
Busca na Internet
|
|
|
Neoliberalismo e Globalização – o bem-estar da economia às custas da desgraça dos seres humanos
As diferenças entre o liberalismo tradicional e o regime de extorsão de recursos dos trabalhadores para os já imensamente ricos – este batizado como “neoliberalismo” – são gritantes. O liberalismo fundamenta-se no “Laissez Faire” preconizado por Adam Smith; uma espécie de busca de “não intervenção” na economia. O capitalismo seria, segundo Adam Smith, basicamente darwiniano, ou seja, focado na sobrevivência do mais forte, sem interferência estatal sobre o sistema.
Para uma BOA definição
- em filmes - do que seja o processo de Globalização, clique aqui.
A via eleitoral é apresentada como potencial solução e todos os
candidatos apresentam as mesmas plataformas. O eleito é sempre
aquele que consegue mais recursos financeiros com os bancos para
cumprir seus ditames e convencer a maioria de que fará o oposto do
que prometeu a seus comandantes. De certa forma a maioria tem plena
consciência de que o processo eleitoral não mudará nada, mas a
propaganda intensa obriga a todos que se conformem. Até mesmo a
Justiça Eleitoral faz campanha contra o direito de não participar
desta farsa chamada “eleição”. O voto é obrigatório e se, diante da
urna, nos decidimos por um número inexistente (única forma de anular
o voto) surgem mensagens de erro assustadoras e aterrorizantes, com
vistas a bloquear o exercício deste direito democrático, o de não
participar da farsa.O voto nulo é desestimulado pela mídia, pelos
intelectuais venais de todos os matizes e mesmo na urna eletrônica –
sofisticação brasileira, já que o resultado é amplamente conhecido
antes mesmo do processo eleitoral, por que não agilizar o teatrinho
que se faz? Nos países com um pouco mais democracia e menos
analfabetismo político esse processo fraudulento, “urna eletrônica”
é inaceitável.
|
|
|
Um Ato de Coragem – Título Original John Q.
A história de John Q. é a mesma de milhões de trabalhadores do mundo,
seja nas Metrópoles, seja aqui nas Colônias: tinha um emprego de
período integral mas o desaquecimento da economia obrigou a empresa
em que trabalha a uma redução que foi forçado a aceitar: meio
período, meio salário e meio plano de saúde. Ao sair de
seu emprego de meio período, John Q. se dirige a uma outra companhia
em busca de um novo trabalho. Como sói acontecer, há quase meio
milhar de pessoas pleiteando a única vaga disponível e o resultado é
previsível... “Seu currículo é realmente impressionante, Mr. Q, mas
creio que o Sr. é qualificado demais para o trabalho que oferecemos.
Manteremos sua documentação em nossos registros e entraremos em
contato se for o caso”. Aparentemente, não é a primeira e não será a
última entrevista deste tipo por que passa... O realmente
grande problema aparece quando o jovem filho do casal, Michael, de 9
anos de idade, tem uma queda brusca de pressão e desmaia em meio a
um jogo de beisebol. John
Q. realmente não foi avisado de que, após trabalhar mais de uma
década em período integral e pagar o valor integral de um plano de
saúde com plena cobertura, devido aos cortes na empresa em que
trabalha seu plano de saúde também foi reduzido e o caso –
complicadíssimo! – de Michael será tratado pelo hospital como
“particular”, ressalto aqui o fato de, com a Globalização ser
possível promulgar leis com efeito retroativo prejudicando
gravemente o réu. Antes desta nova Idade das Trevas o único paralelo
histórico ocorreu na França ocupada pelos Nazistas e também
brilhantemente explorada pelo filme de Costa-Gavras,
Seção
Especial de Justiça. Numa reunião com a direção do hospital, John Q. fica sabendo que seu filho, para sobreviver, precisa de um transplante cardíaco, procedimento orçado em mais de U$ 250.000, valor que seu plano de saúde, agora que está em meio período, não cobre.
Esta e outras pequeninas falhas não nos impedem de perceber, com
cruel clareza, a gravidade do momento político que vivemos sob o
neoliberalismo. Trata-se de um regime desumano, centrado em especuladores endinheirados que controlam a opinião pública através da mídia, de seus políticos fantoches e de sua casta sacerdotal de economistas.
