"O Presidente da República sente-se bem na ilegalidade. Está
nela e ontem nos disse que vai continuar nela, em atitude de desafio à
ordem constitucional, aos regulamentos militares e ao Código Penal
Militar. Êle se considera acima da lei. Mas não está.
Quanto mais se afunda na ilegalidade, menos forte fica a sua autoridade.
Não há autoridade fora da lei. E, os apelos feitos ontem à
coesão e à unidade dos sargentos e subordinados em favor daquele
que, no dizer do próprio, sempre estêve ao lado dos sargentos,
demonstra que a autoridade presidencial busca o amparo físico para
suprir o carência de amparo legal.
Pois não pode mais ter amparo legal quem no exercício da
Presidência da República, violando o Código Penal Militar,
comparece a uma reunião de sargentos para pronunciar discurso altamente
demagógico e de incitamento à divisão das Forças
Armadas. (...)"
Jornal do Brasil, 31 de março de 1964
Confira a história da ditadura militar no
Brasil. Clique aqui.
"Quem chegasse às 8h30m da noite de ontem ao Edifício
do Jornal e da Rádio Jornal do Brasil não poderia entrar pois
encontraria na porta, metralhadora em punho, um fuzileiro naval. E se olhasse
pela parede de vidro dos estúdios da Rádio teria a impressão
de assistir a um filme de gangsters: quatro outros fuzileiros, comandados
pelo Tenente Arinos, moviam-se como gorilas pelo estúdio, seus movimentos
tolhidos pelas metralhadoras que ameaçavam microfones, painéis
de instrumentos e os funcionários, estupefatos com aquela irrupção
de selvajaria tecnológica em plena Avenida Rio Branco.
Era o Brasil regredindo ao estado de republiqueta latino-americana. Os
fuzileiros navais, ao chegarem, dispararam dois tiros para o ar diante do
prédio e entraram de metralhadoras em punho, pistolas na cinta, até
o 5o andar. Tinham ordem de quem? indagamos. Do Ministro da Marinha, disseram.
Onde está a ordem? Era verbal. Da Rádio, o Tenente telefonou
a um Almirante, sem lhe dizer o nome. O prédio era muito grande,
disse. Precisavam reforços. Deixaram dois de guarda na Rádio,
outro na porta da rua e foram em busca dos tais reforços, sem dúvida
para ocuparem todas as dependências do Jornal do Brasil.
Mas deve estar em desespêro o Govêrno do Sr. João Goulart.
Dentro de meia hora, em lugar dos reforços, veio a ordem de retirar.
Amontoados no elevador, capacetes na cabeça, metralhadoras se entrechocando
e se apoiando nas costelas dêles próprios, desceram. E passaram
diante de populares boquiabertos, na calçada da rua.
Quem humilha assim os bravos Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil? Quem
os transforma primeiro em gangsters violentos e os faz evacuar em seguida,
confusos, um pugilo de homens envergonhados sob o pêso de tanto material
bélico? Quem estimula a indisciplina de marujos e fuzileiros e depois
os transforma em bandidos e em seguida em pobres diabos pilhados em flagrante?
A partir de 13 de março o Sr. João Goulart tem injuriado
muitos, em muito pouco tempo. Agora, ao que tudo indica, já lhe resta
muito pouco tempo para injuriar quem quer que seja."
Ao primeiro minuto de hoje teve início a greve geral em todo o país,
por determinação do Comando Geral dos Trabalhadores e em apoio
ao Presidente João Goulart, paralisando de imediato os trens da Central
do Brasil e da Leopoldina, o Pôrto de Santos e os bondes da Guanabara,
com a adesão de universitários.
A decisão da greve foi precipitada pela prisão ontem, no
Sindicato dos Estivadores, de vários lideres sindicais pela Polícia
Política da Guanabara. A Federação Nacional dos Marítimos,
que decretou a greve ontem à noite, denunciou o desaparecimento de
quatro estivadores, um líder sindical de Vitória e do Dr.
Antônio Pereira Filho, líder dos bancários.
O Partido Comunista Brasileiro responsabilizou ontem os grupos radicais
pela precipitação da crise política, tachando de imprudente
a tática utilizada por líderes extremados. Acha o PCB que
tal atitude conduzirá à união do centro contra a direita,
neutralizando assim a ação dos setores mais moderados da esquerda,
e que, no seu entender, levará à deposição do
Presidente da República, com lastro na opinião pública."
