Pesquisa personalizada

 

 Transformações Ontológicas e a Nova Idade das Trevas

 

 

            Consideravelmente recentes acontecimentos me conduziram a perder totalmente a fé em deus e nos seres humanos. Aos 52 anos, creio ser um caminho sem retorno embora já tenha mudado de idéia várias vezes ao longo da vida. Nietzsche dizia “Nós, Espíritos Livres, não nos deixamos matar por nossas idéias, não estamos tão seguros delas. Mas seguramente nos bateremos até a morte pelo nosso direito a ter idéias e mudá-las de acordo com a nossa consciência”. Hoje falo do quanto ganho ao não mais acreditar em fantasmas celestiais ou propagandas humanas. Oportunamente aprofundarei como a Maçonaria me fez descrer totalmente do ser humano.

            Depois de ler “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins (resenha aqui) estou persuadido de que tudo o que me impingiram desde a infância no Externato Pio XII – um colégio de freiras – como verdade absoluta e inquestionável, não se sustenta na prática. Há erros crassos na Bíblia – um livro, afinal de contas constante de uma compilação costurada no Concílio de Nicéia em 576 d.C. escrito por dezenas de autores diferentes em diferentes estados de espírito – descartando sumariamente algumas centenas de outros escritos sobre o mesmo assunto mas com incoerências ainda maiores – O Evangelho de Tomé, irmão de Jesus, por exemplo, cita que, na infância foi picado por uma cascavel; Jesus soprou o ferimento, a ferida da mordida da cobra desapareceu e a cascavel explodiu – ou situações desconfortáveis aos padres da Igreja no momento em que o Império Romano (o que dele restava, enfim) se transformava de sexualmente liberado em sexualmente reprimido e repressor. Daí, o Livro de Pedro ser expurgado – nele, seja quem for que o tenha escrito – Pedro manifesta seu desconforto com os beijos na boca que Jesus dava constantemente em Maria Madalena e temia que ele contasse a ela na alcova, mais sobre “o Reino” do que aos demais dos apóstolos. A idéia de uma “apóstola” mulher numa ambiência virulentamente masculina não cabia. 

            Enfim, a compilação sobreviveu mais ou menos incólume até ser traduzida por Martin Luther (Martinho Lutero) que, em Alemão, foi tão completamente cioso que incluiu, sem problema algum, os livros que mais tarde os protestantes expurgarão da Bíblia também: Macabeus, Eclesiástico... Ocorre que o Rei Jaime decidiu juntar um grupo de sábios para traduzir a Bíblia de Lutero para o Inglês com tantas consultas quantas possíveis aos originais em latim, grego, aramaico e outros dialetos constantes dos textos ditos “originais”. O Rei Jaime, quiçá influenciado pela comunidade judaica residente nas Ilhas Britânicas, tomou a decisão de remover a luta encabeçada por Judas Macabeu contra os gregos num tempo em que os Levitas (a casta sacerdotal por direito encarregada da defesa da doutrina da pureza da fé judaica) se calou, se omitiu ou aderiu aos gregos (como mais tarde Saulo de Tarso, judeu, aderirá aos romanos – em todas as sociedades dominadas por uma potência externa sempre há um grupo de pessoas que,  por este ou aquele motivo, vêem qualidades no dominador poderoso; uma espécie de “Síndrome de Estocolmo” coletiva...). Retalha que retalha, muitos livros sagrados para os Judeus não estão na Bíblia cristã, vários livros importantes até para Lutero e seus seguidores foram expurgados da versão do Rei Jaime (em inglês, “King James Bible”). João Ferreira de Almeida passou a vida traduzindo a versão King James para o Português – com mui escassas consultas às fontes originais – e morreu sem concluir a tradução, terminada pelo seu filho. A versão Ferreira de Almeida é aquela atualmente usada pelos protestantes brasileiros e difere muito da católica (quase ipsis literis idêntica à de Lutero) por mero capricho do Rei Jaime da Inglaterra... 

