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Getúlio Vargas, o Robespierre brasileiro. FHC e Lula da Silva, como  Luís XVI

Realizações

 

 

 
Vargas FHC/Lula da Silva
. Nacionalizou o Petróleo

. Conquistou a CSN dos norte-americanos

. Conquistou bases aéreas dos norte-americanos no Nordeste.

. Criou o Salário Mínimo digno aos trabalhadores do Brasil

. Nunca os desníveis sociais foram tão baixos e a distribuição de renda tão equânime

. Aliou-se aos trabalhadores do Brasil contra a burguesia internacional

. Visando privatizar, destrói a Petrobrás

. Luta para entregar Furnas aos norte-americanos

. Entregou a Amazônia aos norte-americanos

. Aviltou o valor do salário mínimo e o valor do trabalho do brasileiro no mercado internacional

. Nunca os desníveis sociais foram tão elevados e a distribuição de renda tão desigual

.  Aliou-se à burguesia internacional contra os trabalhadores do Brasil

Presidente Getúlio Vargas, tela de A. Malagoli fh, o pior
 
 

 
Getúlio Dorneles Vargas

Getúlio Dorneles Vargas, por Darcy Ribeiro

Getúlio Vargas (1883-1954) foi o maior dos estadistas brasileiros. Foi também o mais amado pelo povo e o mais detestado pelas elites. Tinha que ser assim. Getúlio obrigou nosso empresariado urbano de descendentes de senhores de escravos a reconhecer os direitos dos trabalhadores. Os politicões tradicionais, coniventes, senão autores da velha ordem, banidos por ele do cenário político, nunca o perdoaram.

Os intelectuais esquerdistas e os comunistas, não se consolam de terem perdido para Getúlio a admiração e o apoio da classe operária. Com eles, o estamento gerencial das multinacionais. Getúlio foi o líder inconteste da Revolução de 1930. Tendo exercido antes importantes cargos, Getúlio pôde se pôr à frente do punhado de jovens gaúchos que, aliados a jovens oficiais do Exército - os tenentistas -, desencadearam a Revolução de Trinta. A única que tivemos digna desse nome, pela profunda transformação social modernizadora que operou sobre o Brasil.

No plano político, a Revolução de 30, proscreveu do poder os coronéis-fazendeiros com seus currais eleitorais e destitiuiu os cartolas do pacto "café-com-leite", que faziam da República uma coisa deles. Institucionalizou e profissionalizou o Exército, afastando-o das rebeliões e encerrando-o dentro dos quartéis.

No plano social, legalizou a luta de classes, vista até então como um caso de polícia. Organizou os trabalhadores urbanos em sindicatos estáveis, pró-governamentais, mas anti-patronais.

No plano cultural, renovou a educação e dinamizou a cultura brasileira. Getúlio governou o Brasil durante quinze anos sob a legitimação revolucionária, foi deposto, retornou, pelo voto popular, para cinco anos mais de governo. Enfrentou os poderosos testas-de-ferro das empresas estrangeiras, que se opunham à criação da Petrobrás e da Eletrobrás, e os venceu pelo suicídio, deixando uma carta-testamento que é o mais alto e o mais nobre documento político da história do Brasil.

Vejamos, por partes, os feitos de Getúlio. Logo após a vitória, estruturou o Governo Federal com seus companheiros de luta, como Oswaldo Aranha e Lindolfo Collor, aos quais se juntaram mais tarde Francisco Campos, Gustavo Capanema, Pedro Ernesto e outros. Colocou no governo, também, seus aliados militares - Juarez Távora, João Allberto, Estilac Leal, Juracy Magalhães, entregando a eles, na qualidade de interventores, o governo de vários estados e importantes funções civis. Só faltaram dois heróis do tenentismo: Luís Carlos Prestes, porque havia aderido, meses antes, ao marxismo soviético, e Siqueira Campos, que morreu num acidente durante a conspiração.