O Governador Carlos Lacerda, embora tenha dito ao seu Secretariado que
não acredita na crise nacional, montou um esquema de segurança
para o Palácio Guanabara e para as ruas a êle adjacentes, com
a qual pretende resistir contra qualquer intervenção federal
no Estado da Guanabara.
Às três horas de hoje o Palácio Guanabara deu nota
oficial informando que os fuzileiros para lá se dirigiram e chamava
o povo para defender o Governador.
Cêrca de 500 homens da Polícia Militar, sob a ordem direta
do Secretário de Segurança, General Salvador Mandim, são
empregados na defesa do Palácio do Govêrno. Barricadas foram
construídas com sacos de areia e os militares permanecem em regime
de prontidão."
Jornal do Brasil, 1 de abril de 1964
"A Nação não mais suporta a permanência
do Sr. João Goulart à frente do Govêrno. Chegou ao limite
a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não resta outra
saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o Govêrno
ao seu legítimo sucessor. Só há uma coisa a dizer ao
Sr. João Goulart: saia.
Durante dois anos o Brasil agüentou um Govêrno que paralisou
o seu desenvolvimento econômico, primando pela completa omissão,
o que determinou a completa desordem e a completa anarquia no campo administrativo
e financeiro.
Quando o Sr. João Goulart saiu de seu neutro período de omissão
foi para comandar a guerra psicológica e criar o clima de intranqüilidade
e insegurança que teve o seu auge na total indisciplina que se verificou
nas Forças Armadas.
Isso significou e significa um crime de alta traição contra
o regime, contra a República, que êle jurou defender.
O Sr. João Goulart iniciou a sedição no país.
Não é possível continuar no poder. Jogou os civis contra
os militares e os militares contra os próprios militares. É
o maior responsável pela guerra fratricida que se esboça no
território nacional.
Por ambição pessoal, pois sabemos que o Sr. João Goulart
é incapaz de assimilar qualquer ideologia, êle quer permanecer
no Govêrno a qualquer preço.
Todos nós sabemos o que representa de funesto uma ditadura no Brasil,
seja ela de direita ou de esquerda, porque o povo, depois de uma larga experiência,
reage e reagirá com tôdas as suas fôrças no sentido
de preservar a Constituição e as liberdades democráticas.
O Sr. João Goulart não pode permanecer na Presidência
da República, não só porque se mostrou incapaz de exercê-la
como também porque conspirou contra ela como se verificou pelos seus
últimos pronunciamentos e seus últimos atos.
Foi o Sr. João Goulart quem iniciou de caso pensado uma crise política,
social e militar, depois de ter provocado a crise financeira com a inflação
desordenada e o aumento do custo de vida em proporções gigantescas.
Qualquer ditadura, no Brasil, representa o esmagamento de tôdas as
liberdades como aconteceu no passado e como tem acontecido em todos os países
que tiveram a desgraça de vê-la vitoriosa.
O Brasil não é mais uma nação de escravos.
Contra a desordem, contra a masorca, contra a perspectica de ditadura, criada
pelo próprio Govêrno atual, opomos a bandeira da legalidade.
Queremos que o Sr. João Goulart devolva ao Congresso, devolva ao
povo o mandato que êle não soube honrar.
Nós do Correio da Manhã defendemos intransigentemente em
agôsto e setembro de 1961 a posse do Sr. João Goulart, a fim
de manter a legalidade constitucional. Hoje, como ontem, queremos preservar
a Constituição. O Sr. João Goulart deve entregar o
Govêrno ao seu sucessor, porque não pode mais governar o país.
A Nação, a democracia e a liberdade estão em perigo.
O povo saberá defendê-las. Nós continuaremos a defendê-las."
Correio da Manhã, 1 de abril de 1964
"À partir da tarde de ontem, principalmente depois que desceram
os tanques da Vila Militar, dez dos quais foram colocados em frente ao Ministério
da Guerra, onde também se encontram numerosos carros blindados e
de combate, a crise político-militar pareceu assumir aspectos realmente
perigosos, com a cidade sob o domínio de grande tensão e povo
como que à espera de uma revolução a qualquer momento.