            Esta digressão acima resultou longa e com datação imprecisa. Suficiente, contudo, para demonstrar um ponto nodal: as “Escrituras Sagradas” nascem maculadas na fonte (O Concílio de Nicéia) e sofrem modificações involuntárias (algumas palavras do hebraico foram mal traduzidas ou interpretadas. Cito o caso relatado por Sam Harris – outro colosso da luta da Razão e da Ciência contra a fé cega – a palavra “almá” = moça jovem, traduzida como “virgem” e fazendo com que Jesus “nasça de uma virgem” em pelo menos dois dos Evangelhos canônicos. Sofreram ainda modificações voluntárias – a remoção dos não-levitas Macabeus, por exemplo, uma vergonha para o povo Judeu que tenha sido necessário o levante de pessoas não ligadas à defesa da doutrina da fé judaica para defendê-la contra os gregos quando os Levitas estavam preocupados com outras questões – uma daquelas “verdades incômodas” que se decidiu por suprimir. 

          Não é mais possível acreditar em coisas dogmáticas, sem possibilidade de comprovação empírica alguma. Sem dúvida precisamos de um novo Renascimento, pois estamos vivendo uma era de trevas e escuridão semelhante à Idade Média. A diferença crucial reside em que hoje é o Poder Econômico que limita a pesquisa científica e a felicidade dos seres humanos. 

          Na Idade Média, a Igreja Católica Apostólica Romana foi ganhando tanto poder na Europa que coroava ou excomungava reis e todo o conhecimento válido era exclusivamente aquele sancionado pelo Vaticano. Segundo Carl Sagan, isso durou uns 1.000 anos em nossa história e provocou um atraso monumental no conhecimento do funcionamento do organismo humano e mesmo do nosso Universo – que a Física Moderna já é capaz de provar a existência de vários outros “Universos” paralelos, já falando em “Multiversos”. 

            Como não era possível, durante aquela Idade das Trevas, a produção, na Europa, de qualquer conhecimento laico, vários pensadores cristãos tentaram em vão chegar mais próximos da realidade das coisas como são realmente e não como a Igreja impunha que se acreditasse – levando o seu direito a idéias diferentes ao limite do sacrifício, como ocorreu com Giordano Bruno e Galileu Galilei, entre tantos menos conhecidos. 

            Mesmo Cristóvão Colombo teve dificuldades em persuadir a Universidade de Salamanca (rigidamente católica, segundo os rigores e normas da época) de que seria possível fazer uma viagem de circunavegação quando a idéia da esfericidade da Terra já se tornava aceitável à Igreja. Colombo estava certo em suas premissas mas não havia meios de se saber, naquele tempo, que havia um continente inteiro no meio do caminho (o que hoje chamamos de América, esse pedaço enorme de terra contínua que vai do Norte do Canadá até o Sul da Patagônia, se separou há mais de 45.000 anos da Europa e da África na eterna deriva dos continentes. Ora, sendo a Terra redonda (em verdade ligeiramente ovalada, como uma pêra), indo em linha reta na direção do Sol Poente, se chegaria até a Terra do Sol Nascente, as Ilhas de Cipango (Japão) e o Império Catai (China).

          Tzvetan Todorov em “A Conquista da América” fala da paixão que movia Colombo – de primeiro nome Cristóvão e, a exemplo do cidadão de mesmo nome “santificado” pela Igreja, teria levado Jesus através das águas para o outro lado – a tal ponto que morreu sem saber que havia chegado a um novo continente. Em seus diários, por vezes falava de coisas que Marco Polo relatou quando de sua viagem à China com uma visão tão apaixonada quanto imprecisa. Ao ver golfinhos diferentes, registra: “hoje vimos as sereias de que Marco Polo falava, mas não as considerei tão belas...” Ao chegar ao Caribe após a tripulação quase se amotinar, Colombo viu papagaios e homens com olhos amendoados, confirmando que estava finalmente nas Ilhas de Cipango. No Caribe se falava na Confederação Asteca, então muito poderosa e Colombo imaginava ser o “Império Catai”.

            Enfim, num misto de raciocínio lógico e superstições atávicas ao tempo, Colombo conseguiu uma grande realização – excelente para os Europeus, mortal para os nativos do continente há 45.000 anos separado da civilização Européia.

