Confusão, Baderna,
Esculhambação, Marasmo e Carma
Estamos
vivendo o mais curioso de todos os climas políticos de que se tem notícia na
história pátria. Precisamos marcar bem este momento ímpar na história do Brasil.
Pela
primeira vez somos governados por um grupo político que é reconhecido pela
Justiça Brasileira, na figura do Procurador Geral da República, como uma
quadrilha.
O Presidente da
República que prometeu romper com a forma antiga de governar – particularmente o
sempre reprovado e reprovável hábito de subornar parlamentares – mas o que faz
na prática é agudizá-lo. Pilhados, os recebedores confessos do suborno
são escandalosamente perdoados e inocentados pelos seus pares aos aplausos e
danças. Não chega a surpreender que um grupo político invada a casa de Noca em
que se transformou o Parlamento com vontade de quebrar tudo. A consciência
política em nosso país é muito rudimentar para que todos percebam com clareza
que o maior culpado pelo suborno é quem corrompeu, quem subornou – a quadrilha
do Presidente Lula –, não somente aqueles que aceitaram legislar a soldo do
Planalto, contra suas consciências e seus eleitorados...
Atitude em tudo e por tudo reprovável, sim! Surpreendente
como um raio em céu azul é que não foi. E imagino o que ainda está por vir.
Na semana retrasada
houve aquela série de rebeliões nos presídios e muitos entusiastas de teorias
conspiratórias localizaram no próprio Ministério da Justiça o engendramento da
façanha. É inegável que o advogado criminalista Bastos tem boa parte de sua
clientela hospedada às expensas do Estado naqueles estabelecimentos que se
rebelaram... Outros localizaram em José Dirceu, articulado com Aloísio
Mercadante (ambos membros da corrente petista à direita de todas as outras que
no partido permaneceram, aquela chamada justamente de “Articulação”...) a fonte
de toda a encrenca – com o requinte de encontrar um bode expiatório, como de
costume, confessando haver traficado por R$ 200,00 um CD com áudio comprometedor
e sentindo-se quase o único culpado pela encrenca enorme que aconteceu.
Lula disse em mais um de seus discursos tão retumbantes
quanto descolados da verdade que não acreditava existir “um único mesquinho
neste país” capaz de usar um episódio como aquele com fins eleitorais. Aqueles
gases saíram da boca presidencial, coincidentemente ou não, na véspera da
propaganda do pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PT que,
mesquinhamente, utilizou eleitoralmente o episódio para desqualificar os atuais
ocupantes do Palácio Bandeirantes.
Como entender a popularidade de Lula diante de tamanho
escândalo se multiplicando? Segundos dados da Presidência da República, o
governo Lula gastou uma média de R$ 5 milhões por dia em publicidade
apenas nos primeiros quatro meses do ano de 2006. São zilhões de inserções
diárias que falam desde supostas maravilhas da educação e saúde pública (?) até
o magnífico (SIC, pelamordedeus!) estado das estradas de rodagem no país. Sem
falar no discurso monocórdio de Lula várias vezes ao dia em todas as emissoras
abertas de televisão, rádio, jornais, páginas na Internet, telefonemas,
correspondência e malas diretas. Nunca antes neste país tanto dinheiro havia
sido gasto em propaganda contrária aos fatos perceptíveis da realidade. Mas
choca. Choca enormemente verificar que convence, persuade, que a maioria se
deixa levar. A maioria delirou com Hitler, eu já disse. A maioria pediu para
soltar Barrabás. Tenho um asco fenomenal pela maioria ou, como preferia o grande
tricolor Nélson Rodrigues, “toda a unanimidade é burra!”
O padrão está formado e se repete: discursos vão e vêm ao
sabor dos ventos, sem o menor compromisso com a coerência. Ora se diz que “caixa
dois é uma prática comum no Brasil”, ora que “trata-se de um crime”. A
propaganda informa retumbante a renda distribuída aos pobres na forma de esmola
governamental e não de empregos mas se cala diante do que envia aos bancos.
Claramente? Os gastos
com a Bolsa-Esmola, conhecida eufemisticamente como “bolsa-família” montaram,
informa orgulhosa a propaganda “em mais de R$ 5 Bilhões somente em 2005”. Para
os bancos e especuladores em geral a estimativa do Banco Central do Brasil é que
o governo tenha remetido cerca de R$ 270 Bilhões no mesmo período, só que,
providencialmente, disso não se fala, não se faz propaganda.
A consciência política da população em geral acredita
piamente que “Lula governa para os pobres”, pois a Bolsa-Esmola, diante da
desgraceira generalizada de desempregos e desesperos acaba sendo mesmo vital.
