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O Fim da Esperança
Por volta de 60% a 80% de toda a renda nacional são extorquidos dos trabalhadores e destinados ao sistema financeiro. O Poder Executivo se incumbe de gerenciar o restante – que é ainda muito, devido ao tamanho da Nação e aos impostos mais elevados do planeta Terra. Este recurso é gasto pessimamente. O principal destina-se à azeitadíssima máquina de propaganda e ao suborno de políticos venais, a parcela restante para finalidades que outrora foram o cerne da preocupação de todos os governos (saúde, educação, segurança, infra-estrutura, coisas assim) é tão ridiculamente irrisória que hoje estamos vivenciando os piores níveis sanitários, educacionais, de segurança pública. A infra-estrutura naval, rodoferroviária e aeroportuária está no mais completo abandono como percebe qualquer ser humano que viaje pelas estradas, lide com o transporte naval ou precise deslocar-se em aviões. A meta de crescimento da economia nacional é cuidadosamente calculada para ser medíocre e, assim, simplificar os ganhos de capital através da especulação. Uma economia forte e crescente traria alguns complicadores a mais que os especuladores, banqueiros e jogadores – componentes da casta ditadora – desejam ver fora de seus cálculos e os cúmplices ungidos pela casta e eleitos farsescamente por uma maioria manipulada em sentimentos e emoções. Como dizia Victor Nunes Leal em Coronelismo, Enxada e Voto, obrigados a votar, os eleitores escolhem alegadamente para representá-los, precisamente aqueles que os obrigam. Alguns resultados desta política econômica assassina ressaltam aos olhos. Quem, apesar de todo o aparato elaborado e programado para esmagar o crescimento econômico nacional consegue ainda um emprego, por inferior que seja, luta com todas as forças para mantê-lo. Aqueles que perdem o emprego sabem dificilmente conseguirão qualquer tipo de nova colocação na economia chamada de “formal”, do tipo que destina pelo menos 40% de tudo o que auferir com o fruto de seu trabalho para os impostos que terminam na ciranda financeira. Os ganhos de capital, por outro lado, crescem aos galopes. É rara a semana em que não ficamos sabendo de instituições de megaespeculação que marcam novos recordes de lucratividade líquida. Nunca antes neste país banqueiros, jogadores e megaespeculadores ganharam tanto dinheiro em tão pouco tempo expendendo tão pouco esforço. Seus cúmplices – eleitos para isto – fazem todo o trabalho sujo e também ganham uma fábula para tanto; seja oficial ou oficiosamente.
A Casta Ditadora
Há uma pequenina casta composta pelos mandantes dos fazedores, julgadores e executores de leis – esta casta e seus cúmplices compõem o inacessível topo da pirâmide social brasileira. Banqueiros, megaespeculadores e jogadores constituem a casta ditadora de todas as normas políticas, legais e econômicas do país. A esfera político-eleitoral se reduziu a uma disputa entre os cúmplices de turno do grande capital e os candidatos a cúmplices na próxima gestão. Se os cúmplices de turno fizeram bem o seu “dever de casa”, ou seja, se governaram rigorosamente de acordo com os interesses daqueles que os conduziram à esfera de menores decisões para a Nação, a casta ditadora novamente financiará a propaganda a favor de sua recondução – ou de sucessores por eles apontados – na farsa conhecida como “eleições gerais”, compulsórias no Brasil. Uma obrigatoriedade entre escolher o péssimo e o pior sob pena de se perder uma série de direitos políticos. A mídia ocupa aqui papel fundamental. Emissoras de Rádio e Teledifusão são concessões do governo cúmplice de turno da casta ditadora, que naturalmente toma todas as precauções para manter esta dimensão fundamental sob rígido controle. Através de inserções estratégicas dentro da programação – noticiário, novelas, programas de auditório, etc. – e, subsidiariamente durante os assim chamados intervalos comerciais, a propaganda dita comportamentos e opiniões através da manipulação das emoções, assim preparando a todos para o momento da escolha dos ungidos da classe ditadora a cada pleito. Assim, as eleições, obrigatórias, não passam de mero decalque. Todas as decisões efetivamente relevantes são tomadas pela casta ditadora e ao eleitorado cabe somente escolher, no mercado de candidatos, duas ou três alternativas dentre os ungidos do capital. A toda esta opereta macabra, que mobiliza toda a população principalmente a cada 4 anos, por ocasião dos chamados pleitos majoritários, convencionou-se chamar de “festa da democracia”. Uma peculiaridade nascida em território nacional e já exportada a algumas subcolônias – pouco convincente aos povos com mais arraigada tradição democrática – é a implementação da Urna Eletrônica. Em poucos minutos após o final das eleições em todo o território nacional já se sabe o resultado. A eficiência é tamanha que não será surpreendente se em breve tivermos o resultado antes mesmo do término da votação! Uma farsa gigantesca da qual todo aquele que nutre algum desejo de preservar – dentro da lei elaborada, julgada e executada pela camarilha de cúmplices da casta dominante – manter seus mínimos direitos de cidadania (tirar passaporte, manter conta bancária, prestar concursos, etc.) está obrigado a participar.
