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O Terceiro Mandato Lula da Silva (sob sua marionete Dilma) e os novos desaparecidos

 

             Estive relendo “O Homem que Calculava”, de Malba Tahan (pseudônimo do professor de Matemática Júlio César de Melo e Sousa) e aquela história do Leão, do Tigre o do Chacal que fizeram as pazes e saíram a caçar chamou-me a atenção. Ao vislumbrarem um cordeiro, um porco e um coelho, o Leão, “Rei dos Animais” incumbe o Tigre de fazer uma simples divisão de 3 por 3 (três caçadores, três caças, nada muito complicado); o Tigre tenta agradar sua Majestade mas é infeliz em algum ponto que não fica claro e leva tal castigo do Leão que cai morto. A seguir, sua Majestade ordena ao Chacal que faça uma divisão de 3 por 2 (três caças, dois caçadores...). O Chacal imediatamente divide os 3 animais por 2 e conclui que os três devem ser devorados pelo rei dos Animais, ficando ao contador meramente os sobejos. O Rei elogia a sabedoria do Chacal e pergunta como conseguiu se tornar tão sábio. O Chacal, com toda a sinceridade, responde que o castigo ao Tigre dado pelo Rei fez com que ele “visse a luz” e compreendesse melhor as vontades de sua Majestade. A bajulação do chacal dura pouquíssimo pois o Leão acaba perdendo a paciência e o mata também sem compaixão.

            Em que passe haver um porco no cardápio possível de três animais presumivelmente muçulmanos (ou talvez as regras proibitivas à ingestão de suínos não sejam aplicáveis a animais que, aliás, não devem ser seguidores de religião alguma, o que lhes eleva em sabedoria) a história me trouxe saudades dos desaparecidos da Era Lula.

            Inquestionavelmente, quem manda no governo neste período que estamos vivendo são os Bancos, as Grandes Corporações Multinacionais e os apostadores da jogatina da Bolsa de Valores, também conhecidos como “Mercado”. Nominalmente é a Búlgara Dilma Roussef. De fato, nas míseras questões de “quem deve ficar em que cargo e quanto devem ganhar com isso” é decisão exclusiva de Lula da Silva em consultas com José Dirceu, Antônio Palocci (que se perdeu o cargo – DE NOVO – mas segue exercendo o Poder que sempre exerceu) e gente dessa extirpe.

            Minha mãinha sertaneja, hoje com 78 anos, se espantava com o fato de a senadora derrotada Erzebeth Báthory ser nomeada para um determinado cargo e outro corrupto para outro cargo governamental.

            Disse-lhe sinceramente que estou cansado dessas notícias. Dentro da farândola petista, como encontrar alguém suficientemente honrado para exercer qualquer cargo? De onde Lula tiraria um aliado honesto para ordenar a Dilma que nomeasse se, sabidamente, só há gente desse tipo lá no topo. E o povo – que exerce, de tempos em tempos e para manter a ilusão de que têm algum grau de influência, o DEVER CÍVICO do VOTO OBRIGATÓRIO – sabe disso. Ninguém duvida que Lula da Silva sabia do Mensalão e esteve diretamente envolvido em todos os escândalos do governo até que Tarso Genro trocou a liderança da Polícia Federal dando-lhes ordens expressas de não investigar (ou pelo menos não revelar) investigações dentro do governo. A Polícia deixou de ser republicana e passou a ser de governo com a nomeação de Genro para o Ministério da Justiça – o cara que ocupa aquele cargo hoje segue na mesma toada. Já o vi na TV certa vez, mas não me preocupei em guardar-lhe o nome, é um daqueles que, quando deputado, vociferava nas CPI’s e exercia mil manobras contra os que tinham fome e sede de justiça: nada mais coerente nesse governo que aí está que aquele que odeia os ansiosos por justiça seja nomeado precisamente para o cargo de Ministro da Justiça...

            Conta-se a boca pequena um diálogo tragicômico que um dos generais presidentes do Brasil travou com o general presidente da Bolívia quando, por ordem dos EUA todos os países latino-americanos tinham de ser liderados pelos militares. O general brasileiro perguntou ao boliviano por que motivo eles tinham um Ministério da Marinha se a Bolívia não tem mar e o boliviano, fleumático, respondeu algo como: “vocês também não têm um Ministério da Justiça”? Pois é...

