FALSA ESQUERDA ALIMENTA ANTICOMUNISMO

FALSA ESQUERDA ALIMENTA ANTICOMUNISMO

              A desonestidade intelectual de muitos perverte a Razão, leva um mau nome para a Esquerda, alimenta o anticomunismo e apresenta como alternativa o pensamento único do mercado.

             Desde a Revolução Francesa as expressões “esquerda”, “direita” e “centro” entraram na Ciência Política e, até hoje, todas as tentativas de embaralhar a compreensão vêm sendo combatidas. Com dificuldade, embora. Aquelas expressões, se um dia operaram, hoje, não mais.

          O Presidente da Convenção Nacional sentava-se à mesa diretora dos trabalhos e se dirigia aos delegados representantes das diversas classes sociais ali presentes que votassem medidas propostas por algum deles. À direita sentavam-se os representantes dos banqueiros e dos mercadores, tendo ainda mais à direita os representantes do Antigo Regime, que desejavam a volta da Monarquia (seus assentos ficavam à extrema direita). À esquerda ficavam os deputados do povo, dos trabalhadores e dos despossuídos|: mais que isso: eram eles mesmos homens despossuídos e sabiam ontologicamente o que era necessário à retificação da situação. Ao centro sentavam-se aqueles que representavam a classe média, genericamente falando.

          Regularmente, quando o presidente dos trabalhos perguntava “como votam os senhores delegados à minha esquerda”? Estes sempre votavam medidas voltadas a melhorar a vida do povo trabalhador. Quando perguntava “como votam os senhores delegados à minha direita”? – sempre contra os trabalhadores, por medidas concentracionistas e protetoras das atividades bancárias e mercantis concentradas em proprietários privados. Ao se dirigir ao centro, que escolhia votar último. Na maior parte das vezes, este sempre votava com a maioria, ocasionalmente fazendo as vezes de “fiel da balança” no intricado e delicado jogo político da época.

          Assim classicamente, a Esquerda representa os interesses dos pobres, a Direita representa os interesses dos ricos e o Centro também representa os interesses dos ricos, disfarçando o máximo possível.

          Numa sociedade crudelissimamente cindida em classes sociais antagônicas, quem luta pelos trabalhadores luta contra os interesses dos que desejam se manter ou ficar ainda mais ricos enquanto aqueles que lutam pelos ricos, lutam contra os interesses dos trabalhadores, basicamente de manter para si, ampliando sempre a quantidade do fruto de seu trabalho que é a fonte da riqueza das nações. Argumentos de que a riqueza das nações também viria da terra plantada ou de eventuais jazidas minerais caem por terra diante da pergunta: “quem trabalha a terra ou dela extrai minérios?” “O trabalho humano é a fonte de toda a riqueza das Nações”, dizia Adam Smith. O fruto desse trabalho acaba é mal distribuído através da bagunça do mercado, concentrando-se precisamente nas mãos daqueles que menos trabalham.

          Quando se detectou, dissecou e descreveu o problema, não se estava “pregando a luta de classes”, como a propaganda omnipresente o apresenta. Quando se detecta e evidencia um problema, luta-se para retificá-lo, isso sim. Seria incorreto acusar Louis Pasteur de “pregar a propagação dos vírus”, o que ele fez foi o oposto disso: descobertos e evidenciados os vírus encontrou uma forma eficaz de combatê-los. A Ciência Política descobriu e evidenciou a Luta de Classes e propôs meios de suprimi-la, eminentemente erradicando as desigualdades sociais – seja “diminuindo gradualmente”, no que se demonstrou ter mais sucesso como em toda a Europa Ocidanetal, seja abrupta, revolucionariamente, que já se comprovou uma forma infrutífera de encaminhamento; de todo o modo, não é, em absoluto, Científico “profetizar”. O Cientista elabora hipóteses de trabalho e avança com elas: caso se provem corretas na prática, as aprofunda; se errôneas, as descarta.

 

Ou Isto ou Aquilo e o Poder da Propaganda

          Evidentemente não se pode gerenciar uma Nação satisfazendo os interesse distintos de classes sociais antagônicas, como o populismo sempre tentou (e não apenas no Brasil de Vargas, Collor e Lula da Silva). 

