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Cavaleiros Templários
Os Pobres Soldados de Jesus
Cristo e do Templo de Salomão

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Lázaro Curvêlo Chaves.’.M.’.M.’.
Introdução: conceitos
sociológicos indispensáveis
Dialética
Tudo é transformação, movimento.
Heráclito de Éfeso, em seu aforismo de número 91 informa: “Não se pode
entrar duas vezes no mesmo rio.” – as águas passam e a própria pessoa se
transforma. Hoje, por exemplo, sabemos que todas as células do nosso
corpo são substituídas a cada 11 meses. Há permanência e transformação.
Somos nós mesmos e um outro em processo de devenir perpétuo, em
permanente transformação.
Eu escrevo um diário desde
os meus 11 anos de idade. Tenho mais de 40 cadernos com idéias,
impressões, alegrias e frustrações registradas pela vida afora. É
impressionante reler particularmente os mais antigos e perceber o quanto
me transformei, mudei de planos e idéias.
Tenho também um álbum de
fotos. Até os 18 anos tinha um corpo atlético e vasta cabeleira loira.
Aos 47 estou calvo e fora de forma, muitos quilos acima do peso.
Estes exemplos não são
fortuitos. Estou seguro de que todas as pessoas têm vivências similares.
O mais importante é não perder de vista que somos sempre nós mesmos e um
outro em transformação. Há o que permanece e o que se transforma ao
longo de nossas vidas.
Não há lugar para conceitos
absolutos e definitivos. Assim como nossa forma física, nossas idéias a
respeito das coisas se transformam à medida que nosso conhecimento se
amplia.
A Igreja Católica Romana,
durante a Idade Média, não admitia qualquer conhecimento que estivesse
fora do que preconizavam os doutores da Lei. Se algo não estava escrito,
por exemplo, na Obra de Aristóteles, simplesmente não era considerado
verdade e quem argüisse a respeito corria o risco de sofrer os suplícios
da Santa Inquisição.
A Terra era considerada
achatada e havia a crença de que era carregada por gigantescas
tartarugas. O “fim do mundo” estava além do Oceano ou “Mar Tenebroso”,
como se referiam ao Atlântico naqueles tempos. Acreditava-se que as
águas ferviam pela altura da linha do Equador e que havia sereias
belíssimas que tinham particular predileção gastronômica pelos
testículos dos marinheiros. Eram tempos de medo.
Não se conhecia o Novo Mundo
(América) ou mesmo a Austrália. Os mapas medievais faziam referências
superficiais a locais existentes a partir de relatos de viajantes.
O que outrora custou a vida
de centenas de cientistas, alquimistas, rosacruzes e filósofos que
discordavam racionalmente dos pontos de vista dogmáticos da Igreja é
hoje aceito com naturalidade e comprovado por fotos de satélite.
O mundo não mudou, ou seja,
não era achatado e ficou redondo (ou, mais precisamente em formato de
uma pêra) de um momento para o outro. O avanço da ciência e a
modificação da percepção humana, hoje com fotos tiradas de satélites e
mesmo da Lua, é que se transformou.
Devemos sempre ser
cautelosos com aqueles que propagam “verdades absolutas”, úteis em
determinado tempo histórico e um povo específico, contudo frequentemente
distanciadas da realidade absoluta dos fatos.
Etnocentrismo
Todos os povos do mundo, dos bosquímanos
africanos aos esquimós do Pólo Norte, passando pelos papuas da Nova
Guiné, aborígines americanos e europeus, se consideram superiores a
todos os outros povos. Esta é uma idéia universalmente difundida e, uma
vez que o avanço tecnológico, particularmente no que tange ao poderio
bélico ultrapassa o avanço humanístico, os vencedores são sempre aqueles
que, dotados de maior capacidade de destruição, tornam-se os donos da
verdade histórica.
A sociologia define “etnocentrismo”
classicamente como “considerar a própria cultura ou civilização
superior a todas as demais ou mesmo a única válida”.
Isto tem sido motivo das
mais diversas formas de intolerância ao longo da história humana.
Já os gregos se referiam a
todos os que não dominavam seu idioma ou cultuavam seus deuses e
costumes como “bárbaros”. Ao longo da história humana encontram-se
formas diversas de discriminação. Aqui nos interessa de perto a
incapacidade de tolerar a fé ou religião do outro ou mesmo aceita-la
como válida. Fundamentalistas religiosos – sejam cristãos, muçulmanos,
judeus ou de qualquer fé – via de regra vêem-se como “donos da verdade”
ou, no limite, “professores de Deus” e buscam lançar a fé alheia na
rubrica da feitiçaria ou da heresia...
O Grande Cisma Cristão
O ano de 1054 foi
marcado pelo primeiro Grande Cisma da cristandade. O Bispo de Roma,
Humberto, autoproclama-se papa, não é reconhecido pelo Patriarca (Bispo)
de Constantinopla, Miguel Celulário, ambos se excomungam mutuamente e
agora há duas Igrejas Católicas. A Católica Apostólica Romana, sob a
liderança do Bispo de Roma (o Papa) e a Católica Apostólica Ortodoxa ou
Grega, sob a liderança de um conselho de Patriarcas.
Enquanto a Europa
segue o caminho ditado por Roma, o Império Bizantino (continuação do
Império Romano no Oriente, que durará até o ano de 1453, quando os
canhões de Maomé III derrubam as fortificadíssimas muralhas de
Constantinopla) segue a orientação dos Patriarcas Ortodoxos.
Durante as Cruzadas,
contudo, católicos romanos e ortodoxos tendem a uma aliança, ainda que
tênue, contra o adversário muçulmano.
O Islã
"Em nome de Deus, Clemente,
Misericordioso..."
O islamismo, religião
que mais cresce no mundo contemporâneo, nasceu na Península Arábica
principalmente a partir da reflexão de Maomé em torno da multiplicidade
de deuses existentes nas tribos da própria península assim como das
religiões petrificadas, anquilosadas e presas no formalismo
ritualístico, sem a vivificação espiritual desejada e desejável, como o
cristianismo ortodoxo grego, o cristianismo romano e o judaísmo.
“Nos 13 séculos que
se passaram de sua gênese, a religião congrega hoje mais de 800 milhões
de adeptos, “unidos pelo sentimento profundo de pertencerem a uma só
comunidade”. E essa expansão, que continua, é devida principalmente a um
espírito de universalidade que transcende qualquer distinção de raça e
permite a cada povo se integrar no Islã mas, ao mesmo tempo, conservar
sua cultura própria.” (O Correio da Unesco, 1981).