Á margem dos preparativos da população como que para
prevenir-se, sacando nos bancos e adquirindo mantimentos, ocorreram diversos
incidentes entre populares e policiais, e dos quais o de maior gravidade
se verificou na Federação dos Estivadores, na rua Santa Luzia.
Á esta altura, em consequência da paralisação
dos trens da Central e da Leopoldina, respectivamente, às 17h30m
e às 19h30m, a cidade parecia em colapso no setor de transportes,
com grandes filas se formando ao longo dos pontos de ônibus e lotações
para a Zona Norte e cidades fluminenses. As sédes das ferrovias e
os demais próprios federais passaram, então, a ser guarnecidos
por tropas do Exército. A tensão crescia à medida que
circulavam as notícias sôbre a situação em Minas,
onde já se teria iniciado a revolução. Tôda Minas,
principalmente a capital e cidades como Governador Valadares e Juiz de Fora,
já anteriormente agitadas, estavam, segundo os comentários,
"pegando fogo". As rodas de populares discutindo política
se formavam e não eram poucos os incidentes registrados entre os
mais exaltados."
"A perspectiva mais alarmante da situação brasileira
funda-se num dado concreto que não é possível obscurecer.
É o fato de que jamais em nossa História, e até o presente,
as esquerdas radicais - nomeadamente o comunismo e suas clássicas
correntes auxiliares - estiveram tão à vontade, desfrutaram
tanto prestígio e aproximaram-se tanto do êxito quanto no momento
atual.
Por mais que negaceie, tergiverse e dissimule, o Sr. João Goulart,
ninguém poderá negar - porque está à vista de
todos, porque é público e ostensivo - que os elementos chamados
de "formação marxista" não somente conseguiram
infiltrar-se fàcilmente em todos os postos, como também são
os preferidos pelo govêrno para êsses postos, sobretudo os de
comando e de direção.
Atualmente, no presente govêrno, que ainda se diz democrata, a ideologia
marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem
recomendação especial aos olhos do govêrno. Como se
já estivéssemos em pleno regime "marxista-leninista",
com que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império
soviético, às ordens do Kremlin. (...)"
Diário de Notícias, 1 de abril de 1964
"Enquanto o Congresso Nacional iniciava, em plena madrugada, em Brasília,
a votação do "impeachment" do Sr. João Goulart,
homiziado no sul, numa sessão tumultuada pela oposição
do PTB, que ameaçava ir até o esfôrço físico
para impedir o debate da matéria, o general Amauri Kruel chegava
a São Paulo para conferenciar com o governador Ademar de Barros e
ultimar os preparativos para os deslocamentos das tropas que deverão
seguir para o Rio Grande do Sul a fim de esmagar o último foco de
rebelião concentrado em Pôrto Alegre, sob o comando do Sr.
João Goulart e Leonel Brizola.
Ao mesmo tempo, deverão ser abastecidos, hoje, em Santos, os três
navios da esquadra, Tamandaré, Pará e Amazonas, que segundo
se anuncia, sob o comando geral do almirante Sílvio Heck, rumam para
o sul a fim de cooperar no completo esmagamento dos insurretos.
Ao mesmo tempo, por ordem do Sr. Ademar de Barros, começa hoje em
São Paulo, o racionamento de gasolina fixado em 70% para as indústrias
e transportes coletivos e, em 30% para os carros particulares. A medida
vai afetar profundamente o abastecimento de Brasília uma vez que
o govêrno do Estado requisitou todos os estoques que transitam em
direção à capital federal."
Diário de Notícias, 2 de abril de 1964
"Escorraçado, amordaçado e acovardado deixou o poder
como imperativo da legítima vontade popular o sr. João Belchior
Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas.
Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou,
o Sr. João Goulart passa outra vez à história, agora
também como um dos grandes covardes que ela já conheceu.
Temos o direito de dizer tudo isso do Sr. João Goulart porque não
lhe racionamos os adjetivos certos, por mais contundentes que fossem, na
hora em que êle dominava o poder, e posava de líder todo-poderoso
da Nação. Como não nos intimidamos na hora em que Jango
e os comunistas estavam por cima e amargamos até cadeia, não
precisamos nem fazer a demagogia da generosidade. Mesmo porque nào
pode haver generosidade nem contemplação com canalhas. E Jango,
Jurema, Assis Brasil, Arraes, Dagoberto, Darcy Ribeiro, Waldir Pires e toda
a quadrilha que assaltou o poder não passam de canalhas.
