|
Agressão do Estado Policial aos
povos árabes
Desde o final da Segunda Guerra
Mundial o povo hebreu consolidou-se novamente na Palestina sob os auspícios da
Organização das Nações Unidas, mas jamais cumpriu o que foi acordado em 1946.
Desde aquele ano o Estado de Israel se firma como gendarme dos EUA no Oriente
Médio e ocupa o território de 5 países árabes no seu entorno granjeando enorme
animosidade internacional.
O estado de beligerância naquela
região, berço da civilização ocidental, ponto fulcral de nascimento das 3
maiores correntes religiosas monoteístas do mundo (judaísmo, cristianismo e
islamismo) remonta há tempos ancestrais, não há dúvida. Mas a presente escalada
deve-se, sobretudo, à interferência imperialista de Washington no Oriente Médio.
Os Editoriais do jornal “Opinião Socialista” e
da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional ( www.litci.org )
nos permitem entender melhor o atual conflito.
Do Editorial do Opinião
Socialista, número 267:
“As imagens de crianças libanesas mortas pelos
bombardeios israelenses chocaram os trabalhadores brasileiros.
Israel é uma fortaleza armada até os dentes
pelo imperialismo para controlar a região do Oriente Médio. Montou-se um Estado
roubando as terras palestinas e atacando com métodos fascistas toda resistência
local. Israel tem ainda o apoio da maioria absoluta dos governos de todo o
mundo.
E conta também com a cumplicidade da imprensa
mundial, que descreve a resistência palestina e libanesa como “terrorismo” e os
ataques fascistas de Israel como “legítimo direito de defesa”. É como se fosse
um ladrão com uma metralhadora atacando um trabalhador que se defende com
pedras. Pela ótica da grande imprensa, o ladrão teria o “legítimo direito de
defesa” de metralhar o trabalhador que, com atitudes “terroristas”, ameaçava o
ladrão com uma pedra.
Mesmo as mentiras contadas todos os dias pelos
mais importantes meios de comunicação têm seus limites. As imagens das crianças
libanesas mortas não se enquadravam nesse figurino da imprensa. Mais ainda
quando sete brasileiros foram também mortos, entre eles um menino de sete anos.
O governo Lula passou dias e dias sem se
pronunciar perante os bombardeios israelenses, a não ser pela organização do
resgate dos brasileiros no Líbano. Por fim, disse que “existe irresponsabilidade
dos dois lados”, condenando os atos “terroristas” e os ataques de Israel.
Exigimos a imediata retirada das tropas
israelenses do Líbano. Chamamos todos os sindicatos e entidades estudantis e
populares, assim como os partidos da Frente de Esquerda e seus candidatos, a
organizarmos atos pela retirada das tropas israelenses em todo o país.
A agressão israelense está encontrando uma
resistência que não esperava. No sul do Líbano está se enfrentando com a
guerrilha do Hizbollah, com o apoio de amplas camadas populares da região. Isso
está levando o imperialismo a levantar a hipótese de ocupação do país com tropas
da OTAN.
O ladrão encontrou um trabalhador com algo mais
do que pedras nas mãos e, mais ainda, com o apoio geral da população. A
possibilidade de intervenção da OTAN seria o reconhecimento de que Israel não
consegue sozinho desarmar e derrotar o Hizbollah. Buscaria assim, o apoio de
outras quadrilhas de ladrões e mais metralhadoras para fazer a mesma coisa.
Nós estamos de um lado nesta luta. Defendemos a
vitória do Hizbollah, apesar de não depositarmos nenhuma confiança nesta
organização. E defendemos uma Palestina laica, democrática e não racista.”
Da Liga Internacional dos
Trabalhadores – Quarta Internacional:
A Vitória Plebiscitária do Hamas na Palestina
Em janeiro deste ano, a vitória eleitoral do
Hamas foi uma espécie de plebiscito contra o governo de Mahmud Abbas. Desde os
tempos de Yasser Arafat, as instituições da ANP (Autoridade Nacional Palestina)
são dominadas por uma burguesia entreguista e corrupta, que embolsa a ajuda
financeira da Europa, Estados Unidos e dos países árabes para seus próprios
negócios.