O Berço
A Península Arábica
está localizada no Oriente Médio, limitada entre o Mar Vermelho a oeste,
o Oceano Índico ao sul e o Golfo Pérsico a leste, ligada ao continente
pelo deserto, que cobre a maior parte da Península. Não existem rios
permanentes e o clima é extremamente seco, apresentando oscilações
térmicas de áreas e variações de temperatura. Ao centro e a leste
encontram-se numerosos oásis, que têm origem na umidade do subsolo,
originando poços de água em torno dos quais crescia uma exuberante
vegetação tornando possível a vida na região.
A Arábia pré-islâmica
Por diversas vezes os
romanos estiveram às portas da Península Arábica, porém questionaram as
vantagens de conquistar uma região tão inóspita e agreste, passando a
figurar nos mapas de Roma apenas como a desconhecida província arábica.
As populações que
habitavam a região central e setentrional eram de origem semita e
encontravam-se divididas em numerosas tribos ou grupos. Os árabes do
deserto, conhecidos por beduínos, eram nômades, de características bem
diversas dos árabes do sul. Falavam árabe, idioma que acabou se impondo
em toda a região.
A difícil
sobrevivência levou-os ao cultivo de uma escassa agricultura de tâmaras
e trigo, praticada nos oásis, à criação de rebanhos, às incursões e ao
comércio de caravanas que souberam incrementar por toda a península. Os
oásis e as cidades serviam-lhes de escala e de entrepostos de
mercadorias, utilizando-se das razias para a conquista das melhores
regiões.
Segundo alguns
geógrafos e historiadores, a Arábia desértica do norte, “machucada por
um sol abrasador”, contrastava com o sudoeste, região que se chamou de
"Arábia Feliz" (Yemmen), destacando-se a cidade de Aden, entreposto de
grande importância comercial nas relações com o Oriente.
A costa marítima era
ocupada pelas tribos sedentarizadas que habitavam Meca e Yatreb (mais
tarde “Medina”), as duas principais cidades, vivendo como comerciantes
ou pequenos artífices, e exportando para o Ocidente o café, o incenso,
as tâmaras e os perfumes. Afora o crescimento desse comércio
internacional, também existiam relações mercantis com os árabes do
deserto.
Nem os beduínos nem
os árabes urbanos possuíam um governo centralizado, prevalecia a
organização tribal, não eram raros os conflitos entre as tribos.
Apesar das diferenças
culturais, contudo, todos os árabes eram da mesma raça e diziam-se
descendentes de Abraão; a religião mostrava uma nítida influência do
judaísmo, não apenas por sua proximidade com o "patriarca". Durante esse
período, acreditavam em um deus supremo, Alá, porém não deixavam de
adorar uma infinidade de deuses inferiores, os djins, e, através de
imagens ou totens, continuavam a cultivar o politeísmo de seus
ancestrais.
Cada tribo possuía
seus próprios ídolos. Apesar de terem um santuário tribal, existia um
comum a todos, que se encontrava em Meca, na Kaaba, onde estava
depositada a Pedra Negra que, desde tempos imemoriais, se acredita ter
sido trazida do céu pelo Arcanjo Gabriel, e todos os ídolos tribais.
Desde a época de
Maomé os fiéis sempre rezaram ao redor da Kaaba, em Meca, capital do
islamismo.
A importância de Meca não
parava de crescer. Para lá fluíam as mais diversas tribos em busca da
adoração da Pedra Negra e de seus deuses. Cada tribo trazia de seus
lugares remotos produtos típicos que comercializavam a partir das
sagradas orações, realizadas por meio de um ritual; porém, todas as
transações comerciais eram controladas pela tribo dos coraixitas, uma
quase aristocracia árabe.
Maomé e a epopéia de sua Fé
Meca não dispunha de
uma organização ou instituições políticas, nem possuía um forte
sentimento nacional. O principal personagem da mudança cultural,
política e religiosa foi inquestionavelmente Maomé. Pertencente à
família dos haxemitas, ramo pobre da poderosa tribo dos coraixitas; seu
nascimento é estimado como ocorrido em torno do ano 570.
Muito cedo Maomé
ficou órfão, passando a viver no deserto sob os cuidados de seu avô,
onde aprendeu a conhecer a difícil vida dos beduínos e suas necessidades
materiais e espirituais. Ainda jovem, retornou a Meca, tornando-se um
excelente guia de caravanas, mantendo contatos com povos monoteístas,
principalmente judeus e cristãos, de quem sofreu profundas influências
religiosas. Aos 25 anos, Maomé casou-se com uma viúva rica, proprietária
de camelos, chamada Khadidja. O casamento deu-lhe profunda estabilidade
material, porém, como todos os profetas, sua vida está envolta em muitas
lendas. Acredita-se que foi a partir daí que começou a formular os
princípios de uma nova doutrina religiosa, iniciando um período de
meditações e jejuns. Constantemente isolava-se no deserto buscando
seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, a quem considerava um dos
últimos profetas.
Foi durante suas
andanças pelo deserto, durante tempos solitário numa caverna, que
afirmou ter tido a visão do Arcanjo Gabriel, que o incumbira de ser o
profeta de Alá. Maomé tinha 40 anos de idade e era dotado de enorme
emotividade. Durante suas visões encontrava-se sempre em transe.
Dedicou-se à pregação junto aos seus familiares, não se contentando com
a vida economicamente tranqüila de que ora dispunha.
Após três anos,
seguido por um pequeno grupo de fiéis convertidos à nova fé, Maomé
começou a falar para os coraixitas em frente à Kaaba, pregando a
destruição dos ídolos e afirmando a existência de um único Deus. As
mudanças religiosas propostas pelo profeta acabaram por entrar em choque
com os líderes coraixitas, pois a implantação do monoteísmo significaria
a diminuição da peregrinação de fiéis a Meca, uma vez que Alá, não tendo
forma física, estaria em toda parte.
Sentindo o perigo
daquela subversão de idéias em torno do monoteísmo, temendo o
esvaziamento de Meca como centro comercial de toda a Península Arábica,
os coraixitas tentaram matá-lo. Alertado por alguns seguidores, Maomé
fugiu de Meca para Yatreb, em 622, ficando este ato conhecido como
Hégira, marco inicial do calendário muçulmano. Apesar de ter sido bem
recebido por vários de seus seguidores em Yatreb, encontrou forte
oposição dos judeus da cidade, que resistiram às tentativas de
conversão, e foram assassinados em massa. Nesse momento, Maomé implantou
um governo teocrático, transformando a cidade em sua base e mudando seu
nome para Medina, a cidade do profeta.
