Relatório da CPMI dos Correios
A marca central
do governo Lula se constitui em incompetência, corrupção e busca de uma
centralização autoritária.
Lida pelo Relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB – PR), da
base de sustentação do governo petista, a CPI dos Correios traz alguns avanços,
pois localiza efetivamente o esquema do mensalão que é “uma realidade” e “não se
trata de caixa dois, mas de compra de apoio político”. Nele, Lula é citado como
ciente das operações, já que foi avisado pelo ex-deputado Roberto Jefferson e
teria pedido ao então ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, que tomasse
previdências. Sem esclarecer o que houve como resultado das “providências”
solicitadas, ou seja, nada, o relator falha ao não explicitar o óbvio. Se Lula
sabia e se o mensalão de fato existiu (e era de seu interesse) como é possível
que ele seja isentado?
Avança ao sugerir o indiciamento de petistas como José
Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Luiz Gushiken e Marcelo Sereno, além do
publicitário Marcos Valério, entre outos.
Citado no relatório por crime eleitoral – por sinal já
prescrito –, o senador Eduardo Azeredo (MG) divulgou nota na tarde da
quarta-feira se dizendo “indignado” e recebeu apoio de alguns parlamentares
tucanos. Serraglio só busca pontuar que o esquema do mensalão começou em Minas
Gerais e o PT o aprendeu aos tucanos, eis tudo.
Avança ainda ao
repelir a versão de que aquela dinheirama toda, espalhada entre parlamentares
ligados à base de sustentação do governo teria origem em “recursos não
contabilizados”, que é a fórmula usada na novilíngua petista para expressar o
que condenava nos outros no passado mas que com hoje convive serenamente: a
prática de caixa 2, outro crime. Diz o Relator: “É reduzir-se em demasia a
inteligência dos brasileiros imaginar que será bastante dizer que os milhões não
foram distribuídos a parlamentares, mas sim corresponderiam a caixa dois de
campanhas”.
As fontes dos recursos “do valerioduto” seriam principalmente
os cofres públicos – o seu, o meu, o imposto que todos nós pagamos, os maiores
impostos do mundo – como o Fundo de Recursos da Visanet, gerido pelo Banco do
Brasil. Ainda segundo o deputado Serraglio, os empréstimos feitos pelo PT, no
valor de R$ 55 milhões, no Banco Rural e BMG são “mera formalidade contábil e
financeira” para a montagem de uma farsa para mascarar a verdadeira origem dos
recursos.
Este relatório está sendo vigorosamente questionado
principalmente pela base governista (da qual Serraglio faz parte) e deverá ser
votado até terça ou quarta-feira próximas. O PT ameaça apresentar um “relatório
paralelo”, na prática voltado a fazer com a CPMI dos Correios o mesmo que já
fizeram com a CPMI do Banestado: inviabilizar o seu encerramento para que tudo
acabe em pizza. Ou samba.
Bolsa-esmola resolve alguma coisa?
Peça de
propaganda governamental, a bolsa-esmola – girando em torno de R$ 15,00 a quem
conseguir provar que consegue sobreviver com uma renda mensal de R$ 50,00, o que
dá uma dimensão da miséria em que nosso povo se encontra – busca por um lado
compensar os seres humanos pela rapina do capital, por outro servir como
permanente peça de propaganda governamental. A injustiça social no Brasil acaba
servindo à eleição e reeleição de políticos conservadores pró-capital e a esmola
governamental transforma chefes de família em clientes do Estado. A bolsa-esmola
é uma confissão gritante da incapacidade de gerar empregos. O pacote vem
completinho e se repete, como de costume, em todos os países periféricos
subordinados aos EUA: para que o preço do dólar e o risco-país fiquem em baixos
patamares e a inflação esteja sob controle (o que interessa aos jogadores) é
fundamental a prática de juros elevados, um controle rigoroso dos salários e a
liberação de preços.
Esse tipo de política econômica, outrora criticada por vários
economistas no Cone Sul, como Manteiga no Brasil, por exemplo, gerar desemprego
e concentração de renda, a Herança Maldita, em síntese, foi assimilado e se
busca capitalizar práticas assistencialistas junto às massas iletradas. Não é à
toa que o discurso irracional de Lula da Silva se dirige precisamente para os
iletrados, assim mantidos por sua própria política, mas incapazes de
vislumbrá-lo. Este raciocínio vale para todo países da América Latina que
optaram por se deixar globalizar pela grande potência do Norte, por sinal.
Lázaro Curvêlo Chaves –
31/03/2006
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