
Capitalismo Monopolista, Imperialismo e Neocolonialismo
De 1760 a 1830, a Revolução Industrial ficou limitada à
Inglaterra, a oficina do mundo. Para manter a exclusividade, era proibido
exportar maquinário e tecnologia. Mas a produção de equipamentos industriais
superaria logo as possibilidades de consumo interno e não seria possível conter
os interesses dos fabricantes. Além disso, as nações passaram a identificar o
poderio de um país com seu desenvolvimento industrial. E o processo se difundiu
pela Europa, Ásia e América.
A tecnologia industrial avançou, a população cresceu, os
movimentos imigratórios se intensificaram. No fim do século XIX, sobreveio a
primeira Grande Depressão (1873 - 1896), que fortaleceu as empresas pela
centralização e concentração do capital. Iniciou-se aí nova fase do capitalismo,
a fase monopolista ou financeira, que se desdobrou na exportação de capitais e
no processo de colonização da África e da Ásia.
A Revolução Industrial se irradia
Em ritmo vertiginoso, como na Alemanha, ou retardado por
razões políticas, como na França, o impacto da Revolução Industrial inglesa
atingiu todas as partes do mundo. Bélgica
– Primeiro país da Europa a industrializar-se no século XIX. Dois ingleses
criaram uma fábrica de tecidos em Liège já em 1807. Foi rápido o
desenvolvimento, facilitado pela existência de carvão e ferro, pelo investimento
de capitais ingleses e pela proximidade do mercado europeu. Alemanha
– Em ritmo acelerado a partir de 1870, a industrialização alemã se beneficiou da
unificação nacional, da decidida proteção estatal, da atuação do capital
bancário e do crescimento demográfico. A peculiaridade aqui está no casamento
entre indústria e bancos, bem como no uso de técnicas que permitiram alto grau
de racionalização.
A Alemanha já era grande produtora de carvão desde 1848. A
siderurgia avançou, estimulada pelo desenvolvimento ferroviário. Na década de
1880, a indústria têxtil ameaçava superar a inglesa, devido à adoção de fibras
sintéticas e novos corantes; destaque-se aqui a expansão da indústria química,
ligada à pesquisa científica. No fim do século, graças a Werner Siemens, a
indústria elétrica tomou grande impulso. Em 1914, a Alemanha iria produzir 35 %
da energia elétrica mundial, seguida por Estados Unidos (29%) e Inglaterra (16
%) . França
– A Revolução Francesa retardou o desenvolvimento econômico do país. A
consolidação da pequena indústria e a tradição de produzir artigos de luxo
dificultaram a grande concentração industrial. É difícil falar em Revolução
Industrial francesa. Não houve arranque acelerado, mas lenta transformação das
técnicas de produção e das estruturas industriais.
O processo se acelera a partir de 1848, com a adoção de
medidas protecionistas, ou seja, impediu-se a importação de produtos
industriais e estimulou-se a exportação. Assim mesmo; havia entraves ao avanço:
houve retração demográfica no século XIX, com baixo índice de natalidade e lenta
regressão na mortalidade; a estrutura agrária preservava a pequena propriedade,
o que limitava o progresso tecnológico; faltava carvão e seu preço era o mais
alto do mundo; os recursos iam para empréstimos públicos e investimentos no
estrangeiro, em vez de ir para o setor produtivo.
A expansão industrial foi freada ainda pela prática do
autofinanciamento, ou seja, a, o reinvestimento dos lucros na própria empresa,
que preservava seu caráter familiar, limitado. Itália
– A unificação política e aduaneira impulsionou a industrialização, que arrancou
no decênio de 1880-1890. O Estado reservou a produção de ferro e aço para a
indústria nacional, favorecendo a criação da siderurgia moderna. A falta de
carvão, ao elevar os custos, reduzia a competitividade no exterior. Protegida
pelo Estado, a siderurgia se concentrava no norte e sua produção não era
suficiente para o mercado interno, o que exigia importações. A indústria
mecânica cresceu mais depressa, especialmente as de construção naval e
ferroviária, máquinas têxteis e ligadas à eletrificação (motores, turbinas). A
partir de 1905, a indústria automobilística de Turim conseguiu excelentes
resultados.
Também protegida, a indústria têxtil era a única com
capacidade de conquistar mercados externos. A falta de carvão estimulou a
produção de energia elétrica. O problema mais grave estava na total concentração
do processo de crescimento no norte, enquanto o sul permanecia agrário e
atrasado. Império
Austro-Húngaro – Sua característica era a enorme
mistura de povos e minorias nacionais. O desenvolvimento industrial se acelerou
mais na ex-Tchecoslováquia (atuais Eslováquia e República Tcheca), sobretudo nos
setores têxtil, de extração de carvão e siderurgia. Destacou-se a Skoda, famosa
produtora de armas, material ferroviário, máquinas agrícolas, etc. Suécia
– Deu-se aqui um caso típico de rápido desenvolvimento ligado a pesados
investimentos estrangeiros, principalmente alemães; o mecanismo se explica
pelas relações entre grandes bancos suecos e alemães. Mais tarde, viriam os
bancos franceses. A Suécia chegou a ter a dívida externa mais alta do mundo.
Na década de 1870, teve início a construção ferroviária. A
partir dos anos de 1890, os alemães se voltaram para as minas de ferro,
fundições e forjas. O aço de alta qualidade era exportado. Os franceses
investiram mais em energia elétrica. Também tiveram importância a indústria
madeireira e a química, como a de explosivos, controlada pelo grupo Nobel. Rússia
– A arrancada do último país da Europa a industrializar-se se deu entre 1890 e
1900, com taxa de crescimento industrial de 8% ao ano, jamais igualada pelo
Ocidente. Motivos: participação do Estado, investimentos externos e presença de
técnicos estrangeiros. A abolição da servidão em 1861 não mudou muito a
estrutura agrária, baseada no mir, comunidade agrícola de culturas coletivas. A
produtividade não cresceu, nem o poder aquisitivo dos agricultores; e não houve
êxodo rural que fornecesse mão-de-obra excedente às indústrias.
O Estado exerceu papel importante. A compressão do consumo
dos camponeses gerou excedentes de produtos agrícolas exportáveis, cujos
rendimentos eram transformados em investimentos. Em 1913, metade do capital
investido era estrangeira, com maior participação da França, Inglaterra,
Alemanha, Bélgica e Estados Unidos. As indústrias de mineração tinham 91% de
capital estrangeiro; as químicas, 50%; as metalúrgicas, 42%; a madeireira, 37%;
e a têxtil, 28%.
