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Brasil não precisa mais do FMI: já aprendeu a errar sozinho

            Há tempos queríamos que o governo brasileiro rompesse com o FMI para nos desatrelarmos da obrigação do pagamento de uma dívida que não reconhecemos como legítima; para nos libertarmos da imposição de um superávit primário elevado e de uma fórmula de controle da inflação com base numa ortodoxia que avilta a vida humana e sacrifica todo o fruto do trabalho humano em nossa terra em benefício da capital especulativo internacional.

            Mais uma vez atraiçoando a confiança do povo e renegando todo o seu passado histórico de lutas heróicas contra as ingerências estrangeiras nos nossos assuntos internos, discursando numa direção e agindo em outra, o governo petista anuncia que não renovará o acordo com o FMI, mas manterá a mesmíssima política econômica, ou seja, seguirá com superávit primário acima daquele que o organismo internacional determina, manterá elevadas taxas de juros e, consequentemente o arrocho tributário necessário a desviar recursos da produção para remunerar o capital especulativo.

            Qual o efeito prático para os brasileiros, da supressão do acordo com o FMI? Absolutamente nenhuma e acrescentamos mais uma expressão para meu “Novíssimo Dicionário da Novilíngua Petista”: Quando o governo diz “Não precisamos mais do FMI, o Brasil já pode caminhar com as próprias pernas.” Entenda-se: “Vamos continuar mantendo os juros mais elevados do mundo, cobrando altíssimos impostos e pagando mais e melhor ao especulador do que ao produtor ou trabalhador. O FMI até nos elogia. Aprendemos tudo sobre economia na escola de quebrar países do FMI e vamos continuar arrochando os brasileiros como nunca antes neste país.

 Gilmar Opiniao Socialista 30/03/2005

Tudo de cabeça para baixo!

 

            Assim como ninguém imaginava possível que Lula nomeasse para comandar o Banco Central um gângster egresso do mercado financeiro e ex-presidente do Bank Boston, tampouco se imaginava admissível supor, antes da eleição de 2002, que ele criaria mais de 45.000 novos cargos em comissão e iniciaria um processo de “caça às bruxas” entre os funcionários de carreira com vistas a substituí-los por gente da chamada base de sustentação do governo, a maioria sem o menor preparo técnico ou critério seletivo que não o de ser “amigo do rei” e estar desempregado, principalmente pela rejeição popular nas urnas em suas terras de origem. Estes são os fatos hoje.

            Os gastos públicos jamais haviam sido tão elevados e desviados de sua finalidade ética na história da república brasileira e nenhum presidente, antes de Lula, ousou cortar tantos investimentos em saúde, educação, saneamento e reforma agrária para desviá-los à ciranda financeira, ao mercado de capitais.

            Sem descer a minúcias atinentes à sinceridade – praticamente nula – dos discursos, eu vivi para ver Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen fazerem pronunciamentos criticando (com pertinência) as práticas direitistas do PT a partir de uma perspectiva de esquerda, defendendo os trabalhadores de toda a prática rapinante do governo petista: supressão de direitos trabalhistas, aviltamento salarial e sacrifício a aposentados e pensionistas. Se alguém ousasse me dizer, durante a campanha eleitoral, que o PT se transformaria num partido como os outros eu ficaria profundamente chocado, ofendido: jamais acreditaria. Hoje constato, entre entristecido e amargurado, um PT ainda mais corrupto que os piores partidos deste país! O desserviço que este partido está prestando à própria noção de “esquerda” no mundo é monstruoso, de reversibilidade demorada, se factível...

            Depusemos a ditadura militar, um pretenso “caçador de marajás” corrupto até a medula para levar ou manter nos postos-chave de poder deste país precisamente as mesmas pessoas egressas dos piores extratos políticos desta Nação? Satanizamos as práticas do FMI e da UDR por anos a fio e acabamos conduzindo ao poder um grupo à direita do diabo? Eu só consigo acreditar porque está acontecendo. Jamais imaginaria possível!

 

A malfadada MP 232 e o recuo do governo

 

            Começa errado: o governo legislando sobre temática tributária através de Medida Provisória. A seguir um anúncio retumbante de que haveria uma “correção na tabela do I.R. em 10%, beneficiando todas as pessoas físicas” e embutem no projeto, às escondidas, uma série de outras medidas que, no final das contas aumenta – mais ainda! – os impostos a todos os brasileiros.

            A sociedade se mobiliza, a grita no Congresso é grande e o governo resolve recomendar à sua base de sustentação – que já não se sustenta sequer a si mesma – que vote contra a MP que o próprio governo encaminhou. Uma vez que a oposição conseguiu desmembrar o desconto de 10% do aumento para pessoas jurídicas e agricultores, ficou ao governo um último recurso: o recuo, “esvaziar”, “obstruir” sessões seguidas da Câmara dos Deputados com vistas a inviabilizar a votação.

            Na noite de quinta-feira, 31 de março, o governo prometeu editar outra medida provisória, já com número 243/04, em substituição à 232/04 – um monstro que se virou contra o seu criador –, incluindo nela somente a correção da tabela do IRPF. A “compensação”, ou seja, a roubalheira tributária, deverá ser encaminhada através de “Projeto de Lei”, dando ao governo mais tempo para tentar recompor a sua base de bajulação entre os parlamentares venais, úteis principalmente para o encaminhamento das medidas impostas pelo neoliberalismo e que contrariam os interesses genuínos do povo trabalhador do Brasil, como o aumento de tributos, as “reformas” sindical, trabalhista e universitária.

            Algum brasileiro – de qualquer matiz político – algum dia imaginou que o PT fosse fazer um governo tão desastrado e direitista? E alguém sinceramente duvida que eles consigam se reeleger em 2006? Que pesadelo, meu Deus!

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 31/03/2005

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