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Duplipensar PSTU

Plenária nacional da CUT ratifica apoio à reforma Sindical

Esquerda cutista sofre derrota fragorosa e legitima a vitória de Marinho
Diego Cruz
da redação do Opinião Socialista

Aconteceu o que todos sabiam que aconteceria. A 11º Plenária Nacional da CUT, a segunda mais importante instância de deliberação da entidade, atrás somente do congresso, ratificou com esmagadora maioria o apoio da central à reforma Sindical do Fórum Nacional do Trabalho. A votação sobre a reforma, principal tema da Plenária, ocorreu na manhã desta quinta, dia 11, e o seu resultado expressa claramente a verdadeira situação atual da Central Única dos Trabalhadores.

Antes da Plenária, a esquerda cutista vendeu para as suas bases a idéia de que estavam a beira de ganhar a plenária, para evitar o peso que a proposta de ruptura com a CUT vem ganhando. Agora deveriam rever suas posições, romper com a CUT e vir pra a Conlutas.

Muitas teses e pouco peso
Foram apresentadas seis teses sobre a reforma Sindical. A tese 1 “O Desafio de Mudar a Estrutura Sindical Brasileira” foi defendida pela Articulação Sindical, ampla maioria da direção da central. A tese 2, “Uma Reforma Sindical para Ampliar a Liberdade de Organização e Democratizar o Mundo do Trabalho”, foi apresentada pela tendência Democracia Socialista (DS), que no movimento sindical apresenta-se como CUT Socialista e Democrática (CDS). Ambas as teses defendiam a reforma.

Outras quatro teses se opunham à reforma. A tese 3 “Reforma Sindical é um retrocesso para o Sindicalismo”, da Corrente Sindical Classista/PCdoB, a tese 4 da corrente petista O Trabalho, “Defender a CUT contra essa reforma e a Divisão”, a tese 5, do P-SOL “O Desafio dos trabalhadores é enfrentar o neoliberalismo e a retirada de direitos” e a tese 6 “Contra a retirada de direitos. Que os ricos paguem pela crise”, que foi defendida por correntes da esquerda petista como Articulação de Esquerda e Alternativa Sindical Classista.

Apesar do grande número de teses contra a reforma, a esquerda da CUT se encontrava em posição extremamente minoritária e totalmente isolada no plenário, confinada ao canto direito do auditório. As falas dos dirigentes da esquerda cutista eram freqüentemente interrompidas pelas vaias da grande maioria do plenário, formada por delegados da Articulação.

Jorginho, dirigente da esquerda cutista, falou: “Dizem aí que quem está contra a reforma está com os pelegos. Mas o pelego maior, o Paulinho da Força Sindical, anda por aí pra baixo e pra cima de mãos dadas com o Marinho” . Na verdade, o pelego maior do país é o próprio Marinho, mas isso seria exigir muito de Jorginho.
Júlio Turra, da corrente O Trabalho, atacou mais a Conlutas do que a própria reforma. “Estamos aqui pra defender a CUT da divisão destrutiva da Conlutas”, disse, se referindo ao único setor que trava desde o começo a luta contra a reforma.

Na hora da votação da tese, pôde-se ver o real peso da esquerda na CUT. As duas teses defensoras da reforma tiveram a absoluta maioria dos votos. Mesmo com todos os delegados da esquerda cutista votando em todas as teses de oposição, não obtiveram juntas mais que 10% do plenário.

A disputa então ficou entre a DS e a Articulação, as grandes defensoras da reforma. No segundo turno, venceu a tese da Articulação. A esquerda se absteve nessa votação, completamente derrotada. “Muitos companheiros da própria articulação foram eleitos na base dos servidores federais contra a reforma” , declarou Bernadete Menezes, que foi insistentemente vaiada. “Vocês são maioria e não querem ouvir a minoria? Expulsem a gente!” , respondeu ela ao plenário.

Emendas
Após ser derrotada na votação das teses, a esquerda da CUT tentou tirar a defesa da reforma através de emendas. Mas aí, a derrota foi ainda mais desmoralizante. O Partido da Causa Operária (PCO) apresentou uma emenda, mas não teve sequer a preocupação de defendê-la ao conjunto dos delegados. O secretário-geral da CUT, que presidia a Plenária, chamou diversas vezes por algum militante do PCO, mas ninguém apareceu.