Percebendo ser inútil
a tentativa de conversão pacífica, Maomé optou pela Guerra Santa. Meca
foi sitiada e obrigada a aceitar a volta do Profeta que, graças ao apoio
dos beduínos, já convertidos, destruiu os ídolos da Kaaba, mantendo
apenas um único elo de ligação entre as tribos: a Pedra Negra.
No ano 630, o Estado
Árabe estava praticamente formado, unido em torno da bandeira do
islamismo e de seu único chefe, Maomé, que assumia não apenas o poder
político como também o religioso, iniciando-se, assim, um governo
teocrático.
Acredita-se que o
Profeta tenha subido aos céus numa nuvem a partir da Cúpula do Rochedo,
em Jerusalém, no ano 632 d.C. No ocidente são comuns as referências à
“morte de Maomé em 632 d.C. acometido de um mal súbito”, de todo o modo,
a comunidade islâmica ficou mergulhada em grave crise. Todos os atos,
editos e decisões estratégicas foram tomadas unicamente por Maomé, não
havia orientação clara relativa a sucessão em sua ausência. Um Estado
Teocrático, na falta do líder, sem um indicativo claro de forma
sucessória, eis a raiz da crise.
Jerusalém: Lugar Sagrado de
três grandes Fés
Cidade Santa para as
3 principais religiões monoteístas do mundo: judaísmo, cristianismo e
islamismo. Todas acreditam – de forma ligeiramente diferente, embora –
no mesmo Deus que falou com Abraão, com Moisés, com Isaías e outros
profetas, todos referidos no Alcorão como “o povo do Livro”.
Para os judeus é a
Terra Prometida, o local em que pela primeira vez um Templo – o Templo
de Salomão – foi construído diretamente por inspiração divina. Era como
se o Grande Arquiteto pessoalmente ditasse cada detalhe da construção de
seu Templo...
Para os cristãos é a
Terra Santa em que Jesus de Nazaré pregou, peregrinou, foi supliciado na
Cruz, ressuscitou e trouxe o Batismo com o Espírito Santo.
Para os muçulmanos,
embora haja quase consenso sobre o falecimento do Profeta e seu
sepultamento em Meca, Jerusalém é a Terra em que também Maomé pregou e
em que se construiria, no exato local onde outrora ficava o Templo de
Salomão, a mesquita de Al-Aqsa e, a partir da Cúpula do Rochedo, a fé
popular acredita que Maomé subiu aos céus!
Saladino
Em 1174 morreu Amauri, rei de Jerusalém e
Nur ed-Din, líder dos muçulmanos que tinha como seu lugar-tenente e
homem de confiança um muçulmano Xiita nascido em Tikrit, Mesopotâmia,
atual Iraque. Extremamente culto, religioso, habilidoso com as armas e
cavalheiresco tornou-se famoso por seus feitos ao longo da história:
Salah ed-Din Yousuf ibn-Ayyoun, conhecido como Saladino.
Em pouco tempo sua argúcia,
seu legendário cavalheirismo, seu fervor religioso e suas
inquestionáveis habilidades bélicas fizeram dele Sultão inconteste dos
Muçulmanos de toda a vasta região que vai do Egito à Pérsia, liderando
um exército de mais de 500 mil homens em armas.
Relatos acerca de seu
cavalheirismo, de sua honra, de sua Fé e religiosidade, assim como da
urbanidade com que tratava seus adversários chegaram rapidamente à
Europa granjeando-lhe grande respeito. Todos percebiam estar diante de
um temível adversário: um estadista excepcionalmente arguto e um
comandante militar excepcionalmente competente.
Capaz a um só tempo de unir
todos os muçulmanos e vencer as batalhas mais difíceis e complexas, foi
seguramente o mais valoroso líder muçulmano desde Maomé.
Os Preceitos da Religião
Muçulmana
O Cinco Pilares
do Islã, segundo Roger Garaudy na Obra “Promessas do Islã”,
publicada no Brasil pela Nova Fronteira em 1988, podem ser assim
resumidos:
1. Profissão de Fé:
“Existe um único Deus e Maomé é seu profeta”. Nenhuma outra divindade se
não Deus: Maomé, seu mensageiro. O universo inteiro ganha assim um
sentido, o absoluto revelando-se no relativo sob a forma de "sinais", de
símbolos. A natureza e os homens, do mesmo modo que a palavra do
Alcorão, eram uma aparição, uma manifestação de Deus. "Não há nada que
não cante seus louvores, mas vocês não compreendem seu canto" (XVII,
44).
2. Oração: a prece é e a
participação consciente do homem no canto de louvor que liga todas as
criaturas ao seu criador. "Volte a si mesmo para encontrar toda a
existência resumida em você.”
A prece integra o
homem de fé a essa adoração universal: realizando-a, com o rosto voltado
para Meca, todos os muçulmanos do mundo e todas as mesquitas cujo nicho
do mirhab designa a direção da Kaaba são assim integrados, por círculos
concêntricos, a essa vasta gravitação dos corações rumo ao seu centro.
A ablução ritual,
antes da prece, simboliza o retorno no homem à pureza primitiva pela
qual, rejeitando a si mesmo tudo o que pode macular a imagem de Deus,
ele se torna seu perfeito espelho.
3. Jejum durante o mês sagrado do
Ramadã. O jejum, interrupção voluntária do ritmo vital,
afirmação da liberdade do homem em relação ao seu “eu” e aos seus
desejos, e ao mesmo tempo lembrança da presença em nós mesmos daquele
que tem fome, como de um outro eu mesmo que devo contribuir para tirar
da miséria e da morte.
4. Zakat. Não é esmola,
mas uma espécie de justiça interior institucionalizada, obrigatória, que
torna efetiva a solidariedade dos homens da fé, isto é, daqueles que
sabem vencer em si mesmos o egoísmo e a avareza. O zakat é a lembrança
permanente de que toda riqueza, como tudo, pertence a Deus, e que o
indivíduo não pode dispor dela à vontade, que cada homem é membro de uma
comunidade.
5. A
peregrinação a Meca,
enfim, não apenas concretiza a realidade mundial da comunidade
muçulmana, mas, dentro de cada peregrino, vivifica a viagem interior em
direção ao centro de si mesmo.