O Quarto Poder – Título Original Mad City
Na porta do banco em que o empresário se encontra um senhor de idade
vestido de palhaço executa uma dança ridícula em busca de uns
níqueis – tudo isso informa alguma coisa acerca da saúde da economia
contemporânea. Quando Sam Bailey (John
Travolta) ingressa em seu antigo emprego, de guarda de segurança num
museu do qual havia sido recentemente demitido, começa de fato a
ação. Bracket havia acabado de entrevistar a diretora do museu com
vistas a saber dela acerca das dificuldades financeiras por que a
Entidade (a exemplo de milhões de prestadoras de serviços públicos
pelo mundo afora). Enquanto Bracket está no banheiro, Bailey chega
carregando uma bolsa e pede, pelo que se percebe, pela enésima vez,
uma audiência com a diretora do museu para propor uma solução
intermediária – ele aceitaria uma redução salarial, qualquer coisa,
mas não pode ficar desempregado – por aí se percebe a situação de
quem está desempregado neste mundo, hoje globalizado pelo Império
Estadunidense. Ela não se abre à menor
possibilidade de diálogo, ordena que se retire e ele então,
desesperado, tira uma escopeta da bolsa em que carregava também uma
grande carga de dinamite e diz: “agora você me escuta?” – ela não
acredita que ele tenha coragem de usar o armamento e ele, num gesto
tresloucado e acidental, dispara na direção da porta onde estava
precisamente o outro guarda, que manteve o emprego e agora tem uma
bala na barriga... Crianças chegam correndo
atraídas pelo burburinho e Sam Bailey percebe que está numa situação
muito delicada. Pede calma às crianças e informa, uma vez mais, que
só deseja um diálogo, buscar uma alternativa que lhe permita manter
o emprego perdido. Do banheiro do
museu Max Bracket, o jornalista que perdeu posição na empresa
televisiva em que trabalhava por não cooperar com seu chefe
inescrupuloso em grau superlativo (Alan Alda) percebe uma chance de
regressar “na crista da onda”: há um homem armado no museu e as
crianças são feitas reféns. O tema é pungente e seguramente dará
grande audiência à emissora, Bracket tem consciência disso. Mas
também há nele a pulsão de buscar formas de auxiliar Sam Bailey
senão a recuperar o emprego – possibilidade que se esvai rapidamente
com o cerco da mídia, da polícia e de um batalhão de curiosos. A
obra de Costa-Gavras é ficcional, isso não se discute! Mas sempre
que alguém sai do normal, regular, cotidiano e parte para a luta
pelos seus direitos por meios menos ortodoxos atrai mesmo a atenção
de um batalhão de apáticos. É como se a sociedade, no fundo,
buscasse mesmo uma alternativa, um caminho... Entre carrinhos de
pipocas e churros (que todo o mundo está em dificuldades e, quando
se junta uma multidão sempre se tenta faturar uns trocados mesmo) o
jornalista vai aos poucos assumindo o controle dos atos e discursos
tanto do pobre coitado que se vê na condição de “perigoso
seqüestrador de crianças” quanto da própria mídia. O final é trágico.
Costa-Gavras tem pouco ou nenhum compromisso com finais
“água-com-açúcar” ao gosto popular. Quando finalmente percebe que
não tem saída senão a prisão, Sam Bailey resolve dar cabo da própria
vida. Suas balas acabaram. Ele dinamita o museu e morre em pedaços
sob o olhar ávido, curioso e lucrativo de muitas grandes empresas
televisivas. Aqui no Brasil um
cidadão, logo no segundo ano do primeiro mandato de Lula da Silva um
cidadão se auto-imolou na Praça dos Três Poderes por ser recusado em
uma audiência que requisitava e na qual seguramente pleitearia
emprego, um mínimo de atenção presidencial. Fosse ele banqueiro ou
industrial e seria recebido rapidamente entre tapetes vermelhos e se
dirigiria às salas luxuosas do Palácio Presidencial deste marionete
dos bancos. O presidente elitista, no exercício de um governo
direitista, não poderia mesmo, publicamente fazer tal concessão a um
trabalhador desconhecido. Acaba se tornando brevemente conhecido (até
seu nome já está envolto em brumas de esquecimento) pelo gesto
desesperado e vigoroso que tomou... O Corte – Le Couperet
Já sem TV a Cabo ou
carro suplementar, a família passa a ser integralmente sustentada
pela esposa, Marlène (Karin Viard), que mantém dois pequenos
empregos. Capitalismo é competição,
certo? Então Bruno Davert se decide a eliminar a competição através
de um estratagema em perfeita consonância com o capital, praticando
