrar que há R$ 300 milhões por dia para enviar à ciranda financeira, para pagar pelos juros que o próprio governo aumenta – aliás, vem outro aumento de juros aí, mas este é outro assunto... – mas não há recursos para salários, saúde, educação, segurança...

O Congresso promete derrubar o veto presidencial, o que seria um fato inédito, algo que, se acontecer mesmo, Lula poderá dizer mais uma vez “nunca antes neste país...”

O desprezo pelo Parlamento, o canhestrismo na articulação política e o autoritarismo recorrente deste governo é preocupante em grau superlativo!

 

Meirelles Indiciado!

 

O Ministro Marco Aurélio Mello acolheu a denúncia do Ministério Público contra o ministro-presidente do Banco Central e já determinou a quebra do sigilo fiscal e o cerco sobre ele se fecha.

Por via das dúvidas o Ministro Antônio Palocci já convidou o sr. Murilo Portugal – até então no cargo formal de representante do Brasil no FMI – para a eventual necessidade de uma substituição de Meirelles sem modificação na orientação da política econômica escorchante que estamos vivendo.

Esperemos, contudo, que pelo menos Justiça se faça. Se o Sr. Meirelles for inocente, que siga no cargo. Se culpado, que pague pelos crimes que cometeu.

Fica a questão: até quando Lula seguirá nomeando para o seu ministério pessoas cujo currículum vitae se parece mais com ficha criminal?

 

Levantando o traseiro

 

Depois de sua rápida passagem pelo Brasil, quando anfitrionou líderes árabes e latino-americanos que se dispuseram a participar do evento que promoveu em Brasília, Lula levantará mais uma vez o traseiro para mais uma tournée pelo Japão e pela Coréia a partir do próximo dia 22 de maio.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 12/05/2005

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