           Libertando-se arduamente dos atavismos, das superstições e crenças ilógicas a Ciência finalmente se liberta das amarras da Igreja ali pelo tempo do Iluminismo e tem início uma incontornável rivalidade. Razão e Ciência se fundamentam na Lógica, em Provas, Evidências, Repetições, Testes. As Igrejas Cristãs (os protestantes pouco ficam a dever aos católicos neste quesito, deploravelmente) partem de premissas irreais e imprecisas como “deus criou o universo há 6.000 anos, em torno do Oriente Médio, no meio de uma tribo nômade de Pastores de Ovelhas”. A quantidade espantosa de seres humanos que ainda mantêm essa crença irracional e imprecisa não se detém em pensamentos mais profundos, mesmo rasamente profundos como “e o Petróleo – matéria orgânica em decomposição que, depois de alguns milhões de anos se transforma em fonte de energia?

          A Idade do Planeta Terra é hoje acuradamente medida por Físicos da NASA e astrônomos do mundo inteiro em 4,5 BILHÕES de anos e a Espécie Humana – gente como eu e você, com pequeninas modificações cosméticas – habita nosso planetinha há pelo menos 250.000 anos. O Fato da Evolução das Espécies através da Seleção Natural, segundo postulada por Charles Darwin explica com clareza lapidar a existência da diversidade da vida em nosso planeta. Há quem se incomode com o fato de os cientistas se referirem aos dados compilados e publicados por Darwin pelo nome correto como “Teoria da Evolução” – que se refere a um fato comprovado, não por testemunho ocular, que seria impraticável, mas por uma esmagadora quantidade de evidências. Cientificamente, é correto falar na “Teoria da Gravidade”, na “Teoria do Eletromagnetismo”, etc. “Teoria” é o nome dado à conclusão científica de um fato amplamente pesquisado, estudado e conferido por uma comunidade imensa de seres humanos usando parâmetros padronizados – como medições de peso, de tempo, de textura, etc.

 

 

 A Nova Idade das Trevas

 

 

            Novamente, após algumas centenas de anos, a humanidade se vê mergulhada em nova Idade das Trevas... Já comecei este tema e a ele volto enquanto o desconforto durar: http://www.culturabrasil.org/semanal.htm  

            Os novos donos do poder no mundo – consequentemente de todo o consenso possível – são os Banqueiros, donos de Grandes Corporações e Jogadores das Bolsas de Valores. Eduardo Galeano aponta que o mundo se encontra de pernas para o ar: neste tempo sombrio se pune severamente o trabalho e se premia regiamente as falcatruas, a corrupção, a ladroagem legalizada...

             A coisa toda começa com a criação do Banco Central da Inglaterra, no século XVIII. Os estadunidenses lutam bravamente contra essa tarântula que busca ramificar-se e tomar conta de sua nação. Capitula no início do Século XX com o que finalmente vem a ser o FED – Federal Reserve – que é um banco privado, com fins lucrativos, não é federal, e não detem reservas no sentido tradicional do termo. Detem contudo a exclusividade do direito de emissão da moeda circulante no país. Em meados do Século XX, quando os EUA financiam e estimulam os golpes militares que se multiplicam na América Latina, são criados os Bancos Centrais do Brasil, da Argentina, do Chile, do Paraguai, etc. 

            No final do Século XX, com a União Européia, se cria o Banco Central Europeu, nos mesmos parâmetros do Britânico, do Estadunidense e do Argentino: não está subordinado a qualquer autoridade e tem a exclusividade do direito de emissão da moeda que todos usam. 

            Sendo entidades privadas, com fins lucrativos e alianças estreitas com todos os banqueiros e grandes jogadores privados, tendo a exclusividade do poder de emissão do meio circulante, os Bancos Centrais são hoje – o do Brasil incluso – a entidade política mais poderosa de todas as Nações, acima dos governos, parlamentos e órgãos judiciais (frequentemente com ramificações e aliados nas três instâncias imaginadas para o Poder ao tempo do Iluminismo). Hoje, no mundo, só há um Poder: o “Mercado” – e mercado de capitais. As bolsas de valores decidem quem deve presidir os Bancos Centrais, o Banco Mundial, o FMI e de que maneira a Economia dos países deve ser encaminhada. 

