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Patrimônio vale mais que a vida humana...
Da “Folha on Line”: “Preso nessa terça-feira (6), Adriano da Silva, 25, confessou envolvimento na morte de 12 crianças no Rio Grande do Sul, de acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil. Ele disse aos policiais que praticou os crimes por prazer.”
“Acusado de assassinar crianças no Rio Grande do Sul, Adriano da Silva, 25, ficará preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. Os detentos, na unidade, ficam em celas individuais. A penitenciária, com capacidade para 288 presos, abrigava 285 antes da transferência de Silva, segundo a Superintendência dos Serviços Penitenciários. A Secretaria da Justiça e da Segurança do Estado afirma que a transferência foi necessária para garantir a integridade física do acusado, detido, inicialmente, em Lagoa Vermelha. Silva foi preso nesta terça-feira (6) e confessou a morte de 12 crianças, segundo a Polícia Civil. A participação do acusado nos assassinatos ainda é investigada. As vítimas, com idades entre 8 e 14 anos, foram mortas nas cidades Sananduva, Passo Fundo e Soledade. Os crimes teriam sido cometidos a partir de agosto de 2002, conforme registros policiais. “Ele disse que sentiu vontade”, afirmou o delegado de Sananduva, Celso Rigatti.”
Conheci um sujeito que efetuou nove disparos de uma arma calibre .38 matando sujeito numa discussão banal e foi para a casa. Dia seguinte procurou a delegacia mais próxima, confessou o crime e entregou-se. Como não havia queixa e o crime foi meramente “passional”, ou seja, numa arma que comporta 6 balas no tambor e precisou ser recarregada para os nove disparos, sendo a vítima uma pessoa de parcos recursos materiais ( ou seja, “pobre” ), o sujeito respondeu pelo crime em liberdade e teve uma pena de dois ou três anos que, por sinal, cumpriu em liberdade! Seu advogado explicou que se ele entrasse num banco ou outro estabelecimento comercial com intensão de efetuar um assalto e, no processo, ferisse alguém com um disparo de arma de chumbinho, mesmo sem ser preso em flagrante ficaria preso pelo resto da vida, pois atentou contra uma coisa mais preciosa que a vida humana aos olhos do governo brasileiro: o Patrimônio! Este acima, que matou sabe-se lá quantas crianças “por prazer” tem a regalia de um presídio confortável e, se tiver bom comportamento, sai livre para matar mais crianças em pouquíssimo tempo, como ocorreu com os assassinos da Daniela Perez que, livres, estão com a ficha limpinha, afinal, mataram “por prazer”, não foi para subtrair-lhe a preciosidade do Patrimônio, foi um crime miseravelmente “passional”... A Constituição Federal promulgada em 1988 tem 90% de seus artigos defendendo a propriedade privada, o Patrimônio. Meros 10% mencionam a vida humana, coisa de somenos... Só “mencionam”, que na prática a vida segue sem grande importância diante do Patrimônio, dos bens materiais, da posse... No caso acima eu grifei a frase: “A participação do acusado nos assassinatos ainda é investigada.” Não meramente por ser crime monstruosamente hediondo – as crianças sofreram abuso sexual, não se sabe ainda se antes ou após a morte... - ou pelo fato de o assassino confesso ter dado a localização exata de vários restos mortais (de alguns só restava mesmo a ossada...) mas porque o “suspeito” teria matado “por prazer” e não para subtrair o preciosíssimo Patrimônio fosse de quem fosse... Que fique bem claro: nem a polícia, nem o aparelho Judiciário brasileiro são culpados deste tipo de comportamento. Cumprem à risca a letra da lei. A culpa recai sobre os governantes e legisladores deste país, todo de cabeça para baixo. O presidente da república subornou o Congresso Nacional – seguindo exemplo de seu antecessor – para subtrair direitos previdenciários e ampliar a cobrança de tributos. Sempre com vistas a “ampliar o superávit primário” acima dos rigores cobrados pelo FMI numa subserviência que não tem identificação de ianque em aeroportos que oculte este fato: somos uma colônia estadunidense e ponto final! Jamais lhe ocorreu encaminhar alguma coisa valorizando mais a vida humana, só pensa no Capital, na coisa morta, na materialidade mercadológica que atende àqueles que subvencionaram sua campanha. Estas coisas impressionam muito! Se você emitir um cheque sem a devida provisão de fundos ficará com problemas creditícios por até cinco anos. Já se matar uma pessoa e alegar que foi “por prazer” ou “em momento de transtorno” ou algo assim, sem problemas! No máximo em três anos seu nome estará limpinho, limpinho... Parece que o Estado Nacional Brasileiro estimula a agressão à pessoa, ao ser vivo e pune e desestimula qualquer agressão ao Patrimônio. Em nome de Deus, quem inventou essa história maluca de o Patrimônio valer mais do que a vida humana???
