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PT precipita campanha à reeleição de Lula

 

            Há os institutos formais de pesquisa de opinião e há a consulta informal, as pesquisas que nós mesmos fazemos. Em 1982, por exemplo, se dependesse das pesquisas e da contagem de votos da Rede Globo e do grupo Proconsult/Racimec o Governador eleito teria sido Moreira Franco e não o mais votado de fato, Leonel Brizola. Foi a mobilização dos cariocas e fluminenses, tentando informalmente descobrir quem diabos tinha votado no candidato da Ditadura Militar que se mobilizaram para garantir a posse do mais votado...

            Isto me volta à memória porque as recentes pesquisas de opinião – você já encontrou, por acaso, alguém que tenha sido “pesquisado” por um destes institutos? Tenho 46 anos de idade e já morei em 4 Estados da Federação, nunca conheci entrevistado algum... – as pesquisas, enfim, dão a Lula algo como 47% de aprovação.

            Conversando com amigos, ex-alunos e colegas professores encontro um índice bem menor. Francamente tendente a 0%. Recentemente viajei a São Paulo, onde passei dois dias, sempre conversando com as pessoas, nos transportes coletivos, nos ambientes que freqüentei e, pessoalmente, não houve uma única voz em defesa de Lula, ao contrário!

            Fiz amigos em Balneário Camboriú, Florianópolis, Lages e outras cidades de Santa Catarina, pela Internet. Ninguém – 0% - nenhum de meus amigos e conhecidos, de esquerda, direita, “centro” se essa coisa existe, ninguém está satisfeito com Lula.

            No Rio meus Amigos ressaltam um índice de aprovação igualmente tendente a zero.

            É claro que uma pesquisa assim informal não tem a característica da cientificidade mas, a menos que aconteça algum tipo de milagre, dificilmente o Partido (dito) dos Trabalhadores fará um único senador da república no próximo ano nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Haverá eleições para alguns deputados federais daqueles Estados, mas em número medíocre. Lula não se elege presidente nestes estados seja lá quem for o seu opositor. A maioria tende a optar pelo “mal menor” que seriam os tucanos. Pessoalmente sou Radical. Não voto em mal menor nem mal maior. Se não aparecer algo de bom, repito, voto no Euclides da Cunha – número 98 na urna eletrônica e aperto a tecla “confirma”.

 

Programa Político “Gratuito”

           

            Segunda-feira passada já pudemos perceber o dano da perda do mago Duda Mendonça para a campanha de Lula da Silva à reeleição e a outros magnatas do PT para cargos eletivos, em especial no Estado de São Paulo.

            O forte do eleitorado petista está, hoje, entre os multimilionários jogadores da bolsa de valores e banqueiros de um lado – aqueles que mais lucraram com este desgoverno e esta política econômica assassina – e, por outro, entre o Lumpemproletariado, aquelas pessoas que dependem do compadrio, do jeitinho, do assistencialismo, das muitas bolsas-esmola governamentais. Seu fraco está na classe média.

            O programa levado ao ar na última segunda-feira mostrava uma única atriz desempenhando vários papéis, todos ligados à classe média e o mote era a “auto-ajuda”, caríssima ao Presidente da República, aquela coisinha medíocre  e vulgar de “dar descarga no pessimismo” e procurar ver somente as coisas boas.

            As coisas boas do governo petista se resumem basicamente a: jamais antes na história do Brasil os bancos haviam lucrado tanto e a inflação continua contida (parte da “herança maldita” de FHC), mas a que preço?

            Segundo Luís Carlos Ewald em seu livro extraordinário “Sobrou Dinheiro”, quem depositou R$ 100,00 na Poupança em janeiro de 1997 tem em conta, em novembro de 2005, R$ 292,89. Por outro lado – uma impossibilidade lógica que os Bancos, o SERASA e o SPC não permitem que se chegue a este ponto, serve somente para conhecermos o quanto nos custa o controle da inflação - quem tomou R$ 100,00 emprestados num Banco em janeiro de 1997 e não fez qualquer amortização até novembro de 2005 está devendo hoje R$ 359.225.169,35 (TREZENTOS E CINQÜENTA E NOVE MILHÕES, DUZENTOS E VINTE E CINCO MIL, CENTO E SESSENTA E NOVE REAIS E TRINTA E CINCO CENTAVOS!.

            Teorias econômicas sérias informam da elevada importância em se manter um bom nível de recursos em Poupança. Teorias neoliberais rapinantes e tributárias do pensamento único, unidimensional, falam da necessidade de se manter taxas subversivas de juros para conter a inflação. Sempre a preocupação com o Capital; o ser humano, ora, votando em quem defenda o Capital, contra a própria vida, está resolvido o problema, seja dos petistas-lulistas, seja dos tucano-pefelistas.

            A inflação está sob controle – será mesmo? Por que será que cada vez gasto mais dinheiro para comprar cada vez menos coisas, então? – mas ao preço de elevado desemprego e desespero. No Brasil de Lula, sacrifícios humanos sangram, gritos de horror e desespero cortam a noite ao meio...

 

Essa propaganda funciona?

 

            Se o programa “gratuito” atingiu a classe média é uma incógnita. Seguramente simplificou em muito o trabalho das oposições de direita, que saberão identificar Lula com a classe média – a que passarão a chamar de “elites”, mantendo os gigantescos tubarões da economia preservados em respeitoso silêncio, que é para eles que se governa (governa?) este país, e buscar captar a simpatia dos trabalhadores e do Lumpemproletariado.

            A meu ver, trabalhadores e classe média estão para lá de escaldados com o PT. Sua base eleitoral será principalmente a do grande capital internacional – que pode eventualmente preferir um tucano de verdade no poder ao invés de um clone – e o Lumpem, dependente das bolsas-esmola e facilmente persuadidos pelos únicos meios de comunicação a que têm acesso: rádios e televisões. No Brasil, rádios e televisões são concessões estatais e o governo de turno pode contar com sua ampla simpatia.

            Os infelizes que se arrebentam de trabalhar por uns pouquíssimos caraminguás ou que passam a maior parte do tempo buscando em si a deficiência por não estar trabalhando – acreditam mais no que diz o radinho de pilha ou a TV e é com este eleitorado principalmente que Lula conta para se reeleger e fazer senadores e deputados federais pelo Brasil afora ano que vem.

            Do Espírito Santo para baixo, considero isso muito, muito difícil. As pessoas levam uma vida menos sacrificada, menos infeliz, menos desgraçada. Tendem a ser mais letrados, mais lúcidos, melhor informados... Da Bahia para cima o perigo é grande: o neocoronelismo petista-lulista deverá fazer um profundo estrago.

            De todo o modo, é difícil a previsão em ciência política. Há muita água a correr por baixo de muitas pontes até outubro de 2006...

 Continua... Clique aqui.

Lázaro Curvêlo Chaves – 24/11/2005

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