O tema central do
Islã, em todas as suas manifestações, é esse duplo movimento de fluxo do
homem em direção a Deus e de refluxo de Deus em direção ao homem,
sístole e diástole do coração muçulmano: “Na verdade, somos de Deus e a
Ele retornamos” (II, 156)
Todos os preceitos
que devem ser seguidos encontram-se reunidos no Alcorão (a grafia
“Corão” também é considerada correta), livro sagrado escrito a partir
das sínteses dos ensinamentos de Maomé. Trata-se de um livro com
conotações nitidamente político-religiosas, assumindo o caráter de uma
verdadeira constituição para o povo islâmico. Os feitos de Maomé foram
reunidos por seus familiares em um livro denominado Suna, no qual se
encontram as bases da tradição, formuladas a partir dos exemplos dados
por Maomé durante sua vida. Destaca-se, entre os preceitos básicos da
Suna, a Djihad. Por vezes mal compreendida, a Djihad ou Jihad, pode ser
traduzida realmente como “Guerra Santa”. Segundo ainda Roger Garaudy,
filósofo franco-argelino convertido ao islamismo, há duas grandes formas
de se fazer a Guerra Santa preconizada pelo Profeta. Há a “Grande Jihad”
ou luta contra o ego e a “Pequena Jihad” que é a busca de persuasão do
infiel aos caminhos do Profeta. Seguindo ainda aquele autor, “idolatria
é adorar como se fosse Deus algo que não é Deus”. Neste sentido, a
egolatria é uma das formas mais condenáveis de idolatria e a Grande
Jihad volta-se a dar combate a esta forma de idolatria. A “Pequena Jihad”
busca, principalmente pela persuasão, mas à força se necessário,
proteger o Islã e trazer novos crentes para o Islã.
A partir da
existência de dois livros sagrados, o mundo muçulmano dividiu-se em dois
grandes grupos: os xiitas, seguidores exclusivamente do
Alcorão, que negam qualquer outra fonte de ensinamento; e os
sunitas, que adotam como fonte de ensinamento, além do Alcorão,
a Suna, coletânea de relatos acerca das práticas adotadas por Maomé e
seus seguidores.
Breve cronologia:
570: nascimento de Maomé.
610: Maomé tem a primeira visão do
arcanjo Gabriel.
622: Hégira - início do calendário
muçulmano.
630: Maomé destrói os ídolos da Kaaba;
nascimento do Islã.
632: Ascenção de Maomé aos céus a partir
da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém ou, segundo informes da
historiografia ocidental, “morte de Maomé em Medina”.
Clique aqui para ler o Alcorão
Ordem dos Templários
A Ordem dos
Templários nasceu em 1118, na cidade de Jerusalém, por iniciativa Hugh
de Payens mais oito cavaleiros, todos de origem francesa. A Ordem dos
Templários, cujo nome completo era Ordem dos Pobres Cavaleiros de
Cristo e do Templo de Salomão, tornou-se, nos séculos seguintes,
uma instituição de enorme poder político, militar e econômico. A sua
divisa era: Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da
gloriam, o que significa “Não a nós, Senhor, não a nós, dai a
glória ao Vosso nome”. Inicialmente as suas funções limitavam-se aos
territórios cristãos conquistados na Terra Santa durante o movimento das
Cruzadas, e visavam à proteção dos peregrinos que se deslocavam aos
locais sagrados. Nas décadas seguintes, a Ordem se beneficiou de
inúmeras doações de terra na Europa que lhe permitiram estabelecer uma
rede de influências em todo o continente, o que mais tarde seria motivo
para sua perdição...
Comprometeram-se a
uma causa monástica e militar. Embora muitos Cavaleiros, naqueles
tempos, lutassem por dinheiro, terra ou poder, os Templários faziam
votos de pobreza e de castidade. Sua missão era principalmente a de
proteger os peregrinos a caminho da Terra-Santa.
O Rei Balduíno II
cedeu-lhes como abrigo o estábulo ao lado da mesquita de Al-Aqsa como
quartel general. Este local supõe-se que era o exato local do Templo do
Rei Salomão.
Os cavaleiros tomaram
o estilo de vida das ordens monásticas fundadas no tríplice preceito:
voto de pobreza, voto de castidade e voto de Obediência. E se
auto-intitularam: Os Pobres cavaleiros de Cristo. Adotaram como símbolo
dois cavaleiros em um só cavalo para mostrar sua pobreza – pois não
tinham dinheiro para comprar um cavalo – e também seu companheirismo.

Também adotaram o
nome do local onde se estabeleceram ficando então nomeada a ordem como:
Pauperes Commilitones Christi Templique Salomonis (Os
pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão) mas ficaram
conhecidos como: os Cavaleiros Templários. (algumas vezes chamados de :
Cavaleiros de Cristo, Cavaleiros do Templo, Pobres Cavaleiros, Ordem do
Templo, etc.)
Como toda Ordem
Religiosa, a Regra dos Templários, criada por São Bento de Núrsia,
também era baseada nos três pontos básicos das instituições religiosas
da época, ou seja: castidade, pobreza e obediência. Em geral eram
originários de famílias abastadas. Mas só podia se tornar Cavaleiro
propriamente dito o filho de um Nobre. Os cavaleiros tinham o direito de
usar (não possuir) 3 cavalos, um escudeiro e duas tendas.
Comparativamente, um cavaleiro bem montado e equipado, treinado e
seguido pelo seu séqüito de escudeiros, tinha o poder equivalente a um
tanque de Guerra Contemporâneo.
Havia uma parte religiosa
propriamente dita, com Padres, Capelães, Diáconos, Bispos. E por causa
da bula "Omne datum optimum", também só prestavam obediência ao
Grão-Mestre da Ordem e ao Papa.
Relíquias
Eram também os
protetores das relíquias sagradas. As relíquias eram restos de pessoas
ou coisas consideradas sagradas e capazes de realizar milagres. Uma
relíquia popular naquele tempo era um pedaço de madeira da “Verdadeira
Cruz” - a cruz em que Jesus foi crucificado. Outra era a cabeça de S.
João Batista, que foi decapitado após ter sido enfeitiçado pela sedutora
dança de Salomé. Os povos na idade média tinham uma adoração desesperada
por relíquias, que veneravam com admiração. Mas logicamente fraudes
existiam. Um pândego da época disse que se e juntássemos todas as lascas
de "cruzes de Cristo", haveria madeira suficiente para uma floresta
inteira!
Os Templários tinham
em sua posse ainda a coroa dos espinhos, tirada da cabeça de Cristo.