 

 

Os Novos Desaparecidos

 

            Quando estudava no Scholem Aleichem, colégio para judeus na Tijuca, RJ (nunca entendi por que motivos meu pai me matriculou naquele colégio; o ensino era de primeira qualidade, mas os colegas tornavam minha vida um inferno, pois – não generalizemos... – AQUELES judeus eram xenófobos em grau superlativo e tinham ódio profundo pelos que chamavam de “Góia”. Recentemente, relembrando aquelas reminiscências, um ex-amigo judeu me perguntou se eu não tinha alguma boa recordação daquele período. Pensei um pouco e me lembrei de uma ocasião memorável: quando meus colegas me amarraram e amordaçaram na cortina da sala de aula para privar-me do recreio, eu fui libertado pelo professor de Hebraico, meus colegas sofreram severa reprimenda mais ou menos assim “vocês não podem fazer aos outros o que os alemães fizeram conosco há poucos anos na Europa!” O esporro em meus algozes amenizou a dor em meus punhos e minha boca depois de 20 minutos de severa agonia.

            Aprendi a gostar de Hebraico e outros idiomas, além de admirar aquele professor ético e honrado.

            Enfim, naquele colégio havia um professor de história de notória covardia. Certa feita perguntei a ele o que pensava do Ato Institucional número 5, recentemente decretado. Sua resposta, lapidar e jocosa, até hoje está em minha memória. Disse-me textualmente:

            “Eu não acho nada! Tinha um amigo que achava muito e hoje ninguém acha ele!” Os desaparecidos da Ditadura Militar – que seguem desaparecidos, por sinal – eram sepultados em locais desconhecidos ou simplesmente jogados vivos no Oceano Atlântico entre a América Latina e a África. Motivo? Eram “comunistas”, num tempo em que essa expressão cabia a qualquer pessoa ou pensamento discordante da ditadura obediente a Washington.

            Vivendo ainda num país distante de ser democrático, vemos muitas pessoas desaparecerem, jornais sumirem (por que o JB do Rio fechou, afinal?), deixarem de ser publicados, colunistas se afastarem voluntária ou involuntariamente de seus espaços...

 

 

Dois Casos

 

Na época atual, de pensamento único, qualquer economista ou comentarista econômico que fale a verdade sobre a jogatina da Bolsa, sobre os Bancos ou Grandes Corporações, “desaparece” – verdade que os tempos mudaram e há grande chance de que ainda estejam vivos, mas já não respondem a e-mail, não se pronunciam em público...

 

Salete Lemos – ao que tudo indica, após denunciar uma falcatrua monstruosa perpetrada pelos Bancos (alguns citados por nome), com dados e cifras precisas, “sumiu”. Francamente, sua aliança com o dedo-duro Bóris Casoy, ex-aliado da ditadura e aliado de todos os governos de turno, me fazia olhar para ela com desconfiança. No momento em que dá uma crescidinha em meu conceito, “desaparece”. Deve estar viva por aí – usualmente, quando uma pessoa desse quilate morre, em algum lugar há um obituário e a gente fica sabendo, mas cadê ela?

 

Lúcia Hippolito – Por vezes postava até 3 vídeos por dia no UOL. O último que postou por lá foi em 2008 – esses portais e grandes emissoras jamais explicam o que diabos aconteceu. Sabem que vivemos num país sem memória e ao qual sequer os grandes órgãos de comunicação têm de prestar contas.

Que digo! Sequer precisam ter coerência! Para meu espanto, a Lúcia participava de um programa na TV Globo News (paga, mas com intervalos comerciais como qualquer TV aberta) chamado “Estúdio i”, um programinha insignificante capitaneado por uma apresentadora idem que ri até de explosão em creche, desastre de trem e briga de cegos no escuro (a facadas!). É realmente um programinha para ser leve e idiota e, quando a apresentadora “i”nsignificante passava a palavra para a Lúcia Hippolito nas raras vezes em que ia ao programa, cortava-a bruscamente quando o assunto ia tomando ares de seriedade para, dizia a insignificante, “uma notícia urgente” – um rinoceronte que botou um ovo num zoológico da Birmânia ou uma pulga amestrada no Alasca que soletrava “M-E-A-N-I-N-G-L-E-S-S” ou outra balela similar. No momento seguinte passava a palavra para um cara que fala como se estivesse com um ovo na boca a fazer propaganda de um produto cibernético caríssimo e 100% inviável à maioria da população. Curioso que aquele programa não tinha e ainda não tem a menor coerência ou compromisso com o telespectador. Num momento diz que “a inflação diminuiu” e, no seguinte, que “os preços seguem em alta”. Num momento diz que “o índice de desemprego despencou” e, no seguinte, demonstra ao vivo filas imensas com uma multidão de miseráveis dispostos a esperar até 3 dias em filas por 4 ou 5 vagas “com carteira assinada” e salário mínimo...

