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O Mensalão do PT

 

              Clima de final de copa do mundo dia 14 passado. Durante cerca de 7 horas o Deputado Federal Roberto Jefferson depôs na Comissão de Ética da Câmara, galvanizando as atenções de toda a Nação.

            “O Brasil parou para ouvir Roberto Jefferson” estampavam algumas manchetes no dia seguinte.

            O cara não é um santo, longe, muito longe disso! Mas há algo como um código de ética entre canalhas e ele, sempre áulico, sempre governista, foi traído pelo cruel presidente Lula ao sugerir o estancamento do pagamento de subornos a parlamentares.

            Tentando, quiçá, resguardar a imagem do presidente mais sanguinário e traiçoeiro que o Brasil já teve, disse que “Lula chorou” quando ficou sabendo do “esquema”. Não é inverossímil. Mesmo os crocodilos vertem lágrimas enquanto devoram suas vítimas. Mas surpreendido ele não foi, não. Avisado há cerca de um ano pelo governador de Goiás, retrucou que “isso é prática comum, inserida pelo Sérgio Motta ao tempo de FHC...” Pura verdade também. A relação promíscua entre os poderes Executivo e Legislativo há tempos vem minando o que sobra de ética na política nacional.

            A eleição de Lula à Presidência da República e sua maneira excêntrica de relacionar-se com aliados e adversários expôs ao mundo um problema antigo no Parlamento Brasileiro. Ao invés de cumprir com suas promessas de campanha ou mesmo ser coerente com a sua trajetória histórica, Lula, no poder, optou por trilhar o mesmo caminho de seu antecessor, levando-o ao paroxismo e deixando a todos aturdidos e consubstanciando aquilo que foi qualificado pela Folha de S. Paulo, em Editorial, como “o maior estelionato eleitoral da história da república”.

 

Histórico

 

            Em meados de janeiro deste ano o deputado Roberto Jefferson denunciou a Lula, na presença de testemunhas, o esquema do Mensalão, uma mesada de R$ 30.000,00 a parlamentares do PL e do PP para que votassem assuntos de interesse do governo. Disse-lhe que isto estava contaminando a base aliada e muitos ansiavam por um aumento para R$ 50.000,00 ou R$ 60.000,00 e que o seu partido, o PTB, se recusava a receber esta propina. Lula teria chorado.

No sábado, 14 de maio, saiu a revista Veja de número 1905, com data de 18/05, trazendo detalhes de uma fita gravada revelando o Diretor dos Correios, Maurício Marinho, recebendo uma propina de R$ 3.000,00 em nome do PTB e do deputado Roberto Jefferson. Dia 17 de maio o deputado Roberto Jefferson se defende na Tribuna da Câmara informando não conhecer o Sr. Maurício Marinho e, atendendo à demanda popular, assina ostensivamente a CPI mista para investigação da corrupção nos Correios. No mesmo dia, Lula hipoteca solidariedade integral a Roberto Jefferson a quem, segundo suas próprias palavras, “daria um cheque em branco e dormiria tranqüilo”.

O poderoso apoio popular àquela CPI mista, pelo povo brasileiro fatigado de ser esbulhado e sangrado em suas finanças por políticos corruptos amplia demais o seu espectro e Lula avalia que deve recuar. José Dirceu e Aldo Rebelo vão à casa do Deputado Roberto Jefferson no dia 24 de maio e suplicam de joelhos que ele e toda a bancada do PTB retirem as assinaturas na tentativa de barrar uma CPI, pois avaliam que seus desdobramentos seriam danosos para o governo Lula. Apresentam um documento no qual o Sr. Maurício Marinho declara haver proferido “bravatas” e nega o envolvimento de Jefferson, o que lhe permite, de fato, retirar a assinatura da CPI que, contudo, já estava fora do controle: a população cobra a apuração dos fatos e não se satisfaz que seja o governo a fiscalizar o governo. No dia 25 de maio é votada e aprovada em sessão conjunta do Congresso Nacional: a CPMI dos Correios é um fato.

Na edição 1906, de 26 de maio, a revista Veja traz nova denúncia: Jefferson exigiria do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) uma mesada de R$ 400.000,00 para o PTB.

Semana seguinte, o assunto segue em temperatura crescente. A Veja de número 1907 estampa no dia 1º de junho a manchete “O Homem Bomba”, referindo-se a Roberto Jefferson que declarara: “no mesmo banco que eu me sentar para depor na CPI, o Delúbio, o Dirceu e o Silvinho (Sílvio Pereira, secretário do PT) se sentarão também!”

            A 5 de junho, Roberto Jefferson convida a jornalista Renata Lo Prete, da Folha de S. Paulo e explode uma bomba, publicada no dia seguinte pelo jornal paulista: “PT dava mesada de R$ 30.000,00 a parlamentares”. Nos detalhes, menciona que deputados do PL e do PP seriam beneficiários do “Mensalão”. Cita nomes de vários deputados, ministros e líderes petistas envolvidos no esquema.

            O presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto, protocola junto à Comissão de Ética da Câmara uma denúncia contra Roberto Jefferson por “quebra de decoro parlamentar”.