Tiveram também o corpo da mártir Santa Eufémia de Chalcedon (julgava-se
ter poderes de cura divinos), entre diversas outras relíquias.
A Ordem dos Hospitalários
A Ordem dos
Hospitalários (ou Ordem de São João de Jerusalém) vem de uma tradição
que começou como uma Ordem Beneditina fundada no século XI na Terra
Santa, mas que rapidamente se tornaria uma Ordem militar cristã uma
congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os
peregrinos àquela terra. Face às derrotas e conseqüente perda desse
território, a Ordem passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era
soberana, e mais tarde desde Malta, como estado vassalo do Reino da
Sicília.
Poder-se-ia afirmar
que a extinção desta ordem se deu com a sua expulsão de Malta por
Napoleão. No entanto, os mesmos cavaleiros iriam instalar-se na ilha de
Malta, doada por Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, adotando a
designação de “Ordem de Malta”.
A Ordem Teutônica
A Ordem Teutônica (Em
Alemão: Deutscher Orden; Em Latim: Ordo Domus Sanctæ
Mariæ Theutonicorum) foi uma ordem militar cruzada, vinculada à
Igreja Católica por votos religiosos, formada no final do século XII em
Acre, na Palestina. Usavam vestes brancas com uma cruz negra.
Após a derrota das
forças cristãs no Oriente Médio, os cavaleiros mudaram-se para a
Transilvânia em 1211, a convite do Rei André II da Hungria, mas foram
expulsos em 1225. Transferiram-se então para o norte da Polônia, onde
criaram o Estado independente da Ordem Teutônica. A agressividade da
Ordem ameaçava os países vizinhos, em especial o Reino da Polônia e o
Grão-Ducado da Lituânia. Em 1410, na Batalha de Grunwald (Tannenberg),
um exército combinado polaco-lituano derrotou a Ordem e pôs fim a seu
poderio militar. O poder da Ordem continuou a declinar até 1525, quando
seu Grão-Mestre, Alberto de Brandemburgo, converteu-se ao luteranismo e
assumiu o título e os direitos de Duque hereditário da Prússia (embrião
do Reino da Prússia, catalisador do futuro Império Alemão). O
Grão-Mestrado foi então transferido para Mergentheim, de onde os
Grão-Mestres continuavam a administrar as consideráveis posses da Ordem
na Alemanha. Em 1809, quando Napoleão determinou a sua extinção, a Ordem
perdeu as suas últimas propriedades seculares, mas logrou sobreviver até
o presente. Atualmente, trabalha primordialmente com objetivos
assistenciais.
Reinald de Châtillon
Não era um Cavaleiro
Templário, mas mantinha afinidades com a Ordem e frequentemente
participava de ações contra os muçulmanos, por quem nutria um ódio feroz
e completamente irracional!
Transformou-se no
principal inimigo público dos muçulmanos e um homem marcado para a morte
por Saladino a partir de duas atitudes vis que tomou contra aquele povo.
Em 1182 Châtillon
concebe um plano ardiloso: invadir Meca e roubar o corpo do Profeta
Maomé para cobrar tributo de peregrinos que desejassem visitá-lo em sua
fortaleza de Kerak.
Vencidos por tropas
muçulmanas lideradas por Malik, irmão de Saladino, muitos foram feitos
prisioneiros e outros escravizados.
Pouco tempo depois,
liderou um ataque covarde a uma caravana muçulmana pacífica, desarmada,
em peregrinação a Meca.
Tais episódios
conduziram Saladino, líder dotado de elevado senso de honra e justiça a
ver em Châtillon um criminoso ignominioso, sem honra ou senso de
justiça, capaz das mas atrozes barbaridades movido por puro ódio.
Quando já próximo da
queda de Jerusalém, o sucessor de Balduíno IV, agora Rei de Jerusalém
Guy de Lusignan, foi aprisionado com um grande contingente de cruzados e
Saladino teve a oportunidade de retribuir por todo o mal feito pelo
vilão: ofertou água de rosas com gelo trazido das montanhas ao rei de
Jerusalém e este passou a taça a Châtillon. As rígidas regras de
hospitalidade muçulmana ditavam que, quem partilhasse da água, do pão ou
do sal na mesma Tenda deveria ser poupado e alimentado. Repreendido,
teve a taça tomada e Saladino ofereceu a ele a possibilidade de
entregar-se ao Islã a fim de ser poupado. Châtillon, sempre arrogante,
retrucou que era Saladino quem deveria entregar-se ao cristianismo a fim
de evitar o fogo do inferno. A arrogância e intolerância de Châtillon
foram superiores à cortesia do grande cavalheiro que era Saladino e este
lhe decepou a cabeça com um só golpe de cimitarra.
A Guerra entre a França e a
Inglaterra pelo domínio de Flandres
A sede de ouro de Filipe de Valois...
Há décadas a
Inglaterra estabelecera uma “cabeça-de-ponte”, um domínio localizado
sobre uma vasta e rica região da França fazendo com que o monarca
mobilizasse vastos recursos para dar combate ao invasor. Após muitas
derrotas humilhantes e um severo endividamento, Filipe de Valois viu-se
obrigado a selar uma frágil trégua a peso de ouro.
Todos os expedientes
lícitos e ilícitos por parte do Monarca foram utilizados para angariar
fundos e recompor os cofres da corte francesa. Em primeiro lugar os
mercadores lombardos residentes em Paris foram expropriados de seus bens
através de multas, impostos, confiscos e, finalmente, foram expulsos da
França! A seguir foi a vez dos judeus. Seus bens foram confiscados e
também eles foram expulsos da França.
Outra medida
violentamente impopular foi a desvalorização da moeda francesa em 200%!
Em 1306 os franceses em geral e parisienses em particular se viram tão
monstruosamente empobrecidos que se levantaram em rebelião contra Filipe
de Valois e sua corte que, para resguardar suas vidas, refugiaram-se na
maior fortificação Templária da cidade. No Templo, Filipe de Valois
vislumbrou pela vez primeira todas as riquezas daqueles outrora “Pobres
Cavaleiros de Cristo” e presume-se que tenha sido desta data a sua
pretensão de apoderar-se do Tesouro dos Cavaleiros Templários.
O Templo, que serviu
de refúgio a um monarca antipático a seu próprio povo veio a
transformar-se mais tarde em presídio para os mesmos templários que o
protegeram da turba enfurecida...