As últimas participações de Lúcia Hippolito naquela “i”diotice tiveram um final melancólico nos últimos lustros da campanha presidencial de 2010. Pode ter sido ordem do governo (um dos patrocinadores do “i”, possivelmente insatisfeito com a sinceridade e a racionalidade implacável de uma Cientista Política séria). Pode ter sido decisão da Globo (desde a Ditadura Militar, apoiada com entusiasmo pela Globo, a emissora sempre exerceu uma censura interna incrivelmente mais vigorosa, violenta e eficaz que os militares – e segue exercendo, ça va sans dire). Fato é que não se vê mais o rosto da Lúcia a abrilhantar a mediocridade da mídia televisionada ou via Internet.

Tinha um programa na CBN e algo aconteceu que a tirou completamente do ar por um período bem longo. Procurava por algo escrito ou dito por ela e o máximo que encontrava eram páginas de erro na Globo.com. Para minha surpresa e alegria vejo que está de volta à CBN (que, a exemplo do UOL e do Estúdio “i” da Globo News, não explica os motivos de seu afastamento – no caso da CBN, de seu retorno...), mas “como se nada houvesse acontecido”.

Lúcia, provavelmente sabedora das implicações de uma divisão que traga desconforto ao Rei a exemplo da história de Malba Tahan, jamais investiga os verdadeiros centros decisórios de Poder neste país ou no mundo: o grande capital representado pelos Bancos, Corporações e Apostadores da Bolsa – os que elegem os presidentes, senadores, deputados, indiretamente nomeiam juízes, etc. Lúcia fica com os problemas que ainda podem ser chamados de “políticos” mantendo a ilusão de que o voto compulsório do eleitor coagido é, em última instância, o responsável por tudo isso que aí está. Tem lá alguma razão. Chegou mesmo a criticar o Voto Compulsório e declarar que votaria nulo antes de ser afastada do Estúdio “i”nsignificante. Pode ter sido este o motivo. Resta especular, pois a Globo só santifica os dissidentes depois que estão mortos. Fizeram assim com Raul Seixas, Tim Maia, Cazuza e uma plêiade de outros que jamais tiveram espaço na emissora quando em vida, mas foram “homenageados” após sua morte. Se eu fosse parente de um desses NÃO permitiria esse tipo de profanação de jeito nenhum!

A Globo hoje não chamaria os Titãs para cantar “Vossa Excelência” ou o Lobão para discorrer sobre seu livro “50 Anos a Mil”, excepcional, por sinal. Titãs, Lobão... Depois que morrerem virarão “santos” e serão homenageados pela Globo, não antes.

 

 

Desaparecidos de ontem e de hoje

 

            A vantagem hoje é que já não te matam e enterram em local desconhecido ou jogam vivo no meio do Oceano. A desvantagem é a morte em vida. Praticamente todos acreditam mais na propaganda que na vida real, cotidiana e, se você tenta mostrar a realidade passa, no máximo por excêntrico ou desviante. Em qualquer caso, ninguém te dá ouvidos mesmo.

            Dia desses no Supermercado perto de casa pontuei o aumento assustador no preço dos bens, chegando mesmo a mencionar que estou, mês a mês, levando mais dinheiro para comprar menos coisas – os mesmos itens de sempre. Dois dos que estavam na mesma fila que eu impacientaram-se comigo e recomendaram-me assistir aos noticiários, pois no dia anterior mesmo, foi anunciada uma redução de preços numa série de itens que, claramente, nas etiquetas, estavam bem mais caros. Por via das dúvidas entrei em contato com amigos em Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em Olinda; nos três lugares os preços de fato estavam mais altos, mas meus contatos fizeram questão de pontuar que “acreditam na Dilma e que os preços vão baixar”.