O Governo Revolucionário criou o Ministério da Educação e Saúde, entregue a Chico Campos, fundou a Universidade do Brasil e regulamentou o ensino médio, em bases que duraram décadas. Criou, simultaneamente, o Ministério do Trabalho, entregue a Lindolfo Collor, que promulga, nos anos seguintes, a legislação trabalhista de base, unificada depois na CLT, até hoje vigente. O direito de sindicalizar-se e de fazer greve, o sindicato único e o imposto sindical que o manteria. As férias pagas. O salário mínimo. A indenização por tempo de serviço e a estabilidade no emprego. O sábado livre. A jornada de 8 horas. Igualdade de salários para ambos os sexos etc., etc. Busto de Getúlio, na Cinelândia

Getúlio inspirou-se, para tanto, no positivismo de Comte, que já orientava a política trabalhista dos gaúchos, do Uruguai e da Argentina. Oswaldo Aranha, à frente do Ministério da Fazenda, reorganizou as finanças, revalorizou a moeda nacional e negociou a velha e onerosa dívida externa com os ingleses, em bases favoráveis ao Brasil. Guerra de ideologias - Dois anos depois da revolução vitoriosa, Getúlio enfrentou e venceu a contra-revolução cartola, que estourou em São Paulo, defendendo a restauração da velha ordem em nome da democracia.

Em 1934, convocou e instalou uma Assembleia Constituinte que aprovou uma nova Constituição, inspirada na de Weimar. Com base nela, foi eleito Presidente Constitucional do Brasil. Getúlio teve que enfrentar, desde então, a projeção sobre o Brasil das ideologias que se digladiavam no mundo, preparando-se para se enfrentarem numa guerra total. De um lado, os fascistas de Mussolini, que se apoderaram da Itália, e os nazistas de Hitler, que reativaram a Alemanha, preparando-se para se espraiarem sobre o mundo. Do lado oposto, os comunistas, comandados desde a União Soviética, com iguais ambições. A direita se organizou aqui com o Partido Integralista, que cresceu e ganhou força nas classes médias, principalmente na jovem oficialidade das forças armadas.

Os comunistas começaram a atuar nos sindicatos, estendendo sua influência nos quartéis. Ampliaram rapidamente sua ação, através da Aliança Nacional Libertadora, que atraiu toda a esquerda democrática e anti-fascista. Os comunistas conseguiram de Moscou, que apoiava uma política de aliança com todos os anti-fascistas do mundo, que abrisse uma exceção para o Brasil, na crença de que aqui seria fácil conquistar o poder, em razão do imenso prestígio popular de Prestes .

Desencadearam a intentona, em 1935, que foi um desastre. Não só desarticulou e destroçou o Partido Comunista, mas também provocou imensa onda de repressão sobre todos os democratas, com prisões, torturas, exílios e assassinatos. O resultado principal da quartelada foi fortalecer enormemente os integralistas, abrindo-lhes amplas áreas de apoio em muitas camadas da população, o que lhes permitiu realizar grandes manifestações públicas, marchas de camisas verdes, apelando para toda sorte de propaganda, a fim de eleger Plínio Salgado Presidente da República. Getúlio terminou por dissolver o Partido Integralista, assumindo, ele próprio, o papel de Chefe de um Estado Novo, de natureza autoritária. Quebrou o separatismo isolacionista dos estados, centralizando o poder e ensejando o sentido de brasilidade.

A guerra - Em 1939 estalou a guerra. Todos supunham que a propensão de Getúlio era de apoio às potências do Eixo, em função da posição dos generais . Surpreendentemente, Getúlio começou a aproximar-se da democracia, através de Oswaldo Aranha, que fez ver aos Aliados que Getúlio era propenso a apoiar as democracias. Não o fez de graça, porém. Exigiu dos Estados Unidos, como compensação pelo esforço de guerra que faria, cedendo bases em Belém e em Natal e fornecendo minério, borracha e outros gêneros, duas importantíssimas concessões. Primeiro, a criação de uma grande siderúrgica que viria a ser a Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, matriz de nossa industrialização. Segundo, a devolução ao Brasil das reservas de ferro e manganês de Minas Gerais e da Estrada e Ferro Vitória-Minas, em poder dos ingleses. Com elas se constituiu a Companhia Vale do Rio Doce que nas décadas seguintes teve um crescimento prodigioso. Toda essa negociação se coroou quando Getúlio consegue que Roosevelt viesse a Natal, em sua cadeira de rodas, para conversar com ele, consolidando aqueles acordos e obtendo do Brasil a remessa de uma força armada para a batalha da Itália.