            Não é difícil perceber as vantagens de uma Economia Planificada. Em verdade, todo o chefe de família ou dona de casa planeja seus gastos e investimentos de forma racional e lúcida – os que não o fazem acabam com problemas homéricos! 

            Na Idade das Trevas em que vivemos hoje, “Economia Planificada” não é sequer admitida como hipótese. A mão cega do mercado deve gerir toda a economia com base na lei da oferta e da procura (é a tese de Adam Smith rebatizada como “Neoliberalismo” ou que nome se queira dar). 

            Se na Idade das Trevas medieval era fundamental prestar lealdade à Igreja para conseguir estudar e progredir na existência, na Idade das Trevas que vivemos atualmente, a concordância com a “liberdade do mercado” é um pré-requisito ao estudioso de Ciências Humanas. O Estudante que não concorda coma rapina do mercado de capitais sobre os seres humanos simplesmente é tido como idiota, "tem inteligência limitada", "não passa de ano" nem encontra orientador a teses discordantes do modelo que nos jugula. As trevas avançam... 

            De vez em quando vemos um ou outro dissidente tentar erguer a voz em nome do bem-estar do ser humano, evidentemente muito mais relevante que o bem-estar do capital ou da situação econômica dos bancos e criminosos afins. Se aparecem na Grande Mídia são imediatamente silenciados, colocados no ostracismo e tratados como desviantes, tresloucados incapazes de compreender que “as vantagens do liberalismo econômico chegam aos lares de todos os seres humanos” – uma das mais repetidas mentiras de nossa Era que, contudo, merece a fé cega da maior parte da população. 

            No Julgamento de Nuremberg, em 1946, Albert Speer, “o melhor arquiteto do Reich”, aparentemente sinceramente arrependido por haver seguido os delírios de um louco por duas décadas, respondendo a uma pergunta do promotor “a que se atribui que uma Nação tão inteligente, rica e sofisticada como a Alemanha haja sucumbido a uma sandice tão absurda como o Nacional Socialismo?” – Speer respondeu que isto se devia, principalmente, aos modernos meios de propaganda, capazes de fazer com que as pessoas acreditassem mais no que ouvem dos púlpitos do que em seu cotidiano mesquinho. E isso em 1946! Surpreende que o avanço dos meios e técnicas de propaganda transforme a todos em cegos à realidade que vivem em pleno Século XXI?

             Estudantes idealistas ingressam em faculdades particulares – um dos métodos de destruição da razão nestes tempos sombrios é a destruição sistemática do Ensino Público e Gratuito de excelente qualidade que tínhamos – tentando simular uma concordância inicial com as premissas necessárias ao seu ingresso (“Todo o poder aos mercados”; “nada de economia planificada”) mas, via de regra, acabam sucumbindo de fato às idéias que simularam meramente para o ingresso – dado o Poder colocado no processo ensino-aprendizagem nas faculdades particulares – ou, se não concordam em absoluto com tais absurdidades, acabam reprovados como se não estivessem entendendo. 

            Fica esta denúncia: as faculdades de ciências humanas (em particular de economia e ciências sociais) ensinam um jargão impenetrável de absurdidades que, quando decodificadas são claramente lesivas à maioria dos seres humanos que vivem, trabalham e amam e altamente benéficas às altas transações financeiras dos ociosos que estão na cúpula. Se você não concorda com estas premissas “vamos reforçar a economia dos bancos, das grandes corporações e dos jogadores da bolsa retirando dos impostos pagos pelos seres humanos que trabalham o dinheiro necessário ao enriquecimento desproporcional da camada ociosa no alto da pirâmide” o final é ser reprovado como alguém que “não consegue entender as ciências humanas no século XXI”. Entender é bobagem, basta ter uma capacidade mediana de apreensão que se percebe claramente a mensagem – reportagem recente do New York Times inclusive aponta para as vantagens dos especuladores (por eles alcunhados de “investidores”) portadores de leves deficiências mentais em face a outros mais brilhantes: é que os deficientes demonstram ausência de empatia, uma “qualidade” ou “vantagem” sobre aqueles que pensam em seus semelhantes quando, em suas negociatas, eliminam empregos, reduzem salários e direitos trabalhistas pra ampliar o lucro dos de cima.