            Será isso que afasta alguns colunistas? O cansaço de demonstrar – com provas palpáveis e evidentes – o óbvio e ninguém ser capaz de ver dando-nos uma sensação de sermos nós a não sermos capazes de enxergar a realidade?

            Sou um desses desaparecidos de hoje: fico em casa a pesquisar, ler, me informar – ultimamente desenvolvi um notável interesse pela Astronomia e pela Evolução das Espécies, temas que me fascinam. Nos arredores não há com quem conversar a respeito de maneira que aproveito para desenvolver minhas habilidades lingüísticas conversando preferencialmente com os Europeus e raríssimos ianques dissidentes (aliás, foi assim que descobri que um telefonema internacional de 20 minutos para Tbilisi (Capital da Geórgia ou Grúzia) custa R$ 4,50 e um telefonema de 4 minutos para Olinda custa R$ 21,30. Isso já não me espanta mais. Se um astrônomo russo morando em Tbilisi tem a paciência de me escutar e a generosidade de esclarecer algumas de minhas dúvidas por 20 minutos, considerando embora arriscado, mantive a conversa. Já um amigo há mais de 30 anos morando em Olinda (Pernambuco) expressou saudades e elogiou meu trabalho na Internet quando liguei para ele no que durou pouquíssimos minutos. Quem diria que telefonemas internacionais um dia seriam mais baratos que telefonemas nacionais – mesmo localmente eu já gastei mais de R$ 4,50 para diálogos de menos de 15 minutos na mesma cidade em que moro.

 

Estou de mudança

 

            Tive uma boa – uma ÓTIMA – receptividade quando cheguei aqui onde moro. Titularidade acima, bem acima, da média, professor carismático e competente... Recebi meu quinhão de elogios. De repente, as vozes xenófobas (jamais deixei de ser um estrangeiro nesta colônia de italianos que ainda considero um cômodo da minha casa chamada BRASIL) gritando contra o dissidente político E religioso que insiste em buscar a verdade e não tergiversar nem aceitar acordo algum falou mais alto. Bati em algumas portas a procura de colocação física que permitisse o contato humano. Em vão.

            Escrevi um conto (escrevi vários contos e ganhei dezenas de concursos, tenho os diplomas guardados com carinho numa pasta de arquivos) Só mandei emoldurar, para que não me esqueça nunca de onde estou, somente a moção 32/01 da Câmara Municipal, único reconhecimento público de tudo quanto fiz desde 1993 até 2001) que vai mais ou menos assim (oportunamente publico na minha página; agora estou com preguiça e o assunto é “desaparecidos”, não “contos do Lázaro”):

            _ Um gênio poderoso é aprisionado numa garrafa por uma feiticeira linda que o ludibriou.

            _ Nos primeiros 3 milênios em sua garrafa no fundo do Mar, prometeu servir a quem o resgatasse pelo resto de sua vida natural.

            _ Nos 3 milênios seguintes prometeu satisfazer 3 desejos de quem o libertasse e depois iria cuidar de seus afazeres na solidão a que se acostumava.

            _ Mais 3 mil anos passaram e ele prometeu realizar um único desejo de quem o libertasse, voltando imediatamente a morar no fundo do mar.

            _ Depois de 12 mil anos, estava tão acostumado à sua condição que prometeu a pior e mais torturante das mortes a quem ousasse tirá-lo dali.

 

            Pessoalmente julgo estar vivenciando uma das fases mais felizes e criativas de minha vida mas, de vez em quando encontro algum idiota que me faz perguntas idem: “Você sumiu...” – ao que digo: “sumi não, estou até mais gordo, olha o barrigão!”. Passando por mim, perguntam: “onde você está?” – “Eu estava ali atrás, agora estou aqui e vou naquela direção”. Recentemente me aproveitei do Palocci: “Mas onde é que você está morando?” – respondi paloccianamente: “eu até gostaria de responder a esta questão, mas receio com isso quebrar o privilégio de quem confia em mim...”

 

           12 anos... 12.000 anos... Modéstia às favas, tenho MUITO a contribuir com a comunidade que vier a me acolher e preciso reatar o contato humano. Por isso tenho de ir.

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 17 de junho de 2011

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