Formaram-se gigantescos conglomerados, como o Cartel
Prodameta, que controlava trinta siderúrgicas e metalúrgicas, com capital
francês. Explorava-se carvão da rica bacia do Donetz. A produção de máquinas era
ainda reduzida. A descoberta de petróleo no Cáucaso deu origem a grande
exploração, dominada pelos Rothschild de Paris. Controlada por ingleses e
alemães, a indústria têxtil respondia por um terço da produção russa. Estados
Unidos – Primeiro país a industrializar-se fora da
Europa, a partir de 1843, em resultado da conquista do oeste e dos enormes
recursos daí advindos; alguns autores preferem como marco a Segunda Revolução
Americana, a Guerra de Secessão entre 1860 e 1865, momento em que a classe
capitalista do norte aumentou sua fortuna financiando o governo federal,
fornecendo provisões aos exércitos e desenvolvendo a indústria ligada às
necessidades do conflito. O resultado foi a consolidação do capitalismo
industrial, representado politicamente pelos republicanos. Não foi por acaso
que, enquanto a abolição da escravatura destruía a economia sulista, o
protecionismo alfandegário, a legislação bancária, a construção de estradas de
ferro e a legislação trabalhista garantiam a supremacia do norte e de sua
economia industrial.
Depois da guerra, o país tinha território unificado, rede de
transportes em expansão, população crescente, poucas diferenças sociais. Isso
permitia a produção para o consumo de massa, o que facilitava a racionalização
da economia. O país dependia de seu próprio mercado, pois exportava apenas 10%
do que produzia a Inglaterra, por exemplo, exportava 52%. Daí o caráter
fortemente protecionista da industrialização americana. O dinamismo do país
atraiu capitais europeus, que se voltaram para setores estratégicos, como
ferrovias. A descoberta de ouro na Califórnia acelerou ainda mais á economia,
Em 1890, algodão, trigo, carne e petróleo contribuíam com 75
% dá exportação. O beneficiamento de produtos agrícolas foi a primeira grande
indústria; ás siderúrgicas e indústrias mecânicas superaram o setor agrícola
apenas no início do século XX. Sua característica era a formação de enormes
empresas, que produziam ferro, carvão, produtos siderúrgicos e ferroviários.
Em 1913, os americanos assumiriam á liderança na produção de
ferro, carvão, aço, cobre, chumbo, zinco e alumínio. A indústria mecânica
avançou, sobretudo á automobilística, com métodos racionais desenvolvidos pela
Ford. A indústria têxtil deslocou-se para o sul. A elétrica, estimulada pelas
investigações científicas que resultaram na fundação da Edison Electric Company,
criaram filiais em vários países, como Itália e Alemanha. Japão
– Na Ásia, foi o país que mais depressa implantou sua Revolução Industrial. Até
meados do século XIX, o Japão vivia fechado, com sua sociedade dominada por uma
aristocracia feudal que explorava a massa de camponeses. Desde 1192, o imperador
tinha poder simbólico; quem o exercia era o Shogum, supremo comandante militar.
A economia monetária vinha se acentuando desde o século XVIII e á pressão dos
Estados Unidos forçou em 1852 a abertura dos portos aos estrangeiros, atendendo
a interesses de expansão dá indústria americana. O ponto de partida para ás
grandes transformações foi o ano de 1868, com a Revolução Meiji (Luzes). Com
apoio estrangeiro, o imperador tomou o poder do Shogum e passou á incorporar á
tecnologia ocidental, para modernizar o Japão.
A Revolução Meiji aboliu o feudalismo, com finalidade nem
tanto de melhorar a vida servil dos camponeses más de torná-los mais produtivos.
A fortuna dos grandes comerciantes e proprietários aumentou, em prejuízo dos
aposentados e pequenos lavradores. A criação de um exército de trabalhadores,
devido ao crescimento populacional, permitiu uma política de preços baixos, o
dumping, favorável à competição no mercado externo.
Um aspecto importante foi a acumulação de capital nacional,
decorrente dá forte atuação do Estado, que concedeu patentes e exclusividades e
integrou os investimentos. Depois de desenvolver as indústrias, o Estado as
transferia a particulares em condições vantajosas de pagamento. Formaram-se
assim grandes concentrações industriais, zaibatsu, pois 40% de todos os
depósitos bancários, 60% da indústria têxtil, 60% da indústria militar, a maior
parte da energia elétrica, a indústria de papel e a de construção naval eram
controlados por apenas quatro famílias: Sumitomo, Mitsubishi, Yasuda e Mitsui. A
indústria pesada avançou devagar pela falta de carvão e ferro. Os recursos
hidrelétricos foram explorados a partir de 1891. No início do século XX, a
siderurgia deu um salto, criando a base para a expansão da indústria naval.
O Estado, assentado na burguesia mercantil e na classe dos
proprietários, tinha apoio dos militares, que pretendiam construir o Grande
Japão. O pequeno mercado interno impôs a busca de mercados externos e uma
política agressiva, iniciada com a guerra contra a China (1894-1895), que
proporcionou enorme indenização ao Japão. O mesmo aconteceu após a guerra contra
a Rússia (1904-1905). A I Guerra Mundial (1914-1918) abriu espaços no mercado
asiático, imediatamente ocupados pelo Japão. Mudanças na estrutura industrial
As mudanças na estrutura da produção industrial foram tão
aceleradas a partir de 1870, que se pode falar de uma Segunda Revolução
Industrial. E a época em que se usam novas formas de energia: eletricidade,
petróleo; de grandes inventos: motor a explosão, telégrafo, corantes sintéticos;
e de intensa concentração industrial. A grande diferença em relação à primeira
fase da Revolução Industrial era o estreito relacionamento entre ciência e
técnica, entre laboratório e fábrica. A aplicação da ciência se impunha pela
necessidade de reduzir custos, com vistas à produção em massa. O capitalismo de
concorrência foi o grande propulsor dos avanços técnicos.
Novas fontes de energia foram substituindo o vapor. Já se
conhecia a eletricidade por experiências em laboratório: Volta, em 1800 e
Faraday, em 1831. O uso industrial dependia da redução do custo e, acima de
tudo, da transmissão a distância. O invento da lâmpada incandescente por Edison
em 1879 provocou uma revolução no sistema de iluminação.
Já se usava o petróleo em iluminação desde 1853. Em 1859,
Rockefeller havia instalado a primeira refinaria em Cleveland. Com a invenção do
motor de combustão interna pelo alemão Daimler em 1883, ampliou-se o uso do
petróleo. A primeira fase da Revolução Industrial tinha se concentrado na
produção de bens de consumo, especialmente têxteis de algodão; na segunda fase,
tudo passou a girar em torno da indústria pesada. A produção de aço estimulou a
corrida armamentista, aumentando a tensão militar e política. Novas invenções
permitiram aproveitar minerais mais pobres em ferro e ricos em fósforo. A
produção de aço superou a de ferro e seu preço baixou. O descobrimento dos
processos eletrolíticos estimulou a produção de alumínio.
