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Violência, Semana Santa, Iraque, etc.

 

O que estamos ensinando aos nossos jovens, Futuro do Brasil?

 

“Metade vítimas, metade cúmplices, como todo o mundo” – Jean-Paul Sartre

 

         O ser humano, diz-nos a antropologia social, é enormemente plástico, tem ampla capacidade de adaptar-se a situações as mais diversas e adversas e, quando na infância, no estado de ignorância quase total, não sabe rigorosamente nada, está pronto para aprender literalmente qualquer coisa.

            Ninguém nasce sabendo pensar, se comportar, etc. Tudo é aprendizado. Ensinamos nossos jovens – os pais, familiares, professores e meios de comunicação em geral – não apenas os conhecimentos básicos de matemática, idioma português, maneiras à mesa, etc. Mas também a pensar e como se comportar entre muitas outras coisas.

            Se a criança, o adolescente ou o jovem é tratado como um bárbaro que precisa de freios e controle, de forma cruelmente repressiva, aprenderá não somente a pensar e comportar-se como um bárbaro, mas a ver em todo o adulto um inimigo. Daí estarmos numa situação curiosíssima e completamente patológica: a criança é treinada para ver o adulto com desconfiança e medo; é treinada, por um lado a “ficar calada, se comportar e ouvir”; de outro a “expressar-se e se impor”. Cultura clara e nitidamente esquizofrênica e esquizofrenizante. Ernst Bloch, teórico de Frankfurt enfatizava que “a primeira bandeira da Revolução Francesa que foi jogada fora foi a da FRATERNIDADE”.

            Criem-se crianças, adolescentes e jovens com amor e carinho e eles terão este material (ternura, amor e carinho) para dar a sociedade. Criem-se os jovens com medo e ódio e é precisamente isso que se está dando a eles como substrato para ação. Criam-se jovens com medo e ódio todo o tempo e ainda ousam ficar surpresos quando se comportam como bárbaros, “pitboys” ensandecidos que saem espancando e matando aqueles mais fracos que eles. Com quem se pensa que eles aprenderam a agir assim? A genética não explica essas coisas, pelo amor de Deus! Nunca se localizou algo como “o gen da maldade” ou “o gen do ódio”. Isso é cultural, é aprendizado.

            Ensinamos aos outros como queremos que eles nos tratem. Como estamos educando nossos jovens?

 

Nacional

 

Senador Mão Santa recorda as três formas de ignorância

 

            Médico, o Senador Mão Santa, do PMDB do Piauí, informa em discurso que já foi prefeito de sua cidade, deputado estadual e federal, pediu votos e votou em Lula para presidente e agora julga que o presidente “está sendo enganado”: “Com todo o respeito pelo doutor Palocci, Lula está sendo enganado e a economia não vai bem não, vai mal!”

            Lembrou-nos que, segundo a tradição, há três formas de ignorância: “não saber nada, saber mal o que se sabe e tentar saber algo que não é de sua alçada.” Disse ainda: “Palocci, que é médico como eu, tem conhecimentos superficiais de economia, portanto deve ser responsabilizado por não ter feito nada para mudar a atual situação do país.”

            Lembrou que no governo Sarney havia inflação, mas o Brasil cresceu 8% num tempo em que éramos a oitava economia do mundo. No governo Lula tivemos crescimento negativo e caímos para a 15a posição mundial. Observou ainda que, outrora, o brasileiro costumava usar o equivalente a um mês de trabalho a cada ano para pagar impostos. Citando o jornal governista carioca “O Globo”, informa que hoje são necessários quatro meses e meio a cada ano para saldar seus compromissos só com tributos.

            “_ Tudo isso para o governo ter avião zero, carro zero e nota zero. Ou para sustentar o sr. Duda Goebbels Mendonça. A saída é ter crescimento e trabalho, mas esse governo está perdido no labirinto da economia e enchendo a pança dos banqueiros com a fome e a pobreza do povo do Brasil.”

 

Semana Santa inspira a luta pelos oprimidos

 

A senadora Heloísa Helena (sem partido-AL) ocupou a tribuna na quarta-feira (7 de abril) para conclamar a todos os brasileiros a refletirem sobre a importância da Semana Santa, porque, segundo ela, mostra como Jesus Cristo “combateu a hipocrisia e o falso moralismo em defesa dos fracos, dos oprimidos e na luta por uma sociedade melhor.”

 

Para a senadora, a celebração da Semana Santa é muito importante não somente para os cristãos mas para toda a humanidade, já que serve para fortalecer o sentimento de esperança, de solidariedade e de libertação. De acordo com Heloísa Helena, é necessário que todos os homens interpretem a história de Deus e do Evangelho, já que, observou, representam uma história de luta dos oprimidos, contra todas as formas de opressão.

Heloísa Helena, que disse ser “uma cristã- trotskista, com muita fé”, revelou que de um ano para cá, desde que foi expulsa do Partido dos Trabalhadores (PT), teve a oportunidade de aprender muito sobre o comportamento do ser humano, principalmente com relação aos seus ex-companheiros. Foi nesse período, conforme salientou, que soube como eram “hipócritas” muitos de seus colegas de partido, que chegaram a mudar a sua ideologia política e econômica, defendida ao logo de vários anos, tão logo assumiram o poder.

Concluiu dizendo: “O importante é que estamos aqui para, no decorrer da Semana Santa, celebrar a história de vida de Jesus Cristo, a fé, a liberdade, a esperança, e termos sempre Nele e inspirados Nele motivos para reviver a Sua luta em favor dos oprimidos e no combate às desigualdades.”

 

Internacional

 

            “Bombing people into democracy” – Bombardeando as pessoas na direção da democracia

 

            Assim o “New York Times” define a atuação de George Walker Bush no Iraque. Que iraquiano o convidou a ir até o país impor uma forma política que não tem nada a ver com a tradição daquele povo, a saber a subserviência ao modelo econômico estadunidense? O que fazem os estadunidenses liderando uma “coalizão” de subalternos bajuladores a tantos milhares de quilômetros de casa contrariando decisões da ONU? Na semana que passou foi um derramamento de sangue sem fim: bombardeio a Igrejas (ou Mesquitas) muçulmanas, desrespeito à soberania nacional daquele povo, à sua liberdade de expressão e até mesmo a suas mais expressivas lideranças religiosas. Nunca houve “razão” que justificasse uma guerra, mas o caso iraquiano é emblemático. Trata-se de um massacre sistemático, calculado e calculista de um povo que, por azar, nasceu em cima de um poço de petróleo...

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 10 de abril de 2004

 

 

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