Cultura Brasileira - 15 anos no ar! 1998 - 2013

 

Da Servidão Moderna - Jean-François Brient e Victor León Fuentes

      Nesta época de trevas em que vivemos, somente comparável à Idade Média, saúdo como EXCEPCIONAL o documentário, reproduzido com autorização implícita dos Autores, que informam: "Este filme é difundido fora de todo circuito legal ou comercial, ele depende da boa vontade daqueles que asseguram sua difusão da maneira mais ampla possível. Ele não é nossa propriedade, ele pertence àqueles que queiram apropriar-se para que seja jogado na fogueira de nossa luta."

      Lembra muito o "Discurso da Servidão Voluntária", disponível para Download gratuito aqui: http://www.culturabrasil.org/download.htm Contudo Jean-François Brient e Victor León Fuentes desenvolvem uma linguagem própria e mais atual, ilustrando magnificamente seu ponto de vista: Como nos deixamos dominar desta maneira? Por que nos recusamos a lutar pela nossa liberdade? Sem dúvida a mídia (particularmente a televisionada, o atual "ópio do povo") e as religiões fazem a sua parte para manter a turba calma e sob controle. Mas... Como é possível que acreditemos mais no que diz a telinha da TV ou a ratazana do alto do púlpito ou altar do que na realidade em que nos vemos imersos?

 

Texto completo - em Português - para leitura em tela: http://www.delaservitudemoderne.org/texto-po.html

Texto - em Português - para download em PDF: http://www.delaservitudemoderne.org/Documents/daservidaomoderna.pdf

 

 

Documentário "Da Servidão Moderna", Trailer

 

 

Considerações sobre um Tempo Sombrio

         Para além das questões levantadas neste documentário, incluindo-as, contudo, sabemos que a Espécie Humana, particularmente do nosso lado do mundo, ou seja, esta civilização que tem sua origem nas tradições clássicas do Egito, Babilônia, Grécia e Roma antigas, já passou por momentos monstruosamente dramáticos. O mais notório e prolongado deles antes do atual foi o período medieval durante o qual a Igreja Católica Apostólica Romana exercia sua autoridade e autoritarismo temporal de maneira despótica e cruel em grau superlativo.

       Durante cerca de MIL ANOS toda a busca de conhecimento fora da autoridade da Igreja era impedido, cerceado, perseguido e suprimido, com o requinte da supressão física do eventual pensador que vislumbrasse coisas diferentes dos dogmas absurdamente infantis dos donos do poder no período. Dentre as atrocidades cometidas durante a Era das Trevas da Idade Média se incluem a escravidão negra (o continente africano foi repetidamente saqueado em sua população e riquezas, tudo "em nome do pai, do filho e do espírito santo", claro está; quando a população européia se tornou mais numerosa que as autoridades (principalmente eclesiásticas) do período estavam preparadas para suportar houve um incentivo ao massacre da população palestina, em paz desde a queda do Império Romano (circa 576 da nossa Era) até o iníciio das Cruzadas (início do século XII da nossa Era). De volta à Europa os guerreiros ligados diretamente à Igreja Católica Apostólica Romana como os Templários ou aqueles indiretamente também a ela subordinados como os reis europeus, informavam com satisfação haverem caminhado dias a fio pelas ruas de Jerusalém "com o sangue dos infiéis jorrando tanto que lhes cobria até os tornozelos" ao caminha pelas ruas onde, reza a mitologia cristã, teria caminhado Jesus de Nazaré; o silêncio obrigatório às mulheres, oprimidas em grau superlativo pelo patriarcalismo judaico-cristão do período e, para não tornar uma lista de atrocidades mais longa ainda, é preciso deixar registrada a prática comum entre os cristãos europeus da Idade Média da prática de sacrifícios humanos através de procedimentos a que se chamou de "Santa Inquisição". Sem hipocrisia ou juízo de valor, TODAS as sociedades humanas do mundo praticam os sacrifícios humanos desde que a nossa espécie se organizou em comunidades sedentárias: entre os Aztecas, que se sentiam responsáveis pelo nascer e por do sol, arrancava-se o coração do sacrificado do alto de uma pirâmide e se o exibia, ainda pulsando ao disco solar. Enquanto isso, na Europa, as noites eram iluminadas por fogueiras sem fim nas quais ardiam os considerados hereges, aqueles que ou discordavam de determinados aspectos ou preceitos impostos pelos dogmas religiosos ou mesmo pessoas de uma forma ou de outra desajustadas às normas sociais do período (loucos em particular) e mulheres que, de uma forma ou de outra, se comportavam de maneira discordante do que impunham as autoridades. Os dois mais notórios cientistas a ter problemas monumentais com a Igreja Católica Apostólica Romana são Giordano Bruno, por afirmar que "o Universo é Infinito", o que contrariava os dogmas de seu tempo e por isso foi queimado vivo na fogueira com uma mordaça de ferro a impedir-lhe de proferir "heresias" enquanto era supliciado - e Galileu Galilei por haver escrito e publicado, em 1632 - cem anos após as Grandes Navegações Portuguesas de navegação em torno da Terra, por sinal - um livro intitulado "Dialogo di Galileo Galilei sopra i due Massimi Sistemi del Mondo Tolemaico e Copernicano", em português contemporâneo conhecido simplesmente como "Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo" em que defendia a posição de Nicolau Copérnico - que o Sol, não o Planeta Terra era o centro do Unvierso Conhecido à época, além disso que a Terra é um Planeta e se move, também afirmações contraditórias ao dogmatismo brutal da Igreja Medieval. Galileu não foi sacrificado, mas teve toda a sua obra proibida aos cristãos, inserida no Index Librorum Prohibitorum e passou o resto de seus dias em prisão domiciliar. Galileu, embora os séculos comprovassem estar correto, se retratou por medo da morte sob tortura e ainda conseguiu criar muito por haver sobrevivido à sanha assassina dos cristãos.