Por exemplo, o ex-primeiro ministro Korei,
empresário da construção, chegou a vender cimento para Israel construir o muro
da separação na Cisjordânia. Essa burguesia é totalmente dependente do
imperialismo e de Israel e abandonou toda pretensão independência.
Contudo, esta política produziu um violento
desgaste do governo de Abbas e sua organização política, a Al Fatah. O povo
palestino votou no Hamas para protestar contra as péssimas condições de vida,
contra a ocupação de seu território por Israel e contra a política expressada
nos Acordos de Oslo.
O fracasso de Oslo
Em 1993, a assinatura dos Acordos de Oslo, uma
resposta das potências imperialistas a primeira Intifada palestina, de 1988, foi
o ápice de um processo de capitulação de Arafat e da direção de Al Fatah ao
imperialismo norte-americano e europeu. Neles, a Al Fatah reconhecia a
existência do Estado de Israel e da usurpação da terra palestina. Inicialmente,
as massas palestinas deram seu apoio a este acordo, pensando que obteriam paz e
uma melhora em suas condições de vida.
Contudo, o acordo concretamente só trouxe
algumas pequenas concessões aos dirigentes palestinos que, em troca, ficaram
confinados em ínfimos territórios, sob o controle militar de Israel. A situação
de Arafat, em Mukhata, edifício várias vezes atacado por tropas do sionismo,
mostrava de forma extrema esta situação humilhante.
De fato, a ANP administrava zonas isoladas
similares aos bantustões da África do Sul, durante a época do apartheid. Tendo
como tarefa a repressão de sua própria população em nome do ocupante. Contra
esta realidade de opressão explodiu, em 2000, a segunda Intifada.
A vitória do Hamas
Por isso, neste ano os palestinos votaram no
Hamas, partido que mantém em seu programa a luta pelo fim do Estado de Israel. A
votação expressou que a população enxergou o Hamas como uma alternativa mais
conseqüente, diante da capitulação da Al Fatah.
A realidade, entretanto, é que o Hamas já havia
aderido à trégua pactuada pelo governo da Al Fatah e Israel, em 2004. Todavia,
não tirou de seu programa a luta contra Israel e não entregou as armas. Mas
“congelou” essa luta e se limitou a administrar escolas e hospitais, construídos
com fundos de ONG’s, do Irã e de organismos dos países imperialistas.
A política do imperialismo
Com a derrota de Mahmud Abbas nas eleições, o
projeto imperialista recebeu um duro golpe. Sem o peso histórico e o carisma de
Arafat, Abbas perdeu a confiança das massas palestinas.
Entretanto, como é um homem totalmente fiel ao
imperialismo e ao sionismo, estes últimos fazem de tudo para respaldá-lo e
conservá-lo no poder. Israel bloqueou as fronteiras e cortou o envio dos
impostos de exportação que cobra das zonas palestinas. A União Européia, a maior
fornecedor dessa ajuda, e os EUA suspenderam, com apoio da ONU, o envio de
fundos ao governo de Hamas e propuseram criar um mecanismo que, supostamente,
garanta a entrega desses subsídios diretamente ao povo palestino.
Tudo isso se constitui num gigantesco operativo
de pressão imperialista e sionista para que o Hamas aceite os Acordos de Oslo,
renuncie a ‘violência’ e reconheça o Estado de Israel. Buscam assim, repetir o
caminho de capitulação de Al Fatah. Mas em quanto isso não acontece, adotam
medidas que, na prática, não reconhece o governo do Hamas. Os recursos
financeiros, por exemplo, seriam administrados, segundo Benita Ferrero Waldner,
porta-voz da UE, pelo Banco Mundial junto com o presidente da ANP, Abbas, mesmo
que esse represente apenas uma minoria de palestinos.
Por outro lado, nenhuma exigência a Israel é
feita por esses senhores. Recordemos que Israel se apropriou das melhores terras
e fontes de água da Cisjordânia, isolando a zona árabe de Jerusalém e as
populações palestinas da região. A situação se agravou a partir da política de
‘separação unilateral’ do governo de Sharon-Olmert e a construção do famoso
muro. Ao mesmo tempo, Israel segue assassinando dirigentes palestinos ou matando
civis inocentes, como ocorreu recentemente numa praia em Gaza.