Com a vitória dos Aliados na guerra, cresceu o movimento de redemocratização do Brasil, que logo se configurou como incompatível com a presença de Getúlio no governo. Ele tentou conduzir o processo e para isso criou, com a mão esquerda, o PTB, para dar voz política aos trabalhadores; e com a mão direita, o PSD, para expressar os potentados da administração pública, com os quais governara. Gerando desconfiança em todos, Getúlio finalmente caiu, num golpe militar encabeçado por Góes Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, seu Ministro da Guerra. O governo foi entregue ao Supremo Tribunal Federal, que convocou e realizou eleições, nas quais se defrontaram, representando as forças nominalmente democráticas, o Brigadeiro Eduardo Gomes e, na vertente oposta, o general Gaspar Dutra. Ganhou Dutra, graças ao apoio de Getúlio, que vivia desterrado em sua fazenda de Itu, no Rio Grande do Sul. Simultaneamente, Getúlio se elegeu Senador por São Paulo e pelo Rio Grande do Sul, e Deputado Federal pelo Distrito Federal, pelo Rio de Janeiro, por Minas Gerais, Bahia e Paraná.

A volta - Nas eleições de 1950, Getúlio se candidatou à Presidência da República, enfrentando Eduardo Gomes, mas encontrou um estado destroçado e falido por Dutra, que, eleito por ele, governara com a direita udenista. Getúlio, logo depois de empossado, formulou nosso primeiro projeto de desenvolvimento nacional autônomo, através do capitalismo de estado, e um programa de ampliação dos direitos dos trabalhadores. Começou a lançar os olhos para a massa rural. A característica distintiva do seu governo foi, porém, o enfrentamento do capital estrangeiro, que ele acusava de espoliar o Brasil, fazendo com que recursos, aqui levantados em cruzeiros, produzissem dólares para o exterior, em remessas escandalosas de lucros. Toda a direita, associada a essas empresas estrangeiras e por ela financiada, entrou na conspiração, subsidiando a imprensa para criar um ambiente de animosidade contra Getúlio, cujo governo era apresentado como um "mar de lama". Neste ambiente, o assassinato de um major da Aeronáutica, que era guarda-costa de Carlos Lacerda, por um membro da guarda pessoal de Getúlio no Palácio do Catete, provocou uma onda de revolta, assumida passionalmente pela Aeronáutica na forma de uma comissão de inquérito, cujo objetivo era depor Getúlio.

A crise se instalou e progrediu até a última reunião ministerial, em que Getúlio constatou que todos os seus ministros, exceto Tancredo Neves, viam como solução a sua renúncia. Ele havia recebido, através de Leonel Brizola, a informação de que podia contar com as forças militares do sul do país. Mas, para tanto, seria necessário desencadear uma guerra civil. A solução de Getúlio foi seu suicídio. Antes entregou a João Goulart a Carta -Testamento, que passou a ser o documento essencial da história brasileira contemporânea.

Virada - O efeito do suicídio de Getúlio foi uma revirada completa. A opinião pública, antes anestesiada pela campanha da imprensa, percebeu, de abrupto, que se tratava de um golpe contra os interesses nacionais e populares, que era a direita que estava assumindo o poder e que Getúlio fora vítima de uma vasta conspiração. Os testas-de-ferro das empresas estrangeiras e o partido direitista, que esperavam apossar-se do poder, entraram em pavor e refluíram. As forças armadas redefiniram sua posição, o que ensejou condições para a eleição de Juscelino Kubitsheck.

