Soraya Garcia, ex-assessora do PT
reitera denúncias
Soraya declarou à CPI
dos Bingos que o PT de Londrina movimentou, na campanha para a eleição do atual
prefeito de Londrina/PR em 2002, Nedson Micheletti, cerca de R$ 6,5 milhões, dos
quais apenas R$ 1,5 milhão teriam sido oficialmente contabilizados. O restante
era dinheiro de caixa 2.
Levada às lágrimas pelos
senadores petistas Tião Viana (AC) e Flávio Arns (PR), que tudo fizeram para
desqualificar seu depoimento à CPI proferindo impropérios sobre sua honra e
dignidade, Soraya começou a chorar quando questionada pelo líder do PFL, José
Agripino (RN), que com ela se solidarizou e afirmou acreditar nela que, de fato,
demonstrava enorme franqueza, jamais entrando em qualquer tipo de contradição ou
mesmo fugindo de qualquer questionamento buscando ocultar-se em “Delúbios”,
“Governabilidade” ou outras bobagens do gênero. Embora não tenha apresentado
provas, seu depoimento, como operadora dos esquemas de arrecadação ilícita do PT
foi convincente.
A depoente afirmou não
saber qual exatamente a origem do dinheiro, "a não ser 400 pilas" (R$ 400 mil)
que, segundo afirmou, seu chefe na campanha, Augusto Hermeto Dias Júnior, da
Executiva municipal e secretário da Gestão Pública da Prefeitura de Londrina,
disse que teriam sido doados pela binacional Itaipu.
Vergonha de ser PT
Soraya disse que se
filiou ao PT "por paixão", mas que hoje se sente envergonhada de tudo o que foi
obrigada a compartilhar. Ela relatou que, desde que começou a fazer denúncias
sobre caixa 2, não conseguiu mais nenhum emprego, vendo-se na contingência de
viver da ajuda de desconhecidos. Mas afirmou, entre lágrimas sinceras, que não
se arrepende. "Se 1% dos brasileiros fizessem o que eu estou fazendo, o País já
teria passado todo esse escândalo a limpo".
Câmara limita gastos de campanha
A Câmara Federal votou
projeto de lei que diminui gastos em campanhas eleitorais, numa tímida resposta
à forte reação da opinião pública desde que a crise do Mensalão começou, em
junho do ano passado.
O projeto proíbe gastos
com brindes, como lápis, chaveiro, ventarola, camiseta, boné. Proíbe ainda a
realização de showmícios e outdoors para candidatos a deputado federal e
estadual. Candidatos a senador, governador e presidente, contudo, continuam
podendo espalhar outdoors pelo país todo...
Além disso, ficam
proibidos também o telemarketing, trios elétricos e anúncios pagos em jornais.
A partir de 6 de agosto,
a cada 30 dias os partidos ficam obrigados a divulgar na Internet as contas de
campanha, mas preservam o direito de omitir os nomes dos doadores. Só na
prestação final das contas de campanha é que os partidos ficam obrigados a
divulgar os nomes dos doadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, reais ou
fictícias...
Se as campanhas ficarão
mais baratas com a proibição da distribuição de brindes é uma incógnita. A
principal despesa dos candidatos em campanha dirige-se aos marqueteiros e à
produção de programas de rádio e TV, também sem limites na legislação a vigir.
Dentro dos marcos da
democracia representativa burguesa, idealmente se deveriam discutir programas de
governo, propostas, etc. Dada a realidade brasileira, tudo isto fica reduzido à
maquiagem do candidato providenciada pelos marqueteiros...
Tudo indica que um dos
eixos centrais da próxima campanha eleitoral será a discussão ética: quem rouba
mais e quem, apesar de roubar, faz alguma coisa para minorar a agonia da brava
gente brasileira.
Vem aí o carnaval, a
seguir a copa do mundo e, finalmente, o debate político. Nada nos autoriza ao
otimismo: Lula da Silva tem se pautado pelo encaminhamento mais chulo da
política brasileira e o nível intelectual e moral da próxima campanha ficará ao
rés-do-chão. A ética, a honradez, a moralidade, que deveriam ser pré-requisitos
à atividade do Homem Público serão guindadas a posição de destaque. Pouco se
falará em programas de governo ou propostas para o Futuro do Brasil. Tudo indica
que teremos a campanha de mais baixo nível da história do Brasil.
Aprovando a
distribuição de bonés e camisetas os senhores congressistas pretendem limpar a
sua barra com o eleitorado, mas esta medida é absolutamente inócua para eliminar
o caixa 2 das campanhas
Como pontuou
lucidamente Lúcia Hippolito na Rádio CBN na madrugada de quinta-feira passada:
“Acaba só com a camiseta, o boné, o chaveirinho e a festa.”
Lázaro
Curvêlo Chaves – 09/02/2006
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