     

Soluções?

 

             Ressalvando que o modelo econômico atual toma conta de todo o sistema educacional e de propaganda (rádios, jornais, emissoras de TV, escolas, igrejas, etc), tornando as alternativas motivo de mofa ou reação violenta por parte dos fanatizados por um sistema que lhes oprime, há soluções, claro, mas passam pelo despertar de todos os adormecidos ou entorpecidos pelos múltiplos Aparelhos Ideológicos de Estado, que os Estados são hoje coniventes - entusiastas mesmo! - da rapina do povo em prol da concentração de riquezas em grandes bancos, corporações e jogadores que nada produzem.

             O que seria necessário? Alguém tem de pensar numa saída para essa Idade das Trevas em que nos enfiaram e em algum momento - bem antes do que muitos imaginam ou querem fazer crer -  a quebradeira geral obrigará a refletir em torno dos temas seguintes:

            Reformar o sistema bancário mundial é inútil. Fundamental, neste momento de emergência humana que vivemos, é a destruição total de todo o sistema bancário mundial como está colocado. 

            Que volte ao povo soberano de cada país o poder de emitir sua própria moeda. Que se fechem os Bancos Centrais e se criem novos mecanismos para atender às necessidades econômicas dos trabalhadores. O FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, além de estarem viciados na origem, hoje se colocam na primeira linha da defesa do modelo econômico genocida e ecocida vigente: não se poderá aproveitar sequer um de seus quadros se o que se deseja é criar de fato ( e não como a propaganda repete tão hipnoticamente quanto não o faz na prática ) criar um mundo sustentável, com pleno emprego, recompensa ao trabalho e punição à corrupção. Voltar o mundo humano à posição natural de cabeça erguida, invertendo a situação de ponta-cabeça em que os podres poderes em sucessão nos vêm enfiando cada vez mais. 

            Como os governos vêm trocando papel – “bônus do Tesouro Nacional” ou seja lá que nome lhe dêem – por moeda sonante a custos elevadíssimos aos agiotas do mundo há décadas sem fim, a dívida (externa em alguns países, internalizada por ordem expressa do FMI em casos como o brasileiro e argentino) é ilegítima e o primeiro passo a ser dado é uma MORATÓRIA a ser seguida por uma auditoria rigorosa que deve ser realizada de forma acurada, cautelosa e sem pressa. Tudo indica que os agiotas nos devem muito do que tomaram dos povos do mundo mal representados por seus governantes que dizem uma coisa para que sejam eleitos e fazem outra diferente quando no poder. Essa dívida, se de alguma forma existente, definitivamente não é do povo, que em nada se beneficiou com ela em todas essas décadas! 

            Como está, não pode ficar – por motivos óbvios – a se manter o sistema econômico mundial no ritmo e na rota em que se encontra hoje, dentro de 10 anos teremos de pagar não meros 45% mas 70% de tudo o que ganhamos com o suor do nosso rosto em impostos para pagar apenas os “serviços” da dívida crescente. Estima-se que em 25 anos seria necessário o PIB de 4 Planetas Terra inteiros para pagar somente os serviços da dívida. É evidente que isso tem de acabar e que vai acabar, por bem ou por mal. 

            Ouso sugerir o que me parecem medidas RACIONAIS que devem ser tomadas. O futuro do sistema econômico mundial, como está, tende a ampliar cada vez mais a extração de recursos dos trabalhadores através das elevações de impostos até chegar ao limite da tolerância. A alternativa às medidas racionais sugeridas, infelizmente, é esperar que, nesta dança de cadeiras do mercado a música pare de tocar por falta de “combustível” e tenhamos de fazer – às pressas, na correria, na marra – o que se deveria fazer fria e racionalmente com a maior urgência possível! 