Na indústria química, houve grande avanço com a obtenção de
métodos mais baratos para produzir soda cáustica e ácido sulfúrico, importantes
para vulcanizar a borracha e fabricar papel e explosivos. Os corantes
sintéticos, a partir do carvão, tiveram impacto sobre a indústria têxtil e
reduziram bastante a produção de corantes naturais, como o anil.
O desenvolvimento dos meios de transporte representou uma
revolução à parte. A maioria dos países que se industrializavam elegeu as
ferrovias como o maior investimento. Elas empregavam 2 milhões de pessoas em
todo o mundo em 1860. No final dessa década, somente os Estados Unidos tinham 93
000 quilômetros de trilhos; a Europa, 104 000, cabendo 22 000 à Inglaterra, 20
000 à Alemanha e 18 000 à França. A construção exigiu a mobilização de capitais,
através de bancos e companhias por ações, e teve efeito multiplicador, pois
aqueceu a produção de ferro, cimento, dormentes, locomotivas, vagões. O
barateamento do transporte facilitou a ida dos trabalhadores para as vilas e
cidades. Contribuiu, assim, para a urbanização e o êxodo rural. As nações
aumentaram seu poderio militar, pois podiam deslocar mais depressa suas tropas.
Ninguém poderia imaginar tal mudança quando Stephenson construiu a primeira
linha em 1825, de Stockton a Darlington, na Inglaterra.
Depois que Fulton inventou o barco a vapor em 1808, também a
navegação marítima se transformou. As ligações transoceânicas ganharam impulso
em 1838, com a invenção da hélice. Os clíperes, movidos a vela, perderam lugar
para os novos barcos, que cruzavam o Atlântico na linha Europa - Estados Unidos
em apenas dezessete dias. A Grande Depressão
A primeira grande crise do capitalismo, a
Grande Depressão, começou por volta de 1873 e só terminou em 1896. O ciclo da
crise é marcado pelas seguintes fases: _ expansão:
aumenta a produção, diminui o desemprego, crescem salários e lucros, ampliamse
as instalações e os empresários têm atitude otimista; _ recessão:
a empresa não usa toda a sua capacidade produtiva, o que aumenta os custos e
provoca a alta da taxa de juros; os empresários temem investir em excesso; _ contração:
caem os investimentos, os empregados da indústria de bens de capital (indústria
pesada) são demitidos, diminui o poder aquisitivo da população, os bancos
reduzem os empréstimos, os empresários tomam todo cuidado com o custo da
produção, têm postura pessimista; _
revitalização: os preços baixam demais, estimulando alguns a comprar; os
estoques se esgotam logo; os preços tendem a subir; os industriais recuperam a
confiança e retomam o investimento em instalações.
A crise de 1873 - 1896 tem explicação estrutural. A
organização dos trabalhadores, isto é, o aparecimento dos sindicatos nacionais,
resultou em aumento real de salários entre 1860 e 1874. Por isso, os empresários
preferiram investir em tecnologia, para aumentar a produção com menos
trabalhadores. De um lado, produção e lucros se mantiveram; de outro, declinou a
massa global de salários pagos, determinando a recessão do mercado consumidor.
Os capitais disponíveis não poderiam ser investidos na Europa, pois a produção
aumentaria e os preços cairiam. Teriam de ser aplicados fora, através de
empréstimos com juros elevados ou na construção de ferrovias.
A crise eliminou as empresas mais fracas. As fortes tiveram
de racionalizar a produção: o capitalismo entrou em nova fase, a fase
monopolista. Sua característica é o imperialismo, cujo desdobramento mais
visível foi a expansão colonialista do século XIX, assunto do próximo capítulo.
O imperialismo, por sua vez, caracteriza-se por: _ forte
concentração dos capitais, criando os monopólios; _ fusão do
capital bancário com o capital industrial; _ exportação
de capitais, que supera a exportação de mercadorias; _ surgimento de monopólios internacionais que partilham o mundo entre si.
Formas de monopólio nesta etapa do capitalismo:
Truste
– Um grupo econômico domina várias unidades produtivas; nos trustes horizontais,
reúnem-se vários tipos de empresa que fabricam o mesmo produto; nos verticais,
uma empresa domina unidades produtivas estratégicas por exemplo, da
mineração do ferro e carvão à fabricação de locomotivas, passando pela
siderurgia; Cartel
– Empresas poderosas, conservando sua autonomia, combinam repartir o mercado e
ditam os preços dos produtos que fabricam; Holding
– Uma empresa central, geralmente uma financeira, detém o controle das ações de
várias outras empresas. Imperialismo; o novo colonialismo partilha África e Ásia
A colonização portuguesa e espanhola do século XVI havia se
limitado à América. Com raras exceções, as terras africanas e asiáticas não
foram ocupadas. Ali, os europeus limitaram-se ao comércio, principalmente o de
especiarias. Por isso, no século XIX, havia grandes extensões de terras
desconhecidas nos dois continentes, que Portugal e Espanha não tinham condições
de explorar. Começou então nova corrida colonial de outras potências européias,
sobretudo as que haviam passado por uma transformação industrial, como
Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha e Itália.
Os motivos do neocolonialismo
No século XVI, o objetivo colonialista era encontrar metais
preciosos e mercados abastecedores de produtos tropicais e consumidores de
manufaturas européias. O interesse concentrou-se na América.
São mais complexos os fatores que explicam o renascimento
colonialista do século XIX: claro que havia, sobretudo, interesses econômicos;
mas a eles se juntaram outros, sociais, políticos e até religiosos e culturais.
Nessa época, vários países europeus passavam pela Revolução
Industrial. Precisavam encontrar fontes de matéria-prima (carvão, ferro,
petróleo) e de produtos alimentícios que faltavam em suas terras. Também
precisavam de mercados consumidores para seus excedentes industriais, além de
novas regiões para investir os capitais disponíveis construindo ferrovias ou
explorando minas, por exemplo.
Tal mecanismo era indispensável para aliviar a Europa dos
capitais excedentes. Se eles fossem investidos na Europa, agravariam a Grande
Depressão e intensificariam a tendência dos países europeus industrializados de
adotar medidas protecionistas, fechando seus mercados e tornando a situação
ainda mais difícil. Some-se a tudo isso o crescimento acelerado da população
européia, necessitada de novas terras para estabelecer-se. No plano político,
cada Estado europeu estava preocupado em aumentar seus contingentes militares,
para fortalecer sua posição entre as demais potências. Possuindo colônias,
disporiam de mais recursos e mais homens para seus exércitos. Tal era a política
de prestígio, característica da França, que buscava compensar as perdas na
Europa, especialmente a Alsácia-Lorena, para os alemães. Ter colônias
significava ter portos de escala e abastecimento de carvão para os navios
mercantes e militares distribuídos pelo planeta.