          A “classe dominante” quer mais, os trabalhadores ainda estão tentando descobrir se há vida após o último buraco do cinto já apertado e os miseráveis estão (embora promovidos a “classe média” numa jogada de marketing tão absurda quanto eficiente) vivendo na mesma miséria, só que agora menos estimulados a buscar trabalho – que, por outro lado, não se encontra – e pendurados ao assistencialismo governamental. Há uma categorização em Ciência Política para governos e governantes que se dizem “de esquerda”, mas governam com e para os ricos e o lumpemproletariado, penalizando os trabalhadores: Fascismo.

          Agora complica ainda mais!

          Com os governantes se dizendo (ou não) “de esquerda” e como tal aclamada ou apupada pela mídia, pelas Escolas e Igrejas, sem que o sejam, o que conseguem de prático é o que sequer os mais reacionários da direita jamais conseguiram nos 25 anos de Ditadura Militar (1964 – 1989): desmoralizar a esquerda.

          Olham para esses cordeiros disfarçados de lobo e dizem: “a esquerda não sabe governar”, “olha as besteiras que a esquerda está fazendo: incompetência e corrupção” e por aí vai.

          Tudo resultado da Globalização em que o Collor tentou nos enfiar, FHC conseguiu e Lula deu continuidade, aprofundando-o. Vejamos algumas (só algumas, preciso de um texto enxuto hoje) das práticas irresponsáveis deste tipo de encaminhamento:

 _ Conquista de notas altas junto às agências de risco (que devem ser compreendidas ao contrário, notas altas das agências de risco de crédito significa notas baixas na dimensão social).

_ Base no capital financeiro, livre como determinou o “Consenso de Washington” quando passou esse “dever de casa” aos povos cujos governos cumpriram à risca.

_ Privatizações e terceirizações.

_ Destruição do Pacto Federativo. No caso Brasileiro, houve uma ampliação e concentração na arrecadação de impostos, fortalecendo um modelo concentrado de gestão que obriga governadores e prefeitos a se perfilar subservientemente ao Governo Federal sob pena de “ficar sem repasses”. Apenas a título de exemplo, conheci o prefeito de uma cidade interiorana que se elegia pela terceira vez. Disse-me ele que, quando foi prefeito da cidade pela segunda vez, a arrecadação estava em torno de R$ 70 milhões (ou o equivalente na moeda da época). Em seu terceiro mandato, mesmo numa cidade que, incrivelmente, teve forte crescimento econômico ao longo de duas décadas, a arrecadação caiu para menos de R$ 5 milhões devido à modificação na legislação tributária; para complementar, eram necessárias peregrinações e mendicância junto ao Governo Federal em busca de se conseguir alguma coisa.

_ Perversão da proposta do “Programa de Renda Mínima de Cidadania”. A idéia inicial seria a de que vivemos numa sociedade tão rica (a 7ª Economia do Mundo, cantada em prosa e verso) que ninguém mais precisa viver no tempo das cavernas, lutando por comida, moradia, vestimenta, etc. A proposta inicial era a de se conceder um “cartão cidadania” a todos os brasileiros – todos, sem exceção alguma – dessa forma, com a sobrevivência material garantida em níveis mínimos, todos se sentiriam estimulados a trabalhar em busca de mais. Uma excelente ideia! O projeto de poder do PT perverteu aquela ideia e a transformou numa concessão magnânima do governante somente aos miseráveis em troca de votos populares; o que criou uma legião de pessoas conformadas com uma situação deplorável, plantando nelas um vínculo de dependência do governo. Isso, desprezando os múltiplos casos de corrupção – tema para policiais -, pois a concessão se dá através de prefeituras nem sempre (ou raramente) famosas pela lisura no encaminhamento da coisa pública.

          Isso não é esquerda. Pode se dizer de esquerda, podem os rádios, jornais, televisões, escolas e igrejas insistirem que isso é esquerda, mas não é. São práticas conservadoras, direitistas e estão radicalmente equivocadas.

          Nessa linha, se poderia pegar um gambá, botar numa gaiola e dizer que é um canário belga, com boa parte da opinião pública inclusive elogiando o cheiro bom do “passarinho” e seu canto mavioso. Ou falando que canário canta mal, que cheira mal, que é “corrúpito”… Bom, se tem cheiro de gambá, aspecto de gambá, comportamento de gambá e faz os ruídos que o gambá faz, no meu dicionário, é gambá! Com todo o bombardeio de todos os meios de Destruição da Razão a seu serviço, eu seguirei dizendo com simplicidade: “isso aí não é um canário belga não, é um gambá!” – ou, em termos mais chãos: esses caras são tão comunistas quanto o papa é muçulmano!