Desta forma, o PCO que recentemente deu um giro à direita e passou a defender a CUT, atacando o PSTU por “abandonar a disputa por dentro”, nem apareceu para apresentar sua própria emenda. Como a apresentação das emendas ocorreu logo após a votação das teses, todos perceberam que o PCO sequer esteve presente para votar contra a reforma Sindical. O interessante é que essa reduzida corrente realiza uma campanha difamatória há algum tempo afirmando que, caso o PSTU se mantivesse na CUT, a esquerda cutista poderia derrotar a reforma.

PCdoB junto com Articulação
O P-SOL então apresentou uma emenda retirando o apoio da CUT à PEC 369. Na defesa da emenda, o dirigente Agnaldo Fernandes fez um apelo ao PCdoB para votar contra a reforma. Outra emenda também contra a reforma foi defendida por O Trabalho, pela Articulação de Esquerda e demais correntes da esquerda petista.

A CSC/PCdoB, no entanto, juntou-se à Articulação e à DS para aprovar uma emenda que mantém o projeto da reforma Sindical exatamente como está. A emenda afirma que a CUT vai defender uma reforma que promova “a liberdade sindical, contra a intervenção do Estado, em defesa das representações nos locais de trabalho” e outros termos genéricos que já estão na própria reforma. O vice-presidente da CUT, Wagner Gomes, do PCdoB, deu uma resposta pouco educada a Agnaldo. “Quem decide como vota a CSC é a própria CSC”, afirmou. E na Plenária, a CSC decidiu ficar ao lado de Marinho e a favor da reforma, a partir do acordo pela unicidade sindical.

Pela Articulação Sindical, o próprio Marinho defendeu a “emenda”. Ele ainda criticou a esquerda da CUT, que o vaiava sempre que pegava o microfone. “Com esse comportamento, vocês deveriam ser coerentes como o PSTU e sair da CUT”, disse. Porém, Marinho fez uma ressalva, elogiando a corrente O Trabalho. “Elogio aqui os companheiros do Trabalho que fazem o debate democrático em todo o país” , afirmou Marinho, que apenas criticou a ausência da corrente na marcha pelo salário mínimo em Brasília.

Jorginho fez então uma questão de ordem para dizer que a esquerda da CUT vem promovendo um intenso esforço para garantir a “unidade da central” e que, portanto, era injusto Marinho pedir que eles saiam da CUT. Neste momento, Luís Marinho aproximou-se de Jorginho e lhe deu um caloroso abraço. Ainda abraçado a Jorginho, corrigiu sua fala: “Quero vocês dentro da CUT, não quero ninguém fora”. Assim, reconhecia papel da esquerda cutista na legitimação de sua vitória.

No final, completando a desmoralização da esquerda cutista, a emenda da DS, Articulação e PCdoB foi aprovada por maioria esmagadora da Plenária Nacional da CUT.

E agora?

As correntes da esquerda da CUT , que foram esmagadas nessa plenária, devem tirar suas conclusões. Como nos dizíamos, não existem condições para disputar a CUT por dentro, como esses grupos defendiam. E hora de romper com a CUT e vir construir a Conlutas.
 

 

 

 
Assédio moral no Bradesco provoca até suicídio

 

O assédio moral - uma das principais questões enfrentadas pelos bancários hoje - é um dos muitos problemas que transforma a rotina dos trabalhadores do Bradesco num verdadeiro inferno diário.

 

No último dia 8 de maio (domingo), a gerente geral Marli da Costa Souza Gonçalves, de 44 anos, que trabalhava em uma agência de Santos, no litoral de São Paulo, não agüentou a pressão e suicidou-se.

 

Em protesto, a diretoria do Sindicato paralisou, durante todo o dia 9/5, a unidade do Bradesco para denunciar o ocorrido à população. "Ela vinha sofrendo pressões insuportáveis desde que o BBV (seu antigo banco) foi incorporado pelo Bradesco", contam amigos. Há menos de um ano já havia sofrido infarto.

 

Bancária há 25 anos, depois de ter trabalhado em vários bancos, ela reclamava que sua vida mudou para pior quando o Bradesco adquiriu o BBV. A gerente vinha sendo assediada moralmente pelo banco com ameaças de demissão para cumprir metas impossíveis e agora, por um crime que não cometeu. Por isso, fazia acompanhamento médico utilizando antidepressivos.

 

Fábrica de doentes

 

A morte de Marli é o desfecho mais dramático de uma rotina infernal que persegue os trabalhadores do Bradesco pelo país afora.

