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Quem são os loucos?"Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos."
Não há loucos no Brasil não há mais loucos Quando elegemos um operário para defender-nos e ele nos ataca, Quando todos dormem placidamente e concordam com a esbulha, Quando o cristão justifica a espoliação e a miséria, Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo Fala de um país em que o operário “repete a multiplicação dos pães”... Não há loucos no Brasil não há mais loucos O líder guerrilheiro guerreia agora contra o povo Faz as contas: mais um voto e a gente diminui o salário do povo “Vamos dar quarêiiinta porcêiiinto para os planos de saúde” “Salário só aumêiiinta quando tiver crescimêiiinto sustêiiintado” Faz as contas: “juros 19 porcêiiinto, impostos 40 porcêiiinto” “Salário só aumêiiinta quando tiver crescimêiiinto sustêiiintado” (Vai aprendendo o sotaque do inferno, canalha! Vais precisar dele...) Arranca uma fortuna da mesa do pobre E manda para pagar os juros da dívida E ela aumenta Para os salários, a saúde e a educação não há dinheiro “Paciêiiincia” Com a pena impede o crescimento, com a boca diz: “Salário só aumêiiinta quando tiver crescimêiiinto sustêiiintado” Não há loucos no Brasil não há mais loucos Como é que se sabe quando se perde o juízo? Todo o mundo está contente. Desempregado mas contente, Faminto mas contente, Sem teto mas contente, Analfabeto mas contente, Riem. Com os olhos sangrando riem Com os filhos chorando riem Não sei de que(m) riem Cinco séculos de paciência e a recompensa “Paciêiiincia” Já perdi a paciência com tanto pedido de paciência! Nas escolas se estudam formas de desqualificar o discurso revolucionário “Coisa ultrapassada!” “Pensamento démodé!” “Que imperialismo que nada!” “Viva a globalização!” “Isso é conversa de comunista!” “O comunismo está morto!” “Globalização iguala todo o mundo!” “Que classes diferentes que nada!” Na saída, uns vão com o chofer para a zona sul, outros pegam o trem lotado para a periferia. Não há loucos no Brasil não há mais loucos Sapo barbudo! Sapo Iscariotes! Ladrão da Verdade! Canalhantropo verocida! Transformar o Templo da Nação no Templo da Traição! O rei está nu e todos aplaudem... Sapo barbudo, essa roupa bonita, Foi costurada com o sangue de tua gente! Teu parente d’Espanha, O espalhafatoso fantasma do deserto, Gargalhou pisoteando seu povo por quarenta anos. Tu queres vinte. Não sei se mereces. O povo não merece!
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