Já os missionários se encaixavam nos fatores religiosos e
culturais. Eles desejavam converter africanos e asiáticos. Havia gente que
considerava mesmo dever dos europeus difundir sua civilização entre povos que
julgavam primitivos e atrasados. Tratava-se mais de pretexto para justificar a
colonização. Uma meta dos evangelizadores era o combate à escravidão. Dentre
eles, destacaram-se Robert Moffat e Livingstone. Suas ações, em suma, resultaram
na preparação do terreno para o avanço do imperialismo no mundo afro-asiático.
Também teve importância o movimento intelectual e científico.
As associações geográficas chegaram a reunir 30 000 sócios, 9 000 somente na
França. Famosos exploradores abriram caminho da mesma forma que os missionários:
Savorgnan de Brazza, Morton, Stanley, Karl Petersoon, Nachtigal. É importante
notar o desenvolvimento de ideologias racistas que, partindo das teorias de
Darwin, afirmavam a superioridade da raça branca. A partilha da África
Em 1830, a França invadiu a África e iniciou a conquista da
Argélia, completada em 1857. Dez anos mais tarde, Leopoldo II da Bélgica deu
novo impulso ao colonialismo ao reunirem Bruxelas, a capital, um congresso de
presidentes de sociedades geográficas, para difundir a civilização ocidental
dizia o rei; mas os interesses eram econômicos. Dali resultaram a Associação
Internacional Africana e o Grupo de Estudos do Alto Congo, que iniciaram a
exploração e a conquista do Congo. Leopoldo era um dos principais contribuintes
das entidades, financiadas por capitais particulares.
Outros países europeus se lançaram à aventura africana. A
França, depois da Argélia, rapidamente conquistou Tunísia, África Ocidental
Francesa, África Equatorial Francesa, Costa Francesa dos Somalis e Madagascar. A
Inglaterra dominou Egito, Sudão Anglo-Egípcio, África Oriental Inglesa, Rodésia,
União Sul-Africana, Nigéria, Costa do Ouro e Serra Leoa. A Alemanha tomou
Camarões, Sudoeste Africano e África Oriental Alemã. A Itália conquistou
Eritréia, Somália Italiana e o litoral da Líbia. Porções reduzidas couberam aos
antigos colonizadores: a Espanha ficou com Marrocos Espanhol, Rio de Ouro e
Guiné Espanhola; Portugal, com Moçambique, Angola e Guiné Portuguesa.
O ponto de partida para a corrida foi a Conferência de Berlim
(1884 - 1885), proposta por Bismarck e Jules Ferry. Seu objetivo principal foi
legalizar a posse do Congo por Leopoldo II. A Europa ocupa tudo
Os investimentos em ferrovias abriram o mercado asiático para
os produtos ocidentais e, no século XIX, finalmente os países do Ocidente
passaram do simples comércio praticado nos portos à política de zonas de
influência. Promoveram então uma verdadeira partilha do Oriente.
A Rússia era o país mais interessado em expandir-se para o
oriente. Depois da ferrovia Moscou-Vladivostok, ela se chocou com a Inglaterra
na Ásia Central e com o Japão na Manchúria.
Em 1763, os ingleses haviam tomado a Índia aos franceses e
encarregado uma companhia de explorá-la. Em 1858, revoltaram-se os cipaios,
nativos que serviam nos exércitos coloniais. A Índia foi então integrada ao
Império Britânico. Na China, a Guerra do Ópio (1840-42) permitiu a conquista de
Hong-Kong, Xangai e Nanquim. Uma associação secreta, a Sociedade dos Boxers,
reagiu à invasão, promovendo atentados contra os estrangeiros; tinha apoio do
governo chinês. As potências européias organizaram uma expedição conjunta, o que
provocou a Guerra dos Boxers. Depois dela, as potências ocidentais dominaram a
China inteira.
Os japoneses ocuparam a Coréia; os alemães, a Península de
Shantung; os franceses, a Indochina. Os Estados Unidos estabeleceram um
protetorado no Havaí e ocuparam Pearl Harbour. Em 1898, anexaram Havaí, Guam,
Ilhas Marianas e Filipinas. Na América, ocuparam Porto Rico e, após guerra
contra a Espanha, estabeleceram um protetorado em Cuba.
Em 1914, 60% das terras e 65 % da população do mundo
dependiam da Europa. Suas potências tinham anexado 90% da África, 99% da Oceania
e 56% da Ásia. A administração neocolonialista
Nas áreas de dominação francesa, havia dois tipos básicos de
ligação com a metrópole: 1. Colônia,
ficava sob supervisão direta do Ministério das Colônias, com administração de um
governador-geral, responsável por toda a atividade colonial; 2.
Protetorado, bastante autônomo, administrado por gente da região, com supervisão
de um representante da metrópole.
Entre os ingleses, havia mais variedade administrativa: 1.
Colônia da Coroa, dependia diretamente do Escritório Colonial da metrópole; 2.
Colônia, com certo grau de autonomia, tinha Parlamento eleito;
3. Domínio, praticamente independente, exceto no tocante às
relações estrangeiras e à defesa.
A administração colonial dos outros países era semelhante à
dos franceses e ingleses. Política de espoliação
Foram os ingleses que organizaram melhor o sistema de
exploração colonial. A extensão do império lhes proporcionou extraordinária
variedade de recursos, humanos e materiais. A política econômica liberal, que
vigorou na Inglaterra a partir de 1850, estendeu-se às colônias.
Já a política francesa tarifária (de aumento dos impostos)
variava de acordo com a colônia e com o tipo de produtos que ela gerava e
consumia.
A ocupação das colônias criou sérios problemas
administrativos, pois os colonos vindos da metrópole queriam terras, o que só
seria possível se eles as tomassem dos habitantes do país. Foi o que fizeram. Os
europeus confiscaram as terras diretamente ou usaram regiões em disponibilidade
ou, ainda, forçaram tribos nômades a fixar-se em territórios específicos. Para
encorajar a colonização, a metrópole concedeu a exploração das terras a
particulares ou a grandes companhias que tivessem condições de realizar grandes
empreendimentos, de rendimento elevado.
Para evitar toda concorrência, a metrópole só permitia
indústria extrativa, mineral e vegetal. Mesmo assim, a indústria colonial
progrediu, impulsionada pela abundância de matéria-prima e mão-de-obra.
A colonização, na medida em que representou a ocidentalização
do mundo, destruiu estruturas tradicionais, que muitas vezes não se
recompuseram, e nada construiu em seu lugar. Na Índia, o artesanato desapareceu.
No Congo, os belgas obrigaram as populações nativas a executar trabalhos
forçados e a pagar impostos. Na Argélia, a fim de liberar mão-de-obra, os
franceses destruíram a propriedade coletiva do solo e o trabalho comunitário, o
que levou muitas pessoas à fome e à indigência.