o que se considera crimes. Aqui no Brasil, por exemplo, os crimes
cometidos no cotidiano pelos banqueiros e pelo seu marionete no
Planalto ou representantes no Legislativo e Judiciário são muito bem
tolerados, mas a medida adotada por Bruno Davert – que, empobrecido,
desempregado e desesperado, não conta com o suporte do Executivo, do
Legislativo ou do Judiciário de seu país. O que passa a executar é
uma seqüência de crimes que o colocam na lista dos “serial killers”
contemporâneos. Cria uma empresa
fictícia para atrair seus concorrentes a uma vaga em emprego no ramo
de papel e passa a analisar os currículos que lhe são enviados. De
pronto descarta a maioria. Ele realmente é competente no que faz e
só encontra, dentre todos os competidores, 5 que efetivamente
reconhece como melhores do que ele – ou com melhores chances de
emprego – no ramo por um ou outro motivo. A questão moral se esvai
nos primeiros momentos e é mesmo simples ao espectador brasileiro,
acostumado com um governo de criminosos guiados por interesses de
banqueiros e extorsores, que sorriem para as câmeras de TV,
simpatizar com a metodologia adotada por Bruno Davert para se livrar
da concorrência. Decide matar seus concorrentes
para o que, a princípio, utiliza uma antiga Lugger Nazista herdada
de seu pai, que participou da Segunda Grande Guerra e deixou
inclusive farta munição. Fica claro o estágio em
que o capitalismo – internacional por definição – se encontra hoje,
seja nas Metrópoles, seja aqui nas colônias: a economia é
desaquecida para simplificar os cálculos dos jogadores e outros
parasitas que ganham rios de dinheiro, fruto do trabalho alheio e,
como resultado, o número de desempregados e desassistidos pelo
Estado é cada vez maior. É mesmo assim tão
surpreendente que um cidadão perca o tino e se decida a buscar uma
saída pessoal para seu problema pessoal? Os risos e aplausos da
platéia dão conta de serem estes “problemas pessoais” tão espraiados
por todos os quadrantes que seriam mais bem tratados dentro do
quadro da arena política, não como busca de soluções individuais e
desesperadas, como o são as taras e crimes. A isto fica reduzido o
cidadão no estágio em que nos encontramos. Mas não se preocupe. A
tendência é piorar... Após “massacrar a
concorrência” termo empresarial muito comum, Bruno Davert está num
restaurante festejando e o filme termina com a fina ironia de Costa-Gavras
focando uma moça simpática com o currículo de Bruno Davert nas mãos
a checar seus hábitos e tudo indica que há mais uma predadora
disposta a eliminar a concorrência...
Somente em 2006 e
somente o Brasil de Lula da Silva, o marionete dos bancos,
“economizou” cerca de 100 Bilhões de Reais para pagar juros de uma
dívida que já foi paga várias dezenas de vezes e segue sempre
crescente – o foco principal é impedir a queda da lucratividade dos
especuladores. Em situações ensandecidas assim é até constrangedor!
Ficamos com saudades do tempo em que éramos explorados por grandes
produtores; a produção era estimulada! Esta orientação voltada à
engorda do capital especulativo é a mais destrutiva que já governou
o mundo! Se uma criança de 3 ou 4
anos pega um grande vasilhame, sobe numa cadeira, que sua altura não
chega à boca de chamas do fogão, enche de óleo e o leva ao fogo há
uma grande probabilidade de acontecer um acidente sério. Se um jovem passa
a noite na “balada” se embriagando de diversas maneiras e, ao fim da
festa, convida seus colegas, toma as chaves do carro e parte para um
“racha” a mais de 140 Km/h numa avenida movimentada de uma grande
capital, as probabilidades de desastre são consideráveis. Assim, se
seguirmos governados por esse norteamento voltado à paralisia da
economia para que a lucratividade dos especuladores seja grande, há
uma probabilidade muito grande de vermos o desemprego aumentar, de
haver cada vez menos recursos – quem os gera, afinal se o trabalho é
tão aviltado? – não apenas para a educação, a saúde, a infra-estrutura
ou a segurança das pessoas. A seguirmos neste ritmo, de onde sairá
esse crescente rio de dinheiro de endividamento que enriquece os
especuladores?
|
|
|
© Copyleft LCC Publicações Eletrônicas - Todo o conteúdo desta página pode ser distribuído exclusivamente para fins não comerciais desde que mantida a citação do Autor e da fonte e esta nota seja incluída. Contato |