Clemente V e o Cativeiro de
Avignon (1309 – 1377)
Bertrand de Got,
arcebispo de Bordeaux (1297-1305), homem de estreita confiança de Filipe
de Valois, foi eleito papa em 1305, como sucessor de Bento XI, após o
longo conclave de Perúgia, como homem de consenso: sempre havia sido
submisso ao papa Bonifácio VIII e também amigo do rei da França, Filipe,
o Belo, inspirador do ultraje de Anagni. Adotou o nome de “Clemente V”.
O antecessor de
Clemente V, o papa Bento XI, havendo desobedecido a ordens expressas do
monarca Filipe de Valois (Filipe “O Belo”), foi atacado e sofreu uma
tentativa de seqüestro de seu refúgio em Agnani a fim de ser conduzido à
França para ser julgado por heresia. Bertrand de Got apoiou – segundo
alguns Autores foi mesmo o inspirador – tal iniciativa...
Alegando que a cidade
de Roma, dominada pelos conflitos entre as famílias nobres, não oferecia
mais segurança ao papa, Clemente V, em 1309 foi, “a convite” de Filipe
de Valois para Avignon, França, onde se fixou definitivamente. Nessa
época tem início o chamado de “Cativeiro de Avignon” em lembrança do
bíblico “Cativeiro Babilônico”.
Abjetamente
subserviente ao monarca francês, foi coroado em Lyon na presença de
Filipe, que sempre o dominou. A primeira conseqüência de sua fragilidade
em relação ao rei da França foi a transferência da sede do papado de
Roma para Avignon, início do chamado “Cativeiro de Avignon”. Atendendo
aos insistentes pedidos de Filipe, Clemente canonizou o papa Celestino V
e iniciou um processo contra o falecido papa Bonifácio VIII que, segundo
as intenções do rei, deveria ter terminar com a sua condenação, o que
não aconteceu em virtude da vigorosa atuação dos Cardeais. Segundo a Lei
Canônica da Época, o cadáver de Bonifácio VIII deveria ser exumado e, se
considerado efetivamente culpado de heresia, seria queimado na
fogueira...
Foi um período
difícil para a Igreja e teve como o pior fruto, a imagem de um papa não
como um pai universal, e sim, uma espécie de capelão do rei da França.
Foram sete papas franceses e também a maioria dos cardeais.
Além disso, para
fazer frente à construção e manutenção da corte papal, aumentaram-se
exageradamente os impostos e as taxas. Tudo era vendido a alto preço:
nomeações, graças, indulgências e dispensas. Os ânimos católicos se
distanciam da Cúria e surge sempre mais forte o grito: “A Igreja tem que
ser reformada”. A autoridade do papa decaiu muito com o excesso de
excomunhões, lançadas por motivos quase que exclusivamente políticos.
Durante 20 anos toda a Alemanha ficou sob excomunhão. Em 1328 um
patriarca, 5 arcebispos e 30 bispos foram excomungados. São João d’Ávila
deplorava que nas paróquias, em cada festa, fossem anunciadas de 7 a 10
excomunhões.
As vozes que amavam a
Igreja e Roma se faziam ouvir cada vez mais alto: “quer-se a liberdade
da Igreja, a liberdade do Papa, um Papa universal.” Duas santas mulheres
fizeram eco a essa necessidade universal: Brígida da Suécia e Catarina
de Sena. Catarina, jovem, analfabeta, mística e santa, assumiu como
vocação fazer o papa retornar a Roma. Escrevia-lhe até palavras duras:
“Seja homem, paizinho! Não tenha medo”. Foi a Avignon e ali pôde
constatar a corrupção da Cúria que ela dizia, “cheirar muito mal, com o
mesmo mau cheiro de Roma”. Garantiu a segurança da transferência papal
e, em 1367, Urbano V ingressou triunfalmente na Roma papal. Era tamanha
a desordem na cidade, que o bom papa fugiu para a França. Seu sucessor,
Gregório XI (1370-1378), retornou a Roma em 1377 e fez do Vaticano a
residência papal oficial. Santa Catarina passou a viver em Roma e quase
que diariamente ia ao Vaticano, rezar pelo Papa e pela Igreja.
Como não poderia
deixar de acontecer, o Cativeiro de Avignon deu azo ao Grande Cisma do
Ocidente, com dois papas católicos romanos, um em Roma e outro em
Avignon excomungando-se mutuamente...
O Cisma do Ocidente (1378 –
1417)
Contra Urbano VI,
papa legítimo, é eleito Clemente VII como antipapa residente em Avignon.
Papas e antipapas se sucediam e se excomungavam, a ponto de se ter a
impressão de que toda a cristandade estivesse excluída da Igreja. Foi o
Grande Cisma, que fez a Igreja num certo período ter três papas! Os
cristãos, e mesmo os sábios e santos, não tinham mais muita clareza
sobre quem era o papa verdadeiro.
França, Espanha e
Escócia reconheciam Clemente VII como papa legítimo; Itália, Inglaterra,
Irlanda, Boêmia, Polônia, Hungria e Alemanha reconheciam Urbano VI. E os
santos? Santa Catarina de Sena apoiava Urbano VI e chamava de demônios
encarnados os eleitores de Clemente VII; já São Vicente Ferrer
reconhecia como verdadeiro papa a Clemente VII. Certamente, para o povo,
era mais difícil ter alguma certeza.
Para salvar a unidade
da Igreja, alguns teólogos passaram a defender a Teoria Conciliar: os
bispos reunidos em Concílio detêm o poder da Igreja, acima do Papa. No
fundo, o que se queria era garantir a eleição de um único e legítimo
papa e recuperar a unidade eclesial.
Somente o Concílio de
Constança (1414-1418) conseguiu acabar com o Cisma, com a eleição
unânime de Martinho V (1417-1431) após a renúncia do papa legítimo
Gregório XII.
Conseqüências
Após tantos
conflitos, divisões, papas sem visão pastoral e universal, não é de se
estranhar que, aos olhos do povo cristão, uma Igreja nacional,
controlada pelo poder do Estado, fosse a melhor solução. Isso aconteceu
e foi uma das causas que explicou o sucesso da Reforma Protestante na
Europa.
Na França, em 1438 se
ratificou como lei estatal a Teoria Conciliar, a proibição de apelar
para Roma como última instância, limitações dos direitos da Santa Sé nas
nomeações para ofícios e benefícios na França. Somente em 1905, o Papa
voltou a nomear os bispos franceses.
Na Alemanha, os
príncipes usurparam a jurisdição eclesiástica em seus territórios com a
imposição de taxas sobre os bens eclesiásticos. O sentimento anti-romano
era muito forte, cunhando-se até a expressão “doutor em Roma, burro na
Alemanha”.
