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Governo impatriótico entrega fruto de trabalho do Brasil
Neste governo só os bancos lucram e crescem
No início da década de 80, a idéia de “Pacto Social” era corretamente repudiada pela CUT (e pelo PT, que nasceu da CUT) porque limitava a luta dos trabalhadores, circunscrevendo a especulação entre preços e salários a um determinado patamar, mas a legitimava. A idéia, contudo, era defendida pela patronal CGT, constituindo um de seus principais pontos de divergência. A idéia acaba de ser novamente proposta, desta vez de maneira incrivelmente correta, a um só tempo pela CUT e pela FIESP mas encontra ferozes resistências no núcleo duro do governo, espantosamente por parte do ex-trotskista Antonio Palocci Filho. O governo Lula optou por privilegiar o grande capital especulativo internacional e penalizar o trabalho. Como resultado os bancos têm dinheiro sobrando. Não faz muito localizaram um familiar do presidente do Banco Central do Brasil, que segue prestando relevantes serviços ao Banco de Boston, carregando uma quantidade obscena de dinheiro que seria para comprar uma casa dele para ele mesmo. Eu também acho esquisito, mas foi o que ele disse. E não foi aquela mansão que ele comprou por um centavo, não. Foi outra! Com tanta gente sem teto morrendo assassinada por aí, esse povo bem que podia ensinar como é que se compram casas de R$ 200 mil por R$ 0,01 não? Não confundir banqueiro com bancário. Uma amiga telefonou-me preocupada: criticando tanto os lucros pavorosos dos bancos estaria eu criticando a ela? Jamais! Os banqueiros seguem tratando os bancários como gado: salários aviltados, instabilidade profissional, insegurança, demissões sumárias para que se contrate gente mais jovem e ainda pior remunerada, etc. Os bancos compõem hoje o único setor da economia brasileira que segue com lucratividade crescente. Pouquíssimas empresas produtivas conseguem, a duras penas, manter suas margens de lucro (jamais ampliá-las, que isso é coisa exclusiva para bancos neste governo) e os trabalhadores, como sempre, pagam a conta.
E o Pacto?
Poderia trazer algum oxigênio para a economia. A garantia de que empresários e trabalhadores conseguiriam pelo menos manter o seu patamar existencial. Não é um pacto voltado a ampliar a participação desta ou daquela parcela da população na economia, mas somente um tentativa – que pode ser bem sucedida ou não – de manter as coisas pelo menos no patamar em que se encontram. Palocci foi o primeiro a ter uma de suas crises de faniquito. Obediente às ordens de Washington ao longe e de Henrique Meirelles, agente estadunidense no governo Lula, disse que esta medida seria inflacionária e “poria a perder tanto tempo de sacrifício”. Como é que é? Um pacto para conter preços e salários seria inflacionário? Isto oculta o interesse dos economistas venais a soldo do capital especulativo no sentido de avançar ainda mais contra o fruto do trabalho das pessoas. O que vimos fazendo é sacrifício após sacrifício e a recompensa será mais sacrifício. Resultado? Mais lucros para banqueiros e maior miséria social. Nem é de admirar que, no troca-troca de ministros a área em pior situação é precisamente a social. Nada se fez pelo social além de propaganda. E propaganda não alimenta as pessoas... O pacto está gorando porque seu propósito principal é o de conter a fúria assassina dos bancos e proteger empresários e trabalhadores brasileiros.
Sabotando o crescimento
As recentes notícias acerca do tímido crescimento do Brasil neste ano provocaram no governo uma reação extrema: o ministro chefe do Banco Central começa a envidar esforços para travar o crescimento. Como se sabe, o crescimento econômico é péssimo para a especulação. Por isso, as taxas de juros devem subir, o Banco Central intervirá no mercado de dólares para evitar sua desvalorização e outras medidas serão tomadas para “desaquecer a economia”. Por estas e outras questionamos a validade das celebrações governamentais em torno do “crescimento”. De que vale pregar e celebrar mediocridades se, na prática, este governo tudo faz para evitar que o Brasil se desenvolva?
Estafa sexual
Consta que o ministro presidente do banco central, Henrique Meirelles e seu auxiliar imediato, o ministro da fazenda, Antônio Palocci estejam sofrendo de gravíssima estafa sexual. Fazer o que eles fazem com milhões de brasileiros deixa qualquer um completamente exaurido.
