Até quando
Palocci se mantém no cargo?
Vai ficando a cada dia mais complexa a situação de Palocci
no Ministério da Fazenda. Ele vinha sendo poupado pelo PSDB
e pelo PFL por estar realizando o um tipo de política
econômica ainda mais conservadora e benéfica aos interesses
do grande capital especulativo internacional, lesivo aos
interesses legítimos dos trabalhadores brasileiros dos 8
anos da Era Tucana. As pequeninas diferenças dizem respeito
apenas a uma agudização nas agruras e no rigor do
encaminhamento até então dado à política econômica:
aumentou-se e mantiveram-se elevadas as taxas de juros e os
impostos pagos pelos cidadãos, ampliando o fosso social
entre os mais pobres e os mais ricos – com o requinte do
humor negro de gosto discutível de informar precisamente o
contrário...
Mas mentiu à CPI
dos Bingos no dia do aniversário de Antônio Carlos Magalhães
Neto, quando vários senadores estavam ansiosos para que a
sessão da CPI terminasse rápido a fim de que pudessem passar
à festa de aniversário do cacique pefelista baiano.
Há uma casa no
Lago Sul de Brasília que servia de quartel-general a Antônio
Palocci, Rogério Buratti, Vladimir Poleto, Ralf Barquete e
outros, no que se passou a chamar de “República de Ribeirão
Preto” onde, segundo se levantou, praticava-se o tráfico de
influência e forte desvio de dinheiro público para
finalidades menos honrosas. Ao término das reuniões e em
outras ocasiões a casa serviria ainda de local em que se
promoviam orgias sexuais com as moças que trabalhavam para a
“promotora de eventos” Jeanny Mary Corner.
No depoimento do
dia do aniversário de ACM Neto, Palocci afirmou
“categoricamente”, com cara de moço bom e debaixo de intenso
aplauso e conivência de tucanos e pefelistas que “jamais
esteve e sequer sabe onde fica a tal casa”. De repente um
motorista, o zelador da casa, a promotora de eventos e uma
quarta testemunha afirmam, também “categoricamente”,
inclusive com ampla cobertura na imprensa, que Palocci era
um freqüentador assíduo da casa em questão, que era chamado
de “chefe” e transportava dinheiro em espécie que muitas
vezes era transferido a outras mãos sabe-se lá com que
finalidades.
Segundo as
lideranças governistas isso é a palavra de meros
trabalhadores braçais contra a palavra de um Ministro de
Estado (quem imaginaria tal inversão de valores justamente
no PT?). Mais, um dos Senadores Petistas, membro da CPI dos
Bingos, entrou com um pedido de liminar para suspender o
depoimento do caseiro Nildo (o mais devastador de todos até
aqui, equivalente ao motorista Eriberto, da época do Collor
de Mello) com base em que esta estaria exorbitando de suas
atribuições e invadindo o direito à privacidade de um
brasileiro. O ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal
Federal, concedeu a liminar e o depoimento foi suspenso. A
tempo, contudo, de o caseiro reafirmar na íntegra a sua
entrevista à imprensa e mesmo ratificar o fato de haver
testemunhado pessoalmente a forte amizade pessoal e aliança
estrita entre Palocci e Buratti (amizade que também foi
negada pelo Ministro no depoimento do dia do aniversário de
ACM Neto).
Por mais que
Palocci seja o queridinho dos bancos e do mercado, portanto
também do PSDB e do PFL, os dois maiores partidos
oposicionistas de direita ao governo Lula mudaram o tom:
agora querem a cabeça de Palocci. Arthur Virgílio Neto (PSDB
– AM), senador mais próximo, ideologicamente, de Palocci que
a maioria dos petistas, foi à tribuna do Senado Federal na
última quinta-feira e declarou que não há mais como este
cidadão, mentiroso, seguir no poder. Seguindo discurso na
mesma linha os senadores Antero Paes de Barros (PSDB – MS),
Tasso Jereissati (PSDB – CE), Antônio Carlos Magalhães (PFL
– BA) e José Agripino Neto (PFL – RN) constatam “com pesar”,
“sem a menor alegria no coração” que Palocci mentiu à CPI e
não tem mais condições de ser o Guardião da Moeda Nacional.
Em resposta,
Lula assevera que Palocci permanece no cargo e este ataque
seria devido ao seu sucesso e ao parco desempenho de Alckmin
nas pesquisas de opinião quanto ao voto para a sucessão
presidencial que, por sinal, Lula assevera não haver ainda
decidido se será candidato ou não, desmentindo com atos suas
palavras cotidianas.
Assim se resume
a defesa do governo Lula:
1) Está todo o mundo
mentindo e só Palocci falando a verdade.
2) O Ministro não é culpado.
Culpada é a oposição e a mídia por levantar e demonstrar a
maneira excêntrica como o Guardião da Moeda Nacional utiliza
recursos públicos.
A questão de
fundo em política é: até quando o único ministro que contava
com o apoio e a simpatia da oposição consegue se manter no
poder uma vez perdida a confiança nele depositada?
E o Meirelles?
Este foi esquecido, ninguém fala mais nele. O tucano, hoje
Ministro Presidente do Banco Central, até então um completo
desconhecido, regou com tantos recursos (de onde?) a sua
campanha eleitoral que foi o deputado federal mais votado do
Brasil em 2002 alegando à Justiça Eleitoral que, no ano
anterior, residia no Brasil. Ao Fisco, declarou que em 2001
morava nos EUA, portanto não tinha de declarar sua renda à
Receita Federal Brasileira. Sem dúvida alguma ele mentiu
para o Fisco ou para a Justiça Eleitoral Brasileira. Ao
contrário de Palocci, adotou como estratégia de defesa o
silêncio, a evasão, evitar prestar qualquer depoimento,
prometer apresentar-se e não fazê-lo e, quando a temperatura
esquentou com a seqüência interminável de denúncias de
corrupção no governo Lula o tucano ficou mais “na moita” do
que nunca e como a sua política econômica de juros altos
agrada enormemente a banqueiros e jogadores bem
representados no Congresso Nacional (ao contrário do comum
dos mortais, sub-representado naquela Casa) vai se
mantendo...
Lázaro
Curvêlo Chaves – 17/03/2006
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