Imperialismo: a supremacia inglesa na Era
Vitoriana
A indiscutível supremacia da Inglaterra -na Europa do século
XIX atingiu seu apogeu entre -1850 e 1875. O país, que havia iniciado sua
Revolução Industrial mais de cem anos antes, colocou-se quase um século na
frente dos demais Estados europeus. Somente na segunda metade do século XIX foi
que França, Itália e Alemanha começaram a avançar, mas não o suficiente para
abalar a hegemonia inglesa.
A Inglaterra enviava homens, capitais, carvão, tecidos e
máquinas para o mundo inteiro. A supremacia naval completava a supremacia
econômica. As camadas médias prosperavam, e seu papel político ganhava
importância. Londres era a maior cidade do mundo, e o Parlamentarismo, um regime
político estável, maleável para que as reformas se antecipassem às necessidades
sociais. Assim, a Inglaterra evitou as agitações que assolaram a Europa dos fins
do século XVIII ao século XIX.
A união de desenvolvimento econômico com progresso social e
estabilidade política criou condições para a formação de um vasto império
colonial na América, África e Ásia.
A dinastia Hannover, surgida no início do século XVIII, teve
na rainha Vitória (1837-1901) o grande símbolo da virtude e da perseverança
inglesas. Ela governou o país durante o período de supremacia britânica, por
isso mesmo chamado de Era Vitoriana. Evolução econômica
Depois de 1815, quando terminaram as guerras com a França, a
agricultura inglesa entrou em crise. A paz trouxe a queda de preços dos cereais;
os pequenos proprietários tiveram de vender suas terras. A concentração de
propriedades deu origem a uma agricultura intensiva, dotada de moderna
tecnologia. Os grandes proprietários, controlando o poder político, fizeram
aprovar leis para impedir a importação e manter altos os preços no país: as Leis
dos Cereais (Corn Laws).
O crescimento da indústria e da importância dos industriais
mudou tal situação. Com cereais caros; eles tinham de pagar salários mais altos,
o que diminuía seus lucros. Portanto, defendiam a livre importação de cereais. A
campanha pela extinção das Corn Laws começou por iniciativa de Cobden,
industrial que pregava o livrecambismo, ou liberdade de troca, como forma de
baratear os alimentos e matérias-primas industriais, bem como de abrir mercados
para os produtos industrializados ingleses. Entre 1848 e 1852, todas as leis
restritivas foram abolidas, inclusive os Atos de Navegação, baixados no século
XVII.
A Inglaterra consolidou então sua hegemonia comercial em todo
o mundo. Controlava 80% da construção de navios de ferro. Sua frota mercante
representava 60% da tonelagem mundial. Somados, o comércio francês e o alemão
representavam menos de 80% do comércio inglês, em 1870. A Inglaterra comprava
alimentos e matérias-primas e exportava para todos os continentes produtos
industrializados e capitais.
A concentração industrial do norte e oeste, perto das bacias
carboníferas e dos grandes portos, fez nascer a lnglaterra Negra em
oposição à Inglaterra Verde do sul e sudoeste; dominada pela agropecuária. Em
1870, o país produzia dois terços do carvão mundial. A indústria metalúrgica
concentrava-se em Birmingham e Sheffield. A expansão estava ligada ao
desenvolvimento da indústria ferroviária e a novos métodos de obtenção de aço.
A partir de 1890, começaram a surgir grandes concentrações
industriais, como forma de conter a concorrência: reuniam siderúrgicas, empresas
de mineração e de construção naval. Londres era o primeiro mercado mundial de
lã; Leeds e Bradford processavam a matéria-prima importada. Cresceu a indústria
têxtil do algodão. Seu centro era Manchester, que recebia fibra da América e
exportava tecido, sobretudo para o Extremo Oriente. Em 1850, essa exportação
representava metade da exportação inglesa global.
A abundância de carvão impediu o desenvolvimento
hidrelétrico. A química também estava em atraso, porque a Inglaterra recebia da
Alemanha quase todo o corante de que precisava. Problemas sociais
Um traço marcante foi o acelerado crescimento demográfica.
Havia 11 milhões de ingleses no início do século XIX; em 1870, eles eram 26
milhões, graças à queda da mortalidade, conseqüência do progresso da medicina e
da melhoria de condições de higiene, junto com o aumento da natalidade. O êxodo
rural superlotou as cidades, que em 1870 concentravam 70% da população. Londres
tinha mais de 3 milhões de habitantes.
Surgiram problemas. O excesso de mão-de-obra comprimiu os
salários. Os trabalhadores viviam em subúrbios miseráveis. Cresceu a tensão
social, e as leis se tornaram mais severas. A classe trabalhadora reagiu de
diferentes formas. Primeiro, houve tentativas de greves gerais, que falharam
porque os operários não tinham condições de sustentar-se durante as
paralisações. Os sindicatos trataram de constituir-se como organizações
defensoras dos interesses de classe.
Entre 1870 e 1880, os sindicatos conseguiram para os
operários igualdade perante a lei, direito de greve, regulamentação do horário
de trabalho e a responsabilidade patronal em caso de acidente de trabalho. Outra
solução para a questão social foi a emigração. A Inglaterra tornou-se o grande
celeiro de emigrantes do século XIX.
No topo da sociedade, continuava a dominar a aristocracia
fundiária, uma classe fechada mas receptiva à chegada dos ricos burgueses,
industriais ou comerciais. Desta fusão, resultava uma elite poderosa,
diferenciada do ponto de vista econômico, não do nascimento. Trajetória política
A partir de 1850, conservadores e liberais se alternaram no
poder. Depois do governo do liberal Palmerston, preocupado com questões
externas, os dois grandes líderes políticos foram: Gladstone, liberal,
pacifista, religioso, e Disraeli, conservador, defensor da monarquia democrática
e da expansão do império.
Em 1867, Disraeli adotou uma lei eleitoral que beneficiou a
Inglaterra industrial, ou seja, os setores novos da sociedade. A questão da Irlanda
Dominada pela Inglaterra fazia séculos, a Irlanda jamais se
havia deixado subjugar completamente. De língua céltica e religião católica
(exceto no Ulster, ao nordeste), opunha-se aos ingleses que exploravam seus
pequenos proprietários e lhes tomavam as terras, em caso de atraso no pagamento
de tributos. A situação se agravou na Grande Fome (1846-47), quando a Irlanda
perdeu 3 milhões de habitantes, mortos ou emigrados. Um grupo de tendências
radicais dominou então o país.
Pela Associação Católica, O’Connel foi eleito em 1829 para o
Parlamento, como representante da Irlanda. Com apoio de Gladstone, ele defendeu
um governo autônomo para a Irlanda, sem resultado. Sobrevieram atentados, que o
governo britânico reprimiu duramente. A sociedade secreta dos Fenianos, com
apoio de emigrados nos Estados Unidos, tentou sublevar o país em 1867. A questão
continuaria pelo século XX afora, mesmo depois que a Irlanda conseguiu
independência parcial. O Império Britânico
Os ingleses se expandiram por meios pacíficos ou belicosos.