            Domingo, 12 de junho, em nova reportagem bombástica da Folha, também concedida à excepcional jornalista Renata Lo Prete, Jefferson fornece mais detalhes. Cita mais nomes e informa que o dinheiro vinha de estatais e empresas privadas que apóiam o governo Lula.

            No dia 14, 52º aniversário do deputado, ocorre o depoimento de 7 horas que “paralisa a Nação”. Na mesma data senadores e deputados entregam ao presidente do Congresso Nacional um pedido de abertura de uma nova CPI mista para investigar o esquema do “Mensalão”.

            No dia 15 o governo consegue manobrar para ficar com os principais cargos da CPMI: a presidência e a relatoria. Uma CPMI que promete “já começar em pizza” deixa-nos com uma tênue esperança: que os senhores deputados e senadores interessados em se reelegerem no próximo ano, não façam muito feio perante a opinião pública e que efetivamente vão fundo na averiguação dos fatos.

 

Avaliando

 

             Muito se pode dizer acerca de Roberto Jefferson: truculento, general da “Tropa de Choque” do Collor de Mello, conservador, direitista, etc. Mas não se pode negar que se trata de um sujeito ladino, bem articulado e com uma visão política muito clara. Cada palavra, cada pronunciamento, cada declaração à imprensa, cada gesto ou palavra na Comissão de Ética da Câmara, tudo foi milimetricamente calculado.

            Transmitiu ao público brasileiro grande credibilidade quanto ao que falava. O fato de existirem rumores dando conta de que “até as carpas do lago Paranoá sabem do Mensalão” corrobora toda a sua história.

            Aquele depoimento foi o primeiro de uma série de procedimentos que a opinião pública deverá acompanhar atentamente pois há muito a vir à tona. Há ainda uma série de lacunas – talvez cuidadosamente calculadas pelo maquiavélico deputado –, uma série de meias-verdades e meias-mentiras.

            Ressalto, do depoimento, o notável retraimento de Waldemar da Costa Neto, quando desafiou Jefferson a citar o nome de um deputado do PL que receba o “Mensalão”, se encolheu ao ouvir do acusado que se transformou em acusador, dedo em riste: “V. Excia. recebe!” Aí tem.

            Ressalto ainda a retribuição que Jefferson prestou a Lula. Se o Presidente da República dá a ele um cheque em branco e dorme tranqüilo, o deputado retribui dizendo que “Lula é um homem inocente”.

            Ora, José Dirceu deu várias entrevistas informando que tem para com Lula uma fidelidade canina, que nada passa sem o seu crivo ou aprovação. Há uma tentativa, a meu ver espúria, de fazer de Lula uma vítima, uma espécie de “Imperador da China”, controlado por seus ministros e desconhecedor do que ocorre dentro ou fora de seu palácio.

            Lula foi avisado por Marconi Perilo, governador de Goiás, há um ano, acerca do “Mensalão” e não tomou providência alguma. Até comentou ser esta uma prática herdada do governo anterior! Em janeiro foi avisado por Jefferson e, “coincidentemente” o mundo do deputado desabou.

            No PT todos sabem que o Silvinho e o Delúbio não dão sequer um espirro sem autorização expressa de José Dirceu. Se comprovado o esquema do “Mensalão” é formação de quadrilha (artigo 288 do Código Penal) e o chefe é o Zé Dirceu. Mas jamais devemos nos esquecer daquele a quem Dirceu presta contas de tudo quanto faz, “com devoção canina”. O Ministro decidiu tudo sozinho ou a mando do chefe?

           Nesta quinta-feira, 16 de junho, José Dirceu apresentou sua carta de demissão ao presidente Lula. Especula-se que haja uma ampla reforma ministerial. Provavelmente seja o de sempre: trocam-se as moscas e se mantém a sujeira intocada...

            Primeira vitória de Jefferson, que pediu a cabeça de Dirceu e foi prontamente atendido. O jogo está apenas começando.

 

 

Política Econômica Fratricida

 

            Em reunião na última quarta-feira o grupo terrorista COPOM decidiu manter apertado o torniquete da economia nos juros estratosféricos de 19,75%. O que significa a manutenção das taxas de juros mais altas do mundo para a nossa economia? Para o cidadão, preços mais elevados aos serviços e produtos, principalmente bancários. Para a Nação como um todo, um cálculo matemático básico nos conduz à conclusão de que o presidente Lula paga somente em juros de uma dívida crescente:

 

R$ 300.000.000,00 por dia

 

R$ 12.500.000,00 por hora

 

R$ 208.333,33 por minuto

 

R$ 3.472,22 por segundo

 

            Em outras palavras, em uma hora o governo joga no ralo sem fundo da especulação financeira mais do que o cidadão brasileiro ganha em uma vida inteira de trabalho honesto. Em um único segundo Lula queima um valor superior a um ano do valor salarial pago à maioria de nossos compatriotas. Qual o resultado disso? Além de o dinheiro de nossos impostos assim generosamente repassado a juros bancários – o que impede o aprimoramento em setores como saúde, educação, saneamento, infra-estrutura e salário ao funcionalismo – a dívida aumenta dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, segundo a segundo.

            É com esta política econômica irracional, perdulária e assassina que a tróica diabólica Lula-Meirelles-Palocci alegam pretender promover no Brasil um “crescimento sustentado por dez, vinte anos”.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 16/06/2005

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