            Enquanto isso, a aliança macabra entre o grande capital financeiro e as religiões impede a pesquisa científica. Se nos EUA julga-se a pesquisa de uma vacina contra a AIDS desaconselhável do ponto de vista religioso, pois tenderia a tornar a prática do sexo ainda mais livre, encontra eco fanático nos economistas venais que vêem nisso uma fórmula magnífica de cortar verbas da pesquisa científica para a engorda dos bolsos de seus patrões. 

            No Brasil, a falta de investimento na pesquisa científica nos deixa numa situação vexatória de atraso, com doenças já erradicadas há décadas, de volta a dizimar a população. A produção de vacinas vem num decréscimo proporcional ao crescimento da população. A Saúde Pública, sem recursos – “contingenciados” para a engorda dos banqueiros e jogadores da bolsa – paga menos de R$ 2,00 a cada consulta médica. 

            Caramujos africanos – que algum babaca soltou no meio-ambiente causando um impacto ecológico de proporções gigantescas – infestam nossas cidades e ninguém recebe estímulo para estudar meios de erradicar esse potencial vetor de doenças seriíssimas! 

            A Dengue segue matando gente sem que o governo invista um único centavo na busca de uma vacina para a doença. A exemplo do caramujo, o conselho é catar e exterminar os vetores manualmente – sequer o extermínio ecologicamente correto dos vetores é cogitado ou recebe o menor incentivo.

           Postos de saúde pública com pouquíssimos profissionais qualificados e pessimamente remunerados, trabalhando em ambientes abarrotados de gente desesperada e infectada pelos mais diversos tipos de germes, vírus e bactérias (muitos dos quais erradicados em início do século XX e de volta com plena força no início do século XXI, esta nova idade das trevas). A situação, por vezes, ultrapassa a barreira da mídia (seja por que o dono da emissora televisiva, rádio ou jornal precise de dinheiro do BNDES e use esse tipo de coisa para pressionar, calando-se rapidamente uma vez sua chantagem satisfeita) percebemos com clareza a situação:

_ Nas enfermarias dificilmente se encontra álcool gel, luvas cirúrgicas descartáveis, algodão, gaze, esparadrapo... Pior: há água corrente, mas não há sabão (seja líquido ou sólido) nem toalhas de pano para enxugar as mãos, que dirá toalhas higiênicas, de papel mesmo!

_ Médicos mal formados, pessimamente remunerados e trabalhando com visível má-vontade consultam enfermeiras mais antigas para saber que medicamento prescrever em casos tais e tais.

_ Na sala de espera, sem triagem alguma, os vírus, bactérias e germes em geral do "respeitável público" podem interagir livremente, sem qualquer intervenção estatal, bem ao gosto do mercado e ampliando o número de vítimas humanas.

           O caos existente DE FATO na saúde e educação públicas, assim como na infraestrutura rodoferroviária, aeroportuária e marítima é fruto da eleição de gente incompetente que nomeia seus apaniguados não mais segundo critérios técnicos mas segundo critérios político-partidários.

            A fraude, a corrupção, o desvio de recursos, o suborno, o compadrio são mais regra do que exceção entre os políticos eleitos para exercer outro tipo de função - mas, novamente, no mercado de candidatos, ou melhor, aqueles que conseguem (mediante suborno, fraude, compadrio, etc.) ser nomeados dentro dos partidos para concorrer a cargos públicos iguala a todos por baixo e explica os motivos de leis de iniciativa popular como o "Ficha Limpa" terem tanta dificuldade para passar e, ao cabo, são vetadas no Supremo Tribunal Federal (nomeado pelos políticos eleitos sabemos como): "tá tudo dominado..." Confira: http://culturabrasil.org/brasilcontroladoporcriminosos.htm

 

              Confira a apresentação ao final de meu protesto contra o voto compulsório:

 

http://culturabrasil.org/nao_ao_voto_compulsorio.htm

 

Para maior aprofundamento desta questão candente recomendo ainda

 http://www.themoneymasters.com/

 

 

 E tome propaganda!