Na Inglaterra, a
descrença em relação a Roma se fortaleceu com o Cativeiro de Avignon:
aos olhos dos ingleses o papa era instrumento do soberano francês contra
quem a nação inglesa se empenhou em longa e violenta luta. Vários
decretos do século XIV negam ao papa o direito de nomeação para os
ofícios eclesiásticos ingleses, proíbem o apelo a Roma e a introdução
das Bulas papais. De fato, a Igreja inglesa era independente de Roma.
Na Espanha, a unidade
religiosa foi considerada básica para a unidade nacional. Em 1478 nasceu
a Inquisição Espanhola sob controle estatal. Em 1492, com a reconquista
dos domínios muçulmanos – o reino de Granada – ao sul da Península
Ibérica e a conquista da América, Portugal e Espanha adquirem o direito
do Padroado, pelo qual assumiram o governo da Igreja.
Esses fatos podem
explicar, em parte, o porquê da tragédia religiosa do século XVI, quando
um frade reformador, Martinho Lutero, provocou a divisão religiosa e
política da Europa cristã. Séculos de relaxamento pastoral no coração da
Igreja Romana afastaram numerosos povos e nações. Lutero simbolizou, com
seu gesto, as numerosas gerações que clamavam pela reforma da Igreja.
1307 – A violenta ganância de Filipe de Valois,
a subserviência abjeta de Clemente V e o Ataque insano aos Templários
O monarca francês e seu papa marionete
fizeram chegar ao conhecimento dos Grãos-Mestres do Templo e do Hospital
que planejavam uma nova Cruzada contra os muçulmanos utilizando-se das
forças conjuntas das duas Ordens Bélico-religiosas ainda em ação,
devendo elas fundir-se numa nova Ordem sob o comando dos Hospitalários.
Convidados a Poitiers, nas
imediações de Paris, Jacques de Molay, Grão-Mestre do Templo e Foulques
de Villaret, Grão-Mestre dos Hospitalários, deveriam apresentar-se a 1º
de novembro de 1306, Dia de Todos os Santos. Jacques de Molay, de posse
de um plano detalhado para uma nova cruzada e um arrazoado detalhado
acerca da inconveniência da fusão entre as duas Ordens religiosas e
militares, chegou ao encontro com vasta antecedência. Foulques de
Villaret, atrasou-se à reunião, dela se retirando na primeira
oportunidade. Jacques de Molay ficou sozinho: uma ovelha em meio a
lobos, hienas e chacais...
Por volta do dia 20 de
setembro de 1307 Filipe de Valois enviou cartas lacradas a todos os
senescais do reino com ordens expressas de que somente fossem abertas na
noite de quinta-feira 12 de outubro. O falecimento de Charles de Valois,
irmão de Filipe, determinou uma viagem do Grão-Mestre Jacques de Molay
que, sem nada desconfiar, ocupou lugar de destaque nas exéquias sendo
mesmo um dos que carregaram o esquife do príncipe falecido no próprio
dia 12 de outubro, véspera de sua captura...
Quando as cartas foram
simultaneamente abertas, a ordem expressa do rei resumia-se em: “os
Templários são acusados de graves heresias e crimes devendo ser todos
aprisionados e postos a ferros na madrugada de sexta-feira 13 de outubro
de 1307”. Data daí a crença de que toda a sexta-feira 13 é um dia
aziago.
Estarrecidos, os Templários
pouco ou nada ofereceram em termos de resistência entregando-se aos
soldados do Rei sem entender as acusações mas acreditando firmemente
poder comprovar sua inocência.
Relata-se que, por mais que
todo o procedimento tenha sido mantido em rigoroso sigilo, 3 carroças
carregadas com o que provavelmente seria o tesouro dos Templários saíram
do Templo em Paris em direção a local incerto e jamais se soube o
paradeiro daquele tesouro. Sabe-se que, em função de suas atividades de
proteção a peregrinos em direção à Terra Santa, os Templários dispunham
de uma grande frota de navios que, misteriosamente desapareceram das
costas da França. Muito se especulou: teriam ido para a Escócia, aonde a
influência de Filipe de Valois e Bertrand de Got não chegava? O que é
ainda motivo de pesquisa é o paradeiro do Tesouro dos Templários e de
seus navios misteriosamente desaparecidos.
Extração de confissões e
execuções
Os calabouços eram locais extremamente
úmidos, insalubres, desconfortáveis, criados para quebrar a vontade dos
prisioneiros, acorrentados durante todo o tempo. A estas aflições
acrescentou-se uma série de outras práticas comuns na França embora
proibidas em outros países civilizados: a tortura sistemática. Contra os
Templários aprisionados utilizavam-se a torquês (arrancava-se a
panturrilha com uma torquês afiada e nela se despejava chumbo
derretido), a Roda (esta era planejada para esticar tanto o corpo da
vítima que muitos vieram a óbito), as surras e chibatadas e tormentos
indescritíveis que somente cessavam diante da confissão do que o Rei e
seu papa fantoche haviam estipulado. Os templários deveriam confessar,
entre outras coisas absurdamente estapafúrdias que:
_ Praticavam sistematicamente a sodomia,
o homossexualismo (heresia, prática antinatural e crime hediondo)
_ Adoravam uma cabeça mumificada ou um
ídolo demoníaco cognominado de Baphomet.
_ Em seus rituais de Iniciação eram
obrigados a renegar o Cristo e cuspir na Cruz.
O que mais causou
espanto à opinião pública foi o fato de tantos homens pios, devotados a
dedicar sua vida à causa de Cristo, em sua maioria originária de
famílias nobres estivesse envolvida em tais práticas inverossímeis sem
que em décadas ninguém emitisse qualquer palavra sobre tais heresias
antes que fossem violentamente torturados.
Nos anos que se
seguiram, a ordem foi sendo quebrada em vários países. Na Espanha e
Portugal, continuou ativa na guerra contra os muçulmanos, Foi fundada
por D.Dinis de Portugal, a Ordem de Cristo, que era a mesma coisa, mas
com outro nome. Posteriormente já no século XV Infante D.Henrique se
torna Grão-Mestre da Ordem de Cristo e inicia as Grandes Navegações
Portuguesas. Na Alemanha, os Templários desafiaram a todos para provar
sua inocência. Na Inglaterra as torturas eram legalmente proibidas.