Avanço autoritário
Mais uma semana de estarrecimento para a imprensa brasileira, atacada e vilipendiada pelo PT. O governo do PT declarou guerra à imprensa e tem utilizado sem desfaçatez um linguajar bélico. Ora os que trabalham na imprensa são chamados de “covardes” ora se providencia uma “blindagem” para um banqueiro suspeito concedendo a ele o cargo de ministro. De outro lado tomam-se medidas para silenciar a crítica, com a qual o PT demonstra péssima convivência. Se não forem tomados os devidos cuidados, com intensa mobilização popular, os parlamentares devidamente subornados pelo Planalto aprovarão a medida de exceção que cria o Conselho Nacional de Jornalismo e, assim, todos que escrevemos para jornais teremos de ser sindicalizados à Fenaj, teremos de pagar uma contribuição mensal para a entidade (já é o “fortalecimento dos sindicatos”?) e teremos de submeter toda a nossa produção intelectual, nossas pesquisas, informações e investigações à aprovação prévia da Fenaj, uma entidade pequenina, nascida em Brasília de assessores parlamentares petistas, que está incrivelmente distante de representar todos os jornalistas brasileiros como dizem em sua página na Internet. A Associação Brasileira da Imprensa, ABI, ela sim digna representante dos jornalistas, já deixou clara a sua posição: este organismo proposto é inconstitucional. O Conselho Nacional de Jornalismo, CNJ, é realmente inconstitucional, contudo, vale lembrar que o governo do PT já conseguiu aprovar a medida inconstitucional liberando juros acima de 8% e, mais recentemente, a inconstitucionalíssima taxação dos inativos foi aprovada até pelo Supremo Tribunal Federal. Na página do Observatório da Imprensa, www.observatoriodaimprensa.com.br encontra-se a íntegra do Projeto de Lei para “normatizar, controlar e regulamentar” o funcionamento da imprensa enviado pelo governo ao Congresso Nacional. Será necessária muita luta e mobilização para evitar este avanço autoritário.
Combater o analfabetismo pra valer
Concordo com o que Darcy Ribeiro nos disse em simpósio em 1982: analfabetismo acaba com educação infantil bem encaminhada. Priorizar a alfabetização de adultos é a um só tempo o reconhecimento da falência do estado na educação fundamental e o propósito de mantê-la inadequada formando mais e mais analfabetos. Num naufrágio, o primeiro escaler será o das crianças. Deixar de priorizá-las é uma inversão de propósitos em tudo e por tudo ilógica. O simples fato de existirem projetos como “MOBRAL” e similares desde a ditadura militar até os dias de hoje indica que o analfabetismo entre adultos segue constante. O Estado Nacional Brasileiro está se mostrando incompetente para educar as crianças e forma um contingente ora constante, ora crescente, de adultos analfabetos. Combater o analfabetismo é melhorar o ensino público gratuito para a primeira infância. O resto é pura demagogia. Desconfio que São José do Rio Pardo constitua nobre exceção a esta regra. Seria necessário fazer uma ampla pesquisa para que tivéssemos certeza neste caso. Nesta cidade, por toda a parte encontramos crianças atendidas, nas escolas, educadas e bem formadas. As exceções servem para confirmar a regra. Pudera o Brasil inteiro atingir patamares assim.
EUA contra a democracia
Nós sempre pagamos pelas guerras malucas que eles fazem. Não há motivo para pensar que com a guerra do Iraque venha a ser diferente. Seja quem for um dos dois loucos que se eleja presidente por lá, os países satélites da grande potência, como Brasil, México, Argentina, etc. terão de pagar a fatura em aberto de 200 Bilhões de Dólares, sabe Deus como e a que custo social. Bush estimava o custo da guerra em US$ 1 Bilhão e as contas já ultrapassam duzentas vezes o previsto. Sem previsão de término, aliás.
Alguns “ismos” – Indicações de Leitura
O PT, no poder, está realizando todo o receituário liberal imposto pelo FMI. Abandonou os marcos do marxismo, da Teologia da Libertação e mesmo da social-democracia. Aos verdadeiramente interessados em conhecer mais sobre a filosofia materialista dialética, recomendo, entre outras: O Capital, Karl Marx. Em um livro (publicado no Brasil em 5 volumes) sobre economia, altamente pertinente (ou impertinente, segundo o ponto de vista), uma análise do Modo de Produção capitalista, enorme contribuição para a crítica da economia política. Contrastes e Confrontos, Euclides da Cunha. O escritor materialista brasileiro elaborou um dos melhores ensaios sobre o comunismo, intitulado “Um Velho Problema”. Jesus Cristo Libertador, Leonardo Boff. Uma obra imperdível, onde mostra detalhadamente os pontos comuns entre o marxismo e o cristianismo. A Condição Humana, Hannah Arendt. A filósofa alemã discípula de Heidegger, estabelece as nítidas similitudes e diferenças entre os totalitarismos de direita, como o fascismo e o nazismo, nascidos bastardos de um socialismo mau encaminhado e os totalitarismos de esquerda, como o stalinismo ou o maoísmo.
Lázaro Curvêlo Chaves - 9 de setembro de 2004 Ajude a manter esta página ativa! - Clique aqui e veja como fazer Sociologia, Filosofia, Psicologia, Ensaios Críticos
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