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Festa da Democracia?

 

O povo brasileiro foi convidado a mais uma festa da democracia. Bem dentro da nossa tradição democrática, quem não aceitou o convite precisa explicar muito bem os motivos da recusa, sob pena de não poder viajar ao exterior, não poder abrir contas em banco, tirar documentos de identificação ou prestar concurso público.

Dentro dos preparativos para a festa, algumas pessoas receberam convites especiais em suas casas. Para que tivessem a subida honra de organizar a festa e nela trabalhar em jornada estendida, tiveram de arcar com as despesas inerentes a este serviço não-remunerado, como passagens e refeições. E, naturalmente, como é uma honra muito grande, recusá-la poderia implicar em pagamento de multa pesada, além de a recusa ser considerada desobediência judicial e poder ensejar até processo criminal.

Durante a festa se vêem pessoas que dificilmente saem de casa apinhadas nas gigantescas filas democráticas. Embora estejam participando de uma festa cívica estão irritadas, contrariadas, sobrecenhos carregados, nervos à flor da pele, irritam-se com tudo e com todos entre suspiros: “deixei meus quatro filhos na casa da sogra e vim com uma amiga”, “um candidato bonzinho me deu carona, senão nem sei como ia fazer”, “a gente perde o dia inteiro”, “não sabia que existia tanta gente!”, “tive de abandonar meus filhos e meu lazer para vir até aqui”.

Todos têm clara consciência do que estão fazendo na festa. Onde a festa é facultativa, não compulsória, como na Europa, estima-se a participação entre 20% e 30% dos cadastrados. Nos EUA, onde a participação nesse tipo de festa também é opcional, a participação fica por aí, 18% a 25%. Penso que em nossa terra, dadas as características de multidão e imposição, até 30% dos participantes vão por acreditar alegremente na festa. A maioria preferia estar alhures. A maioria esmagadora e esmagada dos brasileiros participa da festa para não ter o seu nome sujo nem perder a oportunidade de arranjar emprego quando a crise passar, se passar.

Já está passando da hora de a democracia brasileira atingir o nível de outras do Ocidente como aquelas da América do Norte (México, EUA e Canadá) ou da Europa (Portugal, Espanha, Inglaterra, etc.) onde a participação eleitoral é facultativa, ou seja, o voto é um direito, não um dever.

O brasileiro lutou muito por participação democrática durante a ditadura militar. Agora a luta é para que o Estado Nacional Brasileiro pare de nos tratar como débeis mentais necessitados de tutela e pare de invadir nossos direitos, consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, mesmo que o façam “em nome da democracia”.

 

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