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Algumas do Mário Quintana
Às vezes a gente pensa que está dizendo bobagens e está fazendo poesia.
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Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão
Eu passarinho!
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O que mais me comove em música
São estas notas soltas
-- pobres notas únicas --
Que do teclado arranca o afinador de pianos.
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Quem fica viúvo é o defunto...
Por que este não casa mais.
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Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.
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Respostas a uma entrevista:
- Qual o maior poeta brasileiro atual?
- Deixa disso. Nenhum poeta é cavalo de corrida para ser obrigado a chegar em primeiro lugar.
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Cada pessoa pensa como pode ...
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Já que existe uma "semana inglesa" aos sábados à tarde, bem poderia haver uma "segunda brasileira de manhã" para a gente curar a ressaca do domingo...
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As sereias usam fecho ecler.
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Essas distâncias astronômicas não são tão grandes assim:
basta estenderes o braço e tocar no ombro do teu vizinho.
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Rezar é uma falta de fé: Nosso Senhor bem sabe o que está fazendo.
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Tenho pena da morte - cadela faminta - a que deixamos a carne doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável.
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A gente deve apertar uma campainha com tanta delicadeza como se aperta o umbigo da dona da casa.
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Despertador é bom para a gente se virar para o outro lado e dormir de novo.
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Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?
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- Por que você nunca se casou?
- Por uma simples questão de estatística: há no mundo muito mais viúvas do que viúvos.
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Por causa tua, quantas más ações deixei de cometer.
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O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.
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O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.
Mário Miranda Quintana (1906/1994), gaúcho de Alegrete, era conhecido como "o poeta das coisas simples". Após a Revolução de 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, retornando a Porto Alegre em 1936, ocasião em que foi trabalhar na Livraria do Globo, sob a direção de Érico Veríssimo. Traduziu obras de Proust, Voltaire, Virginia Woolf, Papini e Maupassant. Seus inúmeros livros foram reunidos em um único volume, intitulado Poesias (1962), tendo, depois dessa data, escrito Pé de Pilão, Batalhão das Letras e Apontamentos de História Sobrenatural, dentre outros. Dessas publicações extraímos o texto acima.
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