E além de canalhas, covardes. E além de covardes, cínicos.
E além de cínicos, pusilâmines. E além de pusilâmines,
desonestos. Bravatearam, fingiram-se machões, disseram que fariam
isto e aquilo, mas aos primeiros tiros sairam correndo espavoridos e ainda
estão correndo até agora. Alguns, como Aragão, como
Assis Brasil, como Crisanto de Figueiredo, como Arraes, como Cunha Melo,
como todo o rebotalho comunista, não serão encontrados tão
cedo. (...)
Nunca se viu homens tão incapazes, tão desonestos e tão
covardes. Agora que o País se livrou do fantasma da comunização
podemos repetir o que vinhamos dizendo exaustivamente: todo comunista é
covarde e mau caráter. Os episódios de agora vieram provar
que estávamos cobertos de razão. (...)
O Povo brasileiro lavou a alma. O Carnaval que se comemorou ontem em plena
chuva só poderia mesmo ter sido feito por um povo que estava precisando
dessa desforra que lhe era devida precisamente há 30 meses. O povo
que comemorou ontem a queda de jango foi o mesmo que votou contra êle
em 1960 e foi traído pela renúncia de Jânio. A comemoração
de hoje é pois uma revanche e uma recuperação.
Precisamos agora de organizar o mais ràpidamente possível
o nôvo govêrno, pois os aproveitadores de sempre já cerram
fileiras em tôrno dos cargos, já se apresentam como os heróis
de uma batalha que não travaram. Junto com a organização
do nôvo govêrno temos que providenciar, também urgentemente,
para que os direitos políticos dos que foram ontem legitimamente
banidos pelo povo, sejam cassados para sempre. (...)
Não se trata de vingança, nem estamos aqui defendendo o esquartejamento
dos derrotados. Mas quando o destino do País está em jôgo,
quando se trata de decidir da sorte dos que queriam comunizar o País,
não podemos ser generosos ou sentimentais. Para os civis, cassação
dos direitos políticos. Para os militares como Assis Brasil, Crisanto,
Cunha Melo, Napoleão Nobre, Castor da Nóbrega e para todos
os comuno-carreiristas das Fôrças Armadas, o caminho é
um só e inevitável: a reforma pura e simples. Não falavam
tanto em reforma? Pois apliquemos a fórmula a êles.
Enfim, começa hoje uma nova era para o Brasil. Confiemos no espírito
público dos homens que salvaram a democracia brasileira, e no discernimento
e superioridade com que o marechal Dutra se conduzirá nos próximos
22 meses."
Tribuna da Imprensa, 2 de abril de 1964
"O Sr. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados,
poderá assumir ainda hoje a Presidência da República,
em virtude do que dispõe o artigo 79 parágrafo 2o da Contituição,
que declara: - Vagando os cargos de Presidente e Vice Presidente da República,
far-se á eleição 60 dias depois de abertas a última
vaga. Se as vagas ocorrerem na segunda metade do período presidencial,
a eleição para ambos os cargos será feita 30 dias depois
da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma estabelecida em
lei. Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período
dos seus antecessores.
Em consequência, o Sr. Ranieri Mazzilli deverá exercer a Presidência
até a posse do novo presidênte, a ser eleito no dia 1o de maio
próximo pelo Congresso Nacional."
"Em face da absoluta normalidade reinante na cidade com a cessação
dos motivos que a determinaram, terminou à zero hora de hoje a greve
geral decretada terça-feira.
Todos deverão retornar tranqüilamente ao trabalho, evitando,
contudo, aglomerações públicas nas ruas.
Sòmente os bancos ainda permanecerão fechados, hoje e amanhã,
em virtude de decreto."
"Brasília, 1o - Até às 22 horas de hoje o Sr.
João Goulart ainda se encontrava na Granja do Torto, nesta capital,
em companhia de sua espôsa e filhos.
No aeroporto militar, achava-se, pronto para decolar a qualquer instante
um "Coronado", moderno jato da Varig, que tanto poderia se dirigir
para Buenos Aires como para a Espanha, segundo afirmam fontes ligadas à
família presidencial.