O translado do corpo de Getúlio, do Palácio do Catete até o Aeroporto Santos Dumont foi a maior, a mais chorosa e mais dramática manifestação pública que se viu no Brasil. Pode-se avaliar bem o pasmo e a revolta do povo brasileiro ante esta série de acontecimentos trágicos, que induziram seu líder maior ao suicídio como forma extrema de reverter a seqüência política que daria fatalmente o poder à direita (Darcy Ribeiro, 1994).

 

 

Em sua opinião, o governo Vargas:
Reprimiu a esquerda, mas foi bom para o povo brasileiro
Foi o melhor governo que este país já teve até hoje
Foi acima de tudo nacionalista, ao contrário do atual, essencialmente entreguista
Conseguiu grandes conquistas dos ianques, ao contrário do atual, que entrega o Brasil aos ianques
Todas as respostas acima
 

 

 

Fernando Henrique Cardoso, por Carlos Heitor Cony e Clóvis Rossi

Quem é o golpista?

Rio de Janeiro - Semana passada, em entrevista a Valdo Cruz e Eliane Cantanhêde, o presidente da República classificou de golpistas aqueles que, por interesse pessoal ou por imperativo ético, falam em impeachment ou renúncia como solução para a crise de marasmo e falta de rumo do atual governo como um lado.
Nem o impeachment nem a renúncia - como já lembrei em crônica recente - são expressões de golpismo. São soluções previstas na Constituição. Quem violentou a Constituição em causa própria e deu um golpe nas instituições foi o presidente da República, que se elegeu legitimamente para o primeiro mandato e promoveu por meios escusos a própria reeleição.
Exemplo igual só encontramos nas ditaduras, quando o "benefactor" de plantão consegue extrair do Congresso aviltado pela força ou pelo suborno a prorrogação do próprio mandato. Os exemplos são muitos.
Em geral, a pressão pelo mandato alongado é feita pela força militar. Foi assim em 37, aqui no Brasil, e no Chile, em tempos de Pinochet. O exemplo mais notável deste século que acaba foi o de Hitler, que chegou ao poder legitimamente, por via democrática, e ficou no poder até a bala que ele mesmo disparou contra a própria cabeça.
Pessoalmente, sou favorável à reeleição, mas não da forma que foi
feita, promovida, azeitada e paga (em benesses ou mesmo em dinheiro) para manter no poder aquele que jurou uma Constituição na qual estava ausente o princípio da reeleição.
Esse, sim, foi um golpe claro, escancarado, empurrado pela goela do país sedado por uma moeda de valor fictício. Tanto que, na hora da mala preta que lubrificou a engrenagem do assalto à Constituição, alguns congressistas foram pagos em dólar.
Pior mesmo foram aqueles que preferiram não se sujar com o dinheiro do golpe, mas com as migalhas de poder que até hoje ainda estão sendo distribuídas.

Para a Folha de S. Paulo, 28/03/1999

Um milhão de empregos eliminados, pura e simplesmente

EMPRESAS - Qual o custo da abertura comercial brasileira? Entre 87/94 foram perdidos 100 mil empregos. Só em SP, em 95, deixaram de ser criados 390 mil novos empregos, informou pesquisa do IPEA/SEPLAN. No setor industrial desapareceram 1 milhão de postos de trabalho. Desse total, apenas 100 mil podem ser creditados ao impacto da importação. A retração prosseguiu durante todo o 1º semestre, num percentual de quase 10 mil ao mês, conforme dados da FIESP, representando queda de 5,1% em relação às vagas existentes no começo do ano. Esquadrias e Construções Metálicas foram os setores que mais demitiram, em 95, afetados diretamente pela queda na construção civil, responsável pela perda de 204 mil vagas e 153 mil postos de trabalho em SP, durante este ano, conforme pesquisa do SINDISCON.

 

Leia a matéria inteira aqui

Entreguista

FHC ou Luís 14?