 

            Ainda me lembro de como o IUPERJ – Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – pregava o “Estado Mínimo” como solução a todos os males do Brasil. Tão “certo” estavam que vejam só o que a diminuição do Estado provocou em termos de violência urbana não apenas mas principalmente no próprio Rio de Janeiro! 

            No meio dessa tragédia humana que vivemos a função do governo federal do Brasil ficou reduzida a arrecadar cada vez mais impostos dos trabalhadores, batendo recordes sobre recordes, investir o minimum minimorum em Saúde, Educação, Saneamento, Segurança, Infraestrutura, etc. Gastar muito comprando dinheiro do Banco Central, beneficiando os “amigos do rei” – os escândalos só diminuíram porque a Polícia Federal recebeu ordens expressas de parar de investigar o governo – e tome propaganda! 

            Seria cômico se não fosse trágico. Dia desses, por acaso mesmo – que me desinteressei pela política de quem não tem poder algum, exceto o de fazer propaganda – ouvi a Dilma Roussef dizendo que iria aumentar o bolsa esmola em alguns centavos – qualquer coisa como dos atuais R$ 22,00 para R$ 22,12 – “para que todos tenham sua própria casa, seu automóvel para levar o filho na escola, seus eletrodomésticos onde conservar os alimentos e manter as 3 refeições por dia”. Esclareço que ela não parecia louca nem drogada enquanto proferia essas palavras e afetava mesmo crer que, com R$ 22,00 (confira: http://www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/portal.php/federais_bolsafamilia) se possa comprar casa, carro, comida farta... Esclareço ainda que os aplausos da claque confirmavam a tendência a se acreditar mais no que diz a propaganda do que na realidade da existência. 

            O governo Dilma-Lula-PT não é amigo dos pobres! É amigo da pobreza! Querem manter o miserável em sua condição de dependente de favores governamentais – o que é perfeitamente natural num país atrasado que ainda pratica o voto compulsório contabilizado em urnas eletrônicas capazes de dar o resultado antes que todos terminem de votar. 

            A cura para a pobreza não está na esmola governamental que perpetua a dependência, mas na criação de frentes de trabalho e num exemplo de país digno, capaz de premiar e elogiar o trabalho e punir severamente o lucro fácil dos escroques que impregnam as três instâncias do Poder derivado dos mercados através do Banco Central. 

          “Na Alemanha a crítica religiosa está concluída e esta é a premissa de toda a crítica econômica”, inicia Karl Marx com estas palavras a sua “Crítica à Filosofia do Direito, de Hegel”. O paralelo ficou distante no tempo e no espaço, mas para pessoas capazes de acreditar que Jesus nasceu de uma virgem, andou pelas águas, ressuscitou dos mortos e voltará “a qualquer momento” como um Super-Herói para punir os maus com as chamas eternas do inferno e premiar os bons com uma eternidade de preces e contemplações (seja sincero, qual das opções parece mais penosa?). Quem acredita em sandices assim – e que se multiplicam pães e peixes com um gesto de mágica – seguramente encontrará facilidade em acreditar em toda a bobajada que a propaganda governamental enfia goela abaixo dos brasileiros. 

       Termino este já longo desabafo com as palavras sábias de Adolfo Perez Esquivel em “Vozes Contra a Globalização”: Hay que decir BASTA!

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 20 de março de 2011

 

CONTINUAÇÃO, CLIQUE AQUI

 

Ajude a manter esta página ativa!

Nosso trabalho é mantido gratuito graças a você.

Se desejar contribuir com qualquer valor, você pode nos fazer uma doação através do PagSeguro.

Para tanto, clique no botão abaixo e siga as instruções. Obrigado!

 

OU

 

© Copyleft LCC Publicações Eletrônicas - Todo o conteúdo desta página é de minha autoria (Lázaro Curvêlo Chaves) - a menos que claramente explicitado em contrário - e pode ser distribuído exclusivamente para fins não comerciais desde que  mantida a citação do Autor e  da fonte e esta nota seja incluída.