 

Os sindicatos de bancários denunciam que, apesar de ser o banco com o maior índice de crescimento e lucratividade no país -teve lucro no primeiro trimestre de R$ 1,205 bilhão, o dobro do registrado em igual período do ano passado e 14% superior ao ganho dos três últimos meses de 2004- o Bradesco não abre mão de ser também o campeão em ganância e exploração de funcionários adotando práticas que incluem sobrecarga de trabalho, pressão de chefia para cumprimento de metas e para não fazer horas extras, o que significa trabalhar em ritmo alucinante, sem falar no medo constante de ser o próximo da lista dos demitidos.

 

Além de ser o campeão em LER/DORT, muitos casos tem surgido de bancários com Síndrome do Pânico, doenças gastrintestinais, entre outras. Por esses e outros motivos é que o Bradesco ganhou da categoria o título de Fábrica de Doentes.

 

"Esta maneira de tratar as pessoas sempre foi problema no Bradesco. Basta lembrar a atuação do banco durante a greve do ano passado, quando a empresa foi das que mais interditos proibitórios interpôs contra o movimento, obrigando o trabalhador a não exercer seu direito legal de lutar por melhores condições de salário e de trabalho. Vamos continuar com atividades na agência Silvio Romero e também em outras agências e concentrações, até que se instaure uma política responsável de gerir as pessoas na empresa", afirma o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região,  Walcir Previtale Bruno.

 

Mas apesar do merecido título de Fábrica de Doentes, essas práticas não são privilégio do Bradesco, mas ocorrem em todo o sistema financeiro, conforme vem denunciando há tempos a Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT).

 

Mulheres sofrem mais

 

Nas oficinas sobre o tema que a CNB-CUT tem promovido em várias cidades, tem sido possível constatar que o perfil do sofrimento mental da categoria bancária vem se agravando nos últimos anos, sobretudo entre as mulheres, que são as vítimas potenciais do assédio moral. De cada 10 bancários que sofrem desse tipo de assédio, oito são do sexo feminino.

 

Esses dados são confirmados no projeto de pesquisa "Assédio Moral na Categoria Bancária: uma experiência no Brasil", lançado recentemente.

 

Francisco Bitu, um dos coordenadores do projeto lembra que a pesquisa começou a ser formatada em 2002, quando o Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Crédito de Pernambuco (SEEC-PE) fez um trabalho de caracterização de assédio moral como acidente de trabalho. "A Previdência Social aceitou nossa tese e começamos a trabalhar. Hoje o projeto é coordenado pelo Sindicato de Pernambuco, em parceria com a CNB-CUT, com o financiamento do Fundo para Igualdade de Gênero-FIG, que é uma entidade canadense", destaca.

 

O primeiro passo do projeto foi a realização de oficinas de sensibilização, que ocorreram em vários Estados. O segundo passo será o envio de questionários para as federações de bancários de todo o país que, por sua vez, encaminharão para os Sindicatos. "Através desses dados tabulados, poderemos ter um raio-x do assédio moral por banco, além de podermos tipificar os assédio que é praticado nessas instituições", cita.

 

Ao final do trabalho, será elaborada uma cartilha com orientações para a categoria, que poderá servir de base para orientar projetos de Lei federais para inibir a prática. Atualmente existem mais de 80 projetos de lei referentes ao tema em diferentes municípios do país. Vários projetos já foram aprovados em cidades como São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis, Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema, Campinas, entre outros.

 

Luiz Saraiva, médico do trabalho que assessora o projeto no SEEC-PE, diz que as mulheres primeiramente são vítimas do assédio sexual no ambiente de trabalho. "Quando essa abordagem não funciona, o agressor parte para o assédio moral incisivo", coloca. Nos bancos, assim como nos diversos segmentos laborais, existe ainda a questão racial e o assédio moral contra as minorias, como é o caso dos homossexuais. "Ser diferente traz embutida uma grande possibilidade de ser vítima do fenômeno", destaca o médico.

 

O cumprimento de metas aliado ao perfil dos superiores, que adotam uma postura rígida e grosseira com os subordinados, potencializa o fenômeno nos bancos. "A atividade bancária é estressante e complexa, propiciando esse tipo de assédio", ressalta.

 

 

Mais contratações


Com o intuito de coibir a pressão psicológica que os funcionários sofrem para atingir metas, os sindicatos e a CNB lançaram no mês passado uma campanha por mais contratações. O objetivo é criar melhores condições para o bancário desempenhar suas funções sem a excessiva pressão de todos os dias. Os funcionários do Bradesco, em conjunto com os sindicatos, vão exigir isenção de tarifas, auxílio-educação, inclusão dos pais no Saúde Bradesco, um amplo a democrático Plano de Cargos e Salários - extinguindo, por exemplo, os "gerentes genéricos".

 

Informe-se mais sobre Assédio Moral em www.assediomoral.org

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