Pirotecnias eleitorais
Tapando buracos
O governo levou 3 longos anos para perceber que as estradas
federais brasileiras estão em mal estado de conservação. E o percebe de forma
tão excêntrica que, apesar de todas as denúncias de corrupção – sem provas, que
nenhum corrupto teve o cuidado de dar o recibo do jabá – iniciará um
“investimento” maciço de recursos para tapar buracos em algumas das estradas
mais vistosas em 2006, sem licitação. Como de costume, haverá oportunidade para
o desvio de recursos de várias formas e maneiras: muitos lucrarão fabulosas
quantias com esta medida, provavelmente sucedânea daquela que seria oriunda da
grande gastança inútil que seria resumida em obra de transposição de parte das
águas do Rio São Francisco.
É a chance de o PT, sob a desculpa
de tapar buracos nas estradas, tapar os buracos nas contas do Partido. Como a
sociedade brasileira está incrivelmente anestesiada, resta deixar o registro do
episódio para estudos das futuras gerações.
Relatório da CPI Mista dos
Correios
Antes que o relator, deputado Osmar Serraglio, PMDB – PR,
apresente o relatório final o PT já anuncia que elaborará um relatório
alternativo citando a corrupção ao tempo de FHC pois, alegam os petistas, o PT
não inventou a corrupção no Brasil, apenas a pratica de maneira mais ampla,
aberta e descarada.
A questão não é “quem inventou a
corrupção”. Não é tampouco estudar a corrupção do passado – de Pedro Álvares
Cabral a FHC, de resto concreta mesmo – mas a corrupção praticada
sistematicamente pelo PT, que está no exercício do Poder após haver passado 20
anos de sua história combatendo e informando que, tão logo fosse governo,
lutaria ferozmente contra estas práticas.
A defesa do PT é de uma tremenda
falta de caráter, de absurda falta de senso de ética: “todos praticam a
corrupção, nós também”.
Prioridades
O Brasil foi um dos países que menos cresceu no mundo inteiro
durante este início de século, perdendo apenas para o Haiti, ocupado por tropas
brasileiras. A distribuição de rendas piorou pavorosamente, transformando
trabalhadores em clientes do Estado paternalista, dependente de programas
sociais. Diante deste quadro, qual a prioridade de um governo, nem vamos pensar
em “esquerda” que este conceito foi esvaziado pelo PT no Brasil, mas de um
governo minimamente comprometido com a eficiência, com a boa gestão pública?
Investir em Saúde e Educação, certo? Errado! É antecipar em dois anos o
pagamento da dívida externa ao FMI e ao Clube de Paris. Os que fazem isto hoje
são do mesmo grupo de pessoas que, minutos antes, protestava nas ruas contra o
pagamento da dívida externa e contra a política econômica recessiva e
entreguista...
Surge uma nova concepção para
a traição e o embuste, agora contrabandeado para o seio mesmo da luta dos
trabalhadores contra a exploração e a miséria. Para o especulador internacional,
a grana. Para aqueles que geram o dinheiro com o seu trabalho, o onipresente
discurso vazio contra a fome e a pobreza.
Eleições/2006
Após vermos a tucanização do PT ficamos com duas alternativas
que significam rigorosamente a continuidade do mesmo que sempre se teve neste
país. Por um lado Lula, com seu discurso grandiloqüente, inculto e totalmente
descolado da realidade a dirigir uma política econômica restritiva, recessiva e
entreguista e, por outro, a ameaça da volta dos tucanos a fazer uma política
econômica restritiva, recessiva e entreguista mas recapeada pelo discurso
pseudo-intelectual das Universidades.
Nenhuma das duas propostas (PT e
PSDB) contempla a mudança prática por que o povo brasileiro anseia. Ambas seguem
a mesma linha. A escolha fica entre o encaminhamento do discurso: como é que
você prefere? Vulgar, chulo e repetitivo ou pseudo-intelectual e academicista?
Lázaro
Curvêlo Chaves – 30/12/2005
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