No início do século XX, o Império Britânico tinha 400 milhões de habitantes, em
35 milhões de km2 de terras na América, Ásia, Oceania e África.
Tornou-se importante controlar os mares. Superior a qualquer
outra marinha européia, a inglesa dominava posições estratégicas no
Mediterrâneo, Atlântico, Índico, no sul da África e nas rotas Índia-China e
Mediterrâneo-Índia.
Depois de 1815, os ingleses se haviam apossado da Índia,
Egito, Sudão, Nigéria, quase todo o sul africano; conquistaram e colonizaram a
Austrália e a Nova Zelândia; impuseram sua tutela à Birmânia, Beluchistão,
Mesopotâmia e Palestina. Os domínios
As formas de ocupação variavam, mas havia essencialmente dois
tipos de colônia: as de comércio, nos trópicos; e as de povoamento, nas regiões
temperadas. Os traços mais gerais do colonialismo inglês foram: _
liberalismo econômico, em substituição ao monopólio; _ a abolição
do tráfico de escravos, em 1807; _ a abolição da escravidão, em 1833; _ a
autonomia considerável nas colônias em que predominava a população branca, como
no Canadá.
As unidades autônomas eram chamadas domínios. Entre eles e a
metrópole as relações acabaram sendo de igual para igual, pois, com o tempo, o
Império se transformaria em federação de Estados livres, ligados apenas por
interesses econômicos: a Commonwealth, ou Comunidade das Nações.
Nas colônias de exploração comercial, o regime variava.
Algumas eram administradas diretamente pelo Estado inglês e outras, confiadas a
companhias que detinham algum monopólio.
A Índia é um exemplo característico da colonização britânica.
A conquista deu-se entre 1798 e 1849. Os ingleses respeitaram os costumes locais
e construíram ferrovias. Em 1857, com a revolta dos cipaios, os soldados
indígenas, seguiram-se dezoito meses de combates e represálias sangrentos. Para
evitar novos problemas, a Inglaterra reorganizou o país. A Companhia das Índias
perdeu seus privilégios. E funcionários designados pelo governo britânico
passaram a administrar a Índia. A ciência e a cultura no século XIX
Do ponto de vista científico e cultural, as características
dominantes no século XIX avançaram pelo século XX. Houve progressos enormes em
todos os campos da ciência e numerosas invenções na física e na química. A
difusão de suas aplicações revolucionou indústria e comércio, transformando as
condições de vida.
Com o triunfo do maquinismo, a renovação dos instrumentos de
produção, a reformulação dos métodos e a concentração empresarial, abriuse nova
era para a humanidade: a era da civilização científica. O progresso científico
A organização mais eficiente do trabalho acelerou o progresso
científico. Antes, os pesquisadores eram em geral amadores. A Revolução
Francesa criou museus e escolas politécnicas, com ensino de Ciências. A
aplicação dos conhecimentos estimulou novos inventos, que levaram a novas
pesquisas e descobertas.
Durante a Revolução e o Império surgiram na França
matemáticos ilustres, como Lagrange, Monge e Laplace. Na Física, os resultados
mais significativos ocorreram no campo da óptica, da teoria do calor e da
eletricidade. Fresnel demonstrou que a luz é uma vibração que se propaga por
ondas. Carnot, estudando o rendimento das máquinas a vapor, estabeleceu os
princípios fundamentais da termodinâmica em 1824.
Em 1800, o italiano Volta inventou a pilha elétrica, geradora
de corrente contínua. Ampère estabeleceu os princípios que tornaram possível o
desenvolvimento técnico da eletricidade: ele formulou as leis do
eletromagnetismo, demonstrando a existência de certa identidade entre os
fenômenos elétricos e magnéticos, e construiu o eletroímã.
O inglês Faraday descobriu as correntes de indução, fontes de
inumeráveis aplicações práticas. Em 1889, o alemão Hertz mostrou que as
oscilações elétricas propagavam-se no espaço através de ondas, como a luz. O
francês Becquerel descobriu, em 1896, os fenômenos radiativos: a propriedade de
certos corpos de emitir radiações. Em 1900, Pierre Curie e sua mulher Marie,
poloneses radicados na França, isolaram o mais poderoso corpo radiativo: o
rádio.
Químicos e naturalistas aprofundaram o conhecimento sobre a
matéria e a vida. Descobriram numerosos elementos químicos, como potássio,
sódio, bromo; agruparam as substâncias de acordo com suas propriedades e
classificaram-nas em sais, ácidos e óxidos, com enorme utilidade para a
metalurgia. A criação da química orgânica enriqueceu a química mineral.
Gay-Lussac, grande representante da escola francesa, descobriu o iodo. Os
trabalhos de Berthelot derrubaram as barreiras entre química mineral e orgânica,
trazendo soluções ao problema da síntese orgânica.
Em 1833, o alemão Gauss inventou o telégrafo elétrico; o
americano Morse criou o aparelho transmissor em 1835. No fim da década, a partir
dos trabalhos de Daguerre, surgiu a fotografia.
Em Paris, o Museu de História Natural tornou-se centro de
pesquisadores ilustres, como Cuvier, fundador da paleontologia, e Lamarck,
estudioso da influência do meio nas modificações dos seres vivos. Em 1859, o
inglês Darwin publicou Origem das Espécies, dando início à teoria evolucionista.
Claude Bernard afirmava que os fenômenos biológicos obedeciam
às mesmas leis que regiam os corpos inanimados. Para demonstrar tal teoria, usou
o método experimental, até ali exclusivo para fenômenos físicos. Pasteur
descobriu que a fermentação e as doenças infecciosas resultavam da ação de seres
vivos, micróbios e bactérias. Isolou-os e cultivou-os artificialmente. Isto
permitiu a fabricação de vacinas, importantes na prevenção de doenças
infecciosas.
As ciências humanas avançaram, destacadamente a Geografia e
a História. Michelet, Guizot e Therry procuraram recriar uma imagem viva do
passado; Alexis de Tocqueville salientou a importância dos aspectos econômicos e
sociais na compreensão da História. Com Fustel de Coulanges, a História
adquiriu rigor minucioso: ele estudou a Gália, os capetíngios e os carolíngios.
Com Vidal de la Blache, a Geografia adquire novas dimensões.
No campo da Psicologia, os franceses Janet e Dumas estudaram os automatismos. O
estudo de doenças mentais, especialmente o de Charcot, levaram Freud à
exploração do inconsciente e à criação da psicanálise.
