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A Origem do Rito Escocês
Autor: Ir.'. Kurt Prober
Ao
contrário do que vulgarmente se acredita, o RITO ESCOCÊS nada tem a ver
com o Estado da ESCÓCIA, pois na época do aparecimento deste rito, as
Lojas de lá trabalhavam no Rito de YORK, como em toda a Grã-Bretanha.
Afirmam certos historiadores tradicionais, mas sem jamais terem podido
comprová-lo ou documentá-lo, que a criação de graus "inefáveis" deste
rito se teria procedida logo depois da terminação da primeira Cruzada
(1099 D. C.), na Escócia, na França e na Prússia, simultaneamente. Mas
tudo isto é pura fantasia, bastando dizer que a Prússia então, como
Estado, ainda nem existia. Houve isto sim, a criação de inúmeros
"títulos" honoríficos de "Ordens de Cavalaria", mas estas nada tinham a
ver com a Maçonaria.
É
muita vontade de criar uma falsa antiguidade, hoje em dia muito usual na
Arte Real, e muito similar, á idéia de ANDERSON, ao publicar, depois de
sua famosa CONSTITUIÇÃO DE 1723, uma nebulosa "HISTÓRIA PATRIARCAL DA
MAÇONARIA" (começando em 3785 A. C. E terminando na Inglaterra em 1714
DC). É a conhecida "Maçonaria Romanceada", que sistematicamente nos é
apresentada pelos nossos editores "especialistas", em traduções de
literatura estrangeira barata, por não estarem os historiadores
patrícios dispostos a pesquisarem a história da maçonaria AUTÊNTICA, e
com isenção de animo nem a nossa história querem analisar.
Mas o que a maioria destes escritores fez, foi escrever a história da
maçonaria "NA" Escócia, começando pelo famoso EDITAL da Cidade de
Edinbourgh, de 1415, permitindo a constituição de uma "Corporação de
Franco-Burgueses", e a Arte Real, que se foi desenvolvendo depois disto.
Fato é, que o RITO ESCOCÊS surgiu na FRANÇA, e isto depois de lá ter
sido introduzida a Maçonaria Inglesa, naturalmente do Rito de YORK.
A
primeira Loja foi instalada em 1 de junho de 1726, na adega "AU LOUIS
D'ARGENT", á rua dos Açougueiros (rue de Bucherie), de propriedade do
inglês "HURE", loja esta que teria sido fundada por Lord DERWENTWATER e
Ld. HARNOUESTER.
Em
17 de maio de 1729 foi instalada uma segunda Loja, fundada pelo
filantropo francês André-François Lebreton, numa outra adega da mesma
rua. Só em 1732 surge a LOGE DE BUSSY, sob jurisdição inglesa, que
recebeu o N° 90 e o nome de "KING'S HEAD AT PARIS" e foi provavelmente
sucessora da "Louis D'Argent". E até 1735 mais três lojas foram ai
fundadas sob a jurisdição da Gr. Loj. Inglesa.
Consta, que por volta de 1728 teria sido fundada a Grande Loja de
França, pelo menos é isto que ela mesma afirma em sua nova Constituição
de 1967 (Ref. F-1967,936), mas o que se sabe é apenas, que entre 1728/30
um "Ordre des Francs-Maçons dans le Royaume de France" organizou o seu
"Regulamento Geral", dentro dos moldes da Organização Inglesa, elegendo
para seu primeiro Gr.: M.: o Príncipe Philippe de WHARTON, ex-Gr.: M.:
da Grande Loja de Londres, que em 1728 se tinha refugiado em Paris.
Foi ele sucedido por James-Hector Mac Leane, Cavaleiro "Baronnet
D'ECOSSE", em 27 de dezembro de 1735. E foi este que fixou todos estes
fatos para a posteridade, num manuscrito recentemente encontrado na
Biblioteca Nacional de Paris, e já falando ele de GRANDE LOJA, de modo
que é mais do que provável, ter este titulo sido adotado um pouco antes
pelo seu antecessor, digamos entre 1730/35. Em seguida o supremo malhete
passou para as mãos de Charles Radclyffe, "4° Conde de Derwentwater", em
27 de dezembro de 1736, e depois para o Duque D'AUSTIN, neto de Madame
de MONTESPAN, em 1738.