E Era das Trevas Atual

          Se na Idade Média, "fora da Igreja não havia salvação nem perdão", ou seja, se algo surgisse em contradição ao pensamento cruel e brutalmente limitado dos cristãos, perdia, no mínimo as condições de sobrevida digna; era escomungado e nenhuma pessoa ligada à Igreja (o que era tão compulsório quanto ser nazista na Alemanha durante a ditadura hitlerista) poderia ter qualquer forma de relacionamento com o "herege" excomungado: conversar, vender ou doar coisas que lhe permitissem a sobrevida, etc. Usualmente a vítima vinha a óbito por inanição, depressão e abandono; raramente fugia da barbárie da Europa para locais mais civilizados como a China ou a Índia - Marco Polo foi um destes, por sinal.

         Hoje em dia, qualquer contestação ao que se tornou senso comum nas universidades e nos meios de comunicação, ou sjea, que a única forma aceitável de se encaminhar a política e a economia dos povos do mundo é através da privataria e especulatina bancária e das grandes corporações, traz ao discordante a cessação imediata de condições de inserção social como quer que seja. Se na Era das Trevas medieval o discordante corria seriamente risco de vida, no obscurantismo atual esse risco é relativamente menor. Contudo o contestador dos absurdos impostos pelo Capital aos seres humanos é condenado - usualmente de maneira informal - ao ostracismo: não consegue colocação profissional, se está em emprego sólido o perde (casos como o de Salete Lemos, demitida por criticar os bancos e Lúcia Hyppolito, que sumiu da midia e sequer ficamos sabemos os motivos são regra, não exceção).

        Em suma - vou aprofundar esta questão oportunamente - todos os cidadãos de todos os países globalizados do mundo estão reduzidos a esta forma de escravidão voluntária ao Capital e seus arautos - a alternativa é o ostracismo e a perda de condições materiais mínimas para uma sobrevida condigna. Só há espaço para o pensamento único concordante. As discordâncias são perseguidas ao limite do desespero pelos donos do poder.

        A Era das Trevas medieval durou cerca de mil anos. A Era das Trevas da Globalização entra em sua terceira década. Não será eterna, o que é em si um conforto. Resta saber que, ao cabo desta devastação atual ainda haverá condições de vida em nosso planeta ou mesmo se a Espécie Humana conseguirá manter o m[inimo de inteligência que permite aos biólogos nos classificar, entre outros antropóides, como o mais sábio dos símios. Chamamos a nós mesmos "homo sapiens" com um gen de diferença dos chimpanzés e todas as semelhanças notórias e já apontadas desde Charles Darwin até os biólogos contemporâneos com todos os outros primatas. Seguirá nossa espécie - caso as condições de vida no Planeta Terra se mantenham apesar da depredação brutal da natureza perpetrada pelo Capital - merecendo o epíteto de "sapiens'?

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 04/05/2013

 

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