A derrota do português
Como várias outras expressões que caíram em desuso ou sofreram flutuação em direção diferente de seu sentido original (tais como “honra”, “fidelidade”, “justiça”, “reforma”, “paz”, etc.) a palavra democracia no Brasil/2007 já não guarda sequer resquícios de seu significado inicial.
Enfim... Uma vez tomada a decisão, da maneira excêntrica acima descrita, com a maioria escolhendo aqueles predeterminados, talvez sinceramente acreditando que “para representá-los”, a “festa da democracia” chega a seu final e cada um retorna a seus afazeres, usualmente se esquecendo em poucos dias – se tanto – quem afinal foram compelidos a escolher. O cargo majoritário, por sua permanente exposição na mídia, permanece como uma lembrança pesada, não dando espaços a arrependimentos ou pesares. O fosso social se amplia cada vez mais. Coadjuvando a ideologia do mercado – ditada pela casta dominante – além da mídia, vão as pesquisas, cuidadosamente elaboradas para reforçar a propaganda, em contraste com a realidade, dando conta de que a distância entre as classes sociais se reduz. Basta, para tanto, isentar a casta ditadora e o lumpemproletariado de aparecer nas pesquisas e o resultado está determinado: real nas pesquisas, fantasioso no confronto com o mundo concreto, tal qual é. A propaganda dita as normas também para as pesquisas relativas às taxas de desemprego. O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – isenta de aparecer no cômputo do desemprego pessoas que estão procurando o primeiro emprego, aquelas que se encontram desempregadas há mais de 3 meses e aquelas que, desistindo, conformam-se com o bolsa-esmola. Ao final, as taxas giram ainda em estratosféricos 12% a 15%, dependendo da metodologia, do nível de isenção dos pesquisadores e das necessidades da propaganda. O mundo real não entra mais em consideração – “pesquisa” é outro termo a redefinido... Informalmente, faço minhas sondagens entre pessoas em idade laboral em todo o Brasil com desejo (frequentemente necessidade vital) de trabalhar e não estão colocadas no mercado de carne humana, digo, de trabalho. Penso mesmo que o cúmulo do insulto à dignidade humana é a existência de seres humanos tentando se vender e sem encontrar quem lhes compre... Seguramente há mais de 35% de seres humanos em idade laboral sem colocação no mercado de trabalho.
Reforma Ministerial? Pra quê?
Ungido pela casta ditadora e reeleito para um segundo mandato com o discurso da mudança para que, na prática, nada mudasse, Lula informa não ter a menor pressa em nomear seus novos ministros. Desde outubro de 2006 empurrando para mais adiante com desculpas as mais diversas – “esperar a virada do ano para o início do segundo mandato”; “esperar a eleição da presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal”; “depois do carnaval” e, mais recentemente, “esperar pelo resultado da convenção do PMDB” a maior parte das 30 pastas ministeriais segue sob o controle dos interinos que, sem nada fazer, demonstram mais eficácia que seus antecessores, mergulhados nos mais diversos escândalos de corrupção. Ministros sem orçamento adequado se reduzem a auferir seus proventos e “tentar levar algum por fora”, eis tudo. Quem serão os próximos? I R R E L E V A N T E. Vejamos dois casos específicos. Para o Ministério da Educação o Partido (dito) “dos Trabalhadores” indicava a ex-prefeita de São Paulo, beneficiada por uma lei especificamente elaborada para lhe evitar dissabores por haver expendido muito mais recursos do que os auferidos, ampliando a dívida do Município – a chamada “Lei Marta Suplicy”, que acabou por beneficiar uma porção de ex-prefeitos igualmente corruptos e também em situação irregular pelo país afora. Sem sequer cogitar entrar no mérito da questão – se ela teria ou não a necessária competência para o exercício da função, de gerir os minguadíssimos recursos do órgão, por exemplo – por enquanto o cúmplice do capital, marionete dos banqueiros optou por uma decisão miseravelmente politiqueira. Vai mantendo Paulo Hadad e não revela o que pensa fazer – se é que pensa. Manter Paulo Hadad é premiar a incompetência de um dos principais responsáveis pelo caos na situação educacional de nossa Nação. Cumpre, portanto, o principal requisito de Lula da Silva. “Competência” é outro termo em desuso. Na barganha valem exclusivamente critérios politiqueiros: quem tem maior capacidade de mobilização de deputados e senadores para votar a favor dos mandantes, o capital especulativo, contra o povo trabalhador do Brasil, seja na Câmara, seja no Senado Federal. O outro caso é o do Banco Central do Brasil. Quem indica o Ministro Presidente do Banco Central é esta entidade sobrenatural alcunhada de “mercados”: a casta ditadora composta por banqueiros, jogadores e megaespeculadores. Se estes considerarem relevante efetivar alguma mudança no órgão, dentro das normas atualmente vigentes, não sairá da órbita de influência do grande capital especulativo e isto é definitivo. Nada indica que instituições escandalosamente lucrativas venham sequer a considerar a substituição do principal responsável pelos seus ganhos – “um deles”, funcionário de carreira do Bank Boston a exemplo de seu antecessor no governo FHC, importante e considerado membro da comunidade de banqueiros e especuladores da Metrópole.