E
tanto isto é verdade, que ANDERSON em seu "New Book of Constitution",
impresso em Londres em 1738, á página 195 diz textualmente o seguinte:
"... Todas ESTAS Lojas Estrangeiras (... Acabara de relacionar as Lojas
inglesas no estrangeiro...) estão sob a proteção de nosso Grão Mestre da
Inglaterra; entretanto, a Loja antiga da cidade de Nova York, e as Lojas
da ESCÓCIA, da Irlanda, da França e da Itália, tendo declarado a sua
Independência, tem "os seus próprios Grão Mestres: Muito embora tenham
as MESMAS CONSTITUIÇÕES, Obrigações Regulamentos, etc., de seus Irmãos
da Inglaterra, estando igualmente zelando pelo estilo Augustiano e os
segredos da antiga e honorável fraternidade..."
Logicamente outras Lojas e talvez mesmo outras potências administrativas
foram surgindo logo, e a índole latina foi imediatamente modificando e
alterando a ritualística da maçonaria tradicional inglesa, para o seu
gosto por demais rígida e sem dar o destaque ás castas governantes e
militares, que sentiram a necessidade de se projetarem sobre os maçons
burgueses.
Se
na Inglaterra, aonde a Arte Real já vinha de longe, depois de 3 séculos
de lutas religiosas e políticas, o povo já tinha encontrado o seu MODUS
VIVENDI dentro da tolerância, a que prudentemente se tinha adaptado o
clero aristocrático, os presbiterianos e os anglicanos, isto já não
acontecia na França, onde a maçonaria era cousa nova.
Assim por volta de 1730/35 surgiu na França o Rito Francês e o Rito
ESCOCÊS nos graus simbólicos, Pouco tempo depois foram inventados os
graus "inefáveis", que paulatinamente foram sendo acrescentados ao
"MAITRE ECOSSAIS".
Já
em 1742, afirmam os historiadores contemporâneos, estava formada a
"Maçonaria ESCOCESA", organizada pelo "Conseil des Empereurs d'Orient et
d'Occident, Grande e Souveraine Loge Ecossaise Saint Jean de Jerusalem",
uma subsidiaria surgida no seio da Grande Loja de França, que organizou
o Rito Escocês, também adotando o sufixo ANTIGO E ACEITO, usado pela
primeira vez por ANDERSON, em sua Nova Constituição de 1738.
E
quando finalmente foi eleito para Gr.: M.: o Conde de CLERMONT, Louis de
Bourbon, em 1743, havia na França uma verdadeira inflação de Lojas, mais
de DUZENTAS, como nos contam historiadores da época, mas sendo muitas
delas "Ordens de Cavalaria".
No
ano de 1758 fundou-se em Paris um novo Corpo Maçônico, que recebeu o
nome de CAPÍTULO, ou "Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente",
e NOVE Comissários deste Corpo elaboraram, o que se tornaria conhecido
como a CONSTITUIÇÃO DE BORDEAUX, de 21 de setembro de 1762 (6° Dia da 3a
Semana 7a Lua Ano 57621, que introduzia um sistema de RITO ESCOCÊS de 25
GRAUS. Mas a pacificação, que se tinha pretendida, não foi duradoura, e
já em 1767 a Grande Loja de França adormecia.
Somente em 22 de outubro de 1773 a maçonaria francesa voltou a reunir-se
em "Grande Loja Nacional", acabando por fundar o Grande Oriente de
França, tendo como Gr.: M.: o Duque de CHARTRES.
A
maioria dos Diretórios ESCOCESES se incorporaram ao Gr.: Or.: de França,
enquanto alguns fundaram a Grande Loja de CLERMONT, de vida efêmera.