A ameaça de guerra civil
A Al Fatah tem a ampla maioria dos postos do
aparato estatal criado pela ANP. Manter estes cargos é decisivo para seguir
dominando administração e o orçamento do território. A derrota eleitoral frente
ao Hamas ameaça excluí-los deste controle e, por isso, recorrem aos seus
mentores imperialistas e ao Estado sionista para ajudá-los.
Nem sequer tiveram a vergonha de receber de
Israel armamento novo para a “guarda presidencial” de Abbas. O primeiro-ministro
israelense, Olmert, justificou o ‘presente’, dizendo que “teme que Abbas possa
ser vítima de ataques de seus adversários extremistas do Jihad Islâmico e do
movimento islâmico radical Hamas”.
Por outro lado, Abbas manteve sob seu controle
a polícia e as forças de defesa. Já houve vários choques entre estas forças e os
milicianos do Hamas, na disputa pelo poder militar entre o novo governo e a
antiga administração. As forças de Abbas, chegaram inclusive a invadir o
Parlamento Palestino, em Ramallah, detendo deputados do Hamas.
Em outras palavras, Abbas e o Fatah mostram
que, com o respaldo imperialista e sionista, estão dispostos a iniciar uma
guerra civil para obrigar o Hamas a capitular e, por tabela, defender seus
cargos governamentais e seus negócios.
O plebiscito
A política de Abbas de chamar um plebiscito a
favor da ‘paz com base nas fronteiras de 1967’ é uma vergonhosa tentativa de
forçar o governo do Hamas a ceder aos Acordos de Oslo e trair o seu mandato
eleitoral. Para isso, Abbas se refugiou em um manifesto firmado por presos
políticos palestinos em Israel, como Marwan Barguti, da ‘ala combatente’ da Al
Fatah.
Hamas tentou negociar, mas Abbas definiu
unilateralmente a data do plebiscito, o dia 21 de julho. Sem dúvida, alguns
prisioneiros de outras organizações, que assinaram o manifesto original, já
denunciaram o texto e retiraram suas assinaturas. Este plebiscito é uma manobra
ao serviço da ocupação israelense e, por isso, deve ser boicotado pelas
organizações da resistência palestina.
As alternativas de Hamas
O projeto do Hamas é a criação de um Estado
islâmico. Esta posição e seu caráter burguês poderia levá-los a ceder as
pressões e aceitar, de fato, os Acordos de Oslo para ter, pelo menos, um pequeno
Estado dirigido por eles. Alguns fatos recentes apontam nesse sentido. O
primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, por exemplo, substitui as
declarações ‘duras’ pelos chamados à negociação e tenta demonstrar ao
imperialismo, em particular ao europeu, que poderia vir a ceder.
Recentemente, a imprensa informou que um acordo
entre Abbas e Haniyeh foi fechado. O fato é que Haniyeh considerou positiva a
posição da UE de retomar as doações financeiras, mesmo que estas sejam remetidas
as mãos de Abbas. O primeiro-ministro só pediu que “se leve em conta a
existência de seu governo”. Ao mesmo tempo, disse que estava disposto a negociar
e estender a trégua com Israel ‘por 20 anos’. O discurso é muito semelhante ao
da Al Fatah, quando começou a negociar os acordos de Oslo.
Ao invés de denunciar a ocupação e exigir a
imediata devolução de todos os territórios ocupados por Israel, dizendo
claramente as massas palestinas que os Acordos de Oslo só servem para favorecer
os planos imperialistas e sionistas, o Hamas segue negociando com Israel. Se
esta política avança, como é muito provável que ocorra, será responsável por uma
nova frustração às aspirações do povo palestino.
O Hamas, por outro lado, tem uma alternativa:
apelar ao povo palestino e, inclusive, a base da Al Fatah, para denunciar o
plebiscito e a chantagem da guerra civil e chamar a unidade para combater o
Estado sionista, o imperialismo e seus agentes palestinos. O povo palestino deve
exigir que o Hamas o faça.
Ajude a manter esta página ativa! - Clique aqui e
veja como fazer
Arquivo de Artigos Semanais, Sociologia, Filosofia, Psicologia, Ensaios Críticos
©
Copyleft LCC
Publicações Eletrônicas - Todo o conteúdo desta página pode ser
distribuído exclusivamente para fins não comerciais desde que mantida a citação
do Autor e da fonte.
Contato |