Questão de Segurança
Diante do drama uma uniformidade, os responsáveis pela tragédia, de ontem e de
hoje, se unem no mesmo discurso: “não vamos procurar culpados...” Vá lá, é
imperativo conter esta encrenca que está acontecendo agora, sem sombra de
dúvida! Um esforço na direção do “que fazer para que isto não se repita” é
também imperativo e, neste sentido, encontrar as raízes do problema.
Como foi possível que pessoas presas
deixassem a maior cidade do país refém durante um período tão prolongado
(concluo estas notas e ainda não se sabe se acabou ou não!)? Como é possível que
prisioneiros encarcerados por graves transgressões ao Código Penal praticamente
controlem suas “operações” de dentro das cadeias?
E você aí que já está torcendo o
nariz: “ah, eu sei o que esse cara vai dizer, a velha história da injustiça
social, blábláblá...” É! Você mesmo! Já parou para refletir a sério sobre esse
tema ou está esperando que o treco deixe de atingir o teu vizinho e, só quando
TE atingir vais começar a pensar no assunto? Espera aí, não larga o
jornal não! Vamos refletir sobre essa encrenca, sô!
Há quanto tempo “todos nós sabemos”
que ao deixarmos de educar e ofertar empregos decentes às novas gerações estamos
condenando-as, previamente, ao cárcere? E ninguém faz nada, só discursa e com
discursos não se contém esse processo...
Nós precisamos arregaçar as mangas e
organizar as coisas! Ficar esperando que “o pessoal lá em cima” organize não
funciona. Eles SE organizam em associações de licitude discutível para
seus fins privados e se esquecem do “ilustríssimo eleitorado” segundos após se
fecharem as urnas. Enquanto a nossa cidadania se limitar a escolher, no mercado
de candidatos, “o menos ruim” para nos representar, vamos ficar emparedados
neste paradoxo: nós damos os poderes para que eles organizem a nossa vida e eles
organizam (e muito bem) as deles, à nossa custa! Não dá... Chega!
Os prisioneiros são culpados? Como,
se estão cativos do Estado? O Estado é o culpado! Este de hoje, sim, governado a
nível federal pelo Lula e estadual pelo Cláudio Lembo. São responsáveis os
políticos – TODOS, não livro a cara de nenhum! – eleitos e reeleitos que se vêm
demonstrando incompetentes para suplantar este (entre tantos) de nossos
problemas.
Francamente, já ultrapassei o limite
de minha paciência. Não é mais possível delegar poderes a gente que transforma
até o idioma português em outra coisa – é “tucanês” uma hora, na outra é a
“novilíngua petista” e a realidade, a vida real e as gentes perdem!
((Aos mais sensíveis, se chegaram
até aqui, afirmo: eu escreveria com um cipó se tivesse um, mas só disponho deste
chicote grosso aqui... Me viro como posso!))
Então “votar nesta turma não
funciona, vamos tentar aquela outra”... Deixando o Estado banqueiro no Poder?
Até quando? Vamos parar de ser conformistas, gente! Esse Estado aí já era,
faliu, quebrou, acabou, soçobrou. Moralmente, politicamente, policialmente...
Incapaz de prestar sequer a mais elementar segurança ALIMENTAR, arreganha os
dentes e lambe os beiços, velho Leviatã desgraçado, extraindo cada vez mais de
nosso sangue, suor e lágrimas para mandar o fruto disso tudo para os bancos.
Esse Estado banqueiro do mundo neoliberal globalizado é o pior de todos os
monstros que a história da humanidade já inventou. Não é útil a nós, seres
humanos vivos, em absolutamente nada.
Você sabe exatamente do que estou
falando. Uso a mesma metáfora colocada pelos Irmãos Wachovski no filme Matrix,
que não cessa de me admirar: “enquanto o Estado existir, a humanidade não poderá
ser livre nem feliz!”
Não tem conversa! É impossível
alimentar pintassilgos com granadas, distribuir flores com tanques de guerra ou
fazer o Estado ser útil ao ser humano. Granadas matam. Tanques destroem, matam.
O Estado é uma máquina (viu? Máquina, demônio de máquina!) destinada ao
controle; não há como usar um treco intrinsecamente mal como o Estado para fazer
algo de bom e ponto final. O paradigma, se o há, está em outra parte!
Muito, muito, muito chateado
com isso tudo,
Lázaro Curvêlo Chaves – 19/05/2006
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