Mas que “governo para os pobres” é este que concede aos poucos banqueiros mais
de 50 vezes o valor transferido aos pobres? E no entanto todos acreditam.
Lula faz o possível e o
impossível, ultrapassando o limite da irresponsabilidade, para esculhambar com o
Congresso Nacional. Governa por Decretos-Leis, eufemisticamente hoje conhecido
com o nome singelo de “Medidas Provisórias” e compra a peso de ouro extraído de
nosso suor e impostos às consciências de parlamentares venais.
Dono da caneta, da chave do cofre e da propaganda joga a
opinião pública contra o Congresso e posa de vítima de golpismo sempre que se
fala em seus desmandos.
Semana que passou foi mais uma vez emblemática. Enquanto Lula
em mais uma diatribe “inaugurava” no Ceará uma estrutura criada há 5 anos pelo
então governador Tasso Jereissati e em pleno funcionamento apesar da falta de
verbas governamentais, pouco antes de também inaugurar a promessa de uma estrada
que, se reeleito, construirá (quem viver verá...) dizendo não estar em campanha,
mas cumprindo a agenda de governo sob vigoroso aplauso da claque bem paga, o
MLST, ligado ao governo, depredou a Casa do Povo em Brasília. Quando a sorte é
exagerada demais a gente desconfia... Por que será que Lula sempre está longe
quando acontece um quebra-quebra ou uma confusão nas proximidades da sede do
governo?
Teorias conspiratórias seguem em andamento. Uma delas daria
conta de que a liderança do MLST teria feito a baderna a soldo de líderes
oposicionistas ao governo Lula para “retribuir” o que aquele fez no Estado de
São Paulo na semana que passou. Em tempo de consciências com etiquetas de preço
(por vezes até bem em conta, aliás), há um “quê” de verossimilhança nisso.
Mas para compreender uma
encrenca, deve-se sempre perguntar: “a quem interessa”? A quem interessa
transformar o Estado de São Paulo, vitrine da oposição burguesa ao governo
federal, num palco de guerra? A quem interessa a demonstração pública de que uma
parcela significativa da população presumivelmente politizada está enfurecida
com o Congresso e não com o governo federal, que “contingencia”, destina aos
bancos as verbas sancionadas pelo Congresso para Reforma Agrária e
assentamentos? A quem interessa “provar” que todos os políticos são corruptos e
só o Presidente da República é uma vestal? Surpreende, de todos os pontos de
vista e análises possíveis e imagináveis que a população aceite e acredite nesta
versão e não nos fatos!
A sabedoria popular,
atualizada com brilhantismo pelo nobilíssimo Barão de Itararé já dizia: “dize-me
com quem andas e eu te direi se vou contigo ou não!” Lula está cercado de
criminosos – vamos lembrar mais uma vez, quadrilha é a expressão técnica
utilizada pelo Procurador Geral da República – de corruptos e incompetentes por
todos os lados. “Mas ele é o Lula...” dizem os hidrófobos. Por Deus, é a
história de Mussolini repetida? Então ele pode tudo pura e simplesmente por ser
quem é?
Triste república que tem um cidadão no comando do país, fora
e acima da Lei, da Justiça e da Ordem; delas zombando com tamanho desembaraço e
conivência de uma folgada maioria – a se acreditarem nas pesquisas, 63% dos
brasileiros estão sendo devidamente engambelados pela propaganda petista-lulista.
Mas nada disso é importante. O importante é que vem aí a Copa do Mundo na
Alemanha e, depois dela, a exemplo do que fez o povo alemão em 1933, o povo
brasileiro reelegerá o tiranete do lumpemproletariado a menos que aconteça um
milagre. Confesso aqui uma fraqueza: não adormeço um único dia sem rogar ao Deus
do Meu Coração que propicie este milagre...
O que mais me espanta é o marasmo, a pasmaceira que tomou
conta de todos como se tivessem colocado algum entorpecente na água do país
inteiro. Cada um pensa somente no seu próprio umbigo, se defende como pode com a
pseudo-literatura de auto-ajuda, em perfeita sintonia com os truísmos
presidenciais. Acorda, Brasil!