- A visão imperial está de volta ao Planalto, depois de um período em que o presidente parecia desorientado e confuso.-

Ao cobrar da oposição que seja "parte crítica" de seu próprio projeto, sob pena de considerá-la como "contra o Brasil", FHC dá uma de Luís 14, aquele que dizia: "O Estado sou eu".

Ou seja, reduziu a oposição ao papel de criticar um projeto que ela não elaborou, ao qual não é chamada a dar palpites nem, por extensão, tem a chance de corrigi-lo. Elaborar um projeto próprio seria "contra o
Brasil", na visão imperial de FHC.

Não seria. Seria apenas contra o governo, que não é o Brasil nem representa hoje o sentimento majoritário da população, como se verifica em todas as pesquisas.

O presidente tem todo o direito de se indignar com as campanhas pela sua renúncia ou pelo seu impeachment. Mas não tem o direito de ver em tais iniciativas o "golpismo" de que também acusou setores de oposição, em seu discurso de posse aos novos ministros.

Golpismo seria se a oposição estivesse batendo às portas dos quartéis para destituir o presidente. Não está. Está usando os instrumentos legais, previstos nas regras constitucionais e democráticas, como, de resto, se fez com Fernando Collor de Mello, com apoio, aliás, de FHC.

Pode ser um caminho errado. Cada um julga. Só não é golpista.

Da mesma forma, elaborar um projeto próprio, diferente do que aí está, não é ser "contra o Brasil", como pretende o presidente. Bem ao contrário, é a única maneira de tentar colocar um horizonte novo à frente de uma população descrente, se para isso a oposição tiver talento e competência.

Se, nas urnas de 2002, o eleitorado escolher o projeto alternativo, será contra o Brasil também? Ou, nessa hipótese, a eleição não vale?

Para a Folha de S. Paulo 21/07/1999

Jornalista prevê o fim de FHC

O jornalista Luís Nassif, em artigo publicado na Folha de São Paulo de 30 de Julho de 1999, previu que "o tempo político de FHC está prestes a se esgotar" e aconselhou o Presidente a sair de seu invólucro governamental e "se vestir de mendigo para deixar o Palácio e escutar diretamente do povo, o que se pensa dele". "Vai se espantar com a intensidade de ódio - a palavra é esta – que lhe é devotado por parcelas cada vez mais expressivas da população", garante o jornalista.

Nassif ainda faz uma comparação entre a campanha eleitoral de Carlos Menem (da Argentina) e FHC. Ambas foram baseadas na bandeira da estabilização econômica, que garantiu a tranqüilidade cambial em um primeiro momento, mas ao preço de resultados incertos para o futuro. "Adiaram mais que puderam a solução dos problemas internos. E manifestaram o desprezo absoluto pelos interesses de seus eleitores - a enorme massa de cidadãos que sempre paga a conta do banquete mas que tem o direito, a cada quatro anos, de substituir o dono do restaurante". Em trecho seguinte, conclui que "Em graus diferentes. Argentina e Brasil estão caminhando para lá (sobre a crise venezuelana) não por culpa da globalização e da modernização em si, mas da supina arrogância, acomodamento e alienação de seus respectivos governos".

Segundo o articulista, a globalização poderia ser proveitosa para o desenvolvimento brasileiro, "nas mãos de um governo mais operoso e com visão estratégica mais apurada. Mas transformou-se em um processo em que o cidadão é exposto a um megaarrocho fiscal, a aumentos sucessivos de tarifas, de pedágios, e perdas de diretos em todo os níveis- previdenciários, trabalhistas- sem que consiga ao menos solidariedade de seu supremo comandante. Tudo isso pela falta de energia de conduzir com competência a política econômica."

Sobre FHC diz que "falta-lhe o comportamento básico do líder nacional: a falta de entusiasmo em relação a qualquer tema que diga respeito aos interesses de seu povo. O que lhe sobra em intelectualismo pouco prático falta-lhe em identificação com as aspirações básicas de seu povo. O povo não quer pão, apenas solidariedade. É até isso lhe é negado". Na opinião do jornalista "se FHC não apresentar um plano claro de defesas dos interesses nacionais" - o que sua prática demonstra justamente o contrário – "não haverá mais retorno (para ele) mesmo que a economia se recupere".

