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Roberto Jefferson diz que mensalão continuou após escândalo

 

 

Globo Online (1 de julho) - Com um grande hematoma embaixo do olho esquerdo - a assessoria do parlamentar informou que foi um acidente doméstico -, o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) voltou ao Congresso nesta quinta-feira para prestar depoimento na CPI dos Correios. Confira os principais pontos:

 

MENSALÃO - Jefferson revelou um fato novo em relação ao suposto mensalão pago pelo PT a parlamentares da base aliada. Ao contrário dos depoimentos anteriores, quando disse que o esquema teria parado após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar sabendo do mensalão, no início do ano, o deputado do PTB disse que assessores de parlamentares estariam recebendo a mesada numa agência do Banco Rural localizada no 9º andar do Brasília Shopping, na capital. O uso da agência seria uma alternativa ao pagamento feito por meio de malas de dinheiro, que segundo ele seria mais difícil de operar. O Banco Rural é o mesmo de onde o publicitário Marcos Valério de Souza fez saques superiores a R$ 20 milhões nos últimos anos.

 

- Eu recebi a informação que, depois da denúncia do mensalão, assessores de parlamentares têm ido lá pegar R$ 30 mil, R$ 40 mil, desde que as malas pararam de chegar. Não sei se no presente, mas até bem pouco tempo sim - denunciou Jefferson.

 

Antes, Jefferson afirmara que os deputados que alegam nunca ter ouvido falar do mensalão, ou se omitem ou recebem dinheiro.

 

- Desconfie de quem diz nunca ter ouvido falar em mensalão. Ou se omite por medo ou recebe - disse em tom de desafio.

 

BANCO DO BRASIL - Afirmou aos parlamentares da CPI que para descobrir o esquema do mensalão é preciso investigar também supostos saques do Banco do Brasil, e não só os do Banco Rural. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam para saques de R$ 21 milhões em menos de dois anos feitos pelo publicitário Marcos Valério de Souza, acusado de operar o mensalão. O dinheiro teria servido para pagar propinas a deputados da base do governo.

 

- Me cobravam prova, prova. Dizem: 'Vamos desqualificar o Roberto porque ele é um artista'. A Coaf mostrou os saques dele (Marcos Valério). Tem que procurar o Banco do Brasil também. Havia lá 60% das notas com etiqueta do Banco do Brasil. Até agora, só apareceu o Banco Rural.

 

MARCOS VALÉRIO - O deputado do PTB referiu-se ao publicitário Marcos Valério, acusado de ser o operador do mensalão, como "versão moderna e macaqueada do PC Farias", em referência ao tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor, pivô do escândalo de corrupção e tráfico de influência que culminou no impeachment do então presidente, nos anos 90. Jefferson arriscou até trocadilho como o nome de Paulo César Farias.

 

- Se PC Farias, e fez, hoje Delúbio e Marcos Valério fazem e outros virão e farão também - afirmou.

 

 

ACAREAÇÃO - Jefferson disse que aceitaria participar de uma acareação com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e com o deputado José Dirceu (PT-SP). Diante da afirmativa, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) anunciou que vai apresentar o requerimento para a acareação.

 

 

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA - Criticou o sistema de financiamento das campanhas eleitorais e estimou em 10% o percentual do dinheiro que é declarado. Mostrando uma pilha de registros da Justiça eleitoral, ele qualificou a prestação de contas de campanha como o princípio da mentira:

 

- Não há eleição de deputado federal que custe menos de R$ 1 milhão, mas a média das prestações de contas é de R$ 100 mil. As declarações à Justiça eleitoral não traduzem a realidade. Nem a minha, nem as dos senhores. Esse processo começa na mentira e deságua no PC Farias e nos outros tesoureiros, como o Delúbio e o Marcos Valério.

 

REFORMA POLÍTICA - O deputado fez uma apresentação de propostas para reforma política que, segundo ele, são necessárias após as denúncias de corrupção em órgãos do governo. Ele afirmou que seu partido (responsável por indicações nos Correios e em outros setores da administração federal) defende a "despartidarização da máquina do Estado". Segundo Jefferson, é preciso reduzir o número de cargos de confiança na gestão federal. Falou também que é preciso reduzir o número de deputados e senadores por estados. E acabar com a figura do suplente de senador e do vice.

 

- O suplente sempre arruma encrenca. O vice é o coisa nenhuma à espera de ser alguma coisa algum dia. É o conspirador do dia-a-dia.

 

CASSAÇÃO - O deputado voltou a afirmar que não está preocupado com a possibilidade de ter o mandato cassado:

 

- Não vim aqui mendigar em favor do meu mandato. Saio do Congresso da maneira como entrei: pela porta da frente. Ninguém vai me pôr de joelhos ou me "acanalhar".  

Fonte: Globo Online

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