Sugestão de um ex-petista
Uma sugestão
aos que ainda permanecem no partido (dito) dos trabalhadores, tendo em vista as
modificações profundas e similitudes com o momento histórico alemão de 70 anos
atrás, modificações que conduziram tantos socialistas históricos a morrerem de
maneira estranha, outros a serem expulsos e outros ainda a se afastar
desgostosos ou exilar-se voluntariamente, como está acontecendo no Brasil/2006,
surge naturalmente a idéia de adotar um nome mais consentâneo com a pompa e
circunstância de quem deseja governar mil anos pois alega fazer coisas que
“nunca antes neste país” haviam sido feitas, também como há 70 anos na mesma
Alemanha. Em 2006 Copa do Mundo da Era Moderna se realizará naquele famoso país,
que em 1936 foi Sede dos Jogos Olímpicos. Uma vez que a popularidade do regime
alemão da época obtinha quase unanimidade, o irracionalismo dominava triunfante,
corruptos jugulavam trabalhadores honestos e se concediam esmolas públicas em
programas sociais de cunho populista/demagógico, além de, principalmente
se conferirem lucros assombrosos aos banqueiros às custas do trabalho do povo
com uma forma excêntrica no encaminhamento da Coisa Pública, muito similar ao
Brasil atual, o partido (dito) dos trabalhadores poderia aproveitar esta onda
que está vivendo e mudar seu nome para Partido Nacional-Socialista dos
Trabalhadores Brasileiros. Só uma idéia...
Lei do Retorno – A Lei Cósmica Se
Cumpre
Há, naturalmente, a Lei do Retorno, e ela não
pode ser olvidada ou desprezada. A esmagadora maioria de nosso povo veio da
Europa e foi responsável pelo mais sanguinário morticínio de aborígines da
história da humanidade. No genocídio dos chamados “índios” desta terra,
pouquíssimos restaram e mal conhecemos a história da maior parte deles. Isto
somado à escravidão negra, com um contingente pavoroso de seres humanos
arrancados de seu torrão natal para transformar-se em propriedade privada –
instrumenta vocalia como diziam os romanos – dos brancos donos do
poder.
Pagamos por estes crimes gigantescos de maneira igualmente
gigantesca. Como dizem os rosacruzes, A Lei Cósmica Se Cumpre. Nosso
presente é fruto de nossos atos do passado e nossos atos de hoje determinarão
inexoravelmente o nosso futuro. Embora sejam os estudiosos do misticismo aqueles
que mais difundem esta idéia ela é de um materialismo notório. Se você fumar 5
maços de cigarro por dia tem dúvida sobre os motivos que o levam a um câncer
pulmonar? E este é um mísero exemplo...
Do ponto de vista coletivo, a Nação Brasileira tem uma
gigantesca dívida social a resgatar: em termos de humanismo, de justiça e
seriedade no encaminhamento da coisa pública principalmente. Esta sucessão
escandalosa de desgovernos é em grande medida precisamente resultado do que
nossos ancestrais plantaram no passado. Nosso povo, em sua maioria, pediu e
apoiou a Ditadura Militar que durou 25 anos. Entre 1964 e 1989 não houve
Eleições Diretas no Brasil, ainda que a propaganda governamental insista que o
último representante da ditadura militar, o ex-arenista, ex pedessista e hoje
peemedebista mas sempre governista José Ribamar Sarney, eleito tão indiretamente
quanto os generais que lhe antecederam e eram por ele apoiados, tenha inaugurado
o novo ciclo democrático. Não! O novo ciclo democrático, que rompe com a
Ditadura Militar definitivamente é marcado pela Eleição Direta para a
Presidência da República em 1989! E o povo escolheu Collor de Mello cujo
tesoureiro e caixa de campanha, PC Farias, era um escoteiro mirim comparado à
quadrilha que hoje ocupa o poder. PC Farias por sinal, se estivesse vivo,
morreria de inveja da quadrilha bem articulada e inacreditavelmente popular que
Lula da Silva montou. Mas divago...
Nosso povo apoiou a Ditadura Militar, apoiou Collor de Mello
e vem apoiando o “Consenso de Washington” aqui implementados por marionetes
entreguistas brasileiros de Fernando Henrique Cardoso a Lula da Silva desde
1992. Cada povo tem o governo que merece e este é precisamente o que merecemos,
desgraçadamente. Com fé, esperança, amor e muita união, quem sabe um dia
cheguemos a ser uma Nação soberana, plenamente democrática e justa? Será que
nossos tataranetos chegarão a vislumbrar o esboço do surgimento de um Brasil
melhor? Sonhar ainda é possível. Ter esperança um dever revolucionário!
Lázaro Curvêlo Chaves –
09/06/2006
Leia mais: Sobre a sucessão eleitoral - 2006. Clique
aqui.
Ajude a manter esta página ativa! - Clique aqui e
veja como fazer
Arquivo de Artigos Semanais, Sociologia, Filosofia, Psicologia, Ensaios Críticos
©
Copyleft LCC
Publicações Eletrônicas - Todo o conteúdo desta página pode ser
distribuído exclusivamente para fins não comerciais desde que mantida a citação
do Autor e da fonte.
Contato |