Embora tenha ocorrido uma única execução de um Cavaleiro Templário em
solo inglês pela Santa Inquisição, jamais se ouviu de qualquer deles
confissão alguma dos delitos que lhes eram imputados.
Na Escócia a bula
Papal nunca foi lida e nenhuma prisão foi feita. Mais tarde seriam uma
das influências de uma nova Ordem que surgiria junto as sociedades dos
pedreiros-livres (os mesmos que construíram as catedrais góticas com
base nos aprendizados da Construção do Templo de Salomão). Há
fortíssimos indícios que, desta união entre os Templários e as Guildas
de Pedreiros Medievais formaram a base do que viria a ser a Maçonaria.
Naturalmente, com o passar dos anos, todos os que tinham justos motivos
para ocultar-se dos rigores da Igreja juntaram-se aos Maçons
(Rosacruzes, Alquimistas, Pitagóricos, Órficos, Astrólogos, Cabalistas...)
De 1307 a 1314 o
Grão-Mestre Jacques de Molay além de preceptores da Ordem como Hugo de
Piraud e Godofredo de Charney permaneceram encarcerados e submetidos às
mais hediondas formas de tortura.
Jacques de Molay
contava 70 anos de idade quando, a 18 de março de 1314 foi amarrado a
uma estaca numa ilha remota do rio Sena em companhia de seus
companheiros de cela. Protestando inocência até o último momento, as
últimas palavras do último Grão-Mestre do Templo ainda ecoam através do
tempo:
“Senhor,
Permiti-nos refletir
sobre os tormentos que a iniqüidade e a crueldade nos fazem suportar.
Perdoai, ó meu Deus, as calúnias que trouxeram a destruição à Ordem da
qual Vossa Providência me estabeleceu chefe. Permiti que um dia o mundo,
esclarecido, conheça melhor os que se esforçam em viver para Vós. Nós
esperamos, da Vossa Bondade, a recompensa dos tormentos e da morte que
sofremos para gozar da Vossa Divina Presença nas moradas
bem-aventuradas.
Vós, que nos vedes
prontos a perecer nas chamas, vós julgareis nossa inocência.
Intimo o papa
Clemente V em quarenta dias e Felipe o Belo em um ano, a comparecerem
diante do legítimo e terrível trono de Deus para prestarem conta do
sangue que injusta e cruelmente derramaram.”
Seja como for,
Bertrand de Got (Clemente V) efetivamente faleceu 40 dias depois da
Intimação do Grão-Mestre e Filipe de Valois (“O Belo”) em um ano também
morreu, causando grande impressão a todos quantos testemunharam as
palavras finais do Grão-Mestre do Templo.
Relembremos que a
época era cultuadora de relíquias e que os assistentes da execução
colheram restos mortais dos mártires executados usando-as como
autênticas relíquias...
O Julgamento da História
De tudo o que aconteceu nos eventos
daquele tempo sombrio fica clara a crueldade de Filipe de Valois, que
não se detinha diante de nada para levar a cabo seus intentos
maliciosos.
O uso sistemático da tortura
priva o ser humano da Razão e, tal como ficou provado durante os
períodos de tortura por que a humanidade tem passado (do Império Romano
à Ditadura Militar Brasileira) o supliciado confessa o que quer que o
torturador queira ouvir ou implante em sua mente.
Diante da legislação
internacional o uso da tortura para obtenção de confissões não é
admissível: o supliciado confessa qualquer coisa que o torturador queira
ouvir!
Havendo sobreviventes dos
Templários e de seus pensamentos e ensinamentos em vários pontos do
mundo aonde não chegava a autoridade de Filipe de Valois ou de Bertrand
de Got encontram-se seres humanos honrados, nobres, cavalheirescos e,
como já se enfatizou mais de uma vez, um dos mais poderosos pilares de
sustentação ou mesmo formação da Maçonaria como a conhecemos hoje.
O nome do último Grão-Mestre
dos Templários, Jacques de Molay, é hoje lembrado com carinho e respeito
por jovens de todo o mundo na Ordem que recebeu o seu nome, suprema
justiça histórica!

Grão-Mestres do Templo
Hugo de Payns 1119 –
1136
Roberto de Craon 1137 – 1149
Everardo de Barres 1149 – 1152
Bernardo de Trémélay 1152 – 1153
André de Montbard
1153 – 1156
Bertrand de Blanquefort 1156 –
1169
Filipe de
Nablus 1169 – 1171
Arnold de Torroja
1180 – 1184
Gérard de
Ridefort 1185 – 1189
Robert de
Sablé 1191 – 1193
Gilberto
Erail 1194 – 1200
Filipe de
Plessiez 1201 – 1209
Guilherme de Chartres 1210 – 1232
Pedro de Montaigu 1219 – 1232
Armando de Périgord 1232 – 1244
Ricardo de Bures 1244 –
1247
Guilherme de Sonnac 1247 – 1250
Reinaldo de Vichiers 1250 – 1256
Tomás Bérard 1256 –
1273
Guilherme de Beaujeu 1273 – 1291
Teobaldo Gaudin 1291 – 1293
Jacques de Molay 1293 – 1314
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da Ordem DeMolay":

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BIBLIOGRAFIA:
- Os
Templários – Piers Paul Red – Ed. Imago
- Templários,
os Cavaleiros de Deus – Edward Burman – Ed. Nova Era
- O Templo e
a Loja – Michael Baigent e Richard Leigh – Ed. Madras
- Nascidos do
Sangue – John J. Robinson – Ed. Madras
- Os Grandes
Julgamentos da História – Os Templários – Claude Bertin – Otto
Pierre Editores
- A História
Secreta da Maçonaria – Charles W. Leadbeater – Ed. Madras
Dicas de Leitura;
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Os Templários - Piers Paul Read
Pesquisa na Internet:
Filmes:

Cruzada - Kingdom of Heaven
- Cruzada
(Kingdom of Heaven),
com Liam Neeson
e Orlando Bloom,
direção
de Ridley Scott

A Promessa - Maomé, o mensageiro de Alá
- A
Promessa (The Message),
com Anthony Quinn, direção de Moustapha Akkad
O Filme "A
Lenda do Tesouro Perdido" traz belas e poéticas ilações relativas à
Maçonaria. Recomendo enfaticamente!

- A Lenda
do Tesouro Perdido (National Treasure),
com Nicolas Cage, direção de John Turteltaub
Lázaro Curvêlo Chaves.’.M.’.M.’.
Ouça o Hino da
Maçonaria, de autoria de D.
Pedro I, em
Real Audio.
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