A partir de Auguste Comte, pai do positivismo, a sociologia
procurou determinar as leis que regem os fenômenos sociais, mostrar sua
influência sobre a mentalidade individual e as representações coletivas,
transformando a consciência moral em imperativo dos grupos sociais - negando o
sentido universal dos valores morais. Representantes desta escola foram
Durkheim, autor de O Suicídio (1897), e Lévy-Bruhl.
No fim do século, o racionalismo estreito bateu em retirada.
O francês Bergson contribuiu para tanto, com sua tese de 1889, que procurava
forças vivas do pensamento, por oposição às construções artificiais da
inteligência. O alemão Nietzsche exaltou a superioridade dos valores vitais em
face da ciência e da razão. O americano William James desenvolveu o pragmatismo,
empirismo radical segundo o qual uma verdade é uma ação que tem êxito.
Tendências literárias
O Romantismo surgiu como reação a um Classicismo acadêmico e
ao intelectualismo do século XVIII. Enfatizava o sentimento e o indivíduo.
Surgiu na Inglaterra, com Wordsworth, Byron, Shelley, e na Alemanha, com Goethe,
Schiller e Heine; por volta de 1820 atingiu a França, onde teve precursores como
Rousseau, Chateaubriand e Madame de Staël.
Na poesia, destacaram-se os franceses Lamartine, Victor Hugo,
Musset e Vigny; no romance, Stendhal, Balzac e Dumas; no teatro, Dumas, Musset e
Victor Hugo, autor de Hernani (1830). O Romantismo entrou em declínio a partir
de 1850. Na poesia, triunfou a doutrina da arte pela arte, ou poesia dos
parnasianos, como Leconte de Lisle, hostil à exaltação dos sentimentos íntimos.
Mais tarde, Baudelaire anunciaria o Simbolismo. No romance, firmava-se a
corrente realista de Flaubert na França, Dickens na Inglaterra, Tolstoi e
Dostoievski na Rússia.
A partir de 1875, a literatura apresenta duas tendências
marcantes. Sob influência do Naturalismo, o romance acentua a relação entre
indivíduo e seu meio; torna-se um instrumento nas mãos daqueles que pretendem
estimular a reflexão sobre as condições de sua época.
O Naturalismo punha em evidência as preocupações sociais do
Realismo. A meta do Naturalismo era o realismo levado ao limite extremo. O
romance tornava-se o processo verbal da vida, ganhava conotação pessimista,
identificava-se com as tendências socialistas. Daí seu aspecto engajado, como
nos textos de Zola. Seguem a mesma linha Verga na Itália; Blasco Ibanez na
Espanha; Thomas Mann na Alemanha; Thomas Hardy na Inglaterra; Máximo Gorki na
Rússia. A arquitetura
Na França, permaneciam traços da arte barroca, dominante
durante o Império. O uso de ferro (Pavilhão da Indústria de 1878, Torre Eiffel
de 1889) não deu origem a um estilo verdadeiramente novo. Os ingleses buscavam
uma arte nacional, com estilo próprio, daí a importância do tijolo à vista, que
recuperava o estilo Tudor.
No Salão dos Artistas Decoradores de Paris, em 1901, surgiria
um esforço para a criação de uma arte decorativa aplicável a todas as outras, da
fachada do prédio aos móveis. Inspirava-se na natureza, em especial na flora, e
empregava a linha curva, apropriada ao uso do ferro. Uma
revolução resultou da invenção do concreto armado por Joseph Monnier, em 1848.
Depois 'de; tentativas de definição de formas mais racionais no Teatro dos
Campos Elísios, na França, foi na América que a mistura encontrou singular
aplicação. O elevado preço dos terrenos e a concentração urbana impuseram a
construção de edifícios elevados - o primeiro surgiu em Chicago, entre 1884 e
1887. Os arquitetos alemães definiram formas originais e o estilo de Munique se
impôs na exposição de Colônia, em 1914. A pintura
A pintura apresentou tendências notáveis. Ela se firmou como
oposição ao Academismo, iniciado no final do século XVI com os bolonheses
Carracci. Segundo esse movimento, os artistas - deveriam inspirar-se na
mitologia grega e nas – histórias da Bíblia, reproduzindo a vida, a natureza e o
homem. Procuravam imitar os renascentistas na composição (Rafael), na cor (Ticiano)
e na técnica do claro-escuro (Da Vinci).
A pintura do século XIX também se opunha ao Neoclassicismo,
que dominou a Europa em meados do século XVIII e que tinha muitos pontos em
comum com o estilo das academias, o Academicismo. Os neoclássicos tinham paixão
pela Antiguidade; afirmavam a existência de uma forma bela, ideal, absoluta e
eterna, que se encontrava sobretudo entre os escultores gregos. O exemplo da
tendência na Inglaterra foi Ingres, que pintou Édipo Explica o Enigma da
Esfinge. Na França, temos Louis David, pintor oficial do Império Napoleônico,
autor de A Morte de Marat. A pintura francesa do século XIX seguiu sua escola.
Mas, aos poucos, a arte abandonou os temas clássicos e voltou-se para o
cotidiano, mais próximo dos anseios políticos e sociais do povo.
O Romantismo logo dominou a pintura, como oposição ao
Neoclassicismo. Dava à cor maior expressão que ao desenho. Pregava a liberdade e
orientava-se mais pelo sentimento que pela razão. Surgiram então grandes
paisagistas, como Delacroix e Corot.
Gross, autor de Os Pestilentos de Jafa, desviou-se dos
ensinamentos neoclássicos de Louis David: deu às figuras maior movimento e cores
mais expressivas. Mas foi Delacroix o grande pintor romântico. Sua obra mais
famosa é A Liberdade Guiando o Povo, em que se retrata com um fuzil nas mãos em
defesa da liberdade, na revolta parisiense de 1830.
Na segunda metade do século surge o Realismo. Os neoclássicos
haviam se preocupado com o desenho, e os românticos, com a cor. Os realistas
agora centravam a atenção no equilíbrio entre cor e desenho, entre emoção e
inteligência. Abandonaram temas históricos e concentraram-se em cenas diárias,
inspirados pelas idéias políticas dominantes. Afirmavam que ser realista não era
ser exato, mas verdadeiro. Destacou-se Gustave Courbet, que, recusado pelo júri
da Exposição Universal, expôs em plena rua, em Paris. Marc Chagall, nascido na
Rússia, foi um pioneiro do Realismo.
Ao Realismo sucedeu um movimento chamado Impressionismo. Um
dos principais precursores do Impressionismo foi Édouard Manet. Em 1863, Manet
enviou ao Salão dos Artistas Franceses a tela Almoço na Relva, que foi recusada
pelo júri. O imperador Napoleão III determinou então que fosse organizada uma
exposição paralela, chamada Salão dos Recusados. A tela de Manet causou grande
escândalo, mas marcou uma nova tendência na pintura. O jornalista Louis Leroy,
vendo Impressões do Sol Nascente, de Monet, acusou a ele e a seu grupo de só
fazerem borrões. E os chamou ironicamente de impressionistas.
