Governar para pobres é fácil
Se pairava alguma dúvida acerca do caráter autoritário, populista e demagógico
adotado pelo petismo-lulismo no poder, a declaração do presidente-candidato em
Contagem na semana passada é lapidar: “Seria tão mais fácil a gente governar se
tivéssemos que cuidar só dos pobres. Os pobres não dão trabalho (...) não têm
dinheiro para ir protestar em Brasília, para fazer passeatas (...) O pobre quer
apenas um pouco de pão (...) Fazer política para pobre é uma coisa prazerosa,
porque a gente sente que a comida chega na casa das pessoas...”
Deixemos para uma outra oportunidade
a análise sobre o quanto do que os banqueiros autorizam efetivamente chega na
casa das pessoas. Seguramente menos do que diz a propaganda oficial do governo e
efetivamente bem menos que o desejável. Fiquemos na análise ideológica deste
discurso.
Governar não apenas para que os
pobres continuem pobres mas para que um número cada vez maior de brasileiros
empobreça, mantém elevada a popularidade do líder demagógico/populista. Eis a
meta revelada pelo discurso, explicador e revelador do que estamos vivenciando
em nosso cotidiano.
Estarrecedor, mas revelador da
mentalidade dirigente no Brasil. A mesma mentalidade e práticas que Lula
criticou ao longo de sua trajetória política e no poder coloca em prática. Ao
dirigente caberia tão só e miseravelmente zelar pelos empobrecidos, considerados
crianças incapazes, enquanto concede magnanimamente algumas migalhas que sobram
da mesa dos ricos. Em outras palavras, Lula parece acreditar que, com um pai
como ele, a pobreza dos brasileiros é para o bem de todos e felicidade geral da
Nação. Mãe dos ricos e pai dos pobres. A aliança que governa o Brasil, entre
banqueiros e o lumpemproletariado exclui da cidadania os trabalhadores, todos
aqueles que pagam impostos, que se mobilizam, protestam, pressionam e votam para que seus direitos
sejam reconhecidos e a sociedade brasileira avance.
Difícil mesmo seria governar para
que os pobres deixem de ser pobres!
Governar para que os pobres
deixassem de ser pobres, para que atingissem a plenitude da cidadania, seria
realmente muito difícil. Talvez por isso nenhum governo nos últimos 506 anos
sequer o tentou! Segundo nos informam aqueles que acompanharam de perto o
desenvolvimento da equipe de futebol do Brasil na Copa do Mundo, o jeito Lula de
governar fez escola: Parreira e o time de futebol que nos representou na
Alemanha, tal qual Lula e o PT, prometeram muito e cumpriram pouquíssimo.
O postulado é simples: “governar
para pobres é fácil” e o corolário daí decorrente espantosamente revelador:
deve-se manter a maioria do eleitorado na pobreza – arremessando nela grandes
contingentes de trabalhadores, reduzidos à condição de clientes do Estado – para
que Lula siga popular e possa pleitear não apenas um segundo mandato mas, a
exemplo do que ocorreu em diversos outros países por ele elogiados e admirados
(Gabão, Venezuela, Peru...) perpetuar-se no poder aliando com os banqueiros e
concedendo esmolas aos miseráveis.
Já era estarrecedor os camponeses da
Vendèe, ficassem do lado dos nobres, contra a Revolução Francesa que avançava e
seguramente lhes seria muito mais satisfatória que o Antigo Regime. As classes
excluídas dos direitos de cidadania são sempre muito reacionárias e mais frágeis
diante da propaganda, isto hoje até entendemos. Difícil é entender pessoas
presumivelmente inteligentes e capazes de análise crítica se deixarem seduzir
por essa onda autoritária, retrógrada, demagógica, para-fascista como se fosse
algo parecido a um “menor dos males”. Sem jesuitismo na política: devemos buscar
o melhor dos bens. Ficar miseravelmente satisfeito com o menor dos males diante
de uma realidade tão sórdida é injustificável diante do Futuro. A História nos
julgará.
Lázaro
Curvêlo Chaves – 06/07/2006
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