Após chegar a Brasília, às 15 horas, o Sr. João
Goulart estêve no Palácio do Planalto uns 15 minutos, fechado
em seu gabinete, retirando-se depois para a Granja do Torto, onde recebeu
poucas pessoas, uma delas o deputado Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara
dos Deputados. Pessoas, que privam com o Sr. Mazzilli, afirmam que êste
ouviu do Sr. João Goulart a declaração de que, antes
de partir de Brasília, lhe transmitiria o cargo de Presidente da
República. Outras fontes adiantam que o Sr. João Goulart,
durante a tarde, estêve redigindo o documento de renúncia,
que será enviado ao Congresso de Pôrto Alegre, para onde irá
nas próximas horas."
"Pôrto Alegre, 1o - O Sr. João Goulart, cêrca das
23 horas, chegou a esta capital em companhia de sua família e do
Sr. darci Ribeiro. Antes de embarcar em Brasília, o Sr. João
Goulart conferenciou novamente com o Presidente Ranieri Mazzilli."
(...)
"Às treze horas o Sr. João Goulart deixava o Rio, indo
para Brasília e, pouco depois, a Cadeia da Liberdade anunciava que
o Sr. Goulart havia partido nim avião da Varig para destino ignorado.
Todos os comandos militares haviam aderido ás tropas do general Castelo
Branco. Em recife soldados do IV exército cercaram o Palácio
do Governador e prenderam o Sr. Miguel Arrais, por ordem do general Justino
Alves.
O ministro Lafaiete de Andrade enviou emissário a Minas para decretar
solidariedade ao Supremo Tribunal Federal à revolução.
Às 16 horas, foi lida esta ordem, firmada pelo general Castelo Branco:
"Que as tropas do I Exército cessem todas as operaçòes
e voltem aos quartéis".
Era o fim da resistência e a vitória da Revolução.
As autoridades civis e militares estão lembrando a tôda a
população que estão em vigor as leis e os códigos.
Os culpados por atos condenáveis serão punidos. Aconselham
que a população se abstenha de participar de aglomerações
e movimentos coletivos. Avisam ainda que a normalidade voltou ao País
e cessaram, imediatamente, todos os movimentos grevistas."
"Dezenas de automóveis trafegaram pelo centro da cidade, tocando
suas businas, em sinal de alegria pela vitória da democracia em todo
o País. As estações de rádio e televisão,
que estavam sob censura, iniciaram suas transmissões normais, pouco
depois das 17 horas. Os contingentes de fuzileiros navais que ocupavam as
redações de alguns jornais, foram recolhidos aos quartéis.
Por volta das 17,15, o Forte de Copacabana anunciava, com uma salva de
canhão, a aproximação das tropas do general Amauri
Kruel, que atingiria o Estado da Guanabara às últimas horas
da noite de ontem.
A população de Copacabana saiu ás ruas, em verdadeiro
Carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis
picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava
vazão, nas ruas, ao seu contentamento. (...)"
O Dia, 2 de abril de 1964
"Montevidéu - O Sr. João Goulart é esperado neste
páis com honras de Chefe de Estado - é o telegrama da "United
Press International" distribuído, ontem, aos jornais brasileiros.
Grande número de parlamentares e jornalistas se dirigiu ao Aeroporto
de Carrasco momentos após ter a Rádio Farroupilha, do Rio
Grande do Sul, anunciado apêlo do presidente deposto no sentido de
que cessasse a resistência "para evitar derramamento de sangue".
Decidiram as autoridades uruguaias que o presidente deposto seja recebido
com honras de Chefe de Estado. Diz mais o telegrama da agência norte-americana
que a fronteira está patrulhada por fôrças leais ao
Sr. João Goulart. Está garantido qualquer pedido de asilo,
para tanto, sido enviadas tropas uruguaias à linha demarcatória
dos dois países.
Um destróier uruguaio foi enviado para as proximidades da costa
brasileira, prevendo-se a possibilidade de conflitos na fronteira, onde
as guarnições continuam leais ao presidente deposto.