Trechos rincipais

Não pense que o neopopulismo venezuelano, a radicalização da campanha eleitoral argentina e o movimento dos caminhoneiros brasileiros sejam episódios isolados dentro da América Latina. Os três são parte de um mesmo movimento de resistência contra as políticas econômicas adotadas nos três países, cuja tendência é ampliar-se de maneira perigosa.
Dois ou três anos atrás passei alguns dias em Caracas, para uma reportagem para a TV Bandeirantes sobre a crise bancária venezuelana. Tinha-se uma economia em processo de reformas e um governo -de Rafael Caldera- que representava uma coalização social-democrata, com viés modernizador. Na ocasião, a única voz de oposição era o coronel Hugo Chávez, cuja dimensão política era minimizada por todos os homens do governo e membros da elite pensante nacional. Ele foi entrevistado pelo dever de ouvir o outro lado.
Emitia conceitos que deixariam de cabelo em pé qualquer cidadão relativamente bem informado do primeiro mundo latino-americano. Mas expressava sentimentos nacionais, a ira contra os sucessivos sacrifícios impostos à população, sem nenhuma contrapartida de direitos ou de esperanças; a submissão ao capital especulativo (no caso da Venezuela, quase uma quadrilha internacional que tomou de roldão o sistema bancário nacional, antes da entrada de Caldera).
Pouco tempo depois, Chávez é o líder absoluto do país, eleito presidente e dominando plenamente a Constituinte.
Em graus diferentes, Argentina e Brasil estão caminhando para lá, não por culpa da globalização e da modernização em si, mas da supina arrogância, acomodamento e alienação de seus respectivos governos.
Menem e FHC foram eleitos em cima de uma bandeira única, a estabilização econômica. Acomodaram-se em políticas cambiais que garantiam a tranquilidade do presente -não o futuro. Adiaram o mais que puderam a solução dos problemas internos. E manifestaram o desprezo absoluto pelos interesses de seus eleitores -e enorme massa de cidadãos que sempre paga a conta do banquete, mas que tem o direito, a cada quatro anos, de substituir o dono do restaurante.
FHC tem mais méritos que defeitos. Mas falta-lhe o componente básico do líder nacional: a falta de entusiasmo em relação a qualquer tema que diga respeito aos interesses diretos de seu povo. O que lhe sobra em intelectualismo pouco prático falta-lhe em identificação com as aspirações básicas de seu povo. O povo não quer pão, apenas solidariedade. E até isso lhe é negado.
O caso Ford é exemplo clássico, nem pelo subsídio em si, mas pela declaração de FHC de que não podia interferir na vida da empresa, impondo cláusulas de empregabilidade -depois de ter interferido violentamente, presenteando a Ford com R$ 180 milhões de subsídios anuais até 2010.
A globalização, a internacionalização, o acesso aos financiamentos internacionais poderiam ter sido, de fato, as alavancas para o desenvolvimento nacional, desde que nas mãos de um governo mais operoso e com visão estratégica mais apurada. Mas transformou-se em um processo em que o cidadão é exposto a um megaarrocho fiscal, a aumentos sucessivos de tarifas, de pedágios, e perdas de direitos em todos os níveis -previdenciários, trabalhistas- sem que consiga ao menos solidariedade de seu supremo comandante. Tudo isso pela falta de energia de conduzir com competência a política econômica.
De vez em quando, FHC devia se vestir de mendigo e deixar o Palácio, para escutar, diretamente do povo, o que se pensa dele. Vai se espantar com a intensidade do ódio -a palavra é esta- que lhe é devotado por parcelas cada vez mais expressivas da população.
Nos próximos meses vai-se entrar em uma quadra complexa. Persiste a deterioração política brasileira, a Argentina caminha para o patíbulo, internacionalmente, há um acirramento sem precedentes da guerra comercial.
O tempo político de FHC está prestes a se esgotar. Ou articula um plano claro de defesa dos interesses nacionais -que seja entendido pelo povo- ou não haverá mais retorno, nem que a economia se recupere mais à frente.