         Esquerda que governa para banqueiros e apostadores na bolsa de valores não é esquerda, não. É gambá!

          Pior: quem se diz “de Direita” já se acertou com os Bancos e Mercados de Capitais para manter as coisas como estão!

DEPLORAVELMENTE, a entrega do Comando Supremo de Todo o Ordenamento Social, que começa no Brasil em 1994 e chega ao ápice entre 1998 e 2000 desmantela monstruosamente uma Máqina Estatal bem aparelhada e lucrativa para o Brasil entregando Estatais a empresas privadas ainda mais envolvidas em corrupções as mais diversas que os órgãos governamentais. A diferença é que não há controle nem propaganda a respeito, portanto ninguém fica sabendo de suas monumentais falcatruas exceto quando se imiscui com os agentes políticos sob o escrutínio do Ministério Público.

          Começa com a nomeação de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central (em 1999) que a sanha voraz “dos Mercados” anseia ver também privatizado, fora do controle estatal, sem regulamentação alguma. Segue com a nomeação de Henrique Meirelles em 2003 e culmina com o hoje Ministro da Economia Paulo Guedes. Esses três elementos perniciosos da nossa História têm o mesmo DNA gerador: defendem os interesses dos Mercados de Capitais, dos Banqueiros e Apostadores na jogatina da Bolsa de Valores (as eventuais divergências públicas são pontuais e realmente irrelevantes)

         Em 2018 o povo brasileiro, fatigado de tanta roubalheira na esfera pública (roubalheira somente provada por haver séria regulação do setor estatal – o que não acontece no privado, vale a insistência) que escolheu o candidato que, APARENTEMENTE melhor representava os anseios de um encaminhamento Ético consentâneo aos recursos públicos (fruto dos nossos impostos).

        DESGRAÇADAMENTE o presidente eleito optou por entregar a chave do cofre a um dos representantes dos Mercados e ficará, consequentemente, a ele subordinado. Precisará de recursos para fazer algo? Para obtê-los terá de conferir com o Representante dos Mercados se a medida é conveniente NÃO AO POVO BRASILEIRO, MAS AOS MERCADOS.

 

O que muda e o que não muda, afinal?

           Se nos anos passados o discurso era a favor dos empobrecidos e se governava para os biliardários, no atual tudo aponta na direção de um discurso moralizante e no prosseguimento do mesmíssimo encaminhamento econômico que vem destruindo o Brasil há mais de vinte anos.

        Alega-se, por exemplo, que a privatização de uma Estatal Brasileira LUCRATIVA trará recursos imediatos aos cofres públicos. Talvez. Mas… E depois? Como ficará um País desprovido de suas Empresas mais sólidas, bem estruturadas e lucrativas? Essa proposta serôdia em muito se parece com a do cidadão que vende os móveis de casa para pagar contas. E depois, como os adquirirá novamente se o desemprego volumoso é uma das imposições dos mercados a fim de baratear a mão de obra?

 

RESUMO DA ÓPERA

NÃO HÁ ESQUERDA NEM DIREITA NO BRASIL. Há uma competição sórdida para saber quem governa melhor para os poucos bestialmente enriquecidos entorpecendo as massas ao máximo. Durante o governo anterior com um discurso de Esquerda (conheço mesmo um holandês que, dada a similitude de suas ações prefiro chamá-lo de ANTON MUSSERT: até hoje defende a tese esdrúxula de que os gambás são de esquerda enquanto ele mesmo, o Colaborador, se diz “Anarquista”. O TEMPORA!); durante o governo que começa no ano em curso com um discurso patriótico, a favor da Ética e da Retidão mas COM O MESMO TIPO DE ENCAMINHAMENTO ECONÔMICO DESTRUTIVO QUE HERDOU DOS GAMBÁS DE ESQUERDA.

Ainda sonhador, mas começando a ficar desapontado,

Lázaro Curvêlo Chaves – 05/05/2014

Revisado a 14/01/2019

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