Essa nova tendência, o Impressionismo, destacava o efeito da
luz solar sobre os objetos; os pintores impressionistas procuravam registrarem
suas telas as constantes alterações que essa luz provoca nas cores da natureza.
Em abril de 1874, foi inaugurada a primeira exposição de obras impressionistas.
Entre os expositores estavam Renoir, Degas, Pissarro, Cézanne, Sisley, Monet e
Morisot. O público reagiu negativamente diante dessas obras.
Em 1886, eles passaram a ter seu próprio salão. Em oposição
aos artistas que pintavam em ateliês, os impressionistas saíam ao ar livre, em
busca do sol e das mudanças de luminosidade na natureza. A arte da caricatura
evoluiu com esse movimento; floresceu com Toulouse-Lautrec, autor de cartazes
para teatro.
Em 1905, surgiu o Expressionismo, reação contra o Academismo
e o Impressionismo, sob influência do holandês Van Gogh e do alemão Edvard
Munch. Eles deformavam as imagens, buscando o drama interior do homem, a verdade
por meio da emoção. Os expressionistas viviam o drama de cada ser humano e da
sociedade: miséria, infância infeliz, vícios, injustiças, angústias. Van Gogh
tratou o tema magistralmente, como se pode ver no auto-retrato com a orelha
cortada.
O Fovismo surgiu no mesmo ano de 1905. No Salão de Paris,
Henri Matisse e outros fizeram uma exposição, na qual havia uma estátua do
florentino Donatello. Um crítico francês disse que o mestre italiano estava
entre fauves (feras), referindo-se às cores fortes e puras, sem mediações, dos
jovens pintores. O movimento revelava influências de Van Gogh e Gauguin, já
falecidos. Os fovistas abandonaram as regras tradicionais acadêmicas, o desenho
detalhado, o claro-escuro; usavam as cores de forma selvagem, realçando os
contornos com traços negros.
Gauguin ficou entre o Expressionismo e o Fovismo. Levou vida
tumultuada e morreu na miséria no Taiti. Achava importante recriar a natureza
dando a cada imagem um valor simbólico, que podia ser alterado e deformado.
Usava cores fortes combinadas a técnica simples.
O Cubismo surgiu em 1908. Desde 1906, Pablo Picasso e Georges
Braque vinham dando novas formas à representação do corpo, procurando reduzi-lo
a seus elementos geométricos básicos. Seus quadros resultavam de partes de
objetos variados da natureza, num jogo de linhas e planos. Diz-se que a tela de
Picasso As Senhoritas de Avignon (1907, Paris) foi a primeira obra cubista;
outros dão a primazia a Braque, pela exposição de 1908 sobre temática
paisagística.
O mesmo crítico que batizou o Fovismo chamou de cubos as
paisagens de Braque. O movimento teve forte influência sobre a produção
industrial e abriu caminho para o Futurismo. Picasso, um dos maiores pintores de
todos os tempos, produziu a principal obra do Cubismo: Guernica, nome da cidade
bombardeada pelos alemães a pedido do ditador espanhol Francisco Franco. O
desespero da população foi representado em preto, branco e cinza, numa tela de
8 x 3,5 metros. Um documento de dor da Humanidade.
As bases do Futurismo foram lançadas num manifesto assinado
pelo escritor italiano Filippo Marinetti. Exigia a destruição do passado e a
glorificação do futuro. Seus temas eram multidões, fábricas, arsenais, pontes,
locomotivas, aviões, motores. Na pintura, tal como no cinema, as imagens
aparecem dinamizadas pela repetição, como o célebre Cão, de Bala. Os futuristas
queriam transmitir situações tensas, em constante mutação, em oposição aos
cubistas.
Em 1910, surge o Abstracionismo, resultado da evolução da
pintura de Kandinsky, inicialmente fovista e acadêmico. Para ele, um quadro
retratava um estado de espírito, não era a mera representação de objetos. A
força das cores expressaria o sentimento. Formas e cores eram seus ritmos e
sons. O abstracionismo de Kandinsky era sensível, mais ligado aos sentimentos,
enquanto o de Mondrian era geométrico, matemático. Escultura
Auguste Rodin paira como grande nome da escultura. Com O
Beijo, Os Burgueses de Calais e sobretudo O Pensador, influenciou decisivamente
a evolução da escultura francesa e mundial. Preocupava-se com a miséria humana,
a grandeza heróica da Humanidade, seus sonhos. Música
A escola romântica alemã dominou a música. Na primeira
geração, destacam-se Schubert e Beethoven; na segunda, Schumann, Mendelssohn,
Chopin e Berlioz; na terceira, Liszt e Wagner; Brahms representou o retorno ao
Classicismo. Os italianos Verdi e Puccini produziram óperas imortais. Fauré,
Debussy e Ravel brilharam na França e marcam uma renovação. Na Rússia,
Rimsky-Korsakov seguiu uma linha desligada de influências ocidentais, enquanto
Tchaikovsky permaneceu ligado à música clássica. O austríaco Schönberg trouxe à
tona a música atonal.
A musicalidade e a nostalgia dos negros americanos deu origem
a uma música nova, destinada a fazer sucesso em todo o mundo contemporâneo: o
jazi. Sua origem se localiza nas canções de trabalho, work-songs; nos cantos
religiosos, spirituals e gospel-songs; e nos blues, cantos melancólicos
não-religiosos. A primeira banda surgiu em Nova Orleans em 1912. O jazz penetrou
em Chicago em 1914 e em Nova York em 1917. Cinema
A partir de 1882, as experiências com movimentação de imagens
fotográficas prepararam o advento do cinema. Os irmãos franceses Lumière e o
americano Thomas Edison realizaram as primeiras projeções cinematográficas. Os
Lumière projetaram o primeiro material filmado, em 1895. Das cenas reais, passou-se à filmagem de temas sentimentais e históricos com atores, em minúsculos estúdios. Em 1912, surgiu a sincronização entre a película e o fonógrafo, antecipando o cinema falado. A futura sétima arte se expandiria nos Estados Unidos. O Nascimento de uma Nação, de Griffith, criador das técnicas de montagem, foi um marco na história do cinema como forma de arte e entretenimento. Rapidamente, Hollywood se tornou a fábrica de sonhos, geradora de celebridades populares em todo o mundo. Mary Pickford, Theda Bara, Charles Chaplin e Rodolfo Valentino, eis apenas alguns dos grandes nomes do cinema em seus primórdios.
Para saber mais: O Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo - - V.I. LÊNIN Bibliografia: História Geral - Aquino, Denize e Oscar - Ed. Ao Livro Técnico Toda a História - José Jobson Arruda - Ed. Ática História - Luiz Koshiba - Ed. Atual |
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