E o “Estatuto do Idoso”?
Votado pelo Congresso Nacional (sem a concorrência do Planalto que somente apareceu através do Ministro Berzoini, da Previdência Social, que determinou aos idosos com mais de 90 anos a presença imediata nos postos de atendimento para provar que não estavam mortos sob pena de perder seus parcos e minguados proventos) só “entrou em vigor” no papel. Determinação legal, cabe ao Executivo cumprir a decisão ou dela recorrer. Não parece que venha a acontecer uma coisa ou outra. Bem ao sabor do “jeitinho brasileiro”, o Estatuto não “pegou”, particularmente nos “pormenores” que estão relacionados à vida e à dignidade do ser humano idoso (passagens gratuitas intermunicipais, atendimento médico e medicamentos preferenciais, etc). Se na maior parte das culturas e civilizações da humanidade (bororo, azteca, esquimó, japonesa, islâmica, etc) o idoso é respeitado e tratado como reserva ética e cultural de seus povos, no Brasil o idoso é tratado como “peso morto”, Berzoini que o diga... Ao invés de procurar os funcionários fantasmas com altíssimos salários que seguem intocados, decidiu-se a torturar velhinhos em filas monstruosas e somente após muita crítica, inclusive internacional, decidiu-se a retratar-se e voltar atrás da medida embora contasse com o apoio incondicional do presidente da república...
Sucessão municipal rio-pardense
O órgão oficial de imprensa da Direita Rio-Pardense criticou, em seu “mural”, acremente, o PT local. Os dois partidos do mesmo espectro político estão se desentendendo. Resta (além de considerar isso engraçadíssimo) ao PT uma alternativa, também à direita, claro, que, no Rio de Janeiro foi e segue sendo um cataclisma: o PSB, localmente, consta, com problemas judiciais bem sérios além de pautar-se pelo assistencialismo mais descarado (este parece ser o único diferencial deste partido, também de direita, a exemplo do PSDB e do PT, o “assistencialismo”, o fato de se cumprir as raras leis brasileiras que atendem ao ser humano como se estivesse prestando um serviço pessoal, opcional, vinculando o receptor da “benesse” eleitoralmente ao seu “benfeitor”...). Descartada pelo Partido contra os Trabalhadores qualquer aliança com a esquerda autêntica, representada pelo grupo político que freqüenta estas páginas, o PT, tremendamente desgastado a nível nacional – onde já ficou claro a intelectuais e parlamentares tratar-se de um partido classicamente fascista – tende a aliar-se com a direita assistencialista, repita-se, com problemas jurídicos ligados justamente a esse tipo de comportamento... É começo do ano, tudo isso é mera especulação mas eu insisto: Celso Amato tem de vencer todas resistências e atender a esta convocação cívica! O povo rio-pardense não pode ficar entre escolher uma direita neoliberal clássica, uma direita fascista e uma direita assistencialista. Temos de ter uma alternativa popular, a esquerda autêntica que, em São José, é este grupo que hoje representa!
Lázaro Curvêlo Chaves - 10/01/2004
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