Marionete do Império visita marionetes das colônias
O traço de humor fica por conta das “conversas reservadas” prometidas entre George W. Bush e Lula da Silva. Como seria o diálogo de dois analfabetos, cada um com parco domínio exclusivamente de sua língua materna? Os representantes do Império já estão em conversações com seus bem-remunerados feitores aqui na colônia e o que se revelou como sendo o principal tópico das imposições do Império – a questão das fontes renováveis de energia – aponta na direção de um incremento no problema da fome no Nordeste, região que verá suas escassas plantações de mandioca e milho, fonte primordial de nutrição do sertanejo, pela mamona, de que se extrai a matéria-prima para o fabrico do biodiesel. Não declarados, os outros tópicos seguramente girarão em torno da temática de sempre quando o Império nos impõe algo. Representantes do capital especulativo de lá trazem em suas pastas documentos já adrede acertados por telefone, fax e e-mail com seus feitores aqui da colônia: _ Imposição de reduções em direitos trabalhistas; _ Limitações na Previdência Social pública com uma provável proposta de privatização também deste setor; _ Formas diversas de desviar recursos públicos para a ciranda financeira; _ Limites para a atividade econômica brasileira a fim de simplificar ainda mais os ganhos de capital – o fato de isto causar aumento no desemprego é fator de júbilo entre os representantes do Império e seus feitores locais: desempregado não protesta, trabalhadores reduzem suas reivindicações, pois o medo de perder o emprego é cada vez maior e o exército industrial de reserva se multiplica, etc.
Não por acaso, a turnê dos representantes do Império pelas colônias será acompanhada, como sempre, de grandes protestos, principalmente na Argentina, onde a consciência política é mais aguda em todo o subcontinente.
Coitado do Velho Chico...
D. Luiz Capio, Bispo de Barra, em recente entrevista informa estar persuadido que Lula se tornou refém do grande capital e se esqueceu de olhar pelo povo pobre do Nordeste (sua origem, afinal...) Engana-se o prelado. A palavra “refém” seria indicativa de alguma forma de coerção. Quando o cidadão executa alegremente as atividades a ele impostas a expressão cabível é cúmplice. Lula é cúmplice da espoliação dos oprimidos e está tão firmemente inserido no campo da direita quanto o diabo no campo do inferno. A obra será feita, levando água para abastecer o agronegócio em regiões mais ao Norte do rio São Francisco, seja em novas plantações de mamona, seja em criadouros de camarões. A população ribeirinha sofrerá as conseqüências do gravíssimo impacto ambiental decorrente de um rio que clama por socorro há décadas. Naturalmente, a propaganda seguirá na direção oposta aos fatos e criará todo um consenso dando conta de que se trata de levar as águas “abundantes” do Velho Chico às pessoas carentes em áreas mais secas. Uma ou outra família que, sem a transposição do rio vivia na penúria será apresentada como exemplo do que o governo faz para beneficiar as vítimas da seca. Expurgada da propaganda será toda a tragédia que a transposição trará aos ribeirinhos que, a duras penas, ainda conseguem nele sobreviver e assim o mundo segue seu curso.
Rumo ao terceiro mandato!
Há quem cogite que Zé Dirceu, o chefe da quadrilha denunciada pelo Procurador Geral da República, responsável direto pelo Mensalão denunciado pelo seu ex-aliado Roberto Jefferson, nutre pretensões presidenciais. Pelo sim, pelo não, já está em tramitação na Câmara uma medida voltada a conceder ao presidente da república o direito de convocar plebiscitos a qualquer tempo sem que o Congresso Nacional se pronuncie a respeito. O primeiro plebiscito já pautado – e a ser deflagrado em momento oportuno – é precisamente o direito de Lula permanecer no cargo por mais um mandato (e outro, e outro mais...). Enquanto o grande capital especulativo estiver tão satisfeito com ele e sua farândola; enquanto a propaganda for tão eficiente na manipulação de corações e mentes, ele seguirá no poder. Zé Dirceu é uma alternativa para o grande capital. Tem uma magnífica folha de serviços prestados à contravenção, ao suborno e à jogatina dos grandes especuladores com as mesmas características de Lula da Silva: discursa na direção oposta do que lhe ditam os verdadeiros donos do poder – e convence. Mas, enfim, enquanto Lula da Silva seguir este marionete dócil e eficiente de que tanto o capital especulativo se orgulha com a capacidade fenomenal de manter uma imagem de “um trabalhador no poder” ele seguirá intocado. Nos bastidores, os donos do poder se rejubilam. Não há, no horizonte previsível, nada que venha a, sequer remotamente, ameaçar seus lucros crescentes...
Lázaro Curvêlo Chaves – 23/02/2007
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