 

Pesquisa Revista Época e Vox Populi (24/5/99)

Quem é o brasileiro que mais envergonha o Brasil?

Fernando Henrique 26%
Não sabe 20%
Collor de Melo 16%
Nenhum 8%
Sérgio Naya 5%
Francisco Lopes 4%
Jorgina de Freitas 2%

Lula 2%

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A Era Lula - Desgraça Nacional

 

A Era Lula tem entre suas características mais marcantes a forma peculiarmente excêntrica como lida com o dinheiro público e como trata os fatos. O mais chocante, contudo, é o fato de ele haver construído sua imagem pública durante quase 3 décadas como um líder sindical importante, um homem profundamente ligado à causa dos Trabalhadores do Brasil (daí a criação de um "Partido dos Trabalhadores" de que hoje guarda somente o nome) mas, ao finalmente galgar o poder muda de lado! Alia-se aos banqueiros, jogadores da Bolsa de Valores e políticos tradicionais de um lado e, de outro, ao lumpemproletariado, ABANDONANDO a Classe Trabalhadora, traindo a Classe Trabalhadora e toda a sua própria história existencial pregressa.

A primeira prioridade do dinheiro arrecadado dos impostos brasileiros é a manutenção dos lucros estratosféricos dos megaespeculadores internacionais. A seguir, gastos com propaganda. Em terceiro lugar, suborno a parlamentares para que votem medidas governamentais contrárias aos interesses dos brasileiros. Em quarto, ampliar o número dos que o apóiam entre os miseráveis, que mantem em situação de miséria, agora como clientes do Estado. Em quinto gastar prodigamente com Propaganda, falando de um Brasil com pleno emprego, renda em alta, preços em queda, inflação controlada, educação pública cada vez melhor, saúde pública de primeiro mundo e por aí vai - tudo ao contrário do Brasil real, ça va sans dire... Com a corrupção vertiginosamente crescente praticamente NADA sobra para a... Gestão Pública: saúde, educação, segurança, infraestrutura... Essas coisas, enfim, que aparecem magníficas na Propaganda deixando-nos a todos com vontade de nos mudarmos para aquele Brasil lindo da Propaganda que aqui, no mundo real, as coisas estão totalmente diferentes...

 Sempre que há algo de elogiável acontecendo no país, por mais que nada tenha a ver com o governo, a propaganda desinforma afirmando que “neste governo se fez...” Por outro lado, quando é pilhada em ilícitos criminais, a cúpula palaciana lidera a propaganda desinformando: “é algo que herdamos do governo passado...” Assim, a quadrilha formada pelo PT para tomar o Estado Nacional e permanecer em postos de comando indefinidamente “era coisa dos tucanos”; a paralisia provocada na economia pelas altas taxas de juros e impostos extorsivos. Queda na produtividade e na circulação econômica corresponde a queda no consumo de energia. Isto aparece na propaganda como “chegada à plenitude energética...”, estradas em péssimo estado de conservação são parte da herança maldita (meia verdade: são sim, mas o governo Lula nada fez para reverter este quadro, agudizando-o cruelmente).

Para apresentar um contraponto a esta forma curiosamente peculiar de apresentar os fatos e contribuir para que não nos esqueçamos dos fatos neste período, começo a tomar notas sobre os acontecimentos dos últimos 3 anos e pouco.

Pegaram o PC Farias de Lula da Silva

 

            Em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, o então deputado Roberto Jefferson revela que Delúbio Soares, através de Marcos Valério, pagava um “mensalão” para que os parlamentares venais votassem a favor do governo. Lula, que até a véspera daria um cheque em branco a Roberto Jefferson, declara que “não sabia de nada”.

Leia ainda:

De como o PT se transformou num partido de ideologia fascista e comportamento fisiológico

Vá lá, comparar Lula a Mussolini é muito. Mussolini pelo menos era nacionalista...

 
 

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