O Legislativo reuniu-se, extraordinariamente, para discutir a oportunidade
de enviar uma mensagem ao Brasil. Ante a discussão não decisiva,
entre as facções favoráveis e contrárias, foi
suspensa a sessão. (ANSA - UPI - DC)
Até o momento de encerrármos os trabalhos desta edição
não havia confirmação oficial da chegada do Sr. João
Goulart a Montevidéu. Não se confirmaram, igualmente, as notícias
de que o presidente Goulart havia se dirigido cara a capital Paraguaia,
Assunção. Notícias de Pôrto Alegre informavam,
entretanto, que Jango havia deixado aquela cidade na tarde de ontem."
"Dando por encerrada a "Rêde da Legalidade", às
13 horas de ontem, o prefeito de Pôrto Alegre, Sr. Sereno Chaise,
leu a nota oficial alusiva ao ato, salientando em certo trecho que o presidente
João Goulart, ao transitar pela capital sulina, dispensara o sacrifício
da população gaúcha e de todo o Brasil na resistência
ao movimento que o derrubara do poder.
É o seguinte, na íntegra, a nota: "Ás primeiras
horas de hoje, o presidente João Goulart chegou a Pôrto Alegre.
Depois de ficar algum tempo, seguiu viagem. Antes examinou, com autoridades
militares, amigos e correligionários, as condições
de resistir ao processo golpista e decidiu dispensar o sacrifício
do povo gaúcho e brasileiro.
O deputado Leonel Brizola pede ao povo gaúcho e brasileiro, a todos
os patriotas, que enfrentem com serenidade e calma esta difícil passagem.
Encerramos a "Rêde da Legalidade", agradecendo a todo o
povo gaúcho e brasileiro que compareceu em massa à sede da
Prefeitura de Pôrto Alegre para resistir contra os golpistas. Fizemos
tudo para manter a legalidade."
"Confirmando que o esquema do golpe estava montado há algum
tempo, o general Olímpio Mourão Filho, já nomeado pelo
ministro da Guerra presidente da Petrobrás, falou, ontem, à
imprensa, do gabinete do general Costa e Silva.
Afirmou aquêle militar que antes de iniciar sua marcha teve de realizar
três operações: silêncio, gaiola e Popay. A primeira
consistiu em articular todo o movimento para que não pudesse ser
fracassada a marcha do Exército revolucionário, a segunda
para propiciar o clima de tranqüilidade do povo, prendendo os líderes
que atuavam nas massas trabalhadoras e, a terceira, operação
guerra.
As declarações do novo presidente da Petrobrás foram
assistidas por vários chefes militares e personalidades do mundo
politico-militar.
"Se não ocorresse a prisão dos líderes sindicais
- afirmou - nós teríamos a marcha dificultada, pois não
conseguiríamos rapidamente o apoio maciço dos companheiros".
O general Olímpio Mourão disse também que "saímos
para lutar, prontos para qualquer situação. Felizmente, em
lugar do primeiro tiro, encontramos os abraços dos nossos companheiros
de farda, porque êles pensavam como nós" (...)"
Diário Carioca, 3 de abril de 1964
AS MANCHETES:
Reincidência ( Jornal do Brasil )
"Gorilas" Invadem O JB ( Jornal do Brasil )
Fora! ( Correio da Manhã )
Carros Blindados Na Rua Deixam Povo Sob Tensão ( Diário de
Notícias )
Grave Perspectiva ( Diário de Notícias )
Marinha Caça Goulart ( Diário de Notícias )
Democratas Assumem Comandos Militares -
1) Costa E Silva Nomeado Para Pasta Da Guerra 2) I Exército Tem Ururaí
Como Comandante 3) General Taurino Na Primeira Região Militar
Pela Recuperação do Brasil ( Tribuna da Imprensa )
Revolução Terminou Sem Derramamento De Sangue - Jango Em
Pôrto Alegre
Magalhães Pinto Deu A Arrancada Final Contra A Comunização
Do País
Mazzilli Poderá assumir Ainda Hoje A Presidência Da República
Terminou A Greve Geral - UNE Incendiada ( O Dia )
Uruguai Espera Jango Como Chefe De Estado ( Diário Carioca )
Goulart Dispensou O Sacrifício Do Povo Brasileiro ( Diário
Carioca )
Mourão: Golpe Estava montado E Prisão De Líderes Ajudou
Muito
( Diário Carioca )
Confira a história da ditadura militar no
Brasil. Clique aqui.