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O Islã "Em nome de Deus, Clemente, Misericordioso..."
O islamismo, religião que mais cresce no mundo contemporâneo,
nasceu na Península Arábica principalmente a partir da reflexão de Maomé em
torno da multiplicidade de deuses existentes nas tribos da própria península
assim como das religiões petrificadas, anquilosadas e presas no formalismo
ritualístico, sem a vivificação espiritual desejada e desejável, como o
cristianismo ortodoxo grego, o cristianismo romano e o judaísmo.
“Nos 13 séculos que se passaram de sua gênese, a religião
congrega hoje mais de 800 milhões de adeptos, "unidos pelo sentimento profundo
de pertencerem a uma só comunidade. E essa expansão, que continua, é devida
principalmente a um espírito de universalidade que transcende qualquer distinção
de raça e permite a cada povo se integrar no Islã mas, ao mesmo tempo, conservar
sua cultura própria.” (O Correio da Unesco, 1981). O Berço
A Península Arábica está localizada no Oriente Médio,
limitada entre o Mar Vermelho a oeste, o Oceano Índico ao sul e o Golfo Pérsico
a leste, ligada ao continente pelo deserto, que cobre a maior parte da
Península. Não existem rios permanentes e o clima é extremamente seco,
apresentando oscilações térmicas de áreas e variações de temperatura. Ao centro
e a leste encontram-se numerosos oásis, que têm origem na umidade do subsolo,
originando poços de água em torno dos quais crescia uma exuberante vegetação
tornando possível a vida na região.
Arábia pré-islâmica
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Meca não dispunha de uma organização ou instituições
políticas, nem possuía um forte sentimento nacional. O principal personagem da
mudança cultural, política e religiosa foi inquestionavelmente Maomé.
Pertencente à família dos haxemitas, ramo pobre da poderosa tribo dos coraixitas;
seu nascimento é estimado como ocorrido em torno do ano 570.
Muito cedo Maomé ficou órfão, passando a viver no deserto sob
os cuidados de seu avô, onde aprendeu a conhecer a difícil vida dos beduínos e
suas necessidades materiais e espirituais. Ainda jovem, retornou a Meca,
tornando-se um excelente guia de caravanas, mantendo contatos com povos
monoteístas, principalmente judeus e cristãos, de quem sofreu profundas
influências religiosas. Aos 25 anos, Maomé casou-se com uma viúva rica,
proprietária de camelos, chamada Khadidja. O casamento deu-lhe profunda
estabilidade material, porém, como todos os profetas, sua vida está envolta em
muitas lendas. Acredita-se que foi a partir daí que começou a formular os
princípios de uma nova doutrina religiosa, iniciando um período de meditações e
jejuns. Constantemente isolava-se no deserto buscando seguir os ensinamentos de
Jesus Cristo, a quem considerava um dos últimos profetas.
Foi durante suas andanças pelo deserto que afirmou ter tido a
visão do Arcanjo Gabriel, que o incumbira de ser o profeta de Alá. Maomé tinha
40 anos de idade e possuía um forte caráter emocional, pois durante suas visões
encontrava-se sempre em transe. Dedicou-se à pregação junto aos seus familiares,
não se contentando com a vida economicamente tranqüila que ora dispunha.
Após três anos, seguido por um pequeno grupo de fiéis
convertidos à nova fé, Maomé começou a falar para os coraixitas em frente à
Caaba, pregando a destruição dos ídolos e afirmando a existência de um só deus,
Alá. As mudanças religiosas propostas pelo profeta acabaram por entrar em choque
com os líderes coraixitas, pois a implantação do monoteísmo significaria a
diminuição da peregrinação de fiéis a Meca, uma vez que Alá, não tendo forma
física, estaria em toda parte.
Sentindo o perigo daquela subversão de idéias em torno do
monoteísmo, temendo o esvaziamento de Meca como centro comercial de toda a
Península Arábica, os coraixitas tentaram matá-lo. Alertado por alguns
seguidores, Maomé fugiu de Meca para Yatreb, em 622, ficando este ato conhecido
como Hégira, marco inicial do calendário muçulmano. Apesar de ter sido bem
recebido por vários de seus seguidores em Yatreb, encontrou forte oposição dos
judeus da cidade, que resistiram às tentativas de conversão, e foram
assassinados em massa. Nesse momento, Maomé implantou um governo teocrático,
transformando a cidade em sua base e mudando seu nome para Medina, a cidade do
profeta.
Tomando conta da inútil tentativa da conversão pacífica,
Maomé optou pela Guerra Santa. Meca foi sitiada e obrigada a aceitar a volta do
profeta, que graças ao apoio dos beduínos, já convertidos, destruiu os ídolos da
Caaba, mantendo apenas um único elo de ligação entre as tribos: a Pedra Negra.
No ano 630, o Estado Árabe estava praticamente formado, unido
em torno da bandeira do islamismo e de seu único chefe, Maomé, que assumia não
apenas o poder político como também o religioso, iniciando-se, assim, um governo
teocrático.
Acredita-se que o Profeta tenha subido aos céus numa nuvem a
partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, no ano 632 d.C. No ocidente são
comuns as referências à “morte de Maomé em 632 d.C. acometido de um mal súbito”,
de todo o modo, a comunidade islâmica ficou mergulhada em grave crise. Todos os
atos, editos e decisões estratégicas foram tomadas unicamente por Maomé, não
havia orientação clara relativa a sucessão em sua ausência. Um Estado
Teocrático, na falta do líder, sem um indicativo claro de forma sucessória, eis
a raiz da crise.