Deve ser mencionado aqui, que muitos escritores do passado, e ainda
alguns "copistas" dos nossos dias, costumam citar o nome do Barão
ANDREAS MICHAEL RAMSAY (nascido em 1686, iniciado na HORN LODGE, de
Londres, em Março de 1730 (Ref. F-1973,937), e falecido em 6 de maio de
1743), como "inventor" do Rito Escocês dos "altos graus". Entretanto,
basta a leitura de seus discursos como Gr.: Orador que era da Gr.: Loja
de França, e especificamente o pronunciado em 21 de março de 1737, para
termos a prova da incongruência de tal afirmação, pois disse
textualmente o seguinte:
-... A atividade da Maçonaria, resumida nos TRÊS graus (...
Evidentemente os simbólicos...), e só estes reconhecemos, pode ser
considerada perfeitamente suficiente..."
Pronunciamento este, que bem prova a sua ojeriza aos graus inefáveis,
que já então existiam. Provavelmente o simples fato de ter sido ele
membro da "Ordem de São Lazaro de Jerusalém", da qual era Gr.: Mestre o
Regente FELIPE DE ORLEANS, da educação de cujos filhos esteve RAMSAY
encarregado entre 1715/24, Ordem de que ele recebeu o titulo de
"Cavaleiro Baronnet D'ECOSSE", e ainda o fato de ter sido ele um grande
estudioso e filósofo, por certo bastou aos historiadores profanos para
lhe atribuírem essa "paternidade. Para melhor se compreender a confusão
que existe, basta citar que se conhece "quatro" versões dos Discursos de
RAMSAY: de 1738 (Haya), 1741 (Paris), 1742 (Frankfurt s. M. E de 1743
(Londres).
Vá
lá que RAMSAY tenha colaborado na elaboração das bases para o rito
ESCOCÊS nos TRÊS graus simbólicos, mas nem isto pôde ainda ser
comprovado. E de passagem se diga aqui, que a primeira Loja de
Perfeição, de que se tem noticia, foi criada em Bordeaux, em 1744,
portanto um ano depois do passamento de Ramsay.
Lastimavelmente a Revolução Francesa, ao contrário do que
habitualmente·se afirma, dispersou os Franco-Maçons, que só a partir de
1799 foram paulatinamente se reagrupando no Grande Oriente de França,
que neste ano foi REERGUIDO.
Em
12 de outubro de 1804 os grandes oficiais do Rito ESCOCÊS se reuniram, e
em nova reunião de 22 de outubro de 1804, de Grande Consistório,
formaram uma GRANDE LOJA ESCOCESA DE FRANÇA DO RITO ANTIGO E ACEITO,
elegendo o príncipe Luiz Napoleão para Gr.: M.: e para seu
Representante-Presidente o Conde Alexandre-François-August de
GRASSE-TILLY, mas já em Dezembro do mesmo ano este estabeleceu um acordo
com o Grande Oriente de França, delegando-lhe poderes para administrar,
além dos 3 graus simbólicos, também os graus "inefáveis" de 4 até 18
(Rosa-Cruz).
Mas quando em Julho de 1805 o Grande Oriente de França resolveu também
administrar os restantes graus filosóficos, de 19 em diante, houve um
rompimento entre as duas jurisdições, que só pôde ser sanado em 1821,
quando o Rito Escocês Antigo e Aceito se reorganizou totalmente na
França.
A
atual Grande Loja de França só em 7 de novembro de 1894 foi
RECONSTITUÍDA, quando 60 (sessenta) Lojas do Supremo Conselho decidiram
separar o SIMBOLISMO do Sistema FILOSÓFICO dos Altos Graus. Portanto, na
verdade era "Potência NOVA".
Fonte: História do Supremo Conselho do Grau 33.: do
Brasil
Editôra: Livraria Kosmos Editora
Página: 3-5
Data: 1981
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