O Cinco Pilares do Islã, segundo Roger Garaudy na Obra
“Promessas do Islã”, publicada no Brasil pela Nova Fronteira em 1988,
podem ser assim resumidos:
1.
Profissão de Fé: “Existe um único Deus e Maomé é seu profeta”. Nenhuma outra
divindade senão Deus: Maomé, seu mensageiro. O universo inteiro ganha assim um
sentido, o absoluto revelando-se no relativo sob a forma de "sinais", de
símbolos. A natureza e os homens, do mesmo modo que a palavra do Alcorão, eram
uma aparição, uma manifestação de Deus. "Não há nada que não cante seus
louvores, mas vocês não compreendem seu canto" (XVII, 44).
2.
Oração: a prece é e a participação consciente do homem no canto de louvor que
liga todas as criaturas ao seu criador. "Volte a si mesmo para encontrar toda a
existência resumida em você.”
A prece
integra o homem de fé a essa adoração universal: realizando-a, com o rosto
voltado para Meca, todos os muçulmanos do mundo e todas as mesquitas cujo nicho
do mirhab designa a direção da Caaba são assim integrados, por círculos
concêntricos, a essa vasta gravitação dos corações rumo ao seu
centro.
A
ablução ritual, antes da prece, simboliza o retorno no homem à pureza primitiva
pela qual, rejeitando a si mesmo tudo o que pode macular a imagem de Deus, ele
se torna seu perfeito espelho.
3.
Jejum durante o mês sagrado do Ramadã. O jejum, interrupção voluntária do ritmo
vital, afirmação da liberdade do homem em relação ao seu “eu” e aos seus
desejos, e ao mesmo tempo lembrança da presença em nós mesmos daquele que tem
fome, como de um outro eu mesmo que devo contribuir para tirar da miséria e da
morte.
4.
Zakat. Não é esmola, mas uma espécie de justiça interior institucionalizada,
obrigatória, que torna efetiva a solidariedade dos homens da fé, isto é,
daqueles que sabem vencer em si mesmos o egoísmo e a avareza. O zakat é a
lembrança permanente de que toda riqueza, como tudo, pertence a Deus, e que o
indivíduo não pode dispor dela à vontade, que cada homem é membro de uma
comunidade.
5. A
peregrinação a Mec, enfim, não apenas concretiza a realidade mundial da
comunidade muçulmana, mas, dentro de cada peregrino, vivifica a viagem interior
em direção ao centro de si mesmo.
O tema central do Islã, em todas as suas manifestações, é
esse duplo movimento de fluxo do homem em direção a Deus e de refluxo de Deus em
direção ao homem, diástole e sístole do coração muçulmano: “Na verdade, somos de
Deus e a Ele retornamos”(II, 156)
Todos os preceitos que devem ser seguidos encontram-se
reunidos no
Alcorão (a grafia “Corão”
também é considerada correta), livro sagrado escrito a partir das sínteses dos
ensinamentos de Maomé. Trata-se de um livro com conotações nitidamente
político-religiosas, assumindo o caráter de uma verdadeira constituição para o
povo islâmico. Os feitos de Maomé foram reunidos por seus familiares em um livro
denominado Suna, no qual se encontram as bases da tradição, formuladas a partir
dos exemplos dados por Maomé durante sua vida. Destaca-se, entre os preceitos
básicos da Suna, a Djihad. Por vezes mal compreendida, a Djihad ou Jihad, pode
ser traduzida realmente como “Guerra Santa”. Segundo ainda Roger Garaudy,
filósofo franco-argelino convertido ao islamismo, há duas grandes formas de se
fazer a Guerra Santa preconizada pelo Profeta. Há a “Grande Jihad” ou luta
contra o ego e a “Pequena Jihad” que é a busca de persuasão do infiel aos
caminhos do Profeta. Seguindo ainda aquele autor, “idolatria é adorar como se
fosse Deus algo que não é Deus”. Neste sentido, a egolatria é uma das formas
mais condenáveis de idolatria e a Grande Jihad volta-se a dar combate a esta
forma de idolatria. A “Pequena Jihad” busca, principalmente pela persuasão, mas
à força se necessário, proteger o Islã e trazer novos crentes para o Islã.
A partir da existência de dois livros sagrados, o mundo
muçulmano dividiu-se em dois grandes grupos: os xiitas, seguidores
exclusivamente do
Alcorão, que negam qualquer outra fonte de ensinamento; e os sunitas, que
adotam como fonte de ensinamento, além do
Alcorão, a Suna.
Breve cronologia:
570:
nascimento de Maomé.
610: Maomé
tem a primeira visão do arcanjo Gabriel.
622: Hégira
- início do calendário muçulmano.
630: Maomé
destrói os ídolos da Caaba; nascimento do Islão.
632: Ascenção de Maomé aos céus a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém ou, segundo informes da historiografia ocidental, “morte de Maomé em Medina”.
Para Saber Mais: As Cruzadas

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Leitura recomendada:
Bibliografia:
História Geral - Aquino, Denize e Oscar - Ed. Ao Livro Técnico
Toda a História - José Jobson Arruda - Ed. Ática
História - Luiz Koshiba - Ed. Atual